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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ancoragens e variações nas representações sociais da corrupção]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper, we examine the representations of corruption of Portuguese respondents and attempt to identify variations according to different social groups and to the general, global, or national contexts in which the phenomenon is considered. We found that “corruption, in general”, is represented by practices and motives that reflect a moral judgment, and by illegal groups and activities, as is also the case for corruption at the global level. Corruption at the global level also has a geopolitical dimension, whereas corruption at the national level is seen in a particularized way, highlighting cases and situations often debated in the media.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Ancoragens e variações nas representações sociais da corrupção<a name="top**"></a><a href="#**"><sup>[**]</sup></a></b></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Gabrielle Poeschl*, </b><b>Raquel Ribeiro*</b></p>      <p>* Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto,    Rua Dr. Manuel Pereira da Silva, 4200-392 Porto. e-mails: <a href="mailto:gpoeschl@fpce.up.pt">gpoeschl@fpce.up.pt</a>    e <a href="mailto:rribeiro@fpce.up.pt">rribeiro@fpce.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Examinam-se neste artigo as representações da corrupção de inquiridos portugueses    e procuram-se identificar variações consoante os grupos sociais e os contextos    geral, global ou nacional em que o fenómeno é considerado. Verificou-se que    a “corrupção em geral” é representada por práticas e motivos que reflectem um    julgamento moral e por grupos e actividades ilegais, tal como acontece em relação    à corrupção ao nível global. Esta tem ainda uma dimensão geopolítica, enquanto    a corrupção ao nível nacional é entendida de forma particularizada, realçando-se    casos e situações específicas muitas vezes divulgados pelos <i>media</i>. </p>          <p><b>Palavras-chave: </b>corrupção; representações sociais; globalização; <i>media.</i></p>     <p>&nbsp;</p>          <p><b>Anchoring and variations in the social representations of corruption</b></p>          <p>In this paper, we examine the representations of corruption of Portuguese respondents and attempt to identify variations according to different social groups and to the general, global, or national contexts in which the phenomenon is considered. We found that “corruption, in general”, is represented by practices and motives that reflect a moral judgment, and by illegal groups and activities, as is also the case for corruption at the global level. Corruption at the global level also has a geopolitical dimension, whereas corruption at the national level is seen in a particularized way, highlighting cases and situations often debated in the <i>media</i>.</p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> corruption; social representations; globalization; <i>media.</i></p>     <p>&nbsp;</p>            <p><b>Introdução</b></p>        <p>A corrupção não é um fenómeno novo:      Platão e Aristóteles já utilizavam o conceito, que aplicavam a sociedades      inteiras, a regimes políticos que serviam os interesses de grupos ou sectores      particulares, em vez de seguirem as leis ou procurarem o bem-estar dos cidadãos      (Friedrich, 2002). Mais tarde, o termo passou a      aplicar-se a determinadas acções relacionadas com a justiça e com a relação      entre poder e riqueza (Johnston, 1996). Desde há      alguns anos, a corrupção foi promovida a objecto de estudo, estando no centro      da atenção dos autores de várias disciplinas e suscitando um intenso debate      relativamente à sua definição, extensão e consequências, assim como ao papel      exercido pela globalização na evolução do fenómeno (Blundo,      org., 2000). Além de alimentar as discussões entre especialistas,      a corrupção tem também invadido toda a comunicação social, que, de modo recorrente,      revela casos (ou suspeições de casos) de corrupção, despertando o interesse      do grande público para este assunto e fornecendo uma matéria susceptível de      animar as conversas quotidianas (Tumber e Waisbord,      2004). O presente estudo procura compreender melhor como é que as pessoas      concebem a corrupção e, mais precisamente, o que lhes ocorre espontaneamente      quando pensam neste fenómeno. </p>         <p>A nossa incursão nesta problemática começa por apresentar os pontos de vista    de diversos especialistas relativamente à definição da corrupção, descrever    os esforços desenvolvidos para medir a sua extensão e consequências e analisar    o debate acerca da relação entre globalização e corrupção. Explicitamos as razões    pelas quais consideramos que a corrupção é objecto de representações sociais    para depois apresentarmos a informação contida nas representações apreendidas    no inquérito efectuado, mostrarmos a existência de variações nessa informação    em função de diferentes grupos e contextos em que o fenómeno é evocado e examinarmos    a possível existência de uma relação entre a percepção da corrupção e as opiniões    sobre as instituições nacionais e globais. </p>     <p>&nbsp; </p>        <p><b>Definições e medição      da corrupção</b></p>        <p>Definir a corrupção é uma tarefa complexa.      Os cientistas políticos utilizam muitas vezes o termo para referir actos em      que o poder, que deriva de uma posição pública, é      utilizado para benefícios pessoais (Jain, 2001),      ou definem a corrupção como a má utilização de um cargo público para benefícios      privados (Treisman, 2000). Eles defendem que um      indivíduo ou um grupo é culpado de corrupção quando aceita dinheiro ou valores      para fazer algo que, de qualquer forma, era seu dever fazer ou não fazer,      ou quando utiliza a sua autoridade de forma ilegítima (McMullan,      1961). Estes autores tendem a reservar o termo “corrupção” para descrever      acções relacionadas com o desempenho de um papel público, como o suborno,      a extorsão ou o nepotismo (Nye, 1967), ou seja,      com formas de troca social ocultas, em que os detentores do poder político      ou administrativo se servem do poder ou da influência conferidos pelo seu      mandato ou pela função que exercem (Mény, 1992).      Neste sentido, portanto, os comportamentos corruptos não incluem os comportamentos      que relevam da esfera privada dos funcionários públicos, nem as acções realizadas      por cidadãos que não desempenham um cargo público, nem as acções perpetradas      por grupos criminosos organizados (Gardiner, 2002).      </p>        <p>Uma definição da corrupção restringida      ao sector público tem sido questionada nos últimos anos por vários autores,      nomeadamente pelos economistas. Estes autores argumentam que existe uma ampla      evidência de que muitos actos de corrupção ocorrem também no sector privado      e que a corrupção nem sempre é utilizada para benefícios pessoais (Hodgson e Jiang, 2007). Eles observam      que a raiz latina do termo “corrupção” — que significa podridão, decomposição,      putrefacção e, no contexto social, deterioração moral — não justifica a reserva      da noção de corrupção ao domínio público. De facto, constata-se que o termo      é muitas vezes utilizado, na actualidade, para descrever um vasto leque de      condutas que surgem nas mais diversas áreas, desde as empresas transnacionais      até aos sindicados ou ao desporto. </p>        <p>Para contornar as dificuldades encontradas      quando se propõe uma definição conceptual da corrupção procurou-se construí-la      a partir da identificação dos actos especificamente punidos por lei. Contudo,      esta tarefa também se revelou complicada, já que não há consenso relativamente      à classificação das práticas (Miller, 2005). Assim,      vários autores, nomeadamente os antropólogos, sublinham que a definição da      corrupção é relativa, que práticas ilegais em alguns países ou determinadas      épocas são aceites noutros países ou noutras épocas (Hodgson e Jiang, 2007). Encontraram-se      as mesmas dificuldades ao considerar a corrupção como a violação de determinadas      normas de comportamento (Scott, 1972). Neste caso,      mais uma vez, as normas são culturalmente construídas e não há consenso sobre      o que é considerado corrupção quando certas regras e procedimentos não são      respeitados (Pardo, 2004). </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta constatação explica que muitos      autores ligados, nomeadamente, ao domínio da filosofia entendam a corrupção      como uma questão de moral (Miller, 2005). Com efeito,      se o que é ilegal não é forçosamente considerado imoral e ilegítimo, o que      é legal não é forçosamente visto como moral e legítimo. Esta afirmação é apoiada      pelo facto de novas leis poderem rapidamente tornar legais actos anteriormente      ilegais (Pardo, 2004). Pelo contrário, parece ser consensual que descrever      alguém como “corrupto” é apresentá--lo como pouco ético, movido pelo desejo de riqueza, estatuto      ou poder, exprimindo desaprovação moral (Miller,      2005). </p>        <p>Ora, se é verdade que qualificar alguém      de corrupto tem uma conotação negativa, a aplicação desta “etiqueta” está      longe de ser consensual, verificando-se que numa mesma sociedade as opiniões      divergem sobre o que são comportamentos corruptos (Gardiner,      2002). Existem, nomeadamente, divergências entre as opiniões da elite e do      grande público que levaram Heidenheimer (2002) a      distinguir gradações na corrupção. A “corrupção preta” designa as acções que      a elite e o grande público condenam e desejam ver punidas, a “corrupção cinzenta”      as acções que avaliam de forma divergente e a “corrupção branca” as acções      que a elite e o grande público toleram e não consideram merecer punição. Estas      distinções, que se baseiam no peso da opinião pública, não deixam de ser frágeis,      na medida em que as atitudes do grande público em relação à corrupção (como      a outro tipo de problemáticas) tendem a flutuar em função dos acontecimentos      e ainda porque o “grande público” é constituído por vários grupos sociais,      que também têm diferentes atitudes e opiniões relativamente à corrupção (Johnston,      2005). </p>        <p>Importa talvez salientar que o debate      acerca da definição da corrupção não se restringe a clarificar um problema      de terminologia: o modo como esta é definida determina o que é medido e as      disposições que são adoptadas para combater certas práticas (Jain, 2001). Porém, nem as dificuldades encontradas para circunscrever      o fenómeno nem o facto evidente de que as pessoas envolvidas em crimes de      corrupção se mostram pouco dispostas a colaborar em inquéritos impediram os      esforços desenvolvidos para medir a corrupção. A Transparência Internacional      — uma organização não governamental fundada na Alemanha com o objectivo de      combater a corrupção — concebeu, nomeadamente, três indicadores para medir      a evolução da corrupção nos diferentes países do mundo. </p>         <p>O Indicador de Percepções de Corrupção (<i>Corruption Perceptions Index, </i>ou    CPI), criado em 1995, é um <i>ranking</i> anual que ordena os países (180 países    em 2009) em função dos níveis de corrupção percepcionados no sector público.    O indicador baseia-se em diversos inquéritos a especialistas e homens de negócios.  </p>         <p>O Indicador de Pagadores de Suborno (<i>Bribe Payers Index, </i>ou BPI) analisa    a perspectiva dos fornecedores e ordena os países e os sectores industriais    fontes de corrupção. O indicador avalia a probabilidade de as empresas dos países    mais ricos e industrializados (22 países em 2008) pagarem “luvas”, exportando    assim as práticas corruptas quando fazem negócios noutros países. Assenta nas    observações de quadros que pertencem a companhias com importantes investimentos    no estrangeiro. </p>     <p>O Barómetro Global da Corrupção (<i>Global Corruption Barometer, </i>ou GCB)    avalia, por sua vez, em que medida as principais instituições e serviços públicos    (os partidos políticos, os funcionários, o parlamento, as empresas do sector    privado, a justiça, os <i>media</i>) são percepcionados como corruptos. Avalia,    ainda, a percepção dos esforços dos governos para combater a corrupção. Este    indicador tem por base inquéritos ao público, em geral (73 132 inquiridos de    69 países para os dados de 2009), que registam as suas opiniões e experiências    com a corrupção.</p>         <p>Apesar de os indicadores medirem a percepção da corrupção, e não a corrupção    (um aspecto criticado por vários autores), a Transparência Internacional acredita    que a percepção é uma medida válida da corrupção. Esta opinião radica no facto    de o Indicador de Percepções de Corrupção estar significativamente correlacionado    quer com o Barómetro Global da Corrupção, quer com as experiências de pequena    corrupção declaradas pelos inquiridos (Transparency International, 2009b). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Extensão e consequências da corrupção</b></p>        <p>Os resultados dos inquéritos da Transparência      Internacional revelam que a corrupção está presente em todas as sociedades.      Há mais corrupção nos países menos desenvolvidos, com menos tradição democrática      e sistemas judiciais mais fracos, e a relação entre pobreza e corrupção parece      inquestionável (Seyf, 2001). Contudo, a relação      entre o nível de desenvolvimento dos países e o grau de corrupção nacional      não é linear: há menos corrupção no Uruguai ou no Botswana do que na Itália      e na Grécia (Transparency International, 2009a). </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As diferenças entre nações prendem-se      sobretudo com o tipo de corrupção e a sua extensão (Seyf,      2001). Por um lado, a pequena corrupção parece mais frequente nos países menos      desenvolvidos, onde muitas vezes se devem pagar “luvas” para obter serviços      que deviam ser prestados gratuitamente (CMI, 2009). Por outro lado, muitos      escândalos trouxeram à luz práticas de grande corrupção nos países mais desenvolvidos      e democráticos, em particular no caso de amplos projectos de construção e      de contratos ligados com assuntos de defesa nacional (CMI, 2009). </p>        <p>Para os autores que focam as consequências      económicas e sociais da corrupção, esta não pode ser considerada apenas uma      questão de moral, mas algo que provoca vítimas. Estes autores mostram que      a opinião, defendida em tempos, segundo a qual os benefícios da corrupção      podiam, por vezes, exceder os seus custos tende a ser cada vez mais rejeitada      (Leys, 2002). Sublinham, pelo contrário, que a corrupção      acarreta inúmeras consequências negativas para a sociedade, nomeadamente a      manutenção e o aumento da pobreza (Seyf, 2001).      Assim, segundo o Banco Mundial, a corrupção constitui o maior obstáculo ao      desenvolvimento económico e social (World Bank, 1997). De uma forma geral, em todos os países, os pobres      são os mais penalizados pela corrupção, dado que os benefícios económicos      e os recursos nacionais revertem para os ricos, em vez de serem atribuídos      a programas e serviços que permitem combater a pobreza (CMI, 2009).</p>         <p>A expansão e as consequências da corrupção evidenciaram a importância de as    nações unirem os seus esforços para prevenirem e combaterem o fenómeno. Diversos    tratados e convenções internacionais que prevêem a cooperação internacional    nessa luta foram redigidos e ratificados. A Convenção das Nações Unidas contra    a Corrupção, que entrou em vigor em 2005, é o maior texto juridicamente vinculativo,    ou seja, que obriga as nações contratantes a cumprirem as disposições formuladas    na luta contra o fenómeno. O texto descreve a corrupção não apenas como uma    ameaça à estabilidade e segurança das sociedades, mas também como uma ameaça    aos valores da democracia, da ética e da justiça. </p>         <p>O Programa Global das Nações Unidas contra a Corrupção, destinado a implementar    as provisões desta convenção, define a corrupção como “o abuso de poder para    benefícios privados” e visa promover medidas contra a corrupção tanto no sector    público como no sector privado. Neste sentido, a corrupção inclui o suborno,    a extorsão, o desvio de fundos, o tráfico de influências ou o nepotismo, actos    muitas vezes acompanhados por actividades criminosas, como a lavagem de dinheiro,    a exploração da prostituição ou o tráfico de drogas, de armas e de seres humanos    (UNODC, 2008). </p>         <p>No que respeita à corrupção em Portugal, os dados da Transparência Internacional    (Transparency International, 2009a) indicam que Portugal ocupa a 35.ª posição    (sendo a primeira posição ocupada pelo país menos corrupto) no <i>ranking</i>    do Indicador de Percepções da Corrupção de 2009, com um resultado de 5,8 (numa    escala em que 0 corresponde à percepção de um elevado nível de corrupção e 10    à percepção de um fraco nível). </p>         <p>Os inquiridos portugueses consideram, tal como os de outros países, que os    partidos políticos são as instituições com o maior nível de corrupção (4, numa    escala em que 1 = nada corrupto e 5 = extremamente corrupto) e percepcionam    um aumento significativo da corrupção no sector privado (Transparency International,    2009b). Para a maioria (73%), os esforços do governo para combater o fenómeno    são ineficazes. Contudo, no que respeita à pequena corrupção, apenas 2% dos    inquiridos entrevistados pela Transparência Internacional declaram ter pago    subornos para obter serviços, um valor que não se modificou no intervalo dos    dois últimos anos, apesar de 64% dos inquiridos terem declarado em 2007 que,    na sua opinião, a corrupção em Portugal ia aumentar durante os anos seguintes    (Transparency International, 2007).</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Globalização e corrupção</b></p>        <p>Ao reflectir sobre a relação entre o      desenvolvimento histórico das sociedades e as diversas concepções da corrupção,      Johnston (2005) pergunta em que medida, em vez de      procurar definições consensuais para o conceito, não se devia, pelo contrário,      procurar utilizar as suas variantes para analisar as mudanças sociais. Retomando      a distinção de Heidenheimer (2002) entre “corrupção      branca”, “cinzenta” e “preta”, Johnston sugere que      em muitas sociedades modernas se desenvolve um género de zona cinzenta em      que as regras são instáveis. A influência da globalização neste processo é      indubitável, na medida em que se criam novos papéis e novas regras em consequência      da abertura aos mercados globais, da adopção de tratados internacionais e      do ingresso das nações em organizações supranacionais. Num mundo economicamente,      socialmente e politicamente cada vez mais globalizado, a distinção entre o      Estado e a sociedade, os interesses públicos e os interesses privados, as      conexões aceitáveis ou inaceitáveis entre o poder e a riqueza, torna-se também      mais ambígua (Johnston, 2005). </p>        <p>Paralelamente à questão sobre as modificações      que o processo de globalização poderia trazer às concepções da corrupção,      existe outro debate acerca da relação entre estes dois fenómenos complexos      (para uma revisão da literatura a este respeito, v. Das e DiRienzo, 2009). Vários autores consideram que a intensificação      das relações entre países tem chamado a atenção para a organização interna      das nações, revelando a existência de eventuais práticas corruptas e levando      à elaboração de regulamentos anticorrupção (Williams      e Beare, 1999). Alguns sublinham que a globalização      tem reduzido a corrupção na medida em que afecta as trocas económicas (Mittelman      e Johnston, 1999), enquanto outros observam que      uma diminuição do poder do Estado resultante da globalização parece implicar,      quase automaticamente, uma diminuição das oportunidades de corrupção (CMI,      2009). </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para muitos autores, a globalização      tem, pelo contrário, aumentado a corrupção. Por um lado, as medidas preconizadas      pelas instituições responsáveis por assegurarem um desenvolvimento justo e      sustentável no nosso planeta, como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional,      não apenas aumentaram, mas também produziram a pobreza (Stiglitz, 2002), criando condições favoráveis para o desenvolvimento      da corrupção. Por outro lado, as organizações criminosas globais procuram      corromper não apenas os polícias e os guarda-fronteiras      para proteger as suas actividades ilegais, mas também todo o sistema judicial      (CMI, 2009). Infiltraram-se, progressivamente, em todos os sectores da economia      global, sem encontrarem resistência por parte dos poderes políticos e das      multinacionais da finança e dos negócios, e exercem, actualmente, um papel      predominante nas políticas económicas dos países (Chossudovsky,      1996). Na medida em que a globalização tem reduzido o poder dos Estados, a      capacidade das instituições nacionais no combate à corrupção torna-se igualmente      reduzida (CMI, 2009). </p>         <p>Uma terceira posição é defendida por alguns autores que recorrem às medidas    elaboradas para avaliar o grau de corrupção e de globalização das nações (Das    e DiRienzo, 2009). Segundo estes autores, a relação entre a globalização e a    corrupção não seria linear, já que a globalização poderia ter um efeito positivo    ou um efeito negativo sobre a corrupção, consoante o grau de desenvolvimento    dos países: quando os países começam a ser globalizados, os seus níveis de corrupção    aumentam, dado que novas relações de negócio criam oportunidades de práticas    corruptas; quando os países progridem na economia global, eles devem submeter-se    aos regulamentos anticorrupção e os seus níveis de corrupção baixam. Os resultados    obtidos, utilizando como medida de corrupção o Indicador de Percepções de Corrupção    da Transparência Internacional e como medida de globalização o indicador KOF    (<i>Konjunkturforschungsstelle</i><i> Index of Globalization</i>) do Instituto    Federal Suíço de Tecnologia, que mede três dimensões (económica, social e política)    da globalização, confirmam que os países com níveis moderados de globalização    são os que apresentam níveis de corrupção mais elevados (Das e DiRienzo, 2009).  </p>         <p>Tendo em conta que, segundo o Indicador de Globalização KOF, Portugal é um    país altamente globalizado, ocupando em 2007 a 8.ª posição em 208 países, com    uma classificação de 87,54 numa escala em que 100 representa o maior nível de    globalização (KOF, 2010), os níveis de corrupção do país deviam, teoricamente,    ser considerados fracos, uma tendência que não parece confirmada pelos inquéritos    da Transparência Internacional. </p>         <p>Podemos, portanto, perguntar-nos se, de acordo com a observação de Johnston    (2005), a globalização, ao transformar as sociedades, está a modificar os significados    atribuídos à corrupção, se os portugueses estabelecem relações e evidenciam    semelhanças entre a corrupção ao nível nacional e a corrupção ao nível global    e se percepcionam o efeito da globalização sobre a corrupção no país. </p>     <p>&nbsp; </p>        <p><b>A corrupção como      representação social</b></p>        <p>Na medida em que a corrupção se pratica      de forma discreta, os meios de comunicação social têm um papel preponderante      na difusão de informações sobre casos de corrupção (Tumber e Waisbord, 2004). Mesmo      se existem divergências entre os autores relativamente ao impacto dos <i>media</i>      em geral, e da televisão em particular, e relativamente às concepções da audiência      — que variam entre uma massa moldada pelas estruturas sociais e políticas      e um conjunto de indivíduos inovadores e autónomos (Livingstone,      2006) —, parece haver consenso quanto ao facto de os <i>media</i> fornecerem      a matéria para as trocas interpessoais de opiniões (Lang      e Lang, 2006). Os órgãos de comunicação social,      ao enfatizarem alguns acontecimentos e ignorarem outros, influenciam aquilo      sobre o qual as pessoas devem pensar e, ao salientarem alguns aspectos desses      acontecimentos em detrimento de outros, moldam a opinião pública (Iyengar e Simon, 1993; Sousa e Triães, 2007). Ao tornarem-se temas de conversa, os casos      (ou suspeições de casos) divulgados pela comunicação social são, por sua vez,      reinterpretados a partir dos comentários e julgamentos trocados. Podemos portanto      considerar os discursos sobre a corrupção representações sociais se definirmos      as representações sociais como “conjuntos de conceitos, proposições e explicações      originados na vida quotidiana no decurso de comunicações interpessoais” (Moscovici,      1981, p. 181). </p>        <p>Considerar as concepções da corrupção      representações sociais permite prever que as opiniões sobre os actos corruptos,      as pessoas corruptas, a extensão da corrupção e os meios susceptíveis de a      travar variam consoante os grupos sociais. Por um lado, as conversas estabelecem-se      entre pessoas que pertencem a grupos particulares, com diferentes posições      na estrutura social, e, por outro, as fontes de informação variam geralmente      em função dos grupos, que escolhem aquelas que melhor se adequam ao seu sistema      de pensamento (Bourdieu, 1979). Apenas as pessoas      motivadas e capazes de tratarem a informação (Petty e Cacioppo, 1981) serão susceptíveis      de procurar uma informação mais fiável, confrontando uma diversidade de emissores      e de pontos de vista (Sousa e Triães, 2007). De      uma forma geral, os discursos dos diferentes grupos sociais deviam traduzir      uma selecção não neutra de elementos integrados na representação e relações,      selectivas, entre esses elementos (Moscovici, 1976).      </p>        <p>Considerar as concepções da corrupção      representações sociais permite também inferir que os discursos sobre a corrupção      não exprimem meras opiniões sobre o fenómeno, mas teorias práticas que contribuem      para uma visão coerente do mundo social (v., por exemplo, Jodelet, 1989), preenchendo diversas funções, como justificar      as relações entre os grupos e legitimar e orientar os comportamentos (Poeschl,      2003). Portanto, as representações da corrupção deveriam apresentar variações      consoante a situação de evocação ou o quadro de referência no qual os discursos      são produzidos (Doise, 1990). Podemos prever, por      exemplo, que as representações da corrupção, em geral, compreendam alguns      elementos das definições dominantes, enquanto os discursos sobre a corrupção      ao nível global ou ao nível nacional salientem diferentes facetas do fenómeno      (v., a este respeito, Poeschl, 2001). Assim, para      além de destacar os elementos que melhor permitem visualizar o fenómeno, o      concretizar, estes discursos deveriam revelar o ponto de vista das pessoas      sobre o mundo e a nação. </p>        <p>Por sua vez, a percepção de um elevado      grau de corrupção ao nível nacional deveria permitir justificar e favorecer      o cometimento de pequenos actos de corrupção considerados “normais”, ou seja,      conformes às normas comportamentais (v., por exemplo, Wenzel, 2001). Os resultados de um estudo recente realizado      em Portugal, no qual os inquiridos tiveram de se pronunciar sobre várias dimensões      da corrupção, apoiam esta ideia (Sousa, 2008). Revelam que os portugueses      condenam a grande corrupção — mais de 90% consideram que não devia existir      —, mas adoptam uma definição algo restrita do fenómeno, mostrando-se tolerantes      com actos que tocam os limites da legalidade ou são dificilmente objectos      de regulação. Os inquiridos concordam, por exemplo, que se utilizem as redes      sociais para obter benefícios ou serviços a que não teriam direito. Os resultados      sugerem ainda que as pessoas se mostram, de uma forma geral, menos tolerantes      com o tráfico de influências quando é praticado por políticos do que quando      é praticado por cidadãos comuns e que metade dos inquiridos que condenam os      outros por “meter cunhas” ou “puxar cordelinhos” considera que eles próprios      têm o direito de o fazer por alguma razão. Assim, mesmo as pessoas que condenam      a corrupção em termos simbólicos podem, na prática, sacrificar os seus padrões      éticos em prol da satisfação das suas necessidades e interesses se encontrarem      justificações para o fazerem (Sousa, 2008). </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tendo em conta o polimorfismo do conceito,      a ausência de consenso entre especialistas para definir e circunscrever a      corrupção e as propriedades das representações sociais, o presente estudo      teve como objectivo recolher a informação incluída nas representações da corrupção,      informação que constitui, segundo Moscovici (1976), a primeira dimensão das representações sociais.      Procurou também examinar as variações produzidas nessa informação pela ancoragem      das representações em diferentes grupos sociais (Doise,      1990) e em diferentes contextos de evocação (Poeschl,      2001). Mais precisamente, procurámos: </p>         <blockquote>       <p><i>a</i>) Captar a informação que circula, de uma forma geral, sobre a corrupção.      Procurámos saber quais os actos que as pessoas consideram corruptos, os cargos      e sectores susceptíveis de serem associados a actos de corrupção, as causas      e as consequências que as pessoas atribuem ao fenómeno; </p>       <p><i>b</i>) Verificar a existência de diferenças nas representações da corrupção      em função do sexo e das faixas etárias. Esperamos que os inquiridos de sexo      masculino tenham um conhecimento mais extenso da corrupção do que os de sexo      feminino, por estarem mais integrados em actividades políticas e mais representados      nas posições de chefia, tanto na esfera política como na esfera económica,      pertencendo assim a uma categoria social mais exposta a tentativas de corrupção.      Esperamos também que os inquiridos mais velhos tenham uma representação da      corrupção mais desenvolvida do que os mais jovens, por causa da sua maior      experiência de vida; </p>       <p><i>c</i>) Explorar a natureza das variações introduzidas nas representações      da corrupção em função do contexto de evocação, nomeadamente quando os inquiridos      se exprimem sobre a corrupção em geral, ao nível nacional ou ainda ao nível      global. Podemos considerar que as informações divulgadas, geralmente a partir      dos <i>media</i>, acerca de casos e situações de corrupção levam a modular      as opiniões sobre a natureza e a extensão da corrupção, as suas consequências      e a avaliação dos actos e dos actores de corrupção. Esperamos realçar semelhanças      nas representações deste fenómeno ao nível nacional e ao nível global, que      reflectem as transformações sociais produzidas pela globalização (Johnston,      2005). Contudo, esperamos que a informação sobre a corrupção seja mais extensa      e diversificada ao nível nacional do que ao nível global, devido à maior relevância      do fenómeno no contexto nacional, e que seja mais semelhante à informação      produzida quando a corrupção é evocada de uma forma geral. </p> </blockquote>     <p>Por último, examinámos a possibilidade de existir uma relação entre a percepção    da corrupção e as opiniões acerca das instituições nacionais e globais. Esperamos    que a percepção de um elevado grau de corrupção ao nível nacional seja associada    a atitudes negativas em relação às instituições do país e que a percepção de    um elevado grau de corrupção ao nível global seja associada a atitudes negativas    face às instituições globais. Baseando-nos no trabalho de Das e DiRienzo (2009),    que aponta para um efeito positivo da globalização sobre a corrupção nos países    globalizados, prevemos ainda que a percepção de um elevado grau de corrupção    ao nível nacional seja associada a atitudes positivas em relação às instituições    globais, evidenciando a confiança depositada na globalização para combater a    corrupção. </p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Método</b></p>        <p><b>Os inquiridos</b></p>        <p>Participaram neste estudo 200 inquiridos,      100 homens e 100 mulheres, todos de nacionalidade portuguesa. Metade tem idade      até 35 anos (mínimo: 15 anos; média: 24,5 anos) e a outra metade idade superior      a 35 anos (máximo: 64 anos; média: 46,5 anos). De entre os respondentes, 102      são solteiros e 98 são ou foram casados. Relativamente à actividade profissional,      40 são empresários, independentes ou quadros superiores, 38 quadros médios,      41 empregados, 9 operários, 56 estudantes e 15 não têm emprego (um inquirido      não indicou a sua actividade profissional). Em termos de escolarização,      46 completaram o 9.º ano, 42 o 12.º ano e os outros 112 seguem ou seguiram      uma formação superior. Os inquiridos são, na maioria, de religião católica      (133), sendo, em média, pouco praticantes (3,21 numa escala de 7 pontos, em      que 1 = nada praticante). </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Do ponto de vista político, repartem-se entre a extrema-esquerda (5 pessoas)    e a extrema-direita (4 pessoas), situando-se a média na ala esquerda do centro    (3,73 numa escala em que 1 = extrema-esquerda). Declaram interessar--se mais    pela política ao nível global do que pela política ao nível nacional (nível    nacional: 4,05; nível global: 4,29; numa escala em que 7 = muito) e consideram    que as instituições nacionais e as instituições globais podem igualmente agir    sobre a corrupção (instituições nacionais: 5,08; instituições globais: 5,16;    numa escala em que 7 = muito). Apenas 9 inquiridos participam em algum movimento    político e 25 noutros tipos de movimentos associativos. </p>     <p>&nbsp; </p>        <p><b>Questionário e procedimento</b></p>        <p>O estudo foi realizado por meio de um      questionário constituído por questões abertas e fechadas. Na primeira página      solicitava-se a colaboração das pessoas para participarem numa investigação      sobre a corrupção, pedindo-lhes que respondessem sincera e espontaneamente      e assegurando-lhes o anonimato. Seguiam-se três tarefas de associação de palavras:      primeiramente pedia-se aos participantes que indicassem um máximo de 10 palavras      ou expressões que lhes vêm espontaneamente à mente quando ouvem a palavra      “corrupção”. De seguida, pedia-se-lhes para pensarem “unicamente em Portugal”      (ou “unicamente no mundo em geral”) e solicitava-se que indicassem de novo      um máximo de 10 palavras ou expressões que lhes vêm espontaneamente à mente      quando pensam na corrupção ao nível nacional (ou na corrupção ao nível global).      A ordem dos dois indutores era contrabalançada, mas a sua apresentação na      mesma página visava favorecer uma comparação entre contextos. Na última página      recolhiam-se os dados sociodemográficos (sexo, idade,      nacionalidade, estado civil, profissão, grau de escolaridade, religião, tendência      política, participação em movimento político ou associativo) e apresentavam-se      ainda quatro pares de escalas de 7 pontos, relativas ao interesse manifestado      pelos inquiridos em relação à política nacional e global, à positividade da      sua opinião face às instituições nacionais e globais, ao seu nível de preocupação      em relação a estas instituições e à sua percepção da possibilidade de acção      das instituições nacionais e globais sobre a corrupção. Por último, agradecia-se      aos inquiridos a sua participação. </p>         <p>O questionário foi aplicado individualmente em Abril de 2009 pelos estudantes    da disciplina de Psicologia Social das Opiniões e dos Comportamentos Sociais    da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto,    que colaboraram no estudo, sendo controlada a repartição por condição experimental.  </p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Plano experimental</b></p>         <p>O plano experimental é um 2 (sexo: homens <i>vs</i>. mulheres) × 2 (faixa etária:    até 35 anos <i>vs</i>. a partir de 36 anos) × 3 (corrupção: em geral <i>vs</i>.    ao nível nacional <i>vs</i>. ao nível global), sendo o último factor intra-sujeitos.  </p>     <p>&nbsp; </p>        <p><b>Análise dos dados</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma primeira série de análises examinou      a extensão e a natureza da informação contida nas representações da corrupção.      Para este efeito, todas as palavras associadas aos três indutores foram introduzidas      num ficheiro de dados na forma como foram mencionadas nos questionários, aplicando-se      apenas as regras de redução habitualmente utilizadas nas tarefas de associação      livre de palavras (Rosenberg e Jones, 1972). Foram      realizadas, de seguida, algumas reduções por sinonímia quando as palavras      reflectiam uma forma particular de expressão, mas não se efectuou uma análise      de conteúdo. </p>        <p>Diversos índices foram calculados. Assim,      a informação (ou “campo semântico”) associada por cada grupo ou a cada contexto      foi descrita por meio de três índices (v. Deconchy,      1971): (<i>i</i>) o índice de fluidez, ou seja, o número total de palavras      evocadas, que reflecte a facilidade com que as pessoas se exprimem acerca      de um objecto; (<i>ii</i>) o índice de amplitude,      ou seja, o número de palavras diferentes evocadas, que traduz o número de      elementos que se tornam acessíveis quando as pessoas se exprimem acerca do      objecto; (<i>iii</i>) o índice da riqueza, que é a razão entre a amplitude      e a fluidez, e fornece uma medida da integração da informação acerca do objecto.</p>        <p>Procedeu-se também a dois tipos de comparações      entre campos semânticos. Em primeiro lugar, calculou-se uma medida global      de semelhança entre os campos semânticos através do índice <i>R<sub>n</sub></i>      de Ellegard (v. Di Giacomo,      1981). Este índice, que varia entre 0 e 1, é obtido pelo número de palavras      comuns a dois campos semânticos dividido pela raiz quadrada do produto da      amplitude dos dois campos. Em segundo lugar, analisou-se de forma mais pormenorizada      o conteúdo dos diversos campos semânticos e comparou-se, por meio do teste      do qui-quadrado, a frequência de evocação das palavras      mais acessíveis, ou seja, das palavras provavelmente mais importantes dos      diferentes campos semânticos. </p>        <p>Num segundo momento procurámos identificar      diferentes dimensões das representações da corrupção, o modo como elas se      inter-relacionam e a medida em que elas são representativas dos diversos grupos      e contextos contemplados. Para esta análise utilizámos o programa de dados      textuais <i>Alceste</i>. Este programa permite estudar      a estrutura formal da co-ocorrência das palavras num determinado <i>corpus,</i>      efectuando uma classificação hierárquica descendente, baseada na distância      do qui-quadrado, numa tabela de palavras que cruza      o conjunto das formas lematizadas (reduzidas à raiz)      provenientes dos discursos expressos. </p>         <p>Finalmente, examinámos a possibilidade de existir uma relação entre a percepção    da corrupção em geral, ao nível nacional e ao nível global, e as opiniões acerca    das instituições nacionais e globais. Começámos por analisar o grau de positividade    e de preocupação dos inquiridos relativamente a essas instituições e efectuámos,    de seguida, uma análise de regressão múltipla sobre cada uma das escalas de    opinião, utilizando as frequências de resposta aos três indutores como variáveis    independentes. Considerámos a fluidez das respostas uma medida da extensão da    corrupção percepcionada em geral, ao nível nacional e ao nível global, partindo    do princípio de que, quanto melhor conhecemos um objecto, mais fácil é pronunciarmo-nos    sobre ele. </p>     <p>&nbsp; </p>        <p><b>Resultados e discussão</b></p>        <p><b>A informação acerca      da corrupção</b></p>         <p>No total foram mencionadas 3319 palavras, das quais 577 diferentes. As frequências    de evocação variam entre 1 (281 palavras únicas) e 262. O quadro n.º 1 apresenta    os índices de amplitude, fluidez e riqueza no total, por contexto, por sexo    e por faixa etária. </p>     <p>&nbsp;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="q1"></a>Amplitude, fluidez e riqueza dos campos semânticos sobre    a corrupção </b></p>     <p>[<a href="#topq1">quadro n.º 1</a>]</p>     <p><b><img src="/img/revistas/aso/n196/n196a01q1.jpg" width="561" height="196"></b></p>                 
<p>&nbsp;</p>     <p>Como se pode ver no quadro n.º 1, os participantes forneceram um maior número    de respostas relativamente à corrupção em geral do que à corrupção ao nível    nacional e um maior número de respostas sobre a corrupção ao nível nacional    do que sobre a corrupção ao nível global [&#967;<sup>2</sup> (2) = 40,94, <i>p</i>    &lt; .001]. Contudo, a amplitude dos campos semânticos não difere consoante    os contextos [&#967;<sup>2</sup> (2) = 2,22, n. s]. Portanto, o campo semântico    menos rico — ou mais estereotipado — é o campo associado à corrupção em geral    e o campo semântico mais rico é o associado à corrupção ao nível global. A nossa    expectativa de que a informação sobre a corrupção ao nível nacional fosse mais    extensa do que a informação sobre a corrupção ao nível global é, portanto, verificada.    No entanto, ao contrário do que se esperava, ela não é mais diversificada. </p>            <p>Uma análise dos campos semânticos associados      aos diferentes grupos indica que os inquiridos masculinos não deram significativamente      mais respostas do que os do sexo feminino [fluidez: &#967;<i><sup>2</sup></i>      (1) = .61, n. s.<i>; </i>amplitude: &#967;<sup>2</sup>      (1) = 1,77, n. s.]. Por sua vez, os inquiridos com mais idade também não forneceram      um número de respostas significativamente maior do que os mais jovens [fluidez:      &#967;<sup>2</sup> (1) = .51, n. s.; amplitude: &#967;<sup>2</sup>      (1) = .32, n. s.]. Os índices de riqueza são, portanto, semelhantes para os      diversos grupos e revelam campos semânticos pouco ricos. A ausência de diferenças      entre os grupos na extensão da informação sobre a corrupção, contrária ao      que se esperava, não significa, contudo, que não haja diferenças na natureza      da informação recolhida.</p>      <p>Para examinar a semelhança entre pares de campos semânticos recorremos ao índice    <i>R<sub>n</sub></i> de Ellegard. O quadro n.º 2, que apresenta o número de    palavras comuns aos pares de campos e o índice de semelhança, permite verificar    que, como previsto, existe uma maior semelhança entre a informação acerca da    corrupção ao nível nacional e a corrupção em geral do que entre a informação    contida nos outros pares de campos, nomeadamente entre a corrupção ao nível    global e a corrupção em geral. Pode-se observar um índice de semelhança particularmente    baixo quando se comparam as respostas à corrupção ao nível nacional com as respostas    à corrupção ao nível global. Uma comparação do grau de semelhança entre os campos    semânticos dos grupos de sexo e de idade sugere que o sexo diferencia mais do    que a idade a informação acerca da corrupção.</p>     <p>&nbsp;</p>          <p><b>Respostas comuns e semelhança entre campos semânticos de acordo com o índice R<i><sub>n</sub></i> de Ellegard</b></p>             <p>[quadro n.º 2]</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n196/n196a01q2.jpg" width="475" height="196"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No entanto, a análise global dos campos semânticos não fornece nenhuma indicação    sobre a natureza do conteúdo das representações. Para saber quais as palavras    mais frequentemente associadas à corrupção registámos, no quadro n.º 3, as palavras    associadas por pelo menos 15% dos respondentes (<i>n</i> = 30) à corrupção em    geral, ao nível nacional e ao nível global. Procurámos também saber se a frequência    com que estas palavras aparecem difere em função do contexto de evocação, aplicando    um teste do qui-quadrado.</p>     <p>&nbsp;</p>            <p><b>Palavras associadas por mais de 15%      dos inquiridos à corrupção, frequências de evocação em função do contexto      e diferenças significativas segundo o teste do qui-quadrado </b>     </p>         <p>[quadro n.º 3] </p>      <p><img src="/img/revistas/aso/n196/n196a01q3.jpg" width="557" height="451"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Se consideramos que as palavras mais frequentes são mais susceptíveis de fazer    parte do núcleo central das representações (Abric, 1994), podemos inferir que    política, futebol e dinheiro pertencem a este conjunto de elementos estáveis    e não negociáveis das representações da corrupção. Com efeito, estas três palavras    são, de longe, as mais frequentemente associadas à corrupção em geral. Contudo,    apenas dois elementos ressaltam na representação da corrupção ao nível nacional,    política e futebol, ao passo que uma única palavra se destaca na representação    da corrupção ao nível global, política. Assim, mais do que o mundo das empresas    privadas, o mundo da política parece ser o que se impõe aos nossos inquiridos    quando pensam na corrupção. </p>            <p>À volta destes elementos, e com maior      frequência na evocação da corrupção em geral, encontram-se actos corruptos      e a sua avaliação moral (roubo, suborno, mentira, falta de princípios, desonestidade),      alguns evocados também, juntamente com actores de corrupção, com a corrupção      ao nível global (crime, interesses, mafia) ou com      a corrupção ao nível nacional (autarquias, governo, José Sócrates, árbitros).      Observa-se, portanto, que as palavras frequentes partilhadas entre a corrupção      em geral e ao nível nacional referem casos e actores do mundo da política      e do futebol que estiveram no centro de recentes controvérsias, enquanto no      campo partilhado entre a corrupção em geral e ao nível global encontramos      palavras relativas a organizações criminosas. A tendência para “objectivar”      a corrupção verifica-se nas palavras que evocam apenas a corrupção ao nível      nacional (Pinto da Costa, Freeport) e, numa certa      medida, a corrupção ao nível global (África). As palavras partilhadas (bancos,      injustiça, poder, droga) deixam, contudo, antever a existência de uma representação      mais ampla da corrupção. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O grande número de palavras associadas à corrupção, e os primeiros indícios    da existência de diferenças em proveniência do contexto de evocação sugerem    que, tal como para os especialistas, para os leigos, a corrupção é vista como    um fenómeno polimorfo. Procurámos, portanto, identificar as dimensões das representações    da corrupção e examinar em que medida essas dimensões podem ser consideradas    representativas dos diferentes contextos de evocação e dos grupos sociais em    análise.</p>     <p>&nbsp;</p>          <p><b>As dimensões representacionais</b></p>          <p>Para evidenciar as dimensões representacionais utilizámos o programa <i>Alceste</i><i>,</i>      tomando em consideração a totalidade das respostas. A análise incidiu assim      sobre 598 unidades de contexto iniciais, correspondendo às palavras fornecidas      pelos 200 sujeitos em resposta aos três indutores (2 sujeitos não responderam      a um dos indutores). A análise teve em conta todas as palavras com frequência      mínima de 4 ocorrências. Assim, o programa classificou 87% das respostas em      seis classes (v. figura n.º 1). </p>      <p><b>&nbsp;</b></p>        <p><b>Peso relativo das classes      de palavras e relações entre as classes</b></p>         <p>[figura n.º 1]</p>     <p><b><img src="/img/revistas/aso/n196/n196a01f1.jpg" width="506" height="238"></b></p>      
<p>&nbsp;</p>     <p>O dendograma apresentado na figura n.º 1 revela a existência de um conjunto    de classes de respostas relacionadas com a corrupção em geral (classes 2, 4    e 5), a que se junta uma classe de palavras relacionada com a corrupção ao nível    global (classe 1), ao passo que as duas classes de respostas associadas à corrupção    ao nível nacional formam um conjunto mais distinto (classes 3 e 6). O peso relativo    de cada conjunto reflecte a fluidez das respostas reportada no <a name="topq1"></a><a href="#q1">quadro    n.º 1</a> e uma organização das respostas mais diferenciada no contexto geral    do que nos outros dois contextos. Começamos, portanto, por apresentar o conteúdo    das classes associadas à corrupção em geral.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A classe 2, que mais se associa à corrupção      em geral (&#967;<sup>2</sup> = 19) reúne diferentes palavras organizadas à      volta da palavra “mentira” (&#967;<sup>2</sup> = 115) e que referem actos      de corrupção ou exprimem um julgamento moral sobre estes actos: injustiça      (&#967;<sup>2</sup> &gt; 100), falso, enganar (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 70), falta de educação, roubo, maldade (&#967;<sup>2</sup> &gt; 40),      vigarice, burla (&#967;<sup>2</sup> &gt; 20), fraude, desvios (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 15). Esta classe é constituída mais particularmente por respostas dadas      pelas mulheres com maior idade (&#967;<sup>2</sup> &gt;      12) e diferencia claramente as evocações fornecidas sobre a corrupção em geral      das respostas fornecidas sobre a corrupção ao nível global (&#967;<sup>2</sup>      = –7) ou ao nível nacional (&#967;<sup>2</sup> = –3). </p>        <p>A pequena classe 4, que lhe está próxima,      também se associa sobretudo à corrupção em geral (&#967;<sup>2</sup> = 6).      Ela reúne palavras que exprimem também um julgamento moral, mas coloca a tónica      sobre os actores da corrupção, os seus motivos e traços de personalidade.      A palavra-chave é ganância (&#967;<sup>2</sup> = 138), que é acompanhada por      egoísmo, desleal (&#967;<sup>2</sup> &gt; 70), oportunismo,      interesses, desonestidade, ambição (&#967;<sup>2</sup> &gt; 40), corruptos,      desigualdades, poder, falta de princípios (&#967;<sup>2</sup> &gt; 20). Esta      classe surge das respostas dadas pelas mulheres (&#967;<sup>2</sup> = 4) e      distingue as palavras associadas à corrupção em geral das respostas relacionadas      com a corrupção ao nível nacional (&#967;<sup>2</sup> = –3).</p>        <p>A terceira classe deste conjunto, a      classe 5, é representativa da corrupção em geral (&#967;<sup>2</sup> = 4),      mas também, embora numa medida menor (&#967;<sup>2</sup> = 2), da corrupção      ao nível global. A classe estrutura-se à volta da palavra “crime” (&#967;<sup>2</sup>      = 71) e inclui as palavras “dinheiro” (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 60), “suborno”, “abuso de poder” (&#967;<sup>2</sup> &gt; 30),      “endinheirado”, “lei”, “máfia”, “violência”, “ricos”, “sistema”, “negócios”,      “degradação”, “tráfico” (&#967;<sup>2</sup> &gt; 10). Apresenta a corrupção      como um conjunto de práticas ilegais destinadas a enriquecer grupos particulares      organizados para este efeito. Esta classe tende a ser mais representativa      dos inquiridos mais jovens (&#967;<sup>2</sup> = 2) e contém poucas palavras      mencionadas no contexto da corrupção ao nível nacional (&#967;<sup>2</sup>      = –12). </p>        <p>A classe 1 reúne as palavras evocadas      a propósito da corrupção ao nível global (&#967;<sup>2</sup> = 144), em que      se destaca, em particular, a palavra África (&#967;<sup>2</sup> = 110). A      palavra é acompanhada por Estados Unidos (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 90), petróleo, guerra (&#967;<sup>2</sup> &gt; 50), América do      Sul, Brasil, pobreza, droga, George Bush, países subdesenvolvidos, fome, armas      (&#967;<sup>2</sup> &gt; 30). A classe, com uma clara conotação geopolítica,      refere as relações de poder entre países ricos e países pobres e as consequências      dramáticas que estas relações acarretam para os últimos. Resulta, sobretudo,      das respostas masculinas (&#967;<sup>2</sup> = 6), em particular dos homens      mais jovens (&#967;<sup>2</sup> = 4). A classe distingue as palavras associadas      à corrupção ao nível global das repostas fornecidas sobre a corrupção em geral      (&#967;<sup>2</sup> = -30) ou ao nível nacional (&#967;<sup>2</sup> = –40).      </p>        <p>A primeira classe sobre a corrupção      ao nível nacional (&#967;<sup>2</sup> = 31), a classe 3, inclui respostas      que referem acontecimentos alvo de discussão na altura em que os questionários      foram aplicados e personalidades implicadas nestes acontecimentos. Ao centro      da classe encontram-se as menções a Pinto da Costa (&#967;<sup>2</sup> = 195),      às quais se juntam as referências ao “apito dourado”, a Valentim Loureiro      (&#967;<sup>2</sup> &gt; 130), Fátima Felgueiras (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 100), Vale e Azevedo, “saco azul” (&#967;<sup>2</sup> &gt; 80), BPN,      Freeport, Carolina Salgado, José Sócrates (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 50), árbitros, Casa Pia (&#967;<sup>2</sup> &gt; 40). As respostas que      realçam a associação da corrupção ao nível nacional ao mundo do futebol e      da política provêm mais particularmente dos inquiridos mais jovens (&#967;<sup>2</sup>      = 9), em particular das mulheres mais jovens (&#967;<sup>2</sup> = 7). Elas      diferenciam este grupo de respostas das palavras evocadas em relação à corrupção      ao nível global (&#967;<sup>2</sup> = –24).      </p>        <p>A segunda classe representativa da corrupção      ao nível nacional (&#967;<sup>2</sup> = 48), a classe 6, de peso superior      à classe precedente, ultrapassa os exemplos particulares para incluir áreas      mais abrangentes, que se organizam à volta de futebol (&#967;<sup>2</sup>      = 98). As palavras mais frequentes são política (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 90), bancos (&#967;<sup>2</sup> &gt; 70), autarquias (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 50), função pública, empresários (&#967;<sup>2</sup> &gt; 20), forças      de segurança, construção civil, obras públicas, Estado (&#967;<sup>2</sup>      &gt; 15). Associam, portanto, a corrupção nacional não apenas ao mundo do      futebol e da política, mas também a alguns domínios do sector privado. As      palavras incluídas nesta classe, que tende a ser mais representativa dos homens      com mais idade (&#967;<sup>2</sup> = 3), são sobretudo diferentes das palavras      associadas à corrupção ao nível global (&#967;<sup>2</sup> = –30). </p>        <p>Para resumir, a corrupção em geral é      representada por um conjunto de práticas vistas como pouco éticas, desempenhadas      por pessoas com traços de personalidade ou movidas por motivos vistos também      como pouco éticos. A corrupção em geral e ao nível global é associada a práticas      e a grupos que desafiam a lei à procura de dinheiro, sendo a corrupção ao      nível global ainda relacionada com a manutenção das desigualdades entre nações.      As mulheres parecem mais sensíveis à natureza moral da corrupção e os jovens      ao aspecto legal, sendo a vertente política mais típica dos jovens homens.</p>         <p>Ao contrário do que podíamos ter esperado, a corrupção ao nível nacional aparece    como pouco semelhante à corrupção ao nível global. Apresenta--se intimamente    ligada a casos e personalidades do mundo do futebol e da política, apesar de    se estender ao sector privado, em particular aos domínios da banca e da construção    civil. Os julgamentos morais ou legais e as consequências sociais da corrupção    também não se impõem particularmente à mente dos nossos inquiridos, que apresentam    uma representação predominantemente “pontilhista” da corrupção ao nível nacional.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>A corrupção e as      opiniões acerca das instituições</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Antes de examinar a possibilidade de      existir uma relação entre a percepção da corrupção e as opiniões expressas      sobre as instituições nacionais e globais procurámos conhecer o grau de positividade      e de preocupação dos inquiridos relativamente aos dois tipos de instituições.      </p>         <p>A análise da variância 2 (sexo: homens <i>vs</i>. mulheres) × 2 (faixa etária:    até 35 anos <i>vs</i>. a partir de 36 anos) × 2 (instituições: nacionais <i>vs</i>.    globais) aplicada sobre o grau de positividade das opiniões revela que estas    são negativas, sobretudo a opinião acerca das instituições nacionais [instituições    nacionais: 3,14; instituições globais: 3,49; <i>F</i> (1,196) = 20,84, <i>p</i>    &lt; .001]. A análise evidencia ainda um efeito significativo do sexo de pertença    [<i>F</i> (1,196) = 5,47, <i>p</i> &lt; .05], mostrando que os homens têm uma    opinião pior dessas instituições do que as mulheres (homens: 3,13; mulheres:    3,50). Contudo, como se pode ver na figura n.º 2, a interacção entre o sexo    e a faixa etária [<i>F</i> (1,196) = = 6,07, <i>p</i> &lt; .05] indica que,    de facto, a diferença entre o grupo dos homens e o das mulheres apenas se observa    no grupo de inquiridos com maior idade [até 35 anos: homens, 3,41; mulheres,    3,39; <i>t</i> (98) = .09, n. s.; a partir de 36 anos: homens, 2,84; mulheres,    3,61; <i>t</i> (98) = 3,26, <i>p</i> &lt; .01]. </p>     <p>&nbsp;</p>            <p><b>Positividade das opiniões      acerca das instituições (nacionais e globais) em função do sexo de pertença      e da faixa etária (1 = muito negativa; 7 = muito positiva)</b></p>             <p>[figura n.º 2]</p>     <p><b><img src="/img/revistas/aso/n196/n196a01f2.jpg" width="336" height="359"></b></p>             
<p>&nbsp;</p>     <p>A análise de variância sobre o grau de preocupação com as instituições nacionais    e globais mostra que os inquiridos manifestam preocupação sobretudo quando pensam    nas instituições nacionais [instituições nacionais: 5,05; instituições globais:    4,64; <i>F</i> (1,196) = 26,01, <i>p</i> &lt; .001]. Contudo, a preocupação    com as instituições nacionais e globais difere em função da faixa etária [<i>F</i>    (1,196) = 4,32, <i>p</i> &lt; .05]. Como se pode ver na figura n.º 3, ambos    os grupos etários revelam maior preocupação com as instituições nacionais do    que com as instituições globais. No entanto, os mais jovens mostram-se mais    preocupados com as instituições nacionais e menos preocupados com as instituições    globais do que os inquiridos com maior idade [até 35 anos: instituições nacionais,    5,11; instituições globais, 4,54; <i>t</i> (99) = 4,59, <i>p</i> &lt; .001;    a partir de 36 anos: instituições nacionais, 4,98; instituições globais, 4,74;    <i>t</i> (99) = 2,43, <i>p</i> &lt; .05]. </p>         <p>&nbsp;</p>     <p><b>Preocupação com as instituições      nacionais e globais em função da faixa etária (1 = nada preocupado; 7 = muito      preocupado)</b></p>             ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[figura n.º 3]</p>     <p><b><img src="/img/revistas/aso/n196/n196a01f3.jpg" width="307" height="320"></b></p>                 
<p>&nbsp;</p>     <p>A avaliação, mais negativa, das instituições nacionais pode aparecer como pouco    surpreendente se tivermos em conta o fraco interesse dos inquiridos pela política    e o enfoque dos meios de comunicação social sobre a política nacional. Porém,    se consideramos, de acordo com os resultados de Sousa e Triães (2007), que as    pessoas mais jovens são as que mais procuram formar as suas opiniões a partir    de fontes diversificadas, somos levados a concluir que uma informação mais completa    leva, simultaneamente, ao aumento da confiança nas instituições globais e a    uma maior preocupação em relação às instituições nacionais. </p>     <p>Para examinar a possibilidade de existir uma relação entre a percepção da corrupção    e as opiniões acerca das instituições nacionais e globais utilizámos o índice    de fluidez dos discursos como medida da extensão da corrupção percepcionada.    Efectuámos, assim, uma série de análises de regressão múltipla (passo a passo)    para examinar o efeito da fluidez das respostas associadas à corrupção em geral,    ao nível nacional e ao nível global, sobre a positividade das opiniões e a preocupação    relativamente às instituições nacionais e às instituições globais. </p>        <p>As análises sugerem que a fluidez das      respostas não permite predizer o grau de preocupação dos respondentes com      os dois tipos de instituições, mas permite, no entanto, predizer a positividade      das suas opiniões. Observa--se, por um lado, que, quanto maior é o número      de respostas associadas à corrupção ao nível nacional, tanto mais negativa      é a opinião acerca das instituições nacionais [ß = –.22;      <i>R<sup>2</sup></i><sub>ajustado</sub> = .04, <i>F</i> (1,198) = 10,13, <i>p</i>      &lt; .01]. Por outro lado, quanto maior é o número de respostas associadas      à corrupção em geral, tanto mais negativa é a opinião acerca das instituições      globais [ß = –.17; <i>R<sup>2</sup></i><sub>ajustado</sub>      = .02, <i>F</i> (1,198) = 5,67, <i>p</i> &lt; .05]. Assim, se a percepção      da corrupção ao nível nacional prejudica, de acordo com as nossas expectativas,      a opinião acerca das instituições nacionais, ela não favorece, ao contrário      do esperado, a opinião acerca das instituições globais (ß = –.10,      n. s.). Por sua vez, a percepção da corrupção ao nível global não afecta a      opinião acerca das instituições globais (ß = –.08,      <i>ns</i>), opinião que é, contudo, influenciada      por uma percepção mais geral da corrupção. </p>        <p>Para procurar perceber melhor a relação      entre as respostas associadas à corrupção e a positividade das opiniões acerca      das instituições nacionais e globais introduzimos essas opiniões como variáveis      suplementares na análise dimensional já apresentada. Considerámos negativas      as opiniões abaixo da média (4) da escala (64,5% das respostas para as instituições      nacionais e 49,5% das respostas para as instituições globais) e positivas      as opiniões iguais ou superiores à média. </p>        <p>A análise revelou apenas duas associações      significativas, ambas com a positividade das opiniões sobre as instituições      globais: A classe 1, relativa à corrupção ao nível global, é particularmente      representativa dos inquiridos que têm uma opinião negativa sobre as instituições      globais (&#967;<sup>2</sup> = 3) e a classe 3, relativa à corrupção ao nível      nacional, particularmente representativa dos que têm uma opinião positiva      sobre essas instituições (&#967;<sup>2</sup> = 11). </p>        <p>Em suma, estas análises sugerem que      a opinião sobre as instituições nacionais não depende das dimensões específicas      das representações da corrupção ao nível nacional: quanto maior é o número      de elementos que se podem evocar quando se pensa na corrupção ao nível nacional,      tanto mais negativa é a opinião acerca das instituições nacionais. Este resultado      podia provir da própria natureza da informação sobre a corrupção ao nível      nacional, que, de facto, difere mais pelo grau de especificidade das palavras      do que pela sua diversidade. A extensão da corrupção ao nível nacional não      permite predizer uma opinião positiva acerca das instituições globais, como      se podia esperar, se os inquiridos considerassem que a globalização podia      reduzir a corrupção através da acção das instituições globais. Contudo, uma      representação da corrupção ao nível nacional focada em casos e personalidades      suspeitos de corrupção coexiste com uma opinião mais positiva acerca das instituições      globais. Este resultado não invalida, portanto, a nossa hipótese da existência      de uma relação entre a percepção da corrupção ao nível nacional e as atitudes      acerca das instituições globais. </p>         <p>Por último, o número de elementos evocados sobre a corrupção ao nível global    não afecta a opinião acerca das instituições globais, sugerindo que os inquiridos    não estabelecem uma relação unívoca entre este contexto da corrupção e as instituições    globais. Assim, a avaliação das instituições globais parece depender da natureza    da informação evocada acerca da corrupção ao nível global: uma avaliação mais    negativa dessas instituições acompanha uma visão geopolítica da corrupção ao    nível global que relaciona a corrupção com a manutenção das desigualdades entre    nações. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>        <p><b>Conclusão</b>      </p>        <p>O presente estudo evidencia, em primeiro      lugar, a diversidade da informação incluída nas representações da corrupção      dos inquiridos portugueses. Os vários elementos associados ao fenómeno traduzem      e, em simultßneo, permitem compreender as dificuldades      encontradas pelos especialistas na sua tentativa de definir a corrupção de      forma consensual. Além disso, e como previsto, as representações da corrupção      apresentam variações em função do contexto e dos grupos que o evocam. Existe      uma concepção geral de corrupção que inclui uma componente avaliativa negativa      em relação às práticas e às pessoas corruptas. Nesta concepção podem observar-se      algumas diferenças em função do sexo e da faixa etária a que pertencem os      inquiridos: as mulheres estão mais predispostas a fazer um julgamento moral      sobre os actos corruptos e os actores de tais actos, verificando-se que, em      particular, as mulheres de maior idade são sensíveis a este tipo de práticas.      </p>        <p>As práticas corruptas não consistem      apenas em actos moralmente reprovados na concepção geral da corrupção. Elas      são também associadas a actividades criminosas e a grupos organizados. Os      aspectos legais da corrupção são mais evocados pelos inquiridos mais jovens      e são também salientes na evocação da corrupção ao nível global. Esta dimensão      aproxima, portanto, o discurso sobre a corrupção em geral do discurso sobre      a corrupção ao nível global, apesar da moderada semelhança observada a partir      do conjunto de palavras mencionadas. Na evocação da corrupção ao nível global,      as relações de poder tornam-se também particularmente salientes, evidenciando      um mundo dirigido por interesses e partilhado entre nações poderosas e nações      pobres. São destacadas, neste contexto, as consequências negativas da corrupção,      como a pobreza, a guerra e a fome, sendo esta visão sobretudo masculina e,      de facto, predominante entre os homens mais jovens. A saliência das desigualdades      entre nações é associada a opiniões negativas sobre as instituições globais.      Contudo, as respostas avaliativas sobre as instituições globais não são afectadas      pela fluidez das respostas à corrupção ao nível global, o que sugere que,      de uma forma mais geral, existe uma separação conceptual entre as instituições      globais e os actos e autores de actos de corrupção. </p>        <p>Os traços de personalidade e motivos      particulares, as relações de poder e as consequências negativas da corrupção      não parecem relevantes quando esta é vista num plano nacional, não sendo sugeridas      relações e semelhanças entre a corrupção ao nível global e ao nível nacional.      Neste contexto, são os acontecimentos do momento que se impõem à mente, os      negócios fraudulentos que povoam o mundo do futebol, da política e das instituições      financeiras. A informação parece resultar de um enquadramento mais episódico      do que temático da actualidade nacional pelos <i>media</i>,      que destaca pessoas singulares ou casos específicos e negligencia uma análise      mais abrangente do fenómeno (v., a este respeito, Iyengar,      2005). Ela poderia também traduzir a importância conferida aos meios de comunicação      social pela morosidade e pela falta de clareza nos procedimentos da justiça      (Sousa e Triães, 2007). </p>        <p>Esta representação “pontilhista” da      corrupção, quando analisada ao nível nacional, é consistente com os dados      de Sousa (2008), que apontam para uma definição da corrupção restrita a práticas      e actores da cena pública. Ela é partilhada sobretudo pelas mulheres jovens      — no que respeita às personalidades implicadas em casos apresentados pelos      meios de comunicação social como suspeitos de corrupção — e pelos inquiridos      mais velhos, sobretudo de sexo masculino — no que respeita à generalização      das práticas corruptas a áreas particulares. Sendo a corrupção ao nível nacional      descrita por actos, actores e domínios, uma maior fluidez de respostas afecta      directamente, e de forma negativa, a opinião sobre as instituições nacionais.      Por sua vez, o facto de a focagem nos acontecimentos nacionais ser associada      a opiniões mais positivas sobre as instituições globais poderia apoiar a nossa      hipótese da percepção de um efeito positivo da globalização sobre a corrupção      ao nível nacional. </p>         <p>Os elementos recolhidos sobre as representações sociais da corrupção apreendidas    necessitam, como é óbvio, de uma análise mais aprofundada, nomeadamente da sua    relação com a justificação das formas de pensamento e a orientação dos comportamentos,    e da sua utilização para a descodificação da realidade social. Porém, as indicações    que podem ser retiradas dessas representações já permitem defender a necessidade    de difundir uma informação com mais qualidade acerca da corrupção. Apenas uma    informação que esclarece os aspectos morais e legais de determinados procedimentos    e que explicita as causas e consequências económicas e sociais das práticas    corruptas poderá, com efeito, influenciar o modo de pensar dos cidadãos comuns    e contribuir para a luta contra a corrupção, que, de acordo com as Nações Unidas,    deve ser uma responsabilidade partilhada (UNODC, 2008). </p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Bibliografia</b>      </p>        <p>Abric, J. C. (1994), “L’organisation      interne des représentations      sociales: système central      et système périphérique”.      <i>In</i> C. Guimelli      (ed.), <i>Structures</i><i> et      transformations des représentations sociales,</i> Neuchâtel, Delachaux &amp; Niestlé, pp. 73-84.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Blundo, G. (org.)      (2000), <i>Monnayer</i><i> les      pouvoirs. Espaces, mécanismes      et représentations de      la corruption</i>, Paris, Presses Universitaires de France. </p>        <p>Bourdieu, P. (1979), <i>La</i><i>      distinction: critique sociale      du jugement</i>, Paris,      Editions de Minuit. </p>         <p>Chossudovsky, M. (1996), “La corruption à l’assaut des Etats. Comment les mafias    gangrènent l’économie mondiale”. <i>Le Monde Diplomatique,</i> décembre,    1996, 24-25, &lt;<a href="http://www.monde-diplomatique.fr/1996/12/CHOSSUDOVSKY/7464" target="_blank">http://www.monde-diplomatique.fr/1996/12/CHOSSUDOVSKY/7464</a>&gt;    (acedido em Setembro de 2009). </p>         <p>Chr. Michelsen Institute (CMI), “U4 Anti-Corruption Resource Centre”, &lt;<a href="http://www.u4.no" target="_blank">http://www.u4.no</a>&gt;    (acedido em Setembro de 2009). </p>        <p>Das,      J., e DiRienzo, C. (2009), “The nonlinear impact      of globalization on corruption”. <i>The International Journal of Business      and Finance Research,</i> 3 (2), pp. 33-46.</p>        <p>Deconchy, J. P. (1971), <i>L’orthodoxie</i><i>      religieuse,</i> Paris, Les Editions Ouvrières.</p>        <p>Di Giacomo, J. P. (1981), <i>Représentations sociales      et comportements collectifs</i>. Tese de doutoramento, Louvain-La-Neuve,      Université Catholique      de Louvain-La-Neuve. </p>        <p>Doise, W. (1990), “Les représentations sociales”. <i>In</i>      R. Ghiglione, C. Bonnet e J. F. Richard (eds.),      <i>Traité de psychologie      cognitive,</i> Paris, Dunod, pp.113-174.      </p>        <p>Friedrich,      C. J. (2002), “Corruption concepts in historical perspective”. <i>In</i> A.      J. Heidenheimer e M. Johnston (eds.), <i>Political Corruption:      Concepts and Contexts, </i>3.ª ed., New Brunswick, NJ, Transaction Publishers,      pp. 1-23. </p>        <p>Gardiner,      J. (2002), “Defining corruption”. <i>In</i> A. J. Heidenheimer      e M. Johnston (eds.), <i>Political Corruption: Concepts and Contexts, </i>3.ª      ed., New Brunswick, NJ, Transaction Publishers, pp. 25-40. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Heidenheimer, A. J. (2002),      “Perspectives on the perception of corruption”. <i>In</i> A. J. Heidenheimer e M. Johnston (eds.), <i>Political Corruption:      Concepts and Contexts, </i>3.ª ed., New Brunswick, NJ, Transaction Publishers,      pp. 141-154. </p>        <p>Hodgson,      G. M., e Jiang, S. (2007), “The economics of corruption and the corruption      of economics: an institutionalist perspective”.      <i>Journal of Economics Issues,</i> vol. xli, pp. 1043-1061.      </p>         <p>Iyengar, S. (2005), “Speaking of values: the framing of American politics”.    <i>The Forum, </i>vol. 3, n.º 3, article 7, &lt;<a href="http://www.bepress.com/forum/vol3/iss3/art7" target="_blank">http://www.bepress.com/forum/vol3/iss3/art7</a>&gt;    (acedido em Setembro de 2009). </p>        <p>Iyengar, S., e Simon,      A. (1993), “News coverage of the Gulf crisis and public opinion: a study of      agenda-setting, priming and framing”. <i>Communication Research,</i> 20, 365-383.      </p>        <p>Jain,      A. K. (2001), “Corruption: a review”. <i>Journal of Economic Surveys, </i>15,      pp. 71-120. </p>        <p>Jodelet, D. (1989),      <i>Folies et représentations sociales,</i> Paris,      Presses Universitaires de France. </p>        <p>Johnston,      M. (1996), “The search for definitions: the vitality of politics and the issue      of corruption”. <i>International Social Science Journal,</i> 149, pp. 321-335.      </p>         <p>Johnston, M. (2005), “Keeping the answers, changing the questions: corruption    definitions revisited”. <i>In</i> U. von Alemann (ed.), <i>Dimensionen</i><i>    politischer Korruption: Beiträge zum Stand der internationalen Forschung,</i>    Politische Vierteljahresschrift Sonderheft 35, Wiesbaden, Verlag für Sozialwissenschaften,    &lt;<a href="http://people.colgate.edu/mjohnston/Keeping%20the%20Answers%20Changing%20the%20Questions.pdf" target="_blank">http://people.colgate.edu/mjohnston/Keeping%20the%20Answers%20Changing%20the%20Questions.pdf</a>&gt;    (acedido em Janeiro de 2010). </p>         <p>KOF Index of Globalization 2010, &lt;<a href="http://globalization.kof.ethz.ch/" target="_blank">http://globalization.kof.ethz.ch/</a>&gt;    (acedido em Fevereiro de 2010). </p>        <p>Lang,      K., e Lang, G. E. (2006), “Personal influence and the new paradigm: some inadvertent      consequences”. <i>Annals of the American Academy of Political and Social Science,      </i>608, pp. 157-178. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Leys,      C. (2002), “What is the problem about corruption?”.      <i>In</i> A. J. Heidenheimer e M. Johnston (eds.),      <i>Political Corruption: Concepts and Contexts,</i> 3.ª ed., New Brunswick,      NJ, Transaction Publishers, pp. 59-73. </p>        <p>Livingstone, S. (2006), “The influence of personal influence      on the study of audiences”. <i>Annals of      the American Academy of Political and Social Science,</i> 608, pp. 233-250.      </p>        <p>McMullan, M. (1961), “A theory of corruption”.      <i>Sociological Review,</i> 9, pp. 181-201. </p>        <p>Mény, Y. (1992), <i>La corruption      de la République,</i> Paris, Fayard.      </p>         <p>Miller, S. (2005), “Corruption”. <i>In</i> E. N. Zalta (ed.), <i>The Stanford    Encyclopedia of Philosophy, </i>&lt;<a href="http://plato.stanford.edu/archives/fall2005/entries/corruption/" target="_blank">http://plato.stanford.edu/archives/fall2005/entries/corruption/</a>&gt;    (acedido em Maio de 2009). </p>        <p>Mittelman, J. H., e Johnston,      R. (1999), “The globalization of organized crime, the courtesan state, and      the corruption of civil society”. <i>Global Governance</i>, 5, pp. 103-126.      </p>        <p>Moscovici, S. (1976),      <i>La psychanalyse, son image et      son public,</i> Paris, Presses Universitaires de      France. </p>        <p>Moscovici, S. (1981), “On social representations”.      <i>In</i> J. P. Forgas (ed.), <i>Social Cognition:      Perspectives on Everyday Understanding,</i> Londres,      Academic Press, pp. 181-209<i>.</i> </p>        <p>Nye,      J. S. (1967), “Corruption and political development: a cost-benefit analysis”.      <i>American Political      Science Review,</i> 61, pp. 417-427. </p>        <p>Pardo, I. (2004), “Introduction: corruption,      morality and the law”. <i>In</i> I. Pardo (ed.),      <i>Between Morality and the Law: Corruption, Anthropology and Comparative      Society,</i> Aldershot, Ashgate, pp. 1-18.      </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Petty,      R. E., e Cacioppo, J. T. (1981), <i>Attitudes and      Persuasion: Classic and Contemporary Approaches,</i> Dubuque, IA, William      C. Brown. </p>        <p>Poeschl, G. (2001),      “Social comparison and differentiation strategies in the social representations      of intelligence”. <i>Swiss Journal of Psychology,</i> 60 (1), pp. 15-26.      </p>        <p>Poeschl, G. (2003),      “Teoría de las representaciones sociales”. <i>In</i>      J. F. Morales e C. Huici (eds.), <i>Estudios      de Psicología Social,</i> Madrid, UNED, pp. 439-466.      </p>        <p>Rosenberg,      S., e Jones, R. (1972), “A method for investigating and representing a person’s      implicit personality theory: Theodore Dreiser’s view of people”. <i>Journal      of Personality and Social Psychology</i>, 22, pp. 372-386. </p>         <p>Scott, J. C. (1972), <i>Comparative Political Corruption,</i> Englewood Cliffs,    Prentice Hall. </p>        <p>Seyf, A. (2001), “Corruption and      development: a study of conflict”. <i>Development in Practice,</i> 11, pp.      597-605. </p>        <p>Sousa,      L. (2008), “‘I don’t bribe, I just pull strings’: assessing the fluidity of      social representations of corruption in Portuguese society”. <i>Perspectives on      European Politics and Society,</i> 9 (1), pp. 8-23. </p>         <!-- ref --><p>Sousa, L., e Triães, J. (2007), “Corrupção e ética em democracia: o caso de    Portugal”. <i>OberComBrief</i>, 3, &lt;<a href="http://www.obercom.pt/client/?newsId=410&fileName=obf3.pdf" target="_blank">http://www.obercom.pt/client/?newsId=410&amp;fileName=obf3.    pdf</a>&gt; (acedido em Janeiro de 2010). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0003-2573201000030000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Stiglitz, J. (2002), <i>Globalization and its Discontents,</i>      Nova Iorque, W.W. Norton &amp; Co.      </p>         <p>Transparency International (2007), “Report on the Transparency International    Global Corruption Barometer 2007”, Berlim, 6-12-2007, &lt;<a href="http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/gcb/2007" target="_blank">http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/gcb/2007</a>&gt;    (acedido em Janeiro de 2009). </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Transparency International (2009a), “Corruption Perceptions Index”, &lt;<a href="http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2009/cpi_2009_table" target="_blank">http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2009/cpi_2009_table</a>&gt;    (acedido em Fevereiro de 2010). </p>         <p>Transparency International (2009b), “Global Corruption Barometer report”, &lt;<a href="http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/gcb/2009" target="_blank">http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/gcb/2009</a>&gt;    (acedido em Setembro de 2009). </p>        <p>Treisman, D. (2000),      “The causes of corruption: a cross-national study”. <i>Journal of Public Economics,</i>      76 (3), pp. 399-457. </p>        <p>Tumber, H., e Waisbord,      S. R. (2004), “Introduction: political scandals and <i>media</i> across democracies”,      vol. ii. <i>American Behavioral Scientist,</i> 47      (9), pp. 1143-1152.</p>         <p>United Nations Office on Drugs and Crime (2008),<i> “</i>Corruption<i>”,</i>    &lt;<a href="http://www.unodc.org/unodc/en/corruption/index.html" target="_blank">http://www.unodc.org/unodc/en/corruption/index.html</a>&gt;    (acedido em Janeiro de 2009). </p>        <p>Wenzel,      M. (2001), “Misperceptions of social norms about tax compliance”. <i>Working      Paper n.º 7,</i> Centre for Tax System Integrity,      Research School of Social Sciences, Australian National University, Canberra.      </p>        <p>Williams,      J., e Beare, M. (1999), “The business of bribery:      globalization, economic liberalization, and the ‘problem’ of corruption”.      <i>Crime, Law, and Social Change, </i>32 (2), pp. 115-146. </p>      <p>World Bank (1997), <i>Helping Countries Combat Corruption: The Role of the    World Bank,</i> Washington, D. C., World Bank.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup><a href="#top**">[**]</a></sup><a name="**"></a> Agradecemos aos estudantes    da disciplina de Psicologia Social das Opiniões e dos Comportamentos Sociais    pela sua participação activa e enriquecedora no presente estudo e a dois <i>referees    </i>anónimos pelos comentários a uma versão anterior deste trabalho.</p>     ]]></body>
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<surname><![CDATA[Sousa]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Triães]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Corrupção e ética em democracia: o caso de Portugal]]></article-title>
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<year>2007</year>
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