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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Não se importa que eu grave?: Questões éticas e paradoxo do observador nos atendimentos de ação social]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Do you mind that I record it?: Ethical issues and the observer’s paradox in social work encounters]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article deals with some of the ethical issues encountered by social sciences researchers who adopt an ethnomethodological frame. The building of a corpus of interaction recordings requires prior authorization from those speakers involved. The analysis of the conversational sequences pertaining to the authorization requests of the recording sessions, obtained in the context of the research project on social service interviews, allowed the authors to propose an outline of their prototypical organisation and its variants, as well as to highlight the specific negotiation competence exhibited by speakers, a competence which allows them to manage, locally, the ethical issues they are faced with.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[análise da conversação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[ética e metodologia da investigação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[intervenção social]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[pedido de autorização para gravar]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[asking for authorization for recording the person words]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>

    <p><b>“Não se
importa que eu grave?”. Questões éticas e paradoxo do observador nos
atendimentos de ação social</b></p>

    <p><b>“Do you mind that I record it?”.
Ethical issues and the observer’s paradox in social work
encounters</b></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><b>Adriano Duarte Rodrigues*</b> e <b>Nichel Binet**</b></p>


    <p>*FCSH-UNL, Avenida de Berna, 26-C — 1069-061 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:adrodrigues42@gmail.com">adrodrigues42@gmail.com</a></p>
    <p>**Universidade Lusíada de Lisboa, Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa, 
Rua da Junqueira, 188-198 — 1349-001 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:michel.binet@edu.ulusiada.pt">michel.binet@edu.ulusiada.pt</a></p>

    <p>&nbsp;</p>


    <p><b>RESUMO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este texto trata de
algumas questões éticas que se colocam aos investigadores em ciências sociais
que adotam uma perspetiva etnometodológica, e que decorrem da indispensável
obtenção de autorização para gravar as palavras das pessoas que pretendem
investigar. Partindo da análise de gravações de sequências de pedidos de
autorização para gravar, no quadro de entrevistas de atendimento de ação
social, os autores procuram definir o esquema prototípico destas sequências,
assim como as suas variantes, e mostram que os interlocutores possuem uma
competência negocial específica que os habilita a gerir localmente as questões
éticas com que estão confrontados.</p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: análise da conversação; ética e
metodologia da investigação; intervenção social; pedido de autorização para
gravar.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>This
article deals with some of the ethical issues encountered by social sciences
researchers who adopt an ethnomethodological frame.
The building of a corpus of interaction recordings requires prior authorization
from those speakers involved. The analysis of the conversational sequences
pertaining to the authorization requests of the recording sessions, obtained in
the context of the research project on social service interviews, allowed the
authors to propose an outline of their prototypical organisation
and its variants, as well as to highlight the specific negotiation competence
exhibited by speakers, a competence which allows them to manage, locally, the
ethical issues they are faced with.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
conversation analysis; ethical and methodological issues of the social
investigation; social work; asking for authorization for recording the person
words.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O consentimento para gravar uma entrevista de investigação é
habitualmente obtido mediante um pedido de autorização, endereçado a um
interactante categorizado como “inquirido”. Esta entrevista é,
em si mesma, uma inter­ação conversacional agendada no quadro de uma relação de
inquérito; a sua gravação é emicamente encarada, isto é, pelos próprios
interactantes, como “natural” e mutuamente evidente. Ter
aceite ser entrevistado por um investigador constitui, de algum modo,
uma autorização tácita da utilização de um dispositivo de gravação. A
formulação do pedido de autorização para gravar não é,
regra geral, sinalizada pelos investigadores como um momento particularmente
sensível, nem como uma fonte de enviesamento da entrevista de investigação.
Podemos, por isso, dizer que a relação de inquérito e as operações de registo
que lhe estão inerentes constituem o quadro primário da interação,
naturalizando assim, de algum modo, o pedido de autorização para gravar.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na observação “naturalista”<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> de interações conversacionais, registadas nos seus contextos vulgares
de ocorrência, como no caso do presente estudo, que incide sobre entrevistas de
ação social, a obtenção do consentimento dos interactantes, técnicos e utentes
dos serviços sociais, leva os investigadores a enfrentar o chamado <i>paradoxo
do observador</i>: como observar, sem ou com poucas interferências, o “normal”
desenrolar das interações estudadas, sem, no entanto, deixar de obter o devido
consentimento informado de todos? Uma das estratégias metodológicas consiste em
negociar um primeiro acordo de autorização e de colaboração com os técnicos,
que ficam incumbidos de gravar os seus próprios atendimentos, mediante os
consentimentos prévios dos utentes dos serviços, obtidos no início de cada
entrevista de ação social (Baude, 2006, p. 59). Deste modo, a presença física
do investigador no quadro da interação a registar é eliminada. Porém, a
presença do gravador e a formulação do pedido de autorização para gravar não
eliminam por completo as interferências decorrentes da investigação. Para
manter sob vigilância estas fontes de interferência,
prestamos uma particular atenção às sequências conversacionais organizadas em
torno da obtenção do consentimento dos utentes. Num tal contexto de relação de
serviço, o inquérito não constitui o quadro primário da interação a registar: o
pedido de autorização já não é encarado como “natural” e mutuamente evidente,
como mostram e demonstram os dados e as análises que se seguem.</p>

    <p>A obtenção de consentimento para o registo das
palavras e da imagem de informantes é uma exigência de atividades profissionais
tão diversas como as que, por exemplo, intervêm nos domínios da saúde (Katz e
Kenneth, 2004), mas coloca problemas particulares quando se trata de registar
as palavras e a imagem de pessoas no quadro de projetos de investigação de
inspiração etnometodológica, em particular entrevistas de pessoas que se
encontram em situações deprimidas, traumáticas ou socialmente desvalorizadas.
Neste caso, as implicações da perspetiva etnometodológica exigem que o
investigador respeite, ao mesmo tempo, dois imperativos por vezes difíceis de
conciliar: o de dar conta da interpretação dos fenómenos inerentes à
experiência humana concretamente vivida pelas pessoas, isto é, dos fenómenos
que ocorrem independentemente do facto de terem sido observados e registados, e
o de preservar o direito das pessoas entrevistadas a saberem que estão a ser
observadas e registadas.</p>

    <p>Apesar de o imperativo moral da confidencialidade
dos dados e de o consentimento dos falantes estar em muitos países consagrado
por lei, a sua implementação começa por ser realizada
no quadro de negociações entre os diferentes intervenientes no processo de
investigação tendo em vista a abertura de terreno. Foi o caso do projeto de
investigação “O interagir comunicacional na intervenção social”
(GIID-CLUNL/CLAS-Sintra), na cidade de Sintra, situada nos arredores de Lisboa
(Binet e Sousa, 2012). Por ocasião do ­estabelecimento de parcerias com as
instituições e os profissionais dos serviços envolvidos<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, confrontámo-nos com questões ético-legais tais como a proteção do
anonimato e a obtenção de consentimento informado dos participantes. A maioria
dos autores assinala, no entanto, que esta negociação não resolve todos os
problemas éticos com que os investigadores se confrontam no decorrer da
atividade de recolha de dados. Este artigo pretende mostrar de que forma, mesmo
em projetos desenvolvidos em terrenos institucionalmente enquadrados, como é o
caso deste, a obtenção do consentimento dos próprios utentes exige negociação
entre técnico e utente; a descrição pormenorizada deste trabalho interacional
permite evidenciar o quadro paradoxal de relações, ao mesmo tempo assimétricas
e simétricas, entre técnicos e utentes de serviços sociais, que se observa,
tanto nesta, como nas outras sequências interacionais dos atendimentos de ação
social. Como teremos ocasião de ver, em cada um dos atendimentos de ação social
que integram o <i>corpus</i> deste projeto com mais de 50 horas de gravação, o
pedido de autorização para gravar está localizado no início do atendimento.<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> Este procedimento pode evidentemente ser considerado como uma
interferência exterior ao processo que se pretende registar, configurando um
caso exemplar daquilo a que William Labov deu o nome de <i>paradoxo do
observador</i> (Labov, 1976, pp. 116-117 e pp. 289-290) e que podemos definir
como a injunção paradoxal decorrente da exigência de observar o comportamento
que os sujeitos adotam quando não estão a ser observados.<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> Os pedidos de autorização para gravar ameaçam, de facto, alterar os
comportamentos e levar os investigadores a produzir conhecimentos que são
artefactos metodológicos, distorcidos pela própria metodologia aplicada.</p>

    <p>Tendo em vista averiguar em que medida os pedidos
de autorização para gravar são sequências artificiais dos atendimentos, uma vez
que estão ausentes dos comportamentos que ocorrem fora do contexto da
investigação, alguns autores (Heritage e Raymond, 2005; Mondada, 2005; Maynard,
Freese e ­Schaeffer, 2010, pp. 791-814; Shanmuganathan, 2005; Speer e Hutchby,
2003) têm tomado como objeto de estudo as sequências em que esses pedidos
surgem, mostrando assim que se trata de ocorrências em si mesmas dignas de
estudo, sublinhando ainda que constituem comportamentos autênticos que obedecem
aos mesmos princípios e regularidades que regem quaisquer outros comportamentos
interacionais. Este artigo inscreve-se nesta perspetiva, tomando como objeto de análise interações institucionalmente enquadradas
(Drew e Heritage, 1992).</p>

    <p>Tal como Maynard, Freese e Schaeffer (2010, pp.
791-814), também consideramos importante ter em conta o facto de os pedidos
serem atos de linguagem que possuem um valor ilocutório não preferido, mas de
se inserirem em pares adjacentes formados por uma primeira parte que projeta a
aceitação como segunda parte preferida (Ostermann e Jung Lau, 2005, p. 69). Os
pedidos são atos diretivos, tal como as ordens, os conselhos, as sugestões, os
avisos, segundo a terminologia proposta por John Searle (1969; 1979). A característica
principal dos atos diretivos é o facto de serem habitualmente formulados
indiretamente, através de perguntas acerca da possibilidade, do desejo, do
interesse do interlocutor fazer aquilo que se pede, se ordena,
se aconselha ou se sugere que ele faça. Este processo de “indireção” é, do ponto de vista da análise da conversação, uma das
marcas da natureza não preferida dos atos diretivos: ao formular de maneira
indireta um pedido, um conselho ou uma ordem, o falante converte o ato diretivo
indireto num ato representativo, expressivo ou declarativo diretamente
formulado. Trata-se de uma marca de cortesia verbal que visa a
salvaguarda da face do interlocutor e que caracteriza o processo a que Erving
Goffman (1981) dava o nome de condicionamento ritual das interações verbais.
Como procuraremos mostrar, uma outra marca notável da
natureza não preferida dos pedidos que surge no nosso <i>corpus</i> é o facto
de serem precedidos, ou seguidos, de expansões constituídas por justificações (<i>accounts</i>).
Estas expansões são muito importantes para compreendermos como os interactantes
mostram localmente não só o entendimento que têm das questões éticas que se
colocam na interação em que estão envolvidos, mas também a maneira como lidam
com elas e as resolvem. O facto de estas expansões serem constituídas por
justificações dos pedidos mostra que os interactantes ­entendem que a dimensão
ética do seu comportamento é de natureza interacional, isto é, não decorre
apenas do cumprimento da exigência de pedir autorização para gravar as
entrevistas de atendimento, mas também da exigência de os profissionais dos
serviços de ação social formularem justificações para
esse pedido, e de a validade dessas justificações depender do facto de elas
serem aceites como válidas pelos seus interlocutores, os utentes desses
serviços.</p>

    <p>Neste estudo, utilizamos dez sequências de
pedidos de autorização para gravar. Estas sequências estão bem delimitadas
dentro de sequências de abertura, o que permite ao analista localizar com
precisão o seu início e o seu fim na transcrição integral dos atendimentos.</p>

    <p>Numa primeira parte, tentaremos definir a
localização destas sequências, assim como a sua organização prototípica.</p>

    <p>A segunda parte será dedicada à descrição de cada
uma das etapas da organização sequencial prototípica, dando conta dos processos
de negociação da autorização para gravar utilizados pelos interactantes,
processos que serão sistematizados na terceira parte.</p>

    <p>Importa desde já
assinalar que os interactantes, no decurso das sequências que pretendemos
estudar, produzem atos de linguagem recorrendo a padrões entoacionais idênticos
aos que observamos nas outras partes do <i>corpus</i>. A estruturação em pares
adjacentes, simples ou expandidos, gera a organização sequencial dos turnos. As
perturbações e os problemas são assinalados e corrigidos pelos falantes,
recorrendo aos mesmos dispositivos que são observados também nas outras partes
do <i>corpus</i>. Os interactantes constroem a sua identidade e confirmam-na no
decurso da interação, à semelhança do que pode igualmente ser observado nos
outros módulos conversacionais dos atendimentos.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>LOCALIZAÇÃO E
ORGANIZAÇÃO PROTOTÍPICA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>LOCALIZAÇÃO DOS PEDIDOS DE AUTORIZAÇÃO PARA
GRAVAR</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Os pedidos de autorização
para gravar ocorrem depois da troca de saudações entre a técnica e a utente,
tal como se pode observar no <a href="#t1">trecho 1</a>.<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="t1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03t1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>O gravador é quase sempre ligado depois do início
do atendimento. A gravação regista, na maioria dos casos, uma interação já
iniciada, que se encontra ainda em fase de abertura; ocorre com frequência, logo
a seguir à ligação do gravador, uma breve reabertura (reiteração da saudação ou
do convite a sentar-se), que marca a passagem da fase interacional <i>off</i><i> record</i> para a fase <i>on record. </i>É
importante sublinhar que todos os atendimentos gravados foram iniciados por um
pedido de autorização para os gravar, embora nem todas
as sequências de pedido tenham sido gravadas. Nos casos em que foram gravadas,
dão conta de um quadro interativo específico, dentro de um
outro, situação que já foi também assinalada por vários autores
(Goffman, 1981, pp. 91 e 160; Mondada, 1998, p. 62 e 2005, p. 137; Binet,
2013a, pp. 250-251).</p>

    <p>Podemos, por conseguinte, considerar as
sequências de pedido de autorização para gravar como expansão da sequência de
abertura. Como se pode observar na terceira linha de transcrição do <a href="#t1">trecho 1</a> (1: 03), as próprias técnicas referem-se a estes pedidos
como tarefas preliminares, anteriores ao começo do atendimento propriamente
dito.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>A ORGANIZAÇÃO PROTOTÍPICA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A sequência de pedido de
autorização para gravar é iniciada por meio de um turno da técnica de dimensão
variável, podendo preencher várias linhas de transcrição. Este turno realiza
duas ações principais, como se pode ver nos trechos <a href="#t2">2</a>
e <a href="#t3">3</a>: um pedido de autorização para gravar (<a href="#t2">2</a>: 05-06; <a href="#t3">3</a>: 03-04), e um conjunto
de informações que o contextualizam, motivam e legitimam
(<a href="#t2">2</a>: 01-04; <a href="#t3">3</a>: 04-19) (Jefferson e Schenkein, 1977). O pedido de autorização
funciona como <i>primeira parte de um par adjacente</i> (PPP), sendo a<i>
segunda parte</i> (SPP)<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> realizada pela utente num segundo turno (<a href="#t2">2</a>: 07; 3: 20-26). Uma
terceira parte (TPF – <i>terceira parte de fecho</i>)<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> produzida pela técnica (<a href="#t2">2</a>: 08; 3: 29-30) expande o par adjacente, sob
a forma de um terceiro turno, que firma o acordo celebrado e finaliza a
sequência de pedido de autorização para gravar.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="t2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03t2.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

<a name="t3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03t3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>O <a href="#q1">quadro 1</a> representa
esquematicamente, sob a forma de um <i>script</i> (Rodrigues, 2005, 194), a
organização prototípica dos pedidos de autorização para gravar atendimentos.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<a name="q1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03q1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>DESCRIÇÃO DA
ORGANIZAÇÃO PROTOTÍPICA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Como podemos ver, o <i>script</i> das sequências dos pedidos de
autorização para gravar é constituído por quatro componentes: 1. contextualização do pedido; 2. pedido
de autorização para gravar propriamente dito; 3. autorização/não
autorização do pedido; 4. acordo.</p>

    <p>Os elementos do <i>script</i> são
propositadamente designados aqui componentes e não etapas, para realçar dois
fenómenos: os interactantes não encadeiam estes elementos necessariamente pela
ordem apresentada no <i>script</i> e não os realizam sempre todos.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A CONTEXTUALIZAÇÃO DO PEDIDO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>A contextualização do
pedido é a componente do <i>script</i> mais utilizada pelos interactantes. Em
todos os trechos em que observamos esta componente, a iniciativa da sua
realização é da responsabilidade da técnica e, na maioria dos casos, antecede a
realização do pedido de autorização para gravar propriamente dito. Está, por
isso, integrada nas sequências a que Emmanuel ­Schegloff dá o nome de
“pré-expansões”, isto é, nas sequências que antecedem a realização do ato de
linguagem a que damos o nome de ato diretivo, neste caso, do pedido de
autorização para gravar propriamente dito (Schegloff, 2007, pp. 28-57). Em
todos os trechos do <i>corpus</i>, tanto naqueles em que existem pré-expansões
como naqueles em que não existem, observamos a realização daquilo a que
Schegloff dá o nome de “pre” e de “pre-pre” (Schegloff, 2007, p. 44; Almeida,
2010), como podemos ver nos seguintes exemplos:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>“eu gostava de …”
(<a href="#t1">trecho 1</a>: 03)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“queria perguntar então…” (<a href="#t2">trecho 2</a>: 05)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“eh: eu queria pedir …”
(<a href="#t3">trecho 3</a>: 03)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>“eu queria-lhe fazer uma pergunta” (trecho 4: 03)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“antes de nós darmos início ao nosso atendimento
(.) eu queria só perguntar-lhe…”</p>

    <p>(<a href="#t5">trecho 5</a>: 01-02)</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="t5">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03t5.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>“eu ia-te pedir autorização …“
(<a href="#t6">trecho 6</a>: 04-05)</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="t6">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03t6.jpg"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“queríamos pedir eh: …” (<a href="#t8">trecho 8</a>: 04)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“dona olívia (.) antes
de nós darmos início ao atendimento eu queria-lhe só fazer</p>

    <p>um
pedido …” (<a href="#t9">trecho 9</a>, 01-02)</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Estas sequências são designadas por Schegloff
(2007, pp. 44-47) preliminares de preliminares, abreviadamente “pre-pre”,
porque não precedem imediatamente a realização do ato principal, mas ainda
outro(s) preliminar(es). Nas sequências em estudo,
precedem a componente de contextualização que, como vimos, é uma pré expansão da PPP, do pedido de autorização para gravar
propriamente dito.</p>

    <p>A contextualização do
pedido é já uma componente eminentemente interativa, como se pode observar, pela
frequente realização de sinais de retorno por parte da utente e pelas
micropausas frequentes na intervenção da técnica. Os sinais de retorno da
utente (<a href="#t1">trecho 1</a>: 03’, 06’), não só mostram que a utente se esforça por
assinalar à técnica que está a entender o que ela pretende, mas encorajam a
técnica a prosseguir a sua intervenção. Por seu lado, com as micropausas que
pontuam a sua intervenção, a técnica vai abrindo constantemente espaços (<i>slots</i>)
que constituem PRT (Ponto Relevante de Transição)<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> que põe à disposição da utente para que
possa tomar a palavra. A este propósito merece particular relevo a ocorrência
no <a href="#t3">trecho 3</a>, 10 da encenação discursiva do próprio processo de interação dialogal
por parte da técnica. No meio da sequência da componente contextualização, a
técnica diz:</p>

    <p><a href="#t3">trecho 3</a></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>Esta componente do <i>script </i>manifesta a
natureza não preferida ou marcada do ato diretivo que a técnica projeta como
segunda componente do <i>script</i>. Os pre-pre constituem um dispositivo de
minimalização da sua natureza não preferida, ora oferecendo à utente a
possibilidade de o aceitar e, se possível, de
participar na sua realização (“não se importa que…”), ora levando-a a encarar a
sua aceitação como lisonjeador da face da técnica, fazendo um ato que é da sua
vontade (“eu queria pedir-lhe…”; “eu queria perguntar-lhe…”; “eu gostava de lhe
pedir…”).</p>

    <p>Encontramos numa componente do <i>script</i> dois
dispositivos conversacionais particularmente importantes: a encenação de
diversos quadros enunciativos. A contextualização do pedido para gravar é
apresentada pelas técnicas ora em seu nome pessoal, ora em nome das
instituições a que pertencem ou que representam: “estou a fazer um trabalho com
uma universidade” (<a href="#t7">trecho 7</a>);
“eu gostava de lhe pedir autorização para gravarmos” (<a href="#t1">trecho 1</a>); “A Junta de
Freguesia (…) está a colaborar com um projeto (…) e pedem aos técnicos das
várias instituições para gravarem os atendimentos (…)” (<a href="#t5">trecho 5</a>); “nós estamos
a (tosse) a unidade eh: a universidade (…) está a fazer um trabalho (…)”, “eu
ia-te pedir autorização então para poder gravar aqui o nosso atendimento”
(<a href="#t6">trecho 6</a>); “nós estamos aqui no concelho de Sintra a desenvolver um trabalho
para tentarmos (…)” (<a href="#t2">trecho 2</a>); etc. Vemos assim que existe nestas ­sequências
uma estratégia de encenação de várias enunciações, a que habitualmente Bakhtine
dava o nome de polifonia ou dialogismo (Bakhtine, 1970, pp. 343-366; 1977, pp.
155-220).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="t7">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03t7.jpg"></p>


    
<p>&nbsp;</p>
<a name="t8">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03t8.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


<a name="t9">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a03t9.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>



    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PROPRIAMENTE DITO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Os pedidos de autorização
para gravar são todos formulados indiretamente, o que revela a natureza não
preferida ou marcada deste ato de linguagem (<a href="#t3">trecho 3</a>,
03-04: “eu queria pedir a sua autorização para gravarmos o:: este
atendimento”).</p>

    <p>A sua localização pode estar situada antes
(trechos <a href="#t1">1</a>, <a href="#t3">3</a>, <a href="#t5">5</a>, <a href="#t8">8</a>), no meio (<a href="#t9">trecho 9</a>) ou no fim
(trechos <a href="#t2">2</a>, <a href="#t4">4</a>, <a href="#t6">6</a>, <a href="#t7">7</a>) da componente contextualização e as técnicas utilizam
modalidades diferentes de formulação:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>“eu gostava de lhe pedir autorização para
gravarmos” (<a href="#t1">trecho 1</a>: 03-04)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“queria perguntar então se se importa que eu
grave esta entrevista”</p>

    <p>(<a href="#t2">trecho 2</a>: 05-06)</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>“eh: eu queria pedir a sua autorização para
gravarmos o:: eh (.) este atendimento</p>

    <p>(<a href="#t3">trecho 3</a>: 03-04)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“queria pedir a sua permissão (.) para gravar o
atendimento” (trecho 4: 19)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“queria–lhe só pedir permissão para gravarmos o
atendimento…” (<a href="#t5">trecho 5</a>: 03-04)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“eu ia-te pedir autorização
então para gravar aqui o nosso atendimento…</p>

    <p>(<a href="#t6">trecho 6</a>: 04-05)</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>“tem problema que eu grave?” (<a href="#t7">trecho 7</a>: 14)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“queríamos pedir e:h (.)
a sua permissão para gravar este atendimento”</p>

    <p>(<a href="#t8">trecho 8</a>: 04-05)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“O que é que nos pedem? Que gravemos os
atendimentos de serviço social…”</p>

    <p>(<a href="#t9">trecho 9</a>: 05-06).</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A natureza indireta das formulações dos pedidos é, como já dissemos, característica dos atos de linguagem
diretivos. Faz igualmente parte desta estratégia o uso em português do
pretérito imperfeito (“eu gostava”, “eu queria”, “e ia(-te)”
“queríamos”). A referência dítica da segunda parte é outro aspeto desta
­estratégia, pelo facto se tratar de um dispositivo visando envolver o
interlocutor, neste caso, a utente. Encontramos ainda, no <a href="#t5">trecho 5</a> :03, o emprego do advérbio <i>só</i> que pode ser entendido
como estratégia de minimização do potencial atentado à face da interlocutora.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A AUTORIZAÇÃO VS. NÃO AUTORIZAÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Os trechos <a href="#t1">1</a>, 4, <a href="#t5">5</a>, <a href="#t6">6</a> e <a href="#t7">7</a>
são transcrições de atendimentos em que a utente aceitou a gravação do
atendimento, ao passo que os trechos <a href="#t3">3</a>, <a href="#t8">8</a> e <a href="#t9">9</a> transcrevem atendimentos em que o
pedido para gravar não foi aceite pela utente. A autorização para gravar é
formulada de diferentes maneiras pelas utentes:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>“à vontade” (<a href="#t1">trecho 1</a>: 05)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“está bem” / “okay” (trecho 4: 14,
18 / 20)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“está bem” (<a href="#t5">trecho 5</a>: 14)</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>“sim” (<a href="#t6">trecho 6</a>: 07)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“acho que não” / “não não
tem problema nenhum” (<a href="#t7">trecho 7</a>: 34 & 36)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Para a recusa de autorização da gravação, as
utentes utilizam as seguintes formulações:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“então eu prefiro não gravar nada” (<a href="#t3">trecho 3</a>: 26)</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Podemos observar que a autorização é dada com
formulações simples e sem rodeios, ao passo que a recusa de autorização é formulada
com intervenções complexas e de maneira indireta, distinguindo deste modo a
natureza preferida da autorização da natureza não preferida ou marcada da
recusa da autorização. A complexidade dos enunciados de recusa consiste na
necessidade que a utente sente de explicar as razões da sua recusa da
autorização para gravar o atendimento, o que se traduz, nestes casos, naquilo a
que Schegloff dá o nome de pós-expansão da SPP (Schegloff, 2007, pp.115-168),
neste caso, da resposta da utente ao pedido de autorização para gravar
propriamente dito.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>O ACORDO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Esta última componente do
<i>script</i> não ocorre no <a href="#t6">trecho 6</a>. Mas está
claramente presente na transcrição dos outros atendimentos do nosso <i>corpus</i>,
nalguns casos de maneira assinalavelmente desenvolvida:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>“está bem? (.) obrigado” (<a href="#t1">trecho 1</a>: 12)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“pronto (.) é a entrevista número um então”
(<a href="#t2">trecho 2</a>: 08)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>“tá bem bem (.) pronto
(.) sim senhora” (<a href="#t3">trecho 3</a>: 29)</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>“ah (.) pronto (.) tudo bem (.) óptimo” (<a href="#t5">trecho 5</a>: 23)</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Como podemos ver, é nos trechos <a href="#t7">7</a> e <a href="#t9">9</a> que esta componente é mais desenvolvida.
 O <a href="#t7">trecho 7</a> transcreve um atendimento marcado por uma dupla
dificuldade da utente, por uma dificuldade auditiva que tornou difícil ouvir o
que a técnica lhe disse e por uma dificuldade de compreensão daquilo que a
técnica disse. Neste caso, o desenvolvimento desta componente é a maneira como
a técnica é obrigada a lidar com esta dificuldade, ao esforço para estabelecer
a compreensão daquilo que está em jogo nesta sequência. Por sua vez, o <a href="#t9">trecho 9</a> transcreve um atendimento em que a utente recusa autorizar
a gravação de uma parte do atendimento; a expansão desta componente do <i>script</i>
visa a negociação da parte a excluir da gravação.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A NATUREZA NEGOCIAL DOS
PEDIDOS DE AUTORIZAÇÃO PARA GRAVAR</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A análise que acabamos de
fazer das componentes do <i>script</i> permitiu mostrar que os interactantes,
ao se envolverem na sequência dos pedidos de autorização para gravar, mobilizam
dispositivos das estratégias negociais da interação conversacional. São esses
dispositivos que vamos agora abordar.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O USO DO DISPOSITIVO DIALÓGICO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Os interactantes recorrem
ao dispositivo dialógico, como estratégia argumentativa visando justificar
decisões a tomar localmente. Encontramos o uso deste dispositivo em vários
trechos, na componente 1 do <i>script</i>, onde
observamos a encenação por parte da técnica de diferentes quadros enunciativos.
Como vimos anteriormente, a justificação do pedido para gravar é apresentada
como uma exigência de enunciadores que a técnica representa. Mas encontramos
igualmente o uso deste dispositivo, <a href="#t8">trecho 8</a>:
26-29, desta vez na componente 3 do <i>script</i>, onde observamos a
mobilização deste dispositivo por parte da utente; para justificar a sua recusa
de autorizar a gravação de uma parte do atendimento, a utente fala “em nome da
filha”:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>O DISPOSITIVO DE CATEGORIZAÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O <a href="#t6">trecho 6</a> exemplifica a utilização de formas de tratamento como
processo de categorização (Monteiro, 2010). Para se referir à utente, a técnica
utiliza a 2.ª pessoa do singular e uma entoação específica que categoriza a
relação que estabelece entre elas a partir do par “adulto/jovem” (Sacks, 1992,
pp. 40-48, 68-71, 205ss., 246ss.; 396-403).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>O DISPOSITIVO DE FIGURAÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos dispositivos mais
utilizados, tanto pela técnica como pela utente, é o da figuração. Na sequência
de Goffman, damos este nome ao conjunto dos recursos mobilizados pelos
interactantes com o objetivo de preservar, manter, respeitar, aumentar ou
restabelecer o valor tanto da face própria como da face do seu interlocutor, e
por face entendemos a estima e a consideração que cada um dos interactantes
precisa para que a sua palavra seja aceite e apreciada no decurso da interação.
Trata-se evidentemente de um valor simbólico relativo, uma vez que a mobilização
deste dispositivo exige uma ponderação constante por cada um dos interactantes,
no momento em que toma a palavra, de maneira a que adote os recursos
conversacionais de que dispõe de modo a evitar tanto a sobrevalorização
excessiva da face de um dos interactantes, o que acarretaria uma desvalorização
equivalente da face do outro, como a desvalorização excessiva da face de um dos
interactantes, o que acarretaria uma sobrevalorização equivalente da face do
outro.</p>

    <p>A componente 1 do <i>script</i>,
assim como a formulação indireta do pedido para gravar, podem ser encaradas
como utilização do dispositivo de figuração, uma vez que se trata de maneiras
de a técnica visar a preservação ou o respeito da face da utente. Em todos os
trechos podemos, por conseguinte, observar a mobilização deste dispositivo. Mas
no <a href="#t7">trecho 7</a> observamos um caso particularmente
eloquente de utilização deste dispositivo. Neste trecho, os interactantes, duas
técnicas e uma utente, estão colocados perante dificuldades auditivas da utente,
dificuldades que criam uma situação suscetível de diminuir a sua autoestima e
de, por conseguinte, desequilibrar a sua relação com as técnicas. Para
enfrentarem esta dificuldade, a técnica 1 pergunta nas
linhas 03-04 se a utente a consegue ouvir e utiliza o recurso da reformulação,
nas linhas 10-14, da componente 1 do script, projetando a intervenção de uma
exclamação da utente, na linha 17 “ah: que graça” que recebe da sua parte um
sorriso, transcrito na linha 18. Tanto a exclamação da utente como a
reformulação e o riso da técnica a seguir à exclamação da utente são evidentes
recursos mobilizados do dispositivo conversacional de figuração.</p>

    <p>Gostaríamos de chamar a atenção para o
encadeamento de dois fenómenos presentes neste trecho: o riso da técnica,
registado na linha 18 da transcrição e a interpretação errada que a utente faz
da frase “tem problema que eu grave”, registado na linha 14 e reformulado na
linha 21.</p>

    <p>O valor interacional do riso está bem documentado
na literatura dispo­nível (Sacks, 1992, pp.745-746; Jefferson, 1979; 1985;
Jefferson, Sacks e ­Schegloff, 1987; Silverman, 1988, pp. 1-2, pp. 16-17;
Moerman, 1996, p. 4, pp. 14, 69, 73-75, 79; Hutchby e Wooffitt, 2008, pp.
78-79). Embora merecesse uma análise mais demorada, chamamos apenas a atenção
para o facto de o riso da técnica, registado na linha 18 do <a href="#t7">trecho 7</a>, ter um valor interacional notável de afiliação à
intervenção imediatamente anterior da utente: “ah: que graça”.</p>

    <p>Harvey Sacks, já em 1966, se interessava pelo
fenómeno da má interpretação (<i>mis-hearing</i>) de frases no quadro da
conversação, a julgar pela lição que na altura lhe dedicou (Sacks, 1992, pp.
450-455). Também encontramos este fenómeno no <a href="#t7">trecho 7</a>
do nosso <i>corpus</i>. A técnica, na linha 21, produz uma PPP constituída por
uma pergunta à utente: “tem problema que eu grave ou não?”; a utente, na linha
21, em vez de produzir a SPP, do tipo sim ou não projetada pela PPP, formulada
pela técnica, produz uma outra PPP, constituída pela
pergunta: “se eu tenho um problema grave?”</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>O DISPOSITIVO DOS SABERES COMUNS RELEVANTES</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A relevância surge, no
nosso <i>corpus</i>, como especificamente importante em processos de negociação
e vários autores têm chamado a atenção para o facto de a autorização para
gravar só ser válida no quadro de conhecimentos ou de
saberes partilhados (Schegloff, 1991), conhecimentos que constituem
pressupostos aceites como garantidos de modo tácito pelos interactantes. A
vontade de assegurar a efetivação do acordo, assim como a ocorrência de certos
micro-acontecimentos (<a href="#t7">7</a>: 40-41) que abalem a
confiança na partilha de conhecimentos comuns podem levar as técnicas a
perguntar às utentes se estão na posse das informações suficientes para
aceitarem a gravação do atendimento. Nestes casos, podemos observar uma
expansão da sequência, em posição anterior ou posterior à componente 3, do pedido para gravar propriamente dito (<a href="#t7">7</a>: 42-46).</p>

    <p>Já vimos que no <a href="#t7">trecho 7</a>
a má interpretação da formulação do pedido obriga a técnica a uma pós expansão
da sequência. Vamos agora referir uma pré expansão que
podemos observar no <a href="#t5">trecho 5</a>, que achamos particularmente importante.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que a nosso ver confere particular importância
a esta pré expansão é a insistência da técnica em
referir a possibilidade de a utente recusar a gravação, em assegurar que a
utente conhece esta possibilidade. Esta insistência torna-se ainda mais
importante se tivermos em conta que os trechos <a href="#t3">3</a>, <a href="#t8">8</a> e <a href="#t9">9</a> que transcrevem
atendimentos em que a utente não autoriza a gravação ou pelo menos parte dela,
são todos trechos que comportam pré expansões. É
possível que o consentimento da autorização para gravar atendimentos de ação
social seja mais fácil de obter quando o técnico não explicita a possibilidade
de a autorização ser recusada pelo utente. Este fato, não só suscita questões
éticas acerca da maneira como os técnicos formulam os seus pedidos, como
levanta problemas relevantes para o próprio processo de investigação
sociológica.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>CONCLUSÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A análise das sequências
de pedidos de autorização para gravar os atendimentos de ação social que propusemos
permite mostrar que as questões ­éticas que se colocam ao investigador no
quadro de investigações de natureza etnometodológica como as que utilizam a
análise da conversação são localmente equacionadas e resolvidas pelos próprios
interactantes, que mobilizam em permanência pressupostos formados por
conhecimentos mutuamente partilhados. No caso de esses pressupostos se tornarem
problemáticos, como o que podemos observar no <a href="#t7">trecho 7</a>,
os interactantes são levados a proceder a reformulações tendo em vista o seu
restabelecimento. Este fenómeno é particularmente interessante quando se trata
de interações institucionalmente enquadradas, em que, por um lado, o direito à
formulação dos pedidos para gravar não é igualmente partilhado pelos
interactantes e, por outro lado, a posição dos utentes dos serviços da
instituição em que a interação ocorre constitui um condicionamento ritual do
seu consentimento. Não negamos a existência deste condicionamento, mas os dados
revelam que os interactantes que representam a instituição tendem a produzir
justificações dos pedidos, tendo em vista a validação dos pedidos por parte dos
utentes dos serviços.
As expansões das sequências formadas pelos pedidos para gravar os atendimentos
são sobretudo utilizadas para a apresentação dessas
justificações e para a negociação da sua validação por parte das utentes.</p>

    <p>Os resultados aqui apresentados sugerem a
relativização do alcance do paradoxo do observador no domínio da análise da
conversação. Os pedidos de autorização para gravar não ocorrem evidentemente
nos atendimentos de ação social habituais; nos atendimentos utilizados nesta
investigação constituem, por isso, sequências suspeitas de não autenticidade,
pelo facto de ser imposta de fora pela investigação em curso. No entanto, as
descrições e as análises destas sequências mostram a presença de uma ordem
condicionadora que é gerida interativamente pelos interactantes, com recursos
idênticos aos que utilizam nas outras sequências dos atendimentos de ações
sociais gravados no âmbito do nosso projeto, em particular os que regulam o
funcionamento dos pares adjacentes, os que relacionam as intervenções com a
história conversacional e com os conhecimentos mutuamente partilhados, os que
orientam as reformulações e os que governam as estratégias de validação das
justificações. Particularmente interessante é o facto de observarmos, nas
sequências de pedidos de autorização para gravar, o funcionamento dos mesmos
condicionamentos rituais e sistémicos que regulam as outras sequências. Uma vez
gravadas e transcritas, as sequências dos pedidos de autorização para gravar
constituem uma excelente janela de observação dos vários planos de organização
interativa das trocas verbais mantidas por falantes empenhados em negociar os
seus respetivos estatutos de participação e em construir a ordem da interação
que enquadra os atendimentos de ação social (Hall <i>et</i><i>
al</i>., 2003; Montigny, 2007; Binet, 2013b).</p>

    <p>Há ainda uma outra
conclusão a retirar do nosso estudo, que gostaríamos de sublinhar. Tal como o
estudo etnográfico de Arlene Katz e Fox Kenneth (2004, pp. 9-17) sobre os
pedidos de consentimento para a utilização para fins de investigação dos
tratamentos de crianças em ambiente hospitalar tinha
mostrado, os processos utilizados pelos técnicos de intervenção social para a
obtenção do consentimento dos utentes do serviço para gravar as entrevistas de
atendimento não são uma tarefa meramente burocrática, mas sim um trabalho
relacional, quer se trate de um trabalho de construção da própria relação
interacional, quer se trate de um trabalho que se inscreve numa história
relacional anterior e, deste modo, contribua para o seu aprofundamento ou para
a sua reelaboração. Em certo sentido, podemos aproximar esta conclusão do ponto
de vista defendido por Kenneth Liberman (1999, pp. 47-63) que considera a ética
da investigação em sociologia não como a satisfação de exigências formais ou
burocráticas, mas como o exercício de um permanente trabalho artesanal (<i>craft</i>)
ou de uma bricolagem (<i>walkabout</i>), próprio daquilo a que os Gregos davam
o nome de <i>metis</i> (Detienne e Vernant, 1978), a inteligência prática
característica do artesão.</p>

    <p>Gostaríamos ainda de sublinhar o carácter
exploratório deste trabalho. Pensamos ter mostrado a riqueza das sequências dos
pedidos de autorização para gravar, em si mesmas constituídas de fenómenos
interacionais que merecem a atenção do investigador em ciências sociais. Mas
muitas questões ficaram por estudar, em particular a relação entre os fenómenos
aqui observados em contexto institucional e os fenómenos análogos que ocorrem
em contextos informais, como no caso de pedidos de autorização para gravar que
surgem no quadro da vida quotidiana ou em situações de entrevistas fora de
contextos institucionalmente enquadrados.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <!-- ref --><p>ALMEIDA,
R. de (2010), “Distribuição de pré-prés
e pré-delicados em atendimentos de acção social”. <i>Documento de Trabalho do GIID</i> n.º 22,
Lisboa, FCSH-UNL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0003-2573201500020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BAKHTINE, M. (1970), <i>La Poétique de Dostoïevski</i>,
Paris, Seuil, Essais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0003-2573201500020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BAKHTINE, M. (1977), Le Marxisme et la philosophie du
langage, Paris, Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0003-2573201500020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BAUDE, O. (ed.) (2006), <i>Corpus oraux: guide de bonnes
pratiques</i>, Paris, CNRS/Presses Universitaires d’Orléans.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0003-2573201500020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BINET,
M. (2013a), <i>Microanálise Etnográfica de Interacções
Conversacionais: Atendimentos em Serviços de Acção Social</i>.
Tese de doutoramento em antropologia (dir. Adriano Duarte Rodrigues), Lisboa,
FCSH-UNL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0003-2573201500020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>BINET,
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e investigação em serviço social: preliminares teórico-metodológicos”. <i>Intervenção
Social</i>, 41, pp. 71-91.</p>

    <!-- ref --><p>BINET, M. (2014), “Transcrever a atividade do falante
secundário: apresentação de uma nova convenção de transcrição da
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Journal</i>, 36, pp. 73-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000291&pid=S0003-2573201500020000300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SILVERMAN, D. (1998), <i>Harvey Sacks. Social Science
and Conversation Analysis</i>, Cambridge, Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000293&pid=S0003-2573201500020000300047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SPEER, S.A.,
HUTCHBY, I. (2003), “From
ethics to analytics: aspects of participants’ orientations to the presence and relevance of
recording devices”. <i>Sociology</i>, 37 (2), pp. 315-337.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000295&pid=S0003-2573201500020000300048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Recebido a 02-09-2013.
Aceite para publicação a 21-11-2014.</p>




    <p><b>NOTAS</b></p>



    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>Um agradecimento ao nosso
colega David Monteiro, que participou em várias das etapas do trabalho
conducente à elaboração do presente estudo.</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>Convém esclarecer que
“natural” se contrapõe aqui a artificial, como no caso das situações
laboratoriais organizadas expressamente para fins de investigação, e não a
cultural. Neste sentido, uma entrevista de atendimento de ação social é uma
situação “natural”, porque não é organizada expressamente para ser investigada,
mas se insere na rotina “natural” dos técnicos e dos utentes dos serviços de
ação social (Have, 2007, p. 48; Rodrigues, 2012).</p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>Um agradecimento especial a
Isabel de Sousa (CLAS-Sintra), pela sua visão das relações que unem a ação e a
investigação em serviço social, decisiva para a colaboração e para a parceria
que tornou possível este projeto, assim como a todos os profissionais e aos
utentes que aceitaram colaborar connosco.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>Foi acordado com os
profissionais que os pedidos para gravar os atendimentos seriam realizados em
posição inicial, na sequência de abertura, com o gravador já ligado, para
efeitos de registo dos consentimentos dos utentes. De acordo com Mondada (2005,
pp. 134-135), a sua posição no fim dos atendimentos teria eventualmente
vantagens do ponto de vista da investigação, mas levantaria evidentemente
outras questões éticas. Fazemos notar que a gravação destas
sequências de pedidos de gravação visaram guardar o registo da autorização
para gravar as entrevistas e, neste sentido, pode ser considerado um
procedimento paradoxal, uma vez que se trata de uma gravação não negociada que
visa registar a negociação da gravação. Embora este paradoxo merecesse maior
discussão, pensamos que o facto de se tratar de uma sequência prévia à
entrevista propriamente dita, e de dar ao utente o poder de decisão, legitima
este procedimento do ponto de vista ético.</p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>Uma vez autorizada, a
presença de um gravador “é suscetível de reforçar pressões normalizadoras
pré-existentes à sua introdução, que incidem com força redobrada sobre a
técnica, em direções potencialmente divergentes: atender o
pedido de ajuda; humanizar a relação de serviço; conformar as resoluções às
normas legais e institucionais; ajustar o apoio prestado aos recursos
disponíveis; etc.” (Binet, 2013a, pp. 141-142).</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>A localização das linhas de
transcrição faz-se indicando a sua numeração (ex.: “03-04” refere as linhas 03 e 04 da transcrição). As convenções de
transcrição utilizadas neste texto são adaptadas dos trabalhos de Gail
Jefferson (2004). Uma das adaptações consiste em duplicar linhas de
transcrição, assinaladas (’) para melhor evidenciar a atividade do falante
secundário realizada em sobreposição com um turno do falante primário (Binet, 2014).
Os interactantes são referidos pelas expressões “a técnica” e “a utente”, uma
vez que, nos textos selecionados, intervêm apenas interactantes do sexo
feminino. Os dados foram anonimizados substituindo os nomes próprios por
outros, foneticamente idênticos e com um mesmo número de sílabas (Hasund,
1998).</p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup>Em
inglês, FPP (<i>First Pair Part</i>) e SPP (<i>Second Pair Part</i>) (Sacks,
Schegloff e Jefferson, 1974).</p>

    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>Em
inglês, SCT (<i>Sequence-Closing Third</i>) (Schegloff, 2007, p. 118).</p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup>Em
inglês TRP (<i>Transition Relevance Place</i>) (Schegloff, 2007, p. 4).</p>

    <p>&nbsp;</p>

<a href ="/img/revistas/aso/n215/n215a03A.jpg ">ANEXO 1</a></p>



    
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