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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[D. Francisco de Melo Manuel da Câmara (1626-1678): biografia, património, estatuto social e fidelidades]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[D. Francisco ­Manuel de Melo da Câmara, Portuguese Ambassador in ­Holland and England, left a will, which is today in the archives of the Public Record Office (London). This document informs us about the contents of the estate and is revealing about the Ambassador’s social position in 17th century society at the time he drew up the instrument (1674) and subsequently amended it four years later. We use the information in the will to study the social relationships he had with the Portuguese nobility in The Hague and London. There, he acquired extensive holdings in artworks to decorate the best palaces of the most influential nobles, with whom he socialized for nearly two decades.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b>DOSSIÊ: ESTRUTURAS SOCIAIS, VALORES, SOCIABILIDADES</b></p>

    <p><b>D. Francisco
de Melo Manuel da Câmara (1626-1678): biografia, património, estatuto social e fidelidades</b></p>
    <p><b>D. Francisco de Melo Manuel da Câmara (1626-1678): biography, estate, social status and loyalties</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Susana Varela Flor*</b></p>


    <p>*Universidade Nova de Lisboa, FCSH, IHA Avenida de Berna, 26-C —
1069-061 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:Florsusanavarelaflor@sapo.pt">Florsusanavarelaflor@sapo.pt</a></p>


    <p>&nbsp;</p>


    <p><b>RESUMO</b></p>

    <p>Muito ofuscada pela figura do
seu primo – D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666) –, a de D. Francisco de
Melo Manuel da Câmara mereceu demorada biografia, tendo como ponto de partida a
análise do seu testamento, que nos levou à avaliação parcial do seu património
móvel e imóvel, bem como à definição do seu estatuto social na sociedade de
seiscentos, à data da feitura daquele instrumento notarial (1674) e sua
posterior retificação em codicilo (1678). De igual forma, utilizámos as informações
contidas no testamento, agora revelado, para estudar as relações sociais que
manteve com a nobreza portuguesa a partir de cidades do Norte da Europa (Haia e
Londres), nas quais angariou extenso património artístico para decorar os
melhores palácios lisboetas dos Grandes, com quem conservou laços de fidelidade
por quase duas décadas.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: D. Francisco de Melo Manuel da
Câmara; Portugal; biografia; nobreza; arte.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>D. Francisco ­Manuel de Melo da Câmara, Portuguese
Ambassador in ­Holland and England, left a will, which
is today in the archives of the Public Record Office (London). This document
informs us about the contents of the estate and is revealing about the
Ambassador’s social position in 17<sup>th</sup> century society at the time he
drew up the instrument (1674) and subsequently amended it four years later. We
use the information in the will to study the social relationships he had with
the Portuguese nobility in The Hague and London. There, he acquired extensive
holdings in artworks to decorate the best palaces of the most influential
nobles, with whom he socialized for nearly two decades.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>: D. Francisco
de Melo Manuel da Câmara; ­Portugal; biography; nobility; art.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>BIOGRAFIA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>1.ª FASE(1615-1662)</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>D. Francisco de Melo
Manuel da Câmara<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> nasceu em Lamego a 15 de fevereiro de 1626 [ver <a href="#f1">Figura 1</a>]. Cresceu no
seio de uma família nobre com domínios patrimoniais distribuídos por Portugal
continental e ilhas, especificamente na ilha de S. Miguel, arquipélago dos
Açores, na qual a propriedade da Ribeirinha era pertença da família Câmara
desde que o trisavô – Antão Rodrigues da Câmara – a comprara em 1508 e a
vinculara a morgado.<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> O pai – D. Gomes de Melo (c.ª 1580-1645) – era fidalgo da Casa de
Bragança, alcaide-mor de Lamego e comendador da Ordem
de Cristo, cargo e título que o filho herdou após a sua morte. Do lado materno,
era filho de D. Marinha Drago de Portugal, descendente também de uma família de
fidalgos da Casa Real, proprietária de uma quinta em Vilar de
Maçada, Vila Real, herdada em 1600 aquando da morte de seu avô, Salvador Drago
(Sousa, 1747b, p. 123).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a06f1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>D. Francisco descendia pois
de uma linhagem ligada, por laços de consanguinidade, à dinastia de Bragança
desde o século XV pela união do seu trisavô D. Diogo de Melo com D. Maria
Manuel de Faro e Noronha (c.ª 1500), sobrinha neta de D. Fernando II, 3. duque de Bragança (1430-1483).<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a></p>

    <p>Ao longo dos séculos XV e XVI, a Casa dos Melos
Manuéis acumulou grandes benesses, tanto ao nível de
cargosrégios (D. Diogo de Melo, trisavô de D. Francisco, foi estribeiro-mor
da imperatriz
D. Isabel de Portugal), como aonível do
desempenho de funções no poder local (por exemplo, a
alcaidaria de Lamego na posse do avô, D.
Francisco Manuel da Câmara até 1621 e do pai, D. Gomes de
Melo, até 1645) e que se concentraram no património da personagem em análise.
Nesta convergência teremos de ter em conta a transmissão de morgados, de que é
exemplo o já referido morgado da Ribeirinha, por falecimento do filho de seu
primo D. Francisco Manuel de Melo (1666) – D. Jorge Manuel de Mello (1674) –,
bem como as comendas na Ordem de Cristo de São Mamede de Mogadouro e de S.
Pedro da Veiga de Lila, Santa Maria da Torre, S. Martinho de Ranhados e do
Zambujalinho, termo de Évora,
comendassob a tutela da Casa de Bragança (Sousa, 1747b, pp. 123-124). Do lado materno, D. Marinha Drago de
Portugal herdara de seu avô e de seu pai Nuno Cardazo Homem de ­Vasconcelos –
capitão-mor de Lamego –, o morgado da Taipa e dos Reguengos de Folhadal e Paramos, na comarca de Viseu.<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> Acumulou igualmente outros cargos ao longo do tempo como por exemplo o
de trinchante-mor do rei D. João IV, facto mencionado no testamento e no
prefácio da “Carta de Guia de Casados”.<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></p>

    <p>Sobre a educação recebida na juventude pouco conseguimos apurar. Sabemos apenas que o pai era um
apaixonado pela <i>História Genealógica</i> e, neste sentido, terá exercido
grande influência sobre D. Francisco. Segundo Diogo Barbosa Machado, “foy
egregiamente instruído na Poesia, Lição da História Sagrada e Profana e muito
versado na inteligência das Linguas mais polida”<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, talento que o destinou à representação diplomática, mesmo a
contragosto, acrescentamos nós.</p>

    <p>Como é sobejamente conhecido, era primo co-irmão de D. Francisco Manuel de Melo, 18 anos mais velho,
famoso escritor da nossa história literária. O contacto com ele mantido
contribuiu para o seu enriquecimento pessoal e cultural. De facto, na vida e
obra de D. Francisco Manuel, há várias referências aos laços de amizade que
mantinha com D. Francisco de Melo. Este participou na obra <i>D. Teodósio</i>
através da execução de um desenho que mereceu uma explicação por parte do
escritor: “Neste Livro Thedósio, que a Sua Magestade escrevo, de que determino
fazer lhe prezente, fiz debuchar um Capricho por meu primo D. Francisco, com
que raro acerto o poz em effeyto, para dele se abrir huma estampa que sirva de
rostro ao verdadeyro Livro”<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> [ver <a href="#f2">Figura 2</a>].</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a06f2.jpg"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>


    <p>Anos mais tarde, já em plena liberdade,
conviveram no início da década de 60, na célebre ­Academia dos Generosos, a
cujas sessões D. ­Francisco de Melo ­presidiu por duas vezes (­Prestage, 1996,
pp. 301-302 e 304). D. Francisco Manuel de Melo nas <i>Obras
Metricas – Samfonha de Euterpe</i>” escreveu-lhe a “Carta II” e na <i>Viola
de Talia</i> elogiou-o desta forma: “Pois que direy de hum Mello/<b> </b>Que
traz a melodia em paralello/ Porque segundo a grega Analogia/ Disse, quam dico<b>
</b>Melos, Melodia” (Machado,1966 [1748], p. 201).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>2.ª FASE (1662-1678)</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O ano de 1662 constituiu
uma mudança radical na vida de D. Francisco de Melo, uma vez que viajou com a
comitiva que acompanhou a rainha de Inglaterra – D. Catarina de Bragança
(1638-1705) – até à cidade de Londres, na qual viveu durante
12 anos, interrompidos pelos quatro em que residiu na cidade de Haia.
Numa primeira fase (1662-1663/4), D. Francisco ­desempenhou o cargo de
camareiro-mor de D. Catarina, fazendo parte da “família”, juntamente com a irmã
D. Maria, condessa de Penalva (Rau, 1962, p. 10).</p>

    <p>Por estudos recentes, verifica-se que a
composição da Casa da rainha de Inglaterra teve em conta não só a fidelidade da
nobreza que aclamou D. João IV (os casos de Francisco de Mello e Torres e D.
Nuno da Cunha Ataíde, por exemplo), como também a escolha de famílias ligadas a
­Inglaterra, por exemplo as açafatas da rainha -
D. Francisca Inácia de Vasconcelos, D. Luisa de ­Vasconcelos, irmãs do
manteeiro da Casa Real, António Toscano de ­Vasconcelos, e todos netos de
Robert Torne, mestre de capela em Vila Viçosa e mestre de D. João IV, desde os
tempos como duque de Bragança (Flor, no prelo).</p>

    <p>Desta forma, o facto de D. Francisco de Melo ser
fidalgo da Casa Real, na qual exercia o ofício superior de trinchante-mor de D.
João IV e, mais tarde de D. Afonso VI, constituíram uma das bases para a sua
integração (Monteiro, 2003, p. 532). Em segundo lugar, as qualidades pessoais
intrínsecas, ou seja “o prudente juízo que era ornado”
colocava-o numa posição privilegiada para aconselhar a inexperiente rainha de
Inglaterra.</p>

    <p>Essa sensatez, que lhe é reconhecida pela
historiografia, aliada a uma cultura sólida, valeu-lhe a nomeação como
embaixador, por diversas vezes. Neste sentido há que clarificar o caráter das
suas diversas nomeações (Cluny, 2004, p. 56). Logo em novembro de 1663
substituiu, em missão especial, o embaixador português em Inglaterra, Francisco
de Mello e ­Torres, marquês de Sande, que havia partido incógnito para Paris a
fim de tratar das negociações de casamento de D. Afonso VI.<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> 
Nesta época, foi responsável pela entrega da cidade de Bombaim,
cláusula consignada no Tratado de Paz e Aliança.</p>

    <p>Em 1667, é nomeado embaixador extraordinário em
Haia, com o firme propósito de renegociar o Tratado de Paz com os Estados
Gerais das ­Províncias Unidas (Faria, 2005, p. 609).
Esta designação configura o tipo de “nomeação de negociação”, na qual o
embaixador não pertencia à nobreza titular, mas era próximo da Casa Real,
inclusivamente primo do conde de Castelo Melhor, valido de D. Afonso VI (Cluny,
2004, p. 62).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Da leitura da extensa correspondência para várias
figuras portuguesas a partir daquela cidade holandesa conhecemos o dia-a-dia do
embaixador, as dificuldades das negociações, a falta de dinheiro, as intrigas
constantes e as impressões sobre as relações humanas e sociais da época.
Ficamos também a conhecer melhor a personalidade educada deste embaixador, bem
como a sua fina ironia, presente em várias passagens da sua epistolografia
como, por exemplo, no comentário sobre a prestação de Francisco de Brito “[que]
pediu três coisas: o título de Visconde, a Vila de Coruche de onde é natural e
uma Dama do Paço, que he peitição nova”.<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a></p>

    <p>O retratofísico do
embaixador em estudo poderá ser visualizado na obra domédico<b> </b>Fernando Mendez, um judeu nascido nas Beiras, e que se doutorou em
Montpellier. Em 1667, Mendez publicou na cidade de Lyon a obra <i>Stadium
Apollinare</i>, cujo prefácio é dedicado a D. Francisco de Melo da Câmara,
designado no texto como “equiti aurato”<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> [ver <a href="#f1">Figura 1</a>].</p>

    <p>Em 1668, a alteração política verificada em
Portugal, com a subida ao trono de D. Pedro II, obrigou-o a uma viagem ao
reino, a fim de receber novas instruções. Desta breve permanência (entre os
meses de agosto e de novembro), temos poucas notícias. Data desta época a sua
nomeação como 1.º senhor da
Silvã de Cima (mercê concedida por D. Pedro II a 8 de
novembro de 1668), título pelo qual não se deve ter sentido recompensado, não
só pelos sacrifícios pessoais que estava a fazer em Haia, como também pelo
facto de este título não estar de acordo com o caráter extraordinário de que se
revestira a sua embaixada.</p>

    <p>A 29 de novembro, viria a desembarcar em França
(La Rochelle), de onde escreveu a Duarte Ribeiro de Macedo para lhe conceder
hospedagem. Em Paris, conviveu com este influente diplomata e juntamente
tentaram a ­mediação do Tratado com a Holanda recorrendo à diplomacia de Luís
XIV (Faria, 2005, p. 637). De regresso, a viagem até
Haia é feita por terra, atravessando em pleno inverno cidades como Lille,
Courtrai, Gand e Antuérpia, tendo ficado em casa de “Francisco da Silva filho
de Duarte da Silva que aly vive agora”.<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> 
Esta estadia estará porventura relacionada com compras realizadas na Flandres, por exemplo de duas 
tapeçarias em Bruxelas.<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a></p>

    <p>Em fevereiro de 1669 passou a escrever de Haia,
e, nos meses seguintes, vemo-lo ocupado com as negociações do Tratado, que
findou com louvável sucesso.<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> Após este período, permaneceu mais alguns meses em Haia, e a
ociosidade daqueles tempos destinou-a a passeios (banhos em Achen), visitas e
aquisições de obras de arte para alguns nobres portugueses.</p>

    <p>No final desse ano,
foi nomeado embaixador ordinário em Londres, mas só a 8
de dezembro de 1671 fez a entrada pública na cidade do Tamisa, uma vez que o
rei Carlos II não o quis receber devido à aliança matrimonial de D. Pedro II
com D. Maria Francisca de Sabóia. Sobre este assunto escreverá: “…mas todavia he grande disgraça que isto estivesse guardado
para my no cabo de minha velhice: bem me advinhava a my o coração que tanto
contra minha vontade fui embaxador de Inglaterra…”.<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> A desilusão era compreensível: em
primeiro lugar o significado político de um ministro do príncipe de Portugal
humilhado publicamente. Em segundo lugar, as consequências pessoais: perdera o
caráter de embaixador
extraordinário, o que significava a descida dos seus rendimentos, e constatava
que a sua nomeação não havia acompanhado a tendência geral, verificada após
1668, de dotar as representações permanentes com elementos titulados. O nosso
diplomata via que a titularidade lhe ia fugindo, configurando uma situação em
que “aparentemente o reconhecimento do mérito do diplomata, oriundo de uma
antiga nobreza [era tomado em conta], mas sem acesso à Grandeza
…”(Cluny, 2004, pp. 63 e 65).</p>

    <p>Em relação à sua vida privada, sabemos que D.
Francisco de Melo nunca se casou, mas estamos inteirados de que essa
possibilidade foi equacionada, mesmo a poucos anos do seu falecimento, pois
cartas já publicadas dão-nos conta dessa notícia. Com efeito, é através de uma
missiva de Manuel Dias para o duque de Cadaval que apurámos pormenores sobre
este assunto, tratado, note-se, com consentimento do próprio embaixador (Rau,
1962, pp. 21-22). Mas estes anos correspondiam já aos
da doença de D. Francisco, pelo que o “negócio” não se chegou a realizar. Determinámos
também que, nessa data, tencionava ainda regressar a Lisboa, como se pode
verificar pelo interesse em adquirir casas, junto a Valverde.<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a></p>

    <p>O nosso diplomata faleceu em Londres, a 9 de agosto de 1678, sendo o testamento aberto pouco tempo
depois. Nele pedia à sereníssima rainha de Inglaterra para ser enterrado na
capela de Somerset House, enquanto não fosse o corpo enviado para Portugal,
como efetivamente veio a suceder no primeiro de dezembro desse mesmo ano, tendo
sido enterrado no mosteiro dos Terceiros em Lisboa, em que assistiram todos os
senhores da corte (­Prestage,1966, p. 303).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>O PATRIMÓNIO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>A 19 de maio de 1674,
encontrando-se doente, D. Francisco ordenou a redação de um longo testamento que conheceu um
codicilo em 1678, um mêsantes do falecimento. Neste texto, optámos poranalisá-lo em onze partes<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>:</p>

    <p>(1)&#8195;Recomendações
preliminares e vontades estipuladas no que diz respeito ao lugar de
enterramento: é pela leitura do testamento que ficamos inteirados do facto de
D. Francisco de Melo querer fazer-se sepultar na capela de Nossa Senhora da
Estrela, localizada no cruzeiro, do lado do Evangelho, na igreja do convento de
S. Francisco de Évora [<a href="#f3">Figura 3</a>]. Esta capela havia sido fundada por um seu
antepassado, João Afonso Aguiar (c. 1430), provedor de Évora, e o pai -
D. Gomes de Melo - não tivera tempo de concluir as obras para que se
pudesse sepultar conjuntamente com a esposa D. Marinha Drago. D. Francisco ordenava
então que as obras fossem concluídas, os ofícios retomados pelos religiosos
franciscanos, e que tudo fosse custeado pelos rendimentos das propriedades do
Zambujalinho, Évora e Avis. Os pais ficariam sepultados “<i>on<b> </b>the two
sides of the altar in two vaults”</i>, tal como o irmão D. Nuno de Melo, cujo
corpo repousava na igreja de S. Lourenço, perto do convento da Rosa. Para o
sepultamento dos próprios restos mortais escolhia o meio da capela, com uma
inscrição colocada<i> </i>“<i>upon the wall over against the window and
cheifely</i>”.<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a06f3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>



    <p>(2)&#8195;Nomeação dos herdeiros:
D. Maria Drago Portugal (c.ª 1610-1684), condessa de Penalva, foi dada como
herdeira universal, devido ao falecimento de seus irmãos - D. Nuno de
Melo<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> e de D. Jerónimo de Melo (fevereiro de 1671). Após a morte do
diplomata em estudo, D. Maria Portugal recebia todas as comendas da cidade de
Lamego, outros reguengos e bens da coroa.</p>

    <p>O segundo herdeiro nomeado foi D. Francisco
Manuel de Melo (c.ª 1667-1724), filho de D. Jerónimo, nascido naÍndia eórfão, como se pode
depreender pelos receios de D. Francisco quanto à sua tenra idade e longa
viagem a efetuar da Índia para Portugal. Para este herdeiro deixou todo o
património do irmão que havia revertido para D. Francisco de Melo: as duas
­comendas de S. Miguel de Linhares e S. Pedro da Torre (?), uma pensão a ser
paga na Alfândega, e uma quantia em dinheiro. À época do falecimento de sua
irmã, se não houvesse herdeiros diretos, o legado passaria para a via
colateral, nomeadamente para o sobrinho D. Pedro de Vasconcelos, filho do
primo, D. Simão de Vasconcelos e Sousa, com a condição de que aquele passasse a
usar Melo no nome.<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a></p>

    <p>(3)&#8195;Propriedades: de igual
forma, a irmã foi nomeada herdeira, pelo regime de uma vida, no solar de Silvã
de Cima, para o qual teria de pagar os respetivos direitos aos religiosos do
Convento de Cristo em Tomar, assim como de outros bens que não estivessem
especificados.</p>

    <p>(4)&#8195;Dívidas: a enumeração
das dívidas que contraiu é interessante pelas relações estabelecidas e pelo tipo
de negócios a que se dedicou. Distingue entre as dívidas maiores, lançadas pelo
secretário no livro das despesas de sua casa, e as de menor valor enunciadas de
seguida: em primeiro lugar, devia a Jerónimo Nunes da Costa 1060 dólares pela
edição de um livro na Holanda, cujo título infelizmente não foi referido. Teria
sido o <i>Atlas</i><i> Espanhol</i> com a genealogia
dos reis de Portugal, que mencionou em uma carta dirigida ao marquês de
Fronteira?<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> O destino concreto desse dinheiro não o conseguimos
apurar, e o mesmo se pode dizer em relação aos florins que devia a D. Rodrigo
Gomes Dias, morador em Antuérpia.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Londres devia a vários artistas de diferentes
profissões: ao relojoeiro – mestre Seignier – 20 libras esterlinas pelos trabalho de dois relógios e mais 30 guinéus por mais um
que fez para a rainha D. Catarina; ao carpinteiro da Casa de York<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> 
pela execução de uma mesa e bancos, 5 libras; ao pintor mestre Walton<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> por ter feito uma cópia de um retrato de Carlos II, enviada para
Lisboa, avaliada em 40 <i>shillings</i>. Refere ainda que a quantia do gravador
que, até à data (1674), havia trabalhado na sua casa, fosse feita a partir de
uma taxa de 4 libras, de acordo com os registos de
Marcos Barbosa e, o mesmo, acontecendo com o bordador, pelo trabalho dos paramentos
de um leito (cobertura de cama, dossel e suas cortinas).</p>

    <p>(5)&#8195;Assuntos pendentes: no
que concerne a este ponto, optámos por designá-lo de uma forma genérica, dado
os assuntos serem de índole diversa, desde finanças a obras de arte. Assim,
constatamos que tinha contas por saldar com D. Fernando de Mascarenhas sobre a
venda de laranjas enviadas da Holanda por este último, e de tapeçarias, as
quais D. Fernando havia pedido a D. Francisco de Melo para serem vendidas em
Londres. Esta combinação deverá ter-se efetuado em ­Lisboa em 1668 e,
posteriormente, do resultado da venda foi despachada uma encomenda, a saber: “<i>a
dressing cabinet with peeces of plate<b> </b>and other things belonging
thereonto which might be worth according to my remembrance sixty or seventy pound sterling</i>”.<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a></p>

    <p>Declarou ainda que
existiam 190 libras esterlinas à guarda do administrador da Junta do Comércio
em Londres – Álvaro da Costa – para pagamento de uma letra enviada através do
chanceler inglês a D. Francisco pela aquisição de tapeçarias.<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> Também relacionado com estas, esclareceu
estar na posse de um conjunto representando “Rinaldo e Armida” que pertencia ao
cavaleiro de Jant (1626-1676), embaixador francês em Portugal em 1655, o qual
havia pedido a D. Francisco que o tentasse vender. Esta informação é para nós importante, uma vez que é reveladora dos contactos
diplomáticos e culturais mantidos entre Jant e certos meios da nobreza
portuguesa.<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> A estima terá sido mútua, pois o francês
havia prendado D. Francisco com uma pintura representando “S. ­Sebastião”, e
aquele, em testamento, contemplou-o com um relógio de uso pessoal.</p>

    <p>Finalmente, declarou que devia 20 mil reis a Luís
de Saldanha da Junqueira, por uma mula que comprou ao irmão António Francisco
Saldanha, ambos filhos de Aires de Saldanha e
Albuquerque (1600-1644). Este conhecimento de longa data com a família Saldanha
deverá estar relacionado com a quinta de Alcântara, pertença do primo, pois há
uma referência ao facto de ir viver para aquele lugar, no final da década de
60.<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a></p>

    <p>(6)&#8195;Pedidos: apelou para que
a rainha de Inglaterra, D. Catarina de ­Bragança, lhe pagasse, ainda nesse ano,
a tença com que o havia dotado no valor de 1000 libras, bem como o valor da
jóia que tradicionalmente era dada aos embaixadores. Justificou estes pedidos e
mais outros dois, a saber, o pagamento de uma ajuda de custo que lhe havia sido
prometida, e os subsídios devidos, pois correspondiam a grandes despesas<i>.</i><sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a></p>

    <p>(7)&#8195;Doações a empregados da
sua Casa: através destas informações, ficamos a conhecer parte dos membros da
Casa de D. Francisco de Melo em Londres e as relações de amizade que mantinha
com alguns dos seus servidores mais fiéis: em primeiro lugar Marcos Barbosa de
Almeida, a quem deixa 1000 libras esterlinas, soma que contemplaria, em Paris,
os estudos eclesiásticos do irmão Sebastião de Almeida.<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a></p>

    <p>Em segundo lugar, o seu secretário, monsieur
Marevil, a quem concedeu 50 libras esterlinas, para além do presente que
tradicionalmente era concedido aos secretários dos embaixadores. Aos filhos do
secretário concedeu 10 libras esterlinas.</p>

    <p>Ao estribeiro-mor,
Diogo de Brito Manuel, sobre o valor do pagamento que lhe havia prometido de 17
libras, deixa-lhe antes uma verba no valor de 20 libras. Ao pajem Courtin 15
libras e uma das suas vestes. Somas mais pequenas (8 a
10 libras) foram atribuídas a Fernandes (o fornecedor residente na Holanda) e a
todos os outros oficiais 15 libras esterlinas e uma peça de vestuário. As
roupas e linho branco foram deixadas aos senhores da
sua Casa, à exceção de um casaco bordado, que seria
herdado por D. Jorge Manuel, filho do seu primo D. Francisco Manuel de Melo,
conjuntamente com três selas de cavalo.</p>

    <p>Por fim, estipulou as últimas
vontade relativas aos padres da sua capela: estes deveriam receber dois
meses de pagamento sobre o que lhes era devido. Particularizou a situação dos
padres Perrott e Arthur, estipulando um ano de pagamento pelos serviços
eclesiásticos prestados na encomenda da sua alma a Deus.</p>

    <p>(8)&#8195;Legados: no que concerne
a este ponto, é interessante verificar os objetos artísticos da sua maior
devoção, razão pela qual os doou às pessoas por quem mais estima sentia.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesta lista, a primeira referência é feita a um
dossel bordado dado àparóquia da Madalena,
oferta pessoal de D. João IV, e que, à época do reinado do Restaurador, servia
na Capela Real.</p>

    <p>Àrainha de Inglaterra legou
um crucifixo de âmbar, que lhe tinha oferecido a princesa de
Orange<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a></a>,
considerando que um presente de uma princesa deveria ser ofertado a outra
princesa, igualmente devota e piedosa. As ­mesmas razões foram consideradas na
dádiva de uma lâmina representando uma “­Paixão de Cristo” à princesa D. Isabel
Josefa, objeto que lhe fora oferecido por D. Luísa de Gusmão. As contempladas
seguintes foram duas religiosas do Convento da Rosa de Lisboa – soror Isabel da
Madalena e D. Joana da Silva, sua tia, herdeiras de 3
mil reis de pensão e 10 mil reis, respetivamente.</p>

    <p>(9)&#8195;Processos judiciais: os
conflitos que D. Francisco de Melo manteve contra os condes de Linhares e
família revelaram-se uma das maiores preocupações ao longo da vida, pois
encontram-se referências a este tema não só no testamento, mas também na
correspondência mantida.</p>

    <p>No cerne desta longa contenda estavam terras
situadas em Benavente e Salvaterra de Magos, doação de D. João IV a D. Gomes de
Melo como recompensa dos seus serviços.<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> Confessou que esta doação lhe trouxe 20 anos de contendas judiciais:
primeiro com Luís Álvares
de Távora – marquês de Távora
(1634-1672), representante dos interesses da sua mulher D. Maria Meneses, neta
de D. Miguel de Noronha, conde de Linhares, ramo que contestava a posse destas
propriedades. O marquês de Távora desistira da ação em troca de 6 mil
coroas. Mas o mesmo nãose passou
com a restante família.
Assim, apósa assinatura do Tratado de Paz com Castela, em 1668, deu-se o regresso de D. Jerónimo deNoronha a Portugal, facto que reacendeu o
pleito, continuado após
a sua morte, pelos irmãos
D. Maria Antónia de VasconcelosSousa e
Menezes e D. Fernando, 5.º conde de Linhares.<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a></p>

    <p>Em 1678, a morte do 5.º conde de Linhares<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> parece ter trazido algum desenvolvimento ao assunto:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Meu primo Simão de Vasconcelos me escreve que
Fernão de Souza lhe propôs que se queria acomodar comigo sobre os prazos de
Benavente, de que ele diz herdeiro, e o Conde de Sarzedas dos cahidos, e me
pede respostas sobre isso.<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Mas sobre a posterior resolução do mesmo não
conseguimos apurar, e o codicilo não faz igualmente qualquer menção ao destino
das aludidas ­propriedades de Benavente e Salvaterra de Magos.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(10)&#8195;Nomeação dos executores: o testamento
termina com a nomeação dos executores, a saber: a irmã D. Maria Drago Portugal,
o padre Paulo de Almeida, almoner de D. Catarina de Bragança, o padre Manuel
Dias, mestre de cerimónias da capela da rainha de Inglaterra, e, por último,
Marcos Barbosa de Almeida, todos a viver em Londres. Em Portugal, designou como
executores Cristóvão de Almada, o primo Simão de
Vasconcelos e Francisco Lopes Franco.</p>

    <p>(11)&#8195;Codicilo: quatro anos
depois, uma série de alterações levou-o a acrescentar ao testamento um
codicilo, pedindo aos seus executores que tivesse o mesmo valor de lei.</p>

    <p>Em primeiro lugar, o falecimento do seu primo D.
Jorge Manuel (o filho de D. Francisco Manuel de Melo, já mencionado), ocorrido na Flandres em 1674, fê-lo herdeiro do morgado da
Ribeirinha.<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> D. Francisco de Melo da Câmara tornava-se, desta forma, o 8.º senhor,
passando-o, diretamente para o sobrinho D. Francisco de Melo (filho do irmão D.
Jerónimo), sob a responsabilidade da condessa de Penalva, uma vez que a criança
ainda estava na Índia. Também para ela ficava a propriedade da Silvã (no regime
de terceira vida), bem como bens da Coroa e ordens religiosas. É neste sentido que pede a D. Pedro II que legitime
o sobrinho natural, de forma a poder herdar o seu património e confirmar para
este herdeiro o lugar de trinchante-mor.<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a></p>

    <p>Em segundo lugar, reafirmou que a doação da
propriedade de Silvã de Cima passava para a irmã (no regime de segunda vida),
sob a condição da terceira vida transitar para o mesmo
sobrinho D. Francisco Manuel, bem como o património da Coroa e ordens,
concedido pelo rei. Por outro lado, verifica-se um reforço na herança do primo,
D. Pedro José de Vasconcelos, que herdava assim a comenda de S. Pedro da Veiga
de Lila: “<i>in token of my love towards him for the
time that he was with mee in England</i>”.<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a></p>

    <p>Em terceiro lugar, a venda do cargo de
mordomo-mor junto da rainha<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a> de
Inglaterra proporcionou-lhe a quantia de 4300 libras ­esterlinas, cujo dinheiro
estava à guarda de um mercador inglês, de seu nome Daniel Arthur. Esta verba
reverteu para D. Maria Drago Portugal, sob a condição de liquidar todas as
dívidas enunciadas no testamento, e de recompensar em 30 libras esterlinas o seu
ajudante de camareiro (<i>valet de chambre</i>), John Carry.<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a></p>

    <p>Em quarto lugar, concedeu o hábito da ordem de
Avis a Diogo de Brito Manuel, e pediu a D. Pedro II que o recompensasse pelos
serviços nas suas embaixadas.<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a></p>

    <p>Em quinto lugar,
relembrou as dívidas e o cumprimento do pedido do falecido primo D. Jorge
Manuel de Melo para que se saldassem os seus ­compromissos na
Flandres com o rendimento do morgado da Ribeirinha; por fim, refere o
empréstimo que devia a Marcos Barbosa de Almeida, no valor de mil libras
esterlinas.</p>

    <p>Em último lugar, acrescentou uma informação ao
testamento, que se havia esquecido de mencionar,
relativa à quantia de 24 mil serafins deixados pelo irmão D. Jerónimo, à qual
seriam extraídos 8 mil para o filho D. Francisco Manuel. Ainda neste documento
salvaguarda a sucessão dos seus bens de raiz ao primo Simão de Vasconcelos e
Sousa, no caso de D. Francisco Manuel permanecer na Índia, ou falecer durante a
viagem de regresso.</p>

    <p>No que diz respeito aos executores do codicilo,
nomeia o conde de ­Castelo Melhor para a execução das últimas vontades sobre os
bens que tinha em Londres, pedindo-lhe para informar os executores em Lisboa
sobre esta adenda ao testamento de 1674. A testemunhar este ato estiveram
Marcos Barbosa de Almeida, Miguel Ferreira, John Perrotte, Timóteo de Faria e
John Cary.<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ESTATUTO SOCIAL</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>No que concerne ao
estatuto social de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara, já atrás mencionámos
que era fidalgo da Casa Real, e a ela muito ligado,
uma vez que descendia de servidores da Casa Ducal, ou seja, descendia de um
“conjunto de servidores que ascendeu a essas distinções e as reteve nas respetivas
casas ou linhagens até 1640… De extracção fidalga cortesã
temoso caso
quase exclusivo dos membros de trêsramos
colateraisde descendentes de D. Afonso 1.º conde de Faro”.<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a> A concessão de ofícios, comendas e títulos de cavaleiro, da
“apresentação da Casa de Bragança”, segundo a expressão de António Caetano de
Sousa, também éexemplo ilustrativo dessa
estreita ligação, embora passível dos maiores sacrifícios familiares, como
podemos depreender pelas palavras do embaixador ao longo do testamento.</p>

    <p>No entanto, existe em toda a avaliação biográfica
e patrimonial de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara um pormenor que deverá
ser enfatizado: a ausência de titularidade, uma componente de peso no destino
de um fidalgo, que Mafalda Soares da Cunha designou como “simbólica da honra”.<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a> Este é um facto mencionado diretamente, em meados da década de 70,
quando se tenta elevar a sua condição através de um frustrado projeto
matrimonial com uma das senhoras da Casa de Noronha:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>No tocante ao título de Visconde a D. Francisco
não ficou tão pouco satisfeita [D. ­Antónia de Noronha], nem o há de nunca
estar ate se lhe não fazer da maneira que ella o pede;
não obstante as rezois que eu em particular lhe dei sobre este negocio
pressuadindo a que cresse o quanto S.A. dezejava fazer esta mercê a D.
Francisco lha hauia já de ter feito<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a></p></blockquote>

    <p><sup>&nbsp;</sup></p>

    <p>Embora esta afirmação corresponda à opinião
pessoal do padre Manuel Dias, cerca de um ano mais tarde, a própria D. Catarina
de Bragança, em carta dirigida a seu primo, o duque de Cadaval, escrevia que
queria “ver a Dom Francisco acomodado”.<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a> A acomodação a que a Sereníssima se refere será ainda a questão do
casamento, aliada à ascensão social de D. Francisco, através do qual D. Antónia
receberia o título de condessa, à semelhançado que
víramos acontecer com os condes de Pontével.<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a></p>

    <p>Por outro lado, se a figura de D. Antónia de
Noronha, a quem a carta alude, era a viúva do conde de Sarzedas, esta união
teria sido a fórmula ideal para sanar o pleito das propriedades de Benavente e
Salvaterra de Magos, e, simultaneamente, recompensar D. Francisco de Melo
Manuel da Câmara pelos longos serviços prestados à Coroa portuguesa. Em março
de 1677, a resolução do conflito patrimonial parece ser a prioridade para o
nobre português e, nas suas palavras, poder-se-á colher alguma resignação:</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>[…] assi que de mal o menos, e melhor será
passear minha melanconia pelo Parque de St. James, que de granjear a outra
mayor no passo de Lisboa. O que só quizera he que VM
antes de partir me accomodasse com essa a Condeça de Sarzedas, que pello de
mais, eu me accomodarei muito bem com não ser conde.<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Por vicissitudes
desconhecidas, esta combinação não veio a suceder e, se em 1678 a situação
patrimonial de D. Francisco nos parece mais estabilizada do que em 1674,
apresentava-se, no entanto, longe das prerrogativas que o embaixador
considerava a família merecer. Esta ideia é colhida
por várias referências feitas ao serviço do primo, D. Francisco Manuel de Melo,
e do irmão, D. Jerónimo Manuel, como também pelas menções que faz ao da própria
irmã, a única que conheceu titularidade,<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a> mas cujo futuro é objeto de receios por
parte de D. Francisco, como podemos verificar pelas suas palavras no codicilo.<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a></p>

    <p>Nesta análise sobre o estatuto social de D.
Francisco de Melo, há que referir que a sua condição de nobre sem título
corresponde a uma realidade usual à época. Pelos estudos desenvolvidos por Nuno
Gonçalo Monteiro, sabemos que várias casas senhoriais importantes na centúria
de seiscentos só viram a sua ascensão à Grandeza um século depois, como por exemplo a Casa de ­Cristóvão de Almada (Monteiro, 2003,
p. 41). Este descontentamento também pode ser colhido no exemplo do 1. conde de Povolide – Tristão da Cunha de
Ataíde (1655-1724), que só ascendeu à titularidade em pleno reinado de D. João
V (Radulet, 1999, p. 27).</p>

    <p>A ausência desta recompensa é mais notória em
contexto diplomático, quando o seu nome é citado para representar Portugal nas
negociações do Tratado de Paz em Nijmegen, e D. Francisco de Melo recusa tal
pedido, ­declarando-se achar: “assas embaraçoso com esse negócio” e exigindo
três pretensões: a primeira o título;
a segundo uma boa ajuda de custo e a terceira um
acrescentamento de mesadas. “Porque o 1.ºhe a razãoque
acharãoospróprios
castelhanos de que eu não tinha os títulos e dignidades
que se requerião para hum tal cargo, em que eu também lhes acho rezão”.<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a></p>

    <p>Embora esconda as suas legítimas ambições por
detrás de desígnios políticos, D. Francisco de Melo é um observador atento às
mudanças de títulos e acrescentos de bens da nobreza portuguesa. Lembremos aqui
um episódio ocorrido uma década antes: em 1669, quando D. João de Mascarenhas
­recebeu o título de marquês, D. Francisco de Melo elogia-o, evocando
simultaneamente os seus próprios interesses “pois havendo de passar por mãos
alheas, asás de boa fortuna he cahir nas vossas mãos”.<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>FIDELIDADES</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>O termo
“fidelidades” aqui utilizado insere-se no tema mais
vasto da amizade durante o Antigo Regime, e a forma como esta foi analisada no
âmbito da diplomacia (Cardim, 2000, 2004).</p>

    <p>Tomando por base a leitura do testamento e da
correspondência particular de D. Francisco de Melo da Câmara, apercebemo-nos de
que o embaixador nutria especial afeto por duas figuras da corte portuguesa,
designadamente D. João de Mascarenhas e D. Cristóvão de Almada.<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a> Esta amizade “triangular” é também confirmada pela voz do marquês de
Fronteira a D. Francisco, em carta datada de 14 de setembro de 1671:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>[…] como que agradecervos os bons officios que
vos devo entre my; e Christovão de Almada (…);sóvos digo que ambos somos vossos amigos, eque todos os trêsnãofaremos numero, como unidade, comque pella minha parte eu hey de ser hum com
tantos affectos, como se
fora três. Espero que os doussejãoem cada hum, como eu hei
de ser para ambos, e com isto me mostrais lhe embora esta minha carta, que eu
farey que cada acção minha tenha muito mais que ver em seu serviço, do que tem
esta parte ouvida.<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a></p></blockquote>

    <p><sup>&nbsp;</sup></p>

    <p>D. João de
Mascarenhas (1633-1681) tornado 1.º marquês
de Fronteira pelo regente D. Pedro II, era membro do seu Conselho de Estado e,
nessa ­qualidade, estava perfeitamente a par dos
assuntos da Secretaria de Estado. Uma das frases mais exemplificativas para
analisar o tipo de amizade mantida entre ambos foi enviada a Duarte Ribeiro de
Macedo: “Do Paço não tenho letra, mas o Conde da Torre que he o meu Paço, me escreve largo”.<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a> Com efeito, entre D. João e D. Francisco
subsiste extensa correspondência trocada entre ambos desde o final da década de
60 até aos inícios de 70, através da qual os principais acontecimentos
políticos nacionais e internacionais são partilhados e analisados numa riqueza
histórica de grande valia. Em ­simultâneo, existem desabafos da vida pessoal
(perda de entes queridos, ascensão de cargos e títulos, dificuldades económicas,
entre outros) repletos de pormenores interessantes para o maior conhecimento
biográfico das duas personagens seiscentistas. A amizade só parece ter sido
levemente “tocada” pelo mal entendido referente à velha questão do pagamento de
mesadas a D. Francisco, ao tempo embaixador em Haia.<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a> Este ponto leva-nos a considerar que os
laços de afeto mantidos entre estas duas figuras configuravam também trocas de
serviço e que o embaixador depositava grandes esperanças no poder de “­gestão
de influências na corte” exercida pelo marquês (Cardim, 2004, p. 192).</p>

    <p>Estas trocas de serviço eram mútuas e, nesse
sentido, podemos considerar as encomendas feitas pelo marquês de Fronteira
junto de D. Francisco de Melo enquanto esteve na Holanda e em Inglaterra.
Aquelas eram de uma variedade artística assinalável e o seu teor vem
acrescentar novas origens para o recheio do Palácio de Benfica.<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a> Com efeito, pela leitura da correspondência expedida da Holanda,
ficamos a saber que D. Francisco de Melo forneceu toda
a ­estatuária em chumbo do tanque dos Pretos do Palácio Fronteira<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a> 
[<a href="#f4">Figura 4</a>], coches, e várias tapeçarias.<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a></p>


    <p>&nbsp;</p>
<a name="f4">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a06f4.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Além disso, foram igualmente enviados cisnes para
o referido tanque, por duas vezes, pois os primeiros faleceram durante a
viagem, bem como flores naturais <sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>, relógios<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>, 
e escritórios<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>, sendo que as duas últimas encomendas já terão sido expedidas de
Londres. Por último, o conjunto azulejar holandês [v. <a href="#f5">Figura 5</a>] presente no
Palácio de Benfica deverá também ser estudado à luz deste novo contexto
diplomático, até agora inédito.<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a></p>


    <p>&nbsp;</p>
<a name="f5">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n215/n215a06f5.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>D. Cristovão de Almada (1632-1713), outra das
figuras do seu ­círculo pessoal, foi provedor da Casa
da Índia e vedor da Casa das rainhas D. Maria ­Francisca de Sabóia, D. Sofia de
Neuburgo, e D. Maria Ana de Áustria (­Lourenço, 1999, vol. 3, pp. 57 e 112).
Vivia num palácio magnificente na Praia da Boavista, mandado construir pelo
pai, Rui Fernandes de Almada, no qual acumulou grandes riquezas (Matos, 1990,
pp. 93-95).</p>

    <p>Era grande a consideração que D. Francisco de
Melo nutria por este senhor de Carvalhais, a julgar não só pelo facto de ter
sido nomeado um dos executores do testamento, como também pela descrição que
faz dele ao marquês de Fronteira.<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a></p>

    <p>No testamento, refere-se ainda a Cristóvão de
Almada como “meu amigo” e a este fidalgo estava confiado extenso património
artístico, pertencente a D. Francisco de Melo: “<i>I bequeath to my friend Christopher de Almada all that he hath in his hands which belongs to mee as well pictures
as statues and other things</i>”.<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a></p>

    <p>A confiança sentida era extrema, pois nas mãos de
Cristóvão de Almada havia conservado, desde 1668, uma antiga versão do
testamento, do qual D. Francisco pedia a anulação face ao de 1674. Tal como
havia feito ao ­marquês de Fronteira, o embaixador em Londres foi fornecendo a
Casa de Almada das mais variadas encomendas, infelizmente para nós não discriminadas.<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a> Pela informação retirada da epistolografia parece-nos que esta amizade
estaria mais baseada em sentimentos de crenças partilhadas, comunhão,
entreajuda e gratidão, em comparação com os laços existentes com o marquês de
Fronteira (Cardim, 2000, p. 10).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>CONCLUSÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>D. Francisco de Melo
Manuel da Câmara, fidalgo da Casa Real, pertencente à primeira nobreza de Corte
sem grandeza, serviu a Coroa nos mais variados ofícios, destacando-se como um
diplomata seiscentista ao serviço de Portugal.</p>

    <p>A ligação dos seus antecessores à Casa Ducal de
Bragança e a ocupação de um ofício superior da Casa Real portuguesa – o de
trinchante-mor –, desde o reinado de D. João IV ter-lhe-á proporcionado a proximidade necessária para integrar a “família” de D.
Catarina de Bragança, rainha de Inglaterra. Nos primeiros tempos, exerceuo ofíciode
mordomo-mor da Sereníssima Senhora, mas rapidamente assumiu ocaráter de embaixador ordinário, substituindo, nessa função, Francisco de Mello e Torres, marquês de
Sande. Investido com o caráter de embaixador extraordinário, partiu em junho de
1667 para a cidade neerlandesa de Haia, onde por um ano representou a Coroa nos
interesses económico-diplomáticos. A subida ao trono do regente D. Pedro II
obrigou-o a uma deslocação à cidade natal, em finais de 1668. Aqui recebeu a
mercê de senhor de Silvã e a confirmação da sua embaixada com estatuto de
ministro de negociação. Desta forma, é com a ajuda de D. Francisco de Melo Manuel,
que Portugal assinou o Tratado de Paz, Aliança e Comércio com os Estados
Gerais. Terminada esta etapa, regressou de novo a Londres na qualidade de
embaixador ordinário,
aísofrendo as consequência políticas do afastamento de D. Afonso VI. Nos sete
anos que se seguiram até à data do seu falecimento, continuou a zelar pelos
interesses portugueses (tanto os da Coroa, como os da nobreza), observando os
acontecimentos políticos e relatando-os aos que estavam perto do centro
decisor. Figura de grande cultura, com interesses artísticos vincados, foi ao
longo de 16 anos um intermediário na aquisição de obras de arte para a primeira
nobreza portuguesa, contribuindo para o enriquecimentos
de palácios e quintas de recreio lisboetas.</p>

    <p>No final, apesar dos sacrifícios pessoais e
familiares, D. Francisco de Melo Manuel da Câmara não escapou à estratégia
conservadora da Coroa ­portuguesa da segunda metade do século XVII: recompensar os nobres pelo serviço e
lealdade através de doações de bens régios, ofícios e comendas, mas
simultaneamente refrear a sua ascensão ao estatuto de Grandeza. Na ­família Melo, só D. Marinha Drago, condessa de Pontével,
conheceu esta realidade pela exceção de integrar a Casa da rainha de
Inglaterra. Terá sido esta ­oportunidade que
D. Francisco de Melo vislumbrou,e daío consentimento tardio emcasar-se
com D. Antónia de Noronha, resolvendo os problemas de
heranças patrimoniais, mencionados em testamento, e elevando assim o seu
estatuto social e financeiro. No entanto, tal evento nunca se chegou a realizar
e, em épocas de maiores aflições económica, sentimos
toda a indignação deste nobre que, numa erudita, viva e realista
epistolografia, vai descrevendo aos amigos a sua vida na Europa barroca de
seiscentos, envolta em <i>Lamentações de Jeremias.</i></p>

    <p><i>&nbsp;</i></p>

    <p><b>REFERÊNCIAS
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MDCCXLVIII [Ed. Coimbra editora MCMLXVI].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0003-2573201500020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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M. (2011), “Novos dados sobre as encomendas artísticas do 1. marquês de Fronteira D. João de Mascarenhas. Decorações, colecções e arquitectura nos
palácios de Lisboa na segunda metade do século XVII.” <i>Revista de Arte
Decorativas</i>, 5, pp. 39-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0003-2573201500020000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>TRONI,
J. de A. (2008), <i>Catarina de Bragança (1638-1705)</i>,
Lisboa, Edições Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S0003-2573201500020000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VALE,
T.L.M.
(1997), “O ninfeu de Mignard, um conjunto
escultórico francês nos jardins”. <i>In</i> M. Alçada (dir.), <i>Monumentos
– Revista Semestral de Edifícios e Monumentos</i>, pp. 24-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0003-2573201500020000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>VALE, T.L.M.(2010),
“Les acquisitions d’ouvres d’art du premier Marquis de
Fronteira, João de Mascarenhas (1633-1670), pour sa demeure des environs de
Lisbonne”. <i>Studiolo</i>, 8, pp. 89-102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S0003-2573201500020000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Recebido a 09-07-2013.
Aceite para publicação a 02-05-2014.</p>

    <p>&nbsp;</p>



    <p><b>NOTAS</b></p>



    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>Agradeço à Fundação da Casa
Fronteira e Alorna a autorização concedida para fotografar os jardins do
Palácio Fronteira, ao Prof. Doutor Pedro Cardim pelo
incentivo, e ao Pedro Flor sempre. Este artigo foi realizado no âmbito do
projeto Biblioteca DigiTile: Tiles and Ceramics <i>on
line</i>: ptdc/eat-eat/117315/2010. Susana Varela Flor é investigadora
integrada do Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa e
colaboradora no Instituto HERCULES, insti­tui­ções de acolhimento nas quais
desenvolve um projecto de pós-doutoramento – <i>O Retrato Barroco em Portugal
(1612-1706): história, arte e laboratório</i> (SFRH/BPD/101741/2014) auferindo
uma bolsa financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia com
financiamento comparticipado pelo Fundo Social Europeu e por fundos nacionais
do Ministério da Educação e ­Ciência.</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>Sousa (1747a, p. 368;
1747b, p. 121) e Prestage (1996, p. 8).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>Prestage (1996, p. 8) e
Faria (2008, pp. 247-248 e 338). Sobre o conceito de linhagem v. Cunha (2000,
p. 409).</p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678; Sousa (1747b, p.
123).</p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678, fl. 7; Sousa
(1747b, p. 124); Rocha (2007).</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>Machado
(1966 [1748]), pp. 200-201).</p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup>Prestage (1996, pp.
592-593). O desenho encontra-se assinado: <i>Dom Francisco de Mello Inv et Fecit</i>.</p>

    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>Silva (1860,
vol. XVIII, p. 46); Faria (2008, p. 220).</p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup>DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m. 5 [1668-1678].</p>

    <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> Mendez (1668); Soares; Lima
(1948, p. 404).</p>

    <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m.5, [Haia, 7 de fevereiro de
1669]. Duarte da Silva, fidalgo da Casa Real e responsável pelo pagamento da
prestação do dote de D. Catarina. Troni (2008, p. 160).</p>

    <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m.5 [Londres, 5 de fevereiro de
1671].</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> Faria (2008, p. 247 e 2011,
pp. 211-234). </p>

    <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m.5 [Londres, 8 de dezembro de
1671]. Consulte-se também Silva (1860, vol. XVIII, p.
113).</p>

    <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m. 5, Londres, [10 de janeiro de 1678]. “As dificuldades da
minha ida a Lisboa me fazem perder o apetite das cazas. As de Luis Mendes – tem
mil embaraços, e o mayor de todos he o quererlas
Francisco de Távora que cuido mora já nellas, e
o determinar o Conde de Ericeira segundo me dizem, levantar hua Galeria de
fronte com que lhe tirara a vista das hortas que he o melhor que tem. As de João de Mello são caras e despropozitadas; e ainda que o meu
génio he de remendão de tão longe mal se podem emendar defeitos, com que estou
ainda indeciso no que farei sobre esta matéria” (destacado nosso).</p>

    <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> Esta análise tem como
objetivo geral a divulgação deste material inédito na biografia do diplomata e
como objetivo específico o de desmontar a estrutura interna de um conjunto de
disposições legais ligadas a aspetos de vida familiar e económica da segunda
metade de seiscentos. A ausência de um inventário sobre o património artístico
de D. Francisco impede-nos de fazer uma avaliação cabal do seu cosmopolitismo.
A sua presença nas mais conceituadas cortes europeias só por si não ajuda à
construção do perfil de encomendador, e a epistolografia recolhida na Torre do
Tombo também não trouxe muito mais informação ao tema. O conceito de património
é aqui considerado na sua totalidade: bens de raiz e bens artísticos, uma vez
que o consumo de obras de arte conhece uma ascensão acentuada no século XVII.
Sobre o consumo artístico consulte-se Peck (2005).</p>

    <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678, fl. 2. Pelo mesmo
texto ficamos a saber que os pais estavam sepultados
numa Capela em S. Francisco da Ordem Terceira em Lisboa.</p>

    <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678, fl. 2. Não se
conhecem datas para D. Nuno. D. Jerónimo de Melo era irmão de D. Francisco.
Exerceu o ofício de general da Armada da Índia, onde morreu em 1671.</p>

    <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678, fl. 3. D. Pedro de
Vasconcelos (1664-1732) futuro governador do Brasil, filho de D. Simão de
Vasconcelos e Sousa (1638-1681), mestre de campo do regimento da Armada e irmão
do conde de Castelo Melhor.</p>

    <p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para o Marquês de Fronteira”, n.º
548, f. 82, [Haia, 28 de novembro de 1669]. Jerónimo Nunes da Costa (1620-1697),
agente diplomático ao serviço da coroa portuguesa.</p>

    <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> Sobre a identidade destes
dois artífices, não conseguimos apurar dados que nos permitam enriquecer as
contextualizações artísticas em que o biografado se inseriu em Londres.</p>

    <p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> Parry Walton (?-1702) foi um artista inglês conhecido pelas suas várias
atividades de pintor de paisagens, executor de cópias, pintor-restaurador e
comerciante de pintura. Formou-se na oficina de Robert Walker, pintor de
retratos do Parlamento durante a República de Cromwell, e possuía oficina
própria em Incoln’s Inn Fields. Em 1679 foi nomeado conservador das Pinturas da
Casa Real (Keeper of the pictures in the Royal Collection). Esta ligação à
Coroa já durava há alguns anos, o que terá levado D. Francisco de Melo a
contactá-lo para a realização de cópias, pois essa tarefa era mais barata do
que se fosse encomendada à oficina do pintor régio Peter Lely. Sobre Parry
Walton existe informação disponível em: <a
href="http://www.npg.org.uk/research/programmes/directory-of-british-picture-restorers/british-picture-restorers-1630-1950-w.php" target="_blank">http://www.npg.org.uk/research/programmes/directory-of-british-picture-restorers/british-picture-restorers-1630-1950-w.php</a>.
[consultado em 04-07-2013].</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> PRO,
Prob/11/359, <i>Testamento de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>,
Londres, 1678, fl. 3-4.</p>

    <p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> Não conseguimos descortinar
a que chanceler se refere: Sir Edward Hyde, Earl of Clarendon (1658-1667) ou
Sir Anthony Ashley Cooper, Earl of Shaftsbury (1672-1673).</p>

    <p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> Sabemos pela correspondência
que Jant esteve em Londres em 1672. DGLAB/TT, <i>Ministério dos Negócios
Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro de
Macedo”, cx. 4, m. 5 [Londres, 28 de dezembro de 1672].</p>

    <p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Outra carta do mesmo D. Francisco de Mello”, n.º 548, fl. 81v [Haia, 28 de novembro de 1669].</p>

    <p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> PRO,
Prob/11/359, <i>Testamento de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>,
Londres, 1678, fl. 5.</p>

    <p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> PRO,
Prob/11/359, <i>Testamento de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>,
Londres, 1678, fl. 5.</p>

    <p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup> Princesa Amália de Solms
Braunfels (1602-1675) mulher do príncipe de Orange Frederik Hendrik
(1584-1647).</p>

    <p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678, fl. 6. Sobre o
património senhorial consultem-se, por exemplo, os trabalhos de Cunha (2000) e
Monteiro (2003).</p>

    <p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Carta ao marquês de Fronteira”, n.º 548 [Haia, 25 de dezembro de
1670].</p>

    <p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> Sobre este facto leia-se
ainda a informação contida em DGLAB/TT, <i>Ministério dos Negócios Estrangeiros</i>,
“Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro de Macedo”, cx. 4, m. 5
[­Londres, 28 de fevereiro de 1678].</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m. 5 [Londres, 9 de maio de 1678].</p>

    <p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup> Por uma carta escrita a
Duarte Ribeiro de Macedo somos informados que D. Jorge Manuel viveu um ano em
Londres com o tio: “Dom Jorge filho do meu primo D. Francisco Manuel que há
mais de hum anno assiste aqui comigo passou hoje a
Flandres – aonde quis ir servir com a promessa de hua Companhia de Infantaria,
que dizem lhe darão logo”. DGLAB/TT, <i>Ministério dos Negócios Estrangeiros</i>,
“Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro de Macedo”, cx. 4, m. 5
[Londres, 4 de maio de 1673].</p>

    <p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> PRO,
Prob/11/359, <i>Testamento de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>,
Londres, 1678, fl. 7.</p>

    <p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> PRO,
Prob/11/359, <i>Testamento de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>,
Londres, 1678, fl. 7.</p>

    <p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> Sobre a nomeação para este
cargo em 1675 v. Troni (2008, p. 147).</p>

    <p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678, fl. 7-8. John
Carry (1657-1732), que casará com uma portuguesa da casa de D. Catarina de
­Bragança, Ana Maria de Vasconcelos, e morrerá em Lisboa.</p>

    <p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> PRO,
Prob/11/359, <i>Testamento de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>,
Londres, 1678, fl. 8.</p>

    <p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> Sobre Miguel Ferreira e
Timóteo de Faria leia-se Rau (1962, pp.12-13).</p>

    <p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> Sousa (1747a, p. 368); Cunha
(2000, p. 411).</p>
    <p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> Cunha (2000, p. 17); Faria
(2005, p. 736).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> Rau (1962, p. 22, carta de
julho de 1675).</p>

    <p><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></sup> Rau (1962, p. 26, carta de
12 de maio de 1676).</p>

    <p><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup> D. Nuno da Cunha Ataíde
(1610-1696) e D. Elvira Maria de Vilhena (1623-1708).</p>

    <p><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m. 5 [Londres, 18 de março de 1677].</p>

    <p><sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></sup> Esta exceção é referida por
Monteiro (2003, p. 38).</p>

    <p><sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></sup> PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678, fl. 6. “<i>I hope from her grandure [D. Catarina de Bragança]
that in consideration of this shee will putt her eyes
upon the desolute state in which my sister remaines</i> […] ”.</p>

    <p><sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m. 5 [Londres, 16 de agosto de 1677]. Faria (2005, p. 736).</p>

    <p><sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Outra Carta do mesmo D. Francisco de Mello”, n.º 548, fl. 85v [Haia, 10 de dezembro de 1669].</p>

    <p><sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></sup> Sobre a defesa de D.
Francisco de Melo em relação ao irmão e ao primo D. Francisco Manuel
(1608-1666) atente-se na seguinte passagem: “[…] Mando ordem a Manuel de Abreu
para que retire os meus papéis e que não falleis mais neste requerimento porque
estimo mais o motivo de me poder queixar com rezão que o preço injusto em que ca se avaliarão tantos e tão bons serviços como os de meu
irmão D. Hieronimo e de meu primo D. Francisco Manoel, e quero antes fazer um
agravo a minha fortuna que a sua memoria.” DGLAB/TT, <i>Manuscritos da Livraria</i>,
“Carta de Dom Francisco de Melo para o Marquês de Fronteira meu Senhor”, n.º
548, fl. 67v [Londres, 21 de maio de 1674].</p>

    <p><sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, n.º 548, “Carta do Marquês de Fronteira meu Senhor para D.
Francisco de Mello”, fl. 52 [14 de setembro de 1671].</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, cx. 4, m. 5, “Cartas de D. Francisco de Melo para
Duarte Ribeiro de Macedo” [Haia, 14 de novembro de 1669].</p>

    <p><sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Outra carta carta de D. Francisco de
Mello”, n.º 548, fl. 107-108 [Londres, 30 de agosto de 1672].</p>

    <p><sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></sup> Sobre a
estatuária presente no palácio de Fronteira leiam-se os estudos de Vale
(1997,
pp. 24-29 e 2010, pp. 89-102); Rodrigues (2009, p. 102).</p>

    <p><sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Carta do Marques de Fronteira meu Senhor para
D. Francisco de Mello”, n.º 548, fl. 51-52v [14 de setembro de 1671].</p>

    <p><sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “<i>Cópia de Hua Carta de Dom Francisco de Mello para o Marques
De Fronteira meu Senhor ”</i>,
n.º 548, fl. 53-54v [Londres, 16 de agosto de 1671]. ­Soromenho (2011).</p>

    <p><sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Copia de varias cartas que o Embaixador D. Francisco de Melo
escreveo ao Marques de Fronteira ao meu senhor”, n.º 548, fl. 79-81v [Haia, 2 de agosto de 1669].</p>

    <p><sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Copia de varias cartas que o Embaixador D. Francisco de Melo
escreveo ao Marques de Fronteira ao meu senhor”, n.º 548, fl. 95-96 [30 de
novembro de 1673].</p>

    <p><sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Copia de varias cartas que o Embaixador D. Francisco de Melo
escreveo ao Marques de Fronteira ao meu senhor”, n.º 548, fl. 104 [23 de abril
de 1674]. Há referências à encomenda de uma baixela, mas parece ter sido por
via de Jerónimo Nunes da Costa. Sobre este judeu consulte-se a obra de Israel
(1983, pp. 167-190).</p>

    <p><sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></sup> Santos Simões (1959, pp. 66-70); Meco (1997, p. 58).</p>

    <p><sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></sup> DGLAB/TT, <i>Manuscritos da
Livraria</i>, “Copia de varias cartas que o Embaixador D. Francisco de Melo
escreveo ao Marques de Fronteira meu senhor”, n.º 548, fl. 55 [Londres, 16 de
agosto de 1671].</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></sup> PRO, Prob/11/359, <i>Testamento
de D. Francisco de Melo Manuel da Câmara</i>, Londres, 1678, fl. 6. “Com grande
gosto Ly o que me dizeis da continuação da Vossa amizade com a caza de
Christovão de Almada, Vos não vos enganaes com elle, nem elle comvosco no que
cuidão hum do outro, e para que vejaes o quanto elle vos estima,
e a conta que faz de Vos, vede esa ultima carta que me escreve, e julgai do ahi
o mais que eu pudera dizervos.”</p>

    <p><sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></sup> DGLAB/TT, <i>Ministério dos
Negócios Estrangeiros</i>, “Cartas de D. Francisco de Melo para Duarte Ribeiro
de Macedo”, cx. 4, m. 5 [26 de fevereiro de 1671].“Não
se perdeo nada em que se retardasse o maço de Christovão de Almada, antes com
isso lhe pouparemos o susto de hua ma nova que lhe dava, cuidando ter em
perdido o navio que lhe levava as encomendas que despois apareceo, e já la vay
a caminho de Lisboa com ellas e com as éguas de SA que dava também por mortas”.</p>


     ]]></body><back>
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<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
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