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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Media participate in building up the image of the institutions of the society, so it matters to better know the issues to which people are daily exposed. Regarding the police, a strategic institution of the social system, this is an important issue. Contents broadcast regarding the police work constitute a discourse that will reflect on the formation of people’s perception. The construction of this social and political framing, over time, will establish a discursive territory where police representations will emerge that may influence social behavior. A characterization of the Portuguese media discourse about police activity in major political events was made during 2012.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  
    <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>


    <p><b>Protesto
político e atividade policial: a perceção dos <i>media</b></i></p>
    <p><b>Political protest and police activity: the media
perception</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Lúcia G. Pais</b>*, <b>Sérgio Felgueiras</b>*, <b>André Rodrigues</b>**, <b>João Santos</b>** e <b>Tiago Varela</b>**</p>

    <p>*Laboratório de Grandes Eventos do Centro de Investigação
do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, Rua 1.º de Maio, n.º 3 —
1349-040 Lisboa, Portugal. E-mails: <a href="mailto:lgpais.25@gmail.com">lgpais.25@gmail.com</a> e <a href="mailto:sfelgueiras@gmail.com">sfelgueiras@gmail.com</a></p>
    <p>**Polícia de Segurança Pública, Lisboa, Portugal. E-mails: <a href="mailto:affrodrigues@psp.pt">affrodrigues@psp.pt</a>, 
<a href="mailto:jmorsantos@psp.pt">jmorsantos@psp.pt</a> e <a href="mailto:tjmvarela@gmail.com">tjmvarela@gmail.com</a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RESUMO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>Os <i>media</i> participam na construção da imagem das
instituições na sociedade, importando conhecer melhor os assuntos a que as
pessoas são expostas quotidianamente. No caso da polícia, instituição
estratégica no sistema social, este tópico é importante. Os conteúdos
transmitidos acerca do trabalho policial constituem-se num discurso que vai
refletir-se na formação da perceção das pessoas. A construção deste
enquadramento sociopolítico, ao longo do tempo, estabelecerá um território
discursivo onde se configurarão representações da polícia que podem influenciar
o comportamento social. Neste artigo procurou-se caracterizar o discurso dos <i>media</i>
portugueses acerca da atividade policial em grandes eventos políticos, durante
o ano de 2012.</p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: <i>media</i>; polícia; grandes
eventos políticos; manifestações.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Media
participate in building up the image of the institutions of the society, so it
matters to better know the issues to which people are daily exposed. Regarding
the police, a strategic institution of the social system, this is an important
issue. Contents broadcast regarding the police work constitute a discourse that
will reflect on the formation of people’s perception. The construction of this
social and political framing, over time, will establish a discursive territory
where police representations will emerge that may influence social behavior. A
characterization of the Portuguese media discourse about police activity in
major political events was made during 2012.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
media; police; major political events; demonstrations.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>Quando se pensa no modo
como construímos a perceção acerca de instituições do sistema social, nas
decisões que tomamos e nos comportamentos que adotamos em face delas, o tema da
qualidade e do teor das informações com que somos confrontados assume
particular relevo. A enorme quantidade de informação em circulação e,
sobretudo, a diversidade de meios tecnológicos atualmente disponíveis se por um
lado democratiza o acesso a conteúdos, por outro torna mais problemática a sua
fiabilidade. Isto pode dificultar a decisão das pessoas quanto à informação em
que podem e devem confiar. Contudo, também pode levar a que evitemos certas
fontes, colocando-se aqui a questão de saber se elas são, efetivamente, menos
credíveis ou se são simplesmente descartadas por um critério <i>ad hoc</i>.</p>

    <p>Os conteúdos informativos difundidos pelos órgãos
de comunicação social (OCS) são, para muitos, ainda hoje, os únicos que
facultam algum conhecimento acerca de certos assuntos, que os instruem em
primeira mão sobre temas com os quais nunca tiveram qualquer contacto. Acresce
que, apesar de a comunicação eletrónica estar amplamente disseminada, os OCS
tradicionais mantêm lugar de destaque ao difundirem em
larga escala informações às quais grande parte das pessoas não têm acesso por
outras vias. Muitos afirmam que o desenvolvimento das democracias modernas se
fez a par com a expansão e diversificação dos OCS (Benkler, 2006; Dahlgren,
2005; Goldman, 1999), o que faz cair, pelo menos em parte, a responsabilidade
da promoção do sucesso da democracia sobre os <i>media</i> (Goldman, 1999). De
facto, principalmente depois da Segunda Grande Guerra, à
medida que os <i>media</i> comerciais foram surgindo e as pessoas se
tornaram progressivamente mais instruídas, os <i>mass media</i> foram dominando
a esfera pública (Dahlgren, 2005; Habermas, 1989).</p>

    <p>No que respeita à informação de cariz político,
as pessoas confiam que os OCS a difundam e interpretem, através do contacto
privilegiado que mantêm com fontes credíveis e dos jornalistas e comentadores
especialistas em certas matérias. Ora, circulando a informação desta forma pelo
tecido social, ela propaga representações que se tornam partilhadas
por todos, no sentido da expressão de Durkheim (1995 [1895]) de crenças
coletivamente partilhadas. “Os <i>media</i> são produtores de significado, não
meros dispositivos reprodutores ou refletores de significado” (Pais <i>et</i><i> al</i>., 2013, pp. 205-206), possibilitam o
contacto e o acesso a experiências sobre temas e objetos de outro modo
desconhecidos ou inacessíveis. Os <i>media</i> dão forma(s) à realidade, criam-na; constituem-se como “influências modeladoras”
(Bandura, 2001) para os cidadãos. E isto liga-se com a
existência de um agendamento (<i>agenda-setting</i>) dos <i>media</i> que
conhece reflexos na perceção que as pessoas vão ter sobre certos temas. É neste
sentido que as representações sociais (Moscovici, 2000) estão ligadas ao
controlo social porque “elas definem para a maioria da população os
acontecimentos significativos atuais, mas também oferecem interpretações fortes
(<i>hard</i>) para a sua compreensão” (Critcher <i>et</i><i>
al</i>., 1993, p. 228).</p>

    <p>Este agendamento tem igualmente relação com o
facto de muitas empresas de comunicação serem
privadas, visando a obtenção de lucros para os seus acionistas, conflituando
este objetivo com a exigida imparcialidade, transparência e verdade da
informação que apresentam (Goldman, 1999), embora os mesmos problemas possam
colocar-se relativamente às entidades estatais. Referindo-se aos OCS privados,
Benkler (2006, p. 198) escreve que eles “formam a base que providencia a
síntese requerida pela opinião pública e aumenta a saliência de assuntos que
preocupam o público até ao ponto da potencial ação coletiva”. Os interesses
económicos destas empresas resultam também na concentração dos OCS em locais
onde é mais frequente acontecer a notícia ou onde
ocorrem conferências de imprensa (Goldman, 1999), tornando evidente uma
assimetria no processo comunicacional que se liga à autoridade e legitimidade
das fontes.</p>

    <p>Assim, há um preço que se paga quanto à qualidade
da informação. Focando a televisão, Goldman (1999, p. 341) refere a obsessão que existe relativamente a “histórias sobre
conflito e adversarialismo, em detrimento de histórias genuinamente importantes
sobre consenso e conciliação”. Para conseguirem <i>shares</i> progressivamente
maiores, a competição e o jogo político merecem bastante atenção, mas também
temas como crime e sexo que, ligando-se à (nossa própria) intimidade, permitem
desviar a atenção de assuntos importantes para toda a sociedade (Pais <i>et</i><i> al</i>., 2013). O preço a pagar traduz-se,
pois, na oferta de uma visão parcial sobre certos temas socialmente relevantes,
configurando a realidade de uma certa maneira,
simplificando o significado complexo de certos assuntos, mostrando às pessoas
que temas estão “na ordem do dia” e, portanto, sobre os quais podem/devem
pensar (Saperas, 2000) e discutir com os seus colegas, amigos e familiares.</p>

    <p>Por outro lado, considerando o ponto de vista do
recetor da informação, quando se fala no “medo do crime”, por exemplo, é sabido
que as pessoas constroem a sua noção de violência de acordo com a posição que
assumem relativamente às características da narrativa que lhes é apresentada,
independentemente do que os construtores da notícia pretendessem que fosse
percebido (Livingstone, Allen e Reiner, 2001). As pessoas mais temerosas são
mais dependentes e fáceis de persuadir e manipular, aceitando mais facilmente,
por exemplo, um reforço das medidas de manutenção da segurança sempre que o
clima político é exagerado pelos OCS em termos de situações perigosas que
possam ocorrer, ou deixando, simplesmente, de participar em eventos políticos,
ou de outro tipo.</p>

    <p>Os OCS fornecem,
então, “mapas de significados” (Mealha, 2009; Pais <i>et</i><i>
al</i>., 2013) que permitem às pessoas contextualizar a informação aos mais
diversos níveis – social, político, cultural – de maneira a ser-lhes possível,
ou pelo menos mais fácil, assumir posição relativamente a determinado assunto.
Os <i>media</i> oferecem mundivisões, representações da ordem e da desordem,
sempre reforçando a estabilidade da estrutura social. Por paradoxal que possa
parecer, a visão de uma sociedade do consenso é fortalecida em detrimento do
dissenso e da disrupção (como mostram os estudos sobre as notícias de crimes; e.g.
­Ericson, Baranek e Chang, 1991), e por isso os <i>media</i> constituem-se
enquanto reguladores sociais, enquanto dispositivos de controlo social (Cohen e
Young, 1988).</p>

    <p>Então, a informação transmitida pelos OCS, até pela
extensão do seu alcance e diversidade de meios que utilizam, exerce influência
sobre a maneira como as pessoas apreendem, compreendem e organizam o seu meio
envolvente. Por isso, importa que a psicologia dos <i>media</i>
estude os assuntos a que as pessoas são expostas através da informação que lhes
é disponibilizada (Giles, 2003), uma vez que ela interfere, ainda que
indiretamente, na maneira como vão perceber o funcionamento das instituições do
sistema social (Saperas, 2000). Aliás, não é aceitável pensar que nas
sociedades contemporâneas os cidadãos possam constituir um grupo “homogéneo ou
suscetível de ser tornado homogéneo” (Botein e Rice <i>in</i> Castells, 2010,
p. 359), como pensaram os responsáveis das televisões governamentais até cerca
dos anos 1980.</p>

    <p>As pessoas não são passivas relativamente aos
efeitos da comunicação. Os conteúdos comunicacionais, “explícitos ou
subliminares, são trabalhados, processados pelos indivíduos colocados em
contextos sociais específicos, assim modificando o que era o efeito pretendido
para a mensagem” (Castells, 2010, p. 364). Entretanto, nas relações
interpessoais, também se reconstroem e negoceiam significados (Bruner, 1990),
obrigando os <i>media</i> a acompanhar estas transformações e a especializar-se
em certos assuntos, de maneira a responder às demandas das diferentes
audiências.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se a comunicação social influencia, em geral, a
construção da imagem das instituições do sistema social, importa conhecer em
concreto de que forma isto acontece em relação a uma dessas instituições: a
polícia. Na verdade, os conteúdos transmitidos acerca da atividade policial
constituem-se num discurso que vai conhecer reflexos na formação da perceção
das pessoas relativamente a esta instituição estratégica no sistema social. Ao
longo do tempo, a construção deste enquadramento sociopolítico estabelecerá um
território discursivo onde se configurarão representações acerca da polícia que
podem influenciar o comportamento social. Aliás, a polícia está cada vez mais
atenta ao impacto potencial das representações dos <i>media</i> sobre a
perceção pública de legitimidade e autoridade do seu trabalho, como demonstram
os estudos de Chermak e Weiss (2005) ou de Mawby (2002). Como chamam a atenção ­Mendes
e ­Seixas (2005, p. 102), “os relatos dos jornalistas, de crítica ou endosso
das acções empreendidas, dão aos participantes os recursos para a produção das
lógicas de justificação das acções de protesto e aos públicos os quadros de
interpretação das mesmas”. Embora referindo-se, no
caso, aos movimentos sociais e às ações de protesto, esta produção de lógicas
de justificação aplica-se à ação da polícia, também ela, afinal, participante
ativa na cena social.</p>

    <p>Neste estudo caracteriza-se o discurso veiculado
por OCS portugueses acerca da atividade policial no contexto do policiamento de
grandes eventos políticos durante o ano de 2012, procurando descrever os
esquemas interpretativos que as notícias providenciam para que as pessoas
possam observar e entender a ação da polícia nestes contextos, e destacando
diferenças e similaridades entre diferentes tipos de OCS.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>MÉTODO</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Recorreu-se a uma
abordagem qualitativa (Denzin e Lincoln, 1994) que permitiu a codificação dos
conteúdos das peças noticiosas e o estabelecimento de inferências, tentando compreender
a construção do seu significado. Foram realizados três estudos de forma a
possibilitar uma análise comparativa, baseada no mesmo procedimento de recolha,
codificação e análise dos conteúdos dessas peças noticiosas.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>CORPUS</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Para cada estudo, o <i>corpus</i>
submetido a análise foi constituído pelo universo das
peças noticiosas (para cada meio de comunicação) relativas ao ­policiamento em
grandes eventos políticos, transmitidos durante 2012, considerando os critérios
de seleção. Foram escolhidos para análise: a agência de notícias portuguesa
Lusa; os jornais diários <i>Correio da Manhã</i>, <i>Diário de Notícias</i> e <i>Jornal
de Notícias</i>; e, os telejornais diários transmitidos às 13h00 e às 20h00 dos
canais televisivos RTP, SIC e TVI. Os jornais diários e os canais de televisão
foram escolhidos com base na tiragem e nos níveis de audiência, respetivamente.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escolha dos eventos baseou-se na definição de
“grande evento” adotada pelo International Permanent Observatory on Security
during Major Events (2007). Foram selecionados seis grandes eventos políticos
que decorreram em Portugal durante o ano em análise: duas manifestações da
CGTP; duas greves gerais; e, duas manifestações de protesto social.<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>

    <p>Nos três estudos foram usadas consistentemente
nove palavras-chave na seleção das notícias, feita por <i>clipping</i> nas
bases de dados CISION e LUSA: greve geral; indignados; manifestação; polícia;
policiamento; protesto; PSP; rasca; e troika.</p>

    <p>Seguindo Bardin (1977), o <i>corpus</i> foi
considerado válido pois respeita as regras: da
exaustividade (não foi excluído qualquer <i>item</i> noticioso que
correspondesse aos critérios de seleção); da representatividade (todos os <i>itens</i>
coletados foram tomados para análise, neste caso, o universo de notícias); da
homogeneidade (todos os <i>itens</i> eram do mesmo tipo); e da pertinência
(todos os <i>itens</i> eram relevantes para a análise).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INSTRUMENTO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A análise de conteúdo
(Bardin, 1977; Ghiglione e Matalon, 1993; Krippendorff, 1980; Weber, 1985) foi usada
como instrumento de tratamento de dados. Descrita como sendo um instrumento
apropriado para lidar com dados que não foram gerados para investigação, a
análise de conteúdo aplica-se a materiais que foram livremente produzidos pelos
seus autores. É o caso dos materiais selecionados para este estudo.</p>

    <p>Como qualquer outro instrumento científico, a
análise de conteúdo obriga a procedimentos especializados de forma a
considerar-se válida e replicável, assegurando a qualidade da análise e a
validade dos resultados. A qualidade da análise é determinada por procedimentos
de fiabilidade e validade. A fiabilidade está ligada aos procedimentos de
análise (codificação) e, assim, ao instrumento e ao próprio analista
(investigador). Primeiro, as categorias de conteúdo não podem ser ambíguas,
possibilitando a codificação de todas as unidades de registo (“ur”) – neste
caso, uma proposição ou um parágrafo que expresse uma ideia enquadrável numa
categoria específica – com certeza e segurança, e de forma rigorosa. Depois, o <i>corpus</i>
deve ser submetido a procedimentos de codificação em tempos diferentes ao longo
da análise (fiabilidade intracodificador) pelo analista (critério da
estabilidade) e por diferentes analistas (fiabilidade inter-codificador),
de maneira a chegar aos mesmos resultados. Este é o critério da
reprodutibilidade que, de acordo com Krippendorff (1980), é talvez o atributo
mais importante da fiabilidade.</p>

    <p>Quanto à validade, ela atravessa todo o processo
de análise e está ligada à sua qualidade. Se provada, os resultados da
investigação devem ser aceites e tomados em consideração enquanto “factos
incontestáveis” (Krippendorff, 1980). A definição das categorias é, pois,
crucial, devendo permitir uma “representação simplificada dos dados brutos”
(Weber, 1985, p. 12), funcionando como um “título genérico” (Bardin, 1977) para
um conjunto de informação que partilhe características comuns. Entretanto, a
codificação de uma secção de informação implica detetar as características ou
indicadores de uma categoria específica. Um critério importante da validade
interna da categorização é o da exaustividade da análise: a totalidade do <i>corpus</i>
(das “ur”) deve ser codificada nas categorias definidas. Outro é o critério da
exclusividade, que obriga a que cada unidade de registo seja codificada uma
única vez numa única categoria.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>PROCEDIMENTO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Todos os materiais
escritos foram copiados para uma base de dados entretanto
constituída (os materiais das televisões foram primeiro transcritos <i>verbatim</i>)
e depois analisados seguindo as regras atrás descritas, assim garantindo a
fiabilidade e a validade dos procedimentos. Utilizou-se a grelha categorial de
Pais <i>et</i><i> al.</i> (2013), embora se mantivesse
abertura à definição e inclusão de novas categorias, usando um procedimento
misto de análise. Procurou-se que as categorias, que a seguir se apresentam,
fossem simultaneamente exclusivas, homogéneas e pertinentes considerando os
propósitos da investigação.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>A. Manifestantes
(e.g. subcategoria A.3 – caracterização: “pessoas de várias gerações”, notícia
80 – televisão).</p>

    <p>B. Polícia
de Segurança Pública – PSP (e.g.
subcategoria B.6 – resultados/consequências da atuação: “à hora do fecho desta
edição, a polícia apontava para 48 feridos ligeiros, 21 dos quais polícias”,
notícia 65 – jornais).</p>

    <p>C. Discurso
direto (e.g. subcategoria C.7 –
sindicatos: “nem os serviços mínimos estão a ser cumpridos, porque o tribunal
arbitral exclui o SNM [Sindicato Nacional dos Motoristas] da negociação”,
notícia 127 – Lusa).</p>

    <p>D. Instâncias (e.g.
subcategoria D.4 – instâncias judiciárias: “(…) Tribunal de Pequena Instância”,
notícia 1 – televisão).</p>

    <p>E. Discurso
indireto (e.g. subcategoria E.2 –
fonte policial: “trata-se de uma relação que funciona com base na confiança
entre profissionais das duas instituições (…) dizem (…) fontes ligadas à PSP”,
notícia 91 – jornais).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>F. Enquadramento/descrição
(e.g. subcategoria F.5 – objetivos: “a manifestação (…) tem como objetivo
(…) protestar contra a precariedade”, notícia 4 – Lusa).</p>

    <p>G. Sistema
explicativo espontâneo (e.g. subcategoria
G.1 – atuação policial: “tão serena que espancou protestantes pacíficos”,
notícia 77 – jornais).</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Cada autor deste trabalho serviu como juiz
independente nos estudos realizados. As discordâncias no processo de
codificação foram resolvidas consensualmente depois de voltar aos dados brutos
de maneira a analisar as unidades de registo (“ur”) no seu contexto.
Finalmente, foi efetuada uma análise estatística que permitiu o exame e
interpretação dos resultados seguindo uma abordagem descritiva e comparativa.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RESULTADOS</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>APRECIAÇÃO
GERAL</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Codificou-se um total de
12289 unidades de registo: 6293 “ur” relativas a 221 peças noticiosas da Lusa,
e 3615 “ur” relativas a 122 peças noticiosas dos jornais, cobrindo os seis
eventos estudados; e, 2381 “ur” atinentes a 87 peças noticiosas das televisões,
cobrindo apenas três dos eventos estudados.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos de quantidade de conteúdos noticiados,
quase não se registam diferenças entre os OCS: cerca de 28
“ur” por notícia da Lusa; 29 “ur” por notícia dos jornais; e, 27 “ur” por
notícia das televisões. Todavia, é importante referir desde já que 90,5% das
notícias da Lusa referiam-se à greve geral de 22 de março, à manifestação “que
se lixe a troika…” de 15 de setembro, e à greve geral europeia de 14 de
novembro. As televisões cobriram precisamente estes três eventos, e nenhum dos
outros selecionados para análise. Os jornais dedicaram 82,8% das notícias à
greve geral de 22 de março e à greve geral europeia de 14 de novembro. Isto
permite afirmar que os OCS se concentraram, sobretudo, em noticiar os eventos
em que ocorreram confrontos entre a PSP e os manifestantes.</p>

    <p>Verifica-se uma tónica predominantemente
descritiva do conteúdo noticioso, e uma centração (expectável) na informação
relacionada com a PSP, com recurso, nomeadamente, ao discurso direto dos
diversos intervenientes nos eventos. Contudo, os manifestantes são pouco
referenciados pelos OCS.</p>

    <p>Outra nota digna de registo relaciona-se com a
pesquisa feita diretamente sobre as “ur” que exibem um caráter claramente positivo
ou negativo, considerando toda a informação transmitida pelos OCS sobre a
atuação policial nos eventos estudados. Pode afirmar-se que a tónica dos
discursos produzidos é, genericamente, mais positiva que negativa: na Lusa, de
forma mais evidente (242 “ur” com conteúdo positivo contra 122 “ur” com
conteúdo negativo); e, também, nas televisões, ainda que de forma menos clara
(162 “ur” com conteúdo positivo contra 147 “ur” com conteúdo negativo). Os
jornais, entretanto, invertem esta tendência, tendo sido codificadas 111 “ur”
com conteúdo positivo contra 139 unidades de registo com conteúdo negativo.
Esta diferença pode ficar a dever-se às características dos diferentes tipos de
OCS, o que se procurou perceber com a continuação da análise dos resultados, mais
especificamente das fontes de informação em que os jornalistas se apoiaram para
construir as notícias.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>FONTES DE
INFORMAÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Considerando as fontes de
informação, procurou-se saber quem fala em discurso direto (a quem é dada voz)
e quem é citado, por vezes com referências a fontes anónimas (discurso indireto
parafraseado pelos jornalistas). Em primeiro lugar, diga-se que as fontes
diretas são usadas por todos os OCS em maior quantidade do que as fontes
indiretas. Analisemos agora quais os atores que mais falaram diretamente à
comunicação social (cf. <a href="#f1">Figura 1</a>).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n216/n216a02f1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na figura pode verificar-se que a PSP não foi a fonte de informação privilegiada pelos OCS para
apresentação do seu discurso em primeira mão. A Lusa privilegiou as palavras de
ordem, e fontes diversas como advogados dos detidos nas manifestações ou
elementos da Inspeção-Geral da Administração Interna; só depois surgem os
membros do governo e a polícia. Este enfoque poderá resultar da necessidade de
ouvir os governantes acerca da justificação da atuação policial, nomeadamente
dando voz ao ministro da Administração Interna (e.g. “quando [a polícia] foi forçada a intervir fê-lo de forma legítima
em reação às agressões e para repor a ordem pública”, notícia 77).</p>

    <p>Os jornais deram também mais voz a fontes
diversas como as já mencionadas; depois à polícia, quer para explicar quer para
fornecer resultados da sua atuação nos eventos; a membros
do governo; e, aos organizadores dos eventos. Refira-se que apesar de ser
apresentado o discurso da polícia na primeira pessoa, a fonte não é geralmente
identificada em concreto – em 77,0% dos casos apenas surgem referências como:
“fonte oficial da PSP” (notícia 58), ou “a PSP” (notícia 62).</p>

    <p>As televisões deram primazia às palavras de
membros do governo, que em nenhuma ocasião criticam negativamente a atuação
policial, depois às de elementos dos sindicatos e, só então, às das fontes
policiais, quase não dando voz aos organizadores dos eventos.</p>

    <p>De referir, também, o relevo que assumem as
declarações de peritos, especialistas ou comentadores na imprensa, em
comparação com os outros OCS. Este tipo de intervenções está geralmente
associado à emissão de opinião especializada, ou técnica, mas também à reflexão
sobre determinados assuntos específicos, os quais são abordados de um ponto de
vista mais pessoal, eventualmente menos objetivo. É o que acontece nos artigos
de opinião (Crato, 1995), sendo que foram analisadas, neste trabalho, 29 peças
desse género jornalístico.</p>

    <p>Uma nota para as palavras dos políticos, considerando
aqui todos os OCS. As declarações que valorizam positivamente a atuação
policial são feitas, sobretudo, por elementos da área política do governo, e as
declarações de cariz negativo são feitas por elementos da oposição ao governo,
nomeadamente de partidos mais à esquerda no espectro político.</p>

    <p>As palavras dos manifestantes não assumem grande
peso nas notícias, embora sejam mais usadas pelas televisões, onde, em apenas
32,0% das declarações transmitidas são tecidas críticas negativas à atuação policial.
Nas notícias da Lusa, embora os manifestantes quase não sejam ouvidos e pouco
se pronunciem sobre a ação policial, quando o fazem referem-se a esta de forma sobretudo negativa (em 78,3% das declarações).</p>

    <p>No que respeita às fontes citadas, ou seja, às
declarações que foram apresentadas nas palavras dos próprios jornalistas,
observe-se a <a href="#f2">figura 2</a>.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n216/n216a02f2.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na figura pode verificar-se que todos os OCS
tomam o mesmo tipo de fontes para construir o seu discurso, a saber:
interlocutores vários; polícia; e, membros do governo. Apenas os jornais dão
maior prevalência às fontes policiais, ainda que marginalmente e, de novo,
quase nunca mencionando a identificação concreta das fontes (e.g. “dizem (…) fontes ligadas à PSP”, notícia 91). Os vários
interlocutores são, basicamente, os mesmos que foram ouvidos de viva voz,
talvez devido ao facto de grande parte dos conteúdos analisados dizerem
respeito, como já se escreveu, a eventos durante os quais ocorreram confrontos
entre manifestantes e PSP, resultando na abertura de processos de averiguação.
Assim, temos: advogados dos detidos nas manifestações; Inspeção-Geral da
Administração Interna; e, Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e
Terrorismo.</p>

    <p>Quanto aos membros do governo, é sobretudo com base nas declarações do ministro da
Administração Interna que são apresentadas justificações para a atuação
policial durante os eventos e informação acerca das medidas tomadas na
sequência da instauração de processos de averiguação (e.g. “o
ministro (…) justificou implicitamente a atuação dos agentes com a afirmação de
que reagiram a provocações, como o arremesso de pedras”, notícia 19 – jornais).</p>

    <p>Diga-se, entretanto, que o discurso indireto que
as televisões apresentam acerca da atuação policial é mais positivo. Os membros
do governo e, especificamente, o ministro da Administração Interna enaltecem a
atuação da PSP (e.g. “o
ministro (…) elogiou o trabalho da PSP”, notícia 74).</p>

    <p>Conforme aconteceu na análise do discurso direto
(<a href="#f1">Figura 1</a>), na categoria discurso indireto os jornais dão particular destaque
ao que dizem peritos, especialistas ou comentadores, quando comparados com os
outros OCS.</p>

    <p>Deve, igualmente, dar-se nota da subjetividade
das/nas notícias analisadas. Este elemento específico foi analisado através de
uma categoria (G – sistema explicativo espontâneo) que codificou toda a
informação suportada em declarações subjetivas, que dissessem respeito a
atribuições e causalidades implícitas, feitas para descrever as diversas
ocorrências, concebidas pelos jornalistas ou reformuladas a partir das fontes.
Declarações com conteúdo marcadamente subjetivo foram encontradas em somente
3,5% da totalidade das notícias, maioritariamente produzidas pelos jornais e
pelas televisões. Isto evidencia o esforço de muitos jornalistas na apresentação
de informação o mais isenta possível, onde não fiquem espelhados os seus juízos
de valor e convicções pessoais. Observe-se então a <a href="#f3">figura 3</a>.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n216/n216a02f3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Embora o valor global encontrado na categoria
seja baixo, revela, não obstante, a existência de peças noticiosas onde tal acontece, especialmente nos jornais e de forma mais notória
quanto às atividades policiais. Nos jornais, analisadas as unidades de registo,
pode afirmar-se que o discurso é marcadamente negativo (e.g. “valentes agentes que se comportaram como delinquentes de farda”,
notícia 21; “é de recear que a polícia pense levar a cabo tal combate com
‘bastões’”, notícia 26; “a brutalidade da polícia contra os infelizes, os
pobres, os explorados”, notícia 80), e foi produzido, sobretudo, no âmbito da greve
geral de 22 de março, dia em que ocorreram incidentes no Chiado envolvendo
manifestantes, jornalistas e polícia.</p>

    <p>Interessante é o facto de existirem também, nos
jornais, declarações favoráveis relativamente à atuação policial, nomeadamente
na decorrência da manifestação de 14 de novembro (greve geral europeia), em que
houve confrontos entre manifestantes e polícia durante uma “vaga de dispersão”
realizada pela PSP após horas de agressão por parte de manifestantes, frente à
Assembleia da República (e.g.
“como fator positivo, deve reconhecer-se que as forças da ordem, da PSP,
estiveram à altura das suas responsabilidades”, notícia 66; “esperemos que as
forças de segurança mantenham (…) o bom senso que têm demonstrado nos últimos
tempos”, notícia 72; “os polícias são seres humanos”, notícia 74).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As televisões, apesar de terem apresentado juízos
subjetivos, sobretudo nas descrições que fizeram dos eventos, também o fizeram
acerca da atuação policial. Neste caso, analisando as unidades de registo, pode
afirmar-se que o cunho negativo não é tão evidente. Contudo, a mesma tendência
verificada quanto aos jornais pode observar-se nas televisões: apreciações
negativas a propósito da ação da polícia no dia da greve geral de 22 de março (e.g. “a jornalista já a recuar, o agente de bastão com destino certo”,
notícia 83); e, positivas a propósito da greve geral europeia de 14 de novembro
(e.g. “podemos ver um carro da PSP aqui mas de forma bastante ordeira”,
notícia 56).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>OS
EVENTOS</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Os eventos foram
apresentados seguindo um padrão discursivo comum em todos os órgãos de
comunicação social pesquisados (cf. <a href="#f4">Figura 4</a>).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f4">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n216/n216a02f4.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>As notícias, eminentemente descritivas, procuram
caracterizar o ambiente dos eventos e o desenvolvimento dos acontecimentos (e.g. “pelo caminho, as montras de agências de entidades bancárias (…)
foram partidas”, notícia 46 – jornais; “onde está montado um microfone, já
havia intervenções de pessoas que iam participar na manifestação”, notícia 88 –
Lusa; “os manifestantes da CGTP vão ficar mesmo em frente à escadaria da
Assembleia da República”, notícia 17 – televisões). São fornecidos alguns
detalhes quanto aos locais de realização dos eventos, dia e hora. A Lusa e os
jornais dão igualmente algum relevo aos motivos que levaram à realização dos
eventos (e.g. “vão protestar contra
as medidas penalizadoras do OE”, notícia 202 – Lusa; “contra as medidas de
austeridade em Portugal”, notícia 52 – jornais), ainda que as televisões lhes
prestem menor atenção. Ou seja, as notícias quase não tratam “as questões estruturais
que geralmente mobilizam as pessoas para participar neste tipo de ação social
(…) [assim descurando] a vasta ecologia social do cenário político” (Pais <i>et</i><i> al</i>., 2013, p. 214). De notar, ainda, que os
órgãos de comunicação social prestaram pouca atenção aos objetivos que se
pretendiam alcançar com a realização dos eventos, sendo residual a sua menção
nas notícias.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>OS
PARTICIPANTES NOS EVENTOS: MANIFESTANTES E POLÍCIA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Os manifestantes
presentes nos grandes eventos políticos de 2012 são referidos nas notícias
quanto à sua caracterização (cf. <a href="#f5">Figura 5</a>), verificando-se novamente a
prevalência de uma tónica descritiva no conteúdo noticioso (e.g. “pessoas de várias gerações”, notícia 80 – televisões; “alguns
manifestantes tidos como radicais”, notícia 45 – jornais), em detrimento das
razões pessoais, políticas, ideológicas e sociais que possam ter levado à
participação nos eventos.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f5">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n216/n216a02f5.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Quanto aos elementos policiais presentes nos
eventos (cf. <a href="#f6">Figura 6</a>), os OCS claramente salientam os resultados e
consequências da sua atuação, e também descrevem a atuação policial
propriamente dita. Estes resultados devem ser entendidos à luz dos
acontecimentos analisados, dado que foram aqueles em que ocorreram confrontos
entre manifestantes e elementos policiais que mereceram maior cobertura
noticiosa. Entretanto, os motivos que estiveram na base das ações da polícia, e
que poderiam sustentar a sua necessidade, são menos focados nas notícias. Por
outro lado, informação que, supostamente, exige um maior conhecimento acerca
dos métodos e práticas policiais (e.g. o dispositivo policial destacado especificamente para os eventos)
quase não é mencionado nas notícias, o que coloca a questão de saber se os
jornalistas estão familiarizados com estas matérias.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f6">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n216/n216a02f6.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Considerando o conjunto dos três tipos de OCS,
pode afirmar-se que as televisões deram particular destaque à PSP (com 42,5% do
total de “ur”, contra 32,7% dos jornais e 34,3% da Lusa). Detalhando a análise
da cobertura televisiva feita, pode dizer-se que 68,7% dos conteúdos noticiados
dava conta dos resultados e consequências da atuação policial (e.g. “vão ser
estudadas formas de identificar os profissionais de comunicação social no meio
das multidões”, notícia 11; “a intervenção da polícia durante a manifestação
desencadeou entretanto outros protestos”, notícia 75),
sendo reportadas as detenções feitas e os feridos registados (e.g. “os detidos foram algemados, sentados no chão e depois transportados
em carrinhas da PSP”, notícia 38; “dos confrontos resultaram 48 feridos”,
notícia 18).</p>

    <p>Embora preocupando-se
menos com a descrição das ações levadas a cabo, são feitas afirmações com
conotação negativa pelos jornalistas, todas elas referentes à atuação da
polícia por ocasião da greve geral de 22 de março, quando jornalistas foram
alvo da intervenção policial (e.g. “e no momento em que digo que sou jornalista, deixem-me passar,
levei a bastonada”, notícia 6); e, são igualmente feitas afirmações com
conotação positiva pelos jornalistas, todas elas relativas à atuação da polícia
durante a greve geral europeia de 14 de novembro, quando manifestantes foram
alvo de uma “vaga de dispersão” após terem agredido elementos policiais em
frente à Assembleia da República (e.g. “aqueles que
ofereceram resistência naturalmente foram atingidos pela polícia”, notícia 84).</p>

    <p>Uma palavra para as imagens transmitidas. Mais de
metade delas mostram elementos policiais, quase sempre (81,4%) utilizando a
força para dispersar manifestantes mais violentos, em confrontos com
manifestantes, e também a efetuar detenções. São igualmente mostradas mais
imagens de manifestantes violentos, a derrubar grades de segurança ou a
empurrar elementos policiais, do que a manifestarem-se pacificamente. Em menor
número são também apresentadas imagens de algumas pessoas entrevistadas. Por
último, refira-se a exibição, pelas televisões, de
imagens amadoras. Embora com pouca expressão, elas sinalizam que o jornalismo
feito pelo cidadão (<i>citizen journalism</i>) parece encontrar também
acolhimento junto deste OCS, pelo elevado potencial noticioso que possui (Greer
e McLaughlin, 2010). Este tópico não foi, no entanto, objeto de análise,
deixando-se para mais tarde, noutros estudos, a sua consideração.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>DISCUSSÃO</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>A comunicação social
fornece mapas de significado que servem à construção de mundivisões e ao
concomitante posicionamento das pessoas no seu contexto social de vida. Sobre
os mais diversos temas, os <i>media</i> “podem expressar, filtrar, e acreditar
afirmações (…), de modo a que eles se tornem tópicos bem especificados e
realistas para o debate público entre cidadãos informados” (Benkler, 2006, p.
198).</p>

    <p>Consideramos que é importante conhecer os
discursos que circulam na sociedade acerca da atividade policial, de maneira a
ultrapassar algumas ideias falsas, ou menos precisas, acerca da polícia, instituição
estratégica no sistema social e indispensável à ordem e paz social com a
garantia da defesa de direitos e liberdades.</p>

    <p>Se a polícia procura, cada vez mais, uma maior
proximidade aos cidadãos através da implementação de programas específicos (Programa
Integrado de Policiamento de Proximidade), os <i>media</i>, enquanto produtores
de realidade, difundem conteúdos que criam um certo
clima comunicacional, assim colocando na ordem do dia certos assuntos que são,
ou se tornam, importantes para as pessoas. Trata-se, pois, de perceber melhor
que tipo de conteúdos podem passar a integrar os seus
próprios discursos, que partilham nas suas relações interpessoais e que, por
isso mesmo, multiplicam, configurando ao longo do tempo, como se escreveu
acima, representações acerca da polícia que podem influenciar o comportamento
social.</p>

    <p>É sabido que a atuação policial e a perceção que
dela tem a sociedade é pesquisada de diferentes maneiras, seguindo diversos
“ataques” metodológicos. Do mesmo modo, é uma evidência que a atividade
policial não se resume aos grandes eventos políticos. O foco escolhido para
esta investigação encontra justificação noutra ordem de ideias. A quantidade de
pessoas envolvidas e os temas e motivos pelos quais saem à rua para se
manifestar fazem dos grandes eventos políticos acontecimentos de obrigatória e
intensa atenção dos órgãos de comunicação social. Estes, por outro lado,
amplificam inexoravelmente os eventos, exponenciando o número de pessoas que
com eles tomam contacto, direta ou indiretamente. Assim, enquanto a atividade
quotidiana da polícia acaba por passar despercebida para muitos, ela é tornada
visível nas manifestações políticas.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Associando isto ao
atual contexto social, político e económico português, de
contestação, perceberemos melhor a importância acrescida que tem aceder
a estes conteúdos, de forma a entender qual a imagem que os OCS passam acerca
da PSP, que pode usar a força para manter a ordem social. Se “os protestos e as
reivindicações não são formas patológicas de acção política
mas formas expressivas de realização de cidadania em contexto
democrático” (Mendes e Seixas, 2005, p. 125), a atividade policial, de
manutenção da ordem e da segurança dos cidadãos, é “uma actividade essencial
num Estado de direito democrático, levada a cabo por instituições públicas no
sentido de garantirem a efectividade dos direitos civis, políticos e sociais”
(Oliveira, 2006, pp. 54-55).</p>

    <p>Merece ser discutido o destaque que os OCS dão
aos eventos políticos em que ocorreram confrontos entre a polícia e os
manifestantes. Esta notoriedade relaciona-se, evidentemente, com os
valores-notícia do conflito e da negatividade (Galtung e Ruge, 1999; McQuail,
2003; Tuchman, 1978; Wolf, 1987), que tornam este tipo de informação
noticiável, evidenciando o potencial que as fontes têm de colocar dentro do
sistema comunicacional assuntos que possam ser assumidos pelo público como
merecendo preocupação e consideração (Benkler, 2006). Esta tendência
corresponde também ao já referido particular interesse que as televisões têm em
“histórias de conflito e adversarialismo” (Goldman, 1999, p. 341). Como
empiricamente se viu, as razões que levaram a polícia
a atuar nos eventos são residualmente valorizadas pelos OCS, o que torna
difícil a compreensão das intervenções policiais, colocando igualmente questões
sobre a imagem que dela é transmitida para a esfera pública, especificamente no
contexto de grandes eventos políticos, onde é suposto os cidadãos corporizarem a liberdade de reunião e de expressão.</p>

    <p>Este facto condicionou, assim, todo o discurso
produzido quer quanto às fontes utilizadas, quer quanto aos conteúdos
propriamente ditos. Como ficou claro, dois eventos
tornaram-se dominantes no panorama noticioso analisado: a greve geral de 22 de
março; e a greve geral europeia de 14 de novembro. Ainda que a pesquisa não
tenha sido realizada evento a evento, tornou-se visível a utilização de duas
estratégias comunicacionais diferentes na cobertura noticiosa que deles foi
feita. Uma assumiu um caráter mais negativo, de crítica face à atuação policial
durante a greve de 22 de março, em que ocorreram confrontos entre
manifestantes, jornalistas e polícias, no Chiado. Outra assumiu uma tónica mais
positiva, referindo-se à greve de 14 de novembro, em que a polícia desencadeou
uma “vaga de dispersão” após ter sido alvo de agressão durante várias horas em
frente à Assembleia da República.</p>

    <p>Esta distinção é importante dada a focalização feita nos resultados e consequências da
atuação policial em detrimento da apresentação dos motivos que estiveram na sua
base, transmitindo às pessoas que assistem ou leem as notícias informação
parcelar e parcial sobre o que aconteceu (<i>framing</i>), dando assim azo a um
entendimento deturpado dos acontecimentos, neste caso acerca da ação policial.
Mas uma <i>nuance</i> deve aqui ser referida. Apesar de a polícia ser a
instituição, num Estado de direito democrático, com poder para recorrer ao uso
da força nas suas ações de reposição e manutenção da ordem pública, a impressão
que fica é a de que ela apenas exerce essa função legitimamente, “aos olhos dos
órgãos de comunicação social”, quando antes foi vítima, ela própria, de
violência. Por outro lado, esta dupla via de cobertura noticiosa conduz,
igualmente, à questão de saber até que ponto interesses corporativos estão na
sua base: quando há jornalistas envolvidos em confrontos a atuação da polícia é
descrita de forma mais negativa.</p>

    <p>Sendo certo que estas inferências podem ser
contestadas pois não foram feitos estudos que permitam
estabelecer relações de causalidade, constituem-se, pelo menos, como
indicadores para reflexão no âmbito das relações entre as autoridades policiais
e as direções dos OCS. De facto, no caso específico dos grandes eventos, é
sabido que a perceção de legitimidade da ação é importante para todos os grupos
participantes nos eventos, incluindo-se aqui, obviamente, o grupo dos elementos
policiais. No modelo da identidade social elaborada (<i>elaborated social
identity model</i>, primeiramente desenvolvido por Reicher, 1984, 1996; cf.,
também, Drury, Stott e Farsides, 2003; Gorringe, Stott e Rosie, 2012; Hoggett e
Stott, 2010; Stott e Reicher, 1998) refere-se, precisamente, que numa situação
em que as relações intergrupais são assimétricas, como é o caso dos grupos de
manifestantes e do grupo dos elementos policiais, pessoas inicialmente
pacíficas podem passar à ação (mesmo violenta), modificando a sua identidade
social, caso julguem a ação policial como ilegítima. Isto, por exemplo, porque
a percecionam como não direcionada especificamente para elementos perturbadores
numa dada situação. Por outro lado, se a polícia percecionar a multidão como um
todo, ao invés de a ver composta por diferentes grupos
com diferentes motivações e intenções, com diferentes repertórios de ação que
podem incluir comportamentos violentos, pode desencadear uma ação repressiva,
não diferenciando os diferentes grupos que a compõem. E acontece a escalada de
violência, com a perceção, de ambas as partes, da plena legitimidade dos seus
comportamentos.</p>

    <p>Não sendo, porém, o foco deste trabalho a
discussão das implicações desta conceção para o policiamento da ordem pública,
importa realçar a possibilidade de a imagem que as pessoas têm da polícia –
mais ostensiva e repressora ou mais tolerante embora firme – ser construída com
a participação dos OCS, através das narrativas que colocam em circulação na
sociedade, influenciando assim o clima social e político e, em última
instância, os comportamentos.</p>

    <p>De qualquer modo, o papel da polícia no processo
comunicacional deve ser, também, objeto de atenção. O
fornecimento de informação aos OCS, por parte da polícia, quando ocorrem
grandes eventos desportivos, nomeadamente jogos de futebol das principais
equipas, e/ou que sejam considerados de risco, é visivelmente maior,
recorrendo, até, à realização de conferências de imprensa. Dias antes do evento
começa a ser transmitida informação à população, respeitante, por exemplo, a
condicionamentos de trânsito, política de fãs, objetos proibidos, e
comportamentos inapropriados que não serão tolerados. Desta forma, a generalidade
das pessoas, e dos jornalistas, toma conhecimento de que as forças policiais
estarão no terreno para assegurar a realização do espetáculo desportivo,
procurando que antes, durante e depois haja um clima ordeiro, tranquilo e de
festa para todos. Esta abordagem coloca a polícia na dianteira do processo
comunicacional, mostrando-se mais interessada, proativa e próxima dos cidadãos
ao tornar pública a sua estratégia de ação, o que além de assegurar e reforçar
a sua relação com os <i>media</i> está em concordância com o princípio da
educação constante dos princípios de redução do conflito (<i>conflict-reducing
principles</i>, e.g.
Reicher <i>et al</i>., 2004; Reicher <i>et al</i>., 2007). De facto, se a
polícia deve ser instruída quanto às identidades sociais dos vários grupos que
compõem as multidões nos eventos, seus valores, objetivos, e historial de ações
levadas a cabo, também o público em geral e os jornalistas devem ser instruídos
acerca da polícia e suas missões.</p>

    <p>Aliás, como se viu,
as notícias pouco referiam informação mais específica acerca de modelos e
práticas utilizadas pelos elementos policiais durante os eventos, o que coloca
a dúvida sobre a preparação que os jornalistas possuem para cobrir este tipo de
situações. Atualmente, as redações têm dificuldade em destacar e treinar
jornalistas em tópicos específicos e, por outro lado, também os ­profissionais
contratados em regime temporário acabam por sucumbir aos ­desígnios de certas
políticas de informação, mais ou menos ancoradas em interesses políticos,
económicos, ou outros. Este aspeto pode ser pensado recorrendo ao
posicionamento de Goldman (1999) quando se refere à falta de treino de
jornalistas e proprietários de OCS em práticas que privilegiem a transmissão de
informação transparente e verdadeira (<i>veritistically optimal practices</i>,
p. 340).</p>

    <p>Mas tudo isto tem a ver com a maneira como a
sociedade percebe a atividade policial de imposição e manutenção da ordem:
usando a força em nome do Estado, ou em resposta ao pedido social de proteção
de todos os cidadãos (e.g.
policiamento por consentimento da comunidade – <i>policing by consent</i>,
Waddington e Wright, 2009). Os resultados deste trabalho obrigam a equacionar
dois raciocínios distintos. Por um lado a história portuguesa
recente mostra a ligação de um regime político ditatorial (até 1974) com um
estilo policial de tipo paramilitar (Waddington, 2007), focado na autoridade do
Estado, baseado no exercício ostensivo da força e poder à custa dos direitos
fundamentais dos cidadãos (para uma análise aprofundada do uso da força por
parte do Estado no protesto político em Portugal, vd. Palacios Cerezales,
2011). Associado a isto, pode pensar-se na assunção de uma postura corporativa
por parte dos jornalistas, que se mobilizaram, inclusivamente, num protesto de
menores dimensões realizado à frente da Direção Nacional da PSP, no dia a
seguir à manifestação de 22 de março em que ocorreram confrontos com
jornalistas. A defesa da integridade dos jornalistas e da liberdade de informação
face à utilização da força – um resquício de uma representação social (­Moscovici,
2000) de uma polícia repressiva, provavelmente reavivada durante estas
ocorrências. Aqui, os <i>media</i> não podem ser entendidos como instrumentos
de/para o controlo social (Cohen e Young, 1988) mas,
sim, como representantes da liberdade em rota de colisão com o exercício de um
poder autoritário.</p>

    <p>Por outro lado, pode observar-se uma aproximação
a uma polícia vista como composta por pessoas comuns, mas que conseguem manter
a calma numa difícil situação em que são alvo de
agressões durante horas a fio por parte de manifestantes, como no evento de 14
de novembro. Muitos, seguramente, ter-se-ão identificado com aqueles indivíduos
que se mostraram imperturbáveis durante as agressões, compreendendo e acedendo,
por fim, à reação policial. Aqui o discurso dos <i>media</i> mudou. Neste caso,
verificou-se uma atitude generalizada de crítica positiva face à atuação
policial, com críticas negativas veiculadas por vozes conotadas com os partidos
mais esquerdistas.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, os produtores de notícias não são,
efetivamente, independentes, pelo menos no que respeita à defesa da corporação.
Mas, para o que aqui importa, eles constituem
“influências modeladoras” (Bandura, 2001), ­difundindo um clima social e
político determinado, ajudando as pessoas a organizar o seu mundo imediato
(Saperas, 2000). Poderá pensar-se na existência de uma imagem ambígua da
polícia quando intervém em grandes eventos políticos, que se traduzirá em
perceções ambivalentes por parte dos cidadãos.</p>

    <p>Um outro resultado deve ser mencionado e sinalizado para futuros estudos. Como
se viu atrás, a tónica geral do discurso dos OCS é positiva, à exceção dos
jornais que, entretanto, deram bastante relevo às declarações de peritos,
especialistas ou comentadores, quando comparados com os outros OCS. Estas
personagens servem a função de emitir opinião especializada, técnica, mas
apresentam igualmente as suas reflexões pessoais, cientificamente sustentadas
ou não, contribuindo quer para uma discussão de pontos de vista opostos sobre
determinada matéria quer para a sustentação e credibilização de declarações dos
jornalistas aquando da apresentação das notícias. A questão que se coloca
relaciona-se com o facto de, regra geral, o público
apenas poder conjeturar acerca do posicionamento político destes comentadores,
dado que, independentemente da sua área de formação e de especialização
académica, não são absolutamente claros sobre a ideologia que subjaz aos seus
comentários. Fica a pergunta: qual o seu contributo na coloração da informação?</p>

    <p>Uma última nota para mencionar algumas limitações
deste estudo. Apesar de ser usual a crítica quanto à utilização da análise de
conteúdo, para além de terem sido cumpridos todos os procedimentos relativos à
fiabilidade e validade, assume-se, aqui, o posicionamento de Reiner (2007, p.
304) quando afirma que “os resultados devem ser interpretados reflexiva e
cautelosamente como uma leitura possível. Como tal, podem suscitar ideias
valiosas e questões sobre o significado de tendências e padrões”. Refira-se,
também, que os resultados deste estudo devem ser lidos considerando a forma
como os OCS trataram a informação sobre os eventos selecionados durante o ano
de 2012, o que não autoriza a generalização da discussão feita para a perceção
social do <i>modus operandi</i> da polícia. A transferibilidade dos resultados
e sua discussão para outros contextos da atividade policial em grandes eventos
(e.g. desportivos) merecerá a necessária atenção em estudos futuros. Por outro
lado, não se analisaram as eventuais diferenças nos discursos dos OCS estatais
e privados. Entretanto, o programa de investigação prossegue anualmente, o que
possibilitará maior abrangência e precisão nas interpretações feitas.</p>

    <p>A terminar, referimos dois assuntos que têm
merecido crescente interesse e que, não tendo sido tomados para análise neste
estudo, merecem uma menção, embora deixando-se para
mais tarde o seu desenvolvimento: o jornalismo feito pelo cidadão (<i>citizen
journalism</i>); e a comunicação eletrónica, em particular a <i>internet</i>. A
diversificação dos meios tecnológicos tem permitido a participação de não-jornalistas na divulgação de certos acontecimentos, por
estarem no local no momento em que acontecem. “Os cidadãos deixaram de ser
simples fontes de informação e/ou espectadores, mas [são] também colectores e
criadores de notícias” (Mythen, 2010, p. 45), assim alterando a maneira como
elas são criadas, transmitidas e consumidas (Greer e McLaughlin, 2010).
Contudo, esta forma de jornalismo, embora seja cada vez mais utilizado pelo
potencial que encerra, coloca dúvidas quanto à credibilidade das fontes e
problemas quanto ao tratamento dos conteúdos, que não é cabalmente feito.
Entretanto, sobre a <i>internet</i> inúmeros estudos têm sido desenvolvidos
assumindo este tópico, hoje, lugar de destaque na investigação da comunicação
política, a par com a investigação sobre os <i>media</i> tradicionais
(Dahlgren, 2005). A <i>internet</i> veio alterar radicalmente o panorama dos
processos de comunicação, ao tornar as pessoas participantes no debate
político, social e cultural, competentes para se autoconstruírem ao desenvolver
procedimentos de recolha, processamento e interpretação da informação, assim
adquirindo e melhor definindo a sua posição na sociedade (Benkler, 2006; Pais <i>et</i><i> al</i>., 2013).</p>

    <p>Também por estas razões a polícia tem de divisar
e concretizar novas formas de relacionamento e comunicação com os cidadãos,
constituindo-se claramente como fonte primeira de informação, fomentando a
proximidade não apenas no terreno mas também atentando,
antecipando, e respondendo aos esquemas discursivos que circulam na sociedade.</p>

    <p>&nbsp;</p>


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    <p>Recebido a
20-01-2014. Aceite para publicação a 11-02-2015.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Especificamente analisou-se
o discurso dos <i>media</i> em relação à manifestação da CGTP (11 de
fevereiro), à greve geral (22 de março), às manifestações “que se lixe a
troika! queremos as nossas vidas!” (15 de setembro) e “terreiro do povo” (29 de
setembro), à greve geral europeia (14 de novembro), e à manifestação da CGTP de
27 de novembro.</p>


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