<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732015000400008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Turismo, olhares e imagens em movimento: do arquivo como repositório ao arquivo como campo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Tourism, gaze, and moving images: from the archive as repository to the archive as field]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sampaio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sofia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa Centro em Rede de Investigação em Antropologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<numero>217</numero>
<fpage>830</fpage>
<lpage>843</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732015000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732015000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732015000400008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo parte da experiência da autora no Arquivo Nacional das Imagens em Movimento da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, onde tem desenvolvido, desde março de 2012, uma pesquisa sobre o filme turístico português, para refletir sobre a noção do arquivo como um terreno antropológico. Argumenta-se que o modo como se concebe o arquivo tem importantes consequências para o modo como se constrói o objeto. Neste caso, o reposicionamento teórico do arquivo como terreno ou campo conduziu ao questionamento da centralidade, na pesquisa, do filme como imagem-conteúdo, bem como de conceitos como o de “olhar turístico”, que têm vindo a definir e a delimitar o estudo da relação entre turismo e visualidade. Deu também origem a um projeto de investigação, onde estas ideias têm sido testadas e desenvolvidas.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article reports the author’s experience in the National Archive of the Moving Images of the Portuguese Film Museum, where she has been carrying out research on the Portuguese tourism film since March 2012, as a departure point for a reflection on the notion of the archive as an anthropological terrain. It is argued that the way the archive is conceived has important consequences for the way the object is constructed. In this particular case, the theoretical repositioning of the archive as a terrain or field led the author to call into question the centrality of the film as image-content, together with concepts like “tourist gaze”, which have been defining and delimiting the study of the relationship between tourism and visuality. It has also culminated in a research project, in which these ideas have been tested and developed.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[arquivo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[imagens em movimento]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[turismo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[olhar turístico]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[archive]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[moving images]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[tourism]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[tourist gaze]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b>DOSSIÊ - OBJETIVAÇÃO PARTICIPANTE E ESCOLHA DO TERRENO </b></p>


    <p><b>Turismo,
olhares e imagens em movimento: do arquivo como repositório ao arquivo como
campo</b><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>

    <p><b>Tourism, gaze, and moving images: from the archive as
repository to the archive as field</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>
    <p><b>Sofia Sampaio</b>*</p>

    <p>*ISCTE-IUL, Centro em Rede de Investigação em Antropologia, (CRIA-IUL), Av. das Forças Armadas, Ed. ISCTE (sala
2N7, cacifo 237) — 1649-026 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:psrss@iscte.pt">psrss@iscte.pt</a></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>RESUMO</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo parte da experiência da autora no
Arquivo Nacional das Imagens em Movimento da Cinemateca Portuguesa – Museu do
Cinema, onde tem desenvolvido, desde março de 2012, uma pesquisa sobre o filme
turístico português, para refletir sobre a noção do arquivo como um terreno
antropológico. Argumenta-se que o modo como se concebe o arquivo tem
importantes consequências para o modo como se constrói o objeto. Neste caso, o
reposicionamento teórico do arquivo como terreno ou campo conduziu ao
questionamento da centralidade, na pesquisa, do filme como imagem-conteúdo, bem
como de conceitos como o de “olhar turístico”, que têm vindo a definir e a
delimitar o estudo da relação entre turismo e visualidade. Deu também origem a
um projeto de investigação, onde estas ideias têm sido testadas e
desenvolvidas.</p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: arquivo; imagens em movimento;
turismo; olhar turístico.</p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>The article reports the author’s experience in the National
Archive of the Moving Images of the Portuguese Film Museum, where she has been
carrying out research on the Portuguese tourism film since March 2012, as a
departure point for a reflection on the notion of the archive as an
anthropological terrain. It is argued that the way the archive is conceived has
important consequences for the way the object is constructed. In this
particular case, the theoretical repositioning of the archive as a terrain or field
led the author to call into question the centrality of the film as
image-content, together with concepts like “tourist gaze”, which have been
defining and delimiting the study of the relationship between tourism and visuality. It has also culminated in a research project, in
which these ideas have been tested and developed.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
archive; moving images; tourism; tourist gaze.</p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo parte da
minha experiência no Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM) da
Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, onde tenho vindo a desenvolver, desde
março de 2012, uma pesquisa sobre o filme turístico português, para refletir
sobre a noção de arquivo como um terreno antropológico. Não constituindo uma
inovação teórica, como discutirei adiante, esta noção surgiu no
horizonte da pesquisa quando se tornou evidente que as relações que se
estabeleciam <i>in situ</i> – entre mim e o espaço físico e humano do arquivo,
as tecnologias de visionamento e as imagens em movimento – não podiam ser
ignoradas ou consideradas em separado. O reposicionamento teórico do arquivo
como um terreno ou campo – e não como mero repositório de documentos e
conteúdos (na forma de imagens em movimento) – teve importantes repercussões no
modo como o objeto (o filme turístico, o turismo em filmes) veio a ser
construído e abordado, acompanhando o questionamento de conceitos como “olhar
turístico” (Urry, 2002), que têm vindo a definir e a delimitar o estudo da
relação entre turismo e visualidade.</p>

    <p>A importância, ou mesmo primazia, da visão no
turismo tem sido um tema recorrente na literatura sobre turismo: fotografar,
“ver as vistas”, ser visto e fotografado a ver as vistas são aspetos amplamente
associados ao turismo (Sontag, 2008, p. 9; Urry, 2002; Urry, 1992; Adler,
1989). Um dos grandes teóricos e defensores desta primazia, o sociólogo
britânico John Urry, escolheu o ano de 1840 como o ano em que um certo “olhar” se viria a tornar paradigmático da
modernidade: o “olhar turístico” (<i>tourist gaze</i>), resultado da
convergência entre a invenção da fotografia, a criação, por Thomas Cook, do
primeiro pacote de viagens (<i>package tour</i>) e a expansão dos
caminhos-de-ferro na Inglaterra e na Europa (Urry, 2002, pp. 21, 24, 129 e
148).<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> Apesar da clareza (talvez demasiado simplista) deste argumento, cedo
descobri que só muito dificilmente conseguiria conciliar as perguntas que
orientavam a minha pesquisa com este edifício teórico. Tal como fora concebido,
enquanto uma espécie de filtro semiológico, o olhar turístico mostrava-se mais
eficaz a obstruir a visão do que propriamente a potenciá-la, coadjuvá-la ou iluminá-la. Como
poderia, então, mobilizar este conceito para analisar imagens concretas e
olhares definidos, revelados no campo de visão da câmara de filmar? Por outro
lado, o facto de Urry ter como ponto de referência a fotografia e não o cinema
– este surge apenas como um fator exterior, gerador de antecipação no espetador-turista
(2002, pp. 3, 74), e não como um elemento simultaneamente gerador e tributário
de novas formas de perceção – tornava este conceito igualmente de difícil
aplicação na área da imagem
em movimento. A teorização de Urry centra-se sobre o
conceito de “moldura” ou “quadro” (<i>frame</i> – 2002, pp. 90-91); todavia, a
característica definidora do cinema é, precisamente, um desejo permanente de
“ultrapassar os limites da fotografia tradicional e da sua moldura” (<i>frame</i>
– Gunning, 2006, p. 34), que o movimento da câmara, mais do que qualquer outro
dispositivo técnico ou estilístico, consubstancia e preconiza. Por fim, o
conceito de “olhar turístico” corre o risco de desenraizar e desmaterializar a
panóplia de processos e práticas (visuais e de mobilidade) que se desenvolvem
em contextos turísticos ou de viagem (Sampaio, 2013). Qualquer olhar, mesmo o
olhar mecânico que a câmara captou e que nos é provisoriamente devolvido
durante o momento de projeção,
transpira materialidade.
O grande desafio que um
conceito como
o de Urry, apesar de
rejeitar acusações de a-historicidade (1992, p. 184), não
tem conseguido cumprir, é o de materializar e historizar a multiplicidade de
práticas que pretende evocar.</p>

    <p>Estas reflexões, bem como o contacto com o
arquivo da Cinemateca, acabaram por dar origem a um projeto exploratório na
área científica de antropologia, intitulado “Atrás da câmara: práticas de visualidade
e mobilidade no filme turístico português”, que veio a ser financiado por
fundos nacionais através da FCT/MCTES (EXPL/IVC-ANT/1706/2013). Desenvolvido
entre abril de 2014 e setembro de 2015, o projeto pretendeu contribuir para o
conhecimento das práticas turísticas em Portugal entre a primeira República
(1910), frequentemente apontada como “um momento de transformação da actividade
turística em Portugal e, sobretudo, do seu enquadramento político e
institucional” (Vidal, 2014, p. 1014; Lousada e Pires, 2010), e o início da
década de 80, quando o turismo finalmente se tornou uma atividade económica de
relevo (Brito, 2003, p. 705). A perceção do arquivo como um <i>campo</i> foi central na conceção teórica e metodológica desta investigação.
Nomeadamente, possibilitou que se alargasse a pesquisa de um número limitado, e
<i>a priori</i> conhecido, de filmes turísticos para um universo mais fluído de
imagens em movimento que, sob o signo do turismo – entendido também ele de
forma fluída, como “a social field in which many
actors engage in complex interactions across time and space, both physical and
virtual” (Leite e Graburn, 2009, p. 37) – e tendo como denominador comum a
não-ficção e os formatos de curta-metragem, colocava em diálogo materiais pouco
vistos e estudados, tais como documentários utilitários, jornais de atualidades e filmes domésticos e amadores.</p>

    <p>Respondendo ao repto dos editores deste dossiê
para desenvolver um exercício de reflexividade, na primeira pessoa, tendo como
referência a noção de “objetivação participante” de Pierre Bourdieu, o artigo
dá conta do processo de “methodical confrontation with the gritty realities of
the field” (Bourdieu, 2003, p. 282), durante o qual a
investigadora se viu perante modos alternativos de <i>compreender</i> (no
sentido racional e espacial do termo) o arquivo, aos quais teve de reajustar o
objeto da pesquisa, bem como as teorias que tinham estado na base da sua
investigação.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INÍCIOS</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Desde março de 2012 que
me desloco com regularidade ao Arquivo Nacional das Imagens em Movimento, onde
se encontra depositada a maior coleção nacional de imagens em movimento produzidas desde os
primeiros anos do cinema, em Portugal e no estrangeiro. O objetivo é realizar
visionamentos de filmes turísticos portugueses no âmbito de uma investigação mais
vasta sobre turismo e visualidade. Esses dias – os “dias do arquivo”, como gosto de chamar-lhes – começam às 8h30 da manhã no Campo
Grande, em Lisboa, onde nos espera (a mim, a alguns funcionários do ANIM e a
outros investigadores) o pequeno autocarro que nos leva, em cerca de 30
minutos, à quinta da Cinemateca, Chamboeira, Freixial, na região de Bucelas,
onde se localizam os arquivos. Os “dias do arquivo” terminam no final da tarde,
com o regresso ao Campo Grande e a Lisboa. Inicialmente, estas visitas eram
justificadas pela necessidade de ver os filmes da lista produzida, a meu
pedido, pela Cinemateca – filmes esses que, por motivos de conservação, não podem ser
visionados em nenhum outro
sítio. A ida ao arquivo,
por outras palavras,
tinha como único objetivo o visionamento e a análise de <i>filmes</i>,
pouco divergindo do trabalho que estava habituada a fazer em casa e em
videotecas públicas. Enquadrava-se, em suma, no âmbito
dos estudos fílmicos, segundo os quais os filmes são analisados
predominantemente como textos, expressões singulares de estilos autorais e
técnicas cinematográficas ou, de uma forma mais ampla, como discursos que,
pelos seus conteúdos indexicais, suscitam leituras socioculturais, à luz de
conceitos operacionais como “representação” e “ideologia”.<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a></p>

    <p>Pouco ou nada tinha este trabalho que ver com os
usos antropológicos do arquivo, em que o antropólogo recorre ao arquivo antes
do trabalho de campo – por exemplo, para recolher dados que possam contribuir
para um conhecimento mais aprofundado do terreno e do objeto de pesquisa
(Almeida, 2009, p. 49), para sugerir documentos que poderão vir a ser
mobilizados durante as entrevistas – como é o caso de fotografias ou gravações,
usadas junto dos interlocutores como auxiliar de memória ou contraponto de
memórias “oficiais” (ex. Cunha, 2005), ou mesmo como desencadeador da
investigação, quando o arquivo (oficial, pessoal ou etnográfico) revela
documentos que conduzem à formulação de novas perguntas (ex. Bastos, 2014).
Para além de contribuir para o enquadramento histórico da pesquisa, ou mesmo
para dotar o exercício etnográfico de profundidade histórica, o arquivo possui
potencial para definir o terreno da investigação – o “onde”, o “quem”, e até o
“porquê” e o “para quê” da pesquisa, fornecendo
material que se tornará, nas palavras da antropóloga Olívia Maria Gomes da
Cunha, “pretexto para [o] encontro etnográfico” (Cunha, 2005, p. 17). O recurso
ao arquivo pode igualmente surgir no seguimento do trabalho de campo, por
exemplo, para esclarecer aspetos pouco claros que emergiram durante o período
de observação participante e das entrevistas, ou ainda como parte de um diálogo
constante entre campo e arquivo, durante o qual se procuram ultrapassar as
assimetrias entre escrita e oralidade (Mello, 2008).</p>

    <p>A equiparação dos arquivos a um “terreno
antropológico” (Almeida, 2009, p. 48), em que o arquivo passa a ser visto como
um campo ou, na expressão de Cunha, em que “o campo é o arquivo” (Cunha, 2005),
tem emergido como uma outra possibilidade, bastante
produtiva, ainda que por vezes controversa do ponto de vista da disciplina
(Cunha, 2004, pp. 292-293; Frehse, 2005, pp. 134-135). Em vez de um repositório
neutro de documentos tomados como fontes mais ou menos transparentes, o arquivo
passa a surgir aos olhos de antropólogos e historiadores como um terreno
construído, que urge “desnaturalizar” (Castro, 2005) e interpretar, não apenas ao
nível textual, mas (e sobretudo) ao nível contextual,
i.e. ao nível das relações e condições de
produção, que uma “etnografia do arquivo” poderá ajudar a recuperar, explicitar
e esclarecer (Cunha, 2004).<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> Nas palavras de Fraya Frehse, “[a]lém de serem o cenário no interior
do qual o antropólogo se move analiticamente, para realizar a sua investigação,
os arquivos são o próprio foco da análise” (2005, p. 132). Para esta
antropóloga, sendo o único campo de que dispunha na sua pesquisa, o arquivo
mostrou-se essencial na “construção” de informantes – construção essa que
“forjada no contacto com o arquivo, demanda dele sair a fim de para lá
retornar” (2005, p. 136).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A transição de uma abordagem “extrativa” para uma
abordagem “etnográfica” do arquivo (Stoler, 2002, 2009, p. 47) tem-se feito
sentir com particular incidência no âmbito dos arquivos coloniais. Para Stoler
(2009), o arquivo é um campo de forças, no qual o investigador deve imergir, a fim de poder tomar o pulso às “ansiedades
epistémicas” e aos investimentos afetivos que atravessaram e deram forma às
lógicas e aos discursos dos poderes coloniais. No caso específico do arquivo
colonial fotográfico, a restituição à fotografia da sua materialidade e
fisicalidade tem aberto novos caminhos de pesquisa, que valorizam o caráter
mediador do objeto fotográfico, na esteira de Bruno Latour (1993), bem como a
sua agencialidade, na esteira de Alfred Gell (1998). Tais reconceptualizações
têm permitido sustentar
métodos que procuram
traçar a “biografia social” da fotografia-qua-objeto
(Edwards, 2002), muitas vezes com recurso à história oral (Porto, 2001), e
analisar a forma como os diversos suportes plásticos e presentacionais da
fotografia se relacionam com modalidades de ver, sentir e consumir as imagens
(Edwards, 2002).</p>

    <p>Os objetivos iniciais da minha pesquisa (que
começou por se focar num número reduzido, e <i>a priori</i> definido, de
filmes) estavam longe de contemplar este tipo de reflexão teórica ou relação
com o arquivo. Não me escapou, todavia, o
paralelismo entre as deslocações à quinta de Bucelas e a “saída para o campo”
que, na maior parte das vezes, implica o afastamento do antropólogo do seu
espaço habitual para um espaço concebido como periférico e diferente ou, no
limite, exótico, não-moderno e não-coevo (Fabian,
1983).<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> Ainda que de um modo menos intenso, também a minha experiência do
arquivo se foi impondo cada vez mais como uma experiência de liminaridade,
caracterizada pela rutura momentânea com o familiar e pela entrada (também ela
momentânea) num espaço-tempo “outro”, de relativa suspensão e alheamento.</p>

    <p>Na semipenumbra da sala de visionamentos, o estado de solidão, de remoção das relações habituais, de quebra
com o quotidiano e o presente pareciam ser a condição <i>sine qua non</i>
do “ver filmes”. Era como se a qualidade de “desancoragem”, que tem dominado os
estudos visuais centrados na imagem, se estendesse também à investigadora, cujo
ato visionador decorria em igual estado de flutuante abstração. Este “contexto de descontextualização”
(permitam-me o oximoro) ou “descontexto”, trazia
consigo implicações teóricas e conceptuais importantes. Apesar de se restringir
a um ato individual, a sala de visionamentos parecia reproduzir a experiência
do ver filmes numa sala de cinema escura e em silêncio, propiciando a postura
crítica típica dos estudos fílmicos (de resto, associada a esta prática de
visionamento) que enfatiza o caráter visual da experiência cinematográfica
(focada na imagem-conteúdo), ao mesmo tempo que
suprime no espetador os elementos corporais e sociais envolventes [<a href="#f1">Figura 1</a>].
Isto é, o contexto de visionamento mostrava-se aparentemente favorável a uma
postura académica centrada no “facto fílmico”, por oposição ao “facto
cinematográfico” (Jay, 1993, p. 464), na qual o espetador – concebido como um
espetador “desencarnado” ou “incorpóreo” (Crang, 1997, p. 364) – discretamente
se remete para a sombra do ecrã, tornando-se num mero “olho”.<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a></p>


    <p><b>&nbsp;</b></p>
<a name="f1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n217/n217a08f1.jpg"></p>
    
<p><b>&nbsp;</b></p>


    <p><b>ALTERNATIVAS</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Não obstante estes condicionamentos, o contexto de visionamento que o
ANIM me proporcionava viria a sugerir abordagens alternativas. Se a deslocação
aos arquivos constituía, até certo ponto, uma deslocação epistemológica que,
transportando-me para um tempo e um espaço “outros”, se mostrava propiciadora
de um conhecimento desancorado e desencarnado (<i>disembedded</i> e <i>disembodied</i>),
o facto de se tratar também de uma deslocação <i>física</i> dificilmente podia
ser ignorado. Aspetos como a viagem de autocarro, a adaptação a um novo espaço
(frequentemente frio e com o desconforto próprio dos lugares de passagem), a
breve socialização na sala das refeições, em volta das marmitas preparadas em
casa ou da máquina de café, as longas horas frente ao ecrã e a urgência imposta,
no final do dia, para terminar os visionamentos a tempo de apanhar o autocarro
de regresso tornavam mais do que evidentes os elementos de fisicalidade
envolvidos, conduzindo a processos de “re-corporização” e “re-ancoragem”.</p>

    <p>Por outro lado, o contacto com um arquivo de
imagens em movimento que se debate diariamente pela preservação e conservação
de materiais que a inexorável passagem do tempo aliada à escassez de recursos
humanos e financeiros parece querer condenar ao desaparecimento, tornou o meu
confronto com a materialidade dos filmes ainda mais premente. Ainda que o
enfoque inicial da análise pretendesse ser a imagem-conteúdo, tornava-se cada
vez mais difícil ignorar a materialidade dos filmes, nomeadamente sempre que a
lista de fitas que me propunha ver (resultado de pesquisas bibliográficas
minhas) se via drasticamente reduzida, face à inexistência de cópias dos filmes
sinalizados ou das condições para serem visionados.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A “viragem
materialista” que, como vimos, se vem fazendo sentir
na área da fotografia pelo menos desde finais da década de 1990, tem sido mais
lenta na área da imagem em movimento, cuja organização em arquivos e respetiva
abertura a um público académico tem sido significativamente mais morosa
(Elsaesser, 2009). Ao contrário da fotografia – em que a imagem e o suporte
material são tradicionalmente indissociáveis (ao ponto de poderem ser referidos
pelo mesmo nome) – o filme precisa de ser projetado
para se tornar “presente” (Edwards e Hart, 2004, p. 9), i.e. precisa de
ser “cinema”, para poder ser visto como imagem em movimento e não como uma
série de fotogramas isolados. Deste modo, a “revelação” de um filme (no sentido
também fotográfico) é feita a cada visionamento, dependendo de técnicas e
equipamentos adequados que lhe conferem uma presença e uma tangibilidade apenas
temporárias.<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>Talvez por esta razão, os arquivos de imagens em movimento tenham sido
pouco dados a abordagens antropológicas – sejam elas de cariz “extrativo” ou
“etnográfico”.<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> A necessidade de integrar e aprofundar métodos e sensibilidades
antropológicas na minha pesquisa sobre o filme turístico português decorreu,
por isso, de uma forma gradual e algo improvisada.</p>

    <p>A minha introdução aos arquivos da imagem em
movimento ocorreu no âmbito de uma investigação sobre as práticas turísticas em
Portugal entre 1910 e 1980, tendo como fonte primária o filme turístico
português, entendido como um documentário resultante de uma encomenda, cujo
objetivo principal é a promoção
turística de determinado lugar ou região. Uma das questões que se me colocavam
era tentar perceber a relação entre estes filmes e os filmes de viagem – um dos
géneros de cinema mais antigos e apreciados (Musser, 1984). A lista que a
Cinemateca inicialmente me facultou depressa extravasou para outros filmes,
encontrados ao acaso nas cassetes VHS dos filmes
sinalizados. Extravasou também para outros temas (ex. termas, praias,
excursões), géneros (aos filmes de
promoção turística juntaram-se os filmes de atualidades e
os filmes amadores e domésticos) e ângulos de análise (do filme como conteúdo
para o filme como prática e objeto em circulação), deixando entrever os
contornos de um <i>campo</i> de <i>relações</i> (textuais, temáticas,
profissionais, artísticas e de públicos) que não tem parado de crescer e de se
redefinir.</p>

    <p>Na base do meu interesse inicial por estes filmes
de não-ficção estava a sua indexicalidade – i.e. a capacidade de os filmes registarem
lugares, corpos, objetos, práticas, movimentos e sons – uma
indexicalidade que é particularmente saliente quando se trata de filmes de não-ficção. Uma outra questão prendia-se com a tentativa de objetivizar, através de imagens gravadas (e,
consequentemente, da mediação da câmara), o cruzamento entre práticas visuais e
práticas turísticas. Ora, uma das vantagens das tecnologias visuais é,
precisamente, a capacidade que têm de “objetificar” e “objetivizar” (frequentemente,
através de uma <i>objetiva</i>) as várias práticas visuais que nos rodeiam e
com as quais nos implicamos. Isto é, a capacidade que têm de nos ajudar a ver,
não apenas o que o olho humano tem dificuldades em ver – muito à maneira do uso
que Eadwearde Muybridge (1830-1904) fez da (crono)fotografia
para estudar a locomoção animal – mas também os meandros e as limitações do
próprio ato de <i>ver</i>.<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> No caso das minhas visitas ao ANIM, o caráter pouco comum das
tecnologias de visionamento (sobretudo a mesa de visionamentos ou moviola)
[<a href="#f1">Figura 2</a>] tornava-as mais conspícuas, mostrando serem essenciais (também pelo
uso a que se prestavam) quer para o tipo de relação que se estabelecia entre
mim e as imagens quer, de forma mais geral, para o processo de “observação da
observação” (Crang, 1997, p. 362) que uma pesquisa centrada nas práticas
turísticas (e) visuais necessariamente pressupunha. Com efeito, a contínua
manipulação quer da moviola quer do leitor de vídeo através dos comandos
“play”, “pause”, “fast rewind” e “fast forward”, sem os quais não me seria
possível tirar notas, tornava difícil separar o ato de ver das tecnologias
(Crang, 1997). Estas não
só produziam
um efeito de objetivação das
práticas de visionamento, como permitiam a re-conexão do ótico ao háptico, i.e. das imagens que apareciam no ecrã com a
manipulação (tátil) dos vários
dispositivos de visionamento, contrariando a já referida disposição
teórico-crítica para a desancoragem das imagens e a desencarnação do espetador
[<a href="#f3">Figura 3</a>]. Por último, e não menos importante, a minha relação com as
tecnologias de visionamento acabou por sugerir, com cada vez mais firmeza, a
hipótese de que a relação entre cinegrafistas, tecnologias, imagens, objetos,
práticas e lugares também teria ocupado um lugar de relevo <i>no momento da
produção dos filmes</i>.</p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>
<a name="f2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n217/n217a08f2.jpg"></p>
    
<p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>
<a name="f3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n217/n217a08f3.jpg"></p>
    
<p><b>&nbsp;</b></p>


    <p>A necessidade de explorar estas relações, de
desenterrar as práticas de mobilidade e visualidade, cinematográficas e
turísticas, que estiveram na ­origem destes filmes, com vista a estabelecer o
papel que umas tiveram na formação das outras, conduziu à elaboração de um
projeto de investigação, que veio a realizar-se entre abril de 2014 e setembro
de 2015. Com o auxílio de recursos humanos e financeiros mais amplos, e com o
apoio de uma equipa multidisciplinar,<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> o projeto permitiu-nos levar a cabo duas tarefas principais. Por um
lado, conseguimos identificar os filmes que, no acervo do ANIM, e com base numa
lista de descritores previamente definidos, considerámos como turísticos, “prototurísticos” ou, de algum modo,
relacionados com o turismo. A justaposição de filmes
diversos – filmes “oficiais” (incluindo jornais de
atualidades), feitos sob a chancela do Estado Novo, através de órgãos como o
Secretariado de Propaganda Nacional (1933-1944), o Secretariado Nacional de
Informação (1945-1968), a Agência Geral das Colónias (1924-1951) e a Agência
Geral do Ultramar (1951-1974) ; filmes “independentes”
ou “comerciais”, feitos por privados, tais como Ricardo Malheiro, Perdigão
Queiroga ou Francisco de Castro<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>; e filmes etnográficos, de expedição e amadores – permitiu-nos obter
uma visão mais nítida das práticas (proto)turísticas do período em causa, bem
como da sua articulação com os discursos e as práticas cinematográficas e de
poder (Sampaio, 2014b). A fim de obter um corte diacrónico mais completo,
acabámos por recuar até ao início do cinema (1896), finalizando (por
constrangimentos de tempo) no ano de 1977.<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> O facto de se tratar de um arquivo que segue, desde as suas origens,
uma lógica nacional – a lógica de uma “cinemateca portuguesa” (Baptista, 2011)
– teve a vantagem de nos equipar com um ponto de vista territorialmente e
historicamente localizado que conferiu uma certa
unidade a um <i>corpus</i> numeroso e heterogéneo.<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> Mais do que uma genealogia perdida do filme turístico, interessou-nos
recuperar, na esteira da proposta de Thomas Elsaesser de uma “arqueologia dos <i>media</i>”,
as “histórias paralelas ou paraláticas” (Elsaesser, 2009, p. 28) de práticas
turísticas e cinematográficas entretanto esquecidas ou secundarizadas. A
segunda tarefa, levada a cabo conjuntamente com a primeira, consistiu na
realização de entrevistas semiestruturadas a realizadores e técnicos que
trabalharam em alguns dos filmes visionados, desse modo interligando o trabalho
do arquivo com o “fora do arquivo” e levando mais longe o conceito de
“etnografia do arquivo”.<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>&nbsp;</sup></p>

    <p><b>CONCLUSÃO: PARA ALÉM
DO ARQUIVO, ATRÁS DA CÂMARA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O recurso ao arquivo – e
a escolha de um arquivo de imagem em movimento, sendo este um estudo sobre o
turismo, não foi aleatório – aliado a uma conceptualização do arquivo como um
terreno <i>vivo</i> (i.e. em
permanente crescimento e recomposição) e <i>vivenciado</i> (i.e. mediado por subjetividades e fisicalidades) permitiu, na primeira
fase da minha investigação, trazer a lume não apenas o caráter “corpóreo” da
investigadora/ visionadora e o caráter material e “ancorado” das imagens, mas
também intuir a presença de idênticas materialidades e corporalidades que
haviam estado ativas durante o processo de produção dos filmes visionados. Com
efeito, no “corpo a corpo com o arquivo” (Frehese, 2005, p. 136), confrontei-me
com a ausência de informação sobre as práticas turísticas e
cinematográficas que se teriam desenvolvido na fase de captac&#807;ão das imagens, das quais estas pareciam constituir o último
vestígio.
De que forma é que as práticas cinematográficas dos vários agentes de produção
(operadores de câmara, realizadores, técnicos de som e de imagem) infletiram as
práticas turísticas visualmente representadas nestes filmes tornou-se uma
pergunta cada vez mais importante, bem longe das questões de representação e
indexicalidade que inicialmente orientavam a investigação. A resposta tem sido
procurada no espaço entre o arquivo e o “fora do arquivo” – remetendo este último para a realização de entrevistas a realizadores e técnicos que participaram
na produção de alguns dos filmes visionados, bem
como para o recurso a outros arquivos (públicos e privados – audiovisuais,
visuais e escritos), e a outras fontes (cartazes, postais, revistas, guias,
etc.) – num trabalho de permanente inquirição, reflexividade e reavaliação
teórica e metodológica, possibilitado, em larga medida, pelo conhecimento
cumulativo do arquivo em causa e dos seus filmes. Assim se tem desenhado um
vasto e dinâmico campo de relações, de que esperamos poder dar conta através da
realização de alguns estudos de caso, em investigações futuras.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <!-- ref --><p>ADLER,
J. (1989), “Origins of sightseeing”. <i>Annals of Tourism Research</i>,
16 (1), pp. 7-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074561&pid=S0003-2573201500040000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ALMEIDA,
S.V. de (2009), <i>Camponeses, Cultura e
Revolução: Campanhas de Dinamização Cultural e Acção
Cívica do M.</i><i></i><i>F.</i><i></i><i>A. (1974-1975)</i>, Lisboa, Colibri e IELT – Instituto
de Estudos de Literatura Tradicional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074563&pid=S0003-2573201500040000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BAPTISTA,
T. (2011), “Os cofres do Palácio Foz: a primeira estrutura de conservação
cinematográfica da Cinemateca”. <i>Monumentos</i>, 32, pp. 162-167.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074565&pid=S0003-2573201500040000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BASTOS,
C. (2014), “‘No género de construcões cafreais’: o
hospital-palhota como projecto colonial”. <i>Etnográfica</i>, 18 (1), pp.
185-208.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074567&pid=S0003-2573201500040000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>BAUDRY, J.L.
(1975), “Ideological
effects of the basic cinematographic apparatus”, A. Williams (trans.). <i>Film
Quarterly</i>, 28 (2), pp. 39-47.</p>

    <!-- ref --><p>BOURDIEU, P. (2003), “Participant objectivation”.
<i>Journal of the Royal Anthropological Institute</i>, 9 (2), pp. 281-294.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074570&pid=S0003-2573201500040000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BRITO, S.P.
(2003), <i>Notas sobre a Evolução do Viajar e a Formação do Turismo</i>, vol.
2, Lisboa, Media Livros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074572&pid=S0003-2573201500040000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CASTRO,
C. (2005), “A trajetória de um arquivo histórico: reflexões a partir da
documentação do conselho de fiscalização das expedições artísticas e
científicas no Brasil”. <i>Estudos</i><i> Históricos</i>, 36, pp. 33-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074574&pid=S0003-2573201500040000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CROUCH, D., JACKSON, R., THOMPSON, F. (2005), <i>The</i><i> Media and the Tourist Imagination: Converging
Cultures</i>, Londres, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074576&pid=S0003-2573201500040000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CUNHA, O.M.G. (2004), “Tempo imperfeito: uma etnografia do arquivo”. <i>Mana</i>, 10 (2), pp. 287-322.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074578&pid=S0003-2573201500040000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CUNHA, O.M.G.
(2005), “Do ponto
de vista de quem? Diálogos,
olhares e etnografias dos/nos arquivos”.
<i>Estudos Históricos</i>, 36, pp. 7-32. <a
href="http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/issue/view/303" target="_blank">http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/issue/view/303<a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074580&pid=S0003-2573201500040000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CRANG, M. (1997), “Picturing practices: research
through the tourist gaze”. <i>Progress in Human Geography</i>, 21 (3), pp.
359-373.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074582&pid=S0003-2573201500040000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>EDWARDS, E. (2002), “Material beings: objecthood and ethnographic photographs”. <i>Visual Studies</i>,
17 (1), pp. 67-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074584&pid=S0003-2573201500040000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>EDWARDS, E., HART, J. (2004), <i>Photographs Objects
Histories: on the Materiality of Images</i>, ­Londres
e Nova Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074586&pid=S0003-2573201500040000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ELSAESSER, T. (2009), “Archives and archaeologies: the
place of non-fiction film in contemporary media”. <i>In</i> V. Hediger, P. Vonderau (eds), <i>Films that Work:
Industrial Film and the Productivity of Media,</i> Amesterdão,
Amsterdam University Press, pp. 19-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074588&pid=S0003-2573201500040000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>FABIAN, J. (1983), <i>Time and the Other: How Anthropology
Makes its Object</i>, Nova Iorque, ­Columbia
University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074590&pid=S0003-2573201500040000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>FREHSE,
F. (2005), “Os informantes que jornais e fotografias revelam – para uma
etnografia da civilidade nas ruas do passado”. <i>Estudos</i><i> Históricos</i>, 36, pp. 131-156.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074592&pid=S0003-2573201500040000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GELL, A. (1998), <i>Art and Agency: An Anthropological
Theory</i>, Oxford, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074594&pid=S0003-2573201500040000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GRACY, K. F. (2004), “Documenting communities of
practice: making the case for archival ethnography”. <i>Archival Science</i>, 4
(3-4), pp. 335-365.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074596&pid=S0003-2573201500040000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GUNNING, T. (2003), “Never seen this picture before:
Muybridge in multiplicity”. <i>In</i> P. Prodger
(ed.), <i>Time Stands Still: Muybridge and the Instantaneous Photography
Movement</i>, Oxford, Oxford University Press, pp. 222-272.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074598&pid=S0003-2573201500040000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GUNNING, T. (2006), “The whole
world within reach: travel images without borders”. <i>In</i> J. Ruoff (ed.), <i>Virtual Voyages: Cinema and Travel</i>,
Durham e Londres, Duke University Press, pp. 25-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074600&pid=S0003-2573201500040000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>HINE, C. (ed.) (2005), <i>Virtual</i><i>
Methods: Issues in Social Research on the Internet</i>, Oxford e Nova Iorque, Berg.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074602&pid=S0003-2573201500040000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>HINE, C. (2000), <i>Virtual Ethnography</i>, Londres, Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074604&pid=S0003-2573201500040000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>JAY, M. (1993), <i>Downcast Eyes: The Denigration of
Vision in Twentieth Century French Thought</i>, Berkeley, California University
Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074606&pid=S0003-2573201500040000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>LATOUR, B. (1993), <i>We Have Never Been Modern</i>,
Cambridge, Massachusetts, Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074608&pid=S0003-2573201500040000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>LOUSADA,
M.A., PIRES, A.P. (2010), <i>Viajar. Viajantes e
Turistas à Descoberta de Portugal no Tempo da I República</i>, Lisboa, Comissão
Nacional para as Comemorações do Centenário da República e Turismo de Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074610&pid=S0003-2573201500040000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>MELLO,
M.M. (2008), “Mutações de olhar: as vias de diálogo entre
o campo e o arquivo”. <i>Sociedade e Cultura</i>, 11(1), pp. 41-49. 
<a
href="http://www.revistas.ufg.br/index.php/fchf/article/view/4471" target="_blank">http://www.revistas.ufg.br/index.php/fchf/article/view/4471</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074612&pid=S0003-2573201500040000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MILLER, T., STAM, R. (2004), <i>A
Companion to Film Theory</i>, Oxford, Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074614&pid=S0003-2573201500040000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>MUSSER, C. (1990) [1984], “The travel genre in
1903-1904: moving towards fictional narrative”. <i>In</i> T. Elsaesser (eds.), <i>Early Cinema: Space, Frame, and
Narrative</i>, Londres, British Film Institute, pp.
123-132.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074616&pid=S0003-2573201500040000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>PORTO, N. (2001), “Picturing the museum: photography
and the work of mediation in the third Portuguese empire”. <i>In</i> M. Bouquet
(ed.), <i>Academic Anthropology and the Museum: Back to the Future</i>, Nova Iorque e Oxford, Berghahn, pp.
36-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074618&pid=S0003-2573201500040000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SAMPAIO,
S. (2013), “Estudar o turismo hoje: para uma revisão crítica dos
estudos de turismo”. <i>Etnográfica</i>, 17 (1), pp.
167-182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074620&pid=S0003-2573201500040000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SAMPAIO, S. (2014a), “Watching narratives of
travel-as-transformation in The Beach and The Motorcycle Diaries”. <i>Journal</i><i> of Tourism and Cultural Change</i>,
12 (2), pp. 184-199.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074622&pid=S0003-2573201500040000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SAMPAIO,
S. (2014b), “O filme turístico em Portugal: 1930-1949”. <i>In</i> P. Cunha e S.D. Branco (eds.),
<i>Atas do III Encontro Anual da AIM</i>, Coimbra, AIM, pp. 416-430.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074624&pid=S0003-2573201500040000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SASSOON, J. (2004), “Photographic materiality in the
age of digital reproduction”. <i>In</i> E. Edwards e
J. Hart (eds.), <i>Photographs Objects Histories: on the Materiality of Images</i>,
Londres e Nova Iorque,
Routledge, pp. 186-202.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074626&pid=S0003-2573201500040000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SONTAG, S. (2008) [1977], <i>On Photography</i>, Londres, Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074628&pid=S0003-2573201500040000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>STOLER, A.L.
(2002), “Colonial
archives and the arts of governance”. <i>Archival
Science</i>, 2, pp. 87-109.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074630&pid=S0003-2573201500040000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>STOLER, A.L.
(2009), <i>Along the Archival Grain: Epistemic Anxieties and Colonial Common
Sense</i>, Princeton e Oxford, Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074632&pid=S0003-2573201500040000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>URRY, J. (2002) [1990], <i>The</i><i>
Tourist Gaze</i> (2.ª ed.), Londres, Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074634&pid=S0003-2573201500040000800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>URRY, J. (1992), “The tourist gaze revisited”. <i>American Behavioral
Scientist</i>,
36 (2), pp. 172-186.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074636&pid=S0003-2573201500040000800039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>VIDAL, F.
(2014), “Turismo”. <i>In</i> M.F. Rollo (ed.), <i>Dicionário de
História da I República e do Republicanismo</i>, Lisboa, Assembleia da
República, pp. 1014-1017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=074638&pid=S0003-2573201500040000800040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Recebido a 03-09-2014. Aceite para publicação a
10-10-2015.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>Este artigo contou com o
apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, através do projeto
exploratório “Atrás da câmara: práticas de visualidade e mobilidade no filme
turístico português” (EXPL/IVC-ANT/1706/2013). Agradeço ao Humberto Martins, ao
Paulo Mendes e aos colegas da sessão “Objetivação Participante e a Escolha do
Terreno”, que teve lugar no V Congresso da APA, em setembro de 2013, pelos
comentários à primeira versão deste artigo. Agradeço também à
Sara Moreira, ao Luís Gameiro e ao Rui Machado pelo incansável e precioso apoio
prestado no ANIM. Por fim, são devidos agradecimentos aos
dois <i>referees</i> da revista <i>Análise Social</i>, cujas sugestões tornaram
o presente artigo mais claro e rigoroso.</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>É certo que Urry tentou
corrigir a marginalização dos outros sentidos que a sua teoria fazia pressupor;
no entanto, mesmo quando o faz, é perentório, “within tourism the organising
sense within the typical tourist experience is visual” (2002, p. 146).</p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>Para uma visão mais
completa do tipo de abordagens que os estudos fílmicos têm vindo a desenvolver,
veja-se Miller e Stam (2004).</p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>Este tipo de etnografia
distingue-se da etnografia como método de pesquisa arquivística, ou “archival
ethnography” (Gracy, 2004), que toma os diversos agentes do arquivo e o
trabalho desenvolvido por estes – na criação de registos, na preservação e
gestão de documentos – como objeto de pesquisa, a fim de relacionar a
construção social de significados e conceitos nesta área com as diversas
“communities of practice” (Gracy, 2004).</p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>Uma exceção a este tipo de
representação do trabalho antropológico é a recente prática de “etnografia <i>online</i>”
ou “etnografia virtual” (Hine, 2000 e 2005), com todas as vantagens e
desvantagens que comporta (cf. Sampaio, 2014a, pp. 185-186).</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>Esta postura “desancorada”
e “desencarnada” estaria também em sintonia com um olhar académico, idealmente
concebido como distante, desinteressado e objetivo (Crang, 1997, pp. 369-370).
A tradução, neste artigo, de termos como <i>frame</i>, <i>(dis)embedded</i>, <i>(dis)embeddedness</i>, <i>re-embedded</i>
e <i>disembodied</i> por, respetivamente, “moldura”, “(des)ancorado”,
“(des)ancoragem”, “re-ancorado”, e “desencarnado” ou “incorpóreo” é da minha
inteira responsabilidade.</p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup>Deixo de fora a questão do
digital, que veio introduzir alterações na forma como vemos e concebemos a
fotografia (Sassoon, 2004) e o filme, bem como na forma como os arquivos de
imagens fixas e em movimento, apesar das diferentes reações aos novos formatos,
passaram a desenvolver o seu trabalho de preservação, conservação e acesso.</p>

    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>O uso de imagens em
movimento como “pretexto para o encontro etnográfico” (Cunha, 2005, p. 17) e
auxiliar de memória dos interlocutores (à imagem do que se tem feito com a
fotografia), apresenta dificuldades de implementação e
resultados aquém do desejado. Foi o que constatámos numa das entrevistas do
projeto, em que introduzimos este recurso.</p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup>Veja-se, a este respeito o
artigo de Tom Gunning (2003) sobre Muybridge, que sugere uma relação mais
complexa entre este “fotógrafo-cientista-artista”’ e a questão da “objetividade
mecânica”.</p>

    <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup>Atravessando áreas
disciplinares como a antropologia, a história, a sociologia e os estudos de
cinema.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup>A dimensão reduzida do campo
cinematográfico português faz com que as diferenças entre os primeiros e os
segundos sejam, por vezes, negligenciáveis, uma vez
que os mesmos técnicos e cineastas podiam exercer funções nos dois circuitos,
que frequentemente se sobrepunham.</p>

    <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup>Durante 12 meses, com base
numa lista de palavras-chave, um bolseiro de investigação fez um levantamento
dos filmes do ANIM relacionados com o turismo. Ao todo, foram verificados 7646
filmes (i.e. 93,69% da base de
dados do ANIM), sendo que 4130 (54,02%) foram selecionados. Destes, 2448 estão
disponíveis para visionamento, mas só cerca de trezentos foram ainda visionados
pelos membros da equipa.</p>

    <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup>Sendo que o <i>corpus</i> em
si, desta forma obtido, não deixa de colocar em
evidência as descontinuidades territoriais e históricas (senão mesmo
ideológicas) que subjazem a lógica nacional – nomeadamente, no que diz respeito
aos territórios colonizados. A relação entre o turismo e o colonialismo
revelou-se, aliás, uma linha de investigação bastante profícua, que tem merecido
a atenção de alguns investigadores do projeto, incluindo a autora.</p>

    <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup>Até ao momento, realizámos
nove entrevistas, que foram filmadas e editadas por um segundo bolseiro de
investigação. Entre as dificuldades na execução desta tarefa, destaque-se a
impossibilidade de entrevistar (por motivos de morte ou doença) uma grande
parte de realizadores e técnicos que nos interessavam.</p>




     ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ADLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Origins of sightseeing]]></article-title>
<source><![CDATA[Annals of Tourism Research]]></source>
<year>1989</year>
<volume>16</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>7-29</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ALMEIDA]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.V. de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Camponeses, Cultura e Revolução: Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do M.F.A. (1974-1975)]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Colibri e IELT - Instituto de Estudos de Literatura Tradicional]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAPTISTA]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os cofres do Palácio Foz: a primeira estrutura de conservação cinematográfica da Cinemateca]]></article-title>
<source><![CDATA[Monumentos]]></source>
<year>2011</year>
<volume>32</volume>
<page-range>162-167</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BASTOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[No género de construcões cafreais: o hospital-palhota como projecto colonial]]></article-title>
<source><![CDATA[Etnográfica]]></source>
<year>2014</year>
<volume>18</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>185-208</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BAUDRY]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ideological effects of the basic cinematographic apparatus]]></article-title>
<source><![CDATA[Film Quarterly]]></source>
<year>1975</year>
<volume>28</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>39-47</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOURDIEU]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Journal of the Royal Anthropological Institute]]></source>
<year>2003</year>
<volume>9</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>281-294</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRITO]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Notas sobre a Evolução do Viajar e a Formação do Turismo]]></source>
<year>2003</year>
<volume>2</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Media Livros]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A trajetória de um arquivo histórico: reflexões a partir da documentação do conselho de fiscalização das expedições artísticas e científicas no Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Históricos]]></source>
<year>2005</year>
<volume>36</volume>
<page-range>33-42</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CROUCH]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[JACKSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[THOMPSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Media and the Tourist Imagination: Converging Cultures]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CUNHA]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.M.G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tempo imperfeito: uma etnografia do arquivo]]></article-title>
<source><![CDATA[Mana]]></source>
<year>2004</year>
<volume>10</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>287-322</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CUNHA]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.M.G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do ponto de vista de quem?: Diálogos, olhares e etnografias dos/nos arquivos]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Históricos]]></source>
<year>2005</year>
<volume>36</volume>
<page-range>7-32</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CRANG]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Picturing practices: research through the tourist gaze]]></article-title>
<source><![CDATA[Progress in Human Geography]]></source>
<year>1997</year>
<volume>21</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>359-373</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[EDWARDS]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Material beings: objecthood and ethnographic photographs]]></article-title>
<source><![CDATA[Visual Studies]]></source>
<year>2002</year>
<volume>17</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>67-75</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[EDWARDS]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[HART]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Photographs Objects Histories: on the Materiality of Images]]></source>
<year></year>
<page-range>2004</page-range><publisher-loc><![CDATA[­LondresNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ELSAESSER]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Archives and archaeologies: the place of non-fiction film in contemporary media]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Hediger]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vonderau]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Films that Work: Industrial Film and the Productivity of Media]]></source>
<year>2009</year>
<page-range>19-34</page-range><publisher-loc><![CDATA[Amesterdão ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Amsterdam University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FABIAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Time and the Other: How Anthropology Makes its Object]]></source>
<year>1983</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[­Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FREHSE]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os informantes que jornais e fotografias revelam: para uma etnografia da civilidade nas ruas do passado]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Históricos]]></source>
<year>2005</year>
<volume>36</volume>
<page-range>131-156</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Art and Agency: An Anthropological Theory]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GRACY]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Documenting communities of practice: making the case for archival ethnography]]></article-title>
<source><![CDATA[Archival Science]]></source>
<year>2004</year>
<volume>4</volume>
<numero>3-4</numero>
<issue>3-4</issue>
<page-range>335-365</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GUNNING]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Never seen this picture before: Muybridge in multiplicity]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Prodger]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Time Stands Still: Muybridge and the Instantaneous Photography Movement]]></source>
<year>2003</year>
<page-range>222-272</page-range><publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GUNNING]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The whole world within reach: travel images without borders]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Ruoff]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Virtual Voyages: Cinema and Travel]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>25-41</page-range><publisher-loc><![CDATA[DurhamLondres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Duke University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HINE]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Virtual Methods: Issues in Social Research on the Internet]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[OxfordNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Berg]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HINE]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Virtual Ethnography]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JAY]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Downcast Eyes: The Denigration of Vision in Twentieth Century French Thought]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Berkeley ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[California University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LATOUR]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[We Have Never Been Modern]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[CambridgeMassachusetts ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Harvard University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LOUSADA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PIRES]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Viajar: Viajantes e Turistas à Descoberta de Portugal no Tempo da I República]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e Turismo de Portugal]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MELLO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mutações de olhar: as vias de diálogo entre o campo e o arquivo]]></article-title>
<source><![CDATA[Sociedade e Cultura]]></source>
<year>2008</year>
<volume>11</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>41-49</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MILLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[STAM]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Companion to Film Theory]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Blackwell]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MUSSER]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The travel genre in 1903-1904: moving towards fictional narrative]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Elsaesser]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Early Cinema: Space, Frame, and Narrative]]></source>
<year>1990</year>
<month>19</month>
<day>84</day>
<page-range>123-132</page-range><publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[British Film Institute]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PORTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="enen"><![CDATA[Picturing the museumphotography and the work of mediation in the third Portuguese empire]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Bouquet]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Academic Anthropology and the Museum: Back to the Future]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>36-54</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova IorqueOxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Berghahn]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SAMPAIO]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudar o turismo hoje: para uma revisão crítica dos estudos de turismo]]></article-title>
<source><![CDATA[Etnográfica]]></source>
<year>2013</year>
<volume>17</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>167-182</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SAMPAIO]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Watching narratives of travel-as-transformation in The Beach and The Motorcycle Diaries]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Tourism and Cultural Change]]></source>
<year>2014</year>
<volume>12</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>184-199</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SAMPAIO]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O filme turístico em Portugal: 1930-1949]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Cunha]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Branco]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Atas do III Encontro Anual da AIM]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>416-430</page-range><publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[AIM]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SASSOON]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Photographic materiality in the age of digital reproduction]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Edwards]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hart]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Photographs Objects Histories: on the Materiality of Images]]></source>
<year>2004</year>
<page-range>186-202</page-range><publisher-loc><![CDATA[LondresNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SONTAG]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[On Photography]]></source>
<year>2008</year>
<month>19</month>
<day>77</day>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Penguin Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[STOLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Colonial archives and the arts of governance]]></article-title>
<source><![CDATA[Archival Science]]></source>
<year>2002</year>
<volume>2</volume>
<page-range>87-109</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[STOLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Along the Archival Grain: Epistemic Anxieties and Colonial Common Sense]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[PrincetonOxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[URRY]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Tourist Gaze]]></source>
<year>2002</year>
<month>19</month>
<day>90</day>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[URRY]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The tourist gaze revisited]]></article-title>
<source><![CDATA[American Behavioral Scientist]]></source>
<year>1992</year>
<volume>36</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>172-186</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VIDAL]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Turismo]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Rollo]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dicionário de História da I República e do Republicanismo]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>1014-1017</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Assembleia da República]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
