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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Evolução da fecundidade em Portugal: uma perspetiva sobre a diversidade regional]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Aveiro Departamento de Ciências Sociais, Politicas e do Território Unidade de Investigação GOVCOPP]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper analyzes the fertility trends based on a spatial approach. The application of theMoran’s Indexrevealed the presence of a spatial dependence phenomenon, i.e. an auto-correlation inherent to the heterogeneous behavior of fertility throughout the Portuguese territory. Given the changing pattern, a bivariate analysis was made to identify the socio-economic factors that might be associated with it.Through the use of a regression model it was possible to find that the factors explaining the evolution of fertility have changed over time, reflecting the cultural, social,and economic transformations of the Portuguese society.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[autocorrelação espacial]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[padrões de evolução da fecundidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[diversidade regional da fecundidade]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[fertility evolution patterns]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[fertility regional diversity]]></kwd>
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</article-meta>
</front><body><![CDATA[  

     <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>

    <p><b>Evolução da fecundidade em Portugal: uma
perspetiva sobre a diversidade regional</b></p>
    <p><b>Fertility
trends in Portugal: a regional diversity approach</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Maria Cristina Sousa Gomes</b>, <b>Carlos Jorge Silva</b>, <b>Eduardo Anselmo de Castro</b> e <b>João Lourenço Marques</b> </p>

    <p>*Universidade de Aveiro, Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território,  
Unidade de Investigação GOVCOPP, Campus de Santiago, 3800-193 Aveiro, Portugal. E-mails: <a href="mailto:mcgomes@ua.pt">mcgomes@ua.pt</a>,
<a href="mailto:carlosjorge@ua.pt">carlosjorge@ua.pt</a>, <a href="mailto:ecastro@ua.pt">ecastro@ua.pt</a> 
e <a href="mailto:jjmarques@ua.pt">jjmarques@ua.pt</a> </p>

    <p>&nbsp;</p>


    <p><b>RESUMO</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este
artigo pretende abordar a fecundidade com base numa dimensão espacial. A
aplicação do <i>Índice de Moran</i> revelou a presença de um fenómeno de
dependência espacial, isto é, de autocorrelação inerente ao comportamento
heterogéneo da fecundidade no território. Face à mudança de padrão encontrada,
procedeu-se a uma análise bivariada, para determinação dos fatores
socioeconómicos que lhe poderiam estar associados. Do modelo de regressão
desenvolvido, verificou-se que os fatores com poder explicativo da evolução da
fecundidade se vão alterando ao longo do período em análise, refletindo as
transformações dos padrões culturais, sociais e económicos na sociedade
portuguesa. </p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: autocorrelação espacial; padrões
de evolução da fecundidade; diversidade regional da fecundidade. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>This paper analyzes the fertility
trends based on a spatial approach. The application of the<i>Moran’s
Index</i>revealed the presence of a spatial dependence phenomenon, i.e. an auto-correlation inherent to the
heterogeneous behavior of
fertility throughout the Portuguese territory. Given the changing pattern, a
bivariate analysis was made to identify the socio-economic factors that might
be associated with it.Through the use of a regression model it was
possible to find that the factors explaining the evolution of fertility
have changed over time, reflecting the cultural, social,and economic
transformations of the Portuguese society. </p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
spatial auto-correlation; fertility evolution patterns; fertility regional
diversity. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Das variáveis
microdemográficas responsáveis pela dinâmica da população, a fecundidade,
devido ao seu efeito multiplicador, emerge como a principal responsável pelo
crescimento populacional no longo prazo (O’Neil <i>et
al</i>., 2001). Por isso, o comportamento das taxas de fecundidade é decisivo
na evolução demográfica – o seu declínio tem consequências, tanto no volume
total da população como na sua estrutura etária. </p>

    <p> Este fenómeno assume particular importância em
regiões onde ocorrem processos de envelhecimento acelerado, resultantes da
conjugação da quebra da fecundidade com a emigração, como no interior de
Portugal. Nestes territórios, o efetivo de mulheres em idade fértil (15-49
anos) será, dentro de alguns anos, insuficiente para assegurar a reposição
geracional, ainda que em cenários muito pouco prováveis de forte crescimento da
fecundidade. Por isso se impõe a análise geográfica do comportamento da
fecundidade de forma a, por um lado, obter uma leitura mais fina da sua
evolução através do território e, por outro, capturar mudanças de padrão
correspondentes. </p>

    <p> O objeto de estudo deste trabalho é o
comportamento da fecundidade em Portugal, ao longo dos últimos 20 anos,
considerando, de forma conjugada, as respetivas taxas desagregadas por grupos
de idades quinquenais das mães e o Índice Sintético de Fecundidade. Do ponto de
vista espacial, a análise foi desenvolvida ao nível das regiões NUTS III do
continente português. </p>

    <p> A motivação para o estudo resultou, inicialmente,
das solicitações do projeto DEMOSPIN<i> –</i> <i>Demografia economicamente
sustentável – Reverter o declínio em áreas periféricas</i>, financiado pela
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Este necessitou de projeções
demográficas por regiões NUTS III portuguesas, para as quais era essencial
estimar a evolução futura do comportamento das taxas de fecundidade (Castro <i>et</i><i> al</i>., 2012), o que implicou a análise de
séries temporais com os valores apurados para esta variável (DEMOSPIN, 2013).
No entanto, do desenvolvimento da investigação ressaltou a perceção da
alteração do padrão territorial da fecundidade, o que impulsionou a pesquisa de
indicadores que caracterizassem e apreendessem o sentido dessa mudança. </p>

    <p> Embora o presente trabalho se tenha centrado no
estudo da evolução regional da fecundidade em Portugal, pretendeu-se preservar
uma visão global do fenómeno, quer em relação aos fatores potencialmente
explicativos, quer quanto ao seu enquadramento geográfico na Europa. Esta
preocupação visa contextualizar uma característica transversal às sociedades
desenvolvidas, entre as quais nos enquadramos. A ela se responde nas duas
primeiras secções, após a Introdução. A terceira secção foca-se na análise da
evolução da fecundidade em Portugal. Na quarta procede-se à caracterização dos
padrões espaciais das trajetórias desta evolução, nas regiões. Na quinta e
última secção, discutem-se os resultados, considerando a correlação entre o
comportamento da fecundidade e um conjunto de fatores socioeconómicos
potencialmente explicativos. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>FATORES EXPLICATIVOS
PARA A QUEDA DA FECUNDIDADE</b> </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> Na passagem do século XX
para o XXI, no Leste da Alemanha, Norte de Itália e regiões urbanas da
Federação Russa, o Índice Sintético de Fecundidade<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>  (ISF) atingia valores inferiores a um filho por mulher. Mas países em
desenvolvimento, como a China, a Tailândia e a Coreia do Sul, haviam também já
entrado em zonas de <i>não reposição geracional</i> (O’Neil
<i>et al</i>., 2001). </p>

    <p> Verifica-se, assim, a existência de um número
crescente de países, na Europa e na Ásia Oriental, onde as taxas de fecundidade
diminuíram para níveis abaixo da reposição geracional. Para estes países,
espera-se um futuro de envelhecimento populacional e, em muitos casos, uma
diminuição da dimensão da população total. Simultaneamente, em África e na Ásia
Ocidental, as projeções apontam para um rápido crescimento da população, pelo
que a <i>explosão</i> <i>populacional</i> parece continuar (Lutz e Skirbekk,
2008). </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Este quadro, que se diria demograficamente
dicotómico, está em linha com a <i>teoria da transição demográfica</i>
(Notestein, 1945 e Kirk, 1996), que advoga a existência de um processo
universal que parte de taxas de natalidade e de mortalidade elevadas para
níveis de mortalidade mais baixos, seguidos de menores taxas de natalidade.
Este processo encontra-se em estado de evolução muito diferente em diversas
partes do mundo, embora no mesmo sentido, o que explicaria as distintas
realidades encontradas. </p>

    <p> O resultado final da primeira <i>transição
demográfica</i> seria uma população estacionária – com crescimento natural nulo
– e estável – quanto à estrutura etária – mais velha, com uma fecundidade de
reposição geracional (ligeiramente acima de 2 filhos,
em média, por mulher) e esperança de vida acima dos 70 anos. Como existiria um
equilíbrio entre mortes e nascimentos, não haveria necessidade <i>demográfica</i>
de imigração continuada. Além disso, as famílias em todo o mundo convergiriam
para um tipo nuclear e conjugal, composto pelo casal e a sua descendência. No
entanto, segundo Lesthaeghe e Kaa (1986) e Kaa (2001, 2002), não se vê este
equilíbrio no final do processo. Sustentam por isso a
emergência, a partir da década de 70 do século passado, de uma <i>segunda
transição demográfica</i>, caracterizada por fecundidades continuadamente
abaixo do nível de reposição geracional, múltiplas modalidades de agrupamento
familiar diferentes do casamento, separação entre casamento e procriação, e populações
não estacionárias, com perda de efetivos, e mais velhas, em resultado das
baixas fecundidades e dos ganhos em longevidade. </p>

    <p> Assim, a baixa fecundidade tenderá a ser
estrutural, em função da mudança de paradigma do papel da criança: o fim da <i>era
da criança-rei</i>, já que a paternidade inserir-se-á numa perspetiva de
autorrealização do adulto, em competição com outras, e não mais numa visão
altruísta, materializada por forte investimento financeiro e sentimental na
criança (Lesthaeghe e Kaa, 1986). </p>

    <p> Assim, a diminuição da fecundidade, em particular
na Europa, em parte explicada pela teoria da transição demográfica, é
influenciada pelo processo de adiamento dos nascimentos, decorrendo a
emergência de um novo padrão no comportamento das famílias, no respeitante às
opções sobre o momento e o número de filhos desejados (Sobotka, 2004a e 2004b). </p>

    <p> Por outro lado, a ocorrência de saldos naturais
negativos continuados teve consequências na estrutura etária da população,
levando à escassez de mão-de-obra: “In Western Europe labour shortages in a
number of industrial ­sectors occurred during the 1960s. These were resolved through the
recruitment of guest workers, mainly from Southern Europe, Turkey and Morocco”
(Kaa, 2002, p. 3).  Desta forma,
as migrações assumem relevância nas dinâmicas demográficas dos países
ocidentais desenvolvidos. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>IMPACTOS
DAS INTERAÇÕES ENTRE A FECUNDIDADE E OUTROS FENÓMENOS</b> </p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> Neste contexto de muito
baixa fecundidade, são muitos os autores que, nos últimos anos, a têm investigado. Desta multiplicidade de abordagens ressalta a
diversidade de fatores que condicionam a fecundidade, tanto ao nível individual
ou de casal, como das relações e das redes sociais, ou até ao nível dos
contextos culturais e institucionais (Balbo <i>et</i><i>
al</i>., 2013). Contudo, estas determinantes têm de ser apreendidas no quadro
da interação da fecundidade e da realidade socioeconómica própria de cada
sociedade, interações por vezes paradoxais (Billari, 2008). </p>

    <p> Luci e Thévenon (2010) estudaram a relação entre
o PIB <i>per capita </i>e os valores reais do ISF em 30 países da OCDE.
Concluíram que, na maioria dos países desenvolvidos, os avanços económicos
acompanham a recuperação da fecundidade, com exceção dos países do sul e do
leste europeu, assim como da Alemanha, Japão e Coreia do Sul. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Também Myrskylä <i>et</i><i>
al</i>. (2009) evidenciaram a recuperação da fecundidade associada ao
desenvolvimento humano, concluindo que esta diminuiu em 107 países, até o
Índice de Desenvolvimento Humano atingir valores próximos de 0,85. A partir
daí, a fecundidade apresenta uma trajetória de recuperação, positivamente
relacionada com o crescimento deste índice. </p>

    <p> Por conseguinte, apesar de ser possível
estabelecer uma relação entre a evolução da economia e a da fecundidade, a
explicação da sua evolução não se esgota no comportamento dos indicadores
económicos. </p>

    <p> Outros fatores contribuem para os índices de
fecundidade encontrados. Lutz, Skirbekk e Testa (2006) formularam a <i>hipótese
da armadilha da baixa fecundidade</i>, na qual argumentam que fatores
demográficos, sociais e económicos podem conjugar-se, numa espécie de espiral
negativa, para perpetuar baixas taxas de fecundidade. </p>

    <p> De facto, o receio do desequilíbrio entre os
recursos disponíveis para as diferentes gerações, aliado a outros fatores,
condiciona o comportamento da fecundidade nas gerações mais jovens. Estas temem
que os cortes nos serviços prestados pelo Estado, passando a sua
responsabilidade para a esfera individual e das famílias, tornem muito
problemática a vida no futuro. Este receio é incompatível com a insegurança que
acompanha a decisão de ter filhos. </p>

    <p> Muito resumidamente, a <i>armadilha demográfica</i>
consiste no risco de o envelhecimento da população atingir níveis que limitem
drasticamente o número de mulheres em idade fértil (15-49 anos), de tal forma
que, ainda que o índice sintético de fecundidade recuperasse para níveis de
reposição geracional (2,1 filhos por mulher), já não haveria efetivo
populacional suficiente para a reprodução. O número de nascimentos manter-se-ia
reduzido e seria incapaz de inverter o processo de diminuição e envelhecimento
da população. </p>

    <p> O <i>mecanismo</i> <i>sociológico</i> atua
através da relação entre a noção de tamanho ideal de família e a realidade.
Como apontado pela literatura, nos inquéritos realizados, é frequente os jovens
responderem desejar ter mais filhos do que aqueles que vêm a ter de facto (Testa, 2012). Esta ausência de correspondência entre o
desejo e a sua concretização acaba por contribuir para alterar a perspetiva
futura sobre o tamanho ideal da família, ou seja, famílias mais
pequenas tendem a criar modelos de novos agregados com menos filhos. </p>

    <p> A <i>racionalidade</i> <i>económica</i> dirige o
terceiro mecanismo e baseia-se na dimensão do fosso entre as aspirações de
consumo das novas gerações e a sua perspetiva de rendimento futuro. De facto,
oriundos de famílias com padrões de vida mais elevados – possibilitados pelo
crescimento económico de então e por menos irmãos com quem repartir os recursos
– os jovens criaram expectativas bastante altas quanto à sua qualidade de vida
material (Easterlin, 1980). No entanto, o rápido envelhecimento da população
fá-los antever tempos difíceis, com dúvidas quanto à capacidade dos sistemas de
segurança social absorverem o fenómeno, fazendo
incidir sobre as gerações futuras o peso maior do seu impacto. Acresce a insegurança
no emprego – que afeta sobretudo os jovens – e o custo
da habitação, que induzem ao adiamento da decisão de constituir família. Estes
constrangimentos, geradores de pouca justiça intergeracional, vão determinar
dois tipos de comportamento: a diminuição do número de filhos pretendido,
associada ao adiamento da maternidade. </p>

    <p> Pelo exposto, pode concluir-se que o fenómeno da
baixa fecundidade resulta de vários fatores, pelo que o conhecimento das
possíveis causas do seu declínio assume papel relevante. </p>

    <p> De facto, apenas considerando os fatores sociais,
económicos e culturais determinantes na evolução da
fecundidade é possível identificar as variáveis explicativas de um
modelo de análise do seu comportamento. Objeto de possíveis investigações
futuras, um modelo com estas características permitirá medir o impacto de cada
um dos fatores enunciados na evolução do fenómeno, assim como das políticas
públicas adotadas para a inversão da atual tendência de queda (Luci-Greulich e
Thévenon, 2013). </p>

    <p> Tal não é, por agora, o
nosso propósito. No entanto, numa abordagem exploratória, o presente trabalho
debruça-se já sobre o comportamento das taxas de fecundidade em Portugal,
caracterizando a sua distribuição por grupos de idades, ao longo do território,
e avaliando a interferência de dimensões sociais, económicas e culturais.
Porém, a evolução concetual – bem como os determinantes e os níveis de análise
apresentados – fundamentam a necessidade de desenvolver novas abordagens e de
fixar novos quadros de análise para o estudo da fecundidade. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Refira-se ainda que é
ainda relativamente escassa a investigação e a produção científica – quer
teórica, quer empírica – sobre as mudanças do padrão territorial na evolução da
fecundidade, apesar do reconhecimento da sua importância. Vitali e Billari
(2014, p. 1) referem a este propósito: “the literature
has tackled the question of which factors are associated with fertility, and
whether there are changes in this association over time (although this has not
been extensively dealt with) across space”. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>EVOLUÇÃO DA
FECUNDIDADE NA EUROPA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A análise da evolução da fecundidade em Portugal ganha uma leitura
acrescida quando situada no contexto europeu. Ainda que haja características
que nos particularizam, outras aproximam-nos das
trajetórias dos países do sul (Billari, 2008). De facto, na Europa, o Índice
Sintético de Fecundidade (ISF) tem estado abaixo do nível de reposição
geracional (2,1 filhos por mulher) há, pelo menos, três décadas: registou o
valor de 1,98 no quinquénio 1976-1980, manteve-se em trajetória decrescente até
2000 (com o registo mais baixo em 1,43) e recuperou apenas para 1,54 no
quinquénio 2006-2010 (UN, 2013). Mas a entrada no <i>terreno da não-reposição</i> de gerações não foi simultânea no espaço
europeu: a Europa do Norte e a Europa Ocidental foram as primeiras a entrar, no
início da década de 1970, seguindo-se a do Sul, dez anos depois; a Europa de
Leste apenas passou essa barreira na primeira metade da década de 1990. Acresce
que, a par desta entrada mais tardia no <i>terreno da não-reposição</i>
geracional, tanto a Europa do Sul como a de Leste revelam decréscimos mais
acentuados do que as primeiras e menor capacidade de recuperação. De facto,
dados da UN (2013) revelam que, no período de 2006-2010, o ISF atingiu valores
de 1,86 no Norte da Europa e 1,64 no Ocidente, registando 1,43 no Sul e 1,41 no
Leste (<a href="#q1">Quadro 1</a>). </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02q1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> No quinquénio 2006-2010, o ISF foi inferior a 1,5
filhos por mulher em 25 países da Europa e apenas a Islândia e a Irlanda
estavam acima de 2 filhos por mulher (2,13 e 2,00 respetivamente).
França (1,97), Noruega (1,92), ­Suécia (1,89), Reino Unido (1,88), Dinamarca
(1,85), Finlândia (1,84) e Bélgica (1,82) são, dos
restantes, os únicos com ISF acima de 1,8. Com exceção da Albânia (1,75) e
Montenegro (1,73), todos os países do Sul Europeu apresentam ISF inferior a
1,5, acompanhados pela Alemanha (1,36), Polónia (1,34) e Letónia (1,49).
Portugal, após ter entrado em <i>terreno da não-reposição</i>
no ­quinquénio 1981-1985, não mais recuperou, apresentando perdas continuadas
até ao período 2006-2010, no qual aquele índice atinge 1,36 (UN, 2013). Estas
tendências mantêm-se nos anos seguintes, como se verifica no <a href="#q2">quadro 2</a>. </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q2">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02q2.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> Pode pois afirmar-se que
a Europa, no seu conjunto, se confronta com baixos níveis de fecundidade,
atingindo valores particularmente pequenos em alguns países (inferiores a 1,3
filhos por mulher), o que Kohler, Billari e Ortega (2002, 2006), entre outros,
designaram por <i>lowest low fertility.</i> Esta<i> </i>referência à menor das
baixas fecundidades corresponde a um novo paradigma, pela emergência de níveis
muito baixos à escala de países e não apenas no âmbito regional. Esta
constatação, para além do significado histórico que Billari (2008) lhe atribui,
pressupõe profundas implicações na dinâmica da população. </p>

    <p> A recuperação do ISF para perto dos valores de
reposição parece difícil. A investigação tem, no entanto, revelado que a
tendência depressiva, além de outras causas, é afetada pelo retardar dos
nascimentos (Goldstein, Sobotka e Jasilioniene, 2009 e Mills <i>et</i><i>
al</i>.<i>,</i> 2011), pelo que é possível a recuperação do ISF na União
Europeia, de 1,5 para perto de 1,8 quando este <i>tempo effect </i>na
fecundidade das coortes terminar (Lutz e Skirbekk, 2008). Oliveira (2008, 2009)
estimou o ajustamento do ISF em Portugal – corrigindo o efeito do adiamento da
fecundidade – em valores próximos de 0,26 no quinquénio 1996-2000, ­passando o
ISF de 1,49 para um ISF ajustado de 1,75; de 0,25 entre 2001-2005 (ISF de 1,43
para um ISF ajustado de 1,68) e de 0,16 entre 2005-2008, passando o ISF de 1,35
para um ISF ajustado de 1,51. Ainda assim, o ISF mantém-se longe dos valores de
reposição geracional. </p>

    <p> Ora, como salienta Nimwegen (2013), a manutenção
do nível de fecundidade abaixo dos 2,1 filhos por mulher, ao longo de várias
décadas, significará, a prazo, que as gerações de pais não serão completamente
repostas, o que constitui um indicador de declínio iminente da população. </p>

    <p> Mas existirá convergência na evolução do
comportamento da fecundidade entre os países da União Europeia? Lanzieri (2010)
escolheu dois indicadores para tentar responder a esta questão: o ISF e a idade
média ao nascimento. Esta metodologia permitiu analisar a convergência do
comportamento, tanto ao nível da fecundidade, como relativamente ao tempo em
que ocorre. Estudou 27 países da União Europeia (EU) em conjunto e por etapas,
comparando os fenómenos entre os estados-membros e os novos países aderentes,
em cada alargamento. Concluiu pela existência de relativa convergência entre os
estados-membros, não apenas na intensidade, mas também no tempo da fecundidade.
Esta conclusão tornaria plausível a assunção de alguma homogeneidade no
comportamento da fecundidade entre os países da EU, pelo menos ao nível
nacional. Fica, porém, por discutir a dimensão regional do fenómeno, analisado
à escala subnacional. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ANÁLISE ESPACIAL DA
EVOLUÇÃO DA FECUNDIDADE EM PORTUGAL</b> </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> A evolução da fecundidade
e da natalidade, em Portugal, tem-se revestido de grande disparidade. Como o
demonstrou Oliveira (2006), a transição demográfica, e particularmente a
evolução da fecundidade, comporta uma grande complexidade em Portugal,
combinando uma multiplicidade de fatores e padrões de comportamento. Entre nós,
as mudanças dos comportamentos demográficos decorrem de forma muito brusca e
acentuada. Como ressalta Nazareth (1991, p. 8), “Portugal muda, em meia dúzia
de anos, o que não muda em décadas e no mesmo sentido em que outros demoraram
dezenas de anos a fazê-lo”. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Este mesmo autor, em 1978, referia a dualidade norte-sul, no período 1930-1970, salientando que
existia um <i>modelo norte</i>, cuja fecundidade era ainda elevada em 1970, e
que compreendia os distritos da margem direita do Douro e o distrito de Viseu;
em contraposição, o <i>modelo sul</i> tinha, na mesma data, baixos níveis de
fecundidade e incluía todos os distritos da margem esquerda do Tejo, além de
Santarém e Lisboa, na margem direita. Na época, os distritos dos arquipélagos
subdividiam-se entre o <i>modelo norte</i> (Funchal e Ponta Delgada), o <i>modelo
sul</i> (Horta) e o designado <i>modelo de transição</i> que, para além de
incluir Angra do Heroísmo, compreendia todos os distritos que não pertenciam
nem ao <i>modelo norte</i> nem ao <i>modelo sul</i> (Nazareth, 1978). </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> No início da década de 80, Portugal era ainda
considerado um país com fecundidade elevada no espaço europeu, registando
valores que lhe permitiam assegurar a substituição das gerações. No entanto, ao
nível regional, o País evidenciava uma fecundidade diferenciada,
particularmente entre o norte e o sul, o continente e as ilhas. Apesar de se
tratar de um país pequeno, Portugal apresentou, historicamente, diferenças
consistentes no que respeita à dispersão regional das taxas de fecundidade
[Mendes, Rego e Caleiro, 2006, p. 1]. </p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> Após 1982, Portugal deixa de assegurar a
substituição de gerações. E, paralelamente à afirmação desta tendência, Maria
da Graça Morais destacava a heterogeneidade que, ao nível regional, esta
diminuição comportava: ­“discrepâncias (algumas profundas) de comportamento
entre os 22 distritos no tocante à substituição de gerações” (1983, p. 98). </p>

    <p> Bandeira (1996), na análise do declínio da
fecundidade e dos vários padrões regionais, refere a
existência de modelos diferentes de declínio desta variável demográfica,
salientando: </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> O panorama da fecundidade em 1980-1981 reflete o
intenso declínio ocorrido anteriormente nos distritos onde a natalidade era
ainda muito elevada no início dos anos 60. Esta intensificação ocasionou uma
atenuação das diferenças regionais. Mas, apesar disso, no início dos anos 80 a
clivagem entre Norte/ilhas e Centro/Sul aprofundou-se, mas vai desaparecer até
ao final da década [Bandeira, 1996, p. 226]. </p></blockquote>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p> Ainda na reflexão sobre o declínio da
fecundidade, interessa mencionar o que Mendes, Rego e Caleiro (2006) defendem: </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> O rápido declínio da fecundidade portuguesa, a
partir dos anos oitenta, ficou a dever-se a uma alteração de comportamentos ao
nível regional, mostrando as regiões com fecundidade mais elevada uma
velocidade de declínio superior e, em poucos anos, as diferenças parecem ter-se
esbatido em todo o espaço Português [Mendes, Rego e Caleiro, 2006, p. 1]. </p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> E referem ainda que “o comportamento da
fecundidade, em Portugal continental não obedece aos tradicionais padrões de
distribuição norte-sul nem litoral interior: parece antes reagir a fatores de
contiguidade territorial” (<i>idem, ibidem</i>). </p>

    <p> Recentemente, Cruz (2012, p. 1) “identificou uma
tendência de aumento das diferenças regionais, nomeadamente a partir do início
da década de 2000”. O autor destaca duas dimensões principais subjacentes a
esta evolução: por um lado, “a passagem dos níveis mais elevados de fecundidade
para o litoral e Sul do país” (2012, p. 6); por outro, “a quebra dos valores
mais baixos para descendências inferiores a um filho, encontradas na faixa
interior do Centro e Norte” (<i>idem, ibidem</i>). </p>

    <p> Neste mesmo estudo, Cruz (2012, p. 6), num
“exercício de correlação do ICF<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> com variáveis dotadas de relevância analítica”, evidencia “a
importância das dimensões associadas ao rendimento para a explicação da
distribuição regional da fecundidade” (<i>idem</i>). </p>

    <p> Assim, a revisão da literatura empreendida
permite concluir pela existência de alterações no padrão de comportamento da
fecundidade em Portugal, evidenciando diferenças ao nível regional. Mas que
relações existem entre as diferentes regiões, na evolução da fecundidade? E
como variou nos grupos de idades das mulheres em idade fértil (15-49 anos)? Que
fatores terão contribuído para estes comportamentos? </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Com a análise do impacto espacial da fecundidade
em Portugal pretende-se, assim, apreender a diversidade regional do
comportamento da fecundidade e avaliar as trajetórias e a eventual dependência
espacial dessa evolução. Estes fenómenos ocorrem num contexto em que se
consolidam índices de fecundidade continuadamente abaixo do nível de reposição,
os quais acompanham e decorrem da mudança de comportamentos, envolvendo
diferentes atitudes face ao casamento/separação e à conjugalidade.
Paralelamente a estas mudanças na qualidade e estilos de vida, a evolução
económica impulsionou dinâmicas territoriais que interagem e condicionam a
dinâmica demográfica. </p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p><b>METODOLOGIA
DESENVOLVIDA</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> Neste trabalho de
investigação, optou-se por analisar mais detalhadamente a evolução da
fecundidade em Portugal, entre 1991 e 2010. Considerou-se adequado este período
de tempo (20 anos), num quadro de crescente longevidade e, como referido,
valores da fecundidade continuadamente abaixo do nível de reposição geracional. </p>

    <p>Para evitar as
oscilações anuais, foram consideradas as taxas de fecundidade apuradas por
quinquénios. Estas foram calculadas pela equipa de investigação, a partir dos
dados relativos a nados-vivos por grupos de idades quinquenais das mães e por
regiões NUTS III, fornecidos pelo INE. As populações médias de mulheres entre
15 e 49 anos foram estimadas com base na ponderação dos valores apurados nos
censos de 1991, 2001 e 2011 do INE, e sujeitas às mortalidades encontradas para
cada região e grupo etário. Com este procedimento tentou-se contornar a
limitação decorrente da perda progressiva de consistência das “estimativas
pós-censitárias da população residente” (Cruz, 2012). </p>

    <p> Em primeiro lugar, foi estudado o comportamento
do ISF, com o intuito de encontrar possíveis fenómenos de dependência espacial
entre as regiões, pelo que se centrou a análise nas 28 NUTS III do continente
português, dado não existir contiguidade territorial com as regiões autónomas
dos Açores e da Madeira. Foram usados valores do ISF sem ajustamento ao
fenómeno do aumento da idade das mães, aquando dos nascimentos (Oliveira,
2009), já abordado anteriormente. Com efeito, assumiu-se que, tendo como
principal objetivo comparar comportamentos da fecundidade entre regiões e
grupos etários, se poderia dispensar tal ajustamento – o qual aumentaria
significativamente a complexidade do trabalho – desde que se usassem valores
não ajustados em todas as análises. </p>

    <p> De seguida, procedeu-se ao estudo da evolução das
taxas de fecundidade por grupos de idades quinquenais das mulheres dos 15 aos
49 anos, tanto ao nível nacional, como desagregadas por NUTS III. </p>

    <p> Para avaliar da ocorrência de fenómenos de
correlação espacial da fecundidade, foi aplicada a técnica de análise
estatística do Índice de Moran. </p>

    <p> O estudo exploratório das variáveis potencialmente
explicativas do comportamento espacial da fecundidade foi realizado com recurso
a um modelo de regressão linear múltipla. Os critérios de escolha destas
variáveis são explicados com mais detalhe em secção própria, no capítulo onde
se discutem os resultados. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>

    <p><b>EVOLUÇÃO DO
ÍNDICE SINTÉTICO DE FECUNDIDADE</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> Após atingir o valor de
1,62 filhos por mulher no quinquénio 1986-1990, o ISF nacional não mais parou
de descer até hoje (1,21 em 2013, segundo dados do INE). </p>

    <p> O ISF apresentava já valores inferiores a 1,5<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> filhos por mulher na generalidade das NUTS III continentais, no
quinquénio 1991-1995. Com efeito, apenas cinco regiões – Tâmega (1,76), Cávado
(1,63), Ave (1,57), Dão-Lafões (1,56) e Algarve (1,55) – se situavam acima
daquele valor. Beira Interior Sul (1,28), Pinhal Interior Sul (1,31), Serra da
Estrela e Baixo Mondego (ambas com 1,32) são as quatro regiões com o valor de
ISF mais baixo neste quinquénio (<a href ="/img/revistas/aso/n218/n218a02q3.jpg ">quadro 3</a>).</p>

    
<p> No período 2006-2010, o ISF só está acima de 1,5
em três regiões: Algarve (1,62), Península de Setúbal (1,59) e Grande Lisboa
(1,56), apresentando os valores mínimos em regiões do interior norte e centro,
como Alto-Trás-os-Montes (1,11), Serra da Estrela e Pinhal Interior Sul
(1,12), Beira Interior Norte (1,13) e Douro (1,18). </p>

    <p> A evolução entre 1991-2010 foi positiva apenas em
cinco regiões: Península de Setúbal (11,9%), Grande Lisboa (7,6%), Lezíria do
Tejo (7,5%), Algarve (4,4%) e Baixo Alentejo (1,1%),
sendo marginalmente negativa nas regiões do Oeste (-0,6%) e do Alentejo Litoral
(-0,8%). Ou seja, a variação positiva do índice – ou, pelo menos, a sua
manutenção – ocorre, sobretudo, em regiões próximas da capital e do Algarve. </p>

    <p> No mesmo período, o ISF evolui negativamente, com
maior intensidade, nas quatro regiões que apresentavam os valores mais altos no
quinquénio 1991-1995: Tâmega e Ave (-23,7%), Cávado (-22,5%) e Dão-Lafões
(-19,8%), a que se juntam as regiões do interior norte Alto-Trás-os-Montes
(-22,2%) e Douro (-19,8%). Assim, se as primeiras, de alguma forma, manifestam
tendência para se aproximarem da média nacional,
partindo de valores superiores a esta, as segundas acentuam o estado depressivo
da sua fecundidade, já evidenciado no primeiro quinquénio analisado
(1991-1995), onde registavam valores do ISF de 1,42 e 1,47 respetivamente. </p>

    <p> De notar que, após um fenómeno de relativa
convergência (até ao quinquénio 2001-2005), o comportamento do ISF evolui num
sentido diferente: i) verifica-se uma alteração de padrão, com o crescimento
deste índice em regiões NUTS III que, no passado, registavam níveis de
fecundidade mais baixos, como Grande Lisboa e Península de Setúbal; ii) pelo contrário, NUTS III com os índices de fecundidade
mais altos até 1991-1996 (nomeadamente Tâmega, Ave e Cávado) manifestam uma
tendência continuada de declínio. Desta trajetória sobressai uma acentuação da
divergência territorial da fecundidade. </p>

    <p> Para apreender o grau de diversidade na evolução
do ISF (&#967;), foi calculada a sua média nacional (&#967;-&#8194;) e determinado o
desvio-padrão (&#963;) entre as regiões (&#943;), nos anos em análise, ponderando a população feminina em idade fértil
de cada NUTS III (&#961;<sub>&#943;</sub>).<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> Como se verifica
na <a href="#f1">figura 1</a>, o valor do desvio-padrão tem vindo a
aumentar desde o quinquénio 1996-2000, o que indicia um comportamento
heterogéneo da fecundidade no território. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<a name="f1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02f1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> O comportamento espacial do ISF pode ser
representado através da diferença do seu valor verificado em cada região,
relativamente à média nacional e medida em desvios-padrão, nos quinquénios
considerados. </p>

    <p> A análise dos respetivos cartogramas (<a href="#f2">Figura 2</a>)
permite verificar que, ao longo do período em estudo, se vai configurando uma
diferenciação espacial dos padrões da fecundidade. Em 1991-1995, embora de
forma algo indefinida, ainda se justapõem os
contrastes entre o litoral e o interior, e entre o norte e o sul: as regiões
que registavam um índice sintético de fecundidade mais intenso localizavam-se
com maior incidência a norte, em torno da NUTS III Tâmega; no resto do País
apenas se destaca, no sul, o Algarve. </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02f2.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> No quinquénio 1996-2000, parece iniciar-se uma
redefinição do padrão territorial da fecundidade, sobressaindo a sua
litoralização: de facto, são as NUTS III da Grande Lisboa, Pinhal Litoral,
Península de Setúbal e Algarve que se destacam, em contraponto com a diluição
das NUTS III do norte, cujo ISF se afasta da média. </p>

    <p> Em 2001-2005, começa a desenhar-se de forma mais
nítida a diminuição dos valores da fecundidade no norte e no centro,
sobressaindo a subida relativa da fecundidade nas
regiões do sul, com destaque para o litoral. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Finalmente, em 2006-2010, o padrão de
diferenciação espacial da fecundidade torna-se mais nítido, encontrando-se o
índice mais elevado nas regiões do sul, em particular no litoral; inversamente,
o interior norte e centro apresenta valores para a
fecundidade significativamente baixos e mais distantes da média nacional, o que
traduz mudanças na evolução da configuração da fecundidade. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>EVOLUÇÃO
DAS TAXAS DE FECUNDIDADE POR GRUPOS DE IDADES</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> Quanto à evolução das
taxas de fecundidade por grupos de idades das mães, de notar o decréscimo
continuado nos grupos de idades mais baixos, que abrangem as mulheres entre 15
e 29 anos, inversamente ao crescimento nos grupos de idades mais avançadas, em
particular naqueles entre 30 e 44 anos (<a href="#q4">Quadro 4</a>).
Este comportamento permite apreender o fenómeno de adiamento da idade média do
nascimento dos filhos, por parte das mulheres em idade fértil, realidade já
apontada anteriormente. </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q4">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02q4.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> Para avaliar a evolução do grau de diversidade
das taxas de fecundidade por grupos de idades, entre as diversas regiões, foram
calculados os desvios-padrão verificados nos anos do período
temporal em análise (<a href="#q5">Quadro 5</a>). Seguiu-se metodologia idêntica à
utilizada para determinar os desvios-padrão do ISF. </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q5">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02q5.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> Constata-se um comportamento heterogéneo das taxas
de fecundidade, na maioria dos grupos etários. É particularmente notório entre
os grupos de idades das mulheres dos 20 aos 39 anos, onde se detetam os valores
mais altos do desvio-padrão. Destaque para os grupos dos 30 aos 44 anos, com
acréscimos mais pronunciados no valor daquele indicador. No grupo dos 20-24
anos, o desvio-padrão evidencia forte crescimento entre os dois últimos
quinquénios, apesar de ter diminuído no período em análise (1991-2010). Os
grupos de idades dos extremos têm valores mais reduzidos. No último quinquénio,
apenas o grupo dos 15 aos 19 anos apresenta tendência para a homogeneização de
comportamentos. </p>

    <p> Em relação ao modo como as taxas de fecundidade
por grupos de idades evoluem nas diversas regiões em análise, procedeu-se ao
estudo comparativo do seu comportamento nos dois grupos etários com valores
mais representativos: dos 25 aos 29 e dos 30 aos 34 anos, considerando os
quatro quinquénios do horizonte temporal que tem vindo a ser usado nesta
análise da fecundidade (1991-2010). </p>

    <p> Comparativamente com o verificado em relação aos
padrões territoriais de expressão do ISF, os cartogramas da evolução das taxas
de fecundidade dos grupos de idades dos 25-29 anos (<a href="#f3">Figura 3</a>) e dos 30-34 anos
(<a href="#f4">Figura 4</a>) apresentam características que acompanham, de uma forma geral, as
tendências esboçadas. </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02f3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f4">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02f4.jpg"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p> Assim, quanto ao primeiro grupo, de 1991-1995
para 1996-2000, atenuou-se o seu peso no interior norte, que pressupunha o
início da fecundidade em grupos mais jovens. Inversamente, pouco relevante no
litoral centro e no sul, no primeiro quinquénio, a fecundidade deste grupo
etário apresenta valores superiores à média nacional, na maioria destas
regiões, no quinquénio seguinte. Destaque para as regiões que compõem o
território envolvente à capital, onde cresceu fortemente em relação à média.
Neste quinquénio (1996-2000), o litoral tem, na grande maioria das suas
regiões, valores significativamente superiores à média continental. </p>

    <p> O quinquénio 2001-2005, embora mantenha a
representação das regiões do litoral com valores acima da média, parece
indiciar mudanças graduais, com a perda de peso do norte e alguma recuperação
do sul. Em 2006-2010, este quadro reforça-se, notando-se nas regiões a norte
uma grande oscilação, mas com perda significativa de peso, enquanto no sul,
sobretudo nas regiões do litoral, o valor das taxas de fecundidade deste grupo
se encontra mais próximo ou é superior ao da média nacional. </p>

    <p> No grupo de idades dos 30-34 anos, verifica-se um
comportamento idêntico ao do grupo anterior. Assim, em 1991-1995, era no sul e
centro interior que se encontravam os valores com desvios negativos mais
acentuados, ­relativamente à média nacional. Em 1996-2000, constata-se uma
tendência de homogeneização, em simultâneo com a alteração do padrão anterior –
o sul evidencia-se pelo crescimento das taxas de fecundidade. Esta evolução
deverá permanecer e consolidar-se nos quinquénios seguintes, ficando mais
marcada a interferência da interioridade na baixa fecundidade e a prevalência
do reforço da fecundidade deste grupo etário no sul. </p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p><b>ANÁLISE DA
DEPENDÊNCIA ESPACIAL – <i>ÍNDICE DE MORAN</b></i> </p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> Para avaliar da
existência de fenómenos de dependência espacial, entre os ISF das regiões NUTS
III do território continental português, foi aplicado o <i>Índice de Moran</i>,
que mede a autocorrelação espacial, indicando o grau de associação espacial
presente no conjunto de dados em análise, a partir do produto dos desvios em
relação à média (Moran, 1948). </p>

    <p> O <i>Índice de Moran</i> compara os valores
normalizados dos atributos de uma região com a média dos valores das regiões
suas vizinhas. Mede a relação do desvio padronizado de uma variável numa área <i>i</i>
com o desvio padronizado das áreas vizinhas para a mesma variável. O seu valor
varia entre -1 e 1, sendo que: i) quando apresenta valores negativos, existe
autocorrelação espacial negativa, ou seja, a região tem valores distintos das
suas vizinhas, o que corresponde a pontos de transição entre diferentes padrões
espaciais; ii) o valor 0 (zero) significa
aleatoriedade – não existe autocorrelação espacial; iii) valores positivos
indiciam autocorrelação espacial positiva – a região possui vizinhos com
valores semelhantes. </p>

    <p> A análise da evolução deste índice (<a href="#q6">Quadro 6</a>) evidencia a presença constante do fenómeno de
autocorrelação espacial, ao longo do período em análise, mas com notória
variação da sua intensidade: i) em 1991, o valor do índice é significante,
existindo comportamentos semelhantes do ISF em conjuntos alargados de regiões;
ii) de 1991 para 1996 decresce acentuadamente – apresenta um valor inferior a ¼
do anterior – o que corresponde a maior diversidade no comportamento do ISF de
cada região face às suas vizinhas, dificultando a identificação de um padrão;
iii) a situação inverte-se em 2001 e, de forma ainda mais marcada, em 2005, ano
em que se afirma a existência de forte autocorrelação espacial positiva entre
as várias regiões do Continente Português, permitindo a identificação muito
mais nítida de padrões diferenciados de comportamento da fecundidade; iv) a
evidência do fenómeno reforça-se em 2009 – os ISF apurados nas regiões podem
ser agrupados em conjuntos de maior dimensão, de acordo com padrões distintos
de comportamento. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<a name="q6">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02q6.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> Os mapas indicadores da dependência espacial
(<a href="#f5">Figura 5</a>) facultam uma leitura da forma como o ISF evoluiu no território
continental, relacionando os valores apurados nas diversas NUTS III, ao longo
do período em análise. Destaque-se: i) a existência de forte concentração de
valores semelhantes do ISF em 1991: elevados no norte, sobretudo no interior
(Minho-Lima e Grande Porto divergem) e baixos no interior centro/sul; ii) em 1996, ano em que o <i>Índice de Moran</i> sofre
acentuado decréscimo, o comportamento do ISF revela não seguir padrões de
contiguidade entre regiões; distinguem-se apenas duas ­manchas com maior
autocorrelação espacial (litoral norte – Grande Porto, Tâmega e Entre Douro e
Vouga – com fecundidade mais elevada) e o Alto Alentejo e Alentejo Central,
ambos com fecundidade mais baixa; Cova da Beira e Algarve divergem das regiões
vizinhas, apresentando valores do ISF superiores aos delas; iii) em 2001,
verifica-se um ligeiro aumento do valor do índice – a dependência espacial
mantém-se pouco significativa – correspondendo ao início de uma alteração do
padrão de concentração: Oeste e Lezíria do Tejo (litoral centro/sul) assemelham-se
em fecundidade mais alta e Cova da Beira, Pinhal Interior Norte e Beira
Interior Sul (interior centro) aproximam-se nos valores de baixa fecundidade;
iv) a partir de 2005, o valor do índice recupera de forma muito acentuada,
persistindo embora a fase de transição quanto ao padrão de concentração:
Dão-Lafões é uma <i>ilha</i> com fecundidade acima dos vizinhos e,
inversamente, o Alentejo Central não acompanha a fecundidade mais elevada das
regiões circundantes; a autocorrelação espacial positiva é visível entre Cova
da Beira e Beira Interior Norte (baixa fecundidade) e Grande Lisboa, Lezíria do
Tejo e Alentejo Litoral (fecundidade mais elevada); v) em 2009, os padrões de
comportamento do ISF definem-se de forma mais nítida, correspondendo à
existência de forte autocorrelação espacial positiva. </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f5">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02f5.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> São agora claramente visíveis dois polos de
concentração, que representam um novo padrão – as taxas de fecundidade mais
altas situam-se no sul (Oeste, Médio Tejo, Alentejo Litoral, Baixo
Alentejo e Algarve) e as mais baixas no interior norte e centro (Douro,
Dão-Lafões, Serra da Estrela, Pinhal Interior Norte e Cova da Beira) –
caracterizando uma inversão do padrão de concentração que se verificava em
1991. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>DISCUSSÃO DOS
RESULTADOS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>

    <p><b>IDENTIFICAÇÃO
DOS FATORES ASSOCIADOS AO COMPORTAMENTO DA FECUNDIDADE</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> A forte dependência
espacial descrita, que acompanha a modificação do padrão territorial regional
da fecundidade, revela uma alteração de comportamentos que acabam por
condicionar a própria trajetória da evolução da fecundidade. Importa por isso
atender aos fatores socioeconómicos e às dimensões socioculturais que, numa
escala regional, podem estimular ou dissuadir a fecundidade. </p>

    <p> Um dos fatores apontado amiúde na literatura – e
já referido neste trabalho – é o desenvolvimento económico e social. Medido
pelo PIB <i>per capita</i>, isolado (Luci e Thévenon, 2010 e Cruz, 2012), ou
integrado com a longevidade e a literacia num Índice de Desenvolvimento Humano
(Myrskylä <i>et</i><i> al</i>., 2009), revelou estar
fortemente relacionado com a fecundidade. </p>

    <p> Também a taxa de participação das mulheres na
força de trabalho assume importância na explicação do fenómeno (Thévenon,
2008), seja por contribuir para o orçamento familiar, seja por representar um
movimento no sentido da autonomia económica e profissional da mulher, a par da
sua emancipação na sexualidade e nas decisões sobre a maternidade (o <i>quanto</i>
e o <i>tempo</i>). Mas como se articula esta participação – desejo crescente de
mulheres cada vez mais escolarizadas – com as tarefas domésticas e a
responsabilidade de serem mães? </p>

    <p> Por isso McDonald (2002) se refere à falta de <i>equidade
entre sexos,</i> para descrever a incoerência entre o acesso das mulheres à
formação e ao mercado de trabalho e a prevalência de um <i>modelo</i> <i>ganha-pão
masculino</i> no mundo do trabalho e na família. Esta incoerência permite
associar a equidade entre sexos e a fecundidade, sendo que, segundo o autor, <i>quanto
mais tradicional é uma sociedade, no que respeita ao sistema familiar, maior é
a incoerência entre instituições sociais e menor a
fecundidade.</i></p>

    <p> Ao abordar o comportamento da fecundidade ao
nível regional (subnacional), estas questões ganham ainda mais peso, pois as
diferenças entre regiões parecem assentar mais na diversidade de padrões
culturais e de atitude do que em fatores socioeconómicos (Hank, 2001). </p>

    <p> Em Portugal, este fenómeno emerge com particular
acuidade, considerando a diversidade a nível cultural, social, ou mesmo
económica, entre as várias regiões, pelo que importa desenvolver abordagens
metodológicas que integrem esta diversidade, de forma a encontrar fatores
explicativos. Atente-se, como exemplo, na evolução da fecundidade nas regiões
do Tâmega, do Cávado e do Ave: o elevado valor do ISF
no início da década de 1990 seria explicado sobretudo por elevadas taxas de
emprego das mulheres ou por serem sociedades onde os valores mais tradicionais
imperavam? E a fecundidade das regiões da Grande Lisboa, da Península de
Setúbal e do Algarve, não serão influenciadas pela
maior incidência de população imigrante? </p>

    <p>&nbsp; </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>VARIÁVEIS
DE ANÁLISE UTILIZADAS</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> Na escolha das variáveis
independentes a utilizar, para construir um modelo de regressão potencialmente
explicativo da evolução dos valores do ISF apercebidos, tentou-se abranger as
diversas dimensões identificadas. Houve que ter em conta as limitações resultantes
da disponibilidade de dados para o período em análise e para a escala
geográfica pretendida (NUTS III). Assim, i) para medir o desenvolvimento
socioeconómico nas regiões utilizou-se o Índice do <i>Poder de Compra per
capita</i>; ii) a equidade entre sexos, no mercado de
trabalho, foi representada pelo rácio entre a taxa de emprego das mulheres e a
taxa de emprego dos homens, obtida a partir dos valores censitários; iii) a
prevalência, nas sociedades em análise, dos valores culturais mais
tradicionais, foi medida através da razão entre uniões de facto e o total de
casamentos (formais e não formais) e iv) a importância dos comportamentos
reprodutivos das mulheres imigrantes na fecundidade foi analisada pela
proporção dos nados-vivos de mulheres imigrantes relativamente ao total de
nados-vivos no ano respetivo. </p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><a href ="/img/revistas/aso/n218/n218a02f6.1.jpg ">Figura 6.1</a></p>

    
<p>&nbsp;</p>
    <p><a href ="/img/revistas/aso/n218/n218a02f6.2.jpg ">Figura 6.2</a></p>

    
<p>&nbsp;</p>
    <p><a href ="/img/revistas/aso/n218/n218a02f6.3.jpg ">Figura 6.3</a></p>

    
<p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href ="/img/revistas/aso/n218/n218a02f6.4.jpg ">Figura 6.4</a></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p> A análise dos diagramas de dispersão permite
visualizar a associação entre a variável dependente (ISF) e cada uma das
variáveis independentes. Verifica-se, em 1991, uma grande dispersão das
coordenadas que correspondem ao par de valores do ISF
(eixo das abcissas – x) e do Índice do Poder de Compra per capita – IPC – (eixo
das ordenadas – y). As regiões onde este índice é mais alto (Grande Lisboa,
Grande Porto, Algarve e Península de Setúbal) não são as que apresentam ISF
mais elevado. Este encontra-se na Região do Tâmega,
com pouco mais de um quinto do valor do IPC mais alto. A reta da tendência tem
declive negativo, indiciadora de eventual correlação negativa. A situação muda
em 2001: as coordenadas estão mais perto da linha da tendência, que passa a ter
declive positivo, e os valores do ISF mais altos correspondem a regiões com IPC
mais elevado. Em 2011 reforça-se esta tendência. </p>

    <p> Já a associação entre o ISF e o rácio entre as
taxas de emprego feminino e masculino é positiva em todos os anos analisados.
No entanto, as regiões do Ave e do Cávado, onde este
rácio era mais alto em 1991, a par de elevada fecundidade, vão sendo
ultrapassadas pelas regiões do litoral sul, nos anos censitários seguintes. O
declive positivo da reta da tendência acentua-se. </p>

    <p> A associação entre o ISF e a razão entre uniões
de facto e o total de casamentos é pouco expressiva em 1991 e 2001,
reforçando-se em 2011. </p>

    <p> Por último, a associação entre o ISF e a
proporção de nados-vivos de mães imigrantes, face ao total, é fraca em 1991,
passando a ser mais forte em 2001 e, particularmente, em 2011. De notar que as
regiões onde o ISF apresenta valores mais elevados são igualmente aquelas onde
nascem mais filhos de mulheres imigrantes, em relação ao total. </p>

    <p> Em consequência do que foi apresentado,
a expressão analítica da correlação entre a variável ISF e as restantes
é negativa em 1991 (com exceção do rácio entre as taxas de emprego feminina e
masculina). A partir de 2001, todas as correlações entre o ISF e as variáveis
independentes escolhidas passam a ser positivas, evoluindo de baixas ou muito
baixas até altas e com elevada significância estatística, embora com
intensidades diferentes. </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q7">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02q7.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESULTADOS
DO MODELO DE REGRESSÃO LINEAR MÚLTIPLA</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> Dos resultados do modelo
de regressão utilizado ressaltou a maior sensibilidade do ISF ao rácio entre as
taxas de emprego feminino e masculino, em 1991, seguida do Índice do Poder de
Compra per capita<i>, </i>embora de sinal contrário. As outras duas variáveis
têm menor capacidade de influenciar a evolução da fecundidade. Em 2001, esta é
mais diretamente sensível às questões de natureza socioeconómica. Parece
assistir-se à diluição dos valores tradicionais em 2011, ano em que a proporção
de uniões de facto relativamente ao total de casamentos tem maior influência
positiva sobre o comportamento do ISF. A presença de mulheres imigrantes não
parece ser determinante para a fecundidade, quer pela baixa intensidade da sua
correlação, quer pelos valores assumidos pelos seus coeficientes de regressão. </p>

    <p>De alguma forma, a
definição do padrão territorial da distribuição do ISF, que foi percetível
através da evolução do Índice de Moran, evolui paralelamente à definição da
correlação entre as variáveis, a qual se torna mais significativa em 2011. O
coeficiente de determinação ajustado (r<sup>2</sup>) passa de 0,081 em 1991,
para 0,073 em 2001 e 0,796 em 2011, pressupondo, neste ano, uma maior
explicação da variância do ISF pelas variáveis consideradas no modelo. </p>

    <p> Assim, ainda que não se estabeleça uma relação de
causalidade robusta, na explicação do comportamento do ISF, através da evolução
das variáveis selecionadas, é no entanto possível
perceber que se desenha, em 2011, uma definição de padrões de comportamento da
fecundidade que estão interligados a conjunturas sociais, económicas e
culturais de âmbito regional. </p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q8">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n218/n218a02q8.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p> Por outro lado, a perceção da evolução espacial
da fecundidade, associada à mudança de sinal e de intensidade das correlações e
dos coeficientes da regressão, abre a possibilidade de se descrever essa
evolução, à luz das mudanças ocorridas na sociedade portuguesa: i) em 1991, a
fecundidade era mais alta em regiões caracterizadas por maior participação da
mulher na força de trabalho, inseridas em sociedades mais tradicionais; ii) em 2001, emerge a importância dos fatores económicos,
pelo que as regiões mais ricas se começam a destacar por valores mais elevados
do ISF; iii) em 2011, conjugam-se o poder de compra das populações, a presença
da mulher no mercado de trabalho face ao homem e, sobretudo, a prevalência de
sociedades menos tradicionais, para determinarem quais as regiões com maior
fecundidade. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONCLUSÕES</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> A fecundidade, num
contexto de profundo envelhecimento, torna-se uma variável chave para a análise
da dinâmica populacional ganhando, por isso, uma importância acrescida a nível
regional. Embora globalmente se possa referir uma tendência para a
homogeneização do comportamento da fecundidade – o que se verifica na
convergência das regiões em níveis baixos ou muito baixos do ISF – a sua
evolução, sobretudo a nível regional, tem-se revestido de uma grande
disparidade, de que ressalta a multiplicidade de fatores e padrões de
comportamento complexos, tal como refere Isabel Tiago Oliveira (2007). </p>

    <p> Assim, a dimensão da análise espacial da
fecundidade mostra-se particularmente relevante, pelos efeitos que se verificam
relativamente à contiguidade espacial. De facto, a partir dos resultados
obtidos com a aplicação do Índice de Moran, depreende-se a presença crescente
de padrões de dependência espacial na evolução do ISF, isto é, de uma
autocorrelação espacial inerente ao comportamento heterogéneo da fecundidade no
território, bem como de uma alteração da sua expressão territorial entre 1991 e
2009. </p>

    <p> Dos vários elementos presentes nas teorias
explicativas, é observável a associação de diversas dimensões, sobretudo as
socioeconómicas, com a trajetória da fecundidade. O modelo de regressão
desenvolvido para explicar a evolução do ISF permitiu verificar, no início da
década de 90 do século passado, a sua associação – ou maior sensibilidade – ao
rácio entre emprego feminino e masculino e, progressivamente, ao bem-estar,
percetível através do Índice <i>do Poder de Compra per capita</i>. A
transformação do quadro social, comportando a diluição dos valores tradicionais
subjacentes ao comportamento da fecundidade, torna-se mais expressiva em 2011. </p>

    <p> De facto, é nas NUTS III da Grande Lisboa e do
Algarve e nos territórios adjacentes – com um PIB <i>per capita</i> mais
elevado e maior incidência de uniões de facto – que, progressivamente, se
encontram também os níveis mais altos de fecundidade. Paralelamente, o
agravamento da situação socioeconómica nas regiões do interior e do norte
ocorre em simultâneo com a diminuição dos níveis de fecundidade. De alguma
forma, a questão levantada por Lutz <i>et</i><i> al</i>.
(2006), da hipótese da armadilha da baixa fecundidade, pode estar também
subjacente na continuada perda severa de população de mulheres em idade fértil,
no interior, repercutindo-se assim nos baixos níveis de natalidade e fecundidade
que se têm vindo a intensificar. </p>

    <p> Desta forma, a estrutura etária das populações de
mulheres torna-se igualmente determinante para o futuro da fecundidade. Como
demonstrado, o comportamento das taxas de fecundidade nos diferentes grupos de
idades não é homogéneo, pelo que o seu conhecimento se impõe para qualquer
exercício de análise, em particular de natureza prospetiva. </p>

    <p> De futuro, importará aprofundar o estudo das
disparidades regionais e dos grupos de idades, numa investigação que não só
detalhe como avalie, articuladamente, a interferência das dimensões/indicadores
que as várias teorias têm vindo a destacar, ligando as dimensões individuais
com as contextuais. No entanto depreende-se, desta leitura espacial da evolução
da fecundidade, a necessidade de encontrar respostas políticas potenciadoras da
inversão das dinâmicas que conduziram aos atuais níveis, demograficamente
insustentáveis. Os territórios – em particular os mais castigados – necessitam
de desenvolver amenidades geradoras de atratividade mas,
sobretudo, de criar emprego, de forma a fixar e atrair populações em idade
ativa, mais jovens, capazes de alterar, ou no mínimo suster, a estrutura etária
das suas populações. </p>

    <p> A avaliação das políticas implementadas,
sejam de cariz económico – como as propiciadoras de emprego – ou mais
marcadamente de âmbito social – como o apoio à infância ou a compatibilidade
emprego/família – constituirá, certamente, amplo espaço de investigação. A
conceção de modelos que integrem variáveis explicativas dos fenómenos
demográficos descritos estará, pois, na ordem do dia, sendo
no entanto importante não descurar o contexto territorial, com vista a
melhor responder às especificidades sociais. </p>

    <p>&nbsp;</p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>


    <p>&nbsp;</p>

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    <!-- ref --><p>OLIVEIRA, I.T.(2007),
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    <!-- ref --><p>OLIVEIRA, I.T. (2008),
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    <!-- ref --><p>OLIVEIRA, I.T. (2009),
“Adiamento da fecundidade em Portugal (1980-2008)”. <i>Revista Estudos
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    <!-- ref --><p>O’NEIL, B., <i>et</i><i> al</i>.
(2001), “A guide to global population projections”. <i>Demographic Research</i>, 4 (8), pp. 203-288.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=075560&pid=S0003-2573201600010000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>

    <!-- ref --><p>SOBOTKA, T. (2004a), <i>Postponement of childbering
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    <!-- ref --><p>SOBOTKA,
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    <p>THÉVENON,
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    <p>&nbsp;</p>
    <p>Recebido a 21-03-2014. Aceite para publicação a
04-02-2016.</p>
    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS</b></p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>Os autores agradecem o
apoio prestado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia no quadro do projeto
DEMOSPIN, PTDC/CS-DEM/100530/2008, e à GOVCOPP – Unidade de Investigação em
Governança, Competitividade e Políticas Públicas da Universidade de Aveiro, bem
como os valiosos contributos dados pelos revisores anónimos. </p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>Número médio de filhos
nados-vivos de uma mulher, no final do seu período fértil (15-49 anos), se
fosse sujeita, ao longo deste, às taxas de fecundidade por idades verificadas
no ano em referência, sem considerar a mortalidade. É expresso em filhos por
mulher (UN, 2013 e Eurostat, 2014). </p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>Índice Conjuntural de
Fecundidade (equivalente ao Índice Sintético de Fecundidade, já definido). </p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>Refira-se, a este
propósito, que Lutz <i>et</i><i> al</i>. (2006)
apontam este valor do ISF como o referencial mínimo abaixo do qual a
recuperação da fecundidade se tornará mais problemática. </p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>Fórmula de cálculo do
desvio-padrão: &#963; =  ; &#961; - fator de ponderação, definido por &#961; = . </p>



     ]]></body><back>
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