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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article describes the world of crime, especially drug trafficking in Rio de Janeiro, based on routinized behaviors and interpersonal interactions during the 1990s and first decade of the 2000s. It results from an analysis of three fieldwork activities conducted in slum areas between 2010 and 2015.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ 

      <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>

    <p><b>O tráfico de drogas em formas: notas de pesquisas
sobre o Rio de Janeiro</b> </p>
    <p><b>Forms
of drug trafficking: notes of research on Rio de Janeiro</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p><b>Felícia Silva Picanço</b>* e  <b>Natânia P. de Oliveira Lopes</b>**</b></p>

    <p>*Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de Sociologia e Programa de Pós-graduação em Sociologia
e Antropologia (ppgsa) » Largo São Francisco de Paula, n.º 1, Centro — cep 20051-070, Rio de Janeiro, Brasil.
E-mail:  <a href="mailto:ecastro@ua.pt"><a href="mailto:felicia@uol.com.br">felicia@uol.com.br</a></p>
    <p>** Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais (ppcis),
R. São Francisco Xavier, 524, Maracanã — cep 20550-900, Rio de Janeiro. E-mail:  <a href="mailto:natania.lopes@gmail.com">natania.lopes@gmail.com</a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RESUMO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>O tráfico de drogas em formas: notas de
pesquisa sobre o Rio de Janeiro. O artigo tem como
objetivo descrever o mundo do crime, em especial o tráfico de drogas no Rio de
Janeiro. Parte da análise dos comportamentos rotinizados e padrões de interação
interpessoais construídos ao longo dos anos 1990 e primeira década dos anos
2000, e resulta de três pesquisas de campo realizadas em territórios de favelas
entre 2010 e 2015 e que tiveram o tráfico de drogas como uma dimensão
diretamente acionada ou indiretamente captada. </p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: Rio de Janeiro; tráfico de
drogas; favelas; crime. </p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p>The article describes the
world of crime, especially drug trafficking in Rio de Janeiro, based on routinized
behaviors and interpersonal interactions during the 1990s and first
decade of the 2000s. It results from an analysis of three fieldwork
activities conducted in slum areas between 2010 and 2015. </p>

    <p><b>KEYWORDS</b>: Rio
de Janeiro; drug trafficking; slums; world of crime. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p> O mercado de drogas
ilícitas do Rio de Janeiro – resultado de um processo histórico que congrega
uma geografia social, a aliança com segmentos policiais, do poder político e
económico com venda de drogas e armas –, produziu uma instituição no imaginário
social: o tráfico de drogas. O tráfico foi-se constituindo como uma instituição
capitalista e burocrática dotada de regras que podem ser duradouras,
transitórias, flexíveis, negociadas, voltadas para a produção do lucro, poder e prestígio. Baseia-se no domínio do território por
meio das armas, da racionalidade instrumental e do carisma, no monopólio da
violência nas localidades e das estratégias de defesa e ataque. E configura-se
a partir de variadas formas de organização interna, alianças e características
específicas vinculadas aos territórios e perfis das lideranças do momento (os
“donos do morro”, como são chamados aqueles que ocupam a mais alta hierarquia). </p>

    <p> A entrada da cocaína no
mercado drogas ao longo dos anos 1980 e das armas de fogo modernas
foi um marco importante para a construção de um modelo de tráfico baseado no
alto padrão de violência e na formação de fações, com disputas por território
entre elas, a polícia e a população (Zaluar, 1998; Leeds, 1998; Misse, 2003). </p>

    <p> As disputas pelos territórios impusera
necessidade de um maior número de armas pelas fações e a participação em
conflitos armados, bem como o encastelamento e ramificação dos traficantes
dentro das favelas por meio da organização, construção e intervenção no
território. Foram compradas e construídas casas, ou sumariamente apropriadas
para fins de endolação da droga (separação e “enriquecimento” da droga para
venda a retalho), morada dos chefes, ou por estarem em posições estratégicas;
construção de obstáculos ao acesso de veículos, construção de paiol em locais
específicos, utilização das matas e florestas envolventes com traçado para
rotas de fuga, armazenamento de drogas e munição, bem como execução de
inimigos. </p>

    <p> A complexificação da estrutura do tráfico, que
demanda o envolvimento de muitas pessoas, o sigilo e a confiança, ganhos
monetários, prestígio e poder, valores de honra e moral, trocas e alianças conjunturais,
tornaram as disputas entre os traficantes e envolvidos, direta ou
indiretamente, com o tráfico mais violentas e frequentes. São comuns as
histórias de assassinato por traição, vingança, ciúmes e cobranças diversas. Tais dinâmicas, em contínua exposição nos <i>media</i>,
associadas aos vários aspetos analisados por Valadares (2005), produziram uma
nova representação social da favela, bem distante das representações dos anos
1950, 1960 e 1970. O contexto de acumulação de perdas económicas da cidade teve
um papel fundamental para a consolidação da imagem da favela associada à
pobreza e à violência. </p>

    <p> A favela sob “cerco”<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> económico, social e simbólico tornou-se ambiente propício para o
desenvolvimento de heróis/celebridades locais fundados no poder das armas e, em
alguns casos, no carisma, na oferta de presentes, na realização de grandes
festas e pequenos benefícios locais e individuais. A construção desse modelo de
tráfico foi gradual e deu-se ao longo de quase três décadas. </p>

    <p>A literatura sociológica e antropológica
produzida a partir do sobre o contexto descrito acima vem-se debruçando desde os anos 1980 sobre o “mundo do
crime”, os “bandidos”<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>  e o mercado ilegal de narcóticos na cidade. Os autores que ganharam
projeção pelos estudos empíricos de grande envergadura e produziram as suas
chaves interpretativas ainda nos anos 1990 fizeram-no com uma questão de fundo,
que Misse (1999) conseguiu exprimir com muita clareza: enquanto a disseminação
do mercado de drogas nas grandes cidades do mundo provocou um aumento da taxa
de crimes violentos ainda na década de 70, e depois decaiu ou manteve-se relativamente
estável, no Rio de Janeiro esse fenómeno não ocorreu e, pelo contrário,
aumentou. Soma-se a isso o aumento progressivo da visibilidade da violência, o
sentimento de insegurança e a sensação de risco (Machado da Silva, 2008). </p>

    <p> No final da última década, esse modelo de tráfico
de drogas sofreu fortes abalos. Se do lado das práticas ilegais e criminosas o
abalo se deu pela entrada das milícias<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> na disputa por territórios menos protegidos ou menos dominados pelo
tráfico, do lado do Estado surgiu uma nova política de segurança pública
baseada na instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dentro das
comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e em áreas consideradas
estratégicas na cidade. </p>

    <p>A UPP<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>  foi apresentada pelo Governo Estadual à sociedade como um projeto de
policiamento comunitário “pacificador”, mediador de conflitos sociais e tendente a aumentar o controlo do Estado sobre o
território dominado pelo tráfico. A proposta surgiu como um modelo para
substituir o enfrentamento, no contexto de preparação da cidade para os grandes
eventos desportivos. A mudança consistiu fundamentalmente no fim da invasão
periódica das comunidades pela polícia, instaurando o conflito armado, para
invadirem, ocuparem e estabelecerem uma base dentro da comunidade, com o
objetivo de reduzir as atividades de circulação e venda de armas e drogas. </p>

    <p> O processo de “pacificação” produziu mudanças
centrais no quotidiano, na lógica de sociabilidade dessas comunidades
(Heilborn, Faya e Souza, 2014) e na dinâmica do tráfico de drogas. As festas,
bailes, <i>shows</i> e eventos precisam da autorização do comandante da UPP,
para serem realizados. Mas muitas atividades de lazer, tais como os bailes,
dada a sua representação simbólica no espaço da favela, quase nunca obtêm
autorização. A presença constante dos polícias tornou-se um problema enfrentado
pelos moradores. Muitos descrevem abordagens violentas (agressão física e
psicológica). Mas há também aqueles que aprovam a presença dos agentes, em
geral devido à redução da circulação dos traficantes com arma e dos pontos de
venda de drogas. Diante da presença intensiva e ostensiva da polícia, o tráfico
teve de criar estratégias que tornassem invisíveis a circulação e venda,
originando o chamado tráfico “formiguinha”. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Existe uma significativa variação em cada
experiência de UPP, resultante de uma combinação entre as características e
experiências locais historicamente constituídas, as orientações e as formas de
ação dos comandantes, o que configura a especificidade de cada experiência de
pacificação. </p>

    <p> Ainda assim, o tráfico, entendido como prática e
como representação, resiste vigorosamente. Pauta o quotidiano dos <i>media</i>
nacionais e o comportamento de parte significativa da população da cidade, tal
como nos sugere Machado da Silva (2004 e 2008). Para o autor, a violência
urbana tanto age como categoria de entendimento e referência para modelos de
conduta, como está no centro de uma formação discursiva que expressa uma forma
de vida constituída pelo uso da força como princípio organizador das relações
sociais. </p>

    <p> De que formas se apresenta,
representa e experimenta o tráfico de droga? O artigo tem como objetivo
descrever as formas de vida do tráfico na cidade do Rio de Janeiro, a partir de
três pesquisas realizadas entre 2010 e 2015 em duas favelas da cidade. </p>

    <p> A primeira pesquisa foi realizada em duas favelas
da cidade entre 2010 e 2011 e teve como objetivo acompanhar quatro famílias de
moradores, sem ou com envolvimento com o tráfico. Em cada localidade, foram
duas famílias com pessoas com algum envolvimento com o tráfico e duas famílias
sem nenhum membro envolvido no tráfico. No primeiro momento, para cada uma
delas foi aplicado um questionário sobre as características da família,
perceções e valores do membro respondente. Em seguida, foram realizadas
entrevistas e observação direta por meio de idas contínuas às casas das
famílias. No último momento, cerca de 10 meses depois da primeira visita, foi
aplicado um novo questionário. A escolha das famílias foi realizada pela rede
de contactos dos pesquisadores. </p>

    <p> A segunda pesquisa ocorreu paralelamente à primeira e foi uma etnografia do “mundo do crime”,
concentrada numa das favelas estudadas na primeira pesquisa. Os contactos
iniciais foram feitos a partir da rede estabelecida na pesquisa anterior, mas
dada a natureza etnográfica do trabalho, a rede de contactos foi bastante
ampliada e o convívio com os informantes muito mais intenso. </p>

    <p> A terceira pesquisa foi realizada entre 2014 e
2015 com jovens envolvidos, ou que tinham tido envolvimento recente no tráfico
de drogas, moradores das mesmas favelas da primeira pesquisa mencionada. Foram
realizadas 48 entrevistas com jovens e 32 pessoas da rede de afeto destes
entrevistados (na sua maior parte, mães).<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>  As entrevistas foram realizadas em diferentes locais (casas de
conhecidos, praças e ruas) escolhidos pelos entrevistados de forma a garantir o
conforto de todos. </p>

    <p> Em todas as três pesquisas, o acesso aos
informantes ocorreu no seguimento de intensas negociações. Em geral, partiu-se
do contacto com conhecidos dos pesquisadores e moradores não envolvidos com a
atividade do tráfico. Além dos contactos feitos por pessoas-chave,
multiplicámos os informantes utilizando o método bola-de-neve, no qual os
pesquisadores solicitavam a indicação de outros jovens para entrevista. </p>

    <p> As favelas pesquisadas são distintas em termos
das suas configurações sociodemográficas e localização na geografia física,
social e cultural da cidade do Rio de Janeiro, mas compartilham,
além dos baixos indicadores socioeconómicos, a experiência de uma longa
presença do comércio ilegal de drogas. </p>

    <p> Uma das favelas está localizada na zona Sul da
cidade do Rio de Janeiro, área considerada nobre, por concentrar os bairros de
classe média alta e elite e elevados indicadores socioeconómicos. Durante a
primeira década dos anos 2000, a favela intercalou períodos de maior e menor
incidência de conflito armado, em função da disputa pelo poder local entre as
duas principais fações criminosas do tráfico de drogas. No período anterior à
instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a localidade experimentou maior
estabilidade devido à liderança carismática de um traficante nascido na favela. </p>

    <p> Embora incorporada à realidade local, a favela
destaca-se continuamente como uma vizinhança incómoda, aquela que no dia-a-dia
avisa que o “perigo mora ao lado” e que o equilíbrio é instável. Numa pesquisa
feita num importante <i>site</i> de notícias (vinculado ao jornal de maior
circulação no Estado e segundo maior jornal de circulação no país), entre 65
notícias veiculadas de janeiro a agosto de 2015, apenas nove não tratavam de
violência. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A segunda favela estudada situa-se num complexo
de favelas localizado na zona Norte da cidade, área de bairros populares
empobrecidos ao longo das últimas décadas, em função das mudanças na economia
da cidade e do deslocamento de indústrias para outras áreas do Estado e do
país. Cravado no imaginário cultural da cidade como uma área muito perigosa, o
seu nome ficou associado à degradação, à alta incidência de violência pelos
confrontos armados com a polícia e por ser o “quartel-general” da maior e mais
antiga fação criminosa do Rio de Janeiro. Nos últimos anos, a imagem mais
emblemática da região foi a fuga em massa de
traficantes pelas estradas, no momento em que se dava a entrada das forças
policiais com o objetivo de ocupar o território, televisionada em tempo real. </p>

    <p> Em ambas as favelas foi
possível observar a passagem entre o momento anterior à ocupação pela
UPP e o momento subsequente à sua instalação. Mas os conflitos, mesmo que
diminutos, ainda existem e pudemos presenciar alguns deles, agora sem “hora
marcada”, para usar a expressão comum entre os informantes, e que faz
referência ao período anterior à instalação da UPP, quando os moradores eram
informados quando a polícia iria invadir. </p>

    <p> Cabe ressaltar que existem tantas diferenças
quantas quisermos apontar na experiência de vida dos indivíduos envolvidos no
mundo do crime, nos dois territórios pesquisados. No entanto, debruçamo-nos
aqui sobre a rotinização de comportamentos e padrões de interação interpessoais
por meio dos quais os indivíduos dotados das suas motivações se realizam. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>FORMAS DO TRÁFICO DE
DROGAS: DEFININDO UM CONCEITO</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> Seguindo a trilha
etnográfica iniciada por Zaluar (1988) e incorporando os debates em torno da
sociabilidade violenta (Machado da Silva, 2004 e 2008) e sujeição criminal,
Misse (1999), Lopes (2011) e Grillo (2013) trouxeram questões estimulantes para
o campo da análise do mundo do crime e dos bandidos no Rio de Janeiro. O mundo
do crime e os bandidos são agora escritos sem aspas, como expressão de
categorias nativas, isto é, como designação dos próprios sujeitos pesquisados
para o conjunto de atos, atitudes, comportamentos, códigos, regras e
sociabilidades que se realizam no âmbito das atividades e negócios ilícitos
(Feltran, 2008b e 2011; Lopes, 2011; Grillo, 2013). </p>

    <p>Lopes (2011) parte
da construção do que chamou de representações internas do mundo do crime, isto
é, as representações que emergem entre aqueles que desse mundo participam. Um
mundo que, segundo a autora, goza de relativa autonomia em relação ao mundo
social padrão, é constituído a partir de um jogo de reproduções e inversões dos
valores e conteúdos morais da sociedade. O “crime” é entendido como religião,
arte e trabalho, entre outras formas. Há, com isso, um rompimento não
intencional com a perspetiva de analisar o mundo do crime como um facto social
total, porque, embora as representações possam estar conectadas com as
experiências vividas pelos bandidos, são representações dotadas de autonomia,
umas em relação às outras, isto é, o crime como religião não está ligado necessariamente ao crime como arte, trabalho, etc., e
tais representações não esgotam a compreensão do mundo do crime. </p>

    <p> Dessa forma, a ideia de representação da autora
pode facilmente confundir-se com a ideia de metáfora (o crime é religião) ou
analogia (crime é tal como a religião), visto que se trata de uma construção da
pesquisadora sobre as interações vividas e sentidos atribuídos pelos
indivíduos. </p>

    <p> Grillo (2013), por sua vez, propõe tornar o mundo
do crime inteligível para aqueles que pouco conhecem
esta forma de vida, descrevendo analiticamente a socialidade e as relações de
poder peculiares ao universo criminal, para desvendar a sua mecânica. A autora
procura ir do macro para o micro: das formas sociais para os processos de
subjetivação, esboçando as formas que circunscrevem as relações sociais e buscando
entender como a adesão a esta forma de vida modifica a experiência dos
indivíduos no mundo. As formas escolhidas – e descritas ao longo de sua tese –
são a fação, a firma e a boca. Nelas, encontrou o elemento de repetição, hábito
e previsibilidade e os comportamentos e respostas que fornecem as bases para a
reprodução do crime como ordenamento. O ordenamento criminal constitui-se,
então, por meio da padronização de práticas e relações sociais de distintas
naturezas, que se reproduzem ao longo do tempo e replicam-se por territórios
descontínuos, compondo um repertório de ações sempre aberto a improvisos e
mudanças. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ao lançar mão da ideia de formas, no entanto, não
a apresenta como conceito, portanto, não há definição teórica. Trata-se de uma
opção claramente exposta pela autora, que, não obstante reconhecer tratar-se de
um conceito wittgensteiniano, não adere às proposições do filósofo e afirma
fazer um emprego livre da expressão. O termo “forma” foi usado porque, segundo
ela, permite criar imagens espaciais e pictóricas. </p>

    <p> Das formas apresentadas, citamos apenas dois
exemplos. Quando trata do tráfico como forma <i>firma,</i> utiliza a ideia de <i>mimesis</i>,
definida a partir de ­Taussig (1993) como a capacidade de a cultura copiar,
imitar, criar modelos, explorar diferenças, entregar-se e tornar-se Outro,
criando uma segunda natureza, a tal ponto que a representação pode até mesmo
assumir aquela qualidade e poder. Quando trata o <i>Crime</i><sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>  como forma, utiliza a ideia de forma de vida pensada como linguagem e
a linguagem como prática, conforme exposto por Wittgeinstein: a linguagem como
a marca da socialidade, portanto, as formas de vida humana são definidas pelo
facto de que são formas criadas pela e para aqueles que estão em posse da
linguagem. </p>

    <p> Explorar o mundo do crime, em especial o tráfico
de drogas, a partir das representações internas (Lopes, 2011) e das formas de
vida (Grillo, 2013) tem como objetivo mais amplo tratar o mundo do crime como
um universo de ação e significação, bem como um estilo de vida, que expressa
como os envolvidos narram, se identificam, organizam os comportamentos,
estabelecem rotinas, introduzem esquemas hierárquicos e instituem um sistema
moral. Contudo, não oferecem recursos teóricos para assim o entendermos. </p>

    <p> É nessa lacuna que reside a
força do conceito de formas em Simmel (1971 e 2006). Para Simmel (2006), a
sociedade existe quando e porque os indivíduos estão em interação. A interação
é definida como uma ação recíproca que se produz por instintos (eróticos,
religiosos, sociais etc.) ou fins (de defesa ou ataque, de jogo ou ganho,
ajuda, instrução etc.), na qual os indivíduos estão em estado de convivência
com outros indivíduos, em ações a favor deles, em conjunto com eles, contra
eles ou em correlação de circunstâncias com eles, e que exerce influência sobre
eles ou recebe influência deles. A interação é chamada por Simmel “sociação”,
exatamente para dar ênfase ao seu caráter específico, distinto das simples
interações e associações. </p>

    <p> Na sua construção, os indivíduos interagem, pois,
uns com os outros em função de inúmeros fatores e motivos,
tais como instintos, emoções, interesses, movimentos psíquicos. Esse
conjunto de motivações e fatores é chamado de conteúdo. Os conteúdos da
sociação são, então, tudo o que existe nos indivíduos (instintos, interesses,
fins, inclinações, estados ou movimentos psíquicos) capaz de originar ação
sobre os outros ou receber influência dos outros. </p>

    <p> As sociações são, por sua vez, interações que
transcorrem no interior de relações que se cristalizaram no tempo e espaço,
isto é, que se autonomizaram em relação aos seus contextos e conteúdos
originais, chamadas “formas sociais”. Simmel destaca a troca, sociabilidade,
conflito, dominação, subordinação, competição, imitação, divisão do trabalho,
religião, aventura, moda, entre outras, como formas sociais que são encontradas
na vida social. </p>

    <p> Em síntese, os conteúdos realizam-se numa forma,
isto é, para que os interesses e fins se realizem, é preciso que estejam numa
interação, que por sua vez tem uma forma determinada. </p>

    <p> Desse modo, define Simmel, as sociações têm a sua
forma e conteúdo. Segundo Cohn (1979), a forma pode ser tratada como o conteúdo
normativo (esfera dos valores) e o conteúdo, como a vida, a existência
concreta. Visto assim, não há em Simmel a separação entre o domínio dos valores
e dos sujeitos para os quais eles têm vigência, o conteúdo normativo (valores)
está no desenvolvimento da vida dos indivíduos e não separado deles. </p>

    <p> Ao assumir o risco de trazer Simmel, é preciso
cautela. As análises críticas apontam inúmeras direções, tais como o caráter
ensaístico, a pouca consistência, ambiguidades, ambivalências, uma sociologia
formalista (Durkheim, 1965; Wolff, 1950; Tenbruck, 1994). Mas, a sua redenção
só é possível se compreendermos que para Simmel a sociologia não se encerra na
análise das formas, nem prescinde dos conteúdos, mas sim trata da relação entre
forma e conteúdo e da relação entre as formas. </p>

    <p> Nesse sentido, a referência à forma é utilizada
no esforço de produzir outra coisa que não imagens, representações descoladas
do vivido, metáforas, analogias, tipos-ideais, configurações ou <i>lebensform</i>
(forma de vida)<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> . E, novamente recorrendo a Cohn (1998),</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> não 
se pode, pois, reduzir o pensamento de Simmel nem a um modelo da ação
significativa, nem a um modelo do caráter representacional do simbolismo
cultural. Nem Weber, nem Durkheim, mas também não Mauss. O pensamento de Simmel
retira seu timbre da ênfase na tensão entre fluxos energéticos e processos de
imposição de formas (na mais exata acepção de informação) em ambientes
significativos dados. </p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> Assim, analisaremos o mundo do crime por meio das
seguintes formas: organização, religião, guerra e aventura. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ORGANIZAÇÃO:
HIERARQUIA, CARREIRA E TRABALHO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> Descrever a organização e
os cargos do tráfico é um dos principais esforços analíticos dos estudos sobre
o tema. Dentro da perspetiva assumida neste artigo, tal não significa excluir
todas as outras formas que organizam as relações sociais e económicas do mundo
do crime, mas algo que se soma ou acrescenta a essas relações. </p>

    <p> A estrutura organizacional das atividades do
tráfico de drogas nas favelas cariocas estudadas varia em função do modo como o
dono administra o seu negócio e de como reinveste os lucros em cada ponto de
venda de drogas e em toda a favela. Desse modo, os postos de trabalho e as suas
tarefas, bem como diversas atividades como as negociações, a cobrança de taxas
etc., não são as mesmas e é impossível captá-las com exatidão. No entanto,
algumas dimensões perpassam as práticas específicas e permitem pensar o tráfico
de drogas a partir de uma forma que incorpora a hierarquia, o trabalho árduo e
a carreira. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Em relação à hierarquia, no topo estão o dono e o
patrão. O termo “dono” remete para o proprietário de pontos de venda das drogas
e é usado como título de alto prestígio e respeito. Mas o dono pode ser dono de
uma boca, de um conjunto de bocas, de todas as bocas da favela e até das bocas
de um conjunto ou complexo de favelas. Ele será tanto mais poderoso quanto mais
pontos de venda possuir, investindo capital na compra de armas e drogas e
empregando pessoas nessas atividades. É também chamado de “patrão”. Está
subordinado a outros patrões, dentro de uma hierarquia na qual a fação figura
como uma organização mais ampla, que compra armas e drogas a fornecedores
externos aos circuitos de sociabilidade das favelas e subúrbios, e possui
relações políticas e económicas com membros do Estado que permitem o seu
funcionamento na cidade. </p>

    <p> Os donos têm os seus gerentes e eles podem ser de
preço, da maconha, do pó ou do <i>crack</i>, da boca ou gerente geral, que
aquele que gere todas as bocas da favela. Em geral, é tido como um homem de
confiança. Os gerentes controlam, respetivamente, as
drogas de determinado preço (p. ex., gerente do pó de cinco, gerente da maconha
de 10, etc.); as drogas por qualidade (gerente da maconha, gerente do pó,
etc.); um ponto de vendas determinado (gerente da Cabrita, gerente da rua 8,
gerente da boca da ladeira), ou pode ser responsável pelo controlo das drogas
em toda a favela (gerente geral da Rocinha, gerente geral do Morro do Amor). </p>

    <p> Quando o dono é preso, o gerente geral pode
transformar-se em “frente” da favela, assumindo os negócios criminosos em nome
do patrão e mantendo contacto direto com ele por telefone, para repassar as
suas ordens à quadrilha, ou colocando-o a par de tudo o que acontece na sua
favela. Diz-se, nesse caso, que o Fulano “ficou de frente”. O “frente” é, pois,
o representante direto do patrão, o seu braço direito, como se diz, embora haja
uma coleção de histórias em que o frente trai a confiança do dono, aproveitando
situações de afastamento para dar o que se chama “golpe de Estado”, ficando no
seu lugar. </p>

    <p> Na parte mediana da hierarquia, estão os soldados
que cuidam da segurança dos cargos mais altos e de locais estratégicos.
Geralmente, são laços afetivos e/ou de parentesco que determinam que este ou
aquele jovem ocupe o cargo de soldado do patrão. Os soldados mais habilidosos
cuidam da segurança dos chefes e os menos habilidosos ficam de vigia à entrada
da favela ou às bocas de fumo. Chama-se “contenção” a estes soldados que ficam
mais perto da fronteira entre a favela e o asfalto. É um cargo que conta com
mais efetivos, pois a menor habilidade dos soldados é compensada pelo maior
número de soldados nessa posição. Esses parecem ser os antigos “olheiros”, que
ampliaram as suas tarefas na medida em que o posto passou a incluir o porte de
fuzis e armas de grosso calibre, dando lugar à figura do
“contenção”, pouco mencionada na literatura especializada. </p>

    <p> Embora o mesmo indivíduo possa passar muitos anos
na mesma posição, morrer ou sair do tráfico antes de ascender, e os altos
postos do tráfico local sejam ocupados em geral por indivíduos de uma mesma
família, ou por uma lógica de trocas e concessões económicas, materiais,
simbólicas e afetivas, a ideia de uma carreira no mundo do crime é recorrente
dentro e fora deste mundo. </p>

    <p> No entanto, ocupar postos na parte baixa da
hierarquia não significa, entre os bandidos, explicitar claramente o desejo de
construir uma carreira que os leve ao topo,
transformando-os em donos de uma boca ou do morro. Alguns descrevem ações,
atitudes e ideias que revelam o desejo de seguir a carreira criminosa dentro do
tráfico, mas a ascensão muitas vezes não passa de uma aspiração que não se
concretiza. </p>

    <p> Outros, mobilizados por sentimentos e emoções
(medos, inseguranças, receios) que as atividades provocam e/ou pelos apelos de
mães, tias, namoradas, esposas e pastores evangélicos locais, tendem a negar
que estão a entrar numa carreira no mundo do crime e descrevem as suas
atividades no tráfico como “virações”, recursos imediatos e transitórios de
subsistência. O que os une é a retórica de que a carreira no mundo do crime dá
acesso ao dinheiro, poder de consumo, prestígio e mulheres, deslocando o lugar
da “revolta”. </p>

    <p> A carreira criminosa tornou-se uma escolha
“tentadora” para muitos jovens bandidos, como substituta do trabalho regular
legal, porque a ela está atrelado um conjunto de representações que a opõe ao
“trabalhador otário” (Zaluar, 1999). Essa representação crítica do trabalhador
regular legal, embora esteja ligada à oposição “malandro”
vs. “trabalhador” e “trabalhador” vs. “bandido”, já discutida na literatura
(Zaluar, 1988; Misse, 1999), vai além dela, por vários fatores. Destacamos
três, a seguir. </p>

    <p> O primeiro diz respeito a um contexto de
progressiva deterioração do mercado de trabalho, em especial para os jovens
pobres, moradores de favelas e de baixa escolaridade, nos grandes centros
urbanos do país, cujas ocupações são mal remuneradas, muito intensas do ponto
de vista das jornadas de trabalho, da alta rotatividade e da distância entre os
locais de morada e trabalho, numa cidade que apresenta problemas estruturais de
mobilidade urbana. </p>

    <p> Segundo, porque se deu em um momento em que as
atividades do tráfico de drogas estavam mais organizadas e com elevada
lucratividade, pagando altas remunerações, maiores ainda se comparadas às
remunerações das ocupações regulares e legais, para os jovens pobres. Há um
discurso recorrente em torno dos ganhos económicos, de poder e prestígio, e
que, dada a proximidade com o local de morada, permite que tais capitais sejam
usufruídos e expostos nas suas redes de referência. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O terceiro é o da cristalização das imagens
antagónicas dos patrões e dos empregos. O emprego regular legal é o “emprego
comum”, aquele realizado de forma rotineira, impessoal, maçadora, com elevada
exploração e de muito baixo rendimento, que reforça a imagem do “otário”. O
patrão, neste contexto laboral, parece uma figura aterrorizante, impessoal e
subjugadora, alguém que oprime e humilha, alheio aos
sofrimentos de um território marginalizado. Portanto, alguém irremediavelmente
distante e antagónico. </p>

    <p> Quando os bandidos falam das suas experiências
profissionais fora do tráfico, mostram um desconforto muito grande com o seu
lugar na hierarquia de trabalho, um certo complexo na
relação profissional com o patrão, que muitas vezes os fazem resistir a uma
ordem dada. Isto porque as ordens recebidas são avaliadas muito criticamente,
deixando-os atentos a qualquer indício de extrapolação das suas atribuições, e
fazendo-os reagir veementemente contra o que julgam ser exploração da sua força
de trabalho. Quando contratados para atender num balcão de loja, por exemplo,
não se disponibilizarão a passar um pano na bancada para tirar a poeira, uma situação
que sintetiza as inúmera<s>s</s> citadas. </p>

    <p> O emprego no tráfico é identificado como uma
aventura (uma epopeia, como descreveremos mais
adiante). E o patrão do tráfico trata os subalternos de maneira próxima, e
respeitando a sua honra de “sujeito homem” e a sua “moral de cria”. Assim é
que, para os jovens traficantes, estes patrões e donos constituem-se em grandes
modelos, verdadeiros heróis e celebridades, que os fascinam.<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> Alguém com quem se identificam e em quem se podem projetar. Existe uma
continuidade entre a pessoa do patrão do tráfico e o seu soldado. Para os
soldados de um patrão “famoso”, resvala um pouco do prestígio desse patrão. </p>

    <p> Não obstante rejeitarem a ética do trabalho como
dignificadora do sujeito, existem ainda muitas outras
representações acerca do trabalho e dos trabalhadores que se descolam desse
lugar negativo e pejorativo: existe o trabalho/trabalhador que é “respeitado”.
Isso porque, apesar de explorado, e, na verdade, justamente por esta sua
condição, o trabalhador assalariado é visto como alguém que experiencia o
sofrimento, e este sentimento irmana trabalhadores e
bandidos, pois todos são de origem pobre e/ou todos são moradores de favelas.
Assim é que, por outra via, diferente da que o crime oferece,
o trabalho árduo e persistente também é digno de um sujeito homem. </p>

    <p> Percebemos que a relação de oposição entre
trabalhador e bandido, tradicionalmente explorada pela literatura, possui
outras cores ainda pouco observadas. Feltran (2008a e 2011) mostrou como a
convivência entre o “trabalhador” e o “bandido”, para além da oposição, pode
ser complementar: num mesmo grupo familiar, enquanto o bandido supre
financeiramente a família, o trabalhador supre moralmente. </p>

    <p> Visto assim, no mundo do tráfico de drogas não
vemos somente operar a lógica hierárquica escrutinada entre donos e empregados,
com salário como meio de subsistência, jornada fixa e sistema previdenciário de
assistência salarial às esposas e familiares de soldados presos, onde “o mundo
do crime” se torna o simulacro do “mundo do trabalho” (Feffemann, 2006;
Feltran, 2008a e 2011). Vemos o crime assumir verdadeiramente a forma de uma
organização. </p>

    <p> E, como tal, nem todos estão aptos
a seguir carreira. Repetidas vezes no campo, em entrevistas com os
próprios traficantes e seus familiares, ouvimos que existe algo a mais para
aqueles que seguem carreira. Muitas vezes esse algo a
mais é descrito como um modo de ser e de estar que não se consegue qualificar,
apenas sentir. O sentir é a perceção do prazer, do gozo e da satisfação que
emana daqueles que estão ali demonstrando o seu poder, experimentando o risco e
administrando o perigo. É por isso que outras tantas vezes ouvimos que se trata
de ter talento ou dom para seguir a carreira criminosa. Uma leitura que
ultrapassa a fronteira da experiência e passa a ser quase religiosa, porque nos
conduz à ideia de ter vocação. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RELIGIÃO: MANDAMENTOS
E PERSONAGENS BÍBLICOS FALANDO A MESMA LÍNGUA</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Os bandidos do Comando
Vermelho (CV) utilizam a frase “Cristo Vive”, que abreviada é também CV, quando
querem marcar seus espaços e objetos. São pichações nas paredes, grafadas em
armas, roupas e tatuagens. Mais do que letras e brincadeiras, há aí uma relação
bem interessante com a religião, principalmente com os cristianismos populares,
que a pertença à vida do crime acomoda. </p>

    <p> Numa das bocas de fumo mais lucrativas, que
visitámos durante a pesquisa de campo, havia sobre a mesa onde as drogas eram
dispostas e vendidas, um enorme quadro espelhado que retratava a imagem de
Jesus Cristo no monte. No centro da mesa, uma metralhadora antiaérea chamava a
atenção dos “desavisados”. Do mesmo modo, os bandidos faziam orações antes de
se lançarem em assaltos na cidade, ou de enfrentarem os seus inimigos num
confronto. </p>

    <p> Deus é uma entidade recorrente nos pedidos de
proteção, na devoção, oração e crença entre os traficantes. Cunha (2009) também
registrou com clareza o fenómeno. Sem perder de vista a expansão do
neopentecostalismo nos meios populares, as rogadas bênçãos de Deus aos crimes
dos bandidos permitem-nos entrever a relatividade da noção de bem. </p>

    <p> Os elos que o crime estabelece com a religião têm
sido alvo de muitos estudos (Freitas, 2000; Teixeira, 2009)
mas os elos aos quais nos referimos aqui supõem a religião como uma
“forma” que molda as interações entre os sujeitos. Destacamos três aspetos que
permitem que entendamos a religião, ou “o religioso”, desta forma. </p>

    <p> O primeiro aspeto é a existência de um código de
honra, muitas vezes referido como mandamentos. É claro que os mandamentos são
apropriados de forma um tanto diferente da que faz a igreja, ou fazem as
igrejas. Principalmente porque o universalismo humanista cristão não está
presente no código de regras dos bandidos. Os mandamentos do Comando Vermelho,
por exemplo, circulam na imprensa, na internet, e nas conversas. São eles: </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>1.º Não negar a Pátria. </p>

2.º Não cobiçar a mulher do próximo. </p>

3.º Não conspirar. </p>

4.º Não acusar em vão. </p>

5.º Fortalecer os caídos. </p>

6.º Orientar os mais novos. </p>

7.º Eliminar nossos inimigos. </p>

8.º Dizer a verdade mesmo que custe a vida. </p>

9.º Não caguetar. </p>

10.ºSer coletivo. </p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> A inspiração bíblica é ainda mais evidente no 2.º
mandamento, que é idêntico ao 4.º mandamento bíblico. Neste caso, a origem
bíblica da orientação contra possíveis traidores outorga legitimidade ao código
do crime. Como afirma Taylor (1989), a Bíblia é uma “fonte moral inequivocamente
boa”. </p>

    <p> O “próximo”, ainda no 2.º mandamento, deve ser
lido como alguém da fação, ou algum cria da favela, que saiba e se disponha a
desenrolar o assunto e/ou que tenha acesso direto a alguma rede influente ao
nível local (especialmente alguém da alta hierarquia do tráfico), que possa
acionar para acorrê-lo. Aqui está presente a importância da fidelidade entre
pares, do pacto de honra entre homens convives, uma moral para regular os
jovens e as suas “hipermasculinidades”. A força desse mandamento é tamanha que,
durante o trabalho de campo, o desrespeito, o assédio, os investimentos ou os
simples contactos mais íntimos, entendidos como inapropriados, com a esposa ou
namorada de outro homem foram os motivos mais comuns de homicídio entre os
membros da fação. Outros motivos menos frequentes também merecem destaque, tais
como as supostas tentativas de enganar os traficantes nas transações de
mercadorias e o abandono de amigos durante confrontos armados, as famosas
trocas de tiros, ou simplesmente “trocas”<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Todos os mandamentos do CV reforçam a lealdade, a
honra, a preocupação solidária no jogo das sociabilidades entre os bandidos,
entre os “irmãos”, conformando o modo como os bandidos se tratam uns aos outros
na fação. </p>

    <p> O segundo aspeto é a linguagem comum,
identificada em expressões quotidianas, que associam os personagens bíblicos e
personagens das experiências da vida no mundo do crime e o uso recorrente de
noções religiosas apropriadas do cristianismo. </p>

    <p> Em relação à associação entre os personagens
bíblicos e personagens das experiências da vida no mundo do crime, vale
reproduzir uma experiência de campo vivida num baile <i>funk</i>. Os
evangélicos pediram permissão aos bandidos locais para interromper a música,
para uma breve pregação. O pregador falou sobre a importância de evitar o Diabo
e as suas seduções e que ele, o Diabo, traía a todos, como Judas traiu Jesus. O
Diabo era como Judas. </p>

    <p> Terminada a pregação, o DJ retomou o microfone
com a seguinte fala: “é, meus amigos… ele traiu Jesus
por dez moedinha [sic] de prata. Quem não gosta de X9 levanta a mão!” O
silêncio se desfez com uma explosão de gritos. A massa de pessoas pulava com as
mãos para o alto. E a música que começou a tocar dizia: “X9 caguetou. Entregou,
arrumou problema. Tá amarrado sabe aonde [sic]? Tá na mala do Siena. Veio o
toque da cadeia, pra acabar com o problema. X9 caguetou, nós queima [sic] ou
não queima?”. Todos responderam num brado: “queima!”. “Queima ou não queima?”
“Queima!”. </p>

    <p> Em outras conversas com os bandidos, o uso do
“Diabo” como referência, também pareceu digno de nota. Contando sobre um
episódio de uso da violência, um traficante disse que o Diabo lhe estava
“pedindo sangue mesmo”, como explicação do ato contra a vítima. Apresentava por
meio deste recurso um dualismo na própria atividade criminosa: ações mais
violentas como obra do Diabo, sem obviamente contestar que as demais seriam obra de Deus. E continuou a conversa dizendo que os
bandidos também são filho de Deus, mas também pecam. </p>

    <p> Em relação ao uso recorrente de noções religiosas
apropriadas do cristianismo, ficaram marcadas falas em que traficantes se
diziam ficar “possuído[s] pela adrenalina”, explicavam
a sobrevivência como um confronto como “obra de Deus” e como “milagre” e
saudavam parceiros com a frase: “fé em Deus e nas crianças da favela”. </p>

    <p>O terceiro aspeto,
que permite identificar a forma religião operando no jogo das sociabilidades
das redes observadas, é o testemunho. Mafra (2002) identifica o testemunho
evangélico com uma elaboração narrativa que se organiza depois de o crente
assumir a “posse da palavra”, ou seja, depois da conversão. Esta é realizada no
momento em que o crente afirma perante a igreja que “aceita Jesus de todo seu
coração”. A sua fala ganha a dimensão de um poder autorrealizador depois disso,
considerando-se o poder performativo do ato de aceitar Jesus. A vontade de
testemunhar tem a ver com querer experimentar esse poder. </p>

    <p> Entre os bandidos entrevistados, era notória a
necessidade de falar sobre algumas experiências limites, em geral grandes
tragédias, que marcaram a passagem do mundo da sociedade para o mundo do crime,
e em alguns casos, da passagem para uma entrada mais profunda no mundo do
crime, como no caso de um praticante eventual de pequenos crimes que ingressa
efetivamente no tráfico de drogas, na condição de traficante. Experiências
marcadas por uma crise moral, acompanhadas de profunda agonia do sujeito. Dar o
testemunho, nesses casos, significa reafirmar a sua “conversão” perante a
plateia ávida pelos votos de confirmação.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>GUERRA: <i>ETHOS</i>
GUERREIRO E “NEOROSE” </b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>

    <p> A “guerra”, expressão
utilizada pelos bandidos para se referirem aos conflitos armados no tráfico
(Lopes, 2011) e também pelos <i>media</i> para nomear confrontos entre a
polícia e os traficantes (Leite, 2007), pode ser lida por algumas chaves. Na
chave política, pode ser visto um tom de denúncia e crítica social acerca da
condução das políticas de segurança pública adotadas em diversas cidades e
momentos, em especial na cidade do Rio de Janeiro. Como nos lembra
Zaluar (2009): </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> O antropólogo não pode se calar sobre o
tratamento dado a refugiados, estrangeiros ou desclassificados nas novas
unidades políticas artificiais da África, nem aos “inimigos” dentro de uma
favela em alguma cidade brasileira. As lógicas do confronto guerreiro, da
ideologia do terror ou da guerra molecular, fenômenos mundiais que se
manifestam em variados e pequenos recantos deste vasto planeta, operam pela
desumanização do inimigo ou dos dissidentes, o que justificaria as atrocidades
cometidas contra eles nos cinco continentes por razões e processos diferentes. </p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> Na chave socioantropológica, o <i>ethos</i>
guerreiro, presente em grande parte dos bandidos, é entendido como as
manifestações de uma virilidade hiperdimensionada e hiperestimulada pelos
confrontos armados, <i>performances</i> na luta e interações quotidianas na
disputa por poder e prestígio, que se revelam nos discursos dos bandidos em
defesa da honra, na disposição para o uso da violência e no recurso a
comportamentos que exacerbam a virilidade para efeito de domínio, exibição e
imposição da vontade (Elias, 1997; Zaluar, 2004): </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> Espalhou-se entre alguns dos muitos jovens pobres
que moram nesses locais um etos guerreiro que os tornou insensíveis ao
sofrimento alheio, orgulhosos de infligirem violações ao corpo de seus rivais,
negros, pardos e pobres como eles, agora vistos como inimigos mortais a serem
destruídos numa guerra sem fim [Zaluar, 2009]. </p></blockquote>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>No entanto, antes
de uma insensibilidade ao sofrimento alheio, ou de um não reconhecimento da
alteridade (Machado da Silva, 2004), o <i>ethos</i> guerreiro permite perceber
que estamos tratando do cultivo de uma insensibilidade ainda mais profunda que
a insensibilidade egoísta à dor do outro. Mesmo que em muitos casos haja
perplexidade diante das situações de violência que eles protagonizam como
vítimas ou algozes, o processo de “insensibilização” observado é um elemento
necessário à atuação do guerreiro e tem por objeto também, e principalmente,
lidar com a própria dor. A frieza diante da própria dor é o elemento
imprescindível para que se tenha a capacidade de infligir dor ao outro. </p>

    <p> A insensibilidade é verdadeiramente perseguida
pelos bandidos, ativamente construída e vigiada para que não falhe, sendo
necessário dar provas às vezes desse poder, demonstrar a virtude e o dever de
“não sentir”. Parece que eles criam uma estratégia poderosa para enfrentar
confrontos e as obrigações de matar, torturar ou bater: não se deixar afetar
pelo próprio sofrimento. </p>

    <p> A disposição guerreira também está visível no que
eles chamam de “neorose”, com “o” mesmo.<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>  Os “neoróticos” são capazes de presumir má-fé nas ações de todos os
que os cercam, e fazem-no como meio de garantir a segurança própria e dos
outros membros da boca ou fação e de se equilibrarem num contexto de contínua
sensação de risco e insegurança. Assim, o neorótico antecipa a ação violenta
esperada do outro, ou como dizem nas redes estudadas: “antes de chorar minha
mãe, chora a tua mãe primeiro”. É, sobretudo, uma
forma de autoproteção e do grupo, não necessariamente uma intenção de atacar. </p>

    <p> Mattos (2012) discute a “neorose” e os
“neoróticos” como parte de um novo momento no mundo do
crime, onde a ênfase no poder armado “desloca o estilo masculino agressivo do
corpo e suas técnicas de luta para ressaltar o temperamento obsessivo e
controlador do “neurótico”, cujas ações violentas seguem um novo ideal de
virilidade definido pela associação ao tráfico”. A autora conclui que há duas
configurações sociais distintas: holismo associado à valentia e individualismo
associado à <i>performance</i> (sensação) neurótica. </p>

    <p> Entre os bandidos aqui estudados, talvez pelo
tempo transcorrido e a introjeção dessa disposição neurótica, a valentia e a
disposição guerreira passam a realizar-se pela disposição neurótica que os
defende a si e ao grupo, não havendo a separação identificada pela autora. </p>

    <p> A arma, parte fundamental da indumentária do
bandido e da sua imponente <i>performance</i> na
favela, pode ser muito bem entendida neste contexto como um pedido de
reconhecimento de poder, não só para si, mas para o grupo. O símbolo fálico
passa a ser o que dá garantias ao bandido sujeito-homem de que se manterá
honrado, de que não será subjugado. E a reunião de algumas armas, expostas a
céu aberto ou nas janelas de casas que são utilizadas como pontos estratégicos,
indica que o poder não é de um homem só. </p>

    <p> Não só a utilização e a quantidade de armas
permitem dar conta das “táticas” utilizadas pelos bandidos das favelas. A
favela, incógnita no imaginário da cidade, de becos e vielas tortuosos, que
exige do passante alguma perícia no caminhar, torna-se um campo de batalha com
obstáculos construídos, trincheiras muito bem posicionadas e rotas de fuga. O
domínio do território é uma das principais armas na guerra.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>AVENTURA [EPOPEICA<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>]: BANDIDO HERÓI, VISIBILIDADE E ESTÉTICA
DA VIOLÊNCIA</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>

    <p> Ali onde o crime, ou mais
precisamente, onde a experiência de uma vida e de uma identidade constituídas
com base na prática do tráfico de drogas, e a arte se intercetam, há dois
elementos básicos que merecem ser considerados e que são, na verdade,
complementares: a elaboração narrativa dos feitos que afirmam a identidade de
bandido e a apreciação estética das coisas deste mundo do crime, no qual estes
jovens acreditam viver. </p>

    <p> Na verdade, aquilo a que chamamos elaboração
narrativa trata da construção de uma identidade e pertença, a partir da
narração de histórias “épicas” protagonizadas pelos jovens. Torna-se ao mesmo
tempo uma estratégia de aceitação no grupo, a conquista da desejada
visibilidade, e revela uma apreciação da beleza dessas histórias e prazer
eufórico. A impressão que fica é a de que o jovem que passa a integrar o corpo
de membros do tráfico local fica, ao mesmo tempo, extasiado e surpreendido com
a própria escolha, com a própria ousadia, que subverte a lei e a moral
dominantes. Assim, os bandidos empenham-se em contar e recontar aos demais
(reinventando continuamente) essas histórias de crimes cometidos, que
constituem as suas trajetórias dentro da carreira criminosa, a fim de ganhar <i>status</i>. </p>

    <p> Nas bocas de fumo, os rapazes reúnem-se para
contar as suas aventuras criminosas: quando este ou aquele companheiro
conseguiu uma fuga espetacular da polícia, quando um ladrão, durante um
assalto, cometeu uma gafe anedótica, quando qualquer coisa
foi mal sucedida no conflito com inimigos, vindo a culminar na morte de um
amigo. O que chama a atenção é que, sendo um facto heroico, uma gafe ou
um acontecimento com desfecho fatal e trágico, as histórias são saboreadas, são
apreciadas minuciosamente e, em alguns casos, tornam-se a própria identidade do
protagonista. </p>

    <p>Na elaboração
narrativa do ser bandido, existe um deleite em ouvir tais histórias que são
compartilhadas nas redes locais e contribuem para a tão almejada fama dos
garotos – limitada, obviamente, a determinados circuitos. Um prazer de ouvir,
um prazer de contar histórias é, pois, muito notável entre eles. Há, em
simultâneo, um sentido estético que inclui a apreciação das armas, das músicas
de enaltecimento da fação e das carreiras criminosas de maior evidência. </p>

    <p> E como no mercado das artes, quanto mais uma obra
encontra consumo e admiração, mais reconhecimento tem o artista. As habilidades
ressaltadas de coragem, a destreza no manejo de armamentos, a agilidade física
e de raciocínio, resistência física e emocional narradas pelos garotos e
propagadas nas suas redes, configuram-nos como heróis-“artistas” diante dos
seus próprios olhos. Os valores pertencentes ao herói, a
virilidade, a força, a coragem e a honra são destacados, identificados na noção
de “bandido”. </p>

    <p> Histórias que não são apenas contadas, mas outras
vezes cantadas nos chamados <i>funks</i> “proibidão”, aqueles que exaltam
traficantes e os seus feitos<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> . Nestes <i>funks</i> podemos perceber a valorização de uma destreza,
uma mestria em relação a um feito sensacional. Algo que encerra a noção de um
“talento”, presente no jargão nativo: “roubar no talento”, “esperar no
talento”, “atirar no talento”. </p>

    <p> Noutros <i>funks</i>, o som dos tiros é outra
coisa além de meros sons de tiros<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>, faz a rima da música, ou são misturados para dar acentuação rítmica e
compor arranjos. Desse modo, deixam de ser barulhos
caóticos ou ensurdecedores, e tornam-se obras artísticas que narram as epopeias
dos seus protagonistas. O ato criminoso é reescrito a partir de uma estética,
conjugada com uma ética, na qual o crime deixa de ser errado porque pode ser
sublime. </p>

    <p> &nbsp; </p>

    <p><b>CONSIDERAÇÕES FINAIS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>

    <p> Procuramos convergir
analiticamente dados de três pesquisas que lidavam diretamente (no caso duas) e
indiretamente (no caso a pesquisa das famílias) com o mundo do crime, em
especial o do comércio ilegal de drogas, aqui referido como tráfico. O elemento
central para produzir tal convergência foi a
observação de que a despeito das diferenças contextuais entre as favelas, nas
quais os trabalhos de campo foram realizados, e as diferenças produzidas por
género, idade, existência ou não de familiar envolvido, tempo de envolvimento,
trajetória dentro e fora do mundo do crime, relações de afeto, sentidos e
motivos atribuídos às suas escolhas, que particularizam as trajetórias dos
indivíduos, existe uma rotinização de comportamentos e padrões de interações
interpessoais por meio dos quais os indivíduos produzem as suas práticas. Sem
dúvida, há uma mudança em curso com a instalação das UPP nas favelas, e
certamente está em curso a rotinização de novos comportamentos e interações. </p>

    <p> Nesse sentido, o conceito de formas, tal como
presente em Simmel (1971), foi o ponto de chegada desta tessitura analítica da
convergência entre as pesquisas. Organização, religião, guerra e aventura foram
as formas escolhidas para apresentar ainda de que
parcialmente, o modo como o mundo do crime se mostra. Pela descrição dessas
formas, percebemos a inversão da lógica do mundo, face à ordem legítima. Nessa
construção antagónica, a subalternidade e o tratamento impessoal,
experimentados nas relações de trabalho regulares legais, diferente da
subalternidade vivenciada na organização hierárquica do tráfico, incomodam os
meninos envolvidos. Mais do que isso, ofende-os ser vistos deste modo. Como
trabalhadores do tráfico, embora alguns se percebam na condição de explorados,
queixando-se de que ganham pouco em comparação com os lucros auferidos pelos
superiores, ou que têm uma jornada longa, que estão submetidos a códigos e
hierarquias rígidas e experimentam rituais e situações de humilhação, ainda
assim sentem-se distantes da exploração que sofrem os “trabalhadores otários”
(Zaluar, 1999). </p>

    <p> Ao se destituírem da perspetiva do trabalho
legal, os “trabalhadores” da organização do tráfico reportam com clareza as
suas obrigações, regras, contrato de trabalho e aspirações. Nesta organização,
os agentes reguladores situam-se na ordem do afeto, da lealdade, confiança e
reciprocidade entre patrão e empregado. A punição das faltas cometidas pelos
empregados é medida em relação ao grau de ferimento a essa lealdade
(Feffermann, 2006) e quebra de confiança. Isto porque a insatisfação nas
relações de trabalho pode ser “desenrolada”, isto é, existe margem para negociação
e conversa. Se um indivíduo não tem dinheiro, negocia-se o pagamento adiantado,
serviços extras, ou autoriza-se um “ganho” na rua (assaltar, atividade muitas
vezes proibida para traficantes de algumas favelas). Por isso, roubar a “boca”,
virar X9 de inimigos, tramar situações para se favorecer em detrimento de algum
parceiro são faltas graves. </p>

    <p> Isso permite-nos
entender que estão em jogo dois sentimentos de identificação significativos: o
reconhecimento e a pertença. Enquanto o reconhecimento os torna visíveis para
si e para os outros, o sentido de pertença à fação ou ao grupo é o que faz com
que se subordinem à hierarquia. Dá-se o primeiro por intermédio do segundo. </p>

    <p> Mas estar imbuído
desses sentimentos é para poucos. É preciso ter o dom, a vocação. Como afirmado
anteriormente, o uso das noções e narrativas cristãs para interpretar os
eventos vivenciados é recorrente, assim como a associação entre os personagens
bíblicos e os personagens das experiências da vida no mundo do crime. Os
personagens bíblicos, as suas histórias e as suas noções servem de modelo para
o enquadramento da realidade, não só no sentido de conferir significado para
si, mas para os outros não-bandidos. Ou seja, se o X9
é Judas, bandidos e não-bandidos sabem o que fazer com
ele. Se é obra de Deus ter sobrevivido ao confronto
armado de grande porte, é porque se é um escolhido Dele. </p>

    <p> Abandonando a pretensão, pouco fecunda, embora
tentadora, de sondar as teias de significado nas quais cada expressão está
imersa, o que salta aos olhos é o diálogo entre religião e crime. O que aquela
empresta à formulação da experiência deste. E em que medida o crime pode então
ser vivido como uma experiência religiosa, por causa da catarse, como aquela
sentida pelo nosso entrevistado, ao ver-se “possuído de adrenalina”. </p>

    <p> Não são só possessão e milagres. Entendemos que o <i>ethos</i>
guerreiro e a “neorose” implicam uma estetização da guerra que, para além de
uma metáfora de fora e de dentro, dá forma ao mundo do tráfico, num impulso
expressivo e explosivo de violência, numa normalização da violência e da
dominação pela arma como linguagem adotada pelos meninos nas suas relações
habituais. Mas também implicam um complexo processo de construção de si, que
passa pela afeição e estima, costurado pela pertença
ao território e pela identidade que dessa pertença emerge. A identidade de
“cria” da favela, bem como uma elaboração de género (o sujeito homem) e a
afirmação de um ideal de bom e de belo. </p>

    <p> O malfeitor torna-se herói, o feio torna-se belo,
do barulho aflitivo e ensurdecedor das armas nasce a
melodia, o estigma viabiliza a celebridade e a pertença ao território segregado
mune-se de um orgulho próprio e confere a moral, a moral da cria. Nessa
reciclagem simbólica que os bandidos operam, o próprio termo bandido é re-valorado, passando a ser considerado o ingresso numa
carreira dotada de patentes, poder e prestígio, hierarquicamente diferenciados.
Quando se diz, nessas redes, que alguém “é bandido” ou que determinado objeto,
ou conduta, é “de bandido”, quer-se com isso valorizar aquilo de que se fala,
não sem ambiguidades e temores. </p>

    <p> Nesse mundo, o do crime, prima-se pelo elogio à
insubmissão à ordem social dominante e pela rejeição de um Estado que subjuga o
jovem favelado. “Somos a favor da lei, porque a lei quem faz é nós”, diz um <i>funk</i>
proibido, cuja versão feita para tocar nas rádios diz “somos a favor da paz,
porque a paz quem faz é nos”. É necessário considerar
que paz significa a manutenção da ordem estabelecida, para poder entender o
sentido complexo – ao mesmo tempo transformador e conformista – que é atribuído
a “fazer” a paz. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS</b></p>

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    <!-- ref --><p>ZALUAR, A. (1988), <i>A Máquina e a Revolta</i>, São
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    <!-- ref --><p>ZALUAR, A. (1997),“Gangues,
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    <!-- ref --><p>ZALUAR, A. (1999), <i>A Máquina e a Revolta: as
Organizações Populares e o Significado da Pobreza</i>, São Paulo, Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076147&pid=S0003-2573201600010000400043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ZALUAR, A<i>.</i> (2004), <i>Integração Perversa:
Pobreza e Tráfico de Drogas</i>, Rio de Janeiro, Editora FGV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076149&pid=S0003-2573201600010000400044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ZALUAR, A. (2009), “Pesquisando no perigo: etnografias
voluntárias e não acidentais”. <i>Mana</i>,
15 (2), pp. 557-584.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076151&pid=S0003-2573201600010000400045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ZALUAR, A. (2012), “Juventude violenta: processos,
retrocessos e novos percursos.” <i>DADOS – Revista de Ciências Sociais</i>, Rio
de Janeiro, 55 (2), pp. 327-365.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076153&pid=S0003-2573201600010000400046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ZALUAR, A., CONCEIÇÃO, I.S.
(2007), “Favelas sob o controle das milícias no Rio de Janeiro: que paz?”. <i>São
Paulo em Perspectiva</i>, 21 (2), pp. 89-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076155&pid=S0003-2573201600010000400047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p>Recebido a 02-06-2014. Aceite para publicação a
23-10-2015.</p>

    <p>&nbsp; </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>

    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>A palavra cerco está entre
aspas porque faz referência ao título de um livro organizado por Machado da
Silva (2008), identificado na bibliografia. </p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>As aspas foram aqui
utilizadas porque nem todos os trabalhos que se debruçaram sobre o comércio
ilegal de narcóticos, seus atores, práticas e estilos de vida utilizaram estas
categorias para designar o seu objeto, ou o âmbito de seus estudos. </p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>As milícias têm a sua
origem na tradição dos justiceiros locais e da polícia mineira. São formadas
por polícias (militares e civis), bombeiros, agentes penitenciários, entre
outros membros das forças policiais e agentes do Estado com braços na estrutura
política da cidade; atuam nas áreas pobres e em
favelas por meio da especulação imobiliária (compra e venda de lotes/terrenos),
venda de “segurança privada” para comerciantes e moradores, venda de serviços
de TV a cabo e gás, e usam a violência para coibir os moradores (Zaluar e
Conceição, 2007; Souza e Silva e Lannes, 2008; Cano, 2008). </p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>Em 2009, a primeira UPP foi
instalada no morro Santa Marta, no bairro de Botafogo, como experiência piloto. </p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>Na primeira pesquisa, a equipa contou com Humberto Junior, Fábio Tavares, Camile
Gonçalvez, Glória Brum e Natânia Lopes (jovens pesquisadores), sob a
coordenação de ­Felícia Picanço (UFRJ). A segunda pesquisa trata da etnografia
realizada por Natânia Lopes para a dissertação de mestrado, orientada pela
professora Patrícia Birman. Na terceira, a equipa foi composta por Alan Brum,
Bruno Celestino, Eric Aranha e Natânia Lopes, sob coordenação
de Felícia Picanço. </p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>Aqui a autora optou por
utilizar a categoria nativa <i>Crime</i> (grafado com letra maiúscula e itálico
para produzir a diferença). </p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup>Formas de vida na aceção trazida
por Machado da Silva (2004 e 2008) e Grillo (2013). </p>

    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>Ao invocar os termos herói
e celebridade, estamos a sair da perspetiva interpretativa da dominação
carismática, o patrão não é necessariamente um líder carismático para exercer
fascínio. </p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup>Zaluar (1993, 1999) examina
superficialmente o sistema de dívidas de sangue que regulam a troca (de tiros). </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup>Mattos (2006 e 2012)
analisou a “neurose” e a violência na cultura <i>funk</i>. </p>

    <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup>O subtítulo reitera a
referência a Simmel, em especial à forma aventura de Simmel, que é aquela que
extrapola as experiências ordinárias da vida. A aventura é epopeica porque
trata de uma narrativa fundamentada em acontecimentos históricos recriados,
utilizando preceitos morais e atos exemplares com a função de criar modelos de
comportamento e atribuir a qualidade de herói aos seus principais personagens. </p>

    <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup>Atualmente basta entrar na
internet para achar exemplos, tais como “Piloto de Fuga”, do MC Ticão, “Se
Deixou levar”, do MC Orelha. </p>

    <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup>Os exemplos vão desde
“Estaladão é o barulho do meiota”, do Madrugadão, até um <i>funk</i> que ficou
muito famoso, chamado “Morro do Dendê”, dos MCs Cidinho e Doca. </p>



     ]]></body><back>
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