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<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[13 de abril de 1831: a Bahia de Cipriano Barata e o Brasil de D. Pedro I no final do primeiro reinado]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Bahia of Cipriano Barata and Brazil: in the end of D. Pedro I’s first reign (1831)]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centre de Recherches Internationales Sciences Po  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[On April 13, 1831, a great popular uprising took place in the capital of Bahia. Its goal was to avenge the murder of a Brazilian individual by a Portuguese, a few days after the abdication of King Pedro I. This explains the acute tension between the expressions “being Portuguese” and “being Brazilian” in Bahia and Brazil during the first reign (1822-1831). The presente article relates the murder incident to the general formation and affirmation process of Brazilian national identity in the first moments of the Brazilian empire.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ 

     <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>

    <p><b>13 de abril de 1831: a Bahia de Cipriano Barata e o Brasil de D. Pedro I no final do primeiro reinado</b></p>

    <p><b>The Bahia of Cipriano Barata and Brazil in the
end of D. Pedro I’s first reign (1831)</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Daniel Afonso da Silva</b>* </p>

    <p>*Centre de Recherches Internationales Sciences Po, 56, rue Jacob — 75006 Paris, France. 
E-mail: <a href="mailto:daniel.afonso66@hotmail.com">daniel.afonso66@hotmail.com</a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RESUMO</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No dia 13 de abril de 1831, uma
grande revolta popular teve lugar na capital da Bahia. O seu objetivo era
vingar o assassinato de um brasileiro cometido por um português. Ocorrida
alguns dias depois da abdicação do rei D. Pedro I, essa manifestação explicitou
a aguda tensão entre “ser português” e “ser brasileiro” na Bahia e no Brasil
durante o primeiro reinado (1822-1831). Este artigo visa integrar o incidente
do dia 13 de abril de 1831 no processo geral de formação e afirmação da
identidade nacional brasileira nos primeiros momentos do Império do Brasil. </p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: Brasil; Bahia; identidade;
império; 1831. </p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>On April 13, 1831, a great popular
uprising took place in the capital of Bahia. Its goal was to avenge the murder
of a Brazilian individual by a Portuguese, a few days after the abdication of
King Pedro I. This explains the acute tension between the expressions “being
Portuguese” and “being Brazilian” in Bahia and Brazil during the first reign
(1822-1831). The presente article relates the murder
incident to the general formation and affirmation process of Brazilian national
identity in the first moments of the Brazilian empire. </p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
Brazil; Bahia; identity; empire; 1831. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> “Que duas gerações há só diferente, Virtude, e
Vicio; tudo mais é engano” </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cipriano Barata<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>

    <p> &nbsp; </p>

    <p> […] um povo de armas na mão, e eletrizado pelo
fogo da liberdade, que escuta
mais a voz da razão e da lei, que a do ódio e da vingança, é certamente um povo
heróico. </p>

    <p>Dom Romualdo Antonio
de Seixas<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a></p>

    <p> &nbsp; </p>

    <p>Abandonais, Baianos, a esses, que ferventes por
inovações, cujo termo desconhecem, não têm de seus escaldos projetos tirado
outro resultado, senão lágrimas, e sangue, assassinatos e liberticídios. </p>

    <p>João Gonçalves
Cezimbra<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a></p></blockquote>



    <p>&nbsp;</p>

    <p> No dia 13 de abril de
1831, pelas onze horas da manhã, na freguesia de Santo Antonio em Salvador,
Cipriano José Barata de Almeida e sua família tiveram a atenção tomada pelos
tumultos nas ruas do largo da Cruz do Pascoal. ­Correram à janela e avistaram
um homem ensanguentado e aparentemente morto sobre um sofá carregado por pretos
acompanhados de uma multidão aos gritos de “os marotos mataram um brasileiro,
morra maroto”.<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> O morto era o brasileiro e homem de negócios na cidade baixa Victor
Pinto de Castro. O assassino fora o português, e também homem de negócios na
cidade baixa, Francisco Antonio de Souza Paranhos (Ximenes, 1998, pp. 32 ss). Enquanto Paranhos fugia para se esconder, os seus
compatriotas começaram a ser duramente hostilizados. Quase todas as casas de
portugueses eram arrombadas. Vendas e armazéns, invadidos. Pipas de cachaça e
de outras bebidas, violadas. Prateleiras, quebradas. Fazendas, rasgadas e
jogadas no meio da rua. Donos ou caixeiros, espancados e mortos.<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></p>

    <p> A alternativa dos portugueses foi procurar abrigo
nas embarcações estrangeiras atracadas no porto. O comerciante João Teixeira de
Carvalho corria em disparada na direção da baía quando avistou no mar uma canoa
pilotada por um preto que, pelos vistos, oferecia ajuda. Carvalho não titubeou.
Adiantou a passada, pulou para a água e aproximou-se do barquinho. Por
infortúnio, o preto, ao invés de salvá-lo, espancou-o até à morte a golpes de
remo (Amaral, 1922, pp. 174-175). </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Cipriano Barata recusava-se a presenciar aquelas
cenas. Saiu da janela e começou a caminhar aflito pela casa. De repente, ouviu
firmes e incessantes batidas na porta principal. Era o visconde de Pirajá,
então comandante das armas, acompanhado do juiz de paz da freguesia, Sr. Lázaro José Jambeiro. Pirajá, por alcunha “Santinho”,
era gente dos Garcia d’Ávila e velho conhecido de Barata. Apressou-se em
abraçar o redator da <i>Sentinela da Liberdade</i> para demonstrar a sua
fraternal afeição e amizade. Sem delongas, começou a relatar a “total anarquia”
que tomava a cidade. Informou que os soldados de várias guarnições tentaram,
sem sucesso, conter a intranquilidade. Que só cresceu e esgotou as forças do
governo. Nesse contexto, Barata, pela popularidade que tinha diante da gente da
Bahia, era a derradeira e providencial alternativa.<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a></p>

    <p><span lang="PT" style="letter-spacing:.05pt">Sem muita prosa e a
contragosto da família, Barata aceitou a incumbência. Todavia, ressaltou que
tentaria acalmar o povo não pela súplica de “Santinho”, mas por amor à pátria
(Vianna, 1945, pp. 448-449). Às rápidas, colocou a típica casaca preta de
algodão da terra, os sapatos de couro de veado sem tinta, o chapéu de palha e
empunhou uma rama de café. Num repente, rumou para a cidade baixa. Por onde
passava, discursava e acalmava o povo. Este, serenado, punha-se a segui-lo,
gritando o seu nome e a cantarolar a conhecida quadra </p>

    <p> &nbsp; </p>

    <p> Fora Marotos, fora&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Brasileiros já não querem </p>

    <p> Viagem
podem seguir&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;  Marotos
mais no Brasil.<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> Pelas seis da tarde, os tumultos já tinham sido
contidos e o sossego público, restabelecido. Por essas horas, numerosas
pessoas, em ritmo de festa, aglomeraram-se à frente da casa dos
Barata para aclamar Cipriano presidente da Província. Acenavam lenços
brancos, cantavam, davam vivas. Da janela, Barata agradecia aqueles gestos de
admiração e respeito, repetidos noite adentro.<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a></p>

    <p> Na madrugada, quando a calmaria tomou conta, o
iniciador de todo o alvoroço, o homicida Francisco Antonio de Souza Paranhos,
saiu de seu esconderijo no forro de uma das suas lojas na cidade baixa. Sem
pestanejar, porém trémulo e ensimesmado, pediu para o seu funcionário Joaquim
Pereira ­Marinho o pintar de preto e ir à rua ver se não havia gente suspeita.
Como tudo estava deserto e estar pintado de preto dificultaria eventual
identificação ou intercetação, seguiu a passos largos, na companhia do seu
funcionário ­Marinho, na direção do porto onde havia um brigue inglês à espera.
Sem contrição nem repeso, partiu para a Europa (Ximenes, 1998, pp. 32 ss). </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>O ACONTECIMENTO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p> No ano de 1831, os
portugueses monopolizavam o comércio de Salvador, possuíam grandes propriedades
pelo Recôncavo e ocupavam os cargos mais expressivos do governo da Bahia.
Muitos dos baianos que se consideravam brasileiros mostravam desagrado em
relação a essa situação; em especial porque os portugueses, geralmente,
dificultavam o seu acesso a géneros de primeira necessidade, impondo a venda
dos produtos a preços exorbitantes, e os constrangiam e oprimiam nos cargos
públicos, sobretudo no exército. A rivalidade e a antipatia entre
baiano-brasileiros e portugueses produziam tumultos, assaltos e assassinatos
recorrentemente e imprimiam caráter penetrante à desconfortável sensação de <i>memento
mori</i>. </p>

    <p> O extraordinário acontecimento do dia 13 de abril
foi produto desse contexto. A dualidade e as aporias de brasileiros e
portugueses na Bahia advêm do longo e complexo processo de formação das sociedades
baiana e brasileira que, a partir do Oitocentos,
começaram a projetar e protagonizar a construção de um Estado independente de
caráter nacional. A definição das bases desse Estado processou a aceitação,
negação e negociação de elementos de um <i>passado</i> de matriz lusitana com
um <i>futuro</i> que se queria brasileiro. O ano de 1831 foi – ao menos nos
tempos, escalas e espaços restritos à relação entre o Brasil e a Bahia da
primeira metade do século XIX – o momento decisivo desse processo. O episódio
do dia 13 de abril evidenciou a participação da Bahia no conjunto dessas
tensões e contradições. </p>

    <p> O objetivo do que se segue é apresentar
apontamentos para a reconstituição dos vínculos do processo de formação da
sociedade baiano-brasileira ao conjunto de acontecimentos decorrentes do
extraordinário dia 13 de abril de 1831 na Bahia. </p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p><b>O PASSADO PRESENTE</b></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p> Ao longo do processo de
conquista e colonização da América, a propriedade e a honra foram os principais
objetos de desejo dos portugueses. Muitos lusitanos, desqualificados na
metrópole, em terras americanas vieram a “ser ricos e honrados”. O adensamento
dos modos de pensar e viver na colónia diante da precariedade, provisoriedade,
silêncio e solidão dos trópicos tornou essa gente brasílica. O padrão mental
dessa gente tornada brasílica adquiriu caráter simultaneamente <i>replicante</i>
e <i>desviante</i> do arquétipo peninsular. No replicar, estimulou a
necessidade de acumulação de riquezas materiais para criar riquezas imateriais
como valores, honrarias e <i>condição</i>. No desviar, começou a produzir novas
auto-referências que <i>pari passu</i> se convertiam
em localismos e fabricavam identidades patrióticas corporificadas e
identificadas na condição de baiano, mineiro, paulista, pernambucano. Nesse
sentido, a capitania tornou-se a base espacial, imaginária e referencial da
projeção de anseios políticos, económicos e culturais; muito embora Portugal
continuasse a ser a referência essencial do <i>modus vivendi</i> (Jancsó, 2005,
pp. 19-22, 28-29, 41 <i>passim</i>; Jancsó e Pimenta, 2000; Novais, 1997; Mota,
1979; Mattos, 1999). </p>

    <p> Com o entrar de Setecentos, por um lado, foi-se
evidenciando que o referido caráter <i>desviante</i> imprimia à condição de ser
baiano, mineiro, paulista, pernambucano o reconhecimento de uma <i>pátria </i>projetada
no domínio territorial da capitania e, concomitantemente, o reconhecimento de
uma <i>nação</i> fundada na necessidade da peregrinação à imagem do império
português. Ou seja, os indivíduos tinham por <i>pátria</i> a Bahia ou
Pernambuco ou São Paulo e por <i>nação</i>, Portugal. Isso levava-os
a ser – guardadas as possíveis variantes e variáveis e operando na mais extensa
abstração – baiano-portugueses, pernambucano-portugueses, paulista-portugueses
(Jancsó e Pimenta, 2000). </p>

    <p> A crise do Antigo Regime e do antigo sistema
colonial, ao controverter a relação entre Portugal e Brasil, suscitou o
questionamento desse conjunto de relações e lógicas assentes. Com isso, formas
de sociabilidade consagradas começaram a perder a sua operacionalidade e os
brasílicos de todas as <i>pátrias</i> foram instados a rever os seus horizontes
de expectativas e as suas práticas quotidianas. O desenrolar desse processo
gerou a implosão do império luso-brasileiro e o redimensionamento das
convicções da referida mentalidade <i>replicante</i> e <i>desviante</i>. A
partir daí, baianos, pernambucanos, paulistas começaram a reorientar o núcleo
de peregrinação que os definia como portugueses e entraram num ruidoso e
dificultoso processo de reconhecimento do novo Império, o Brasil, como esteio
da sua imaginação nacional. De modo geral, baiano-portugueses, pernambucano-portugueses,
paulista-portugueses tornar-se-iam baiano-brasileiros,
pernambucano-brasileiros, paulista-brasileiros (Anderson, 1989). </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Essa viragem, cujas implicações e variáveis
expressam o genuíno enigma da história do Brasil, possuiu dimensões, ritmos e
alternâncias em tempos e espaços variados. No plano geral e enquanto critério
de periodização, o seu início ocorreu em meados de Setecentos e estendeu-se a
meados de Oitocentos. De modo específico e enquanto critério de problematização, foi produto, sujeito e objeto da <i>era de revoluções</i>
do mundo ocidental (Hobsbawm, 2002; Gellner, 1983). </p>

    <p> O diferencial decisivo do processo foi a estruturação do Estado brasileiro a partir, especialmente,
da Independência formal em 1822. Com isso, o elemento essencial adicionado foi
o contingenciamento jurídico definidor da identidade por nascedouro. Ao passo
que no período colonial, nascer no Brasil era “ser português”, a partir da
Independência, nascer no Brasil passou a ser juridicamente “ser brasileiro”
(Ribeiro, 2002; Neves, 2003; Ribeiro e Pereira, 2009; Silva, 2012). </p>

    <p> Por certo, a imposição jurídica da condição de
“ser brasileiro” não resolveu a questão. Tampouco completou a viragem. Apenas
se acrescentou ao conjunto de complicações do quotidiano das gentes outrora
impelidas entre a metrópole e a colónia e agora refreadas entre a província e o
Brasil. </p>

    <p> O momento, senão exclusivo, decisivo da
manifestação dessas tensões e contradições foi, certamente, o da independência
do Brasil na Bahia. A luta da independência na Bahia contra o domínio português
expressou, no plano simbólico, a negação e a reiteração de aspetos da
mentalidade <i>replicante</i> e <i>desviante</i>, própria dos brasílicos
coloniais. Se, por um lado, a <i>nação portuguesa</i> já não representava o
núcleo de peregrinação; por outro, a <i>nação brasileira</i> ainda não fornecia
elementos consistentes para a adesão e reconhecimento imediatos. Se, por
convenção, não poderiam continuar no país os brasílico-portugueses e na
província, os baiano-portugueses, o paradoxo profundo e real era o soberano e
grande parte dos aliados da causa do Brasil serem inteiramente portugueses
(Ribeiro, 2002). Ou seja, era impossível não viver o <i>passado presente</i>,
mas era essencial tornar o <i>futuro presente</i>. </p>

    <p> Ao tentarmos uma aproximação às circunstâncias
vividas pelas pessoas ao longo desse processo, fica evidente que a regra era a
ausência de regra. Diversas contradições, conflitos e tensões afligiam e
perturbavam o quotidiano de indivíduos de tipos e qualidades variados que habitavam
aquela Bahia daquele Brasil. </p>

    <p> Mesmo com o fim da guerra de Independência na
Bahia – que foi disputada no plano político pelos “partidos” brasileiro,
português e negro e perdurou de 1822 a 1823 (Reis, 1989, pp. 81-82, 89, 92) –,
segmentos económicos, políticos e sociais continuaram a digladiar-se na Bahia.
Moedas em circulação começaram a ser recusadas nos comércios. Por conta disso,
comerciantes, na sua maioria ingleses e portugueses,
começaram a ser extorquidos e espancados. Em resposta, aumentava o preço de
géneros de primeira necessidade. Com isso, a fome era imposta aos homens do
povo. Essa imposição ficou ainda mais pujante com a incidência de rigorosas
secas pelas localidades do Recôncavo e do Sertão. Isso fazia escassear os
alimentos e generalizava a penúria. Famintos vagavam pelas estradas de Salvador
e do Recôncavo. Militares, sem soldo nem comida, fugiam das guarnições.
Proprietários, receosos de terem os seus bens subtraídos e as suas vidas
abatidas, formavam milícias e contratavam escoltas. </p>

    <p> A insegurança e o medo tomavam conta. Escravos e
gentes do povo punham-se em rebelião. Havia uma convicção: o recém-criado
governo da Província não conseguia prover a ordem e o sossego públicos para
nenhum dos segmentos sociais baianos. </p>

    <p> Diante do contexto político do Brasil, as pessoas
que viviam essas dificuldades na Bahia, de alguma forma, indagavam a si mesmas
quais as vantagens do <i>futuro</i> projetado na <i>nação brasileira</i> frente
às indefinições políticas e económicas daquele quotidiano <i>presente </i>vivido
a duras penas. Ser indiferente ao sentido dessa indagação também era <i>condição</i>.
Mas o primeiro reinado foi mostrando que a indiferença e a indagação não
suportariam por muito tempo a imposição e o impacto da definição de se ter a <i>nação
brasileira</i> como condição (Silva, 2008). </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>O SOLDADO DA
LIBERDADE: DA VIRTUDE AO VÍCIO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p> Durante o primeiro
reinado, poucas pessoas tiveram a argúcia e sensibilidade para perceber e
entender o conjunto de transformações políticas e sociais no Brasil e na Bahia
como Cipriano José Barata de Almeida. Baiano de nascimento e ferrenho defensor
da causa do Brasil, Barata participou de momentos decisivos da formação da
sociedade baiano-brasileira. Esteve na Inconfidência baiana de 1798, na revolta
pernambucana de 1817 e na deputação brasileira nas Cortes de Lisboa de dezembro
de 1821 a outubro de 1822. Por suas divergências em relação à forma de governo
encampada pelo Imperador D. Pedro e seus correligionários, foi
feito prisioneiro no Rio de Janeiro em novembro de 1823. Detrás das grades até
outubro de 1830, angariou popularidade, prestígio e reconhecimento frente às
gentes do Brasil e da Bahia. Não demorou a ser alcunhado de “Soldado da
Liberdade” (Morel, 2001 e 2008). A sua soltura, nos
últimos instantes do primeiro reinado, foi impulsionada por inflamado discurso
do deputado baiano António Pereira Rebouças que, na sessão da Câmara dos
Deputados do dia 23 de setembro de 1830, instou os deputados a cumprirem a
sentença de pôr o “cidadão Barata” em liberdade.<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> A Câmara anuiu ao reclamo de Rebouças. Dias depois, Barata foi
libertado no Rio de Janeiro. </p>

    <p> O primeiro ato de Barata, após a sua libertação,
foi ir à casa de seu ex-companheiro de cárcere, o deputado João Mendes Viana.
No caminho, foi recebido com festa no largo do Paço e pelas ruas da corte
(Morel, 2008, pp.<i> </i>242-243; Vianna, 1945, p. 479). Após rever o amigo,
rumou imediatamente para a sua terra natal, onde
chegou no dia 17 de dezembro. </p>

    <p> Em Salvador, os festejos foram intensos.
Multidões esperavam-no com “fogos de artifício, repiques de sinos, vivas e
aplausos (…) um <i>Te Deum laudamos</i> com sermão, e outras demonstrações de
desmarcadas amizades, com descartes, tangeres, e poesias.”<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> Após essa receção calorosa da gente da Bahia, foi logo restabelecer-se
na cidade. Sem demora, instalou-se com a família num sobrado no largo da Cruz
do Pascoal, próximo do Pelourinho. </p>

    <p> A essa época, início de 1830, Barata estava com
69 anos, era casado com dona Ana Joaquina de Oliveira e tinha seis filhos:
Cipriana Sibila, Horácio Cipriano, Iria Joaquina, João Raimundo Nonato, Laura
Cipriana e Veridiana Rosa (Vianna, 1945, pp. 448-449). Rapidamente, estabeleceu
rotinas. Passou a clinicar, circular por quartéis, fazer ponto em boticas,
visitar lavouras, reencontrar velhos amigos. </p>

    <p> No dia 12 de janeiro de 1831, efetivou a sua
atuação política recomeçando a publicação da sua <i>Sentinela da Liberdade</i>.
No jornal, apresentava e defendia o seu ideário político, que admitia como
forma de governo ideal o <i>governo federativo imperial</i> (Morel, 2008, p.
243). De maneira doutrinal, difundia a existência de apenas dois partidos no
Brasil: o <i>unitário</i> e o <i>federalista</i>. Afirmava que o <i>partido
unitário</i> era composto de pessoas que queriam </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> o 
Brasil unido em um só corpo maciço, a fim de ser regido em ar de Monarquia, com
Condes Marqueses e outros Titulares, &amp;c. governo em que se fazem grandes
despesas, esse carrega o povo de tributos, como dizemos, cizas, e meias cizas,
décimas &amp;c. para um pequeno número de homens devorarem; governo em que o
qual só governa certa gentinha escolhida pela capital, onde devem existir todos
os recursos, e demandar todas as leis, determinações, e ordens até para as
cousas mais pequenas, com vexame de tão longo território como o do Brasil.<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em contraponto, os simpatizantes do <i>partido
federalista </i>desejavam </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> um 
governo que não [era] oprimido e desfrutado por Fidalgos, e onde medram pouco
as comendas, hábitos e privilégios, e que além disto o povo vive aliviado de
tributos e vexames e sem grandes despesas dirigindo-se cada Província por si
mesmo na maior parte dos negócios.<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a></p></blockquote>

    <p><sup> &nbsp; </sup></p>

    <p> A diferenciação partidária nesses termos – sempre
de acordo com Cipriano – visava defender um <i>futuro</i> político que
precisava ser tornado <i>presente</i> como anteparo à política praticada no <i>passado</i>
que continuava <i>presente</i>. Por ser baseado em “comendas, hábitos e
privilégios”, o partido dos <i>unitários</i> era considerado
a expressão da continuidade do conjunto de relações políticas e sociais dos
tempos de Antonio Gomes Ferrão Castelo Branco e Luis dos Santos Vilhena. Essa
posição, para além de protestar contra a reiteração dessa estrutura matizada no
período colonial, indicava com clareza o surgimento da <i>nova era</i> inaugurada
com o questionamento do Antigo Regime e a estruturação do Estado brasileiro.
Nessa <i>nova era,</i>
a conexão entre <i>bens materiais e imateriais</i> não poderia determinar o
acesso à esfera política. O “mérito e o amor à pátria” deveriam
reger a lógica do poder. </p>

    <p> As circunstâncias vividas na Bahia ao longo do
primeiro reinado dificultavam a realização dessa <i>nova era</i>. Por
reconhecer esse embaraço, Barata vaticinou: “‘Que duas gerações há só
diferente, Virtude, e Vicio; tudo mais é engano’”.<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a></p>

    <p> De modo geral, para Barata, o Brasil e a Bahia
viviam “um novo sistema Colonial, à imitação do antigo.”<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>  Isso porque não se tinha efetuado a viragem do tempo do <i>vício</i>
ao da <i>virtude</i>. Em outros termos, a viragem do padrão mental de tipo
Antigo Regime para o de tipo “moderno”. Vivia-se um presente anacrónico. </p>

    <p> A sugestão de Barata para se subverter esse
impasse era a adoção das teses do <i>partido federalista</i>. Além de concluir
a viragem, o <i>partido federalista</i> prometia resolver as ruidosas circunstâncias
vividas, em especial pela gente da Bahia. O seu <i>partido federalista</i>,
explicava Barata, não visava “separar a Bahia do Rio de Janeiro.” No entanto,
considerava inadmissível a necessidade da “honrada Província da Bahia pedir
licença” ao governo do Rio de Janeiro para a “criação de escolas de primeiras
letras, fatura de fontes, estradas, chafarizes, pontes, cais, concertos”.
Propunha mecanismos para se aumentar a</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p> […] autoridade e [o] dinheiro à disposição dos
Conselhos provinciais (…) e com mais razão à Bahia (…) que sendo tão rica, se sobejando-lhe muito, não [tinha] um só Chafariz, nem outras
obras e instituições de primeira necessidade; bem como nas demais Províncias
para o Norte.<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a></p></blockquote>

    <p><sup> &nbsp; </sup></p>

    <p><b>OS INIMIGOS DO SOLDADO
DA LIBERDADE</b></p>

    <p><i> &nbsp; </i></p>

    <p> Ao defender de forma
incondicional e perentória o <i>governo federativo imperial</i>, Barata atacava
duramente os adversários. Considerava inimigos todos aqueles que partilhavam ou
atuavam nos governos de D. Pedro na corte e na província. Era comum chamar ao
imperador e aos seus aliados “indignos de almas venais, êmulos e invejosos […]
corja dos bandalhos interesseiros, moderados fingidos, que seguem o <i>partido
unitário</i>, e centralização do governo brasileiro”<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>, afirmando-se que vivem a “vender a pátria por vinténs, ofícios,
patentes militares.”<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>  Os aliados de D. Pedro na Bahia a receber esses mordazes adjetivos das
pesadas penas de Barata eram, em especial, o presidente Luiz Paulo de Araújo
Bastos, o vice-presidente João Gonçalves Cezimbra, o comandante das armas João
Chrisóstomo Callado e o seu assistente Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque
d’Ávila, o deputado Antonio Pereira Rebouças e os funcionários Manoel da Rocha
Galvão, José Marcellino dos Santos, Francisco Sabino Álvares e Antonio
Policarpo Cabral.<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>  Nem o deputado Rebouças, que concorreu para pôr Barata em liberdade,
era poupado. Para Barata, não havia incoerência ou ingratidão nisso. Se o
deputado Rebouças compactuava com a forma de governo vigente, era inimigo. </p>

    <p> Ao atacar essas pessoas, Barata condenava também
os seus fiadores que eram, especialmente, comerciantes ingleses e portugueses.
Esses estrangeiros, para Barata, eram os que compravam “a Pátria por vinténs,
ofícios, patentes militares” e impunham “humilhações” e “tiranias” aos
brasileiros.<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>  Para ilustrar o seu repúdio, Barata afirmava que “os comandantes
portugueses insultavam os soldados inferiores das tropas chamando-os de cabras
e bodes e, frequentemente, matavam-nos com 300, 400, 500, 600, 700 varadas.”<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>  Essas afirmações deveriam ter repercussão nas casernas cujos recrutas,
sem soldo, maltrapilhos e pouco alimentados, certamente, passavam a simpatizar
com o partido do <i>soldado da liberdade</i>. </p>

    <p> No plano mais estrito, Barata combatia a
dependência económica da província ao estrangeiro e dizia que os principais
responsáveis pela situação eram os ingleses. A sua solução para se safar da
subjugação externa era a valorização das “coisas da terra”. Por coerência e
para servir de exemplo aos baianos, aparecia sempre em público com casaca de
algodão da terra, sapatos de couro de veado sem tinta, chapéu de palha e ramos
de café.<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a></p>

    <p> O ataque de Barata a estrangeiros, brasileiros e <i>unitários</i>
era perpassado por um assunto dos mais delicados à época: a escravidão. Para
que não houvesse mal-entendidos, ele declarava, de saída, que a sua forma de
governo não era consentânea com a liberdade imediata de escravos. Mas poderia
admitir a elaboração de uma lei “para exterminar a escravidão dentro de 30
anos” e que fosse aplicada de início aos “nascidos no Brasil”.<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>  O <i>soldado da liberdade</i> era enfático ao considerar a escravidão
“maldita” e a afirmar que ela estragava “o espírito particular e público dos
(…) patrícios”.<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a></p>

    <p> Afora essa demarcação de posição, Barata acusava
os <i>unitários</i> de fazerem usufruto da escravidão para “barulhar o Brasil.”<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> 
Dizia que, desde muito, eles manipulavam “levantamentos de Escravos
contra os Senhores”<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>  e apresentava várias situações onde isso teria ocorrido. Relatava que
o governador Marcos Noronha e Brito (1808-1818) “excitou, animou, e ensinou clandestinamente
os Negros da Costa, Aussas, Nagôs, e de outras nações, a fugirem levantados por
duas vezes”<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> e que numa dessas fugas foram assassinados 300 escravos.<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> Afirmava que situações semelhantes se repetiram ao longo do decénio de
1820 nos governos de Manoel Ignácio da Cunha e José Egydio Gordilho de Barbuda
quando se tornou comum atormentar e matar pretos inocentes.<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup> &nbsp; </sup></p>

    <p><b>O CONTRAPONTO</b></p>

    <p><i> &nbsp; </i></p>

    <p> O conjunto dessas duras e
pesadas críticas de Barata a homens públicos e poderosos do Brasil e da Bahia
não foi aceite de bom grado. Os seus desafetos foram-se multiplicando e
começaram a elaborar respostas. </p>

    <p> Concomitante à difusão da <i>Sentinelada
liberdade</i> e das noções de federalismo pela Bahia em 1831, começaram a
correr rumores de que o seu ­<i>partido federalista</i> visava o
estabelecimento de uma <i>república</i> com a liberdade dos escravos. Em
seguida, surgiu o boato de que Barata andara pelas ruas de ­Salvador de “camisa
e ceroulas de algodão, e pé descalço, à frente dos Escravos” e que queria
obrigar “uma de [suas] filhas a se casar com um Preto.”<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> A probabilidade dos rumores e boatos serem verídicos gerava apreensão.
O medo de revoltas escravas era latente. As gentes do Império tinham pavor do
ocorrido em São Domingos. Muitas famílias, pelas cidades da Bahia, mesmo com
polícias e militares de prontidão às suas portas, não saíam de casa e nem
sequer abriam as janelas, por receio (Morel, 2008, p. 249). </p>

    <p> Relacionar o <i>partido federalista</i> ao
haitianismo foi o ponto forte da investida dos <i>unitários</i> contra Barata.
Com o passar dos meses, o embate político foi-se acirrando. João Primo, Major
Joaquim Leite, Barão de Itaparica, o Frade do Carmo e o pardo João Dias foram
enquadrados como pertencentes ao bando <i>federalista</i> de Barata. No mês de
abril, a ofensiva para destituir os federalistas baratianos chegou ao ápice.
Pelas ruas de Salvador correram rumores de que o programa <i>revolucionário-federalista</i>
estava pronto para tomar a cidade. Que, por um lado, foram seduzidos os
militares com a promessa de aumento imediato dos soldos e, por outro, os
cativos com promessas de liberdade.<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a></p>

    <p> No dia 26 de abril, o capitão Antonio João
Fernandes Pizarro Gabizo informou o visconde de Pirajá que os soldados Joaquim
Olinto de Carvalho, Júlio Manoel de Oliveira e Caetano José de Oliveira haviam “na noite de 22 do corrente mês de abril, da parte de
fora do Pátio do Quartel do lado da Palma” sido intercetados por </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> João Primo e o major Leite convidando-os para
entrarem na revolução que eles e seus amigos Cipriano José Barata e Barão de
Itaparica tramavam contra a atual reforma do governo, depondo em primeiro lugar
da Presidência ao Excelentíssimo Sr. Vice-Presidente e
do Comando das Armas.<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a></p></blockquote>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup> &nbsp; </sup></p>

    <p> Quatro dias depois, no dia 30 de abril, o mesmo
capitão Gabizo enviou novo informe ao visconde Pirajá que dizia que outros “praças do Batalhão” sob seu comando confessaram que
os <i>federalistas</i> iam com frequência ao quartel apresentar estratégias
para “mudar a forma de governo, principalmente por separar esta Província do
Rio de Janeiro depondo imediatamente dos empregos o (…) Sr. Vice-Presidente e a
vossa Excelência do Comando das Armas.”<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a></p>

    <p> A veracidade desses boatos não seria comprovada.
Por certo, isso era o que menos importava no embate entre <i>federalistas</i> e
<i>unitários</i>. Evidente era que a Bahia parecia pequena para os dois grupos. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>O “JUDAS DESCARADO” </b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> No dia 27 de abril de
1831, Cipriano Barata foi informado por missiva anónima que o vice-presidente
da província, João Gonçalves Cezimbra, decretara a sua prisão. O informante
anónimo sugeriu a Barata que fugisse num cavalo deixado para tanto em local
específico. Barata não quis fugir.<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a></p>

    <p> Por volta das quatro da madrugada do dia 28, o
largo da Cruz do Pascoal foi cercado pelo 5.º Batalhão dos Caçadores, por duas
Companhias da Torre, pela Cavalaria, pelo corpo da polícia e por alguns
paisanos “servandijas de seu rancho”.<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>  O visconde de Pirajá, acompanhado do juiz de paz Lázaro José Jambeiro
e do inspetor de quarteirão João Sampaio, coordenou a ação. Deu voz de prisão
ao <i>soldado da liberdade </i>sob acusação de ele ser
o “chefe de uma conspiração de negros”.<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>  Barata não protestou. Apenas requisitou uma cadeira – sob alegação de estar velho, doente e com dificuldades para
caminhar – para ser conduzido até à cadeia. </p>

    <p> Enquanto isso, o visconde de Pirajá, dito
“Santinho”, diante de dona Ana Joaquina de Oliveira e Veridiana Rosa, esposa e
filha de Barata, procurou mostrar-se mero cumpridor de ordens. Disse não ter
envolvimento algum naquele mandado de prisão, busca e apreensão. Argumentou,
pelo contrário, ser “mui amigo” de Barata havia tempos. Dona
Ana e Veridiana repudiaram a <i>mise-en-scène</i> de “Santinho” com
insultos e xingamentos. “Santinho”, por sua vez, contornava com “desculpas,
promessas e o riso prazenteiro”.<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a></p>

    <p> Passados instantes tensos e toscos na casa dos Barata, Barata, devidamente acomodado na cadeira
requisitada, foi levado à <i>Corveta Defensora</i> estacionada no porto. “Santinho”
chegou logo atrás; “bebeu dois copos de genebra para se refrescar” e seguiu na
direção de Barata para demonstrar afeição e “amizade”. Nessa investida, deu-lhe
“um beijo na face, como Judas a Cristo; o que excitou riso ao Comandante da
referida Corveta”<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a> e a ira de Barata que qualificou “Santinho”, além de “moderado
fingido”, de “Judas descarado”.<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A notícia da prisão de Barata espalhou-se com
rapidez. Pela sua popularidade, o povo tomou as ruas em protesto. A agitação
intensificou, ainda mais, o clima de insegurança na cidade. A solução do
vice-presidente Cezimbra e do comandante Pirajá foi retirar o s<i>oldado da
liberdade </i>da Bahia o quanto antes. </p>

    <p> Na madrugada do dia 4 de maio, Barata e João
Primo, sob escolta de “doze Soldados e um Alferes, municiados de pólvora e
bala”, foram enviados “sem roupa nem matulagem” em segredo ao Rio de Janeiro
num “Brigue sujo de ­carregar madeiras.<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> Chegaram à cidadela imperial, após 22 dias de viagem, às 18 horas do
dia 26 de maio. No dia seguinte, foram conduzidos para a Fortaleza de
Villegaignon onde ficariam aprisionados.<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a></p>

    <p><sup> &nbsp; </sup></p>

    <p><b>AS “TRAMÓIAS”</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> A resposta de Barata às
premissas do seu reaprisionamento foi confecionada atrás das grades da
Fortaleza de Villegaignon na forma de manifestos. O mais importante dos
manifestos foi dividido em duas partes: “desengano”, onde foi apresentado o
resumo das matérias debatidas na <i>Sentinela da Liberdade</i> em 1831, e o
“manifesto”, onde foi recomposto o cenário político que recolocou Barata no
cárcere.<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>  O argumento dos manifestos indicava a prisão de Barata como fruto de
“tramóia”. A primeira “tramóia”, dizia Barata, era acusá-lo de “chefe de uma
conspiração de negros”. A segunda, identificar o <i>partido federalista</i> com
o haitianismo. </p>

    <p> A defesa, via
manifestos, reiterava que, em nenhum dos seus escritos, Barata se havia
mostrado ou afirmado afeito à libertação de escravos ou algo parecido. Para
além das considerações e reconstituições dos manifestos, ocorreram alguns
incidentes paralelos que comprovam aspetos da “armação” que gerou a prisão de
Barata. </p>

    <p> No dia 2 de maio, em correspondência ao
secretário de Estado dos Negócios da Guerra José Manoel de Moraes, o visconde
de Pirajá procurou justificar, com relatos, a prisão de Barata. Disse que
“estando a Cidade em perfeita quietação” apareceu uma “<i>anárquica Sentinela
redigida por Cipriano José Barata, homem sem fortuna</i>, chamando os Povos a
uma anarquia”. Essa perturbação da ordem pública seria implementada
com a ajuda de “um João Primo, pelo Barão de Itaparica, e outros,” os quais
prometiam às tropas “<i>trezentos e vinte réis por dia</i>” para se juntar à
agitação e propunham a libertação dos pretos que poderiam vitimar “inúmeras
famílias, que [estavam] à sombra do Direito”. Diante disso, continuou o
visconde, para restabelecer a ordem, “o governo (…) viu-se na dura necessidade,
até pelas requisições dos juízes de paz, de empregar a força, e capturá-los,
pois senão obra desta maneira já hoje se teria visto cenas de Marigalans (sic.)
e S. Bartholomeu.”<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>  Barata foi aprisionado, mas as complicações, informou “Santinho”,
foram agravadas. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i> Dado o passo da prisão, e procedendo a
criminá-los</i> , um pequeno partido, que se foi ajuntado
com gente de cor, tem aterrado com promessa de morte a quem jurar contra
aqueles, ameaça esta que se torna terrível pela afoiteza com que há tempos
desta parte aqui se tem feito apanimias, o que certamente não pode deixar de
fazer grande impressão nos ânimos dos <i>pacíficos Cidadãos, mormente vendo
desaparecer o Comércio, abater-se a Lavoura</i>, e se ir caminhando para uma
banca rota.<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a></p></blockquote>

    <p><sup> &nbsp; </sup></p>

    <p> A correspondência do visconde de Pirajá ao
ministro do Império tinha uma mensagem precisa: Barata e o seu bando precisavam de ser presos e “criminados”. Ou seja, os <i>federalistas</i>
não tinham crime, tampouco culpa formada. Porquanto, precisavam
de ser enquadrados judicialmente. </p>

    <p> No embate político, todos os matizes tinham razão
dentro da sua razão. Entretanto, a correspondência de Pirajá evidenciou a
inocência de Barata. E endossou que a justificativa para a prisão e
incriminamento do <i>soldado da liberdade</i> foi o receio premente dos
“pacíficos Cidadãos” que moviam a economia, em decorrência a política, da
Bahia. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>HISTÓRIAS ENTRELAÇADAS</b></p>

    <p><i>&nbsp;</i></p>

    <p> Acontecimentos anteriores
propiciaram elementos para formar o contexto de insegurança dos “pacíficos
cidadãos” e o cenário de apreensão que conduziram Barata
novamente à prisão. Nos dias 11, 12 e 13 de março de 1831, as ruas da Quitanda,
dos Ourives, Direita e das Violas, no Rio de Janeiro, haviam sido palco de
guerra. Brasileiros e portugueses puseram-se em conflito por muitas horas.
Alguns foram mortos; muitos, feridos. A notícia das cenas de horror chegou à
Bahia no início do mês de abril e o reflexo foi imediato (Silva, 2012, pp.
268-297). Nas primeiras horas da manhã do dia 4 de abril, uma multidão de
“pessoas de todas as classes”, “ajuntamentos populares” e militares
aglomerou-se no Forte do Barbalho e, liderados pelo coronel de 2.ª linha,
Antonio Lopes Tabira Bahiense, quis impedir a partida de deputados e senadores
baianos para o Rio de Janeiro. O argumento era que </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> à 
vista das últimas notícias (…) chegadas do Rio de Janeiro (…) um <i>partido
lusitano</i>, tentando sempre destruir a obra da nossa liberdade, e
Independência, teve a audácia de levantar o colo, espancando, ferindo e matando
os Brasileiros natos, correndo assim o precioso sangue de nossos compatriotas.<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> A manifestação ocorrida na praça
do Palácio do governo da Bahia agrupou, nas primeiras horas, três a quatro mil pessoas.
O presidente Luiz Paulo de Araújo Bastos reuniu-se em conselho com deputados,
senadores e secretários de seu governo para articular soluções. Por volta das
22h, o conselho elegeu uma comissão para ir ao Forte do Barbalho saber dos
planos dos amotinados. Os amotinados, por sua vez, encaminham o seu protesto
com a afirmação de que “comandantes de corpos, tropa e povo”, “de armas na
mão”, estavam indignados com a afronta à Constituição representada pela prisão
dos dois oficiais que, em verdade, queriam, como
“todos” ali, defender a Independência ameaçada pelos notórios e notáveis factos
do Rio de Janeiro praticados por uma “facção republicana, digo lusitana
recolonizadora”.<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a> Para suspender o protesto, fizeram cinco reivindicações e dois
alertas. </p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p><i> Das reivindicações</i> : </p>

    <p> 1. Substituição
do comandante das armas, o português João Chrisóstomo Callado. </p>

    <p> 2. Nomeação
de um brasileiro nato para o cargo. </p>

    <p> 3. Expulsão
do comandante do 2.º Batalhão de Caçadores, seu major e todos os comandantes e
oficiais portugueses. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 4. Substituição
do comandante da polícia, o português Manoel Joaquim Pinto Pacca. </p>

    <p> 5. A
execução do artigo 1.º da fixação de forças de terra e do mar na Província. </p>

    <p><i> Dos alertas</i> : </p>

    <p> 1. Qualquer
tipo de hostilidade ou retaliação dos envolvidos no motim seria motivo para
reação imediata do povo e da tropa ali reunidos. </p>

    <p> 2. As
autoridades teriam vinte quatro horas para atender às reivindicações.<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> De posse do documento, o Conselho respondeu de
pronto, pouco mais ou menos da meia-noite daquele infindável dia 4 de abril.
Quanto à primeira reivindicação, aceitou suspender o “dito” comandante das
armas e enviá-lo ao Rio de Janeiro. Quanto à segunda, pediu tempo para pensar
num substituto. Quanto à terceira, prometeu destituir, imediatamente, todos os
portugueses dos cargos militares. Quanto à quarta, afirmou ser preciso pensar
num substituto para o comando da polícia, sendo a sugestão inicial o nome do
coronel Rodrigo de Argollo Vargas. Quanto à quinta, ponderou que a lei de
fixação de forças da terra e do mar na Província seria posta em prática assim
que o comandante das armas interino assumisse funções. Quanto ao primeiro
alerta, firmou compromisso de não hostilização. Quanto ao segundo, pediu mais
tempo.<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a></p>

    <p> Na manhã do dia 5 de abril, o movimento dos
amotinados somava mais de oito mil pessoas. O Conselho reuniu-se novamente e
decidiu enviar novo Ofício reforçando os compromissos firmados na noite
anterior. Assim que o receberam, os amotinados endossaram a recíproca do
Conselho e acrescentaram que naquele movimento se seguia “fielmente a senda da
ordem, e da subordinação, desejando concluir seu rasgo de patriotismo com
aquela tranqüilidade, e moderação, que faz o esplendor dos povos civilizados”.<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a></p>

    <p> Entrementes, o presidente Bastos alegou estar
doente e renunciou no dia 7 de abril. O seu vice, o conselheiro João Gonçalves
Cezimbra, assumiu interinamente. Da mesma forma, o visconde de Pirajá assumiu
interinamente o comando das armas no lugar de Chrisóstomo Callado, deposto.
Mesmo assim, embora os amotinados tenham largado as armas, o movimento não
terminou. Pelo contrário. A ofensiva contra os portugueses ficou intensa. A
regra era vingar o sangue de brasileiros derramado no Rio de Janeiro. </p>

    <p> Pelas dimensões que o movimento ganhava, no dia 10 de abril o influente arcebispo dom
Romualdo Antonio de Seixas saiu em defesa dos ­portugueses residentes na Bahia
através de um sermão mandado publicar “em todas as freguesias desta diocese”,
no qual afirmava que “um povo de armas na mão, e eletrizado pelo fogo da
liberdade, que escuta mais a voz da razão e da lei, que a do ódio e da
vingança, é certamente um povo heróico”.<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>  Com isso, conclamara os baianos a perdoar os portugueses. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>DO
“FORA MAROTOS” AO FORA
BARATA: A AGONIA DO <i>MEMENTO MORI</b></i> </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p> Pelos vistos, os baianos
não seguiram o sermão de dom Romualdo e continuaram a escutar a “voz do ódio e
da vingança”. No dia 13 de abril, o assassinato do brasileiro Victor Pinto de
Castro pôs o povo nas ruas na senda de vingança, com sede de justiça. O assassino
do brasileiro foi identificado e era português; fora o sr.
Francisco Antonio de Souza Paranhos. O povo começou a espancar e maltratar
todos os portugueses encontrados pelos caminhos das cidades alta e baixa de
Salvador. Cipriano Barata precisou de ser convocado
para conter a agitação. O vice-presidente Cezimbra e o comandante Pirajá sabiam
plenamente das razões profundas do problema e da capacidade de Barata para
solucioná-lo. </p>

    <p> A componente central do problema era aquela que o
primeiro reinado projetou: a complicada, senão impossível, convivência do “ser
brasileiro” com o “ser português”. A multidão de povo demonstrava, pelas ruas
da Bahia, que não tinha dúvida, tampouco era indiferente à imprescindibilidade
da materialização da <i>nação brasileira</i> como condição. Barata era a
expressão mais contundente dessa condição àqueles baianos. Não houve falha na
alternativa de Cezimbra e Pirajá. Barata resolveu o tumulto. </p>

    <p> Após o restabelecimento da “ordem” e do “sossego
públicos”, o vice-presidente Cezimbra conclamou os baianos a confiar nas
autoridades estabelecidas. E garantiu, no mesmo dia 13 de abril, que os
“monstros sedentos do nosso sangue”, os portugueses, seriam em breve
deportados.<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>  Essa garantia desagradou a alguns setores da sociedade baiana. Nos
dias que se seguiram, surgiu um manifesto assinado por dois mil e cem
proprietários do Recôncavo requerendo a não-expulsão
dos portugueses sob alegação de eles serem fundamentais para a provisão da
“Agricultura, principal base da riqueza Nacional, como na parte do Comércio, e
Indústria, que concorrem igualmente para aquela riqueza que faz a prosperidade
dos Impérios”. Portanto, não deveriam sair. Mas, ficar. Vir.<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>  A representatividade dos proprietários levou o vice-presidente
Cezimbra a vacilar. </p>

    <p> No dia 23 de abril, aproveitando o ensejo da
chegada do comunicado oficial da abdicação de D. Pedro, ele, Cezimbra, afirmou
aos baianos que nada mais restava senão a “<i>União para com toda a Grande
Família Brasileira</i>; <i>paz, e amizade para com os estrangeiros em geral, e
particularmente com os Portugueses</i>, que entre nós vivem,
ligados até por ternos vínculos.”<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>  Na mesma proclamação, o vice-presidente ainda admitiu que a abdicação
inaugurara um novo período firmado em princípios liberais consubstanciados num
“Príncipe Brasileiro de nascimento” ocupando o trono imperial do Brasil.<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>  No dia seguinte, falou novamente ao povo da Bahia. Não poupou palavras
para advertir que não era ser liberal “(…) [clamar] pela Liberdade, e [entoar]
vivas à Constituição, se de permeio às vezes da Liberdade e Constituição
[excitar] as paixões, [anhelar] vinganças, e [solicitar] violências” e concluiu
dizendo: “Abandonais, Baianos, a esses, que ferventes por inovações, cujo termo
desconhecem, não têm de seus escaldados projetos
tirado outro resultado, senão lágrimas, e sangue, assassinatos e
liberticídios.”<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a></p>

    <p> A mensagem de Cezimbra tinha alvo preciso:
Cipriano Barata, expressão categórica de uma das possibilidades do “ser liberal”
na Bahia. Pelo visto, o vice-presidente acertou. Três dias depois Barata foi
preso e, em seguida, acariciado, com beijo na face, dado pelo seu “mui amigo”
Santinho, o “Judas descarado”. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A RECOMPOSIÇÃO DOS
PASSADOS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p> As razões e dimensões do
extraordinário acontecimento de 13 de abril de 1831 e dos seus desdobramentos
ultrapassam o acontecimento em si. O diapasão do tumulto expressou as intensas
interiorização e exteriorização do processo de definição do Estado e da nação
brasileiros no Brasil e na Bahia ao longo do primeiro reinado. A combinação da
aceitação, negação e negociação do <i>passado</i> de matriz portuguesa com um <i>futuro</i>
de feição brasileira era operação imprescindível para aqueles baianos. As
implicações dessa operação possuíam como complicador fundamental o inevitável
elemento racial imposto pelos séculos de exploração da empresa da escravidão na
Bahia. O facto de o português Francisco Antonio de Souza Paranhos pedir para
ser pintado de preto para fugir sem embaraços após os tumultos do 13 de abril exprimiu com a mais profunda vivacidade o
referido complicador. </p>

    <p> Entre o <i>passado</i> e o <i>futuro</i> –
entenda-se entre a <i>condição de brasílico</i> e a <i>condição de brasileiro</i>
– havia um infinito de indeterminações acrescidas, inclusive pela
idiossincrática condição do indivíduo querer essencialmente apenas comer,
beber, amar e ser deixado em paz. Entretanto, o primeiro reinado impôs
progressivamente a inevitabilidade de não <i>ser brasileiro</i>. Essa imposição
também esbarrava em indeterminações e, em decorrência e complemento, era
definitivamente acometida por indagações, justas e
importantes para a gente da época, que demonstrava receio, dúvida, desprezo e
reprovação. Logo após ser decretada a expulsão de determinados
portugueses da Bahia naquele abril de 1831, proprietários do Recôncavo foram às
instâncias de poder estabelecido impedir que a expulsão ocorresse. O argumento
que embasou a decisão dos proprietários, para além do interesse económico
explícito, era o de serem
– eles, proprietários – os mais brasileiros dos brasileiros.<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>  Embora não tenha sido encontrada nenhuma evidência que comprove que os
baianos que foram às ruas no dia 13 de abril se avocassem mais brasileiros
dentre os brasileiros, eles, por serem brasileiros, queriam a expulsão dos
portugueses. Esses baianos, de mistura com escravaria, foram o pivô da
mobilização que levou o governo a decretar a expulsão dos portugueses. Entre
outras coisas, cantarolavam, com frequência, pelas ruas a conhecida quadra
“Fora Marotos, fora/Viagem podem seguir/Brasileiros já não querem/Marotos mais
no Brasil”.<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a> Em oposição, a cobiça dos proprietários para manter os portugueses e o
empenho de diversos setores para fazê-los sair, evidencia a tensão interna na <i>condição
de brasileiro</i> e na inevitabilidade de não se <i>ser brasileiro</i>. As
variações dessa tensão envolviam um conjunto de variáveis que, para além da
inevitabilidade de não se <i>ser</i>, eram processadas no quotidiano das
pessoas. </p>


    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS</b> </p>

    <p><i>&nbsp;</i></p>

    <p><b>FONTES</b></p>

    <p><i>&nbsp;</i></p>

    <!-- ref --><p><i>Anais do Parlamento Brasileiro – Câmara dos
Senhores Deputados</i>. Primeiro ano da 2.<sup>a</sup> Legislatura. <i>Sessão
de 1830</i>, Rio de Janeiro, Typ. de
H.J. Pinto, Tomo II, 1878. (Consta do acervo da
Biblioteca Florestan Fernandes da Universidade de São Paulo – BFF-USP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076616&pid=S0003-2573201600010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><i>Carta de Veridiana Rosa Barata ao Dr. Alexandre
José de Mello Moraes</i>, Rio de Janeiro, 6 de
novembro de 1868. (Consta do acervo da Biblioteca Nacional – BNRJ, II-33, 33,
3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076618&pid=S0003-2573201600010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    <!-- ref --><p><i>Correspondência de Antonio João Fernandes Pizarro Gabizo ao Visconde de Pirajá</i>, Salvador, 26 de abril de
1831. (Consta do acervo do Centro de Apoio à Pesquisa em História da
Universidade de São Paulo – CAPH-USP; Microfilme 240, <i>Fundo</i>:
Correspondência do Presi­dente da Província da Bahia com os Ministros da
Justiça do Império e da Guerra, 1830-
-1838.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076620&pid=S0003-2573201600010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    <!-- ref --><p><i>Correspondência de Antonio João Fernandes Pizarro Gabizo ao Visconde de Pirajá</i>, Salvador, 30 de abril de
1831. (Consta do acervo do CAPH-USP, Microfilme 240; <i>Fundo</i>:
Correspondência do Presidente da Província da Bahia com os Ministros da Justiça
do Império e da Guerra, 1830-1838.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076622&pid=S0003-2573201600010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    <!-- ref --><p><i>Correspondência do Visconde de Pirajá ao Ministro e
Secretário dos negócios d’Estado da guerra José Manoel de Moraes</i>. (Consta
do acervo da FPC-CMAPBa; <i>Setor</i>: microfilmagem;
<i>Série</i>: documentos oficiais relativos a assuntos militares da Província
da Bahia, 1822/1856. 180 documentos. 1.536 folhas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076624&pid=S0003-2573201600010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    <!-- ref --><p><i>Dezengano</i><i> ao
público ou expozição dos motivos da minha arbitrária prizão na Província da Bahia</i> (primeira parte), Rio de
Janeiro, Typ. de Lessa &amp;
Pereira, 1831, p. 32. (Consta do acervo do Centro de Documentação e Informação
Cultural sobre a Bahia da Fundação Clemente Mariani – CEDIC-FCM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076626&pid=S0003-2573201600010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><i>Exposição da tramóia e
falsidade que contra mim, João Primo, o Major reformado José Joaquim Leite, o
Barão de Itaparica e outros, jurarão as testemunhas, subornadas pelos membros
do infame clube do Gravatá, aristocratas o capitão Gabizo
e outros moderados fingidos da Bahia. In </i>M.<i> </i>Morel
(ed.), <i>Sentinela da Liberdade e outros Escritos</i>. <i>Cipriano Barata</i>,
São Paulo, Hucitec, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076628&pid=S0003-2573201600010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p><i>Manifesto que ao respeitável público apresenta o
cidadão Cypriano José Barata de Almeida sobre a sua súbita, tyrannaprizão
na Bahia, e remessa violenta para esta Corte, onde se acha prezo. Com várias idéias úteis ao Brazil inteiro,
&amp;c. &amp;c</i>, Rio de Janeiro, 20 de julho de 1831. Rio de Janeiro, Typ. de Torres, anno de 1831. (Consta do acervo do CEDIC-FCM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076630&pid=S0003-2573201600010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    <!-- ref --><p><i>Ofício da Comissão aos amotinados da Fortaleza do
Barbalho</i>, Salvador, 4 de abril de 1831. <i>In </i>I.
Accioli (ed.) <i>Memórias Históricas e Políticas da Bahia</i>, anotado por Braz
do Amaral. ­Salvador, Imprensa Oficial, v. 4, 1931.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076632&pid=S0003-2573201600010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p><i>Ofício dos amotinados da Fortaleza do Barbalho</i>,
Salvador, 4 de abril de 1831. <i>In</i> I. Accioli <i>Memórias
Históricas e Políticas da Bahia</i>. Anotado por Braz do Amaral, Salvador,
Imprensa Oficial, v. 4, 1931.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076634&pid=S0003-2573201600010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p><i>Ofícios do Conselho e dos amotinados</i>, Salvador,
5 de abril de 1831. <i>In </i>I. Accioli, <i>Memórias
históricas e políticas da Bahia</i>. Anotado por Braz do Amaral. Salvador,
Imprensa Oficial, v. 4, 1931.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076636&pid=S0003-2573201600010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><i>Proclamação de João Gonçalves Cezimbra
aos Bahianos</i>. Salvador, Palácio do governo da
Bahia, 13 de abril de 1831. <i>In</i> I. Accioli, <i>Memórias históricas e
políticas da Bahia</i>. Anotado por Braz do Amaral. Salvador, Imprensa Oficial,
v. 4, 1931.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076638&pid=S0003-2573201600010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p><i>Proclamação de João Gonçalves Cezimbra</i>,
Salvador, Palácio do Governo da Bahia, 24 de abril de 1831, Bahia na Typ. do Bahiano,
1831. (Consta do acervo da Fundação Pedro Calmon – Centro de Memória e Arquivo
Público do Estado da Bahia – FPC-CMAPBa; <i>Série</i>:
Governo; <i>Seção</i>: Arquivo Colonial e Provincial, documento <i>Abdicação
(1831)</i>, maço 1074-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076640&pid=S0003-2573201600010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    <!-- ref --><p><i>Proclamação de João Gonçalves Cezimbra</i>,
Salvador, Palácio do Governo da Bahia, 23 de abril de 1831, Bahia na Typ. do Bahiano,
1831. (Consta do acervo da FPC-CMAPBa; <i>Série</i>:
Governo; <i>Seção</i>: Arquivo Colonial e Provincial, documento <i>Abdicação
(1831)</i>, maço 1074-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076642&pid=S0003-2573201600010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)</p>

    <!-- ref --><p><i>Relação abreviada dos meus sofrimentos e sucessos,
desde o embarque a 4 de maio até a chegada a 26 do
mesmo mês à esta Capital do Rio de Janeiro.</i> <i>In </i>M. Morel, <i>Sentinela da Liberdade e outros escritos</i>, <i>Cipriano
Barata</i>, São Paulo, Hucitec, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076644&pid=S0003-2573201600010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p><i>Representação ao Excelentíssimo Senhor Presidente
em Conselho. Salvador, 4 de abril de 1831. In </i>I.
Accioli, <i>Memórias Históricas e Políticas da Bahia</i> anotado por Braz do
Amaral, Salvador, Imprensa Oficial, v. 4, 1931.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076646&pid=S0003-2573201600010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><i>Representação de proprietários, agricultores e
fazendeiros da Bahia</i>. (Consta do acervo da FPC-CMAPBa; <i>Série</i>: Judiciário; <i>Seção</i>:
Arquivo Colonial e Provincial, documento <i>Levante de 1831 – Abdicação do
Imperador (1831)</i>, maço 2867).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076648&pid=S0003-2573201600010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p><i>Sermão do Arcebispo da Bahia dom Romualdo Antonio
de Seixas</i>. Salvador, 10 de abril de 183. <i>In </i>I. Accioli, <i>Memórias
históricas e políticas da Bahia</i>. Anotado por Braz do Amaral. Salvador:
Imprensa Oficial, v. 4, 1931.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076650&pid=S0003-2573201600010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p>&nbsp; </p>

    <!-- ref --><p>AMARAL, J.Á. (1922), <i>Resumo
Chronologico e Noticioso da Província da Bahia desde
o seu Descobrimento em 1500</i>. Revisto e consideravelmente annotado por J. Teixeira Barros, 2.ª ed. Bahia, Imprensa
Oficial do Estado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076654&pid=S0003-2573201600010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ANDERSON, B. (1989), <i>Nação e Consciência Nacional</i>,
São Paulo, Ática.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076656&pid=S0003-2573201600010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GELLNER, E. (1983), <i>Nations and Nationalism</i>, Nova Iorque, Cornell University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076658&pid=S0003-2573201600010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>

    <!-- ref --><p>HOBSBAWM, E. (2002),<i> A Era das Revoluções: Europa
1789-1848</i>, Rio de Janeiro, Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076660&pid=S0003-2573201600010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>JANCSÓ, I., PIMENTA, J.P.G.
(2000), “Peças de um mosaico (ou apontamentos para o estudo da emergência da
identidade nacional brasileira)”. <i>In</i> C.G. Mota (ed.), <i>A Viagem
Incompleta. A Experiência Brasileira (1500-2000)</i>, <i>Formação. Histórias</i>,
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    <!-- ref --><p>JANCSÓ, I. (2005), “Independência, independências”. <i>In</i>
I. Jancsó, <i>Independência no Brasil: História e
Historiografia</i>, São Paulo, Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076664&pid=S0003-2573201600010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>MATTOS, I.R. (1999), <i>O
Tempo Saquarema</i>, Rio de Janeiro, Acces.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076666&pid=S0003-2573201600010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MOREL, M. (2001), <i>Cipriano Barata na Sentinela da
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    <!-- ref --><p>MOREL, M. (2008), <i>Sentinela da Liberdade e outros
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    <!-- ref --><p>MOTA, C.G. (1979), <i>A Idéia
de Revolução no Brasil (1789-1801): Estudo das Formas de Pensamento</i>,
Petrópolis, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076672&pid=S0003-2573201600010000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>NEVES, L.M.B.P.
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FAPERJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076674&pid=S0003-2573201600010000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>NOVAIS, F.A. (1997), “Condições de privacidade
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    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>REIS, J.J. (1989), “O
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J.J. Reis e E. Silva,
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    <!-- ref --><p>RIBEIRO, G.S. (2002), <i>A Liberdade em
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    <!-- ref --><p>SILVA, D.A. da (2008), <i>Histórias de Bahia,
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    <!-- ref --><p>SILVA, D.A. da (2012), “Na trilha das
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    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VIANNA, H. (1945), <i>Contribuição à História da
Imprensa Brasileira (1812-1869)</i>, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076688&pid=S0003-2573201600010000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>XIMENES, C.F.L. (1998), <i>Joaquim Pereira
Marinho: Perfil de um Contrabandista de Escravos na Bahia</i>. Tese de
mestrado, Salvador, UFBa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=076690&pid=S0003-2573201600010000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp; </p>

    <p>Recebido a 17-08-2013. Aceite para publicação a 20-08-2015.</p>


    <p>&nbsp; </p>


    <p><b>NOTAS</b></p>


    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> <i>Dezengano ao público ou
expozição dos motivos da minha arbitrária prizão na Província da Bahia</i>… </p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup><i>Sermão do Arcebispo da
Bahia dom Romualdo Antonio de Seixas</i>… v. 4, p. 270. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup><i>Proclamação de João
Gonçalves Cezimbra aos Bahianos</i>… </p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> <i>Carta de Veridiana Rosa
Barata ao Dr. Alexandre José de Mello Moraes</i>… </p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> <i>Carta de Veridiana Rosa
Barata ao Dr. Alexandre José de Mello Moraes</i>, <i>op</i>. <i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> <i>Id</i>, <i>ibid</i>. </p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup><i>Manifesto
que ao respeitável público apresenta o cidadão Cypriano José Barata de Almeida
sobre a sua súbita, tyrannaprizão na Bahia, e remessa violenta para esta Corte,
onde se acha prezo</i>… </p>

    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> <i>Carta de Veridiana Rosa
Barata ao Dr. Alexandre José de Mello Moraes</i>, <i>op</i>. <i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> <i>Anais do Parlamento
Brasileiro</i> – <i>Câmara dos Senhores Deputados</i>… </p>

    <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> <i>Manifesto</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., p. 8. </p>

    <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup><i>Manifesto</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., p. 20, nota 3. </p>

    <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> <i>Id</i>.,
<i>ibid</i>. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup><i>Dezengano</i>,
<i>op</i>. <i>cit</i>., p. 32. </p>

    <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup><i>Id</i>.,
p. 7. </p>

    <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup><i>Id</i>.,
<i>ibid</i>. </p>

    <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup><i>Id</i>.,
pp. 6-7. <i>Manifesto</i>, <i>op</i>. <i>cit</i>., p. 2. </p>

    <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> <i>Dezengano</i>,
<i>op</i>. <i>cit</i>., p. 6. </p>

    <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> <i>Id</i>.,
p. 11. </p>

    <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> <i>Id</i>.,
p. 6. </p>

    <p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup><i>Id</i>.,
p. 11. </p>

    <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup><i>Id</i>.,
p. 7. </p>

    <p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup><i>Id</i>.,
p. 9. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> <i>Id</i>.,
<i>ibid</i>. </p>

    <p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup><i>Dezengano</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., p. 25. </p>

    <p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup><i>Manifesto</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., p. 5. </p>

    <p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup><i>Id</i>.,
p. 5. </p>

    <p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup><i>Id</i>.,
p. 5, nota 1. </p>

    <p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup><i>Id</i>.,
p. 7. </p>

    <p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup><i>Relação abreviada dos
meus sofrimentos e sucessos, desde o embarque a 4 de
maio até a chegada a 26 do mesmo mês à esta Capital do Rio de Janeiro</i>. </p>

    <p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup><i>Exposição da tramóia e
falsidade que contra mim, João Primo, o major reformado José ­Joaquim Leite, o
Barão de Itaparica e outros, jurarão as testemunhas, subornadas pelos membros
do infame clube do Gravatá, aristocratas o capitão Gabizo e outros moderados
fingidos da Bahia</i>. </p>

    <p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup><i>Correspondência de
Antonio João Fernandes Pizarro Gabizo ao Visconde de Pirajá. Salvador, 26 de
abril de 1831</i>. </p>

    <p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup><i>Correspondência de
António João Fernandes Pizarro Gabizo ao visconde de Pirajá, Salvador, 30 de
abril de 1831</i>.  </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup><i>Carta de Veridiana Rosa
Barata ao Dr. Alexandre José de Mello Moraes</i>, <i>op</i>. <i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup><i>Manifesto</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., p. 16. </p>

    <p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup><i>Carta de Veridiana Rosa
Barata ao Dr. Alexandre José de Mello Moraes</i>, <i>op</i>. <i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup><i>Id</i>.,
<i>ibid</i>. </p>

    <p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup><i>Manifesto</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., pp. 16-17. </p>

    <p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup><i>Dezengano</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., p. 28. </p>

    <p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup><i>Manifesto</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., p. 17, nota 7. </p>

    <p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup><i>Relação abreviada dos
meus sofrimentos e sucessos, desde o embarque a 4 de
maio até a chegada a 26 do mesmo mês à esta Capital do Rio de Janeiro</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup><i>Dezengano</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>.; <i>Manifesto</i>, <i>op</i>. <i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup><i>Correspondência do
Visconde de Pirajá ao Ministro e Secretário dos negócios d’Estado da guerra
José Manoel de Moraes</i>. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> <i>Id</i>, <i>ibid</i>.
Grifo meu. </p>

    <p><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></sup><i>Representação ao Excelentíssimo
Senhor Presidente em Conselho</i>. Salvador, 4 de
abril de 1831. <i>In</i> Accioli, <i>Memórias históricas e políticas da Bahia</i>,
p. 254, nota 40. </p>

    <p><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup><i>Ofício dos amotinados da
Fortaleza do Barbalho</i>. Salvador, 4 de abril de
1831. <i>In</i> Accioli, <i>Memórias históricas e políticas da Bahia</i>, p.
255. </p>

    <p><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup><i>Id</i>.,
pp. 255-256. </p>

    <p><sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></sup> <i>Ofício da Comissão aos
amotinados da Fortaleza do Barbalho</i>. Salvador, 4
de abril de 1831. <i>In</i> Accioli, <i>Memórias históricas e políticas da
Bahia</i>, pp. 258-259. </p>

    <p><sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></sup><i>Ofícios do Conselho e dos
amotinados</i>. Salvador, 5 de abril de 1831. <i>In</i>
Accioli, <i>Memórias históricas e políticas da Bahia</i>, pp. 259-263. </p>

    <p><sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></sup><i>Sermão do Arcebispo da
Bahia Dom Romualdo Antonio de Seixas</i>, 10 de abril de 1831, <i>op</i>. <i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></sup><i>Proclamação de João
Gonçalves Cezimbra aos Bahianos</i>. Salvador, Palácio do governo da Bahia, 13
de abril de 1831. <i>In</i> Accioli, <i>Memórias históricas e políticas da
Bahia</i>, p. 272. </p>

    <p><sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></sup><i>Representação de
proprietários, agricultores e fazendeiros da Bahia</i>. </p>

    <p><sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></sup><i>Proclamação de João
Gonçalves Cezimbra</i>. Salvador, Palácio do Governo da Bahia, 23 de abril de
1831. Bahia na Typ. doBahiano, 1831. Itálico meu. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></sup> <i>Id</i>. <i>ibid</i>. </p>

    <p><sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></sup><i>Proclamação de João
Gonçalves Cezimbra</i>. Salvador, Palácio do Governo da Bahia, 24 de abril de
1831, <i>op</i>. <i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></sup><i>Representação de
proprietários, agricultores e fazendeiros da Bahia</i>, <i>op</i>. <i>cit</i>. </p>

    <p><sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></sup><i>Manifesto</i>, <i>op</i>.
<i>cit</i>., 9. </p>






     ]]></body><back>
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