<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732016000200001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De Marx a Illich: economia, ecologia e tecnologia na obra de André Gorz da década de 1970]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From Marx to Illich: economy, ecology, and technology in André Gorz’s oeuvre of the 1970s]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Machado]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nuno Miguel Cardoso]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto Superior de Economia e Gestão Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>219</numero>
<fpage>240</fpage>
<lpage>273</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732016000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732016000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732016000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O intuito deste artigo é analisar a obra gorziana da década 1970, que representa uma fase de transição no pensamento do autor. Até então, Gorz ­postulava um marxismo ortodoxo, defendendo a necessidade de um socialismo estatista e entendendo positivamente o trabalho e a tecnologia industrial. Todavia, a descoberta de Illich contribuirá para uma mudança profunda do seu pensamento. A “viragem ecológica” de Gorz consubstancia-se: i) na crítica da “civilização industrial” e da tecnologia predominante no capitalismo; ii) na crítica dos efeitos perniciosos do crescimento económico sobre a natureza. Os escritos deste período são a chave para entender o pós-marxismo tardio de Gorz.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the gorzian oeuvre of the 1970s, which represents a transition stage in Gorz’s thought. Up to this period, Gorz advocated an orthodox Marxism, defending the necessity of state socialism and understanding both labor and industrial technology positively. However, the discovery of Illich contributed to a profound change in his thought. The “greening” of Gorz manifests itself in: i) criticism of “industrial civilization” and of the prevailing technology in capitalism; ii) criticism of the harmful effects of economic growth on the environment. The wittings of this period are the key to understand Gorz’s late post-Marxism.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[André Gorz]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[marxismo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[ecologia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[tecnologia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ivan Illich]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[André Gorz]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Marxism]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[ecology]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[technology]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Ivan Illich]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[  

    <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>

    <div class="WordSection1">

    <p><b>De Marx
a Illich: economia, ecologia e tecnologia na obra de André Gorz da década de 1970</p>
    <p>From Marx to Illich:
economy, ecology, and technology in André Gorz’s
oeuvre of the 1970s</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Nuno Miguel Cardoso Machado</b>*</p>
    <p>*Universidade de Lisboa, ISEG, SOCIUS,
Centro de Investigação em Sociologia Económica e das organizações, Rua Miguel Lupi - 1249-078
Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:nuno.cocas.machado@gmail.com">nuno.cocas.machado@gmail.com</a>



    <p>&nbsp;</p>


    <p><b>RESUMO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O intuito deste artigo é analisar a obra
gorziana da década 1970, que representa uma fase de transição no pensamento do
autor. Até então, Gorz ­postulava um marxismo ortodoxo, defendendo a
necessidade de um socialismo estatista e entendendo positivamente o trabalho e
a tecnologia industrial. Todavia, a descoberta de Illich contribuirá para uma
mudança profunda do seu pensamento. A “viragem ecológica” de Gorz
consubstancia-se: i) na crítica da “civilização industrial” e da tecnologia
predominante no capitalismo; ii) na crítica dos
efeitos perniciosos do crescimento económico sobre a natureza. Os escritos
deste período são a chave para entender o pós-marxismo tardio de Gorz.</p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: André Gorz; marxismo; ecologia;
tecnologia; Ivan Illich.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>This
article analyzes the gorzian oeuvre of the 1970s,
which represents a transition stage in Gorz’s
thought. Up to this period, Gorz advocated an
orthodox Marxism, defending the necessity of state socialism and understanding
both labor and industrial technology positively. However, the discovery of Illich contributed to a profound 
change in his thought. The
“greening” of Gorz manifests itself in: i) criticism of “industrial civilization” and of the
prevailing technology in capitalism; ii) criticism of the harmful effects of
economic growth on the environment. The wittings of this period are the key to
understand Gorz’s late post-Marxism.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
André Gorz: Marxism; ecology; technology; Ivan Illich.</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A ecologia foi para mim uma revolução sob uma
forma diferente e a partir de uma perspetiva diferente. Uma vez que não é
possível revolucionar a sociedade através da reapropriação do trabalho
industrial, a ecologia política era a perspetiva mediante a qual era possível
demonstrar que o sistema capitalista era incapaz de sobreviver a não ser que se
subvertesse totalmente [Gorz,
1997 [1993], p. 125].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>André Gorz (1923-2007) – pseudónimo de Gerhart Horst – nasceu em Viena,
mas viveu praticamente toda a sua vida adulta em França. Com efeito, “foi o
mundo intelectual francês do período pós-2.ª Guerra Mundial que forneceu o
vocabulário e o cenário (<i>setting</i>) para a teoria política de Gorz”
(Brooks, 2010, p. 27).</p>

    <p>A importância
de André Gorz no contexto do debate sociológico contemporâneo acerca da crise
da sociedade do trabalho é incontestável (Castel, 2013; Gollain, 2000).
Todavia, Gorz é um autor relativamente pouco conhecido no mundo académico
lusófono.<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> Jornalista e ensaísta autónomo, Gorz publicou 16 livros e dezenas de
artigos ao longo de seis décadas de compromisso com a Teoria Crítica. Gorz foi,
sucessivamente, um dos principais autores existencialistas (na década de 1950),
um dos grandes impulsionadores da “Nova Esquerda” francesa (na década de 1960),
o fundador da “Ecologia Política” (na década de 1970) e, a partir da década de
1980, conforme já referi, um dos principais
intervenientes no debate acerca da crise do trabalho.</p>

    <p>É possível identificar
dois períodos distintos no pensamento de Gorz. Desde <i>A Moral da História</i>
(Gorz, 1969 [1959]) – obra publicada em 1959 – até ao final da década de 1960
Gorz postula um marxismo francamente ortodoxo. Assim, o trabalho é entendido
como uma categoria transhistórica e de um modo positivo: o objetivo do
socialismo é libertar o trabalho do jugo <i>exterior</i> que lhe é imposto pelo
capital. Ademais, o proletariado assume-se como um sujeito revolucionário
apriorístico responsável pela instauração do socialismo. O socialismo proposto
por Gorz consubstancia-se num modelo estatista de direção central que pressupõe
a apropriação coletiva dos meios de produção. A tecnologia moderna é, pois,
entendida igualmente de um modo positivo.</p>

    <p>Com a publicação de <i>Adeus
ao Proletariado</i> (Gorz, 1982 [1980]), em 1980, ocorre uma grande rutura no
pensamento de Gorz. O trabalho passa a ser entendido como uma categoria
historicamente específica da modernidade capitalista e de um modo negativo: o
desafio que a humanidade enfrenta não é libertar o trabalho, mas <i>libertar-se
do trabalho</i>. Esta <i>possibilidade</i> está contida na denominada Revolução
Microeletrónica, mas sob o capitalismo manifesta-se de um modo invertido como
aumento do desemprego. A visão de socialismo preconizada por Gorz coloca agora
em primeiro plano uma produção <i>pós-industrial</i> organizada em rede e,
portanto, descentralizada e gerida de um modo autónomo pelos seres humanos. Em
oposição ao gigantismo industrial burocrático e alienante, Gorz propõe a adoção
de uma tecnologia <i>soft</i> ecologicamente sustentável.</p>

    <p>O grande objetivo deste
artigo é perceber como ocorreu esta mudança de 180º no pensamento de André
Gorz. Deve notar-se que foi uma mudança gradual, isto é, o resultado da sua
maturação intelectual ao longo de vários anos. Deste modo, ocupar-me-ei
especificamente da obra gorziana da década de 1970, que representa um período
de transição no pensamento de Gorz. Se no início deste período Gorz ainda
defendia um marxismo mais ou menos ortodoxo – em linha com as suas teses da
década de 1960 –, estes 10 anos de reflexão intensa culminarão na publicação de
<i>Adeus ao Proletariado</i> e no abandono definitivo dos predicados do
marxismo tradicional<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, como se ­analisa mais adiante. A descoberta da obra de Ivan Illich e
o contacto pessoal com o autor terão um efeito decisivo na inflexão teórica de
Gorz e, especialmente, na “viragem ecológica” do seu pensamento.</p>

    <p>Destacam-se dois temas
principais nos escritos gorzianos da década de 1970:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>a) Crítica da “civilização industrial” e, em
particular, da <i>tecnologia</i> predominante na sociedade capitalista. Na
ausência de uma mudança profunda das técnicas produtivas e da adoção de
“ferramentas conviviais” (Illich) – que facilitam a
autogestão, a autonomia e a descentralização do processo produtivo –, a
coletivização dos meios de produção não alterará em nada a dominação da
“megamáquina” industrial.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>b) Crítica do crescimento económico nas suas
duas variantes capitalista e socialista. Gorz funda a denominada “ecologia
política”, alertando para os limites físicos e naturais que se impõem à
expansão da racionalidade económica: poluição, delapidação dos recursos
naturais, destruição do ecossistema da Terra, etc.</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O livro<i> Ecologia e
Política</i> (Gorz, 1980 [1975]) antecipa – se bem que
ainda em estado embrionário – algumas das ideias-chave que nortearão o
pensamento gorziano da década de 1980, tais como: i) a crise do trabalho e a
necessidade de reduzir drasticamente os horários de trabalho; ii) a noção de
uma “sociedade dual”, embora o autor ainda não adote esta terminologia; iii) a
necessidade imperiosa de romper com o modelo de desenvolvimento produtivista.</p>

    <p>Esta evolução teórica
de Gorz deve, em primeiro lugar, ser situada no contexto social e intelectual
francês deste período histórico. Como refere Brooks:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>[…] na sequência dos acontecimentos de maio o
radicalismo tornou-se mais difuso, abrangendo (…) a miríade de formas através
das quais a lógica capitalista penetrava na cultura quotidiana. (…) [A]ssistiu-se ao crescimento dos novos movimentos sociais,
incluindo o movimento feminista, o movimento de libertação <i>gay</i> e os
movimentos ecológico e antinuclear [Brooks, 2010, p. 209].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Os movimentos sociais que surgiram na década de 1970
representam o “legado” da Nova Esquerda da década de 1960, partilhando a mesma
“visão anti-tecnocrática de uma sociedade autónoma,
descentralizada e autogerida” (Hirsh, 1981, p. 208). Em França, uma das
principais consequências do Maio de 1968 foi o surgimento de um “movimento
ecológico de massas” (<i>idem</i>, p. 221):</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>O movimento ecológico francês cresceu rapidamente
no final da década de 1960 (…). Era similar aos movimentos ecológicos do resto
da Europa ocidental e dos Estados Unidos, sendo a confluência da preocupação
científica com o esgotamento dos recursos naturais e de impulsos contra-culturais mais difusos que “redescobriram” o mundo
natural enquanto refúgio espiritual da vida moderna [Brooks, 2010, p. 263].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Na década de
1970 o pensamento ecológico adquiriu, pois, uma grande proeminência “à medida
que as consequências destrutivas do crescimento económico (…) começaram a
acumular-se” (Bowring, 2000, p. 117).</p>

    <p>Em linha com as
preocupações ecológicas dos novos movimentos sociais que surgiram em França, Gorz
começou a desenvolver uma “crítica ecológica da sociedade industrial” (<i>idem</i>).
Segundo Little, “Gorz utilizou a ecologia, na sequência do desapontamento com o
fracasso da revolução de 1968 em Paris, para injetar um novo dinamismo no seu
programa socialista. Ele aceitou os desafios que a ecologia colocava aos
métodos e crenças do marxismo” (Little, 2013 [1996], p. 75). Na sequência da
sua “viragem ecológica” (<i>greening</i>) [<i>idem</i>], Gorz tornou-se
rapidamente uma das vozes mais respeitadas em França nesta matéria (Brooks,
2010, p. 16).</p>

    <p>Um aspeto
fulcral para esta mudança no seu pensamento foi a
descoberta da obra de Ivan Illich. Em 1971, Gorz toma conhecimento da versão
preliminar de <i>Tools for Conviviality</i>, que traduz e da qual publica uma
súmula no <i>Le Nouvel Observateur</i> (Bowring, 2000, p. 7). Gorz ficou
plenamente convencido com os argumentos avançados por Illich (Brooks, 2010, p.
225) e impressionado com “os seus ataques à ‘megamáquina’ do capitalismo
industrial” (<i>idem</i>, p. 262). Nas suas próprias palavras,</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>[…] estavam ali presentes ecos do pensamento de
Jacques Ellul e de Gunther Anders: a expansão da indústria transforma a
sociedade numa máquina gigante, em vez de libertar os seres humanos, restringe
a sua autonomia, determinando os fins que eles devem alcançar e como os devem
alcançar. Tornamo-nos servos desta megamáquina. A produção já não está ao nosso
serviço, nós é que estamos ao serviço da produção. E em resultado da
profissionalização simultânea de todo o tipo de serviços, tornamo-nos incapazes
de cuidar de nós próprios, de determinar as nossas necessidades e de as satisfazer nós mesmos: dependemos em todos os aspetos das
“profissões incapacitantes” [Gorz, 2009 [2006], p. 28].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 1973, Gorz a
encontra-se pessoalmente com Ivan Illich, de quem se torna amigo íntimo. No
mesmo ano, Gorz e a sua mulher visitam Illich em Cuernavaca, no México, onde
estava sediado o Centro Intercultural de Documentación (CIDOC), fundado em 1965
por Illich (Brooks, 2010, p. 280).</p>

    <p>Outro fator
decisivo para a viragem ecológica de Gorz e, em especial, para a sua crítica à
“sociedade industrial” foi o problema de saúde enfrentado por Dorine, a sua
mulher.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Em 1973, Dorine foi diagnosticada com
aracnoidite, uma doença degenerativa da coluna vertebral. Os médicos de Dorine
associaram a doença ao uso de lipiodol numa pequena cirurgia a que tinha sido
submetida (…) oito anos antes. O lipiodol, que é uma substância utilizada [como
contraste] nos exames de raio-X, tinha-se alojado na
sua coluna vertebral e iria causar-lhe dores crónicas durante o resto da sua
vida. Desta forma, numa altura em que Gorz estava entusiasmado (<i>passionate</i>)
com a ecologia (…) e, de um modo mais genérico, com as questões ligadas à
autonomia existencial, a questão da medicina [moderna] tornou-se especialmente
sensível para ele [Brooks, 2010, p. 279].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A aracnoidite de Dorine era uma doença
degenerativa e sem cura (Gorz, 2009 [2006], p. 30) causada <i>diretamente</i>
pela medicina moderna. Ora, nesta altura, Illich preparava o seu próximo livro,
<i>A Expropriação da Saúde – Némesis da Medicina</i>, uma crítica impiedosa dos
efeitos perniciosos da medicina moderna. Deste modo, a crítica illichiana da
“tecno-medicina” acabou por coincidir inteiramente com as preocupações
familiares de Gorz (<i>idem</i>, p. 29). Em <i>Carta a D.
– História de um Amor</i>, Gorz é perentório sobre a relação causal entre a
doença da sua mulher e a sua aproximação à ecologia:<i> </i>“A tua doença
reconduziu-nos ao campo da ecologia e do tecnocriticismo” (<i>idem</i>, p. 31).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ACERCA DO PENSAMENTO
DE IVAN ILLICH</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dado que o pensamento de André Gorz durante a década de 1970 e,
especialmente, em <i>Ecologia e Política,</i> é influenciado pela obra de Ivan
Illich (Azam, 2013, p. 105; Dupuy, 2013, pp. 99 e segs.; Gollain, 2000, p. 62),
analisarei ­brevemente as ideias fundamentais deste autor.<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> 
Começarei por duas das suas obras mais marcantes: <i>Tools for
Conviviality</i> (Illich, 1975b [1973]) e <i>A Expropriação da Saúde</i>
(Illich, 1975a).</p>

    <p>Illich defende
que as instituições da sociedade industrial impedem a expressão da autonomia
dos indivíduos, pois à medida que o poder da maquinaria aumenta, estes são
relegados para o papel de “meros consumidores” (Illich, 1975b [1973], p. 23).
Segundo defende, a tentativa de substituir o trabalho humano pela produção
maquinizada não é emancipadora: “as máquinas escravizam os seres humanos” (<i>idem</i>)
porque, ultrapassado um certo limiar, a dimensão das
ferramentas “aumenta a arregimentação, a dependência, a exploração e a
impotência” dos indivíduos (<i>idem</i>, pp. 33-34). Segundo Illich, “as
pessoas precisam de novas ferramentas com as quais possam trabalhar (<i>to work
with</i>) e não de ferramentas que ‘trabalhem’ por elas” (<i>idem</i>, p. 23).</p>

    <p>Illich
preconiza uma forma de socialismo que terá, pois, de transcender a civilização
industrial: “a transição para o socialismo apenas será possível (…) mediante a
substituição das ferramentas industriais por ferramentas conviviais” (<i>idem</i>,
p. 25). Illich designa esta substituição por “reequipamento (<i>retooling</i>)”
da sociedade (<i>idem</i>). Uma dada ferramenta ou técnica apenas será convivial
se promover a autonomia e a criatividade do indivíduo que a utiliza; isto
implica que “possa ser utilizada facilmente, por qualquer pessoa, tão
frequentemente (…) quanto desejado e para a concretização de um objetivo
escolhido pelo utilizador” (<i>idem</i>, p. 35). A transformação radical da
tecnologia é, por conseguinte, uma pré-condição necessária para alcançar a
“justiça social” (<i>idem</i>, p. 25).</p>

    <p>A visão de
socialismo de Illich corresponde deste modo àquilo que designa por “sociedade
convivial”. A sociedade convivial pode ser definida como uma sociedade
“pós-industrial” que introduz “limites politicamente definidos a todos os tipos
de crescimento industrial” (<i>idem</i>, p. 30). Neste sentido, a
convivialidade refere-se às “relações autónomas e criativas estabelecidas entre
as pessoas, e às relações entre as pessoas e o seu ambiente” (<i>idem</i>). A
convivialidade é “a liberdade individual realizada através da interdependência
pessoal”, pelo que “possui um valor ético intrínseco” (<i>idem</i>). Ela assenta
no princípio basilar de que o controlo sobre as ferramentas da sociedade deve
ser exercido democraticamente através de processos políticos e não por
especialistas ou tecnocratas (<i>idem</i>, p. 25).</p>

    <p>De acordo com
Illich, a sociedade deve portanto ser reconfigurada de
modo a privilegiar “a contribuição dos indivíduos autónomos e das pequenas
comunidades (<i>primary groups</i>) para a eficiência total de um novo sistema
de produção concebido para satisfazer as necessidades humanas e igualmente para
a determinação dessas necessidades” (<i>idem</i>, p. 23). Todavia, Illich
alerta que “seria um erro acreditar que todas as ferramentas em grande escala e
toda a produção centralizada pudessem ser excluídas de uma
sociedade convivial” (<i>idem</i>, p. 37). O autor explica que</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Em todas as sociedades pós-neolíticas, duas
formas de produção, que chamarei forma de produção autónoma e forma de produção
heteronómica, sempre concorreram para a realização dos objetivos sociais
maiores. Só em nossa época é que essas duas formas de produção entraram em
conflito de modo cada vez mais acentuado [Illich, 1975a, p. 67].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Quando a
produção industrial se torna predominante, os valores de uso produzidos pela
forma de produção autónoma são relegados para uma posição marginal (<i>idem</i>,
p. 69). Isto é problemático, pois na ótica de Illich</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>a
eficácia alcançada por uma sociedade na busca de seus objetivos sociais depende
do grau de sinergia entre as duas formas de produção, a autónoma e a
heteronómica. Depende do modo como o produto do engenheiro e do burocrata se
engrene nos valores de uso produzidos de forma autônoma [<i>idem</i>, pp.
69-70].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Por
conseguinte, o sistema industrial tem de ter reconfigurado e limitado de tal
forma a poder “funcionar em sinergia positiva com a produção autónoma de
valores de uso concorrentes” (<i>idem</i>, p. 74). O princípio que norteia a
produção não poderá ser “fazer mais coisas para as pessoas”, mas antes “lhes
garantir maior liberdade para que elas próprias as
façam” (<i>idem</i>). A produção heterónoma deve ser reduzida em benefício da
produção autónoma (<i>idem</i>, p. 75). Como se verá, esta visão illichiana
inspirou enormemente a noção gorziana de uma sociedade dual.</p>

    <p>Passarei agora
a sintetizar as ideias de Illich presentes em outros dois textos: o livro <i>The
Right to Useful Unemployment</i> (Illich, 1996 [1978]) e o ensaio “Vernacular
values” (Illich, 1980). Neste último será patente uma mudança do pensamento de
Illich no sentido de uma posição romântica ou até “primitivista”. Se em <i>Tools
for Conviviality</i>, como se viu, a ênfase estava na <i>complementaridade</i>
entre produção industrial heterónoma e produção convivial autónoma, agora
Illich coloca o acento tónico na produção “vernacular” microssocial.</p>

    <p><i>The Right to
Useful Unemployment</i> é assumidamente um “epílogo” de <i>Tools
for Conviviality</i>. A tese principal defendida neste livro é que a “crescente
dependência de bens e serviços produzidos em massa” despoja os seres humanos da
sua liberdade e da sua autonomia, enclausurando-os no domínio das relações
mercantis (Illich, 1996 [1978], pp. 7-8). É preciso contrariar esta lógica e
assumir a “autodeterminação local enquanto objetivo” primordial (<i>idem</i>,
p. 32), ou seja, as pessoas devem poder “definir e satisfazer uma proporção
cada vez maior das suas necessidades direta e pessoalmente” (<i>idem</i>, p.
34). A “austeridade convivial” deve “inspirar a sociedade a proteger os valores
de uso pessoais contra (…) a afluência incapacitante (<i>disabling</i>)” [<i>idem</i>,
p. 36].</p>

    <p>Illich dedica
uma atenção especial ao conceito de trabalho. De acordo com o autor, sob o
capitalismo o “trabalho” (<i>work</i>) foi erradamente equiparado ao “emprego”
(<i>employment</i>) [Illich, 1980, p. 50]. Ora, na perspetiva de Illich urge
contrariar “o monopólio do trabalho assalariado sobre todos os outros tipos de
trabalho” (<i>idem</i>, p. 53). Acima de tudo, o desemprego deve ser transformado
num desemprego “útil”, i.e.,
na possibilidade de trabalhar sem ser em troca de um salário (<i>idem</i>, p.
51).</p>

    <p>O desemprego
pode, pois, ser aproveitado como uma oportunidade para expandir a “atividade
autónoma” (<i>idem</i>) e o “trabalho útil” (<i>useful work</i>) [Illich, 1996
[1978], p. 84] não mercantis. O autor explica que</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>a
Política convivial é baseada no entendimento de que numa sociedade moderna a
riqueza e os empregos podem ser partilhados equitativamente e desfrutados em
liberdade apenas quando ambos são limitados por um processo político. As formas
de riqueza excessivas e o emprego formal prolongado, independentemente de serem
bem distribuídos, destroem as condições sociais, culturais e ambientais para a
liberdade produtiva igualitária (<i>equal productive freedom</i>) [<i>idem</i>,
p. 16].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Todavia, Illich não defende a abolição total do
trabalho industrial; o autor preconiza apenas que a “prioridade relativa”
atribuída ao trabalho assalariado e ao trabalho autónomo seja alterada, em
benefício deste último (Illich, 1980, p. 61).</p>

    <p>“Vernacular
values”, por sua vez, ilustra de um modo mais explícito a viragem primitivista
de Illich. De acordo com o autor, as necessidades humanas podem ser satisfeitas
de duas formas diferentes. A primeira, ecologicamente insustentável e
predominante na modernidade, é constituída pela produção de mercadorias, i.e.,
as necessidades são satisfeitas através de bens e serviços estandardizados
(Illich, 1980, p. 49).</p>

    <p>A segunda,
ecologicamente sustentável e predominante nas sociedades pré-capitalistas,
consiste em “organizar a existência em torno das atividades de subsistência” (<i>idem</i>).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Assim, o ideal social corresponde ao <i>homo
habilis</i>, uma imagem que inclui uma miríade de indivíduos que são <i>distintamente</i>
competentes a lidar com a realidade, o oposto do <i>homo economicus</i>, que
depende de “necessidades” estandardizadas. Nestas condições, as pessoas que
escolhem [deliberadamente] a sua independência e as suas próprias perspetivas
obtêm mais satisfação fazendo e fabricando coisas para uso imediato do que dos
produtos dos escravos ou das máquinas. Por conseguinte, qualquer projeto
cultural é necessariamente modesto. Nestas condições, as pessoas aproximam-se o
mais possível da autossubsistência, produzindo elas próprias aquilo
que são capazes, trocando o seu excedente com os vizinhos [<i>idem</i>, p. 50,
itálico no original].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Illich afirma
que “não resta outra alternativa” a “um modo de vida
caracterizado pela austeridade, modéstia, <i>construído através do trabalho
árduo</i> e assente numa escala reduzida” (<i>idem</i>, itálico nosso). Numa
comunidade que escolha um “modo de vida orientado para a subsistência”, o
objetivo central é “a inversão do desenvolvimento [industrial], a substituição
dos bens de consumo pela atividade pessoal, das ferramentas industriais por ferramentas
conviviais” (<i>idem</i>, p. 52). Somente nesta situação, em que “o controlo de
cada trabalhador sobre os seus meios de produção determina o horizonte limitado
de cada empreendimento” [<i>idem</i>], poderá ser cumprido o ideal do “artesão
que trabalha como um virtuoso” (<i>idem</i>).</p>

    <p>É evidente a
vertente romântica/primitivista e, em certo sentido, até reacionária da teoria
de Illich: a produção artesanal, a frugalidade e a limitação extrema das
necessidades são o reverso da medalha, a negação <i>abstrata</i>, da “produção
pela produção”, do desperdício colossal e das necessidades alienadas
(potencialmente) infinitas do capitalismo.</p>

    <p>Como se verá
nos subpontos seguintes, a “ecologia política” de Gorz incorporou várias noções
illichianas, mormente: a) a crítica da “civilização industrial” e do
crescimento económico; b) a noção da tecnologia enquanto matriz apriorística
que determina as relações sociais; c) a impossibilidade de apropriação coletiva
da tecnologia capitalista e, em particular, dos grandes sistemas industriais; d)
a divisão da sociedade em termos do binómio esfera da autonomia/esfera da
heteronomia; e) a necessidade de reduzir o tempo de trabalho heterónomo e de
aumentar o tempo dedicado às atividades autónomas.</p>

    <p>Todavia, neste
momento, creio ser importante assinalar a <i>diferença</i> crucial entre as
teorias de Gorz e Illich. Gorz pretende aproveitar os avanços científicos e
tecnológicos para reduzir as horas de trabalho “heterónomo”. Todavia, a maior
parte dos bens <i>essenciais</i> à subsistência humana (alimentação, vestuário,
habitação, etc.) continuarão a ser produzidos na
esfera macrossocial “heterónoma” (Gorz, 1982 [1980]). Em termos marxistas, a
esfera da liberdade é erigida sobre e para além da esfera da necessidade, que
deverá ocupar o mínimo de tempo possível na vida dos indivíduos. A esfera da
autonomia é concebida primariamente como um espaço para a produção de bens <i>não
utilitários</i>, para a expressão da criatividade dos indivíduos. Portanto, a
redução da heteronomia, em Gorz, corresponde à redução do tempo de trabalho individual
dedicado a essa esfera.</p>

    <p>Ora, em Illich
a redução da heteronomia é entendida primariamente como uma redução <i>de facto</i>
do volume e da panóplia dos bens produzidos nessa esfera. O objetivo principal
é uma espécie de frugalidade autoimposta no contexto de uma quasi-autarcia: os
indivíduos devem produzir autonomamente – na esfera doméstica ou, quando muito,
no contexto de uma pequena comunidade – <i>a maior parte</i> dos bens que
utiliza/consome.</p>

    <p>Por
conseguinte, a abolição do trabalho é algo que não se coloca no horizonte de
Illich. O autor não vislumbra na tecnologia um núcleo emancipatório – o
potencial de libertar os seres humanos<i> do</i> trabalho –, pois na sua ótica
toda a vida dos indivíduos se deve sujeitar ao trabalho, ou melhor, deve, <i>de
facto</i>, <i>ser</i> trabalho. Na sua negação abstrata da tecnologia e da
ciência – como raízes de todo o mal – e da especialização – entendida como
dominação direta de uma classe de técnicos e de tecnocratas –, Illich acaba por
propor, sem se aperceber disso, um modelo de sociedade que constitui uma
continuação do capitalismo por outros meios.</p>

    <p>Na sociedade
capitalista, os indivíduos são obrigados a passar 8, 10, 12 horas por dia na
fábrica ou no escritório a produzir granadas de mão ou relatórios de
consultoria para assegurar a sua subsistência (i.e., para receber um salário). Por sua vez, na “utopia” proposta por
Illich os indivíduos devem igualmente passar todo o dia envolvidos nas
atividades conducentes à sua subsistência: eles devem produzir os alimentos que
consomem, fabricar as roupas que usam, construir a
casa que habitam, ser os seus próprios médicos – recorrendo a plantas, chás ou
aos conhecimentos ancestrais dos curandeiros ou xamãs –, ser completamente
autodidatas (pois toda a educação é por natureza opressiva), etc., etc.</p>

    <p>Estamos portanto perante o ideal burguês do sujeito que apenas
depende de si mesmo e em que o caráter social dos indivíduos é pura e
simplesmente escamoteado (fora das relações familiares ou de vizinhança).
Todavia, se o burguês proclama alto e bom som que “o mundo é a minha aldeia”,
Illich defende que “a aldeia é o meu mundo”. Note-se que a antinomia esfera
pública/esfera privada não é transcendida; pelo
contrário, a esfera doméstica, privada é afirmada unilateralmente como o <i>locus</i>
da liberdade individual. Fora desta esfera, apenas existe a opressão e a
heteronomia de um mundo estranho, corporizado nos predicados da “civilização
industrial” e que impõe os seus desígnios ao indivíduo.</p>

    <p>A vida humana é
degradada à condição de sobrevivência física como fim em si mesmo. O indivíduo
deve perder a sua vida a garantir os meios da sua sobrevivência. Tal como sob o
capitalismo. Só que neste caso fá-lo-á “diretamente”, sem a mediação de
terceiros e, sobretudo, de tecnologia “industrial”. Isto porque, em Illich,
qualquer elemento que medeie o metabolismo do ser humano com a natureza é, em
si mesmo, pernicioso; mas, curiosamente, reduzir o ser humano a esse
metabolismo com a natureza não o é. <i>A necessidade é apresentada como o
expoente máximo da liberdade</i>.<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a></p>

    <p><sup>&nbsp;</sup></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>DIVISÃO DO TRABALHO
E MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA </i>(1973)</b></p>

    <p>&nbsp;</b></p>

    <p>Em 1973 é publicada a obra coletiva intitulada <i>Divisão do Trabalho e
Modo de Produção Capitalista</i>, na qual Gorz assina o prefácio (Gorz, 1976c
[1973]) e dois capítulos (Gorz, 1976d [1973]; 1976e
[1973]). A tese defendida pelo autor é que “a divisão capitalista do trabalho é
a fonte de todas as alienações. (…) E o comunismo não é senão o movimento que
suprime essa divisão do trabalho” (Gorz, 1976c [1973], p. 7).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A DIVISÃO DO TRABALHO E A SUA ABOLIÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Em
clara sintonia com as teses avançadas em <i>O Socialismo Difícil</i> (Gorz,
1968), Gorz afirma que a divisão e a parcelarização do trabalho são a
“consequência de uma tecnologia concebida [pela classe dominante] para servir
de arma na luta de classes” (Gorz, 1976e [1973], p. 258). A principal função da
divisão do trabalho não é aumentar a produtividade, mas assegurar a manutenção
das relações hierárquicas e de exploração consubstanciadas no “despotismo de
fábrica” militarizado (<i>idem</i>, pp. 254-255).</p>

    <p>Por conseguinte, a transição para o comunismo exige que a divisão do
trabalho seja abolida e que o trabalho seja “progressivamente enriquecido”,
permitindo aos operários desenvolver capacidades criativas cada vez mais
alargadas (<i>idem</i>, p. 260). Em outros termos, os “produtores diretos” têm
de transformar as técnicas de produção, a organização do trabalho, a forma como
as máquinas são utilizadas e a relação com o saber e com as instituições que o
transmitem (Gorz, 1976c [1973], pp. 10-11). A ciência e a técnica devem ser “revolucionadas”
e reapropriadas enquanto “potência comum”, mediante a reunificação do trabalho
intelectual e do trabalho manual (<i>idem</i>, p. 11).</p>

    <p>A “emancipação da
classe operária” passa, pois, pela reconquista da sua “integridade física,
nervosa, intelectual, cultural, <i>no seio do trabalho</i>, isto é, pela luta
para impor um poder de autodeterminação do processo de trabalho” (<i>idem</i>,
p. 11, itálico nosso). Em 1973, portanto, Gorz ainda preconiza uma autonomia <i>no</i>
trabalho.</p>

    <p>É de realçar
que todas estas posições serão abandonadas por Gorz a partir de <i>Adeus ao
Proletariado</i> (Gorz, 1982 [1980]): a especialização, a divisão do trabalho e
o “despotismo de fábrica” deixam de poder ser abolidos ao nível da produção
“macrossocial” e apenas ao nível “microssocial”, i.e., das pequenas comunidades autónomas, é possível instaurar relações
de produção humanizadas baseadas na reciprocidade e na cooperação espontânea.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>A TECNOLOGIA COMO MATRIZ <i>A PRIORI</i></b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Na década de 1960, Gorz discordava da atribuição
da “dominação totalitária à racionalidade tecnológica <i>per se</i>”, pois esta
dominação era, ao invés, o resultado do uso da tecnologia sob as condições de
um “capitalismo monopolista ou estatista” (Gorz, 1964, p. 536). Numa resenha a <i>O
Homem Unidimensional</i>, Gorz diz mesmo que Marcuse “exagera os efeitos da
tecnologia sobre a ideologia, a civilização e a política”, uma vez que não é
correto “considerar a tecnologia uma variável independente” (<i>idem</i>). É
possível desenvolver uma “sociedade industrial” diferente da que existe nos
países capitalistas avançados (<i>idem</i>).</p>

    <p>Ora, em <i>Divisão do
Trabalho e Modo de Produção Capitalista</i> opera-se uma mudança decisiva no
pensamento gorziano, em que é possível discernir a influência de Ivan Illich
(cf. Gorz, 2009 [2006]). Na presente obra, o autor salienta que a organização,
as técnicas de produção e a divisão do trabalho vigentes
constituem a “matriz material” que reproduz invariavelmente as “relações (…) de
produção capitalistas” (Gorz, 1976c [1973], p. 9). A “tecnologia da fábrica”
impõe uma determinada divisão técnica do trabalho que, por seu turno, “exige um certo tipo de subordinação” dos trabalhadores (<i>idem</i>,
pp. 9-10). Neste sentido,</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>A tecnologia é (…) a matriz e a causa última de
tudo e não se vê como a “apropriação coletiva” dos meios de produção que
integra em si a marca <i>dessa</i> tecnologia poderia mudar no que quer que
fosse o regime da fábrica (…) e a opressão dos operários. (…) Enquanto a matriz
material se mantiver sem alteração, a “apropriação coletiva” do conjunto das
fábricas não pode deixar de ser uma transferência <i>perfeitamente abstrata</i>
da propriedade jurídica, (…) que será completamente incapaz de pôr fim à
opressão. (…) [O] poder manter-se-á no capital, apenas mudarão aqueles que o
representam; o patronato privado será substituído pelo Estado-patrão [<i>idem</i>,
p. 10, itálico no original].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Na mesma obra, contudo,
Gorz acaba por voltar atrás e dizer que as ciências e as técnicas de produção
“trazem a marca das relações de produção (…) capitalistas na sua orientação,
(…), na sua especialização, na sua prática e até na sua linguagem” (Gorz, 1976e
[1973], p. 243). O desenvolvimento do capitalismo processa-se de tal forma que
“as forças produtivas e as capacidades de trabalho (…) permanecem submetidas à
lógica do sistema e funcionais relativamente a ele, por causa da deformação que
lhes imprime” (<i>idem</i>, p. 242). Por conseguinte, a crítica já não pode ser
feita “<i>do interior</i> do sistema nem do ponto de vista das capacidades e
das forças produtivas <i>existentes</i>, mas apenas do ponto de vista do <i>além</i>
do sistema, da [sua] superação <i>possível</i>” (<i>idem</i>, itálico no
original).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Subsiste, portanto, uma
grande ambiguidade na conceção gorziana de tecnologia: se por um lado, seguindo
de perto a tese illichiana, a tecnologia parece ser transhistoricizada e
elevada ao estatuto de “matriz e causa última de tudo” (Gorz, 1976c [1973], p.
10), por outro lado, contradizendo claramente esta asserção, Gorz diz que o
caráter nefasto da tecnologia capitalista deriva precisamente do fato de ser
marcada pelas relações <i>sociais</i> capitalistas. Esta segunda posição – em
consonância com a teoria gorziana da década de 1960 – parece-me ser a mais
correta, uma vez que a tecnologia não existe num vácuo mas
sempre no seio de relações sociais específicas: a tecnologia é determinada
socialmente e não o inverso. Todavia, a partir de <i>Ecologia e Política</i>
(Gorz, 1980 [1975]), Gorz acabará muitas vezes por privilegiar a primeira
explicação e ver na técnica, na ciência e na tecnologia a raiz de todo o mal.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>&#10035;</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Daquilo que foi exposto
fica claro que a <i>Divisão do Trabalho e Modo de Produção Capitalista</i> se
assume claramente como uma obra de transição no pensamento gorziano. Por um
lado, Gorz ainda permanece agarrado a uma conceção positiva de trabalho e ao
papel revolucionário do proletariado. Por outro lado, começa a notar-se a
mudança de “paradigma” causada pela incorporação da teoria de Ivan Illich, que
será mais vincada em <i>Ecologia e Política</i> (Gorz, 1980 [1975]). Neste
contexto, é elucidativa a crítica da tecnologia e da indústria <i>per se</i>.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b><i>CRÍTICA DO
CAPITALISMO QUOTIDIANO</i>
(1973)</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Em 1973
Gorz publica igualmente uma coletânea de artigos – escritos entre 1965 e 1973,
e publicados originalmente no jornal <i>Le Nouvel Observateur</i> – intitulada <i>Crítica
do Capitalismo Quotidiano</i> (Gorz, 1976a [1973]; 1976b [1973]). São artigos
de cunho jornalístico que analisam inúmeros aspetos da realidade capitalista –
nomeadamente da francesa –, a partir do arcabouço teórico desenvolvido nas suas
obras da década de 1960. Nas palavras de Gorz, “partindo do quotidiano, revelam
por detrás dos factos e dos acontecimentos um sistema do qual analisam a
lógica, as contradições e os impasses” (Gorz, 1976a [1973], p. 7). Todavia, na
maior parte dos casos os textos estão claramente datados e contribuem, em minha
opinião, muito pouco para o entendimento da <i>teoria</i> gorziana. É de
destacar, sobretudo, a intuição da crise do trabalho e a introdução das
preocupações ecológicas do autor que serão devidamente aprofundadas em<i>
Ecologia e Política</i>.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>“O PLENO EMPREGO PARA QUÊ?”</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>No
início dos anos 70 a teoria gorziana ainda é marcada pela ontologia do trabalho
do marxismo tradicional (Gorz, 1976b [1973], pp. 21, 80-81). Deste modo, em
julho de 1972, o autor ainda condena o capitalismo com base na injustiça da
exploração de uma classe pela outra: “os operários não têm necessidade nem do
patrão nem dos chefes, para produzir” (<i>idem</i>, p. 73, itálico no
original). O pleno desenvolvimento das capacidades humanas será feito <i>através
do trabalho proletário</i>.</p>

    <p>Não obstante, apesar das aporias do seu pensamento, num artigo de 1971,
intitulado “O pleno emprego para quê?” (<i>idem</i>, pp. 135-142), Gorz esboça,
ainda que de um modo incipiente, algumas das ideias-chave que nortearão a sua
teoria ao longo da década de 1980. Diz-nos o autor que “a mola do crescimento
capitalista está quebrada” (<i>idem</i>, p. 135), em virtude de os dois
principais fatores do crescimento económico se terem esgotado: as “grandes
mutações tecnológicas” e a “difusão maciça dos ‘bens duráveis’” (<i>idem</i>).</p>

    <p>Uma vez que a maioria
das famílias já está equipada com uma panóplia de aparelhos e eletrodomésticos,
a produção de bens duráveis tende a estabilizar ou até a declinar (<i>idem</i>,
p. 137). Isto significa que a maior parte das empresas “já (…) não encontram
utilizações rendosas para a massa dos seus lucros” (<i>idem</i>, p. 145). Neste
contexto, segundo Gorz, caminha-se então para um “período de feroz concorrência
oligopolística” (<i>idem</i>, p. 138) e “o pleno emprego, nestas condições,
torna-se um objetivo fora de alcance” (<i>idem</i>).</p>

    <p>A concentração e a
modernização da indústria realizam-se já não através de um aumento da produção,
mas da sua racionalização, “o que quer dizer que já não cria empregos
suplementares mas, pelo contrário, substitui o
trabalho humano por máquinas mais eficazes, servidas por um mais pequeno número
de trabalhadores” (<i>idem</i>).</p>

    <p>A tese do fim do
trabalho começa então a transparecer nos escritos de Gorz:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>[O] que fazer dos cerca de 200 000 trabalhadores
suplementares que, todos os anos, vêm aumentar os efetivos da população ativa
urbana? Deve-se a qualquer preço encontrar-lhes uma ocupação durante quarenta
e cinco horas por semana? Deve-se criar produtos cada
vez mais sofisticados ou gastando-se cada vez mais depressa, para que a
satisfação das necessidades (normais e artificiais) consuma cada vez mais
trabalho (útil ou inútil)? [<i>idem</i>, p. 139].</p></blockquote>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>O cerne da questão é
que não há nada de intrinsecamente desejável na plena utilização dos recursos
disponíveis, a menos que a sua utilização sirva para produzir bens e serviços
efetivamente necessários. Pelo contrário,</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>se
se exige um crescimento [económico] mais forte para realizar o pleno emprego, a
produção e a utilização dos recursos tornam-se o fim, e o consumo o meio. É
preciso produzir mais bens para empregar mais pessoas; e só se pode empregar
mais gente se se consumir um maior número de bens. (…) [A]s pessoas devem
consumir para trabalhar. Isto não tem sentido [<i>idem</i>, p. 141].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A única coisa que teria
sentido seria a redução dos horários de trabalho, “cuja possibilidade objetiva
é revelada pelo aumento do desemprego” (<i>idem</i>). Os indivíduos poderiam
trabalhar muito menos, desde que toda a gente “trabalhasse de modo produtivo”,
e o trabalho poderia mesmo converter-se numa atividade satisfatória (<i>idem</i>,
p. 142). Obviamente que isto pressuporia uma “formação polivalente” dos
trabalhadores, a rotação das tarefas, a autogestão das “comunidades de base” (<i>idem</i>).</p>

    <p>Note-se que ainda estamos num quadro teórico marcado pela transformação
do trabalho numa atividade atrativa e não pela necessidade da sua abolição. Mas
a redução dos horários de trabalho – que era secundarizada na década de 1960 em
virtude de traduzir uma revindicação “quantitativa” em detrimento de uma
transformação qualitativa do trabalho (Gorz, 1975 [1964]; 1968) – começa a
adquirir preponderância no seio do pensamento gorziano.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>O INÍCIO DAS PREOCUPAÇÕES ECOLÓGICAS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>O
artigo “Ecologia e Revolução” (cf. Gorz, 1976b [1973], pp. 153-186), escrito
igualmente em 1972, marca o início das preocupações ecológicas de André Gorz
que culminarão na publicação de <i>Ecologia e Política</i> (cf. Gorz, 1980
[1975]), em 1975. Posteriormente, Gorz fará uma autocrítica relativamente a
algumas das posições assumidas neste artigo; mas para já, analisarei em detalhe
o argumento exposto no mesmo.</p>

    <p>Na perspetiva de Gorz,</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>O capitalismo, quer seja
privado ou de Estado, é incompatível com a sobrevivência da humanidade. Está
fundado na corrida ao lucro e ao rendimento; na concorrência entre firmas que
apenas conhecem o seu interesse particular; na necessidade de produzir sempre
mais, de vender sempre mais, portanto de fazer de modo que os produtos se
gastem sempre mais depressa, a fim de que as pessoas comprem deles quantidades
cada vez maiores. Resulta disso um desperdício assustador de recursos minerais
insubstituíveis; um saque do meio ambiente; um envenenamento e uma destruição
de processos naturais (…) indispensáveis à preservação da vida [Gorz, 1976b
[1973], p. 158].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Gorz salienta “o beco
sem saída da ‘civilização industrial’” (<i>idem</i>, p. 162), que “não
ultrapassará o fim deste século” (<i>idem</i>) uma vez que as reservas de todos
os metais e as reservas petrolíferas esgotar-se-ão no período de algumas
décadas (<i>idem</i>, pp. 163-164). Para além dos limites naturais óbvios, o
crescimento da produção e do consumo nos países industrializados constitui um</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>desperdício absurdo: porquê querer sempre <i>mais</i>, se se pode viver <i>melhor</i>,
consumindo e produzindo <i>menos</i>, mas <i>de</i> <i>modo diferente</i>?
Questão de puro bom senso, mas eminentemente subversiva. Porque <i>mais</i> é a
palavra-chave do capitalismo. (…) A pergunta <i>produzir o quê? Produzir mais
de quê?</i> É estranha ao espírito deste sistema. A mercadoria é apenas a forma
transitória que toma o capital na perseguição do seu objetivo: aumentar. E, por
este fato, o crescimento capitalista é o crescimento de seja o que for; pode
ser a soma de duas grandezas de sinal contraditório que, em boa lógica (não
capitalista), é igual a zero. É, por exemplo, o dinheiro ganho por aquele que
aumenta os seus lucros poluindo, <i>mais</i> o dinheiro que ganha aquele que limpa, apanha e filtra as porcarias dos outros [<i>idem</i>,
p. 175, itálico no original].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A revindicação da
paragem do crescimento industrial inscreve-se numa “lógica ecológica” que
constitui a negação da “lógica capitalista” (<i>idem</i>, p. 176). A ecologia
constitui uma “caução científica” para todos os seres humanos que “sentem a
ordem presente como uma bárbara desordem e a rejeitam – recusando as formas
atuais de produção do consumo, do trabalho, da técnica”, pois acreditam que se
pode viver melhor produzindo e consumindo menos (<i>idem</i>, pp. 177-178).<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></p>

    <p>Todavia, a
sustentabilidade ecológica apenas será uma realidade se a ­economia capitalista
for substituída por uma “economia descentralizada e ­distributiva” (<i>idem</i>,
p. 177) e se “a atividade livre, a autodeterminação soberana dos produtores,
associados à escala das comunas e das regiões” for capaz de superar “o trabalho
assalariado e as relações mercantis” (<i>idem</i>).</p>

    <p>A chamada “civilização
pós-industrial” contém, potencialmente, algumas das “caraterísticas principais
do socialismo”, tal como era entendido originalmente:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>a
igualdade económica e cultural; a libertação do trabalho; uma repartição das
riquezas sociais subtraída às leis do mercado; uma produção social que já não
tem como objetivo o lucro e a acumulação do capital; uma base tecnológica
radicalmente transformada, que já não submete o trabalho vivo ao domínio do
capital (…). Resumindo, uma economia que já não é regida pela lei do valor, mas
pela divisa: a cada um segundo as suas necessidades [<i>idem</i>, p. 178].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Esta visão de uma
sociedade pós-industrial e pós-capitalista é a única compatível com uma
utilização e gestão racionais dos recursos naturais, ou seja, com uma
“revolução económica” que pressupõe a alteração radical da relação entre o
homem e a natureza preconizada pela ecologia (<i>idem</i>, pp. 178-179). Neste
sentido, “a ecologia (…) é, virtualmente, uma disciplina fundamentalmente
anticapitalista e subversiva”, pois introduz “parâmetros extrínsecos” que
limitam a racionalidade económica (<i>idem</i>, p. 179).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para concluir,
atente-se apenas num detalhe: a modificação do modelo de produção e de consumo
precisa de um “sujeito revolucionário“ para ser levada a cabo e Gorz continua a
identificá-lo (implicitamente) com o proletariado (<i>idem</i>, pp. 184-185).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b><i>ECOLOGIA E POLÍTICA</i> (1975)</b></p>

    <p>&nbsp;</b></p>

    <p><i>Ecologia
e Política</i> (Gorz, 1980 [1975]) é o único trabalho de
fundo de André Gorz dedicado às questões ecológicas. É também o primeiro livro
do autor em que a influência de Ivan Illich se faz sentir de um modo mais
notório. Se na década de 1960 tinha sido um dos principais teóricos da Nova
Esquerda, com a publicação de <i>Ecologia e Política</i> Gorz adquire uma
grande proeminência no seio do movimento e do pensamento ecológicos (Gollain,
2000; Petitjean, 2013). Aliás, hoje em dia é quase consensual que esta obra
marca o início, <i>de facto</i>, da chamada “ecologia política”. A relação
entre sociedade e natureza, entre desenvolvimento económico e meio ambiente,
passa, pois, a ocupar um lugar central no edifício teórico de Gorz.</p>

    <p>Gorz parte da premissa
de que a ecologia já foi cooptada pelas instituições do capitalismo moderno.
Neste sentido, a ecologia não é, por si só,
“suficiente: <i>o movimento ecológico não é um fim em si mesmo, mas uma etapa
numa luta mais abrangente</i>” (Gorz, 1980 [1975], p. 3, itálico no original).
A humanidade está confrontada com duas alternativas: “um capitalismo adaptado
aos constrangimentos ecológicos; ou uma revolução social, económica e cultural
que abula os constrangimentos do capitalismo e, ao fazê-lo, estabeleça uma nova
relação entre o indivíduo e a sociedade e entre as pessoas e a natureza” (<i>idem</i>,
p. 4).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>OS LIMITES DO CRESCIMENTO: CRISE ECONÓMICA E
CRISE ECOLÓGICA</b></p>

    <p><b><i>&nbsp;</i></b></p>

    <p>Gorz
realça que o capitalismo enfrenta uma crise de “sobreacumulação”, agravada por
uma crise ecológica (<i>idem</i>, p. 21): “o crescimento capitalista está em
crise não apenas porque é capitalista, mas também porque esbarrou com limites
físicos” (<i>idem</i>, p. 11).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A crise de sobreacumulação deriva do fato de o capitalismo avançado
basear-se na substituição do trabalho humano por máquinas, de trabalho vivo por
trabalho morto (<i>idem</i>, p. 21). Máquinas cada vez mais sofisticadas são
operadas por um número cada vez mais reduzido de trabalhadores. Por outras
palavras, usando a terminologia marxista, a “composição orgânica do capital”
aumenta, <i>i</i>.<i>e</i>., a indústria torna-se “capital-intensiva” (<i>idem</i>,
p. 22). O capitalismo empreendeu uma autêntica “fuga para a
frente”, procurando contrariar a diminuição da taxa de lucro e a saturação dos
mercados com a rotação acelerada do capital e obsolescência planificada dos
bens de consumo (<i>idem</i>, p. 24).</p>

    <p>Ademais, a
delapidação dos recursos naturais e os níveis de poluição atingiram um nível
tal que a indústria, para poder continuar a funcionar, vê-se perante a
necessidade – apesar de isso contrariar a racionalidade económica pura – de
investir recursos financeiros na adoção de tecnologias (mais) “limpas” (<i>idem</i>,
p. 5). Assim, há um aumento inevitável dos custos de reprodução do capital
fixo, sem um aumento correspondente nas vendas que permita contrabalançá-lo (<i>idem</i>,
p. 6).</p>

    <p>No que se refere à
crise ecológica, a “sociedade industrial” desenvolveu-se mediante a “pilhagem
acelerada” das reservas de recursos naturais que levaram milhões de anos a
formar-se (<i>idem</i>, p. 12). De acordo com Gorz, é preciso reconhecer que a
atividade produtiva depende da utilização dos “recursos finitos” do planeta
Terra e da “organização de um conjunto de intercâmbios” com “um sistema frágil
de múltiplos equilíbrios” ecológicos (<i>idem</i>, p. 13). Todavia,</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Não se trata de deificar a natureza ou de
“regressar” a ela, mas de tomar em consideração um simples fato: a atividade
humana encontra no mundo natural os seus limites externos. (…) Não se trata de
abster-se de consumir cada vez mais, mas de consumir cada vez menos – não há
outra maneira de conservar as reservas disponíveis para as gerações futuras. É
nisto que consiste o realismo ecológico [<i>idem</i>].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Gorz adverte que</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A solução para esta [dupla] crise não se encontra
na recuperação do crescimento económico, mas somente numa inversão da própria
lógica do capitalismo. Esta lógica tende intrinsecamente para a maximização:
criação do maior número possível de necessidades e procura da sua satisfação
com o maior número possível de bens e serviços comercializáveis de modo a obter
o maior lucro possível do maior fluxo possível de energia e de recursos. Porém,
a ligação entre “mais” e “melhor” foi quebrada. “Melhor” pode agora significar
“menos”: criar o menor número possível de necessidades, satisfazendo-as com o
menor dispêndio possível de materiais, energia e trabalho, e afetando o menos
possível (<i>imposing the least possible burden</i>) o [meio] ambiente [<i>idem</i>,
p. 27].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A <i>raison d’être</i>
da ecologia é, portanto, a limitação dos efeitos nefastos da racionalidade
económica.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A ALTERNATIVA: SOCIALISMO ECOLÓGICO OU BARBÁRIE
TECNO-FASCISTA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Na
ótica de Gorz, a economia política aplica-se apenas à “<i>produção</i> [macros]<i>social</i> (…) baseada na divisão social do trabalho e
regulada por mecanismos exteriores à vontade e à consciência dos indivíduos –
por processos mercantis ou pela planificação central” (<i>idem</i>, p. 14).</p>

    <p>Diz-nos o autor que é
“impossível derivar uma ética da racionalidade económica” (<i>idem</i>, p. 15).
Marx compreendeu esse fato e enunciou as alternativas que se colocam aos seres
humanos: ou os indivíduos conseguem unir-se para subordinar o processo
económico à sua “vontade coletiva”, substituindo a divisão social do trabalho
pela “cooperação voluntária dos produtores associados”; ou, caso contrário, o
processo económico prevalecerá sobre os objetivos das pessoas (<i>idem</i>). “A
escolha é simples: ‘socialismo ou barbárie’” (<i>idem</i>).</p>

    <p>Por sua vez, a
ecologia, enquanto disciplina específica, não se aplica àquelas comunidades ou
povos cujos modos de vida não produzem quaisquer efeitos duradouros sobre o
meio ambiente (<i>idem</i>). A ecologia apenas surge como disciplina autónoma
quando a atividade económica perturba permanentemente natureza; a sua
preocupação nuclear é com os <i>limites</i> <i>externos</i> que a economia deve
respeitar (<i>idem</i>).</p>

    <p>A racionalidade
ecológica é fundamentalmente <i>diferente</i> da racionalidade económica (<i>idem</i>,
p. 16).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Ela permite-nos descobrir que o esforço da
economia para superar escassezes <i>relativas</i> engendra, ultrapassado um certo limiar, escassezes <i>absolutas</i> <i>e
inultrapassáveis</i>. Os resultados [da atividade económica] tornam-se
negativos: a produção destrói mais do que aquilo que produz. A inversão ocorre
quando a atividade económica infringe o equilíbrio dos ciclos ecológicos
primários e/ou destrói recursos que é incapaz de regenerar ou reconstituir [<i>idem</i>,
itálico no original].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A ecologia demonstra que a resposta aos efeitos perniciosos da
“civilização industrial” não jaz no crescimento mas na
limitação da “produção material” (<i>idem</i>). Todavia, Gorz defende que, tal
como acontece com a racionalidade económica, é “impossível derivar uma ética da
ecologia” (<i>idem</i>). No seu entendimento, Ivan Illich foi um dos primeiros
autores a aperceber-se disso, tendo esboçado a seguinte alternativa: ou os
seres humanos chegam a acordo quanto à urgência de “impor limites à tecnologia
e à produção industrial de modo a conservar os recursos naturais, manter os
equilíbrios ecológicos necessários à vida e favorecer o desenvolvimento e a
autonomia das comunidades e dos indivíduos (esta é a opção convivial)” [<i>idem</i>,
pp. 16-17]; ou, caso contrário, os limites ecológicos serão “determinados
centralmente e planificados por engenheiros ecológicos”, pelo que “a produção
programada de um ambiente ‘ótimo’ será confiada a instituições centralizadas e
às tecnologias pesadas [<i>hard technologies</i>]
(esta é a opção tecno-fascista […]). A escolha é simples: convivialidade ou
tecno-fascismo” (<i>idem</i>, p. 17).</p>

    <p>O facto a salientar é
que a ecologia, “enquanto disciplina puramente científica”, não implica
forçosamente a rejeição de soluções “autoritárias”; essa rejeição terá de
resultar de uma “escolha política e cultural” (<i>idem</i>). Ao contrário do
que defendia em “Ecologia e revolução” (cf. Gorz, 1976b [1973], pp. 153-186),
Gorz rejeita atualmente a ideia de que seja possível fundamentar
cientificamente uma alternativa ecologicamente sustentável ao capitalismo.</p>

    <p>No entendimento de
Gorz, o socialismo e a ecologia, tomados isoladamente, são uma condição
necessária mas não suficiente para a emancipação
social. A superação emancipatória do capitalismo industrial passa forçosamente
por uma <i>sinergia </i>entre socialismo e ecologia, que devem ser coextensivos
– i.e., exige a criação prática de uma <i>ecologia política</i>.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A NECESSIDADE DE UMA TECNOLOGIA DIFERENTE</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Gorz, a ecologia versa sobre os “<i>pré-requisitos</i>
materiais do sistema económico” (<i>idem</i>, itálico nosso). Deste modo,
analisa primariamente o “caráter das tecnologias atuais, visto que as técnicas
nas quais se baseia o sistema económico não são neutras. (…) <i>A tecnologia é
a matriz na qual a distribuição de poder, as relações sociais de produção e a
divisão hierárquica do trabalho estão incrustadas</i>”
(<i>idem</i>, pp. 18-19, itálico nosso).</p>

    <p>Neste sentido, “<i>a
luta por tecnologias diferentes é essencial para a luta por uma sociedade
diferente</i>. (…) <i>A inversão das ferramentas é uma condição fundamental
para a transformação da sociedade</i>” (<i>idem</i>, p. 19, itálico no
original). O desenvolvimento da cooperação voluntária, da autodeterminação e da
liberdade das comunidades e dos indivíduos exige a criação de tecnologias que
possam ser utilizadas e controladas ao nível microssocial (bairro ou pequena
comunidade); sejam capazes de gerar uma “autonomia económica das coletividades
locais e regionais”; não sejam prejudiciais ao meio ambiente; sejam compatíveis
com “o exercício do controlo conjunto pelos produtores e consumidores dos
produtos e dos processos de produção” (<i>idem</i>).</p>

    <p>A autogestão pressupõe,
pois, unidades sociais e económicas suficientemente pequenas (<i>idem</i>, p.
39) e a existência de ferramentas conviviais para que possa ser posta em
prática (<i>idem, </i>p. 40). As tecnologias industriais devem ser subordinadas
à extensão contínua da autonomia pessoal e coletiva.</p>

    <p>Embora não o designe
ainda dessa forma, Gorz inspira-se na visão de Illich para esboçar, ainda que
de modo incipiente, o conceito de uma “sociedade dual” – a trave-mestra do seu
edifício teórico na década de 1980. Assim, por um lado, temos as grandes
indústrias, “planificadas centralmente”, que produzirão apenas aquilo que é
requerido para satisfazer as necessidades mais elementares da população: “três
ou quatro tipos de calçado e vestuário duradouros, três ou quatro modelos de
veículos robustos e adaptáveis, e tudo o resto que é necessário para abastecer
os serviços e os equipamentos coletivos” (Gorz, 1980 [1975], p. 9). Em <i>Adeus
ao Proletariado</i>, esta será designada por “esfera da heteronomia” (Gorz,
1982 [1980]).</p>

    <p>Por outro lado, cada
localidade e cada bairro possuirão oficinas públicas equipadas com uma vasta
gama de ferramentas, máquinas e matérias-primas, onde as pessoas poderão
“produzir para uso próprio, fora da economia de mercado, os bens não essenciais
de acordo com os seus gostos e desejos” (Gorz, 1980 [1975], p. 9) Em <i>Adeus
ao Proletariado</i>, esta será designada por “esfera da autonomia” (Gorz, 1982
[1980]).</p>

    <p>Na perspetiva de Gorz,
este esboço de “utopia” corresponde à forma mais avançada de socialismo: uma
sociedade sem burocracia, em que o mercado desaparece gradualmente, em que as
necessidades básicas são satisfeitas e em que “as pessoas são coletiva e
individualmente livres de moldar as suas vidas” e de produzir não apenas de
acordo com as suas necessidades, mas de acordo com as suas “fantasias” (Gorz,
1980 [1975], p. 9)</p>

    <p>Terminarei este
subponto com algumas observações críticas. Gorz salienta a necessidade de implementar tecnologias diferentes pois a tecnologia não
pode ser considerada uma variável “neutra”. Isto é obviamente verdade, mas será
que as técnicas e as tecnologias produtivas não são determinadas pelas relações
sociais onde estão inseridas, nomeadamente pela racionalidade instrumental
subjacente ao “sistema económico” capitalista?</p>

    <p>À semelhança do que
sucedia em <i>Divisão do Trabalho e Modo de Produção Capitalist</i>a, a que já
fiz referência, Gorz defende – do meu ponto de vista, erradamente – a posição
contrária, a saber: não é a tecnologia que está incrustada nas relações
sociais, mas são as relações sociais que estão incrustadas na tecnologia! Temos
aqui, portanto, a raiz da crítica gorziana à “civilização industrial” <i>tout
court</i>, claramente decalcada da teoria illichiana.</p>

    <p>Ora, é preciso realçar que não é a tecnologia <i>per se</i> que causa a
delapidação dos recursos naturais, mas sim o fetichismo da mercadoria reinante
no capitalismo, cuja (ir)racionalidade determina: i) a
prossecução de um “crescimento económico” infinito; ii) a natureza das
tecnologias a serem utilizadas para alcançar esse fim, mediante um aumento a
todo o custo da produtividade e da produção.</p>

    <p>A diminuição do valor
contido em cada mercadoria individual conduz ao aumento exponencial da produção
material e ao desgaste acelerado dos produtos como tentativa de resolver as
contradições da economia capitalista (cf. Postone, 2003 [1993]). Gorz aflora
esta questão (como se constatou nas secções “O pleno emprego para quê?” e “Os
limites do crescimento”), pelo que não deixa de ser estranho que, em
simultâneo, conceba a tecnologia como a “matriz” apriorística responsável pela
síntese social capitalista.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>A ECOLOGIA NA OBRA
TARDIA DE ANDRÉ GORZ</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Numa entrevista de 2006,
Gorz confidenciará o seguinte: “A partir de 1980, preferi tratar outros temas.
Já não tinha nada de novo a dizer sobre a ecologia política” (Gorz, 2006, p.
4). Podemos afirmar que a primeira asserção é falsa: apesar de não estar no
centro das suas preocupações, a ecologia é abordada por várias vezes ao longo
das décadas seguintes, nomeadamente em <i>Capitalismo, Socialismo, Ecologia</i>
(Gorz, 1994 [1991]) e no artigo “Political ecology – between expertocracy and
self-limitation” (Gorz, 2010b [1992]).<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a></p>

    <p>No que se refere à segunda asserção, sou obrigado
a concordar com Gorz: de facto, os princípios teóricos fundamentais da
denominada “ecologia política” foram estabelecidos pelo autor na década de
1970. O tratamento das questões de índole ecológica é feito mediante o recurso
aos instrumentos conceptuais e teóricos desenvolvidos em <i>Ecologia e Política</i>,
embora essa argumentação incorpore agora – quanto a mim, desnecessariamente – a
oposição habermasiana entre heterorregulação sistémica e autorregulação do
mundo da vida.</p>

    <p>Deve contudo ser assinalada uma <i>diferença</i> decisiva entre
a posição assumida por Gorz em <i>Ecologia e Política</i> e aquela assumida em <i>Capitalismo,
Socialismo, Ecologia</i>. Na secção intitulada “Acerca do pensamento de Ivan
Illich” tive oportunidade de salientar algumas diferenças fundamentais entre as
teorias de Illich e de Gorz. Não obstante, durante a década de 1970 Gorz não
criticava abertamente a tendência romântico-primitivista de Illich, parecendo até
adotar essa perspetiva em algumas passagens.</p>

    <p>Ora, em <i>Capitalismo,
Socialismo, Ecologia</i> Gorz critica explicitamente Hannah Arendt e um certo tipo de pensamento romântico que se inspira nos
seus escritos, ilustrando desse modo as diferenças entre o seu pensamento e
aquele de Illich. Diz-nos Gorz que o caráter “pré-moderno” da maioria das
teorias “eco-radicais” é visível numa “fé quasi-religiosa na bondade da
natureza e de uma ordem natural que deve ser restabelecida.” Para esses
autores, todo o desenvolvimento moderno foi uma espécie de “pecado” contra a
ordem natural do mundo (Gorz, 1994 [1991], p. 7).</p>

    <p>Gorz censura
uma crítica da sociedade industrial “puramente abstrata” e que toma como ponto
de referência modelos de sociedade “medievais ou exóticos”. Mais importante
ainda, este tipo de crítica não é capaz de identificar “experiências ou
possibilidades práticas” emancipatórias presentes nas sociedades capitalistas;
e apenas estas experiências poderão corporizar potenciais atos de
“transformação social” (<i>idem</i>, p. 64). Escamoteando as mesmas, Arendt
acaba por se limitar a “opor modelos culturais fundamentalmente diferentes aos
sistemas industriais que existem atualmente” (<i>idem</i>). Ora, em última
instância, este “radicalismo abstrato” parece advogar o regresso às
“comunidades agrárias” e às “economias de subsistência” (<i>idem</i>). A
desindustrialização é apresentada como uma necessidade inevitável com base em
argumentos (supostamente) ecológicos (<i>idem</i>). Se substituíssemos “Arendt”
por “Illich”, as palavras de Gorz não perderiam em nada a sua adequabilidade e
pertinência.</p>

    <p>Pode-se
concluir que se na década de 1970 e, particularmente, em <i>Ecologia e Política</i>,
Gorz não se demarca suficientemente do entendimento primitivista da ecologia
que identifiquei em Illich – fosse porque concordava com ele, pelo menos em
parte, ou porque subestimava o seu papel no pensamento de Illich –, em <i>Capitalismo,
Socialismo, Ecologia</i> Gorz sente a necessidade de distinguir claramente a
sua noção de “ecologia política” das abordagens “eco-radicais”
primitivistas. Isto parece comprovar que apesar do seu <i>flirt</i> com
a teoria ­illichiana na década de 1970, Gorz nunca postulou uma crítica
romântica do capitalismo.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ANÁLISE COMPARATIVA DO
PENSAMENTO DE ANDRÉ GORZ</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Estamos agora em condições de aferir a posição ocupada pela obra
gorziana da década de 1970 no seio do pensamento do autor através de uma
análise comparativa. As principais dimensões da teoria de André Gorz estão
descritas no <a href ="/img/revistas/aso/n219/n219a01q1.jpg ">Quadro 1</a> (pp. 266-267), que passarei
agora a descrever sinteticamente.</p>

    
<p>Na década de
1950, a principal influência de Gorz foi a obra <i>O
Ser e o Nada</i>, de Jean-Paul Sartre. Assim, nos seus dois primeiros livros – <i>Fundamentos
para uma Moral</i> (Gorz, 1977 [1955]) e <i>O Traidor</i> (Gorz, 1989b [1958])
– a temática da alienação é analisada sobretudo do
ponto de vista individual – daquilo que Sartre designou por “má-fé”. A
superação da má-fé exige uma profunda autoanálise por parte de cada indivíduo
com recurso à “psicanálise existencial”. O intuito será conseguir uma
“conversão radical” que coloque o indivíduo no caminho da “autenticidade” e de
uma conduta eticamente irrepreensível enquanto expressão máxima da sua
liberdade. O conceito de trabalho não desempenha um papel fulcral nestes dois
primeiros livros de Gorz, embora esteja implícito um entendimento positivo do
mesmo, assim como da classe operária.</p>

    <p><i>A Moral da
História</i> (Gorz, 1969 [1959]) pode ser considerada a
primeira obra marxista de Gorz, acompanhando de perto as teses desenvolvidas
por Sartre em <i>Crítica da Razão Dialética</i> (escrita na mesma época). O
trabalho é agora entendido <i>explicitamente</i> de modo ontológico e definido
como a essência do ser humano. Gorz desloca a sua atenção para a alienação no
plano <i>social</i>, isto é, para o <i>trabalho alienado</i>. A dominação
vigente na sociedade moderna é conceptualizada, em última instância, como uma
dominação <i>direta</i> exercida pela classe capitalista sobre a classe
operária. Por conseguinte, a abolição da alienação implica libertar <i>o </i>trabalho
do jugo que lhe é imposto <i>exteriormente</i> pelo capital. Isso exige uma
ação coletiva da classe explorada, o proletariado, que é entendido como um
sujeito revolucionário apriorístico. A ação do proletariado consistirá na
apropriação coletiva dos meios de produção, o que traduz uma conceção positiva
da tecnologia tal como existe sob a sua forma capitalista; a ênfase é colocada
somente na modificação da forma da sua propriedade jurídica. A visão de uma
sociedade pós-capitalista que emerge deste quadro teórico é a de um socialismo
de Estado, entendido como a pré-condição necessária para a “moralização da
existência” dos indivíduos.</p>

    <p>O pensamento
gorziano da década de 1960 traduz o compromisso cada vez mais vincado do autor
com o marxismo tradicional. Desta maneira, são evidentes vários elementos já
introduzidos em <i>A Moral da História</i>: o trabalho continua a ser entendido
como uma constante antropológica e a dominação capitalista continua ser
percecionada redutoramente como uma dominação de classe. A classe operária
ainda é o sujeito coletivo responsável pela emancipação da humanidade; contudo,
Gorz passa a atribuir um papel determinante à denominada “nova classe
operária”, i.e., aos trabalhadores
qualificados e com níveis de competências mais elevados. Na sua ótica, este
grupo representa a vanguarda do proletariado, uma vez que a autonomia que estes
operários exercem no seu trabalho – ainda que limitada sob o capitalismo –
conduzi-los-á a reivindicar um controlo cada vez maior do processo produtivo
que, em última instância, será incompatível com os ditames da sociedade capitalista.</p>

    <p>Isto conduz-nos
ao segundo conceito-chave gorziano da década de 1960: a autogestão.
Influenciado por Cornelius Castoriadis e pelos grupos <i>operaístas</i>
italianos, Gorz vê na autogestão, i.e., no controlo operário da produção industrial, o meio privilegiado de
combater a alienação no trabalho e de subverter a hegemonia do capital. O
socialismo ainda é definido, à semelhança de <i>A Moral da História</i>, como a
apropriação coletiva dos meios de produção, mas o modelo estatista deve agora
ser combinado com o estabelecimento de conselhos operários. Por outras
palavras, a planificação central deve ser conjugada com a autogestão. Neste
sentido, a sua visão de uma sociedade pós-capitalista assenta numa hibridização
algo contraditória da teoria leninista com a teoria conselhista (na tradição de
Pannekoek, Mattick, etc.).</p>

    <p>O início da
década de 1970 não trouxe qualquer mudança ao entendimento ontológico do
trabalho nem à afirmação do proletariado como demiurgo do socialismo. Todavia,
a conceptualização da dominação capitalista começa a modificar-se, em resultado
da alteração da conceção gorziana de tecnologia. A tecnologia é agora a “matriz
<i>a priori</i>” que determina a forma das relações sociais capitalistas. Se em
<i>Divisão do Trabalho e Modo de Produção Capitalista</i> (Gorz, 1976a [1973];
1976b [1973]; 1976c [1973]) a dominação ainda parece ser percecionada de modo
subjetivo – a técnica, a tecnologia e a ciência predominantes foram
introduzidas <i>conscientemente</i> pela classe capitalista para assegurar a
manutenção do seu domínio –, a partir de <i>Ecologia e Política</i> (Gorz, 1980
[1975]) a dominação é eminentemente <i>impessoal</i> e o resultado <i>inevitável</i>
da “civilização industrial” – capitalismo e indústria são coextensivos, pelo
que a produção industrial é inerentemente opressiva e alienante.</p>

    <p>Este pessimismo
anti-industrial e anticientífico traduz a viragem ecológica no pensamento de
Gorz, devida sobretudo à influência de Ivan Illich. A
produção industrial em larga escala não é passível de ser apropriada
coletivamente ou de ser autogerida. Assim, uma vez que é impossível aboli-la
completamente sem regredir para condições pré-modernas, a solução avançada por
Gorz passa, por um lado, por limitá-la à produção de um conjunto reduzido de
bens essenciais e por colocá-la sob a égide do Estado. Por outro lado, devem
ser adotadas “ferramentas conviviais” (Illich), ou seja, tecnologias com um
impacto ambiental reduzido e que possam ser operadas autonomamente
(“autogeridas”) por pequenos grupos. O gigantismo industrial deve, sempre que
possível, ser substituído por uma produção microssocial ecologicamente
sustentável. A visão de uma sociedade pós-capitalista corresponde assim a uma
rede de pequenas comunidades que produzem localmente a maioria dos bens de que
necessitam, complementada pela produção industrial regida pela planificação
central.</p>

    <p>A década de
1980 traz a primeira grande rutura no pensamento de Gorz. A partir de <i>Adeus
ao Proletariado</i> (Gorz, 1982 [1980]), o trabalho passa a ser entendido de um
modo <i>negativo</i> e como uma forma de atividade <i>historicamente específica</i>.
A alienação do trabalho já não é superável, pois o trabalho é inerentemente uma
atividade <i>heterónoma</i>. Consequentemente, em vez de libertar o trabalho,
Gorz propõe que a humanidade se liberte <i>do </i>trabalho.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido,
Gorz faz uma crítica feroz do movimento operário clássico e da sua glorificação
do trabalho e abandona a noção do proletariado enquanto sujeito revolucionário.
Historicamente, a classe operária interiorizou as categorias capitalistas e
limitou-se a lutar pelo reconhecimento no seio das mesmas. Gorz coloca as suas
esperanças de transformação social naquilo que designa por “não-classe
dos não-trabalhadores” – o conjunto heterogéneo dos indivíduos que rejeitam a
racionalidade económica e os valores capitalistas, mormente o trabalho. Não
obstante, no final da década de 1980, em <i>Metamorfoses do Trabalho</i> (Gorz,
1989a [1988]), Gorz romperá definitivamente com a noção de um sujeito
apriorístico ou “sujeito objetivo”.</p>

    <p>Para além disso, a 3.ª Revolução Industrial – aquela da
microeletrónica – provocou uma mudança de paradigma no capitalismo: doravante
são necessárias quantidades cada vez menores de trabalho para produzir
quantidades cada vez maiores de bens e serviços. Isto significa, na ótica de
Gorz, a crise incontornável do capitalismo enquanto sociedade do trabalho. O
trabalho já não pode continuar, como no passado, a
garantir a integração social dos indivíduos.</p>

    <p>Para fazer face a este estado de coisas, Gorz preconiza a criação de
uma “sociedade dual” composta por duas esferas com lógicas distintas: i) uma
esfera heterónoma macrossocial baseada na produção mercantil; ii) uma esfera
autónoma microssocial baseada na produção não mercantil. O elemento-chave da
sociedade dual é a implementação de uma “política do
tempo” assente na redução generalizada das horas de trabalho “heterónomo” – que
acompanhe os aumentos da produtividade – e na redistribuição equitativa do
trabalho (heterónomo) remanescente por todos os indivíduos. Em suma, o aumento
exponencial da produtividade deve permitir a contração contínua do tempo de
trabalho individual dedicado à esfera heterónoma e uma expansão correspondente
do tempo dedicado às atividades autónomas.</p>

    <p>Todavia, na
ótica (equivocada) de Gorz, o valor é agora produzido pelas máquinas, pelo que
é preciso haver uma redistribuição dos “meios de pagamento”. Deste modo, a
política do tempo tem como corolário lógico a atribuição de um rendimento
básico como contrapartida do trabalho efetuado na esfera heterónoma. O
rendimento básico será financiado através do lançamento de um imposto sobre a
produção (crescentemente) automatizada da esfera mercantil.</p>

    <p>A dominação
vigente sob o capitalismo é inequivocamente caraterizada como <i>impessoal</i>
(e insuperável na esfera da heteronomia). Mas quanto à ­origem dessa dominação, subsiste uma aporia central em Gorz. Por vezes, o autor é
capaz de discernir a origem da dominação impessoal capitalista na sua forma de
organização <i>social</i>, nomeadamente na desvinculação e autonomização da
economia e das categorias a ela associadas (valor, mercadoria, trabalho, etc.).
Contudo, em outras ocasiões – à semelhança do que sucedia em <i>Ecologia e
Política </i>–, Gorz faz da tecnologia, literalmente, uma espécie de <i>Deus ex
machina</i> à qual é possível reconduzir todos os malefícios do capitalismo.</p>

    <p>Isto conduz-nos
à conceção Gorziana de tecnologia. A produção industrial da esfera heterónoma é
caracterizada como irremediavelmente alienante, não sendo passível de um
controlo coletivo, pois a produção em larga escala só pode ser organizada
“racionalmente” de modo capitalista, centralizado e burocrático. Todavia, a
microeletrónica pode ser aplicada a uma tecnologia <i>soft</i>, em pequena
escala, descentralizada e, portanto, passível de ser gerida autonomamente por
pequenos grupos de indivíduos (vislumbra-se aqui uma reminiscência das
“ferramentas conviviais” de <i>Ecologia e Política</i>). Abre-se assim a <i>possibilidade</i>
de construção de um nicho de produção pós-industrial que não é regulado pela
lógica mercantil.</p>

    <p>A teoria
gorziana da década de 1990 não sofre alterações substanciais, como se denota no
quadro. Destaca-se neste período um maior pessimismo e reformismo do autor, na
sequência do colapso dos países do socialismo real. O capitalismo parece ser
inultrapassável, pelo que o socialismo é redefinido enquanto delimitação da
esfera de atuação “legítima” da racionalidade económica.</p>

    <p>Na década de
2000 ocorre a segunda grande rutura no pensamento de André Gorz em virtude da
descoberta da corrente contemporânea conhecida como Nova Crítica do Valor
(NCV).<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> O entendimento negativo do trabalho já não se consubstancia numa mera
redução dos horários de trabalho, mas na <i>abolição</i> do trabalho <i>tout
court</i>, i.e., na sua superação
prática enquanto forma de atividade fetichista e historicamente específica.
Isto significa que a abolição da alienação e da heteronomia passam a ser
concebíveis.</p>

    <p>Gorz adota
igualmente a distinção basilar entre riqueza (material e imaterial) e valor
económico. A crise do trabalho significa forçosamente a crise do valor, o que
coloca em cheque a reprodução da economia capitalista. Neste sentido, o
rendimento básico já não pode ser financiado <i>ad infinitum</i> através dos
impostos coletados pelo Estado, mas terá de ser encarado como uma medida de
emergência de caráter transitório.</p>

    <p>Gorz abandona
definitivamente o conceito de sociedade dual, uma vez que não há nenhuma esfera
pretensamente “autónoma” que escape à influência do valor. A sociedade
capitalista tem de ser transcendida na sua <i>totalidade</i>. Isto significa
que a dominação impessoal (anteriormente imputada à “esfera heterónoma”) passa
a ser superável.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz
respeito à tecnologia, a disseminação da microeletrónica – e, em particular, da
informatização e da automação – tornam possível o estabelecimento da denominada
“autoprodução <i>high-tech</i>”. Em outros termos, é possível implementar uma produção em pequena escala com
produtividades extremamente elevadas que seja plenamente controlável e gerida
autonomamente. Portanto, para o último Gorz, a produção industrial em larga
escala parece ser tendencialmente substituível pela produção em rede
pós-industrial.</p>

    <p>A sua visão de
uma sociedade pós-capitalista é, pois, a de uma sociedade <i>pós-mercantil</i>
em que o trabalho, o valor, a mercadoria e o dinheiro são <i>completamente
abolidos</i>, o que se coaduna perfeitamente com a teoria da Nova Crítica do
Valor.<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a></p>

    <p><sup>&nbsp;</sup></p>


    <p><b>CONCLUSÃO</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <blockquote>    <p>Aquilo que, de um ponto de vista ecológico,
aparece como uma poupança [saving] (durabilidade dos produtos, prevenção de doenças e de acidentes,
menores consumos de energia e de recursos) reduz a produção de riqueza
mensurável economicamente sob a forma do PNB, e aparece ao nível macroeconómico
como um aspeto negativo (source
of loss) [Gorz,
1994 [1991], pp. 32-33].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Ao
longo da década de 1970 e, particularmente, em <i>Ecologia e Política</i>, Gorz
defende um conjunto de teses que serão devidamente aprofundadas nas suas obras
das décadas seguintes. Em primeiro lugar, Gorz aponta como causas principais
para a crise do capitalismo o sobredesenvolvimento das capacidades produtivas e
a destruição do meio ambiente causada pelas tecnologias utilizadas. Esta crise
apenas poderá ser superada mediante a criação de um novo modelo de produção que
rompa com a racionalidade económica, utilize com cautela os recursos não
renováveis e diminua o consumo de energia e de matérias-primas (Gorz, 1980
[1975], p. 40).</p>

    <p>Em segundo lugar, o
autor alerta, contudo, que a superação da racionalidade económica pode assumir
a forma tanto de uma “regulação centralizada tecno-fascista“ como de uma
“autogestão convivial” (<i>idem</i>, pp. 40-41). O tecno-fascismo apenas poderá
ser evitado através de uma expansão da sociedade civil que, por sua vez,
depende da criação de ferramentas e tecnologias que fomentem a soberania
individual e comunitária (<i>idem</i>, p. 41).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em terceiro lugar, Gorz
salienta que a ligação histórica entre “mais” e “melhor” foi quebrada. Hoje em
dia, é possível viver melhor trabalhando e consumindo menos, desde que sejam
produzidos bens de maior durabilidade e que não sejam prejudiciais ao meio
ambiente (<i>idem</i>).</p>

    <p>Finalmente o desemprego
nas sociedades capitalistas mais desenvolvidas reflete, na ótica do autor, a
diminuição do trabalho socialmente necessário. Este fenómeno demonstra que seria
possível reduzir os horários de trabalho se toda a gente trabalhasse. A redução
dos horários de trabalho poderia ser acompanhada pela expansão das atividades
livremente escolhidas pelos indivíduos (<i>idem</i>).</p>

    <p>Estas teses representam
uma grande mudança relativamente à teoria gorziana da década de 1960, em que o
autor defendia um modelo de socialismo mais ou menos estatista e em que o
trabalho era entendido de modo positivo enquanto essência do ser humano.
Pode-se concluir que a “viragem ecológica” do pensamento de André Gorz foi uma
etapa decisiva para o abandono dos predicados do marxismo tradicional e para o
desenvolvimento de uma teoria francamente original e heterodoxa nas décadas
subsequentes.</p>

    <p>&nbsp;</p>


    <p><b>REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS</b></p>


    <!-- ref --><p>AZAM, G. (2013), “L’aube d’un nouvel humanisme?”. <i>In</i> A. Caillé
e C. Fourel (eds.), <i>Sortir
du capitalisme</i> <i>– Le scénario Gorz</i>, Paris, Le Bord de L’eau, pp. 105-115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077590&pid=S0003-2573201600020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BOWRING, F. (2000), <i>André Gorz
and the Sartrean Legacy – Arguments for a Person-Centred Social Theory</i>, Londres,
Macmillan e Nova Iorque, St. Martin’s Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077592&pid=S0003-2573201600020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BROOKS, C.D.
(2010), <i>Exile: an Intellectual Portrait of André Gorz</i>.
Tese de doutoramento, Santa Cruz, University of California.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077594&pid=S0003-2573201600020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CASTEL, R. (2013), “André Gorz
et le travail: une interprétation critique.<i> In</i> A. Caillé
e C. Fourel (eds.), <i>Sortir</i><i>
du capitalisme</i> <i>– Le scénario
Gorz</i>, Paris, Le Bord de
l’eau, pp. 43-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077596&pid=S0003-2573201600020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>DUPUY, J.-P. (2013), “Gorz et Illich”.
<i>In</i> A. Caillé e C. Fourel (eds.), <i>Sortir</i><i>
du capitalisme</i> <i>– Le scénario
Gorz</i>, Paris, Le Bord de
L’eau, pp.
99-103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077598&pid=S0003-2573201600020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>FERNANDES,
V. (2008), “A racionalização da vida como processo histórico: crítica à
racionalidade económica e ao industrialismo”. <i>Cadernos EBAPE.BR</i>,
6 (3), pp. 1-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077600&pid=S0003-2573201600020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>FOUREL,
C., GOLLAIN, F. (2013), “André Gorz, penseur de l’émancipation”. <i>La
Vie des Idées,</i>
03-12-2013. Disponível em: <a
href="http://www.laviedesidees.fr/IMG/pdf/20131203_gorz1-2.pdf" target="_blank">
http://www.laviedesidees.fr/IMG/pdf/20131203_gorz1-2.pdf</a>,
[consultado em 12-12- 2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077602&pid=S0003-2573201600020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GOLLAIN, F. (2000), <i>Une critique du travail: entre </i>écologie<i> et socialisme</i>,
Paris, Éditions La Découverte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077604&pid=S0003-2573201600020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1964), “Call for intellectual
subversion”. <i>The Nation</i>,
25-05-1964, pp. 534-537.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077606&pid=S0003-2573201600020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1968), <i>O Socialismo Difícil</i>, Rio de Janeiro, Zahar Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077608&pid=S0003-2573201600020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1969 [1959]), <i>Historia y Enajenación</i>,
México, Fondo de Cultura Económica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077610&pid=S0003-2573201600020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1975 [1964]), “Estratégia operária e neocapitalismo”. <i>In</i> A. Gorz, <i>Reforma</i><i> e
Revolução</i>, Lisboa, Edições 70, pp. 73-261.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077612&pid=S0003-2573201600020000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1976a [1973]), <i>Crítica do Capitalismo Quotidiano (I)</i>, Lisboa,
Iniciativas Editoriais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077614&pid=S0003-2573201600020000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1976b [1973]), <i>Crítica do Capitalismo Quotidiano (II)</i>, Lisboa, Iniciativas
Editoriais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077616&pid=S0003-2573201600020000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>GORZ,
A. (1976c [1973]), “Prefácio”. <i>In</i> A. Gorz <i>et</i><i> al</i>., <i>Divisão Social do Trabalho e Modo
de Produção Capitalista</i>, Porto, Escorpião, pp. 7-18.</p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1976d [1973]), “O despotismo de fábrica e o seu
futuro”.<i> In</i> A. Gorz <i>et</i><i>
al</i>., <i>Divisão Social do Trabalho e Modo de Produção Capitalista</i>,
Porto, Escorpião, pp. 87-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077619&pid=S0003-2573201600020000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1976e [1973]), “Técnica, técnicos e luta de classes”. <i>In</i> A. Gorz <i>et</i><i> al</i>., <i>Divisão
Social do Trabalho e Modo de Produção Capitalista</i>, Porto, Escorpião, pp.
239-284.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077621&pid=S0003-2573201600020000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>GORZ, A. (1977 [1955]), <i>Fondements</i><i>
pour une morale</i>, Paris, Editions Galilée.</p>

    <!-- ref --><p>GORZ, A. (1980 [1975]), <i>Ecology as Politics</i>,
Montréal, Black Rose Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077624&pid=S0003-2573201600020000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ, A. (1982 [1980]), <i>Farewell
to the Working Class – An Essay on Post-Industrial Socialism</i>, Londres e Sydney, Pluto Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077626&pid=S0003-2573201600020000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1989a [1988]), <i>Critique of Economic
Reason</i>, Londres e Nova Iorque, Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077628&pid=S0003-2573201600020000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1989b [1958]), <i>The Traitor</i>, Londres e Nova
Iorque, Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077630&pid=S0003-2573201600020000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (1994 [1991]), <i>Capitalism</i><i>, Socialism, Ecology</i>, Londres e
Nova Iorque, Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077632&pid=S0003-2573201600020000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ, A. (1997 [1993]), “A
dialogue with Gorz”. <i>In</i> C. Lodziak e J. Tatman, <i>André Gorz – A
Critical Introduction</i>, Londres e Chicago, Pluto
Press, pp. 117-131.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077634&pid=S0003-2573201600020000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (2006), “Où va l’écologie?”. <i>Le Nouvel Observateur</i>, 14-12-2006. Disponível em
<a
href="https://nunomiguelmachado.files.wordpress.com/2012/01/entrevista-oc3b9-va-lc3a9cologie.pdf" target="_blank">
https://nunomiguelmachado.files.wordpress.com/2012/01/entrevista-oc3b9-va-lc3a9cologie.pdf</a>,
[consultado em 12-12-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077636&pid=S0003-2573201600020000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ, A. (2009 [2006]), <i>Letter
to D – A Love Story</i>, Cambridge e Malden, Polity Press. Disponível em 
<a
href="https://nunomiguelmachado.files.wordpress.com/2012/01/andre-gorz-letter-to-d.pdf" target="_blank">
https://nunomiguelmachado.files.wordpress.com/2012/01/andre-gorz-letter-to-d.pdf</a>,
[consultado em 12-12-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077638&pid=S0003-2573201600020000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ,
A. (2010a [2008]), <i>Ecologica</i>, Londres, Nova
Iorque e Calcutá, Seagull Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077640&pid=S0003-2573201600020000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>GORZ, A. (2010b [1992]),
“Political ecology between expertocracy and
self-limitation”. <i>In</i> A. Gorz, <i>Ecologica</i>, Londres, Nova Iorque e Calcutá, Seagull Books, pp. 43-76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077642&pid=S0003-2573201600020000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>HIRSH, A. (1981), <i>The</i><i>
French New Left: An Intellectual History from Sartre to Gorz</i>,
Boston, South End Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077644&pid=S0003-2573201600020000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ILLICH,
I. (1975a), <i>A Expropriação da Saúde – Nêmesis da
Medicina</i>, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 3.ª ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077646&pid=S0003-2573201600020000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ILLICH, I. (1975b [1973]), <i>Tools
for Conviviality</i>, UK, Fontana/Collins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077648&pid=S0003-2573201600020000100031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ILLICH, I. (1980), “Vernacular values”. <i>Philosophica</i>, 26, pp. 47-102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077650&pid=S0003-2573201600020000100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ILLICH, I. (1996 [1978]), <i>The</i><i>
Right to Useful Unemployment</i>, Londres, Marion Boyers. 2.ª
ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077652&pid=S0003-2573201600020000100033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>JAPPE,
A. (2006), <i>As Aventuras da Mercadoria – Para uma Nova Crítica do Valor</i>,
Lisboa, Antígona.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077654&pid=S0003-2573201600020000100034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>JAPPE,
A. (2013), “André Gorz et la critique de la valeur”. <i>In</i> A. Caillé e C.
Fourel (eds.), <i>Sortir du capitalisme</i> <i>– Le scénario Gorz</i>, Paris, Le Bord de L’eau, pp. 161-169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077656&pid=S0003-2573201600020000100035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>KURZ,
R. (2001), “As leituras de Marx no século XXI, 2001”. Disponível em: 
<a
href="http://obeco.planetaclix.pt/rkurz97.htm" target="_blank">
http://obeco.planetaclix.pt/rkurz97.htm</a>
[consultado em 16-03-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077658&pid=S0003-2573201600020000100036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>LITTLE, A. (2013 [1996]), <i>The</i><i>
Political Thought of André Gorz</i>, Nova Iorque, Routledge, 2.ª ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077660&pid=S0003-2573201600020000100037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>MATOS, J.N. (2014), “Trabalho e autonomia em André Gorz”. <i>In</i> UNIPOP (ed.), <i>Pensamento
Crítico Contemporâneo</i>, Lisboa, Edições 70, pp. 227-240.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077662&pid=S0003-2573201600020000100038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>PETITJEAN,
P. (2013), “Du ‘gauchisme’ à l’écologie
politique”. <i>In</i> A. Caillé e C. Fourel (eds.), <i>Sortir</i><i>
du capitalisme</i> <i>– Le scénario
Gorz</i>, Paris, Le Bord de
L’eau, pp. 23-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077664&pid=S0003-2573201600020000100039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>POSTONE, M. (2003 [1993]), <i>Time, Labor, and Social
Domination: a Reinterpretation of Marx’s Critical Theory</i>, Nova Iorque e Cambridge, Cambridge University Press, 2.ª ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077666&pid=S0003-2573201600020000100040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SILVA, J.P. (1999), “O ‘Adeus ao Proletariado’
de Gorz, vinte anos depois”. <i>Lua Nova: Revista de
Cultura e Política</i>, 48, pp. 161-174.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077668&pid=S0003-2573201600020000100041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SILVA, J.P. (2002), <i>André Gorz – Trabalho e Política</i>, São Paulo, Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077670&pid=S0003-2573201600020000100042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SILVA, J.P. (2009), “Tensão entre tempo social e tempo
individual”. <i>Tempo Social</i>, 21 (1), pp. 35-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=077672&pid=S0003-2573201600020000100043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recebido a 20-01-2015. Aceite para publicação a
15-07-2015.</p>

    <p>&nbsp;</p>


    <p><b>NOTAS</b></p>

    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>No Brasil, Josué Pereira da
Silva é sem dúvida o autor que tem dedicado uma maior atenção ao estudo do
pensamento gorziano (Silva, 1999, 2002, 2009). Em 2009 (vol. 21, n.º 1), a
revista <i>Tempo Social</i> publicou um número especial sobre Gorz. Em
Portugal, não conheço nenhuma análise aprofundada do autor para além do ensaio
escrito por José Nuno Matos (2014).</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>Utilizamos aqui o termo
“marxismo tradicional” na aceção em que foi cunhado por Moishe Postone (cf.
Postone, 2003 [1993]). Na ótica de Postone, o marxismo tradicional inclui todas
as teorias de inspiração marxista que entendem o capitalismo meramente na base
da propriedade (jurídica) privada dos meios de produção por parte dos
capitalistas e da respetiva exploração “subjetiva” dos trabalhadores, mediante
a apropriação da mais-valia que estes produzem. A dominação impessoal,
“quasi-objetiva” (cf. <i>idem</i>) que carateriza o capitalismo, corporizada em
abstrações reais – mercadoria, valor, trabalho, dinheiro, etc. – é escamoteada em benefício de uma noção transhistórica de dominação
direta. Assim, o “motor da história” é constituído pela “luta de
classes”, pela elevação do proletariado a “sujeito da história” responsável
pela construção de uma sociedade assente numa ontologia do trabalho. O marxismo
tradicional postula uma crítica do capitalismo “do ponto de vista do trabalho”,
ao invés de uma “crítica do trabalho” (<i>idem</i>). O trabalho e a produção –
mercantil e industrial – moderna são assumidos implicitamente de um modo não
problemático; a grande crítica lançada ao capitalismo é que este entrava o
desenvolvimento das forças produtivas. Estamos, pois, perante uma conceção tendencialmente
<i>produtivista</i> de socialismo. Em suma, o marxismo tradicional
consubstancia-se na crítica da <i>distribuição</i> injusta da mais-valia
produzida e na oposição da “anarquia do mercado” a uma planificação central do
(tempo de) trabalho da sociedade.</p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>São escassas as referências
em língua portuguesa à obra de Ivan Illich. Quase todas elas versam sobre a
crítica illichiana à educação formal ou à medicina moderna. A exceção é o
artigo de Valdir Fernandes (Fernandes, 2008) que analisa criticamente a racionalidade
económica e tecnológica à luz das teorias de Illich, Gorz, Polanyi, Weber,
entre outros autores. Todavia, ­Fernandes apenas aborda um livro de Illich – <i>Tools
for Conviviality</i> (Illich, 1975b [1973]) – e um livro de Gorz – <i>Metamorfoses
do Trabalho</i> (Gorz, 1989a [1988]).</p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>Em <i>Capitalismo,
Socialismo, Ecologia</i> Gorz (1994 [1991]) fará uma crítica semelhante às
correntes romântico-primitivistas influenciadas por Hannah Arendt, o que
reforça a minha tese quanto às diferenças fundamentais entre as teorias de Gorz
e de Illich.</p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>Como veremos na secção
seguinte, Gorz rejeitará posteriormente esta “caução científica”: por outras
palavras, não é possível fundamentar “cientificamente” uma ética ecológica <i>necessariamente
emancipatória</i>, uma vez que a ecologia, enquanto disciplina, pode também
servir para caucionar um “fascismo ecológico”.</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>Apesar do título, a
coletânea <i>Ecologica</i> (Gorz, 2010a [2008]), publicada postumamente, não
acrescenta nada de verdadeiramente novo neste âmbito. A maioria dos ensaios que
abordam as questões ecológicas já tinha sido publicada nas décadas anteriores (<i>idem</i>,
pp. 77-97, 98-118; 2010b [1992]).</p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup>Esta corrente de pensamento
surge em finais da década de 1970/meados da década de 1980 e tem raízes na
Escola de Frankfurt e na crítica da economia política de Marx, nomeadamente nas
suas teorias do fetichismo e da crise. Os seus principais representantes são
Robert Kurz (na Alemanha), Moishe Postone (nos EUA) e Jean-Marie Vincent (em
França) [Jappe, 2006]. Ao contrário do marxismo tradicional, a NCV revê-se no
núcleo “esotérico” (Kurz, 2001) da teoria de Marx: o escândalo já não é o
“roubo” pelos capitalistas da mais-valia produzida pelos trabalhadores, mas a
própria produção de valor e o próprio trabalho enquanto substância desse mesmo
valor. Recuperando a teoria do fetichismo de Marx, a NCV empreende uma crítica
radical do “sistema produtor de mercadorias da modernidade”, evidenciando a
necessidade de abolir as suas categorias de base que tendem a ser
ontologizadas, inclusive pelos autodenominados marxistas: valor, mercadoria,
trabalho, Estado, mercado, etc. Se as sociedades pré-capitalistas eram marcadas
por relações de dominação direta no contexto de um fetichismo de natureza
religiosa, o capitalismo é caracterizado por uma dominação impessoal,
quasi-objetiva (Postone, 2003 [1993]). Estamos na presença de uma “segunda
natureza” na qual as relações sociais se autonomizam e se erguem como um poder
estranho.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>A convergência da teoria do
Gorz tardio com aquela da Nova Crítica do Valor (NCV) é reconhecida por Anselm
Jappe (Jappe, 2013), um dos principais autores desta corrente, e por Françoise
Gollain (Fourel &amp; Gollain, 2013), amiga íntima e uma das principais
estudiosas do pensamento de Gorz. Jappe (2013) destaca os seguintes aspetos
comuns entre ambos os corpos teóricos: i) entendimento do trabalho como uma
categoria <i>historicamente específica</i>; ii)
identificação da crise do trabalho e, por conseguinte, da crise do capitalismo;
iii) o entendimento da explosão do “capital fictício” como um sintoma e não
como a causa da crise económica; iv) A superação da crise do trabalho requer a
superação do próprio trabalho – no sentido hegeliano de <i>aufhebung</i> –
assim como a abolição do valor (económico) produzido pelo trabalho e da
forma-mercadoria; v) crítica da noção de um sujeito (coletivo) revolucionário
apriorístico (proletariado, “multidão”, etc.), i.e.,
da noção paradoxal de um “sujeito objetivo”; vi) conceção da dominação vigente
no capitalismo como uma dominação <i>impessoal</i>.</p>


     ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AZAM]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[L’aube d’un nouvel humanisme]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Caillé]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fourel]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sortir du capitalisme: Le scénario Gorz]]></source>
<year>2013</year>
<page-range>105-115</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Le Bord de L’eau]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOWRING]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[André Gorz and the Sartrean Legacy: Arguments for a Person-Centred Social Theory]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[LondresNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MacmillanSt. Martin’s Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BROOKS]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Exile: an Intellectual Portrait of André Gorz]]></source>
<year>2010</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[André Gorz et le travail: une interprétation critique]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Caillé]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fourel]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sortir du capitalisme: Le scénario Gorz]]></source>
<year>2013</year>
<page-range>43-56</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Le Bord de l’eau]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DUPUY]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.-P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Caillé]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fourel]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sortir du capitalisme: Le scénario Gorz]]></source>
<year>2013</year>
<page-range>99-103</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Le Bord de L’eau]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERNANDES]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A racionalização da vida como processo histórico: crítica à racionalidade económica e ao industrialismo]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos EBAPE.BR]]></source>
<year>2008</year>
<volume>6</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>1-20</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUREL]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GOLLAIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[André Gorz, penseur de l’émancipation]]></article-title>
<source><![CDATA[La Vie des Idées]]></source>
<year>2013</year>
<month>03</month>
<day>-1</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GOLLAIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Une critique du travail: entre écologie et socialisme]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Éditions La Découverte]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Call for intellectual subversion]]></article-title>
<source><![CDATA[The Nation]]></source>
<year>1964</year>
<month>25</month>
<day>-0</day>
<page-range>534-537</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Socialismo Difícil]]></source>
<year>1968</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Zahar Editores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Historia y Enajenación]]></source>
<year>1969</year>
<month>19</month>
<day>59</day>
<publisher-loc><![CDATA[México ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fondo de Cultura Económica]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estratégia operária e neocapitalismo]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Gorz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Reforma e Revolução]]></source>
<year>(197</year>
<month>5 </month>
<day>[1</day>
<page-range>73-261</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições 70]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Crítica do Capitalismo Quotidiano]]></source>
<year>(197</year>
<month>6a</month>
<day> [</day>
<volume>I</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Iniciativas Editoriais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Crítica do Capitalismo Quotidiano]]></source>
<year>(197</year>
<month>6b</month>
<day> [</day>
<volume>II</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Iniciativas Editoriais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prefácio]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Gorz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Divisão Social do Trabalho e Modo de Produção Capitalista]]></source>
<year>1976</year>
<month>c </month>
<day>[1</day>
<page-range>7-18</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Escorpião]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O despotismo de fábrica e o seu futuro]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Gorzet]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>(197</year>
<month>6d</month>
<day> [</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Técnica, técnicos e luta de classes]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Gorz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Divisão Social do Trabalho e Modo de Produção Capitalista]]></source>
<year>(197</year>
<month>6e</month>
<day> [</day>
<page-range>239-284</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Escorpião]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Fondements pour une morale]]></source>
<year>1977</year>
<month>[1</month>
<day>95</day>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editions Galilée]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecology as Politics]]></source>
<year>(198</year>
<month>0 </month>
<day>[1</day>
<publisher-loc><![CDATA[Montréal ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Black Rose Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Farewell to the Working Class: An Essay on Post-Industrial Socialism]]></source>
<year>(198</year>
<month>2 </month>
<day>[1</day>
<publisher-loc><![CDATA[LondresSydney ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Pluto Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Critique of Economic Reason]]></source>
<year>(198</year>
<month>9a</month>
<day> [</day>
<publisher-loc><![CDATA[LondresNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Verso]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Traitor]]></source>
<year>(198</year>
<month>9b</month>
<day> [</day>
<publisher-loc><![CDATA[LondresNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Verso]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Capitalism, Socialism, Ecology]]></source>
<year>(199</year>
<month>4 </month>
<day>[1</day>
<publisher-loc><![CDATA[LondresNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Verso]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A dialogue with Gorz]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Lodziak]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tatman]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[André Gorz - A Critical Introduction]]></source>
<year>(199</year>
<month>7 </month>
<day>[1</day>
<page-range>117-131</page-range><publisher-loc><![CDATA[LondresChicago ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Pluto Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Où va l’écologie?]]></article-title>
<source><![CDATA[Le Nouvel Observateur]]></source>
<year>2006</year>
<month>14</month>
<day>-1</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Letter to D - A Love Story]]></source>
<year>(200</year>
<month>9 </month>
<day>[2</day>
<publisher-loc><![CDATA[CambridgeMalden ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecologica]]></source>
<year>(201</year>
<month>0a</month>
<day> [</day>
<publisher-loc><![CDATA[LondresNova IorqueCalcutá ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Seagull Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GORZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Political ecology between expertocracy and self-limitation]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Gorz]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecologica]]></source>
<year>(201</year>
<month>0b</month>
<day> [</day>
<page-range>43-76</page-range><publisher-loc><![CDATA[LondresNova IorqueCalcutá ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Seagull Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HIRSH]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The French New Left: An Intellectual History from Sartre to Gorz]]></source>
<year>1981</year>
<publisher-loc><![CDATA[Boston ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[South End Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ILLICH]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Expropriação da Saúde: Nêmesis da Medicina]]></source>
<year>1975</year>
<edition>3.ª ed.</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Nova Fronteira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ILLICH]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Tools for Conviviality]]></source>
<year>(197</year>
<month>5b</month>
<day> [</day>
<publisher-name><![CDATA[Fontana/Collins]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ILLICH]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Vernacular values]]></article-title>
<source><![CDATA[Philosophica]]></source>
<year>1980</year>
<volume>26</volume>
<page-range>47-102</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ILLICH]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Right to Useful Unemployment]]></source>
<year>(199</year>
<month>6 </month>
<day>[1</day>
<edition>2.ª</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Marion Boyers]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JAPPE]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As Aventuras da Mercadoria: Para uma Nova Crítica do Valor]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Antígona]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JAPPE]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[André Gorz et la critique de la valeur]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Caillé]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fourel]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sortir du capitalisme: Le scénario Gorz]]></source>
<year>2013</year>
<page-range>161-169</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Le Bord de L’eau]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KURZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As leituras de Marx no século XXI]]></source>
<year>2001</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LITTLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Political Thought of André Gorz]]></source>
<year>(201</year>
<month>3 </month>
<day>[1</day>
<edition>2.ª</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Nova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MATOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Trabalho e autonomia em André Gorz]]></article-title>
<collab>UNIPOP</collab>
<source><![CDATA[Pensamento Crítico Contemporâneo]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>227-240</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições 70]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PETITJEAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Du ‘gauchisme’ à l’écologie politique]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Caillé]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fourel]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sortir du capitalisme: Le scénario Gorz]]></source>
<year>2013</year>
<page-range>23-33</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Le Bord de L’eau]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[POSTONE]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Time, Labor, and Social Domination: a Reinterpretation of Marx’s Critical Theory]]></source>
<year>(200</year>
<month>3 </month>
<day>[1</day>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Nova IorqueCambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B41">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O ‘Adeus ao Proletariado’ de Gorz: vinte anos depois]]></article-title>
<source><![CDATA[Lua Nova: Revista de Cultura e Política]]></source>
<year>1999</year>
<volume>48</volume>
<page-range>161-174</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B42">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[André Gorz: Trabalho e Política]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Annablume]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B43">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tensão entre tempo social e tempo individual]]></article-title>
<source><![CDATA[Tempo Social]]></source>
<year>2009</year>
<volume>21</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>35-50</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
