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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De que necessitam as pessoas idosas para viver com dignidade em Portugal?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[What do the elderly need in order to live with dignity in ­Portugal?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[We seek to determine what the elderly in ­Portugal perceive as necessary to live a dignified life in today’s world. We adopt a consensual approach complementing a quantitative method, using the microdata from Eurobarometer surveys, with a qualitative method, using the data from three focus groups held under the research project Rendimento Adequado em Portugal (RAP). The results reveal the advantages of this combination of methods, and suggest that the human needs considered as being fundamental for an elderly person to lead a dignified life in Portugal go beyond subsistence, also identifying the needs of protection, identity, affection, leisure, understanding, and freedom.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[pessoas idosas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[necessidades humanas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[abordagem consensual]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[dignity]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  

    <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>

    <p><b>De que
necessitam as pessoas idosas para viver com dignidade em Portugal?</p>
    <p>What do the elderly need in order to live with dignity
in ­Portugal?</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Anabela Ferreira Correia</b>*, <b>Elvira Pereira</b>** e <b>Dália Costa</b>**</p>

    <p>*Universidade de Lisboa, ISCSP Instituto Superior de Ciências Sociais e
Políticas, Rua Almerindo Lessa — 1300-663 Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:namfcorreia@yahoo.com">anamfcorreia@yahoo.com</a></p>
    <p>**Universidade de Lisboa, ISCSP Instituto Superior de Ciências Sociais e
Políticas, CAPP Centro de Administração e Políticas Públicas, Rua Almerindo Lessa — 1300-663 Lisboa, Portugal. 
E-mail: <a href="mailto:epereira@iscsp.ulisboa.pt">epereira@iscsp.ulisboa.pt</a> e <a href="mailto:daliacosta@iscsp.ulisboa.pt">daliacosta@iscsp.ulisboa.pt</a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RESUMO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pretende-se conhecer o que as pessoas idosas perspetivam como
necessário para viverem com dignidade na atualidade, em Portugal. É adotada uma
abordagem consensual complementando um método de natureza quantitativa,
recorrendo aos microdados do Eurobarómetro, com um método de natureza
qualitativa, recorrendo aos dados de três <i>focus groups </i>realizados no
âmbito do projeto Rendimento Adequado em Portugal (RAP). Os resultados revelam
as vantagens desta combinação de métodos e sugerem que as necessidades humanas
consideradas fundamentais para uma vida com dignidade para as pessoas idosas em
Portugal vão para além da subsistência, sendo identificadas também as
necessidades de segurança, identidade, afeição, lazer, compreensão e liberdade.</p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: pessoas idosas; necessidades
humanas; abordagem consensual; dignidade.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>We seek to determine what the elderly in ­Portugal
perceive as necessary to live a dignified life in today’s world. We adopt a
consensual approach complementing a quantitative method, using the microdata
from Eurobarometer surveys, with a qualitative method, using the data from
three focus groups held under the research project <i>Rendimento Adequado em Portugal</i> (RAP). The results reveal the
advantages of this combination of methods, and suggest that the human needs
considered as being fundamental for an elderly person to lead a dignified life
in Portugal go beyond subsistence, also identifying the needs of protection,
identity, affection, leisure, understanding, and freedom.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
elderly; human needs; consensual approach; dignity.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</b></p>

    <p>O atual contexto de
envelhecimento da população portuguesa, com o aumento da esperança de vida,
torna mais premente a preocupação com a garantia do direito a uma vida com
dignidade para as pessoas mais velhas.<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> O que está em causa é o seu direito fundamental a terem recursos
suficientes que lhes permitam satisfazer as necessidades de forma adequada –
por outras palavras, que efetivamente tenham aquilo que se considera que “todas
as pessoas devem ter acesso e de que ninguém deve ser privado” (Sen, 1999,
2005; Pereira, 2010a; Pereira, 2010b).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo que dá origem a este artigo foi
realizado no âmbito do Projeto Rendimento Adequado em Portugal (em diante
designado projeto RAP).<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> Em específico, pretende contribuir para o conhecimento daquilo que as
pessoas com 65 e mais anos, ou pessoas idosas, necessitam para viverem com
dignidade, na atualidade em Portugal, partindo da perspetiva dos próprios
idosos. Pretende-se, assim, preencher uma lacuna nos estudos sobre
necessidades.</p>

    <p>De facto, à semelhança das questões do
envelhecimento<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, também a problemática das necessidades só recentemente começou a ser
explorada em ­Portugal. O estudo de Guerra <i>et</i><i>
al</i>. (2010) representa um importante contributo para o conhecimento das
necessidades de diversos grupos sociais, entre os quais os idosos. A
investigação de Pereira (2010b) realça que “a pobreza pode ser identificada com
uma situação em que não são satisfeitas determinadas necessidades, ou em que
não é realizado um nível de vida mínimo aceitável, por carência de recursos
económicos” (Pereira, 2010b, p. 17).</p>

    <p>A identificação das necessidades e das formas de
satisfação das mesmas, central para o estudo da pobreza, quer do ponto de vista
do cálculo do rendimento necessário para a sua satisfação, quer no
desenvolvimento de uma medida de privação material forçada por insuficiência de
recursos económicos, reveste-se, assim, de grande importância para o estudo da
problemática do envelhecimento, numa perspetiva pouco aprofundada em Portugal.</p>

    <p>Ademais, as necessidades dos idosos têm
especificidades próprias de satisfação, resultantes do próprio processo de
envelhecimento humano (Valente Rosa, 2003, p. 115), havendo que considerar o
envelhecimento biológico – constrangimentos inerentes à condição física da
pessoa, o envelhecimento psicológico – que se relaciona com a
maior ou menor resiliência individual, e o envelhecimento social<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> – discriminação em razão da idade, que podem obstar a uma plena participação
social do idoso.</p>

    <p>A montante do processo de implementação de
políticas dirigidas a este grupo social é desejável a compreensão das razões da
existência de padrões diferenciados ao nível das condições de vida das pessoas
mais velhas (Mauritti, 2004; Cardoso <i>et</i><i> al</i>.,
2012), visando medidas que contribuam para a melhoria das suas capacidades para
interagir no meio físico e social, garantindo o seu direito a uma vida com
dignidade. Deste modo, será possível minimizar os riscos decorrentes das
vulnerabilidades e fragilidades próprias da idade avançada.</p>

    <p>Do ponto vista teórico, as necessidades
fundamentais, enquanto objetivos universais, distinguem-se
das formas específicas de satisfação dessas necessidades, que variam de acordo
com os contextos e as características dos indivíduos (Doyal, Gough, 1991;
Max-Neef, Elizalde e Hopenhayn,1991; Pereira, 2010b; Sen, 1999, 2005). Como
referido por Silva (1985):</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>É fácil identificar um conjunto de necessidades
essenciais – e.g. alimentação, vestuário, habitação, saúde, educação,
segurança, mobilidade – mas é difícil definir o conteúdo de cada uma destas
componentes do nível de vida, e ainda mais difícil é estabelecer (entre si) uma
ordem de prioridades [Silva, 1985, p. 17].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como tal, do ponto de vista metodológico, importa
reconhecer a importância de integrar o conhecimento experiencial dos idosos na
identificação e compreensão das suas necessidades, pelo que se adota uma
abordagem consensual (Pereira <i>et</i><i> al</i>.,
2013). Esta opção metodológica contribui para colmatar a exclusão das pessoas
na avaliação do padrão de vida, normalmente baseada na opinião de especialistas
(Lelkes, 2006; Walker, 2005; Dickes, Fusco e ­Marlier, 2010).</p>

    <p>Para operacionalizar uma abordagem consensual,
existem dois métodos principais, que utilizam técnicas de recolha de dados
distintas: um, de natureza quantitativa, baseado em inquéritos por questionário<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, e outro, de natureza qualitativa, baseado em grupos de discussão (<i>focus
groups</i>)<i>.</i> Neste trabalho recorremos a uma combinação de ambos.</p>

    <p>Com o objetivo de
identificar os bens e serviços reconhecidos pelas pessoas com 65 e mais anos,
como absolutamente necessários para um indivíduo em abstrato, efetuamos uma
análise dos microdados dos Eurobarómetros Especiais “Pobreza e Exclusão Social”
de 2007, 2009 e 2010. Para perceber como são percecionados esses bens e
serviços pelas pessoas com 65 e mais anos de idade, para uma pessoa com
caraterísticas semelhantes às suas poder satisfazer adequadamente as suas
necessidades, realizamos uma análise dos dados de três <i>focus groups</i>
efetuados com idosos, no âmbito do projeto RAP. Para o efeito, nesta última
análise, efetuámos a identificação e caracterização do consenso formado quanto
à inclusão desses bens e serviços no mínimo que um(a)
idoso(a) deveria poder ter/obter e a identificação das necessidades associadas.</p>

    <p>A complementaridade destas abordagens permite-nos
apresentar uma reflexão sobre aquilo que os idosos consideram fundamental para
viver com dignidade em Portugal, no quadro teórico adotado.</p>

    <p>Após um breve enquadramento do conceito de
necessidades e das suas formas de satisfação, apresentamos neste artigo alguns
aspetos metodológicos relacionados com a abordagem consensual, com os
inquéritos Eurobarómetro sobre Pobreza e Exclusão Social e com os três <i>focus
goups</i> realizados. Seguem-se os resultados de acordo com os objetivos
propostos, terminando com a sua discussão e algumas notas finais.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NECESSIDADES E FORMAS
DE SATISFAÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NECESSIDADES: DIFERENTES ABORDAGENS A UM
CONCEITO MULTIDIMENSIONAL</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Caraterizar e compreender
o conceito de necessidades – fins<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> que constituem o mínimo necessário para uma vida digna, implica o reconhecimento
da sua natureza multidimensional. Nesta secção destacamos os contributos
teóricos mais relevantes para o estudo que aqui se apresenta.</p>

    <p>Uma das mais conhecidas classificações de
necessidades foi proposta por (Maslow, 1970) na sua teoria da motivação humana.
Na hierarquia de necessidades proposta pelo autor, foram identificados cinco
níveis de necessidades. Os dois primeiros níveis foram identificados como
necessidades primárias, figurando na base as necessidades fisiológicas, logo
seguidas das necessidades de segurança. Os restantes três níveis foram
identificados como necessidades secundárias, figurando num terceiro nível as
necessidades de afeto e sentimento de pertença a grupos na sociedade, seguidas
das necessidades de autoestima e, no último nível, as necessidades de
autorrealização (Maslow, 1970, pp. 38-58).</p>

    <p>No entanto, a existência de uma hierarquia
definida de necessidades, tal como a defendida por Maslow (1970), tem sido
refutada por diversos estudos e rejeitada por outras teorias de necessidades
humanas (e.g. Doyal e Gough, 1991;
Max-Neef, Elizalde e Hopenhayn, 1991; Nussbaum, 1997, 2000, 2003).</p>

    <p>Doyal e Gough (1991) definiram necessidades
básicas como objetivos universais, identificando dois tipos
de necessidades básicas – saúde física e autonomia - sem qualquer
hierarquia entre si. Para estes autores, a universalidade destas necessidades
decorre do facto de a sua não satisfação pode causar sério dano ou um
sofrimento socialmente reconhecido para qualquer indivíduo, independentemente
do contexto em que se encontra inserido (Doyal e Gough, 1991). Estes autores
“identificam ainda, como necessidades intermédias, características de bens que
em todo o lado contribuem positivamente para a saúde física e a autonomia,
capacitando os indivíduos para participar na sua forma social de vida”
(Pereira, 2010b, p. 33).</p>

    <p>As necessidades
intermédias identificadas por Doyal e Gough (1991) foram: alimentação e água
adequadas, alojamento adequado e protetor, ambientes físico
e de trabalho seguros, cuidados de saúde apropriados, segurança na infância,
relações primárias significativas, segurança física e económica, segurança no
controlo de natalidade, gestação e parto e educação básica apropriada.</p>

    <p>Por sua vez, Max-Neef, Elizalde e Hopenhayn
(1991) defenderam que o ser humano tem múltiplas e interdependentes
necessidades, devendo estas “entender-se como um sistema em que se
interrelacionam e interagem. Com a única exceção da subsistência, ou seja manter a vida humana, não existem hierarquias neste
sistema” (<i>idem</i>, 1991, p. 17).</p>

    <p>Estes autores classificaram as necessidades de
acordo com múltiplos critérios e em duas categorias diferentes: ontológicas e
axiológicas. Na primeira identificaram as necessidades de Ser, Ter, Fazer e
Estar. Na segunda categoria surgiram a Subsistência, a Proteção, o Afeto, a
Compreensão, a Participação, o Lazer, a Criatividade, a Identidade e a
Liberdade.</p>

    <p>Ao contrário dos autores anteriores, Sen (1999,
2005) não identificou uma lista definitiva de fins universais. O contributo teórico
incontornável da sua abordagem das capacidades foi o de deslocar o foco das
necessidades, ou da utilidade que resulta da sua satisfação, para as
capacidades. A ideia de capacidade de alcançar funcionamentos com valor, os
quais não são os mesmos para todos os seres humanos, e estão sujeitos à
contingência, especificidade cultural e ao próprio nível de desenvolvimento de
cada sociedade, prevalece como um ponto fundamental da sua abordagem</p>

    <p>Deste ponto de vista, uma pessoa terá uma vida
bem-sucedida, ou uma vida digna, se tiver oportunidades e capacidades de
alcançar combinações de funcionamentos com valor, aquilo que uma pessoa é capaz
de ser ou fazer, com autonomia, na sociedade em que vive (Sen, 1999, 2005).</p>

    <p>Alguns autores têm
criticado Sen por não apresentar uma lista definitiva de capacidades. Sen (cit.
por Pereira, 2010b, p. 35) “argumenta que a teoria pura não pode fornecer uma
lista completa de capacidades básicas ou funcionamentos relevantes
aplicável a todas as sociedades”. Para este autor esta lista não pode
estar desligada da cultura e da realidade social. Uma tentativa de
identificação das necessidades fundamentais “é um exercício de escolha social
(…) requer discussão pública, entendimento e aceitação democráticos” (Sen,
1999, p. 99).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por sua vez, Nussbaum (1997, 2000, 2003)
aprofundou o pensamento de Sen propondo a ideia de que “existem algumas áreas
nas quais a melhor maneira de pensar sobre direitos<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> é vê-los como capacidades combinadas para funcionar de diversas
formas” (Nussbaum, 1997, p. 292). Assim, identificou:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>[…] dez categorias de capacidades<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> como requisitos centrais para uma vida com dignidade – vida, saúde
física, integridade física, sentidos, imaginação e pensamento, emoções, razão
prática, afiliação, outras espécies, lazer, controle sobre o meio ambiente –
como objetivos gerais que podem ser melhor
especificados pela sociedade (…) na medida em que funcionam como direitos
fundamentais ratificados por essa sociedade [Nussbaum, 2003, pp. 40-42].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>FORMAS DE SATISFAÇÃO DAS NECESSIDADES</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Como ficou patente na
breve abordagem realizada ao conceito de necessidade, importa distinguir entre
necessidades, enquanto objetivos universalizáveis, e as respetivas formas de
satisfação, isto é, os bens económicos e formas necessárias à satisfação das
mesmas, que podem variar de acordo com as características dos indivíduos e com
os contextos em que estão inseridos (Pereira, 2010b).</p>

    <p>Com efeito, Doyal e Gough (1991), considerando a
universalidade das necessidades básicas, afirmaram que as suas formas de
satisfação podem ser variadas e específicas dos contextos.</p>

    <p>Neste sentido concorreram, igualmente, Max-Neef,
Elizalde e Hopenhayn (1991, p. 28), defendendo que “ (…)
as necessidades humanas fundamentais são não só universais como também estão
interligadas com a evolução da espécie humana”, distinguindo claramente entre
necessidades, mecanismos de satisfação e bens económicos. Os mecanismos de
satisfação “ (…) são formas individuais ou coletivas
de ser, ter, fazer e estar, com o objetivo de alcançar a satisfação das
necessidades (…)” (<i>idem</i>, 1991, p. 30). Já os bens económicos
“compreendem todo o conjunto de bens e serviços que podem alterar a capacidade
de um mecanismo de satisfação e, assim, alterar o limite de satisfação das
necessidades num sentido positivo ou negativo” (<i>idem</i>, <i>ibidem</i>).<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aqui encontramos subjacente a ideia de unicidade
de sentido das necessidades e de variabilidade dos mecanismos de satisfação, de
acordo com o contexto cultural e as circunstâncias, pois os bens económicos “ (…) comportam-se de três maneiras diferentes: são
modificados de acordo com as práticas sociais e as modas, diversificam-se de
acordo com as culturas e, dentro destas, de acordo com os estratos sociais”
(Max-Neef, Elizalde e Hopenhayn, 1991, p. 28).</p>

    <p>Por sua vez, Sen (1999, 2005) propôs a ideia de
que pessoas e sociedades diferem na sua capacidade de converter os bens que têm, em funcionamentos com valor. Num outro ponto
fundamental na sua abordagem das capacidades, encontramos a conceção de que não
se deve apenas observar as caraterísticas dos bens económicos, mas também,
considerar as possibilidades de que as pessoas desfrutam para serem capazes de usufruir
dos bens ao seu dispor:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>[…] usamos rendas e mercadorias como a base
material do nosso bem-estar. Mas o uso que podemos dar a um dado pacote de
mercadorias ou, de um modo mais geral, a um dado nível de renda, depende
crucialmente de várias circunstâncias, tanto pessoais como sociais<i> </i>[Sen,
1999, p. 90]</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>MATRIZ DE NECESSIDADES RAP</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A abordagem do projeto
RAP ao conceito de necessidades privilegiou a classificação axiológica
desenvolvida por Max-Neef, Elizalde e Hopenhayn (1991) e integrou os contributos
de outros autores, nomeadamente Nussbaum (1997, 2000, 2003) e Costanza <i>et</i><i> al</i>. (2007).</p>

    <p>Nussbaum (1997, 2000, 2003) sugeriu que cada
necessidade adquire uma dimensão ontológica e identificou um tipo de
capacidade, que designa por combinada, que alia a capacidade interna com as
condições externas necessárias para ter essa capacidade (Nussbaum, 2000, cit.
por Pereira <i>et</i><i> al</i>., 2013).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Costanza <i>et</i><i> al</i>.
(2007) integrou as abordagens anteriores (Max-Neef, Elizalde e Hopenhayn, 1991;
Nussbaum, 1997, 2000, 2003), acrescentando as categorias de “transcendência” e
“reprodução” e alterando as categorias “proteção” e “tempos livres” para
“segurança” e “lazer”.</p>

    <p>Realizada uma primeira análise exploratória aos <i>focus
groups</i>, utilizando como sistemas de classificação a matriz de necessidades
de Max-Neef <i>et</i><i> al</i>.<i> </i>(1991), a
lista de necessidades intermédias de Doyal e Gough (1991) e a lista de
capacidades combinadas de Nussbaum (1997, 2000, 2003), a equipa de investigação
considerou que a classificação axiológica de Max-Neef combinada com uma
definição das necessidades em termos de capacidades combinadas sugerida por
Nussbaum seria o sistema de classificação mais adequado à análise dos <i>focus
groups</i> realizados.</p>

    <p>Na matriz RAP, então desenvolvida, esteve
subjacente quer a consideração de que as necessidades são finitas,
classificáveis, não hierarquizáveis e as mesmas em todas as culturas e tempos
históricos<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> quer a distinção entre estas e os seus mecanismos de satisfação e os
bens económicos.</p>

    <p>Esta matriz de necessidades RAP (<a href="#q1">Quadro 1</a>) foi adotada na análise realizada no presente estudo.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n219/n219a05q1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p><b>ASPETOS METODOLÓGICOS</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A ABORDAGEM CONSENSUAL</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>A abordagem consensual
radica na premissa de que aquilo que é necessário para viver com dignidade deve
ser aferido à luz dos padrões culturais da sociedade em que nos situamos
(Walker, 1987) e de que os bens e serviços tornam-se necessários apenas quando
são socialmente percebidos como tal, ou seja, quando a sua identificação como
“necessidades” reúne um consenso alargado (Mack e Lansley, 1985). Este consenso
pode ser verificado pela obtenção de um acordo expresso, democraticamente, pela
maioria, através de inquéritos por questionário, ou pela emergência de
consensos negociados no contexto de <i>focus groups</i>. Note-se que em nenhum
caso, a abordagem consensual exige a existência de unanimidade dos pontos de
vista.</p>

    <p>A este respeito, Walker (1987) considerou que a
abordagem consensual encontra a sua expressão mais fiel na negociação<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, geradora de compromissos e que é observável num grupo de discussão.</p>

    <p>No contexto do projeto RAP e para conhecer aquilo
que os idosos perspetivam como necessário – “aquilo que todas as pessoas devem
ter acesso e de que ninguém deve ser privado” (Sen, 1999, 2005; Pereira, 2010a;
Pereira, 2010b), além da utilização de resultados de inquéritos por
questionário, recorreu-se aos resultados de <i>focus groups,</i>
considerando-se que a possibilidade de negociação de consensos possibilitada
pelos mesmos responde favoravelmente às seguintes premissas metodológicas:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>i) fornecem um contexto adequado para obter
aquilo que Sen designa por <i>avaliação</i> <i>arrazoada</i>, uma vez que os
indivíduos partilham as suas opiniões, ouvem as opiniões dos outros, refletem
individualmente, argumentam e debatem entre si, e chegam a consensos sobre
alguns aspetos fundamentais;</p>

    <p>ii) o debate gerado permite obter uma explicação
detalhada da fundamentação quer dos consensos quer das discordâncias e, de um
modo mais específico, da lógica subjacente aos padrões orçamentais que irão ser
desenvolvidos [Pereira <i>et al</i>., 2013, p. 4].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A análise realizada neste estudo centrou-se num
conjunto variado de <i>itens</i>, selecionados a partir de diferentes dimensões
que constituem o padrão de vida de uma determinada sociedade. Os <i>itens</i>
avaliados abrangem tanto aspetos materiais como da vida social, incluindo
alimentação, saúde, habitação, bens e infraestruturas da habitação, meios de
comunicação e atividades de lazer.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>OS INQUÉRITOS EUROBARÓMETRO SOBRE “POBREZA E
EXCLUSÃO SOCIAL”</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Foram utilizados os
microdados de três Eurobarómetros Especiais sobre “Pobreza e exclusão social”,
de 2007, 2009 e 2010 (em diante respetivamente designados EB2007, EB2009 e
EB2010). Nestes três Eurobarómetros foi aferida a opinião dos indivíduos sobre
a necessidade de um conjunto selecionado de <i>itens</i>, numa amostra
representativa da população residente em Portugal. No entanto, o EB2007
apresenta algumas diferenças relativamente ao EB2009 e ao EB2010.</p>

    <p>Assim, no EB2007, foi incluído um conjunto mais
alargado de <i>itens</i>, 53 no total, e a pergunta que presidia ao
questionário tinha a seguinte formulação:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Nas questões seguintes, gostaríamos de
compreender melhor o que, na sua opinião, é necessário
para que as pessoas tenham um nível de vida que possa ser considerado como
aceitável ou decente em Portugal. Para uma pessoa ter um nível de vida decente
em ­Portugal, por favor diga-me até que ponto
considera necessário…</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>As opções de resposta, associadas a cada <i>item</i>,
eram: i) absolutamente necessário, ninguém deveria
viver sem; ii) necessário; iii) desejável mas não necessário; iv) nada necessário;
v) não sabe.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O EB2009 e o EB2010 apresentaram uma lista mais
reduzida de <i>itens</i>, apenas 13, pedindo aos indivíduos que identificassem
até 5 <i>itens</i> que considerassem absolutamente
necessários, utilizando a seguinte pergunta:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Para que uma pessoa ou família tenha um nível de
vida aceitável em Portugal, quais dos seguintes itens pensa serem
absolutamente necessários poderem obter?</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O facto de as perguntas entre estes inquéritos
não serem idênticas, bem como, em alguns casos, os <i>itens</i> não serem
semelhantes e, em outros, aparecerem denominados de modo diferente,
impossibilitou a confrontação direta entre os resultados dos três
Eurobarómetros. Apesar deste limite, foi possível identificar 19 <i>itens</i>
no EB2007 com paralelismo com os 13 <i>itens</i> aferidos em 2009 e 2010, sobre
os quais incidiu a nossa análise.</p>

    <p>A análise dos microdados incidiu sobre uma
amostra de indivíduos com 65 e mais anos (idosos), respondentes para Portugal,
cuja dimensão foi de 213 indivíduos em 2007, 224 indivíduos em 2009 e 224
indivíduos em 2010 (<a href="#q1">Quadro 2</a>).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n219/n219a05q2.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo desta análise foi
identificar i) quais os <i>itens</i> considerados
como absolutamente necessários, pela maioria dos idosos, para uma pessoa ter um
nível de vida decente em Portugal (no caso do EB2007) e ii) quais os <i>itens</i>
priorizados como absolutamente necessários, pela maioria dos idosos, para uma
pessoa ou família ter um nível de vida aceitável em Portugal (no caso dos
EB2009 e EB2010). A regra da maioria (50% ou mais) foi utilizada para
identificar uma situação de consenso.</p>

    <p>Foram, assim, calculadas as
frequências relativas (e os respetivos intervalos de confiança a 95%) das
opções de resposta “absolutamente necessário ninguém deveria viver sem” e
“necessário”, para os 19 <i>itens</i> selecionados do EB2007, e de
seleção de <i>item</i> “absolutamente necessário”, para os 13 <i>itens</i>
aferidos nos EB2009 e EB2010, sendo utilizado o programa de análise SPSS 16.0.</p>

    <p>Foram, também, realizadas análises com o objetivo
de identificar as congruências e as especificidades dos resultados obtidos para
os idosos em relação aos resultados obtidos para os restantes indivíduos
inquiridos nos três Eurobarómetros. Neste caso, foram utilizadas as amostras
completas para ­Portugal: 1013 indivíduos em 2007, 1051 indivíduos em 2009 e
1011 indivíduos em 2010.</p>

    <p>Além do cálculo das
frequências relativas, no Eurobarómetro de 2007, que aborda um conjunto mais
detalhado de <i>itens</i>, foram realizados testes Qui-Quadrado para testar a
hipótese da igualdade entre os idosos e a restante população na avaliação da
necessidade de cada <i>item</i> e obtidos os resíduos ajustados estandardizados
para identificar as opções de resposta onde a frequência observada difere,
significativamente, da frequência esperada, para &#945;<=0,05.<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>OS <i>FOCUS GROUPS</i> REALIZADOS NO ÂMBITO DO
PROJETO RAP</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O <i>corpus</i> de
análise deste estudo resultou de três <i>focus groups</i> realizados no
contexto do projeto RAP. Os três grupos<i> </i>foram realizados<i> </i>com
idosos em três concelhos de Portugal continental – Vila Nova de Gaia (VNG),
Vila Franca de Xira (VFX) e Beja (BEJ) – em julho e outubro de 2012.<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> 
Participaram, no total, 25 idosos – 9 em Vila Nova de Gaia, 8 em Vila Franca de Xira e 8 em Beja.<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a></p>

    <p>As características sociodemográficas dos
participantes são apresentadas no <a href="#q3">Quadro 3</a>.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q3">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n219/n219a05q3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>Cada grupo teve uma duração de três horas
distribuídas em três partes ­principais: “a)
introdução, formalidades e aquecimento (cerca de 45m); b) debate acerca do
mínimo adequado na sociedade portuguesa (cerca de 1h15m); e c) desenvolvimento
da vinheta e debate sobre os <i>itens</i> do Eurobarómetro (cerca de 1h)”
(Pereira <i>et al</i>., 2013, p. 9).</p>

    <p>Em cada grupo, o facilitador iniciou a discussão
referindo que não existiam respostas “certas ou erradas” e salientando que o
contributo de todos era importante dado que os participantes no grupo detinham
diferentes experiências de vida. Esta diversidade de perspetivas implicava que
a todos fosse garantida a oportunidade de expressarem a sua opinião. Esta
garantia foi também, em grande medida, assegurada pela condução destes grupos
por facilitadores com experiência.</p>

    <p>A análise agora apresentada centrou-se na última
parte do grupo que se iniciou com a construção de um “caso”, representativo de
uma pessoa com caraterísticas semelhantes às das pessoas que participavam no <i>focus
group</i>, e se desenvolveu na discussão dos bens e serviços que essa pessoa
devia poder ter para viver com dignidade.</p>

    <p>A construção e debate sobre as necessidades deste
“caso” revelou a vantagem de ajudar os participantes a não se centrarem em si
próprios mas, recorrendo à interação e partilha de
experiências, a projetar para o “caso” as necessidades de uma pessoa com
caraterísticas semelhantes às suas.</p>

    <p>Deste modo, em cada grupo, foi criada uma vinheta
com as caraterísticas<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> constantes do <a href="#q4">Quadro 4</a>.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q4">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n219/n219a05q4.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O debate sobre o que esse idoso(a),
com as características definidas no “caso”, deveria poder ter ou conseguir
obter centrou-se nos 13 <i>itens</i> utilizados nos EB2009 e EB2010,
apresentados ao grupo um a um. Este debate foi iniciado da seguinte forma:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Para finalizar, gostaríamos de saber se pensam
que o/a (nome do “caso”), como mínimo, deveria poder ter ou conseguir obter as
seguintes coisas<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a></p></blockquote>

    <p><sup>&nbsp;</sup></p>

    <p>A análise de conteúdo, utilizada neste estudo,
foi realizada a partir da transcrição das gravações da já referida última parte
dos <i>focus groups</i>.</p>

    <p>Os objetivos desta análise
foram i) identificar a existência de consenso
relativo à inclusão do <i>item</i> no mínimo que esse idoso(a) deveria poder
ter/obter e caracterizar a sua formação, e ii) identificar de forma
sistemática, em cada um dos <i>focus groups,</i> as necessidades associadas a
cada um dos <i>itens</i>.</p>

    <p>Para prosseguir o segundo objetivo, adotou-se
como suporte teórico e sistema de categorias a matriz de necessidades RAP
(Pereira <i>et</i><i> al</i>., 2013) (<a href="#q1">quadro 1</a>) e
realizou-se uma análise categorial temática, utilizando o MaxQDA 11, recortando
expressões ilustrativas. De salientar que as manifestações verbais recortadas
fazem parte de um contexto concreto e têm de ser interpretadas como associadas
a um encadeamento discursivo e ao estímulo suscitado pela discussão entre os
participantes.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RESULTADOS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>OS RESULTADOS DOS EUROBARÓMETROS SOBRE “POBREZA
E EXCLUSÃO SOCIAL”</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>No EB2007, oito dos 19 <i>itens</i>
foram reconhecidos pela maioria dos idosos como absolutamente necessários para
que uma pessoa, em abstrato, tenha um nível de vida aceitável em Portugal
(<a href ="/img/revistas/aso/n219/n219a05q5.jpg ">Quadro 5</a>). Destes oito <i>itens</i>, três estão
associados ao acesso a bens e serviços de saúde, dois estão associados à
alimentação e três estão associados às condições da habitação.</p>

    
<p>Se forem
considerados os limites superiores dos intervalos de confiança a 95% para a
proporção de idosos que considera o <i>item</i> absolutamente necessário,
seriam ainda incluídos três <i>itens</i>: um associado aos transportes
públicos, um associado aos principais eletrodomésticos e mais um associado à
habitação.</p>

    <p>Em 2007, dos seis <i>itens</i> que reuniram menor
consenso na identificação como absolutamente necessários pelos idosos,
apresentando frequências relativas inferiores a 20%, três foram associados a
meios de comunicação (telefone, telemóvel e internet) e três foram associados a
atividades de lazer (“poder ir uma semana de férias por ano, sair uma vez por
mês e ter uma atividade de lazer ou praticar um desporto regularmente”).</p>

    <p>De relevar, ainda, que alguns dos <i>itens</i>
que não obtiveram um valor superior a 50%, tiveram valores relevantes na opção “necessário”. Agregando-os aos valores obtidos na opção “absolutamente necessário”, constata-se que apenas
cinco <i>itens</i> não foram considerados pela maioria dos idosos como
absolutamente necessários ou necessários, dois foram associados a meios de
comunicação (telemóvel e internet) e três foram associados a atividades de
lazer (“poder ir uma semana de férias por ano, sair uma vez por mês e ter uma
atividade de lazer ou praticar um desporto regularmente<i>”</i>).</p>

    <p>Quando se compararam os resultados obtidos para
os idosos com os resultados obtidos para a restante população (<a href ="/img/revistas/aso/n219/n219a05q5.jpg ">Quadro 5</a>), verificou-se que os mesmos 11 <i>itens</i> reconhecidos
como absolutamente necessários pela maioria dos idosos (considerando os limites
superiores dos intervalos de confiança a 95% para as proporções) foram
igualmente reconhecidos como absolutamente necessários pela restante população.
Apesar desta congruência, identificaram-se duas especificidades que importa
registar.</p>

    
<p>A primeira, mais relevante do ponto de vista da
abordagem consensual, resultou de, para a restante população, terem sido apenas
dois os <i>itens</i> que não foram considerados pela maioria como absolutamente
necessários ou ­necessários, os dois associados a meios de comunicação
(telefone e internet). Assim, considerando que o telefone e o telemóvel são
substitutos imperfeitos, assinala-se o facto de, ao contrário do que acontece
na restante população, a maioria dos idosos não ter
considerado absolutamente necessários ou necessários os três <i>itens</i>
associados a atividades de lazer.</p>

    <p>A segunda especificidade diz respeito às
diferenças significativas encontradas na avaliação da necessidade dos itens. De
facto, em 12 dos 19 <i>itens</i>, os resultados do teste qui-quadrado
permitiram rejeitar a hipótese nula de igualdade entre os idosos e a restante
população na avaliação que realizam da necessidade dos <i>itens</i>, para
&#945;=0,05 (<a href ="/img/revistas/aso/n219/n219a05q5.jpg ">Quadro 5</a>). De acordo com os
resultados dos resíduos ajustados estandardizados, estas diferenças puderam ser
agrupadas, sendo que, com a exceção do caso do telefone, resultaram de uma
avaliação de menor grau de necessidade do <i>item</i> por parte dos idosos.</p>

    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num primeiro grupo de quatro <i>itens</i>,
observou-se nos idosos uma sub-representação da opção
“absolutamente necessário” que foi compensada por uma sobre representação da
opção “necessário”: “um lugar para viver sem fugas no telhado,
parede/chão ou fundação húmidos; poder consumir fruta fresca e vegetais uma vez
por dia; comprar medicamentos quando necessário; e ter acesso a transportes
públicos locais”.</p>

    <p>Num segundo grupo de quatro <i>itens</i>
verificou-se nos idosos uma sub-representação quer da opção
“absolutamente necessário” quer da opção “necessário”, são os <i>itens</i>
ligados a meios de comunicação (exceto telefone fixo) – “ter um telemóvel e ter
acesso à internet” – e a atividades de lazer (exceto sair uma vez por mês), –
“poder ir uma semana de férias por ano; e ter uma atividade de lazer ou praticar
um desporto regularmente”. No caso do telefone fixo verificou-se a situação
inversa, observou-se nos idosos uma sobrerrepresentação quer da opção “absolutamente necessário” quer da opção “necessário”.
No caso de sair uma vez por mês não se verificaram diferenças entre idosos e restante população na opção “absolutamente
necessário”, mas existiu nos idosos uma sub-representação da opção
“necessário”.</p>

    <p>Num último grupo de dois <i>itens</i>,
observou-se uma sobrerrepresentação nos idosos das outras opções além de
“absolutamente necessário” e “necessário”: “um lugar para viver com água quente
corrente e ter acesso a serviços bancários”.</p>

    <p>O <a href="#q6">quadro 6</a> apresenta os
resultados obtidos nos EB2009 e EB2010, onde se constata que existem quatro <i>itens</i>
que, em ambos os inquéritos, foram selecionados como absolutamente necessários
pela maioria dos idosos. O <i>item</i> “manter a casa suficientemente quente
quando está frio no exterior”, apesar de não ter sido selecionado pela maioria,
registou ainda assim valores na ordem dos 30%, o que é um valor relativamente
elevado tendo em conta que os indivíduos só podiam selecionar 5 <i>itens</i> no conjunto dos 13.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q6">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n219/n219a05q6.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Quando se compararam os resultados obtidos para
os idosos com os resultados obtidos para a restante população, verificou-se que
os mesmos quatro <i>itens</i> foram selecionados como absolutamente necessários
pela restante população, reforçando a ideia de congruência.</p>

    <p>Fazendo a confrontação entre os <i>itens</i> dos
três Eurobarómetros em análise (e atendendo aos limites supra
referidos), constata-se que foram quatro os <i>itens</i> que reuniram um
consenso muito alargado, tendo sido identificados como absolutamente
necessários pela maioria dos idosos em 2007, e também priorizados como
absolutamente necessários pela maioria dos idosos em 2009 e 2010:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>a)ter um lugar para viver em boas condições e
em bom estado de conservação;</p>

    <p>b)obter alimentos de boa qualidade e
diversificados;</p>

    <p>c)ter acesso a gás, eletricidade e água
canalizada;</p>

    <p>d)poder comprar medicamentos ou consultar um
médico quando se está doente ou se sente mal<i>.</i></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Tendo em conta o conjunto dos resultados, foi
possível verificar que foram os <i>itens</i> associados às condições (básicas)
da habitação, à alimentação e ao acesso a bens e serviços (básicos) de saúde
que reuniram um maior consenso dos idosos e da restante população quanto à sua
absoluta necessidade para que uma pessoa ou família, em abstrato, tenha um
nível de vida aceitável em Portugal.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>OS RESULTADOS DOS <i>FOCUS GROUPS</b></i></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Os
consensos obtidos</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>No contexto dos <i>focus
groups</i>, a obtenção de consensos e o respetivo processo de negociação, em
particular este último, permitiram apreender outros dados e relações, focados
naquilo que um idoso deveria poder ter ou obter como mínimo em Portugal.</p>

    <p>Assim, todos os 13 <i>itens</i> foram
consensualmente considerados, pelos participantes, como devendo fazer parte do
“mínimo” que um idoso, com as caraterísticas definidas no “caso”, deveria poder
ter ou obter. Contudo, enquanto nalguns <i>itens</i> o consenso foi imediato,
não se registando qualquer desacordo inicial ou necessidade de clarificação, em
outros <i>itens</i>, o consenso foi construído no debate gerado entre os
participantes.</p>

    <p>Foi, assim, possível distinguir, quanto à
formação do consenso, dois grupos de <i>itens</i>: um primeiro grupo, com sete <i>itens</i>
que reuniram consenso imediato nos três <i>focus groups</i>;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> um segundo, com seis <i>itens</i>, em que, na fase inicial de
apresentação do <i>item</i>, houve pelo menos um participante num dos grupos
que manifestou discordância quanto à sua inclusão no mínimo ou que sentiu
necessidade de clarificação.</p>

    <p>No <a href="#q7">quadro 7</a>
apresentam-se os sete <i>itens</i> que obtiveram consenso imediato nos três
grupos.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q7">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n219/n219a05q7.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Neste grupo, assinala-se a identificação
imediata, em todos os <i>focus</i> <i>groups</i>, dos <i>itens</i>: “ter um
local para viver com espaço suficiente e privacidade para ler, escrever ou
ouvir música, etc.<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>; ter acesso a atividades de lazer e culturais; ter acesso a uma conta
à ordem”.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seguidamente apresentam-se os seis <i>itens</i>
em que o consenso não foi imediato (<a href="#q8">Quadro 8</a>).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q8">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n219/n219a05q8.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>A discussão em torno deste segundo grupo de <i>itens</i>
revelou as potencialidades do recurso aos <i>focus groups</i>.</p>

    <p>Neste grupo está incluído um <i>item</i> – “obter
alimentos de boa qualidade e diversificados”, em que a qualificação “boa”
explicou, em parte, o resultado obtido. De facto, em dois dos grupos, ocorreu
um debate demorado em torno do conceito de “boa qualidade” dos alimentos, o que
implicou que o consenso não fosse obtido logo à partida.</p>

    <p>O debate em torno deste <i>item</i> permitiu
apreender algumas interrogações relacionadas com a questão da possibilidade de
escolha. Se a necessidade de alimentação é irrefutável, poderá a sua satisfação
ser objeto de processos racionais de escolha em favor de alimentos de menor
qualidade (eventualmente mais baratos mas menos
saudáveis)?</p>

    <p>Também, noutros três
<i>itens</i> deste grupo – “reparar ou substituir os principais
eletrodomésticos, como o frigorífico ou a máquina de lavar roupa, pagar
tratamentos dentários e fazer férias com a família pelo menos uma vez por ano”<i>
–</i> verificou-se a necessidade de clarificação do <i>item</i>/questão (ver as
manifestações verbais ilustrativas no <a href="#q8">quadro 8</a>).<i> </i>No
<i>item</i> “fazer férias com a família pelo menos uma vez por ano”, por exemplo,
o consenso não foi imediato num dos <i>focus groups</i> devido à discordância
de um dos participantes, em que pesaram razões de ordem económica. Contudo, o
debate permitiu clarificar posições e distinguir entre aquilo que as pessoas
podem ou não fazer na atualidade por limitação de recursos e aquilo que
deveriam poder fazer ou obter como mínimo, independentemente dos recursos que
tenham.</p>

    <p>Por último, o <i>item</i> “ter acesso a meios de
comunicação, como um telefone ou internet” não registou consenso imediato em
dois dos <i>focus groups</i> devido à inclusão do exemplo da internet (ver
manifestações ilustrativas no <a href="#q8">quadro 8</a>). Já o telefone
reuniu consenso imediato.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>As
necessidades identificadas</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>No
<a href="#q9">quadro 9</a> apresentam-se as necessidades identificadas
no <i>corpus</i> de análise, utilizando como suporte a matriz de necessidades
RAP (Pereira <i>et al</i>., 2013). Importa conhecer não só as necessidades
consideradas como fundamentais para um idoso ter uma vida digna, como,
igualmente, as especificidades decorrentes do seu processo de satisfação,
concretamente, aprofundar o conhecimento dos aspetos relacionados com a
existência de “simultaneidades, complementaridades e trocas que caraterizam o
processo de satisfação das necessidades” (Max-Neef, Elizalde e Hopenhayn,1991, p. 17), bem como a conceção de capacidades
combinadas salientada por Nussbaum (1997, 2000, 2003).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q9">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n219/n219a05q9.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Importa salientar que a associação dos <i>itens</i>
em discussão às necessidades não foi explicitamente solicitada aos sujeitos que
integraram os <i>focus groups</i>. Resultou de um exercício analítico posterior
realizado com base naquilo que foi dito pelos participantes, sobretudo quando o
consenso não foi imediato. Nestas situações recorreu-se a perguntas de
verificação introduzidas pelo ­facilitador, com vista à compreensão das
racionalidades subjacentes.<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> A análise configurou, por isso, uma aproximação à associação dos <i>itens</i>
a necessidades humanas fundamentais onde houve lugar a uma postura analítica e
de reconstrução de sentido (Guerra, 2006, p. 31), com o propósito de
compreender a subjetividade associada ao discurso dos participantes.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Apresentam-se, de seguida, os racionais
subjacentes a este processo, em associação com as necessidades identificadas de
acordo com a matriz de necessidades RAP (Pereira <i>et</i><i>
al</i>., 2013):</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>SUBSISTÊNCIA</b></p>

    <p>Na classificação das
necessidades aqui apresentada evidencia-se um conjunto de 11 <i>itens</i>
associados à “capacidade de viver uma vida de duração normal e saudável e
satisfazer, no dia-a-dia, as condições necessárias para o
alcançar”, classificados, por isso, na necessidade de <i>subsistência</i>.</p>

    <p>Além dos <i>itens</i> relacionados com a
alimentação e as condições (básicas) da habitação, com manifesta associação à
subsistência, a saúde foi identificada como uma dimensão fundamental, em <i>itens</i>
onde, à partida, esta associação não se encontrava claramente evidenciada.</p>

    <p>Assim, por exemplo, o acesso a transportes
públicos foi perspetivado como um meio de aceder a cuidados de saúde e, também,
a bens alimentares, e a importância do telefone foi associada, entre outros, à
possibilidade de marcar consultas médicas de rotina. Nesse sentido, ambos os <i>itens</i>
contribuem para a manutenção da saúde. No mesmo sentido, uma máquina de lavar a
roupa foi considerada necessária, dado que a alternativa de lavar a roupa no
tanque prejudicava a saúde: “(…) no inverno a água está gelada e é muito
difícil lavar a roupa as mãos ficam enregeladas não é bom para a saúde e é
desconfortável (…)”<i> </i>[F7_VFX].<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a></p>

    <p>No <i>item</i> “fazer férias com a família pelo menos
uma vez por ano”, parte dos argumentos apresentados associou-se, também, a
questões de saúde: “(…) Porque as pessoas têm que ter alguma coisa diferente
não é? E que lhes faça bem ao corpo não é? (…)” [M12_BEJ]; “(…) Eu opinava mais
e achava mais razoável fazer férias no campo e porquê?
Porque o campo tem ar puro… por vezes a água alimentos puros e a gente na
cidade vive debaixo de uma poluição que nem a gente calcula o que é que entra
nos nossos pulmões (…)” [M8_BEJ].</p>

    <p>E, finalmente, no <i>item</i> “ter acesso a
atividades de lazer e culturais” foi possível associar o desporto à capacidade
de ter uma vida saudável: [respondendo à pergunta se poderia chamar-se desporto
à caminhada] “(…) pode chamar manutenção (…) eu sou daqueles que digo… que sem
desporto as coisas emperram… a pouca vida das pessoas se altera (…)” [M2_VNG].<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a></p>

    <p>Por outro lado, entre os aspetos incontornáveis
quando se fala de “ser capaz de viver uma vida saudável” encontraram-se os
cuidados de saúde e o acesso às infraestruturas que lhes estão associados. Se
cuidados de saúde adequados são indispensáveis a uma
boa saúde física, o acesso a serviços especializados é condição para a sua
obtenção. Neste contexto, classificaram-se os <i>itens</i> “comprar
medicamentos ou consultar um médico quando está doente ou se sente mal e pagar
tratamentos dentários”, salientando-se neste último caso: “(…) Porque por exemplo muitas das infeções dos rins da garganta e etc.
etc. são provocadas (…) por deficiências dentárias (…)” [M2_VNG].</p>

    <p>Contudo, a questão da necessidade de poder pagar
tratamentos dentários não se esgotou na necessidade de subsistência. A análise
dos <i>focus groups</i> permitiu estabelecer uma relação com a necessidade de segurança,
em concreto, a segurança económica.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>SEGURANÇA</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso dos idosos, a
necessidade de <i>subsistência</i> surgiu interligada com a necessidade de <i>segurança</i>,
definida como a capacidade de “estar e de sentir-se seguro contra riscos
sociais e naturais e a violência”.<i> </i>A evidenciar esta relação<i> </i>emergiu
a preocupação pela falta de acesso gratuito a determinados tratamentos
dentários o que demonstrou a importância de ter recursos suficientes para
obtê-los (segurança económica): [referindo-se a tratamentos dentários] “(…) em
Portugal não existe acesso gratuito a estes tratamentos (…)” [M6_VFX].</p>

    <p>As razões apresentadas no <i>item</i> “ter acesso
a uma conta à ordem” ­conduziram, também, à sua associação com a necessidade de
segurança, quer económica – “(…) tem que ter… uma conta à ordem para fazer face a qualquer eventualidade que surja (…)” [M10_BEJ]<i> – </i>quer
física – “(…) as pessoas que vão aos correios receber, são muito assaltadas
aqui nos correios em Gaia porque não têm conta à ordem (…)” [F3_VNG].</p>

    <p>Já o telefone associou-se à segurança por ter
sido referido como essencial para aceder a cuidados ou auxílio em situações de
urgência: “(…) o telefone … a gente se tiver uma
aflição se tiver um problema de saúde… e até é um meio de comunicar da nossa
porta p’ra fora com um telefone não é? (…)” [F12_BEJ].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>IDENTIDADE</b></p>

    <p>Três <i>itens</i> foram
associados à necessidade de identidade dado que a argumentação produzida nos
grupos revelou a sua importância para a capacidade dos indivíduos “formarem uma
imagem positiva de si, sentirem-se respeitados, reconhecidos e valorizados
pelos outros e não serem nem sentirem-se excluídos”.</p>

    <p>Assim, no <i>item</i> “pagar
tratamentos dentários” foi possível detetar constrangimento nas palavras de um
participante, motivado pela impossibilidade de aceder a tratamentos dentários:
“ (…) Tem uma dor de dentes tremenda… tem que
arranjar maneira de arrancar aquele dente não é? (…) Mas a partir daí andam
desdentados (…) não têm dinheiro para pôr aquele dente (…)” [M12_BEJ].</p>

    <p>Igualmente, a capacidade de se “sentirem
respeitados e não se sentirem excluídos” passa, também, por ter “um local para
viver que esteja em boas condições e em bom estado de conservação”<i> – </i>“(…)
Para sentir que está a viver… porque se está num sítio degradado (…) nem
vontade tem de viver (…)” [M4_VNG] – e por fazer férias com a família pelo
menos uma vez por ano – [respondendo à pergunta sobre a importância de fazer
férias] “(…) Ai então não é? uma vez por ano ter direito como qualquer outra
pessoa tem… nós somos da mesma da mesma têmpera… somos de carne e osso não é?(…)” [F4_VNG].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>AFEIÇÃO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para ser capaz de
“estabelecer, desenvolver e manter relações significativas de proximidade e
intimidade” e poder, assim, satisfazer a necessidade de <i>afeição</i>,
contribuem dimensões como as redes sociais primárias (família e amigos) ou as
relações afetivas.</p>

    <p>Estas dimensões encontraram-se no <i>item</i>
“ter acesso a meios de comunicação, como um telefone ou internet”, em que o
telefone foi associado, pelos participantes, a um meio de evitar a solidão e o
isolamento: “(…) O telefone é uma companhia e permite o contacto com a família
e amigos (…)” [F6_VFX].<i> </i>E, igualmente, no <i>item </i>“ter acesso a
atividades de lazer e culturais” em que a prática de uma atividade de lazer foi
associado ao desenvolvimento e manutenção dos laços de
amizade<i>:</i> “(…) Olhe, não sei, vai ao clubezinho aí jogar uma cartadazita
está ali com os amigos e tal (…)” [M12_BEJ].</p>

    <p>Ainda, no debate produzido sobre o <i>item</i>
“ter um local para viver com espaço suficiente e privacidade para ler, escrever
ou ouvir música, etc.” encontraram-se aspetos relacionados com a valorização do
lar, como espaço de privacidade e preservação de afetos: “(…) Acho que uma das
coisas até para salvaguardar casamentos cada um deve ter um espaço próprio
porque todos nós precisamos de solidão (…) desde que cada um respeite o seu
silêncio (…)” [M2_VNG].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>LAZER</b></p>

    <p>A importância concedida
pelos idosos à necessidade de lazer, definida como a capacidade de
“experimentar vivências agradáveis de repouso e distração da sua própria
escolha” foi evidenciada pelo detalhe de algumas atividades enunciadas na
discussão sobre a necessidade de “ter acesso a atividades de lazer e culturais”<i>:</i>
“(…) jogar às cartas, fazer tricot, croché, dança, em associações, centros de
dia, centros de convívio, mas também cinema e outras (…).” [M7_VFX]; “(…) devia
ter acesso a exposições… enfim tudo o que é cultural (…)” [M10_BEJ].</p>

    <p>Foi, igualmente, salientada a importância do
repouso:<i> </i>“(…) e… descansar (…) muitas vezes o estar sem fazer nada é
lazer também (…)” [M10_BEJ].</p>

    <p>O <i>item</i> “ter um local para viver com espaço
suficiente e privacidade para ler, escrever ou ouvir música” foi associado à
necessidade de lazer, em que o espaço tem um papel importante para a fruição de
momentos agradáveis de lazer, conforme é evidenciado no excerto seguinte: “(…)
Eu a coisa que mais gosto de fazer é, quando venho à cidade ou venho à
ginástica, chego a casa cansada, ponho ali os sacos,
sento-me no sofá, tenho ali livros, ponho-me a ler, é a coisa que mais adoro
fazer (…).” [F11_BEJ].</p>

    <p>Por último o <i>item</i> “fazer férias com a
família pelo menos uma vez por ano”,<i> </i>foi associado, também, à
necessidade de lazer, patenteada na dimensão de distração ligada às férias:
“(…) Porque… eu entendo que… as pessoas de facto
deviam de ter direito depois de um dia…de um ano de trabalho (…) ter uma… um
período de férias em que se pudesse sair do seu ambiente natural (…) bastava
uma semana duas semanas (…)” [M4_VNG].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>COMPREENSÃO</b></p>

    <p>À necessidade de
compreensão definida como a capacidade “de usar os sentidos,
imaginar, pensar e raciocinar sobre as pessoas e o mundo em geral de forma
informada e cultivada pela educação foi associado o <i>item</i> “ter acesso a
meios de comunicação, como um telefone ou internet”: “(…) A internet ­permite o
acesso à informação (…)” [V_VFX].</p>

    <p>Igualmente, o <i>item “</i>ter acesso a
atividades de lazer e culturais”<i> </i>foi associado à necessidade de
compreensão<i>: </i>“(…) Mas o desporto pois vai fazer
refletir… a vida da pessoa… porque uma pessoa que faz desporto normalmente tem
uma (…) atitude cívica não é? (…)” [M2_VNG].<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>LIBERDADE</b></p>

    <p>A necessidade de
liberdade traduz-se na capacidade<i> </i>“de fazer escolhas livres sobre as
coisas práticas da vida e as formas de realização pessoal presente e futura,
num contexto de igualdade de oportunidades”.</p>

    <p>Da análise dos <i>focus
groups</i> foi possível concluir que esta necessidade se encontra latente em
todos os argumentos anteriormente apresentados, uma vez que ter capacidade de
efetuar escolhas livres é condição necessária para satisfazer, adequadamente,
as necessidades essenciais para uma vida digna.</p>

    <p>Assim, por exemplo, na argumentação sobre a
necessidade de ter acesso a atividades de lazer e atividades culturais
encontrou-se expressa a liberdade de poder escolher a atividade que melhor se
pensa poder contribuir para satisfação desta necessidade concreta: [respondendo
à pergunta sobre que tipo de atividades o João deveria poder ter] “(…) Olhe não
sei (…) bebe um copito aquela coisa dos reformados não é? e depois a seguir tem
ali ao pé tem ali a biblioteca vai ali ler um livrito também (…) Revistas… tudo (…) ler livros (…) um filmezinho… tem
televisão (…)” [M12_BEJ].</p>

    <p>Do mesmo modo, a questão da igualdade de
oportunidades, no contexto de garantia de direitos, emergiu na discussão de
vários <i>itens</i>, registando-se referências ao direito à saúde, ao direito à
habitação, ao direito às férias e ao direito ao transporte. Este último
refletindo a preocupação em não ter de ficar confinado à sua habitação e não
ter mobilidade: “ (…) o importante é a acessibilidade,
os transportes. Ter direito aos transportes (…)” [V_VFX].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>DISCUSSÃO DE
RESULTADOS</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Os
resultados dos três inquéritos Eurobarómetro indicam que, em termos de
necessidades socialmente reconhecidas, o maior consenso se encontra centrado na necessidade de subsistência, evidenciado pela
priorização dos <i>itens</i> associados às condições (básicas) da habitação, à
alimentação e ao acesso a bens e serviços (básicos) de saúde, quer nos idosos,
quer na restante população.</p>

    <p>As diferenças entre idosos e
restante população que, com a exceção do caso do telefone, resultam de
uma avaliação de menor grau de necessidade do <i>item</i> por parte dos idosos,
podem ser explicadas por aquilo que Almeida (1993) identifica como a reação à
“mera situação de vulnerabilidade que tende a reagir sobre representações e
comportamentos” e que têm, “por vezes, efeitos de conformismo e conformação”
(Almeida, 1993, p. 833).</p>

    <p>Embora a investigação de Almeida (1993) tenha algum
tempo, mantém-se a sua atualidade, uma vez que, desde então, outros estudos
(Mozzicafredo, 1992, 2002; Mauritti, 2004; Bruto da Costa <i>et</i><i>
al</i>., 2008; Pereirinha, 2008; Rodrigues, 2008; Pereira, 2010b; Guerra <i>et
al</i>., 2010; Cardoso <i>et</i> <i>al</i>., 2012) têm continuado a evidenciar
que os idosos, em particular os pensionistas, são uma das categorias em
situação de maior vulnerabilidade social.</p>

    <p>Esta condição de vulnerabilidade radica,
igualmente, em dimensões ontológicas não totalmente apreensíveis nos inquéritos
por questionário mas, igualmente, importantes quando
falamos do conhecimento de necessidades humanas.<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> Ultrapassando este obstáculo, os resultados obtidos nos <i>focus
groups</i> permitem aprofundar o conhecimento obtido através dos três
inquéritos Eurobarómetro.</p>

    <p>Assim, nos consensos alcançados por negociação
identificamos outras necessidades socialmente reconhecidas como essenciais para
uma vida com dignidade para o caso de um idoso, tais como as necessidades de
segurança, identidade, afeição, lazer, compreensão e liberdade.</p>

    <p>É possível, ainda,
apreender as relações e prioridades que se estabelecem no processo de
satisfação das necessidades. Ouvir a voz dos idosos, dando-lhes a oportunidade
de realizarem uma <i>avaliação arrazoada</i> e explicarem as suas decisões<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> permite conhecer “o que é percecionado e como é percecionado pelas
pessoas” (Walker, 1987, p. 217). Esta opção metodológica revela-se vantajosa,
sobretudo, para a compreensão das relações que se estabelecem entre os <i>itens</i>
que contribuem para a satisfação simultânea de mais de uma necessidade e do
modo como as necessidades se interrelacionam e interagem entre si, numa relação
dialética que se cumpre na combinação das diferentes formas de satisfação.</p>

    <p>Pela apreensão desta multiplicidade de relações é possível identificar
as especificidades das necessidades dos idosos. Refira-se, por exemplo, a
importância do acesso aos cuidados de saúde. Tal é evidenciado não só nos
resultados dos Eurobarómetros para um indivíduo em abstrato, como igualmente
evidenciado pelos resultados dos <i>focus groups,</i> em que o discurso dos
idosos nos remete para a questão das fragilidades e especificidades próprias do
­processo de envelhecimento. O discurso destes idosos revela, ainda, que o
acesso a estes cuidados enfrenta obstáculos relacionados com a carência de
recursos económicos.</p>

    <p>Todavia, esta não é uma questão nova, o problema
do acesso a cuidados de saúde tem sido amplamente referenciado em estudos sobre
a pobreza publicados em Portugal. Numa investigação de 1989, a falta de saúde
foi identificada como um fator de empobrecimento (Silva <i>et</i><i>
al</i>., 1989). Num outro estudo de 1992, refere-se que as necessidades dos
“idosos pensionistas”<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> no campo da assistência médica e medicamentosa são fatores que
“contribuem para a fragilização das condições de vida” (Almeida <i>et al</i>.,
1992, p.79) destas pessoas. Estas conclusões foram, posteriormente,
aprofundadas por Capucha (2005), o qual salienta que “uma distribuição dos
rendimentos desvantajosa para os pensionistas é a principal fonte de
vulnerabilidade dos idosos, impedindo-lhes o acesso aos cuidados (…) de que
carecem” (Capucha, 2005, p. 189).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Igualmente, num estudo longitudinal, publicado em
2008, verifica-se a persistência das dificuldades no que respeita à satisfação
das necessidades relacionadas com a esfera da saúde, nomeadamente:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>(…) um em cada seis indivíduos pobres não
conseguiu realizar exames/tratamentos médicos, pelo menos numa ocasião (…)
sendo de notar que os valores mais elevados referem-se à especialidade
dentária, cujo acesso é, normalmente, difícil através do Serviço Nacional de
Saúde, implicando as alternativas (clínicas privadas), com elevados custos,
dificilmente suportadas para pessoas de baixos recursos económicos [Bruto da
Costa <i>et</i><i> al</i>., 2008, p. 146].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Igualmente são os <i>itens</i> que não são
particularmente valorizados para um indivíduo em abstrato nos inquéritos
Eurobarómetro e, são-no para um idoso no contexto dos <i>focus groups</i>, que
nos demonstram as especificidades das suas necessidades.</p>

    <p>Efetivamente, o problema do isolamento e da
solidão, fatores que contribuem para a vulnerabilidade desta categoria social,
manifesta-se na importância conferida quer ao telefone para comunicar com os
familiares e os amigos, quer ao acesso às atividades
de lazer e culturais, associadas a momentos de convívio. Estes aspetos são
importantes na medida em que “a ausência ou distância física dos filhos e
netos, agravam o sentimento de isolamento por parte do idoso” (Guerra <i>et</i><i> al</i>., 2010, p. 443).</p>

    <p>Salienta-se, aliás, que o acesso a atividades de
lazer e culturais é associado, no contexto dos <i>focus groups,</i> à
satisfação de cinco necessidades diferentes: subsistência, afeição, lazer,
compreensão e liberdade.</p>

    <p>Também a preocupação com a mobilidade,
evidenciada nos <i>focus groups</i>, vai ao encontro do que é constatado no
estudo de Guerra <i>et</i><i> al</i>.<i> </i>(2010), o
qual nota as dificuldades sentidas pelos idosos, em particular em meio rural,
onde se verifica “a inexistência, debilidade ou desadequação das redes de
transportes públicos impedem a mobilidade dos idosos isolados” (Guerra <i>et al</i>.,
2010, p. 437).</p>

    <p>Por fim, os debates produzidos nos <i>focus
groups</i> permitem confirmar os pressupostos do quadro teórico adotado, já que
através da interpretação das relações reveladas no discurso dos participantes é
possível aferir que as necessidades fundamentais, enquanto objetivos universais, são as mesmas para todos os indivíduos, sendo o contexto
individual e social e a escolha a desempenhar um papel fulcral na sua
satisfação, em linha com os pressupostos da abordagem de Sen (1999, 2005).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta conclusão é possível devido à opção de
complementar um método quantitativo com um método qualitativo, obtendo-se o
conhecimento de um conjunto alargado de fatores – a diversidade de bens à
disposição dos indivíduos num dado momento e lugar, os gostos pessoais, as
dinâmicas sociais e práticas culturais da comunidade onde interagem, os
recursos económicos e as estratégias de otimização dos mesmos, contextualizando
um processo em que os atores sociais racionalmente e livremente orientam as
suas escolhas visando a satisfação das suas
necessidades.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS FINAIS</b></p>

    <p>&nbsp;</b></p>

    <p>Este
estudo representa um contributo para o conhecimento daquilo que é necessário
para que um idoso, no presente, possa viver com dignidade em ­Portugal.
Complementa um método quantitativo, que nos confere uma imagem em torno daquilo
que é considerado absolutamente necessário para uma pessoa ou família em
abstrato ter uma vida decente ou aceitável, com um método qualitativo, que
permite o aprofundamento da análise, baseado na experiência dos próprios idosos
e centrado no caso de uma pessoa com características semelhantes às dos idosos
participantes nos <i>focus groups</i>.</p>

    <p>Com efeito, os dados dos Eurobarómetros
transmitem uma imagem mais restrita daquilo que é considerado necessário para
viver com dignidade, já que o consenso se reúne em torno de um número reduzido
de <i>itens</i> e, nos questionários, as perguntas são apresentadas de forma
isolada entre si e tendo como referência um indivíduo em abstrato.</p>

    <p>O recurso aos <i>focus groups</i>, propiciadores
de um contexto adequado para uma <i>avaliação</i> arrazoada, deu lugar à
identificação, por parte dos idosos, de um conjunto mais abrangente de bens e
serviços, permitindo compreender melhor as necessidades essenciais que lhes
estão implícitas e como estas se interrelacionam, quando falamos de formas de
satisfação.</p>

    <p>Importa notar que a identificação de algumas
destas necessidades foi efetuada a partir de um discurso remetendo para
situações de privação onde é patente a influência condicionante desempenhada
pelos recursos económicos. Este discurso reflete, em parte, o contexto de crise
económica e financeira vivida em 2012 e as medidas implementadas
nessa altura, que tiveram impactos negativos sobre a população idosa em
Portugal. Este contexto e estas medidas explicam, aliás, o aumento da privação
material neste grupo nos últimos anos.<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a></p>

    <p>Refiram-se, de forma ilustrativa, três medidas<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> de 2012, com impacto negativo sobre a capacidade de satisfação de
necessidades dos idosos em Portugal. Uma está relacionada com a nova lei do
arrendamento urbano, a qual já terá originado um aumento de rendas para parte
da população idosa, refletido num aumento dos encargos com custos de habitação
neste grupo.<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a> Outra medida, que podemos destacar, é o aumento das taxas moderadoras
no acesso aos serviços de saúde. De facto, de acordo com um estudo realizado
com indivíduos com idade superior a 65 anos, apresentado no Relatório de
Primavera 2013 do OPSS, os serviços públicos e de primeira necessidade afetados
pelo aumento de taxas moderadoras foram identificados por parte dos inquiridos
como recursos de saúde que tinham deixado de usar em 2012 “por não poderem
comportar os custos” (OPSS, 2013, p. 73-74). Finalmente, refira-se também a
alteração, em 2012, do desconto dos títulos de transporte para reformados,
sénior e pensionista, praticado nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e
por operadores internos, uniformizado para 25% (Despacho normativo n.º 1/2012
de 27 de janeiro).<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a></p>

    <p>Estas considerações confirmam a importância
determinante das condições externas na capacidade de os indivíduos viverem
dignamente. Mas, a par das questões de ordem material, as dimensões de ordem
imaterial não têm sido também suficientemente abordadas a partir do ponto de
vista dos idosos, e da satisfação das suas necessidades, daí a importância
futura do aprofundamento do seu estudo<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>, com vista à adequação das políticas dirigidas a este grupo social.</p>



    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <!-- ref --><p>ALMEIDA,
J., <i>et al</i>. (1992), <i>Exclusão Social Factores e Tipos de Pobreza em Portugal</i>, Oeiras, Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079379&pid=S0003-2573201600020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>ALMEIDA,
J. (1993), “Integração social e exclusão social: algumas questões”. <i>Análise
Social</i>, 123-124, XXVIII (4.º-5.º), pp. 829-834.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079381&pid=S0003-2573201600020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BRUTO
DA COSTA, A., <i>et</i><i> al</i>. (2008), <i>Um Olhar
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Lisboa, Gradiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079383&pid=S0003-2573201600020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CAPUCHA,
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    <!-- ref --><p>CARDOSO,
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    <!-- ref --><p>DECLARAÇÃO
UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Disponível em:
<a
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[consultado em 29-12-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079397&pid=S0003-2573201600020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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24-11-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079399&pid=S0003-2573201600020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PAPALIA, D., CAMP, C., FELDMAN, R. (1996), <i>Adult
Development and Aging</i>, Nova Iorque, The McGraw-Hill Companies.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079426&pid=S0003-2573201600020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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    <!-- ref --><p>PEREIRA,
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    <!-- ref --><p>PEREIRA,
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“Desenvolvimento de índices de caracterização do território para o estudo da
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    <!-- ref --><p>PEREIRA, E., <i>et al</i>.
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<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PEREIRINHA,
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    <!-- ref --><p>PRINCÍPIOS
DAS NAÇÕES UNIDAS PARA AS PESSOAS IDOSAS. Disponível em
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14-12-2013].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079438&pid=S0003-2573201600020000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>RODRIGUES,
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Rendimento, Desigualdade e Pobreza: Portugal nos Anos 90</i>, Lisboa, Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079440&pid=S0003-2573201600020000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>RODRIGUES,
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Manuel dos Santos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079442&pid=S0003-2573201600020000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SEN, A.
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    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SEN, A. (2005), “Human rights and
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    <!-- ref --><p>SILVA,
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    <!-- ref --><p>SILVA,
M., BRUTO DA COSTA, A. (coord.) (1989), <i>Pobreza Urbana em Portugal</i>,
Lisboa, Cáritas Portuguesa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079450&pid=S0003-2573201600020000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>VALENTE
ROSA, M.J., VIEIRA, C. (2003), <i>A População
Portuguesa no Século XX</i>, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da
Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079452&pid=S0003-2573201600020000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>WALKER, R. (1987), “Consensual approaches to the
definition of poverty: towards an alternative methodology”. <i>Journal</i><i> of Social Policy</i>,
16 (2), pp. 213-226.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079454&pid=S0003-2573201600020000500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>WALKER, A. (2005), “A European perspective on quality
of life in old age”. <i>European</i><i> Journal of
Ageing</i>,
2, pp. 2-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=079456&pid=S0003-2573201600020000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Recebido a 17-02-2014. Aceite para publicação a
12-04-2016.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS</b></p>

    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>De acordo com a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, art.º 1.º e art.º 25.º e o recomendado pelos
Princípios das Nações Unidas para as pessoas mais velhas, na Resolução 46/91 de
16 de dezembro. No presente estudo, os termos “pessoas idosas” e “pessoas mais
velhas” são usados como equivalentes.</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>Projeto
PTDC/CS-SOC/123093/2010 (“Pobreza Absoluta em Portugal”), financiado pela
FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia (para mais informação consultar
site do projeto <a
href="http://www.rendimentoadequado.org.pt/" target="_blank">http://www.rendimentoadequado.org.pt/</a>).</p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>A partir dos anos 90 do
século xx, surgiram diversos estudos, abordando temas como “o trabalho e
organizações, política e estado, família e género, pobreza e exclusão social,
comunicação e media, valores sociais e estilos de
vida, nos quais, transversalmente, o fenómeno do envelhecimento foi sendo
abordado” (Gomes, 2014, p. 7). Entre outros, citam-se Almeida <i>et</i><i> al</i>. (1992), Mauritti (2004), Bruto da Costa
<i>et al</i>. (2008) e Rodrigues, Figueiras e Junqueira (2012).</p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>O envelhecimento biológico
traduz-se numa idade biológica, definida como a evolução da condição física de
uma pessoa tomada com base no seu potencial de esperança de vida; o
envelhecimento psicológico traduz-se numa idade psicológica e tem a ver com a
melhor ou pior capacidade para enfrentar um acontecimento inesperado ou
dramático; o envelhecimento social traduz-se numa idade social definida como o
modo como um dado comportamento está ou não de acordo com os papéis sociais
esperados para uma determinada idade cronológica (Papalia, Camp e Feldman,
1996, p. 12).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>Utilizado no estudo <i>Poor
Britain</i>, realizado em 1985, por Mack e Lansley.</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>“Estes fins foram
designados de formas diferentes por diferentes autores: necessidades (Max-Neef,
Elizalde e Hopenhayn, 1991), objetivos universais e necessidades básicas (Doyal
e Gough, 1991), capacidades básicas e funcionamentos fundamentais (Sen, 1999) e
capacidades centrais (Nussbaum, 2000)” (Pereira <i>et</i><i>
al</i>., 2013, p. 3).</p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup>Tradução própria. No
original <i>entitlements</i>.</p>

    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>Tradução própria. No
original <i>capabilities</i>.</p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup>Tradução própria.</p>

    <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup>“O que se altera através do
tempo e das culturas é o modo ou os meios através dos quais são satisfeitas”
(Max-Neef, Elizalde e Hopenhayn, 1991, p. 18).</p>

    <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup>A este propósito Walker
considerou que “ (…) as pessoas necessitam de tempo
para encontrar as suas próprias palavras, refletirem sobre a sua própria
experiência e lidar com a complexidade do tema a debate (…) devem ter a
oportunidade de escutar os pontos de vista de outras pessoas e discutir com
elas” (Walker, 1987, p. 221).</p>

    <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup>Para a realização destes
testes as opções “Desejável mas não necessário” e
“Nada necessário” foram agrupadas numa única categoria “Outros”.</p>

    <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup>Estes municípios foram
selecionados porque representam áreas não atípicas, no sentido de que não têm caraterísticas
fortemente atípicas em termos de ruralidade, acessibilidade e contexto
económico (Pereira, Pereirinha e Passos, 2009), e asseguram a representação da
diversidade geográfica e cultural de Portugal continental, nomeadamente a sua
segmentação norte/sul e litoral/interior (Pereira <i>et</i><i>
al</i>., 2013).</p>

    <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup>O recrutamento de
participantes para a realização destes <i>focus groups</i> foi realizado
através de três modalidades diferentes – <i>on-line</i>, <i>drop-off</i> e face a face – com o objetivo de garantir uma
dimensão adequada de potenciais participantes em cada um dos concelhos e a
diversidade necessária de características demográficas e socioeconómicas em
cada grupo (Pereira <i>et al</i>., 2013). Dos potenciais participantes idosos
recrutados – 39 em Vila Nova de Gaia, 41 em Vila Franca de Xira e 41 em Beja –
foram selecionados 12 indivíduos em cada concelho, procurando-se garantir a
heterogeneidade demográfica e socioeconómica desejada em cada grupo (Pereira <i>et</i><i> al</i>., 2013).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup>Nos três <i>focus groups</i>,
aquando da escolha do nome da pessoa com 65 ou mais anos sobre a qual se iria falar, os grupos indicaram, à partida, nomes
masculinos. Uma vez que nesta fase, no que à vinheta dizia respeito, a opção
metodológica de análise não contemplava uma perspetiva de género, a questão da
escolha de nomes masculinos não foi abordada.</p>

    <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup>Seguidamente eram realizadas
“perguntas de verificação que permitiam elucidar conceitos que sendo usados na
linguagem corrente (senso-comum) podiam ser usados com significado distinto,
por exemplo, ‘poder ter/dever ter; necessidades/desejos’. Permitiam também
compreender as racionalidades subjacentes ao que é mencionado, por exemplo, ‘é
necessário/importante para quê e porquê? O que
aconteceria se a pessoa não tivesse?, É aceitável não conseguir obter?’ (…)
contribuíam para verificar o consenso, por exemplo ‘Alguém discorda? Está
alguma coisa a mais? Falta alguma coisa?” (Pereira <i>et al</i>., 2013, p. 10).</p>

    <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup>Aliás, alguns destes <i>itens</i>
– “comprar medicamentos ou consultar um médico quando está doente ou se sente
mal, usar os transportes públicos locais quando necessário e ter
acesso a atividades de lazer e culturais” – já tinham sido espontaneamente
referidos e consensualmente incluídos por todos os grupos naquilo que uma
pessoa deveria poder ter ou obter como mínimo, aquando do debate realizado na
parte anterior acerca do mínimo adequado na sociedade portuguesa.</p>

    <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup>
pessoa pudesse aceder aos seus momentos de privacidade, e não na sua
utilização. </p>

    <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup>Note-se que nalguns casos o <i>item</i> já tinha sido espontaneamente
referido como fazendo parte do mínimo na 2.ª parte dos <i>focus groups</i>,
relacionada com debate sobre o mínimo, nestes casos optámos por recorrer também
à argumentação produzida nessa parte para efetuar a associação.</p>

    <p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup>F refere-se a um indivíduo
do género feminino, por sua vez, M a um indivíduo do género masculino. O
cardinal refere-se à ordenação atribuída a todos os participantes nos <i>focus</i>
<i>groups</i>. Segue-se a identificação do concelho de cada um dos
entrevistados (Vila Nova de Gaia, Vila Franca de Xira, Beja).</p>

    <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup>Neste exemplo optou-se por
recorrer à argumentação produzida na 2.ª parte dos <i>focus groups</i>.</p>

    <p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup>Argumentação produzida na
2.ª parte dos <i>focus groups</i>.</p>

    <p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup>De acordo com Max-Neef,
Elizalde e Hopenhayn (1991).</p>

    <p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup>Note-se que quer a amostra
dos Eurobarómetros quer a amostra dos <i>focus groups</i> têm uma composição
heterogénea (Quadros <a href="#q2">2</a> e <a href="#q3">3</a>), sendo que no caso dos <i>focus
groups</i> esta heterogeneidade foi, intencionalmente, garantida em cada grupo
realizado.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup>Uma das categorias sociais
identificadas no estudo de Almeida <i>et</i><i> al</i>.
(1992).</p>

    <p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup>A taxa de privação material
para os indivíduos com 65 e mais anos, em Portugal, registou uma diminuição
relevante de 2004 a 2011, de 31,1% para 21,3%, mas aumentou em 2012, para 21,7%
e de uma forma mais significativa, em 2013, para 23,1% (Eurostat, 2014).</p>

    <p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup>Não aprofundadas neste
artigo.</p>

    <p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup>Apesar de a nova lei do
arrendamento urbano só ter entrado em vigor em novembro em 2012, um mês após a
realização do último grupo, a mediana da distribuição dos encargos com custos
de habitação para os indivíduos com 65 e mais anos vinha registando em Portugal
um acréscimo contínuo desde 2008, tendo aumentado de 8,9% para 10,5 em 2012, e
depois novamente para 10,7% em 2013 (Eurostat, 2014).</p>

    <p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup>Note-se que, por outro lado,
foi criado um segundo escalão de 50 % de bonificação no “Passe Social+”.
Contudo, para este, são apenas elegíveis os passageiros beneficiários do
Complemento Solidário para Idosos ou do Rendimento Social de Inserção (portaria
n.º 36/2012 de 8 de fevereiro).</p>

    <p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup>Os resultados patentes neste
estudo fazem parte de uma investigação mais abrangente. Espera-se que as
conclusões, a serem oportunamente divulgadas, venham a suscitar um debate
informado pela abordagem consensual no que respeita à pobreza e à privação
material forçada, em Portugal.</p>



     ]]></body><back>
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