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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gramáticas da ação na economia solidária e a justificação das práticas de consumo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The grammars of action in solidary economy and justification of practices of consumption]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper focuses on the phenomenon of critical consumption in an alternative market. On the assumption that besides a rationality characterized by the utilitarian calculation, the economic relations also contains a morality. We analyze from a qualitative approach the critical consumption practices in a Solidary Economy Fair in Santa Maria, RS, Brazil. Thus, from the empirical research in this alternative market we configured the axiological rationality underlying the consumer in the form of a social grammar to describe the relationship between consumption andethicity, and that can be identified through the grammars of care, authenticity and solidarity.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[consumo crítico]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>

    <p><b>Gramáticas
da ação na economia solidária e a justificação das práticas de consumo</b></p>

    <p><b>The grammars of action in solidary
economy and justification of practices of consumption</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Felipe da Luz Colomé e Ricardo Mayer</b></p>

    <p>*Universidade Federal do Rio Grande so Sul, IFCH, Campus do Vale, Prédio 43311, Sala 103, 
Av. Bento Gonçalves, 9500, Bairro Agronomia - CEP 91509-900 Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: <a href="mailto:flcolome@hotmail.com">flcolome@hotmail.com</a></p>
    <p>**Universidade Federal de Santa Maria, CCSH, Campus, Prédio 74A, 
sala 2230 - CEP 97195-900, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: <a href="mailto:r.mayer@laposte.net">r.mayer@laposte.net</a></p>.

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RESUMO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>Este artigo aborda o fenómeno do consumo crítico num mercado
alternativo. Partindo do pressuposto de que para além de uma racionalidade
caracterizada pelo cálculo utilitário, as relações económicas também encerram
uma moralidade, analisamos com base numa abordagem qualitativa as práticas de
consumo crítico numa Feira de Economia Solidária em Santa Maria, RS, Brasil.
Assim, a partir da pesquisa empírica, configuramos a racionalidade axiológica
subjacente ao consumo na forma de uma gramática social para descrever as
relações entre consumo e eticidade, e que podem ser identificadas através das
gramáticas do cuidado, da autenticidade e da solidariedade.</p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: consumo crítico; gramática da
ação; cuidado; autenticidade; solidariedade.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>This paper focuses on the
phenomenon of critical consumption in an alternative market. On the assumption
that besides a rationality characterized by the utilitarian calculation, the
economic relations also contains a morality. We analyze from a qualitative
approach the critical consumption practices in a Solidary Economy Fair in Santa
Maria, RS, Brazil. Thus, from the empirical research
in this alternative market we configured the axiological rationality underlying
the consumer in the form of a social grammar to describe the relationship
between consumption andethicity, and that can be
identified through the grammars of care, authenticity and solidarity.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
critical consumption; grammar of action; care; authenticity; solidarity.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>O consumo crítico tem
sido descrito como um fenómeno histórico controverso e multifacetado<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, 
que tem engajado pessoas através de práticas variadas de consumo.
Como destacado por autores como Micheletti (2003), Hilton (2003) e Sassatelli
(2007), tais práticas traduzem formas de engajamento e contestação política que
se utilizam de bens de consumo para a expressão de
posicionamentos e/ou afirmação identitária, como é o caso do recurso ao boicote<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> 
a bens de consumo, especialmente no contexto europeu e norte-americano
dos séculos XVIII e XIX. Com efeito, as práticas de consumo têm constituído uma
espécie de denominador comum da insatisfação e do descontentamento, um meio
recorrente pelo qual se expressa o protesto político, como também um móbil<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> 
para a constituição de associações e organizações políticas perfiladas
sob a bandeira do consumo crítico. Nesse sentido, as suas origens relacionam-se
com diversos contextos, nos quais os bens de consumo foram utilizados de alguma
forma para interferir e alterar relações de poder julgadas injustas e demasiado
assimétricas nas transações económicas. O protesto dos colonos norte-americanos
contra as importações dos produtos britânicos, dos quais o mais célebre foi a campanha
 contra o chá inglês, mais conhecido como ­<i>Boston
Tea Party</i> em 1773, constitui uma das primeiras formas de mobilização em
torno do consumo. A rejeição dos produtos ingleses exerceu um importante papel
na construção da nação estadunidense, ensejando a edificação de uma identidade
comum face ao ocupante inglês. Pode-se afirmar que, nesse momento, as práticas
de consumo adquiriram uma nova dimensão simbólica em termos da elaboração e
conformação de novas solidariedades e como síntese de aspirações coletivas que
então se esboçavam.<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>Estratégias semelhantes foram empregadas no âmbito da luta
abolicionista pelos movimentos anti-escravagistas, que ao rejeitar os produtos
fabricados pelo trabalho escravo politizavam as práticas de consumo desde a
década de 1820.<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> Desta forma, 
disseminaram-se diversos movimentos de protesto plasmados
pelo consumo<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>: na Inglaterra, o movimento sindical fazia campanha em torno da
consigna do consumo ético.<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> Ainda nos Estados Unidos, no mesmo século, diversas iniciativas
recorriam aos bens de consumo como estratégia de intervenção política num
contexto no qual o movimento dos trabalhadores não era tão forte como no caso
europeu.</p>

    <p>Com efeito, para a compreensão adequada das
práticas de consumo contemporâneas é necessário abordar brevemente a relação
entre as pessoas e as coisas e as suas implicações sócio-culturais. Assim,
conforme defendem ­Douglas e Isherwood (2006), durante algum tempo a literatura
profissional sobre o consumo apresentava uma tendência para afirmar que as
pessoas adquiriam bens baseadas em no máximo três propósitos restritos:
bem-estar material, bem-estar psíquico e exibição, sendo os dois primeiros de
cunho individual e o último um termo mais geral, que abarcaria as demandas da
sociedade, que se resumiriam sucintamente em exibição competitiva, na qual a
análise de Veblen sobre a classe ociosa teve um papel de grande influência. Em
virtude disso, Douglas e Isherwood (2006) salientam que o consumo deve ser
reconhecido como parte integrante do mesmo sistema social que explica, por
exemplo, a disposição para o trabalho, sendo percebido como integrante da
necessidade social de relacionar-se com outras pessoas, e de ter materiais
mediadores para essas relações (2006, p. 26).</p>

    <p>Nesta perspetiva, problematiza-se a perceção do
consumo como algo descolado e hipostasiado do processo social, chamando a
atenção para a necessidade de se compreender as práticas de consumo como
dimensão constitutiva da vida social. Douglas e Isherwood consideram, portanto,
que “dizer que um objeto está apto para o consumo é o mesmo que dizer que o
objeto está apto a circular como marcador de conjuntos particulares de papéis
sociais” (2006, p. 41). Em face disso, o relacionamento entre as coisas e as
pessoas deve ser percebido para além de uma perspetiva utilitarista ou daquelas
que abstraem o consumo dos demais processos sociais, sendo considerado como
parte constitutiva e importante da vida social nas sociedades contemporâneas.
Desta forma, a constituição de práticas e discursos que se utilizam do consumo
para contestação política pode ser percebida na sua conexão com as modificações
históricas que ocorreram no mundo do trabalho e no seio do sistema de produção
e consumo capitalista.</p>

    <p>De outra parte, as práticas de consumo não se
configuram apenas como mero epifenómeno dos processos de alienação que
caracterizam as sociedades capitalistas. Nesse aspeto, os estudos que articulam
as práticas de consumo com a cultura material, dos quais Daniel Miller (1987;
2002) é a principal referência, esclarecem sobre as formas de reapropriação
pelos agentes dos bens de consumo na sua ressignificação cultural.<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> Com efeito, considerando o recorte e delimitação teórico-empírica da
nossa abordagem, que é o consumo engajado moralmente, podemos encontrar
exemplos desta inflexão dos estudos sobre o consumo em investigações que
contemplam desde etnografias das práticas mais ordinárias e prosaicas relativas
à cultura material da alimentação (Solier, 2013), até análises cujo objeto de
discussão desagua, como já destacado anteriormente, na mobilização propriamente
política mediada pelas práticas de consumo.<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> 
Contemporaneamente, o fenómeno do consumo crítico tem sido objeto de
diferentes abordagens<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> sobre as suas características e potencialidades para o engajamento e a
participação política. Assim, a ascensão de iniciativas perfiladas em torno do
consumo crítico como do consumo engajado, político ou alternativo e
adjetivações similares têm mobilizado estudos sobre as suas condições de
possibilidade para o engajamento político via consumo. Não obstante, parece-nos
ainda que a natureza heterogénea e heteróclita das práticas de consumo desafia
uma caracterização uniforme do fenómeno do consumo crítico. Ou seja, muito
embora autores como Hilton (2003) compreendam o consumo crítico como um
fenómeno social, cujas raízes podem ser localizadas em movimentos de protesto
que surgem em diferentes regiões e períodos históricos<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, é possível problematizar a especificidade das práticas contemporâneas
de engajamento político orientado através do consumo alternativo. Nesta
perceção, apesar das aparentes proximidades, principalmente no que toca à longa
história da conexão entre o consumo e a persecução de interesses políticos ou a
consecução de uma visão de mundo capaz de materializar-se na coerência entre
ideais morais e vida prática, debruçamos-nos, no que segue, sobre as lógicas de
justificação do consumo crítico na atualidade. Mais especificamente, o
argumento é desenvolvido a partir da manifestação deste fenómeno no sul do
Brasil. Dessa forma, a exposição estrutura-se da seguinte forma: inicialmente
abordamos os nexos teóricos entre engajamento político e consumo crítico. Em
seguida, discutimos as condições de possibilidade da convergência entre
julgamentos morais e as ações que decorrem destes juízos. Por fim, procuramos
qualificar conceptualmente uma hierarquia axiológica singular <i>vis-à-vis</i>
as práticas de consumo numa feira de economia popular que traduz as escolhas em
relação ao consumo em termos de uma gramática para a ação.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>CONSUMO CRÍTICO, POLÍTICA E ENGAJAMENTO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Na atualidade, diferentes
discursos e iniciativas em torno do consumo crítico podem ser localizados ao
redor do globo. Iniciativas como as do Comércio Justo, do <i>Slow Food</i>,
alimentação orgânica, eco-rotulagem, reciclagem de ­produtos, campanhas para o
consumo crítico, consciente ou responsável e suas variantes, abrigam nos seus
discursos a compreensão das práticas de consumo<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> 
como um local para a expressão de valores, moralidades e ideais,
considerando os consumidores como potenciais agentes políticos. As iniciativas
de Comércio Justo<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>, por exemplo, postulam que os consumidores podem manifestar as suas
posições morais e políticas, em auxílio dos produtores, principalmente de
produtos agro-alimentares localizados nos países periféricos, assim
constituindo relações de comércio mais justa.<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> 
Tais críticas estendem-se, inclusive, à alimentação contemplando o
chamado <i>Slow Food, </i>que<i> </i>busca resgatar as tradições culinárias
locais em oposição ao estilo de vida encarnado pelo consumo de <i>Fast Food </i>disseminado
globalmente por multinacionais, como é o caso da cadeia de restaurantes <i>McDonald’s.
</i>Trata-se de uma inflexão do consumo crítico no qual os padrões alimentares
e gastronomia são objeto de uma crítica que evidencia a massificação e
embotamento do paladar a partir da homogeneização do consumo alimentar. Aqui é
o próprio gosto e hábito alimentar que se convertem em objeto de uma
politização que procura articular a produção e o consumo de alimentos na
prescrição de estilos de vida alternativos e na preservação da biodiversidade
alimentar.<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a></p>

    <p>O consumo crítico pode ser definido então com uma
forma de engajamento político mediado pelas práticas de consumo que passam a
ser vistas como lócus privilegiado para afirmação de identidades e justificação
ideológica de estilos de vida, no qual a crítica a um consumo conspícuo e ostentatório
de produtos, cuja produção não é sustentável ecologicamente e nem digna no
tocante à organização e exploração do trabalho, constituem características
fundamentais. Assim, diferentes autores, dos quais destacamos Hall (2011);
Littler (2009); Thomas (2011); Halkier (1999); Johnston, Szabo e ­Rodney
(2011); Micheletti (2002, 2003); Spaargaren e
Oosterveer (2010); Murdoch e Miele (1999); Sassatelli (2006, 2007);
Dubuisson-Quellier (2009); Sayer (2003); Sorensen (2005); Wilk (2001), têm
centrado as suas análises sobre o universo variado das práticas de consumo
crítico que caracterizam este ­fenómeno. ­Partindo de abordagens distintas,
estes autores têm evidenciado que o consumo crítico pode ser destacado como um
fenómeno que carrega consigo um grande leque de formas
e motivações pelas quais os indivíduos se podem envolver nas práticas
consideradas de consumo alternativo.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nestes termos, este fenómeno parece conectado com
uma miríade de motivações, as quais incluem questões ligadas a crenças e
religiosidade, questões éticas e morais, ideologias e cosmovisões. Assim, na
atualidade o consumo crítico parece expressar nas suas diferentes iniciativas,
motivações diversas daquelas relacionadas com os protestos e boicotes
utilizados principalmente por trabalhadores na Europa e América do norte no
século XIX: se a justificação principal das primeiras manifestações de um
consumo crítico radicava em questões económicas, contemporaneamente, o consumo
crítico tem plasmado demandas que encontram na cultura o seu denominador comum.</p>

    <p>Uma
outra face do fenómeno
do consumo crítico sinaliza a sua motivação a partir de questões de natureza
religiosa. Com efeito, conforme Thomas (2011) e Littler (2009), as questões
morais emergem sob uma roupagem ética, sendo possível a identificação de
conexões entre o discurso do consumo ético e do comércio justo com a ascensão
de narrativas de ordem moral-religiosa. Assim, noções de solidariedade e de
caridade calcadas numa ética cristã<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>, 
também orientam as estruturas normativas
do consumo crítico, nas suas diferentes variantes. Portanto, nas iniciativas
como a do comércio justo, a moral cristã poderia desempenhar a função de uma
estrutura normativa que sustenta e justifica o engajamento de uma boa parcela
dos seus participantes. Já de acordo com autores como Johnston <i>et</i><i> al</i>. (2011), Clarke <i>et al</i>. (2008) e
Hall (2011), as práticas caracterizadas como de consumo crítico têm ensejado
situações nas quais, potencialmente, os agentes aderem a eticidades que versam
sobre obrigações morais como a responsabilidade, a obrigação e o cuidado não
apenas em relação às pessoas, mas também em relação às questões
sócio-económicas e ambientais.</p>

    <p>Assim, longe de tratar-se de um fenómeno
homogéneo e facilmente observável, ele tem sido enfatizado como um fenómeno
heterogéneo e heteróclito. Autores como Sassatelli (2006; 2007) consideram que
especialmente após a realização de protestos contra a organização mundial do
comércio em Seattle no ano de 1999, que funcionou como uma espécie de
catalisador de movimentos preocupados com o consumo crítico,
é possível notar a ascensão de discursos críticos marcados pela
politização das práticas diárias de consumo e destacando o consumidor como um
sujeito moral e político. Com isso, o crescimento de modelos de consumo
“alternativos”, materializados nas companhas de boicote à
marcas e empresas transnacionais, nas campanhas articuladas pelos movimentos
ambientalistas para redução dos níveis de consumo nos países centrais, ou
ainda, no aumento da demanda por produtos do comércio justo e da produção de
comida orgânica, evidenciariam a ampliação do campo de possibilidades do
consumo para a participação política. Assim, as ações e os movimentos de ideias
que buscam politizar as relações de consumo poderiam ser percebidas
a partir de novas estruturas normativas que informam determinadas visões sobre
o consumo e que conectam, por seu turno, produtores e consumidores em termos de
uma reflexividade crítica sobre os processos de produção e consumo
capitalistas.</p>

    <p>Neste sentido, a perspetiva aqui utilizada
compreende o consumo crítico na sua aceção positiva e sociológica, não apenas
como um fenómeno social, mas também como uma categoria analítica para
compreender e descrever as práticas de consumo engajado (Hilton, 2003). O consumo
crítico é compreendido enquanto um fenómeno que materializa conceções morais e
visões do mundo a partir de uma posição crítica em relação às práticas de
consumo dominantes e suas respetivas racionalidades inerentes à lógica de
acumulação do capital. Ademais, para os fins deste estudo, o consumo crítico
será definido a partir da perspetiva de Sassateli (2006), ou seja, como um
conjunto de discursos heterogéneos, capaz de justificar as práticas de consumo
de potenciais agentes políticos e morais. Partindo desta perspetiva sobre a
temática do consumo alternativo, bem como a partir do aporte teórico oferecido
pela sociologia pragmática francesa<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> 
questionamos: para além de uma racionalidade caracterizada pelo puro
interesse que busca maximizar ganhos e minimizar perdas, quais os valores que
justificam as escolhas dos agentes em mercados alternativos? Assim,
considerando as condições de possibilidade de uma racionalidade axiológica, é
possível admitir que os engajamentos dos agentes nas práticas de consumo
alternativo podem ser interpretados em termos de uma gramática. No que se
segue, buscamos qualificar conceptualmente a noção de gramática tendo em vista
sua utilização sociológica.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>AS GRAMÁTICAS DA AÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Partimos do pressuposto
de que o consumo crítico configura uma modalidade de juízo engajado que se
manifesta na definição de hierarquias axiológicas em relação às práticas de
consumo. E para articular conceptualmente a ­convergência entre julgamentos
morais e as ações que decorrem destes juízos recorremos à noção de gramática. A
sua utilização na teorização sociológica pode ser feita num sentido fraco e de
forma metafórica,<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> ou 
pode ser deduzida a partir de uma aceção forte que presumirá o seu
uso para caracterizar um tipo de ação social específico e respetiva forma de
legitimação.<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> 
As ações seriam então coordenadas tendo em conta tanto o contexto da
sua realização, quanto o reconhecimento das regras tácitas compartilhadas
definidas segundo aquilo que se poderia caracterizar como a capacidade para
apreender o “modo gramatical” adequado à situação vivida.</p>

    <p>No entanto, quando imaginamos a realização de uma
ação no âmbito de uma situação regulada pela prevalência de uma dada moralidade
e por orientações axiológicas ou deontológicas pré-estabelecidas, a sua
execução não será determinada ou determinante. Contrariamente, estaremos
fadados à contingência: sujeitos às probabilidades de ocorrência de tal ou tal
ato configurado por um dado campo de possíveis que não podemos definir de
antemão. As nossas ações serão objeto de avaliações e qualificações prováveis
que irão depender, por seu turno, das interpretações da situação vivida
realizadas pelos atores. No curso de uma ação situada é possível que
improvisações, revisões, retificações, e mesmo, a própria criatividade, engenho
e arte possam concorrer para a redefinição do seu sentido. Trata-se daquilo que
se pode caracterizar como um processo recíproco de conjetura e validação que
tornará possível o estabelecimento de acordos e consensos sobre a qualificação
adequada dos seres e dos objetos aos quais somos confrontados.</p>

    <p>Essa maneira de caracterizar a gramática social
do agir presume três características fundamentais, a saber: ela é, a um só
tempo, relacional, pluralista e realista.<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> 
Ou seja, a análise das lógicas do social confere uma prioridade às <i>relações</i><sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>
 constitutivas dos fenómenos sociais porque, ontologicamente, somos
plasmados por processos de socialização e, assim, tanto a forma, quanto o
conteúdo das gramáticas às quais recorremos para agir e julgar é de natureza
intersubjetiva; é <i>plural</i> porque um mesmo indivíduo pode ver-se 
face a vários regimes de engajamento<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>, 
várias formas de cognição e várias gramáticas de julgamento que podem
ser adotadas consecutivamente conforme as situações por ele vividas; e, por
fim, é <i>realista</i><sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> dado que
 a própria materialidade do mundo com os seus acontecimentos e
eventos pode confirmar ou invalidar as conjeturas, representações e definições
elaboradas por nós mesmos. Nesse aspeto, as nossas ações são engendradas por
julgamentos, avaliações e qualificações acerca do valor diferencial das coisas
e dos seres que existem e habitam os mundos natural e social. Trata-se de ações
caracterizadas por operações de ordem cognitiva nas quais 
colocamos <i>à prova</i><sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> as hierarquias de valor 
socialmente partilhadas, ou seja, testamos e
avaliamos continuamente as justificações aduzidas pelos atores para sustentar
as suas representações acerca dos mundos sociais nos quais estão inseridos, bem
como face às eventualidades e ocorrências do mundo natural que se abatem sobre
eles. A prova constitui um momento de incerteza e indeterminação, na qual são
mobilizadas as capacidades para agir, julgar, qualificar ou justificar qualquer
coisa ou qualquer um.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As formas de justificar tais avaliações,
representações ou visões de mundo operam segundo um princípio de
dessingularização, ou seja, consideradas as situações particulares nas quais
são forjadas, procura-se desindexar essas tomadas de posição do contexto de sua
produção e emergência. Noutras palavras, trata-se de um procedimento de
generalização das formas de justificação acionadas para suportar a afirmação e
defesa de uma posição, de um argumento, de uma interpretação ou de uma
avaliação que busca relacionar um julgamento a uma ideia de bem comum
vinculada, por seu turno, a uma dada hierarquia de valor ou ordem de
legitimação.<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> Trata-se de um movimento 
que vai do singular ao universal. Do ponto de
vista desta operação lógica de generalização, o procedimento implica na
definição do maior denominador comum às posições que demandam por justificação,
considerando a sua adequação às ordens normativas e a perspetiva da sua
legitimação ante uma determinada hierarquia axiológica.</p>

    <p>Nesse sentido, a definição de uma gramática<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> implica, segundo Lemieux</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>l’ensemble des règles à suivre pour être reconnu,
dans une communauté, comme sachant agir et juger correctement […] Une grammaire
est ce qui permet aux membres d’une communauté de juger correctement,
c’est-à-dire de lier correctement à des discontinuités survenant dans le monde
(corps, objets, matériaux, gestes, paroles…) des descriptions et d’éprouver
vis-à-vis de certaines de ces descriptions un sentiment d’évidence<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> 
[Lemieux, 2009, pp. 21-23].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Essa formulação concisa do conceito pressupõe,
por sua vez, uma distinção de forma e conteúdo na configuração das gramáticas
da ação. Para Lemieux (2009), na sua forma, a ação humana presume capacidades
antropológicas<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a> reconhecíveis socialmente 
através do espaço e do tempo e imbricadas na
racionalidade de todas as práticas. Concretamente, teríamos a conjugação de
três lógicas (ou meta-regras) orientando implicitamente a ação, a saber: <i>a</i>)
a lógica da dádiva e da contradádiva que se equaciona na fórmula dar, receber e
retribuir; <i>b</i>) a lógica da ação estratégica caracterizada pelo cálculo,
pela perceção e ponderação dos possíveis limites e restrições que envolvem as
ações, enfim, pela coordenação de meios e fins tendo em vista a realização e
efetividade de uma ação; e, <i>c</i>) uma lógica do juízo moral<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>
 (ou do descentramento moral e distanciamento crítico) caracterizada
pela competência para aduzir razões e justificar publicamente uma dada ação. A
conjugação e imbricação destas três lógicas engendraria a forma das gramáticas
sociais. O seu conteúdo seria preenchido conforme as hierarquias de valor
prevalecentes em cada contexto sociohistórico e/ou compartilhada pelos grupos e
classes sociais.</p>

    <p>Assim, se compreender uma ação é explicitar a sua
gramática social evidenciando, para além da sua forma, os conteúdos enunciados
pelos atores para justificar, avaliar e qualificar a razão pela qual se age de
uma dada maneira face a um dado objeto ou situação,
isso não quer dizer que as gramáticas sociais sejam omnipresentes na vida
social. Na maior parte das situações que vivemos não precisamos
de justificar a razão pela qual agimos desta ou daquela maneira.
Simplesmente agimos conforme as nossas disposições<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> 
para pensar, sentir e agir acionadas de maneira irrefletida ou
pré-consciente. Quando falamos de uma gramática da ação não nos referimos,
portanto, às disposições interiorizadas no âmbito dos processos de
socialização, mas àquilo que reclama por alguma justificação ética e moral
referida a uma hierarquia axiológica. Com efeito, são as razões para agir
aduzidas pelos atores que podem ser descritas e caracterizadas segundo algum
princípio de justificação reportado reflexivamente no curso da ação que
importam do ponto de vista da descrição e compreensão das gramáticas da ação. É
nesse sentido que configuramos as gramáticas do consumo, pois elas implicam uma
prática engajada plena de sentido moral e de razões para agir. A seguir,
focalizaremos a possibilidade de compreensão do consumo crítico, localizado num
mercado alternativo consti­tuído por uma feira de economia solidária como uma
gramática governada por valores como o
cuidado, autenticidade e solidariedade, conforme a <a href ="/img/revistas/aso/n220/n220a03f1.jpg ">figura 1</a>.</p>

    
<p>No cenário brasileiro algumas iniciativas e
discursos têm-se destacado no âmbito das propostas de consumo crítico, como é o
caso das iniciativas de economia solidária. É perceptível na última década a
constituição de uma proposta de consumo alternativo, conhecido como consumo
solidário, que visa politizar as práticas de consumo desenvolvidas no ambiente
da economia solidária. Assim, esta iniciativa pode ser compreendida como uma
proposta que compreende os seus consumidores como sujeitos políticos, que ao
realizarem as suas compras nas iniciativas de economia solidária estariam a
aliar-se ideologicamente a ela. Em virtude disso, justifica-se a escolha de uma
feira de economia solidária como objeto empírico pela consideração de que esta
proposta de consumo alternativo potencialmente constitui um universo
interessante para a investigação do fenómeno do consumo crítico no cenário
brasileiro, dada a sua imbricação com uma proposta de modelo de economia
alternativa.</p>

    <p>A feira de economia solidária de Santa Maria,
objeto da nossa investigação, foi criada a partir do Projeto Esperança
Cooesperança<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a> da diocese de Santa Maria, 
sob a liderança de Dom Ivo Lorscheister<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> em meados da 
década de 1970. Esta feira, também conhecida como feirão
colonial, notabilizou-se enquanto um espaço de congregação de um movimento mais
amplo do projeto, bem como de experiência do cooperativismo e da economia
solidária. Numa estrutura composta por quatro pavilhões são comercializados
legumes, hortaliças, frutas, além de produtos artesanais como queijos, pães,
doces, fiambres, vinhos, licores compondo uma grande diversidade de produtos,
incluindo ainda plantas ornamentais e flores e artesanato. Considerando o seu
crescimento ao longo dos anos, esta feira, de acordo com os seus organizadores,
têm atraído um contingente considerável de consumidores. Conforme os
organizadores, a maior parte dos seus consumidores pertence a camadas médias,
com menor participação das camadas altas e baixas da população local.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em relação aos procedimentos metodológicos, o
estudo recorreu a uma abordagem qualitativa, utilizando técnicas da observação
participante e entrevistas semi-estruturadas
realizadas com os consumidores da feira, bem como análises dos materiais e
cartilhas de divulgação das propostas em torno do consumo solidário. Adotámos a
abordagem qualitativa dada a necessidade de uma maior
penetração no mundo dos pesquisados, possibilitando explorar com um bom grau de
profundidade e riqueza as suas práticas e discursos (Rocha e Eckert, 2008).
Partindo da técnica da observação participante buscámos identificar o perfil
dos consumidores a serem entrevistados, englobando desde aqueles aparentemente
mais engajados com o movimento de economia solidária, que frequentam a feira já
há alguns anos, até alguns novos consumidores do local. Desta forma, objetivámos
abarcar os diferentes perfis de consumidores da feira. Os dados foram
analisados a partir da técnica de análise de conteúdo de tipo categorial (não
apriorística) seguindo a abordagem de Bardin (2011). No trabalho de campo,
realizado entre 2011 e 2012, foram ouvidos 60 consumidores, e deste número, 13
consumidores foram entrevistados em profundidade, sendo definido este
contingente através da técnica de saturação de dados. As entrevistas foram
analisadas a partir de seu tratamento informacional com o software RQDA.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>CONSUMO CRÍTICO E A ÉTICA DO CUIDADO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>As práticas de consumo,
num mercado alternativo como uma feira de economia solidária, podem ser
compreendidas através das justificações dadas pelos atores que participam e
frequentam esses mercados. Mais concretamente, trata-se
da utilização de argumentos ético-valorativos presentes nas narrativas e
discursos desses atores que materializam a constituição de uma gramática
social, compartilhada pelo público habitual desta feira, e que sinalizam a
valorização de aspetos relativos à noção de bem comum. Aqui, a preocupação com
a qualidade da alimentação destinada ao grupo primário indicaria principalmente
a mobilização de uma ética do cuidado, traduzida na busca por alimentos hígidos
e sadios e suas relações com outros aspetos, tais como o risco, bem- estar e
cuidado do corpo. Neste sentido, o conceito de ética do cuidado é aqui pensado
como uma estrutura normativa plasmada pelas práticas de consumo observadas e
que, por seu turno, são compreendidas como meios de expressão de obrigações
morais e éticas (Sassateli, 2006; Hall, 2011).</p>

    <p>A noção contemporânea de ética do cuidado pode
ser inicialmente considerada a partir da crítica de Carol Gilligan (1997) em
relação à teoria da psicogénese da moralidade elaborada por Lawrence Kohlberg
(1992). Com efeito, Gilligan (1987) ao questionar os resultados enviesados pelo
género das investigações de Kohlberg acerca do desenvolvimento da moralidade,
propõe para melhor contemplar as especificidades da construção do juízo moral
das mulheres, aquilo que ela designará como “uma voz diferente”. Ou seja, a
perspetiva moral caracterizada pela prevalência de noções abstratas, tais como
universalismo, justiça, razão e autonomia identificada por Kohlberg como
aspetos característicos de uma moralidade pós-convencional, passaria ao largo
de aspetos mais contextuais e relacionais, tais como o cuidado, a solicitude e
a preservação dos vínculos afetivos que, por seu turno, seriam mais ponderados
pelas mulheres do ponto de vista da definição de seu julgamento moral.</p>

    <p>Não obstante, para
efeito da discussão aqui realizada, podemos compreender melhor a ética do
cuidado a partir de sua problematização por Joan Tronto (2009,
2011). Partindo de uma reflexão ancorada na teoria política, Tronto
rejeita a oposição simplista entre uma eticidade abstrata caracterizada pela
persecução de ideais de justiça (imparcial, impessoal e universalista) e uma
eticidade concreta caracterizada pelo primado do cuidado, do zelo e da
solicitude (contextual, pessoal e particularista).
Para Tronto (2009), é necessário reconfigurar o conceito de justiça de maneira
que as questões inicialmente propostas pelo trabalho de Gilligan (1997) possam
ser incorporadas sob uma perspetiva sociológica. Nesse sentido, as atividades
contempladas pela noção “<i>care</i>” presumem tudo aquilo que se possa
relacionar com o cuidado, ou seja, cuidar de algo pressupõe o reconhecimento
daquilo que necessita de ser cuidado, bem como a obrigação moral da
responsabilização em relação ao que deve ser cuidado. Ao pretender dar suporte
sociológico para a análise das práticas sociais relacionadas com o cuidado (<i>care</i>)
Tronto (2009), também se socorre do argumento empírico de que existe,
historicamente, uma relação circular entre a desvalorização e/ou invisibilidade
social das práticas relacionadas com o cuidado e a opressão daqueles grupos
sociais tradicionalmente dedicados às funções que asseguram a subsistência e a
reprodução social na esfera doméstica.</p>

    <p>Mas, para além do aporte teórico de Joan Tronto
(2009) que subsidia a reflexão crítica no âmbito da teoria política feminista,
caberia ainda considerar, tendo em vista as condições de possibilidade de uma
gramática moral perfilada pela noção de cuidado, a preponderância de uma
eticidade concreta no âmbito das sociabilidades primárias, um contexto social
de natureza comunitária, no qual a hierarquia valorativa será primada,
tendencialmente, por um acento familístico, pessoalizado e particularista ou,
dito de outro modo, por uma moralidade, cujas ações serão hierarquizadas valorativamente
a partir das noções que caracterizam uma ética do cuidado.</p>

    <p>Assim, as práticas
de consumo, entendidas em sentido plural, enquanto atividades rotinizadas, que
são articuladas através de nexos<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> (Warde, 2005), são descritas por Hilton
(2003), Sassatelli (2007) e Clarke <i>et</i><i> al</i>.
(2008) como atividades relacionadas historicamente com noções de moralidade e
ética. Portanto, não constitui uma novidade que as atividades de abastecimento
e consumo rotineiras estejam impregnadas de sentido ético sobre a obrigação
moral do cuidado em relação ao grupo familiar, sobre as múltiplas conexões
entre as compras e persecução de determinados comportamentos e condutas. Com
efeito, os novos desdobramentos evidenciados pelos estudos já mencionados sobre
o consumo crítico, nas suas variações, têm aprofundado as discussões acerca dos
componentes valorativos que estão imbricados nas mais prosaicas atividades de
consumo. Conforme Michelletti (2003), a obrigação moral com a subsistência e
reprodução do grupo familiar, constitui-se como um
facto histórico que têm mobilizado, preponderantemente, as mulheres a
transcender os espaços aparentemente privados, nas suas reivindicações por
alimentos mais hígidos e diversificados para aqueles que, segundo a divisão
sexual do trabalho tradicional, assente na dominação masculina, possuem a
obrigação moral de cuidar.</p>

    <p>Contemporaneamente, com a ascensão de movimentos de
ideias e iniciativas como o consumo ético, propostas de comércio justo, <i>slow
food</i> e movimentos associativos em torno da economia solidária, que buscam
politizar as relações de consumo, tem-se enfatizado o caráter ético-moral
destas ações na própria medida em que trazem consigo conceitos sobre justiça,
equidade e isonomia nas relações de poder. Neste sentido, a difusão e adesão
crescentes a essa constelação de valores ideológicos, enfatiza que o consumo,
nas palavras de Wilk (2001) é em essência uma questão de natureza moral.<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> 
Em consequência, o consumo crítico parece evidenciar mais ainda esta
noção, visto que entre os seus principais objetivos, busca redefinir modos e padrões
de consumo através de posições moralmente sustentadas. Contemplando esta
perspetiva, bem como os enfoques sobre os componentes morais inerentes ao
consumo, as falas dos consumidores da feira de economia solidária de Santa
Maria entrevistados ainda expressam de diversas formas uma preocupação com o
cuidado e proteção dos seus entes nas compras de alimentos no local:</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>A motivação principal é que toda a minha família,
as minhas irmãs, elas sempre tiveram um contato maior com a natureza porque
elas se criaram para fora, elas sempre, sempre, é uma coisa já de família de
procurar os produtos mais naturais. Isso é uma questão familiar da procura por
esse tipo de alimentos, esse tipo de produtos [consumidor C5].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>E eu me importo, me preocupo muito com isso ai,
sabe com a saúde, botar na mesa uma coisa mais de qualidade, alimentos mais de
qualidade, sem veneno, sabe com saúde, botar na mesa uma coisa de qualidade,
alimentos de qualidade para a família (…) eles (filhos e esposo) gostam de tudo
o que eu trago da feira, repolho, inclusive hoje ao meio dia eu fiz um repolho
que eu trouxe no sábado passado! Repolho ou brócolis eles gostam do jeito assim
que eu faço, refogado sabe? Tempero verde não pode faltar! [consumidor C8].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Assim, quando questionadas sobre as suas
motivações para as compras, realizadas em busca da saúde, as respostas na sua
maioria mencionavam ou aludiam compromissos morais ancorados na eticidade
concreta do grupo primário. Deste modo, o conjunto de valores que subjaz a
estas práticas está quase sempre relacionado com uma estrutura normativa que
tem uma das suas bases constituídas a partir da ideia de uma ética do cuidado.<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a> 
Assim, para além de um mero cálculo utilitário de maximização de
ganhos e minimização de perdas, o consumo também se constitui num meio pelo
qual se expressam obrigações morais, prevalecendo a
relevância atribuída às relações constituídas no âmbito das solidariedades
primárias.</p>

    <p>Nesse sentido, Clarke <i>et</i><i>
al</i>. (2008),<i> </i>ao<i> </i>investigarem os espaços e as éticas que
perpassam a alimentação orgânica, destacam que as oportunidades práticas e
materiais que estes espaços oferecem aos consumidores vão bem além dos seus
princípios abstratos e das suas possíveis consequências. Em vez disso, as
decisões de participar destas práticas de consumo estão conectadas com
motivações éticas que versam sobre a importância das relações quotidianas de
cuidado. Assim, quando estes autores falam sobre as “éticas do consumo”, eles
estão a referir-se, predominantemente, às éticas que envolvem o cuidado com a
família, sobre o paladar e o gosto, conectando o cuidado de si e do grupo
primário às suas escolhas diárias (2008, p. 224). Desta maneira, conforme os
autores, estas éticas parecem mobilizar os consumidores na direção de uma
estrutura normativa que se refere diretamente à maneira como as pessoas
realizam as suas atividades corriqueiras, mobilizadas por questões como “<i>Que
tipo de pessoa eu me esforço para ser</i>?” (2008, p. 225). Logo, de acordo com
os autores, as práticas de consumo alternativo, como é o caso das práticas de
consumo de alimentos orgânicos por eles estudadas, configuram-se como espaços
utilizados para pensar “éticas do cotidiano” expressas na preocupação e cuidado
com a alimentação familiar. Noutras palavras, a ética do cuidado é a primeira
razão para agir da gramática moral do consumo em um mercado alternativo.</p>

    <p>Conforme a teorização de Barnett <i>et</i><i> al</i>.<i> </i>(2005), acerca da constituição
das práticas de consumo como atividades rotinizadas que possibilitam o
exercício de competências éticas, os discursos dos consumidores sobre as suas
práticas e justificações, evidenciam que esta estrutura normativa também é
intrincada pela articulação de pressupostos morais relativos à auto-reflexão
sobre os pressupostos da conduta individual e são caracterizados pela
prevalência da ética do cuidado nas suas escolhas e decisões sobre o consumo
diário. Deste modo, como é igualmente destacado por Miller (2002), os discursos
sobre as compras carregam uma ideologia e hierarquia de valores com os quais os
indivíduos desejariam estar engajados.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONSUMO CRÍTICO E A ÉTICA DA AUTENTICIDADE</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Juntamente com a ética do
cuidado, a ética da autenticidade emergiu como um conceito fundamental para a
compreensão das práticas de consumo focalizadas. Neste sentido, esta eticidade,
parece compor e constituir uma parte importante das gramáticas de consumo em
mercados alternativos. A teorização acerca da ética da autenticidade, aqui
utilizada, está baseada na interpretação proposta por Charles Taylor (1991, 1997). Para Taylor (1991), a ética da autenticidade é
algo relativamente novo e peculiar à cultura moderna. Nascida no final do
iluminismo, a reivindicação da autenticidade como valor surge como contraponto
à racionalidade desengajada do contexto da sua emergência que caracteriza o
individualismo cartesiano. Aqui, o princípio da autenticidade está relacionado
com um ideal expressivista que ganha força moral no pensamento ocidental a
partir de Rousseau e Herder. Segundo Taylor (1997, p. 464), Rousseau está na
origem de uma profunda transformação da cultura moderna em direção à exploração
da intimidade, à liberdade de autodeterminação e da autonomia radical e Herder<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> 
revigora o individualismo das luzes ao propor que a noção de diferença
é fundamental nos processos de individuação. Ou seja, em vez de um indivíduo
abstrato representando a espécie humana, mas despojado de toda particularidade,
Herder propõe uma conceção de indivíduo que só pode afirmar-se enquanto tal a partir
dos seus modos singulares de ser, pensar e agir que ganham sentido somente em
virtude da sua pertença a uma comunidade cultural determinada. Tal perspetiva
corrobora a visão rousseauniana acerca da natureza social do homem ou que a sua
pertença a uma comunidade concreta é condição necessária para a sua formação.
Isto é, consolida-se nestes autores a ideia de uma ética da autenticidade
segundo a qual cada um deve ter assegurada a plena expressão da sua
individualidade. É nesse aspeto que ganham sentido e expressão as práticas de
consumo crítico que afirmam uma identidade e um estilo de vida singulares e
antagónicos à sociedade do consumo conspícuo.</p>

    <p>Partindo deste pressuposto, uma das noções que se
fizeram mais presentes nas narrativas observadas, e que se relacionam com as
eticidades que compõem a gramática moral destes consumidores, é a noção de
produto natural. Se por um lado este termo se refere diretamente ao cuidado de
si e dos próximos, como foi demonstrado na seção anterior, por outro ele está intimamente
conectado com a ideia de autenticidade. Neste sentido, a noção de um produto
natural, sem nenhum tipo de pesticida, herbicida, conservante, ou outros
­compostos químicos, vincula-se estreitamente com noções como natureza, pureza,
pequenos produtores e agroecologia. Assim, os entrevistados parecem relacionar
a produção em pequena escala, considerada tradicional, com a oferta de produtos
considerados mais naturais:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>A maneira é o consumo desse tipo de produto, esse
produto muitas vezes não tem rótulo, não tem, a aparência pode não ser das
melhores, não é, mas o produto industrializado, atrás daquela falsa aparência
da embalagem tá escondido ali muita coisa ruim né?
Então às vezes a aparência do produto está nos enganando por que está
escondendo muita coisa nociva à saúde que tem ali embutido nesses produtos.
Então uma coisa é o consumo, outra situação é essa questão de lógica de
incentivar esse tipo de comércio, esse tipo de produção, esse tipo de vida do
agricultor no campo não é? [consumidor, C5].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A questão dos produtos, nas hortaliças, nos
vegetais, produtos novos, que não aparentam ser industrializados (…) comprei
aquela bergamota bem comum, aquela que eu gosto, eu gosto daquela com cheirinho
característico, são diferentes do mercado, que parece mais industrializada,
esse tem um sabor e aparência mais bonita [Consumidor, C1].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta ligação entre produtos considerados naturais
e a ruralidade, em oposição aos alimentos industrializados, percebidos como
artificiais e nocivos, tem sido foco de diversos estudos<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a> 
que evidenciam uma re-valorização de culturas
alimentares e produtos provenientes do mundo rural. Nesse sentido, a
valorização da origem, principalmente dos produtos agro-alimentares, tem-se
constituído como um fenómeno comum a diferentes contextos (Johnston <i>et</i><i> al</i>. 2011; Clarke <i>et al</i>.<i> </i>2008,
Hall, 2011; Barnet <i>et al</i>.<i> </i>2005), como é o caso do europeu e do
brasileiro, que apesar das suas diferenças, possuem em comum a construção de um
imaginário social sobre a vida rural e a natureza. Deste modo, as iniciativas
que se têm difundido globalmente, como é o caso das práticas do <i>slow food, </i>originárias
da Itália, buscam revalorizar as tradições alimentares locais, em oposição à
alimentação industrializada, principalmente às práticas de consumo de alimentos
em redes de <i>fast-food. </i>De acordo com ­Sassatelli e Davolio (2010), este
fenómeno pode ser percebido como uma característica dialética da modernidade
tardia, na qual a difusão de uma alimentação estandardizada e de baixo custo,
como é o caso do <i>fast-food,</i> fornecidas por corporações globais, têm
catalisado a atenção pública para os produtos considerados “naturais”, “locais”
e “tradicionais”, bem como aqueles provenientes de práticas agrícolas
“sustentáveis” e dos produzidos através de relações de trabalho percebidas como
“justas”. De forma semelhante ao observado por Menasche (2010), a valorização
da proveniência dos alimentos consumidos parece constituir-se como um discurso que associa aos produtos oriundos da agricultura
familiar, da produção de pequena propriedade, realizada de forma tradicional,
às qualidades dos alimentos, percebidos como mais puros, naturais e
palatáveis. Assim, ela considera que a ruralidade, mais do que qualquer outro
atributo, parece condensar as possíveis vantagens que distinguem o alimento
desejável (natural) do alimento industrializado (2010, p. 206). Neste sentido,
a construção de um imaginário social sobre o rural parece ensejar uma ética da
autenticidade como reflexo de uma desconfiança em relação àquilo que, de alguma
forma, se vincula ao moderno, à modernização, à industrialização, à
pasteurização, enfim, ao inautêntico.</p>

    <p>Nestes termos, a valorização da ruralidade,
enquanto noção condensadora, evidencia a perceção
afetiva ligada às formas de produção de alimentos tradicionais como autênticas
e genuínas. A configuração de uma ética da autenticidade nos discursos
destacados, revela um dos aspetos centrais que compõe
a gramática dos consumidores da feira: o imaginário sobre o ambiente rural e a
alimentação natural. Tal imaginário, no caso específico dos consumidores
entrevistados, parece remeter para as vivências passadas em pequenas
comunidades rurais, ou ainda na composição de um quadro idealizado
romanticamente de como seria a vida fora da cidade, que mesmo não vivenciada
diretamente por eles, está ainda relacionado com uma origem e tradição
familiares ligada ao campo e ao mundo rural.</p>

    <p>Paterson (2006)
endossa tal perceção tornando evidente que longe de constituir uma oposição, as
práticas de consumo quotidianas são ­perpassadas por ideais de autenticidade
que se podem articular com o processo de constituição
identitária. Em virtude disso, de acordo com este autor, o ideal de
autenticidade parece constituir parte integrante das práticas de consumo
(consumo de massa) quotidianas, que muitas vezes eram percebidas como
desmanteladoras do “autêntico”.<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a> 
Portanto, a ideia de autenticidade deve
ser percebida como parte da estrutura normativa também em relação ao sentido de
pertença, visto que o sentido do que pode ser considerado como autêntico não
obedece a uma rigidez identitária, mas decorre de um processo dinâmico. Assim,
quando são realizadas construções imaginadas sobre a natureza, a vida em
pequenas comunidades rurais, estes atores estão reelaborando noções
compartilhadas socialmente a partir de uma idealização do agrário e da vida no
campo.</p>

    <p>Com efeito, pode-se pensar que quando os
indivíduos se referem a um imaginário sobre o rural e sobre as suas ligações
com comunidades consideradas mais tradicionais, estão a elaborar moralmente a
constituição do seu <i>self </i>de forma relacional. Assim, a busca rotinizada
por produtos percebidos como mais naturais e autênticos, enraizados em relações
identitárias, pode ser considerada como uma prática de elaboração moral dos
seus participantes tanto em termos de uma eticidade alicerçada nas relações de
solidariedades primárias, quanto de elaboração moral do<i> self</i>. Portanto,
sob o enfoque de Taylor (1991) tais relações podem ser consideradas como partes
integradas do processo dialógico, pelo qual a ética da autenticidade é
elaborada.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>CONSUMO CRÍTICO E A ÉTICA DA SOLIDARIEDADE</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Conforme Frère (2009), a
constituição de uma moral solidária está intrinsecamente relacionada com o desenvolvimento
de iniciativas de intervenção social por parte de setores da igreja católica
que postulavam a necessidade de ações em auxílio dos desfavorecidos, que
incluíam o fomento ao desenvolvimento de uma moral militante, que poderia
impulsionar a construção de iniciativas de geração de renda destinadas à sua
emancipação económica e social. Deste modo, o engajamento social de setores
progressistas da igreja católica favoreceu a constituição de iniciativas da
economia solidária, tendo como pano de fundo a retomada da tradição política
engajada do catolicismo latino-americano vinculada à teologia da libertação.
Nesta esteira, o solidarismo cristão tornou-se um dos pilares da gramática da
economia solidária, fundamentando discursivamente os engajamentos dos seus
participantes, bem como a identificação destas iniciativas por parte das
camadas médias.</p>

    <p>Nos termos de Frère (2009), na ligação dos atores
à economia solidária é possível notar que o solidarismo cristão tem
desempenhado um papel importante na composição da sua gramática. Com base nesta
perspetiva, os engajamentos dos consumidores nas práticas de consumo na feira
de economia solidária de Santa Maria, parecem apontar para alguns traços em
comum com esta visão. As justificações dadas por estes agentes nas suas
práticas indicam a importância que a noção de solidarismo<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> 
desempenha na composição dos seus discursos. Assim, entrelaçada com as
noções de autenticidade e cuidado, a noção de solidariedade com os pequenos
agricultores, com a agricultura familiar e com os produtores rurais locais,
compõe uma parte igualmente importante na constituição da gramática de consumo
dos consumidores da feira de economia solidária observada. Desta forma, quando
questionados sobre as suas motivações para frequentar a feira, muitos
participantes referem-se à solidariedade e à simpatia com os produtores do
local. As seguintes falas ilustram esta perceção:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>(…) pra mim a vantagem é de comprar um produto de
qualidade, ajudar um movimento que merece ser ajudado, dar força para eles,
porque ele é positivo (…) por outro lado (…), ajudar a fortalecer os pequenos
agricultores, agricultura familiar da região, que é importante, e o diferencial
pra mim é esse, a qualidade né, e são as pessoas do movimento da agricultura
familiar e hoje é a relação que eu tenho com eles, que eu hoje conheço que
estão lá, que é o seu meio de sobrevivência, pra mim isso é importante na hora
de consumir [consumidor C3].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>eu
acho muito importante essa parceria porque né proporciona que os agricultores
tenham a oportunidade de vender seus produtos, a sua produção né, e o que é
muito importante é a questão que eu falei social né, e a gente de consumir
produtos mais saudáveis. (…) eu tenho muita simpatia e admiro muito o trabalho
deles, eu acho que tem que ser muito valorizados sabe. Pra mim, a economia
solidária é um projeto que beneficia o agricultor, aquele que não tem condição
de ter seu próprio espaço, facilita, facilita bastante pra eles, porque imagina
se eles tivessem que ter um lugar pago, alugar acho que ia encarecer muito, eu
acho que isso é uma troca [consumidor C12].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Tais relatos parecem indicar que a noção de
solidarismo que perpassa as justificações destes atores pode ser percebida como
uma componente moral que estaria relacionada com o que Frère (2009) considera
uma das bases da moral solidária, a fé cristã e seus ideais solidaristas.
Assim, a noção de apoio aos pequenos produtores e a preocupação com suas
condições de vida, aproxima-se em algum sentido dos ideais do solidarismo
cristão destacados pelo autor. Esta noção de solidarismo e a fé cristã podem
ser entendidas como uma das dimensões da ética da solidariedade aqui destacada.</p>

    <p>Esta dimensão, apesar de em alguns casos não ser
identificada de forma tão clara nas falas dos interlocutores, deve ser
entendida como parte de um aspeto mais amplo e geral que diz respeito à
normatividade presente no ideal de solidarismo contemporâneo, que conforme este
autor é diretamente vinculado ao solidarismo cristão. Assim, mesmo não
explícita, as suas influências podem ser sentidas nos discursos sobre práticas
de compras na feira, quando os consumidores referem as suas motivações em torno
da defesa dos pequenos produtores e do seu modo de vida. Desta forma, como se
pode notar na fala dos entrevistados, a simpatia com a defesa dos meios de
subsistência dos pequenos agricultores configura-se como um aspeto de destaque
nas suas justificações. Assim, a valorização do seu modelo de produção
tradicional, e do imaginário sobre o rural, que se relaciona com a ética da
autenticidade, evidencia a composição da ética da solidariedade, numa dimensão
de uma responsabilidade de cunho moral cristã perante os mais desfavorecidos.</p>

    <p>Em contraste, nos discursos dos consumidores
entrevistados foram poucas as justificações que remetiam de forma explícita
para a constituição de uma lógica estratégica ou utilitária nas suas escolhas.
Desta forma, são escassos os depoiomentos que mencionam, por exemplo, a noção
de baixo custo. Em virtude disso, as justificações observadas que faziam
referência ao custo-benefício, e os preços mais baixos, quando referidos,
estavam posicionadas num grau hierárquico inferior às demais justificações:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E o que me motivou é a procura dos produtos sem
agrotóxicos, produto mais natural, assim, essa foi a principal motivação, além
do preço, mas o principal é o lado, é livre de agrotóxicos (…)
As vantagens é que tu compra um produto saudável, bom para saúde e está
ajudando o próprio produtor a se fixar né [consumidor C9].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Esta fala demonstra a existência de argumentos
que indicam escolhas balizadas em parte por uma racionalidade utilitária,
contudo, quando presente este tipo de racionalidade estava subordinada a imperativos ético-morais relacionados ao vínculo, à
pertença, enfim, à solidariedade. Portanto, consideramos que no caso específico
da nossa investigação, os componentes morais, como é o caso dos provenientes da
fé cristã, e os seus ideais em torno do solidarismo, são fortes mobilizadores
dos engajamentos dos atores focalizados.</p>

    <p>Em consonância com os achados da nossa
investigação, Cloke <i>et</i><i> al</i>.<i> </i>(2011),
destacam os vínculos existentes entre fé, crença e religião e as práticas de
consumo consideradas alternativas como é o caso do comércio justo. Conforme os
autores, apesar de se tratar de um fenómeno complexo e multifacetado, eles
sugerem que esta conexão pode ser percebida em três diferentes dimensões
significativas: a primeira diz respeito ao facto de o comércio justo se
apresentar como um instrumento pelo qual os cristãos podem conformar aspetos da
sua fé e assim expressar e praticar as suas crenças através do consumo.
Portanto, o comércio justo funciona tanto como uma expressão simbólica da fé de
forma mais ampla, e como um canal prático por meio do qual esta pode ser
materializada e praticada. A segunda dimensão refere-se às oportunidades para
as práticas de comércio justo serem comunicadas e
demonstradas especialmente significantes dentro de determinadas redes sociais
e, entre elas das igrejas, onde as oportunidades são oferecidas para a
promulgação de virtudes éticas nas práticas quotidianas. Já a terceira
relaciona-se com estas redes sociais que muitas vezes são alimentadas pelo que
os autores consideram como “evangelistas” - indivíduos enérgicos e persuasivos
que apresentam repertórios que podem potencialmente governar as práticas de
comércio justo que, por seu turno, refletem as crenças e éticas através das
redes de igrejas (p. 100). Tal perspetiva subjaz às fortes conexões entre os
valores e a moralidade religiosa e as práticas de consumo alternativo, como no
caso do comércio justo. Neste sentido, é possível depreender que tal
relacionamento estreito entre a moral cristã e as práticas de consumo
alternativas parece fazer parte de um movimento mais amplo ao qual Frére (2009)
faz alusão, ou seja, o solidarismo cristão.</p>

    <p>De modo semelhante, Thomas (2011) considera que
as conexões entre a religiosidade e o consumo crítico podem ser percebidas como
facilitadoras de novas práticas de consumo alternativas, como é o caso do
comércio justo, nas quais as religiões podem ser consideradas como possíveis
fontes de críticas às práticas de consumo guiadas pela lógica da razão
instrumental, bem como motivadoras de abordagens mais responsáveis perante os
recursos. O ideal do solidarismo cristão parece constituir-se como um ponto de
apoio normativo que atravessa os discursos observados, e sustenta a gramática
das práticas de consumo em questão.</p>

    <p>Conectada ao solidarismo cristão, que está
presente como um elemento da ética da solidariedade, pode-se notar a composição
de relações baseadas na identificação dos consumidores com os produtores
locais. Tal composição parece constituir-se a partir das sociabilidades
comunitárias desenvolvidas no ambiente da feira, ou seja, esta identificação
poderia ser relacionada com as interações face a face que muitas vezes criam
relações de amizade, em alguns casos de longa data, as quais podem possibilitar
a sedimentação de vínculos de pertença entre estes agentes. Os depoimentos
elencados abaixo expressam este entendimento:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Tem a banca da Bernadete (…), eu não sei que
cidadezinha ela é. Mas eu sei que faz anos que ela está ali. Eu me lembro que ela vinha, e tinha um filho pequeno daí ela
pegava e trazia uma coberta sabe, um colchãozinho, uma esponja e botava ele
dormir em baixo da mesa. Que legal! Agora o menino tá grande. Daí tem a banca
da dona Maria também! Tem a banca, ai eu não me lembro
como é que é, uns que são bem altão, fica bem lá no fundo! Bem no final lá! Só
que eu não me lembro do nome dele. E tem a banca do Márcio né, mas eu compro
sempre mais, a primeira banca que eu chego ali e procuro é a banca da
­Bernadete. E tem também que um que eu sempre comprava antes, que é a banca do
seu Felício! Tenho uma relação próxima, assim sabe,
assim eu já conheço eles, de amizade, até assim, quando eu vou com pouco
dinheiro, eu pago no outro final de semana! [consumidor C8].</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O produtor está vindo aqui e esta é uma cidade
que tem potencial grande de consumo e ele tá conseguindo negociar o produto que
ele está produzindo né isso é muito importante porque o pequeno produtor
precisa isso, tá produzindo alimento de qualidade e tem que está
comercializando. Exatamente eu frequento lá por essa solidariedade com os
pequenos agricultores. Porque eu acredito que o pequeno agricultor, nós
precisamos, não só quem mora na terra quem mora no interior, mas nós precisamos
ajudar conservar o planeta, conservar a terra, conservar as matas, um pequeno
produtor que mora lá na propriedade, que conhece seus matos, suas correntes de
água, tem seus animais, aquele ambiente ali é parte da vida dele. Ele vai
preservar aquilo ali, vai produzir alimentos aquele lugar ele vai preservar,
ele jamais vai ter a intenção de destruir aquilo. Aquilo que é a casa dele. É
parte dele, é parte da vida dele, então é por esses motivos que a gente consome
os produtos para que ele também sobreviva, porque nós precisamos que ele
sobreviva lá, que ele produza alimentos lá [consumidor C5].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Tais depoimentos, bem como os expostos
anteriormente, evidenciam que a gramática utilizada pelos agentes em questão
remete e mescla justificações mais amplas como a consciência ambiental e a
preocupação com as gerações futuras, de auxílio aos pequenos agricultores e
mais específicas, tais como as questões relacionadas com o cuidado. Deste modo,
em consonância com os achados de Lockie <i>et</i><i>
al</i>. (2002), que investigaram as motivações de consumidores de orgânicos na
Austrália, as práticas consumo crítico focalizadas evidenciam que os atores
realizam as suas escolhas a partir de um processo intrincado de valorações e
considerações sobre o quotidiano das suas famílias, como o cuidado com a saúde
e diversos graus de consciência ambiental e das relações de produção e consumo
pertinentes à produção agro-alimentar. ­Portanto, concordando com Littler
(2009), o consumo crítico pode ser percebido como um conjunto de práticas e
discursos que se constituiem como um local de luta por valores e moralidades.
Nestes termos, a ética da solidariedade pode ser percebida como um componente
normativo da gramática de consumo em questão, pautada principalmente a partir
da moral derivada da ética do solidarismo cristão referida por Frére (2009).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>CONCLUSÃO</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>A análise das práticas de
consumo dos frequentadores de uma feira de economia solidária no sul do Brasil
evidenciou que suas escolhas são plasmadas por uma racionalidade axiológica
orientada a partir de uma gramática da ação articulada num tríplice registro
valorativo, qual seja: uma eticidade do cuidado, uma eticidade da autenticidade
e uma eticidade da solidariedade. Nesse sentido, constatou-se que o consumo tem
sido um meio pelo qual as pessoas também expressam as suas obrigações morais.
Assim, para além de uma racionalidade meramente marcada pela maximização do
interesse e pelo cálculo utilitário, de uma racionalidade autocentrada,
desengajada e desvinculada de tudo o que é capaz de informar a sua
constituição, as práticas de consumo são orientadas por valores, cuja adesão
pode ser justificada moralmente pelos atores. No caso estudado, deparamo-nos
com uma gramática moral caracterizada primeiramente pela prevalência das
solidariedades primárias. Ou seja, encontramos práticas de consumo, cujos
discursos de justificação se caracterizaram pela observância de valores
marcados pelo cuidado, zelo e atitude diligente em relação à alimentação.</p>

    <p>Um segundo aspeto dessa gramática,
caracterizou-se pela valorização da ideia de ruralidade como uma noção
condensadora que evidencia a perceção afetiva relacionada com as formas de
produção de alimentos tradicionais como autênticas e genuínas. Ou seja, a
configuração de uma ética da autenticidade nos discursos analisados, revelou um
dos aspetos centrais que compõe a gramática moral dos consumidores num mercado
alternativo como uma feira de economia solidária: o imaginário sobre o ambiente
rural e a alimentação natural. Tal imaginário, no caso específico dos
consumidores entrevistados, parece remeter de modo proustiano para as
reminiscências das vivências de outrora em pequenas comunidades rurais, ou
ainda à composição de um quadro idealizado das relações rurais como mais
autênticas.</p>

    <p>Por fim, as entrevistas analisadas evidenciaram
que a gramática moral utilizada pelos frequentadores da feira de economia
solidária, remete e mescla justificações mais amplas através de uma consciência
ambiental, tendo em conta desde a preocupação com o futuro do planeta até
questões relacionadas a política agrícola, tais como o
apoio e suporte aos pequenos agricultores, e, por fim, temas mais específicos e
tangíveis como uma moralidade caraterizada pela relevância assumida pela
eticidade concreta do grupo primário, isto é, uma moral do cuidado. Ou seja, a
gramática moral em análise é configurada por justificações caracterizadas por
um sucessivo descentramento moral, que ao coordenar e cotejar diferentes
perspetivas na definição das suas escolhas operam do
mais singular ao mais geral e evidenciam, sobretudo, um mercado encaixado<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a> 
na rede de relações sociais que envolvem as práticas de consumo. Algo
muito distante, portanto, da elaboração proposta pela economia neoclássica de
uma racionalidade atomista como um atributo característico daquilo que seria um
consumidor. E, no caso investigado, estamos diante ainda de um mercado tanto
mais moralizado por conta da sua vinculação à economia solidária, cujas
práticas de consumo reclamam por uma reflexividade crítica assente numa
racionalidade axiológica, cuja gramática moral ressaltamos
ao longo deste trabalho.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
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245-269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=081302&pid=S0003-2573201600030000300064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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    <p>&nbsp;</p>

    <p>Recebido a 13-04-2015. Aceite para publicação a
21-09-2015.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS</b></p>

    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>No artigo estamos
privilegiando o uso do termo “consumo crítico” para nos referirmos ao consumo
engajado em relação a valores e à política. Procuramos, dessa forma, evitar
ambiguidades e possíveis confusões com o termo “consumerismo” que é utilizado
no Brasil para caracterizar os movimentos em prol dos direitos do consumidor.
Para aprofundar a discussão em torno do consumo crítico, v. Littler (2009),
Sassatelli (2006), Hilton (2003), Micheletti (2003).</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>A etimologia da palavra
“boicote” tem a sua origem na reação dos camponeses irlandeses contra a
exploração e abusos praticados por um administrador de terras da nobreza
chamado Charles Cunnigham Boycott (1832-1897) em 1880. O protesto camponês
consistiu em abandonar as negociações e/ou o trabalho para C. Boycott,
relegando-o para uma espécie de “ostracismo social” (Dubuisson-Quellier,
2009a).</p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>O termo é utilizado no
sentido de causação, como motivador de determinada ação.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>Para maiores detalhes v. Breen
(2004).</p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>V. Dubuisson-Quellier
(2009a).</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>Na Inglaterra no século
XIX, onde foram realizadas manifestações populares contrárias à <i>Corn Law</i>,
uma lei vigente entre 1815 e 1846, que proibia a importação de grãos para
proteger os grandes proprietários rurais ingleses. Em consequência, o preço de
um produto básico como o pão elevou-se consideravelmente. Para maiores
detalhes, v. Polanyi (2001, p.144), Hilton (2003, p. 34).</p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup>Com especial destaque para
a militante feminista Clementina Black (1854-1922), que buscava politizar o
consumo promovendo campanhas de boicote a produtos, cujo processo de produção
concorresse para aviltar a dignidade humana. V. Hilton (2003, p. 47) e
Dubuisson-Quellier (2009a).</p>

    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>Segundo Daniel Miller
(1987), os bens de consumo não são apenas mercadorias. Depois de adquirido,
aquilo que antes era apenas uma mercadoria, converte-se num bem particular
capaz de assumir significados singulares a depender do uso e do destino que lhe
será atribuído pelo seu comprador. O ato de compra de um bem específico não se
resume a uma transação económica, mas encerra a possibilidade da sua
ressignificação cultural, de modo que as práticas de consumo implicam um
processo de redefinição e reconfiguração da utilidade e função de um bem
material tendo em vista a adequação e adaptação inventiva aos novos contextos e
circunstâncias que irão caracterizar o seu uso.</p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup>Para maiores detalhes, ver
a coletânea organizada por Daunton e Hilton (2001).</p>

    <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup>V. Micheletti (2002, 2003), Sassateli (2006, 2007), Stolle, Hooghe e Micheletti (2005), 
Sorensen (2005), Hilton (2003), Canclini (1995), Dubuisson-Quellier (2009b), Portilho (2005, 2009a), Spaargaren e Oosterveer (2010).</p>

    <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup>Como nos protestos ocorridos
no cenário norte americano e inglês do século XIX, bem como na utilização dos
bens como estratégias políticas materializados no processo de independência dos
Estados Unidos e da Índia, como destacam Micheletti (2002, 2003) e Bayly
(1991).</p>

    <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup>Ao tratar a questão em
termos de <i>práticas</i> de consumo, privilegiamos uma abordagem relacional em
torno do fenómeno do consumo de modo a evitar perspetivas que,
inadvertidamente, substancializam o fenómeno ao constituir sujeitos
consubstanciados nas figuras de consumidores e produtores, o que de resto acaba
concorrendo para a elisão de dimensões sociohistóricas fundamentais das
relações sociais ligadas à sua natureza conflitiva.</p>

    <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup>A respeito,
v. Nicholls e Opal (2004).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup>V. Boström e Klintman
(2008).</p>

    <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup>Para maiores detalhes, v.
Andrews (2008). Maiores informações sobre as iniciativas de <i>Slow Food</i>
também podem ser encontradas nos seguintes sitios: <a
href="http://www.slowfood.com" target="_blank">
http://www.slowfood.com</a> e
<a
href="http://www.slowfoodbrasil.com" target="_blank">
http://www.slowfoodbrasil.com</a> e ainda
<a
href="http://www.slowfoodfoundation.com/welcome" target="_blank">
http://www.slowfoodfoundation.com/welcome</a>.</p>

    <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> V. Stjernø (2005).</p>

    <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup>V. Boltanski e Thévenot
(1991), Thévenot (2006), Nachi (2006), Lemieux (2009) e Yannick <i>et</i><i> al</i>. (2013).</p>

    <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup>Outros autores já se valeram
desta noção em sentido lato nas suas teorizações: assim, por exemplo, Ferdinand
Braudel (2004), utilizou-a na sua “Gramática das civilizações” (2004), ­Kenneth
Burke (1969) recorreu à mesma noção na sua “gramática dos motivos”, e, mais
recentemente, Axel Honneth (2003), também fez uso desta noção para analisar,
contemporaneamente, as lutas por reconhecimento como uma nova gramática moral
do conflito social. Não obstante, a noção de gramática também pode ser
utilizada de modo a contemplar a noção de regras que orientam a ação. Para
maior detalhe, v. Taylor (2000).</p>

    <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup>Aqui a noção de gramática no
seu sentido estrito ou forte torna possível a articulação entre uma sintaxe
através da análise da estrutura actancial da ação; ou seja, trata-se da análise
de uma relação social buscando-se revelar as relações que existem entre os
participantes da relação, isto é, entre os chamados actantes. Essa última noção
(“actante”) pretende dar conta das capacidades de agir dos agentes sem
hipostasiar as suas identidades ou substancializar os seus atributos e
qualidades. A premissa é que as qualidades de um indivíduo não podem ser vistas
como algo que lhe é imanente, mas baseiam-se antes em qualificações sempre
referidas a situações determinadas. Essa dimensão sintática da ação, pode ser articulada ainda com uma semântica (o sentido e
significado da ação social) e uma pragmática (a justificação da ação social
segundo o contexto de sua realização). Para maiores detalhes, ver o capítulo 3
de “<i>El amor y la justicia como competencias</i>”,
no qual Boltanski (2000) explora a análise actancial para elaborar uma
sociologia da denúncia pública. V. ainda, Boltanski e Thévenot (1991, p.11),
bem como Nachi (2006,
pp. 52-55).</p>

    <p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup>Para a caracterização
detalhada destes pressupostos, v. Lemieux (2009; 2012), bem como Descombes
(1996).</p>

    <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup>Aqui, o pressuposto de uma
ontologia social relacional (ou processual) busca superar possíveis fixações em
torno de substancializações coletivas ou individuais que caracterizam as
ontologias holistas e individualistas. Para aprofundar a discussão, v. Livet e
Nef (2009).</p>

    <p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup>Do ponto de vista de seu
modo de existência a realidade social não é única, mas plural. Ver Livet e Nef
(2009, p.65) e Thévenot (2006).</p>

    <p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup>Esse pressuposto não deve
ser confundido com a epistemologia de um realismo <i>naïf</i>, nem tãopouco com
uma tentativa de “re-naturalizar” a vida social, mas
antes como um distanciamento crítico em relação a uma versão radical do
construtivismo, ou seja, uma conceção, cuja receção a-crítica o converteu num
verdadeiro <i>clichê</i> nas ciências sociais contemporâneas. Mais
especificamente, para essa conceção os fenómenos descritíveis, sejam eles
sociais ou naturais, não existem anteriormente e exteriormente ao trabalho
requerido para categorizá-los. O sentido do distanciamento crítico em relação a
este pressuposto ontológico que diz respeito ao modo de existência dos
fenómenos sociais procura advertir para o facto de que as ciências sociais não
esgotam a compreensão da realidade e que essa não é apenas uma construção
social. Uma tal compreensão concorre para a formulação
de um construtivismo mais reflexivo acerca dos seus pressupostos. Para maior
discussão sobre essa questão, v. Lemieux (2012), bem como Livet e Nef (2009),
Elder-Vass (2012) e Vandenberghe (2010).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup>Para uma caracterização
sociológica do conceito de “prova”, ver Lemieux (2011); aqui nos limitamos à
definição esquemática do conceito de “prova legítima” (ou “prova de grandeza”),
pois são contempladas também no âmbito dessa teorização, as “provas de força”
que prescindem de justificação moral baseada em algum princípio de justiça.
Para maior detalhamento, ver também Nachi (2006, pp.
56-77).</p>

    <p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup>Nos
baseamos aqui na conceptualização weberiana de ordem legítima, a saber:
as ações sociais, assim como as relações sociais, são influenciadas pela crença
dos agentes na existência e validade de ordens legítimas. A validade de tais
ordenamentos para os indivíduos pode estar baseada na aceitação do costume, no
respeito à tradição, na observância de convenções, na crença da legalidade de
estatutos jurídicos, na defesa de valores e visões de mundo, etc. Mas, somente
a probabilidade de que tais ordenamentos sejam, de facto, reconhecidos pelos
agentes é que definirá a sua validade e legitimidade. Para maior detalhe, v.
Weber (1992, pp. 27-30).</p>

    <p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup>Mohamed Nachi propõe a
seguinte definição para esse conceito a partir da sociologia pragmática: uma
gramática “est constituée d’un ensemble de règles permettant aux acteurs de
faire converger leurs jugements et leurs actions en
partant de leurs expériences et du rapport qu’ils entretiennent à l’expérience”
(2006, p. 46).</p>

    <p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup> Em tradução livre para o
português: “um conjunto de regras a seguir para ser reconhecido em uma
comunidade […] Uma gramática é o que permite aos membros de uma comunidade
julgar corretamente, isto é, de ligar corretamente as descontinuidades que
ocorrem no mundo (corpos, objetos, materiais, gestos, palavras), às descrições
e experimentar ante algumas dessas descrições, um sentimento de evidência”.</p>

    <p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup> V. Lemieux (2009, pp.56-7).</p>

    <p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup>Aqui a construção do juízo
moral se atem às suas estruturas cognitivas sem referência à
conteúdos e valores morais, para maior detalhamento ver Habermas (1989), cap.
4: “Consciência moral e agir comunicativo”, bem como Kohlberg (1992).</p>

    <p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> Sobre o conceito de
disposições para ação, bem como sobre o programa de pesquisa em torno de uma
sociologia das disposições, v. Lahire (2002 e 2013).</p>

    <p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup>O projeto
Esperança/Cooesperança conta com 230 empreendimentos solidários organizados em
grupos (de no mínimo 10 pessoas ou 4 famílias) que
envolvem e beneficiam mais de 4500 famílias, em 30 municípios da região central
do RS, beneficiando direta e indiretamente, segundo os organizadores, mais de
20 000 pessoas entre produtores e consumidores.</p>

    <p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup>Dom Ivo Lorscheister
destaca-se como uma das figuras centrais da história e constituição da feira em
questão. Durante a década de 1970 foi secretário geral da Conferência Nacional
dos Bispos (CNBB), sendo reconhecido como uma liderança política na Igreja e
fora dela, manifestando-se de forma crítica ao regime militar vigente no
período. Data desta época a construção de uma estreita relação com Dom Helder
Câmara, rotulado pelo governo militar de “Bispo vermelho” por suas posições
contrárias aos interesses dos militares no poder. Neste período aproximou-se
bastante de Dom Helder, visto que Dom Ivo permanecia muito tempo na cidade do
Rio de Janeiro, assim possibilitando a constituição de um estreitamento de
laços entre eles (Sarria Icaza e Freitas, 2006, p. 33).</p>

    <p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> Conforme Warde (2005), as
práticas consistem tanto em “fazeres” e “dizeres”, que sugerem que a análise se
deve relacionar tanto com a atividade prática como com as suas representações.
Assim, a sua teorização considera a representação útil dos componentes que
formam um “nexo”, que seria o meio através do qual ações e
palavras se juntam e podem ser ditas e coordenadas.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup>De acordo com o autor, as
questões morais suscitadas pelo consumo, “têm uma natureza dupla (pelo menos),
pois são ambas baseadas na experiência humana comum, a ‘razão prática’, e, ao
mesmo tempo, são parte do discurso público sobre a moralidade, um discurso que
tem um contexto cultural, simbólico e político, mais amplo” (2001, p. 255).</p>

    <p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> Daniel Miller (2002) chegou a conclusão semelhante ao analisar o consumo familiar num
bairro londrino.</p>

    <p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> Rousseau e Herder guardam
uma distância crítica em relação ao ideal iluminista de uma natureza humana
suscetível de ser aperfeiçoada constantemente pelo uso da razão. Para
aprofundar a discussão, v. Taylor (1997).</p>

    <p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup> V. Johnston <i>et</i><i> al</i>. (2011), Barnet <i>et al</i>. (2005),
Sassatelli (2003), Murdoch e Miele (1999).</p>

    <p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> A autencidade é um elemento
explorado pela propaganda de bens e serviços na produção de peças publicitárias
endereçados ao consumo de massa. Ademais, mesmo as técnicas de produção
inspiradas no modelo japonês ao viabilizarem a customização de produtos tornam
possível a produção de produtos diferenciados segundo uma lógica de
singularização, cujo princípio de autenticidade seria uma forma de
justificação. Sobre essa discussão, v. Karpik (2007).</p>

    <p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> A noção de solidarismo aqui
utilizada remete-se ao conceito de solidarismo cristão, compreendido enquanto
uma ideologia que propõe o dever de ação dos cristãos em favor dos mais
desfavorecidos economicamente. Esta noção não se refere ao conceito de
solidariedade desenvolvido por Durkheim.</p>

    <p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> Aqui nos remetemos à noção
de “<i>embeddedness</i>”, utilizada pela sociologia económica e que optamos por
traduzir pelo particípio do verbo “encaixar”. A sociologia económica francesa
utiliza majoritariamente o termo “<i>encastrement</i>”, muito embora também
seja utilizado o termo “<i>enchâssement</i>”. Para mais detalhes v. Polanyi
(2001), Granovetter (1992) e Le Velly (2002).</p>


     ]]></body><back>
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