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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cabeças de lista às eleições legislativas portuguesas: laços locais ou visibilidade nacional?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article examines the extent to which personal characteristics of heads of lists differ from those of all other candidates. It draws upon an original dataset on the candidates to the Portuguese Parliament in five parliamentary elections between 1983 and 2009. The results reveal that candidates with public visibility - famous politicians, public figures, and candidates with more parliamentary experience - have a greater probability of being placed in the top positions of the lists than candidates having a prominent local profile. This pattern does not vary significantly when we consider district magnitude, type of party, or the amount of time since democratization.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[cabeças de lista]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[recrutamento parlamentar]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[public visibility.]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b>DOSSIÊ: NOVAS PERSPECTIVAS SOBRE PARTIFOS E ELEIÇÕES EM PORTUGAL E NO BRASIL : COLIGAÇÕES, CANDIDATOS E PATROCINATO</b></p>

    <p><b>Cabeças
de lista às eleições legislativas portuguesas: laços locais ou visibilidade
nacional?</b></p>

    <p><b>Heads of list in the Portuguese legislative elections:
localness or public visibility?</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>Edalina Rodrigues*
Sanches</b> e <b>Ana Espírito-Santo**</b></p>

    <p>*Universidade de Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 
Avenida Professor Aníbal de Bettencourt, 9 — 1600-189 Lisboa, 
Portugal. E-mail: <a href="mailto:edalinas@gmail.com">edalinas@gmail.com</a></p>

    <p>**ISCTE-IUL, CIES-IUL - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, 
Av. das Forças Armadas - 1649-026 Lisboa, Portugal.E-mail: <a href="mailto:ana.espirito.santo@iscte.pt">ana.espirito.santo@iscte.pt</a></p>


    <p><b>&nbsp;</b></p>


    <p><b>RESUMO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>Este artigo investiga em que medida as
características pessoais dos cabeças de lista diferem
das dos outros candidatos, partindo de uma base de dados original sobre os
candidatos à Assembleia da República, em cinco eleições legislativas entre
1983-2009. Os resultados revelam que os candidatos com maior visibilidade
nacional – políticos conhecidos, figuras públicas, candidatos com mais
experiência parlamentar – têm mais probabilidade de serem colocados no topo da
lista do que os candidatos que apresentam um perfil principalmente local. Este
padrão não se altera significativamente em função da magnitude do distrito, do
tipo de partido, nem com o amadurecimento da democracia.</p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: cabeças de lista; recrutamento
parlamentar; laços locais; visibilidade nacional.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>This article examines the extent to which personal
characteristics of heads of lists differ from those of all other candidates. It
draws upon an original dataset on the candidates to the Portuguese Parliament
in five parliamentary elections between 1983 and 2009. The results reveal that
candidates with public visibility – famous politicians, public figures, and
candidates with more parliamentary experience – have a greater probability of
being placed in the top positions of the lists than candidates having a
prominent local profile. This pattern does not vary significantly when we
consider district magnitude, type of party, or the amount of time since
democratization.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
heads of lists; parliamentary recruitment; localness; public visibility.<b></b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Os partidos políticos
desempenham funções vitais que ligam os cidadãos ao sistema político (Sartori,
1976). Uma dessas funções diz respeito à seleção dos “candidatos ao parlamento
e a outros órgãos políticos através de um processo formal de ‘nomeação’
designando-os como seus candidatos oficiais” (Lopes, 2002, p. 9).<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>

    <p>Nos anos 1990, Norris e Lovenduski (1995)
contribuíram de forma significativa para a compreensão deste processo a partir
da análise do recrutamento legislativo britânico. Norris e Lovenduski (1995)
demonstraram, entre outras coisas, que as organizações partidárias influenciam
decisivamente a “composição social” do parlamento, uma vez que mulheres, negros
e operários teriam mais probabilidade de serem recrutados, por
exemplo no Partido Trabalhista do que no Partido Conservador. Em
Portugal, um conjunto considerável de estudos tem investigado esta temática
olhando sobretudo para o resultado do processo de
recrutamento, isto é para o perfil sociopolítico dos candidatos e/ou eleitos ao
parlamento (Freire, Viegas e Seiceira, 2009; Freire, 1998, 2001, 2002, 2003;
Pinto e Freire, 2003; Teixeira, 2009). Partindo da análise das biografias
depositadas na Assembleia da República (AR) e/ou na Comissão Nacional de
Eleições (CNE), estes trabalhos têm vindo a traçar uma fotografia longitudinal
da classe política desde a Assembleia Constituinte até à atualidade. Para além disso, têm atribuído relevância ao modelo de
recrutamento dos partidos (centralizado vs. descentralizado; formal vs.
informal) (Freire, Viegas e Seiceira, 2009; Freire, 1998), à magnitude dos
círculos eleitorais e à posição que os candidatos ocupam nas listas (Teixeira,
2009), enquanto fatores explicativos dos resultados do processo de
recrutamento. Mais especificamente, o perfil dos candidatos escolhidos – em
termos de género, local de nascimento e de residência, e de experiência
política – parece variar com estas dimensões do sistema eleitoral.</p>

    <p>Apesar de existirem muitos estudos sobre
recrutamento parlamentar em Portugal, estes têm seguido uma perspetiva
essencialmente descritiva; ainda pouco se sabe sobre quais as características
pessoais dos candidatos que os partidos mais valorizam, tendo em conta
diferentes posições nas listas. Este artigo pretende colmatar esta lacuna
oferecendo respostas para as seguintes questões: Serão as características
pessoais dos cabeças de lista significativamente
distintas das dos outros candidatos? Em particular, terão os
cabeças de lista um perfil predominante local ou nacional? E, existirão
diferenças a este respeito, em função da magnitude do distrito, do tipo de
partido e do amadurecimento da democracia?</p>

    <p>Estas questões nunca foram investigadas no
contexto português mas são importantes quer do ponto
de vista da competição interpartidária, quer intrapartidária. Estudos que se
centraram em sistemas eleitorais de listas abertas, em que os eleitores votam para eleger candidatos, confirmam que os candidatos
posicionados em primeiro lugar nas listas são sistematicamente os mais votados
(Koppell e Steen, 2014; King e Leigh, 2009; Marcinkiewicz, 2014; Chen <i>et al</i>.
2014).</p>

    <p>Em sistemas de lista fechada, apesar de existirem
poucos incentivos para o cultivo do voto personalístico – visto que os cidadãos
votam em listas e não em candidatos – os cabeças de
lista continuam a ser importantes tanto para os partidos como para os cidadãos.
Para os partidos, a escolha dos cabeças de lista é
crucial porque eles são a “face” mais visível do partido, a nível distrital, em
tempo de campanha eleitoral. Enquanto os programas partidários fornecem
informação aos votantes sobre os objetivos políticos dos partidos, os atributos
dos candidatos chamam a atenção para aspetos mais paroquiais e locais aos quais
os eleitores são sensíveis (Shugart, Valdini e Suominen, 2005, p. 440).
Consequentemente, a escolha de um determinado perfil de candidato (e.g. uma figura local) pode ser determinante nos círculos eleitorais mais
disputados – sobre este argumento ver Nemoto e Shugart (2013).</p>

    <p>Para os cidadãos, os cabeças de lista podem funcionar como “atalhos” para a
decisão de voto e várias pesquisas têm encontrado diferenças importantes a este
nível. Estudos centrados em sistemas eleitorais abertos demonstram que os
eleitores mais desinformados tendem a ser mais influenciados pela forma como os
candidatos são ordenados nas listas (King e Leigh, 2009). E estudos sobre os
efeitos do líder no comportamento eleitoral em Portugal revelam que os cidadãos
mais desalinhados estão mais inclinados a mobilizar as suas perceções sobre os
líderes partidários para decidir em quem votar (Lobo, 2014).</p>

    <p>Em Portugal não se conhecem estudos sobre o
processo de recrutamento dos cabeças de lista, todavia
vários trabalhos sugerem que os líderes partidários são importantes – nas
decisões eleitorais (Lobo, 2015), nas campanhas eleitorais (Lisi, 2008), e para
os partidos <i>catch all</i> (Lobo, 2008) – e, logo que há lugar para o cultivo
de um voto personalístico. Este artigo constitui, assim, um importante
contributo para se perceber até que ponto os partidos procuram este tipo de
voto a partir da seleção dos seus cabeças de lista.
Para além disso, cria uma ponte entre a coleção de
estudos sobre recrutamento parlamentar em Portugal (Freire, Viegas e Seiceira,
2009; Freire, 1998, 2001, 2002; Teixeira, 2009) e as abordagens mais recentes,
na literatura comparada, que relacionam o perfil sociopolítico dos candidatos
com as características do sistema eleitoral (Nemoto e Shugart, 2013; Shugart,
Valdini e Suominen, 2005).</p>

    <p>Este artigo baseia-se na análise de uma base de
dados original sobre os candidatos que concorreram à
AR em 1983, 1995, 2002, 2005 e 2009 (Espírito--Santo e Sanches, 2012). Esta
base de dados inclui informação detalhada sobre o perfil social e político dos
candidatos e foi construída no âmbito do projeto <i>Electoral Systems and Party
Personnel – The consequences of reform and non-reform</i>, coordenado por Ellis
Krauss, Robert Pekkanen e Matthew Shugart. A sua diferença relativamente a
bases de dados similares (e.g.
Freire, Viegas e ­Seiceira, 2009) é que ela é exclusivamente sobre candidatos,
isto é, foi construída a partir da lista que os partidos apresentaram aos
eleitores. Portanto, tem a vantagem de dar uma visão real da ordenação dos
candidatos independentemente da altura em que chegaram ao parlamento.</p>

    <p>Outra diferença importante é que a base de dados
aqui utilizada inclui informação biográfica detalhada para todos os candidatos
que foram eleitos no dia da votação e para uma parte significativa dos não-eleitos dos principais partidos.<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> Assim, ela permite uma análise mais completa das diferenças entre os
cabeças de lista e todos os outros candidatos quer tenham sido eleitos ou não.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A estrutura deste artigo é a seguinte. Na próxima
seção apresentamos o estado da arte sobre as características do recrutamento em
sistemas eleitorais de lista fechada e algumas proposições explicativas da
variação nas estratégias de recrutamento. Continuamos com um enquadramento do
caso português e com a exposição das hipóteses que irão ser testadas neste
estudo. Finalmente, apresentamos os resultados da análise estatística
multivariada sobre as características pessoais que aumentam a probabilidade de
um candidato ser selecionado cabeça de lista. Os resultados desta análise
revelam que existem diferenças significativas entre o perfil dos
cabeças de lista e o perfil dos outros candidatos.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A ESCOLHA DE
CANDIDATOS EM SISTEMAS ELEITORAIS PROPORCIONAIS DE LISTA FECHADA</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Estudos recentes sugerem
que as características do sistema eleitoral influenciam significativamente as
estratégias de recrutamento dos partidos políticos. Estas parecem variar,
primeiramente, em função da estrutura do voto, isto é, se estamos perante um
sistema de lista fechada, semiaberta ou aberta, e depois em função da magnitude
do círculo eleitoral (Nemoto e Shugart, 2013; ­Shugart, Valdini e Suominen,
2005). Isto torna-se evidente quando se observa aquilo
que Nemoto e Shugart (2013) e Shugart, Valdini e Suominen (2005) designaram por
<i>atributos pessoais apelativos ao voto</i> (APAV).<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> Estes atributos dizem estritamente respeito aos laços locais (<i>localness</i>)
dos candidatos, isto é, à relação de pertença dos candidatos aos distritos em
que concorrem, em particular se nasceram ou se exerceram cargos políticos
nesses distritos. Segundo estes autores, estes laços locais são valorizados de
forma distinta pelos partidos, em função das regras do sistema eleitoral. Em
sistemas de lista aberta (e.g.
sistema de voto único transferível ou de voto preferencial) em que os eleitores
elegem diretamente os candidatos que preferem, os APAV são altamente
valorizados pelos partidos (Nemoto e Shugart, 2013; Shugart, Valdini e
Suominen, 2005). Porém, nos sistemas de lista fechada, em que os eleitores
votam na lista como um todo, os partidos não vêem
tanta utilidade em capitalizar os laços locais dos candidatos para ganharem
mais votos (Nemoto e Shugart, 2013; Shugart, Valdini e ­Suominen, 2005).</p>

    <p>Dito isto, vários outros aspetos ajudam a
compreender a variação no peso que os partidos atribuem às características
pessoais dos candidatos (e aqui não estamos a pensar apenas nos APAV). Sabe-se,
por exemplo, que partidos com estruturas de recrutamento mais descentralizadas
tendem a dar mais importância ao perfil local dos candidatos (Hazan e Rahat,
2010) e que partidos mais pequenos e mais polarizados
tendem a incluir um leque socialmente mais diversificado de candidatos nas suas
listas do que os partidos <i>mainstream</i> (­Norris e Lovenduski, 1997, p.
87). Para além disso, a importância dada às
características pessoais dos candidatos parece diminuir com a magnitude do
círculo eleitoral (André e Depauw, 2014) e à medida que caminhamos para o topo
da lista (Riera, 2011). Neste artigo interessa-nos precisamente a forma como as
características pessoais dos candidatos são hierarquizadas através do
posicionamento na lista. A maioria dos estudos que focou esta questão, preocupou-se essencialmente em explicar em que medida a
posição na lista influencia a probabilidade de voto em sistemas de listas
abertas; vejamos alguns exemplos.</p>

    <p>Para as eleições federais australianas, onde
vigora um sistema de voto preferencial, King e Leigh (2009) demonstraram que o
primeiro candidato da lista recebe significativamente maior proporção de votos
do que os outros candidatos, mesmo quando são controladas variáveis como
género, idade e composição etnolinguística do distrito. Na mesma linha,
Marcinkiewicz (2014) revelou, para o sistema proporcional de lista aberta polaco, que quanto melhor posicionado estiver o
candidato maior a sua probabilidade de eleição. Mais ainda, confirmou aquilo
que Koppel e Steen (2004) definiram como <i>primacy </i>e <i>recency effects</i>,
na medida em que o primeiro e o último candidato da lista eram sistematicamente
os mais votados. A conclusões semelhantes chegaram Chen <i>et</i><i>
al.</i> (2014) que confirmaram a existência de <i>primacy effects</i> em mais
de 80% das eleições ocorridas em North Dakota entre 2000 e 2006.</p>

    <p>Estes estudos mostram a importância da posição da
lista enquanto “atalho” para a decisão de voto. No entanto, as questões
investigadas neste artigo remetem para a dinâmica de competição
intrapartidária, designadamente para a forma como os partidos escolhem e
ordenam os seus candidatos em função das regras do sistema eleitoral, do tipo
de partido e do amadurecimento da democracia. Na análise do sistema eleitoral
proporcional de lista fechada espanhol, Riera (2011) oferece um dos poucos
estudos que aborda algumas destas questões. Partindo de uma base de dados
biográfica com mais de 1000 cabeças de lista dos dois principais partidos<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>
concorrentes às eleições gerais espanholas entre 1978 e 2008, o autor testa
várias hipóteses sobre o efeito das características pessoais dos candidatos –
nomeadamente, laços locais e carreira política de topo – na proporção de votos
obtidos pelos partidos. Para além disso, investiga até
que ponto a presença destas características varia com a magnitude do círculo
eleitoral e com o amadurecimento da democracia.</p>

    <p>Os resultados deste estudo revelaram que os
partidos têm vantagens em colocar candidatos com carreira política de prestígio
a nível nacional como cabeças de lista: os melhores resultados (em termos de
proporção de votos) foram obtidos nos círculos eleitorais em que os cabeças de lista tinham exercido cargos políticos de topo
(e.g. ex-ministros, deputados nacionais e regionais). Por oposição, o
facto de o candidato ser natural do mesmo círculo eleitoral em que concorre a
eleições não tem um peso significativo no desempenho eleitoral do partido. Para além disso, 
o autor observa que os APAV<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> 
não são mais relevantes em distritos menores (em comparação com
distritos maiores), contrariando a ideia generalizada de que em sistemas de
lista fechada os APAV perdem ainda mais relevância à medida que aumenta a
dimensão do círculo eleitoral (Nemoto e Shugart, 2013; ­Shugart, Valdini e
Suominen, 2005). Assim, pelo menos no que diz respeito aos
cabeças de lista, o estudo de Riera (2011) demonstra que a importância
atribuída à experiência política a nível nacional do candidato não diminui com
a magnitude do círculo eleitoral e que isso tem impacto na votação. Demonstra
ainda que o tempo é uma variável importante já que os candidatos locais perdem
importância à medida que aumenta o número de eleições ocorridas desde a
transição para a democracia.</p>

    <p>Torna-se, assim,
possível concluir a partir do caso espanhol que: (i) as características
pessoais importam mesmo em sistemas de lista fechada; (ii)
elas não se distribuem de forma homogénea pelos diferentes lugares da lista, e
finalmente, (iii) os partidos maximizam a sua probabilidade de eleição nomeando
para o topo da lista os candidatos com mais experiência política. E em
Portugal, o que se sabe sobre o recrutamento parlamentar? E que o que sabe
sobre a sua relação com a posição na lista? A secção seguinte debruça-se sobre
estas questões.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>AS CARACTERÍSTICAS DO
RECRUTAMENTO EM PORTUGAL</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>A maioria dos estudos
sobre o processo de recrutamento das elites políticas em Portugal tem-se focado
principalmente no recrutamento parlamentar (Freire, Viegas e Seiceira, 2009;
Freire, 1998, 2001, 2002; Teixeira, 2009). Apenas uma minoria analisou outras
elites políticas (ver colecção de estudos em Pinto e Freire, 2003 e sobre elite
ministerial ver Guedes, 2009; Pinto, Almeida, e ­Bermeo, 2012) ou procurou
perceber de que forma o caráter mais ou menos centralizado das organizações
partidárias (Freire, 2003), a magnitude do círculo eleitoral ou a posição na
lista (Teixeira, 2009) influenciam o resultado do processo de recrutamento.
Recorremos a esta literatura para efetuar uma breve síntese do que se sabe
sobre o recrutamento parlamentar em Portugal.</p>

    <p>A análise de Freire (2002), para os deputados
eleitos desde a Assembleia Constituinte à VIII legislatura, desvenda por exemplo que a proporção de eleitos sem cargos nos
órgãos dirigentes dos partidos tem vindo a decrescer sistematicamente e que o
PSD<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> é o partido parlamentar com um modelo de recrutamento mais
descentralizado. Este partido apresenta a percentagem mais elevada de deputados
com cargos nos órgãos locais e regionais do partido – apenas ultrapassado pelo
CDS-PP<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> na VII legislatura (Freire, 2002, pp. 31-32). Adicionalmente, a
experiência política, particularmente a proporção de eleitos com experiência prévia
a nível local aumentou significativamente em termos longitudinais (de 10% na
Constituinte e I legislatura para 50% na V legislatura); evidenciando a
importância da experiência autárquica na carreira política dos deputados
(Freire, 2002, p. 42). No entanto, entre a I a VIII legislatura a média de <i>turnover</i>
(ou seja de novos deputados) foi de 50% o que denota a
ainda modesta experiência parlamentar dos deputados portugueses (Freire, 2002,
pp. 40-41).</p>

    <p>O estudo de Teixeira (2009), por sua vez,
baseia-se na lista de candidatos dos principais partidos – BE<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, CDS-PP, 
CDU<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>, PS<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> e 
PSD – concorrentes às eleições legislativas entre 1987 e 2002 e
relaciona o perfil sociopolítico dos candidatos com a magnitude do círculo
eleitoral e a posição na lista. No que se refere à magnitude do círculo
eleitoral, o seu estudo demonstra que a proporção de mulheres, <i>insiders</i><sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>e de candidatos que exercem uma profissão menos propícia à atividade
política<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> aumenta significativamente com a magnitude do círculo eleitoral.
Note-se, no entanto, que Teixeira (2009) encontra 94% de <i>insiders</i> e 65%
de candidatos com profissões propícias ao exercício da ­atividade política no
seu estudo. Verifica ainda que a proporção de <i>sobreviventes</i><sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> e de candidatos que concorrem à reeleição pelo mesmo círculo eleitoral
em que nasceram aumenta com a magnitude do círculo eleitoral (Teixeira, 2009, pp.
81-85). Estes resultados sugerem que a magnitude do distrito tem efeitos
heterogéneos na forma como os partidos valorizam quer os
laços locais quer outras características pessoais dos candidatos.</p>

    <p>No que diz respeito
à posição na lista, Teixeira (2009) encontra as seguintes correlações
estatisticamente significativas: os homens, a faixa etária entre 36-49 anos, os
<i>insiders</i> e os que exercem profissões mais favoráveis ao exercício de
atividade política tendem a ser nomeados para os lugares elegíveis (­Teixeira,
2009, p. 103). Uma tendência idêntica verifica-se entre os candidatos com
filiação partidária, os<i> sobreviventes</i>, e os que concorrem para a sua
eleição no mesmo círculo eleitoral em que concorreram na eleição anterior
(Teixeira, 2009, p. 105).</p>

    <p>Estes estudos são importantes e apresentam o caso
português como potencialmente relevante para a compreensão dos processos de
competição intrapartidária nos sistemas de lista fechada, na medida em que
confirmam a importância das características pessoais dos candidatos no processo
de recrutamento. Se tomarmos como ponto de partida os APAV, que indicam os
laços locais dos candidatos, observamos isso muito
claramente. Freire (2002) demonstrou que a experiência política local se tem
afirmado como um ponto importante da carreira política dos deputados em termos
longitudinais, enquanto Teixeira (2009) verificou que a quase totalidade dos
candidatos são <i>insiders</i> ou seja nasceram e/ou
vivem nos círculos eleitorais em que concorrem às eleições. Complementarmente,
os <i>insiders</i> estão entre os melhores lugares da lista e parecem ser mais
valorizados à medida que aumenta a magnitude do círculo eleitoral (Teixeira,
2009).</p>

    <p>Assim o caso português parece contrariar a
expectativa de que os sistemas de lista de fechada oferecem poucos incentivos
para os partidos cultivarem os APAV dos candidatos.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A ESCOLHA DOS CABEÇAS DE LISTA: HIPÓTESES DE TRABALHO</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Os estudos sobre o
contexto português dão-nos algumas indicações sobre as características gerais
do recrutamento parlamentar, no entanto não permitem saber se estas
características variam quando os partidos escolhem o candidato que vai
encabeçar a lista do partido num determinado distrito. Tendo em conta a
importância que estes lugares podem ter em sistemas eleitorais de lista fechada
importa questionar se os modelos de recrutamento diferem significativamente
para cabeças de lista versus outros candidatos. Será que continuaremos a
encontrar tantos <i>insiders</i> e candidatos com experiência política a nível
local no lugar mais visível da lista? E, existirão diferenças significativas no
perfil dos escolhidos, em função das características do distrito, do tipo de
partido e à medida que a democracia amadurece?</p>

    <p>A premissa segundo a qual os laços locais perdem
relevância em sistemas eleitorais de lista fechada é uma das mais consensuais e
tem sido sistematicamente confirmada em estudos sobre os efeitos do sistema
eleitoral no recrutamento parlamentar (Nemoto e Shugart, 2013; Shugart, Valdini
e Suominen, 2005). Do lado da oferta, os partidos têm poucos incentivos para
cultivar os laços locais dos candidatos, porque o voto recai sobre a lista; do
lado da procura, os votantes parecem ser mais atraídos pela carreira política a
nível nacional do que pela pertença local dos candidatos (Riera, 2011). Assim,
a nossa primeira hipótese de trabalho é que <i>a probabilidade de um candidato
ser selecionado cabeça de lista aumenta se ela/ele tiver um perfil
principalmente nacional (H1)</i>.</p>

    <p>Esta probabilidade deverá aumentar com a
magnitude do distrito, na medida em que vários estudos demonstraram empiricamente
que os laços locais dos candidatos perdem relevância à medida que aumenta a
magnitude do distrito (Shugart, Validini e Suominen, 2005; André e Depauw,
2012; Carey e Shugart, 1995). Neste sentido: <i>quanto maior a magnitude do
distrito maior a probabilidade de os partidos selecionarem candidatos com um
perfil principalmente nacional (H2)</i>.</p>

    <p>Para além da magnitude, vários trabalhos sugerem que as estratégias de
nomeação dos partidos diferem consoante as características
sociodemográficas e geográficas dos distritos (Rokkan e Valen, 1960;
Verba, Nie e Kim, 1978). No estudo do processo de recrutamento norueguês,
Rokkan e Valen (1960) demonstraram que a nomeação dos candidatos segue uma
lógica em que os partidos procuram representar determinados interesses de
classe, capturar votos marginais e promover um equilíbrio geográfico. Isto era
particularmente visível no que diz respeito ao rácio de género: a representação
de mulheres era maior nos distritos periféricos do que nos distritos que
estavam integrados num complexo metropolitano. Nestes últimos, os partidos
procuravam representar os interesses dos trabalhadores. Latner e McGann (2005),
por sua vez, comprovaram que, mesmo nos casos mais extremos de representação
proporcional – Israel e Holanda –, existe representação de interesses
geográficos, especificamente de regiões periféricas, em resultado de vários
fatores. Em primeiro lugar, as características dos distritos, em particular, a
existência de identidades e interesses regionais e políticos mais fortes e
­salientes do que noutros distritos, incentivam os partidos a apostar em
figuras locais como forma de captarem o voto do eleitorado. Em segundo lugar,
essa tendência será tanto maior quanto mais disputados forem os distritos. Em
terceiro lugar, nos distritos periféricos, os eleitores estarão mais sensíveis
às características dos candidatos que “atestam” a sua pertença local,
nomeadamente se nasceram, se vivem ou se exerceram
cargos políticos nesse distrito. Em Portugal, este argumento ainda não foi testado,
no entanto podemos argumentar que, sendo os Açores e a Madeira classificados
como regiões ultraperiféricas pela União Europeia (RUP) – nomeadamente pelo seu
afastamento geográfico, insularidade e pequena dimensão – e sendo as únicas
regiões portuguesas com estatuto autonómico –, é provável que tenham uma
identidade regional mais singular e saliente do que as regiões continentais. Se
assim for, os partidos tenderão a nomear mais locais para as listas destes
círculos eleitorais do que para os restantes. Daqui decorre a hipótese que <i>em
distritos periféricos os candidatos com um perfil local</i> têm mais
probabilidade de ser<i>em selecionados cabeças de lista
(H3)</i>.</p>

    <p>Adicionalmente, a importância atribuída às
características locais ou nacionais dos candidatos poderá variar de acordo com
o tipo de partido. Estudos sobre a mudança das organizações partidárias indicam
(i) um progressivo reforço das lideranças dos partidos e consequente
enfraquecimento das organizações de base, (ii) uma
importância crescente da face pública (governativa e parlamentar) dos partidos
e uma (iii) fraca ancoragem social dos partidos (Kirchheimer, 1966; Katz e
Mair, 1995; Gunther e Diamond, 2003). Estas mudanças são típicas dos partidos
eleitoralistas e <i>catch all</i> e têm implicações no grau de personalização
das campanhas eleitorais, de centralização dos processos de seleção dos
candidatos (Lisi e Santana Pereira, 2014), mas também na importância dos
líderes e das suas características pessoais (Lobo, 2006 e 2008). Embora não
exista um teorização sobre a escolha dos cabeças de
lista, estes estudos ajudam a sustentar a hipótese de que os partidos
eleitoralistas ou <i>cacth all</i> – por evidenciarem estruturas organizativas
mais fracas, por estarem menos vinculados a um eleitorado particular e mais
orientados para a sua presença no governo e no parlamento – tenderão a dar mais
importância ao perfil nacional dos cabeças de lista do que aos seus laços
locais. Logo, testamos a hipótese de que os <i>partidos catch all dão mais
importância ao perfil nacional dos cabeças de lista do
que os restantes partidos</i> (H4).</p>

    <p>Finalmente, vários indicadores de desalinhamento
eleitoral dão conta do desenvolvimento de um voto cada vez mais individualizado
e sugerem que os partidos e os seus programas têm perdido relevância enquanto
fatores explicativos do voto <i>vis-à-vis</i> fatores de curto prazo como a
avaliação dos candidatos ou do estado da economia (Dalton, Wattenberg e
McAllister, 2000; Lobo, ­Curtice, 2014; Lobo, 2008). Aliado a isto, a mediatização da política
tem levado a que os partidos se concentrem cada vez mais na imagem pública dos
candidatos (Lobo, Curtice, 2014). Estes desenvolvimentos indicam que tem havido
uma valorização crescente dos atributos pessoais dos candidatos, do ponto de
vista longitudinal. Esta valorização incidirá especialmente nas características
nacionais dos líderes partidários por serem elas a assumir maior proeminência
mediática e partidária. A última hipótese testada neste artigo é então a de que
com o amadurecimento da democracia<i>, mais importância é dada ao perfil
nacional</i> <i>dos cabeças</i><i> de lista </i>(H5).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>OPERACIONALIZAÇÃO E
DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>A variável dependente
deste estudo é a probabilidade de um candidato ser selecionado cabeça de lista
e é medida de forma dicotómica (1=cabeça de lista; 0=outros candidatos). As variáveis independentes medem laços locais e
visibilidade nacional. Os laços locais são operacionalizados por três variáveis
dicotómicas: nativo (1=nasceu no mesmo distrito em que concorre a eleições; 0=não nasceu); residente (1=reside no mesmo distrito em que concorre a eleições; 0=não reside) e experiência política local (1=exerceu algum cargo político a nível local nas últimas três eleições
autárquicas; 0=não exerceu). A razão para a escolha destes três indicadores é que eles
fornecem informações diferentes ao eleitor; enquanto ser nativo ou residente
passa a informação de que o candidato conhece as necessidades do distrito; ter
exercido cargos políticos a nível local indica que o candidato tem competências
para representar o distrito (Shugart, Valdini e Suominen, 2005, p. 441). A
visibilidade nacional é operacionalizada pelas seguintes variáveis: político
conhecido<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> (1=sim;
0=não); figura pública<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> (1=sim; 0=não) e experiência parlamentar
 (número de mandatos ganhos desde 1976).</p>

    <p>Estas variáveis independentes entrarão no modelo estatístico sozinhas e em interação com quatro variáveis de
tipo macro. A primeira é a magnitude do distrito (número de candidatos eleitos
pelo distrito) e a segunda é a região periférica (Açores e Madeira=1; continente=0). Como referimos anteriormente, os Açores e a Madeira são regiões
ultraperiféricas com um estatuto ­geográfico e político que não é comparável ao
de outras regiões do continente daí que sejam escolhidas neste exercício de
operacionalização. A terceira é tipo de partido, e distingue partidos <i>catch-all</i>
(PS e PSD) de outros modelos de organização partidária (BE, CDS-PP e PCP). PS e
PSD são frequentemente classificados como partidos <i>catch all</i> e o PCP
como partido de massas (Lopes, 2002; Lobo, 2008). O CDS-PP aproxima-se do tipo
ideal de partido de quadros moderno (Lopes, 2002) enquanto o BE está mais
próximo do tipo ideal de partido-movimento proposto por Gunther e Diamond
(2003). Neste exercício optamos por criar uma variável dicotómica com o intuito
de captar os efeitos dos partidos <i>catch all</i>, por serem estes os que
tenderão a valorizar as características nacionais dos candidatos de acordo com
a nossa hipótese. A quarta é o tempo (o número de anos passados desde a
transição para a democracia até à eleição observada) e por últimos temos as
variáveis de controlo: mulher (1=mulher; 0=homem), idade (em anos) e incumbente<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a> (1=sim; 0=não).</p>

    <p>A amostra deste estudo é composta pelos
candidatos dos principais partidos/alianças concorrentes
às eleições em 1983, 1995, 2002, 2005 e 2009<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, nomeadamente: BE, CDS-PP, CDU (PCP e PEV), PS e PSD. De um total de
1759 candidatos (que incluem todos os eleitos e uma fração dos não-eleitos<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>) 504 são cabeças de lista, enquanto 1255 são candidatos colocados em
outros lugares da lista. Com exceção do BE, que concorre desde 1999, todos os
outros partidos são observados ao longo de cinco eleições, em 22 círculos
eleitorais, o que perfaz um total de 110 cabeças de lista por partido (ver
 <a href="#A">apêndice</a>).</p>

    <p>Começando pelos laços locais dos candidatos, os
dados apresentados no <a href="#q1">quadro 1</a> revelam que os cabeças
de lista estão bastante menos enraizados nos círculos eleitorais em que
concorrem. É entre os cabeças de lista que encontramos
as percentagens mais baixas de nativos (21,4% contra 78,6%), de residentes
(20,8% contra 79,2%) e de candidatos com experiência política local (20,1%
contra 79,9%). As diferenças encontradas entre os cabeças
de lista e os outros candidatos são estatisticamente significativas e sugerem
que os laços locais são significativamente menos relevantes para a escolha do
candidato que encabeçará a lista do partido num determinado distrito.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a06q1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>No que concerne às variáveis que descrevem o
perfil ou a visibilidade nacional dos candidatos, verifica-se em primeiro lugar
que os cabeças de lista têm percentagens bastante mais
baixas de “desconhecidos” – apenas 26% e 27,6% dos cabeças de lista não são
políticos conhecidos ou figuras públicas, respetivamente. Estas percentagens
são bastante mais altas entre os candidatos situados em outros lugares da lista
(74% e 72,5%, respetivamente). Estes dados indicam,
que os candidatos com maior visibilidade nacional têm melhores posições na
lista. Em segundo lugar, e considerando a carreira política a nível nacional,
verifica-se que os cabeças de lista têm mais experiência
parlamentar, embora a diferença não seja muito acentuada (é de apenas meio
mandato).</p>

    <p>Finalmente, no que
diz respeito às variáveis de controlo, os resultados apresentados no <a href="#q1">quadro 1</a> indicam que
 as mulheres estão sub-representadas quer de um
modo global quer particularmente entre os cabeças de lista (13,3% contra
20,8%). Estes são também tendencialmente mais velhos (49 anos) do que os outros
candidatos (45 anos). Os resultados demonstram ainda que existem muito menos
incumbentes entre os cabeças de lista (24,5%) do que
entre os restantes candidatos (75,5%). Este resultado pode ser explicado pelo
facto de que muitos cabeças de lista abandonam o seu
lugar no parlamento após terem sido eleitos para ocuparem cargos no governo ou
mesmo para concorrerem a outras eleições, o que faz com que não estejam em
exercício de funções no momento em que são elaboradas as listas para as
eleições seguintes.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>O QUE PESA MAIS NA
ESCOLHA DOS CABEÇAS DE LISTA?</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Os quadros <a href="#q2">2</a> e <a href="#q3">3</a> apresentam os resultados de cinco análises de
regressão <i>probit</i> conduzidas no STATA, para cada uma das cinco hipóteses
testadas neste estudo. Para além disso, nas figuras <a href="#f1">1</a>
a <a href="#f4">4</a> apresentamos as probabilidades previstas de um candidatado ser escolhido
cabeça de lista para os modelos cujos resultados são mais significativos.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a06q2.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a06q3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<a name="f1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a06f1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

<a name="f2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a06f2.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

<a name="f3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a06f3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

<a name="f4">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a06f4.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>



    <p>O modelo 1 (<a href="#q2">quadro 2</a>)
confirma empiricamente que os cabeças de lista são significativamente menos
locais do que os outros candidatos, e que são recrutados sobretudo pelo seu
perfil nacional. Com efeito, eles são menos nativos, menos residentes e
exerceram menos cargos políticos a nível local, mas em contrapartida, têm mais
visibilidade nacional, quer porque são políticos conhecidos ou figuras
públicas, quer pela sua experiência parlamentar acumulada. Esta tendência é
confirmada em quase todos os modelos estimados, mesmo quando controlamos pelo
sexo, idade, incumbência e introduzimos efeitos fixos (anos e partidos) nos
modelos. Assim, a H1 é claramente confirmada.</p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas figuras <a href="#f1">1</a> e <a href="#f2">2</a> apresentamos as probabilidades
previstas de um candidatado ser escolhido cabeça de lista, segundo o modelo 1, para as variáveis mais relevantes. Verifica-se que a
probabilidade de um não residente ser escolhido cabeça de lista é de 61%
enquanto a de um residente é de 42%. Um candidato com experiência política local
tem menos probabilidade de ser escolhido cabeça de lista
do que um que tenha essa experiência (34% contra 42%). ­Finalmente, a
probabilidade de ser selecionado cabeça de lista é
maior entre os que são políticos conhecidos do que os que não são (52% contra
42%) – embora a diferença não seja significativa já que há alguma sobreposição
entre os intervalos de confiança (<a href="#f1">Figura 1</a>). A <a href="#f2">figura 2</a>, por sua vez, demonstra
que a probabilidade de um candidato ser escolhido cabeça de lista aumenta,
embora só ligeiramente, à medida que a sua experiência parlamentar incrementa.
Um candidato que nunca foi eleito deputado tem 40% de probabilidade de ser
cabeça de lista, subindo essa probabilidade para 55% quando os 10 mandatos como
deputado são atingidos. Em geral, os resultados mais salientes apontam no
sentido de que o prestígio acumulado a nível nacional – através do exercício de
cargos políticos e da visibilidade pública – constitui uma mais-valia para se ser selecionado cabeça de lista.</p>

    <p>No modelo 2 (<a href="#q2">quadro 2</a>)
testamos a hipótese de a probabilidade de os partidos selecionarem candidatos
com um perfil nacional aumentar com a magnitude do distrito (H2). Os
coeficientes vão no sentido da hipótese formulada,
contudo os resultados encontrados não são estatisticamente significativos. Por
outras palavras, a tendência dos partidos recrutarem cabeças de lista com um
perfil essencialmente nacional não varia significativamente com a magnitude do
distrito.</p>

    <p>No modelo 3 testamos a
hipótese de os candidatos locais terem mais probabilidade de serem colocados no
topo da lista em distritos periféricos – neste caso nas regiões autónomas dos
Açores e da Madeira (H3). Os resultados confirmam parcialmente esta hipótese.
Tal como expectável, encontramos mais residentes entre os
cabeças de lista, mas também encontramos mais políticos conhecidos. A
competitividade nestes distritos poderá levar a que os partidos apostem nos
candidatos locais que têm maior visibilidade pública. As probabilidades
previstas (<a href="#f3">Figura 3</a>) confirmam estes resultados, sobretudo no que diz respeito
à variável “político conhecido”. Os candidatos que são políticos conhecidos têm
97% de probabilidade de serem escolhidos cabeças de lista
sendo essa probabilidade significativamente inferior entre os que não são
conhecidos (59%). As probabilidades previstas para a residência (vs. não
residência) vão no sentido esperado, isto é, os
residentes têm mais probabilidade de serem cabeças de lista (invertendo a
tendência observada para os restantes círculos eleitorais – <a href="#f1">Figura 1</a>), mas as diferenças
não são significativas (<a href="#f3">Figura 3</a>). ­Também ao contrário do observado para a
totalidade dos círculos eleitorais (<a href="#f2">Figura 2</a>), os candidatos de regiões
periféricas têm menor probabilidade de serem escolhidos
cabeças de lista quanto maior for a sua experiência parlamentar (<a href="#f4">Figura
4</a>). Um candidato que nunca tenha servido como deputado tem 67% de probabilidade
de ser cabeça de lista de uma região autónoma, enquanto essa percentagem
decresce para 50% após 3 mandatos.</p>


    <p>No modelo 4 (<a href="#q3">Quadro 3</a>)
investigamos se os partidos <i>catch all</i> dão mais importância ao perfil
nacional dos cabeças de lista que os restantes partidos (H4). A nossa
expectativa apenas se confirma parcialmente. Por um lado, verificamos que,
apesar de serem mais nativos, os cabeças de lista dos
partidos <i>catch all</i> são também menos residentes e têm menos experiência
política local do que os outros candidatos. Por outro lado, no que respeita a
visibilidade nacional, apenas a experiência parlamentar distingue
significativamente os cabeças de lista do PS e do PSD dos do BE, da CDU e do
CDS-PP. Este resultado é esperado uma vez que os candidatos dos dois maiores
partidos têm mais experiência parlamentar acumulada do que os candidatos da
oposição. Em termos globais, a hipótese testada no modelo 4
não é confirmada de modo unívoco, indicando que as estratégias de recrutamento
dos dois principais partidos não se distinguem significativamente dos restantes
três partidos.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a06q3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Finalmente, no modelo 5
examinamos se os partidos dão mais importância ao perfil nacional dos cabeças
de lista à medida que passam os anos desde a transição para a democracia (H5).
Os resultados encontrados não confirmam esta hipótese. Apenas ser nativo ganhou
relevância significativa ao longo do tempo, não se verificando mudanças
importantes quer nas outras variáveis que medem laços locais quer
nas que medem visibilidade nacional.</p>

    <p>Estes resultados sugerem um padrão de
continuidade nas estratégias de recrutamento dos cabeças
de lista, que revela uma certa resistência à mudança por parte das estruturas
partidárias responsáveis pelo recrutamento dos candidatos. Com efeito, apesar
das tendências recentes de democratização da escolha do líder, os processos de
escolha dos candidatos a eleições legislativas continuam a ser pouco inclusivos
e a estar centralizados nos órgãos nacionais dos principais partidos, (Freire e
Teixeira, 2011). Esta situação tenderá a favorecer e a proteger os interesses e
visões dos partidos sobre qual deve ser o perfil do cabeça
de lista.</p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS FINAIS</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Este artigo propôs-se analisar
um conjunto de questões sobre o recrutamento dos cabeças
de lista em Portugal; em particular se os cabeças de lista apresentam um perfil
predominante local ou nacional; e se existem diferenças a este respeito, em
função das características do distrito, do tipo de partido e do amadurecimento
da democracia.</p>

    <p>Estudos anteriores revelaram que, em Portugal, a
quase totalidade dos candidatos são <i>insiders,</i> ou seja
nasceram e/ou vivem nos círculos eleitorais em que concorrem às eleições e que
os <i>insiders</i> estão entre os melhores ­lugares da lista (Teixeira, 2009).
No entanto, os nossos resultados demonstram, de forma clara, que os cabeças de lista são significativamente diferentes dos
outros candidatos. De um modo geral, os cabeças de
lista apresentam um perfil predominante nacional, isto é, são sobretudo figuras
públicas e políticos conhecidos e desempenharam pelo menos um mandato a nível
parlamentar. Ainda mais saliente do que o seu perfil nacional, é o facto de não
terem perfil local (não tendem a ser nativos nem residentes no distrito em que
concorrem, nem a ter experiência política local). Estes resultados principais
mantêm-se em quase todos os modelos quantitativos estimados o que indica que
eles são robustos por um lado, e relativamente transversais por outro lado. Com
efeito, verificámos que o modelo de recrutamento dos cabeças
de lista mantém-se fundamentalmente igual, mesmo quando controlamos por
características pessoais como género, idade e incumbência e consideramos o
número de anos passados desde a transição para a democracia, o tipo de partido
e a magnitude do distrito.</p>

    <p>A exceção são as
regiões periféricas, onde de facto as estratégias de recrutamento se revelam
mais heterogéneas. Aqui, observa-se por um lado uma maior saliência do perfil
local do cabeça de lista (em particular o facto de o
candidato ser residente), mas não de uma forma tão forte que inverta a
tendência observada para os restantes círculos eleitorais. Pelo contrário, à
semelhança do observado para a totalidade do país, mas ainda com maior
intensidade, ser um político conhecido é um critério central para a escolha dos cabeças de lista nos Açores e Madeira; sendo mais
valorizado pelos partidos do que a competência política adquirida quer a nível
local quer a nível nacional/parlamentar.</p>

    <p>O facto de os cabeças de
lista terem um perfil muito mais nacional do que local do que os restantes
candidatos sugere duas possíveis interpretações. A primeira interpretação
encara os candidatos que ocupam os primeiros lugares nas listas de candidatura
como a “face” do partido em campanha, por excelência. Isto é, vê os cabeças de lista como as pessoas que, juntamente com o
líder do partido, serão os protagonistas da campanha eleitoral. No âmbito desta
interpretação, conclui-se, em linha com o que a literatura comparativa tem
demonstrado (Shugart, Valdini e Suominen, 2005; Nemoto e Shugart, 2013), ser um
candidato local num sistema eleitoral de lista fechada, como o português, não é
considerado uma mais-valia. Isto é, os partidos não creem que ter alguém que seja
<i>insider</i> ao distrito lhes traga um benefício eleitoral expressivo – de
outra forma, escolheriam mais ­candidatos com perfil local (e não nacional)
para colocarem na posição mais visível da lista. Este resultado segue a
tendência observada quanto à natureza das campanhas que se efetuam em Portugal,
onde a adoção de uma agenda individualizada ou localizada, assim como o uso de
ferramentas ­personalísticas ainda é modesto, quando comparado com outros
países (Lisi e Santana-Pereira, 2014). Seria interessante auscultar a opinião
pública sobre este assunto. Por um lado, para perceber até que ponto os
cidadãos sabem quem são os cabeças de lista do seu
distrito e, por outro lado, para averiguar se o facto de os cabeças de lista
serem ou não figuras locais é relevante para o sentido de voto dos eleitores.
Até ao momento não se conhecem estudos que façam esta pesquisa.</p>

    <p>A segunda interpretação possível parte da ideia
de que os primeiros lugares nas listas não são necessariamente vistos pelos
partidos como um chamariz para mais votos – o que é compreensível tendo em
conta a centralização das campanhas no partido e no seu líder a que se assiste
em Portugal (Lisi e Santana-Pereira, 2014). Segundo esta interpretação, os
primeiros lugares de cada distrito não são encarados de um ponto de vista
estratégico, mas antes como os lugares mais seguros, isto é, aqueles cuja
eleição está garantida (ou quase). Dessa forma, estes devem ser atribuídos a
pessoas fiéis, próximas da liderança do partido, a quem eventualmente se devem
favores políticos, que são concomitantemente pessoas com tendência a ocupar
cargos importantes na legislatura que então se inicia: como ministros,
secretários de estado, porta-vozes do partido, líderes do grupo parlamentar,
entre outros. Daí se explica que ocupantes destas posições pertençam a uma
elite política nacional, altamente reconhecida.</p>

    <p>Qualquer uma destas interpretações assume, como
se sabe ser o caso ainda hoje em Portugal, que os partidos se caracterizam por
um elevado grau de centralização na seleção dos seus candidatos – em particular
de uma percentagem acentuada dos lugares elegíveis em cada distrito – relegando
para segundo plano as estruturas locais (Freire e Teixeira, 2011) e deixando de
fora quer os eleitores quer os membros dos partidos. Com efeito, as únicas
experiências de primárias em Portugal foram levadas a cabo pelo recentemente
formado partido Livre, para as eleições europeias de 2014 e para as
legislativas de 2015. Os partidos de maior dimensão têm vindo a dar pequenos
sinais de inclusão dos seus membros no processo de seleção, em particular o PS
que os chamou para elegerem o candidato a primeiro-ministro (Seguro vs Costa) em setembro 2014, mas continuam longe de aderir
abertamente às primárias.</p>

    <p>Este estudo apresenta resultados únicos sobre a
forma como os cabeças de lista são escolhidos em
Portugal, no entanto deixa também questões em aberto que poderão ser analisadas
em investigações futuras, nomeadamente através da utilização de metodologias
qualitativas. Em particular, estas permitiriam dar conta das dinâmicas
intrapartidárias que contextualizam o recrutamento dos
cabeças de lista nos diferentes círculos eleitorais.</p>


    <p><b>&nbsp;</b></p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <!-- ref --><p>ANDRÉ, A., DEPAUW, S. (2014),
“District magnitude and the personal vote”. <i>Electoral
Studies</i>, 35, pp. 102-114.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082167&pid=S0003-2573201600030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CAREY, J., SHUGART, M. (1995)
“Incentives to cultivate a personal vote: a rank ordering of electoral
formulas”.<i>Electoral Studies</i>, 14 (4), pp. 417-439.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082169&pid=S0003-2573201600030000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CHEN, E., <i>et al</i>. (2014),
“The impact of candidate name order on election outcomes in North Dakota”. <i>Electoral
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    <!-- ref --><p>NEMOTO, K., SHUGART, M.S.
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    <!-- ref --><p>NORRIS, P., LOVENDUSKI, J. (1995), <i>Political
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    <!-- ref --><p>PINTO,
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    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PINTO,
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    <!-- ref --><p>ROKKAN, S., VALEN, H. (1960), “The mobilization of the
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    <!-- ref --><p>SARTORI, G. (1976), <i>Parties and Party Systems: A
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    <!-- ref --><p>SHUGART, M.S.,
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    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>TEIXEIRA,
M. da C.P. (2009), O<i> Povo Semi-Soberano. Partidos Políticos e Recrutamento
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    <!-- ref --><p>VAN
BIEZEN, I. (1998), “Sobre o equilíbrio interno do poder: as organizações
partidárias nas novas democracias”. <i>Análise Social</i>, 148 (4), pp.
685-708.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082237&pid=S0003-2573201600030000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>VERBA, S., NIE, N.H.,
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    <p>&nbsp;</p>

    <p>Recebido a 13-07-2015. Aceite para publicação a
19-01-2016.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS</b></p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> As autoras agradecem aos
dois <i>referees</i> anónimos da Análise Social pelos comentários e sugestões.</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>Também inclui dados para
todos os cabeças de lista dos partidos mais pequenos,
no entanto para este artigo esta informação não será utilizada visto que para
muitas das variáveis que iremos considerar – relacionados com experiência
política prévia – estes partidos praticamente não têm observações.</p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Tradução livre de <i>personal
vote-earning attributes</i>. Em Nemoto e Shugart (2013) e ­Shugart, Valdini e
Suominen (2005) este conceito é equacionado com a <i>localness</i> dos
candidatos, que optamos por traduzir por laços locais. Os APAV dizem, assim,
sempre respeito aos laços locais dos candidatos, pelo que ambos os conceitos
serão utilizados de forma intermutável neste artigo.</p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> <i>Partido Socialista
Obrero Español</i> (PSOE) para todas as eleições; Unión de Centro Democrático
(UDP) para as eleições de 1977 e 1978; Partido Popular (AP-PP) para as eleições
entre 1978--2008.</p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> Neste estudo de Riera
(2011) os APAV e os laços locais não são equivalentes como em Nemoto e Shugart
(2013) e Shugart, Valdini e Suominen (2005). Aqui os APAV indicam se o
candidato exerceu cargos políticos a nível nacional e regional e os laços
locais expressam se um candidato nasceu no mesmo círculo eleitoral em que
concorre a eleições ou se é “paraquedista”.</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>Partido Social Democrata.</p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> Centro Democrático e Social
– Partido Popular.</p>

    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>Bloco de Esquerda.</p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> Coligação Democrática
Unitária (Partido Comunista/Partido Ecologista “Os Verdes”).</p>

    <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> Partido Socialista.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> <i>Insider</i>=Candidatos que são naturais do seu círculo de candidatura e/ou que nele
residem. <i>Outsider</i>=Candidatos que não são naturais do seu círculo de candidatura e nem
nele residem (Teixeira, 2009, p. 85).</p>

    <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> Teixeira dá como exemplo
candidatos que vêm do setor privado da economia ou candidatos que vêm do setor
primário ou secundário (Teixeira, 2009, p. 82).</p>

    <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> <i>Sobrevivente</i>=Candidatos que integraram as listas dos partidos nas eleições
legislativas imediatamente anteriores (Teixeira, 2009, p. 85).</p>

    <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> Político conhecido inclui
candidatos que foram políticos de topo, por exemplo
ex-ministros ou políticos conhecidos do grande público com espaços de
comentário nos media (ex. Teresa Caeiro, Zita Seabra, Vitalino Canas).</p>

    <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> Figura pública inclui
candidatos que se enquadram nas seguintes categorias: ator; apresentador de
rádio ou TV; jornalista de imprensa escrita, colunista ou comentador;
desportista, atleta medalhado, treinador ou presidente de um clube; músico,
compositor ou cantor e escritor.</p>

    <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> É considerado incumbente um
candidato que, na altura da elaboração das listas de candidatos para uma
determinada eleição, exercia as funções de deputado.</p>

    <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> A opção por recolher dados
para estas eleições específicas deveu-se a garantir comparabilidade com outros
sistemas eleitorais (isto é, países) que fazem parte do mesmo projeto de
investigação (v. Espírito-Santo e Sanches, 2012).</p>

    <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> Recolheram-se dados
completos dos não eleitos até 1,25 da lista de eleitos. Por exemplo, se um
partido elegeu 4 candidatos foram recolhidos dados
para 5 candidatos. De acordo com a fórmula 4X1,25=5 incluem-se 4 eleitos e 1 não eleito. Se um partido elegeu 8 candidatos então incluíram-se dois não eleitos (8X1,25=10), e assim em diante.</p>


    <p>&nbsp;</p>
<a name="A">
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