<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732016000300007</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Coligações partidárias em eleições proporcionais municipais: fragmentação e sucesso de candidatos com baixa densidade eleitoral]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Coalitions in proportional partisan municipal elections: fragmentation and success of electoral candidates with low density]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Melo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Clóvia A. Vieira de]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Soares]]></surname>
<given-names><![CDATA[Kelly C. Costa]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Campina Grande  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Campina Grande PB]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>220</numero>
<fpage>684</fpage>
<lpage>719</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732016000300007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732016000300007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732016000300007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O desenho institucional do sistema eleitoral brasileiro apregoa que os partidos políticos para ocuparem uma cadeira nas casas legislativas atinjam o quociente eleitoral, que é a razão do número de votos válidos pelo número de cadeiras existentes. Na prática, esse dispositivo funciona como uma clausula de barreira, uma vez que esse número não é fácil de ser atingido. Uma das formas de se minimizar essa dificuldade é o dispositivo institucional da coligação partidária em eleições proporcionais, a partir da máxima de que a união faz a força. Os dados deste trabalho sugerem que esse desenho gera dois problemas: maior fragmentação partidária nas câmaras legislativas, e sucesso eleitoral de candidatos com número reduzido de votos. Sendo esses dois fenómenos associados, respetivamente, a problemas de governabilidade e de representação, os quais colocam em xeque a eficiência do sistema eleitoral. Os dados referem-se aos pleitos municipais no Brasil dos anos de 2004 e 2008, para 5 565 municípios.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The institutional design of the Brazilian electoral system touts political parties to occupy a seat in the legislative houses to reach the electoral quotient, which is the ratio of the number of valid votes by the number of existing seats. In practice this device acts as a barrier clause, since this number is difficult to achieve. One way to minimize this problem is through the institutional arrangement of the party coalition in proportion­al elections, from the maxim that unity is strength. The data from this study suggest that this design creates two problems: high party fragmentation in the legislative chambers, and electoral success of candidates with a limited number of votes. Since these two phenomena are associated, respectively, with problems of governance and representation, which calls into question the efficiency of the electoral system. Data pertain to the municipal elections in Brazil in 2004 and 2008 regarding 5,565 municipalities.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[partidos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[coligação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[fragmentação partidária]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[fracionalização]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[parties]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[coalition]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[party fragmentation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[fractionalization]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b>DOSSIÊ: NOVAS PERSPECTIVAS SOBRE PARTIFOS E ELEIÇÕES EM PORTUGAL E NO BRASIL : COLIGAÇÕES, CANDIDATOS E PATROCINATO</b></p>

    <p><b>Coligações
partidárias em eleições proporcionais municipais: fragmentação e sucesso de
candidatos com baixa densidade eleitoral</b></p>
    <p><b>Coalitions in proportional
partisan municipal elections: fragmentation and success of electoral
candidates with low density</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>Clóvia A. Vieira de
Melo</b>* e <b>Kelly C. Costa Soares*</b></p>

    <p>*Universidade Federal de Campina Grande, Rua Aprígio Veloso, 882, Bodocongó — CEP 58429-900, 
Campina Grande, PB - Brasil. E-mails:  <a href="mailto:clovis.melo@ufcg.edu.br">clovis.melo@ufcg.edu.br</a>
 e <a href="mailto:kellyccsoares2407@gmail.com">kellyccsoares2407@gmail.com</a></p>


    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>RESUMO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O desenho
institucional do sistema eleitoral brasileiro apregoa que os partidos políticos
para ocuparem uma cadeira nas casas legislativas atinjam o quociente eleitoral,
que é a razão do número de votos válidos pelo número de cadeiras existentes. Na
prática, esse dispositivo funciona como uma clausula de barreira, uma vez que
esse número não é fácil de ser atingido. Uma das formas de se minimizar essa
dificuldade é o dispositivo institucional da coligação partidária em eleições
proporcionais, a partir da máxima de que a união faz a força. Os dados deste
trabalho sugerem que esse desenho gera dois problemas: maior fragmentação
partidária nas câmaras legislativas, e sucesso eleitoral de candidatos com
número reduzido de votos. Sendo esses dois fenómenos associados,
respetivamente, a problemas de governabilidade e de representação, os quais
colocam em xeque a eficiência do sistema eleitoral. Os dados referem-se aos
pleitos municipais no Brasil dos anos de 2004 e 2008, para 5 565 municípios.</p>

    <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b>: partidos; coligação;
fragmentação partidária; fracionalização.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>The institutional design of the Brazilian
electoral system touts political parties to occupy a seat in the legislative
houses to reach the electoral quotient, which is the ratio of the number of
valid votes by the number of existing seats. In practice this device acts as a
barrier clause, since this number is difficult to achieve. One way to minimize
this problem is through the institutional arrangement of the party coalition in
proportion­al elections, from the maxim that unity is strength. The data from
this study suggest that this design creates two problems: high party
fragmentation in the legislative chambers, and electoral success of candidates
with a limited number of votes. Since these two phenomena are associated,
respectively, with problems of governance and representation, which calls into
question the efficiency of the electoral system. Data pertain to the municipal
elections in Brazil in 2004 and 2008 regarding 5,565 municipalities.</p>

    <p><b>KEYWORDS</b>:
parties; coalition; party fragmentation; fractionalization.<b></b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p><b>INTRODUÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As discussões sobre os
desdobramentos das coligações partidárias em eleições proporcionais têm
apontado problemas relativos aos níveis de governabilidade e à qualidade da
representação. No atual modelo institucional brasileiro funciona a lógica
multipartidária, pois na sua totalidade o sistema partidário contabilizava, até
2015, 35 partidos. Esse padrão institucional tem levado à fragmentação na arena
legislativa e às dificuldades de articular a diversidade de interesses dos
atores políticos.</p>

    <p>De acordo com Lamounier (1994) e Mainwaring
(1991, 2001), a democracia brasileira traça a difícil combinação entre
presidencialismo, de caráter plebiscitário, e a representação proporcional (RP)
de lista aberta, os quais podem levar o sistema político a uma série de
entraves. Não obstante, possíveis soluções de reforma política, até então
implementadas, ainda prescindem de resultados concretos para melhorar o
funcionamento deste sistema político, dentre elas, o método de seleção de
parlamentares para um que proporcionasse aos partidos políticos
maior controlo sobre os seus membros, tanto na arena eleitoral quanto na
arena legislativa. O acentuado número de partidos tem sido visto como
responsável por fragmentar a representação e propiciar o aumento de custos de
transação na relação executivo-legislativo. Destarte, com o legislativo
fragmentado, ampliam-se as chances de obstrução do processo decisório (AMES, 2003).</p>

    <p>O processo eleitoral
brasileiro, ao pôr em vigor a representação proporcional e o sistema de lista
aberta põe em funcionamento o multipartidarismo que passa a contar com uma
quantidade significativa de partidos e candidatos. Com sistema de lista aberta,
as disputas para os cargos do poder legislativo são tomadas por uma infinidade
de candidatos. Aumentando-se assim, os custos da competição política. Não
obstante, em busca de minimizar esse problema, a legislação permite que
partidos encontrem estratégias para obtenção do sucesso na arena eleitoral.
Para esse feito, as coligações são estratégias usuais nas eleições no Brasil.
Nesse sentido, pode-se dizer que as coligações são a reunião de dois ou mais
partidos para formalizar candidaturas por regras maioritárias ou proporcionais,
tendo em vista a redução de custos para obtenção do sucesso eleitoral.</p>

    <p>No Brasil, as candidaturas para os cargos de
presidente, governador, prefeito e senador são efetivadas por regras
maioritárias. Já as candidaturas para os cargos de deputado federal, deputado
estadual e vereador, são efetivadas por regras proporcionais. Por sua vez, as
coligações de candidaturas de representação proporcional têm apresentado
problema de legitimidade ao viabilizar o sucesso eleitoral de candidatos com
baixa densidade de votos, pois permitem em grande
proporção, beneficiar candidatos, sobretudo pela regra de distribuição de
cadeiras, ancorado no instituto do quociente partidário.<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> Nesse caso, entende-se por candidatura de baixa densidade eleitoral,
aqueles candidatos que individualmente possuem votação distante do quociente
eleitoral.</p>

    <p>Este trabalho tem como objetivo discutir estes
dois aspetos das candidaturas para as câmaras municipais ao tomar como universo
de pesquisa os municípios brasileiros. A unidade de análise, município, foi
utilizada para identificar os padrões de fragmentação, para isso, tomaram-se os
seguintes indicadores: Número Efetivo de Partidos (NEP), a Taxa de
Fracionalização e o Número Nominal de Partidos. Em relação aos testes sobre os
efeitos das coligações eleitorais, ao observar os candidatos com baixa
densidade eleitoral tomaram-se como unidade de análise as candidaturas que concorreram
aos pleitos eleitorais de representação proporcional nos anos de 2004 e 2008.
Utilizaram-se como parâmetro os quocientes eleitorais de cada município, daí
calculou-se a distância das votações de todos os candidatos em relação aos
referidos quocientes, o que permitiu, assim, medir a densidade eleitoral de
cada candidato e classificá-lo em faixas. Tal esforço metodológico possibilitou
verificar a <i>performance</i> do sucesso eleitoral
das candidaturas para vereador nos municípios brasileiros e distinguir as
candidaturas coligadas e isoladas. Buscou-se, desse modo, verificar, dentre as
candidaturas vitoriosas, de que modo as coligações
eleitorais garantem o sucesso eleitoral de candidatos que não atingiram o
quociente eleitoral.</p>

    <p>A fonte dos dados é atribuída às informações do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), destacando-se as eleições municipais para
vereadores nos períodos citados anteriormente. A coleta e o tratamento de dados
tiveram abordagem quantitativa, os quais permitiram produzir estatísticas descritivas
e inferenciais que dão sustentação à discussão.</p>

    <p>A pesquisa possibilitou traçar um quadro geral
sobre a dinâmica das eleições nos municípios brasileiros, chamando a atenção
para a forma de recrutamento do poder legislativo. Pode-se considerar assim,
que as investigações sobre coligações partidárias em âmbito municipal no
Brasil, ainda merecem muita atenção por parte da comunidade científica. Com
intuito de cobrir parte dessa lacuna, busca-se nesse artigo desvendar parte
dessa realidade. Para isso, o problema de pesquisa foi construído ao levar em
consideração: o número de partidos, volume de candidaturas coligadas e
respetiva densidade eleitoral, bem como a proporção de candidatos por partido.
Também se leva em conta o porte do município, de entre outros fatores.</p>

    <p>O dado relevante sobre os efeitos das coligações
em candidaturas proporcionais permitiu constatar que nos municípios onde
existem tais arranjos, a fragmentação é de facto superior, quando comparada com
outros municípios onde não há coligações. Verifica-se, então que as coligações
são a janela de oportunidades para redução de custos de transação nas relações
entre partidos, candidatos e eleitores. Constata-se que as coligações
eleitorais são uma estratégia infalível, pois independente da densidade
eleitoral, as candidaturas coligadas para o legislativo municipal apresentam
sucesso eleitoral superior àquelas candidaturas de partidos isolados. Para
alicerçar a reflexão, propõem-se alguns argumentos teóricos que problematizam
a relação entre regras, qualidade da representação e os resultados políticos.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>DESENHO INSTITUCIONAL:
QUAL A MELHOR FORMA DE REPRESENTAÇÃO E <i>ACCOUNTABILITY</i>?</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>A discussão sobre os
efeitos das coligações eleitorais passa pelas questões sobre as regras da competição
e da qualidade da representação. Nesse sentido, há na literatura da ciência
política um debate profícuo de como os processos de escolhas da arena eleitoral
são articulados aos resultados das decisões políticas. A problemática propõe
questionar como no regime democrático a escolha eleitoral reflete a
representação de interesses dos cidadãos.</p>

    <p>Conforme observou Powell (2001), a discussão
sobre o funcionamento da democracia toma um ponto de partida normativo
importante: “as eleições não são apenas instrumentos democráticos, mas devem
ser auxiliadas por outras organizações ou regras que impulsionam os <i>policy
makers</i> a chamar atenção dos cidadãos” (p. 4). A premissa suscita muitas
discussões acerca de como as eleições podem servir para ligar os <i>policy
makers</i> aos cidadãos. O autor sugere, então, que é promissor explorar
determinadas características dos tipos de desenho institucional para visualizar
a melhor alternativa para conectar os cidadãos aos seus representantes. É bem
verdade que as eleições democráticas são conduzidas por determinantes
constitucionais: regras maioritárias e proporcionais. Essas regras são os
constrangimentos que se podem refletir no nível de efetividade do controle do
cidadão sobre os representantes e os <i>policy makers</i>. Assim sendo, permitem
tratar do quão melhor pode ser apresentada à responsabilização.</p>

    <p>Duas visões são possíveis quando se tomam as
eleições como instrumento de democracia: a) os cidadãos através de eleições
escolhem os representantes que, por sua vez, escolhem os <i>policy makers</i>;
b) através de eleições os cidadãos recompensam ou punem os <i>incumbents</i>.
Para tanto, o desenho constitucional proporá regras para eleições e para <i>policy
making</i>. Como resultado das regras maioritárias, o poder concentrado assume
uma condição importante de dar aos cidadãos maior clareza da responsabilidade
dos <i>policy makers </i>implementarem determinadas
políticas. Isto porque aquele que foi eleito exerce o poder de <i>policy making</i>
para atender interesses da maioria dos cidadãos que os elegeram. Por sua vez,
as regras proporcionais resultam em dispersão do poder, porque as eleições
trazem agentes representativos de todas as fações da sociedade para a arena da <i>policy
making. </i>Como resultado há um complexo de barganha que dificulta o poder
retrospetivo dos cidadãos deixando-os com dificuldades de visualizar de onde
partem as decisões (Powell, 2001 p. 9).</p>

    <p>A discussão de Powell segue então a seguinte
direção: as eleições exercem papel fundamental na <i>policy making, </i>uma vez
que, o processo de escolha através de regras maioritárias permite controlo
prospetivo do cidadão porque é possível a identificação de propostas unificadas
(mandato). Nesse sentido, o cidadão pode votar a favor ou contra o partido que
vai diretamente ser responsável por determinadas políticas. No caso, as
eleições devem resultar de um poder concentrado, em que a clareza da
responsabilidade se torna alta, a qual, por sua vez, é extremamente importante
para o cidadão avaliar os <i>policy makers</i>, podendo assim, exercer o seu
poder retrospetivo (<i>accountabilit</i>y).</p>

    <p>As proposições de Powell assinalam que o modelo
de regras majoritárias tem implicações importantes para a constituição de
governos mais <i>accountables. </i>Não obstante, Liphart (2003) propõe uma
análise diferente. Os governos formados por regras consensuais têm demonstrado,
em termos práticos, melhor <i>performance</i> quanto à
qualidade e à representatividade democráticas. Isto porque é a melhor condição
para efetivar os diversos interesses sociais. O pressuposto para tal visão é a
capacidade que cada cidadão tem de influenciar o governo.</p>

    <p>Assim, os pontos que asseguram a discussão do
impacto do desenho institucional para a qualidade da democracia e da
representação centram-se em dois eixos: enquanto o princípio maioritário
permite clareza da responsabilidade governamental, de modo que se torna
factível a punição de maus governantes pela maioria (<i>accountability</i>); o
princípio proporcional trata de dar determinadas incumbências (mandato) àqueles
representantes que irão após as eleições, representar. Esse tipo confere importante
papel às minorias. Neste caso, é preponderante a ênfase na delegação, uma vez
que, o ato de representar seria uma ação substantiva em defesa dos interesses
dos representados. Assim, o desenho institucional revela fortes implicações não
só para os mecanismos eleitorais prospetivos e retrospetivos, mas,
principalmente, como forma determinante para as políticas públicas (Cox e
McCubbins, 2001).</p>

    <p>A análise de Liphart
diferencia os desenhos constitucionais maioritários e consensuais a partir de
duas dimensões: executivo ou partido, federal ou unitário; as suas conclusões
revelam que as regras eleitorais incentivam – embora existam variedades – a
formação de maiorias legislativas, cujo resultado é a constituição de governos
pluralistas de membro único. Por sua vez, as regras de representação
proporcional resultam em governos de multimembros. Esses dois modelos
constitucionais trazem alguns impasses notórios: se, de um lado, regras
maioritárias com base na vontade de uma maioria, concentram poder, trazem à tona
o problema da inclusividade; de um outro lado, regras
proporcionais pautadas na representação de diversos interesses sociais,
consubstanciam dispersão de poder, trazem à tona o problema da governabilidade.</p>

    <p>Nesse sentido, como enfatiza Melo (2004) a escolha
constitucional para as regras eleitorais dá-se a partir do <i>trade off</i> entre inclusividade e governabilidade. Por um lado,
regras eleitorais com representação proporcional de multimembros, baixa
magnitude distrital e baixo <i>thersholds </i>eleitoral, proporcionam
representação de interesses diversos, o que resulta no multipartidarismo. Os
efeitos desses arranjos vão indicar que a participação tem alto custo de
transação. Por outro lado, embora as regras maioritárias proporcionem menos
inclusividade, garantem maior governabilidade (Melo,
p. 17).</p>

    <p>Ao levar em conta esses modelos constitucionais,
a busca de uma melhor alternativa pode ser orientada por um suposto normativo
que se expressa na questão fundamental de quão melhor pode ser garantido o
interesse coletivo. Desse modo, a representação política deverá assumir esse
compromisso, sendo necessário que os mecanismos eleitorais, tanto os
prospetivos quanto os retrospetivos, se tornem mais efetivos e eficazes, pois
têm sido instrumentos débeis, nas novas democracias da terceira onda de
democratização, como definiu Huntington (1991), especialmente da América
Latina. No caso brasileiro, o sistema de representação proporcional torna-se
mais problemático com a possibilidade de coligações eleitorais, pois o
emaranhado de partidos, muitas vezes distantes nos seus espectros ideológicos,
dificulta a relação que o eleitor estabelece com o representante.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>OS EFEITOS DAS
COLIGAÇÕES: DEBATE NA LITERATURA SOBRE ESTUDOS ELEITORAIS BRASILEIROS</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <p>Muitos estudos sobre o
sistema eleitoral brasileiro apresentam as coligações como um dos principais
problemas a contornar pela reforma política. Não obstante, a literatura sobre
os sistemas partidários vem constituindo controvérsia acerca dos resultados das
candidaturas por coligações. As principais questões que animam o debate dizem
respeito aos efeitos negativos das regras eleitorais que contribuem para
ampliar a fragmentação partidária e relativizar os critérios de recrutamento
político e significado da representação. Assim, toma-se como questão teórica
fundamental o baixo teor representativo das candidaturas coligadas,
especialmente, em eleições proporcionais.</p>

    <p>As discussões sobre o cenário da competição
partidária do Brasil na Nova República a partir de 1985 assumem um novo viés
analítico. O ponto marcante da discussão de Lima Júnior (1993) diz respeito à
utilização do paradigma institucional combinado com os estudos de
comportamento. Deste modo, elabora uma explicação satisfatória para os
fenómenos políticos em questão. A principal colocação é a de que o formato do
sistema partidário brasileiro é resultado dos diversos aspetos da legislação
eleitoral, sobretudo no que diz respeito ao princípio da representação política
adotado: maioritária ou proporcional; entre outros, a estrutura da escolha e a
magnitude da representação.</p>

    <p>O eixo convincente para presumir essa reflexão é
o de que o comportamento dos macros e micros atores, isto é, das organizações
partidárias, do eleitorado e dos políticos, assume importância crucial, quer
como fator independente com consequências previsíveis para o formato e para a
evolução do sistema partidário, quer como fator condicionado por outras
dimensões da institucionalidade política (Lima Júnior 1993, p. 33).</p>

    <p>Esses fatores dão forma à argumentação de Lima
Júnior sobre o sistema partidário brasileiro, tomando observações de eleições,
especificamente na década de 80, período que significou um momento ímpar para a
história político-partidária brasileira, uma vez que se estava firmando
mudanças, um tanto expressivas, na legislação eleitoral, especialmente como
consequência da experiência de redemocratização política que o país vivenciava.</p>

    <p>O significado maior para essas mudanças no quadro
político nacional é tomado, não só por Lima Júnior, mas também por outras
análises que tratam dos aspetos relevantes da institucionalidade política.
Então, as avaliações sobre os elementos de natureza ideológica constituem,
principalmente, o ponto de partida que impulsionou a reforma partidária em
1979, e conduziu, assim, a momentos sucessores com um bloco de emendas
constitucionais, significando entre outras: o retorno da normalidade
democrática, estabelecendo eleições diretas para todos os cargos políticos,
permitindo também à volta do sistema multipartidário em todos os estados federados.</p>

    <p>Entretanto, a princípio, a vigência desse novo
sistema multipartidário é ressaltada ou vista com cautela pelos estudos sobre
comportamento político, que identificam especificidades na legislação
eleitoral, as quais vêm favorecer, em certa medida, alguns segmentos políticos,
pois, quando da formulação das regras, criam-se fortes mecanismos para penetrar
na arena eleitoral e garantir sucesso do ator individual (Mainwaring, 1991). Ou
ainda, quando dão forma à liberdade dos atores de buscarem possibilidades de
estratégias individuais. No caso, permitindo, de facto, a criação de um
especial e distintivo fio condutor para a democracia representativa brasileira.</p>

    <p>Não obstante, diversas críticas vêm sendo
elaboradas em torno do funcionamento dos arranjos institucionais e têm
acrescentado, com muita eloquência, sérias reflexões sobre o desenho dos
sistemas eleitoral e partidário. Essas questões ocasionaram válidas implicações
para a discussão sobre a consolidação democrática, bem como sobre os efeitos
eficazes da representação política.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entretanto, quando se refere ao sistema
eleitoral, baseado no critério da proporcionalidade, Lima Júnior considera que
o teor mais democrático deverá ser medido a partir do teor mais igualitário,
isto é, outorgado aos eleitores, individual e coletivamente, e aos partidos.
Vale dizer, um sistema representativo é mais democrático quanto mais
igualitário poder sê-lo. Neste caso, deixa claro que o ideal da representação
proporcional se satisfaz quando qualquer partido alcança uma proporção de
cadeiras igual à de votos. Portanto, os indicadores empíricos da densidade
democrática devem corresponder: à igualdade do voto no interior e através das
unidades territoriais, onde a eleição é disputada e, ao grau de
proporcionalidade resultante do processo de alocação de cadeiras aos partidos
(Lima Júnior, 1993).</p>

    <p>Na verdade, trata-se dos efeitos políticos
advindos da lei eleitoral que merecem devida atenção, ou seja, há preceitos que
exercem influência incisiva no formato do sistema partidário. Preceitos esses
que se referem, mais precisamente, na abordagem de Lima Júnior, à relação entre
a fórmula eleitoral e a magnitude da representação no distrito. Daí porque
invoca o que afere teor democrático ao sistema de representação.</p>

    <p>No caso dos estudos sobre coligações, há
preocupação em relação às consequências da fragmentação partidária e a
capacidade representativa das candidaturas em eleições proporcionais. Para
entender a lógica das coligações e suas consequências no sistema político
brasileiro, o debate na literatura da ciência política brasileira vem
conduzindo algumas linhas de análise: entende-se como alternativa para ampliar
as chances eleitorais dos partidos baseada nas estratégias para redução de
custos e maximização de ganhos eleitorais. Neste caso, uma candidatura coligada
passa a ser mais vantajosa, quando amplia a possibilidade de vitória sem estar
em jogo a quantidade de votos. Por outro lado, uma
candidatura isolada pode ser irracional porque uma grande quantidade de votos
pode não garantir o sucesso eleitoral. Isto quer dizer, numa eleição
proporcional, que uma coligação de dois os mais partidos pode levar um deles a
ultrapassar a barreira do quociente eleitoral (Carreirão e ­Nascimento, 2010).</p>

    <p>Certamente, somando
ainda a esses feixes de características, a relação entre legislação eleitoral e
fragmentação partidária, Nicolau (1996), observou que no período de 1988-1994
configuraram as seguintes condições: a troca de legenda no período foi
responsável pelo aumento da fragmentação na Câmara dos Deputados; a permissão
de coligações em eleições proporcionais favoreceu os pequenos partidos no
âmbito distrital – embora variassem segundo os estados – contribuiu para o
aumento da fragmentação no plano nacional.</p>

    <p>Trata-se dos resultados das normas legais que
tiveram efeitos negativos e abalaram o sistema político. Mas, que foram de
imensa serventia à estratégia eleitoral das elites que puderam trocar
livremente de legenda com o propósito de maximizar as oportunidades eleitorais,
uma vez que se constituía o momento de incerteza. Assim sendo, as coligações em
eleições proporcionais aconteceram para livrar os pequenos partidos do alto
quociente eleitoral (Nicolau, 1996, p. 80). Neste caso, as razões favoráveis à
explicação do comportamento político equivalem à identificação do conteúdo
estratégico da legislação eleitoral que condiciona o sistema partidário.</p>

    <p>Ainda para explicar a lógica das candidaturas
coligadas Machado e Miguel (2008) propuseram outro argumento: as coligações
além de constituírem estratégias eleitorais, permitem aos partidos agregar
afinidades entre ­membros de um campo político e o afastamento de outros. Desta
forma, possibilita entendimentos entre grupos políticos para disputar um
segundo turno, ­principalmente para facilitar a aproximação de grupos que
tenham acesso aos cargos do Estado.</p>

    <p>Para entender a lógica das coligações à luz da
racionalidade instrumental pode-se dizer que os partidos e candidatos avaliam o
cenário de disputa e optam por alternativas que possam assegurar vantagens
eleitorais. Com as coligações, partidos e candidatos reduzem os custos da
disputa e ampliam as hipóteses dos ganhos eleitorais, uma vez que, driblam as
barreiras do quociente eleitoral. Essa é uma boa medida para ter influência e
acesso à máquina governamental e participação nos núcleos decisórios após os
pleitos (Krause, Godoy, 2010). Todavia, as dúvidas sobre o sucesso eleitoral
das candidaturas coligadas apontam fragilidades da capacidade representativa.
Daí toma-se a orientação do debate chamando atenção sobre a discussão das
principais questões que envolvem o sucesso eleitoral de candidaturas coligadas
e sua capacidade representativa.</p>

    <p>Já na visão de Braga (2006), o sistema eleitoral
brasileiro ao condicionar o acesso à primeira cadeira à obtenção do quociente
eleitoral, estimula a formação de coligações nas eleições proporcionais. Assim,
o sistema passa a funcionar com cláusula de exclusão. Por sua vez, os partidos
têm força eleitoral desigualmente distribuída no território nacional, e, quando
não atingem o quociente eleitoral são beneficiados pelas coligações. Segundo a
autora, necessita-se saber o quanto as coligações alimentam a fragmentação
partidária no parlamento. Desta forma, o seu estudo demonstrou que acabar com o
direito à coligação, mantendo a fórmula de distribuição de cadeiras adotadas
pelas regras vigentes, prejudicaria expressivamente os pequenos partidos, o que
levaria a esterilização de uma parcela considerável de votos. A alternativa
seria a eliminação conjunta da cláusula de barreira, do quociente eleitoral,
para adoção da regra das maiorias médias nas eleições proporcionais. Tal
mudança permitiria uma distribuição de cadeira que representaria mais fielmente
a vontade do eleitor, estando mais próxima do princípio proporcional. Assim, ao
observar a desproporcionalidade entre votos e cadeiras, considera que a
eliminação das coligações, sem um mecanismo compensatório, aumentaria a
desproporcionalidade sistémica produzida pela fórmula eleitoral (Braga, 2006,
pp. 234-235).</p>

    <p>A discussão sobre o princípio representativo ao
tomar a análise sobre coligação parlamentar e proporcionalidade, Braga (2006)
considera que não há problemas em coligar-se, pois as coligações permitem
resultados mais proporcionais. Todavia, deve-se atentar para a ausência de uma
distribuição proporcional das cadeiras dentro da coligação. Isto é:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>como as cadeiras obtidas por um partido coligado dependerão do
posicionamento de seus candidatos na lista, partidos com votações
proporcionalmente maiores podem não conseguir representação e, mais grave, a
parcela considerável de eleitores que não conseguiram eleger o representante de
sua preferência vai contribuir para a eleição dos outros membros da lista
[Braga, 2006, p. 236].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>No que tange às
conclusões de Braga quanto à agenda da reforma política no sistema brasileiro,
a proibição das coligações alteraria muito pouco a configuração do sistema
partidário na Câmara dos deputados. Neste caso, deve-se manter o recurso das
coligações porque os partidos devem organizar estratégias de sobrevivência em
cada um dos níveis de disputa da federação. Segundo a autora, nesses complexos
jogos de coordenação eleitoral, os partidos têm beneficiado das coligações,
pois garantiram a expansão da representação parlamentar pelo território
nacional. Neste aspeto, as coligações contribuíram para gerar maior grau de
nacionalização dos maiores partidos.</p>

    <p>As discussões sobre formas de mensuração da
consistência ideológica das coligações têm tomado também as atenções dos
pesquisadores dessa área. A ideologia do partido é entendida, dessa forma, como
as ideias que orientam o programa de governo e através das quais se dão as
divergências entre os partidos, no que se refere ao direcionamento das
políticas públicas. Nesse sentido, Carreirão (2006) mensurou a consistência ideológica
de uma coligação utilizando três critérios de combinação, os quais resultaram
em: alta, média e baixa. Assim, uma coligação de alta consistência ideológica é
caracterizada pela composição de dois ou mais partidos do mesmo espectro
ideológico: direita-direita, centro-centro, esquerda-esquerda.
Já a consistência ideológica média caracteriza-se pela composição dos
espectros: direita-centro, esquerda-centro. Por sua vez, uma coligação de
consistência ideológica baixa caracteriza-se pela composição dos extremos:
direita-esquerda. Destarte, a classificação das coligações pode assumir as
seguintes denominações: consistente, semiconsistente e inconsistente. Daí, as
críticas à lógica coligacionista que consideram a tendência dos partidos de
formar coligação com combinação dos espectros ideológicos extremos, como um dos
principais problemas de identificação do eleitorado com os partidos.</p>

    <p>O debate em torno dos efeitos sobre as coligações
sobre o sistema político brasileiro tem avançado com bases empíricas de candidaturas
em eleições proporcionais, relativas aos cargos de deputado federal e deputado
estadual. Ainda é nebuloso o quadro das coligações municipais para cargo de
vereador. Neste sentido, o presente trabalho propõe suprir parte dessa lacuna
dos estudos sobre coligações em eleições proporcionais nos municípios
brasileiros. Para tanto, apresentam-se algumas das questões já produzidas sobre
coligações municipais.</p>

    <p>A análise de Peixoto (2010) apresentou os dados
sobre competição e estratégias dos partidos nas eleições municipais de 2000 a
2008 e concluiu que uma série de fatores influencia as decisões partidárias. O
facto observado no sistema multipartidário brasileiro foi a
pulverização dos parceiros preferenciais das coligações nos pequenos
municípios. Isto é, a ampliação das bases organizacionais dos partidos ao
entrarem na competição de um número cada vez maior de municípios, elevou o
número de coligações inconsistentes ideologicamente. Por sua vez, tal resultado
pode ser considerado porque ao penetrarem nos pequenos municípios e enfrentarem
novos mercados eleitorais, os partidos flexibilizam as
suas estratégias nacionais ou correm o risco de serem excluídos pelas barreiras
impostas pelo quociente eleitoral (Peixoto, 2010, p. 297). Conforme a conclusão
do autor, o sistema eleitoral brasileiro possui cláusulas de barreiras que
proíbem os partidos que não alcançarem o quociente eleitoral de participarem da
distribuição das sobras; por outro lado, permite que partidos unifiquem suas
listas por meio do instituto das coligações eleitorais sem qualquer critério de
distribuição de cadeiras entre os partidos (­Peixoto, 2010, p. 298).</p>

    <p>Tendo em vista ampliar o debate sobre os efeitos
das coligações, o presente trabalho analisa as candidaturas em eleições
proporcionais nos municípios brasileiros no período de 2004 a 2008. Busca-se
mensurar em que medida as coligações condicionam a fragmentação nas Câmaras
Municipais, e de que modo o desenho institucional vigente no Brasil contribui
para o sucesso de candidatos com baixa quantidade de votos. Desta forma, o
diálogo com a literatura deve contribuir para aprimorar mecanismos explicativos sobre o funcionamento das instituições
político-eleitorais brasileiras. O estudo tem pretensão de avançar a
discussão, ao apresentar os principais problemas, como as distorções do atual
sistema representativo no que se refere às candidaturas coligadas em eleições
proporcionais. Se a quantidade de votos obtidos pelo candidato pode não ser
decisiva para obtenção de cadeira no legislativo, as regras do sistema
eleitoral acabam por inviabilizar o princípio igualitário da democracia. Como
observou Lima Júnior (1993), a regra da proporcionalidade para ser democrática
deve manter a relação entre a quantidade de votos e a quantidade de cadeiras
que um determinado partido recebe. Para aprofundar a discussão, a base empírica
deste trabalho permite análise das candidaturas coligadas e isoladas para
apresentar o ponto nevrálgico do sistema representativo. A questão central
chama atenção para o modelo permissivo de regras de alianças que traz
consequências para o caráter igualitário e democrático do voto.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>COLIGAÇÃO PARTIDÁRIA,
FRAMENTAÇÃO E SUCESSO ELEITORAL NOS MUNICIPIOS BRASILEIROS</b></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b>A OPÇÃO POR COLIGAÇÕES PARTIDÁRIAS COMO REGRA E
NÃO EXCEÇÃO</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O estabelecimento de
coligação partidária em eleições proporcionais é a regra na maior parte dos
municípios brasileiros. Na eleição de 2008, dos mais de 330 mil candidatos,
aproximadamente 84% foram lançados por meio de partidos coligados. Esta
estratégia é dominante e crescente, se comparada com a eleição anterior de
2004, visto que ocorreu um incremento na ordem de 6,44% de um período para o
outro, apesar do número absoluto de candidatos ter diminuído <a href="#q1">Quadro 1</a>). No Brasil um dos principais fatores explicativos para
esse tipo de estratégia política do comportamento partidário é ampliação das
hipóteses do sucesso eleitorais ao reduzir os custos da competição.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>Analisando-se a distribuição dos partidos
políticos nas coligações, percebe-se que há uma grande variação no tamanho das
composições. Nas eleições de 2004 e 2008 formaram-se coligações que variaram no
tamanho da composição de dois até quinze partidos diferentes. É de se supor,
portanto, que os partidos optem pelo maior número possível de aliados no pleito
eleitoral. Mas, de facto, o que se verifica é que a grande maioria das
candidaturas é lançada por coligações de reduzido número de partidos, as quais
em geral são compostas por dois ou três partidos (<a href="#q2">Quadro 2</a>).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q2.jpg"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>A formação de
coligação é uma estratégia usual no sistema político brasileiro que provoca
vários campos de entendimento sobre as suas causas e efeitos. Conforme
observaram Machado e Miguel (2008), as coligações além de servirem para ampliar
as chances eleitorais, servem para que os partidos políticos busquem afinidades
com determinados grupos e afastamento de outros. Não obstante, outra questão
plausível que se coloca ao cenário das coligações é a possibilidade de se
constituir independente de perfis partidários, sejam eles relacionados com o
seu tamanho, o seu tempo de existência ou mesmo o seu espectro ideológico. Em
relação a esta última característica, percebe-se que entre os partidos de
direita e de centro mais de 80% das candidaturas são coligadas. Esse padrão
repete-se nos partidos de esquerda, com leves exceções. Destoam apenas o PCO e
PSOL, e em menor escala o PSTU, que em 2004 teve uma quantidade baixíssima de
candidaturas coligadas, revertendo o quadro em 2008, quando 66% de seus
candidatos participaram de coligações (<a href="#q3">Quadro 3</a>).<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Os dados das eleições de 2004 e 2008 indicam que
é visível o interesse dos partidos políticos em buscarem parcerias para
disputas eleitorais. Para isso, as motivações para as alianças, em certa
medida, independe das peculiaridades dos próprios partidos, da localização
geográfica, e de outras características. Isto porque das aproximadamente
cinquenta e duas mil cadeiras ocupadas em cada um desses pleitos, mais de 80%
foram resultados de candidaturas coligadas. Este dado demostra bem a
importância deste modelo institucional para maximizar o sucesso eleitoral.
Assim, pode-se dizer também que daquelas candidaturas que se lançaram por
partidos isolados, a proporção de sucesso em 2008, por exemplo, não atingiu 12%
(<a href="#q4">Quadro 4</a>).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q4">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q4.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>O sucesso eleitoral das candidaturas coligadas em
grande parte é explicado pelo modelo de distribuição de cadeiras que permite a
união de partidos em eleições proporcionais e a divisão dos dividendos entre os
mesmos. Nesse caso, literalmente, a união faz a força. Numericamente os
candidatos coligados representam aproximadamente 80% do total, o que por si só
já produz um volume maior de votos, os quais serão contabilizados na
distribuição de cadeiras. Além disso, os partidos coligados inserem na disputa,
a maior parte dos candidatos possuidores de alta densidade eleitoral. Estes
além de se elegerem por conta própria, visto que as suas votações superam o
quociente eleitoral, terminam por transferir votos para os demais candidatos
que fazem parte da coligação. Este aspeto é tido como negativo porque
compromete a correspondência entre a força eleitoral de cada partido e a
densidade de cadeiras legislativas. Isto é, permite que partidos que não atingiram
o quociente eleitoral consigam representação. Os dados das eleições de 2004
demonstram que 255 dos candidatos que se elegeram por conta própria, 80,44%
eram coligados, e em 2008 essa proporção atingiu 89,90%. Esse quadro torna
possível e bastante compreensivo o sucesso eleitoral dos candidatos coligados
apresentado no <a href="#q4">quadro 4</a>.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A despeito do sucesso eleitoral logrado pelas
coligações partidárias, este modelo contribui para gerar distorções. Como
observou Lima Júnior (1993) um sistema representativo é mais democrático quanto
mais igualitário poder sê-lo. Neste caso, a representação proporcional
satisfaz-se quando qualquer partido alcança uma proporção de cadeiras igual à
de votos. Observando a lógica das coligações, os estudos sobre o sistema
eleitoral brasileiro apontam dois tipos de distorções: a primeira diz respeito
à fragmentação partidária, e a segunda à eleição de candidatos com baixa
quantidade de votos, o que pode afetar no limite a qualidade da representação.
Estes dois aspetos serão visto nas sessões seguintes.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>FRAGMENTAÇÃO PARTIDÁRIA NOS LEGISLATIVOS
MUNICIPAIS BRASILEIROS</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>O debate sobre a
existência de coligações eleitorais e o aumento da fragmentação partidária no
poder legislativo é recorrente e controverso. De um lado aborda-se o problema
da governabilidade, do outro o problema da representatividade. Parte da
literatura sugere que quão mais fragmentados forem os legislativos, maiores
serão os problemas referentes à governabilidade (Nicolau, 1996; Lima Júnior,
1993; Mainwaring, 2001). Por outro lado, há os que defendem que a fragmentação
em grande medida seria o espelho de uma realidade também fragmentada, e as
coligações permitem a sua reprodução no interior das casas legislativas. Se há
um sistema multipartidário, a tendência racional dos pequenos partidos é buscar
aliados para obtenção do sucesso eleitoral. O dispositivo da coligação é uma
alternativa para viabilizar a representação dos pequenos partidos, pois revela
a diversidade dos grupos de interesses que operam no sistema político
brasileiro (Braga, 2006).</p>

    <p>O nível de fragmentação partidária no interior
das casas legislativas pode ser medido pelo Número Efetivo de Partido (NEP)<sup>
</sup>e pela taxa de fracionalização. Essas medidas indicam a efetividade da
representação dos partidos no que concerne à ocupação de cadeiras no poder
legislativo.<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> A taxa de fracionalização, por exemplo, possui uma escala que varia de
0 a 1, quanto mais próximo de zero, menor será a fragmentação, por outro lado,
quanto mais próximo de um, maior será a fragmentação.</p>

    <p>Para este estudo, ambas as taxas foram calculadas
para as câmaras municipais de todos os municípios do país formadas nas eleições
de 2004 e 2008. Os dados estão dispostos no quadro seguinte e representam a
média dos cálculos feitos para as câmaras de vereadores. Em média, para os
municípios brasileiros o número efetivo de partido para o ano de 2004 foi de
4,48, enquanto a taxa de fracionalização de 0,750 para o mesmo ano. Percebe-se
que esses números sofreram leves acréscimos na eleição seguinte. No mesmo
quadro é possível verificar os mesmos cálculos para regiões do país e unidades
federativas, possibilitando destacar diferenças entre as mesmas. O NEP e a taxa
de fracionalização da Região Norte, para o ano de 2008, foram 5,29 e 0,794
­respetivamente, enquanto a região Sul apresentou no primeiro indicador 4,04 e
0,725. A diferença de uma região para outra, gira em torno de 30,94% no NEP e
de 9,25% na taxa de fracionalização. Isto sugere que nas eleições municipais de
2008 as câmaras municipais da região Sul do país registaram menores níveis de
fragmentação partidária.</p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><a href ="/img/revistas/aso/n220/n220a07q5.jpg ">Quadro 5</a></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Além das regiões e unidades federativas,
buscou-se verificar como os indicadores de fragmentação variam entre os
distintos portes dos municípios. Descobriu-se que a fragmentação partidária, em
média, se manifesta de forma mais intensa nos municípios de maior porte, o que
não significa dizer que as maiores cidades individualmente possuam as maiores
taxas. São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, em 2004 obtiveram,
respetivamente, 6,71 e 8,01 em Número Efetivo de Partidos, enquanto Jaboatão
dos Guararapes e Manaus atingiram as maiores taxas com 13,36 e 12,79.</p>

    <p>Com o objetivo de verificar se de facto a
presença de coligação partidária contribui para aumentar a fragmentação nas
câmaras municipais brasileiras, buscou-se identificar municípios com e sem a
presença dessas alianças eleitorais. Inicialmente, como esperado, constatou-se
que na grande maioria dos municípios, as candidaturas em eleições proporcionais
de 2004 e 2008 foram efetuadas por meio das coligações. Assim, pôde-se
constatar e identificar as candidaturas usando as seguintes categorias de
classificação: municípios com candidaturas sem nenhum tipo de coligação;
municípios com candidaturas coligadas e isoladas; e por último, aqueles municípios
em que todos os candidatos, sem exceção, fazem parte de alguma aliança
partidária eleitoral (<a href="#q7">Quadro 7</a>).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q6">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q6.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

<a name="q7">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q7.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>O exercício de identificação acima permitiu
isolar dois grupos de municípios: o primeiro onde não existiram candidaturas
coligadas e o segundo onde todo o universo de candidaturas foi lançado por meio
de coligações. Isto permitiu um exercício comparativo, em que se buscou
verificar se havia diferenças nos indicadores de fragmentação entre os dois
grupos de municípios.</p>

    <p>Os resultados indicam diferenças importantes
entre os dois grupos de municípios, pois o NEP e a taxa de fracionalização são
maiores naqueles municípios onde todas as candidaturas foram efetuadas por meio
de coligações.<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> Tomando-se como parâmetro a eleição de 2004, o NEP nos municípios os
quais existem coligações supera o outro grupo em 25%. Desagregando apenas o
grupo de municípios de até cinco mil habitantes essa diferença aumenta para 36%
(<a href="#q8">Quadro 8</a>). Isto sugere, portanto, que de fato as
coligações partidárias contribuem para elevar o nível de fragmentação,
principalmente, nos pequenos municípios. A associação entre existência de
coligações, NEP e fracionalização apresentou significância estatística ao nível
de 1% nos testes de correlação (Mann-Whitney) para as duas eleições.<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q8">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q8.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>Ao testar a relação de causalidade entre
coligação partidária e fragmentação, representada neste trabalho pelo NEP e
pela taxa de fracionalização, optou-se pelo uso do modelo de regressão linear
múltipla. Tanto NEP como a taxa de fracionalização são utilizadas como
variáveis dependentes contínuas. Somando-se a elas duas variáveis de controlo,
o log da população para o ano de 2000 e a renda <i>per capita</i> referente aos
anos das eleições. O modelo apresentou-se estatisticamente significativo para
explicar a variação dos indicadores de fragmentação em ambas as eleições
(<a href="#q9">Quadro 9).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q9">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q9.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p><b>COLIGAÇÃO PARTIDÁRIA E AMPLIAÇÃO DO SUCESSO
ELEITORAL</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Uma das distorções
possíveis do desenho institucional do sistema eleitoral brasileiro, diz
respeito à possibilidade de candidatos com baixa densidade eleitoral serem
eleitos a partir oa somatória dos votos dos seus correligionários. No entanto,
a tarefa de classificar um candidato quanto à sua densidade eleitoral não é
trivial. Isto porque é possível que candidatos com baixíssima densidade
eleitoral sejam vitoriosos e outros com elevada quantidade de votos não sejam
eleitos. De pronto não se pode dizer que por ter sido eleito, alguém
necessariamente possui boa densidade eleitoral. Necessita-se, portanto, de
recursos metodológicos que estabeleça parâmetros rigorosos.</p>

    <p>Neste trabalho optou-se pela construção de um
índice que permitisse classificar o candidato quanto à sua densidade eleitoral.
Inicialmente, foi calculado o quociente eleitoral de todas as eleições
municipais do país. A quantidade de votos atingidos por cada candidato foi
divida pelo quociente eleitoral de seu município. Com isto foi atribuído uma
distância dos candidatos em relação ao quociente eleitoral, o que permitiu
distribui-los num contínuo. Quanto mais próximo de zero for à votação do
candidato menor a sua densidade eleitoral quanto mais distante maior. Nas
eleições de 2004 essa variação ocorreu de 0% a 284% com média de 13,75% e em 2008
de 0% a 226%, e, média de 14,17%, conforme pode ser visto no quadro abaixo.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<a name="q10">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q10.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Ao evidenciar a distância das votações dos
candidatos, em relação ao quociente eleitoral, categoriza-se por faixas
percentuais. Para tanto, as candidaturas estão classificadas de acordo com o
percentual de votos em relação ao quociente eleitoral. Verifica-se que 2,23% de
todos os candidatos não obtiveram votos. A maioria dos candidatos não obteve
votação superior a 10% do quociente eleitoral. Na outra ponta estão os
candidatos com alta densidade eleitoral, os quais somaram em 2004 um total de
374, e em 2008 atingiram 433. Isto significa que uma diminuta fração dos
candidatos consegue eleger-se por méritos próprios, e a grande maioria depende
do quociente partidário. Esta constatação traz à discussão questões em torno da
importância dos partidos na democracia brasileira. Embora o sistema eleitoral
de lista aberta, possibilite o eleitor votar no candidato, o sucesso eleitoral
depende de fatores institucionais que regulam a performance
dos partidos no processo de escolha. Assim sendo, a compreensão do senso comum
sobre o insignificante papel do partido, não tem evidência empírica. Se grande
parte dos eleitos depende do quociente partidário, as estratégias dos
candidatos são potencializadas com as coligações.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q11">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q11.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>No quadro seguinte é possível verificar a
filiação partidária dos candidatos com alta densidade eleitoral, que em geral
se concentram nos grandes partidos. Em 2004, por exemplo, 73,50%
concentravam-se em apenas cinco partidos. No entanto, há pequenos partidos que
também apresentam candidatos com alta densidade de votos. Outro dado importante
que deve ser observado é essa tendência de crescimento dos candidatos dos
pequenos partidos com alta densidade de votos em eleições subsequentes.
Destaque-se que a maioria dos candidatos com alta densidade eleitoral participa
de coligações, sobretudo, entre os pequenos partidos políticos, embora em menor
intensidade.<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a></p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q12">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q12.jpg"></p>

    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
    <p><a href ="/img/revistas/aso/n220/n220a07q13.jpg ">Quadro 13</a></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Uma das
justificações utilizadas pelos defensores da manutenção das coligações
partidárias em eleições proporcionais no Brasil diz respeito às desvantagens
dos pequenos partidos de se fazerem representar nos parlamentos. Os dados para
as eleições de 2008 sugerem que de fato isto pode ocorrer. Aproximadamente 30%
dos eleitos do PC do B, por exemplo, não atingiram 30% do quociente eleitoral.
Quando se analisa os partidos de médio porte, percebe-se que os eleitos nessa
faixa são em menor número, havendo, a exemplo do PDT (23,15%). Já no PMDB,
apenas 16,33% figuram nessa faixa. No quadro abaixo é possível analisar o
desempenho dos partidos faixa a faixa.</p>

    <p>Na média, os
pequenos partidos apresentam, proporcionalmente, número superior aos médios e
grandes partidos nas faixas mais baixas de votos. Na <a href="#f1">figura 1</a> é possível
acompanhar esse padrão. A linha dos partidos menores é superior às demais até à quarta faixa, havendo 
inversão nos demais, permanecendo
assim até o final.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="f1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07f1.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>No
<a href="#q14">quadro 14</a> estão dispostos os resultados das eleições de 2004 e 2008 por situação.
Um primeiro dado é que aproximadamente 70% dos eleitos possuem menos da metade
dos votos que compõe o quociente eleitoral. Apenas 7% dos eleitos atingem
número superior 70% do mesmo quociente.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q14">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q14.jpg"></p>

    
<p>&nbsp;</p>
<a name="q15">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q15.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Os dados do quadro
anterior foram desagregados por tipo de candidaturas: isoladas ou coligadas.
Destacam-se apenas as candidaturas vitoriosas, permitindo com isso quantificar
diferenças entre os dois grupos. Como esperado, percebe-se que as candidaturas
coligadas dominam proporcionalmente o número de cadeiras, não apresentando
diferenças importantes, inclusive, entre as faixas. É possível, a partir do
padrão apresentado, afirmar que independentemente da densidade eleitoral dos
candidatos, as suas hipóteses são maiores quando coligados.</p>

    <p>Em grande medida,
os dados do quadro anterior são influenciados pelo volume de candidatos que
optam por disputar o pleito eleitoral através de coligações. Nesse caso,
espera-se que candidaturas nessas condições, não só sejam maiores em
quantidade, mas também logrem êxitos eleitorais.</p>

    <p>Para minimizar a
influência desse quadro desproporcional entre ­candidaturas coligadas e
isoladas, tomam-se municípios onde o número de
candidatos isolados e coligados é aproximado. Para tanto, verifica-se a
existência de um padrão, ou seja, é possível averiguar de que modo as coligações exercem impacto no sucesso eleitoral dos
candidatos, especialmente, entre aqueles com baixa densidade eleitoral.</p>

    <p>Os dados do <a href="#q16">quadro
16</a> permitem visualizar o peso das coligações para obtenção de sucesso eleitoral
dos candidatos aos cargos do poder legislativo nos municípios brasileiros. Ao
tomar municípios com equivalência numérica entre candidaturas isoladas e
coligadas, predomina o sucesso eleitoral dos candidatos coligados. Conclui-se
então que as alianças partidárias são estratégias de excelentes efeitos, pois
se pode considerar o padrão para todos os municípios do país.</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q16">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07q16.jpg"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>Para avançar a análise acerca dos condicionantes
que explicam o sucesso eleitoral das candidaturas, construiu-se modelos de
regressão logística binomial, considerando a razão da variável dependente que
varia entre 0=não
eleito e 1=eleito (<a href ="/img/revistas/aso/n220/n220a07q17.jpg ">Quadro 17</a>). Como variáveis explicativas, entraram no modelo a <i>dummy</i>
coligação que varia entre 0=não coligado e 1=coligado, o log da população e a renda per capita do município. Este é
um teste estatístico que permite analisar muitas situações de dados que
envolvem predições de impacto em valores que variáveis independentes produzem
sobre uma variável dependente categórica <i>dummy. </i>Isso significa que um
teste realizado, a partir de observações feitas, pode predizer o quanto uma
determinada variável independente pode ter tido impacto sobre a variável
dependente, observando uma relação entre os valores do exponencial Beta, Exp(B)
e o Beta B, quando houver significância estatística em relação de causalidade
entre uma variável independente e uma dependente. Pode-se dizer que uma
regressão logística permite explicar o efeito que cada variável independente
tem sobre a variável dependente dicotómica. Porém, o modelo permite uma maior
acurácia preditiva quando levado em conta o conjunto de preditores, isto é, um
número elevado de variáveis independentes sem significância estatística implica
na redução explicativa do modelo.</p>

    
<p>Desse modo, apresentam-se três modelos para cada
eleição, os quais estão estratificados pela faixa de votos recebidos e
distruibuidos também por faixa em relação à distância do quociente eleitoral.
Pode-se observar no geral que a variável coligação teve impacto significativo
no sucesso eleitoral do ­candidato. Todavia, algumas observações devem ser
feitas para explicar o impacto da coligação no sucesso eleitoral de candidatos
com baixa votação. Nas eleições de 2004, o dado curioso a este respeito
encontra-se no modelo 2, que apresenta candidatos com
votação na faixa =&gt;0% - &lt;=10% do quociente eleitoral, a variável coligação apresenta o valor do
EXP(B) 8,9, isto que dizer que um candidato coligado, nessa faixa de votação,
teve quase nove vezes mais hipótese de ser eleito do que os demais. Isto
explica o quanto a coligação teve impacto no sucesso
eleitoral de candidatos com baixa votação. Já observando, as eleições de 2008
há redução desse impacto. O modelo 1 – todos os
candidatos – apresenta a variável coligação com o valor do EXP(B) 1,5, neste
caso, os candidatos coligados tiveram quase duas vezes mais hipótese de sucesso
eleitoral do que os candidatos isolados. Quando se passa a observar a faixa de
votação do candidato em relação ao quociente eleitoral, o modelo 3 indica que os candidatos coligados na faixa de votos =&gt;10% - &lt;=20% apresentaram EXP(B) 1,3 de chance de sucesso eleitoral. Os
resultados das regressões revelam um achado importante para entender o impacto
das coligações nas eleições municipais, que é a redução dos custos e a
maximização de benefícios para candidatos coligados, uma vez que é
significativo o impacto da coligação nos eleitos com baixa votação. Neste
sentido, a pesquisa apresenta algumas questões que podem servir como
especulações para novos tratamentos e análise de dados.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>CONSIDERAÇÕES FINAIS</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A preocupação teórica
referente à fragmentação partidária e às eleições de candidatos com baixa
densidade eleitoral nas legislativas brasileiras, resultado, sobretudo, do
desenho institucional do sistema eleitoral, de facto encontra respaldo empírico
neste trabalho, especificamente, no tocante às câmaras municipais.</p>

    <p>Verificou-se que a opção pelas coligações
partidárias no Brasil é a regra e não a exceção, pois na grande maioria dos
municípios tal prática é recorrente, e o número de candidaturas por meio de
alianças supera os 80% (2008). Esta opção manifesta-se em todos os partidos,
independente do espectro ideológico ou tamanho. Tal indica que as hipóteses de
sucesso eleitoral de candidaturas coligadas são consideráveis, quando se
comparam com aquelas que se lançam isoladamente. Em 2008, por exemplo,
observando o cenário de recrutamento das legislativas municipais, o número de
cadeiras conseguidas por candidaturas coligadas superou 88%.</p>

    <p>Ao definir as faixas de votações dos candidatos e
separando-os por grupos, percebe-se que o grupo de coligados supera com grande
margem o de não coligados. Ressalta-se ainda que na base estão
candidaturas que possuem baixa densidade eleitoral, e são alavancadas pelas
suas coligações. Destarte, pode-se considerar problemática a forma de
recrutamento do Legislativo Municipal, pois há um número considerável de
vereadores no Brasil, que dificilmente seria eleito sem a ajuda do quociente
partidário. O quociente partidário é um dispositivo utilizado para definir se
um partido tem ou não direito de constituir cadeiras no legislativo.</p>

    <p>Assim, a permissão para formação de coligações
incrementa mais ainda as hipóteses de obtenção de vitória. Também cabem nesse
grupo de beneficiados aqueles advindos de pequenas agremiações partidárias.
Nestes casos, os partidos importam e as coligações ainda mais. Outro aspeto
curioso da realidade das coligações em candidaturas proporcionais são os
efeitos da competição eleitoral devido ao grande número de partidos do sistema
político brasileiro. Nota-se que as coligações são estratégias de todos os
partidos para reduzir custo de transação no processo de competição que é
bastante alto devido à grande quantidade de partidos e de candidatos. Até mesmo
os grandes partidos procuram composição e alianças para enfrentar as incertezas
da arena eleitoral.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Além dos desdobramentos eleitorais, o estudo
permitiu mostrar que as coligações contribuem para a fragmentação partidária,
medida nesse trabalho pelo Número Efetivo de Partidos e pela taxa de
fracionalização. Quer dizer, se por um lado, as coligações diminuem os custos
de transação ao aumentar as hipóteses eleitorais dos candidatos a vereador nos
municípios brasileiros, por outro lado podem aumentar os custos da
governabilidade devido à probabilidade de ampliação da fracionalização na arena
legislativa.</p>


    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS</b></p>

    <p><b>&nbsp;</b></p>

    <!-- ref --><p>AMES, B. (2003), <i>Os Entraves da
Democracia no Brasil</i>. Rio de Janeiro, FGV Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082470&pid=S0003-2573201600030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>BRAGA,
M. do S. (2006), “Dinâmica de coordenação eleitoral em regime presidencialista
e federativo: determinantes e consequências das coligações partidárias no
Brasil”. <i>In</i> G.A.D.
Soares e L.R. Rennó (orgs.), <i>Reforma
Política: Lições da História Recente</i>, Rio de Janeiro, Editora da FGV, pp.
228-245.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082472&pid=S0003-2573201600030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>CARREIRÃO,
Y. de S. (2006), “Ideologia e partidos políticos: um
estudo sobre coligações em Santa Catarina”. <i>Opinião Pública</i>, 12 (1),
Abril/Maio, pp. 136-163.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082474&pid=S0003-2573201600030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CARREIRÃO,
Y. de S., NASCIMENTO, F.P.
(2010), “As coligações nas eleições para o Senado brasileiro
(1990/2006)”. <i>In</i>
S.Krause <i>et</i><i> al</i>.
(orgs), <i>Coligações Partidárias na Nova Democracia
Brasileira. Perfis e Tendências, </i>Rio de Janeiro, Konrad-Adenuer-Stiftung, São Paulo, Ed. UNESP, pp.
99-135.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082476&pid=S0003-2573201600030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>COX, G.W.,
MCCUBBINS, M.D. (2001), “The institutional determinants of economic policy
outcomes”. <i>In</i>
S. Haggard, S. e M.D.,Mccubbins,
<i>Presidents, Parliaments, and Policy</i>, NovaIorque,
Cambridge University Press, pp. 27-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082478&pid=S0003-2573201600030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>DOWNS,
A. (1999), <i>Uma Teoria Económica da Democracia</i>, São Paulo, Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082480&pid=S0003-2573201600030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>HUNTINGTON, S. (1991), <i>The Third Wave:
Democratization in the Late Twentieth Century</i>, ­Norman,
University of Oklahoma Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082482&pid=S0003-2573201600030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>KRAUSE,
S. <i>et</i><i> al</i>. (org.) (2010), <i>Coligações
Partidárias na Nova Democracia Brasileira. Perfis e Tendências, </i>Rio de
Janeiro, Konrad-Adenuer-Stiftung,
São Paulo, Ed. UNESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082484&pid=S0003-2573201600030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>KRAUSE,
S., GODOY, P.P.A.
(2010), “Coligações eleitorais para os executivos estaduais
(1986-2006): padrões e tendências”. <i>In </i>S.Krause
<i>et</i><i> al</i>. (orgs),
<i>Coligações Partidárias na Nova Democracia Brasileira. Perfis e Tendências, </i>Rio
de Janeiro, Konrad-Adenuer-Stiftung,
São Paulo: Ed. UNESP, pp. 41-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082486&pid=S0003-2573201600030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>LAAKSO, M., TEEGAPERA, R. (1979), “Effective number of
parties: a measure with applications to West Europe”.<i>Comparative</i><i>PoliticalStudies</i>,
12 (1), pp. 3-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082488&pid=S0003-2573201600030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>LAMOUNIER,
B., (1994), “A democracia brasileira de 1985 à década de 1990: a síndrome da
paralisia hiperativa”. <i>In</i> J. Velloso, <i>Governabilidade, Sistema
Político e Violência Urbana</i>, Rio de Janeiro, José Olympio, pp. 25-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082490&pid=S0003-2573201600030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>LIMA
JÚNIOR, O.B. (1983), <i>Os Partidos Políticos
Brasileiros. A Experiência Federal e Regional 1945-1964, </i>Rio de Janeiro,
Editora Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082492&pid=S0003-2573201600030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>LIMA
JÚNIOR, O.B. (1993), <i>Democracia e
Instituições Políticas no Brasil nos Anos 80</i>, São Paulo, Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082494&pid=S0003-2573201600030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>LIJPHART,
A. (2003) <i>Modelos de Democracia: Desempenho e Padrões de Governo em 36
Países</i>, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082496&pid=S0003-2573201600030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>MACHADO,
C.M.M.,
MIGUEL, L.F. (2008), “Coerência, coesão e consistência: uma
proposta de tipologia para coligações municipais”. In <i>6.º Encontro da ABCP</i>,
Campinas,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082498&pid=S0003-2573201600030000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Unicamp.</p>

    <!-- ref --><p>MAINWARING,
S. (2001), <i>Sistemas Partidários em Novas Democracias</i>, Rio de Janeiro,
Editora da FGV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082500&pid=S0003-2573201600030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>MAINWARING, S. (1991), “Políticos, partidos e sistemas
eleitorais”. <i>Novos Estudos</i>, 29, pp. 34-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082502&pid=S0003-2573201600030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>MELO, M.A.
(2004) <i>Institucional Design,NormativePoliticalTheoryandAccountability</i>. Reunido
Anual da ANPOCS, Caxambu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082504&pid=S0003-2573201600030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>NICOLAU,
J.M. (1996), <i>Multipartidarismo e
Democracia: um Estudo sobre o Sistema Multipartidário Brasileiro</i>, Rio de
Janeiro, FGV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082506&pid=S0003-2573201600030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>PEIXOTO,
V. de M. (2010), “Coligações nos municípios brasileiros: competição e
estratégias”. <i>In</i> S.Krause <i>et</i><i>
al</i>. (orgs), <i>Coligações Partidárias na Nova
Democracia Brasileira. Perfis e Tendências, </i>Rio de Janeiro, Konrad-Adenuer-Stiftung, São Paulo, Ed. UNESP,
pp. 277-300.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082508&pid=S0003-2573201600030000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>POWELL, G.B.
(2000), <i>Elections as Instruments of Democracy: Majoritarian and Proportional
Visions</i>, New Haven, Yale.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082510&pid=S0003-2573201600030000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>RIBEIRO, P.F. (2010), “Velhos e novos
companheiros: coligações eleitorais nos municípios do “G79” (1996-2008)”. <i>In</i>
S.Krause <i>et</i><i> al</i>.,
(orgs), <i>Coligações Partidárias na Nova Democracia
Brasileira. Perfis e Tendências, </i>Rio de Janeiro, Konrad-Adenuer-Stiftung, São Paulo, Ed. UNESP, pp.
301-324.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082512&pid=S0003-2573201600030000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SHUGART, M.S.,
CAREY, J.M. (1992). <i>Presidents and
Assemblies: Constitutional Design and Electoral Dynamics</i>, Cambridge
University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=082514&pid=S0003-2573201600030000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>Recebido a 17-10-2014. Aceite para publicação a
07-03-2016.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS</b></p>

    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> O quociente partidário, em
conjunto com o quociente eleitoral e o sistema de lista aberta são os métodos
utilizados no Brasil para alocação de cadeiras em eleições proporcionais. O
quociente eleitoral é o produto da divisão do número de votos válidos numa
eleição pelo número de vagas parlamentares de um distrito eleitoral. Tal
cálculo permite definir o número mínimo de votos que um partido ou coligação
deve obter para ter direito a uma vaga legislativa. Já o quociente partidário é
calculado a partir da divisão do número de votos válidos obtidos por um partido
ou coligação pelo quociente eleitoral estabelecido previamente. Na prática,
este quociente define o número de cadeiras que cada partido ou coligação terá
direito no parlamento. No caso brasileiro, que se pauta no sistema de lista
aberta, ocupam as vagas de um partido ou coligação os seus candidatos mais
votados.</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>O critério de classificação
dos partidos quanto ao espectro ideológicos estão contido em Krause <i>et</i><i> al</i>., (2010, pp. 380-382).</p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> NEP é uma variável que
indica grau de dispersão partidária no Legislativo, segundo a fórmula: N=1/&#8721;pe², onde pe = percentual de cadeiras
ocupadas por cada partido. A taxa de fracionalização é calculada por N=1-&#8721;pe² (Laakso e Teegapera, 1979).</p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> Para o ano de 2004, 93%
desses municípios localizavam-se na faixa populacional de até 20 mil
habitantes, enquanto em 2008 esse número é de 100%. No tocante ao tamanho
numérico das câmaras de vereadores, a maior parte dos municípios no qual não
houve candidaturas coligadas possuía apenas nove cadeiras. Houve apenas uma exceção
na eleição de 2004.</p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> A variável coligação
partidária foi construída atribuindo-se zero para inexistência de coligação nos
municípios e um para existência. O teste de correlação de Mann-Whitney é
indicado para correlacionar variáveis binárias com contínuas, daí a utilização.</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>Nesse trabalho o tamanho
dos partidos foi classificado pela proporção de votos em relação ao total
global obtidos por todos os partidos na eleição de 2008. Os partidos que
obtiveram mais de 7% dos votos foram considerados grandes; de 4% a 6,99%
médios; menor que 3,99% pequenos.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<a name="A1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07A1.jpg"></p>

    
<p>&nbsp;</p>
<a name="A2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n220/n220a07A2.jpg"></p>

    
 ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AMES]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Entraves da Democracia no Brasil]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FGV Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRAGA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. do S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dinâmica de coordenação eleitoral em regime presidencialista e federativo: determinantes e consequências das coligações partidárias no Brasil]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Soares]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.A.D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rennó]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Reforma Política: Lições da História Recente]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>228-245</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora da FGV]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CARREIRÃO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y. de S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ideologia e partidos políticos: um estudo sobre coligações em Santa Catarina]]></article-title>
<source><![CDATA[Opinião Pública]]></source>
<year>2006</year>
<volume>12</volume>
<numero>1</numero><numero>Abril/Maio</numero>
<issue>1</issue><issue>Abril/Maio</issue>
<page-range>136-163</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CARREIRÃO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y. de S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[NASCIMENTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As coligações nas eleições para o Senado brasileiro (1990/2006)]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Krause]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Coligações Partidárias na Nova Democracia Brasileira: Perfis e Tendências]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>99-135</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de JaneiroSão Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Konrad-Adenuer-StiftungEd. UNESP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COX]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MCCUBBINS]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The institutional determinants of economic policy outcomes]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Haggard]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mccubbins]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. e M.D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Presidents, Parliaments, and Policy]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>27-89</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DOWNS]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uma Teoria Económica da Democracia]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edusp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HUNTINGTON]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Third Wave: Democratization in the Late Twentieth Century]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[­Norman ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Oklahoma Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KRAUSE]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Coligações Partidárias na Nova Democracia Brasileira: Perfis e Tendências]]></source>
<year>2010</year>
<month>)</month>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de JaneiroSão Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Konrad-Adenuer-StiftungEd. UNESP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KRAUSE]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GODOY]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.P.A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Coligações eleitorais para os executivos estaduais (1986-2006): padrões e tendências]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Krause]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Coligações Partidárias na Nova Democracia Brasileira: Perfis e Tendências]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>41-98</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de JaneiroSão Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Konrad-Adenuer-StiftungEd. UNESP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LAAKSO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[TEEGAPERA]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Effective number of parties: a measure with applications to West Europe]]></article-title>
<source><![CDATA[Comparative Political Studies]]></source>
<year>1979</year>
<volume>12</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>3-27</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LAMOUNIER]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A democracia brasileira de 1985 à década de 1990: a síndrome da paralisia hiperativa]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Velloso]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Governabilidade, Sistema Político e Violência Urbana]]></source>
<year>1994</year>
<page-range>25-64</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[José Olympio]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LIMA JÚNIOR]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Partidos Políticos Brasileiros: A Experiência Federal e Regional 1945-1964]]></source>
<year>1983</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Graal]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LIMA JÚNIOR]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Democracia e Instituições Políticas no Brasil nos Anos 80]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Loyola]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LIJPHART]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Modelos de Democracia: Desempenho e Padrões de Governo em 36 Países]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Civilização Brasileira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MACHADO]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.M.M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MIGUEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Coerência, coesão e consistência: uma proposta de tipologia para coligações municipais]]></source>
<year>2008</year>
<conf-name><![CDATA[6.º Encontro da ABCP]]></conf-name>
<conf-loc>Campinas </conf-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MAINWARING]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sistemas Partidários em Novas Democracias]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora da FGV]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MAINWARING]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Políticos, partidos e sistemas eleitorais]]></article-title>
<source><![CDATA[Novos Estudos]]></source>
<year>1991</year>
<numero>29</numero>
<issue>29</issue>
<page-range>34-58</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MELO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Institucional Design, Normative Political Theory and Accountability]]></source>
<year>2004</year>
<conf-name><![CDATA[ Reunido Anual da ANPOCS]]></conf-name>
<conf-loc>Caxambu </conf-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NICOLAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Multipartidarismo e Democracia: um Estudo sobre o Sistema Multipartidário Brasileiro]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FGV]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEIXOTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[V. de M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Coligações nos municípios brasileiros: competição e estratégias]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Krause]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Coligações Partidárias na Nova Democracia Brasileira: Perfis e Tendências]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>277-300</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de JaneiroSão Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Konrad-Adenuer-StiftungEd. UNESP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[POWELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Elections as Instruments of Democracy: Majoritarian and Proportional Visions]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[New Haven ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Yale]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RIBEIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Velhos e novos companheiros: coligações eleitorais nos municípios do “G79” (1996-2008)]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Krause]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Coligações Partidárias na Nova Democracia Brasileira. Perfis e Tendências]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>301-324</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Konrad-Adenuer-Stiftung]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SHUGART]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[CAREY]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Presidents and Assemblies: Constitutional Design and Electoral Dynamics]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
