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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tecnologia, periferia, caciquismo: Abílio Beça e o caminho-de-ferro de Bragança]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Ciência e tecnologia Centro Interuniversitário de História da Ciência e da Tecnologia]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[By the end of the nineteenth century the northernmost regions of the district of Bragança were still not connected to the national railway network. The attempts presented to the parliament to solve this situation were disregarded due to the partial default of Portugal in 1892. Despite the crisis, Abílio Beça, a “cacique” (local leader) from Bragança, struggled to convince the government to build the extension of the Tua line from Mirandela to Bragança. This paper explains how Abílio Beça became a local influencer and how he rose in the hierarchy of the Regenerator Party to convince the government to open a tender for the adjudication of the railway. We analyze this process under the center-periphery model in a triple perspective: economic, political, and technological]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[linha do Tua]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[tecnopolítica]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[territorial politics]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[technopolitics]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>


    <p><b>Tecnologia, periferia, caciquismo: Abílio Beça e o caminho-de-ferro de Bragança</b></p>

    <p><b>Technology, periphery, local leadership: Abílio Beça and the Bragança railway</b></p>

    <p>&nbsp;</p>


    <p><b>Hugo Silveira Pereira</b>*</p>

    <p>* Centro Interuniversitário de História da Ciência e da Tecnologia, FCT, Universidade Nova de Lisboa, Campus de Caparica, Edif. VII,
Piso 2 — 2829-516 Caparica, Portugal. E-mail:<a href="mailto:hugojose.pereira@gmail.com">hugojose.pereira@gmail.com</a></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>RESUMO</b></p>

    <p>No final do século XIX o alto distrito brigantino estava desligado da rede ferroviária nacional. As tentativas apresentadas ao
Parlamento para corrigir esta situação foram invalidadas pela bancarrota
parcial do Estado em 1892. Apesar da crise, Abílio Beça, um influente homem
local de Bragança, lutou para que o governo construísse a continuação da linha
do Tua desde Mirandela até àquela cidade. Neste artigo procuraremos explicar a
forma como Abílio Beça se tornou um notável na região e como subiu nas fileiras
do Partido Regenerador de modo a convencer o governo a abrir concurso para a
concessão do caminho-de-ferro. Analisaremos também este processo dentro do
modelo centro-periferia numa tripla perspetiva: económica, política e
tecnológica.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: linha do Tua; caminhos-de-ferro;
políticas territoriais; tecnopolítica.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>By the end of the nineteenth century the northernmost regions of the district of Bragança
were still not connected to the national railway network. The attempts
presented to the parliament to solve this situation were disregarded due to the
partial default of Portugal in 1892. Despite the crisis, Abílio
Beça, a “cacique” (local leader) from Bragança, struggled to convince the government to build the
extension of the Tua line from Mirandela
to Bragança. This paper explains how Abílio Beça became a local
influencer and how he rose in the hierarchy of the Regenerator Party to
convince the government to open a tender for the adjudication of the railway.
We analyze this process under the center-periphery model in a triple
perspective: economic, political, and technological </p>

    <p><b>Keywords</b>: Tua line; railways; territorial politics; technopolitics.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>INTRODUÇÃO, METODOLOGIA E FONTES</b><a name="top1"></a><sup><a href="#1">1</a></sup></p>


    <p>Em 1887 a linha do Tua chegava a Mirandela, deixando, contudo, Bragança fora da rede férrea nacional.
Depois de um par de tentativas falhadas para decretar a construção, o processo
foi suspenso com a bancarrota parcial de 1892. Na viragem do século XIX para o
século XX, diversos transmontanos influentes procuraram que o governo central
financiasse o assentamento da linha. Entre esses influentes destacou-se um
advogado e político brigantino, Abílio Beça, cuja biografia agora apresentamos.</p>

    <p>A biografia, enquanto estilo historiográfico para a análise do século XIX português, foi durante anos
desprezada, dada a predileção pela <i>história total</i> dos <i>Annales,
</i>em prejuízo das histórias individuais (Sardica, 2005a, pp. 21-23;
Fernandes, 2010, pp. 20-23). Por outro lado, a carência de fontes criadas pelas
elites oitocentistas (Moreira, 1998, p. 53) e a dificuldade em aceder a
arquivos particulares limitaram a afirmação da biografia. Mas a partir da
década de 1990 foram realizados diversos estudos sobre protagonistas da segunda
metade do século XIX nacional. Fundamentalmente, a biografia deve ser usada não
como um fim, mas como um meio para enriquecer o conhecimento sobre a sociedade
do biografado, tendo em conta “le champ dans lequel
elle [a trajetória individual] s’est déroulée” (Bourdieu, 1986, p. 72; Le Goff,
1995, p. 12. Levi, 1989, pp. 1328-1333).</p>

    <p>Neste artigo a biografia de Abílio Beça será
usada como instrumento de análise do processo político de decisão da construção
da linha de Bragança. Seguiremos assim a metodologia de Hughes (1983, p. X e
1-17; Vleuten, 2006) de acompanhar o percurso dos principais intervenientes no
estabelecimento de grandes sistemas tecnológicos (os <i>system builders</i>),
adicionando, porém, um outro plano de análise: a
relação entre centro e periferia no Portugal de finais do século XIX e inícios
do século XX, no seu sentido económico (Wallerstein, 1990), político (Bulpitt,
1983) e tecnológico (Vasileios, 2015; Simões, Carneiro e Diogo, 2003, pp.
4-13).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Veremos que a trajetória de Beça se desenvolveu inicialmente em ­Bragança, onde se viria a afirmar
como cacique local. Assim que obteve tal estatuto, passou a agir como
intermediário entre o centro decisor (Lisboa) e a periferia (Bragança), com o
objetivo de aproximar ambas as regiões através da tecnologia ferroviária. Em
troca, auxiliou o governo central a estender a sua influência sobre o
território (Moreno, 1998, pp. 445-446). Bragança era uma zona da periferia
económica, política e técnica da nação, e o caminho-de-ferro foi encarado como
solução para minorar, e até eliminar, tal distanciamento.</p>

    <p>Neste sentido usaremos o modelo de Bulpitt
(1983), que considera a sede do governo como centro e tudo o resto como periferia,
e em específico o conceito de <i>políticas territoriais</i>:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> that arena of political activity concerned with the relations between the central
political institutions in the capital city and those interests, communities,
political organisations and governmental bodies
outside the central institutional complex [Bulpitt, 1983, pp. 1-3 e 60].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Deste conceito não se pode dissociar o de <i>tecnopolítica</i>,
a política que é conduzida através de meios tecnológicos ou a estratégia
baseada na tecnologia para impor fins políticos (Hecht, 2009, p. 89; Mehos e
Moon, 2011, p. 43).</p>

    <p>Com este estudo procuraremos também contribuir
para o conhecimento sobre a história dos caminhos-de-ferro nacionais (para o
atual estado da arte v. Pereira, 2015b), em particular sobre os homens que
assumiram, financiaram ou influenciaram a construção de ferrovias em Portugal.</p>

    <p>Sobre este tema existem já estudos sobre diversos
indivíduos relevantes, como as biografias de Fontes Pereira de Melo (Mónica,
1999), Ávila (Sardica, 2005a), Mariano de Carvalho (Fernandes, 2010) ou Eugénio
de Almeida (­Sardica, 2005b). Dispomos também de notas sobre acionistas das
companhias ferroviárias nacionais (Pinheiro, 2008, pp. 143-180), sobre
deputados que defenderam uma ou outra linha no Parlamento (Mónica, 2005-2006) e
sobre alguns engenheiros que as construíram (Macedo, 2009).<a name="top2"></a><sup><a href="#2">2</a></sup></p>

    <p>No caso específico da linha do Tua dispomos de duas biografias sobre os indivíduos que fizeram pressão e arrebataram a
concessão da primeira secção da linha (até Mirandela), respetivamente, Clemente
Menéres (Viseu, 2013a) e o marquês da Foz (Santos, 2014).
Ainda sobre este trecho da via temos estudos sobre os engenheiros Dinis da Mota
e Almeida Pinheiro, que a construíram (Pereira e Cordeiro, 2015). Para a
segunda parte do caminho-de-ferro (até Bragança) a ação do empreiteiro João da
Cruz e do engenheiro Costa Serrão está bem documentada, bem como a atuação
política da família Beça (Pereira, 2014).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A principal referência sobre a vida de Abílio Beça é a obra do abade de Baçal, Francisco Manuel Alves, <i>Memórias
Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança</i>, um trabalho extremamente
meritório do ponto de vista de recolha de fontes, mas que está longe de poder
ser considerado um exercício de investigação crítico. Aliás, o abade de Baçal,
pela sua intimidade com os Beças, não é de todo uma fonte isenta, sendo
provável que a sua nomeação para a paróquia de Baçal se tenha devido à
influência desta família (Jacob, 2000, p. XX). O abade chegou ainda a fazer
parte de uma lista encabeçada por Beça, que venceu a eleição para a câmara
municipal de Bragança em 1908 (­Berenguel <i>et</i><i>
al</i>., 2004, p. 58).</p>

    <p>O prestígio das <i>Memórias </i>condicionou outros trabalhos sobre a figura de Abílio Beça. Todos são unânimes em
considerá-lo um “grande benemérito regional”, dotado de um “civismo quase
fanático por quanto diz respeito ao engrandecimento de Bragança”
(Leitão-Bandeira, 2010; Sousa <i>et</i><i> al</i>.,
2005). Todos consideram também o caminho-de-ferro como o grande melhoramento a
que Beça ficou ligado.</p>

    <p>Quanto às fontes, a principal dificuldade da sua análise reside na sua dispersão. A carreira de Beça como
deputado, governador civil, presidente da câmara e influente local em
Bragança deixou uma vincada marca no universo documental, preservada em
diversos arquivos locais e nacionais. Se tivéssemos que eleger uma fonte
principal, a escolha recairia sobre os jornais de Bragança, pois</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> a consulta da imprensa [brigantina do século XIX] (…) revela-nos múltiplas
aspirações e reivindicações das populações e das elites municipal e distrital
aos mais diversos níveis (…), mas sobretudo, os projetos político-partidários e
os confrontos entre as diferentes forças políticas, estruturadas no plano
distrital enquanto emanações dos partidos nacionais [Sousa, 2013, vol. 2, p.
471].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Aliás, o período analisado (1890-1910) corresponde à época áurea da imprensa brigantina (Sousa, 2013, vol. 2, pp.
471-476). O essencial da análise recairá sobre <i>O Brigantino </i>(1886-1889),<i>
</i>a <i>Gazeta de Bragança </i>(1892-1910), <i>O Nordeste </i>(1888-1910) e o <i>Districto
de Bragança </i>(1902-1907). Os dois ­primeiros<i> </i>foram dirigidos por
Abílio Beça, o <i>Districto </i>é relevante por dar conta da oposição a Beça
dentro do próprio Partido Regenerador local e <i>O Nordeste </i>era o principal
adversário da <i>Gazeta</i>.</p>

    <p>Nesta época os jornais estavam profundamente comprometidos do ponto de vista político. <i>O Nordeste </i>incluía mesmo a
expressão “órgão do Partido Progressista do districto de Bragança” no seu
cabeçalho. A <i>Gazeta </i>nunca ocultou a sua colagem a Hintze Ribeiro, líder
dos regeneradores. No <i>Districto </i>o apoio ao regenerador Teixeira de Sousa
(e ao seu protegido em Bragança, Alberto Charula) era evidente. Assim, nenhum
dos artigos daqueles jornais pode ser tomado como isento no que toca à
avaliação política de Abílio Beça. Se para a <i>Gazeta </i>o seu comportamento
era imaculado, para <i>O Nordeste </i>era demagógico e ilegal. Todavia, as <i>notícias
factuais</i> podem ser usadas com alguma segurança, sobretudo se forem
confirmadas por outras fontes. Este aspeto é particularmente importante no que
respeita à construção do caminho-de-ferro. A <i>Gazeta </i>fez uma cobertura
bastante mais incisiva da empreitada do que <i>O Nordeste </i>ou o <i>Districto</i>,
o que demonstra que a linha-férrea era de facto um projeto político de Abílio
Beça (Beira, 2013a; Beira, 2013b).</p>

    <p>Por fim, é ainda possível determinar a notoriedade dos influentes locais através dos editoriais dos jornais
adversários: a influência política de um cacique é diretamente proporcional à
violência das críticas movidas pelos adversários (Pereira, 2014, pp. 20-31).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A análise da sua carreira no poder local é complementada pela documentação à guarda dos arquivos distrital (ADB) e
municipal de Bragança (AMB). Lá encontramos as atas da Junta Geral, da Comissão
Distrital e da Câmara Municipal (órgãos que Beça integrou).</p>

    <p>Abílio Beça foi também deputado, pelo que os diários parlamentares são igualmente úteis para a sua biografia. Embora o texto
ali publicado não seja igual ao discurso falado, aquele continua a demonstrar a
opinião do orador, o que nos permite caracterizar uma parte do seu pensamento
(Monteiro, 2006).</p>

    <p>Para terminar, as cartas trocadas com Hintze Ribeiro – guardadas no Arquivo Regional de Ponta Delgada (ARPD) – são também
fundamentais. Por norma, as cartas privadas permitem “esclarecer dúvidas e
reconstituir com mais rigor e pormenor episódios específicos (…), não raro
revelando também factos inéditos” (Almeida, 2003, p. 170). Por se tratar de
correspondência particular, revelam aspirações e atitudes que, de outro modo,
não seriam divulgadas, já que “a política é, pelo menos numa grande parte, na
melhor parte, representada nos bastidores” (Raul Brandão, <i>apud</i> Almeida,
2003, p. 170).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>BRAGANÇA NA VIRAGEM DO SÉCULO E A LINHA DO TUA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>No final de Oitocentos o Alto Trás-os-Montes era uma região periférica de ­Portugal que, “na viragem do
século XIX para o século XX, conheceu, porventura, um dos períodos mais
dramáticos da sua História Contemporânea” (Sousa, 2013, vol. 1, p. 108).

    <p>Apesar de a população do distrito de Bragança ter crescido desde 1864, o seu peso demográfico, como percentagem da população
total nacional, vinha diminuindo, acompanhando a tendência geral verificada em
todo o interior norte (Silveira <i>et</i><i> al</i>., 2011, p. 17).  <a href="#q2">Quadro 2</a> Ao longo deste período, Bragança manteve-se também uma região com
um baixo nível de urbanização (ocupava os últimos lugares entre os distritos
com menor percentagem de população urbana). A própria capital de distrito era
uma pequena cidade com cerca de 5 mil habitantes,
tendo inclusivamente registado um decréscimo populacional na década de 1890.
Portugal era também um país com uma taxa de urbanização baixa (13% a 17% entre
1864 e 1900), mas mesmo assim bastante superior ao valor de Bragança (Silveira <i>et</i><i> al</i>., 2011, p. 22. Sousa, 2013, vol. 1, p.
53-57).</p>

    <p>&nbsp;</p>
<a name="q1">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n222/n222a02q1.jpg"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

<a name="q2">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n222/n222a02q2.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>


    <p>A principal atividade económica da região era a
agricultura (centeio, batata, castanha e vinha), que, porém, se mantinha
arcaica e limitada, em grande medida, ao consumo local, devido à falta de
capitais, falta de mão-de-obra, altos juros cobrados pelos agiotas locais e
falta de maquinaria e processos de lavra modernos. A viticultura – cultura mais
importante da região – recebera um duro golpe com a filoxera (1882-1890), de
modo que a produção vinícola caiu mais de 90% de 21845 hl para 1756 hl antes e depois da praga (Sousa, 2013, vol. 1, p. 82-92).</p>

    <p>A indústria era praticamente inexistente,
assentando no <i>domestic system</i> pré-industrial, com práticas antiquadas.
Excetuava-se a indústria ligada à seda, que, contudo, se encontrava em
acelerado declínio. A dinâmica comercial regional/local baseava-se na ação dos
almocreves, já que o comércio internacional (com Espanha) deslocalizara-se
desde finais da década de 1880 para o sul do distrito com a abertura da ligação
férrea de Barca d’Alva a Salamanca (Sousa, 2013, vol. 1, pp. 92-108 e 113-123).</p>

    <p>Assim, desde finais da década de 1880, uma grave
crise económica abateu-se sobre o distrito, não surpreendendo que a resposta
dos brigantinos fosse a emigração <a href="#q3">Quadro 3</a>. O número
de emigrantes que até 1887 não ultrapassava os 115 indivíduos atingiu uma média
de 570 indivíduos/ano no período entre 1888 e 1902, com picos em 1890, 1895 e
1896 (Sousa, 2013, vol. 1, pp. 53-57).</p>


    <p>&nbsp;</p>
<a name="q3">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n222/n222a02q3.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Quanto a infraestruturas tecnológicas,
nomeadamente de transporte, Trás-os-Montes era também uma região periférica. Praticamente
sem caminhos-de-ferro (a província tinha pouco mais de 100 km de ferrovia:
linhas do Tua e parte da do Douro, geridas pela Companhia Nacional de Caminhos
de Ferro (CNCF) e pelo Estado) e com uma fraca extensão da rede rodoviária,
contrastava vincadamente com outras zonas do reino e acentuava paulatinamente a
sua periferização (Alegria, 1990; Silveira <i>et</i><i>
al</i>.<i>,</i> 2011, p. 24).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<a name="q4">
    <p><img src="/img/revistas/aso/n222/n222a02q4.jpg"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Numa época em que a maioria da população era
iletrada (em Bragança o analfabetismo rondava em 1900 os 80%, segundo Sousa, 2013,
vol. 1, pp. 108, 390-391 e 425) a tecnologia assumia um papel extremamente
relevante (Saraiva, 2007) e fazia com que as regiões que dela usufruíam (o
centro) fossem reconhecidas pelas demais (a periferia) pela sua excelência e
desenvolvimento (Simões, Carneiro e Diogo, 2003).</p>

    <p>Por tudo isto, o caminho-de-ferro era a solução
mais desejada para inverter a periferização de Trás-os-Montes e aproximar a
região do centro; era uma medida muito mais atraente do que qualquer outro tipo
de melhoramento material ou imaterial (Moreno, 1998, p. 447).</p>

    <p>Em 1888, um ano após a abertura da linha de
Mirandela, Emídio Navarro, ministro das Obras Públicas do governo progressista,
propôs ao Parlamento o <i>complemento</i> da rede férrea a norte do Mondego,
incluindo a extensão da linha do Tua a Bragança. O projeto foi aprovado pelas
comissões de Obras Públicas e Fazenda, mas nunca seria levado a debate, em
virtude das críticas que entretanto foram levantadas
pela oposição. Em 1890, Eduardo Coelho, sucessor de Navarro nas Obras Públicas,
alterou ligeiramente o projeto (agregou o caminho-de-ferro de Bragança ao de
Coimbra a Arganil) e apresentou-o ao Parlamento, mas o insucesso foi o mesmo
(Pereira, 2012a, p. 142).</p>

    <p>Após a bancarrota parcial de 1892, a construção
de novas vias férreas tornou-se manifestamente inexequível. Politicamente,
propor novas despesas passou a ser inviável (Pereira, 2012a, pp. 146-150); em
termos económicos, a crise interna que se seguiu diminuiu os recursos
disponíveis para novos investimentos e a saída do sistema de padrão-ouro
manietou severamente a importação do necessário material ferroviário (Lains e
Silva, 2005, pp. 294-323).</p>

    <p>Assim, em finais do século XIX Trás-os-Montes
continuava a ressentir-se da falta de vias de comunicação, de tal modo que</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>o maior terror que póde inspirar-se a um funccionario qualquer, civil ou militar,
é ameaça-lo com uma transferencia para Bragança. Suppõe-se que Bragança é a
Siberia <a name="top3"></a><sup><a href="#3">3</a></sup></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>desabafo do brigantino Pires Vilar, que em 1900 ainda fazia sentido e que
denota como o isolamento da periferia era considerado injurioso (a comparação
com a remota região russa), conduzindo a uma sensação de exclusão e a uma
necessidade de se ligar ao centro (Shils, 1975, pp. 9-13). Este sentimento de
atraso e de separação assumia um significado cultural e simbólico e não apenas
económico ou tecnológico (Swartz, 1997, p. 73).</p>

    <p>Em 1898 procuraram-se novas soluções para o
problema. A 6 de outubro daquele ano o ministro
progressista Elvino de Brito publicou um decreto com um ambicioso programa de
melhoramento e alargamento da rede através de um fundo financeiro formado por
receitas ferroviárias. O diploma consubstanciou-se na lei de 14 de julho de
1899 que, complementada com o decreto de 15 de fevereiro de 1900, fixava as
vias férreas a construir na região ao norte do Mondego, onde se incluía o
prolongamento da linha do Tua para nordeste até Bragança e para sudoeste até
Viseu (Alegria, 1990, p. 299).</p>

    <p>Foi neste contexto que Abílio Beça desenvolveu a
sua ação a favor da linha de Mirandela a Bragança.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A AFIRMAÇÃO SOCIOPOLÍTICA DE ABÍLIO BEÇA EM BRAGANÇA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Abílio Beça nasceu a 20 de agosto de 1856 em Vinhais, filho de José António Ferro de Madureira Beça e
de Maria Augusta de Morais Beça (Alves, 2000, vol. 1, pp. 357-358), mas foi
criado em Bragança.<a name="top4"></a><sup><a href="#4">4</a></sup></p>

    <p> Os Beças eram uma família com alguma notoriedade na região. Registos do Arquivo diocesano de
Bragança (ADB) e da Torre do Tombo (ANTT) e o testemunho do abade de Baçal
fazem referência a vários Beças como clérigos, militares ou possuidores de
títulos nobiliárquicos (Alves, 2000, vol. 6, p. 678).<a name="top5"></a><sup><a href="#5">5</a></sup>Um tio de Abílio, Miguel Beça, fez também carreira como condutor nas
direções de Obras Públicas de Vila Real e Bragança, tendo participado na
construção de várias estradas.<a name="top6"></a><sup><a href="#6">6</a></sup></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Abílio Beça ingressou no curso de Direito da Universidade de Coimbra em 1875, tendo provavelmente estabelecido os primeiros
contactos político-partidários, já que na universidade se criavam relações
pessoais, que amiúde evoluíam para amizades políticas (Almeida e Moreno, 2012,
p. 41). Em 1880 concluiu os seus estudos superiores <a name="top7"></a><sup><a href="#7">7</a></sup> e passou a exercer advocacia em Bragança (Alves, 2000, vol. 1, pp.
357-358). A posse de um título universitário fortaleceu também a sua posição na
elite política local (Sousa, 2013, vol. 1, p. 185) e tornou-o elegível para o
Parlamento (Almeida e Moreno, 2012, p. 24). Beça possuía o curso mais comum
entre o universo de deputados nacionais,</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>que além de facultar a aprendizagem dos assuntos legais e administrativos,
adestrava os estudantes na eloquência retórica [e] era o viveiro natural dos
homens políticos [Almeida e Moreno, 2012, p. 41].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Ainda em 1880 tornou-se professor provisório de história e geografia no liceu de Bragança<a name="top8"></a><sup><a href="#8">8</a></sup> e, segundo o abade de Baçal, ensinava ainda francês no seminário (Alves, 2000, vol. 3, pp. 417-420).</p>

    <p>Casou a 17 de maio de 1882 com Ana Clotilde Leitão Bandeira, filha de João
Carlos Leitão Bandeira e de Leopoldina Pavão (Leitão-Bandeira, 2010, p. 252).
Os Leitões Bandeira eram uma família com tradição na região, contando vários
membros entre os 40 maiores contribuintes de Bragança e com ligações ao poder
local. O sogro de Beça foi administrador do concelho e procurador, vereador e
vice-presidente da Câmara, com participação em várias eleições. Estava ligado
ao Partido Progressista, tendo sido um dos fundadores do centro progressista de
Bragança (Leitão-Bandeira, 2010, pp. 249-252).</p>

    <p>É de supor que tenha sido sob os seus auspícios
que Abílio Beça se iniciou nas lides políticas locais em 1884, no seio do
Partido Progressista, como vogal da comissão executiva da Junta Geral do
distrito (Alves, 2000, vol. 3, pp. 417-420). A união com uma importante família
local abriu-lhe as portas da política, já que</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>apenas eram admitidos na comunidade partidária aqueles que detinham uma real
influência política e eleitoral nas coletividades em que se inseriam, em
virtude do seu poder social, económico, administrativo ou simbólico [Almeida,
1991, p. 122].</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>No seu ano de estreia, Beça redigiu o memorando
sobre a construção de novas estradas em Bragança, com base no qual Emídio Navarro
ordenaria a construção de quatro rodovias no distrito. Nesse ano, a Junta Geral
enviou uma representação ao Parlamento, pedindo que a via férrea que então se
construía no Tua não se ficasse por Mirandela e alcançasse também Bragança.<a name="top9"></a><sup><a href="#9">9</a></sup> Já como secretário, assinou, entre 1887 e 1889, diversos pareceres
sobre vários assuntos de gestão autárquica.<a name="top10"></a><sup><a href="#10">10</a></sup></p>

    <p>Por esta altura, Abílio Beça já se tinha desligado do Partido Progressista, segundo os seus adversários, por este “não
lhe satisfazer de prompto todas as suas desmedidas ambições pessoais e
familiares”, designadamente uma candidatura a São Bento. O seu sogro
incompatibilizara-se também com Eduardo Coelho, líder dos Progressistas no
distrito, alegadamente por este lhe ter recusado o cargo de administrador do concelho.<a name="top11"></a><sup><a href="#11">11</a></sup></p>

    <p>Beça aproximou-se então de uma cisão do Partido Regenerador, a Esquerda Dinástica <a name="top12"></a><sup><a href="#12">12</a></sup>, um movimento político formado por Barjona de Freitas após a morte de
Fontes Pereira de Melo (1887). O movimento, que se inspirava no homólogo
espanhol <i>Izquierda Dinástica</i>, formado em 1881 (Artola, 1974, pp.
335-338), conseguiu eleger oito deputados nas eleições de 1889 (Almeida, 1991,
p. 226), nas quais Beça foi candidato não-eleito.<a name="top13"></a><sup><a href="#13">13</a></sup> Foi ainda durante a sua militância na Esquerda Dinástica<i> </i>que foi
provido professor definitivo do liceu de Bragança, algo a que a influência de
Barjona de Freitas não terá sido alheia.<a name="top14"></a><sup><a href="#14">14</a></sup></p>

    <p>O movimento deteve dois jornais em Lisboa e Porto. Em Bragança, ­contava com <i>O Brigantino</i>, dirigido por Beça desde
finais de 1888.<a name="top15"></a><sup><a href="#15">15</a></sup> Até ao encerramento do jornal, Beça aproximou-se das posições regeneradoras, levantando forte oposição à política progressista. Quando
Eduardo Coelho juntou num só projeto de lei as linhas do Tua e de Arganil e não
o conseguiu aprovar <i>O Brigantino </i>aconselhou os leitores a “entoar um
doloroso <i>de profundis</i> e derramar sentidas lagrimas sobre o projeto do
prolongamento do caminho de ferro do Tua até Bragança”. Coelho passou a ser
descrito como um inimigo da cidade, em virtude da sua naturalidade (Chaves),
alegada predileção por Mirandela e vincado nepotismo em favor dos seus
protegidos.<a name="top16"></a><sup><a href="#16">16</a></sup></p>

    <p>A carreira política de Beça sofreu um duro revés com a extinção da Esquerda Dinástica após a nomeação de Barjona de Freitas como
enviado extraordinário em Inglaterra, na sequência do Ultimato (Sousa e
Marques, 2004, p. 243). Não podendo regressar ao Partido Progressista, Beça
acabou por se juntar aos regeneradores.<a name="top17"></a><sup><a href="#17">17</a></sup></p>

    <p>No início da década de 1890, o brigantino acumulara um considerável prestígio a nível local. Ligara-se a uma das famílias
mais importantes da cidade, adquirira experiência na gestão de órgãos
autárquicos, aderira ao Partido Regenerador e fundara a <i>Gazeta de Bragança </i>em
1892 (Alves, 2000, vol. 3, pp. 417-420; vol. 7, p. 692).</p>

    <p>A extinção das Juntas Gerais (Serra, 1988, pp. 1045-1055) <i>libertou-o</i> para outros voos, nomeadamente o Parlamento.
Contudo, Beça ainda não dispunha de influência suficiente para contar com o
apoio do partido, pelo que se viu forçado a continuar a carreira a nível local.
O mesmo decreto que extinguiu as Juntas Gerais criou junto dos Governos Civis
as Comissões Distritais (Serra, 1988, p. 1053) e foi na de Bragança que Beça
prosseguiu a sua atividade autárquica. Foi eleito vogal em janeiro de 1893,
tendo mais tarde chegado a presidente (Alves, 2000, vol. 1, pp. 357-358; vol.
3, pp. 417-420). A sua ação neste órgão e na <i>Gazeta </i>fez subir a sua
cotação entre os regeneradores, de tal modo que passou a ser alvo preferencial
dos ataques dos progressistas d’<i>O Nordeste.</i><a name="top18"></a><sup><a href="#8">18</a></sup></p>

    <p>Em 1894, Beça deu finalmente o salto para a política da capital ao ser eleito deputado pelo círculo de Bragança nas
eleições realizadas em Abril, vencidas pelo Partido Regenerador (Alves, 2000,
vol. 1, pp. 357-358). O advogado migrava assim da periferia política do reino
para o seu centro, onde as decisões sobre investimentos em obras públicas eram
tomadas e financiadas.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Além de influência a nível local, Beça possuía as condições físicas e vocais necessárias para intervir no Parlamento. Nas câmaras
não falava quem queria, mas quem podia, pois a tribuna não era para vozes
frouxas (Monteiro, 2012). Os seus rivais coevos confirmam que se destacava pela
sua postura, vestuário e bigode, ou, mais precisamente, pelas “suas afiambradas
<i>toilettes</i> e os seus aprumados bigodes”.<a name="top19"></a><sup><a href="#19">19</a></sup></p>

    <p>Contudo, a sua estreia parlamentar não foi brilhante. Deixou-se enredar em tramas burocráticas enquanto vogal da comissão
de Verificação de Poderes e quando interveio fê-lo de forma tão atrapalhada que
“parecia que fallava a prestações. As palavras sahiam a sacarolhas”.<a name="top20"></a><sup><a href="#20">20</a></sup>Cometeu ainda uma <i>gaffe</i>, situando Timor na Índia (Pereira,
2014, pp. 111-114) e ao tentar justificar-se produziu um discurso ainda “mais
infeliz do que aquelle em que o professor de geographia em Bragança mostrou não
saber a situação das colonias portuguesas”.<a name="top21"></a><sup><a href="#21">21</a></sup></p>

    <p>A legislatura terminou abruptamente a 28-11-1894 e Beça retomou em Bragança os cargos de presidente da Comissão Distrital,
professor, advogado e diretor da <i>Gazeta.</i><a name="top22"></a><sup><a href="#22">22</a></sup> Simultaneamente preparou a sua candidatura à Câmara e ao Parlamento.
Apesar de os dois cargos serem incompatíveis, Abílio Beça venceu os dois
plebiscitos (Mónica, 2005-2006, vol. 3, p. 357). Foi eleito para o Parlamento
no ato de 17-11-1895, ao qual o Partido Progressista não concorreu em forma de
protesto contra a lei eleitoral de 28-3-1895 (Almeida e Moreno, 2012, pp.
21-22). Eleito deputado, não pôde continuar como presidente da Câmara, por
incompatibilidade determinada pelo Supremo Tribunal Administrativo (Alves,
2000, vol. 1, pp. 357-358 e 417-420). A escolha era historicamente a mais
recorrente. Por norma, os políticos locais prescindem dos seus cargos
autárquicos quando se tornam deputados, o que aliás é
a sua maior aspiração (John, 2010, p. 360).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NO PARLAMENTO, EM PROL DA LINHA DE BRAGANÇA</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A sessão legislativa
iniciou-se a 2-1-1896. Os conhecimentos legais, experiência profissional e
prestígio acumulado fizeram com que os seus colegas o elegessem para as
comissões de Administração Pública, Legislação Criminal, Estatística, Ultramar,
Instrução Primária e Secundária e Recrutamento (Pereira, 2014, p. 121).</p>

    <p> A sua atuação revelou um deputado alinhado com o governo, mas ­eminentemente preocupado com
os interesses dos brigantinos. Por diversas ocasiões procurou obter favores do
executivo para os seus conterrâneos (Pereira, 2014, p. 123), um comportamento
típico de um cacique, cuja ação se realizava através de <i>favores </i>(Moreno,
1998, p. 446; Almeida e Moreno, 2012, pp. 32-33).</p>

    <p> Durante grande parte do século XIX, os caciques eram ricos notáveis que usavam a sua fortuna para estender a sua rede de
influência (<i>caciques proprietários</i>, segundo Oliveira Martins). A partir
da reforma eleitoral de 1878, o poder destes influentes foi diminuindo em favor
do fortalecimento da posição dos <i>caciques burocráticos</i>, que baseavam a
sua influência na posição que ocupavam na máquina administrativa do Estado. Com
o alargamento do sufrágio então verificado o poder de aliciamento dos ricos
notáveis diluiu-se. Arrebanhar eleitores para o voto passou a estar mais ao
alcance daqueles caciques que podiam usar o poder público de que gozavam para
distribuir favores (Almeida, 1991, pp. 135-136). Era o caso de Beça. A própria
sociedade brigantina era propícia a este tipo de comportamentos. A “permanência
de uma aristocracia feudal”, a fraqueza da burguesia local e a pobreza e
analfabetismo da população explicam “que o povo obedeça ao cacique influente
como rebanho, e que humildemente agradeça… o que lhe é devido!” (Sousa, 2013,
vol. 1, p. 185).</p>

    <p> Outra forma de obter prestígio a nível local era
obtendo melhoramentos para a zona de influência do cacique. No debate da
reforma administrativa de 1895 Beça mostrou-se mais
preocupado com “o fomento da arborisação” do que com detalhes legais. Falava,
portanto, o homem de Bragança e não o jurisconsulto. A solução por si
preconizada passava por descentralizar a responsabilidade da arborização, o que
não se coadunava com o espírito centralizador da proposta do governo (Serra,
1988, pp. 1060-1062). Beça não tinha pois receio em
caminhar contra o partido, se isso fosse favorável aos interesses de Bragança.<a name="top23"></a><sup><a href="#23">23</a></sup></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Porém, o grande melhoramento solicitado pelos
brigantinos era o caminho-de-ferro. Em 1896 Abílio Beça iniciou verdadeiramente
a sua campanha para conseguir aquela infraestrutura. Em dois discursos
proferidos a 7 de fevereiro de 1896 e a 29 de
fevereiro de 1896 começou por “chamar à attenção do governo (…) para a situação
em extremo precaria (…) do districto de ­Bragança”. A emigração, a filoxera, a
carga fiscal que recaía sobre os brigantinos e “a paralysação das obras
particulares e publicas (…) tem ajudado a engrossar a corrente dos que (…) vão
procurar fortuna no Brazil”. Beça preferia que a emigração fosse encaminhada
para as colónias ou – melhor ainda – evitada à partida. Para tal, era
necessário continuar a aposta em obras públicas e em vias de comunicação. A
falta de meios de transportes fazia de Trás-os-Montes a província mais
desconhecida e pobre do reino, apesar das riquezas que – asseverava – continha.
Por isso, Beça solicitava ao ministro das Obras Públicas a retoma da construção
de estradas em Bragança e a construção de um caminho-de-ferro entre esta cidade
e Mirandela, a qual podia ser realizada de quatro formas: empregar o sistema <i>decauville</i>,
teoricamente mais económico que um caminho-de-ferro em leito próprio; contrair
um empréstimo de 1000 contos
(garantido pela diminuição da garantia de juro na linha do Tua e pelo aumento
da receita na do Douro); reembolsar a CNCF das somas necessárias ao
assentamento da via; ou usar os operários empregados em Lisboa em “obras de
utilidade muito contestável” na construção da linha. Se o governo não atendesse
a estes alvitres “é porque realmente não tem boa vontade em attender às
fundadas e legitimas reclamações do districto de Bragança” – terminava.</p>

    <p>Apesar da crise que afligia o país, Abílio Beça
invocava a urgência da construção da ferrovia e o retorno do investimento: com
a via férrea aumentava-se o tráfego nas linhas do Tua (à qual o Tesouro pagava
uma garantia de juro) e do Douro (propriedade pública), fomentava-se o
desenvolvimento económico da região e, consequentemente, a matéria coletável.
Era a fórmula matricial da política fontista iniciada em 1851, que fora posta
em causa com a bancarrota parcial de 1892 (Alegria, 1988), mas à qual Beça se
mantinha fiel.</p>

    <p>No entanto, o carácter tecnopolítico do discurso
de Beça fica também bem vincado na proposta que fez de usar o sistema <i>decauville
</i>para completar a linha do Tua. O <i>decauville </i>era um caminho-de-ferro
portátil, com bitola (distância entre carris) de 60 cm, muito menos exigente em
termos de infraestrutura (Pereira, 2012a, p. 436) e normalmente usado durante a
construção de vias férreas (como, por exemplo, no caminho-de-ferro de Lourenço ­Marques
à ­Suazilândia <a name="top24"></a><sup><a href="#24">24</a></sup>). Se este alvitre fosse realizado, imporia uma baldeação em Mirandela
(a adicionar à baldeação já existente na estação do Tua, de confluência com a
linha de bitola larga do Douro), pois os comboios que circulavam na linha até
esta cidade não poderiam circular na via até Bragança. Do ponto de vista
logístico seria uma péssima decisão, que limitaria enormemente a capacidade do
caminho-de-ferro como elemento de integração económica. Contudo, em termos
simbólicos e políticos, satisfaria os objetivos do cacique. Para todos os
efeitos ele teria levado o caminho-de-ferro até Bragança, mesmo que fosse um mero
<i>decauville</i>.</p>

    <p>Em todo o caso, maior concorrente à construção do
caminho-de-ferro de Bragança era a questão ultramarina, que, tal como noutros
países, influenciava o modo como o centro político geria a periferia (Bulpitt,
1983, pp. 59-60). Portugal, por esta altura, procurava vincar mais
assertivamente a sua presença nas colónias (Alexandre, 2008, pp. 181-184), mas
ao mesmo tempo enfrentava sérios problemas com caminhos-de-ferro
ultramarinos: em Moçambique, com a rescisão da concessão da linha de
Lourenço Marques (Telo, 1991, pp. 149-153), em Angola com o financiamento da
construção do caminho-de-ferro de Ambaca (Navarro, 2012) e em Goa com o
fraquíssimo rendimento da linha e porto de Mormugão (Pereira, 2015a, pp.
251-261). Beça, porém, perguntava-se se Portugal deveria investir nas colónias
antes de desenvolver as riquezas da metrópole. As colónias, infalivelmente,
acabariam por seguir o seu próprio caminho ao passo que tudo quanto se fizesse
na metrópole reverteria sempre para seu próprio proveito. Ideologicamente, Beça
não estava completamente sozinho, já que alguns deputados propunham também a
hipótese de venda de parte do domínio ultramarino, não sendo tão liminarmente
rechaçados como em anos anteriores. De qualquer modo, a opinião dominante
mantinha-se favorável à manutenção das colónias (Alexandre, 2008, pp. 181-184),
opção que podia implicar um ónus de muitos milhares de contos à Fazenda só à
conta daqueles caminhos-de-ferro.</p>

    <p>Assim, no imediato, o brigantino apenas receberia
do ministro as banalidades próprias de um momento em que não se podia decidir
nem positiva nem negativamente. A linha de Bragança era um desígnio
governamental, mas inexequível a curto prazo.<a name="top25"></a><sup><a href="#25">25</a></sup></p>

    <p>Nestas intervenções, Abílio Beça demonstrou uma
maturidade e um pragmatismo inéditos na sua carreira parlamentar. É certo que
tivera tempo para as preparar e que falava para uma
câmara extremamente favorável, praticamente sem chance de contraditório. De
qualquer modo, foram discursos bem estruturados, suportados com dados
estatísticos, não receando ir contra a corrente geral de uma intervenção mais
acutilante nas colónias, procurando apoiantes junto de deputados de outras
regiões periféricas do reino e não fechando as portas ao Partido Progressista.
Acima de tudo, mostrava aos seus constituintes que lutava pelos interesses da
região para conseguir aquilo que Eduardo ­Coelho não havia conseguido.</p>

    <p>Segundo o abade de Baçal, a ação do deputado não
se limitou ao Parlamento. Beça</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>procura adeptos por toda a parte entre os homens de valor que podem auxiliá-lo;
mete-se, insinua-se, teima, importuna, calcula, combina, aplana, reclama,
impõe-se numa persistência de fanático regionalista, e mais a mais consegue
criar atmosfera propícia [Alves, 2000, vol. 9, p. 227].</p></blockquote>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>O deputado tentou mesmo realizar um comício em
Bragança para discutir uma representação a enviar ao rei, pedindo a construção
do caminho-de-ferro. Contudo, a assembleia acabaria por não se realizar,
alegadamente por pressão do governo.<a name="top26"></a><sup><a href="#26">26</a></sup></p>

    <p>A sessão legislativa terminou a 9 de maio de 1896 e Beça regressou a ­Bragança, onde
reocupou o lugar na câmara e na Comissão Distrital e como alvo preferencial dos
progressistas locais, o que é bem demonstrativo da posição que vinha
conquistando na política brigantina.<a name="top27"></a><sup><a href="#27">27</a></sup></p>

    <p>O Parlamento voltou a abrir portas a 2 de janeiro de 1897 e Beça
desenvolveu o seu trabalho até à dissolução de 8 de fevereiro de 1897,
desencadeada pela queda do governo. As eleições foram marcadas para o dia 2 de
maio de 1897. Na campanha garantia a Hintze que teriam “votos bastantes para
vencer”, embora alertasse para o facto de os progressistas estarem “dispostos a
empregar as violencias necessarias para nos roubarem e eleição”. Como seria de
esperar, o Partido Progressista conquistou uma larga maioria e Beça ficou de
fora do Parlamento. Justificando-se perante Hintze Ribeiro, argumentava que</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>desde que o candidato era o Eduardo Coelho era inevitável perde-la [à
eleição] (…); as violencias, as ameaças (…), o dinheiro que o Eduardo Coelho
mandou (…) produziram um resultado que surprehendeu os proprios governamentaes.<a name="top28"></a><sup><a href="#28">28</a></sup></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Beça escrevia como se o plebiscito tivesse sido
livre. Depois do descalabro, procurava cair nas boas graças do líder
regenerador, tendo em vista progressões e pedidos futuros.</p>

    <p>O governo progressista aprovou no Parlamento a
lei que criava fundos para expandir a rede férrea nacional. A posição de Beça
em relação a este assunto é desconhecida, pois não dispomos dos números da <i>Gazeta
de Bragança </i>para este período. Este jornal apenas relata que quando Elvino
de Brito se dirigiu ao Tua foi recebido por Beça, que lhe agradeceu ter
inserido a linha de Bragança nos caminhos-de-ferro
prioritários.<a name="top29"></a><sup><a href="#29">29</a></sup>Beça nunca negara o apoio dos Progressistas para a consecução deste
objetivo, pelo que o mais provável é que tivesse<i> </i>acolhido os planos de
Elvino de Brito de braços abertos, supondo-se assim que acima da fidelidade
partidária estava o caminho-de-ferro.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A lei dava preferência à construção pelo Estado, mas não afastava a iniciativa privada, prevendo um conjunto de regalias
fiscais, que, contudo, não convenceram nenhum capitalista a investir na linha.</p>

    <p>Entretanto, o governo convocara novas eleições (26-11-1899) em consequência das quais Beça regressou
ao Parlamento. A sua atividade foi bastante reduzida, tendo faltado a mais de
metade dos plenários. Nas sessões a que compareceu, preocupou-se sobretudo com questões ligadas a Bragança (Pereira, 2014,
pp. 154-157).</p>

    <p>A legislatura durou até 24-6-1900 quando o governo de Luciano de ­Castro foi substituído pelo executivo de Hintze Ribeiro
(Marques, 1991, p. 681). Como era da praxe, o monarca dissolveu o legislativo e
convocou novas eleições (para novembro). Beça não concorreu, pois fora nomeado
governador civil de Bragança.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>A ESTRATÉGIA PELO CAMINHO-DE-FERRO NO GOVERNO CIVIL</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Abílio Beça chegou ao governo civil a 6-7-1900 (Sousa <i>et</i><i> al</i>.<i>,</i>
2005, pp. 131-134). Segundo o <i>Código Administrativo de 1896</i>,<i> </i>o
governador civil era o “superior magistrado administrativo do distrito e imediato
representante do govêrno”, a quem competia “regular todo o serviço
administrativo na área da sua circunscrição territorial”<i> </i>(Portugal,
1896). Tinha uma extraordinária influência política a nível local, pois de si
dependiam a atividade económica, o emprego e o futuro de muita gente, o que
fazia dele um enorme trunfo no momento das eleições (Almeida, 1991, pp.
120-121).</p>

    <p>Na relação entre centro e periferia, o Governo Civil era um exemplo de <i>indirect rule </i>e de <i>local elite assimilation</i>,
pelos quais o centro confiava em “local notables to manage the periphery in the
Centre’s interests”, libertando-se para funções mais relevantes, como a
política externa (<i>high politics</i>). Do ponto de vista da periferia, o
Governo Civil era um meio de cativar o centro para a sua própria agenda, pois
as elites locais não se deixavam assimilar completamente pelo centro,
esquecendo os interesses da sua área de influência (Bulpitt, 1983, pp. 58-65).
Na interligação com o centro a periferia não é necessariamente passiva, podendo
procurar capturar recursos centrais e tornar burocratas do centro em defensores
de causas locais (Jacob, 2015, p. 8; Savitch e Osgood, 2010, p. 415). Beça
teria neste modelo um papel bem ativo.</p>

    <p>A nomeação para o Governo Civil é elucidativa do prestígio que Beça atingira dentro do partido a nível nacional, pois só chegava
ao cargo quem merecesse a confiança do líder. O seu crédito foi ainda
suficiente para ultrapassar figuras importantes da estrutura partidária local.
Trindade Coelho, no rescaldo da sua abortada candidatura ao Parlamento, evoca a
nomeação de Beça em traços pitorescos, afirmando que a “velha guarda
regeneradora do districto” se opôs vigorosamente à escolha de Hintze (Coelho,
1901).</p>

    <p>Esta era uma situação que se verificaria noutros distritos, tendo em conta o prestígio associado à função e as rivalidades entre
caciques dentro dos próprios partidos. Estas querelas intestinas seriam
acicatadas pelas próprias lideranças nacionais, no sentido de impedir que um <i>mandão
</i> monopolizasse a influência numa região. Caso o notável se indispusesse
contra o partido, este virar-se-ia para o seu rival
interno e abandonava o dissidente à sua sorte. Em Bragança, isto acontecia
através de um apoio dual a dois influentes: Hintze Ribeiro apadrinhava Beça,
mas Teixeira de Sousa tinha como predileto Alberto Charula (Pereira, 2014, p.
165).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos meses seguintes, Beça tentou criar consensos entre os regeneradores do distrito, ao mesmo tempo que
procurou acudir às necessidades dos brigantinos (indemnizações pela filoxera,
combate a epidemias, combate ao jogo, profilaxia contra a emigração
clandestina), prover correligionários e familiares seus em cargos públicos e
trazer novos melhoramentos para a região (Pereira, 2014, pp. 165-177).</p>

    <p>O mais grandioso dos seus objetivos era, porém, o
caminho-de-ferro. Segundo a <i>Gazeta de Bragança</i>, o governador civil
procurou cativar a rainha D. Amélia e o diretor de Obras Públicas do distrito,
Silva Dias, para a causa ferroviária de Bragança.<a name="top30"></a><sup><a href="#30">30</a></sup> Contudo, para realizar aquele desejo, Beça tinha que seduzir o
governo. A hipótese para o fazer chegou no dia
25-11-1900, data das eleições (Marques, 1991, p. 681), que, como governador
civil, tinha que organizar e vencer. Era esta a contrapartida de qualquer favor
que o cacique poderia receber do centro (Moreno, 1998, p. 449). Todavia, Beça
tinha também que contar com a oposição interna local, patrocinada desde Lisboa
pelo ministro da Marinha, Teixeira de Sousa, que, segundo Trindade Coelho,
pretendia a chefatura política de Bragança (Coelho, 1901, p. X). Além disso,
como vila-realense (Mónica, 2005-2006, vol. 3), teria todo o interesse em
colocar a linha do Corgo à frente da do Tua na lista de prioridades do governo.
Assim, no imediato, Beça teve que aceitar a imposição de dois protegidos de
Teixeira de Sousa como candidatos ao Parlamento (José Galas e Alberto Charula),
que se juntavam aos candidatos do governador civil, Lopes Navarro e o seu
próprio irmão mais novo, José Beça.<a name="top31"></a><sup><a href="#31">31</a></sup></p>

    <p>No final do voto os regeneradores elegeram os
quatro deputados propostos. A partir deste momento Beça jogava em dois campos
para obter o ­caminho-de-ferro: usava a sua influência como governador civil em
Bragança e Lisboa; e contava com a pressão do seu irmão junto do Parlamento.
Era mais um exemplo de <i>capital city bargaining </i>(Bulpitt, 1983, p. 64),<i>
</i>pelo qual a periferia penetrava o centro em busca de um objetivo concreto
(o caminho-de-ferro), garantindo, em troca, os interesses do centro na
periferia.</p>

    <p>Segundo os jornais de Bragança, Beça reencetou
rapidamente contactos com os “altos poderes do Estado”, tendo sido várias vezes recebidos pelos reis, a quem solicitou a imediata
construção da linha-férrea.<a name="top32"></a><sup><a href="#32">32</a></sup> Manteve-se também fiel a Hintze Ribeiro durante a dissidência
franquista, uma corrente relativamente recente, sem condições para disputar o
poder a curto prazo. O caminho-de-ferro estava tão perto, de modo que enfrentar
Hintze seria um ato insano (Pereira, 2014, pp. 181-182).</p>

    <p>Quanto a José Beça, teve uma ação bastante discreta no Parlamento em 1901. Mas fora de São Bento, iniciou uma campanha a
favor da linha de Bragança em jornais, centros de discussão e meios de negócio<a name="top33"></a><sup><a href="#33">33</a></sup>.A <i>Gazeta dos Caminhos de Ferro </i>confirma que José Beça negociava
com a Zagury & C.ª desde março de 1901, tendo apresentado ao governo uma
proposta daquela firma, requerendo uma garantia de juro de 4,5%.<a name="top34"></a><sup><a href="#34">34</a></sup>Abílio Beça estava em Lisboa desde finais de maio <a name="top35"></a><sup><a href="#35">35</a></sup>, não sendo de todo improvável que tenha auxiliado o seu irmão no <i>lobbying
</i>junto do governo e procurado impedir que a influência de Teixeira de Sousa
colocasse a linha de Vila Real à frente da linha de Bragança. O ministro das
Obras Públicas, Francisco Vargas, aceitou a proposta apresentada por Zagury na
condição de ser submetida a concurso público (Sousa, 1903, p. 66; Sousa, 1905).</p>

    <p>Em Bragança, a <i>Gazeta</i> exultava:</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>Hoje, que para nós começa a despontar a aurora do
progresso e que brevemente veremos as nossas aspirações realisadas, não vemos
momento mais opportuno para victoriar os nomes sympathicos e queridos dos leaes
campeões e propugnadores das regalias brigantinas, os srs.
dr. Abilio Beça e José Ferro de Beça e para dizer que a elles cabe a victoria.<a name="top36"></a><sup><a href="#36">36</a></sup></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este pequeno trecho é um claro exemplo de <i>tecnopolítica</i>,
de como a tecnologia (ou a simples esperança de a obter)
foi usada como instrumento para fazer política, neste caso política local de
afirmação de Abílio Beça entre os notáveis brigantinos, quer Progressistas,
quer Regeneradores.</p>

    <p>A promessa de abertura de praça, a outorga da
carta de conselho, a vitória nas eleições camarárias e várias medidas aprovadas
no Parlamento em favor de Bragança cimentaram a posição de Abílio Beça como
cacique local (Alves, 2000, vol. 3, pp. 417-420). Os progressistas brigantinos
tinham dificuldades em fazer oposição, pelo que recorriam ao insulto e à
ridicularização de Beça no sentido de menosprezar o trabalho do… <i>conselheiro
Acácio</i>, numa alusão à personagem queirosiana d’<i>O Primo Bazilio.</i><a name="top37"></a><sup><a href="#37">37</a></sup></p>

    <p>Dentro do centro regenerador local Abílio Beça
não conseguiu igualmente gerar consensos. Alguns correligionários, nomeadamente
Alberto Charula, não se reviam no seu líder e para o combater
fundaram na cidade, em 1902, o <i>Districto de Bragança </i>(Sousa, 2013, vol.
2, p. 509). Anos mais tarde, Beça queixar-se-ia a Hintze da “attitude muitas
vezes abertamente hostil do jornal que o Charula aqui veio fundar”.<a name="top38"></a><sup><a href="#38">38</a></sup></p>

    <p>Tal como os progressistas brigantinos, Charula
defendia o caminho-de-ferro, contudo, podia retirar dividendos políticos se
Beça não o conseguisse levar para Bragança, daí a oposição ao então governador
civil e o apoio a Teixeira de Sousa, mesmo sabendo que este tinha clara
preferência pela linha do Corgo. Uma vez mais, a tecnologia imiscuía-se no jogo
político transmontano: quem a implementasse ganhava.</p>

    <p>Apesar do otimismo dos regeneradores brigantinos,
ainda faltava percorrer um longo caminho até à adjudicação do caminho-de-ferro.
Zagury não ficara agradado com a ideia de ter que se submeter a um procedimento
concursal (Sousa, 1903, p. 66; Sousa, 1905), pelo que os Beças continuaram à
procura de mais interessados.</p>

    <p>Em junho, o engenheiro Afonso de Espregueira dirigiu-se a Bragança para fiscalizar as obras
da estrada da fronteira, sendo acompanhado pelo governador civil. Espregueira
era um ilustre engenheiro, ex-ministro da Fazenda e ex-diretor da Companhia
Real dos Caminhos de Ferro Portugueses (Salgueiro, 2008, p. 50). Era um homem
com prestígio suficiente para influenciar a decisão de investir na linha de
Bragança, pelo que Beça assistiu-o na sua tarefa e ao mesmo tempo usou a <i>Gazeta
de Bragança </i>para publicitar o potencial do alto distrito. Durante a estadia
de Espregueira em Bragança era possível ler no jornal dessa semana que a
principal riqueza de Trás-os-Montes estava a norte de Mirandela, pelo que o
caminho-de-ferro haveria de rapidamente atingir um alto rendimento.<a name="top39"></a><sup><a href="#39">39</a></sup></p>

    <p>José Beça, por seu turno, reuniu-se com a CNCF para aferir da sua disponibilidade para o construir.
Tentou ainda auxiliar a companhia no sentido de angariar os capitais
necessários, contactando várias entidades bancárias, mas em vão (Pereira, 2014,
p. 199). Todas exigiam um juro muito elevado pelas obrigações da companhia,
que, aliás, passava também por um processo de reestruturação financeira
(Santos, 2014, p. 70).</p>

    <p>Entretanto o concurso foi oficialmente aberto por
decretos de 10-10-1901 e 14-11-1901 (Fino, 1903, pp. 748-781), mas as perspetivas
de aparecerem candidatos não eram animadoras. Foi então que surgiu a licitar
(26,88 contos/km) um desconhecido chamado João Lopes da Cruz, um <i>brasileiro</i>
que tinha acumulado fortuna à custa da sua estada no Brasil e de empréstimos a
juros, empreitadas de obras públicas e produção de vinho em Carrazeda de
Ansiães e Bragança (Morais, 2014, pp. 294-295), mas que não tinha nem
capacidade financeira, nem técnica, para construir e operar um
caminho-de-ferro. A sua entrada em cena fez-se por intermédio dos Beças.
Relembremos que Miguel Beça, tio do governador civil, era condutor de obras
públicas quando João da Cruz arrebatou contratos de empreitadas para estradas
no distrito. Por outro lado, Abílio Beça era seu advogado desde pelo menos
1889.<a name="top40"></a><sup><a href="#40">40</a></sup> É provável que este relacionamento se tenha aprofundado nos anos
seguintes, já que em 1903 a <i>Gazeta de Bragança </i>refere que foi José Beça quem recomendou Cruz para assumir a
empreitada, depois de falhadas as diligências com a CNCF.<a name="top41"></a><sup><a href="#41">41</a></sup></p>

    <p>A oferta de João da Cruz esbarrou num protesto
infundado de Zagury, que, contudo, poderia adiar a assinatura do contrato
provisório. De imediato Abílio Beça se pôs a caminho de Lisboa para pedir
explicações ao ministro das Obras Públicas.<a name="top42"></a><sup><a href="#42">42</a></sup>
 Este, por portaria de 24 de março de 1902, resolveu anular o primeiro
concurso e abrir outro (Fino, 1903, pp. 816-817). Na nova praça, o <i>brasileiro
</i>levava de novo de vencida Zagury com um lanço de 25,99 contos/km
(Paçô-Vieira, 1905, p. 217).</p>

    <p>O contrato provisório foi assinado a 19 de abril de 1902 (Fino, 1903, pp. 823-836), contudo, o ministro tardava em apresentar ao
Parlamento o projeto de lei. A sessão legislativa estava prestes a terminar e
coube a José Beça pressionar o governo, apresentando representações de
concelhos brigantinos e pedindo para interpelar o governo sobre o assunto
(Pereira, 2014, p. 224). ­Simultaneamente, Emídio Navarro, um burocrata do
centro convertido à defesa dos interesses periféricos (Savitch e Osgood, 2010,
p. 415), publicava no <i>Novidades</i><i> </i>um editorial insinuando que o atraso se devia aos “que a todo o transe querem
ligar a sorte d’este caminho de ferro ao do valle do Corgo”, ou seja, Teixeira
de Sousa.<a name="top43"></a><sup><a href="#43">43</a></sup>
O artigo foi transcrito pela <i>Gazeta de Bragança </i>e,
alegadamente, deixou a cidade em polvorosa.<a name="top44"></a><sup><a href="#44">44</a></sup>
 Até <i>O Nordeste </i>se colocava ao lado dos Beças, vendo no processo
uma manobra de Teixeira de Sousa. O <i>Districto de Bragança </i>negava, mas
admitia que “o sr. Teixeira de Sousa, dados os seus
compromissos em relação ao caminho de ferro de Vila Real, não possa quebrar
muitas lanças em favor do nosso”.<a name="top45"></a><sup><a href="#45">45</a></sup></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta parte do processo é reveladora de dois aspetos importantes na questão da <i>territorial politics</i>. Em primeiro
lugar a existência de várias periferias em torno de um centro, que se
digladiavam entre si pelos recursos disponíveis (neste caso para construir um
caminho-de-ferro). E em segundo lugar a ação de representantes não-eleitos e não escolhidos pelo centro na defesa dos
interesses da periferia nesse mesmo centro, neste caso o ex-ministro das Obras
Públicas e ex-governador civil de Bragança, Emídio Navarro (Bulpitt, 1983, pp.
49-63).</p>

    <p>Voltando ao impasse na concessão da linha, Abílio Beça de imediato fez pressão sobre o governo, enviando um telegrama cifrado a
Hintze, onde prevenia que</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>“se a 3348<sup>grande</sup> 42771<sup>esperança</sup>
principalmente 33224<sup>fundada </sup>nas 85116<sup>promessas </sup>de 92897<sup>Vossa</sup><sup> Exc.ª</sup> soffressem 64152<sup>mallogro
</sup>78195<sup>agora</sup>, 35681<sup>seria </sup>92593<sup>enorme </sup>12114<sup>desastre</sup>
para a 94936<sup>politica </sup>85350<sup>regeneradora</sup>”<a name="top46"></a><sup><a href="#46">46</a></sup></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>Dirigiu-se também à capital, segundo a <i>Gazeta</i>, “resolvido a conseguir o caminho de ferro ou a deixar alli o seu diploma de
chefe do districto”.<a name="top47"></a><sup><a href="#47">47</a></sup>De Bragança seguiram igualmente muitos telegramas pedindo ao governo e
ao rei a aprovação do contrato (Pereira, 2014, p. 227).</p>

    <p>No Parlamento José Beça e Alberto Charula (que demonstrava assim inequivocamente que a sua lealdade estava em primeiro lugar
com Bragança) interpelavam novamente o ministro das Obras Públicas, que respondia cabalmente com a apresentação do projeto de lei.<a name="top48"></a><sup><a href="#48">48</a></sup>
pela câmara dos deputados antes de subir aos pares <a name="top49"></a><sup><a href="#49">49</a></sup>  e se transformar na lei de 14 de maio de 1902 (Fino, 1903, pp.
820-836). O contrato definitivo foi assinado em 24 de outubro de 1902.<a name="top50"></a><sup><a href="#50">50</a></sup>
 No final, “tudo acabou bem, como nos romances” – escrevia <i>O Seculo.</i><a name="top51"></a><sup><a href="#51">51</a></sup>
 </p>

    <p>A vitória dos Beças e da periferia é relevante não só por ter ultrapassado um político do centro (Teixeira de Sousa), mas sobretudo por ter conseguido uma garantia de juro para um
caminho-de-ferro nacional e periférico quando a prioridade era o investimento
direto do Estado no ultramar (tanto nas linhas existentes como em linhas a
construir). No entanto, a concessão do caminho-de-ferro de Benguela ao
britânico Robert Williams e o interesse do australiano “Karri” Davies na
via-férrea de Lourenço Marques à Suazilândia (ambos sem exigências financeiras
ao Tesouro) permitiram ao erário distribuir os recursos por outras obras
públicas, como a linha de Bragança.<a name="top52"></a><sup><a href="#52">52</a></sup></p>

    <p>O sucesso dos Beças foi diferentemente interpretado pelos jornais de ­Bragança, conforme a sua inclinação partidária,
mas um jornal mais afastado das lutas políticas locais – <i>O Seculo</i> –
confirmava Abílio Beça como</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p> o principal motor, a verdadeira alma (…), o elemento mais activo, o verdadeiro
iniciador e o mais devotado propugnador do prolongamento do caminho de ferro de
Mirandela a Bragança,</p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>embora não negasse méritos aos outros intervenientes no processo, como Emídio
Navarro, Eduardo Coelho, Francisco Vargas e José Beça.<a name="top53"></a><sup><a href="#53">53</a></sup></p>

    <p>Apesar da aprovação da lei, ainda muito faltava para tornar o caminho-de-ferro realidade. João da Cruz nunca teve real
interesse em assumir a concessão, agindo apenas como testa-de-ferro dos Beças
para impedir que a praça encerrasse deserta. Em 1902, no seu relatório anual, a
CNCF confirmava que após conseguir a adjudicação João da Cruz procurou-a para
obter um acordo para o trespasse. A companhia acedeu, desde que o
concessionário conseguisse em primeiro lugar os capitais necessários.<a name="top54"></a><sup><a href="#54">54</a></sup></p>

    <p>Foi então que com a ajuda de José Beça, João da Cruz procurou ­investidores para a obra nos mercados de Londres e Paris,
enquanto Abílio Beça obtinha do governo prorrogações do prazo para início das
obras, sem os quais a concessão caducava (Pereira, 2012b, p. XLIII). Contudo, o
acordo não se realizaria e, pior, pouco depois de regressar a Portugal José
Beça faleceria em dezembro de 1902 (Pereira, 2014, p. 240).</p>

    <p>Em Bragança o protelamento da questão fazia recrudescer a animosidade dos progressistas e dos <i>charuláceos</i> contra
Abílio Beça, uma vez que o fracasso do concessionário era o fracasso do
governador civil.<a name="top55"></a><sup><a href="#55">55</a></sup></p>

    <p>Finalmente, João da Cruz chegou a acordo com as casas Burnay e Fonseca, Santos &amp; Viana para obter os capitais necessários à
obra e trespassar a concessão à CNCF, ficando como empreiteiro-geral da
construção<a name="top56"></a><sup><a href="#56">56</a></sup>, que se iniciou em maio (Cruz, 1906, p. 5). Ao longo dos três anos
seguintes, João da Cruz enfrentou sérias dificuldades financeiras para levar a
cabo a empreitada, uma vez que a companhia só pagava por quilómetro completo, o
que obrigava o empreiteiro a um empate substancial de capital próprio (Cruz,
1906). Neste esforço contou com o auxílio de Abílio Beça que</p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>dispôs de parte dos seus haveres, ao mesmo tempo que solicitava dos seus
amigos que concorressem tambem com dinheiro para as empreitadas, visto que as
obras eram dispendiosas, e os orçamentos inferiores ao que ellas custavam<a name="top57"></a><sup><a href="#57">57</a></sup></p></blockquote>

    <p>&nbsp;</p>


    <p>De facto, registos da agência de Bragança do Banco de Portugal confirmam que Abílio Beça emprestou
capital a Cruz para a obra (pelo menos 20,5 contos em 1904-1905).<a name="top58"></a><sup><a href="#58">58</a></sup>
 Os registos não permitem esclarecer os motivos
que levaram a Beça a investir no negócio, que poderão ter sido de índole
meramente comercial (o retorno do investimento era garantido uma vez que Cruz
tinha bastantes propriedades na região), mas que foram
certamente de cariz político: o caminho-de-ferro era a grande obra de Abílio
Beça, que estaria disposto a tudo para a realizar, mesmo a empatar dinheiro do
seu próprio bolso.</p>

    <p>A 1 de dezembro de 1906 a linha era inaugurada, já sem João da Cruz à frente dos trabalhos, por ter
falido entretanto após a rescisão do seu contrato pela CNCF. Abílio Beça
manteve a relação com o empreiteiro após a conclusão da obra, passando-lhe
letras num valor agregado superior a 50 contos.<a name="top59"></a><sup><a href="#59">59</a></sup></p>

    <p>Quando da inauguração, Beça já não estava no Governo Civil, de onde tinha pedido exoneração a 13 de julho de 1904 (Sousa <i>et</i><i> al</i>.<i>,</i> 2005, pp. 144 e 583), depois de
Hintze lhe fazer ver “a conveniência de trocar o lugar de governador civil por
uma cadeira da maioria em S. Bento”.<a name="top60"></a><sup><a href="#60">60</a></sup></p>

    <p>Beça tornou-se novamente deputado nas eleições de 26 de junho de 1904, mas em novembro o Parlamento foi dissolvido. Tentou
retomar a sua carreira como autarca local, mas não conseguiu conquistar a
câmara de Bragança e foi inclusivamente ultrapassado por Alberto Charula como
candidato pela minoria ao Parlamento nas eleições de 12 de fevereiro de 1905
(Pereira, 2014, pp. 308-319). A desilusão abalou Beça, que não se coibiu de
confessar a Hintze Ribeiro a sua “decepção (…) no sentimento de justiça que
nutria confiado na rectidão do supremo chefe do partido que V. Ex.ª é”. Apesar
disto, mantinha a sua fidelidade a Hintze Ribeiro, pois</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <blockquote>    <p>V. Ex.ª é o chefe respeitado e radicado no animo de todo o partido regenerador do districto (…) e não seria empreza facil para
quem quer que fosse uma rebellião contra a sua determinação.<a name="top61"></a><sup><a href="#61">61</a></sup></p></blockquote>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p>Fugindo ao modelo de Bulpitt, no qual as elites periféricas, ao acumularem algum prestígio a nível local, acabam por desafiar
as elites centrais (John, 2010, p. 349), Beça preferiu não afrontar a
autoridade de Hintze e manteve-se ligado aos regeneradores, continuando a usar
a <i>Gazeta de Bragança </i>para a propaganda do partido e para defesa dos
interesses brigantinos. A sua fidelidade seria recompensada com a nomeação para
a reitoria do liceu de Bragança<a name="top62"></a><sup><a href="#62">62</a></sup>, com um lugar em São Bento em 1906, 1908 e 1909 (Alves, 2000, vol. 3, pp. 417-420) e com a cadeira de presidente da Câmara da cidade (Sousa, 2013, vol. 1, pp. 223-224). Na corrida à autarquia (1908) incorporou republicanos na
sua lista, numa provável tentativa de se precaver contra a queda da monarquia.
A participação de Beça nas lides parlamentares foi bastante reduzida, uma vez
que o grande objetivo – o caminho-de-ferro – estava conseguido (Pereira, 2014,
pp. 347-352).</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS FINAIS</b></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p>A 27 de abril de 1910 Abílio Beça dirigia-se a Bragança pela linha do Tua. Na
estação de Salsas, pelas 18h30 horas, o deputado aproveitou uma paragem para
descer e cumprimentar alguns conhecidos. Quando o comboio retomou a marcha,
Beça começou a correr para a linha, alcançando a composição quando esta estava
já em grande andamento. Ao subir, escorregou e caiu no espaço entre a carruagem
e um vagão de mercadorias, sendo colhido. De imediato foi conduzido a um
furgão, que o transportou com urgência para Bragança, onde o chefe da estação
confirmou o pior.<a name="top63"></a><sup><a href="#63">63</a></sup></p>

    <p>A sua morte provocou enormes ondas de choque em Bragança e na capital. Na cidade e na província as manifestações de pesar
sucederam-se. Câmara, Governo Civil, Comissão Distrital, Seminário, diversas
cooperativas civis, familiares e particulares exararam votos de sentimento pelo
triste acontecimento. No Parlamento vários deputados mostraram a sua
consternação pelo falecimento, alguns com meras demonstrações de cortesia,
outros, de todas as cores políticas, inclusive republicanos,
mais emotivos, denotando um maior conhecimento pessoal do falecido
(Pereira, 2014, pp. 357-368).</p>

    <p>As homenagens foram merecidas, tendo em conta o ativo papel desempenhado por Beça para levar o caminho-de-ferro até Bragança e
assim diminuir a sua condição de região periférica do reino.</p>

    <p>O brigantino, aproveitando a relação especial que tinha com o centro, de onde aliás emanava o seu poder
político (Shils, 1975, p. 8), mais do que manobrar leis, engendrou táticas “to
arrange things in such a way that, through a certain number of means, such and
such ends may be achieved” (Foucault, 1991, p. 95). Seguindo ainda a linha de
Foucault (1991, p. 96), Beça demonstrou as três qualidades que lhe permitiram
ser bem sucedido: paciência, sabedoria e diligência. Soube esperar por
condições favoráveis, soube gerir a rivalidade com outras periferias e com
outros agentes periféricos e agiu assertivamente quando elas se reuniram. Da
sua relação com o centro do poder, dotou Lisboa do mais eficaz instrumento de
controlo do território à época – o caminho-de-ferro (Rabinow, 1986, pp.
243-252) – e, em termos de <i>technopolitics</i>, cimentou a sua influência na
região, a qual aproximou também do centro, graças à nova tecnologia que
conseguiu implementar.</p>

    <p>A sua morte extemporânea pôs termo a uma carreira de notável local, que decerto se prolongaria mesmo após a implantação da
República – Charula, por exemplo, tornou-se um eminente membro do Partido
Democrático em ­Bragança (Mónica, 2005-2006, vol. 3, p. 247) –, mas ao ceifá-lo
praticamente no auge da sua carreira imortalizou a sua imagem na cidade, na
memória coletiva e em bronze fundido. Basta referir que quando em 1968 se
inaugurou uma nova variante da linha de Bragança, o edil local lembrou o
“brigantino notável (…) o ilustre Conselheiro Abílio Beça”, a quem se devia o
“empreendimento de extraordinária repercussão” que ainda então era o
caminho-de-ferro, cuja extensão até Espanha era a solução para pôr termo “ao
abandono e o ­consequente desconhecimento” a que por “falta de comunicações
rápidas e eficientes” estava votada Bragança.<a name="top64"></a><sup><a href="#64">64</a></sup></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As palavras sobre o estado económico de Bragança não eram exageradas. O caminho-de-ferro foi sem dúvida um importante meio de
transporte de mercadorias e pessoas do alto distrito (Beira, 2015); um
relatório da agência do Banco de Portugal de Bragança de 1907 dá também conta
do fim dos “perigos e incommodos que havia na transferencia de grandes remessas
de metal” propiciada pela abertura do caminho-de-ferro.<a name="top65"></a><sup><a href="#65">65</a></sup>
No entanto, os seus contributos para o desenvolvimento agrícola foram
limitados (Sousa, 2013, vol. 1, pp. 128-131). Em termos industriais a única
fábrica digna desse nome no alto distrito – a fábrica de cortiça de Clemente
Menéres – foi transferida para o Porto pouco depois da abertura da linha e
ironicamente as suas máquinas foram transferidas pelo mesmo caminho-de-ferro
que prometia trazer o desenvolvimento a Trás-os-Montes (Viseu, 2013b, p. 103).
Por fim, em termos demográficos notou-se uma forte vaga emigratória após a
abertura da secção de Bragança, ou seja, os brigantinos usaram o
caminho-de-ferro mais para emigrar do que para desenvolver a sua terra
(Silveira <i>et</i><i> al</i>., 2011, p. 34; Sousa,
2013, vol. 1, pp. 61-62).</p>

    <p>Assim, mesmo após a abertura da linha, Bragança continuou a ser o interior do interior. Apesar da rápida ligação com o centro,
a região continuou a ser parte da periferia económica do país, muito embora se
tenha aproximado do centro político e tecnológico, graças ao caminho-de-ferro .</p>

    <p>O exemplo de Abílio Beça e do caminho-de-ferro de
Bragança como caso periférico é único e dificilmente generalizável (Bulpitt,
1983, p. 57). No entanto, pode servir de termo de comparação com outros
paradigmas semelhantes de aliança entre caciquismo, periferia e tecnologia,
como os de Vaz Preto e a linha da Beira Baixa, Eugénio de Almeida e a linha do
Barreiro, ou José Estêvão e a passagem da linha do Norte por Aveiro, entre
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    <!-- ref --><p>RABINOW, P. (1986), <i>The</i><i> Foucault Reader</i>, Reading, Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086856&pid=S0003-2573201700010000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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    <!-- ref --><p>SARAIVA, T. (2007), “Inventing the technological nation: the example of Portugal (1851-1898)”. <i>History</i><i> and
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    <!-- ref --><p>SARDICA, J.M. (2005a), <i>Duque de Ávila e Bolama</i>,
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    <!-- ref --><p>SARDICA, J.M. (2005b), <i>José Maria Eugénio de Almeida. Negócios, Política e Sociedade no Século XIX</i>, Lisboa, Quimera.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086866&pid=S0003-2573201700010000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SAVITCH, H.V., OSGOOD JR., J.L. (2010), “Bulpitt in America: presidential approaches, territorial politics and the field of urban
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    <!-- ref --><p>SERRA, J.B. (1988), “As reformas da administração local de 1872 a 1910”. <i>Análise Social</i>,
24 (103-104), pp. 1037-1066.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086870&pid=S0003-2573201700010000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SHILS, E. (1975), <i>Center and Periphery.</i><i> Essays in Macrosociology</i>, Chicago, The University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086872&pid=S0003-2573201700010000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SILVEIRA, L.E. da <i>et al</i>. (2011), “Caminhos de ferro, população e desigualdades territoriais em
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Diogo (eds.), <i>Travels of Learning. A Geography of Science in Europe, ­Londres, Kluwer Academic Publishers, pp.1-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086876&pid=S0003-2573201700010000200053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SOUSA, F., MARQUES, A.H.O. (coord.) (2004), <i>Portugal e a Regeneração (1851-1900)</i>, vol. 10, Lisboa, Presença.</p>

    <!-- ref --><p>SOUSA, F., AFONSO, A.M., ROCHA, R. (2005), <i>Os Governadores Civis do Distrito de Bragança</i>, Bragança, CEPESE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086879&pid=S0003-2573201700010000200055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>SOUSA, F. (coord.) (2013), <i>Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)</i>, Porto,
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    <p>SWARTZ, D., <i>Culture & Power.</i><i> The Sociology of Pierre Bourdieu, Chicago, The University of ­Chicago Press, 1997.</i></p>

    <!-- ref --><p>TELO, A.J. (1991), <i>Lourenço Marques na Política Externa Portuguesa</i>, Lisboa, Cosmos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086884&pid=S0003-2573201700010000200058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>VALÉRIO, N. (coord.) (2001), <i>Estatísticas Históricas Portuguesas</i>, Lisboa, INE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086886&pid=S0003-2573201700010000200059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VASILEIOS, E. (2015), “Centers, peripheries and technical progress”. <i>In</i> F. Jacob (ed.), <i>On the Correlation
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    <!-- ref --><p>VISEU, A. (2013a), <i>Desenvolvimento da Periferia Transmontana: a Linha do Tua e a Casa Menéres</i>, Porto, EDP; UM,
MIT Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086890&pid=S0003-2573201700010000200061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>VISEU, A. (2013b), “The Mirandela cork factory and the Tua Line”. <i>In</i> A. McCants <i>et al</i>. (eds.), <i>Railroads
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    <!-- ref --><p>VLEUTEN, E. (2006), “Understanding network societies. Two decades of large technical system studies”. <i>In</i> E. Vleuten e A. Kaijser (eds.), <i>Networking
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    <!-- ref --><p>WALLERSTEIN, I. (1990), <i>O Sistema Mundial Moderno</i>, Porto, Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=086895&pid=S0003-2573201700010000200064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recebido a 15-12-2014. Aceite para publicação a 28-09-2016</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>NOTAS</b></p>

    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Artigo desenvolvido no âmbito da bolsa de pós-doutoramento SFRH/BPD/95212/2013.</p>

    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Ver também: Projeto Biografias do CIUHCT <a href="http://www.ciuhct.com/index.php/pt/biografias.html"  target="_blank">http://www.ciuhct.com/index.php/pt/biografias.html</a></p>

    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> <i>Diario da Camara dos Deputados</i>, 23-2-1880, p. 542.</p>

    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> Arquivo da Universidade de Coimbra, Universidade de Coimbra (AUC-UC), certidões de idade (1834-1900), vol. 45, fl. 79-79v.</p>

    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>ADB, Cúria Diocesana de Miranda e Bragança, Câmara Eclesiástica, Habilitações <i>de genere</i>, (RGMDL), liv. 10, fl. 145.</p>

    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> Arquivo Histórico do Ministério das Obras Públicas, processos individuais, Miguel Augusto Ferro de
Beça.</p>

    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> AUC-UC, cartas de curso, Direito (1880), 3.ª série, cx. 76.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> ANTT, RGMDL, liv. 43, fls. 258v-259v.</p>

    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> AMB, atas das sessões da câmara, sessão de 6-5-1910, fl. 5v.</p>

    <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> ADB, Governo Civil, Junta Geral do Distrito, registo de alvarás e precatórias, cx. 206, liv. 836, fls. 19-21, 25v-26, 29v-30v.</p>

    <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 14-10-1906, n.º 751. <i>Norte Transmontano</i>, 8-10-1896, n.º 82, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 14-10-1906, n.º 751. <i>O Nordeste</i>, 18-9-1901, n.º 745; 25-9-1901, n.º 746;
16-11-1904, n.º 910.</p>

    <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 11-5-1902, n.º 521.</p>

    <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> ANTT-RGMDL, liv. 43, fls. 258v-259v.</p>

    <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> <i>O Brigantino</i>, 29-3-1889, n.º 158, p. 2; número de Dezembro de 1889, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> <i>O Brigantino</i>, 28-2-1889, n.º 152, p. 1. 14-3-1889, n.º 156; 29-3-1889, n.º 158; 20-6-1889,
n.º 170.</p>

    <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup><i>Norte Transmontano</i>, 8-10-1896, n.º 82, p. 1.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup><i>O Nordeste</i>, 17-8-1893, n.º 242, p. 2; 19-7-1894, n.º 279, p. 3; 30-3-1895, n.º 305.</p>

    <p><sup><a name="19"><a href="#top19">19</a></sup> <i>O Nordeste</i>, 8-5-1901, n.º 726, p. 2.</p>

    <p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> <i>O Nordeste</i>, 14-10-1894, n.º 290, p. 2.</p>

    <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> <i>Correio da Noite</i>, 2-11-1894, n.º 4577, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 25-8-1895, n.º 175.</p>

    <p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup><i>Diario da Câmara dos Deputados</i>, 24-3-1896, pp. 881-882.</p>

    <p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> Arquivo Histórico Ultramarino. Cx. 1576 1L. Caminho de Ferro da Swazilandia. <i>Relatórios de construção</i>.</p>

    <p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> Para o discurso de Beça, ver: <i>Diario da Camara dos Deputados</i>, 7-2-1896, pp. 220-224; 29-2-1896,
pp. 381-385.</p>

    <p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> <i>O Nordeste</i>, 21-4-1896, n.º 358. <i>Norte Transmontano</i>, 9-4-1896, n.º 56, p. 2; 14-5-1896, n.º 61, p. 2.</p>

    <p><sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></sup><i>O Nordeste</i>, 2-6-1896, n.º 364; 23-6-1896, n.º 367. <i>Norte Transmontano</i>, 7-5-1896, n.º 60, p. 1.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></sup>ARPD, fundo Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro (FERHR), eleições de 1897, cartas 11.1.57.9 e 11.1.57.91.</p>

    <p><sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></sup><i>Gazeta de Bragança</i>, 15-1-1905, n.º 661.</p> 

    <p><sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 29-7-1900, n.º 430; 12-8-1900, n.º 432; 16-9-1900, n.º 436; 14-10-1900, n.º
440.</p>

    <p><sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></sup> <i>O Nordeste</i>, 31-10-1900, n.º 699, pp. 1-2; 7-11-1900, n.º 700; 14-11-1900, n.º 701.</p>

    <p><sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 8-4-1900, n.º 414; 18-11-1900, n.º 445, p. 1. <i>O Nordeste</i>, 25-7-1900,
n.º 685.</p>

    <p><sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 27-12-1903, n.º 606, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></sup>Gazeta dos Caminhos de Ferro</i>, 16-3-1901, n.º 318, p. 91; 16-5-1901, n.º 322, p. 156; 16-6-1901, n.º 324, pp. 179-180; 16-10-1901, n.º 332, p. 342.</p>

    <p><sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 26-5-1901, n.º 471.</p> 

    <p><sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 16-6-1901, n.º 474, p. 1 e 3; 28-7-1901, n.º 480, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></sup><i>O Nordeste</i>, 8.5.1901. n.º 726, p. 2; 23.10.1901, n.º 750, p. 2; 20.11.1901, n.º 754, p. 1.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></sup> ARPD, FERHR, eleição de deputados (Bragança), carta 10.4.5.8, f. 3v.</p>

    <p><sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 30.6.1901, n.º 476.</p>

    <p><sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></sup> ADB, Juízo de Direito da Comarca de Bragança, auto de embargo que contra João Lopes da Cruz movem vários
proprietários de Bragança.</p>

    <p><sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 29-3-1903, n.º 567; 19-4-1903, n.º 570.</p>

    <p><sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 16-3-1902, n.º 513.</p>

    <p><sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></sup> <i>Novidades</i>, 21-4-1902, n.º 5536, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 27-4-1902, n.º 519.</p>

    <p><sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></sup> <i>Districto de Bragança</i>, 14-3-1902, n.º 1, p. 2.</p>

    <p><sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></sup> ARPD, FERHR, caminhos-de-ferro, Bragança. Chaves, telegrama 11.4.17.29, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></sup> <i>Gazeta de Bragança</i>, 11-5-1902, n.º 521, p. 1.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></sup>  <i>Diario da Camara dos Deputados</i>, 24-4-1902, p. 2.</p>

    <p><sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></sup>  <i>Diario da Camara dos Deputados</i>, 28-4-1902, pp. 7-21. <i>Diario da Camara dos Dignos Pares do
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    <p><sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></sup> <i>Gazeta dos Caminhos de Ferro</i>, 16-5-1902, n.º 346, p. 154.</p>

    <p><sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></sup><i>O Seculo</i>, 7-5-1902, n.º 7308, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></sup>  The National Archives, Foreign Office, FO 63/1444; FO 63/1445.</p>

    <p><sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></sup><i>O Seculo</i>, 7-5-1902, n.º 7308, p. 1.</p>

    <p><sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></sup> <i>Relatorio do conselho de administração e parecer do conselho fiscal da Companhia Nacional de Caminhos de
Ferro em 1903</i>, p. 4.</p>

    <p><sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></sup><i>Districto de Bragança</i>, 20-3-1903, n.º 54, p. 1. <i>O Nordeste</i>, 14-1-1903, n.º 814.</p>

    <p><sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></sup>Arquivo distrital de Lisboa, 9.º cartório notarial de Lisboa, liv. 359, cx. 72, fs. 2-4v.</p>

    <p><sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></sup> <i> Diario da Camara dos Deputados</i>, 6-6-1910, p. 5.</p>

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    <p><sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></sup>AHBP, Relatórios anuais, BP-CG 14.</p>

    <p><sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></sup> ARPD, FERHR, eleição de deputados (Bragança), carta 10.4.5.19, f. 1v.</p>

    <p><sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></sup> ARPD, FERHR, eleição de deputados (Bragança), carta 10.4.5.8, fs. 1-4.</p>

    <p><sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></sup><i>Gazeta de Bragança</i>, 1-4-1906, n.º 723.</p>

    <p><sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></sup>ADB, processo da morte do conselheiro Abílio Beça.</p>

    <p><sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></sup><i>Boletim da CP</i>, Outubro de 1968, n.º 472, pp. 5-9.</p>

    <p><sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></sup> AHBP, relatório de 1907, fs.1-1v.</p>


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