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<country>Portugal</country>
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    <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>

    <p><b>LISI, Marco (org.)</p><i>As Eleições Legislativas no Portugal Democrático (1975-2015),</i></b></p>

    <p>Lisboa, Assembleia da República, 2015, 411 pp.</p>

    <p>ISBN 9789725566275</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Patrício Costa</b>*</p>

    <p> * Escola de Medicina da Universidade do Minho » Campus da UM — 4710-057 Gualtar, Braga, Portugal. E-mail: <a href="mailto:pcosta@med.uminho.pt">pcosta@med.uminho.pt </a></p> 

    <p>&nbsp;</p>


    <p>A obra alvo desta análise, publicada em dezembro de 2015, foi coordenada por Marco Lisi,
professor auxiliar no Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que tem dedicado
grande parte da sua investigação ao estudo das organizações partidárias e
respetivos líderes, das campanhas eleitorais, da identificação partidária e ao
estudo da participação política.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O livro, com 411 páginas, está estruturado
em 15 capítulos, bem organizados, escritos por 11 autores especialistas de
reconhecido mérito nacional e internacional e aborda as eleições legislativas
no Portugal democrático.</p>

    <p>12 capítulos focam-se na análise dos diferentes atos eleitorais e estão estruturados em
quatro secções distintas: a) o contexto em que decorrem as eleições; b) a
campanha eleitoral; c) a análise de voto e resultados, níveis de participação
eleitoral e volatilidade eleitoral; d) as consequências do voto na formação de
governos, no sistema partidário e nas estratégias dos diferentes partidos
políticos.</p>

    <p>Os outros três capítulos (capítulo 1, 2 e
14), desempenham um papel relevante e elucidativo para um conhecimento mais
aprofundado nesta temática.</p>

    <p>No primeiro capítulo, crucial para o conhecimento da evolução do sistema eleitoral,
político e partidário português, é elaborada uma análise dos padrões do
comportamento eleitoral com recurso aos modelos explicativos clássicos. São
especificadas algumas clivagens relevantes, explorando-se o papel das campanhas
eleitorais e do posicionamento ideológico na tomada de decisão dos eleitores. É
ainda debatido o panorama da investigação nacional nesta área, por comparação
com os restantes países da Europa (realçando--se o atraso ainda saliente no nosso
país). São lançados novos projetos de análise, nomeadamente na caracterização
do perfil dos abstencionistas, no estudo dos efeitos das campanhas eleitorais,
particularmente nos “processos de mobilização, conversão e persuasão dos
eleitores” e no papel das emoções e da estratégia de comunicação na complexa
decisão de voto.</p>

    <p>Salienta-se, também, o segundo capítulo, pela relevância histórica que possui e pela
exposição de aspetos relevantes para a compreensão da transição para o regime
democrático após a Revolução de Abril de 1974. São descritos neste capítulo
tópicos significativos das campanhas eleitorais que marcaram a eleição da
Assembleia Constituinte, como por exemplo os <i>slogans</i>
dos partidos, as suas estratégias e as suas propostas políticas. É importante
destacar que o surgimento das sondagens, apenas possíveis em ­regimes
­democráticos, não foi esquecido neste livro – apresentando, inclusive, os
resultados de uma sondagem publicada num jornal espanhol na véspera das
eleições de 1975.</p>

    <p>Finalmente,realça-se o décimo quarto capítulo, dedicado aos recentes “anos difíceis de era
troica e as perspetivas futuras”, no qual é feita uma reflexão sobre o estado
da democracia portuguesa. Neste capítulo são avaliados alguns indicadores
relevantes numa perspetiva longitudinal, tais como a confiança dos portugueses
nas instituições e a satisfação dos portugueses com a <i>performance</i>
da democracia, cujos resultados apontam para um declínio generalizado. São
ainda apresentados e discutidos indicadores económicos da crise em Portugal
que, de alguma forma, fragilizam a democracia e o estado social. Em suma, este
capítulo ajuda-nos a refletir acerca do futuro de Portugal, realçando alguns
aspetos que caracterizaram a democracia portuguesa durante o período de resgate
financeiro da troica. Em poucas palavras, o governo é descrito como tendo ido
além da troica (“nos limites da Constituição”), como tendo exigido sacrifícios
aos cidadãos de forma assimétrica, sendo os resultados da intervenção
considerados insatisfatórios. Destaca-se, ainda, a incapacidade da oposição,
neste contexto, para conceber alternativas.</p>

    <p>É importante salientar, por fim, a riqueza
histórica e a síntese presente nos seis anexos que complementam a obra, onde
colaboraram adicionalmente mais dois autores. Podemos consultar, por exemplo,
informação pertinente sobre a composição e outros atributos dos ­diferentes
governos, bem como informação relevante sobre as eleições presidenciais,
eleições autárquicas e eleições europeias. O leitor dispõe, ainda, de um
apêndice iconográfico onde constam os cartazes das diferentes candidaturas nos
diferentes atos eleitorais.</p>

    <p>Na análise dos 12 capítulos dedicados às
diferentes eleições, apesar de compreender a logística organizativa inerente a
uma obra destas, talvez fosse possível ter havido um outro
tipo de encadeamento dos diversos atos eleitorais e um cumprimento mais
rigoroso das quatro secções propostas para a escrita de cada eleição.
Verifica-se, por vezes, a repetição de informação e a inclusão de outros atos
eleitorais (ex: as eleições autárquicas) que contribuem, em muito, para a
discussão e enquadramento das eleições legislativas, mas que não parecem seguir
o mesmo guião. Por outro lado, é compreensível que cada capítulo possa ter uma
existência autónoma.</p>

    <p>No mesmo sentido, o recurso às sondagens e o debate sobre as mesmas não foi similar nos diferentes capítulos, ainda que considerando a escassez destas nos primeiros atos
eleitorais. Teria sido interessante um debate mais aprofundado sobre a
“qualidade” das sondagens e dos seus resultados. Por seu lado, embora o
surgimento do <i>marketing</i> político, da comunicação política/eleitoral e da
inclusão de profissionais especialistas nestas áreas não tenham
sido esquecidos nesta obra, seria importante diferenciar <i>marketing</i>
político de <i>marketing</i> eleitoral, enquadrando as estratégias dos
diferentes partidos/coligações nas diferentes eleições.</p>

    <p>Ademais, seria enriquecedor ter abrangido,
na análise e discussão da obra, as eleições legislativas regionais (Açores e
Madeira) e o estabelecimento de um paralelismo entre os dois atos eleitorais –
relações entre resultados e aprendizagem relativa ao comportamento dos
eleitores num contexto mais reduzido.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em conclusão, este livro explora de forma
sistemática e aprofundada as eleições mais importantes para os portugueses – as
eleições legislativas. Reúne e sumariza informação essencial para todos os
interessados em Ciência Política em geral, e no comportamento dos eleitores,
nas sondagens de opinião, na comunicação política, no <i>marketing</i> político
entre outros, em particular. Realça problemáticas relevantes para a
investigação em Ciência Política, nomeadamente os determinantes da participação
eleitoral, determinantes para a volatilidade eleitoral, a teoria da
personalização da política, a seleção dos temas de campanha, entre outros,
sempre com um enquadramento teórico adequado. O facto de não ter um enfoque
essencialmente académico maximiza o potencial de leitura do livro. Trata-se de
um importante documento de síntese e um contributo de capital importância para
o conhecimento dos diferentes atos eleitorais registados no Portugal
democrático (1975-2015).</p>

     ]]></body>
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