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<country>Portugal</country>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>

    <p><b>MIRANDA, Joana e HORTA, Ana Paula Beja (orgs.)</p>

<i>Migrações e Género. Espaços, Poderes e Identidades,</i></b></p>

    <p>Lisboa, Editora Mundos Sociais, 2014, 136 pp.</p>

    <p>ISBN 9789898536426</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Marta Vilar Rosales</b>*</p>

    <p>* Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, Av. Professor Aníbal de Bettencourt, 9 —
1600-189 Lisboa, Portugal. E-mail:<a href="mailto:marta.rosales@ics.ulisboa.pt">marta.rosales@ics.ulisboa.pt</a></p>

    <p>&nbsp;</p>


    <p><i>Migrações e Género</i> é uma obra composta por oito capítulos, uma
introdução e uma nota de abertura. Os textos correspondem, na sua maioria, a
versões revistas de apresentações feitas no quadro de um seminário
internacional realizado em Lisboa, em 2010, na Universidade Aberta, onde se
exploraram as dimensões de género das migrações contemporâneas em geral e, mais
especificamente, das experiências imigratórias recentes em Portugal.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os textos encontram-se organizados em três
grandes blocos: <i>Espaços, Poderes e Identidades.</i> Estes, para além de
arrumarem tematicamente os contributos dos diferentes autores, procuram
sintetizar discussões plurais da temática central do livro a partir de focos
mais específicos. A sua apresentação é feita pelas organizadoras na introdução,
sob a forma de três núcleos de questões: 1. De que
espaços partem e a que espaços chegam as mulheres
migrantes? Qual a natureza e a dinâmica das suas pertenças na origem e no
destino e de que forma o espaço condiciona a experiência migratória? 2. Que
novos estatutos e poderes emergem e que novos espaços de intervenção se abrem à
mulher migrante? 3. Quais os impactos da migração nas identidades das mulheres
migrantes?</p>

    <p>Os autores que contribuem para a obra são
maioritariamente portugueses e filiados em unidades de investigação nacionais.
Com exceção da introdução e dos textos assinados por Maria Manuela Aguiar e
Maria Paula Meneses, os trabalhos apresentados resultam de investigações
empíricas realizadas em Portugal (sobretudo em Lisboa) e na Europa.</p>

    <p>Na primeira parte do livro dedicada à
temática do <i>espaço,</i> Lisboa, observada na qualidade de espaço urbano
cosmopolita e pós-colonial, merece particular destaque nas análises realizadas.
É de realçar os contributos particularmente interessantes para a discussão das
representações da cidade enquanto espaço de acolhimento migratório, a partir de
olhares que privilegiam as estratégias de apropriação e as experiências de vida
desenvolvidas por mulheres migrantes (Joana Miranda), a importância da
­interseção espaço/tempo no relacionamento com o espaços
de origem e de destino e as avaliações que deles são feitas por quem migra
(Suelda Albuquerque e Jorge Malheiros).</p>

    <p>Os capítulos que compõem a segunda parte tratam, de modo abrangente, questões ligadas ao poder no
quadro das migrações contemporâneas. Ao invés dos trabalhos da primeira parte,
os dois textos não apresentam uma unidade evidente, abordando aspetos muito
diversos: migração e empoderamento feminino (Lígia Évora Ferreira) e políticas
de diferenciação de género no domínio da emigração portuguesa (Maria Manuela Aguiar).
Este último, discute a falta de atenção dada, quer do
ponto de vista jurídico, quer do ponto de vista político, às questões de género
ao longo dos tempos no quadro da longa e complexa emigração portuguesa, e dá
conta das recentes medidas implementadas para contrariar a <i>emigração
enquanto aventura masculina</i> e a consequente invisibilidade da mulher
portuguesa no contexto das comunidades migrantes. Por se tratar de um exercício
de contextualização original para a investigação da emigração portuguesa, considero
este capítulo um contributo particularmente interessante e útil para esta área
de estudo.</p>

    <p> A terceira parte da obra é composta por
três capítulos, igualmente diversos, que abordam a temática da identidade. No
primeiro texto, Maria Paula Menezes apresenta uma reflexão sobre as migrações
coloniais portuguesas partindo da sua própria experiência de vida enquanto
migrante e investigadora. No segundo texto, Sofia Neves e Raquel Silva
apresentam os resultados de uma investigação empírica realizada em contexto
prisional com mulheres migrantes em Portugal. O último texto do bloco reflete
sobre uma temática diretamente decorrente das migrações de populações islâmicas
para a Europa Ocidental – o uso do véu islâmico (Juan Ignacio Castien
­Maestro). Questão mediática e alvo de acesos debates no espaço público, a
temática é problematizada pelo autor que a discute à luz das representações de <i>pudor</i>,
<i>respeito</i> e <i>vergonha </i>vividas no feminino.</p>

    <p>Em síntese, <i>Migrações e Género</i> é um contributo positivo para desvendar e dar a conhecer aspetos fundamentais das
migrações contemporâneas em Portugal. Do ponto de vista empírico, aprofunda a
discussão de elementos específicos das experiências de quem migra no que
respeita à sua relação com o espaço, com o poder e com a identidade, intersetando
a sua discussão com uma variável central no estudo do social e do cultural: o
género. A importância da abordagem seguida é bem explorada e enquadrada
teoricamente na introdução pelas organizadoras da obra. Como referem Joana
Miranda e Ana Paula Beja Horta, “as relações de género sempre se cruzaram e cruzam-se com os projetos migratórios” (2014, p. 3) devendo
ser equacionadas do ponto de vista analítico e tidas em conta aquando dos
retratos que se produzem sobre o movimento na contemporaneidade. Respondendo a
esta premissa, a totalidade dos textos acrescenta saber sobre as migrações no
feminino, explorando as especificidades das trajetórias, experiências,
quotidianos e representações de uma multiplicidade de grupos de mulheres que
escolhem Portugal como destino. Este enfoque não encontra, porém,
correspondência quer em contributos que explorem as experiências migratórias
masculinas, quer as relações entre géneros em contexto migratório. Estas,
quando presentes nos diversos textos, são secundarizadas face à centralidade
analítica atribuída ao género feminino. Não se tratando de uma falta, seria
importante que esta opção estivesse claramente refletida no título da obra,
pois <i>Migrações e Género</i> acolhe um leque muito
mais amplo de questionamentos, práticas e dimensões do que as que aqui são
abordadas.</p>


     ]]></body>
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