<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732018000200002</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.31447/AS00032573.2018227.02</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Performance escolar: os exames do 4.º ano na TV]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[School performance: the 4th grade exams in television news]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Manuela]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Diogo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Matias]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A2 "/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Melo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Benedita Portugal e]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A3"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Centro de Investigação e Intervenção Educativas]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Porto ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="AA2">
<institution><![CDATA[,CICS.NOVA  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="AA3">
<institution><![CDATA[,Universidade dos Açores  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Ponta Delgada ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="AA4">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Educação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<numero>227</numero>
<fpage>280</fpage>
<lpage>307</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732018000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732018000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732018000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Performance escolar: os exames do 4.º ano na TV.&#8195;No quadro de um modo de regulação do sistema educativo assente na ideologia da performatividade mediante um trabalho escolar intensificado, este texto centra-se na recente experiência de reintrodução dos exames no 4.º ano em Portugal. Analisam-se as vozes de crianças, pais e professores difundidas em peças noticiosas televisivas (2012-2015), procurando perceber como se posicionam e como lidam com os exames. Os discursos revelam que os exames contaminam totalmente a vida escolar e familiar e implicam um trabalho cognitivo e emocional, por parte destes atores, visando a fabricação de alunos capazes de lidar eficazmente com a performatividade em idades cada vez mais precoces.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Within the framework of a mode of regulation of the educational system based on the ideology of performativity through an intensified school work, this text focuses on the recent experience of reintroducing the exams in the 4th grade in Portugal. We analyze the voices of children, parents, and teachers found in television news pieces (2012-2015), seeking to understand how they position themselves and how they deal with the exams. Their words reveal that the examinations greatly influence the school and family life, and demand cognitive and emotional effort on the part of these actors, aiming at the preparation of pupils who are able to deal effectively with performativity at an earlier age.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[exames]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[crianças]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[1.º ciclo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[dinâmicas familiares e escolares]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[exams]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[children]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[First cycle]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[family and school dynamics]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Performance escolar: os exames do 4.º ano na TV</b></font></p>     <p><font size="3"><b>School performance: the 4th grade exams in television news</b></font></p>     <p><b>Manuela Ferreira*, Ana Matias Diogo**, Benedita Portugal e Melo***</b></p>     <p>*Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o Educativas,   Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Porto.&#8196;Rua Alfredo Allen - 4200-135 Porto, Portugal. <a href="mailto:manuela@fpce.up.pt">manuela@fpce.up.pt</a></p>     <p>**CICS.NOVA.UAc, Universidade dos A&ccedil;ores.&#8196;Campus de Ponta Delgada, Apartado 1422 - 9501-801   Ponta Delgada, S&atilde;o Miguel, Portugal. <a href="mailto:ana.is.diogo@uac.pt">ana.is.diogo@uac.pt</a></p>     <p>***UIDEF, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de Lisboa.&#8196;Alameda da Universidade - 1649-013 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:mbmelo@ie.ulisboa.pt">mbmelo@ie.ulisboa.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><i>Performance</i> escolar: os exames do 4.º ano na TV.&#8195;No   quadro de um modo de regulação do sistema educativo assente na ideologia da   performatividade mediante um trabalho escolar intensificado, este texto   centra-se na recente experiência de reintrodução dos exames no 4.º ano em   Portugal. Analisam-se as vozes de crianças, pais e professores difundidas em   peças noticiosas televisivas (2012-2015), procurando perceber como se   posicionam e como lidam com os exames. Os discursos revelam que os exames   contaminam totalmente a vida escolar e familiar e implicam um trabalho   cognitivo e emocional, por parte destes atores, visando a fabricação de alunos capazes de lidar eficazmente com a performatividade em   idades cada vez mais precoces.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PALAVRAS-CHAVE: exames; crianças; 1.º ciclo; dinâmicas   familiares e escolares.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Within the   framework of a mode of regulation of the educational system based on the   ideology of performativity through an intensified school work, this text   focuses on the recent experience of reintroducing the exams in the 4<sup>th</sup> grade in Portugal. We analyze the voices of children, parents, and teachers   found in television news pieces (2012-2015), seeking to understand how they   position themselves and how they deal with the exams. Their words reveal that   the examinations greatly influence the school and family life, and demand   cognitive and emotional effort on the part of these actors, aiming at the   preparation of pupils who are able to deal effectively with performativity at an earlier age.</p>     <p>KEYWORDS:   exams; children; First cycle; family and school dynamics.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Uma das facetas da agenda   neoliberal para a educação que mais preponderância tem vindo a assumir à escala global é a crescente pressão exercida sobre os   sistemas escolares para produzirem resultados (Sellar e Lingard, 2014; Torres e   Quaresma, 2014). Portugal não ficou imune a este contexto e, depois dos outros   níveis de ensino, em 2012, foi a vez do 4.º ano ver reinstitucionalizados os   exames nacionais (Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de   julho; Despacho normativo n.º 24-A/2012), o que gerou uma forte controvérsia   social, amplificada pelos <i>media</i>. A sua posterior abolição, no início do   ano letivo de 2015, não pôs, no entanto, um ponto final no aceso debate   iniciado em 2012: atente-se ao relatório técnico do Conselho Nacional de   Educação (CNE, 2016) ou às notícias que continuaram a circular nos <i>media</i> tradicionais, nas redes sociais e na blogosfera, em que voltaram a ser   esgrimidos argumentos sobre os prós e os contras de existirem exames no 4.º ano   (Diogo, Ferreira e Melo, 2016).</p>     <p>Apesar de os exames   no 4.º ano terem estado em vigor durante três anos letivos, não se conhecem   resultados do seu impacto na forma como os atores se reorganizaram no contexto   escolar e se processou o trabalho pedagógico nas escolas. Considerando que os   primeiros anos de escolaridade têm sido bastante descurados do ponto de vista   científico, salienta-se o facto de ser aqui que se começam a construir as   desigualdades escolares e os percursos de insucesso e abandono escolar (Justino <i>et</i><i> al</i>., 2014) e de que poderemos estar   na presença de fenómenos idênticos aos que se verificam no ensino secundário   (por ex., Antunes e Sá, 2010; Neves, Pereira e Nata, 2014; Torres e Palhares,   2014). Assim, e agora que os exames do 4.º ano de escolaridade foram suspensos,   este texto procura trazer alguns contributos para uma reflexão sobre o papel   dos exames no 1.º ciclo do Ensino Básico, mediante a apresentação de uma   pesquisa que procurou compreender como crianças, professores e pais os   experienciaram.</p>     <p>A prática de avaliação escolar por exame   nacional, hoje naturalizada nos países membros da União Europeia, expandiu-se   gradual e diversamente, sobretudo a partir de 1990, e ganhou novo impulso e   abrangência internacional a partir de 2000, na decorrência da participação em   estudos como o PIRLS, TIMSS ou PISA (Eurydice, 2015). A implementação generalizada de exames nacionais, tendendo a coincidir com o final da   escolaridade obrigatória ou com momentos de transição dos ciclos escolares, é   marcante nos percursos dos alunos e compreende-se num contexto sociopolítico e   ideológico mais amplo em que a educação foi identificada como uma das cinco   áreas-chave da estratégia Europa 2020. Investir na educação, sinónimo de   capitalizar o potencial humano disponível, voltou a ser considerado essencial   para assegurar a revitalização do crescimento económico, a criação de emprego e   a coesão social, necessárias para enfrentar os sucessivos choques   socioeconómicos que persistem desde a crise que eclodiu em 2008.</p>     <p>Em Portugal, as medidas políticas educativas   desenvolvidas desde a década de 1990 vinham procurando conciliar vários   princípios de justiça num quadro ideológico liberal. Ao mesmo   tempo que se mantinham os desígnios da modernização, do melhor   posicionamento no mercado, do controlo da despesa pública e da subordinação das   políticas públicas à promoção dos requisitos de uma economia nacional   competitiva – o que se irá traduzir na implementação sucessiva de exames   nacionais<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a> e no princípio da regulação das políticas de educação pelos resultados   –, produzia-se uma acentuação retórica de determinados valores, mais   focalizados no diálogo e democratização, na solidariedade e justiça, na   inclusão e no mercado social, na diversidade e parceria (Estêvão, 2001). Será a   partir da década de 2000 que outros princípios de justiça ganham força, ainda   que complexamente articulados com a ideologia da democratização, da inclusão e   do neoliberalismo: o da obtenção da eficácia social da escola e utilidade da   formação escolar; o da obrigação de prestação de contas e o da importância da   avaliação dos sistemas educativos (Melo, 2014). Neste   quadro, a reintrodução de exames no 4.º ano em 2012, com o ministro da Educação   Nuno Crato, constitui o expoente máximo da assunção política da ideologia da   performatividade, que progressivamente se tinha vindo impor. Dá-se assim corpo   à ideia, já defendida desde os finais dos anos 90, de que a democratização da   educação &#34;não se alcança apenas pela massificação da frequência dos vários   níveis de escolaridade&#34;, mas deve ser desenvolvida tendo também presente &#34;o   rigor e a qualidade do ensino e das aprendizagens enquanto condições   necessárias para o renovar da confiança social na   Escola e na educação&#34; (Pacto Educativo 91, citado por Estêvão, 2004, p. 11).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A necessidade de dar conta de uma dada qualidade   da educação através &#34;de múltiplos dispositivos de controlo, de monitorização   dos resultados e de racionalização de recursos&#34; (Palhares e Torres, 2011, p.   55), prática comum nos países ocidentais (Hardy, 2015), tem-se feito   acompanhar, portanto, em Portugal, de uma lógica de justificação em que a   retórica da excelência e da qualidade académica e a ideologia da comparação dos   resultados através de instrumentos quantificados e, por isso, supostamente   neutros e objetivos, atingiu progressivamente os níveis mais precoces de   escolaridade, refletindo-se, de algum modo, até na educação pré-escolar.<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a></p>     <p>Neste contexto, a introdução de exames constitui   uma medida política que tem vindo a contribuir para o desenvolvimento de um   modo de regulação do sistema educativo, baseado na performatividade (Ball, 2000   e 2003). Tal como Ball refere, a &#34;performatividade é uma tecnologia, uma   cultura e um modo de regulação, ou um sistema de &#39;terror&#39; nas palavras de   Lyotard, que emprega julgamentos, comparações e a exposição como meios de   controlo, atrito e mudança&#34; (Ball, 2000, p. 1), assente em &#34;recompensas e   sanções (materiais e simbólicas)&#34; (Ball, 2003, p. 216). Para este autor, as   novas tecnologias políticas não são simples veículos para uma &#34;mudança técnica   e estrutural das organizações, constituindo antes mecanismos para &#34;reformar&#34;   professores e alterar o que significa ser professor&#34; (idem, p. 217). Segundo   Ball, a identidade profissional destes atores educativos estaria a mudar devido   aos terrores da performatividade, isto é, ao aumento da pressão para a   apresentação de indicadores de <i>performance</i> e   eficiência do sistema educativo. Estaria, assim, a emergir um novo tipo de   professor (e novos modos de relação entre os professores) com subjetividades e   práticas reconfiguradas a partir dos valores da excelência e das pressões para   a melhoria da sua produtividade.</p>     <p>Nesta lógica, a reintrodução de exames do 4.º ano   em Portugal poderá ter efeitos não apenas na regulação e reorganização do   sistema educativo, mas também nas subjetividades dos professores do 1.º ciclo   em Portugal, salvaguardando as diferenças significativas que separam Inglaterra   e Portugal relativamente às lógicas de mercado nos contextos educativos.   Enquanto em Inglaterra já são de longa data medidas como os <i>vouchers</i> educativos e as sanções impostas aos estabelecimentos de ensino que não atingem   as metas de progresso relativamente aos resultados escolares, em Portugal   procurou-se dar passos concretos no sentido da liberalização e privatização da   educação aquando do XIX Governo, sob a tutela do ministro da Educação, Nuno   Crato. A radicalização do &#34;mandato neomeritocrático&#34; (Afonso, 2013) que se terá   feito sentir neste período, poderá ter empurrado as escolas, de forma mais   premente, para a valorização da eficácia, da excelência e da performatividade,   &#34;fazendo com que estas tendam a deixar na penumbra a sua missão inclusiva e   democrática&#34; (Quaresma e Torres, 2017, p. 562).</p>     <p>No quadro de avaliocracia (Afonso, 2014)   descrito, será de admitir que em Portugal se tenha vindo a acentuar a tendência   para se valorizar apenas o que é mensurável em termos de resultados escolares   aferidos pelos resultados dos exames, e que as escolas se (re)orientem segundo a lógica do <i>teaching to the test </i>já descrita por Ball (1993, p.   107) no início da década de 90. Caso assim seja, &#34;as escolas envolver-se-ão   cada vez menos nos absorventes e exigentes processos de promoção do sucesso   educativo, para se dedicarem a vistosas encenações de fabricação dos   resultados&#34;, como adverte Sá, e os professores tenderão &#34;cada vez menos a   trabalhar com as crianças, para passarem a trabalhar as crianças para que estas   brilhem nos testes&#34; (Sá, 2009, p. 104). Importa, assim, saber como é que os   professores portugueses equacionam a existência destes exames, os sentem e os   incorporam nas suas práticas docentes. Ao respondermos a esta questão   procuraremos mostrar até que ponto, e de que modos, a ideologia da   performatividade se recontextualizou nas experiências profissionais docentes   reportadas na TV.</p>     <p>Se   é legítimo assumirmos   que a performatividade afetará as vivências dos professores primários, fará   também sentido, por outro lado, considerarmos que estes atores não serão os   únicos afetados por este modelo de regulação educativa. Os resultados das   pesquisas têm vindo a demonstrar o crescente envolvimento dos pais no processo   de escolarização dos filhos (Quaresma, 2011; Vieira, 2015), que se traduz numa   parentocracia que parece ser exercida cada vez mais precocemente (Brown, 1990;   Van Zanten, 2008; Melo, Diogo e Ferreira, 2016) e em que os pais manifestam   uma crescente ansiedade relativamente ao futuro dos filhos e à sua <i>performance</i> académica. Como é que os pais se   posicionaram relativamente à existência de exames numa fase inicial do percurso   escolar e prepararam os seus filhos para lidarem com eles?</p>     <p>Por sua vez, as crianças, circulando entre a   família e a escola (Perrenoud, 1987), são atores sociais situados no centro das   dinâmicas que os exames envolvem. Como é que as crianças se manifestam e reagem   aos exames? Em que medida os exames afetam as suas   subjetividades como alunos?</p>     <p>Sendo Portugal um dos poucos países europeus onde   os exames foram introduzidos no 4.º ano de escolaridade, torna-se paradoxal   constatar a presença de um intenso debate nos <i>media</i> que contrasta com a   quase ausência de investigação nas ciências sociais sobre estas questões.</p>     <p>Num estudo anterior, de carácter exploratório,   foi possível analisar a forma como se debateram, na blogosfera, os exames   nacionais do 4.º ano em Portugal e os moldes em que as mães escrevem sobre essa   experiência no dia-a-dia da família, tendo-se identificado práticas que apontam   para uma pedagogização e curricularização do quotidiano familiar nas classes   médias urbanas muito escolarizadas (Melo, Diogo e   Ferreira, 2016). No entanto, muito pouco se sabe ainda a respeito das   consequências deste fenómeno no quotidiano de docentes, famílias e crianças do   1.º ciclo de contextos sociais com menores recursos e oportunidades para   expressarem as suas vozes nos <i>media</i>.</p>     <p>Mobilizando perspetivas teóricas da sociologia da   educação, da família e da infância, procuraremos agora analisar os efeitos   gerados pela introdução dos exames do 4.º ano (2012-2015) nas práticas   quotidianas dos atores educativos do 1.º ciclo do ensino básico, a partir do   seguinte conjunto de questões: i) quais os posicionamentos dos professores e   pais relativamente aos exames?; ii)   quais as expressões emocionais da pressão para a performatividade geradas pelos   exames? iii) quais os reflexos dos exames nas práticas educativas parentais e   escolares?</p>     <p>AS VOZES DOS ATORES   EDUCATIVOS NA TELEVISÃO: NOTAS METODOLÓGICAS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Prosseguindo o já   mencionado estudo sobre os exames do 4.º ano, em que se explorou o debate   público produzido na blogosfera, no qual estavam ausentes as vozes dos   professores do 1.º ciclo e as das crianças, optámos por centrar esta pesquisa   num outro <i>media</i>, a televisão, onde também se discutiram os exames e em   que foi dada visibilidade a este tipo de atores. A TV, dado o seu importante   papel na construção social da realidade (Berger e Luckmann, 1966), poderá,   também ela, contribuir para a afirmação da ideologia da performatividade, ao   agendar o tema dos exames e ao atribuir-lhes destaque noticioso nos dias em que   eles se realizaram entre 2012 e 2015. Os estudos sobre os efeitos cognitivos   dos <i>media</i> (Saperas, 1993; Noelle-Neumann, 2002) levam-nos a formular   este pressuposto e a reconhecer que o modo como a TV mediatizou os exames terá   repercussões na formação da &#34;opinião pública&#34; a respeito deste fenómeno, o que   justificaria, por si só, uma análise aprofundada. Todavia, neste artigo   centramo-nos apenas na análise de conteúdo do que professores,   pais e crianças de diferentes contextos sociais, económicos e geográficos   disseram sobre a sua experiência a propósito dos exames na TV generalista, no   período já mencionado. Não apresentaremos, portanto, dados representativos da   opinião dos pais, professores e crianças do 1.º ciclo sobre os exames do 4º   ano, nem uma análise relativa ao modo como foi construída a agenda televisiva   sobre este assunto. Além disso, como as reportagens só incidiram sobre escolas   públicas, a análise que realizamos encontra-se forçosamente limitada a este   universo.</p>     <p>Apresentamos, sim, uma pesquisa exploratória que   acede às vozes dos atores de forma mediada pela TV, o que acarreta outras   limitações. Os valores-notícia (Traquina, 1993; Wolf, 1995) da televisão   condicionam, desde logo, a forma como os exames se traduzem nas peças   jornalísticas: o número de peças dedicadas aos exames; o local de realização   das reportagens; os tipos de atores e de escolas selecionadas e o tempo de   antena dedicado a cada um deles. Na TV apenas é dada a vez e a voz aos atores   educativos por iniciativa, escolha e decisão do entrevistador, o que significa   o posicionamento de todos eles como dependentes da seletividade, sob controlo dos questionamentos e subalternos do tempo de   antena que lhes é concedido. Por outro lado, não ignoramos também como as   condições em que são produzidos estes discursos televisivos (via entrevistas à   porta de uma escola sem aviso prévio e tempo para se refletir na melhor   resposta) condicionam as opiniões transmitidas e poderão contribuir para   produzir afirmações que apenas procuram corresponder às expectativas sociais.   Aliás, o simples facto de se saber que se está a ser filmado para efeitos de   emissão televisiva pode, inclusivamente, suscitar comportamentos atípicos e   reações forçadas. Na verdade, nos discursos televisivos analisados predominou a   oralidade suscitada em condições inesperadas de face-a-face e co-presença pública. Esta oralidade, de natureza mais   imediata e responsiva, foi pontuada pela reversibilidade do pensamento, por   repetições e suspensões, por marcadores para-verbais e não-verbais e por não-ditos que convergem para a comunicação de significados e sentidos   subjetivos nem sempre clarificadores das posições ideológicas dos atores   sociais no limitado tempo que lhes é dado. As opiniões transmitidas pelos   atores sociais num meio de comunicação como a TV, refletem,   em síntese, as condições sociais inerentes à produção de opinião neste <i>medium</i> (Bourdieu, 1997).</p>     <p>Ainda assim, é   possível considerar que a atenção concedida aos exames pela TV contribuiu para   dar visibilidade às perspetivas de atores educativos habitualmente excluídos   dos debates públicos sobre educação. Um dos traços do <i>corpus</i> de análise   é, pois, a co-presença intergeracional e a abertura à   participação infantil. Mesmo não sendo despiciendo que nos <i>media</i> televisivos a presença das vozes infantis e adultas fique integralmente a   dever-se à iniciativa de outros adultos – jornalistas –, e decorra sob seu   controlo nas breves entrevistas realizadas, é aqui que raparigas e rapazes do   4.º ano de escolaridade expressam, de viva voz e &#34;a quente&#34;, os seus anseios e   expectativas sobre a experiência acabada de viver, a realização de exames pela   primeira vez. E é aqui também que, frequentemente, essas vozes aparecem   trianguladas, por contraponto, com as dos adultos. Isto contrasta com o verificado   no meio analisado em pesquisa anterior, já referenciada, a blogosfera, na qual   se sublinham as implicações decorrentes da ordem geracional da sociedade   (Qvortrup, 2009), em que a dependência das crianças em relação aos adultos   surge traduzida na ausência de uma participação infantil direta e, por   conseguinte, na sua invisibilidade social – ali, as crianças apenas são   tornadas presentes em diferido e por interposta pessoa, mesmo quando o assunto   lhes diz diretamente respeito, como é este o caso.</p>     <p>Para realizarmos esta pesquisa procedemos a uma   recolha de dados através da internet, explorando os motores de busca <i>Google,     Yahoo e Bing</i> e os portais de informação <i>Sapo</i> e <i>Clix, </i>com as   expressões de pesquisa &#34;exames nacionais do 4.º ano&#34; e &#34;provas finais do 4.º   ano&#34;. Do total das 59 peças televisivas<sup> </sup>dedicadas a este   acontecimento, no período 2012-2015, todas incidindo em escolas públicas,   selecionámos apenas as peças noticiosas que foram difundidas pelos canais   generalistas, os que têm maiores audiências, onde surgiram vozes de crianças e   pais e/ou professores do 1.º ciclo. A análise incide, assim, sobre um <i>corpus</i> constituído por 34 peças (<a href="#q1">Quadro 1</a>).</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/aso/n227/227a02q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>      <p>O número de peças sobre exames onde surgem vozes   de crianças distribuiu-se de uma forma relativamente equitativa pelos   diferentes canais de TV (<a href="#q2">Quadro 2</a>), verificando-se,   ainda assim, algumas diferenças ao longo dos três anos e no período do dia em   que mais peças são transmitidas: é em 2013 e no período da tarde que surgem   mais reportagens que dão visibilidade a estes atores: 18. Em 2014 já só foram transmitidas 7 peças e em 2015, 10.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/aso/n227/227a02q2.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Estas peças nem   sempre exibem informação nova, pois em alguns casos são repetidas total ou   parcialmente em diversos telejornais no próprio dia e/ou nos dias seguintes. A   redundância que parece caracterizar alguma da informação produzida pela TV   acentua-se quando constatamos, por outro lado, como o mesmo estabelecimento de   ensino foi escolhido, por mais de uma vez, por jornalistas dos diferentes   canais, como palco para as reportagens.</p>     <p>A presença dos pais e/ou professores, por sua   vez, é menos significativa comparativamente com a das crianças, não se   verificando, a este respeito, diferenças assinaláveis entre os vários canais de   televisão.</p>     <p>O facto de os jornalistas não colocarem sempre as   mesmas perguntas aos diferentes atores, em todas as peças, limitou a análise   comparativa das reportagens nos diversos anos e temáticas abordadas. Por   exemplo, em 2014 não foi perguntado a nenhum professor se concordava ou não com   os exames. Às crianças, por sua vez, nunca foi perguntado qual o seu   posicionamento sobre os exames, mas apenas como se sentiam perante a sua   realização. Esta razão, associada à diferença na quantidade de peças exibidas   ao longo dos três anos, levou-nos a utilizar menos excertos do ano de 2014 na   apresentação dos resultados.</p>     <p>O <a href="#q3">quadro 3</a> permite-nos   sublinhar, genericamente, a diversidade e abrangência em termos de categorias   geracionais, papéis sociais e profissionais e distribuição geográfica dos   atores educativos que expressaram as suas opiniões nas peças televisivas   analisadas. Como se observa, além de professores do 1.º ciclo, crianças e pais   oriundos de grupos socioculturais e espaços geográficos diversificados – ainda   que a maioria das peças tenha sido produzida nas áreas metropolitanas do Porto   e Lisboa, e algumas vezes nas mesmas escolas –, é dada visibilidade a outros atores educativos (avós e professores dos outros níveis de ensino).</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/aso/n227/227a02q3.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>No entanto, as reportagens televisivas que   mostram crianças, professores e mães de contextos escolares distintos, que   pretensamente procuram espelhar a diversidade regional do país, tendem a (re)produzir contrastes superficiais e estereotipados entre<i> </i>atores   de zonas interiores e rurais e de áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa.   Esta cobertura estereotipada será reflexo das   orientações das redações, meios postos à disposição dos jornalistas para   realizarem a cobertura do fenómeno e das suas próprias disposições   profissionais, isto é, dos valores-notícia que orientam o trabalho jornalístico   a que já aludimos anteriormente.</p>     <p>OS ADULTOS FACE AOS   EXAMES DO 4.º ANO: PROFESSORES E PAIS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PROFESSORES: TODOS CONTRA OS EXAMES?</p>     <p>Os professores do 1.º   ciclo que manifestaram a sua opinião na TV convergem maioritariamente para um   posicionamento crítico face aos exames. Distanciam-se, assim, da valorização da   avaliação sumativa das aprendizagens dos alunos que, objetivada na   instrumentalização dos exames nacionais e na sua aclamação como expoente único   de rigor e isenção, tem vindo a ser patrocinada na agenda global (Ball, 2003;   Hardy, 2015) e era subscrita pela anterior tutela política que introduziu os   exames do 4.º ano:</p>     <p>A didática requer treino, requer trabalho, requer   pensamento, requer construção de coisas, percebe&#8230; E no ensino, esse tempo tem   que ser dado a estes miúdos e ao professor que está com eles&#8230; Eu sou por uma   avaliação contínua e nesta idade não sei o que é que isto vai adiantar&#8230;   [Prof1/P30/TVI/18/05/2015/19h21].</p>     <p>Este posicionamento contra os exames estende-se   igualmente à organização e funcionamento da escola, vendo-a como um sistema   disfuncional e mal governado centralmente, identificando nas condições de   realização das provas (realização do exame na escola sede do agrupamento;   assinatura de um termo de compromisso por parte das crianças; uso obrigatório   de esferográfica preta; proibição de esclarecimento de quaisquer dúvidas&#8230;)   fatores geradores de consequências perversas no quotidiano pedagógico e   escolar:</p>     <p>Tiveram que se deslocar. Estão num local   desconhecido com colegas que desconhecem [Prof1/P8/TVI/07-05-2013/20h36].</p>     <p>Aí é que está o grande problema do exame! A falta   de tempo para conseguir dar&#8230; o exame é em Maio! (&#8230;) Precisavam de mais tempo&#8230;   [Prof1/P31/SIC/19-05-2015/13h51].</p>     <p>Talvez se possa afirmar que os posicionamentos   críticos face aos exames dos professores do 1.º ciclo são convergentes com os   dos professores de outros níveis de ensino, de acordo com o observado na   blogosfera, e parecem fundar-se em dois tipos de   lógicas. Por um lado, na luta pelo seu reconhecimento socioprofissional em termos   das suas competências curriculares, pedagógicas e relacionais, essenciais à   avaliação formativa que advogam e que se apoia na construção partilhada de   processos de ensino-aprendizagem significativos. Por outro, numa atitude de   defesa dos seus alunos, enquanto sujeitos da sua aprendizagem e crianças com   direito a viverem infâncias irredutíveis ao ofício de aluno, que importa   proteger da nefasta precocidade e intensidade a que são submetidas tendo em   vista a <i>performance</i> académica. Esta defesa e   proteção dos alunos como crianças torna-se particularmente visível no caso das   professoras do 1.º ciclo, cujos depoimentos revelam preocupações e cuidados   eivados de um forte pendor afetivo e maternal, como adiante se verá.</p>     <p>MÃES E PAIS: ENTRE &#34;A FAVOR&#34;, &#34;A FAVOR, MAS&#8230;&#34; E   &#34;CONTRA&#34;</p>     <p>Contrastando com o   consenso que parece permear o(s) grupo(s) dos professores, o posicionamento dos   pais, sobretudo das mães, face aos exames do 4.º ano, apresenta-se internamente   plural e dissonante. Algumas, mais convictas, exprimem-se &#34;a favor&#34;; outras,   mais vacilantes, procuram lidar com argumentos de sentidos, à partida,   contraditórios, esforçando-se por compatibilizá-los, mesmo que subsistam   dúvidas &#34;a favor, mas&#8230;&#34;, e outras declaram-se expressamente &#34;contra&#34;. Esta multiplicidade de posicionamentos (divergente da   expressão de posições tendencialmente &#34;a favor&#34; encontradas   na blogosfera) poderá refletir a maior diversidade sociocultural e   geográfica dos pais a quem é dada voz na TV.</p>     <p>Muito menos prolixos do que na blogosfera relativamente   à racionalização de justificações que exaltam as virtudes dos exames, alguns   dos discursos dos pais e mães entrevistados revelam tanto as lógicas   funcionalistas da socialização, como mecanismo de integração (Durkheim, 1984),   como as de uma certa reprodução social (Bourdieu e   Passeron, 1990) em que a ênfase da competição desliza para a da   responsabilização:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Eu acho que é uma experiência boa para os preparar para o futuro [Mãe/P9/RTP1/10-05-2013/13h21].</p>     <p>Eu acho que é importante para eles. Também para   haver avaliação. Para saber a forma como eles são. E, pronto, é importante. (&#8230;)   Sempre houve exames. Toda a gente fez exames, como é óbvio. É só mais um teste!   [Mãe/P11/SIC/10-05-2013/13h12].</p>     <p>O tom acrítico das afirmações, mais do que   representar a naturalização da existência de exames no 4.º ano, reifica-os, e,   com isso, reforça a sua consideração como imprescindíveis na fabricação de   alunos que agora se requerem aptos a competir.</p>     <p>A descontextualização política e social dos   exames e da avaliação, e a sua relocalização no âmbito das competências   atribuídas à esfera familiar e às relações escola-família, parece posicionar   estes pais e as suas crianças, mais do que como co-responsáveis de processos de escolarização bem-sucedidos, como seus devotos e todos eles sob   apertado escrutínio. Meritocracia e parentocracia (Brown, 1990) podem então ser   vistas como duas faces da mesma moeda, potenciando-se mutuamente para garantir   a aquisição mínima e obrigatória de conhecimentos; uma avaliação igual e justa   para todos; uma melhor qualidade das aprendizagens; um maior rigor, exigência e   responsabilização de alunos, pais e professores.</p>     <p>Um outro grupo de mães, embora pareça reconhecer a importância da experiência   dos exames como estratégia para os filhos adquirirem a <i>endurance</i> necessária para as crescentes exigências a que serão sujeitos na sua futura   integração socioprofissional mostra-se, simultaneamente, refém da   maternalização do fenómeno educativo (Hutchison, 2012; O&#39;Brien, 2007, 2008). O   seu grande dilema parece ser: como conseguir que os seus filhos obtenham os   melhores resultados e lidem bem com os terrores da performatividade sem   sofrerem demasiado. São estas mães que maioritariamente representam o   posicionamento &#34;a favor, mas&#8230;&#34;:</p>     <p>Concordo com a avaliação, agora com o exagero das   preparações&#8230; e tanto preciosismo, já nem tanto&#8230; [Mãe/P21/SIC/19-05-2014/13h15].</p>     <p>Por um lado é bom, é uma responsabilidade&#8230; porque   eles pela vida toda&#8230; vão ter de estar sempre à prova&#8230; por outro, se calhar,   acho que ainda são um bocadinho pequenos&#8230;[Mãe/P32/RTP1/20-05-2015/13h33].</p>     <p>Em causa parecem estar também conceções de   infância, criança e educação que rivalizam entre si. De um lado, o entendimento   dos exames como uma inevitabilidade escolar e como uma experiência pedagógica   relevante para uma necessária desinfantilização da infância, possibilitadora da   sua crescente responsabilização e autonomização das dependências   intergeracionais. De outro, um entendimento das crianças como seres inocentes,   vulneráveis e indefesos. Nesta perspetiva, o tempo e experiências próprios da   infância devem ser respeitados e adequados aos ritmos e sequências &#34;ditados&#34;   pelas etapas do seu desenvolvimento motor, psicológico e afetivo. Defende-se   ainda que estas etapas não sejam prematuramente &#34;queimadas&#34;, ultrapassadas ou   subvertidas. Ou seja, considera-se que urge proteger as crianças de   constrangimentos e tensões que as privem da sua infância. Posicionar-se &#34;a   favor mas&#8230;&#34; parece ser, então, expressão da   conflitualidade e ambiguidade que se mantêm vivas entre os paladinos da   conceção da criança como aluna e os que apadrinham conceções de criança   fundadas nos ideais românticos e/ou nos discursos médico-psicológicos   (Hendrick, 1990).</p>     <p>Mas encontramos também posicionamentos   assumidamente <i>contra</i> os exames do 4.º ano entre algumas mães e pais   entrevistados na TV:</p>     <p>Coloca uma pressão extremamente elevada nas   crianças com 9, 10 anos que, nesta altura, não se justifica   [Mãe/P2/RTP1/07-05-2013/20h14].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos pedagógicos isto está tudo errado   porque se deve construir a trabalhar&#8230; a construir homens de futuro e não   sucessos de futuro [Pai/P34/TVI/20-05-2015/19h36].</p>     <p>Se alguns destes pais dissociam educação de   escolaridade, sucesso educativo de sucesso escolar e problematizam a   desumanização e o &#34;descarnamento&#34; que resultam da ideologia da   performatividade, outros denotam uma atitude essencialmente protecionista e uma   ideia de infância associada ao tempo da inocência.</p>     <p>Em suma, independentemente das suas posições   relativamente aos exames, professores e pais esgrimem os valores que advogam   para darem conta das tensões geradas pelas exigências de &#34;mais e melhor escola&#34;   (Torres e Palhares, 2014). As suas opiniões expressam diversas conceções de   infância e educação que são indissociáveis do que crêem que deveria ser o tempo   da infância, o papel da escola e a função das provas escolares. Numa   determinada perspetiva, defende-se que as capacidades infantis não podem ser   desperdiçadas mas antes tornadas úteis porque, sendo   cedo estimuladas para a performatividade e canalizadas para uma escolarização   de sucesso, são preparadas para um mundo competitivo. Numa versão mais branda,   entende-se que cedo devem ser expostas à prestação de provas para ganharem   responsabilidade pelos seus deveres como crianças: estudarem e serem bons   alunos. Numa terceira aceção, as experiências diversificadas com outros na   exploração do mundo não escolar e escolar são vistas como alicerces de modos de   conhecer significativos, de descoberta e realização pessoal, e de participação   social que perseguem uma ideia de sucesso como humanização do indivíduo, na   qual se desvaloriza a função das provas.</p>     <p>A PRESSÃO PARA A <i>PERFORMANCE</i> GERADA PELOS EXAMES: EXPRESSÕES EMOCIONAIS   DE ADULTOS E CRIANÇAS</p>     <p>Subjacentes aos   argumentos anteriormente apresentados detetam-se expressões emocionais em torno   dos exames, que passaremos a desenvolver. Como veremos, as ansiedades geradas   pelo medo de não se conseguir corresponder às exigências da performatividade   estão muito presentes nos discursos dos professores, pais e crianças.</p>     <p>ANSIEDADE: OS PROFESSORES COMO VÍTIMAS E COMO   CÚMPLICES</p>     <p>Não sendo nenhum   professor indiferente aos exames, sublinha-se o laço de interdependência com os   alunos e a sua radicalização em torno do exame. Alguns professores reconhecem   mesmo sofrer de ansiedade e contaminar os alunos, já que esta medida política,   por via dos resultados obtidos, também os coloca em causa e sob a mira dos   pais, dos colegas e da sociedade em geral, expondo-os como outro dos alvos de   avaliação:</p>     <p>Nós transmitimos alguma ansiedade aos nossos   alunos porque, ao fim e ao cabo, nós também estamos a ser avaliados! A   ansiedade está do lado dos pais, está do lado dos professores   [Prof1/P28/RTP1/18-05-2015/13h34].</p>     <p>Percebe-se, neste processo de circulação da   ansiedade, que a preocupação com os exames marca irremediavelmente a vida   escolar, tanto mais que a sua preparação parece ser iniciada, paulatinamente,   &#34;ao longo dos anos letivos&#34;, muito antes de a criança atingir o 4.º ano. Neste   sentido, os professores do 1.º ciclo revelam reações semelhantes às dos seus   colegas nos outros níveis de ensino, relativamente à existência de exames e <i>rankings</i> escolares (Torrance, 2011)<b>, </b>parecendo sensíveis à ideia de que a   performatividade das crianças espelhará, de algum modo, a sua própria   performatividade.</p>     <p>Colocando-se na perspetiva das crianças, e   enfatizando a idade, professores e responsáveis pela gestão escolar identificam   e denunciam a pressão que os exames podem exercer sobre elas, manifestando   sentimentos de consternação face ao adultocentrismo com que são tratadas. De   novo voltam a ser evocadas as condições de formalidade a que obedece a   realização dos exames, cuja prematura disciplina e assepsia é vista como exagerada e inútil para as crianças e fator de propensão para   alimentar climas de ansiedade. No posicionamento crítico dos professores que   condenam a visão da criança como um homúnculo (Ariès, 1978) reforçam-se   novamente interdependências entre eles e os alunos onde são visíveis atitudes   que visam libertar ambos de constrangimentos institucionais e emocionais:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A professora despede-se dos alunos antes de irem   para o exame, dando conselhos personalizadamente e beijinhos a cada aluno, de   forma muito afetuosa [Prof1./P12/ SIC/10-05-2013, 13h15].</p>     <p>Depois de todos terem entrado na sala, a   professora aproxima-se da porta e à distância, espreita para dentro da sala e   diz-lhes: Calma, tá bem?! Calma! Reforçando com um gesto com a mão. Adeus! Faz   o gesto com a mão e envia-lhes beijos. [Prof1/P22/SIC/19-05-2014/13h55].</p>     <p>[O diretor da escola, de braços abertos, dirige-se   às crianças que estão sentadas num grande círculo à sua volta] Meus amigos! Um   bom dia para todos! Gosto muito de vos ter aqui. Vai correr bem! Tudo! Muito   obrigada! [Prof/P31/SIC/19-05-2015/13h51].</p>     <p>ENTRE A DESDRAMATIZAÇÃO E A APREENSÃO: OS PAIS</p>     <p>Constituindo um grupo em   que coexistem posicionamentos vários face aos exames, não admira que as reações   face à pressão dos exames por parte dos pais/mães entrevistados sejam, também elas, matizadas. Alguns desdramatizam os   possíveis efeitos perniciosos dos exames sobre as crianças relativizando o peso   que lhe é atribuído socialmente, em prol da valorização do seu conhecimento   acerca das competências e autonomia das <i>suas</i> crianças:</p>     <p>Eles sabem perfeitamente o que estão a fazer.   Estão tranquilos&#8230; Eles sabem pró que vão. [Mãe A/P28/RTP1/18-05-2015/13h34].</p>     <p>Estou tranquila. A Maria é boa aluna, preparou-se   ao longo do ano, portanto, para mim os exames acabam por ser mais uma prova   [Mãe B/P28/RTP1/18-05-2015/13h34].</p>     <p>A resiliência infantil apresenta-se como uma   virtude a exercitar para que as crianças se tornem mais seguras e conscientes   de si e mais auto-responsáveis. Usufruir da   tranquilidade torna-se então uma espécie de recompensa por se ser bom aluno e   não um direito de bem-estar essencial a qualquer ser humano. Estes pais, no seu   trabalho de desdramatização parecem procurar controlar os efeitos de   contaminação do clima emocional reinante sobre a sua família. Mobilizam, para   isso, competências socio-emocionais e psíquicas de compostura, necessárias à   manutenção pública da face (Goffman, 1993) e à naturalização do fenómeno:</p>     <p>Eu acho que isto é normal. Eu tentei não lhe   transmitir muito <i>stress</i> relativamente a isto. Acho que não! Acho que é   um passo e que ele tem que perceber que tem que lidar com isto!   [Mãe/P30/TVI/18-05-2015/ 19h21].</p>     <p>Já de outra fibra moral e menos   assertivos parecem ser os pais que vivem o exame dos seus filhos com   ansiedade e consternação, exteriorizando uma subjetividade exaltada em que   sentimentos e emoções, tornados num só, revertem para si as &#34;dores&#34;   afetivamente projetadas nos filhos. Várias reportagens no dia do exame mostram   imagens de pais concentrados do lado de fora das escolas, junto ao gradeamento,   ou agarrados a ele, a olhar para dentro do recinto escolar com cara de   apreensão, e que, quando entrevistados, afirmaram:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tento não passar para ele, mas também estou um   bocadinho apreensiva&#8230; [Mãe/P13/TVI/10-05-2013/13h09].</p>     <p>Acho que estamos nós mais nervosos que eles! [Mãe   C/P28/RTP1/18-05-2015/13h34].</p>     <p>Para os pais/mães que   dificilmente conseguem esconder a sua própria perturbação com os exames volta a   ter importância o argumento da inutilidade de sujeitar precocemente as crianças   a tal prova. Isso reitera a prevalência de conceções de infância em tensão – de   um lado, como um tempo único, sem preço (Zelizer, 1985), a proteger e a prover   com as condições e relações necessárias ao seu bem-estar pessoal, social e   explicitamente, emocional; do outro, como um tempo útil e produtivo que deve   ser ocupado cognitivamente e rentabilizado sem mais delongas, investindo na   escolarização desde tenra idade.</p>     <p>ENTRE NERVOS, MEDOS E TRANQUILIDADE APARENTE:   AS CRIANÇAS</p>     <p>Os modos como as crianças lidam com a pressão para a performatividade   parecem ser processuais e indissociáveis das temporalidades que se fazem sentir   diferentemente antes dos exames, no próprio dia, após o seu <i>terminus</i> ou   aquando da publicação dos resultados. Assim sendo, antes do exame, a maioria   refere:</p>     <p>Estou muito nervoso, porque conta para nota. É o   medo de passar e não passar [CRI/P1/RTP1/07-05-2013/13h08].</p>     <p>Disse [à mãe quando acordou] que estava   preocupada porque podia não passar e disse que senti que não estudei o   suficiente para o exame [CRI/P4/SIC/07/05/2013/13h11].</p>     <p>Estiveste a chorar?</p>     <p>A menina sorri meia   envergonhada e abana afirmativamente a cabeça.</p>     <p>Porquê?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estava nervosa, estava nervosa!</p>     <p>Porque é que estás nervosa?</p>     <p>Vai ser o meu primeiro exame!&#8230; Não sei como é que   vai correr&#8230; [CRI/P30/TVI/18-05-2015/19h21].</p>     <p>Sublinha-se nos discursos das crianças, o estado   de intensa carga emocional que antecede e antecipa o momento do exame, dominado   por expressões de ansiedade, insegurança e descrença nas suas capacidades e   competências, em que &#34;o medo de errar&#34; e &#34;não passar&#34; parecem ser vistos como   uma provação da qual os únicos culpados são elas mesmas. Agir com base na   antecipação das consequências, culpabilizar-se pelo insucesso escolar, estudar   de forma abnegada e com afinco, configuram uma espécie de panótico em cuja   disciplinação (Foucault, 1975) o bom aluno se fabrica. Percebe-se também neste   clima, a interdependência entre crianças e mães, aqui relembradas como   confidentes e &#34;porto de abrigo&#34;.</p>     <p>Não estando isentas de ansiedade, mas exibindo   uma maior descontração e controlo racional, outras crianças procuram   libertar-se do drama dos exames, e enfrentá-los, socorrendo-se de argumentos   radicados na confiança em relação às suas próprias capacidades, essencial na   construção de uma imagem distinta de si como aluno profissional, <i>i.</i><i> e.</i> competente e   eficaz:</p>     <p>Eu sinto-me um bocadinho nervosa, mas sei que vai   correr tudo bem.</p>     <p>Porque dizes isso?</p>     <p>Porque os exames são mais um teste e é como se   fosse um teste normal, não é um exame [CRI/P11/SIC/10-05-2013/13h12].</p>     <p>Eu não estou nervosa porque estudei! [CRI   B/P1/RTP1/07-05-2013/13h08].</p>     <p>Outros avançam   argumentos que permitem inferir alguns dos modos usados para transformarem a   ansiedade em confiança e autocontrolo: nuns casos, assumindo uma atitude   pragmática e racional; noutros, fazendo do estudar uma ética do trabalho, como   já mencionado; noutros ainda, por via da <i>endurance</i> e familiarização com   os exames, entretanto adquiridos pelo treino:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Não é uma questão de sorte mas de raciocínio para conseguirmos passar [CRI/P2/RTP1/07-05-2013/20h14].</p>     <p>Não [estou nervosa], porque já vi como é que são   os exames pelo de Português e também estudei imenso e sei que me vai correr   bem! [CRI/P33/TVI/20-05-2015/13h50].</p>     <p>Não admira por isso que, após o exame, a maioria das reações infantis oscilem entre mais ou menos   alívio e satisfação:</p>     <p>Pensava que era muito difícil, mas depois quando   lá cheguei vi que aquilo era fácil. Consegui fazer tudo na calma   [CRI/P7/TVI/07-05-2013/20h33].</p>     <p>Muito mais aliviada!   [CRI/P4/SIC/07-05-2013/13h11].</p>     <p>As causas para tal descompressão parecem ficar a   dever-se à perceção de que as dificuldades antecipadas relativamente ao   conteúdo do exame teriam sido exageradas, uma vez que o resolveram sem   dificuldades:</p>     <p>Correu bem! O teste foi facílimo e o 1.º caderno   foi muito facílimo! [CRI/P22/SIC/19-05-2014/13h55].</p>     <p>Correu bem. Sim, eu estava a chorar mas agora já&#8230; pronto&#8230; até foi fácil   [CRI/P30/TVI/18-05-2015/19h21].</p>     <p>Porém, nem sem sempre assim aconteceu, e,   portanto, outras crianças, referem, à saída do exame, o seu desânimo e   incerteza relativamente à sua <i>performance</i>:</p>     <p>[Menina que chorava antes de entrar para a   escola, entrevistada após o exame, diz:]</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Correu bem.</p>     <p>Estás assim um bocado desanimada, o que é que aconteceu?</p>     <p>[A menina, sorrindo, atrapalhada:] Não aconteceu   nada&#8230; [CRI A/P13/TVI/10-05- -2013/13h00].</p>     <p>Não foi assim como eu pensava. Foi um bocadinho   pior do que o que eu fazia na escola [CRI/P7/TVI/07-05-2013/20h33].</p>     <p>A auto-avaliação titubeante da <i>performance</i>,   denotando uma certa insatisfação com a prestação acabada de realizar, sugere,   novamente, que para as crianças o ónus possa recair sobre si, ao mesmo tempo   que reintroduzem, pelas suas vozes, os efeitos das condições de realização dos   exames: a descontextualização e a estranheza, desde o ambiente institucional ao   relacional, podem afetar negativamente o desempenho e a <i>performance</i> escolares.</p>     <p>Ansiedade é então a palavra que melhor descreve o   clima emocional que é gerado e que circula entre professores, pais e crianças a   propósito dos exames, na TV, tal como constatámos na blogosfera (Melo, Diogo e Ferreira, 2016). Expondo a dupla tensão moral   e emocional que recai sobre os atores educativos, torna-se sobretudo visível na TV a densidade que a pressão em torno dos exames do   4.º ano pode atingir e o modo como, cada um à sua maneira, procura fazer-lhe   face. Levar mais longe a compreensão destas formas de reatividade aos exames   requer assim uma atenção particular às práticas educativas parentais e   escolares que se desenvolvem no quadro das relações de interdependência entre   infância, família e escola, de modo a surpreender os seus impactos.</p>     <p>EXAMES DO 4.º ANO: REFLEXOS   NAS PRÁTICAS ESCOLARES E FAMILIARES</p>     <p>O acionamento de   estratégias várias por parte dos atores educativos para lidarem com os exames,   embora podendo conter uma boa dose de   imprevisibilidade, deixaram antever, em alguns casos, um trabalho de fundo que   se desenvolve em torno das práticas educativas, escolares e parentais. Estas   envolvem, simultaneamente, métodos de estudo e um trabalho emocional   (Hochschild, 2008)<b> </b>que visa a preparação para   os exames, colocando em relação, quotidianamente, adultos e crianças. Este   trabalho emocional pode ser definido como &#34;o ato de tentar mudar em grau ou   qualidade uma emoção ou sentimento&#34; (idem, p. 122). Em causa estão agora os   modos como, no seio das dinâmicas escolares e familiares, professores, pais e   crianças (re)organizaram e alteraram os seus   quotidianos e rotinas para dotarem alunos e filhos, ou estes mesmos se dotarem,   com os recursos cognitivos e emocionais necessários para virem a enfrentar os   exames com sucesso. Procura-se então perceber a expressão dessas transformações   que antecederam a preparação para os exames, com base na análise dos discursos   dos atores diretamente envolvidos num momento extraordinário que é o próprio   dia de exame.</p>     <p>REFLEXOS DOS EXAMES NAS PRÁTICAS EDUCATIVAS   ESCOLARES: PROFESSORES DO 1º CICLO E CRIANÇAS</p>     <p>As considerações feitas pelos diversos agentes entrevistas na TV sobre o   impacto dos exames nas práticas educativas escolares permitem apreender um   elevado grau de mobilização demonstrado pelos professores e pelos seus alunos   com vista a garantir a realização de uma prova bem-sucedida, com resultados   satisfatórios para todos. Aqui, a relação trabalho escolar-tempo, explorada em   termos de extensão e de intensidade, desempenha um papel apreciável:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Já fizemos muitas fichas, esta vai ser mais uma   [CRI/P8/TVI/07-05-2013/20h36].</p>     <p>A nossa professora tem feito muitos exercícios e   estudamos muito. Por isso acho que vamos conseguir   [CRI/P11/SIC/10-05-2013/13h12].</p>     <p>A professora deu-nos bastantes testes de treino e   graças a isso acho que estou preparado! (&#8230;) Estamos preparados!   [CRI/P31/SIC/19-05-2015/13h51].</p>     <p>Através das vozes das crianças é possível   vislumbrar um quotidiano escolar pautado por um trabalho pedagógico que parece   ser fortemente condicionado por aquele evento final e preenchido, pelo menos a   partir de um determinado momento, com atividades de treino sistemático e   intensivo de preparação curricular para os exames, assentes em práticas   escriturais (Lahire, 1997). Falamos da repetida realização de testes e fichas   padronizadas, em muito semelhantes às provas que terão de enfrentar, e de uma   possível uniformização de determinados modos de pensar e raciocinar que devem ser expressados com elevada prontidão. Este tipo de   exercícios converte-se, assim, numa socialização por antecipação dos exames que   assume ainda outros contornos, especialmente relevantes no caso das crianças   que maiores distâncias sociais e geográficas apresentam face às dos centros   urbanos:</p>     <p>Levámos antecipadamente as crianças à escola sede   do agrupamento para se ambientarem (&#8230;) fizemos algumas atividades para eles se   sentirem em casa [Prof1/P4/SIC/07-05-2013/13h11].</p>     <p>Cuidar de familiarizar previamente as crianças   para obviar efeitos negativos da estranheza e das ansiedades parece ser o mote   que orienta a ação dos professores do 4.º ano de escolaridade, fomentando uma   estreita interdependência com os seus alunos relativamente aos resultados   pretendidos, mas também presente no próprio dia do exame através do forte   apoio emocional que lhes prestam, como já   anteriormente salientámos.</p>     <p>A par dos processos   intensivos de alunização das crianças (Matos, 2008) e de construção de um <i>ethos</i> de aluno profissional (Perrenoud, 1994), coexistem, assim, atitudes de   suavização afetiva do momento da <i>performance</i> por parte destes professores. O seu pendor &#34;maternal&#34; contrasta com os   discursos políticos da necessidade de habituação das crianças ao rigor e   formalismo, e confere às relações pedagógicas que estabelecem uma face humana,   nem sempre visível nos <i>media</i>, e que poderá ser entendida como um   ajustamento de tipo secundário (Goffman, 1993) à ideologia da performatividade.</p>     <p>REFLEXOS DOS EXAMES NAS PRÁTICAS EDUCATIVAS   PARENTAIS: PAIS E CRIANÇAS</p>     <p>Verificámos na blogosfera   algumas facetas do impacto dos exames nas práticas educativas dos pais das   classes médias urbanas muito escolarizadas, sobretudo das mães. Estas mães, que   valorizam os seus filhos como crianças e como sujeitos culturais, e enaltecem   as vantagens de aprendizagens descoladas da cultura escolar para alcançarem o   sucesso escolar, estão longe de se eximirem à vigilância, orientação e   estimulação culturalmente selecionada dos seus tempos de lazer, circunscrevendo   essas experiências a um determinado arbitrário cultural (Bourdieu e Passeron,   1990), cujos valores não são socialmente neutros. Subentende-se, então, que as   práticas educativas daquelas famílias, independentemente de serem desencadeadas   por iniciativa dos adultos ou das crianças, convergem numa preparação consciente   e relativamente atempada para os exames.</p>     <p>Em compensação, na televisão, são as vozes   infantis que se encarregam de descrever uma pluralidade de práticas educativas   familiares em que se configuram diferentes graus de mobilização das crianças e   dos pais na preparação para o exame, com diferentes modalidades de estudo e com   diferentes usos do tempo. Umas mencionam claramente o papel dos pais no seu   estudo, num acompanhamento regular ou mais pontual, revelando como a   participação parental no seu processo de escolarização parece ser importante   para se sentirem mais confiantes e mais bem preparadas para o exame:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Menino diz, com um ar um bocadinho envergonhado:   estive a estudar, algumas partes sozinho, outras com   os meus pais [CRI/P19/RTP1/19-05-2014/13h10].</p>     <p>Tenho estudado com a mãe e com o livro que tenho   das provas dos exames. Assim treino as rasteiras e as coisas que aparecem nos   exames! [CRI/P26/RTP1/16-05-2015/20h21].</p>     <p>Outras crianças terão estado, eventualmente, mais entregues a si próprias no estudo para se prepararem para   os exames. Esse parece ter sido o caso de algumas que sugerem ter-se empenhado   apenas nas vésperas do exame e em que marcas da crença religiosa, porventura   reforçadas com o peso que os mitos exercem no imaginário infantil (Corsaro,   1997), se expressam na necessidade ou conforto que sentem em apelar à ajuda   divina:</p>     <p>Estudei no fim-de-semana [antes do exame].</p>     <p>E para a coisa te correr bem, o que é que fizeste   mais além de estudar?</p>     <p>Orei à santinha para me dar boa sorte!   [CRI/P22/SIC/19-05-2014/13h55].</p>     <p>O facto de estas crianças serem oriundas de   regiões mais rurais e do interior do país, leva-nos a colocar a hipótese de   existir um desigual investimento e acompanhamento parental dos trabalhos   escolares por parte das famílias detentoras de capitais económicos, sociais e   culturais mais escassos e/ou menos valorizados socialmente, apesar de a   televisão não contextualizar objetivamente a condição socioeconómica das   famílias.</p>     <p>Não deixam, por outro lado, de ser relevantes nas peças da TV os indícios que apontam para as desiguais condições   sociogeográficas que pesam sobre as crianças para frequentarem a escola e   poderem realizar o exame em condições de equidade com os seus colegas da   cidade. Foi justamente em algumas destas peças que a presença dos professores   do 1.º ciclo mais se fez sentir: não só acompanhavam os &#34;seus&#34; alunos no longo   percurso até à cidade, como o faziam dentro da escola, até à porta da sala do   exame, e aguardavam com expectativa a sua saída. Trata-se de uma atitude que   parece mesclar o cuidar imediatamente associado às funções de maternagem com um outro cuidado político relativamente à infância em que   assumem a salvaguarda dos direitos destas crianças a uma educação digna.</p>     <p>A dimensão afetiva que envolve os momentos de   tensão prévios à realização dos exames vislumbra-se nos ínfimos desvelos   maternos postos em prática para minimizar a ansiedade e nervosismo das   crianças:</p>     <p>Hoje dei-lhe um chazinho   a ver se ela acalma. A ver se ela vinha mais calma   [Mãe/P13/TVI/05-10-2013/13h09].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As reportagens mostram recorrentemente imagens de   mães a confortar os filhos com gestos afetuosos, à entrada das escolas,   sublinhando o trabalho emocional que, além dos professores, a generalidade dos   pais realiza neste momento singular, tentando gerir as emoções ou agir em   profundidade, através de estratégias cognitivas, corporais e/ou expressivas.</p>     <p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p>     <p>Tal como começámos por afirmar, gerou-se em Portugal, desde 2012, um   debate nos <i>media</i> acerca dos exames nacionais do 4.º ano, que tem alimentado   o discurso que faz a apologia da performatividade por via de um trabalho   escolar intensificado. Assumindo a TV como uma plataforma de acesso, ainda que   exploratória, à opinião mediada dos atores sociais, analisámos, neste texto, as   reações à reintrodução destes exames por parte de um conjunto heterogéneo de   crianças, pais e professores, fazendo contrapontos com as que foram registadas   na blogosfera (Melo, Diogo e Ferreira, 2016). Embora   com visibilidades sociais muito diferentes, nos blogues essas reações abrangem   as vozes de professores de diferentes níveis de escolaridade e de pais/mães das   classes médias com elevadas qualificações académicas; na TV generalista, são   difundidas as vozes de professores do 1.º ciclo, pais e crianças, recobrindo um   maior leque sociocultural e geográfico, mas que é tendencialmente apresentado   segundo dicotomias que simplificam e tornam a realidade social estereotipada.</p>     <p>A TV vem confirmar que o posicionamento crítico   dos professores, já verificado na blogosfera, se alarga aos docentes do 1.º   ciclo, sendo os seus discursos marcados pelo seu envolvimento direto na   experiência dos exames. A sua discordância deve-se à valorização que fazem da   avaliação contínua e às condições de realização dos exames, que consideram   desadequadas à faixa etária dos alunos. A pressão para a performatividade   parece ser por eles reconhecida, na medida em que consideram que os desempenhos   das crianças nos exames poderão espelhar a qualidade do seu trabalho. Daí a   forte carga emocional, marcada pela ansiedade, com que parecem experienciar os   exames.</p>     <p>Já os posicionamentos dos pais/mães em relação   aos exames mostram-se plurais. Para além da diversidade de condições   socioeconómicas e geográficas das famílias se traduzirem em desiguais   envolvimentos na preparação dos exames dos filhos, constatámos diferentes graus   de adesão à ideologia da performatividade, que oscilam entre o conformismo e a   oposição. Em contrapartida, na blogosfera, as mães das classes médias   escolarizadas tendiam a manifestar-se &#34;a favor&#34;, convergindo para uma   naturalização dos exames e incorporando o dever de garantir o sucesso e   bem-estar dos seus filhos.</p>     <p>As razões para se compreenderem os posicionamentos dos adultos surgem mais evidentes   quando se analisam as expressões emocionais geradas pela pressão para a   performatividade sobre estes atores. Sobressai, em todos eles, na TV, tal como   na blogosfera, a partilha de dois problemas associados – a ansiedade suscitada   pelos exames e o &#34;como&#34; lidar com ela sem prejuízo da <i>performance</i> académica –, que configuram um intenso trabalho emocional em que todos os   atores são mutuamente envolvidos. Na generalidade das peças televisivas,   destaca-se a importância do acompanhamento afetivo por parte dos pais e dos   professores como forma de minimização da ansiedade das crianças, através de   múltiplas formas, desde o acompanhamento à escola, a gestos e/ou palavras de   consolo até <i>chazinhos</i> ou orações. A indissociabilidade entre esta   dimensão emocional e a dimensão cognitiva, acionada na interdependência entre   adultos e crianças, permite vislumbrar a complexidade inerente à preparação   para a <i>performance</i> que os exames implicam,   tanto no contexto familiar como no escolar.</p>     <p>Tendo os exames como horizonte, identificaram-se   temporalidades indissociáveis de determinadas práticas de trabalho escolar que   culminam com o momento da realização do exame, e cuja gestão supõe outros   momentos, mais ou menos alongados e intensos, que antecedem a sua preparação na   escola e em casa. São fundamentalmente estes momentos de preparação que acabam   por marcar a vida escolar e por se imiscuir e invadir a vida e o lazer   familiares: contrariando a ordem geracional tradicional, professores, pais e   crianças reagem à pressão para a performatividade, todos eles com elevada carga   emocional, seja com ansiedade e consternação, seja com naturalização e   desdramatização.</p>     <p>Relativamente às práticas escolares, é possível   observar um elevado grau de mobilização dos professores, através de um modo de   trabalho intensivo para os exames baseado no treino pela resolução de fichas e   testes, e complementado por uma suavização afetiva do momento da <i>performance</i>, que concorrem para a construção de um <i>ethos</i> de aluno profissional.</p>     <p>A incorporação da ideologia da performatividade   parece refletir-se quer nas crianças que desdramatizam os exames através da   construção de uma imagem de si como alunos profissionais, <i>i.</i><i> e.,</i> competentes e eficazes, quer naquelas que   manifestam insegurança e descrença nas suas capacidades, em que &#34;o medo de   errar&#34; ou &#34;não passar&#34; surge como uma provação na qual elas serão as grandes   responsáveis.</p>     <p>As práticas familiares que nos chegam através da   TV salientam o investimento e acompanhamento parental da escolaridade que será   realizado por parte de algumas famílias, sendo sobretudo visível o forte acompanhamento emocional que dispensam aos filhos no dia da   realização dos exames. Enquanto na blogosfera encontrámos a maternalização dos   exames traduzida numa pedagogização/curricularização intensificada do   quotidiano familiar das classes médias escolarizadas, as reportagens   televisivas não fornecem dados suficientes para caracterizarmos   socioeconomicamente as famílias e identificarmos o tipo de acompanhamento que   efetuam do trabalho escolar dos filhos e de como os preparam para os exames.   Sendo muito reduzido o número de reportagens que entraram na casa das famílias,   foi essencialmente através das vozes das crianças que este acompanhamento   parental foi percecionado, quando estas valorizavam a ajuda no estudo que   tinham tido em casa. Ainda assim, foi possível observar nas reportagens algumas   crianças que parecem ter ficado mais entregues a si próprias para se prepararem   para os exames, estando, porventura, mais dependentes da presença e apoio   emocional prestado pelos professores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas combinações que poderão subsistir entre as   agências de adultos e as agências de crianças, nas peças televisivas analisadas   encontram-se adultos que agem como professores e pais/mães,   professores-maternais e pais/mães-pedagogos, e ambos como mentores culturais ou   camaradas das crianças, por um lado, e, por outro, crianças que agem como   filhos-alunos, alunos-filhos ou filhos-crianças.</p>     <p>Não obstante as sinergias que possam existir em   torno dos exames do 4.º ano por parte dos atores neles envolvidos, pode dizer-se que os momentos que antecedem a preparação   para as provas parecem contaminar totalmente a vida escolar e familiar, segundo   uma equação em que o esforço da responsabilização das crianças e o da   suavização afetiva da pressão dos exames oscilam em tensão, enquanto modos de   fabricação de alunos capazes de lidar eficazmente com a performatividade em   idades cada vez mais precoces.<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS   BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <p>LEGISLAÇÃO</p>     <p>DECRETO-LEI   n.º 139/2012, <i>Diário da República</i>, 1.ª série, n.º 129, 5 de julho, pp.   3476-3484.</p>     <p>DESPACHO   NORMATIVO n.º 24-A/2012, <i>Diário da República</i>, 2.ª série, n.º 236, 6 de   dezembro, pp. 38904(4)-38904(11).</p>     <p>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>AFONSO, A. J. (2013), &#34;Estratégias e percursos educacionais: das   explicações às novas vantagens competitivas da classe média&#34;. <i>In</i> J. A. Costa, A. Neto-Mendes, A. Ventura (orgs.), <i>Xplica</i><i> Internacional. Panorâmica sobre o Mercado das Explicações</i>, Aveiro,   Universidade de Aveiro, pp. 167-188.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098737&pid=S0003-2573201800020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>AFONSO, A. J. (2014), &#34;Questões, objetos e perspetivas em avaliação&#34;. <i>Avaliação: Revista da   Avaliação da Educação Superior</i>, 19 (2), pp. 487-507.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098739&pid=S0003-2573201800020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANTUNES,   F., SÁ, V. (2010), <i>Públicos Escolares e Regulação da Educação</i>, Vila Nova   de Gaia, Fundação Manuel Leão.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098741&pid=S0003-2573201800020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ARIÉS,   P. (1978), <i>História da Criança e da Família</i>, Rio de Janeiro, Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098743&pid=S0003-2573201800020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BALL,   S. (1993), &#34;Education policy, power relations and teachers&#39;swork&#34;. <i>British Journal of Educational Studies</i>, 41 (2), pp. 106-121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098745&pid=S0003-2573201800020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BALL, S. J. (2000), &#34;Performativities and fabrications in the education economy: towards the performative society?&#34;. <i>Australian</i><i> Educational Researcher</i>,   27 (2), pp. 1-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098747&pid=S0003-2573201800020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BALL, S. J. (2003), &#34;The teacher&#39;s soul and the terrors of performativity&#34;. <i>Journal</i><i> of Education Policy</i>, 18 (2), pp. 215-228.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098749&pid=S0003-2573201800020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BERGER,   P., LUCKMANN, T. (1966), <i>The Social Construction of Reality – a Treatise in the Sociology of Knowledge</i>, Londres, Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098751&pid=S0003-2573201800020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOURDIEU,   P., PASSERON, J.-C. (1990), <i>A Reprodução: Elementos     para uma Teoria do Sistema de Ensino</i>, Lisboa, Editorial Vega.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098753&pid=S0003-2573201800020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOURDIEU,   P. (1997), <i>Sobre a Televisão</i>, Oeiras, Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098755&pid=S0003-2573201800020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BROWN,   P. (1990), &#34;The &#39;third wave&#39;: education and the ideology of parentocracy&#34;. <i>British Journal of Sociology of Education</i>, 11 (1), pp.   65-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098757&pid=S0003-2573201800020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CNE (2016), <i>Relatório Técnico – Avaliação das   Aprendizagens dos Alunos no Ensino Básico</i>, Lisboa, CNE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098759&pid=S0003-2573201800020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CORSARO,   W. (1997), <i>Sociology</i><i> of Childhood</i>, Londres, Pine Forge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098761&pid=S0003-2573201800020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIOGO,   A., FERREIRA, M. e MELO, B. P. (2016), &#34;Exames para que te quero?&#8230;&#34;. <i>Barómetro Social</i>, 1.ª série.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098763&pid=S0003-2573201800020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DURKHEIM,   E. (1984), <i>Sociedade, Educação e Moral</i>, Porto, Rés Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098765&pid=S0003-2573201800020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ESTÊVÃO,   C. V. (2001), &#34;Políticas educativas, autonomia e avaliação. Reflexões em torno da dialéctica do reajustamento   da justiça e da   modernização&#34;. <i>Revista Portuguesa de Educação</i>,   14 (2), pp. 155-178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098767&pid=S0003-2573201800020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ESTÊVÃO,   C. V. (2004), &#34;Justiça, direitos humanos e educação.   Uma análise das tendências da política educacional da actual coligação governativa em Portugal&#34;. In <i>Actas</i><i> do VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais</i>, pp. 1-18.   Disponível em <a href="http://www.ces.uc.pt/lab2004/inscricao/pdfs/painel54/Carlos_Estevao.pdf" target="_blank">http://www.ces.uc.pt/lab2004/inscricao/pdfs/painel54/Carlos_Estevao.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098769&pid=S0003-2573201800020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EURYDICE   (2015), <i>Assuring</i><i> Quality in Education: Policies and Approaches to School Evaluation in Europe</i>, Luxembourg, P. Office   E. Union.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098771&pid=S0003-2573201800020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (1975), <i>Vigiar e Punir. História da Violência nas Prisões</i>, Petrópolis,   Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098773&pid=S0003-2573201800020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GOFFMAN,   E. (1993), <i>A Apresentação do Eu na Vida de Todos os Dias</i>, Lisboa,   Relógio d&#39;Água.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098775&pid=S0003-2573201800020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HARDY,   I. (2015), &#34;Data, numbers and accountability: the complexity, nature and effects of data use in schools&#34;. <i>British Journal of Educational Studies</i>, 63 (4), pp. 467-486.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098777&pid=S0003-2573201800020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>HENDRICK,   H. (1990), &#34;Constructions and reconstructions of British childhood: an interpretative survey, 1800 to the present&#34;. <i>In</i> A. James   e A. Prout (eds.), <i>Constructing</i><i> and Reconstructing Childhood, Contemporary Issues in the Study of Childhood</i>, Londres, The Falmer Press, pp. 35-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098779&pid=S0003-2573201800020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOCHSCHILD,   A. (2008), &#34;Emotion work,   feeling rules and social structure&#34;. <i>In</i> M. Grecco, P. Stenner (eds.), <i>Emotions</i><i>, a Social Science Reader</i>, Londres, Routledge, pp. 121-126.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098781&pid=S0003-2573201800020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HUTCHISON,   K. (2012), &#34;A labour of love: mothers, emotional capital and homework&#34;. <i>Gender</i><i> and Education</i>, 24 (2), pp.   195-212.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098783&pid=S0003-2573201800020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JUSTINO, D. et al. (2014), <i>Atlas da Educação. Contextos   Sociais e Locais de Sucesso e Insucesso: Portugal 1991-2012</i>, Lisboa, CesNova.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098785&pid=S0003-2573201800020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LAHIRE,   B. (1997), <i>Les</i><i> manières d&#39;</i><i> </i><i>é</i><i>tudier</i>, Paris, La Documentation Française.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098787&pid=S0003-2573201800020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MATOS,   M. (2008), &#34;Jovens, alunos, ensino secundário – um mundo crescente de   contradições&#34;. <i>Educação, Sociedade &amp; Culturas</i>, 27, pp. 15-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098789&pid=S0003-2573201800020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MELO, M. B. P.   (2014), &#34;Como se   pode construir uma escola justa? Discursos da imprensa escrita de referência em   análise&#34;. <i>In</i> L. L. Torres e J. A. Palhares (org.), <i>Entre Mais e     Melhor Escola em Democracia: Inclusão e Excelência no Sistema Escolar Português</i>,   Lisboa, Mundos Sociais, pp. 93-116.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098791&pid=S0003-2573201800020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MELO, M. B., DIOGO, A. M. e FERREIRA, M. (2016), &#34;O regresso dos exames do 4.º ano: escola, crianças e dinâmicas familiares na blogosfera&#34;. <i>Sociologia, Problemas e Práticas</i>,   81, pp. 141-161.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098793&pid=S0003-2573201800020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NEVES,   T., PEREIRA, M. J., NATA, G. (2014), &#34;Head teachers&#39; perceptions of secondary school rankings: their nature, media coverage and impact on schools and the educational arena&#34;. <i>Education</i><i> as Change</i>,   18 (2), pp. 211-225.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098795&pid=S0003-2573201800020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NOELLE-NEUMANN,   E. (2002), &#34;Os efeitos dos meios de comunicação na pesquisa sobre os seus   efeitos&#34;. <i>In</i> J. P.   Esteves (ed.), <i>Comunicação e Sociedade – Os Efeitos Sociais dos Meios de     Comunicação de Massa</i>, Lisboa, Livros Horizonte, pp.151-159.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098797&pid=S0003-2573201800020000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>O&#39;BRIEN,   M. (2007), &#34;Mothers&#39; emotional care work in education and its moral imperative&#34;. <i>Gender</i><i> and Education</i>, 19 (2), pp.   159-178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098799&pid=S0003-2573201800020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>O&#39;BRIEN,   M. (2008), &#34;Gendered capital: Emotional capital and mothers&#39; care work in education&#34;. <i>British Journal of Sociology of Education</i>,   29 (2), pp. 137-148.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098801&pid=S0003-2573201800020000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PALHARES, J. A., TORRES, L. (2011), &#34;Governação da escola e excelência académica: as representações dos alunos distinguidos num quadro   de excelência&#34;. <i>Sociologia da Educação – Revista Luso-Brasileira</i>, 2 (4), pp. 54-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098803&pid=S0003-2573201800020000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PERRENOUD,   P. (1987), &#34;Le go-between:   entre sa famille et l&#39;école, l&#39;enfantmessager et message&#34;. <i>In</i> C. Montandon e P. Perrenoud (eds.), <i>Entre parents et enseignants: un dialogue impossible?</i>,   Berna, Peter Lang, pp. 49-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098805&pid=S0003-2573201800020000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PERRENOUD,   P. (1994), <i>Métier</i><i> d&#39;élèveet sens du travail scolaire</i>,   Paris, ESF Éditeur.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098807&pid=S0003-2573201800020000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>QUARESMA,   L. (2011), &#34;Entre o herdado, o vivido e o projetado. Estudo de caso sobre o   sucesso educativo em dois colégios privados frequentados pelas classes   dominantes&#34;. Tese de Doutoramento, Porto, FLUP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098809&pid=S0003-2573201800020000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>QUARESMA,   L., TORRES, L. (2017), &#34;Performatividade e distinções   escolares: tendências internacionais e especificidades do contexto português&#34;. <i>Análise     Social</i>, 224, LII (2), pp. 560-582.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098811&pid=S0003-2573201800020000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>QVORTRUP,   J. (2009), &#34;Childhood as a structural category&#34;. <i>In</i> J. Qvortrup,   W. Corsaro e M.-S. Honig (eds.), <i>The Palgrave Handbook of Childhood Studies</i>, Londres, Macmillan,   pp. 21-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098813&pid=S0003-2573201800020000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SÁ, V.   (2009), &#34;A (auto)avaliação das escolas: &#39;virtudes&#39; e   &#39;efeitos colaterais&#39;&#34;. <i>Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação</i>,   17 (62), pp. 87-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098815&pid=S0003-2573201800020000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SAPERAS,   E. (1993), <i>Os Efeitos Cognitivos da Comunicação de Massas</i>, Porto,   Edições ASA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098817&pid=S0003-2573201800020000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SELLAR,   S., LINGARD, B. (2014), &#34;The OECD and the expansion of PISA: new global modes of governance in education&#34;. <i>British Educational Research Journal</i>, 40 (6), pp. 917-936.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098819&pid=S0003-2573201800020000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TORRANCE,   H. (2011), &#34;Using assessment to drive the reform of schooling:   time to stop pursuing the chimera?&#34;. <i>British Journal of Educational Studies</i>, 59 (4), pp. 459-485.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098821&pid=S0003-2573201800020000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TORRES,   L. L., PALHARES, J. A. (eds.) (2014), <i>Entre Mais e     Melhor Escola em Democracia</i>, Lisboa, Mundos Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098823&pid=S0003-2573201800020000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TORRES,   L. L., QUARESMA, L. (2014), &#34;Configurações da distinção escolar nos planos nacional e   internacional&#34;. <i>In</i> B. P. Melo et al. (orgs.), <i>Entre Crise e Euforia: Práticas e     Políticas Educativas no Brasil e em Portugal</i>, Porto, FLUP, pp. 1105-1132.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098825&pid=S0003-2573201800020000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TRAQUINA,   N. (1993), <i>Jornalismo: Quest</i>ões, T<i>eorias e Estórias</i>, Lisboa,   Vega.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098827&pid=S0003-2573201800020000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VAN   ZANTEN, A. (2008), &#34;¿El fin de la meritocracia? Un análisis de los cambios recientes en las relaciones de la escuela con el sistema económico, político y social&#34;. <i>In</i> E. Tenti Fanfani (ed.), <i>Nuevos</i><i> tiempos y nuevos temas de la agenda de política educativa</i>, Buenos Aires, IIPE UNESCO/SXXI Editores, pp.   173-192.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098829&pid=S0003-2573201800020000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VIEIRA,   M. M. (2015), &#34;Pais desorientados? O apoio à escolha vocacional dos filhos em   contextos de incerteza&#34;. <i>In</i> M. M. Vieira (org.), <i>O Futuro em     Aberto</i>, Lisboa, Mundos Sociais, pp. 155-174.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098831&pid=S0003-2573201800020000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ZELIZER,   V. (1985), <i>Pricing</i><i> the Priceless Child</i>,   Princeton, Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098833&pid=S0003-2573201800020000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WOLF, M.   (1995), <i>Teorias da Comunicação</i>, Lisboa, Editorial Presença.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098835&pid=S0003-2573201800020000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 14-02-2017.   Aceite para publicação a 17-04-2018.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a>       Os exames de 12.º ano   começaram a ser realizados em 1995-1996; em 2004-2005 foram introduzidos os   exames nacionais do 9.º ano, sendo em 2012 que surgem os do 6.º ano e os do 4.º   ano.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>       Veja-se a implementação das Orientações Curriculares para a Educação   Pré-Escolar (1997 e 2016) em que algumas das principais justificações assentam,   precisamente, em preocupações com o insucesso escolar, a sequencialidade   educativa e a aprendizagem da literacia e numeracia.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a>       As autoras agradecem os   contributos dos avaliadores para o aperfeiçoamento deste artigo.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AFONSO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estratégias e percursos educacionais: das explicações às novas vantagens competitivas da classe média]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Neto-Mendes]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ventura]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Xplica Internacional: Panorâmica sobre o Mercado das Explicações]]></source>
<year>2013</year>
<page-range>167-188</page-range><publisher-loc><![CDATA[Aveiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de Aveiro]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AFONSO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Questões, objetos e perspetivas em avaliação]]></article-title>
<source><![CDATA[Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior]]></source>
<year>2014</year>
<volume>19</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>487-507</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ANTUNES]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SÁ]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Públicos Escolares e Regulação da Educação]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Vila Nova de Gaia ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Manuel Leão]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ARIÉS]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História da Criança e da Família]]></source>
<year>1978</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Zahar]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BALL]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Education policy, power relations and teachers’swork]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Educational Studies]]></source>
<year>1993</year>
<volume>41</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>106-121</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BALL]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Performativities and fabrications in the education economy: towards the performative society?]]></article-title>
<source><![CDATA[Australian Educational Researcher]]></source>
<year>2000</year>
<volume>27</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>1-23</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BALL]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The teacher’s soul and the terrors of performativity]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Education Policy]]></source>
<year>2003</year>
<volume>18</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>215-228</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BERGER]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LUCKMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Social Construction of Reality: a Treatise in the Sociology of Knowledge]]></source>
<year>1966</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Penguin Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOURDIEU]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PASSERON]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.-C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Reprodução: Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Vega]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOURDIEU]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sobre a Televisão]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oeiras ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Celta Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BROWN]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The ‘third wave’: education and the ideology of parentocracy]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Sociology of Education]]></source>
<year>1990</year>
<volume>11</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>65-85</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>CNE</collab>
<source><![CDATA[Relatório Técnico: Avaliação das Aprendizagens dos Alunos no Ensino Básico]]></source>
<year>2016</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CNE]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CORSARO]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociology of Childhood]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Pine Forge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DIOGO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[FERREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MELO]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Exames para que te quero?&#8230;]]></article-title>
<source><![CDATA[Barómetro Social]]></source>
<year>2016</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DURKHEIM]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociedade, Educação e Moral]]></source>
<year>1984</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rés Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ESTÊVÃO]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Políticas educativas, autonomia e avaliação: Reflexões em torno da dialéctica do reajustamento da justiça e da modernização]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></source>
<year>2001</year>
<volume>14</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>155-178</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ESTÊVÃO]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Justiça, direitos humanos e educação: Uma análise das tendências da política educacional da actual coligação governativa em Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[Actas do VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais]]></source>
<year>2004</year>
<page-range>1-18</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>EURYDICE</collab>
<source><![CDATA[Assuring Quality in Education: Policies and Approaches to School Evaluation in Europe]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Luxembourg ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[P. Office E. Union]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vigiar e Punir: História da Violência nas Prisões]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GOFFMAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Apresentação do Eu na Vida de Todos os Dias]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Relógio d’Água]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HARDY]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Data, numbers and accountability: the complexity, nature and effects of data use in schools]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Educational Studies]]></source>
<year>2015</year>
<volume>63</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>467-486</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HENDRICK]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Constructions and reconstructions of British childhood: an interpretative survey, 1800 to the present]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[James]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Prout]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Constructing and Reconstructing Childhood, Contemporary Issues in the Study of Childhood]]></source>
<year>1990</year>
<page-range>35-96</page-range><publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The Falmer Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HOCHSCHILD]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Emotion work, feeling rules and social structure]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Grecco]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stenner]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Emotions, a Social Science Reader]]></source>
<year>2008</year>
<page-range>121-126</page-range><publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HUTCHISON]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A labour of love: mothers, emotional capital and homework]]></article-title>
<source><![CDATA[Gender and Education]]></source>
<year>2012</year>
<volume>24</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>195-212</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JUSTINO]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Atlas da Educação: Contextos Sociais e Locais de Sucesso e Insucesso: Portugal 1991-2012]]></source>
<year>2014</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CesNova]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LAHIRE]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Les manières d’ étudier]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[La Documentation Française]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MATOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Jovens, alunos, ensino secundário: um mundo crescente de contradições]]></article-title>
<source><![CDATA[Educação, Sociedade & Culturas]]></source>
<year>2008</year>
<volume>27</volume>
<page-range>15-26</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MELO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. B. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Como se pode construir uma escola justa?: Discursos da imprensa escrita de referência em análise]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Torres]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Palhares]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entre Mais e Melhor Escola em Democracia: Inclusão e Excelência no Sistema Escolar Português]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>93-116</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mundos Sociais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MELO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[DIOGO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[FERREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O regresso dos exames do 4.º ano: escola, crianças e dinâmicas familiares na blogosfera]]></article-title>
<source><![CDATA[Sociologia, Problemas e Práticas]]></source>
<year>2016</year>
<volume>81</volume>
<page-range>141-161</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NEVES]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[NATA]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Head teachers’ perceptions of secondary school rankings: their nature, media coverage and impact on schools and the educational arena]]></article-title>
<source><![CDATA[Education as Change]]></source>
<year>2014</year>
<volume>18</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>211-225</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NOELLE-NEUMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os efeitos dos meios de comunicação na pesquisa sobre os seus efeitos]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Esteves]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comunicação e Sociedade: Os Efeitos Sociais dos Meios de Comunicação de Massa]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>151-159</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livros Horizonte]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[O’BRIEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Mothers’ emotional care work in education and its moral imperative]]></article-title>
<source><![CDATA[Gender and Education]]></source>
<year>2007</year>
<volume>19</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>159-178</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[O’BRIEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Gendered capital: Emotional capital and mothers’ care work in education]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Sociology of Education]]></source>
<year>2008</year>
<volume>29</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>137-148</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PALHARES]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[TORRES]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Governação da escola e excelência académica: as representações dos alunos distinguidos num quadro de excelência]]></article-title>
<source><![CDATA[Sociologia da Educação - Revista Luso-Brasileira]]></source>
<year>2011</year>
<volume>2</volume><volume>4</volume>
<page-range>54-75</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PERRENOUD]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Le go-between: entre sa famille et l’école, l’enfantmessager et message]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Montandon]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Perrenoud]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entre parents et enseignants: un dialogue impossible?]]></source>
<year>1987</year>
<page-range>49-87</page-range><publisher-loc><![CDATA[Berna ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Peter Lang]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PERRENOUD]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Métier d’élèveet sens du travail scolaire]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ESF Éditeur]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[QUARESMA]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entre o herdado, o vivido e o projetado: Estudo de caso sobre o sucesso educativo em dois colégios privados frequentados pelas classes dominantes]]></source>
<year>2011</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[QUARESMA]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[TORRES]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Performatividade e distinções escolares: tendências internacionais e especificidades do contexto português]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>2017</year>
<volume>LII</volume>
<numero>224</numero>
<issue>224</issue>
<page-range>560-582</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[QVORTRUP]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Childhood as a structural category]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Qvortrup]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Corsaro]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Honig]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.-S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Palgrave Handbook of Childhood Studies]]></source>
<year>2009</year>
<page-range>21-23</page-range><publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SÁ]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A (auto)avaliação das escolas: ‘virtudes’ e ‘efeitos colaterais’]]></article-title>
<source><![CDATA[Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação]]></source>
<year>2009</year>
<volume>17</volume>
<numero>62</numero>
<issue>62</issue>
<page-range>87-108</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B41">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SAPERAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Efeitos Cognitivos da Comunicação de Massas]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições ASA]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B42">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SELLAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LINGARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The OECD and the expansion of PISA: new global modes of governance in education]]></article-title>
<source><![CDATA[British Educational Research Journal]]></source>
<year>2014</year>
<volume>40</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>917-936</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B43">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TORRANCE]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Using assessment to drive the reform of schooling: time to stop pursuing the chimera?]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Educational Studies]]></source>
<year>2011</year>
<volume>59</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>459-485</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B44">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TORRES]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PALHARES]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entre Mais e Melhor Escola em Democracia]]></source>
<year>2014</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mundos Sociais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B45">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TORRES]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[QUARESMA]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Configurações da distinção escolar nos planos nacional e internacional]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Melo]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entre Crise e Euforia: Práticas e Políticas Educativas no Brasil e em Portugal]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>1105-1132</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FLUP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B46">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TRAQUINA]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Jornalismo: Questões, Teorias e Estórias]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vega]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B47">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VAN ZANTEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[¿El fin de la meritocracia?: Un análisis de los cambios recientes en las relaciones de la escuela con el sistema económico, político y social]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Fanfani]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. Tenti]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Nuevos tiempos y nuevos temas de la agenda de política educativa]]></source>
<year>2008</year>
<page-range>173-192</page-range><publisher-loc><![CDATA[Buenos Aires ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[IIPE UNESCOSXXI Editores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B48">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VIEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pais desorientados?: O apoio à escolha vocacional dos filhos em contextos de incerteza]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Vieira]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Futuro em Aberto]]></source>
<year>2015</year>
<page-range>155-174</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mundos Sociais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B49">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ZELIZER]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pricing the Priceless Child]]></source>
<year>1985</year>
<publisher-loc><![CDATA[Princeton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B50">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WOLF]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Teorias da Comunicação]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Presença]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
