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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A cor da mestiçagem: o pardo e a produção de subjetividades negras no Brasil contemporâneo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper problematizes the positions occupied by color/race in Brazilian ethnic-racial dynamics and relates them with the black subjectivity process in Brazil. After an historiographical analysis of the XIX and XX centuries and of black women’s narratives posted on the blog Blogueiras Negras, we highlighted a change in the use of the word pardo. Working with some of the tool-concepts of Michel Foucault, we show that the changes identified interfere in the production of black subjectivity and are important for rethinking contemporaneous education.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>A cor da   mestiçagem: o pardo e a produção de subjetividades negras no Brasil contemporâneo</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The coloring: colored and the production of black subjectivities in contemporaneous Brazil.</b></font></p>     <p><b>Viviane Inês   Weschenfelder*, Mozart Linhares da   Silva**</b></p>     <p>*Universidade do Vale do Rio dos Sinos &ndash; UNISINOS.&#8196;Avenida Unisinos, 950, Cristo Rei, S&atilde;o Leopoldo - CEP   93020-190, RS, Brasil. <a href="mailto:vivianeweschenfelder@gmail.com">vivianeweschenfelder@gmail.com</a></p>     <p>**Departamento de Hist&oacute;ria, Universidade de Santa Cruz do Sul.&#8196;Avenida Independ&ecirc;ncia, 2293, Universit&aacute;rio, Santa Cruz do Sul - CEP 96815-900, RS, Brasil. <a href="mailto:mozartt@terra.com.br">mozartt@terra.com.br</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A   cor da mestiçagem: o pardo e a produção de subjetividades negras no brasil contemporâneo. O texto   problematiza as posições ocupadas pela cor/raça parda na dinâmica étnico-racial   brasileira e relaciona-as com os processos de subjetivação do sujeito negro no   Brasil. A partir das análises da produção historiográfica dos séculos XIX e XX   e das narrativas de mulheres negras publicadas no <i>blog Blogueiras Negras</i>,   evidencia-se um deslocamento nos usos do termo pardo e uma mudança de ênfase do   dispositivo da mestiçagem para o dispositivo da negritude. Operando com alguns   conceitos-ferramenta de Michel Foucault, os resultados mostram que essas mudanças   interferem na produção de subjetividades negras e são importantes para pensar a   educação contemporânea.</p>     <p>PALAVRAS-CHAVE: pardo; sujeito negro;   biopolítica; processos de subjetivação.</p>   <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper problematizes the positions   occupied by color/race in Brazilian ethnic-racial dynamics and relates them   with the black subjectivity process in Brazil. After an historiographical analysis of the XIX and XX centuries and of black women&#39;s   narratives posted on the blog <i>Blogueiras</i><i> Negras</i>, we highlighted a change in the use of the word <i>pardo</i>. Working with some of the tool-concepts of   Michel Foucault, we show that the changes identified interfere in the   production of black subjectivity and are important for rethinking   contemporaneous education.</p>     <p>KEYWORDS:   colored; black subject; biopolitics; subjectivity   process.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que   lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham   todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os   arcos. E eles os pousaram. [&#8230;] A feição deles é serem pardos, maneira de   avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos [Carta de Pero Vaz de Caminha, 1500].</p>     <p>NEM PRETO, NEM BRANCO:   UMA CATEGORIA NÃO-POLAR</p>     <p>Desde os primeiros   registos escritos que constituem a história do Brasil, as questões que envolvem   a cor da pele sempre tiveram relevância. Tanto nos modos de descrever os grupos   humanos quanto nas formas de produzir diferença sobre eles e hierarquizá-los,   boa parte das narrativas que compõem a historiografia brasileira estão   atravessadas pela cor e pelas diferentes perceções que ela vem recebendo ao   longo do tempo.<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a> Numa perspetiva genealógica de análise, de acordo com o filósofo   Michel Foucault, as práticas são compostas por técnicas semelhantes, mas com um <i>télos</i><a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a> distinto. Desse modo, entendemos que a cor parda, hoje nomeada pelo   Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE como uma categoria de   cor e raça, pode ser posicionada na centralidade desse debate. Na Carta de Pero   Vaz de Caminha, o termo pardo era utilizado para caracterizar os nativos do   continente americano. Esse é apenas um exemplo de uso do termo e, como podemos   ver a seguir, os significados também se alteraram.</p>     <p>Segundo o padre Rafael Bluteau, autor do <i>Vocabulário   Portuguez &amp; Latino</i>, publicado em 1720, pardo significa a &#34;cor entre   branco e preto, própria do pardal, de onde parece ter vindo o nome&#34;. Constam   ainda alguns adágios portugueses que ilustram o pardo como cor escura: &#34;maio   pardo, junho claro&#34;, &#34;de noite todos os gatos são pardos&#34; (Bluteau, vol. 6,   1720, p. 265). Na edição de 1789, atualizada por António Morais da Silva e   renomeada como <i>Diccionario da língua portuguesa</i>, acrescenta-se além da   designação &#34;cor entre branco e preto, como a do pardal&#34;, &#34;homem pardo, mulato&#34;   (1789, pp. 159). O <i>Dicionário da Língua Brasileira</i> de 1832, publicado   por Luiz Maria da Silva Pinto, designa o adjetivo pardo como de &#34;cor entre   branco e preto, mulato&#34; e o substantivo pardo como o &#34;macho da onça ou   leopardo&#34; (Pinto, 1832, pp. 788).    <p>   Já o <i>Diccionário da Língua Portugueza</i>, de 1783, de Bernardo Baccelar,   aponta somente &#34;animal cinzento&#34; (1783, pp. 464). Destaca-se a associação do   pardo com o mulato tanto no <i>Dicionário</i> de 1789 quanto no de 1832. Para o   verbete &#34;mulato&#34;, o padre Bluteau, chama a atenção para o canto 10, oitava 100,   de Camões, onde consta a seguinte passagem:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>todas da gente vaga, e baça, donde diz, quiere dezir, que la gente dessas   partes es de color ni branca, ni negra, que em Portugal llamamos pardo, o   amulatado, porque se llaman mulatos los hijos de negro y blanco, a los quales   de essa mescla de padres que da esse color dudoso, o neutral entre los dos   malistimo sin duia , porque hasta alli sea malo, el ser neutral, cosa   aborrecible [Bluteau, v. 5, 1720, pp. 628].</p>     <p>Nem preto, nem branco, de cor duvidosa: esse é um   dos sentidos atribuídos ao pardo. Já para o verbete mulato, Bernardo Baccelar   afirma apenas: &#34;de cor enegrecida&#34; (1783, p. 447). Em 1832, Luiz Maria da Silva   Pinto relaciona mulato com pardo. Assim, os &#34;verbetes&#34; apresentados pelos   dicionários mostram que os termos pardo e mulato possuem sentidos similares e   que ambos se referem ao meio termo, a uma cor mista entre o preto e o branco. A   indefinição do pardo constituiu sobre essa cor/raça uma posição de entre-lugar.   Para Bhabha (2007, p. 20), &#34;esses &#39;entre-lugares&#39; fornecem o terreno para a   elaboração de estratégias de subjetivação – singular ou coletiva – que dão   início a novos signos de identidade e postos inovadores de colaboração e   contestação&#34;. O pardo marca a passagem de um oposto ao outro e ao mesmo tempo   borra qualquer noção de fronteira. Para fins estatísticos, o pardo é uma cor   que resulta do cruzamento entre as raças/etnias brancas e negras: é o símbolo   da mestiçagem. Mas os seus usos sugerem a necessidade de ir além desse   entendimento.</p>     <p>Este texto objetiva problematizar os   deslocamentos que o termo pardo assume na dinâmica étnico-racial brasileira.<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a> Na medida em que surge no país a noção de população, o pardo adquire   uma dimensão biopolítica e torna-se elemento central na questão da mestiçagem.   Entendida como a principal característica brasileira, durante boa parte do   século XX, a mestiçagem funciona como uma engrenagem que produz verdades e   formas de condução da população. Chamaremos à engrenagem   dispositivo. A partir do final da década de 1970, no entanto, um   conjunto de mudanças políticas e sociais tem descontruído o dispositivo da   mestiçagem e tentado produzir outro conjunto de práticas, que correspondem ao   que nomeamos como o dispositivo da negritude. A gestão biopolítica da população   no Brasil contemporâneo tem produzido outras subjetividades nos sujeitos que se   autodefinem como negros, o que pode ser evidenciado através das narrativas de   mulheres negras que escrevem e publicam textos em um <i>blog</i> intitulado <i>Blogueiras     Negras</i>.</p>     <p>Com essa análise,   pretendemos contribuir para os estudos que procuram compreender as relações que   se estabelecem no interior das questões étnico-raciais brasileiras,   especialmente no campo da educação. Distanciamo-nos de qualquer tentativa de   interpretação que dê conta de uma suposta totalidade da história racial no   Brasil. Nesse viés, damos as costas para as estruturas binárias que procuram   criar fronteiras entre o branco e o negro, mas ao mesmo tempo entendendo que   elas estão postas e são culturalmente produzidas. Do mesmo modo, o pardo (ou o   moreno e o mulato) para nós está longe de ser uma categoria essencializada. O   nosso objetivo é, justamente, mostrar o quanto ela é cambiante e politicamente   interessante para diferentes finalidades, o que contribui para a produção de   subjetividades nos sujeitos afrodescendentes. Como mostra Barros (2009, p. 51),   &#34;a &#39;construção social da cor&#39; deu-se e se dá de modo tão particularmente   intenso no mundo moderno que todos – &#39;negros&#39; e &#39;brancos&#39;, ou outras cores que   se queira acrescentar – aprendem de um modo ou de outro a enxergar o mundo a   partir desta e de outras diferenciações&#34;.</p>     <p>Em uma breve   esquematização, podemos afirmar que o termo pardo é empregado em três momentos   distintos, todos eles com finalidades diferentes:</p>     <p>1.    Segundo   a pesquisa realizada por Mattos (2013, p. 41), &#34;a cor era informação sempre   presente até meados do século XIX&#34; e todos os nascidos livres eram qualificados   como brancos ou pardos. Assim, &#34;a designação de &#39;pardo&#39; era usada, antes, como   forma de registrar uma diferenciação social&#34; (Mattos, 2013, pp. 42). O trabalho   de Viana (2007) vai ao encontro dessa constatação. No seu estudo sobre a   mestiçagem nas irmandades de pardos no período colonial, Viana (2007, p. 36)   mostra que no século XIX a categoria parda era utilizada &#34;para qualificar   homens e mulheres livres de ascendência africana que já estavam relativamente   distanciados do mundo da escravidão, mas não eram necessariamente mestiços&#34;.   Assim, nesse primeiro momento, o pardo aparece como um distanciamento da   escravidão, pois definir-se ou ser definido como pardo evidencia uma relação   com a liberdade. É importante destacar, ainda, que a descrição do sujeito como   pardo o associa a uma condição social, mas não o racializa;</p>     <p>2.    Desde   os primeiros recenseamentos, no final do século XIX, as   categorias moreno e pardo correspondem a significativa parcela da   população. Na medida em que a discussão da mestiçagem passa a receber   importância para a construção da ideia de nação brasileira, esses índices são   utilizados tanto para comprovar o comprometimento da raça, quanto para   enaltecer a mestiçagem como identidade nacional, resultando na crença da   democracia racial;</p>     <p>3.    A   rearticulação do movimento negro, no final da década de 1970, será um dos   elementos responsáveis pela contestação dessa suposta democracia, bem como os   altos índices de pardos presentes nos censos serão justificados pela ausência   de uma narrativa que reconheça a importância do negro para o Brasil. Dos anos   1980 até hoje, vemos a intensificação desse movimento de desconstrução do mito   e o deslocamento da categoria cor/raça parda, que agora em conjunto com os   autodeclarados pretos, passa a ser nomeada como população negra.</p>     <p>Destes três momentos acima descritos, nos   deteremos nos últimos dois movimentos. Além da impossibilidade de &#34;dar conta&#34;   destes deslocamentos, entendemos que o segundo e o terceiro momento estão   intimamente imbricados, tanto no que se refere à compreensão da dinâmica   étnico-racial, quanto aos processos de subjetivação que elas produzem no   sujeito negro.<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a> Na perspetiva teórico-metodológica em que nos movimentamos,   compreendemos que os significados implicados em dar cor aos homens são   constituídos por regimes de verdade. Estes significados estão postos na   epistemologização da raça e do corpo-espécie da população. É, portanto, no   campo da biopolítica que situamos esta reflexão. Segundo Foucault (2002), a   partir da segunda metade do século XVIII irá emergir uma nova tecnologia de   poder, que ele nomeou de biopolítica. Diferente da tecnologia disciplinar, que   age sobre o corpo e produz efeitos individualizantes,   a tecnologia de poder biopolítico, ou o biopoder, é centrada na vida, &#34;se   dirige à multiplicidade dos homens&#34;, uma massa global que será chamada de   população. &#34;A biopolítica lida com a população, a população como problema   político, como problema a um só tempo científico e político, como problema   biológico e como problema de poder&#34; (Foucault, 2002, pp. 292-293).</p>     <p>Deste modo, é a vida que entra no cálculo do   poder, a sua manifestação biológica enquanto espécie que compõe um <i>corpus </i>que   suscita intervenção<i>, </i>gestão e normalização. E este é o contexto, entre   os séculos XVIII e XIX, em que o Estado passa a lançar mão das   recém-descobertas &#34;tecnologias de distância&#34; (Senra, 2006, p. 30), ou melhor,   da &#34;ciência do Estado&#34;, a estatística (Rabinow, 1999, p. 40). A população que   neste contexto já se adensava, sobretudo no meio urbano, deixa de ser uma massa   turva e imprevisível e passa a ser mensurada e gestada nos mais variados aspetos. Durante o século XIX, os mecanismos de controlo   sobre a população passam a ser cada vez mais refinados, à medida que as   descobertas científicas oferecem ao Estado possibilidades de melhor conduzir,   ao mesmo tempo, a todos e a cada um. Articulam-se, portanto, o poder   disciplinar e o poder biopolítico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Acompanhando a história dos censos no Brasil,   destaca-se um fenómeno interessante para problematizarmos o significado   biopolítico da população brasileira, sobretudo se considerarmos o quanto é   recente esta ideia de população e o quanto é, da mesma   forma recente, a racionalidade governamental que a constitui como corpo-espécie   da nação: trata-se da categoria pardo. Ela aparece já no censo de 1872,   desaparece do censo de 1890, sendo substituída pela categoria mestiço e   ressurge para não mais desaparecer no censo de 1940. Em todos os censos em que   o pardo foi considerado, ele figura com número expressivo, ainda que seja   notável o seu crescimento substancial entre 1940 e 2010. Em 1940, os pardos   correspondiam a 21,2% da população e, em 2010, 43,1%. Considerando que pardo   não é uma designação racial ou étnica, mas remete para a cor ou para o que se   pretende como uma cor, ainda que indefinida, não deixa de ser interessante   perceber como ele se constitui como central quando nos propomos pensar a   constituição do corpo-espécie da população nacional.</p>     <p>Os dados sobre a classificação racial da   população evidenciam os desdobramentos de um sistema articulado de saberes e   estratégias políticas, ou melhor, estratégias biopolíticas, que fazem da   mestiçagem um dispositivo. É sobre essa questão que a próxima secção irá   tratar.</p>     <p>DISPOSITIVO DA   MESTIÇAGEM E &#34;PARDIFICAÇÃO&#34; SOCIAL</p>     <p>Embora seja amplamente   utilizado, o conceito de dispositivo é complexo e exige definições. Para   Foucault (2000, pp. 244) o dispositivo é &#34;um conjunto decididamente heterogéneo   que engloba discursos, instituições, organizações arquitetónicas, decisões   regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos,   proposições filosóficas, morais, filantrópicas&#34;. Estão presentes no dispositivo   as relações de saber, de poder e as formas de subjetivação que conformam as   práticas discursivas e os sujeitos nelas relacionados. Deleuze (1990, p. 155)   auxilia-nos nesse entendimento:</p>     <p>Em primeiro lugar, é uma espécie de novelo ou   meada, um conjunto multilinear. É composto por linhas de natureza diferente e   essas linhas do dispositivo não abarcam nem delimitam sistemas homogêneos por   sua própria conta (o objeto, o sujeito, a linguagem), mas seguem direções   diferentes, formam processos sempre em desequilíbrio, e essas linhas tanto se   aproximam como se afastam uma das outras. [&#8230;] Os objetos visíveis, as   enunciações formuláveis, as forças em exercício, os sujeitos numa determinada   posição, são como que vetores ou tensores.</p>     <p>A mestiçagem, mais do que um fenómeno atinente a   misturas raciais, remete-nos para uma alargada meada discursiva que instituiu   uma forma de perceber e organizar o mundo social brasileiro. É preciso entender   a mestiçagem como uma racionalidade, uma potência, um fenómeno que podemos   historicizar e compreender os seus efeitos. É a mestiçagem que organiza o mundo   étnico-racial do país, com desdobramentos decisivos na maneira como a sociedade   se institucionaliza, sobretudo a partir dos anos 1930, quando, seguindo a   indicação de Gadelha (2009), se pode observar com mais clareza a construção de   estratégias biopolíticas do Estado brasileiro. Desse modo, é preciso   compreender este processo de construção da mestiçagem enquanto dispositivo de   estratégias biopolíticas no Brasil e como ela foi pensada e traduzida   politicamente a partir da &#34;epistemologização da raça&#34;.</p>     <p>A &#34;invenção&#34; da raça do ponto de vista moderno é   contemporânea à &#34;invenção&#34; do Estado-nação. Estas são, na realidade,   construções imbricadas. Um dos grandes princípios norteadores da construção da   nação foi a ideia de que a cada Estado cabia uma   nação, ou melhor, uma população entendida em sua uniformidade, homogeneidade e   previsibilidade. A invenção da raça do ponto de vista científico permitiu que a   nação pudesse ser pensada enquanto formada por um corpo-espécie. A entrada da   vida humana no cálculo do poder, portanto, torna a raça, ou melhor, o racismo,   uma política, ou ainda, uma biopolítica de Estado.</p>     <p>Para Foucault,</p>     <p>foi nesse momento que o racismo se inseriu como mecanismo fundamental do poder, tal   como se exerce nos Estados modernos, e que faz com que quase não haja   funcionamento moderno do Estado que, em certo momento, em certo limite e em   certas condições, não passe pelo racismo [Foucault, 2002, p. 304].</p>     <p>O racismo será o &#34;método&#34; da defasagem, no   interior da população, de alguns grupos em relação a outros, ou seja, de   separar, classificar, inferiorizar e hierarquizar o corpo-espécie da população   (Foucault, 2002). Deste modo, a construção da nação moderna é tributária desta   introdução do racismo como mecanismo do poder e não será outro o sentido do   discurso racial do século XIX que não seja a busca pela homogeneização e   especialização ou melhoramento do corpo-espécie da população nacional. Este é,   vale notar, o sentido da própria eugenia, termo cunhado por Francis Galton, em   1869, baseado nas teses de Charles Darwin (seu primo).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os teóricos racialistas do século XIX não se   cansaram de apontar o risco da miscigenação, considerada degenerativa e   perniciosa para a eugenia da raça nacional. Dentre os muitos naturalistas, cientistas   e filósofos que se manifestaram neste sentido destacamos o conde Joseph Arthur de Gobineau (1816-1882), autor do famoso <i>Ensaio sobre     a desigualdade das raças humanas </i>(1858), cujas opiniões sobre o Brasil são   bem conhecidas. Gobineau, por ocasião da sua estada no Brasil como embaixador   francês, tornou-se amigo de D. Pedro II,    <p>   com quem se correspondeu até o final da vida. As suas impressões sobre a   experiência no Brasil são, no entanto, desalentadoras. Em artigo publicado no <i>Le     Correpondant</i>, em 1873, intitulado <i>L&#39;</i><i> emigration       au Brésil</i>, o conde afirmou que a miscigenação levaria   à destruição da população brasileira num período de 270 anos (Gobineau, 1996,   pp. 85). A opinião de Gobineau não era isolada, e sim traduzia, de certo modo,   o imaginário europeu e norte-americano oitocentista, que percebia a   miscigenação como algo pavoroso (Skidmore, 2012, p. 98).</p>     <p>Entre os intelectuais e cientistas brasileiros do   século XIX e início do século XX, opiniões pessimistas sobre o devir da nação   não foram raras. A geração do médico e prócere da Escola de Medicina da Bahia,   Raimundo Nina Rodrigues (1862-1906), do crítico literário Sílvio Romero   (1851-1914) e do ensaísta Euclides da Cunha (1866-1909), enfrentou o &#34;problema&#34;   da miscigenação para a civilização brasileira. Romero fez parte da chamada   geração de 1870, responsável, de certo modo, pela receção e tradução das   teorias positivista, evolucionista e darwinista no Brasil. Romero lutou na sua   obra por uma autenticidade da cultura brasileira e neste processo a mestiçagem   não poderia ser contornada. É conhecida a sua afirmação, na introdução de <i>História     da Literatura Brasileira</i>, de 1888: &#34;todo brasileiro é um mestiço, quando   não no sangue, nas idéias&#34;. Para Souza (2004), esta afirmação indicava o quanto a miscigenação fora fundamental nas reflexões de   Romeiro e marcaria o conjunto da sua obra. Contudo, o que Romero avaliava como   positivo na miscigenação era, maioritariamente, a possibilidade que ela   aventava para o branqueamento do país. Perspetiva essa que já não fazia sentido   para o sergipano no final da sua vida, tendo afirmado que o branqueamento seria   &#34;viável apenas no século XXIV&#34; (Skidmore, 2012, p. 100).</p>     <p>Nina Rodrigues, introdutor das ideias do   antropólogo Cesare Lombroso, nome mais importante da Escola de Antropologia   Criminal italiana, construiu uma visão pessimista sobre os mestiços   brasileiros. No livro <i>As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brazil,</i> Rodrigues (1894) chega a propor que o Brasil tenha mais do que um Código Penal   em função das diferenças morais entre as raças que compunham a população   nacional. Nesta obra, Nina faz largo uso de Herbert Spencer, de quem retira a   seguinte afirmação sobre os males da miscigenação: &#34;a mistura entre raças de   homens muito dessemelhantes parece produzir um typo mental sem valor, que não   serve nem para o modo de viver da raça superior, nem para o da raça inferior,   que não presta emfim para genero algum de vida&#34; (Rodrigues, 1894, p. 133). O   autor de <i>Os Sertões</i> (1902), Euclides da Cunha, também deixou impressões profundamente   racistas sobre o mestiço brasileiro.</p>     <p>Nos anos 1910, a miscigenação ganha um novo campo   de tensionamentos em meio às discussões sobre o devir da nação. Este é um   contexto de adensamento do debate sobre o corpo espécie da população onde   encontraremos uma pluralidade de ideias e posturas que transitaram pelo   racismo, sanitarismo, eugenia e culturalismo. A população é algo novo no   imaginário nacional do início do século XX. Na realidade, ela é suscitada por   um conjunto de fatores, entre eles a descoberta do sertão e do sertanejo. <i>Os     Sertões</i> de Euclides da Cunha e a publicação da <i>Viagem Científica pelo       norte da Bahia, sudoeste de Pernambuco, Sul do Piauí e de Norte a Sul de Goiás</i>,   dos médicos Artur Neiva e Belisário Pena (1999 [1916]) tiveram papel significativo   nesta descoberta da população. À sua maneira, estas obras colocaram o problema   da população na agenda intelectual e política do país. Destacam-se, ainda, as   missões científicas de Oswaldo Cruz (1912-1917), do Marechal Rondon (1915) e de   Roquette-Pinto (1920), que alimentavam o movimento pelo sanitarismo deste   &#34;imenso hospital&#34;, conforme expressão do médico da Faculdade de Medicina do Rio   de Janeiro, Miguel Pereira. Segundo Ponte:</p>     <p>Os sanitaristas trouxeram de suas expedições uma   visão de nossos sertões diversa da que prevalecera até então, romântica e   ufanista. O retrato do Brasil era pintado com pinceladas fortes e mostrava um   povo doente e analfabeto, abandonado pelo Estado e entregue à própria sorte   [Ponte, 2010, p. 76].</p>     <p>Ao lado das posições adotadas pelo movimento   sanitarista, que tendiam a ver no problema brasileiro uma questão de saúde   pública e não de inferioridade racial, somam-se posturas claramente eugenistas,   como as defendidas por Renato Kehl, o fundador, em 1918, da <i>Sociedade Eugênica     de São Paulo</i>, a primeira da América Latina. A partir de palestras, livros e   revistas, como é o caso da <i>Revista Annaes de Eugenia</i>, publicada por   Monteiro Lobato a partir de 1919 e do <i>Boletim de Eugenia</i>, publicado   entre 1929 e 1933 sob coordenação de Renato Kehl, a   eugenia difundiu-se entre intelectuais, cientistas e sociedade em geral. O   movimento eugenista, em seu primeiro momento, entre a primeira tese defendida   sobre e<i>ugenia</i> na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, da autoria de   Alexandre Tepedino, em 1914, até a década de 1920, foi muito próximo do   sanitarismo, chegando mesmo a confundir-se com ele. A partir do final dos anos   1920, entretanto, o movimento aproxima-se do mendelianismo<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a> e passa a uma postura mais radical e racista.</p>     <p>A partir da ascensão do governo nacionalista de   Getúlio Vargas, em 1930, as questões relacionadas com a população e a raça   passam a ter um lugar privilegiado na agenda do governo. Já em 1931 é criada a <i>Comissão     Central Brasileira de Eugenia</i>, sob direção de   Renato Kehl. Ao Ministério da Educação e Saúde Pública, criado no primeiro ano   do governo, acresce-se, em 1931, a <i>Diretoria Geral de Informações</i>, <i>Estatística     e Divulgação</i>, renomeada em 1939 como <i>Serviço de Estatística da Educação       e Saúde</i> (SEES), comandada pelo nacionalista Teixeira de Freitas que, em   1936, encabeçou a fundação do <i>Instituto Nacional de Estatística</i>,   transformado em 1938 no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).   Educação e saúde, os dois pilares das discussões sobre os destinos da nação, ou   melhor, do corpo-espécie da nação, são unificados no mesmo ministério e tem nas   instituições de pesquisa estatística uma nova racionalidade para a gestão. A   estatística, ou ciência do Estado, foi estratégica para a biopolítica, pois não   apenas permite o conhecimento da população, a sua composição, a saúde,   morbidade, óbitos, raças, etc, como permite o planeamento de políticas que a   conduzem e a moldam. A população é entendida agora, de acordo com Branco (2015,   p. 102), como o &#34;conjunto dos indivíduos submetidos às técnicas de biopoder&#34;.</p>     <p>Compreender como a miscigenação se institui como   um dispositivo fundamental na biopolítica do Estado implica em olhar para o   processo de construção das condições de possibilidade para que a população   pudesse ser incluída nos cálculos do poder. Como vimos acima, o imaginário   sobre a miscigenação não era nada favorável ao devir da nação brasileira, pelo   menos até a primeira década do século XX. No entanto, a partir desta década, um   novo elemento deverá ser considerado nos debates sobre a miscigenação: trata-se   da positivação da miscigenação enquanto mecanismo de branqueamento da   população. Sonho antigo, aventado por muitos, mas nada sistematizado, o   branqueamento enquanto projeto de nação encontra a partir da célebre   conferência do diretor do Museu Nacional, Batista de Lacerda, realizado em   Londres, em 1911, recebendo <i>status</i> de discurso oficial. A ideia era   heterodoxa e invertia o que até então estava em voga no meio científico.   Apostava-se na superioridade do sangue branco nos processos de cruzamento   racial com a raça inferior, o que deveria levar ao gradual branqueamento da   população. Lacerda (1912) previa que em 100 anos o Brasil estaria branco e livre dos negros e índios que, segundo seus   cálculos, ao fim deste período já deveriam ter desaparecido.</p>     <p>A ideia de branqueamento ofereceu à miscigenação   a sua redenção, e se o branqueamento da população era possível pela via da   mestiçagem, soma-se a ele a imigração de tipos eugénicos para irrigar o   corpo-espécie de pele alva e, ainda, potencializar as misturas com tipos   europeus, considerados desde sempre superiores (Koifman, 2012). Skidmore mostra   que mesmo considerando a diversidade de posturas sobre a questão racial entre   as elites daquela época, uma perspetiva era comum a &#34;todos&#34;, &#34;o desejo básico   de ver a população embranquecendo&#34; (Skidmore, 2012, pp. 271).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A miscigenação terá,   ainda, outro contorno político, que será o elemento central do chamado &#34;mito&#34;   ou &#34;ideologia&#34; da democracia racial, instituindo-se a partir dos anos 1930 como   o discurso oficial do Estado brasileiro. Grosso modo, a &#34;ideologia&#34; da   democracia racial nega o racismo e os conflitos raciais no Brasil e aponta para   uma construção social harmónica e não-conflituada. Entendemos a democracia   racial como a materialidade do poder, como o efeito de estratégias de   governamento biopolítico que efetivamente moldaram a narrativa político-cultural da nação. A ideia de um país sem racismo, livre de   conflitos raciais é uma construção que vem ganhando forma desde o início do   século XIX, contexto caracterizado, segundo Chalhoub, pelo &#34;haitianismo&#34;, o   medo difundido entre as elites da época de uma revolução escrava, a exemplo da   Revolução de São Domingos (1791 e 1804) (Chalhoub, 1990, p. 193). Efetivamente,   esta ideia de um paraíso racial no Brasil, uma sociedade livre do racismo,   transcendeu as fronteiras do próprio país, tornando-se um discurso corrente,   tanto nos EUA quanto na Europa. Célia Azevedo, por exemplo, cita uma palestra   de 1858 proferida em Nova Iorque pelo ex-escravo e abolicionista   norte-americano Frederick Douglass, em que ele afirma que no &#34;império   brasileiro os homens &#39;de cor&#39;, livres ou libertos,   eram cidadãos como quaisquer outros&#34;, ao contrário do que ocorria nos EUA   (Douglass apud Azevedo, 2005, p. 313). No mesmo sentido, quase um século depois   da palestra de Douglass, Guimarães (2001) chama a atenção para uma fala do   ativista negro Abdias do Nascimento, em que a miscigenação é relacionada com a   democracia racial no Brasil. Assim se manifestou Abdias no<i> I Congresso do     Negro Brasileiro</i>, em 1950:</p>     <p>Observamos que a larga miscigenação praticada   como imperativo de nossa formação histórica, desde o início da colonização do   Brasil, está se transformando, por inspiração e imposição das últimas   conquistas da biologia, da antropologia, e da sociologia, numa bem delineada   doutrina de democracia racial, a servir de lição e modelo para outros povos de   formação étnica complexa conforme é o nosso caso [Guimarães, 2001, p. 148].</p>     <p>O que nos informa a relação entre miscigenação e   a democracia racial? A miscigenação torna-se o nexo que articula o não-racismo, pois inscreve-se na narrativa da nação como a   &#34;prova material&#34; de que o racismo não existe, posto que um povo que se   miscigena não pode ser racista. Neste sentido, a miscigenação atua como   antídoto ao racismo ao mesmo tempo que funciona como   estratégia de branqueamento, atendendo ao propósito eugenista. A democracia   racial faz da miscigenação o dispositivo que organiza a narrativa do não-racismo simultaneamente ao branqueamento do corpo   espécie da população. O mestiço é o símbolo desta unidade nacional construída   sob a égide da harmonia racial e da eliminação das linhas de cor como fator   determinante da dinâmica social. Em uma narrativa deste tipo não há espaço para   o racismo, ao contrário, como entendeu Fernandes já na década de 1950, esta é   uma sociedade que tem &#34;preconceito de ter preconceito&#34;.</p>     <p>A miscigenação gesta outro elemento fundamental   na construção da democracia racial, qual seja, a   &#34;pardificação&#34; da população, resultado da fratura das polaridades raciais e de   processos de subjetivação que interditam a identidade racial ou mesmo de   dessubjetivação de sujeitos negros que percebem no branqueamento o caminho para   melhores posicionamentos sociais. O pardo é uma categoria que coloca em   funcionamento o cromatismo e defasa no interior da população mesmo aqueles   sujeitos que se afastam das polaridades. O que os dados censitários revelaram,   conforme mostramos no final da primeira secção, é que o pardo se configura,   justamente, como o entrelugar destas polaridades, em um deslizamento constante   de cores que não podem ser fixadas numa categoria essencial.</p>     <p>Por último, o dispositivo da miscigenação não   apenas permite a negação do racismo, mas faz do branqueamento uma perspetiva e   um devir civilizatório. Neste arranjo civilizatório, a miscigenação inclui o negro   numa narrativa que o exclui, que perspetiva o seu desaparecimento. O   proselitismo do mestiço como símbolo nacional, a inclusão dos elementos de uma   &#34;cultura africana&#34; na narrativa identitária da nação, a absolvição da capoeira,   do violão, do samba e da feijoada ilustram este processo celebratório em que o   mestiço se constitui como articulador de uma narrativa que, ao mesmo tempo em   que inclui o sujeito negro no corpo-espécie da população, o faz desaparecer no   cromatismo e na pardificação.</p>     <p>Assim é que o pardo faz funcionar o fenómeno da   miscigenação para moldar e regular os processos de subjetivação que negam as   polaridades, sobretudo a negra. Como dizia Batista de Lacerda, em 1911, ao   defender a miscigenação como via do branqueamento, &#34;provavelmente antes de um   século a população do Brasil será representada, na maior parte, por indivíduos   de raça branca&#34; (Lacerda, 1912, pp. 94-95). Entende-se, nesse sentido, como a   biopolítica do branqueamento implica na constituição da população negra como   população-<i>sacer</i>, para usar a expressão de Agamben (2002), pois esta encontra-se fadada à &#34;vida nua&#34;, à vulnerabilidade e ao   desaparecimento. A pardificação foi este elemento que, agindo na realidade da   população, pode constituí-la, normalizá-la, impedindo a proliferação de   heterogeneidades efetivas. O pardo acabou por se constituir numa estratégia de   segurança que fez funcionar o dispositivo da miscigenação. A democracia racial   teceu os fios destes dispositivos para fundar uma narrativa identitária calcada   no que ficou consagrado na obra de Gilberto Freyre como &#34;equilíbrio de   antagonismos&#34;. Gilberto Freyre não inventou a democracia racial, mas sua obra   é, certamente, o &#34;paradigma&#34; mais efetivo que pode ser desdobrado do   dispositivo da mestiçagem e de seus efeitos mais evidentes: a negação do   racismo, o branqueamento da população e a pardificação como subjetivação.</p>     <p>Embora o Brasil ainda vivencie fortes resquícios   desse processo que chamamos de pardificação social, já que eles estão presentes   nas pequenas práticas quotidianas da população de todas as descendências, aos   poucos essas manifestações esmaecem-se e cedem lugar a um novo conjunto de   discursividades, que valoriza a negritude e coloca em cheque o mito da   democracia racial, bem como a sua herança. Ao tratar sobre a história do   movimento negro no Brasil, a pesquisa de Pereira (2010, p. 240) mostra &#34;o   caráter transnacional dos movimentos negros no mundo e o conjunto de   referenciais estéticos, políticos e culturais&#34; que constituíram estes   movimentos. A busca pelo &#34;mundo negro&#34; (Pereira, 2010) é algo comum aos   movimentos, mas o modo como a dinâmica racial brasileira passa a ser governada   para a composição deste mundo negro merece ser compreendido, especialmente   quando essa governamentalidade se materializa nas experiências dos sujeitos   afrodescendentes. É sobre esse deslocamento que a próxima seção se dedica.</p>     <p>NARRATIVAS DE MULHERES   NEGRAS E O FORTALECIMENTO DA NEGRITUDE</p>     <p>2014 é o ano do meu   nascimento. Durante três décadas, ou desde o dia em que tenho lembranças de   quem fui ou tornei-me a ser, fui morena clara; morena e também achei-me branca. Mas, eu negra? Não, não; Ouvia frases do   tipo: &#34;olha que morena mais bonitinha&#34; [Shirlene Marques, junho de 2014].<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a></p>     <p>O depoimento acima é um fragmento de texto   escrito por uma mulher negra e publicado em um <i>blog</i> chamado <i>Blogueiras     Negras</i>. O termo <i>blog</i> significa uma junção de rede (<i>web)</i> com   diário de bordo ou registro sistemático (<i>log</i>). Diário online, portanto,   parece ser a tradução mais adequada na língua portuguesa para <i>web log</i>. O <i>Blogueiras Negras</i> é descrito pelas suas administradoras como &#34;um   instrumento de publicação que tem como principal objetivo aumentar a   visibilidade da produção de blogueiras negras&#34;. Esse é um espaço exclusivo para   mulheres negras publicarem textos sobre diferentes assuntos, geralmente   denunciando o preconceito racial, de género e sexual e narrando experiências   com a negritude. As autoras possuem diferentes profissões, faixas etárias e   orientações sexuais, além de residirem em diferentes estados do Brasil. Essa   diversidade não impede, no entanto, que possamos criar um &#34;perfil comum&#34; das   autoras, especialmente com relação à sua escolaridade (nível superior) e   atuação política. Pela potência do material publicado no <i>blog</i>,   entendemos que esse é um espaço educativo, político e de resistência. Desse   modo, o <i>Blogueiras Negras</i> é tomado como um campo privilegiado em que   podemos visibilizar como o discurso do movimento negro contemporâneo vem sendo   recebido e ressignificado por esses sujeitos, fortalecendo a negritude. Além   disso, o <i>blog</i> permite-nos entender como essas mulheres ativistas que se   autodeclaram negras, se relacionam consigo mesmas e com as outras, produzindo   novas subjetividades.<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A negritude é um termo francês utilizado pela   primeira vez em 1939 pelo poeta antilhano Aimé Césaire. Inicialmente, <i>négre</i> era um termo usado para ofender o negro. A partir deste uso, a proposição   passou a ser a reversão do seu significado, para que a negritude pudesse ser   utilizada com o intuito de valorizar as comunidades afrodescendentes. Como   explicita Domingues (2007), as propostas do movimento da negritude foram   trazidas para o Brasil nos anos 1940 pelo Teatro Experimental Negro. Em função   da Ditadura Militar, o Movimento Negro nesse período ficou enfraquecido, só   retornando no final da década de 1970. Como estratégia de combate ao Mito da   Democracia Racial, a negritude é retomada e passa a ser fortalecida também como   movimento identitário. De acordo com Domingues</p>     <p>[a] negritude passou a ser um conceito dinâmico,   o qual tem um caráter político, ideológico e cultural. No terreno político,   negritude serve de subsídio para a ação do movimento negro organizado. No campo   ideológico, negritude pode ser entendida como processo de aquisição de uma   consciência racial. Já na esfera cultural, negritude é a tendência de   valorização de toda manifestação cultural de matriz africana [Domingues, 2005,   pp. 25-26].</p>     <p>Trabalhar com o conceito de dispositivo para   entender a negritude na contemporaneidade torna-se interessante na medida em   que consideramos o conjunto de mudanças ocorridas no Brasil a partir da década   de 1970, especialmente com relação à população negra. Um dos primeiros   movimentos nessa direção foi a publicação de estudos   que permitiram reconhecer a existência do racismo no Brasil, para além das   teses que apontavam o preconceito como um traço histórico relacionado com o   escravismo ou mesmo com as questões de classe social, como encontramos nos   importantes trabalhos de Florestan Fernandes, por exemplo. Em 1978, no contexto   de crise da ditadura militar, a articulação do Movimento Negro Unificado foi um   passo importantíssimo no rumo da luta antirrascimo. Os &#34;resultados&#34; destes   movimentos tornam-se mais expressivos a partir dos anos 1990, sobretudo depois do então presidente   da República, Fernando Henrique Cardoso, reconhecer oficialmente o racismo no   Brasil. Nesta mesma década tinham início as preparações para a participação do Brasil na <i>Conferência Mundial contra o     Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e às Formas Correlatas de     Intolerância</i> foi realizada em Durban (África do Sul), em 2001. Assumia-se,   a partir de então, a necessidade de discutir as políticas afirmativas voltadas   para a população negra no Brasil (Guimarães, 2008).<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a></p>     <p>As políticas de ação afirmativa podem ser vistas   como formas de discriminação positiva. De acordo com Castel (2008, p. 14),   &#34;pode ser útil, ou até indispensável, tomar como alvo as populações marcadas   por uma diferença que para elas é uma desvantagem, visando reduzir ou anular   essa diferença&#34;. No caso do Brasil, diversas pesquisas apontam as disparidades   económicas e sociais quando se trata da população negra, o que justifica a   importância de ações específicas para esse contingente. As políticas   afirmativas só se tornam ações concretas a partir de 2003, nos governos de Luiz   Inácio Lula da Silva. Além da criação da Secretaria de Políticas de Promoção da   Igualdade Racial (SEPPIR), tivemos a implantação da política de cotas para   negros nas universidades (hoje regulamentada pela Lei n.º 12 711 de 2012) e a   inclusão do ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas   instituições de ensino do país (Lei n.º 10 639 de 2003). Em 2010, o Estatuto da   Igualdade Racial regulamentou ações sistemáticas em relação à população negra.</p>     <p>Como podemos verificar, são importantes avanços   no campo da negritude brasileira, especialmente no que se refere à consolidação   de políticas públicas, resultado de décadas de articulação dos movimentos   negros. Obviamente, esses avanços não ocorrem sem a existência de conflitos e   descontinuidades. Percebemos esses embates nas narrativas dos ativistas negros   e, no terreno da linguagem, numa busca pelo abandono de alguns termos (como o   moreno e o mulato) e pela ressignificação do conceito ou dos usos da categoria   raça. Essa passou a ser entendida &#34;como uma construção social, histórica e   cultural&#34; (Schwarcz, 2012, p. 34), enquanto o termo negro assume um significado   positivo, sendo o modo politicamente mais adequado para nos referirmos aos   afrodescendentes no Brasil. Assim, quando nos desafiamos a tratar sobre   negritude, a cada dia somam-se novos elementos ou modificam-se os fios que   tecem os discursos que atravessam esse campo. Como explicita Marcello (2004, p.   211), &#34;ao trabalharmos com o conceito de &#39;dispositivo&#39;, não estaremos lidando   com uma estrutura fechada, organizada, cujos elementos em jogo estão   previamente dados, mas, antes, com aquilo que é da ordem do imprevisível, da   ordem da criação: o acontecimento&#34;.</p>     <p>Para Foucault (2014) a constituição do sujeito é   um processo amplo e complexo que envolve a objetivação e a subjetivação,   completando-se por meio da relação com os saberes e da relação que o indivíduo   desenvolve com os outros e consigo mesmo. Entendemos as experiências   vivenciadas pelas mulheres que passam a perceberem-se como negras como uma   subjetivação que ocorre por meio de um processo. A escrita, neste sentido, é   entendida como prática que permite, ao mesmo tempo, o duplo movimento de objetivação   e subjetivação. Ao tratar sobre a escrita de si, Foucault chamou a atenção para   o ato de escrever, descrevendo-o como um exercício, um trabalho sobre si mesmo   que, ao mesmo tempo que aproxima o outro, é também um   gesto de exposição, no qual estão implicadas verdades que constituem aquele   sujeito (Foucault, 2004a). Entre as questões comummente abordadas nas   narrativas das mulheres negras (<i>blog</i> <i>Blogueiras Negras</i>), está   presente a crítica à mestiçagem, como podemos ver nos excertos a seguir:</p>     <p>Meu   pai é negro, minha mãe nasceu com a pele branca&#8230;]. Eu sou negra de pele mais clara, mas na minha   infância nunca consegui entender exatamente de que lado eu estava. [&#8230;] invejava   e desejava ser como as crianças pretas que eu via brincando [&#8230;] Me via pela   metade. [&#8230;] Olho quase todos os dias para meu rosto no espelho, ou para fotos   antigas, procurando os traços que comprovam a minha negritude [Gabriela Pires,   janeiro de 2014].<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a></p>     <p>Até os meus 13 anos eu vivia letárgica: a ideia   de ser negra; não era parte da minha identidade, afinal eu não era negra, era   morena como ouvira tantas vezes. Melhor do que isso, era uma morena linda com traços de branca, morena jambo. Certamente o racismo me   incomodava mas via aquilo como algo que acontecia com   terceiros, não em gente como eu. Era confortável viver ali, não me   identificando com a luta e as dores que o nosso povo tem [Kelly Matias, abril   de 2014].<a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="top10"></a></p>     <p>Em diversas   publicações, as blogueiras relatam que foram educadas para se perceberem como   mulatas, mestiças, morenas, mas nunca como negras. Isso é entendido como algo   extremamente negativo, como uma recusa do direito de afirmação da descendência   africana. De modo geral, a crítica à mestiçagem está presente também nas   produções académicas e nas mobilizações negras, que denunciam o discurso da democracia   racial e seus efeitos perversos para a população afrodescendente, uma vez que   amorteceu qualquer luta antirracista. A blogueira Shirlene Marques sintetiza o   que entendeu após ler sobre o tema: <i>Eis que as respostas chegaram: a     denominação de uma pele morena, no Brasil, é usada para camuflar a pertença à     raça negra, de ter o sangue negro no corpo.</i><a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="top11"></a><i> </i>Essa possibilidade discursiva faz parte do   contexto atual, mas está diretamente vinculada às mudanças ocorridas a partir   do final da década de 1970, nomeada por Domingues (2007) como a Terceira Fase   do Movimento Negro. Segundo o autor,</p>     <p>O movimento negro ainda desenvolveu, nessa   terceira fase, uma campanha política contra a mestiçagem, apresentando-a como   uma armadilha ideológica alienadora. A avaliação era de que a mestiçagem sempre   teria cumprido um papel negativo de diluição da identidade do negro no Brasil   [Domingues, 2007, p. 116].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na medida em que a mestiçagem é severamente   criticada, quase que demonizada, a afirmação da identidade negra ganha cada vez   mais espaço. Essa valorização da identidade também está relacionada com o   movimento da consciência negra, que embora receba uma data específica no calendário   brasileiro (20 de novembro), pode ser pensada para além desse momento de   &#34;festejo reflexivo&#34;. De acordo com Munanga (2015, p. 43), &#34;aceitando-se, o   negro afirma-se cultural, moral, física e psiquicamente. Ele reivindica-se com   paixão, a mesma que o fazia admirar e assimilar o branco. Ele assumirá a cor   negada e verá nela traços de beleza e de feiura como qualquer ser humano   &#39;normal&#39;&#34;. Desse modo, olhar para si, conhecer os aspetos históricos que   posiciona o afrodescendente nos lugares que ele ocupa socialmente, entender o   conjunto de ações políticas que tem proporcionado uma mudança nessas posições:   tudo isso resulta num processo de subjetivação que, alicerçado na valorização   da cultura africana e na autoestima, produziriam outros modos de ser sujeito negro   na contemporaneidade. As narrativas a seguir mostram essa apropriação   discursiva:</p>     <p>Quero que um dia as meninas pretas não demorem   tanto quanto eu, quero que as meninas pretas se   enxerguem em cores, amores e poesia. Quero as mulheres pretas na luta, olhando   seu reflexo e dizendo: SOU PRETA! [Luma de Lima Oliveira, abril de 2014].<a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="top12"></a></p>     <p>Como poderia eu contentar-me com o <i>status</i> de   &#34;bastarda&#34;, de &#34;animalesca&#34;, de &#34;coisificada&#34;, de &#34;proibida&#34;, que a sociedade   via para mim? O máximo que eu poderia alcançar dentro dessa escala seria o <i>status</i> de &#34;entre branca e negra&#34; a que se refere o termo pardo ou seria melhor dizer &#34;branca-suja&#34;? [&#8230;] Poder declarar-me mulher negra, é fazer   visível o laço invisível da minha ancestralidade, identidade legítima e que me   aceita, esfera onde eu deixo de ser bastarda [Aline Djokic, agosto de 2014].<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="top13"></a></p>     <p>O posicionamento das autoras está fortemente   associado à participação destes sujeitos nos movimentos sociais, tanto negro   como feminista, ou ainda de espaços intersecionais, como o feminismo negro. O   próprio <i>blog</i> assim se define: &#34;Partimos do princípio que nossa espinha   dorsal é o feminismo negro intersecional e a experiência da mulher negra&#34;.<a href="#14"><sup>[14]</sup></a><a name="top14"></a> Para Crenshaw (2002), a intersecionalidade contribui para a não   fragmentação das discussões sobre as diferentes formas de discriminação   sofridas pelas mulheres negras, fortalecendo também estes sujeitos que se   sentem pertencentes a um grupo que compartilha diversas características. Sendo   o <i>Blogueiras Negras</i> um espaço aberto a mulheres negras e público em seu   conteúdo, as autoras reforçam a importância do <i>blog</i> e convocam outras   mulheres à participação política, o que evidencia tanto o caráter educativo   deste espaço, quanto produtor de regimes de verdade.</p>     <p>Em uma pesquisa semelhante, Melo e Moita Lopes   (2014) mostram que a mulher negra associa a sua   transformação a um renascimento. Existe um &#34;ponto de virada&#34;, para usar a   expressão dos autores, que faz com que a mulher narre sua história em dois   momentos: antes e depois de sua afirmação como negra. Estas experiências   evidenciam um processo de subjetivação que, aliado a tradução de uma identidade   cultural específica, corre sempre o risco da essencialização. Considerando que   as narrativas são publicadas num espaço exclusivo para mulheres negras e que   visa fortalecer este grupo, em alguns casos o essencialismo evidenciado nos   textos pode ser estratégico, conforme demonstrado por Spivak. Embora o   essencialismo possa fazer parte da luta por representação e dos jogos por   negociação cultural, não podemos perder de vista de que tudo é perigoso. Numa   entrevista cedida em 1982, Foucault concorda que a identidade é útil e   importante, mas na medida em que ela é &#34;apenas um jogo, apenas um procedimento   para favorecer relações&#34;. A identidade torna-se problemática quando ela se   torna &#34;a lei, o princípio, o código de existência&#34;, pois ela sugere que sejamos   os mesmos e de certo modo nos aprisiona (Foucault, 2004b, p. 265).</p>     <p>Vejamos mais um   excerto de narrativa:</p>     <p>Foi por meio do feminismo que me reconheci pela   primeira vez como negra, que não me bastou mais chamarem-me de &#34;morena&#34;,   &#34;mulata&#34; ou &#34;café com leite&#34;; foi aí que eu aprendi a gritar, viver e resistir:   SOU PRETA! Foi uma ruptura que me abriu um mundo, não menos doloroso – contudo,   com mais força para que eu conseguisse compreender e enxergar o verdadeiro   sentido da resistência [Luma de Lima Oliveira, abril de 2014].<a href="#15"><sup>[15]</sup></a><a name="top15"></a></p>     <p>A afirmação identitária, uma vez sendo necessária   para os indivíduos acessarem as políticas afirmativas e lutarem contra as   diversas formas de discriminação, é interessante para o Estado, que exerce o   controle biopolítico da população que governa. Numa sociedade democrática e   neoliberal, a produção de subjetividades negras ocorre também porque parte-se   do princípio da liberdade individual e da autonomia diante da condução das   próprias condutas de cada sujeito. Baseado numa lógica de autorreflexão, o   sujeito negro é convidado a assumir a sua identidade e a tornar-se   protagonista, fazendo parte do jogo à sua maneira. Por mais que pareça   paradoxal, essa forma de governar e ser governado implica &#34;em um controle   social sobre os indivíduos, através do trabalho sobre as populações, [&#8230;] de   modo que eles se acreditem cidadãos livres, participativos e peças centrais no   jogo democrático&#34; (Gallo, 2015, p. 337). Portanto, &#34;governar em um meio de   democracia liberal significa governar <i>por meio</i> da liberdade e das   aspirações dos sujeitos, e não governar apesar destes&#34; (Rose, 2011, p. 216).</p>     <p>Como procuramos mostrar, o <i>Blogueiras Negras</i> é um espaço que articula e coloca em circulação uma dimensão específica da   negritude, que é essa valorização da identidade negra e do rompimento com   qualquer elemento da mestiçagem. Nesse sentido, negar a   pardização e o posicionamento dos seus corpos nesse lugar deslizante é uma tentativa de ficar fora da zona de fronteira que o pardo reafirma. Isso   porque o pardo (assim como o moreno e o mulato) não só racializa os sujeitos,   mas também os inferioriza, retirando a possibilidade da produção de outras   subjetividades negras. O que gostaríamos de problematizar, no entanto, é o   quanto essa negação da mestiçagem tem sido assumida por esses sujeitos como uma   verdade inquestionável, o que pode contribuir para a simplificação e a   essencialização de um tema tão complexo num país continental como o Brasil.</p>     <p>Compreender o   deslocamento do dispositivo da mestiçagem para o dispositivo da negritude é uma   tarefa que não se esgota nessa análise, mas que pode justamente mostrar o   quanto a dinâmica étnico-racial brasileira merece ser tema de pesquisas, em   diferentes perspetivas teóricas. É esse trabalho analítico que pode favorecer   outras possibilidades de pensar a educação das relações étnico-raciais, já que   as mudanças precisam de ser mapeadas e avaliadas. Para   além do entendimento dos processos de subjetivação que se produzem com esses deslocamentos, nosso interesse é contribuir para a extinção do   racismo e para que se abram novas possibilidades de viver com o outro na sua   diferença.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS   BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>AGAMBEN,   G. (2002), <i>Homo Sacer: o Poder Soberano e a Vida     Nua</i>, vol. I, Belo Horizonte, editora da UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098979&pid=S0003-2573201800020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>AZEVEDO,   M. C. (2005), &#34;A recusa da &#39;raça&#39;: anti-racismo e cidadania no   Brasil dos anos 1830&#34;.   Horizontes Antropológicos,   11 (24), 297-320. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0104-718320050 00200013" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0104-718320050   00200013</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098981&pid=S0003-2573201800020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BACCELAR,   B. L. M.   (1783), <i>Diccionario</i><i> da Lingua Portugueza</i>, Lisboa, Aquino Bulhoens.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098983&pid=S0003-2573201800020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARROS, J. A. (2009), <i>A Construção Social da   Cor: Diferença e Desigualdade na Formação da Sociedade Brasileira</i>,   Petrópolis, RJ, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098985&pid=S0003-2573201800020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BHABHA,   H. K. (2007), <i>O Local da Cultura</i>,   Belo Horizonte, Editora UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098987&pid=S0003-2573201800020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BLUTEAU,   R.<i> </i>(1720),<i> </i>V<i>ocabulário Portuguez,     &amp; Latino</i>, vol. 5, Lisboa, Officina de Pascoa   L. da Sylva. Disponível em <a href="http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/002994-05#page/1/mode /1up" target="_blank">http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/002994-05#page/1/mode /1up</a> [consultado em 17-05-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098989&pid=S0003-2573201800020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BLUTEAU,   R. (1789), <i>Diccionario</i> Língua P<i>ortuguesa</i>. <i>Acrescido e reformado por Antônio Morais da Silva</i>, tomo 2, L-Z. Lisboa, Officina de Simão Thaddeo Ferreira. Disponível em <a href="http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/00299220#page/1/mode/1up" target="_blank">http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/00299220#page/1/mode/1up</a> [consultado em 17-05-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098991&pid=S0003-2573201800020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BRANCO,   G. C. (2015), <i>Michel Foucault:     Filosofia e Biopolítica</i>, Belo Horizonte,   Autêntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098993&pid=S0003-2573201800020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTEL,   R. (2008), <i>A Discriminação Negativa: Cidadãos ou Autóctones?,</i> Petrópolis,   RJ, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098995&pid=S0003-2573201800020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CHALHOUB,   S. (1990), <i>Visões da Liberdade: Uma História das Últimas Décadas da     Escravidão na Corte</i>, São Paulo, Cia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098997&pid=S0003-2573201800020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CRENSHAW,   K. (2002), <i>A Interseccionalidade na Discriminação     de Raça e G</i>ênero. <i>Cruzamento: raça e gênero</i> (painel 1), p. 7-16. Disponível em   <a href="http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wp-content/uploads/2012/09/Kimberle-Crenshaw.pdf" target="_blank">http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wp-content/uploads/2012/09/Kimberle-Crenshaw.pdf</a> [consultado em 04-03-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=098999&pid=S0003-2573201800020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DELEUZE,   G. (1990), &#34;¿Que és un dispositivo?&#34;. <i>In</i> G.   Deleuze, M. Foucault, <i>Filósofo</i>, Barcelona, Gedisa,   pp. 155-161.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099001&pid=S0003-2573201800020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DOMINGUES,   P. (2005), &#34;Movimento da negritude: uma breve reconstrução histórica&#34;. <i>Mediações</i>,   10 (1), pp. 25-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099003&pid=S0003-2573201800020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DOMINGUES,   P. (2007), &#34;Movimento Negro Brasileiro: alguns apontamentos históricos&#34;. <i>Tempo</i>,   23, pp. 100-122<i>. </i><a href="http://dx.doi.org/10.1590/S1413-77042007000200007" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S1413-77042007000200007</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099005&pid=S0003-2573201800020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (1995), &#34;O sujeito e o poder&#34;. <i>In</i> H. L.   Dreyfus, P. Rabinow e M. Foucault, <i>Uma Trajetória     Filosófica, para além do Estruturalismo e da Hermenêutica</i>, Rio de Janeiro,   Forense Universitária, pp. 231-249.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099007&pid=S0003-2573201800020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2000), <i>Microfísica do Poder</i>, Rio de Janeiro, Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099009&pid=S0003-2573201800020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2002), <i>Em Defesa da Sociedade: Curso no Collège de France (1975-1976)</i>, São Paulo, Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099011&pid=S0003-2573201800020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2004a), &#34;Tecnologias de si, 1982&#34;. <i>Verve</i>, 6,   pp. 321-360.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099013&pid=S0003-2573201800020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2004b), &#34;Michel Foucault, uma entrevista: sexo, poder e a política da   identidade&#34;. <i>Verve</i>, 5, pp. 260-277.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099015&pid=S0003-2573201800020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2014), <i>História da Sexualidade: O Uso dos Prazeres</i>, vol. II, Rio de   Janeiro/São Paulo, Paz &amp; Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099017&pid=S0003-2573201800020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GADELHA,   S. (2009), <i>Biopolítica</i><i>, Governamentalidade e Educação</i>, Belo Horizonte, Autêntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099019&pid=S0003-2573201800020000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GALLO,   S. (2015), &#34;&#39;O pequeno cidadão&#39;: sobre a condução da infância em uma governamentalidade democrática&#34;. <i>In</i> H. de Resende   (org.), <i>Michel Foucault: O Governo da Infância</i>, Belo Horizonte,   Autêntica, pp. 329-343.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099021&pid=S0003-2573201800020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GOBINEAU, J. A. (1996), &#34;L&#39; émigration au Brésil&#34;. <i>In</i> G. Readers, <i>O Conde de Gobineau no Brasil</i>, São Paulo, Paz   e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099023&pid=S0003-2573201800020000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUIMARÃES,   A. S. (2001), &#34;Democracia racial: o ideal, o pacto e   o mito&#34;. <i>Novos     Estudos CEBRAP</i>, 61, pp. 147-162. Disponível em <a href="http://novosestudos.uol.com.br/v1/files/uploads/contents/95/20080627_democracia_racial.pdf" target="_blank">http://novosestudos.uol.com.br/v1/files/uploads/contents/95/20080627_democracia_racial.pdf</a> [consultado em 28-04-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099025&pid=S0003-2573201800020000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GUIMARÃES,   A. S. (2008), <i>Preconceito Racial:     Modos, Temas e Tempos</i>, São Paulo, Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099027&pid=S0003-2573201800020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KOIFMAN,   F. (2012), <i>Imigrante Ideia: o Ministério da Justiça e a Entrada de     Estrangeiros no Brasil (1941-1945)</i>, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099029&pid=S0003-2573201800020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LACERDA, J. B. de (1912), <i>Informações Prestadas   A. S. Ex Ministro da Agricultura Dr. Pedro de Toledo</i>,   Rio de Janeiro, Papelaria Macedo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099031&pid=S0003-2573201800020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LIMA,   B., MELO, B. (1783),&nbsp;<i>Diccionario</i><i> da   Língua Portugueza</i>, Lisboa, Officina José de Aquino Bulhoens. Disponível em <a href="https://books.google.com.br/books?id=55ICAAAAQAAJ&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false" target="_blank">https://books.google.com.br/books?id=55ICAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false</a> [consultado em 17-05-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099033&pid=S0003-2573201800020000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARCELLO,   F. A. (2004), &#34;O conceito de dispositivo em Foucault:   mídia e   produção agonística de sujeitos-maternos&#34;. <i>Educação e Realidade</i>, 29 (1), pp. 199-213&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099035&pid=S0003-2573201800020000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>MARÍN-DÍAZ, D. (2012), <i>Autoajuda e Educação: uma Genealogia das Antropotécnicas Contemporâneas</i>. Tese de   doutoramento, Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS,   Programa de Pós-Graduação em Educação.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099036&pid=S0003-2573201800020000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATTOS,   H. (2013), <i>Das Cores do Silêncio: os Significados da Liberdade no Sudeste     Escravista (Brasil, S</i>éculo <i>XIX)</i>, 3.ª ed, Campinas, Unicamp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099038&pid=S0003-2573201800020000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MELO, G. C. V., MOITA LOPES, L. P. (2014), &#34;A performance narrativa de    uma blogueira: &#39;tornando-se preta em um segundo nascimento&#39;&#34;. Alfa,    58 (3), pp. 541-569. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/1981-5794-1409-2" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/1981-5794-1409-2</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099040&pid=S0003-2573201800020000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>MUNANGA,   K. (2015), <i>Negritude: usos e sentidos</i>, 3.ª ed., Belo Horizonte,   Autêntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099041&pid=S0003-2573201800020000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NEIVA, A., PENA, B. (1999 [1916]), <i>Viagem Científica</i>.   Edição fac-similar, Brasília, Senado Federal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099043&pid=S0003-2573201800020000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA,   A. A. (2010), <i>&#34;O mundo negro&#34;: A     constituição do movimento negro contemporâneo no Brasil (1970-1995)</i>. Tese   de doutoramento, Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099045&pid=S0003-2573201800020000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PINTO,   L. M. S.   (1832), &#34;Dicionário da língua brasileira&#34;. Puto Preto, Typographia de Silva, Disponível   em: <a href="http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/02254100#page/788/mode/2up" target="_blank">http://www.brasiliana.usp.br/handle/1918/02254100#page/788/mode/2up</a> [consultado em 17-05-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099047&pid=S0003-2573201800020000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PONTE,   C. F. (2010),<i> &#34;</i>O sanitarismo e os projetos de nação&#34;. <i>In</i> C. F. Ponte, I. Falleiros (orgs), <i>Na Corda Bamba de Sombrinha: a Saúde no     Fio da História</i>, Rio de Janeiro, Fiocruz, pp. 75-78. Disponível em <a href="http://observatoriohistoria.coc.fiocruz.br/local/File/livro-na-cor da-bamba-de-sombrinha.pdf" target="_blank">http://observatoriohistoria.coc.fiocruz.br/local/File/livro-na-cor-da-bamba-de-sombrinha.pdf</a>, [consultado em12-07-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099049&pid=S0003-2573201800020000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RABINOW,   P. (1999), <i>Antropologia da Razão</i>, Rio de Janeiro, Relume Dumará.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099051&pid=S0003-2573201800020000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RODRIGUES,   R. N. (1894), <i>As Raças Humanas e a     Responsabilidade Penal no Brazil</i>, Rio de Janeiro,d Editora Guanabara.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099053&pid=S0003-2573201800020000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROSE,   N. (2011), <i>Inventando nossos Selfs: Psicologia, Poder e Subjetividade</i>,   Petrópolis, RS, Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099055&pid=S0003-2573201800020000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SCHWARCZ,   L. M. (2012), <i>Nem Preto nem Branco,     muito pelo Contrário. Cor e Raça na Sociabilidade Brasileira</i>, São Paulo,   Claro Enigma.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099057&pid=S0003-2573201800020000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SENRA,   N. de C. (2006), <i>História das Estatísticas Brasileiras. Estatísticas     Desejadas (c. 1822-c. 1889)</i>, vol. 1, Brasília, Instituto Brasileiro de   Geografia e Estatística – IBGE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099059&pid=S0003-2573201800020000300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SKIDMORE, T. E. (2012), <i>Preto no Branco: Raça e   Nacionalidade no Pensamento Brasileiro</i>, São Paulo, SP, Companhia das   Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099061&pid=S0003-2573201800020000300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SOUZA,   R. L. de. (2004), &#34;Método,   raça e   identidade nacional em Sílvio Romero&#34;. <i>Revista de História Regional,</i> 9<i> </i>(1), pp. 9-30. Disponível em <a href="http://www.uepg.br/rhr/v9n1/911RicardoSouza.pdf" target="_blank">http://www.uepg.br/rhr/v9n1/911RicardoSouza.pdf</a> [consultado em 11-07-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099063&pid=S0003-2573201800020000300044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TEPEDINO,   A. (1914), <i>Eugenía</i>. Tese de doutoramento,   Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Typ. Batista   de Souza.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099065&pid=S0003-2573201800020000300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VIANA, L.   (2007), <i>O Idioma da Mestiçagem: as Irmandades de Pardos na América     Portuguesa</i>, Campinas, UNICAMP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099067&pid=S0003-2573201800020000300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 22-08-2016.   Aceite para publicação a 01-08-2017.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a>       Até mesmo a ausência das   definições da cor são indícios de sua relevância, como mostrou Mattos (2013) na   sua obra <i>Das cores do silêncio</i>. Antes da abolição, o silêncio sobre a   cor &#34;sugere que, por trás dele, se encontra mais que uma ideologia de   branqueamento, construída e imposta de cima para baixo&#34; (Mattos, 2013, pp. 31).</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>       Segundo Marín-Diaz (2012,   p. 28), &#34;a expressão <i>télos</i> ou <i>tele</i> vem do grego e refere-se aos   fins, aos pontos ou ao estado para os quais ou pelos quais se movimenta uma   realidade. O <i>télos</i> é entendido como a finalidade, o objetivo, o alvo&#34;.   Desse modo, ao historicizarmos as práticas, olhamos não apenas para o modo como   elas são desenvolvidas, mas para as finalidades que desempenharam em cada   período histórico.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a>       Texto produzido a partir de   pesquisas financiadas pela Capes, CNPq, Fapergs e Unisc.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a>       Segundo Foucault (1995, p.   235), há dois significados importantes para sujeito: &#34;sujeito a alguém pelo   controlo e dependência, e preso à sua própria identidade por uma consciência ou   autoconhecimento. Ambos sugerem uma forma de poder que subjuga e torna sujeito a&#34;.</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a>       O mendelianismo, oriundo   das teses de Gregor Mendel (1822-1884), contesta a possibilidade prevista por   Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) de que os caracteres adquiridos por indivíduo   no decorrer de sua vida possa ser passado a gerações futuras. Para o   mendelianismo o fator hereditário é determinante. O ambiente, assim como os   hábitos, não promoveriam alterações genéticas, portanto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a>       Texto disponível em:   <a href="http://blogueirasnegras.org/2014/06/19/nasci-negra/" target="_blank">http://blogueirasnegras.org/2014/06/19/nasci-negra/</a>. Acedido em 15-06-2016.   Além disso, como o <i>blog Blogueiras Negras</i> é um espaço público, em que as   autoras se identificam, os excertos serão acompanhados do nome completo das   escritoras e do <i>link</i> para acesso aos textos na íntegra.</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a>      A análise dos textos do <i>blog</i> dá-se a partir de 35 narrativas autobiográficas, publicadas entre os anos de   2013 e 2016. O nosso olhar para as narrativas envolve um posicionamento externo   à comunidade virtual <i>Blogueiras Negras</i>. Nenhum dos autores participa   ativamente do <i>blog</i>, o que gera implicações para a análise. Ainda assim,   comprometemos-nos com o posicionamento do <i>Blogueiras Negras</i> e procuramos   contribuir para a visibilidade das narrativas e das demandas políticas das   autoras.</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a>       A participação do Movimento   Negro na Conferência de Durban possibilitou novas perspectivas   internacionalistas e mais sintonizadas ao movimento afro-americano. Essa   conferência produziu efeitos importantes, pois foram exigidos posicionamentos   dos governos com relação ao racismo e as demais formas de discriminação.</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a>       Texto disponível em:   <a href="http://blogueirasnegras.org/2014/01/14/fragmentos-descobrir-se-ne gra/" target="_blank">http://blogueirasnegras.org/2014/01/14/fragmentos-descobrir-se-ne gra/</a>. Acedido   em 15-06-2016.</p>     <p><a href="#top10"><sup>[10]</sup></a><a name="10"></a>      Texto disponível em:   <a href="http://blogueirasnegras.org/2014/04/23/e-belo-ser-irma-e-belo-ser-negra/" target="_blank">http://blogueirasnegras.org/2014/04/23/e-belo-ser-irma-e-belo-ser-negra/</a>.   Acedido em 15-06-2016.</p>     <p><a href="#top11"><sup>[11]</sup></a><a name="11"></a>      Texto disponível em:   <a href="http://blogueirasnegras.org/2014/06/19/nasci-negra/" target="_blank">http://blogueirasnegras.org/2014/06/19/nasci-negra/</a>. Acedido em 15-06-2016.</p>     <p><a href="#top12"><sup>[12]</sup></a><a name="12"></a>      Texto disponível em:   <a href="http://blogueirasnegras.org/2014/04/16/caminhos-de-resistencia-reconhecer-se-negra/" target="_blank">http://blogueirasnegras.org/2014/04/16/caminhos-de-resistencia-reconhecer-se-negra/</a>.   Acedido em 15-06-2016.</p>     <p><a href="#top13"><sup>[13]</sup></a><a name="13"></a>      Texto disponível em:   <a href="http://blogueirasnegras.org/2014/08/05/a-historia-da-minha-negritu de/" target="_blank">http://blogueirasnegras.org/2014/08/05/a-historia-da-minha-negritu de/</a>. Acedido   em 15-07-2016.</p>     <p><a href="#top14"><sup>[14]</sup></a><a name="14"></a>      Informações disponíveis em:   <a href="http://blogueirasnegras.org/faq/" target="_blank">http://blogueirasnegras.org/faq/</a>. Acedido em 15-02-2017.</p>     <p><a href="#top15"><sup>[15]</sup></a><a name="15"></a>      Texto disponível em:   <a href="http://blogueirasnegras.org/2014/04/16/caminhos-de-resistencia-reconhecer-se-negra/" target="_blank">http://blogueirasnegras.org/2014/04/16/caminhos-de-resistencia-reconhecer-se-negra/</a>.   Acedido em 15-06-2016.</p>     ]]></body>
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