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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Agenciar raça, reinventar a nação: o Movimento Pelas Reparações no Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article makes some notes about the Movimento Pelas Reparações (MPR) of African descendants in Brazil in the 1990s. It is argued that besides expressing how Afro-Brazilians were (and are) connected in struggles and demands waged in the transatlantic circuit of the black diaspora, this movement prepared the way for the current policy of affirmative action in the country.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Agenciar   raça, reinventar a nação: o Movimento Pelas Reparações no Brasil</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Agitating race, reinventing the nation: the reparations movement in Brazil.</b></font></p>     <p><b>Petrônio Domingues*</b></p>     <p>*Departamento de Hist&oacute;ria, Universidade Federal de Sergipe.&#8196;Cidade Universit&aacute;ria Prof. Jos&eacute; Alo&iacute;sio de Campos, Av. Marechal Rondon,   s/n, Jd. Rosa Elze, S&atilde;o Crist&oacute;v&atilde;o - CEP 49100-000, Sergipe, Brasil. <a href="mailto:pjdomigues@yahoo.com.br">pjdomigues@yahoo.com.br</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Agenciar   raça, reinventar a nação: o Movimento Pelas Reparações no Brasil.&#8195;O artigo tem o objetivo de fazer alguns apontamentos acerca do   Movimento Pelas Reparações (MPR) dos afrodescendentes no Brasil, na década de   1990. Argumenta-se que esse movimento, além de expressar como os   afro-brasileiros estavam (e estão) conectados às lutas e demandas travadas no   circuito transatlântico da diáspora negra, preparou o terreno para a atual   política de ações afirmativas no país.</p>     <p>PALAVRAS-CHAVE: diáspora africana; população   afro-brasileira; reparações; ações afirmativas; movimentos sociais.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The article makes some notes about the <i>Movimento</i><i> Pelas Reparações</i> (MPR) of African descendants in Brazil in   the 1990s. It is argued that besides expressing how Afro-Brazilians were (and   are) connected in struggles and demands waged in the transatlantic circuit of   the black diaspora, this movement prepared the way for the current policy of   affirmative action in the country.</p>     <p>KEYWORDS:   African diaspora; Afro-Brazilian population; reparations; affirmative action;   social movements.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Imagine if reparations   were treated as start-up capital for black entrepreneurs who merely want to   mirror the dominant society. What would really change? [Kelley, 2002, p. 133].</p>     <p>19 de novembro de 1993,   uma sexta-feira, não foi uma data qualquer no calendário do Brasil. Na véspera   do dia nacional da consciência negra, 12 pessoas resolveram promover um   protesto diferente para denunciar a situação de subalternidade da população   afro-brasileira. Foram almoçar no Maksoud Plaza, um dos mais sumptuosos hotéis   da cidade de São Paulo. Chegando ao restaurante do hotel, pediram pratos   requintados (como camarão, lagosta, etc.), champanhe francês, conversaram, comeram e beberam descontraidamente. No final, pediram a   conta e esta – como já esperavam – era de valor estratosférico (aproximadamente   US$700). Então ocorreu algo inédito na história do país: as 12 pessoas disseram   alto e em bom som ao gerente do estabelecimento que a conta deveria ser   creditada na dívida secular que a sociedade brasileira tem com todos os   afrodescendentes; logo, não seria paga.</p>     <p>Depois de perceber   que a coisa era séria e o grupo não pretendia saldar o seu débito, o <i>maître</i> Dorival Teixeira chamou a equipa de segurança do Maksoud e começou uma   negociação polida entre os &#34;clientes&#34; e o hotel. A conversa foi tomando um tom   mais agressivo até chegar ao contacto físico entre manifestantes e segurança,   que tentava impedir a saída do grupo. Nesse momento, entre palavras de ordem   (&#34;os negros têm direitos&#34;) e cobranças dos seguranças, a confusão já estava   formada no estacionamento do hotel. Foi chamada a Polícia Militar. Os   manifestantes formaram um cordão para saírem juntos do hotel. Seguranças e   policiais tentavam agarrá-los, para que não fugissem. O empurra-empurra   arrastou-se até a Avenida Paulista, a um quarteirão de distância do hotel. Mais   policiais foram acionados.    <p>   Os seguranças do Macksoud não se conformavam com a fuga do grupo, agarravam as   roupas dos manifestantes e pediam que a polícia intercedesse com mais energia.   O grupo lançou-se no meio da Paulista, parando o trânsito. O tenente Moreira   resolveu então ordenar aos policiais que suspendessem a perseguição e depois   prendessem o grupo &#34;fora da avenida&#34;. Em vão, pois os manifestantes escaparam.   Depois de tanta celeuma – o que envolveu seguranças, policias, e despertou a   atenção da grande imprensa e de transeuntes –, a conta não foi paga.<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a></p>     <p>Os manifestantes   declararam à imprensa fazer parte do Movimento Pelas Reparações dos   Afrodescendentes. Mas que movimento era esse e como se organizava? Que diálogo   estabeleceu com a sociedade brasileira? Uma ação de política racial tão radical   e baseada no princípio da desobediência civil não se contrapunha ao denominado   &#34;mito da democracia racial&#34;? Ou seja, o ato não questionava um dos mitos   fundadores da nacionalidade? Aquele foi um protesto extemporâneo ou conectava-se ao contexto afro-atlântico de agenciamentos –   na África, nas Américas e no Caribe – que evocavam direitos humanos, cidadania   e ressarcimento pelos erros do passado escravista? São essas as principais   questões que nortearão o artigo. Embora o movimento negro contemporâneo venha   sendo objeto de crescentes pesquisas por parte de sociólogos, antropólogos,   historiadores e cientistas políticos<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a> não há estudos sobre o Movimento Pelas   Reparações, daí a importância da presente investigação. Mostrar que, na década   de 1990, alguns afro-brasileiros saíram às ruas, ocuparam o espaço público,   desafiaram o <i>status quo</i>, polarizaram a opinião pública, para propugnar   uma modalidade de ações afirmativas. Conforme asseveram os especialistas, ações   afirmativas são iniciativas públicas ou privadas, se não programas que garantem   (ou visam garantir) oportunidades ou outros benefícios para pessoas que   pertencem a um ou mais grupos específicos. A ação afirmativa pode adquirir o   sentido de reparação por uma injustiça passada, como pode referir-se às   políticas públicas (do executivo ou legislativo) ou aos programas de empresas   privadas que assegurem a promoção de minorias étnicas, raciais e sexuais,   evitando, assim, que indivíduos de certos grupos discriminados tenham os seus   direitos alienados (Moehlecke, 2002; Guimarães, 1999, pp. 153-154; Piovesan,   2005; Grin, 2010). Não se trata aqui de esgotar o assunto, mas de traçar de   forma inédita e concisa aspetos da trajetória de um movimento que, embora tenha   malogrado, se relacionou com os novos contornos da mobilização racial no   Brasil.</p>     <p>Este artigo,   portanto, tem o objetivo de fazer alguns apontamentos acerca do Movimento Pelas   Reparações dos afrodescendentes no Brasil. Argumenta-se que esse movimento,   além de expressar como os afro-brasileiros estavam (e estão) conectados aos   fluxos e refluxos, aos anseios e às demandas engendrados no   circuito transatlântico da diáspora negra, preparou o terreno para as   atuais políticas de ações afirmativas no país, políticas que, aliás,   redefiniram o racismo como patamar de problema público – processo pelo qual um   problema coletivo assume um lugar na agenda das políticas públicas, com as suas   causas, características, soluções e consequências sendo estudadas, debatidas e   polemizadas por especialistas, movimentos sociais, ONGs, agremiações   partidárias, imprensa, intelectuais, operadores do Direito, políticos, em suma,   por diversos atores e autoridades da sociedade civil e do Estado (Gusfield,   1981).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A COR DA DESIGUALDADE</p>     <p>O Movimento Pelas   Reparações não nasceu no vazio histórico. Na década de 1990, palavras e   expressões do vocabulário da democracia – como direitos, cidadania e reparações   pelos erros do passado – passaram a ser vergadas para o dever e o devir. O país   jazia fraturado pelas desigualdades raciais, de modo que os descendentes de   africanos enfrentavam uma série de obstáculos para a afirmação da cidadania. No   mercado de trabalho, eles conquistaram avanços importantes, mas continuavam em   posição de desvantagem frente aos descendentes de europeus. Segundo   levantamento realizado pelo Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade   Racial (INSPIR) na região metropolitana de São Paulo em 1998, os assalariados   negros ganhavam menos que os assalariados &#34;não-negros&#34;<sup> </sup><a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a> em condições análogas de trabalho, ou seja, com o mesmo tempo de   permanência no emprego, grupo de ocupação e nível educacional. O rendimento   médio dos primeiros é de R$ 553,00, que equivaliam a 56% dos rendimentos dos   segundos (R$ 988,00).<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a></p>     <p>No campo educacional, as iniquidades raciais   também se apresentavam de maneira cristalina. A escolaridade média de um jovem   negro com 25 anos de idade girava em torno de 6,1 anos de estudo; já um branco   da mesma idade tinha cerca de 8,4 anos. O diferencial   era de 2,3 anos de estudo. Essa disparidade era alta, sobretudo se tivermos em   consideração que a escolaridade média do adulto brasileiro girava em torno dos 6 anos. Em 1999, 89% dos jovens brancos entre 18 e 25 não   haviam ingressado na universidade. Os jovens negros dessa mesma faixa etária,   por sua vez, praticamente não dispunham do &#34;direito de acesso ao ensino   superior, na medida em que 98% deles não ingressaram na universidade&#34;. Já a   taxa de analfabetismo entre os brancos com mais de 15 anos era de 8,3%, ao   passo que para os negros era de 19,8% (Henriques, 2001, pp. 26-31).</p>     <p>Ao analisar as desigualdades raciais no Brasil na   década de 1990, tendo por base as informações extraídas das Pesquisas Nacionais   por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e   Estatística (IBGE), Ricardo Henriques observou que os negros levavam   desvantagens em relação aos brancos em vários indicadores sociais: estrutura   populacional, pobreza, distribuição de renda, educação, mercado de trabalho,   condições habitacionais e consumo de bens duráveis. Os brasileiros de   ascendência africana constituíam a segunda maior nação negra do mundo, ficando   atrás apenas da Nigéria. Em 1999, de acordo com o PNAD, entre os cerca de 160   milhões de habitantes que compunham a população brasileira, 54% declararam-se   brancos, 39,9% pardos, 5,4% pretos, 0,46% amarelos e 0,16% índios. Neste   quadro, será que a pobreza – os 53 milhões de pobres e 22 milhões de indigentes   – estava &#34;democraticamente&#34; distribuída? A resposta é   negativa, tendo em vista que negros (pardos e pretos) representavam 45% da   população brasileira, mas correspondiam a 64% da população pobre e 69% da   população indigente. Os brancos, por seu turno, eram 54% da população total,   mas somente 36% dos pobres e 31% dos indigentes. Na avaliação de Henriques,   tratava-se de uma constatação &#34;incontornável&#34;: nascer de cor &#34;parda&#34; ou &#34;preta&#34;   aumentava de &#34;forma significativa a probabilidade de   um brasileiro ser pobre&#34;. Isto permitiria até pensar na existência de dois <i>brasis</i>:   um branco e outro negro, sendo que o primeiro é aproximadamente 2,5 vezes mais   rico do que o segundo.<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a></p>     <p>Examinando os números   do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – que mensura a expectativa de vida,   mortalidade infantil, nível de alfabetização em adultos e número de pessoas   matriculadas nas escolas –, Edward Telles notou que o Brasil, em 1999, estava   em 69.º lugar entre os 174 países de todo mundo. Quando o IDH, porém, é   calculado levando em consideração a fator racial, o resultado é surpreendente.   A população &#34;preta&#34; e &#34;parda&#34; brasileira – se contabilizada isoladamente, como   um país à parte – ficaria na 108.º lugar, ao passo que a população branca,   separadamente, alcançaria 0,784, posicionando-se no 43.º lugar. A expectativa   de vida para brancos era &#34;seis anos maior que para negros; a mortalidade   infantil 40% menor; o nível de alfabetização de adultos brancos era 28% maior e   o número de indivíduos matriculados no sistema escolar era cerca   de 12% maior&#34; (Telles, 2003, pp. 215-216).</p>     <p>227a04q1.jpg</p>     <p>Portanto, consultando o IDH e outras fontes da   década de 1990, o sociólogo estadunidense chegou à conclusão análoga à de   Ricardo Henriques: os cidadãos brancos no Brasil formavam a maioria das classes   média e alta, enquanto os negros se encontravam entre os pobres, de modo   desproporcional. &#34;A desigualdade racial é maior que nos Estados Unidos&#34;,   afirmava Telles, &#34;pois o Brasil tem uma estrutura socioeconômica mais desigual   e os negros brasileiros têm menos chance de chegar ao seu ponto mais alto&#34;   (Telles, 2003, p. 216).</p>     <p>As assimetrias raciais não eram somente um   produto dos desequilíbrios regionais, de classes e históricos, mas também um   resultado da &#34;ideologia e cultura do racismo&#34;. Na década de 1990, havia   mecanismos informais que desfavoreciam os negros e privilegiavam os brancos. Os   primeiros eram poucos retratados na televisão, na rádio e nos <i>media</i> impressos. Nesses veículos havia uma super-representação de pessoas brancas,   tomadas como símbolos de progresso, modernidade, operosidade, inteligência e   padrão estético de beleza. Os negros ficavam ausentes nas produções fílmicas,   teatrais; nos livros didáticos, na literatura adulta e infantojuvenil e a   história africana era raramente ensinada nas escolas. Naquela que foi   intitulada a &#34;mais completa análise sobre o preconceito de cor no Brasil&#34;, o   jornal <i>Folha de São Paulo</i> constatou, em 1995, que as piadas e quadrinhas   racistas continuavam vivas no imaginário nacional, como a que diz: &#34;negro,   quando não faz besteira na entrada, faz na saída&#34; (Venturi e Turra, 1995).<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a></p>     <p>O MOVIMENTO PELAS   REPARAÇÕES</p>     <p>Foi nesse cenário de   injustiças sociais e de indicadores desfavoráveis aos afro-brasileiros, nos   mais diversos domínios da vida política, social, económica e cultural, que um   grupo de ativistas (ou aliados) do Núcleo de Consciência Negra na Universidade   de São Paulo (USP) resolveu provocar o <i>establishment </i>e sensibilizar a   opinião pública para os problemas oriundos das desigualdades raciais, do   presente e do passado. Havia a consciência de que os brancos, mesmo que não   fossem agentes diretos do mundo do cativeiro, eram os beneficiários materiais e   simbólicos das assimetrias reconfiguradas. É verdade que, desde a abolição da   escravidão, nunca se erigiram mecanismos constitucionais legais refratários aos   negros; todavia, estes tinham menos possibilidades de inclusão e mobilidade   sociais que os brancos. Assim, não havia motivo para os afro-brasileiros   acreditarem no tratamento igualitário prometido pela lei: &#34;as práticas sociais   se encarregavam, sistematicamente, de reintroduzir a desigualdade de   oportunidades&#34; (Costa, 2006, p. 213).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O grupo insurgente era composto por 11 pessoas   negras (cinco mulheres e seis homens) e uma branca.<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a> O seu gesto de dar um &#34;calote&#34; no Maksoud Plaza não foi obra do acaso.   Previamente planejada no NCN e debatida nas instâncias dos movimentos sociais,<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a> tratou-se de uma ação &#34;espetacularizada&#34; que tinha uma dupla intenção:   produzir um facto político e lançar a campanha nacional <i>Reparações já! </i>–<i> Eu também quero o meu</i>. Ao que parece, ambos os intentos foram alcançados.   No dia seguinte (20 de novembro de 1993) os jornais da grande imprensa, como o <i>Diário     Popular</i> e a <i>Folha de São Paulo</i>, repercutiram o protesto, trazendo   chamadas na primeira página.<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a> E aos poucos a campanha passou a ser difundida, comentada e debatida.   O seu <i>slogan </i>(<i>Reparações já!</i>) era uma alusão aos quase 400 anos   de cativeiro no Brasil, &#34;quando os africanos e seus descendentes escravizados   não foram pagos pelo trabalho de construção de toda a riqueza material do   país&#34;.<a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="top10"></a></p>     <p>Os ativistas que promoveram o protesto tentaram   colocar em xeque a &#34;fábula das três raças&#34;, um discurso da mestiçagem tolerante   que, segundo Roberto da Matta, constitui um dos mitos fundadores da nação   (Matta, 1987). Enquanto outros tipos de política racial adotados até então   (como a promoção simbólica da cultura afro-brasileira, por intermédio do samba   na música; da capoeira na prática desportiva e da feijoada na culinária, por   exemplo) apresentavam-se como corretivos do modelo estabelecido, sem confrontar   diretamente o <i>ethos</i> nacional, a proposta das reparações implicava   reconhecer que os afro-brasileiros foram prejudicados ao longo da história e,   no limite, significava admitir que esse problema não teria saída possível no interior de uma gramática cultural que retratava a nação como   &#34;cadinho de raças&#34;. Quando questionado se tinha noção que um protesto fundado   no princípio da desobediência civil desafiava o &#34;mito da democracia racial&#34;,   Luiz Carlos dos Santos – uma das lideranças do Movimento Pelas Reparações (MPR)   – respondeu:</p>     <p>Claro que tínhamos.   E esse é era o nosso objetivo. Desconstruir o mito da democracia racial. E como   isso aconteceria? Os jovens estudantes de Direito têm o dia 11 de agosto como o   &#34;dia do pendura&#34;. Eles comem e bebem de graça nos restaurantes da cidade [de   São Paulo] e todo mundo acha legal tal atitude. A nossa estratégia foi fazer a   mesma coisa no dia 20 de novembro, dia da consciência negra, sabendo que a   reação de muitos setores da sociedade não seria tão simpática, como aquela que   se tem com os estudantes de Direito. Podíamos inclusive ser presos por isso.   Prevenimo-nos, contatando dois advogados: a professora Eunice Prudente [da   Faculdade de Direito da USP] e o Dr. Celso, ligado se não me engano à Comissão de Direitos Humanos da OAB [Ordem dos Advogados   do Brasil]. Como o nosso plano A deu certo, não precisamos dos serviços   advocatícios. O Plano A era terminado o almoço, voltaríamos em pequenos grupos,   de ônibus, para a sede do NCN, para uma breve avaliação, e de lá, iríamos, como   fomos, participar dos vários eventos do Dia Nacional da Consciência Negra em   São Paulo e informar aos presentes o que tinha acontecido<a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="top11"></a></p>     <p>Por essa postura tão controvertida e incomum na   cultura política brasileira, os ativistas do MPR foram criticados por setores   dos movimentos sociais e acusados de &#34;agitadores&#34;, &#34;irresponsáveis&#34;,   &#34;excêntricos&#34;, &#34;inconsequentes&#34; e até &#34;contraventores&#34;. Mesmo assim, eles   levaram adiante a campanha pelas reparações, que reivindicava do Estado   brasileiro medidas redistributivas e o pagamento de US$ 102 mil para cada um   dos afrodescendentes. Argumentava-se que devido aos &#34;crimes, aos danos e às   atrocidades&#34; causadas pelo &#34;infame tráfico de carne humana&#34;, o Estado   brasileiro teria uma dívida não só moral, como também material com todos os descendente de escravos. O trabalho não remunerado   por quase quatro séculos teria significado uma &#34;expropriação&#34; do africano e dos   seus descendentes escravizados, os quais precisavam de ser compensados de forma pecuniária para se começar a fazer justiça em terra <i>brasilis.</i><a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="top12"></a></p>     <p>No artigo introdutório do debate sobre o MPR,   publicado no jornal <i>O Estado de São Paulo</i> em 10 de outubro de 1993,   Fernando Conceição – outra liderança do movimento – proclamava que os negros da   diáspora se consideravam &#34;sequestrados&#34; históricos. Os &#34;nossos ancestrais&#34;,   afirmava ele, &#34;não se movimentaram por conta própria pelo planeta, ao menos nos   últimos cinco séculos. Eles foram caçados como animais, com os cães no seu   encalço. Foram amarrados, surrados, estuprados, amontoados no lodo dos navios&#34;.   A África teria sido vítima desse &#34;sequestro histórico   monstruoso&#34;, que &#34;arrancou&#34; do continente milhões de pessoas e &#34;dilapidou&#34; com   suas riquezas materiais nos últimos quinhentos anos. Diante desse quadro de   &#34;usurpação&#34;, aquela liderança afro-brasileira avaliava que &#34;o mundo branco   ocidental, independentemente da forma e do sistema de governo, tinha uma dívida   com a África e com os descendentes dos africanos dispersos pelas Américas e   pela Europa. Essa dívida tinha de ser paga&#34;. E não de maneira simbólica, mas   objetiva e materialmente.<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="top13"></a></p>     <p>A partir da sua sede no Núcleo de Consciência   Negra (na capital paulista), o MPR estruturou-se, instituindo e planeando as   diretrizes programáticas. Sem a existência de cargos ou comissão diretiva, o   movimento expandiu-se e adquiriu uma dimensão interestadual, com representações   nas cidades de Campinas, Jundiaí e Santos (em São Paulo) e noutros Estados (Rio   Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espirito Santo e Bahia)<a href="#14"><sup>[14]</sup></a><a name="top14"></a> Publicou o <i>Jornal das Reparações</i>, distribuiu boletins e   panfletos, editou o <i>Caderno pelas Reparações</i>, produziu T-shirts nas   quais se podia ler &#34;Movimento pelas reparações!&#34; e   patrocinou uma série de atividades como palestras, encontros, <i>shows</i>,   seminários e plenárias (em escolas, faculdades, sindicatos e entidades negras),   sem considerar os atos públicos. Em 1993, o <i>rapper</i> carioca Big Richard   gravou o seu primeiro álbum pela editora Emi-Odeon. Uma das faixas do disco   chamava-se justamente &#34;Reparações-Já&#34;:</p>     <p>Eu também quero o meu, pare e repare</p>     <p>E veja o quanto tempo nosso povo se fudeu</p>     <p>Vou te processar também vou te avisar que não   estamos</p>     <p>parados e no prejuízo não podemos ficar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Olhe para trás e veja onde o meu povo está.</p>     <p>Reparações Já! (bis)</p>     <p>Reparações Já! (bis)</p>     <p>Exigimos de vocês, não meia dúzia de cargos ou   dinheiro talvez.</p>     <p>Queremos retratação por esses quatrocentos anos   de judiação</p>     <p>Norte Sul Leste Oeste, Centro-Oeste e também para Nordeste</p>     <p>queremos reparações, não aturamos esta falsa abolição.</p>     <p>Lutamos muito mais, do que pelo direito a um   prato de arroz com feijão.</p>     <p>Refrão</p>     <p>Eu sei que vocês devem estar abismados, porque   falo e não fico calado;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>muito menos fico parado com o ato desses (racistas otários) nunca mais!</p>     <p>Que deixem nosso povo em paz.</p>     <p>E veja a quanto tempo   nosso povo se fudeu</p>     <p>Hoje também quero o meu.<a href="#15"><sup>[15]</sup></a><a name="top15"></a></p>     <p>Em 1994, o advogado do MPR representou 14 pessoas   – incluindo Maria do Carmo, à época com 125 anos de idade e considerada a única   ex-escrava ainda viva no Brasil – e ingressou com uma ação declaratória na   Justiça Federal em São Paulo, pleiteando da União o reconhecimento do direito à   indemnização dos afro-brasileiros – no &#34;valor total de US$ 6,14 trilhões. Para   cada descendente de escravos, US$ 102 mil&#34; –, que seria requerida   posteriormente em ação coletiva de execução.<a href="#16"><sup>[16]</sup></a><a name="top16"></a> Conforme justificava Fernando Conceição naquele momento, &#34;a situação de   marginalidade vivida hoje pelos descendentes de escravos foi provocada pela   forma como se deu a Abolição&#34;. Quando extinguiu a escravidão, o Estado   brasileiro omitiu-se, não dando qualquer amparo aos ex-escravos. &#34;Eles não   tinham terra, casa, emprego ou escolaridade&#34;, ressaltava Conceição.<a href="#17"><sup>[17]</sup></a><a name="top17"></a> O valor de US$ 102 mil por afrodescendente era resultado de um cálculo   estimado pela liderança do MPR, e levava em conta o suposto número de escravos   que veio para o Brasil (3,6 milhões), o tempo médio de anos trabalhados por   cada um (20 anos) e a renda média anual de trabalhadores dos países   &#34;desenvolvidos&#34; (US$ 10 mil). Os salários dos países &#34;desenvolvidos&#34; [europeus]   serviram de parâmetro porque foram estes que teriam patrocinado o tráfico de   escravos. Eis a justificativa completa de Conceição, que foi publicada no   jornal do movimento:</p>     <p>De acordo com [os historiadores] João Fragoso e   Manolo Florentino, e David Mills et. al. entraram no Brasil e trabalharam como   escravos 3.600.000 africanos. Considerando que cada escravo gerou, pelo menos, 3 filhos/escravos, se chega ao total de que nos quase   400 anos de cativeiro, o Brasil teve aproximadamente 30.700.000 escravos. A   vida de trabalho por escravo estima-se em 20 anos. Deduz-se que o trabalho   escravo representou 614.000.000 de anos de trabalho não remunerado. Pegando-se   como referência o salário mínimo/anual do trabalhador nos países   &#34;desenvolvidos&#34;, que chega atualmente a US$ 10.000,   conclui-se que: os beneficiados da exploração dessa mão de obra gratuita são   devedores de US$ 6.140.000.000.000,00 (seis trilhões e cento e quarenta bilhões de   dólares). De forma alternativa, podemos dizer que: temos hoje, no Brasil, pelo   menos 60.000.000 de descendentes de africanos escravizados. Isto significa que   cada descendente é credor do equivalente a 10 anos de trabalho escravo do seu   antepassado. Dessa forma, conclui-se que: cada descendente tem direito a   receber, individualmente, US$ 102.000,00 (cento e dois mil dólares), aproximadamente.<a href="#18"><sup>[18]</sup></a><a name="top18"></a></p>     <p>No dia 13 de maio de   1994 – na data alusiva à abolição oficial da escravidão no Brasil – o grupo   originário do MPR, acrescido de mais alguns membros, voltou ao restaurante do   hotel Maksoud Plaza, a fim de criar um novo facto político e dar visibilidade   ao problema do preconceito racial e da desigualdade social no país. Desta vez,   porém, a coisa não correu da mesma forma.</p>     <p>O <i>maître</i> do   estabelecimento aproximou-se do grupo no <i>hall</i> e informou que só poderiam   almoçar se pagassem antecipadamente os pratos, o que provocou a indignação de   Fernando Conceição. &#34;É um absurdo, uma discriminação. Pretendemos pagar&#34;,   bradou na ocasião.<a href="#19"><sup>[19]</sup></a><a name="top19"></a> Os integrantes do grupo esperaram cerca de 45 minutos no restaurante até que se resolvesse o   impasse com o gerente, que insistia que os pedidos fossem pagos antes de chegar   às mesas. O advogado José Roberto Militão, integrante do grupo, deixou então o   hotel para registrar queixa de &#34;discriminação racial&#34; no 5.º Distrito Policial   (no bairro da Aclimação). &#34;É uma exigência descabida. Não exigem o mesmo dos   estudantes que vêm aqui dar o &#39;pendura&#39;&#34;, vociferou outro integrante do grupo,   Luiz Carlos dos Santos.<a href="#20"><sup>[20]</sup></a><a name="top20"></a> O grupo finalmente decidiu pagar   adiantado o valor referente às cervejas, uma garrafa de champanhe, frutos do   mar e pratos de filé de peixe.</p>     <p>Este episódio é um indicador de como o MPR não   passava completamente despercebido naquela conjuntura. Quando chegaram ao   restaurante do Maksoud Plaza, os seus membros não puderam contar mais com o   elemento surpresa. A campanha pelas reparações já estava entrando em voga, com   as suas palavras de ordem cruzando as &#34;fronteiras&#34; da opinião pública, da   academia e dos movimentos sociais. Para empreendê-la, o MPR buscou articular   uma aliança com as forças políticas consideradas progressistas (a saber:   intelectualidade, partidos de esquerda, entidades estudantis, sindicatos, OAB e   ONGs internacionais). O auge da campanha ocorreu no biénio 1995 e 1996, quando o   movimento angariou a atenção de agências da sociedade civil. Promoveu dezenas   de debates, seminários, encontros nos estados (como Maranhão, Bahia, Sergipe,   Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro); cresceu   em número de adeptos e ganhou espaço na grande imprensa, sendo objeto de   reportagens nas emissoras de rádio, de televisão (como <i>Globo</i>, <i>Bandeirantes</i>, <i>Cultura</i>, <i>Gazeta</i>) e nos jornais, do Brasil (como <i>Folha de São     Paulo</i>, <i>O Estado de São Paulo</i>, <i>Jornal do Brasil</i>, <i>Diário       Popular</i> e <i>Jornal da Tarde</i>) e do exterior (pelo menos na Alemanha, em   Portugal e nos EUA). O <i>The Wall Street Journal</i>, de Nova Iorque, pautou o   MPR em matéria, sendo chamada publicada na primeira página do tablóide.<a href="#21"><sup>[21]</sup></a><a name="top21"></a> O movimento contribuiu para a popularização da palavra &#34;reparações&#34;,   que, por sinal, passou a ser utilizada por outros grupos de pressão da   sociedade e pelos próprios <i>media</i> como sinónimo de fazer justiça por   danos causados no passado.<a href="#22"><sup>[22]</sup></a><a name="top22"></a></p>     <p>Aparentemente, nada parecia conter o avanço e   fortalecimento do MPR. Essa foi a razão pela qual   Fernando Conceição não conseguia ocultar o seu entusiasmo no documento de   balanço das atividades do movimento em 1995: &#34;indubitavelmente, o MPR é hoje a   mais ousada e revolucionária proposta de luta do conjunto do movimento negro   brasileiro&#34;. Hiperbólico, ele continuava a ponderação: &#34;Em realidade, nenhum   outro movimento social bate de frente com as estruturas arcaicas da sociedade   brasileira. Mesmo o Movimento dos Sem-Terra, que também no ano passado passou a   merecer maior atenção da mídia, não &#39;choca&#39; mais, não é mais &#39;polêmico&#39;, não é   mais ruptor que o MPR&#34;.<a href="#23"><sup>[23]</sup></a><a name="top23"></a> Não obstante os exageros de Conceição, foi naquele período que o movimento alcançou maior visibilidade pública.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 20 de novembro   de 1995 – nas comemorações do tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares –,   milhares de ativistas afro-brasileiros participaram da <i>Marcha sobre     Brasília</i> (Reiter e Mitchell, 2009) e, no meio da multidão, era possível ver   a bandeira do MPR. Naquela data, foi entregue em discurso no Congresso Nacional   uma minuta de projeto de lei respaldada por quase 10 mil assinaturas colhidas   nos meses anteriores em vários estados brasileiros. A proposta abordava uma   série de políticas de ações afirmativas – cotas no sistema educacional, no mercado   de trabalho e nos meios de comunicação –, sendo a mais polémica o pagamento de   uma indemnização financeira.<a href="#24"><sup>[24]</sup></a><a name="top24"></a> Solidarizando-se com o MPR, o então   deputado federal Paulo Paim (PT) apresentou oficialmente o Projeto de Lei n.º   1239, que num dos seus artigos requeria da União a indemnização de 102 mil reais para cada descendente de escravo no Brasil: &#34;A   União pagará, a título de reparação, a cada um dos descendentes de africanos   escravizados no Brasil o valor equivalente a R$ 102 000,00 (cento e dois mil reais)&#34;.<a href="#25"><sup>[25]</sup></a><a name="top25"></a></p>     <p>Muitos setores da sociedade civil e do poder   governamental opuseram-se ao MPR, reagindo com hostilidades das mais diversas.   Marcelo Coelho teria sido o primeiro articulista a ocupar as páginas da <i>Folha     de São Paulo</i> para atacar o movimento, &#34;logo depois do almoço no Maksoud   Plaza&#34;. A seu ver, &#34;ações de protesto daquela natureza levariam ao acirramento   do racismo no Brasil&#34; (Conceição, 2005, p. 82). O jornalista Nelson Ascher   publicou um artigo (&#34;Minorias que querem demais&#34;) no mesmo órgão da imprensa,   questionando a validade (e seriedade) da reivindicação de uma &#34;indenização   monetária&#34; aos afro-brasileiros. Isto não seria mais igualdade de direitos e   sim &#34;direitos extras&#34;. Partindo desse pressuposto, Ascher desferia uma série de   indagações: considerando que parte substancial da população branca das Américas   chegou depois da abolição do cativeiro, o que ela teria a ver com esse   problema? Se os proprietários de escravos eram uma classe pequena e restrita, devia-se condenar os descendentes dos não proprietários?   Podia-se atribuir culpa coletiva a uma raça devido a crueldades cometidas por   alguns dos seus membros há mais de um século? Por outras palavras, devia algum   grupo ter direitos preferenciais derivados das injustiças perpetradas contra os   seus ancestrais? No desfecho de seu artigo, o jornalista da <i>Folha de São     Paulo</i> era bastante enfático:</p>     <p>As exigências das alas mais radicais desses   grupos [minorias ou grupos sociais há muito discriminados] – num país como os   EUA, não o Brasil onde a luta pelos direitos mal engatinha, se tanto – levanta   a suspeita de que conquistas como a igualdade de direitos e a separação   rigorosa entre o que é público ou privado já não lhes bastam. Almeja-se a   aquisição de direitos suplementares garantidos por um acesso preferencial à   esfera pública e justificados por sofrimentos ou injustiças ancestrais. Isso   pode até ser conseguido, mas às custas do princípio da   igualdade que subjaz à democracia. Direitos suplementares e acesso preferencial   à esfera pública têm um nome antigo: privilégio.<a href="#26"><sup>[26]</sup></a><a name="top26"></a></p>     <p>Para Nelson Ascher, a plataforma do MPR não   significava outra coisa senão &#34;privilégio&#34;, um mal que atentaria contra o   princípio da democracia. Portanto, nada mais inadequado e ineficaz para o   Brasil. Partindo do pressuposto de que havia igualdade de direitos para negros   e brancos no acesso aos bens, serviços e recursos, ele não reconhecia a   legitimidade da campanha que evocava &#34;sofrimentos ou injustiças ancestrais&#34;. O   debate público sobre as reparações estava instalado no país. Uma semana depois,   Marta Suplicy – uma psicanalista e sexóloga que se tornou política – respondeu   a Ascher em artigo (&#34;As minorias querem muito mais&#34;) publicado na mesma coluna   da <i>Folha de São Paulo</i>. Na sua opinião, o fruto   da produção da mão de obra negra na &#34;América&#34; ficou para os &#34;americanos   brancos&#34;. A prerrogativa das políticas compensatórias não seria uma questão de   &#34;atribuir culpa coletiva a uma raça devido a crueldades cometidas por alguns de   seus membros há mais de um século&#34;, como escreveu Ascher, e &#34;sim de tentar fazer   algo que possa contribuir para dirimir as dificuldades enfrentadas pelos   descendentes de escravos&#34;. Para Suplicy, a atitude do grupo de negros – que   &#34;comeu e bebeu do melhor no Hotel Maksoud, e saiu sem pagar a conta porque esta   lhe era devida por anos de escravidão&#34; – era exagerada, embora lembrasse as   atitudes das primeiras feministas quando se declararam inimigas do homem: &#34;faz   parte de uma posição radical que tende ao equilíbrio com a aquisição de maior   respeito e poder na sociedade&#34;.<a href="#27"><sup>[27]</sup></a><a name="top27"></a></p>     <p>Cerca   de 15 dias depois,   Fernando Conceição também procurou refutar as críticas de Ascher num artigo   (&#34;Reparação não é um privilégio&#34;) publicado no mesmo periódico. O seu argumento   era de que a exigência de indemnização por parte dos descendentes de africanos   escravizados tinha precedentes históricos entre os judeus, povo do qual Ascher   descenderia. A construção e manutenção do Estado de Israel constituía exemplo   clássico de indmenização paga pelos que infligiram sofrimento a um segmento   populacional. Até hoje a Alemanha estaria indemnizando os judeus. Do mesmo modo   fizeram os EUA com os descendentes de japoneses confinados em &#34;campos de   concentração&#34; durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945): estariam a   indemnizá-los com US$ 20   mil individuais. Para concluir, Conceição ponderava:</p>     <p>Reparar os danos   perpetrados contra os nossos ancestrais, sejamos negros ou judeus, não é exigir   privilégios. Os países que sequestraram do continente africano entre 20 milhões   a 200 milhões de pessoas, nos 400 anos de tráfico, têm uma dívida para com a   África. Foi a partir dessa mão de obra gratuita que se iniciou, efetivamente, a   riqueza do mundo branco ocidental. Essa riqueza é fruto das atrocidades   cometidas contra um povo, no maior genocídio ainda não reparado da história da   humanidade. Genocídio e escravidão são crimes contra a dignidade humana, são   crimes imprescritíveis, com repercussões através dos séculos. No Brasil, maior   país escravocrata das Américas, teriam entrado 3.600.000 africanos – outro   tanto morreu na travessia, nos fétidos porões dos   navios negreiros As consequências disso é o status subalterno da negrada até   hoje. Está na hora da sociedade brasileira, como um todo, ser cobrada. Não   queremos apenas o reconhecimento e o pagamento moral desse crime. Além disso,   queremos a nossa parte da riqueza que ajudamos a construir.<a href="#28"><sup>[28]</sup></a><a name="top28"></a></p>     <p>De facto, as reparações a grupos específicos têm   lastro na história. O mais célebre caso beneficiou os judeus que, por causa   horrores cometidos pelo nazismo, foram (ou estão sendo) ressarcidos, tanto por   parte da Alemanha (em mais de 58 bilhões de dólares) quanto pela Áustria e pela   Suíça. Os japoneses – confinados arbitrariamente em campo de isolamento pelo   governo dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial – foram   indemnizados. Estima-se que cada japonês, descendente dos que sofreram nos   campos de isolamento, recebeu US$ 20 mil, a partir de uma lei (<i>Civil Liberties Act</i>) aprovada no   Capitólio em 1988 e sancionada dois anos depois. Dadas às perseguições,   espoliações e chacinas, algumas nações indígenas na América do Norte foram   ressarcidas materialmente. Os esquimós do Alasca também o foram, num bilião de   dólares (Kelley, 2002, pp. 113-114).<a href="#29"><sup>[29]</sup></a><a name="top29"></a> Enfim, os casos análogos poderiam alongar-se, mas os listados aqui são   suficientes para mostrar as fontes de inspiração do Movimento Pelas Reparações   dos Afrodescendentes. Longe de ser inédita, tratava-se de uma política pública   que já tinha sido adotada em outros países, e mesmo no Brasil<a href="#30"><sup>[30]</sup></a><a name="top30"></a> Entretanto, Nelson Ascher não conseguia concebê-la nesses termos. O   jornalista da <i>Folha de São Paulo</i>, Geraldo Magela Quintão (o então   advogado-geral da União) e a maior parte da opinião pública não aprovavam a   campanha do MPR, por várias razões. Diziam que era &#34;descabida&#34;<a href="#31"><sup>[31]</sup></a><a name="top31"></a> e o afro-brasileiro não precisava de filantropia, nem esmola. Outros   diziam que jamais se sujeitariam a receber &#34;migalhas&#34; por parte do Estado   brasileiro. Alguns afirmavam que esta ideia era alienígena, incompatível com a   &#34;especificidade do nosso racismo <i>sui generis</i>&#34;.<a href="#32"><sup>[32]</sup></a><a name="top32"></a></p>     <p>Até fações do movimento negro e operário   mostraram relutância face à campanha<a href="#33"><sup>[33]</sup></a><a name="top33"></a> e, em algumas circunstâncias, passaram a tratá-la com chacotas. Vale a   pena aqui mencionar o artigo publicado no <i>Jornal do Sintusp</i> – órgão de   comunicação do Sindicato dos Trabalhadores da USP –, no qual lideranças afro-brasileiras   e sindicais acusavam a proposta de reparações de &#34;oportunista&#34;, &#34;de caráter   lotérico&#34;, de &#34;negociação de balcão, onde cada preto passa no caixa e recebe um   bolinho de dinheiro&#34;. &#34;Anote esta frase&#34;, diziam aquelas lideranças, &#34;quem quer   dinheiro? Esta é a propaganda. Dinheiro sem as dificuldades de ter que   elaborar, de ter que compreender o sistema e lutar pela sua transformação, sem   a necessidade de uma compreensão política&#34;.<a href="#34"><sup>[34]</sup></a><a name="top34"></a></p>     <p>É verdade que a   plataforma das reparações não era revolucionária à luz das categorias   analíticas marxistas, mas não nos parece que tinha um sentido alienante. No   âmbito da sociedade brasileira, ela conferia visibilidade à questão do negro e   chamava à atenção para a necessidade de ampliação da cidadania e dos direitos   humanos desse contingente populacional. Em termos da identidade nacional, a   proposta das reparações representava uma potencial ameaça à ideologia da   democracia racial e, em última instância, apontava a necessidade de reinventar   a &#34;comunidade imaginada&#34; chamada Brasil (Anderson, 2008).<a href="#35"><sup>[35]</sup></a><a name="top35"></a> Quando entrevistado, Luiz Carlos dos   Santos revelou que o MPR também queria mudar o &#34;paradigma&#34; do discurso   militante. Em vez de cristalizar o negro como &#34;objeto vitimizado apenas,   queríamos colocar a cara preta de parcela significativa da população brasileira   nas páginas de política, economia, ciência e cultura, mostrando e ocupando o   lugar de sujeitos/protagonistas na história do país&#34;.<a href="#36"><sup>[36]</sup></a><a name="top36"></a> <i>Pari passu</i> em que referenciava a   agência histórica do protagonismo afro-brasileiro, o MPR inscrevia-se no   processo de formação do movimento negro e da construção das suas políticas   raciais – um processo contínuo de fazer-se, desfazer-se e refazer-se na   experiência, em conexão com as demandas contingenciais em escala tanto   local/regional quanto transatlântica, afrodiaspórica.</p>     <p>É nesse sentido que a defesa das reparações se   transmutou em instrumento catalisador de uma nova política racial. Antes,   porém, de desenvolver esse argumento, vejamos como Paul Gilroy define o   Atlântico Negro: um sistema articulado de fluxos e refluxos, deslocamentos,   reterritorializações, contatos, trocas e empréstimos envolvendo as populações   da diáspora africana e seus descendentes na América, no Caribe e na Europa na   era moderna; seria uma estrutura de comunicação transnacional em que tais   populações se influenciam reciprocamente, por meio de estilos político   culturais, códigos estéticos, ideias, expectativas, discursos, reivindicações,   projetos, sempre numa relação dialógica entre o local e o global (Gilroy,   2001).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tratando-se do MPR,   este foi de facto influenciado pela agenda das lides antirracistas do circuito   transatlântico. É tanto que o movimento traduziu e publicou no seu jornal a   declaração da <i>First Pan-African Conference on Reparations</i> em Abuja   (Nigéria) e ainda veiculou na coluna &#34;Pan-African&#34;, na edição de dezembro de   1993, o anúncio de que: &#34;O MPR no   Brasil começa a contatar entidades pelas reparações no exterior. Planeja-se uma   viagem de integrantes do movimento aos Estados Unidos e troca de informações   com a Organização pela Unidade Africana&#34;.<a href="#37"><sup>[37]</sup></a><a name="top37"></a> Segundo o historiador Wolfgang Döpcke, a ideia de compensar as vítimas   do tráfico de escravos data já dos &#34;primórdios do pensamento pan-africanista na   diáspora, desde o fim do século XIX&#34;. Nos Estados Unidos, a exigência de   ressarcimento pelo sofrimento durante 350 &#34;anos de exploração da mão de obra   escrava sem remuneração&#34; manteve-se como um &#34;elemento central&#34; do pensamento   negro (dentre outros, de Martin Luther King, de Malcon X e do <i>The Black     Panther Party for Self-Defense</i>) e, subsequentemente, &#34;dos movimentos   sociais e de direitos civis&#34; dos anos 1960 (Döpcke, 2001, p. 27).</p>     <p>Uma das propostas pioneiras de reparações raciais   foi elaborada sob os auspícios da &#34;Queen Mother&#34; Audley Moore. Figura   importante do radicalismo afro-americano, ela começou a sua militância como   devota admiradora do movimento de Marcus Garvey. Nos anos 1930, aderiu ao   Partido Comunista dos Estados Unidos (CPUSA), sem contudo jamais ter abandonado o nacionalismo negro. Na década de 1950, fundou a   Universal Association of Ethiopian Womens e, na década seguinte, lançou o   African-American Party of National Liberation. Como indica Robin Kelley, ela   lançou a questão das reparações em 1962, formando o Comité das Reparações dos   Descendentes de Escravos (<i>Reparations Committee of Descendants of US Slaves</i>)   no ano do centenário da Proclamacão da Emancipacão. O seu agrupamento postulava   do governo federal o pagamento de quinhentos triliões de dólares aos afro-americanos,   para serem distribuídos entre as quatro gerações seguintes, como forma de   recompensa pela escravidão e pelo regime do Jim Crow. No entanto, foi o &#34;Black   Manifesto&#34;, articulado em 1969, o primeiro projeto sistemático de reparações   que emergiu no movimento afro-americano. O documento surgiu quando James Forman   – um líder negro socialista do Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC)   – foi convidado para falar na Conferência Nacional Negra de Desenvolvimento   Económico. Na ocasião, ele lançou o &#34;Black Manifesto&#34;, que requeria 500 milhões   de dólares em indemnizações a serem pagas pelas &#34;white Christian churches&#34;. Argumentava que as instituições religiosas dos brancos   participaram e tinham beneficiado da &#34;exploração racista e capitalista do povo   negro&#34;. Para Forman, 500 milhões de dólares era uma quantia &#34;irrisória&#34; (pela   sua estimativa, esse valor, se distribuído, daria 15 dólares por   afro-americano), mas ele acreditava que esse dinheiro, ainda assim, poderia ser   investido na construção de um &#34;novo movimento revolucionário e no   fortalecimento da luta política dos negros e de suas instituições económicas&#34;   (Kelley, 2002, pp. 119-121).</p>     <p>Nas décadas de 1980 e   1990, a ideia das reparações disseminou-se nos EUA, resultando na fundação de   múltiplos grupos dedicados à causa (National Coalition of Blacks for   Reparations in America; Black Radical Congress; Transafrica, December 12<sup>th</sup> Movement; Nacional Black United Front) e na proliferação de livros, artigos e debates   públicos que abordavam os aspetos históricos, económicos, políticos, legais e   morais de uma questão tão controversa.<a href="#38"><sup>[38]</sup></a><a name="top38"></a></a> O Congresso Nacional norte-americano, em   face da pressão levada a efeito principalmente pelos seus membros negros,   discutiu em várias ocasiões projetos de lei sobre &#34;desculpas, indenizações e   monumentos de homenagem às vítimas do tráfico e da escravidão&#34;. A questão   ganhou mais destaque no final dos anos 1990, quando importantes líderes do   movimento de direitos civis, &#34;inclusive [o pastor e político] Jesse Jackson, e   amplos setores da sociedade americana, passaram a apoiar tais reivindicações&#34;.   Louis Farrakhan e os seus militantes falavam em &#34;holocausto negro&#34;, tipificando   a escravidão como o &#34;most horrendous holocaust in human history&#34; (Döpcke, 2001,   p. 27).</p>     <p>A ideia de pagamento de indemnização pelos males   da escravidão foi também esboçada em África (sobretudo Nigéria e Gana)<a href="#39"><sup>[39]</sup></a><a name="top39"></a> e nos países do Caribe. Com indivíduos e grupos dessas localidades mantendo   intercâmbio com o movimento dos afro-americanos, a   ideia ganhou musculatura e traduziu-se na criação de entidades, como a &#34;Afrikan   World Reparations e Repatriation Truth Commision (AWRRTC), no Gana, e a   &#34;Nigerian Civil Society&#34;, liderada Moshood Abiola, um chefe político nigeriano.   Mais do que fóruns específicos, uma rede de articulação transnacional foi   montada. Por iniciativa de Abiola, um grupo – composto por eruditos,   representantes governamentais e agentes sociais procedentes da África, da América,   da Europa e do Caribe – reuniu-se em Lagos (Nigéria) no final do ano de 1990.   Depois de discutir a questão da reparação pelo colonialismo e pelo escravismo e   ser ventilada a proposta de cancelamento da dívida externa da África, de   devolução dos &#34;tesouros tradicionais roubados&#34; (bens, artefatos e obras de   artes) e reconhecimento do tráfico transatlântico de escravo como um crime   contra a humanidade, foi instituído um comité internacional.<a href="#40"><sup>[40]</sup></a><a name="top40"></a></p>     <p>A Organização da Unidade Africana (OUA) decidiu   criar uma estrutura operacional voltada para tratar do assunto em 1992,   capitaneada por um comité de eminentes autoridades políticas, personalidades   públicas e cientistas sociais (<i>Group of Eminent Persons</i>), além de um   secretariado executivo. Naquele contexto, foram organizados vários eventos   sobre a reparação africana – Abuja, Nigéria (1993); Quidah, Benin (1999); St.   Louis, EUA (1999) e Accra (capital de Gana), também em 1999 – e a questão   ganhou dinâmica própria de um grupo de pressão internacional, encarregado   inclusive do grande projeto <i>A Rota do Escravo</i>, um estudo patrocinado   pela UNESCO para elucidar os factos que estiveram envolvidos em três séculos do   &#34;infame tráfico de carne humana&#34; na rede transatlântica. O projeto buscava   definir detalhadamente as quantidades, as tramas, as circunstâncias e as   responsabilidades sobre o tráfico e a escravidão. Em 1999, uma comissão   africana sobre o assunto adotou a Declaração de Acra, na qual países africanos   exigiam o pagamento de US$ 777 bilhões pelo tráfico negreiro. Segundo essa declaração, a reparação   devia ser paga por &#34;todos os países e pelas instituições da Europa Ocidental e   das Américas que participaram do comércio de escravos e do colonialismo e que   deles tiraram proveito&#34;.<a href="#41"><sup>[41]</sup></a><a name="top41"></a></p>     <p>No Caribe e região,   surgiram vários grupos para discutir o assunto desde a década de 1980.   Apoiando-se em informações históricas e legais, líderes de países – como   Jamaica, Barbados, Trinidad e Tobago, Haiti, Guiana e Suriname – estudaram a possibilidade de reclamar aos antigos impérios   coloniais europeus (particularmente Inglaterra, França e Holanda) reparações   pelo uso de trabalho forçado de africanos e pelo &#34;genocídio&#34; dos indígenas.   Aliás, a Comunidade do Caribe (CARICOM) anunciou, há pouco tempo, que moveria   uma ação dessa natureza no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia. Não   existe consenso sobre a matéria.<a href="#42"><sup>[42]</sup></a><a name="top42"></a> Já nos EUA, as lideranças do movimento   pelas reparações preconizam a necessidade de os afro-americanos elegerem   políticos comprometidos com a aprovação de uma lei no Congresso, obrigando o   Estado a pedir desculpa pela escravidão e a indemnizar os descendentes de   escravos. Calcula-se que deveria ser paga uma soma na casa dos triliões de dólares   aos descendentes da diáspora africana naquele país (Martin e Yaquinto, 2007)<a href="#43"><sup>[43]</sup></a><a name="top43"></a></p>     <p>Foi, assim, na esteira dessa mobilização no   circuito do Atlântico Negro que, no Brasil, alguns grupos começaram a discutir   o assunto. É interessante notar que, embora fazendo parte desse circuito, o   setor hegemónico do movimento afro-brasileiro insistia até esse instante em não   encampar as políticas reparatórias, divergindo ou negligenciando as   reverberações de tais políticas à escala internacional. Isso sinaliza como a   história do Atlântico Negro – constantemente marcada pelos movimentos em prol   da emancipação, autonomia e cidadania das populações afrodiaspóricas – propicia   um meio para reexaminar os problemas de nacionalismo, posicionamento político,   identidade e memória histórica (Gilroy, 2001).</p>     <p>A linguagem, as   permutas de experiências e as teias políticas da &#34;metadiáspora&#34; assumem uma   dimensão multilateral, porém os seus significados, as suas negociações e   apropriações adquirem um carácter local, configurando o que Kim Butler denomina   de &#34;minidiásporas&#34; (Butler, 2007). Aprioristicamente, não se atribui   legitimidade às demandas forjadas na esfera transnacional. Estas têm, primeiro, de vencer as resistências democráticas ao   nível nacional, antes de serem convertidas em intervenções públicas efetivas.   Decerto eventos mundiais, como conferências de cúpulas, &#34;campanhas   internacionais ou o envolvimento de atores transnacionais de peso, como as   fundações filantrópicas norte-americanas, influenciam os ânimos políticos no   interior do país. Esses fatores contam, contudo, como codeterminantes que não   substituem os mecanismos nacionais de tomada de decisão&#34; (Costa, 2006, pp. 222-223).   Ou seja, os processos de formação do posicionamento em âmbito nacional   continuam a ser a principal garantia de legitimidade para as decisões   políticas.</p>     <p>RESSIGNIFICANDO   POLÍTICAS RACIAIS</p>     <p>Com a atomização interna   e o isolamento político cada vez mais crescente, o MPR foi arrefecendo, esvaziando-se, e foi praticamente sepultado   no último quartel da década de 1990. Alguns dos seus militantes ainda fundaram   o &#34;Comitê Pró-Cotas para Negros na USP&#34; e realizaram uma série de manifestações   no <i>campus</i> universitário, como a &#34;crucificação&#34; de um ator negro, um   &#34;despacho para Exu&#34; na porta da Reitoria, a queima de uma barreira de pneus no   portal principal da USP, sem falar de pichações nos muros do <i>campus</i>.<a href="#44"><sup>[44]</sup></a><a name="top44"></a> Na fase inicial, a proposta de cotas (ou reserva de vagas) para negros   na universidade pública também causou controvérsias diversas. Sem embargo, essa   nova modalidade de ações afirmativas foi aos poucos ganhando respaldo no   movimento social e suplantou a retórica das compensações pecuniárias. Isto no   Brasil, pois, no âmbito global, inclusive na América Latina, a questão das   reparações tomou destaque (e proporções) sem precedentes (Mazrui e Mazrui,   2002; Mosquera e Barcelos, 2006; Howard-Hassmann e Lombardo, 2008; Johnston e   Slyomovics, 2009; Brophy, 2008).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na III Conferência da ONU contra o Racismo,   Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, em Durban (África do   Sul), em 2001, os países africanos reclamavam dos EUA, de alguns países   europeus e até mesmo do Brasil, o pagamento de uma indemnização pela   escravidão, pelo tráfico de seres humanos e por outras injustiças do passado.   Mas não havia consenso. Afinal, de que forma foram os africanos afetados pela   escravidão? Quem deveria ser responsabilizado pelo pagamento da indemnização?   Que tipo de pesquisa histórica deveria ser feita para   determinar o que aconteceu durante os mais de três séculos de comércio de seres   humanos? Como poderia ser aquilatada a compensação financeira pela destruição   de civilizações? Quem teria o direito de receber tal pagamento? Eram muitas as   perguntas e poucas as respostas convergentes para uma questão tão complexa,   espinhosa e traumática.<a href="#45"><sup>[45]</sup></a><a name="top45"></a> Talvez tenha sido por isso que algumas vozes, em vez de indemnização   pecuniária, preconizavam o perdão da dívida externa dos países africanos, forma   de reparação que, além do cunho moral, seria mais exequível. Outras vozes, como   a do senegalês Doudou Diène (diretor do projeto da UNESCO <i>A Rota do Escravo</i>),   argumentavam que o ressarcimento financeiro era secundário. Antes que esta   questão fosse pautada, era necessário que houvesse reparação moral ou ética e   reparação histórico-científica. &#34;A reparação moral ou ética&#34;, postulava Diène,   &#34;é a base para qualquer outro esforço. Queremos que o tráfico de seres humanos   seja reconhecido como crime contra a humanidade pela Assembleia Geral das   Nações Unidas. Pleiteamos a admissão da tragédia e do crime por toda a   comunidade internacional&#34;.<a href="#46"><sup>[46]</sup></a><a name="top46"></a></p>     <p>No Brasil, Ubiratan Castro de Araújo também   advogava ideia similar ao argumentar que os males decorrentes da exploração e   violência do escravismo, sofridos pelos africanos e seus descendentes, não   poderiam jamais ser objeto de uma negociação que levasse &#34;a algum tipo de   indenização pecuniária individualizada. O sacrifício de Zumbi, de Manoel   Faustino e de Pacífico Licutan não tem preço&#34;. Este tipo de reparação daria aos   &#34;escravizadores e seus descendentes uma quitação definitiva, uma espécie de   &#39;lavagem de consciência&#39;. Preferimos continuar sempre credores&#34;. Em lugar de indemnização   monetária, o historiador afro-baiano propugnava a &#34;reparação moral da memória   dos que padeceram a escravidão&#34;, e a implementação de   amplos programas governamentais de carácter compensatório. Não obstante, o   direito à compensação deveria ser &#34;entendido como um direito difuso&#34;, ou seja,   nada de impulsionar políticas públicas focando exclusivamente a população   afrodescendente ou orientar-se tão-somente pelo critério racial (Araújo, 2001).</p>     <p>As contradições, ambivalências e narrativas   retóricas também compareciam ao debate, quando não serviam para anunciar os   sinais dos novos tempos. A perspetiva de reparação económica – para as   injustiças históricas derivadas da captura e escravização de africanos no   Brasil – foi suplantada pela de reconhecimento ético, legal, político e   cultural. Noutros termos, a plataforma das reparações materiais minguou no   cenário nacional, porém, caso se considere que &#34;reivindicar reparações é trazer   à luz de toda população negra do mundo as injustiças ainda não ressarcidas ao longo   da diáspora&#34; – como ventilou um ativista afro-brasileiro (Malachias, 1993, p.   13) –, a ideia de reparações, em vez de enfraquecer, adquiriu um novo formato,   ressignificando-se no cenário da política racial brasileira nos alvores do   terceiro milénio.<a href="#47"><sup>[47]</sup></a><a name="top47"></a></p>     <p>De volta ao MPR. Pode-se dizer hoje – cerca de   duas décadas depois da sua extinção – que ele contribuiu para a inflexão na   política racial do movimento negro brasileiro. Ainda que as políticas   compensatórias fossem conhecidas pelo menos desde os anos 1960, a partir da   experiência norte-americana, e já fizessem parte de certa maneira do repertório   de reivindicações do movimento negro desde os anos 1980 (Moehlecke, 2002), foi   somente no contexto da década de 1990 que se puderam construir as condições de   sistematização e legitimidade de tais políticas. Se a proposta que vingou como   eixo da luta do movimento não foi a de indemnização em dinheiro aos   afro-brasileiros pelo sofrimento dos seus antepassados durante a escravidão,   mas sim a de quotas raciais, tal proposta foi gestada no bojo do princípio que   rege o das reparações.<a href="#48"><sup>[48]</sup></a><a name="top48"></a></p>     <p>&#34;A meu ver&#34; –   declarou Paul Regnier – o MPR não se &#34;extinguiu&#34;. As ideias que ele trouxe para   a pauta estão &#34;brotando todos os dias na sociedade brasileira&#34;. E a &#34;adoção de   cotas pelas Universidades Federais, assim como a institucionalização de   secretarias de reparações, tanto a nível nacional, estadual e municipal podem ser vistas como desdobramento do MPR&#34;.<a href="#49"><sup>[49]</sup></a><a name="top49"></a> Regnier faz uma interpretação triunfalista (e   exagerada) do papel do MPR no transcurso da história do tempo presente no   Brasil. Com efeito, o almoço de protesto no Maksoud Plaza pode ser lido como   um marco simbólico nas hostes antirracistas. Independentemente de se concordar   ou não com aquele método de contestação, o episódio relacionou-se com o novo   momento histórico de renegociação da identidade nacional e de rearticulação do   movimento negro,<a href="#50"><sup>[50]</sup></a><a name="top50"></a> na medida em que pavimentou, ou mesmo   impulsionou em São Paulo, e mais tarde no resto do Brasil, o debate em torno   das políticas reparatórias ou – como ficaram mais popularizadas – das ações   afirmativas, especialmente na sua versão mais extrema e polémica, o programa de   quotas para negros.</p>     <p>Para finalizar este artigo, uma última ilação. Há   décadas, os intelectuais e ativistas do movimento negro fazem denúncias e   lideram campanhas contra o racismo, o que levou a sociedade brasileira a olhar   para si própria com menos condescendência em relação à situação racial   (Alberto, 2011). Tal objetivo, de certo modo, foi alcançado; agora chegou a vez   de a sociedade civil dar uma resposta à altura, incorporando as demandas   antirracistas na agenda nacional. A discussão acerca das ações afirmativas, da   qual as políticas de reparações fazem parte, entrou decididamente na ordem do   dia. A novidade que isso representa na história do Brasil é a projeção do   racismo como problema público – problema público não porque simplesmente   diversos atores, segmentos e agências passaram a falar da questão, mas porque pôs em foco as alternativas de futuro da nação e porque em   torno dela estão figurados e tematizados os desafios da cidadania e da   construção democrática. Embora o racismo seja hoje reconhecido e debatido no   plano da sociedade civil e do Estado, está longe de ter sido resolvido. Daí o   dilema colocado: como fazer para superar esse problema? Que tipo de políticas   se fazem necessárias para tornar o Brasil um país mais igualitário e   democrático, inclusive no que se refere às distorções de origem racial? Não   existem soluções mágicas, nem empreendimentos demiúrgicos. Qualquer programa de   ações afirmativas inspira-se numa nova noção de justiça e direitos humanos, em   que a distribuição dos bens e recursos é tão importante quanto a questão da dignidade e do respeito pelos grupos que tentam   mudar o imaginário sobre o lugar que ocupam na sociedade (Piovesan, 2005;   Lehmann, 2017). Uma ação justa deve respeitar uma certa relação de igualdade. Essa noção de justiça bidimensional, que abrange demandas   tanto em termos redistributivos como de reconhecimento, alarga a sua conceção   usual de modo a associá-la aos princípios democráticos (Neves, 2005). Afinal,   as lutas pelo reconhecimento devem andar entrelaçadas com as lutas pela   ampliação da cidadania numa sociedade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS   BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>ABIOLA,   M. K. O. (1992), &#34;Why reparations?&#34;. <i>West Africa</i>, 1 (7), pp. 910-911.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099225&pid=S0003-2573201800020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ADI, H. (2007), &#34;Combating racism and the issue of reparations&#34;. <i>Internacional Journal of African Renaissance Studies</i>, 2 (2), pp. 250-254.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099227&pid=S0003-2573201800020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALBERTI,   V., PEREIRA, A. A. (2007), <i>Histórias do Movimento     Negro no Brasil: Depoimentos ao CPDOC</i>, Rio de Janeiro, Pallas,   CPDOC, FGV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099229&pid=S0003-2573201800020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALBERTO,   P. L. (2011), <i>Terms</i><i> of Inclusion: Black Intellectuals in Twentieth-Century Brazil</i>, Chapel Hill,   NC, The University of North   Carolina Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099231&pid=S0003-2573201800020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALVES,   C. (2008), <i>Negros: o Brasil nos Deve Milhões!,</i> São Paulo, Scortecci.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099233&pid=S0003-2573201800020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDERSON,   B. R. (2008), <i>Comunidades Imaginadas:     Reflexões sobre a Origem e a Difusão do Nacionalismo</i>, São Paulo, Companhia   das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099235&pid=S0003-2573201800020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ANDREWS,   G. R. (1992), &#34;Desigualdade racial no Brasil e nos   Estados Unidos: uma comparação   estatística&#34;. <i>Estudos Afro-Asiáticos</i>, 22,   pp. 47-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099237&pid=S0003-2573201800020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDREWS,   G. R. (2007), <i>América Afro-latina     (1800-2000)</i>, São Carlos, SP, EdUFSCar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099239&pid=S0003-2573201800020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ARAÚJO, U. C. (2001), &#34;Reparação moral, responsabilidade pública e direito à igualdade do cidadão negro no Brasil&#34;. <i>In </i>G. V. Saboia, S. P. Guimarães (orgs.), <i>Anais   dos Seminários Regionais Preparatórios para Conferência Mundial Contra o   Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata</i>,   Brasília, Ministério da Justiça, pp. 123-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099241&pid=S0003-2573201800020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BECKLES,   H. M. (2007), &#34;&#39;Slavery was a long, long time ago&#39;: remembrance, reconciliation and the reparations discourse in the Caribbean&#34;. <i>Ariel</i>, 38 (1), pp. 9-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099243&pid=S0003-2573201800020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BECKLES,   H. M. (2013), <i>Britain&#39;s</i><i> Black Debt: Reparations for Caribbean Slavery and Native Genocide</i>,   Kingston, University of the West Indies Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099245&pid=S0003-2573201800020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BEHRENDT,   S., RICHARDSON, D., ELTIS, D. (2000), &#34;A participação   dos países da Europa e das Américas no tráfico transatlântico de escravos:   novas evidências&#34;. <i>Afro-</i>Ásia,<b> </b>(24), pp. 9-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099247&pid=S0003-2573201800020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BIONDI,   M. (2003), &#34;The rise of the reparations movement&#34;. <i>Radical History Review</i>, 87 (1), pp. 5-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099249&pid=S0003-2573201800020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BITTKER, B. I. (1973), <i>The Case for Black Reparations</i>, Nova Iorque, Random House.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099251&pid=S0003-2573201800020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BORUCKI,   A., ELTIS, D., WHEAT, D. (2015), &#34;Atlantic history and the slave trade to Spanish America&#34;. <i>The     American Historical Review</i>,   120 (2), pp. 433-461.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099253&pid=S0003-2573201800020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BROOKS,   R. L. (1999), <i>When</i><i> Sorry Isn&#39;tEnough: the Controversy over Apologies and Reparations for Human Injustice</i>, Nova Iorque, New York University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099255&pid=S0003-2573201800020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BROPHY,   A. (2008). <i>Reparations</i><i>: Pro and Con</i>, Nova Iorque, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099257&pid=S0003-2573201800020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BUTLER, K. D. (2007), &#34;Multilayered politics in the African diaspora: the metadiaspora concept and minidiaspora realitie&#34;. <i>In</i> G. P. Totoricaguena (org.), <i>Opportunity</i><i> Structures in Diaspora Relations: Comparisons in Contemporary Multilevel Politics of Diaspora and Transnational Identity</i>,   Reno Nev., Center for Basque Studies, University of Nevada, pp. 19-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099259&pid=S0003-2573201800020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CONCEIÇÃO,   F. (2005), &#34;Reparação não é um privilégio&#34;. <i>Como Fazer Amor com um Negro sem     se Cansar</i>, São Paulo, Terceira Margem.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099261&pid=S0003-2573201800020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CONRAD, R. E. (1985), <i>Tumbeiros: o Tráfico de   Escravos para o Brasil</i>, São Paulo, Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099263&pid=S0003-2573201800020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CONTINS,   M. (2005), <i>Lideranças Negras</i>, Rio de Janeiro, Aeroplano.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099265&pid=S0003-2573201800020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>COSTA,   S. (2006), <i>Dois Atlânticos: Teoria Social, Anti-racismo, Cosmopolitismo</i>, Belo Horizonte,   Editora UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099267&pid=S0003-2573201800020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CROOK,   L., JOHNSON, R. (orgs.) (1999), <i>Black Brazil: Culture, Identity and Social Mobilization</i>, Los Angeles, UCLA Latin America Center Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099269&pid=S0003-2573201800020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DOMINGUES,   P. (2007), &#34;Movimento negro brasileiro: alguns apontamentos históricos&#34;. <i>Tempo</i>,   12 (23), pp. 100-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099271&pid=S0003-2573201800020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DÖPCKE,   W. (2001), &#34;O Ocidente deveria indenizar as vítimas do tráfico transatlântico   de escravos? Reflexões sobre a Conferência das Nações Unidas contra o Racismo,   a Intolerância Racial, a Xenofobia e a Intolerância Correlata&#34;. <i>Revista     Brasileira de Política Internacional</i>, 44 (2), pp. 26-45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099273&pid=S0003-2573201800020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FRY, P.   (2005), <i>A Persistência da Raça: Ensaios Antropológicos sobre o Brasil e a África     Austral</i>, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099275&pid=S0003-2573201800020000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GENOVESE,   E. (1988), <i>A Terra Prometida: o Mundo que os Escravos Criaram,</i> Rio de Janeiro, Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099277&pid=S0003-2573201800020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GIFFORD,   A. (2007), <i>The Passionate Advocate</i>,   Kingston, Arawak Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099279&pid=S0003-2573201800020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GILROY,   P. (2001), <i>O Atlântico Negro: Modernidade e Dupla     Consciência, São Paulo, Editora 34</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099281&pid=S0003-2573201800020000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GREIFF,   P. (org.) (2008), <i>Handbook</i><i> of Reparations</i>, Nova Iorque,   Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099283&pid=S0003-2573201800020000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GRIN, M. (2010), <i>&#34;Raça&#34;: Debate Público no Brasil   (1997-2007)</i>, Rio de Janeiro, Editora Mauad.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099285&pid=S0003-2573201800020000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GUIMARÃES,   A. S. A.   (1999), <i>Racismo e Anti-racismo no Brasil</i>, São Paulo, Editora 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099287&pid=S0003-2573201800020000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUIMARÃES,   A. S. A.,   HUNTLEY, L. (orgs.) (2000), <i>Tirando a Máscara:     Ensaios sobre o Racismo no Brasil</i>, São Paulo, Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099289&pid=S0003-2573201800020000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUSFIELD, J. R. (1981), <i>The Culture of Public Problems: Drinking-driving and the Symbolic Order</i>, Chicago, University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099291&pid=S0003-2573201800020000400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HANCHARD,   M. (org.) (1999), <i>Racial Politics in Contemporary Brazil</i>, Durham,   NC, Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099293&pid=S0003-2573201800020000400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HANCHARD,   M. (2001), <i>Orfeu e o Poder: Movimento Negro no Rio de Janeiro e São Paulo</i>,   Rio de Janeiro, Ed. UERJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099295&pid=S0003-2573201800020000400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>HASENBALG,   C. A., SILVA, N. V. (1992), <i>Relações Raciais no     Brasil Contemporâneo</i>, Rio de Janeiro, Rio Fundo Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099297&pid=S0003-2573201800020000400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HENRIQUES,   R. (2001), <i>Desigualdade Racial no Brasil: Evolução das Condições de Vida na     Década de 90</i>, Rio de Janeiro, IPEA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099299&pid=S0003-2573201800020000400038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOWARD-HASSMANN, R. E. (2004a), &#34;Getting to reparations: Japanese Americans and African Americans&#34;. <i>Social Forces</i>, 83 (2), pp. 823-840.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099301&pid=S0003-2573201800020000400039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOWARD-HASSMANN, R. E. (2004b), &#34;Reparations to Africa and the Group of Eminent Persons&#34;. <i>Cahiers</i><i> d&#39;ÉtudesAfricaines</i>, 44   (173-174), pp. 81-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099303&pid=S0003-2573201800020000400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOWARD-HASSMANN, R. E., LOMBARDO, A. P. (2008), <i>Reparations</i><i> to Africa</i>, Philadephia, PA, University of Pennsylvania Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099305&pid=S0003-2573201800020000400041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>JOHNSTON,   B. R., SLYOMOVICS, S. (orgs.) (2009), <i>Waging</i><i> War, Making Peace: Reparations and Human Rights</i>, Walnut Creek, Left Coast Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099307&pid=S0003-2573201800020000400042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KELLEY,   R. D. G.   (2002), <i>Freedom</i><i> Dreams: the Black Radical Imagination, </i>Boston, Beacon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099309&pid=S0003-2573201800020000400043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KLEIN,   H. S. (2004), <i>O Tráfico de Escravos no     Atlântico: Novas Abordagens para as Américas</i>, São Paulo, FUNPEC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099311&pid=S0003-2573201800020000400044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LAREMONT,   R. R. (2001), &#34;Jewish and Japanese American reparations: political lessons for the Africana community&#34;. <i>Journal</i><i> of Asian American Studies</i>, 4 (3), pp. 235-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099313&pid=S0003-2573201800020000400045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEHMANN, D. (2017), &#34;A política do reconhecimento – teoria e   prática&#34;. <i>In</i> M. G. Hita (org.). <i>Raça, Racismo e Genética: em Debates Científicos e Controvérsias     Sociais</i>, Salvador, EDUFBA, pp. 139-194.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099315&pid=S0003-2573201800020000400046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>LOVELL,   P. A. (org.) (1991), <i>Desigualdade     Racial no Brasil Contemporâneo</i>, Belo Horizonte, UFMG/CEDEPLAR.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099317&pid=S0003-2573201800020000400047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MALACHIAS,   A. C. (1993), &#34;A espoliação requer   reparação&#34;. <i>In</i> <i>Caderno pelas Reparações</i>, São Paulo, Núcleo de   Consciência Negra na USP, pp. 12-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099319&pid=S0003-2573201800020000400048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARTIN,   M. T., YAQUINTO, M. (orgs.)   (2007), <i>Redress</i><i> for Historical Injustices in the United States: on Reparations form Slaver, Jim Crow and their Legacies</i>,   Durham, Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099321&pid=S0003-2573201800020000400049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATTA,   R. (1987), &#34;Digressão: a fábula das três raças, ou o problema do racismo à   brasileira&#34;. In <i>Relativizando: uma Introdução à Antropologia Social</i>, Rio   de Janeiro, Rocco, pp. 58-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099323&pid=S0003-2573201800020000400050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAZRUI,   A. A., MAZRUI, A. M. (2002), <i>Black Reparations in the Era of Globalization</i>, Binghamton, NY, Institute of Global Cultural Studies.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099325&pid=S0003-2573201800020000400051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MOEHLECKE,   S. (2002), &#34;Ação afirmativa: história e debates no Brasil&#34;. <i>Cadernos de     Pesquisa</i>, 117, pp. 197-217.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099327&pid=S0003-2573201800020000400052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MOSQUERA,   C., BARCELOS, L. C. (orgs.)   (2006), <i>Afro-reparaciones: memórias de la esclavitud y justicia reparativa para     negros, afro-colombianos y raizales</i>, Bogotá, Universidad Nacional da Colombia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099329&pid=S0003-2573201800020000400053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MUNANGA,   K. (org.) (1996), <i>Estratégias e Políticas de Combate à Discriminação Racial</i>,   São Paulo, Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099331&pid=S0003-2573201800020000400054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NASCIMENTO,   R. (2005), &#34;Cadê o patrimônio do negro? Uma questão de reparações&#34;. In <i>Caderno     pelas Reparações</i>, São Paulo, Núcleo de Consciência Negra na USP, pp. 14-16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099333&pid=S0003-2573201800020000400055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NEVES,   P. S. C.   (2005), &#34;Luta anti-racista: entre reconhecimento   e redistribuição&#34;. <i>Revista Brasileira de Ciências Sociais</i>, 20 (59), pp.   81-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099335&pid=S0003-2573201800020000400056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>OSABU-KLE,   D. T. (2000), &#34;The African reparation cry: rationale, estimate, prospects, and strategies&#34;. <i>Journal</i><i> of Black Studies</i>, 30 (3), pp. 331-350.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099337&pid=S0003-2573201800020000400057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PASCHEL,   T. S. (2016), <i>Becoming</i><i> Black Political Subjects: Movements and Ethno-racial Rights in Colombia and Brazil</i>, Nova Jersey,   Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099339&pid=S0003-2573201800020000400058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA,   A. M., SILVA, J. (orgs.)   (2009), <i>O Movimento Negro Brasileiro: Escritos sobre os Sentidos de     Democracia e Justiça Social no Brasil</i>, Belo Horizonte, Nandyala.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099341&pid=S0003-2573201800020000400059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA,   A. A. (2013), <i>O &#34;Mundo Negro&#34;: Relações Raciais e a Constituição do     Movimento Negro Contemporâneo no Brasil</i>, Rio de Janeiro, Pallas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099343&pid=S0003-2573201800020000400060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PIOVESAN,   F. (2005), &#34;Ações afirmativas da perspectiva dos direitos humanos&#34;. <i>Cadernos     de Pesquisa</i>, 35 (124), pp. 43-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099345&pid=S0003-2573201800020000400061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PROSS,   C. (1998), <i>Paying</i><i> for the Past: the Struggle over Reparations for Surviving Victims of the Nazi Terror</i>,   Baltimore, Johns Hopkins University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099347&pid=S0003-2573201800020000400062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>REDIKER,   M. (2011), <i>O Navio Negreiro: uma História Humana</i>, São Paulo, Companhia   das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099349&pid=S0003-2573201800020000400063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>REICHMANN,   R. (org.) (1999), <i>Race</i><i> in Contemporary Brazil: from Indifference to Inequality</i>, University Park, PA, The Pennsylvania State University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099351&pid=S0003-2573201800020000400064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>REITER,   B., MITCHELL, G. L. (orgs.)   (2009), <i>Brazil&#39;s</i><i> New Racial Politics</i>, Boulder, CO, Lynne Rienner Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099353&pid=S0003-2573201800020000400065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RODRIGUES,   J. (2005), <i>De Costa a Costa: Escravos, Marinheiros e Intermediários do     Tráfico Negreiro de Angola ao Rio de Janeiro (1780-1860)</i>, São Paulo,   Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099355&pid=S0003-2573201800020000400066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SAILLANT,   F. (2009), &#34;Direitos, cidadania e reparações pelos erros do passado escravista:   perspectivas do movimento negro no Brasil&#34;. <i>In</i> R. Heringer e M. Paula (orgs.), <i>Caminhos     Convergentes: Estado e Sociedade na Superação das Desigualdades Raciais no     Brasil</i>, Rio de Janeiro, Fundação Heinrich Böll, ActionAid, pp. 197-226.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099357&pid=S0003-2573201800020000400067&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SAILLANT,   F. (2016), &#34;Reconhecimento e reparações: o exemplo do movimento negro no   Brasil&#34;. <i>In</i> H. Mattos (org.), <i>História Oral e Comunidade: Reparações     e Culturas Negras</i>, São Paulo, Letra e Voz, pp. 17-48.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099359&pid=S0003-2573201800020000400068&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SALZBERGER,   R. P., TURCK, M. C. (orgs.)   (2004), <i>Reparations</i><i> for Slavery:     a Reader</i>, Lanham, MD, Rowman &amp; Littlefield Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099361&pid=S0003-2573201800020000400069&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS,   M. A. O. (2009), &#34;Política negra e democracia no Brasil   contemporâneo:   reflexões sobre   os movimentos negros&#34;. <i>In</i> R. Heringer, M. Paula (orgs.), <i>Caminhos Convergentes: Estado e Sociedade na Superação das Desigualdades     Raciais no Brasil</i>, Rio de Janeiro, Fundação Heinrich Böll, ActionAid, pp. 227-258.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099363&pid=S0003-2573201800020000400070&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVÉRIO,   V. R., MOYA, T. S. (2009), &#34;Ação   afirmativa e raça no   Brasil contemporâneo: um debate sobre a redefinição simbólica da nação&#34;. <i>Sociedade     e Cultura</i>, 12 (2), pp. 235-250.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099365&pid=S0003-2573201800020000400071&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>TELLES,   E. (2003), <i>Racismo à Brasileira: uma Nova Perspectiva Sociológica</i>, Rio   de Janeiro, Relume Dumará.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099367&pid=S0003-2573201800020000400072&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VENTURI,   G., TURRA, C. (orgs.) (1995), <i>Racismo Cordial: a     mais Completa Análise sobre o Preconceito de Cor no Brasil</i>, São Paulo,   Ática.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099369&pid=S0003-2573201800020000400073&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VERDUN,   V. (1993), &#34;If the shoe fits, wear it: an analysis of reparations to African Americans&#34;. <i>Tulane</i><i> Law Review</i>, 67 (3), pp. 597-668.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099371&pid=S0003-2573201800020000400074&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VERMEULE, A.,   POSNER, E. A. (1993), &#34;Reparations for slavery and other historical injustices&#34;. <i>Columbia Law Review</i>,   103 (3), pp. 689-748.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=099373&pid=S0003-2573201800020000400075&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 24-02-2017.   Aceite para publicação a 15-02-2018.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a>       &#34;Militantes negros dão   &#39;pendura&#39; no Maksoud&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 20-11-1993):   Caderno, pp. 3-12.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>       Sobre o antirracismo e o   movimento negro no Brasil contemporâneo, ver, entre outros, Alberti e Pereira   (2007), Andrews (2007, 227-237), Contins (2005), Crook e Johnson (1999),   Domingues (2007), Fry (2005), Grin (2010), Hanchard (1999; 2001), Munanga   (1996), Pereira e Silva (2009), Santos (2009), Pereira (2013).</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a>       Para toda a pesquisa, o   INSPIR adotou um critério de classificação racial no qual a população &#34;não-negra&#34; agrupava os brancos e amarelos; já a população   &#34;negra&#34; agrupava os pretos e pardos.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a>       <i>Mapa da população negra no   mercado de trabalho</i>. Instituto Sindical Interamericano   pela Igualdade Racial. São Paulo, DIEESE, 1999, pp. 28-36.</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a>       <i>Mapa da população negra   no mercado de trabalho</i>. Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade   Racial. São Paulo, DIEESE, 1999, p. 11.</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a>       Sobre as desigualdades   raciais na década de 1990, ver ainda Andrews (1992), Guimarães e Huntley   (2000), Hasenbalg e Silva (1992), Lovell (1991) e Reichmann (1999).</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a>       Cláudia Silvério   (professora), Dilma Pereira (microempresária), Fernanda Lopes (estudante de   mestrado em Biologia na USP), Jane Makebe (modelo), Suzana Santos (estudante de   graduação em Ciências Sociais na USP), Luiz Carlos dos Santos (jornalista,   professor e estudante de mestrado em Ciências Sociais na USP), Fernando Conceição   (jornalista e estudante de mestrado em Ciências da Comunicação na USP), Arnaldo   Lopes (funcionário da USP), Ederaldo Nascimento (estudante de graduação na   FATEC), Milton Pereira (estudante de graduação na FATEC), Valdenir (estudante   de Direito na PUC) e Paul Regnier (francês, estudante de pós-graduação no   LMD/Paris VI e pesquisador na USP).</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a>       De acordo com Arnaldo   Lopes, quatro meses antes do ato no Maksoud Plaza ocorreu um seminário na sede   do NCN sobre &#34;reparações&#34;, no qual apareceram cerca de 80 pessoas, de vários   grupos e organizações do movimento social. No dia do ato houve um debate na Faculdade   de Direito (USP), no Largo do São Francisco (centro de São Paulo), sobre o   assunto, mas, quando foi apresentada a ideia de &#34;darmos um calote no Maksoud   Plaza&#34; para lançar o movimento&#8195;&#8594; em prol das reparações, a maioria das pessoas presentes declinou e &#34;mesmo assim   fomos em frente&#34;. Entrevista do autor com Arnaldo Lopes da Silva, em 17 de   abril de 2012. Silva, 55 anos, nasceu e reside em São Paulo. Era um dos   coordenadores do Núcleo de Consciência Negra na USP e funcionário da   universidade na época do protesto no Maksoud Plaza.     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a>       <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 20-11-1993, p. 1).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top10"><sup>[10]</sup></a><a name="10"></a>      <i>O Estado de São Paulo</i> (São Paulo, 19-11-1993, A16).</p>     <p><a href="#top11"><sup>[11]</sup></a><a name="11"></a>      Entrevista do autor com Luiz   Carlos dos Santos, em 23 de fevereiro de 2012. Santos, 59 anos, nasceu na   cidade do Rio de Janeiro, mas radicou-se em São Paulo. Jornalista e professor   universitário, foi Coordenador do Núcleo de   Consciência Negra na USP e um dos fundadores do Movimento Pelas Reparações, na   década de 1990.</p>     <p><a href="#top12"><sup>[12]</sup></a><a name="12"></a>      <i>Caderno pelas Reparações</i>.   São Paulo, Núcleo de Consciência Negra na USP, 1993. Sobre o tráfico   transatlântico de escravos, que importou de África milhões de pessoas, ver,   entre outros, Behrendt, Richardson e Eltis (2000), Conrad (1985), Klein (2004),   Rodrigues (2005) e Rediker (2011).</p>     <p><a href="#top13"><sup>[13]</sup></a><a name="13"></a>      <i>O Estado de São Paulo </i>(São   Paulo, 10-10-1993): Caderno Especial. Intitulado &#34;Indenização para os   sequestrados da África&#34;, o artigo foi ampliado e republicado no <i>Caderno     pelas Reparações</i>. São Paulo, Núcleo de Consciência Negra na USP, 1993. A   antropóloga Francine Saillant relata que, no que diz respeito à questão das   reparações no Brasil nos anos 1980, um &#34;dos fatos mais marcantes que tiveram   impacto no imaginário do movimento negro e da sociedade brasileira em geral&#34;   foi a ação conduzida por Fernando Conceição, um &#34;jovem   estudante da Universidade de São Paulo&#34;. Acompanhado de alguns colegas, ele   entrou num &#34;restaurante chique da cidade. O grupo se serviu dos melhores pratos   e vinhos, e cada um saiu sem pagar ostentando a camiseta na qual se podia ler   &#39;Movimento pelas reparações!&#39; &#34;   (Saillant, 2009, pp. 207-208). Infelizmente, a antropóloga canadiana não é   exata no seu relato. Não há dúvida de que a ação no &#34;restaurante chique da   cidade&#34; causou repercussão, tanto no movimento negro como na opinião pública,   mas ela ocorreu no ano de 1994 e não na década de 1980. Quanto a Fernando   Conceição, a sua ação fez parte de uma decisão coletiva e ele não se tratava de   um &#34;jovem&#34; na ocasião. Era mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade   de São Paulo e possuía 35 anos.</p>     <p><a href="#top14"><sup>[14]</sup></a><a name="14"></a>      Entrevista do autor com   Arnaldo Lopes da Silva, em 17 de abril de 2012.</p>     <p><a href="#top15"><sup>[15]</sup></a><a name="15"></a>      &#34;<i>Rap</i> das Reparações&#34;. <i>Jornal das Reparações</i> (São Paulo, dezembro 1993, p. 4).</p>     <p><a href="#top16"><sup>[16]</sup></a><a name="16"></a>      &#34;Escravidão pode custar caro   ao país&#34;. <i>Jornal do Brasil</i> (Rio de Janeiro, 13 maio 1994, p. 6). Ver   também &#34;Movimento pede US$ 6,1 tri para indenizar descendentes de escravos&#34;. <i>Folha     de São Paulo</i> (São Paulo, 13 maio 1994): Caderno Cotidiano 3-8; &#34;Ação pede   indenização para os negros do Brasil&#34;. <i>O Estado de São Paulo</i> (São Paulo,   14-12-1994, A-16).</p>     <p><a href="#top17"><sup>[17]</sup></a><a name="17"></a>      <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 13-05-1994, Caderno Cotidiano, pp. 3-4).</p>     <p><a href="#top18"><sup>[18]</sup></a><a name="18"></a>      &#34;Valor da indenização por   descendente de escravo no Brasil&#34;. <i>Jornal das Reparações</i> (São Paulo,   dezembro 1993, p. 2). Sobre as estimativas do tráfico transatlântico, o   consenso historiográfico atual aponta 4,7 milhões o número de africanos   escravizados que veio ao Brasil (Borucki, Eltis, Wheat, 2015).</p>     <p><a href="#top19"><sup>[19]</sup></a><a name="19"></a>      &#34;Negros festejam abolição em   hotel 5 estrelas&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São   Paulo, 14-05-1994, Caderno Cotidiano, pp. 3-7).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top20"><sup>[20]</sup></a><a name="20"></a>      &#34;Negros festejam abolição em   hotel 5 estrelas&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São   Paulo, 14-05-1994, Caderno Cotidiano, pp. 3-7).</p>     <p><a href="#top21"><sup>[21]</sup></a><a name="21"></a>      A chamada da matéria dizia:   &#34;Seeking equality. A racial &#39;democracy&#39; begins painful debate on affirmative   action&#34;. O texto é assinado por Matt Moffett, o então correspondente do jornal   na América Latina. <i>The Wall Street Journal</i>, Nova Iorque, 06-08-1996, p.   1).</p>     <p><a href="#top22"><sup>[22]</sup></a><a name="22"></a>      <i>O Estado de São Paulo</i> (São Paulo, 25-031996, A-2); <i>O Estado de São Paulo</i> (São Paulo,   17-06-2001, A-19).</p>     <p><a href="#top23"><sup>[23]</sup></a><a name="23"></a>      Correspondência de Fernando   Conceição aos comités estaduais do Movimento Pelas Reparações dos   afrodescendentes, em 10-01-1996, p. 1.</p>     <p><a href="#top24"><sup>[24]</sup></a><a name="24"></a>      &#34;Movimento propõe   indenização&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo,   21-11-1995, pp. 3-11; &#34;A luta pelas reparações&#34;.Ìrohìn (Brasília,   jan./jun. 1999, p. 10).</p>     <p><a href="#top25"><sup>[25]</sup></a><a name="25"></a>      Projeto de Lei n.º 1239, de   21 de novembro de 1995 (Do Senhor Paulo Paim). Garante a reparação com   indemnização para os descendentes dos escravos no Brasil. <i>Diário da Câmara     dos Deputados</i> (Brasília, 11-01-1996, p. 371).</p>     <p><a href="#top26"><sup>[26]</sup></a><a name="26"></a>      &#34;Minorias que querem   demais&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 27-02-1994, Caderno Mais!).</p>     <p><a href="#top27"><sup>[27]</sup></a><a name="27"></a>      &#34;Minorias querem muito   mais&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 06-03-1994, Caderno Mais! 6-3).</p>     <p><a href="#top28"><sup>[28]</sup></a><a name="28"></a>      &#34;Reparação não é um   privilégio&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 13-03-1994, Caderno Mais!   6-3). Quando Fernando Conceição qualificava as &#34;atrocidades&#34; cometidas contra a   África e contra o seu povo como &#34;crime&#34;, seus argumentos assemelhavam-se aos de   Eugene Genovese: &#34;a forma como a América branca recebeu os negros – trazidos   para cá em ferros e criados na escravidão e num regime de opressão racista –   representa, sobretudo, a comprovação de um dos maiores crimes da história&#34;. No   seu livro <i>A Terra Prometida</i>, o respeitado historiador estadunidense   procurou &#34;representar os escravagistas não como monstros e sim como seres   humanos com sólidas virtudes pessoais&#34;. Isto, entretanto, não os isentaria &#34;à   condenação&#34; pelos crimes perpetrados. Os escravagistas &#34;dominavam um sistema   social iníquo, do qual tiravam proveito; quaisquer que tenham sido as   atenuantes, as ressalvas ou as minúcias da situação, foram eles, por fim, os   responsáveis por seus atos&#34; (Genovese, 1988, pp. 11-12).</p>     <p><a href="#top29"><sup>[29]</sup></a><a name="29"></a>      Para referências   bibliográficas acerca das reparações dos judeus e japoneses e da maneira pela   qual tais precedentes podem servir de base para as proposições dos   afrodescendentes, consultar Pross (1998), Brooks (1999), Laremont (2001),   Howard-Hassmann (2004a e 2004b).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top30"><sup>[30]</sup></a><a name="30"></a>      No   que concerne ao Brasil, o Estado indemnizou (ou vem indemnizando) os   descendentes dos soldados que participaram da Segunda Guerra Mundial em Itália,   bem como das &#34;vítimas&#34; – prisioneiros políticos, mortos e desaparecidos – do   período da ditadura civil-militar (1964-1985). As demandas por reparações –   como forma de uma recompensa moral, legal e política para aqueles que sofreram   a perda da vida, liberdade, propriedade ou mesmo identidade cultural –   multiplicaram-se ao longo do tempo, diversificando os seus sentidos, contextos   e significados. A pesquisadora canadiana Rhoda E. Howard-Hassmann desenvolveu o   sítio na internet <i>Political Apologies and Reparations</i> (<a href="http://political-apologies.wlu.ca/about.php" target="_blank">http://political-apologies.wlu.ca/about.php</a>), onde apresenta   cerca de uma centena de pedidos (ou casos) de reparações e de perdão no mundo,   atinentes às várias comunidades. Consultar ainda Greiff (2008) e Johnston e   Slyomovics (2009).</p>     <p><a href="#top31"><sup>[31]</sup></a><a name="31"></a>      Em março de 1995, Geraldo   Magela da Cruz Quintão, o advogado-geral da União, respondeu à inquirição   impetrada pelo MPR na Justiça Federal e teria declarado ser &#34;descabida&#34; a ação   que visava responsabilizar o Estado brasileiro pelo sistema escravista e   consequente prejuízo dos ex-escravos e seus descendentes, sob a alegação de que   a cobrança deveria ser feita a Portugal e a Inglaterra, pois teriam sido esses   &#34;dois países os únicos e principais responsáveis pelo escravismo no Brasil&#34;. &#34;A   luta pelas reparações&#34;. Ìrohìn (Brasília, jan./jun. 1999, p. 10).</p>     <p><a href="#top32"><sup>[32]</sup></a><a name="32"></a>      Sobre as controvérsias suscitadas   pelo MPR na grande imprensa, ver ainda &#34;Da nação ao triunfo das tribos&#34;. <i>Folha     de São Paulo</i> (São Paulo, 27-03-1994, Ilustrada 6-13); &#34;Em defesa do homem   branco&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 03-04-1994, Caderno Mais! 6-3).</p>     <p><a href="#top33"><sup>[33]</sup></a><a name="33"></a>      Paul Regnier informa que,   dois dias após o ato no Maksoud Plaza, o &#34;movimento negro organizou uma   plenária no Memorial da America Latina, em São Paulo&#34;. Em virtude da   repercussão do ato, &#34;a pauta foi mudada e Juarez [Tadeu, uma liderança negra]   convidou o MPR para explicar este ato aos participantes do encontro&#34;. Fernando   Conceição &#34;participou da mesa, na qual ele sofreu uma sequência de ataques por   parte de todos os membros ali reunidos&#34;. Entrevista do autor com Paul Denis   Etienne Regnier, em 28 de junho de 2012. Regnier, 45 anos, nasceu em França,   mas acabou por se radicar no Brasil. Participou da Coordenação do Núcleo de   Consciência Negra na USP e foi um dos fundadores do Movimento Pelas Reparações,   na década de 1990. Atualmente é professor e vive em Salvador (BA).</p>     <p><a href="#top34"><sup>[34]</sup></a><a name="34"></a>      Jupiara Castro, Nelson   Moraes, Lênin Pires e Henrique Cunha foram as lideranças afro-brasileiras e sindicais que escreveram o artigo &#34;Reparações,   trabalho, escravismo e racismo&#34;. Jornal SINTUSP (São Paulo, outubro, 1995, p.   10).</p>     <p><a href="#top35"><sup>[35]</sup></a><a name="35"></a>      Como adverte corretamente   Edward Telles, a postura do movimento negro &#34;põe em risco a própria essência da   nação brasileira. [&#8230;] Enquanto a ideia de nação foi construída a partir do   conceito de um povo unificado e racialmente tolerante, forjado pela   miscigenação, o movimento negro apresenta uma visão contrária, baseada em   identidades fortes, para fazer oposição ao racismo e à desigualdade racial&#34;   (Telles, 2003, p. 323).</p>     <p><a href="#top36"><sup>[36]</sup></a><a name="36"></a>      Entrevista do autor com Luiz   Carlos dos Santos, em 23 de fevereiro de 2012.</p>     <p><a href="#top37"><sup>[37]</sup></a><a name="37"></a>      &#34;Pan-African&#34;. <i>Jornal das   Reparações</i>, São Paulo, dez. 1993, p. 1.</p>     <p><a href="#top38"><sup>[38]</sup></a><a name="38"></a>      Sobre o tema das reparações   aos afrodescendentes nos Estados Unidos, há uma gama significativa de artigos,   coletâneas e livros publicados, com argumentos favoráveis e contrários à ideia.   Consultar, entre outras referências, Bittker (1973), Verdun (1993), Vermeule e   Posner (2003), Salzberger e Turck (2004), Martin e Yaquinto (2007) e Brophy   (2008).</p>     <p><a href="#top39"><sup>[39]</sup></a><a name="39"></a>      Quanto à discussão das   reparações na África, ver Abiola (1992), Osabu-Kle (2000), Adi (2007),   Howard-Hassmann (2004a e 2004b) e Howard-Hassmann e Lombardo (2008).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top40"><sup>[40]</sup></a><a name="40"></a>      &#34;África quer reparação pelo   colonialismo&#34;. <i>Jornal do Brasil</i> (Rio de Janeiro, 17-12-1990, 1º. Caderno   – 6).</p>     <p><a href="#top41"><sup>[41]</sup></a><a name="41"></a>      <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 13-05-2001, Caderno Mundo A-22).</p>     <p><a href="#top42"><sup>[42]</sup></a><a name="42"></a>      Sobre o debate e as   controvérsias das reparações no Caribe e região, ver Biondi (2003), Gifford   (2007), Howard-Hassmann e Lombardo (2008), Beckles (2007; 2013) e Paschel   (2016).</p>     <p><a href="#top43"><sup>[43]</sup></a><a name="43"></a>      &#34;Ação nos EUA quer reparação   por escravidão&#34;. <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo 27-03-2002, Caderno   Mundo-12).</p>     <p><a href="#top44"><sup>[44]</sup></a><a name="44"></a>      &#34;Questão racial&#34;. <i>Jornal   do Brasil</i> (Rio de Janeiro 13-06-1997, p. 10); &#34;Também quero meu dinheiro,   das Reparações!&#34;. Ìrohìn (Brasília, ago./set. 2005, p. 13).</p>     <p><a href="#top45"><sup>[45]</sup></a><a name="45"></a>      Após acirrados debates na III Conferência da ONU, foi redigido um documento final de   compromisso. Para Döpcke, as ilações deste documento atinentes ao tráfico   transatlântico de escravos já provocaram as mais diversas interpretações – de   uma &#34;vitória&#34; dos europeus (uma vez que desculpas explícitas e indemnizações   não foram pedidas) até celebrações de ONGs, que vêem na condenação do tráfico   como crime contra a humanidade, um fundamento jurídico para se abrir processo   de indemnização na justiça. Uma coisa parece certa: &#34;a questão de reparações   pelo sofrimento e danos causados pelo tráfico transatlântico de escravos está   longe de ser encerrada e manterá um grande peso no cenário da política   internacional – influenciando as relações Norte-Sul – e nos discursos da   política interna nos Estados Unidos&#34; (Döpcke, 2001, pp. 26-27).</p>     <p><a href="#top46"><sup>[46]</sup></a><a name="46"></a>      <i>Folha de São Paulo</i> (São Paulo, 13 maio 2001, Caderno Mundo A-22).</p>     <p><a href="#top47"><sup>[47]</sup></a><a name="47"></a>      A despeito de o MPR ter sido   extinto na década de 1990, ainda é possível encontrar militantes   afro-brasileiros que defendem a ideia das reparações financeiras. Em 13 de maio   de 2005, a então vereadora do município de São Paulo, Claudete Alves da Silva Souza   (PT), protocolou no Ministério Público Federal uma representação, postulando da   Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão o ajuizamento de ação civil para   &#34;condenar a União a indenizar os negros afro-brasileiros, eleitores e   residentes de São Paulo, pelos danos materiais e morais causados no processo de   escravidão, bem como nos processos de abolição e pós-abolição com repercussões   atuais aos negros&#34;. O valor estipulado da compensação seria de R$ 2.076.000,00   (dois milhões e setenta e seis mil reais). Três meses depois, a vereadora   afro-brasileira mudou de opinião e passou a sustentar que a medida mais   adequada era a constituição de um Fundo Público, destinado ao patrocínio de   ações afirmativas em benefício dos descendentes de escravos brasileiros. Em 3 de agosto de 2006, o procurador Sérgio Gardenghi Suiama   concluiu o seu extenso parecer. Nenhuma das duas proposituras foi acatada.   Relatório final da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. Autos n.º   1.34.001.002546/2005-74. Procuradoria da República no Estado de São Paulo.   Ministério Público Federal. Em 2008, Claudete Alves publicou um livro   denunciando o Estado brasileiro pelos &#34;crimes da escravidão e violação dos   direitos humanos&#34; e voltou defender a necessidade de &#34;ações reparatórias para sanar   os males causados pelo processo de escravismo no país&#34; (Alves, 2008).</p>     <p><a href="#top48"><sup>[48]</sup></a><a name="48"></a>      Em texto publicado   recentemente, Francine Saillant afirma: &#34;A ideia de se reparar as sequelas   deixadas pela escravidão encontrou uma certa audiência   em textos deixados, por exemplo, pelo líder Abdias do Nascimento (1980), nas   imagens das manifestações do movimento [negro] em diferentes cidades do Brasil   nos anos de 1980 a 2000 deixadas pelo fotógrafo social Januário Garcia (2006),   nas visões compartilhadas por líderes do movimento estudadas por Alberti e   Pereira (2008) e Contins (2005). Porém, ainda não se pode falar de um movimento   por reparações; seria um abuso de linguagem. Apenas nos anos 2000 ocorre uma   &#34;virada&#34; no movimento, levando à articulação de pedidos de reparação na forma   de ações afirmativas&#34; (Saillant, 2016, p. 38). É escusado dizer que Saillant   está equivocada. Como a experiência do MPR e seus desdobramentos atestam, antes dos anos 2000 frações do movimento negro   brasileiro já articulavam e propalavam pedidos de reparação.</p>     <p><a href="#top49"><sup>[49]</sup></a><a name="49"></a>      Entrevista do autor    com Paul Denis Etienne Regnier, em 28 de junho de 2012. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top50"><sup>[50]</sup></a><a name="50"></a>      Conforme asseveram Valter   Silvério e Thais Moya, o que &#34;está em jogo [na discussão sobre a ação   afirmativa com critério racial no Brasil] é a possibilidade de uma redefinição   dos valores, objetivos e características que compõem a sociedade em que   queremos viver. Dito de outra forma, o debate sobre a ação afirmativa com   critério racial coloca em xeque o &#39;pacto social&#39; brasileiro vigente e abre   espaço para a elaboração de um outro, com novas   possibilidades de tratamento das diferenças sociais que aqui convivem&#34;   (Silvério e Moya, 2009, p. 246).</p>      ]]></body><back>
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<source><![CDATA[Histórias do Movimento Negro no Brasil: Depoimentos ao CPDOC]]></source>
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