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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Modos de subjetivação dos artesãos de rua: estética da existência e precariedade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article gives visibility to the process of inclusion-precariousness-exclusion, outlining possible power relations in that street artisans, as modes of subjectification, are enrolled in some Brazilian cities (Caxias do Sul [RS], Belo Horizonte, and Juiz de Fora [MG]). Discursive practices (videos, newspaper reports, government actions, Public Policy, and scientific texts) are examined as possible conditions for this population, from a genealogical approach (questioning what is taken as evidence) and a mapping approach (search for processuality of the objects). Noting the existence of bifurcations in subjectification modes: on one hand, the artist (approaching the standard; on the other, the marginal (marked by violence and insecurity).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Modos de   subjetivação dos artesãos de rua: estética da existência e precariedade</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Modes of subjectification of street artisans: aesthetic existence and precariousness</b></font></p>     <p><b>Ariany da Silva Villar*, Anita Guazzelli Bernardes**</b></p>     <p>*<a href="mailto:avillar1@uc.cl"></a>Escuela de Psicolog&iacute;a, Pontif&iacute;cia Universidad Cat&oacute;lica   de Chile.&#8196;Av. Vicu&ntilde;a Mackenna, 4860, Macul &mdash; 7820436 Santiago, Chile. <a href="mailto:avillar1@uc.cl">avillar1@uc.cl</a></p>     <p>**Faculdade de Psicologia, Universidade   Cat&oacute;lica Dom Bosco.&#8196;Av. Tamandar&eacute;, 6000, Jardim Semin&aacute;rio &mdash; 79117-900 Campo Grande, MS, Brasil. <a href="mailto:anitabernardes1909@gmail.com">anitabernardes1909@gmail.com</a></p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo analisa os processos de   inclusão-precariedade-exclusão, esboçando possíveis relações de poder nas quais   os artesãos de rua, enquanto modos de subjetivação, estão inscritos no contexto de algumas cidades brasileiras (Caxias do Sul, RS, Belo   Horizonte e Juiz de Fora, MG). Analisaram-se práticas discursivas (vídeos,   reportagens de jornais, ações do poder público, políticas públicas e textos   científicos) como condições de possibilidade para essa população, segundo um   enfoque genealógico, problematizando-se aquilo que é tomado como evidência, e   cartográfico (busca pela processualidade dos objetos). Percebeu-se a existência   de bifurcações nos modos de subjetivação: de um lado, o artista, constituído   pela aproximação à norma; de outro, o marginal, marcado pela violência e pela   precariedade.</p>     <p>PALAVRAS-CHAVE: artesãos de rua; modos de   subjetivação; relações de poder; precariedade.</p>   <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article gives visibility   to the process of inclusion-precariousness-exclusion, outlining possible power   relations in that street artisans, as modes of subjectification,   are enrolled in some Brazilian cities (Caxias do Sul [RS], Belo Horizonte, and Juiz de Fora [MG]). Discursive practices (videos,   newspaper reports, government actions, Public Policy, and scientific texts) are   examined as possible conditions for this population, from a genealogical   approach (questioning what is taken as evidence) and a mapping approach (search   for processuality of the objects). Noting the   existence of bifurcations in subjectification modes:   on one hand, the artist (approaching the standard; on the other, the marginal   (marked by violence and insecurity).</p>     <p>KEYWORDS:   street artisans; modes of subjectification; power   relations; precariousness.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>INTRODUÇÃO</p>     <p>O presente artigo parte   de uma investigação que se voltou para a compreensão de núcleos de   visibilização para a problemática do processo de inclusão-precariedade-exclusão   (Le Blanc, 2007) a partir da tentativa de esboçar algumas zonas de   avizinhamento com a verdade e as relações de poder (Foucault, 2005) em que um   determinado modo de subjetivação, conhecido popularmente no Brasil como <i>hippie</i>,   se estabelece na sua quotidianidade.<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a></p>     <p>Optámos pelo termo &#34;artesãos de rua&#34; pelo facto de   a denominação <i>hippie</i> inevitavelmente remeter para o movimento dos anos   1960 e 1970, que não caracteriza necessariamente esse modo de subjetivação.   Analogamente, preferimos o termo &#34;artesãos&#34; a &#34;artistas&#34; de rua porque este   último teria, para nós, um sentido mais amplo e incorporaria, por exemplo,   qualquer pessoa que produz qualquer tipo de arte nas ruas, como um artista   circense, cantor ou bailarino, e isso não corresponde exatamente ao modo de   subjetivação que se pretendeu estudar.</p>     <p>Como a população estudada dispõe de pouca   conceptualização no âmbito das ciências sociais e humanas, decidimos   delimitá-la minimamente, no marco dos estudos sobre a subjetividade dos   artesãos – acercando-nos do que foi apresentado por Sapiezinskas (2012) no que   se refere a um estilo de subjetivação que utiliza técnicas de produção não   industrial de objetos, com um conjunto de significados socialmente compartidos,   para conseguir certa inserção social (pela via económica, por exemplo), como   também ao proposto por Salgado e Franciscatti (2011), autores que analisam o   artesanato como forma de resistência e crítica à lógica do sistema económico   vigente. Entretanto, o presente trabalho recorreu a uma noção de artesão que se   diferencia da que foi proposta por Sapiezinskas (2012) na especificidade de que   as artesãs estudadas pela autora desejavam a inclusão laboral num mundo   globalizado, e diferenciavam-se claramente da cultura <i>hippie</i> que &#34;fazia   de manhã pra comer de tarde&#34; (Sapiezinskas, 2012, p. 136).</p>     <p>Optámos por nos aproximar da noção de   subjetividade que emerge da tensão entre a exigência de produtividade e   padronização dos produtos do trabalho formal e a diferenciação do sujeito na   sua expressão criativa, discutida por Salgado e Franciscatti (2011). Decidimos,   portanto, analisar justamente os artesãos que se subjetivam pela busca de   liberdade de constituição de si, fora das normas do trabalho formal, numa   tentativa de não alimentar (ou alimentar o mínimo possível) a engrenagem   socioeconómica vigente (capitalismo, neoliberalismo), que escolhem como   matéria-prima objetos recicláveis (arames, metais, plásticos, etc.) para   produzir o seu artesanato, e necessariamente realizam as vendas nas ruas, com   pouca ou nenhuma institucionalização do seu comércio, num sentido de   resistência à indústria cultural (Salgado e Franciscatti, 2011).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para perscrutar alguns traçados das relações de   poder em que a subjetividade dos artesãos de rua está imbricada, a pesquisa   seguiu três eixos centrífugos de problematização, que funcionaram como   &#34;engrenagens&#34; para a realização das análises; ou seja, esta investigação   utilizou um método cartográfico (Passos, Kastrup e Escóssia, 2009), em que os   caminhos da investigação não são totalmente traçados no início da pesquisa e os   próprios eixos de problematização são difusores de novos problemas e conduzem a   uma pluralidade de trajetos possíveis.</p>     <p>Os três núcleos de problematização que   possibilitaram a produção das análises foram:</p>     <p>1)   Como se constituem os modos de subjetivação   dos &#34;artesões de rua&#34;? Através deste eixo de análise procurou-se construir   pistas sobre o modo de subjetivação a partir dos discursos produzidos por   quatro pontos da rede de relações de poder imbricada na produção mesma dessas   subjetividades: a) produção científica, b) sistema mediático, c) discursos estatais,   d) discursos dos artesãos de rua;</p>     <p>2)   Quais as possíveis superfícies de contacto   com o poder? Em que pretendemos perscrutar de que maneira estes discursos   performam o modo de subjetivação dos artesãos de rua e como atualizam os   processos de inclusão-precariedade-exclusão (Le Blanc, 2007);</p>     <p>3)   De que forma os artesãos de rua se articulam   e se mantém como &#34;jogadores&#34; nas relações com o poder? Através desta análise,   pretendemos encarar o artesanato produzido como forma de invenção de si e de   resposta aos processos (forças) de marginalização.</p>     <p>O presente artigo buscou desenvolver   principalmente o primeiro núcleo de questões, produzindo pistas sobre os   artesãos de rua nas suas relações com o poder e com a verdade, e utilizou uma   variedade de recursos (artigos científicos, reportagens de telejornais,   políticas públicas, vídeos de relatos de artesãos de rua falando sobre o que   são) que se constituíssem como práticas com as quais os artesãos de rua   negoceiam modos de vida possíveis.</p>     <p>A noção de poder aqui tomada refere-se ao que   propunha Foucault (2005), no qual se dá nas relações como jogos de força, como   ação sobre outra ação possível, conduta que conduz e governa outra conduta.   Trata-se de uma análise de como se dá o governo das vidas pelo governo de si e dos   outros, pelas relações e práticas discursivas que se disseminam capilarmente –   visto que os discursos em Foucault não são meramente o reflexo dos   acontecimentos, mas sim práticas que criam acontecimentos, coisas,   subjetividades.</p>     <p>Os enunciados, como unidade molecular das práticas discursivas, aparecem sempre    na relação entre sujeitos, entre sujeitos e coisas e entre coisas, produzindo    acontecimentos num determinado tempo e espaço, pelo fazer falar e como falar,    de modo que a produção de saberes é também uma produção de relações de poder,    de condução de condutas, de ordenação dos discursos e de quem os emite (ordem    do discurso), produzindo subjetividades possíveis. Sendo assim, os modos de    subjetivação são considerados as maneiras de viver possíveis em relação a um    regime de verdades (práticas discursivas e jogos de saber-poder) dado em determinado    espaço-tempo históricos (Mansano, 2009). Se os sujeitos são condicionados nos    seus modos de vida por regimes de verdade que os atravessam, uma investigação    sobre as relações de saber-poder precisa de ter como problemática não o sujeito    do enunciado, mas sim as práticas que condicionam e produzem os modos de subjetivação    possíveis:     <p>[&#8230;] Tratava-se de não analisar o poder no nível   da intenção ou da decisão, de não procurar considera-lo do lado de dentro, de   não formular a questão (que acho labiríntica e sem saída) que consiste em   dizer: quem tem o poder afinal? O que tem na cabeça e o que procura aquele que   tem o poder? Mas sim de estudar o poder, ao contrário, do lado em que sua   intenção – se intenção houver – está inteiramente concentrada no interior de   práticas reais e efetivas; estudar o poder, de certo modo, do lado de sua face   externa, no ponto em que ele está em relação direta e imediata com o que se   pode denominar, muito provisoriamente, seu objeto, seu alvo, seu campo de   aplicação, no ponto, em outras palavras, em que ele se implanta e produz seus   efeitos reais. [&#8230;] como as coisas acontecem no momento mesmo, no nível, na   altura do procedimento de sujeição, ou nesses processos contínuos e   ininterruptos que sujeitam os corpos, dirigem os gestos, regem os   comportamentos [Foucault, 2005, p. 33].</p>     <p>Deste modo, fez uso da genealogia como método de   análise, não com o intuito de conferir a veracidade dos factos, nem mesmo de   descrever o mais exaustivamente possível os períodos que compõem uma história   (Foucault, 2003), mas sim para seguir os rastros de um acontecimento, fazê-lo   &#34;acontecimentalizar&#34;. Isto &#34;consiste em reencontrar as conexões, os encontros,   os apoios, os bloqueios, os jogos de força, as estratégias etc., que, num dado   momento, formaram o que, em seguida, funcionará como   evidência, universalidade, necessidade&#34; (Foucault, 2003, p. 339).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A genealogia problematiza as evidências, e   constitui-se pela análise das práticas como constituintes de uma rede de jogos   de poder. Por isso, utiliza objetos produzidos por fontes plurais, como os   discursos sujeitados e as práticas quotidianas, como bases para análise   (Foucault, 2005), e não apenas o discurso científico. Neste ponto, os discursos   da ciência, dos <i>media</i>, das políticas públicas, aproximam-se também dos   enunciados nos <i>blogs</i>, nos videos informais em que os próprios artesãos   se expressam, e analisados como problemas de racionalidades (Foucault, 2003).</p>     <p>Os trajetos percorridos   por estas análises também recorrem ao método cartográfico (Passos, Kastrup e   Escóssia, 2009) no que tange à busca pela processualidade dos objetos. Tal   método caracteriza-se pelo rastreio de signos de processualidade no campo que   se pretende investigar, pela seleção de elementos relevantes (que indiquem   pistas relacionadas com os problemas de pesquisa), e por conectar esses   elementos a outros dentro de um campo de jogos de força que os constitui e   produz. Assim, quando utilizamos palavras-chave como &#34;artesão(s) de rua&#34; ou   &#34;hippie(s)&#34; na busca de materiais para análise em determinados <i>sites</i> de   busca (SciELO, PePSIC, LILACS, Google, YouTube), os   materiais foram selecionados de acordo com os objetivos da pesquisa, limitados   ao que foi produzido durante os anos de 2011-2015 (período de 5 anos anterior   ao processo de análise, realizado em 2015), de modo que foram analisados em   profundidade apenas os elementos que representaram para os autores pistas sobre   os modos de subjetivação dos artesãos de rua nas suas negociações com as   condições de possibilidade, jogos de poder e regimes de verdade que os   constituem.</p>     <p>Como o método cartográfico proposto por Passos,   Kastrup e Escóssia (2009) não pretende analisar sistematicamente todos os   pontos possíveis da rede que compõem as relações de poder e que performam   subjetividades, mas sim os pontos que se destacam dessa rede dentro de um   enfoque de investigação específico, optou-se por selecionar os materiais em que   os modos de subjetivação dos artesãos de rua se constituíssem como um problema   central dos discursos, eliminando os materiais em que os artesãos de rua   apareceram de maneira secundária nos enunciados. Consequentemente, ainda que a   intenção inicial desta pesquisa fosse audaciosamente empreender pistas sobre a   subjetividade dos artesãos de rua no contexto brasileiro, esse modo de   subjetivação apareceu como relevante apenas em materiais de algumas localidades   do país, como Caxias do Sul (RS), Belo Horizonte e Juiz de Fora (MG). Vale   destacar que a possibilidade de seleção de materiais representa neste artigo o   papel ativo dos investigadores como subjetividades participantes do processo de   investigação, como cognição não-neutral, inserindo   esta investigação no marco teórico da Investigação Social Qualitativa (Cornejo,   Besoaín e Mendoza, 2011).</p>     <p>Como ferramentas para rastrear, selecionar e   relacionar esses signos de processualidade do campo de realidade dos artesãos   de rua<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>, foram utilizados   conceitos dentro da lógica da ontologia do presente (Kastrup, 2007), na qual,   no estudo de como nos tornamos aquilo que somos, se pensa a história e as   realidades como rede heterogénea de acontecimentos, em que os discursos   (saberes) e práticas quotidianas (fazeres) se entrelaçam e se transversalizam   em jogos de poder que performam modos de vida, subjetividades.</p>     <p>Por isso, os conceitos, tidos aqui como caixa de   ferramentas (modos de subjetivação, estética da existência, ontologia do   presente, heterotopia, genealogia, práticas de liberdade, <i>homo oeconomicus</i>)   permitem uma aproximação à performatividade dos modos de subjetivação dos   artesãos de rua. Isso significa que a análise foi sendo desenhada concomitantemente   no decorrer das próprias aproximações teóricas e com o contacto com os   materiais encontrados.</p>     <p>A CAIXA DE FERRAMENTAS   CONCEPTUAL NA PRODUÇÃO DE PISTAS SOBRE O MODO DE SUBJETIVAÇÃO DOS ARTESÃOS DE   RUA</p>     <p>Numa sociedade na qual a   racionalidade de mercado constitui as políticas e as práticas sociais,   produzindo os modos de viver, e onde o trabalho é tido como mecanismo essencial   para se alcançar a ascensão individual, estabelecem-se limiares de   vulnerabilidade, nos quais se encontram os sujeitos tidos como fora dos   sistemas que regem a vida social e que, por esse motivo, estão em processo de   desfiliação (Castel, 2000). Isto é, estão privados de algumas das seguranças   instituídas como essenciais para a condição da dignidade humana no conjunto dos   valores neoliberais: o trabalho (a maneira mais básica de inserção na   atualidade, através do qual se constroem as identidades, o <i>status</i> e os   estados de proteção social) (Castel, 2000), o lucro, a propriedade privada, a   higiene e cuidado com o corpo, entre outros.</p>     <p>No Brasil, a racionalidade neoliberal propaga-se   também nos discursos da Constituição Cidadã (Brasil, 1988), na qual a ordem   social é pautada no trabalho para se chegar ao bem-estar e justiça sociais –   conforme consta no título VIII, &#34;Da ordem social&#34;, capítulo I, artigo 193. Isso   pode demonstrar, de certa maneira, a integração entre mecanismos de poder e   mecanismos de produção para a regulação e disciplina dos corpos e para o   controlo da população (Foucault, 2001). Se, no Brasil, o enlace com a   normalidade social é dado, principalmente, por via do trabalho, sobretudo   aquele que obedece a um conjunto de normas consensuais (trabalho formal),   evidentemente quem não se constitui como um trabalhador nesses trâmites   encontra-se com os seus laços sociais enfraquecidos, e, em alguns casos, até   rompidos.</p>     <p>Considerando como incluídos aqueles que dispõem   de subsídios e laços sociais mínimos para desenvolver uma vida com dignidade, e   excluídos os que não dispõem de condições mínimas para a subsistência (Le   Blanc, 2007), e entendendo que o trabalho é um fator supremo de adesão social e   de garantia de disponibilidade dessas condições no Brasil, como se encontram os   modos de subjetivação que vivem de um trabalho não-normalizado (pelo menos em termos burocráticos) por escolha pessoal, como os artesãos de   rua?</p>     <p>Não são incluídos porque não são como os   &#34;normalizados&#34;, não aderem por completo à forma de vida neoliberal, e, ao mesmo   tempo, não são excluídos porque ainda se relacionam com um padrão de   normalidade através da venda do seu artesanato e por terem condições mínimas de   vida, ainda que precárias. Podemos dizer, então, que essa população, difícil de   delinear, está numa espécie de <i>limbo</i>: oscilam <i>entre</i> inclusão e   exclusão, <i>entre</i> normalidade e desvio à normalidade, e é esse limbo que   denominamos precariedade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os jogos de força mencionados acima não são   aqueles relacionados, por exemplo, com uma situação em que o Estado determina   certas condições de vida e aqueles que se sentem afetados organizam uma   revolução contra ele, derrubando-o. Os jogos de poder que performam as   subjetividades (Foucault, 2003) ocorrem nas práticas quotidianas, de modo   capilarizado, plasmado nas relações que estabelecemos com as pessoas e as   coisas presentes no nosso dia-a-dia. Isso porque essas práticas, tão banais,   foram constituídas a partir (e, na maioria das vezes, em defesa da   operacionalização) de uma racionalidade que organiza também diversas outras   práticas, umas mais visíveis, outras nem tanto, como a produção de políticas   públicas específicas a cada população, os discursos propagados pelo sistema   mediático e o discurso científico.</p>     <p>Por fim, os discursos são produtores de sentidos   e de verdades nos momentos históricos em que se inserem, e assim se tornam   materialidade, se corporificam nas vidas (Foucault, 2004). Isto é, os discursos   ocupam certos lugares de privilégio no governo das vidas, concedem visibilidade   a determinadas realidades e invisibilidade a outras, e produzem maneiras   distintas nas quais determinadas formas de subjetivação se relacionam com as   coisas, com as pessoas, e consigo mesmas. É essa rede de forças e jogos de   poder, em que o modo de subjetivação dos artesãos de rua se articula com   diversos pontos das engrenagens do poder, como os discursos dos <i>media</i>,   da ciência e das políticas públicas, que buscamos perscrutar.</p>     <p>A noção de subjetividade utilizada neste artigo   parte dos conceitos utilizados por Foucault, a partir da década de 1980, nos   dois últimos volumes da <i>História da Sexualidade</i>. Esta fase da sua   produção intelectual, considerada por alguns autores como um terceiro e último   momento, o da estética da existência (antecedido pela fase da arqueologia do   saber e pela fase da genealogia do poder), corresponde àquela em que Foucault   analisa as práticas pelas quais nos tornamos sujeitos, isto é, os caminhos que percorremos para tomarmos a forma que nos   caracteriza neste momento histórico, em termos de como o sujeito se relaciona com a verdade, e não mais especificamente o modo sobre como a verdade recai   sobre o sujeito (Cardoso Jr, 2005).</p>     <p>Já não se trata de pensar uma subjetividade   estática e universal, mas sim de modos de subjetivação que se produzem   historicamente como práticas de si, e se constituem em práticas discursivas e   em relações de poder, caracterizadas principalmente pela heterogeneidade e   descontinuidade das suas formas em acontecimentos históricos (Cardoso Jr,   2005). Esse entendimento de produção de um sujeito aproxima-se da noção de   modos de vida, que se produzem e são produzidos nos jogos de força da   pragmática do poder e do saber; refere-se a uma existência que se relaciona com   as coisas, com os discursos, com o tempo, e, por isso, é variante, efémera,   mutável. É pelo corpo, inserido num tempo e nas suas condições de   possibilidade, que as subjetividades tomam forma:</p>     <p>[&#8230;] uma expressão da relação com as coisas,   através da história, então, o modo mais imediato pelo qual essa relação se   expressa é o corpo, entendido não apenas como corpo orgânico, mas também como o   corpo construído pela relação com as coisas que encontra durante a sua   existência [Cardoso Jr., 2005, p. 345].</p>     <p>A estética da existência é justamente a produção   de uma história das relações que se estabelecem entre tempo, corpo e   subjetividade. Na tentativa de produzir essa história, como uma história das   práticas, utiliza-se da genealogia, proposta por Foucault como a anticiência da   insurreição de saberes sujeitados, o que significa criar   espaços-tempos para discursos não oficiais, num sentido de produzir   forças contra os discursos centralizadores do poder (Foucault, 2005).</p>     <p>Assim, buscamos percorrer os traçados de   processualidade utilizando discursos oficiais (artigos científicos, políticas   públicas) e não oficiais (<i>blogs</i>, videos da internet, reportagens de   jornais <i>online</i>) como estratégia de criação de espaços-tempos inventivos   para heterotopias (Foucault, 2001), esses lugares reais que, na sua existência   concreta, podem constituir-se como contraponto às forças exercidas pelos   discursos normativos, e que negociam com essas forças possibilidades de   existir. Partimos da premissa de que os modos de subjetivação dos artesãos de   rua são possíveis heterotopias, principalmente quando, tentando constituir   práticas de liberdade, negociam com os jogos de poder.</p>     <p>É por essa via que   se pretende reconstituir o traçado dos acontecimentos em termos de   descontinuidade, para produzir uma história do presente, uma ontologia do   presente, um caminho diferente do proposto pela analítica da verdade, em que a   história aparece como linear e contínua, num sentido de justificar os   acontecimentos através da essência (Kastrup, 2013). Produzir a problemática de   como se dão os jogos de poder que performam os modos de subjetivação dos   artesãos de rua, e como essa modalidade de sujeitos cria alternativas para   negociar modos de vida com os discursos que lhes exercem força é, justamente,   produzir dispositivos para que histórias heterogéneas e descontínuas –   formuladas por meio de pistas e não de artefatos da realidade que conduzem a   uma verdade – tenham forma e, assim, visibilidade (objetivo desta pesquisa).</p>     <p>A genealogia, nesta lógica, constitui-se como   tática da constituição do pensamento, e possui duas ações possíveis: a   proveniência, que é a análise de como determinados saberes possibilitaram o   aparecimento de determinados objetos; e a emergência, que se dá pela análise   das relações de poder que configuram determinados modos de relação e de existir   possíveis (Kastrup, 2013). Esses dois meios foram utilizados nos nossos   estudos, quando se procura analisar os discursos dos saberes científicos sobre   os modos de subjetivação dos artesãos de rua, como também se analisam alguns   pontos da rede de relações de poder em que essa modalidade de subjetivação está   imbricada, como, por exemplo, quando nos aproximamos dos discursos mediáticos,   e como se podem dar os modos de subjetivação como efeito dessa engrenagem do   poder (Gregolin, 2007).</p>     <p>É importante destacar que tanto nos limites dos   saberes, quanto dos poderes, são possíveis formas de resistência, que seriam, respetivamente, e em termos teórico-metodológicos, a   transgressão do discurso e as práticas de liberdade. Na pragmática das relações   quotidianas, isso significa que os saberes e os jogos de poder tentam domar a   vida, na sua singularidade histórica, mas que a vida lhes escapa como forma de   resistência, pois o ponto mais intenso das vidas localiza-se onde elas chocam   com o poder, onde formam resistências difusas (Cardoso Jr., 2005).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As práticas de liberdade conduzem a uma   diferenciação do que se é, pretedendem produzir outras   regras do jogo, ou melhor, negociar com a norma maneiras outras de existir.   Modalidades de existência que destoam dos modos de   subjetivação pautado na figura de um <i>homo oeconomicus</i> (Foucault, 2008),   da figura de um indivíduo que precisa de se produzir como ser produtivo   e consumidor, investidor na empresa da sua existência, responsável pelos seus   sucessos e fracassos, e pela sua integração ou não no contexto social. Em razão   disso, pretende-se pensar as formas de sujeição à verdade, mas também as formas   de negociação com a verdade, em que estão inseridos os artesãos de rua, como   formas de resistência.</p>     <p>UMA ANÁLISE A PARTIR   DE EIXOS DE PROBLEMATIZAÇÃO</p>     <p>A investigação recorreu a   três núcleos de problematização, apontados na secção anterior, de entre os   quais foi aprofundado o núcleo 1, referente à maneira   como se constitui a modalidade de subjetivação dos artesãos de rua a partir de   enunciados dos próprios artesãos, da ciência, dos <i>media</i> e de políticas   públicas. À medida que os materiais foram sendo encontrados, e que foi sendo   identificada a sua relação com os objetivos desta investigação, procedeu-se à sua análise a partir de ferramentas conceptuais, e pensados como práticas discursivas imbricadas em jogos de poder que produzem modos de   subjetivação.</p>     <p>Pesquisaram-se páginas da internet (YouTube, Google Académico, SciELO,   PePSIC, LILACS) utilizando quatro palavras-chave (&#34;artesão de rua&#34;, &#34;artesãos   de rua&#34;, &#34;<i>hippie</i>&#34; e &#34;<i>hippies</i>&#34;). Utilizámos os seguintes critérios   de seleção e produção de materiais para a pesquisa:</p>     <p>1)   que representassem enunciados dos <i>media</i>,   de políticas públicas, da ciência (mais especificamente, artigos científicos) e   dos próprios artesãos de rua (falando sobre o que são e como operam);</p>     <p>2)   que tivessem como problemática central dos   enunciados a modalidade de subjetivação dos artesãos de rua;</p>     <p>3)   que a noção de artesãos de rua mencionada nos   materiais pesquisados estivesse próxima do conceito escolhido para delimitar a   população estudada, apresentado no início deste artigo;</p>     <p>4)   que estivessem em português e se referissem   ao contexto brasileiro;</p>     <p>5)   que tivessem sido produzidos nos 5 anos   anteriores ao período de análise (2011-2015).</p>     <p>É importante destacar que foram utilizados vídeos   e reportagens de algumas localidades específicas (Caxias do Sul, Belo Horizonte   e Juiz de Fora) devido à frequência com que estes lugares apareciam nas   pesquisas, associados aos modos de subjetivação dos artesãos de rua. Não   pretendemos, obviamente, constituir leis gerais a partir de casos específicos   utilizados como material de análise, mas sim utilizá-los como dispositivos para   o exercício da problematização pretendida e veículo de aproximação de análise   dessa modalidade de subjetivação.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PRÁTICAS DISCURSIVAS,   JOGOS DE PODER E PRÁTICAS DE LIBERDADE NA PRODUÇÃO DE MODOS DE SUBJETIVAÇÃO</p>     <p>Nos vídeos em que os próprios   artesãos de rua falam de sua identidade, aparece justamente o discurso de   tentativa de distanciamento das modalidades de existência capitalista, segundo   eles assentes no consumo como principal característica. &#34;(&#8230;) a gente anda meio   maltrapilho mesmo. É normal a gente andar meio largado e todo mundo ver. (&#8230;) A   gente mostra pra sociedade que não é sempre do jeito que eles querem&#34; (<i>Os     Artesãos</i>&#8230;, 2014). Esse poderia ser um discurso de resistência (Salgado e   Franciscatti, 2011), juntamente com algumas das trajetórias de vida dos   artesãos de rua, quando deixam os trabalhos formais com registro em carteira   para produzir manualmente o que eles chamam de &#34;suficiente para sobreviver&#34;.</p>     <p>Outro elemento que muitos artesãos trazem é a   diferenciação deste grupo enquanto <i>hippie</i>, como nesta entrevista, tirada   do blog <i>Vida de Hippie</i>:</p>     <p>Não sou <i>hippie</i>. Primeiramente sou artista   de rua, sou artesão, eu não sou hippie. Hippie era um   movimento dos anos 70, movimento histórico de sexo, drogas e rock in roll. Ele   morreu nos anos 70, não faço sexo ao ar livre, nem ando pelado, eu sou artista   de rua, e não divido a minha mulher com ninguém [&#8230;] é a única forma de ganhar   dinheiro sem depender do sistema capitalista, eu pego um pedaço de arame no   chão e faço dinheiro e digo não a indústria e ao sistema ganhando o dinheiro   dele&#34; [Ribeiro et al.].</p>     <p>Esses sujeitos, ao descreverem que vivem como   artistas de rua, recolhendo materiais descartados pela sociedade, fazendo arte   e fazendo dinheiro a partir deles, sem depender da indústria e do sistema   capitalista, parecem de algum modo aproximar-se do conceito de <i>contracultura</i> apresentado por Rozsak (1972) no que diz respeito à sua divergência quanto a   certos valores que constituem a sociedade ocidental moderna tecnocrática: os   artesãos de rua pretendem produzir, em resistência aos discursos que padronizam   e embrutecem as atividades humanas; a sua resistência estaria, portanto, em   performar a partir de um corpo que se resume ao trabalho, que não é dirigido   pela produção em série ou pelas exigências do mercado (Salgado e Franciscatti,   2011). Ainda que se diferenciem abertamente dos <i>hippies</i> dos anos 1960 e   1970 (Roszak [1972] utilizou como base para o conceito de contracultura os <i>hippies</i> norte-americanos), os artesãos de rua partilham com eles a negociação constante   frente a jogos de poder e regimes de verdade que desafiam a experiência, a   sensibilidade humana e a pluralidade de modos de vida.</p>     <p>Talvez por isso, muitos definem os artesãos de   rua como <i>hippies</i>, por se tratar de um modo de subjetivação que negoceia   o seu existir plural com os modos de produção do capitalismo. Mas eles estariam   fora do sistema capitalista que tanto repudiam? Estariam fora da trama dos   jogos de poder que exercem força sobre as vidas, para que se performem como <i>homo     oeconomicus </i>(Foucault, 2008)?</p>     <p>Para os enunciados dos <i>media</i>, essa   modalidade de subjetivação aparece a partir de diferentes figuras, não   necessariamente distantes da imagem do empreendedor de si. Num vídeo publicado   pelo <i>Jornal de Caxias</i> (2014), os artesãos de rua que se alocam na   Avenida Júlio de Castilhos, em Caxias do Sul (RS), são mencionados como   verdadeiros artistas, visto que o &#34;artesanato é a arte produzida pelas próprias   mãos&#34; e &#34;o estilo dos artesãos empresta originalidade aos seus objetos&#34;. Nos   enunciados produzidos neste vídeo, o artesão de rua aparece como um sujeito   nómada (todos os entrevistados referem já haver morado em vários lugares) que   vive do artesanato vendido nas ruas. Os produtos são variados: &#34;filtros dos   sonhos, colares feitos de madeira ou pedras, brincos, pulseiras e muitos outros   itens, e quem faz artesanato tem orgulho da vida que leva&#34;, segundo menciona o   repórter.</p>     <p>Os artesãos deste vídeo afirmam que a sua arte é   muito bem recebida pelos caxienses e demonstram que a vida de artesão é &#34;transformar&#34;   o ambiente em alto-astral pela cordialidade. A rapidez em relação ao trabalho   manual, a agilidade que desenvolvem para mudar o local da venda, a busca de   &#34;novas energias&#34;, são elementos que os artesãos de rua desenvolvem a partir dos   enunciados desta reportagem (<i>Jornal de Caxias</i>, 2014). Diego, um dos   entrevistados, aponta:</p>     <p>Isso aí é uma experiência muito legal e o cara   sente assim a energia e sente que tá vivo mesmo, entendeu, passando por isso,   viajando, conhecendo lugares, né. Arrumando o dinheiro com o seu próprio   trabalho, ali, fazendo a sua arte, desenvolvendo e conseguindo dinheiro para se manter, pra pagar o seu hotel, pra pagar sua comida,   pra conseguir comprar mais matéria, conseguindo a matéria em lugares, concha,   sementes, isso aí, entendeu&#8230; Pra tudo utilizar em formato, pra transformar em   arte, né, em artesanatos [<i>Jornal de Caxias</i>, 2014].</p>     <p>Percebe-se, através deste discurso, que ser   artesão não está necessariamente ligado a uma grande recusa, como aparece nos   enunciados dos artesãos no Blog <i>Vida de Hippie</i>, em que o modo de   subjetivação parece ser capaz de se isolar completamente do sistema social   vigente. Tampouco se percebe a ideia de que esta é uma parcela da população que   foi repudiada pela sociedade, excluída, e em total vulnerabilidade. Ao   contrário, percebe-se, mesmo numa modalidade de subjetivação heterotópica,   elementos próprios dos regimes de veridicção, como a de um sujeito constituído   pelo viés do trabalho e, por isso, digno; um sujeito que trabalha e paga as   suas contas, que é capaz de viajar por muitos lugares e pagar um hotel, que   investe em experiências que tornem a sua vida intensa, dentro do aceitável pela   normalidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na continuação deste mesmo vídeo do <i>Jornal de   Caxias</i>, uma mulher, que é artesã de rua há 35 anos e que no momento em que   a reportagem foi gravada morava em Caxias do Sul por motivos de saúde, conta   que tem um sonho: ter o seu local próprio, onde possa transmitir os seus   conhecimentos artísticos.</p>     <p>Se a gente tivesse   o espaço aberto pro artesanato, tipo uma oficina de artes, pra gente poder   mover isso melhor, né, porque às vezes, a olho nu do pessoal que passa ainda   tem [ah&#8230;] aquela coisa: esse monte de menor aí com esse monte de vagabundo,   entende&#8230; então, se isso aí ficasse mais certo, e a gente pudesse administrar   essas oficinas de arte, num lugar específico, uma sala, uma coisa mais   organizada, ia ser muito bom! [<i>Jornal de Caxias</i>,   2014].</p>     <p>Neste depoimento, percebe-se um apelo à captura   dessas modalidades de vida que escapam às estratégias de jogos de força de   governo das vidas (e que por isso são tomadas pejorativamente, como pelo viés   do &#34;vagabundo&#34;): para que os artesãos parem de ser tratados como figuras   excluídas, precisam de receber investimentos, de modo   que o seu trabalho seja regulamentado, regrado, disciplinado, normalizado   (Foucault, 2005), e, assim, reconhecido como arte. Neste ponto, percebemos uma certa semelhança com a noção de artesão oferecida por   Sapiezinskas (2012), onde aparece o desejo de integração num regime de verdades   neoliberal e globalizado, um anseio pela profissionalização do seu trabalho.</p>     <p>No final do vídeo, esta mesma artesã diz que as   novas coleções de colares, pulseiras e bolsas primavera-verão estão esperando   pela clientela, na Avenida de Caxias do Sul (<i>Jornal de Caxias</i>, 2014). O   artesanato, que representa resistência, passa também   a ter como preocupação atender às necessidades dos consumidores, seguir as   tendências da moda da indústria cultural, e deve ser produzido cada vez com   maior rapidez e eficiência, fazendo com que o artesão de rua não seja imune ao   processo de coisificação da sua arte e ao enfraquecimento das suas forças de   resistência criativa (Salgado, Franciscatti, 2011).</p>     <p>Os estudos científicos sobre esta temática são   ainda escassos. Nas bases SciELO Brasil, PePSIC e LILACS   foram encontrados dois artigos: um deles trata sobre o processo de   institucionalização da Feira de Arte, Artesanato e Produtores de Variedades,   popularmente conhecida como Feira Hippie de Belo Horizonte, e refere-se ao   artesão de rua como &#34;feirante/artesão/empreendedor&#34; (Carrieri, Saraiva,   Pimentel, 2008, p. 64). Essa feira surgiu em 1969, momento em que o país   passava por conflitos políticos intensos e que a população buscava contestar a   ditadura militar de maneira muitas vezes indireta, é muito tradicional em Belo   Horizonte.</p>     <p>A criação e a formação da Feira de Arte e   Artesanato teria ocorrido a partir da integração entre críticos de arte,   artistas plásticos, artesãos e alguns elementos hippies. Por esta perspectiva,   de enquadramento dos artistas hippies na fundação da Feira, percebe-se a   atribuição de um caráter mais &#34;popular&#34;, isto é, menos articulado politicamente   e, até, eufêmico quanto aos objetivos principais declarados na criação daquela.   Isto porque, de acordo com a concepção da época, os hippies eram considerados   elementos subversivos, desordeiros e alienados em relação aos padrões da   cultura dominante [Carrieri, Saraiva, Pimentel, 2008, p. 69].</p>     <p>O texto afirma que os &#34;hippies&#34; não eram a figura   mais presente na feira, e os que aí trabalhavam, faziam-no para sobreviver. No   entanto, a imagem da feira associada à figura do hippie enquanto rebelde e   contra os valores dominantes da época (ligados à repressão ditatorial) fez com   que a feira crescesse pelo aumento das vendas (<i>loc</i>.<i> cit</i>.). Isto   é, a imagem do anticapitalista foi utilizada para incrementar o próprio   comércio. De facto, o artigo menciona que o movimento <i>hippie</i> no Brasil   foi um modismo, ou seja, constituiu-se por mimetismo em relação ao movimento   norte-americano.</p>     <p>Talvez, por isso, os artesãos de rua fazem   questão de se diferenciar dos hippies: &#34;As pessoas veem a gente como hippies,   né, mas não somos hippies. Se a gente fosse hippie a gente não tava fazendo   nada (&#8230;)&#34; (<i>Os Artesãos</i>&#8230;, 2014). &#34;Hoje a gente é mais considerado artesão   do que hippie. Mas a sociedade vê nós como <i>hippie</i>&#34;   (<i>op. cit.</i>).</p>     <p>O facto é que em vídeos e reportagens de jornais   referentes principalmente a Belo Horizonte, ainda são mencionados como hippies   e, o mais interessante, existem lugares permitidos e   outros proibidos para a circulação destas pessoas (<i>Jornal da Alterosa</i>,   2014b). Dentre os locais que estão proibidos, estão as áreas centrais da   capital, já que os expositores das feiras do centro, que estão formalizados e   pagam taxas à prefeitura, veem nos artesãos de rua uma   concorrência desleal (<i>Jornal da Alterosa</i>, 2014a).</p>     <p>Também se percebe a diferença através das   modalidades de <i>hippies</i> que podem trabalhar (têm permissão para) e as que   não o podem fazer. Estão classificados como &#34;com direito a transitar com sua   arte&#34; os artesãos de rua que trabalham e estão devidamente legalizados para tal   na Feira do <i>Hippie</i>, e aqui aparecem, para nós, as primeiras zonas de   avizinhamento desta população com as políticas públicas. Isso significa,   segundo uma reportagem datada de 2011, (Inscrição&#8230;, 2011), estar inscrito numa   licitação e estar dentro das 2,3 mil vagas de instalação de barracas   disponíveis. Para tanto, o sujeito necessita de ter todos os documentos   (Registro Geral e Certidão de Pessoa Física, pelo menos) para poder postular a   vaga.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Evidentemente, estas práticas configuram que   modalidade de subjetivação de artesão rua tem o direito de transitar nos   espaços urbanos de Belo Horizonte: o que é devidamente registado e se encontra   dentro das estratégias de governo das vidas (Foucault, 2008). Não podem   circular livremente os artesãos que são ambulantes, ou seja, que não foram   capturados por essa estratégia de governo (licitação).</p>     <p>Além disso, podemos dizer que o artesão de rua da Feira do Hippie possui historicamente a sua figura   colada à dos artistas plásticos, críticos de arte, e famílias de feirantes,   desde a fundação desta feira. É esta mesma modalidade de artesão de rua que,   por ter documentação, vai conseguir ter acesso a todas as políticas públicas   disponíveis para os cidadãos (sujeitos de direito) brasileiros. Atualmente, ter   pelo menos a carteira de identidade é o elemento básico de inserção e   participação nos programas sociais oferecidos pelo Estado, com exceção dos   programas especificamente direcionados à População em Situação de Rua.</p>     <p>A dimensão das políticas públicas merece   destaque. Não foram encontrados documentos oficiais, políticas públicas,   programas ou portarias que abranjam, ou sequer reconheçam, a população dos artesãos de rua. Em Belo Horizonte, o   interface com o discurso das políticas públicas tem ocorrido ou pelo   cadastramento como artesão da Feira Hippie, ou pela via da coerção da polícia   de Belo Horizonte, que vem atuando como instância de violência em relação ao   trabalho de alguns artesãos. Numa reportagem emitida pela Câmara Municipal de   Belo Horizonte (2012), é relatada uma audiência em que muitos artesãos de rua   pretendiam o reconhecimento da legalidade das suas atividades, assim como a   obtenção da devolução de materiais que, segundo eles, vinham sendo confiscados   injustamente desde 2011:</p>     <p>Solicitada por Sílvia Helena (PPS), esta foi a terceira audiência pública realizada pela CMBH desde os   incidentes de abril de 2011, quando foram registradas ações hostis dos fiscais   da PBH em relação aos artesãos da Praça Sete, que tiveram suas mercadorias e   ferramentas de trabalho apreendidas. Ao questionar a intervenção, alguns   chegaram a ser detidos pela Polícia Militar. A vereadora explicou que, de   acordo com o parecer da Procuradoria, não há regulamentação específica que   proíba a permanência dos artesãos nas ruas, uma vez que não se enquadram entre   os ambulantes proibidos pelo Código de Posturas. &#34;Diferente dos camelôs, os   artesãos não vendem produtos fabricados por terceiros visando lucro, mas expõem o seu próprio trabalho, manual e artístico&#34;, ponderou   [Câmara Municipal de Belo Horizonte, 2012, segundo parágrafo].</p>     <p>Neste ponto, podemos dizer que existem diferentes   modalidades de artesãos de rua, de acordo com as diferentes relações que   estabelecem com o poder. Há os que podem transitar (os que se adequam à norma,   e assim recebem <i>status</i> de artista) e os que têm as suas condições de   possibilidade limitadas, algo similar ao que propôs Foucault (2005) sobre os   bárbaros e os selvagens, na formação da sociedade capitalista. Ambos não participavam   do grupo dos que eram civilizados; porém, distinguiam-se no facto de os   selvagens poderem ser domesticados, se passassem por uma série de procedimentos   de disciplina para a lógica do comércio, enquanto os bárbaros, por estarem fora   dessa cultura, não eram domesticados, e por isso a superfície de contacto com o   poder era dada pela intervenção militar (violência). De modo similar, o grupo   de artesãos de rua é heterogéneo nas suas superfícies de contacto com o poder,   de tal modo que alguns recebem o investimento para a &#34;inserção social&#34; (o   cadastramento), desde que obedeçam a uma série de condições; aos não   &#34;normalizáveis&#34;, resta a intervenção militar (policial, nestes casos).</p>     <p>Neste ponto, podemos pensar essa diferenciação   dentro de um mesmo grupo de pessoas, em que umas têm mais direitos e garantias que outras de acordo com a sua vinculação aos modos de vida   estipulados pelo biopoder, algo semelhante ao que propôs Foucault (2005) como   racismo de Estado. Numa modalidade de governo em que a vida é o eixo a ser   produzido e governado, aparece a necessidade de determinar que vidas merecem investimento e que vidas são delegadas à   vulnerabilidade, numa lógica do &#34;fazer viver ou deixar morrer&#34;.</p>     <p>Em defesa da   produção de uma sociedade de raça pura, são criadas estratégias pelas quais são   produzidos certos padrões de estilos de vida, que, quanto mais próximos dos   discursos normativos, mais investidos e assegurados, assim como se apresentam à   modalidade de artesãos de rua que conseguem ser catalogados e inseridos nos   cadastros mencionados; como consequência, são aproximados da figura do   &#34;artista&#34; e do &#34;trabalhador&#34;, indíviduos com uma vida &#34;digna&#34; de ser vivida e   de ser investida. As modalidades de artesãos de rua que não se inserem nesta   vertente de classificação são dispostas num estado de vulnerabilidade por terem   o seu sustento (a venda de seus artesanatos) ameaçado pela proibição de   circulação nos mesmos lugares que os &#34;assegurados&#34;, e pela superfície de   contacto com o poder feita através da polícia militar,   isto é, pela violência. Aqui se trataria não só de um deixar morrer, mas também   de um fazer morrer: &#34;É claro, por tirar a vida não entendo simplesmente o   assassínio direto, mas também tudo o que pode ser assassínio indireto: o fato   de expor à morte, de multiplicar para alguns o risco de morte ou, pura e   simplesmente, a morte política, a expulsão, a rejeição, etc.&#34; (Foucault, 2005,   p. 306).</p>     <p>É necessário destacar que nessa mesma audiência   (Câmara Municipal de Belo Horizonte, <i>loc. cit.</i>) foi discutida a   necessidade de o poder público conhecer essa parcela da população, por meio da   construção de saberes sobre quem são e como se constituem, no intuito de que   não continuem a ser violentados por causa da falta de especificação das   modalidades de subjetivação que são possíveis de serem vividas em Belo   Horizonte.</p>     <p>Temendo que a decisão da Procuradoria não seja   perene, os artesãos solicitaram legislação específica e estudo aprofundado   dessa cultura. Um de seus representantes, Rafael Lage defendeu que o primeiro passo para a solução do conflito é conscientizar o poder   público e a sociedade sobre o que é a cultura hippie e quem são os artesãos de   rua dentro dela. &#34;Nada no Brasil é simplesmente assimilado. Tudo é   ressignificado. Assim como o Maracatu e o Congado, a cultura hippie aqui é   mestiça, é misturada. Nós temos influência dela sim, mas não é só isso. Somos   resultado da mistura de várias outras matrizes, como a cultura africana e   indígena, fortemente&#34;, destacou. Os artesãos reivindicaram a criação de uma   comissão de estudos para investigar a cultura do artesão de rua, conforme   deliberado na primeira audiência pública, e a partir daí a elaboração de uma   legislação coerente com a sua prática artística e o contexto social em que   vivem. &#34;É preciso entender que o artesanato não tem um fim comercial, mas tem   principalmente um valor político de ruptura com o sistema capitalista   instalado&#34;, afirmou Rafael [Câmara Municipal de Belo Horizonte, 2012, terceiro   e quarto parágrafos].</p>     <p>Através deste texto da Câmara Municipal de Belo   Horizonte, percebemos mais uma vez o apelo dos artesãoes no sentido da produção   de um perfil epidemiológico oficial desta modalidade de subjetivação, baseado   em estudos científicos que determinem e classifiquem o grupo em termos   culturais e estatísticos, para que, a partir deste perfil, seja produzida uma   legislação, isto é, para que este grupo seja pensado através de uma lógica de   sujeitos de direito, e para que os seus membros sejam configurados como   cidadãos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais uma vez, a possibilidade da inclusão, do   afastamento de zonas de vulnerabilidade (precariedade) e de contacto com o   poder pela violência, aparece pela aproximação com os discursos normativos, de   enquadramento e de captura por um perfil que delimitaria, com mais clareza, que   modalidade de vida de artesãos de rua deve ser investida.</p>     <p>Outro elemento interessante nos discursos dos   artesãos de rua tem a ver com aqueles que não estão classificados como os que   podem transitar, e por isso sofrem repressão (os seus materiais são confiscados   por venderem as suas produções artísticas sem a licença necessária), e alegam   que isso acontece porque são confundidos com moradores de rua. Segundo os   próprios artesãos, eles trabalham e são artistas, e não marginais ou   vagabundos. Num vídeo que trata de uma feira de artesanato de Juiz de Fora   (MG), quando questionado se é vítima de preconceito, o artesão de rua responde   &#34;(&#8230;) a pessoa é o morador de rua, é o mendigo, é esses lance&#8230; É o cara que é   drogado (&#8230;) daí você está sujeito a receber toda aquela energia que a sociedade   manda pra aqueles que não tem chance&#34; (<i>Vida</i>&#8230;,   2014).</p>     <p>Neste ponto, podemos dizer que mesmo as   modalidades de artesãos de rua que se encontram mais afastadas em termos de   inserção nas estratégias de governo das vidas (e por isso, mais vulneráveis e   precárias em seus modos de existir) são constantemente transversalizadas pelos   jogos de poder, capturadas pelos discursos da biopolítica quando com tanta   veemência se querem diferenciar da População em Situação de Rua por   considerá-la composta por vagabundos, dependentes de drogas e marginais.</p>     <p>Desta maneira, não podemos falar em exclusão   social, porque o modo de subjetivação dos artesãos de rua encontra   possibilidades de participar dos jogos de poder. Trata-se, pois, de algumas   modalidades de subjetivação dentro do grupo de artesãos de rua que têm   possibilidades e estratégias para negociar mais frágeis que outros do mesmo   grupo, pelo próprio modo como são articulados os jogos de poder e o governo das   vidas na sociedade brasileira.</p>     <p>A noção de que apenas algumas modalidades de   vida, devidamente registadas e normalizadas, tem o direito de transitar em   espaços considerados públicos (como a Praça da Liberdade de Belo Horizonte)   remete para uma possível sacralização do espaço como lugar de convenção social,   harmónico e homogéneo do decorrer do tempo, e, assim, utópico, uma conceção   própria da modernidade, que procura neutralizar os vetores de diferenciação que   aparecem nessas localidades.</p>     <p>Como propõe Foucault (2001), os espaços devem ser   pensados na sua concretude e heterogeneidade como espaços de conflitos, pelos   quais as diferenças são manifestadas, algo semelhante aos locais onde se alocam   as diferentes modalidades de artesãos de rua, em que há conflitos de interesses   e diferenças entre este grupo e outras modalidades de subjetivação, como também   relações plurais com os discursos normativos entre os seus próprios   integrantes. Podemos dizer, então, que pela pluralidade da modalidade de vida   dos Artesãos de Rua, esta se encontra inserida em espaços de heterotopia.</p>     <p>Lugares reais, lugares efetivos, lugares que   foram desenhados pela própria instituição da sociedade, e que são tipos de contra-localizações, tipos de utopias efetivamente   realizadas dentro das quais as localizações reais, todas as outras localizações   reais que se pode achar no interior da cultura são simultaneamente   representadas, contestadas e invertidas, tipos de lugares que se encontram fora   de todos os lugares, ainda que, entretanto, eles sejam efetivamente   localizáveis. Esses lugares, como são absolutamente outros do que todas as   localizações que eles refletem e das quais eles falam, eu os chamarei, em   oposição às utopias, as heterotopias [Foucault, 2001, pp. 1574-1575].</p>     <p>Se pensarmos em termos de espaços utópicos,   apenas a noção de artesãos de rua devidamente regulamentada apareceria como   possível, e seriam borrados todos os conflitos imbricados na produção de   diferentes modalidades de vida possíveis dentro da noção de artesãos de rua.   Quando se abre a possibilidade para se pensar o heterogéneo, também se torna   possível a compreensão dessa modalidade de existência   como plural, composta por vetores capturáveis e de muitos outros que escapam às   estratégias de normalização das vidas e que desencadeiam, com isso, respostas   de repressão e violência na sua superfície de contacto com o poder.</p>     <p>Ainda nas modalidades de vida de artesãos de rua   que clamam inclusão por meio da captura, podemos pensar em práticas de   liberdade e produção de si pela arte, que não deixa de ser um viés criativo de   estética da existência e uma forma de resistência. Talvez por este via possam   continuar a diferenciar-se, produzindo novos espaços de pluralidade e   heterogenia, numa estratégia de negociação com a norma, de modo que ainda   estando inserido nas tramas de jogos de poder, sejam vetores de problematização   de suas nuances, pela produção de uma arte e de uma modalidade de vida que   necessitam apenas de condições mínimas para existir.</p>     <p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os caminhos trilhados por esta investigação produziram pistas sobre os   modos de subjetivação pelos quais se performam os artesãos de rua. Segundo os   seus relatos, tomam a figura de um corpo que resiste aos modos de vida de   obediência à norma, daqueles que não sofrem preconceito, que se subjetivam pelo   consumo. É um corpo que se diferencia no modo de vestir, através dos seus   hábitos de vida itinerantes, na sua relação com o trabalho (artesanato).   Constituem, portanto, práticas de liberdade, produtoras, pela sua constituição   heterogénea, de outros lugares possíveis para a existência (Foucault, 2001).</p>     <p>No entanto, não deixam de estar constantemente em   contacto com as superfícies de poder. Ao mesmo tempo que se performam como heterotopias, são atravessados por discursos de normalização,   como a regulação de seu trabalho (conforme o exemplo da licitação para poder   trabalhar na Feira <i>hippie</i> em Belo Horizonte), as relações que   estabelecem com a polícia, e o anseio de se diferenciarem de modalidades de   existência que consideram excluídas da vida social (como os moradores de rua).</p>     <p>Aqui há um ponto de bifurcação dessa modalidade   de subjetivação: aqueles, dentro deste mesmo grupo, que possuem a documentação   necessária para formalizar o seu trabalho junto do poder público (Registro   Geral e Cadastro de Pessoa Física) – ou seja, que estão enquadrados nos trâmites de governo das vidas na sociedade brasileira, o que   significa também ter acesso às políticas públicas (de saúde, educação,   assistência social, dentre outras) disponíveis; e aqueles que não conseguem   e/ou não querem participar dessas estratégias de controlo, e acabam por sofrer   as sanções de uma vida afastada das normas, pouco regularizada e, claro, pouco   investida – uma vida em vulnerabilidade, em precariedade (Le Blanc, 2007), ou   mesmo investida em termos de um fazer morrer, pelas estratégias de violência.</p>     <p>Ainda que   compartilhem certos níveis de precariedade, é pela maneira como se relacionam   com o poder que os artesãos de rua vão estar mais perto ou mais longe de uma   vida &#34;incluída&#34;, isto é, da figura de sujeito de direitos, vidas passíveis de   serem investidas. Quanto mais se aproximam das condições de normalização das   vidas, pelo viés do trabalhador e do artista, mais perto de vidas &#34;normais&#34;   estarão, e entrarão dentro dos limites de investimento   de um racismo de Estado (Foucault, 2005). Do mesmo modo, quanto menos se   aproximam dessas condições, mais altos os níveis de vulnerabilidade e mais   perto se configuram da figura de exclusão (moradores de rua) que tanto temem.</p>     <p>Neste percurso em que a precariedade é uma   possibilidade, aparece também o apelo pela captura, seja pela regulamentação do   trabalho, seja pela produção de um perfil epidemiológico e de legislação que os   configure como sujeitos de direitos. No entanto, acreditamos que, mesmo que   haja um investimento na normalização de certas modalidades de artesãos de rua,   a heterogenia e a diferença continuam a ser possíveis quando a arte é o veículo   de produção de si, deixando em aberto espaços para vetores de práticas de   liberdade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS   BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <p>FONTES</p>     <!-- ref --><p>CÂMARA   MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE (2012), &#34;Comunidade conquista devolução de   materiais apreendidos pela PBH&#34;. Disponível em   <a href="http://www.cmbh.mg.gov.br/chapeu/artesaos-de-rua" target="_blank">http://www.cmbh.mg.gov.br/chapeu/artesaos-de-rua</a>, [consultado em 13-06-2015].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100222&pid=S0003-2573201800020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>INSCRIÇÃO para licitação da &#39;Feira Hippie&#39; em BH apresenta falhas (2011), G1    Minas Gerais, Belo Horizonte. Disponível em <a href="http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2011/02/inscricao-para-licitacao-da-feira-hippie-em-bh-apresenta-falhas.html" target="_blank">http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2011/02/inscricao-para-licitacao-da-feira-hippie-em-bh-apresenta-falhas.html</a>.    [consultado em 03-01-2015].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100224&pid=S0003-2573201800020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JORNAL   DA ALTEROSA (2014a), &#34;PBH vai começar a punir hippies e artesãos que não ficarem   em área determinada nesta semana&#34; (vídeo). Disponível em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8veCCAfiQNw" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=8veCCAfiQNw</a> [consultado em 03-12-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100226&pid=S0003-2573201800020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JORNAL   DA ALTEROSA (2014b), &#34;Prefeitura e PM fazem operação para fiscalizar hippies no   Centro de BH&#34; (vídeo). Disponível em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZiJ5TrG2M5I" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=ZiJ5TrG2M5I</a> [consultado em 03-12-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100228&pid=S0003-2573201800020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>JORNAL   DE CAXIAS (2014), &#34;Conheça quem faz artesanato de rua em Caxias do Sul&#34; (vídeo). Disponível em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=tX7j8OVzx_s" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=tX7j8OVzx_s</a> [consultado em 14-05-2015].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100230&pid=S0003-2573201800020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OS ARTESÃOS   DE RUA DE JOÃO PESSOA [vídeo] (2014), Disponível em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fXoGhT6wTL4" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=fXoGhT6wTL4</a> [consultado em 24-11-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100232&pid=S0003-2573201800020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VIDA DE   ARTESÃO [vídeo] (2014), Disponível em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=1TogJiREa Dw" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=1TogJiREa Dw</a>. [consultado em   03-12-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100234&pid=S0003-2573201800020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARDOSO JR, H. R. (2005), &#34;Para que serve uma subjetividade? Foucault, tempo    e corpo&#34;. <i>Psicologia: Reflexão e Crítica</i>, 18 (3), pp. 343-349.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100236&pid=S0003-2573201800020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARRIERI,   A. P., SARAIVA, L. A. S.,   PIMENTEL, T. D. (2008), &#34;A institucionalização da feira hippie de Belo Horizonte&#34;.   Organ. Soc., Salvador, 15 (44). Disponível em <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-92302008000100004&lng=pt&nrm=iso" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1984-92302008000100004&amp;lng=pt&amp;nrm=iso</a>.   [consultado em 02-02-2015].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100238&pid=S0003-2573201800020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTEL,   R. (2000), &#34;As armadilhas da exclusão&#34;. <i>In</i> M. BELFIORE-WANDERLEY, L.   BÓGUS, M. C. YAZBEK, (orgs.), <i>Desigualdade e a Questão Social</i>, 2.ª ed, São Paulo, EDUC, pp. 17-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100240&pid=S0003-2573201800020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CORNEJO,   M., BESOAÍN, C., MENDOZA, F. (2011), &#34;Desafíosen la Generación de Conocimiento en la Investigación Social Cualitativa Contemporánea&#34;. <i>Forum</i><i>: Qualitative Social Research</i>, 12 (1). Disponível em <a href="http://nbn-resolving.de/urn:nbn:de:0114-fqs110196" target="_blank">http://nbn-resolving.de/urn:nbn:de:0114-fqs110196</a> [consultado em 12-08-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100242&pid=S0003-2573201800020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2001), &#34;Outros espaços&#34;. <i>In</i> M. B. Motta (org.), <i>Ditos &amp;     Escritos III – Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema</i>, Rio de   Janeiro, Forense Universitária, pp. 411-422.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100244&pid=S0003-2573201800020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2003), <i>Ditos &amp; Escritos IV: Estratégia, Poder-Saber</i>, Rio de   Janeiro, Forense Universitária.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100246&pid=S0003-2573201800020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2004), <i>A Hermenêutica do Sujeito</i>, São Paulo, Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100248&pid=S0003-2573201800020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2005), <i>Em Defesa da Sociedade: Curso no Collège de France (1975-1976)</i>, São Paulo, Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100250&pid=S0003-2573201800020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT,   M. (2008), <i>Segurança, Território e População: Curso no Collège de France (1977-1978)</i>, São Paulo, Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100252&pid=S0003-2573201800020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GREGOLIN,   M. R. (2007), &#34;Análise do discurso e mídia: a (re)produção de identidades&#34;. <i>Comunicação,     Mídia e Consumo</i>, 4 (11), pp. 11-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100254&pid=S0003-2573201800020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KASTRUP,   V. (2007), &#34;A bifurcação da modernidade e a situação da psicologia cognitiva&#34;. <i>In</i> V. KASTRUP, <i>A Invenção de Si e do Mundo: uma Introdução do Tempo e do Coletivo     no Estudo da Cognição</i>, Belo Horizonte, Autêntica, pp. 33-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100256&pid=S0003-2573201800020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KASTRUP,   V. (2013), &#34;A rede: uma figura empírica da ontologia do presente&#34;. <i>In</i> A.   Parente (org.), <i>Tramas da Rede: Novas Dimensões Filosóficas, Estéticas e     Políticas da Comunicação</i>, Porto Alegre, Sulina, pp. 80-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100258&pid=S0003-2573201800020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LE   BLANC, G. (2007), <i>Vidas Ordinarias, Vidas Precarias: Sobre la Exclusión Social</i>, Buenos Aires, Nueva Visión.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100260&pid=S0003-2573201800020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MANSANO,   S. R. V.   (2009), &#34;Sujeito,   subjetividade e modos de subjetivação   na contemporaneidade&#34;. <i>Revista de Psicologia da UNESP</i>, 8 (2), pp.   110-117. Disponível em <a href="http://seer.assis.unesp.br/index.php/psicologia/article/view/946/873" target="_blank">http://seer.assis.unesp.br/index.php/psicologia/article/view/946/873</a> [consultado em 28-11-2014].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100262&pid=S0003-2573201800020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PASSOS,   E., KASTRUP, V., ESCÓSSIA, L. (orgs.)   (2009), <i>Pistas do Método da Cartografia: Pesquisa-Intervenção e Produção de     Subjetividade</i>, Porto Alegre, Sulina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100264&pid=S0003-2573201800020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROZSAK,   T. (1972), <i>A Contracultura: Reflexões sobre a Sociedade Tecnocrática e a     Oposição Juvenil</i>, Petrópolis, Editora Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100266&pid=S0003-2573201800020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SALGADO, M., FRANCISCATTI, K. V. S. (2011), &#34;Arte, artesanato e trabalho: um    estudo acerca dos limites do fazer e do criar artesanal&#34;. <i>Gerais, Rev. Interinst.    Psicol.,</i> 4 (2), pp. 284-296. Disponível em <a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-82202011000200010&lng=pt&nrm=iso" target="_blank">http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1983-82202011000200010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso</a>    [consultado em 18-01-2017].</p>     <!-- ref --><p>SAPIEZINSKAS,   A. (2012), &#34;Como se constrói um artesão: negociações de significado e uma &#39;cara   nova&#39; para as &#39;coisas da vovó&#39; &#34;. <i>Horiz</i><i>. antropol.</i>, 18 (38), pp. 133-158. Disponível em <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832012000200006&l%20ng=en&nrm=iso" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-71832012000200006&amp;l%20ng=en&amp;nrm=iso</a> [consultado em 18-01-2017].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100269&pid=S0003-2573201800020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 04-05-2016.   Aceite para publicação a 14-12-2017.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a>       Agradecemos ao CNPq pelo   financiamento da pesquisa.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>       Os conceitos teóricos foram   utilizados como ferramentas do sentido de que eles orientaram nosso olhar   investigativo em direção a que elementos buscar nos   sites de busca, que materiais escolher para análise, assim como para relacionar   os elementos que apareceram como pistas sobre os modos de subjetivação dos   artesãos de rua. Os conceitos tomam, portanto, um sentido prático, se tornam   operacionalizadores para a produção de signos de processualidade do objeto   estudado sob a lógica do método do Cartógrafo, na qual os processos de busca,   seleção e análise de dados são simultâneos (Passos,   Kastrup e Escóssia, 2009).</p>      ]]></body><back>
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