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<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.31447/AS00032573.2018227.12</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Queremos uma Economia Nova: Estado Novo e Corporativismo]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Ciências Sociais ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RECENS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>GARRIDO, Álvaro</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Queremos uma Economia Nova. Estado Novo e Corporativismo,</b></font></p>     <p>Lisboa, Temas e   Debates, 2016, 156 pp.</p>     <p>ISBN 9789896444112</p>     <p><b>Nuno Domingos*</b></p>     <p>*Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade de Lisboa. Av. Professor An&iacute;bal de Bettencourt, 9 - 1600-189 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:nuno.domingos@ics.ulisboa.pt">nuno.domingos@ics.ulisboa.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Queremos uma   Economia Nova</i> resulta das provas de agregação de Álvaro   Garrido, historiador do corporativismo português, durante o Estado Novo.   Garrido tem investigado este assunto a partir do estudo do setor das pescas, à   análise do qual dedicou <i>O Estado Novo e a Campanha do Bacalhau</i> (Garrido, 2003), <i>Economia e Política das Pescas Portuguesas </i>(Garrido,   2006) e <i>Henrique Tenreiro</i>.<i> Uma Biografia Política </i>(Garrido,   2009). Mais recentemente co-editou, com Fernando   Rosas, <i>Corporativismo</i>, <i>Fascismos, Estado Novo</i> (Garrido e Rosas,   2012).&nbsp;Em <i>Queremos uma Economia Nova</i> o autor<i> </i>sintetiza a sua   interpretação do corporativismo enquanto modelo geral de organização económica   e social, centrando-se depois no seu papel enquanto parte elementar do projeto   político do regime de Salazar. Mas este é também um livro sobre a memória   histórica do fascismo.</p>     <p>Realizando, no longo primeiro capítulo,   uma análise detalhada da história do conceito, da sua genealogia, quadro   teórico e aplicação, Garrido procura resgatar o estudo do corporativismo para a   sua <i>historicidade</i> própria: o tempo dos fascismos. Afasta-se, então, do   que considera ser a descontextualização histórica veiculada por explicações do   fenómeno corporativo com origem nas &#34;ciências do social&#34; (p. 19) que, apesar do   enriquecimento que trazem à análise, contribuem para &#34;uma desvalorização do   corporativismo enquanto fenómeno histórico em si mesmo&#8230;&#34; (p. 20). Como Fernando   Rosas, no prefácio do livro, Garrido alerta para os perigos de investigar o   corporativismo apenas enquanto modelo de organização política, económica e   social de concertação, com características observáveis noutras temporalidades e   em regimes políticos diversos. Destas abordagens, destaca os modelos da ciência   política, usados também por autores que trabalharam o caso português, como   Howard Wiarda ou Philippe Schmitter. Estes modelos consideram a existência de   distintas experiências corporativas, separando, por exemplo, o corporativismo   de Estado, típico de regimes autoritários, do corporativismo societal,   característico de alguns regimes democráticos no pós-guerra. Mas a crítica   epistemológica de Álvaro Garrido aplicar-se-á também a outras leituras – da   história do pensamento económico à sociologia histórica, dos estudos das   relações de trabalho às teses centradas nas funções do Estado moderno ou da   história da ciência – que, ao conferirem uma determinada autonomia ao estudo de   processos de institucionalização, podem concorrer para a marginalização da   natureza repressiva e autoritária de regimes como o Estado Novo: &#34;Por muito que   se invoque a plasticidade ideológica do corporativismo e se admita a   pluralidade do conceito, enquanto categoria histórica ele carrega a íntima   relação que manteve com os regimes fascistas&#34; (p. 31).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Simultaneamente, Álvaro Garrido menciona a   necessidade de a análise historiográfica confrontar o discurso corporativo do   regime fascista, produzido fundamentalmente pela ciência jurídica, com a sua   aplicação no terreno. É isso que realiza nos seus trabalhos sobre o setor das   pescas, demonstrando algumas das contradições, insuficiências, reformulações e   descontinuidades que envolveram a experiência prática do corporativismo.<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a> Estes trabalhos, baseados em fontes arquivísticas, revelam como o   Estado, por intermédio das instituições corporativas, interveio sobre a   morfologia económica e social portuguesa, relacionou-se com poderes sociais   pré-existentes, promoveu outros, lidou com resistências diversas, reagiu a   crises internacionais. Esta intervenção estatal apresentou dimensões   repressivas típicas de regimes de matriz fascista e, nesse sentido, o   corporativismo é uma categoria com uma historicidade própria. Mas, sob esta   categoria, assistiu-se em Portugal à disseminação de instituições, políticas e   práticas que fazem parte de uma outra historicidade,   bastante mais abrangente do ponto de vista histórico, a que define etapas   fundamentais do processo de construção do Estado moderno, que em Portugal   coincidiu em algumas etapas fundamentais com o período do Estado Novo. A   evolução estatal em Portugal reforçou a institucionalização da repressão, mas   também de políticas de integração social<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>, que importa considerar, de modo a avaliar o poder infraestrutural do   Estado, para usar o termo de Michael Mann.</p>     <p>Como nota Álvaro Garrido, o Estado Novo   enfrentou a chamada &#34;questão social&#34; procurando regular aquilo que considerou ser os excessos do liberalismo, notórios após a crise   mundial de 1929, e os seus efeitos sobre o processo político, que tornaram   exequíveis alternativas socialistas e comunistas. Esta política de   enquadramento do sistema económico capitalista implicou a supressão de   sindicatos autónomos e de direitos laborais, a perseguição de ativistas   políticos e de trabalhadores, a desvalorização de salários e a imposição à   força de trabalho, nomeadamente em alguns setores de atividade, de uma   disciplina férrea, quase sempre com a cumplicidade ativa dos patrões, e a   criação de uma estrutura económica que beneficiou clientelas e monopólios. Num   contexto académico onde decorrem lutas pela interpretação do regime de Salazar,   que envolvem tentativas de desvalorização do seu caráter repressivo e   autoritário, o estudo da economia do corporativismo português é igualmente um   meio para discutir a natureza do regime.<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a> Garrido revela-se contra &#34;a erosão da memória antifascista e a   desvalorização cívica da própria revolução de Abril de 1974&#34;, para a qual   contribui uma narração historiográfica em que &#34;às ruturas sobrepõem-se as   continuidades, modo de interpretação que convém ao esquecimento e ao   relativismo&#34; (p. 35).</p>     <p>Assente neste imperativo político e   cívico, esta &#34;historicidade&#34; é igualmente justificada por um campo de estudos   assente em bibliografias e currículos, em paradigmas e debates sedimentados em   trocas académicas. Um dos aspetos que define este campo é a sua dimensão   comparativa, assente no confronto das experiências de regimes politicamente   próximos. Fundamental para interpretar as características do fenómeno e as suas   diversas declinações, este uso da comparação reforça a verdade do problema   científico, encerrando processos transversais, como o crescimento do Estado   moderno, dentro do estudo da tipologia do regime. Simultaneamente, acentua as   realidades produzidas por um esquema conceptual mobilizado à volta de uma   realidade sociopolítica nacional e da ação das suas elites. Também no livro   aqui em discussão são estabelecidas comparações entre o caso português, o   italiano e o alemão, as comparações mais &#34;típicas&#34;, e, mais brevemente, com os   casos espanhol e francês (pp. 37-54). Este modelo comparativo responde a um   conjunto de questões sobre a natureza dos vários regimes corporativos (controlo   sobre sindicatos, organização autoritária da economia, imposição de sistemas de   intermediação de interesse) (p. 33). Para o caso português, estas questões eram   fundamentais para sustentar uma história de Portugal que se confunde com a   história do regime: identificar as origens ideológicas e sociais do Estado Novo   no âmbito da crise do Estado liberal, a sua natureza política no contexto dos   fascismos europeus entre guerras, a longevidade da ditadura portuguesa e a sua   resistência a transformações externas e internas; a natureza e os ciclos das   políticas de modernização e desenvolvimento económico (p. 63).</p>     <p>A este projeto de investigação devemos   parte importante do conhecimento sobre a história de Portugal neste período. No   entanto, expressas numa prática de ensino e investigação, estas questões   delimitam um campo de estudos e criam condições para a reprodução automática de   um modo de interpretação e de pesquisa. Um dos problemas deste modelo de   interpretação do corporativismo é que, centrado fundamentalmente na análise de   dinâmicas repressivas e de controlo, cria obstáculos à compreensão da &#34;arte de   saber durar&#34; do regime de Salazar e Caetano.</p>     <p>Para autores como Roger Griffin (2005), a   explicação repressiva não era satisfatória para interpretar o advento dos   regimes fascistas e a sua consolidação. Insistiram, então, na centralidade do   processo de criação de um domínio cultural, assente numa mística mobilizadora, ultra-nacionalista, que oferecia às massas nacionais um   sentido existencial e um futuro expectável. Estas interpretações   marginalizavam, no entanto, alguns dos processos de   desenvolvimento desta hegemonia, assentes numa intervenção prática das   instituições do Estado moderno. Trabalhando sobre o caso alemão, o historiador   Alf Lüdtke (2012) demonstrou como o domínio do partido nacional-socialista se   alicerçou substancialmente em políticas dirigidas ao mundo do trabalho,   intervindo sobre um conjunto de culturas laborais em crise, valorizando ofícios   e oferecendo benefícios simbólicos, mas também materiais, aos trabalhadores. A   recuperação de um &#34;sentido de si&#34; dos trabalhadores alemães, explorando   ligações às comunidades de trabalho, foi fundamental, argumenta Lüdtke, para   fundar uma hegemonia social que, sendo reacionária, não deixava de explorar os recursos   institucionais do Estado moderno, neste caso da máquina corporativa alemã: pela   ação da Força pela Alegria, que organizava os tempos livres dos trabalhadores,   da Previdência Popular Nacional Socialista, pela Frente do Trabalho Alemã. O   trabalho de Lüdtke, não tomando o nazismo como uma exceção explicada pela   própria história alemã (Kocka, 1999), concebeu-o enquanto resultado particular   e perverso da modernidade, sob a forma de um nacionalismo radical e   totalitário. Lüdtke não procurou relativizar as características específicas e   fundamentais de um processo nacional, mas antes colocar esse processo num   movimento mais alargado. O nacionalismo fascista usou a máquina do Estado   moderno, nomeadamente a infraestrutura corporativa, para reprimir, mas igualmente   para criar consentimento e hegemonia. Esta hegemonia, no entanto, não resultava   apenas de um processo imediato de consciencialização,<b> </b>no qual aparelhos   doutrinários intervêm para politizar e cooptar indivíduos,<b> </b>mas de um   conjunto de políticas de base social que criavam condições para que essa   consciencialização fosse mais exequível, ao interferirem intencionalmente sobre   as possibilidades práticas de existência.</p>     <p>Como no caso alemão, o reconhecimento do   papel da máquina estatal na dinâmica repressiva do regime português é um   exercício importante, mas limitado, para interpretar a ação do Estado sobre o   quotidiano das populações. Também explica imperfeitamente o crescimento da   infraestrutura do Estado corporativo em Portugal durante todo o período do Estado   Novo, mas em especial no período do pós-guerra, que compreende a maior parte da   existência do regime, momento em que a comparação com a Itália e Alemanha   perdeu sentido, nos termos inerentes a este modelo. Sob a retórica do   corporativismo, o regime português, como outros regimes politicamente diversos,   desenvolveu políticas estatais que disciplinaram um modelo económico liberal   que, em situações de crise, acentuou desigualdades sociais e gerou   instabilidade política. No pós-guerra, o mesmo Estado corporativo iniciou uma   abertura da economia, verificada numa integração   internacional e na relação com instituições externas<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>: importou e aplicou leis, métodos e técnicas de gestão da produção e   dos seus enquadramentos sociais e laborais; formou especialistas em institutos,   conselhos e em outros órgãos da administração pública; criou condições   institucionais para a produção de um conhecimento prático produzido em campos   de atividade dependentes do poder, mas com autonomias próprias, e onde se   formavam economistas, cientistas sociais, agrónomos, engenheiros, técnicos de   recursos humanos, entre outros<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>, escol que circulava entre o país e instituições internacionais, mas   também entre o público e o privado.</p>     <p>Esta transformação da morfologia do   Estado, instrumental face à necessidade de gestão económica e social, limitada   por inúmeras resistências internas, não eliminou a repressão política, nem tão   pouco transformou Portugal num país moderno. As suas medidas sociais não são   comparáveis às do Estado social do pós-25 de abril. Não implicaram o fim da   desvalorização salarial face à produtividade, não eliminaram as lógicas   clientelares e a proteção a monopólios e a processos de cartelização. E, ainda   assim, elas configuram uma reação estatal à transformação da economia   portuguesa, em linha com o que ia ocorrendo noutros países da Europa, já fora   da esfera dos Estados autoritários de tipo fascista. Não por acaso, foi a necessidade desta abertura que suscitou debates no   contexto do corporativismo português (Ágoas, 2010), um espaço de discussão   sobre políticas de enquadramento económico e investigação social que absorveu,   de modo específico, relutante e insuficiente, o estado da arte das políticas   económicas e da sua aplicação técnica.</p>     <p>O reconhecimento de outras   &#34;historicidades&#34;, desde logo a historicidade do capitalismo incrustado no   Estado, que caracterizou sobremaneira o período do pós-guerra, é fundamental   para colocar outros problemas e comparações (Lucena, 1977). O modo como o   Estado português procurou acomodar o processo de urbanização, o princípio do   fim da sociedade rural, a emigração, o aumento da educação e do consumo, o   desafio de uma informação mediática progressivamente internacionalizada, a   instabilidade do mundo colonial, a urgência em criar uma mão-de-obra   qualificada e a necessidade de profissionalizar no Estado a assistência social   são aspetos que caracterizam, com diferentes ritmos, um tempo longo moderno,   que em alguns casos nacionais antecedeu o tempo dos fascismos e que em todos os   casos o ultrapassou, sendo assuntos primordiais da organização social   contemporânea.<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a> Os problemas que preocupavam os teóricos corporativos mantêm-se hoje   vivos no sistema produtivo e mobilizam o Estado e os atores económicos.<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a> A atualização dos repertórios usados para lidar com estes problemas   revela os efeitos das lutas sociais e dos movimentos políticos – lutas   reversíveis – mas também o modo como o conhecimento criado pelo Estado e por   outros atores económicos intervém nas lógicas de concertação.</p>     <p>Os fascismos no século XX, como vários autores   argumentaram, constituíram um fenómeno de ajustamento específico aos desafios   colocados por uma configuração social moderna, nomeadamente os da ordem social   e da produtividade (Polanyi, 2012; Moore Jr., 2012). Se os corporativismos   foram assumidos explicitamente como uma dimensão dos Estados fascistas, as suas   funções são decorrentes do avanço das relações de produção capitalistas e do   Estado moderno, o que, evidentemente, não é incompatível com a sua faceta   repressiva, autoritária e anti-democrática. Remeter o   fenómeno para esta outra &#34;historicidade&#34; não é apenas uma questão   terminológica. Fazê-lo implica uma construção distinta de um objeto, rompendo   com o próprio discurso dos Estados fascistas que reclamam o corporativismo como   seu. Romper com este nominalismo, com este feitiço das categorias nativas   produzidas pelo Estado fascista e depois repetidas pela investigação   historiográfica, permite, por exemplo, criar outros modelos comparativos, já   não confinados às comparações entre estados nacionais fascistas e autoritários,   e fora do período cronológico que assinala o tempo dos fascismos.</p>     <p>Isso mesmo entenderam outros investigadores, cientistas políticos, economistas,   historiadores das ideias económicas, sociólogos históricos, antropólogos, que,   a partir de problemas colocados pelas suas disciplinas, conceberam o objeto   diferentemente, menos dependente dos espartilhos de uma história nacional e   mais atento a continuidades entre sistemas políticos e entre espaços   transnacionais, concebidos não apenas enquanto unidades políticas, mas como   lugares sobre os quais imperam formas de organização económica e instrumentos   políticos como os disponibilizados pela crescente burocratização do aparelho de   Estado. Certamente que todas estas perspetivas são criticáveis por razões   científicas e políticas: alguns dos comentários esboçados por Álvaro Garrido   aos efeitos de determinadas leituras do corporativismo, pelo modo como   marginalizam a repressão fascista, por estarem mergulhadas nos seus   internalismos – nos seus modelos rígidos, nas suas histórias das ideias – ou   por mera intenção de desculpabilização do fascismo, são exatos. Mas a supressão   da análise de continuidades entre regimes e temporalidades distintas e do   estabelecimento de comparações a partir de uma construção diversa dos objetos   de investigação – das técnicas de regulação económica à história da ciência, da   história do trabalho às políticas culturais, da organização dos lazeres à   história da violência, da sociologia da família aos estudos urbanos, dos estudos   sobre as mulheres às monografias rurais – limita a produção de conhecimento,   desde logo sobre a organização social e económica atual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No âmbito da ação das instituições   corporativas do Estado foi erguido um modelo de gestão das populações,   nomeadamente das populações mais urbanizadas, alvos principais dos perigos da   modernidade, e sobretudo em determinados setores de   atividade, assente numa prática ideológica distinta das perspetivas que   vinculam o controlo ideológico aos sistemas repressivos ou à inculcação   doutrinária. Para a &#34;arte de saber durar&#34; do regime de Salazar contribuíram,   certamente, políticas dirigidas às relações de trabalho, que não apenas   moldadas pela repressão. A centralização no Estado de práticas de regulação   laboral<b>, </b>já<b> </b>desenvolvidas em empresas de maior dimensão e escala,   procurou acomodar a mão-de-obra. A ação de organizações de lazer, como a FNAT,   que organizava férias, cantinas em inúmeros espaços laborais, competições   desportivas, viagens e férias é um dos exemplos desta política. Outro será a   aplicação, seletiva, muito limitada e atrasada, é certo,   de direitos típicos de um Estado social, seja na legislação laboral, como na   proteção social. Qual o efeito destas políticas sobre o fator trabalho, e sobre   as populações em geral, durante o Estado Novo? Elas criaram apenas antagonismo,   tão bem explicado pela historiografia da resistência ao regime, ou   desenvolveram também processos de adesão, conformidade e aquiescência? De que   forma as políticas de lazer acomodaram expectativas e desejos de parcelas dos   trabalhadores, como aliás sucedeu em inúmeros outros   contextos nacionais, sobretudo no período do pós-guerra, quando o Estado social   se desenvolveu? Apesar da sua fragilidade, foram estas políticas sociais, para   determinados estratos sociais, eficazes? De que modo uma   certa noção de respeitabilidade laboral, fomentada pelo regime, foi ao   encontro do <i>ethos</i> de pequenas burguesias recém-educadas? Como é que o   Estado procurou apropriar-se, por exemplo pela ação da   rede de Casas do Povo, de economias de troca e formas de dominação   tradicionais, como as estudadas, por exemplo, por diversos trabalhos   antropológicos e sociológicos, em contextos onde reinavam modelos de relações   sociais de tipo caciquista?<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a></p>     <p>Todas estas questões serão importantes   para perceber a arte de durar do regime, sem que isto prejudique a ideia de que   o regime subsistiu pela intimidação, o medo e a violência. Interpretar o corporativismo   como uma das respostas ao modo como o Estado moderno <sup></sup>procura   organizar a modernidade permite recolocar o fascismo português no quadro da   história de uma modernidade comparada, universo que possibilita confrontá-lo   com contextos em que uma economia capitalista e a intervenção estatal moderna   se colocam como os grandes organizadores da época contemporânea e da qual a   opressão fascista faz parte.</p>     <p>O livro de Álvaro Garrido é, sem dúvida,   um momento importante para retomar este debate.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>ÁGOAS, F. (2010),   &#34;Economia rural e investigação social agrária nos primórdios da sociologia em   Portugal&#34;. In N. Domingos e V. Pereira (orgs.), <i>O Estado Novo em Questão</i>,   Lisboa, Edições 70, pp. 197-331.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100951&pid=S0003-2573201800020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARDOSO,   L. L., ROCHA, M. M. (2003), &#34;Corporativismo e previdência social (1933-1962)&#34;. <i>Ler     História</i>, 45, pp. 111-134.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100953&pid=S0003-2573201800020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CUTILEIRO,   J. (1977), <i>Ricos e Pobres no Alentejo. Uma Sociedade Rural Portuguesa</i>,   Lisboa, Sá da Costa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100955&pid=S0003-2573201800020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GARRIDO,   A. (2003), <i>O Estado Novo e a Campanha do Bacalhau</i>, Lisboa, Temas e   Debates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100957&pid=S0003-2573201800020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GARRIDO,   A. (2006), <i>Economia e Política das Pescas Portuguesas</i>, Lisboa, Imprensa   de Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100959&pid=S0003-2573201800020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GARRIDO,   A. (2009), <i>Henrique Tenreiro. Uma Biografia Política</i>, Lisboa, Temas e Debates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100961&pid=S0003-2573201800020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GARRIDO,   A., ROSAS, F. (eds.) (2012), <i>Corporativismo,     Fascismos, Estado Novo</i>, Coimbra, Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100963&pid=S0003-2573201800020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GRIFFIN,   R. (2005), <i>Fascism, Totalitarianism and Political Religion</i>, Londres,   Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100965&pid=S0003-2573201800020001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KOCKA,   J. (1999), &#34;Assymetrical historical comparison: the case of the German   sonderweg&#34;. <i>History and Theory</i>, 38 (1), pp. 40-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100967&pid=S0003-2573201800020001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LUCENA,   M. (1977), &#34;A revolução portuguesa. Do desmantelamento da organização   corporativa ao duvidoso fim do corporativismo&#34;. <i>Análise Social</i>, 51,   XIII, (2.º), pp. 541-592.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100969&pid=S0003-2573201800020001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LÜDTKE,   A. (2012), &#34; &#39;A grande massa é indiferente, tolera tudo&#39;. Experiências de dominação,   sentido de si e individualidade dos trabalhadores alemães antes e depois de   1933&#34;. <i>In</i> B. Monteiro e V. B.   Pereira (eds.), <i>A Política em Estado Vivo</i>, Lisboa, Edições 70, pp.   71-106.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100971&pid=S0003-2573201800020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATOS, J. N. (2015), <i>O Operário em Construção</i>, Porto, Deriva/Outro Modo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100973&pid=S0003-2573201800020001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MONTEIRO,   B. (2016), &#34;Penser l&#39;État. Une relecture de   l&#39;historiographie récente sur l&#39;Estado Novo (2010-2015)&#34;. <i>Histoire Politique</i>,   29, pp. 1-12. Disponível em <a href="https://www.histoire-politique.fr/documents/29/dossier/pdf/HP29_2_Dossier_BrunoMonteiro_def.pdf" target="_blank">https://www.histoire-politique.fr/documents/29/dossier/pdf/HP29_2_Dossier_BrunoMonteiro_def.pdf</a> [consultado em 01-05-2018].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100975&pid=S0003-2573201800020001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MOORE   JR., B. (2012), <i>As Origens Sociais da Ditadura e da Democracia</i>, Lisboa,   Edições 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100977&pid=S0003-2573201800020001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>O&#39;NEIL,   B. (1984), <i>Proprietários, Lavradores e Jornaleiras. Desigualdade Social numa Aldeia Transmontana, 1870-1978</i>, Lisboa, Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100979&pid=S0003-2573201800020001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PATRIARCA,   F. (1987), &#34;O&nbsp;triângulo corporativo. Acta e encenação dum despacho   salarial (1946-1947)&#34;. <i>Análise Social</i>, 99, XXIII (5.º), pp. 905-944.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100981&pid=S0003-2573201800020001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA,   V. (2014), <i>A&nbsp;Ditadura de Salazar&nbsp;e a Emigração. O Estado     Português e os seus Emigrantes em França (1957-1974)</i>, Lisboa, Temas e   Debates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100983&pid=S0003-2573201800020001200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PINTO, J. M. (1985), <i>Estruturas Sociais&nbsp;e Práticas   Simbólico-Ideológicas&nbsp;nos&nbsp;Campos</i>, Porto, Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100985&pid=S0003-2573201800020001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>POLANYI,   K. (2012), <i>A Grande Transformação</i>, Lisboa, Edições 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100987&pid=S0003-2573201800020001200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RODRIGUES,   C. (2013), <i>Portugal e a Organização Internacional do Trabalho (1933-1974)</i>,   Porto, Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100989&pid=S0003-2573201800020001200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA,   M. C. (1998), <i>Resistir e Adaptar-se. Constrangimentos e Estratégias     Camponesas no Noroeste de Portugal</i>, Porto, Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100991&pid=S0003-2573201800020001200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SOBRAL, J. M. (1999), <i>Trajectos: o Presente e o Passado na Vida de uma   Freguesia da Beira</i>, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=100993&pid=S0003-2573201800020001200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a>       Visível noutros trabalhos,   desde o de Manuel de Lucena sobre a&nbsp;Federação Nacional dos&nbsp;Produtores   de Trigo (FNPT), até ao de Dulce Freire sobre o setor vinícola.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a>       Como notou Fátima Patriarca   (1987) ao referir-se, a partir de um estudo de caso, ao &#34;triângulo   corporativo&#34;.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a>       Veja-se, a este propósito,   a discussão pública em torna do tratamento dado ao regime do Estado Novo na <i>História     de Portugal</i> organizada pelo historiador Rui Ramos, responsável pelos   capítulos relativos a esse período.</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a>       Veja-se, a este propósito,   a relação do Estado português com a Organização Internacional do trabalho   (Rodrigues, 2013).</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a>       A propósito da formação de   recursos humanos, v. Matos (2015).</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a>       Sobre a relação da   previdência social com o regime corporativo ver Cardoso e Rocha (2003).</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a>       Para uma análise da   intervenção do Estado português neste período no domínio das políticas de   emigração ver Pereira (2014). Para uma discussão sobre trabalhos sobre o Estado   português neste período ver Monteiro (2016).</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a>       A este propósito veja-se   Cutileiro (1977); O&#39;Neil (1984); Pinto (1985); Silva   (1998); Sobral, (1999).</p>      ]]></body><back>
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