<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732018000300001</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.31447/AS00032573.2018228.01</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As eternas aprendizes de Euterpe: mulheres que escrevem sobre música em círculo(s) de sociabilidade (1901-1930)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The eternal apprentices of Euterpe: Women writing on music in circle(s) of sociability (1901-1930)]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Paz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Luísa Fernandes]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Educação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<numero>228</numero>
<fpage>548</fpage>
<lpage>570</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732018000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732018000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732018000300001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[As eternas aprendizes de Euterpe: mulheres que escrevem sobre música em círculo(s) de sociabilidade (1901-1930). Este artigo debruça-se sobre nove mulheres musicistas-escritoras, i.e., professoras, intérpretes ou compositoras, que, entre 1901 e 1930 publicaram em Portugal obras sobre música e sua educação. Foi uma época de extraordinário impulso e procura de ensino artístico - mas o que as levaria a publicar? O surgimento como autoras peritas ou divulgadoras invalida a interpretação de se dedicarem à escrita ao incorporarem o tradicional papel de mulher-educadora, geralmente prolongando a sua atividade docente. Propõe-se compreender o papel das escritoras-musicistas na constituição de uma expertise musical e a especificidade dos seus círculos de sociabilidade.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper focuses on the published work of nine female writer-musicians on the topics of music and its education in Portugal between 1901 and 1930. This is a period marked by an extraordinary drive and demand for art(istic) education. However, the advent of these authors as experts in the music field invalidates the notion that writing could emerge only within the familiar boundaries of the “female educator”, a traditional role in which it became an extension of the teaching profession. Writer-musicians will be framed in the twofold movement that seems to both legitimize and support them: the establishment of a musical expertise and their specific forms of sociability.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[história das mulheres]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[história cultural; século XX]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[expertise musical]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[sociabilidade]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[women's history]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[cultural history]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[20th Century]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[musical expertise]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[sociability]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>As eternas aprendizes de Euterpe: mulheres que escrevem sobre m&uacute;sica em c&iacute;rculo(s) de sociabilidade (1901-1930)</b></font></p>     <p><font size="3"><b>The eternal apprentices of Euterpe: Women writing on music in circle(s) of sociability (1901-1930)</b></font></p>     <p><b>Ana Lu&iacute;sa Fernandes Paz*</b></p>     <p>*Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de Lisboa, Alameda da Universidade - 1649-013 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:apaz@ie.ulisboa.pt">apaz@ie.ulisboa.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As eternas aprendizes de Euterpe: mulheres que escrevem sobre m&uacute;sica em c&iacute;rculo(s) de sociabilidade (1901-1930). Este artigo debru&ccedil;a-se sobre nove mulheres musicistas-escritoras, i.e., professoras, int&eacute;rpretes ou compositoras, que, entre 1901 e 1930 publicaram em Portugal obras sobre m&uacute;sica e sua educa&ccedil;&atilde;o. Foi uma &eacute;poca de extraordin&aacute;rio impulso e procura de ensino art&iacute;stico – mas o que as levaria a publicar? O surgimento como autoras peritas ou divulgadoras invalida a interpreta&ccedil;&atilde;o de se dedicarem &agrave; escrita ao incorporarem o tradicional papel de mulher-educadora, geralmente prolongando a sua atividade docente. Prop&otilde;e-se compreender o papel das escritoras-musicistas na constitui&ccedil;&atilde;o de uma <i>expertise</i> musical e a especificidade dos seus c&iacute;rculos de sociabilidade.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> hist&oacute;ria das mulheres; hist&oacute;ria cultural; s&eacute;culo XX; expertise musical; sociabilidade.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper focuses on the published work of nine female writer-musicians on the topics of music and its education in Portugal between 1901 and 1930. This is a period marked by an extraordinary drive and demand for art(istic) education. However, the advent of these authors as experts in the music field invalidates the notion that writing could emerge only within the familiar boundaries of the &ldquo;female educator&rdquo;, a traditional role in which it became an extension of the teaching profession. Writer-musicians will be framed in the twofold movement that seems to both legitimize and support them: the establishment of a musical expertise and their specific forms of sociability.</p>     <p><b>Keywords:</b> women's history; cultural history; 20th Century; musical expertise; sociability.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</p>     <p>Apresenta-se uma prosopografia ou biografia coletiva de mulheres que foram, simultaneamente, musicistas e autoras de obras especializadas sobre m&uacute;sica.</p>     <p>O objetivo deste exerc&iacute;cio &eacute; procurar compreender as din&acirc;micas que levaram a que estas mulheres deixassem de ser apenas musicistas e passassem a acumular tamb&eacute;m a ocupa&ccedil;&atilde;o (espor&aacute;dica ou constante) de escritoras.</p>     <p>O conjunto de musicistas-escritoras foi identificado no &acirc;mbito de uma investiga&ccedil;&atilde;o anterior sobre o ensino e a educa&ccedil;&atilde;o musical portuguesa entre 1868-1930, um per&iacute;odo marcado pela expans&atilde;o da procura pelas forma&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas (formais e n&atilde;o formais<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a>), e pelo fechamento da m&uacute;sica como &aacute;rea disciplinar (Paz, 2014). Ao explorar as modalidades de escrita sobre m&uacute;sica (e.g., temas, filia&ccedil;&atilde;o disciplinar) a partir de um invent&aacute;rio de 492 t&iacute;tulos de monografias publicadas nesta &eacute;poca (portuguesas ou trazidas para o pa&iacute;s), apercebi-que de que, nos in&iacute;cios do s&eacute;culo XX, e pela primeira vez nessa cronologia, nove mulheres portuguesas interligaram conhecimentos musicais e pr&aacute;ticas de escrita. Tamb&eacute;m pela &eacute;poca (tardia) de apari&ccedil;&atilde;o, o modesto n&uacute;mero de escritoras contrastava com uma muito mais vasta popula&ccedil;&atilde;o de escritores masculinos. De facto, sempre se encontraram em Portugal m&uacute;sicos-escritores, mas as mulheres apenas come&ccedil;aram a publicar a partir do s&eacute;culo XX. Ademais, como se ir&aacute; discutir neste estudo, elas apresentavam caracter&iacute;sticas socioecon&oacute;micas diferenciadas dos colegas masculinos – pertenciam aos altos estratos da burguesia ou &agrave; recente nobreza de sangue. Os m&uacute;sicos-escritores estavam claramente definidos em dois grupos socioecon&oacute;micos. Por um lado, os diletantes, oriundos de estratos da alta burguesia (como estas senhoras), acumulavam a sua profiss&atilde;o liberal com a escrita sobre m&uacute;sica, por prazer. Por outro lado, os m&uacute;sicos profissionais, pertencentes aos estratos da classe m&eacute;dia inferior e m&eacute;dia, geralmente sem outros meios de subsist&ecirc;ncia para al&eacute;m da sua profiss&atilde;o, desdobravam-se em diversas atividades musicais remuneradas, sendo a escrita uma parte inerente ou um prolongamento da sua profiss&atilde;o.</p>     <p>Procurei, em estudos precedentes, compreender o que teria levado a que estas nove mulheres, mais ou menos na mesma &eacute;poca, tivessem passado a escrever sobre m&uacute;sica. Feminismo (Paz, 2014), republicanismo (Paz, 2017), ma&ccedil;onaria (Paz, 2015), sem conseguir explicar esta irrup&ccedil;&atilde;o. Este artigo move-se, assim, pela seguinte interroga&ccedil;&atilde;o: o que levou estas mulheres a passarem os seus conhecimentos para texto, publicando-os sob a forma de uma monografia? Coloca-se como hip&oacute;tese a exist&ecirc;ncia de alguma din&acirc;mica de sociabilidade mais ou menos restrita, e que, portanto, n&atilde;o seria vis&iacute;vel num movimento (est&eacute;tico, pol&iacute;tico). Para perceber se havia ou n&atilde;o alguma possibilidade de relacionar escrita autoral e sociabilidade feminina, analisaram-se as suas trajet&oacute;rias atrav&eacute;s de uma biografia coletiva, com o prop&oacute;sito de entrever aspetos comum entre elas, que permitissem compreender o seu interesse pela publica&ccedil;&atilde;o dos saberes musicais.</p>     <p>A prosopografia como possibilidade metodol&oacute;gica torna assim equivalentes, &agrave; superf&iacute;cie da investiga&ccedil;&atilde;o, nove figuras que, na verdade, foram tratadas de modo desigual pela historiografia, musicologia, pela biografia e at&eacute; pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o (imprensa peri&oacute;dica gen&eacute;rica e especializada). Sobre algumas destas mulheres sabe-se, na verdade, muito pouco.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A hip&oacute;tese do c&iacute;rculo de sociabilidade ter funcionado como m&oacute;bil para a escrita sobre m&uacute;sica foi desta vez parcialmente positiva. A sociabilidade &eacute; um fator que pode ter contribu&iacute;do para o desenvolvimento de h&aacute;bitos de escrita e publica&ccedil;&atilde;o, uma vez que estas mulheres estavam em contacto. Encontrei, nas suas publica&ccedil;&otilde;es, evid&ecirc;ncias expl&iacute;citas da sua autorreferencia&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, n&atilde;o se apresentam como um conjunto coeso, antes se perfilam pequenos grupos de peritas (ou aspirantes), que parecem mesmo ter exist&ecirc;ncias quase aut&oacute;nomas no tempo e no pequeno espa&ccedil;o em que se moviam. Espera-se que este artigo possa contribuir para a autonomiza&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o aqui colocada, e para o desenvolvimento de um estudo aprofundado sobre o papel feminino na emerg&ecirc;ncia da m&uacute;sica como um saber espec&iacute;fico.</p>     <p>INTERSE&Ccedil;&Atilde;O NOS ESTUDOS DE G&Eacute;NERO</p>     <p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o parte da hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o, mas procura agora movimentar-se para os estudos de g&eacute;nero, tendo por refer&ecirc;ncia os trabalhos oriundos dos campos especializados da musicologia e da hist&oacute;ria cultural, de onde procurou colher as indica&ccedil;&otilde;es mais autorizadas quer sobre as din&acirc;micas dos m&uacute;sicos, quer sobre as pr&aacute;ticas de escrita.</p>     <p>De acordo com um dos &uacute;ltimos balan&ccedil;os globais da produ&ccedil;&atilde;o portuguesa sobre hist&oacute;ria de g&eacute;nero e hist&oacute;ria das mulheres portuguesas realizado por Irene Vaquinhas (2016), este artigo insere-se na fronteira entre duas das novas tend&ecirc;ncias desta disciplina e procura interrogar duas categorias tradicionais. Filia-se, por um lado, na historiografia das <i>pr&aacute;ticas, exerc&iacute;cios profissionais e contributos femininos para a constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria e epistemologia dos saberes disciplinares</i>, e por outro, insere-se na linha que a autora designou como desdobramento de <i>outras linhas, </i>onde<i> </i>se aprofundam quest&otilde;es t&atilde;o d&iacute;spares quanto a topon&iacute;mia feminina ou os trabalhos de musicologia<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a>, que t&ecirc;m vindo a abordar temas de g&eacute;nero, em larga medida na perspetiva da biografia e para uma cronologia entre os finais do s&eacute;culo XVIII e a atualidade (Cymbron, 2012; Ruiz, 2004). Por &uacute;ltimo, este estudo realiza ainda uma incurs&atilde;o no campo mais explorado das <i>pr&aacute;ticas de leitura e de escrita feminina</i>, al&eacute;m de contribuir para uma expans&atilde;o do acervo de <i>biografias</i>.<i> </i>Mas n&atilde;o se limita, contudo, a difundir e ampliar a informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; dispon&iacute;vel, pretende tamb&eacute;m utilizar a biografia como ferramenta metodol&oacute;gica.</p>     <p>Ademais, absorvendo as indica&ccedil;&otilde;es dos estudos pioneiros da perspetiva feminista, implantada no final dos anos 1980, o trabalho procura concatenar uma vertente local com uma tentativa global de escapar a uma &ldquo;hist&oacute;ria compensat&oacute;ria&rdquo;, a qual durante os finais do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cios do s&eacute;culo XX permeou os esfor&ccedil;os de cartografar as mulheres como compositoras, int&eacute;rpretes e intelectuais da m&uacute;sica (Cook e Tsou, 1994, p. 4). A historiografia musical reivindicou, nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, o g&eacute;nero como construto social, permitindo-se identificar novos objetos, que permitem compreender o papel da mulher (e do homem) na m&uacute;sica, como sejam as rela&ccedil;&otilde;es com os espa&ccedil;os p&uacute;blicos e privados, ou a predile&ccedil;&atilde;o por certas formas musicais, como a sonata (Citron, 1994).</p>     <p>O estudo contribui tamb&eacute;m para a hist&oacute;ria da disciplina de m&uacute;sica em Portugal. Sendo um pa&iacute;s da &ldquo;periferia&rdquo;, o saber <i>expert</i> sobre esta arte tem sido interrogado tendo em vista o ponto de chegada da sua (dif&iacute;cil) legitima&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica, um processo longo que s&oacute; teve maior visibilidade gra&ccedil;as &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos cursos de musicologia, j&aacute; nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX (Vargas, 2011, pp. 120-122). At&eacute; ao segundo dec&eacute;nio do s&eacute;culo XX, a escrita sobre m&uacute;sica vinha da pluma de m&uacute;sicos, mas tamb&eacute;m de autores com forma&ccedil;&otilde;es multidisciplinares, alguns deles sem quaisquer conhecimentos espec&iacute;ficos. Neste aspeto, tem sido assinalada a contribui&ccedil;&atilde;o <i>expert</i> feminina, mas sem atribuir qualquer significado a essa evid&ecirc;ncia (Paz, 2013, pp. 132-135).</p>     <p>De facto, a m&uacute;sica enquanto disciplina<i> </i>come&ccedil;ou por se implantar no campo cultural, irradiando, desde finais do s&eacute;culo XIX, pelo chamado &ldquo;mundo ocidental&rdquo;. A escrita sobre m&uacute;sica come&ccedil;ou por se afirmar pelo impulso de escritores maioritariamente masculinos e localizados nos &ldquo;centros&rdquo; culturais e econ&oacute;micos (Vargas, 2011). Sem pretender participar no complexo debate acerca da <i>origem</i> da musicologia <i>enquanto disciplina</i>, &eacute; no entanto fundamental referir que, nas d&eacute;cadas finais do s&eacute;culo XIX, a expans&atilde;o da escrita<i> expert</i> sobre m&uacute;sica se ampliou em termos de edi&ccedil;&otilde;es e visibilidade acad&eacute;mica e p&uacute;blica, vindo a delimitar e consolidar uma &aacute;rea disciplinar. Para efeitos deste trabalho, assinala-se o surgimento de um campo de estudos de m&uacute;sica nesta &eacute;poca, em que a complexifica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e a delimita&ccedil;&atilde;o disciplinar (acabada para uns, em forma&ccedil;&atilde;o para outros), coincidem, de uma parte, com a emerg&ecirc;ncia dos primeiros intelectuais profissionais (Charle, 1996) e, de outra parte, com a consolida&ccedil;&atilde;o de uma escrita disciplinar especializada. Esta tend&ecirc;ncia da legitima&ccedil;&atilde;o das novas profiss&otilde;es intelectuais foi acompanhada por uma nova forma de escrita disciplinar, dirigida j&aacute; n&atilde;o ao leitor comum, ou seja, a qualquer membro de uma classe educada, mas tendencialmente dirigida a audi&ecirc;ncias especializadas, que partilham as conven&ccedil;&otilde;es escritas da sua profiss&atilde;o ou disciplina (Russell, 2002, pp. 4-5).</p>     <p>No que respeita &agrave; simultaneidade entre escrita sobre m&uacute;sica e atividades musicais, alguns estudos sobre personalidades musicais portuguesas t&ecirc;m cuidado de ressaltar essa liga&ccedil;&atilde;o, como no caso da compositora Francine Beno&icirc;t, que durante d&eacute;cadas foi cr&iacute;tica musical de diversos jornais (Braga, 2013; Calado, 2010; Vieira 2011), ou da violoncelista Guilhermina Suggia, que, radicada na Gr&atilde;-Bretanha, foi excecionalmente convidada a escrever artigos na qualidade de instrumentista para a <i>Music &amp; Letters</i> (Pombo, 1993; Mercier, 2008).</p>     <p>A proposta de uma pesquisa centrada nas pr&aacute;ticas de hibridez entre a atividade de musicistas e a da escrita por parte de elementos femininos, n&atilde;o &eacute;, assim, inteiramente desprovida de antecedentes, embora se trate, geralmente, de breves passagens, com o intuito de atingir outros objetivos de investiga&ccedil;&atilde;o. Neste artigo, procura-se individualizar a musicista-escritora como agente social e tentar perceber o seu m&oacute;bil de a&ccedil;&atilde;o, neste caso o da manuten&ccedil;&atilde;o de um c&iacute;rculo de amizades musicais femininas.</p>     <p>PRINC&Iacute;PIOS TE&Oacute;RICOS E CONCEPTUAIS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O presente estudo mobiliza uma apropria&ccedil;&atilde;o h&iacute;brida da sociologia cr&iacute;tica de Pierre Bourdieu, do p&oacute;s-estruturalismo de Michel Foucault, e da hist&oacute;ria cultural, partindo das intersec&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria intelectual de Jean-Fran&ccedil;ois Sirinelli para o conceito de sociabilidade.</p>     <p>No que respeita &agrave; sociologia cr&iacute;tica, perpassa aqui a no&ccedil;&atilde;o de <i>distin&ccedil;&atilde;o social, </i>assim como os conceitos operativos de <i>espa&ccedil;o social</i>, <i>campo </i>(sendo o econ&oacute;mico e o cultural os mais importantes), assim como os diversos <i>capitais</i> que lhes est&atilde;o associados (Bourdieu, 2008). Proponho ainda os termos de <i>subcampo musical</i> e de <i>capital musical</i>, para entender o <i>estado de campo</i> – um momento hist&oacute;rico marcado pela mudan&ccedil;a das estruturas internas a esse campo – que derivam da proposta de Bourdieu (1996; 2001). O motor da hist&oacute;ria seria, neste quadro, a <i>luta pelo reconhecimento</i> e pela <i>autonomiza&ccedil;&atilde;o </i>de cada campo em rela&ccedil;&atilde;o ao outro, internamente marcada pela emerg&ecirc;ncia de novos subcampos, por sua vez em luta pelo mesmo. Na minha interpreta&ccedil;&atilde;o, estamos perante um <i>subcampo musical</i> no Portugal desta &eacute;poca. Apesar da val&ecirc;ncia do <i>capital musical</i> – o capital espec&iacute;fico e &uacute;nico deste campo –, objetivado na especificidade da linguagem (e.&#8197;g., nota&ccedil;&atilde;o), t&eacute;cnicos e pessoas habilitadas para falar e realizar m&uacute;sica (e.&#8197;g., music&oacute;logos, instrumentistas), o m&uacute;sico era obrigado a desdobrar-se em m&uacute;ltiplas ocupa&ccedil;&otilde;es (pagas ou n&atilde;o), mantendo-se dependente de outros capitais. As mulheres afirmaram-se justamente durante este estado de campo pela acumula&ccedil;&atilde;o deste capital musical com outros capitais (simb&oacute;lico, social e econ&oacute;mico).</p>     <p>Esta perspetiva completa-se com a li&ccedil;&atilde;o deixada por Foucault (1997) acerca da produ&ccedil;&atilde;o dos discursos, ou mais exatamente dos mecanismos que t&ecirc;m mantido o seu estado de rarefa&ccedil;&atilde;o, entre os quais a fun&ccedil;&atilde;o-autor. As regras impl&iacute;citas no jogo social de acesso &agrave; cultura letrada – por sua vez formulada por uma elite que dita as condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o de obras – tem contribu&iacute;do para que s&oacute; a alguns fosse acess&iacute;vel a <i>cria&ccedil;&atilde;o, </i>sendo as mulheres uma parte exclu&iacute;da desse processo (Bourdieu, 1996).</p>     <p>Revertendo de estudos da hist&oacute;ria cultural e da musicologia, o conceito de sociabilidade come&ccedil;ou por ser uma hip&oacute;tese de trabalho. Acabou por ser central na compreens&atilde;o sobre as pr&aacute;ticas de escrita das eternas aprendizes de Euterpe, a musa da m&uacute;sica e tamb&eacute;m da poesia l&iacute;rica, que serve aqui de referente simb&oacute;lico para essa liga&ccedil;&atilde;o entre a <i>performance</i> musical feminina e as rela&ccedil;&otilde;es com o dom&iacute;nio da palavra. Importa, por isso, introduzir a dimens&atilde;o da hist&oacute;ria dos intelectuais, que se imp&ocirc;s a partir dos anos 1970, com os estudos sobre microcosmos criados a partir de uma &ldquo;sensibilidade ideol&oacute;gica ou cultural comum e de afinidades&rdquo;, a partir dos quais se nutrem &ldquo;o desejo e o gosto de conviver&rdquo; (Sirinelli, 2003, p. 246), e ainda os estudos sobre as sociabilidades de m&uacute;sicos em contexto individual (Medeiros, 2013), nomeadamente os trabalhos que abordam a forma&ccedil;&atilde;o de sociabilidade locais em sal&otilde;es, onde se exibe uma forte presen&ccedil;a feminina (Chim&egrave;nes, 2004; Cascudo, 2017), ou atrav&eacute;s de outras redes femininas mais ou menos informais (Silva, 2014).</p>     <p>Com o objetivo de padronizar trajet&oacute;rias (Burke, 2006, pp. 256-257), optou-se pela metodologia prosopogr&aacute;fica para organizar, descrever e analisar os percursos de vida das musicistas-escritoras e avaliar a possibilidade de as suas formas de sociabilidade num circuito de <i>experts</i> musicais terem contribu&iacute;do para as pr&aacute;ticas de escrita sobre m&uacute;sica.</p>     <p>ASPETOS METODOL&Oacute;GICOS</p>     <p>A presente investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o decorre, assim, de um dado <i>natural</i>, mas de uma outra investiga&ccedil;&atilde;o. Com efeito, baseia-se num invent&aacute;rio de 492 monografias sobre m&uacute;sica e sobre o seu ensino publicadas entre 1868 e 1930<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a>, um per&iacute;odo que coincidiu com uma &eacute;poca de expans&atilde;o da procura de ensino musical, interrompido pelo Decreto n.&ordm; 18.881 de 25 de setembro de 1930, que veio conter o aumento desmedido da popula&ccedil;&atilde;o de alunos atrav&eacute;s de uma pol&iacute;tica expl&iacute;cita de elitiza&ccedil;&atilde;o do Conservat&oacute;rio Nacional.</p>     <p>Foram deste modo identificados 44 homens que, entre 1868 e 1900, publicaram obras sobre m&uacute;sica. O grupo mais significativo apresentava 31 m&uacute;sicos-escritores, v&aacute;rios deles an&oacute;nimos, quase todos ligados ao ensino (apenas 3 n&atilde;o eram professores) e com obra vinculada &agrave; doc&ecirc;ncia (e.&#8197;g., manuais). O outro compunha-se de 13 diletantes, que exerciam outras profiss&otilde;es ligadas ao universo das atividades liberais (engenheiro, professor, m&eacute;dico, jornalista…).</p>     <p>Entre 1901 e 1930, contabilizaram-se 67 escritores com obra publicada, o que comprova o crescimento deste setor. Os m&uacute;sicos-escritores eram agora 35 autores, pouco mais do que na &eacute;poca anterior, e os diletantes eram 32, quase o triplo do per&iacute;odo anterior, mostrando que a <i>expertise</i> musical tendia a expandir-se atrav&eacute;s de obras assinadas por diletantes. Neste contexto, enquanto no per&iacute;odo de 1868 a 1900 assistimos &agrave; aus&ecirc;ncia de obras publicadas no pa&iacute;s sob pena feminina<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a>, a partir de 1901 s&atilde;o contadas nove mulheres-musicistas escritoras e uma diletante. Verifica-se aqui o advento da mulher musicista que escreve sobre m&uacute;sica, problema central deste estudo.</p>     <p>Demarcou-se assim o grupo de nove autoras femininas nacionais, que surge nesta cronologia entre 1901-1930. Sendo um n&uacute;mero relativamente baixo, ganha sentido circunscrever o subgrupo feminino pelo contraste. Tanto porque no per&iacute;odo anterior n&atilde;o se identificam quaisquer autoras, aparecendo todas no dealbar do s&eacute;culo XX, como ainda pelo facto de apresentarem caracter&iacute;sticas de origem e filia&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica que as distinguem tamb&eacute;m dos seus &ldquo;colegas&rdquo; m&uacute;sicos-escritores. Enquanto eles escrevem no prolongamento das suas profiss&otilde;es docentes e se destacam pela edi&ccedil;&atilde;o de numerosos manuais, elas dedicam-se &agrave; escrita batendo-se pela amplia&ccedil;&atilde;o dos saberes dispon&iacute;veis no subcampo musical. Mesmo quando escrevem sobre temas da educa&ccedil;&atilde;o ou ensino musical, poucas vezes se reportam a pr&aacute;ticas docentes. Ademais, essas publica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o volunt&aacute;rias, n&atilde;o derivam de nenhuma obrigatoriedade de publica&ccedil;&atilde;o (caso dos manuais afetos ao Conservat&oacute;rio).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num universo essencialmente masculino, as obras femininas tendem a contribuir com novos elementos, quer pela cria&ccedil;&atilde;o de repert&oacute;rio (e.&#8197;g., infantil e/ou em l&iacute;ngua portuguesa), quer pela explora&ccedil;&atilde;o de conhecimentos gerais e t&eacute;cnicos. A este respeito, diferenciam-se na sua atividade, mesmo quando trazem textos enquadr&aacute;veis como hist&oacute;ria da m&uacute;sica e biografias (temas geralmente abordados por diletantes), pela vis&atilde;o t&eacute;cnica e conhecimentos de teoria e pr&aacute;tica musical. A novidade de haver mulheres a escrever sobre m&uacute;sica trouxe, assim, a fortaleza de conhecimentos t&eacute;cnicos e espec&iacute;ficos, ao mesmo tempo que os seus textos eram geralmente enriquecidos com a experimenta&ccedil;&atilde;o performativa, em contextos de sal&atilde;o ou de ambientes de aprendizagem.</p>     <p>A pesquisa procura, a partir das obras monogr&aacute;ficas deste per&iacute;odo, enfatizar as especificidades femininas das pr&aacute;ticas de musicistas-escritas, e compreender as rela&ccedil;&otilde;es sociais e art&iacute;sticas que poderiam ter ajudado a configurar este universo de escrita feminina sobre m&uacute;sica.</p>     <p>MULHERES, MUSICISTAS E ESCRITORAS</p>     <p>Quem eram ent&atilde;o estas senhoras, quais os seus contextos familiares, profissionais e musicais, qual a sua rela&ccedil;&atilde;o umas com as outras, como agiam e perspetivavam o saber e a pr&aacute;tica musical atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o com a escrita? Pode ou n&atilde;o falar-se de um grupo de mulheres, musicistas e escritoras com um programa ou uma a&ccedil;&atilde;o definida para o desenvolvimento cultural do pa&iacute;s? Estamos perante um fen&oacute;meno de que natureza? Estas foram algumas perguntas realizadas na an&aacute;lise das trajet&oacute;rias. Veja-se no <a href="#q1">quadro 1</a> uma apresenta&ccedil;&atilde;o muito sum&aacute;ria das autoras, que, como se verifica, &eacute; em alguns casos bastante incompleta.     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/aso/n228/n228a01q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Importa, em primeiro lugar, sublinhar que este grupo n&atilde;o se apresenta de modo coeso na sua totalidade, embora seja poss&iacute;vel, com recurso aos sum&aacute;rios estudos biogr&aacute;ficos e &agrave; obra deixada pelas autoras, reconstituir algumas sociabilidades. Observa-se que musicalmente tinham conhecimentos de piano (de acordo com os programas curriculares vigentes desde finais do s&eacute;culo XIX, essenciais na aprendizagem de canto e composi&ccedil;&atilde;o), instrumento que tende a conot&aacute;-las com o universo musical burgu&ecirc;s que se vinha expandido desde finais do s&eacute;culo XIX em Portugal (Gomes, 2002). Eram mulheres com profiss&otilde;es ou ocupa&ccedil;&otilde;es variadas, em torno quer da m&uacute;sica, quer da escrita. O perfil feminino coaduna-se, neste particular, com o perfil dos profissionais masculinos, evidenciando o estado embrion&aacute;rio do campo cultural portugu&ecirc;s.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a> Esta &eacute;poca corresponde a um estado do campo em que n&atilde;o se chegava a atingir um n&iacute;vel de especializa&ccedil;&atilde;o, uma vez que cada m&uacute;sico tinha de se desdobrar em m&uacute;ltiplas atividades. Ao contr&aacute;rio destes homens, estas mulheres, em geral, n&atilde;o tinham a doc&ecirc;ncia como atividade principal; ali&aacute;s, tr&ecirc;s delas eram ainda alunas, como veremos mais adiante. De seguida, passo a apresentar as fra&ccedil;&otilde;es que permitem uma melhor carateriza&ccedil;&atilde;o social e est&eacute;tica das posi&ccedil;&otilde;es destas nove mulheres, enquanto musicistas e escritoras: as convertidas, as republicanas, e as alunas consagradas. Como veremos, todas elas colocadas como disc&iacute;pulas sempre que escrevem sobre a arte de Euterpe.</p>     <p>AS CONVERTIDAS: DO SANGUE SE FAZ CULTURA</p>     <p>Entre as escritoras encontramos duas representantes da <i>nobreza de sangue</i>, um grupo social em desaparecimento. Por via do seu compromisso musical, tiveram a possibilidade de reconverter os t&iacute;tulos para a elite culta<i> </i>e cultivada, estabelecendo-se agora como <i>nobreza cultural</i> (Bourdieu, 1996, pp. 108 e seguintes; Chim&egrave;nes, 2014, p. 15). As Condessas de Proen&ccedil;a-a-Velha e de Carnaxide s&atilde;o, pela sua idade madura, as mais velhas representantes das escritoras-musicistas. Abriram caminho a partir das suas posi&ccedil;&otilde;es amb&iacute;guas. Por um lado, eram as <i>dominadas entre os dominantes</i>, isto &eacute;, pertenciam aos altos estratos, mas ocupando posi&ccedil;&otilde;es femininas (Bourdieu, 1996, pp. 185-287). Por outro lado, o valor real do seu t&iacute;tulo – entregue a partir de 1910 &agrave;s controv&eacute;rsias da desvaloriza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social – permitia arriscar o seu nome na pra&ccedil;a p&uacute;blica, quer como cantoras e instrumentistas, quer como escritoras, em nome desse<i> valor maior</i> que era a m&uacute;sica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Proen&ccedil;a-a-Velha, a matriarca do c&iacute;rculo de musicistas-escritoras e divulgadora das pr&aacute;ticas da elite parisiense, apresentou-se na que parece ser a primeira obra da musicologia feminina publicada em Portugal, <i>Os Nossos Concertos</i> (1902). Contam os testemunhos que ela mesma cantava admiravelmente. Perseverou em v&aacute;rias batalhas que tiveram por objetivo atualizar e refinar o gosto musical da sociedade portuguesa. Essa miss&atilde;o autoatribu&iacute;da, permitiu inaugurar certa posi&ccedil;&atilde;o ou trazer uma novidade, e ilustra bem o papel feminino no campo cultural (Cascudo, 2006, 2017).</p>     <p>Elisa Baptista de Sousa Pedroso<b> </b>(1881-1958), filha do visconde de Carnaxide, o violinista amador Ant&oacute;nio de Sousa Pedroso, herdou, al&eacute;m do t&iacute;tulo e patrim&oacute;nio adjacente, uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o musical em piano com Alexandre Rey Cola&ccedil;o, Jos&eacute; Viana da Mota, Francisco Ba&iacute;a. Durante os anos de 1930, e j&aacute; vi&uacute;va do advogado Alberto Pedroso, a pianista tornou-se uma escritora mais ass&iacute;dua. Entre finais da monarquia e durante a rep&uacute;blica, reputava-se como uma das melhores int&eacute;rpretes, passando pela escrita de modo apenas epis&oacute;dico.</p>     <p>Nestas duas aristocratas, observa-se a mesma estrat&eacute;gia de convers&atilde;o da nobreza de sangue em nobreza cultural atrav&eacute;s da sua vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; m&uacute;sica. Ainda durante a monarquia, a nobreza de sangue estava associada a pr&aacute;ticas sociais e culturais, com garantia das condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas de acesso privilegiado a ambientes de aprendizagem. A convers&atilde;o desta heran&ccedil;a de sangue na passagem e aceita&ccedil;&atilde;o (sen&atilde;o lideran&ccedil;a) da nova nobreza cultural, que vingar&aacute; com a rep&uacute;blica, teve o apoio desta nobreza origin&aacute;ria, que garantiu a transmiss&atilde;o da heran&ccedil;a em termos de bens simb&oacute;licos, e os recursos necess&aacute;rios, incluindo tempo, dinheiro, instrumentos, espa&ccedil;os, e conhecimentos <i>expert</i>. Outras mulheres ir&atilde;o reconhec&ecirc;-las como modelos e patronas.</p>     <p>AS REPUBLICANAS… QUANDO NASCEM, N&Atilde;O NASCEM IGUAIS</p>     <p>O principal n&uacute;cleo de mulheres-musicistas parece, apesar do vanguardismo das musicistas de <i>sangue</i>, residir entre a nova nobreza cultural consagrada pelo republicanismo, instaurado politicamente em 1910, mas com implanta&ccedil;&otilde;es familiares a montante e a jusante. Encontramos assim quatro &ldquo;filhas&rdquo; desse movimento ligadas &agrave;s &ldquo;matronas aristocr&aacute;ticas&rdquo;, que mantinham entre si rela&ccedil;&otilde;es de uma intimidade vari&aacute;vel, como veremos.</p>     <p>Laura Wake Marques (1879-1957), filha do music&oacute;grafo Joaquim Jos&eacute; Marques (1836-1884), aluna de Rey Cola&ccedil;o e Ruy Coelho, era j&aacute; por esta &eacute;poca reconhecida como pianista de vulto. Com as sess&otilde;es no Pal&aacute;cio da Liga Naval, ficou tamb&eacute;m ligada &agrave; defesa do <i>lied</i> cantado em portugu&ecirc;s. Embora seja a mais velha musicista-escritora republicana, foi a que mais tarde permitiu a publica&ccedil;&atilde;o dos seus textos, em particular das confer&ecirc;ncias realizadas ainda em finais da d&eacute;cada de 20 (Marques, 1932). Foi aqui inclu&iacute;da a prop&oacute;sito de uma obscura obra liter&aacute;ria e psicologizante, de temas dispersos, que se inicia pelo retrato autobiogr&aacute;fico da sua aprendizagem musical (Marques, 1929).</p>     <p>Ema Romero Santos Fonseca (1897-1968), filha de um militar republicano e esposa do republicano Lu&iacute;s C&acirc;mara Reis (1885-1961), &eacute; um dos exemplos da ascens&atilde;o social e r&aacute;pida legitima&ccedil;&atilde;o cultural. Estudou harmonia com Jos&eacute; Henrique dos Santos, canto com Eug&eacute;nia Mantelli, e iniciou o seu p&eacute;riplo de escritora pelos anos 20, publicando em jornais e revistas sob o pseud&oacute;nimo de Vera Gahhrb. Assinou sempre com combina&ccedil;&otilde;es diferentes dos seus apelidos e pseud&oacute;nimo. Ema Reis ascendeu &agrave; nova nobreza cultural republicana, uma fra&ccedil;&atilde;o da classe m&eacute;dia alta vertida em elite culta. As origens sociais desafogadas com um grande volume de capital social foram cumuladas com os conhecimentos musicais espec&iacute;ficos. O capital econ&oacute;mico familiar permitiu a manuten&ccedil;&atilde;o de um sal&atilde;o, mas tamb&eacute;m foram fundamentais a <i>disposi&ccedil;&atilde;o</i> e a<i> boa vontade </i>para investir em artefactos culturais e pr&aacute;ticas musicais de Ema e por Lu&iacute;s C&acirc;mara Reis. Dos anos 20 em diante, o sal&atilde;o deste casal substituiu o sal&atilde;o da Condessa de Proen&ccedil;a-a-Velha, marcando simbolicamente a transi&ccedil;&atilde;o entre uma nobreza com origem de sangue e a cultura de uma nobreza <i>self made</i>.</p>     <p>Oliva Guerra (1898-1982), a mais jovem das republicanas, surge como a figura emblem&aacute;tica da escrita musical feminina, sendo a &uacute;nica que assumiu simultaneamente o papel de escritora, pianista e, mais tarde, professora. A forma&ccedil;&atilde;o musical deve-se a Ant&oacute;nio Eduardo da Costa Reis, Viana da Mota e Alexandre Rey Cola&ccedil;o (Guerra, c. 1926). Apresentou-se como divulgadora liter&aacute;ria e musical em c&iacute;rculos sociais mais ou menos restritos, e come&ccedil;ou a publicar as suas confer&ecirc;ncias a partir de 1919, estreando-se com <i>Os Grandes Mestres do Piano</i>.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a><i> </i>Editou tamb&eacute;m as confer&ecirc;ncias musicais realizadas desde 1922 nas casas da condessa de Proen&ccedil;a-a-Velha, Ema Romero Santos Fonseca e Elisa Batista de Sousa Pedroso, e no Pal&aacute;cio da Liga Naval (Guerra, 1928), n&atilde;o deixando d&uacute;vidas quanto ao pequeno circuito em que se movia no intuito de adquirir capital social espec&iacute;fico. Em 1923 chegou a figurar como editora de <i>A Semana Musical, </i>um ef&eacute;mero peri&oacute;dico especializado, onde manteve o &ldquo;Consult&oacute;rio musical&rdquo;, de onde veio a resultar o <i>Brevi&aacute;rio do Pianista,</i> dado &agrave; estampa com um pref&aacute;cio de novembro de 1926.<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>[7]</sup></a> Essa obra remete duplamente para os seus mestres: faz eco do <i>Brevi&aacute;rio do M&uacute;sico,</i> publicado em 1917 por Rey-Cola&ccedil;o, e contem os ensinamentos t&eacute;cnicos de Viana da Mota, que a autora propunha a&iacute; retransmitir sem cr&iacute;tica. O papel da aluna retransmissora parece ali&aacute;s corresponder a um perfil valorizado na &eacute;poca (Igayara-Souza, 2011).</p>     <p>Francine Beno&icirc;t<b> </b>(1894-1990) nasceu em Paris e veio com a fam&iacute;lia para Lisboa em 1906, tendo obtido naturaliza&ccedil;&atilde;o em 1929. Foi aluna do Conservat&oacute;rio Nacional entre 1914 e 1935, retornando &agrave; terra natal entre 1918 e 1919 para estudar com Vincent d'Indy na Schola Cantorum. Exerceu a profiss&atilde;o docente na Escola Oficina n.&ordm; 1 desde 1920 a 1931, onde se envolveu no projeto de aplica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios pedag&oacute;gicos da Escola Nova, sob a dire&ccedil;&atilde;o do anarquista Adolfo Lima. Assalariada e celibat&aacute;ria, tendo o sal&aacute;rio como &uacute;nica fonte de rendimento, representa neste grupo uma tend&ecirc;ncia ainda em devir. &Eacute; tamb&eacute;m a &uacute;nica sobre a qual n&atilde;o se encontram refer&ecirc;ncias expl&iacute;citas de perten&ccedil;a a sal&otilde;es da elite musical, a n&atilde;o ser a integra&ccedil;&atilde;o, mais tarde, na Academia de Amadores de M&uacute;sica de Lisboa (AAM). Em todo o caso, a estreia como compositora, em 1930 foi acompanhada tamb&eacute;m da atividade de escrita para os jornais, como cr&iacute;tica.</p>     <p>AS DISC&Iacute;PULAS: CONSAGRADAS DO ACASO OU A VIT&Oacute;RIA DAS LETRAS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por &uacute;ltimo, note-se o conjunto de tr&ecirc;s (jovens?) alunas, cuja presen&ccedil;a se deve certamente ao efeito de arquivo que as pol&iacute;ticas de conserva&ccedil;&atilde;o documental geraram. A presen&ccedil;a de Helena Sousa, Maria Ana Pereira e Alice Ferreira como autoras foi interpretada como sintoma da expans&atilde;o das pr&aacute;ticas de escrita &agrave;s musicistas que, dotadas de capital cultural gen&eacute;rico, isto &eacute;, um bom n&iacute;vel de leitura, escrita e conhecimentos liter&aacute;rios, realizaram exerc&iacute;cios escritos, dentro das suas disciplinas escolares, sendo consideradas merecedoras de preserva&ccedil;&atilde;o, dentro deste pensamento de <i>salvaguarda</i>.</p>     <p>Dois tra&ccedil;os permitem caracterizar o grupo das &ldquo;alunas&rdquo;. Em primeiro lugar, o facto de serem colocadas no limiar de uma posi&ccedil;&atilde;o autoral, muito t&iacute;pica do exemplo encontrado mesmo no corpo docente musical feminino, em que a transmiss&atilde;o de ensinamentos se realizava por uma antiga aluna, &ldquo;ouvinte atenta&rdquo;, sem que nela estivesse contida a sua vis&atilde;o cr&iacute;tica (Igayara-Sousa, 2011, p. 214), e que aqui se verifica ainda enquanto disc&iacute;pulas. Em segundo lugar, a sua origem social que, de acordo com o perfil das alunas a frequentar o Conservat&oacute;rio e a AAM nesta &eacute;poca, teria de se situar entre a m&eacute;dia e a alta burguesia (Gomes, 2002).</p>     <p>ESCRITOS FEMININOS SOBRE M&Uacute;SICA</p>     <p>As 18 obras analisadas podem ser representadas numa t&aacute;bua cronol&oacute;gica, onde se observa que a maior parte da produ&ccedil;&atilde;o se situa nos &uacute;ltimos anos do regime republicano. O <a href="#q2">quadro 2</a> regista os nomes das obras, a data de publica&ccedil;&atilde;o e a idade aproximada destas mulheres aquando da respetiva edi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/aso/n228/n228a01q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De acordo com a pesquisa, apenas em 1902 se publicou no pa&iacute;s a primeira obra monogr&aacute;fica sobre m&uacute;sica, concretamente uma recolha das publica&ccedil;&otilde;es e materiais da experi&ecirc;ncia da <i>Schola Cantorum, </i>pela m&atilde;o da sua promotora, a condessa de Proen&ccedil;a-a-Velha (1902). A sua a&ccedil;&atilde;o foi fundamental para a renova&ccedil;&atilde;o dos h&aacute;bitos culturais da elite intelectual portuguesa, em particular trazendo de Paris as confer&ecirc;ncias musicais, que passou a oferecer em sua casa a partir de 1899 (Cascudo, 2006). O seu voluntarismo cultural situou-se essencialmente na produ&ccedil;&atilde;o, conserva&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sica antiga e de repert&oacute;rio portugu&ecirc;s em obras como <i>Ecos do Passado</i> (Proen&ccedil;a-a-Velha, 1904), nomeado &agrave; sombra da obra do mestre Jean-Baptiste Weckerlin, <i>&Eacute;chos du temps pass&eacute; </i>(Cascudo, 2017, p. 206). Comp&ocirc;s m&uacute;sica sobre poemas de Almeida Garrett, Ant&oacute;nio Correia de Oliveira e Te&oacute;filo Braga, este &uacute;ltimo frequentador ass&iacute;duo do seu c&iacute;rculo (Cascudo, 2006, pp. 20-21). &Eacute; curioso notar que nos tempos de convuls&atilde;o final da monarquia, a condessa desaparece de cena, apenas voltando a editar, j&aacute; no in&iacute;cio dos anos 20, literatura infantil sobre o pseud&oacute;nimo de M. Grisalde, e retomando a escrita sobre m&uacute;sica nos in&iacute;cios da ditadura militar que conduziu ao Estado Novo.</p>     <p>Somente mais de uma d&eacute;cada depois voltamos a encontrar um modesto folheto sobre a m&uacute;sica contempor&acirc;nea espanhola, correspondente a uma confer&ecirc;ncia de 1917 e com data de edi&ccedil;&atilde;o ainda por apurar. Trata-se de um exemplar de 12 p&aacute;ginas sobre m&uacute;sica espanhola contempor&acirc;nea, editado numa tiragem de 100 exemplares fora do mercado (Pedroso, 1917). O tema, t&atilde;o vanguardista quanto desconhecido, leva a autora a quase o contornar, fazendo apelo aos conhecimentos sobre hist&oacute;ria de Espanha. Em todo o caso, o gesto pode ser interpretado como a abertura de uma via est&eacute;tica que n&atilde;o estava ainda assegurada por nenhum homem. Esta edi&ccedil;&atilde;o coincide com a a&ccedil;&atilde;o do casal Sousa Pedroso na Sociedade de Concertos de Lisboa, como s&oacute;cios fundadores desta coletividade erigida nesse mesmo ano pela Marquesa do Cadaval, com dire&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de Viana da Mota (Bastos, 2010).</p>     <p>Entretanto, cerca de um par de anos depois, era dado &agrave; estampa o texto que serviu de base para a apresenta&ccedil;&atilde;o de Oliva Guerra numa confer&ecirc;ncia realizada no sal&atilde;o nobre do Conservat&oacute;rio Nacional, em 10 de junho de 1918, numa audi&ccedil;&atilde;o de apresenta&ccedil;&atilde;o dos alunos do professor Costa Reis. Ali a autora apresentou as biografias e alguma informa&ccedil;&atilde;o sobre as obras daqueles que considerava os maiores vultos da cultura pian&iacute;stica. Uma vez que este foi seu professor, ficamos sem saber se Oliva Guerra fez uma apresenta&ccedil;&atilde;o na qualidade de conhecedora desta mat&eacute;ria, ou se este ato se integra em mais um exerc&iacute;cio escolar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 1923, Ema Romero deu &agrave; estampa o seu primeiro livro, <i>Folhas Dispersas, </i>composto por cr&oacute;nicas musicais previamente publicados na imprensa (<i>A Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa, Contempor&acirc;nea, Vida Musical</i> e<i> Imprensa Nova)</i>. A escolha po&eacute;tica do t&iacute;tulo do segundo livro publicado no ano seguinte, <i>&Agrave; Luz da minha Alma,</i> n&atilde;o deve confundir o conte&uacute;do. Trata-se de uma antologia de t&eacute;cnica de canto. Nesta obra, composta por cr&oacute;nicas editadas na revista <i>Vida Musical e in&eacute;ditos</i>, as quest&otilde;es foram colocadas a partir da experi&ecirc;ncia pessoal da autora, de bibliografia atualizada e de refer&ecirc;ncias a personalidades marcantes, como a professora Eug&eacute;nia Mantelli ou Jos&eacute; Viana da Mota. Um pouco mais tarde, publicou ainda <i>A Arte do Canto</i> (1927) como um aprofundamento deste ensaio. Assumiu-se como divulgadora do canto – arte que praticava – e passou a assinar com nome pr&oacute;prio, geralmente o de solteira (Fonseca, 1923, 1924, 1927). Os seus textos refletem o uso de estrat&eacute;gias liter&aacute;rias, tanto narrativas quanto po&eacute;ticas, para fixar conhecimentos t&eacute;cnicos. A pr&oacute;pria Ema Romero revelava n&atilde;o ter nenhum desejo de publica&ccedil;&atilde;o e &ldquo;receando que tenha erros, n&atilde;o desejo iludir o p&uacute;blico apresentando um livro que, depois de folheado, n&atilde;o lhe desperte grande interesse, e o aborre&ccedil;a por ter empregado mal o seu tempo&rdquo;. &ldquo;Destino-o &agrave;s pessoas da minha amizade, que saber&atilde;o desculpar-lhe os defeitos, e, para esse gesto de bondade, vai todo o enlevo da minha alma, todo o carinho do meu cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;, acrescentava (Fonseca, 1924, p. 166). A atividade autoral, repercutida nas monografias com edi&ccedil;&atilde;o de autor, tiragens pequenas e de circula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o comercial, era secund&aacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; principal atividade que a destacava na sociedade musical da &eacute;poca: os concertos tem&aacute;ticos que, na sua casa de Lisboa, oferecia a um conjunto muito seleto de convivas e sobre os quais publicou ela mesma os textos de confer&ecirc;ncias, do repert&oacute;rio de concertos e de clich&eacute;s dos participantes (Fonseca, 1929-1940), a que tornaremos mais adiante.</p>     <p>Em meados dos anos 1920 surge na cena art&iacute;stica alfacinha uma jovem presen&ccedil;a feminina que se veio a impor como escritora <i>expert</i>, saindo um pouco dos c&iacute;rculos pr&oacute;-aristocr&aacute;ticos e inserindo-se diretamente na cultura de profissionalismo musical que come&ccedil;ou, por esta &eacute;poca, a ser advogada por figuras como Lu&iacute;s de Freitas Branco. Ainda ligada &agrave;s experi&ecirc;ncias pedag&oacute;gicas anarquistas e em transi&ccedil;&atilde;o para a Academia de Amadores de M&uacute;sica, Francine Beno&icirc;t apresenta os primeiros escritos impressos (Beno&icirc;t, 1925, 1930), como resultado da fixa&ccedil;&atilde;o de textos de confer&ecirc;ncias, ou como pe&ccedil;as experimentais (e.&#8197;g., repert&oacute;rio infantil em portugu&ecirc;s) (Beno&icirc;t e Porto, 1926).</p>     <p>Estreou-se como autora de monografias com o texto de uma confer&ecirc;ncia realizada em Lisboa a 1 de maio de 1925, <i>O G&eacute;nio e as suas Manifesta&ccedil;&otilde;es Art&iacute;sticas, </i>onde a autora afrontava diretamente um conceito fundamental do ensino art&iacute;stico na tradi&ccedil;&atilde;o ocidental e em 1930 vinha replicar esta estrat&eacute;gia de edi&ccedil;&atilde;o de uma confer&ecirc;ncia. Em 1926 dava-se &agrave; estampa um repert&oacute;rio pr&oacute;prio para a popula&ccedil;&atilde;o infantil, por Francine Beno&icirc;t, de C&eacute;sar Porto e de Adolfo Lima. Apesar do trabalho empreendido aqui pela pianista no campo educativo, &eacute; de salientar que nenhuma destas mulheres produziu qualquer manual. Nem o alastramento do campo musical nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX se deu por via da doc&ecirc;ncia, nem as mulheres portuguesas tiveram nesta profiss&atilde;o um ponto de apoio para se constitu&iacute;rem como autoras. Mesmo Francine Beno&icirc;t, apesar destes t&iacute;tulos que se ligam a uma fase mais experimentalista da sua carreira, se firmou publicamente na escrita n&atilde;o como pedagoga, mas como cr&iacute;tica musical.</p>     <p>Como referido, foram localizados dois exerc&iacute;cios escritos por alunas, com datas de 1925 e 1926. A Academia de Amadores de M&uacute;sica (AAM) conserva um exemplar datilografado de um curso de composi&ccedil;&atilde;o com o subt&iacute;tulo <i>Trabalho oferecido e dedicado ao ilustre professor do Conservat&oacute;rio Nacional de M&uacute;sica de Lisboa Ant&oacute;nio Eduardo da Costa Ferreira como prova de muita estima e respeito, pelas alunas Ana Maria Pereira e Helena da Gama de Oliveira</i>. Trata-se, provavelmente, de uma sebenta elaborada por ambas no decorrer dos trabalhos escolares, mas nada mais sabemos sobre as autoras do <i>Curso Elementar de Composi&ccedil;&atilde;o</i>, sendo de especular o estabelecimento de ensino a que estavam afetas. O seu professor pertencera por largos anos ao quadro da AAM, mas era j&aacute; docente na escola oficial em 1925 – teria deixado este exemplar na Academia ou teria sido feita a oferta?</p>     <p>Outro exerc&iacute;cio escolar foi publicado com o t&iacute;tulo <i>As &eacute;pocas e as escolas na hist&oacute;ria da evolu&ccedil;&atilde;o musical</i> e trata-se de um texto impresso que fixa, como indica o subt&iacute;tulo, a <i>Confer&ecirc;ncia realizada na primeira audi&ccedil;&atilde;o de disc&iacute;pulos do Prof</i>.<i> Eduardo Lib&oacute;rio (em Junho de 1926)</i>. O professor surge mais uma vez como refer&ecirc;ncia. Embora, como muitos outros, concedesse aulas em privado, Lib&oacute;rio integrou o corpo docente do Conservat&oacute;rio Nacional muito jovem e, como &eacute; sabido, foi um dos mais apaixonados propulsores da disciplina de Hist&oacute;ria da M&uacute;sica, pelo que se depreende que Alice fosse sua aluna no Conservat&oacute;rio. O texto ilustrava aspetos da hist&oacute;ria da m&uacute;sica, em que a autora e leitora seria acompanhada por trechos ao piano (Ferreira, 1926) e inseria-se numa longa linhagem de divulga&ccedil;&atilde;o do modelo de confer&ecirc;ncia art&iacute;stica aplicada aos espa&ccedil;os educativos (Paz, 2013, pp. 138-139). A a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica de Lib&oacute;rio incide aqui em dupla m&atilde;o na divulga&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o de formas de sociabilidade art&iacute;sticas – a que os seus alunos poderiam ter acesso tamb&eacute;m por via familiar – assim como na tentativa de implementar entre n&oacute;s a figura do m&uacute;sico-intelectual, aquele que n&atilde;o se limitava a ser um executante.</p>     <p>Ainda em novembro de 1926, Oliva Guerra assinou o pref&aacute;cio do seu <i>Brevi&aacute;rio do Pianista</i><a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>[8]</sup></a>, uma obra publicada agora em monografia, mas cujo conte&uacute;do remetia para a coluna &ldquo;Consult&oacute;rio pian&iacute;stico&rdquo; da revista <i>Semana Musical</i>, dirigida em 1923 pela pr&oacute;pria musicista e escritora. No pref&aacute;cio, aduzia argumentos para a reedi&ccedil;&atilde;o destes textos. Em primeiro lugar, por estar consciente de que &ldquo;as &uacute;nicas cidades que entre n&oacute;s possuem conservat&oacute;rios&rdquo; eram Lisboa e Porto, e consequentemente s&oacute; essas dispunham de certos conhecimentos essenciais aos &ldquo;cultores da arte pian&iacute;stica&rdquo;. Nessa revista, decidiu ent&atilde;o abrir um espa&ccedil;o que, de acordo com o seu testemunho, proporcionou &ldquo;uma esp&eacute;cie de leciona&ccedil;&atilde;o por escrito&rdquo;, mas ao deparar-se ainda com aus&ecirc;ncia &ldquo;em portugu&ecirc;s&rdquo; de qualquer obra &ldquo;sobre este assunto&rdquo;, julgou serem de &ldquo;certa utilidade algumas das observa&ccedil;&otilde;es&rdquo; ent&atilde;o &ldquo;compendiadas nesse Consult&oacute;rio&rdquo;. Reuniu assim &ldquo;num pequeno volume port&aacute;til e facilmente manuse&aacute;vel essas respostas&rdquo; a&iacute; &ldquo;refundidas, ordenadas e ampliadas&rdquo;, de modo a permitir &ldquo;um processo f&aacute;cil de resolver uma determinada dificuldade&rdquo; (Guerra, c. 1926, pp. 7-10).</p>     <p>Pelo t&iacute;tulo, esta obra faz assim ecos do <i>Brevi&aacute;rio do M&uacute;sico</i>, &ldquo;pequena compila&ccedil;&atilde;o de pensamentos, preceitos, leis e decretos de est&eacute;tica&rdquo; do pianista e professor de Oliva Guerra, Alexandre Rey-Cola&ccedil;o (1917), mas no seu conte&uacute;do mostra-se muito mais pr&aacute;tico. Como o apresentava a autora, &ldquo;este livrinho, min&uacute;sculo como um sapatinho quim&eacute;rico de Cendrillon, poder&aacute; ser de algum modo um sint&eacute;tico prontu&aacute;rio do pianista, uma esp&eacute;cie de catecismo onde ele encontrar&aacute; mais ou menos resumida uma t&aacute;bua de mandamentos da t&eacute;cnica do seu instrumento&rdquo;. Como ele, almejava &ldquo;propagar em quase todos os detalhes do seu entrecho o m&eacute;todo de ensino do grande mestre de piano, que &eacute; Viana da Mota&rdquo;. Nesse sentido, a nota de abertura do <i>Brevi&aacute;rio </i>servia de salvaguarda &agrave; qualidade dos ensinamentos propostos. O diretor do Conservat&oacute;rio Nacional, introduzia os seguintes coment&aacute;rios acerca da obra da sua antiga aluna da classe de virtuosidade: &ldquo;Nos artigos que formam o presente volume, soube resumir, em estilo claro e preciso, os principais pontos da moderna t&eacute;cnica pian&iacute;stica. &Eacute; este livro, pois, de muita utilidade para rememorar o ensino do professor e mesmo para auxiliar este nas suas li&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Mota, 1926, p. 6). A nota de Viana da Mota era um selo de qualidade que institui Oliva Guerra como &ldquo;porta-voz&rdquo; do mestre. Coloca-a no limiar de uma rela&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica e autoral muito t&iacute;pica do corpo docente musical feminino, que as coloca enquanto docentes como eternas disc&iacute;pulas (Igayara-Sousa, 2011, p. 214).</p>     <p>&Eacute; por&eacute;m em <i>Ritmos</i> (1928), obra composta por textos de confer&ecirc;ncias musicais e artigos previamente editados, que encontramos elementos comprovativos da conex&atilde;o entre a maior parte destas senhoras. Com efeito, o pr&oacute;prio &iacute;ndice permite j&aacute; afian&ccedil;ar a sua rela&ccedil;&atilde;o com Elisa de Sousa Pedroso, Ema Fonseca, e, no Pal&aacute;cio da Liga Naval, embora n&atilde;o o refira, com Laura Wake Marques.<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><sup>[9]</sup></a></p>     <p>Desponta assim, nesta cronologia bibliogr&aacute;fica a compila&ccedil;&atilde;o de Ema Fonseca (1929-1940) em cinco volumes, uma obra inicialmente designada <i>Seis Anos de Divulga&ccedil;&atilde;o Musical</i>, mas que logo passou a <i>Divulga&ccedil;&atilde;o Musical</i>.<i> </i>Recolheu os pref&aacute;cios, programas, confer&ecirc;ncias e cr&iacute;ticas dos saraus musicais, tanto os realizados em sua casa, quanto os que tiveram a sua participa&ccedil;&atilde;o, desde 1923 at&eacute; 1939. Todos os volumes s&atilde;o guarnecidos com <i>clich&eacute;s</i> de participantes e cont&ecirc;m &iacute;ndices cuidados das apresenta&ccedil;&otilde;es, com lista nominal de colaboradores. Interessa-nos, em particular, o 1.&ordm; volume, editado em 1929, e que recolhe a produ&ccedil;&atilde;o de 1923 a 1928, e o 2.&ordm;, que segue por 1929 a 1933. Estas obras cont&ecirc;m uma lista de nomes onde se identificam Oliva Guerra (conferente), a pr&oacute;pria Ema Romero Santos Fonseca e Laura Wake Marques (cantoras solistas), Elisa Baptista de Sousa Pedroso (pianista) (Fonseca, 1929). No segundo volume, traz como conferentes Laura Wake Marques, cantoras solistas, a autora, agora Ema Romero Santos Fonseca C&acirc;mara Reys, Laura Wake Marques, pianistas: Francine Beno&icirc;t, Laura Wake Marques, entre outras futuras musicistas escritoras, como Maria Antonieta Lima Cruz (Fonseca, 1934).</p>     <p>A cronologia torna a fechar, para esta &eacute;poca, com a mesma autora. Numa compila&ccedil;&atilde;o de textos essencialmente sobre canto, a condessa de Proen&ccedil;a-a-Velha (1930) refere-se com insist&ecirc;ncia, entre outras senhoras, a Laura Wake Marques, a Elisa Baptista de Sousa Pedroso e a Ema Romero Fonseca.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FECHANDO UM C&Iacute;RCULO</p>     <p>Num olhar retrospetivo sobre as nove mulheres que, ap&oacute;s 1901 e at&eacute; 1930 produziram literatura especializada em m&uacute;sica, verifica-se que se trata de um grupo heterog&eacute;neo mas marcado por evidentes pontos de contacto (e.&#8197;g., os mesmos mestres) e alguns circuitos autorreferenciados (e.&#8197;g., sal&atilde;o dos C&acirc;mara Reis). N&atilde;o constitui, como a pesquisa inicialmente parecia sugerir, um grupo coeso que, mantendo objetivos e pr&aacute;ticas comuns, se tivesse procurado afirmar no campo cultural, a partir do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Trata-se de sociabilidades que se constituem em espa&ccedil;os f&iacute;sicos (sal&otilde;es de Proen&ccedil;a-a-Velha e Ema Reis e ambientes de aprendizagem), onde a escrita passa a ser suportada em heretoreferencia&ccedil;&atilde;o. Essa referencia&ccedil;&atilde;o da escrita como t&eacute;cnica de transmiss&atilde;o de conhecimentos, mas tamb&eacute;m consubstancia&ccedil;&atilde;o de uma arte em si mesma, ocorre tanto com rela&ccedil;&atilde;o aos escritos de mestres masculinos (e.&#8197;g., escolha de t&iacute;tulos), como ainda por constante cita&ccedil;&atilde;o de estudos, eventos e pr&aacute;ticas musicais ocorridos no universo estritamente feminino.</p>     <p>Observando as trajet&oacute;rias e os seus padr&otilde;es, importa destacar alguns tra&ccedil;os. No que respeita &agrave;s din&acirc;micas familiares e posteriores capitaliza&ccedil;&otilde;es, note-se que desde a primeira educa&ccedil;&atilde;o ao casamento (ou celibato), as possibilidades de reconvers&atilde;o de trajet&oacute;ria ficam marcadas pela disponibilidade de tempo e investimento em bens culturais com pouco ou nenhum retorno monet&aacute;rio a curto prazo. Dito por outras palavras, se a pr&aacute;tica musical exclusiva n&atilde;o poderia sustentar um m&uacute;sico profissional, a escrita sobre m&uacute;sica, aqui editada para a distribui&ccedil;&atilde;o entre familiares e amigos, mostra que n&atilde;o existe a tenta&ccedil;&atilde;o de obter ganhos econ&oacute;micos, apenas existem benef&iacute;cios simb&oacute;licos. Sem d&uacute;vida que a escrita <i>completa, legitima </i>e mesmo<i> sustenta</i> o circuito de rede grupal. Sugiro que a sociabilidade n&atilde;o introduz um simples fen&oacute;meno mim&eacute;tico, o qual pode ser sugestionado pelo facto de a autorreferencia&ccedil;&atilde;o ser constante, e de todas estas mulheres escreverem e publicarem quando est&atilde;o na capital, fisicamente muito pr&oacute;ximas umas das outras. Pelo contr&aacute;rio, estamos diante de um n&uacute;cleo de perce&ccedil;&otilde;es sobre a m&uacute;sica e as possibilidades pr&aacute;ticas de rentabilizar o <i>know-how</i> destas mulheres pela escrita, que dificilmente se suportaria de modo individual. Neste sentido, a conjuga&ccedil;&atilde;o entre as perspetivas de sociabilidade com a emerg&ecirc;ncia de um saber <i>expert </i>em m&uacute;sica fecham uma interroga&ccedil;&atilde;o que tinha acompanhado esta pesquisa.</p>     <p>Com efeito, a a&ccedil;&atilde;o pessoal destas musicistas, contribuiu de modo decisivo para que a disciplina de m&uacute;sica passasse a ser um saber perfeitamente individualizado, com regras de constru&ccedil;&atilde;o discursivas pr&oacute;prias, e onde s&oacute; determinadas perspetivas, conhecimentos t&eacute;cnicos e linguagem espec&iacute;fica s&atilde;o aceites. Lembre-se que, conforme foi sublinhado, na &eacute;poca em que apareceram estas mulheres-musicistas, era admitido que diletantes sem conhecimentos t&eacute;cnicos musicais escrevessem sobre m&uacute;sica. As mulheres, com o seu tempo e energia dispon&iacute;veis, contribu&iacute;ram para o fechamento do campo, sob este aspeto, gerando ali&aacute;s novas formas de divulga&ccedil;&atilde;o e de cria&ccedil;&atilde;o de modalidades de conhecimento especializado (diferentemente do amante de m&uacute;sica, que n&atilde;o era sequer amador). Veja-se, a este respeito, que o elemento que acompanhou a escrita feminina foi o formato de &ldquo;confer&ecirc;ncia musical&rdquo;, de que o texto monogr&aacute;fico se torna suporte e emana&ccedil;&atilde;o. Foi uma modalidade introduzida por m&atilde;o feminina, depois apropriada e democratizada at&eacute; ao circuito do final da d&eacute;cada 20, tanto na vers&atilde;o p&oacute;s-aristocr&aacute;tica do sal&atilde;o de Ema Fonseca, como nas confer&ecirc;ncias musicais realizadas em contexto escolar. A este respeito, sublinhe-se o papel de eternas aprendizes em que as mulheres se posicionam, e, concomitantemente, a sua emerg&ecirc;ncia como alunas-autoras.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p>BASTOS, P.&#8197;L. (2010), &ldquo;Sociedade de concertos de Lisboa (SCL)&rdquo;. <i>In</i> S. Castelo-Branco, <i>Enciclop&eacute;dia da M&uacute;sica em Portugal no S&eacute;culo XX</i>, vol. P/Z, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores, p. 1229.</p>     <!-- ref --><p>BENO&Icirc;T, F. (1925), <i>O G&eacute;nio e as suas Manifesta&ccedil;&otilde;es Art&iacute;sticas</i>, Lisboa, Livrarias Aillaud &amp; Bertrand.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101304&pid=S0003-2573201800030000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BENO&Icirc;T, F. (1930), <i>Algumas Palavras</i>, Lisboa, Sociedade Gr&aacute;fica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101306&pid=S0003-2573201800030000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BENO&Icirc;T, F., Porto, C. (1926), <i>Para a Juventude Cantar e Pular</i>, Lisboa, Valentim de Carvalho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101308&pid=S0003-2573201800030000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOURDIEU, P. (1996), <i>As Regras da Arte</i>, Lisboa, Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101310&pid=S0003-2573201800030000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOURDIEU, P. (2001), <i>O Poder Simb&oacute;lico, </i>Lisboa, Difel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101312&pid=S0003-2573201800030000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOURDIEU, P. (2008), <i>A Distin&ccedil;&atilde;o</i>, S&atilde;o Paulo, Zouk/EDUSP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101314&pid=S0003-2573201800030000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BRAGA, H.&#8197;L. (2013), <i>De Francine Beno&icirc;t e Algumas das suas Redes de Sociabilidade: Invisibilidades, G&eacute;nero e Sexualidade entre 1940 e 1960</i>. Tese de mestrado, Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101316&pid=S0003-2573201800030000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BURKE, P. (2006), <i>The Italian Renaissance: Culture and Society in Italy,</i> Cambridge, Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101318&pid=S0003-2573201800030000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CALADO, M. (2010), <i>Francine Beno&icirc;t e a Cultura Musical em Portugal: Estudo das Cr&iacute;ticas e Cr&oacute;nicas Publicadas entre 1920 e 1950</i>. Tese de mestrado, Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101320&pid=S0003-2573201800030000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CASCUDO, T. (2006), &ldquo;Paris en Lisboa: ecos period&iacute;sticos de un sal&oacute;n musical de la Belle &Eacute;poque&rdquo;. <i>Revista Temas &amp; Matizes</i>, 5 (10), 2006, pp. 15-28.</p>     <p>CASCUDO, T. (2017), &ldquo;The musical salon of the countess of Proen&ccedil;a-a-Velha in Lisbon: a case of patronage and activism at the turn of the twentieth century&rdquo;. <i>Nineteenth-Century</i><i> Music Review</i>, 14, pp. 195-210.</p>     <!-- ref --><p>CHARLE, C. (1996), <i>Les</i><i> intellectuelles en Europe au XIX<sup>&egrave;me</sup>si&egrave;cle: Essai d'histoire compar&eacute;e</i>,<i> </i>Paris, &Eacute;ditionsdu Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101324&pid=S0003-2573201800030000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CHIM&Egrave;NES, M. (2004), <i>M&eacute;c&egrave;nes</i><i> et musiciens: Du salon au concert &agrave; Paris sous la III<sup>&eacute;re</sup><sup> </sup>R&eacute;publique</i>,<i> </i>Paris, Fayard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101326&pid=S0003-2573201800030000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CITRON, M. (1994), &ldquo;Feminist approaches to musicology&rdquo;. <i>In</i> S. Cook e J. Tsou (eds.), <i>Cecilia Reclaimed: Feminist Perspectives on Gender and Music</i>, Urbana/Chicago, University of Illinois Press, pp. 15-34.</p>     <!-- ref --><p>COLA&Ccedil;O, A.&#8197;R. (1917), <i>Brevi&aacute;rio do M&uacute;sico</i>, Porto, Guedes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101329&pid=S0003-2573201800030000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>COOK, S, TSOU, J. (1994), &ldquo;Introduction: ‘Bright Cecilia'&#8197;&rdquo;. <i>In</i> S. Cook e J. Tsou (eds.), <i>Cecilia Reclaimed: Feminist Perspectives on Gender and Music</i>. Urbana/Chicago, University of Illinois Press, pp. 1-14.</p>     <!-- ref --><p>CYMBRON, L. (2012), <i>Olhares sobre a M&uacute;sica em Portugal no S&eacute;culo XIX: &Oacute;pera, Virtuosismo e M&uacute;sica Dom&eacute;stica</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Colibri/CESEM-UNL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101332&pid=S0003-2573201800030000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERREIRA, A.&#8197;P. (1926), <i>As &Eacute;pocas e as Escolas na Hist&oacute;ria da Evolu&ccedil;&atilde;o Musical,</i> Lisboa, Sala Duarte Lobo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101334&pid=S0003-2573201800030000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FONSECA, E.&#8197;R.&#8197;S. (1923), <i>Folhas Dispersas (Cr&oacute;nicas Musicais)</i>, Lisboa, F&eacute;rin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101336&pid=S0003-2573201800030000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FONSECA, E.&#8197;R.&#8197;S. (1924), <i>&Agrave; Luz da Minha Alma</i>, Lisboa, F&eacute;rin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101338&pid=S0003-2573201800030000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FONSECA, E.&#8197;R.&#8197;S. (1927), <i>Arte do Canto</i>: <i>Breves No&ccedil;&otilde;es</i>, Lisboa, F&eacute;rin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101340&pid=S0003-2573201800030000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FONSECA, E.&#8197;R.&#8197;S. (1929-1940), <i>Divulga&ccedil;&atilde;o Musical</i>, 5 vols., Lisboa, s.&#8197;n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101342&pid=S0003-2573201800030000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOUCAULT, M. (1997), <i>A Ordem do Discurso</i>, Lisboa, Rel&oacute;gio d'&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101344&pid=S0003-2573201800030000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GOMES, C. (2002), <i>Discursos sobre a ‘Especificidade' do Ensino Art&iacute;stico: A sua Representa&ccedil;&atilde;o Hist&oacute;rica nos S&eacute;culos XIX e XX</i>. Tese de mestrado, Lisboa, Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101346&pid=S0003-2573201800030000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUERRA, O. (c.1919), <i>Os Grandes Mestres do Piano</i>, Lisboa, Editora Popular.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101348&pid=S0003-2573201800030000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GUERRA, O. (c.1926), <i>Brevi&aacute;rio do Pianista</i>, Lisboa, Sassetti &amp; C.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101350&pid=S0003-2573201800030000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&ordf;.</p>     <!-- ref --><p>GUERRA, O. (1928), <i>Ritmos</i>, Lisboa, Sassetti &amp; C.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101352&pid=S0003-2573201800030000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&ordf;.</p>     <!-- ref --><p>IGAYARA-SOUZA, S. (2011), <i>Entre Palcos e P&aacute;ginas: A Produ&ccedil;&atilde;o Escrita por Mulheres sobre M&uacute;sica na Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o Musical do Brasil (1907-1958)</i>. Tese de doutoramento, S&atilde;o Paulo, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101354&pid=S0003-2573201800030000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARQUES, L.&#8197;W. (1929), <i>Do Meu Lar… (Reflex&otilde;es)</i>, Lisboa, F&eacute;rin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101356&pid=S0003-2573201800030000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARQUES, L.&#8197;W. (1932), <i>O Canto em Portugal</i>, Lisboa, F&eacute;rin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101358&pid=S0003-2573201800030000100031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MEDEIROS, A.&#8197;R. (2013<i>), Uma Mem&oacute;ria &Iacute;mpar: a Trajet&oacute;ria de Arthur Napole&atilde;o na Sociabilidade Musical de Dois Continentes (1843-1925)</i>. Tese de doutoramento, Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101360&pid=S0003-2573201800030000100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MERCIER, A. (2008), <i>Guilhermina Suggia: Cellist</i>,<i> </i>Aldershot, Asgate.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101362&pid=S0003-2573201800030000100033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MOTA, J. Viana da (c.1926), &ldquo;[Pref&aacute;cio]&rdquo;. <i>In</i> O. Guerra, <i>Brevi&aacute;rio do Pianista</i>, Lisboa, Sassetti &amp; C.&ordf;, pp. 5-6.</p>     <p>PAZ, A.&#8197;L.&#8197;F. (2013), &ldquo;A circula&ccedil;&atilde;o individual da <i>expertise</i> musical em Portugal&rdquo;.<i> Historia de la Educaci&oacute;n,</i> 32 (3), pp. 121-149.</p>     <!-- ref --><p>PAZ, A.&#8197;L.&#8197;F. (2014). <i>Ensino da M&uacute;sica em Portugal (1868-1930): Uma Hist&oacute;ria de Pedagogia e do Imagin&aacute;rio Musical</i>. Tese em Educa&ccedil;&atilde;o – Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o, Lisboa, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de&nbsp; Lisboa. Retirado de: <a href="http://repositorio.ul.pt/handle/10451/18383" target="_blank">http://repositorio.ul.pt/handle/10451/18383</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101366&pid=S0003-2573201800030000100036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>PAZ, A.&#8197;L.&#8197;F.&nbsp; (2015, no prelo). &ldquo;A mulher-intelectual na escrita sobre m&uacute;sica e sua educa&ccedil;&atilde;o durante a I Rep&uacute;blica portuguesa (1910-1926)&rdquo;. <i>In</i> <i>Rede de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, III Congresso de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea</i>. Coimbra, 5-7 de junho de 2013 (Atas), Coimbra, Universidade de Coimbra.</p>     <p>PAZ, A.&#8197;L.&#8197;F.&nbsp; (no prelo, aceite em 2017/05/10), &ldquo;Combates pelo g&eacute;nio: O m&uacute;sico intelectual e o ideal cultural no republicanismo portugu&ecirc;s&rdquo;. <i>Atas do II Congresso I Rep&uacute;blica e republicanismo</i>, Biblioteca Nacional de Portugal, 2 e 3 de outubro de 2014 (Atas), Lisboa, Centro Rep&uacute;blica e Republicanismo, pp. 303-311.</p>     <!-- ref --><p>PEDROSO, E.&#8197;S. (1917), <i>A M&uacute;sica Espanhola Contempor&acirc;nea</i>, Lisboa, Tipografia A Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101369&pid=S0003-2573201800030000100039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, M.&ordf; A.&#8197;G., SOUSA, H.&#8197;G.&#8197;O. (1925), <i>Curso Elementar de Composi&ccedil;&atilde;o</i>, [Lisboa], s.l.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101371&pid=S0003-2573201800030000100040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>POLIFONIA (2007), <i>Final Report: Pre-College Working Group</i>. s.&#8197;l.: AEC Publications/Malm&ouml; Academy of Music – Luns University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101373&pid=S0003-2573201800030000100041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>POMBO, F. (1993), <i>Guilhermina Suggia ou o Violoncelo Luxuriante</i>, Porto, Funda&ccedil;&atilde;o Engenheiro Ant&oacute;nio de Almeida.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101375&pid=S0003-2573201800030000100042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PROEN&Ccedil;A-A-VELHA, 2.&ordf; condessa de [M. Grisalde] (1902), <i>Os Nossos Concertos: Impress&otilde;es de Arte</i>, Lisboa, Lib&acirc;nio da Silva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101377&pid=S0003-2573201800030000100043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PROEN&Ccedil;A-A-VELHA, 2.&ordf; condessa de [M. Grisalde] (1904), <i>Ecos do Passado</i>, 2 vols., Lisboa, Tipografia Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101379&pid=S0003-2573201800030000100044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PROEN&Ccedil;A-A-VELHA, 2.&ordf; condessa de [M. Grisalde] (1930), <i>Alguns S&eacute;culos de M&uacute;sica: Impress&otilde;es de Arte</i>, Lisboa, Imprensa Lib&acirc;nio da Silva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101381&pid=S0003-2573201800030000100045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RUIZ, J. (2004), <i>Berta Alves de Sousa (1906-1997)</i>.<i> </i>Tese de mestrado, Coimbra, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101383&pid=S0003-2573201800030000100046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RUSSELL, D. (2002), <i>Writing</i><i> in the Academic Disciplines: a Curricular History</i>, Carbondale, Southern Illinois University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101385&pid=S0003-2573201800030000100047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SIRINELLI, J.-F. (2003), &ldquo;Os intelectuais&rdquo;. <i>In</i> R. Remond (org.). <i>Por uma Hist&oacute;ria Pol&iacute;tica</i>, Rio de Janeiro, Editora Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas, pp. 232 -253.</p>     <p>SILVA, M.&#8197;D. (2014),&ldquo;O Orpheon Portuense no contexto das sociabilidades musicais eruditas em Portugal: notas para um roteiro de pesquisa&rdquo;. <i>In</i> H.&#8197;L.&#8197;G. de Ara&uacute;jo (coord.), <i>A Sociedade Orpheon Portuense (1881-2008): Tradi&ccedil;&atilde;o e Inova&ccedil;&atilde;o</i>, Porto, Universidade Cat&oacute;lica Editora, pp. 102-111.</p>     <p>VAQUINHAS, I. (2016), &ldquo;Hist&oacute;ria das mulheres e de g&eacute;nero em Portugal desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI: linhas de investiga&ccedil;&atilde;o e impacto historiogr&aacute;fico&rdquo;. Comunica&ccedil;&atilde;o de 18 abril, <i>Futuros da Hist&oacute;ria</i>.<i> Hist&oacute;rias do Portugal Contempor&acirc;neo</i>.<i> II Encontro anual do IHC</i>, Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal.</p>     <!-- ref --><p>VAQUINHAS, I. (2002), <i>Linhas de Investiga&ccedil;&atilde;o para a Hist&oacute;ria das Mulheres nos S&eacute;culos XIX e XX</i>, Porto, FLUP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101390&pid=S0003-2573201800030000100051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VARGAS, A.&#8197;P. (2011), <i>M&uacute;sica e Poder</i>, Coimbra, Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101392&pid=S0003-2573201800030000100052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VIEIRA, A. (2011), <i>Estudio</i><i> de la actividad musical, compositiva y cr&iacute;tica de Francine Beno&icirc;t</i>. Tese de doutoramento, Salamanca, Faculdade de Geografia e Hist&oacute;ria, Universidade de Salamanca.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101394&pid=S0003-2573201800030000100053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recebido a 17-07-2017. </p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o a 23-03-2018.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""><sup>[1]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o pretendo discutir estes termos, aceitando para efeitos deste estudo a proposta de considerar como ensino formal aquele que se pratica em conservat&oacute;rios ou escolas de ensino prim&aacute;rio, secund&aacute;rio e normal, e ensino n&atilde;o formal aquele que se verifica nas aulas particulares (Polifonia, 2007).</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""><sup>[2]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No &acirc;mbito da hist&oacute;ria de g&eacute;nero t&ecirc;m-se realizado balan&ccedil;os frequentes e detalhados, sobre as tend&ecirc;ncias e as zonas de sombra da investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea. No in&iacute;cio do nosso s&eacute;culo, a historiografia sobre a hist&oacute;ria das mulheres n&atilde;o circunscrevera ainda estas leituras, cingindo-se ainda &agrave; problem&aacute;tica mais global das rela&ccedil;&otilde;es laborais (Vaquinhas, 2002, p. 213).</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""><sup>[3]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em dep&oacute;sito nas principais bibliotecas e arquivos de m&uacute;sica, patentes na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), na Biblioteca Sottomayor Cardia da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa (BMSC/FCSH-UNL) e na Academia de Amadores de M&uacute;sica (AAM).</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title=""><sup>[4]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o cabe aqui explicitar as raz&otilde;es pelas quais parece improv&aacute;vel que as obras finisseculares identificadas possam ser femininas (an&oacute;nimas ou sob pseud&oacute;nimo). Uma nova pesquisa nos acervos poder&aacute; aumentar este espetro (em particular incluindo t&iacute;tulos que n&atilde;o foram considerados por falta de elementos de data&ccedil;&atilde;o), assim como o desdobramento de pseud&oacute;nimos na imprensa peri&oacute;dica especializada.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title=""><sup>[5]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por exemplo, Bernardo Valentim Moreira de S&aacute; (1853-1924), um dos m&uacute;sicos mais emblem&aacute;ticos dos finais do s&eacute;culo XIX portugu&ecirc;s, chegou a acumular as seguintes atividades: violinista solista, diretor de orquestra, fundador e diretor do Orpheon Portuense, professor particular de violino e piano, professor de m&uacute;sica, matem&aacute;ticas e l&iacute;nguas na Escola Normal do Porto, autor de manuais escolares, editor da Moreira de S&aacute;, publicista e music&oacute;logo. A abertura do Conservat&oacute;rio Municipal do Porto deve-se em larga medida &agrave; sua a&ccedil;&atilde;o pessoal, tendo sido, al&eacute;m de diretor, o autor dos regulamentos e programas iniciais.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title=""><sup>[6]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Provavelmente, ainda como aluna do Conservat&oacute;rio. A ficha bibliogr&aacute;fica descreve uma confer&ecirc;ncia realizada no sal&atilde;o nobre do Conservat&oacute;rio Nacional, em 10 de junho de 1918, numa audi&ccedil;&atilde;o de apresenta&ccedil;&atilde;o dos alunos do professor Costa Reis. O exemplar em dep&oacute;sito na BNP encontra-se temporariamente inacess&iacute;vel.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title=""><sup>[7]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Publicado entre esta data e janeiro de 1927 – de acordo com dedicat&oacute;ria a Pimentel Levy, no exemplar em dep&oacute;sito na BNP.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title=""><sup>[8]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Publicado entre esta data e janeiro de 1927 – de acordo com dedicat&oacute;ria a Pimentel Levy, no exemplar em dep&oacute;sito na BNP.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title=""><sup>[9]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cont&eacute;m os seguintes textos: C&eacute;sar Frank e a sua obra: confer&ecirc;ncia realizada em casa da Exm.&ordf; Sr.&ordf; D.&ordf; Elisa Baptista de Sousa Pedroso no dia dum festival franquista em 21 de fevereiro de 1922 (pp. 5-23); Elogio da Arte: confer&ecirc;ncia realizada na Escola Prim&aacute;ria Superior Adolfo Coelho por ocasi&atilde;o duma sess&atilde;o solene em homenagem aos her&oacute;is portugueses na batalha de La Lys em 9 de abril de 1923 (pp. 25-39); Eric Satie e &ldquo;os seis&rdquo;: confer&ecirc;ncia realizada em casa da Exm.&ordf; Sr.&ordf; D.&ordf; Ema Romero dos Santos Fonseca num festival de m&uacute;sica moderna no dia 24 de junho de 1923 (pp. 41-67); O romantismo de Chopin e Liszt: confer&ecirc;ncia realizada pela autora no seu ‘Recital Rom&acirc;ntico' no Pal&aacute;cio da Liga Naval na noite de 21 de maio de 1924 (pp. 69-109); &ldquo;Dan&ccedil;as de Espanha&rdquo;: confer&ecirc;ncia realizada pela autora no seu recital de dan&ccedil;as espanholas no pal&aacute;cio da Liga Naval na noite de 31 de maio de 1927.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BASTOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sociedade de concertos de Lisboa (SCL)]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Castelo-Branco]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX]]></source>
<year>2010</year>
<volume>P/Z</volume>
<page-range>1229</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Círculo de Leitores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BENOÎT]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Génio e as suas Manifestações Artísticas]]></source>
<year>1925</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livrarias Aillaud & Bertrand]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BENOÎT]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Algumas Palavras]]></source>
<year>1930</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Gráfica]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BENOÎT]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Porto]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Para a Juventude Cantar e Pula]]></source>
<year>1926</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Valentim de Carvalho]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOURDIEU]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As Regras da Arte]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Presença]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOURDIEU]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Poder Simbólico]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Difel]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOURDIEU]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Distinção]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ZoukEDUSP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BRAGA]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[De Francine Benoît e Algumas das suas Redes de Sociabilidade: Invisibilidades, Género e Sexualidade entre 1940 e 1960]]></source>
<year>2013</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BURKE]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Italian Renaissance: Culture and Society in Italy]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CALADO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Francine Benoît e a Cultura Musical em Portugal: Estudo das Críticas e Crónicas Publicadas entre 1920 e 1950]]></source>
<year>2010</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASCUDO]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Paris en Lisboa: ecos periodísticos de un salón musical de la Belle Époque]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Temas & Matizes]]></source>
<year>2006</year>
<month>20</month>
<day>06</day>
<volume>5</volume>
<numero>10</numero>
<issue>10</issue>
<page-range>15-28</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASCUDO]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The musical salon of the countess of Proença-a-Velha in Lisbon: a case of patronage and activism at the turn of the twentieth century]]></article-title>
<source><![CDATA[Nineteenth-Century Music Review]]></source>
<year>2017</year>
<volume>14</volume>
<page-range>195-210</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CHARLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Les intellectuelles en Europe au XIXème siècle: Essai d'histoire comparée]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Éditionsdu Seuil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CHIMÈNES]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mécènes et musiciens: Du salon au concert à Paris sous la IIIére République]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fayard]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CITRON]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cook]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tsou]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Feminist approaches to musicologyCecilia Reclaimed: Feminist Perspectives on Gender and Music]]></source>
<year>1994</year>
<page-range>15-34</page-range><publisher-loc><![CDATA[Urbana^eChicago Chicago]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Illinois Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COLAÇO]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Breviário do Músico]]></source>
<year>1917</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Guedes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COOK]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[TSOU]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Introduction: ‘Bright Cecilia']]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Cook]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tsou]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cecilia Reclaimed: Feminist Perspectives on Gender and Music]]></source>
<year>1994</year>
<page-range>1-14</page-range><publisher-loc><![CDATA[Urbana^eChicago Chicago]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Illinois Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CYMBRON]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Olhares sobre a Música em Portugal no Século XIX: Ópera, Virtuosismo e Música Doméstica]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições ColibriCESEM-UNL]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As Épocas e as Escolas na História da Evolução Musical]]></source>
<year>1926</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sala Duarte Lobo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FONSECA]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. R. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Folhas Dispersas (Crónicas Musicais)]]></source>
<year>1923</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Férin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FONSECA]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. R. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[À Luz da Minha Alma]]></source>
<year>1924</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Férin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FONSECA]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. R. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Arte do Canto: Breves Noções]]></source>
<year>1927</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Férin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FONSECA]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. R. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Divulgação Musical]]></source>
<year>1929</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Ordem do Discurso]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Relógio d'Água]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GOMES]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Discursos sobre a ‘Especificidade' do Ensino Artístico: A sua Representação Histórica nos Séculos XIX e XX]]></source>
<year>2002</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GUERRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Grandes Mestres do Piano]]></source>
<year>1919</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Popular]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GUERRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Breviário do Pianista]]></source>
<year>1926</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sassetti & C.ª]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GUERRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ritmos]]></source>
<year>1928</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sassetti & C.ª]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[IGAYARA-SOUZA]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Entre Palcos e Páginas: A Produção Escrita por Mulheres sobre Música na História da Educação Musical do Brasil (1907-1958)]]></source>
<year>2011</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MARQUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Do Meu Lar… (Reflexões)]]></source>
<year>1929</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Férin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MARQUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Canto em Portugal]]></source>
<year>1932</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Férin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MEDEIROS]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Uma Memória Ímpar: a Trajetória de Arthur Napoleão na Sociabilidade Musical de Dois Continentes (1843-1925)]]></source>
<year>2013</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MERCIER]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Guilhermina Suggia: Cellist]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Aldershot ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Asgate]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MOTA]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. Viana da]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prefácio]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Guerra]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Breviário do Pianista]]></source>
<year>1926</year>
<page-range>5-6</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sassetti & C.ª]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PAZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A circulação individual da expertise musical em Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[Historia de la Educación]]></source>
<year>2013</year>
<volume>32</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>121-149</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PAZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ensino da Música em Portugal (1868-1930): Uma História de Pedagogia e do Imaginário Musical]]></source>
<year>2014</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PAZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A mulher-intelectual na escrita sobre música e sua educação durante a I República portuguesa (1910-1926)]]></article-title>
<source><![CDATA[Rede de História Contemporânea]]></source>
<year>2015</year>
<conf-name><![CDATA[III Congresso de História Contemporânea]]></conf-name>
<conf-date>5-7 de junho de 2013</conf-date>
<conf-loc>Coimbra </conf-loc>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de Coimbra]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PAZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Combates pelo génio: O músico intelectual e o ideal cultural no republicanismo português]]></article-title>
<source><![CDATA[Atas do II Congresso I República e republicanismo]]></source>
<year></year>
<page-range>303-311</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Centro República e Republicanismo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEDROSO]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Música Espanhola Contemporânea]]></source>
<year>1917</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Tipografia A Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.ª A. G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SOUSA]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. G. O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Curso Elementar de Composição]]></source>
<year>1925</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B41">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>POLIFONIA</collab>
<source><![CDATA[Final Report: Pre-College Working Group]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-name><![CDATA[AEC PublicationsMalmö Academy of Music - Luns University]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B42">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[POMBO]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Guilhermina Suggia ou o Violoncelo Luxuriante]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Engenheiro António de Almeida]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B43">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Grisalde]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Nossos Concertos: Impressões de Arte]]></source>
<year>1902</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Libânio da Silva]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B44">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Grisalde]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecos do Passado]]></source>
<year>1904</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Tipografia Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B45">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Grisalde]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Alguns Séculos de Música: Impressões de Arte]]></source>
<year>1930</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa Libânio da Silva]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B46">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RUIZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Berta Alves de Sousa (1906-1997)]]></source>
<year>2004</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B47">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RUSSELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Writing in the Academic Disciplines: a Curricular History]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Carbondale ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Southern Illinois University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B48">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SIRINELLI]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.-F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os intelectuais]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Remond]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Por uma História Política]]></source>
<year>2003</year>
<page-range>232 -253</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Fundação Getúlio Vargas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B49">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Orpheon Portuense no contexto das sociabilidades musicais eruditas em Portugal: notas para um roteiro de pesquisa]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. L. G. de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Sociedade Orpheon Portuense (1881-2008): Tradição e Inovação]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>102-111</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade Católica Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B50">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VAQUINHAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[História das mulheres e de género em Portugal desde o início do século XXI: linhas de investigação e impacto historiográfico]]></article-title>
<source><![CDATA[Futuros da História. Histórias do Portugal Contemporâneo]]></source>
<year>2016</year>
<conf-name><![CDATA[II Encontro anual do IHC]]></conf-name>
<conf-loc> </conf-loc>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Biblioteca Nacional de Portugal]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B51">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VAQUINHAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Linhas de Investigação para a História das Mulheres nos Séculos XIX e XX]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[FLUP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B52">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VARGAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Música e Poder]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Almedina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B53">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VIEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estudio de la actividad musical, compositiva y crítica de Francine Benoît]]></source>
<year>2011</year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
