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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Historiografia, historiadores e memória nacional na I República portuguesa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[During the 1st Portuguese Republic, history always had a highly visible place in the political and doctrinal argumentation and legitimization of the new regime. In those years the process of nationalization of the Portuguese went on in various fields. The historical memory was one of them. Which were the major historical debates in Portuguese historiography? How did national memory turn into a republican memory? Among other topics (e.g. formation of Portugal, decadence) special emphasis is given to the 1640 restoration to examine the extent to which historians contributed to the building of a national memory, as we know that many other social agents were involved in this process.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Historiografia, historiadores e mem&oacute;ria nacional na I Rep&uacute;blica portuguesa</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Historiography, historians and national memory in the 1st Portuguese Republic</b></font></p>     <p><b>S&eacute;rgio Campos Matos*</b></p>     <p>*Centro de Hist&oacute;ria, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa,&#8196;Alameda da Universidade - 1600-214 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:sergiocamposmatos@gmail.com">sergiocamposmatos@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Historiografia, historiadores e mem&oacute;ria nacional na I Rep&uacute;blica portuguesa.&#8195;Durante a I Rep&uacute;blica, a hist&oacute;ria teve lugar de relevo na argumenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e doutrin&aacute;ria e na pr&oacute;pria legitima&ccedil;&atilde;o do novo regime. Nesses anos prosseguiu um esfor&ccedil;o de nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos portugueses que se desenvolveu nos mais variados dom&iacute;nios. A mem&oacute;ria hist&oacute;rica foi um deles. Quais os grandes temas de debate na historiografia portuguesa? Como se operou a republicaniza&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria nacional? Entre outros t&oacute;picos (v.g. forma&ccedil;&atilde;o de Portugal, decad&ecirc;ncia), especial destaque &eacute; concedido &agrave; Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 para examinar em que medida os historiadores contribu&iacute;ram para a constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o - quando sabemos que muitos outros agentes sociais intervieram nesse processo.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> historiografia; historiadores; mem&oacute;ria nacional; nacionaliza&ccedil;&atilde;o.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>During the 1st Portuguese Republic, history always had a highly visible place in the political and doctrinal argumentation and legitimization of the new regime. In those years the process of nationalization of the Portuguese went on in various fields. The historical memory was one of them. Which were the major historical debates in Portuguese historiography? How did national memory turn into a republican memory? Among other topics (e.g. formation of Portugal, decadence) special emphasis is given to the 1640 restoration to examine the extent to which historians contributed to the building of a national memory, as we know that many other social agents were involved in this process.</p>     <p><b>Keywords:</b> historiography; historians; national memory; nationalization.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>No campo historiogr&aacute;fico exprimem-se din&acirc;micas que v&atilde;o muito para al&eacute;m das conjunturas pol&iacute;ticas, pois prendem-se com heran&ccedil;as do conhecimento e com o pr&oacute;prio alargamento dos saberes nas ci&ecirc;ncias humanas. No entanto, a rela&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria hist&oacute;rica com a <i>Res publica</i> tem n&atilde;o raro um condicionalismo conjuntural. Num caso concreto, o da I Rep&uacute;blica portuguesa (1910-1926), tem interesse observar o lugar espec&iacute;fico da hist&oacute;ria na argumenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e doutrin&aacute;ria, designadamente na legitima&ccedil;&atilde;o do novo regime. Na Europa dos dec&eacute;nios de 1910 e 1920, radicalizaram-se os nacionalismos e aprofundaram-se clivagens ideol&oacute;gicas e memoriais. Tratava-se tamb&eacute;m de uma disputa entre intelectuais de diferentes tend&ecirc;ncias pela hegemonia cultural na Republica das Letras e na opini&atilde;o p&uacute;blica, uma disputa em que o passado ocupava um lugar central. A hist&oacute;ria j&aacute; tinha ali&aacute;s sido largamente mobilizada pelo republicanismo na oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; Monarquia Constitucional, desde os anos 70 do s&eacute;culo XIX: lembre-se, por exemplo, a <i>Hist&oacute;ria das Ideias Republicanas em Portugal</i>, de Te&oacute;filo Braga (1880). Foi menos cultivada pelos contra-revolucion&aacute;rios e tradicionalistas em Portugal.</p>     <p>Portadora da mem&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o e das mem&oacute;rias regionais e locais, &agrave; hist&oacute;ria continuava a ser atribu&iacute;da fun&ccedil;&atilde;o social de relevo - como sucedia desde a revolu&ccedil;&atilde;o liberal. Era vista como instrumento de forma&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os que, nas palavras do historiador republicano Ant&oacute;nio Ferr&atilde;o, num discurso proferido em finais de 1917, podia &ldquo;retemperar o esp&iacute;rito e fortificar o &acirc;nimo colectivo&rdquo; (Ferr&atilde;o, 1919, p. 3), trazer confian&ccedil;a no futuro. Num tempo inst&aacute;vel (viviam-se ent&atilde;o os anos conturbados da I Guerra Mundial), sublinhava-se assim a continuidade passado-presente-futuro. J&aacute; no republicanismo oitocentista a esperan&ccedil;a do futuro estava num passado exemplar que o antecipava, que o fazia prever, chave do historicismo nacionalista que domina o per&iacute;odo que temos em vista. J&aacute; tem sido, ali&aacute;s, sublinhado este car&aacute;cter historicista e biologista do republicanismo oitocentista (Catroga, 1991, pp. 193-205; Homem, 1989, pp. 199-200).</p>     <p>Durante o primeiro regime republicano prossegue um esfor&ccedil;o de nacionaliza&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria (Torgal, 1996, p. 223) que se empreendeu nos mais variados dom&iacute;nios, da simbologia nacional &agrave; imprensa, passando pelas artes pl&aacute;sticas, a literatura ou a m&uacute;sica. A escola e as for&ccedil;as armadas contribu&iacute;ram decisivamente para este processo de nacionaliza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; conhecido o esfor&ccedil;o que a elite republicana desenvolveu no campo educativo, em todos os graus de ensino, embora por raz&otilde;es v&aacute;rias ficasse muito aqu&eacute;m do plano das suas inten&ccedil;&otilde;es. Destaque-se o alargamento h&aacute; muito reclamado do ensino superior, com a cria&ccedil;&atilde;o de duas novas universidades em Lisboa e Porto (1911). E os historiadores?</p>     <p>Num tempo em que, como sucedia noutras comunidades historiogr&aacute;ficas, dominava o autodidatismo e a pr&aacute;tica de uma multiplicidade de g&eacute;neros, o n&uacute;mero de historiadores &ldquo;institucionalizados&rdquo; (isto &eacute; de professores universit&aacute;rios) era em Portugal ainda muito reduzido - n&atilde;o ultrapassava 7 -, compar&aacute;vel ao de pequenas na&ccedil;&otilde;es europeias como a Irlanda, a Gr&eacute;cia, a Dinamarca ou os pa&iacute;ses n&oacute;rdicos. Aumentou significativamente, sobretudo com a cria&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Letras do Porto (1919), atingindo em 1928 o n&uacute;mero de 14 (em Espanha, no mesmo ano eram 35). Mas logo ficaria limitado a metade com o encerramento desta Faculdade decretado pela Ditadura Militar em 1931 (Matos e Freitas, 2010, p. 123).<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a> Tal como em Espanha, num tempo em que n&atilde;o se definira ainda a figura do historiador profissional, dominavam os eruditos. Compreende-se que, num universo t&atilde;o restrito, a universidade tivesse uma fun&ccedil;&atilde;o relativamente pouco relevante na historiografia. O que tamb&eacute;m sucedia em Espanha, apesar da diferen&ccedil;a de escala (Ruiz Torres, 2000, p. 22). Todavia, a legisla&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria de 1911 contemplava, entre outros objetivos, o &ldquo;estudo met&oacute;dico dos problemas nacionais&rdquo; e &ldquo;a difus&atilde;o da cultura na massa da na&ccedil;&atilde;o&rdquo; (<i>Di&aacute;rio do Governo</i>, n.&ordm; 93, 22-04-1911, p. 691). Para al&eacute;m da investiga&ccedil;&atilde;o e do ensino, a nova elite chegada ao poder concedia a maior relev&acirc;ncia &agrave; nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos portugueses (Sobral, 2012, pp. 57-79). Professores, intelectuais, jornalistas, pol&iacute;ticos e artistas envolveram-se neste prop&oacute;sito, quer fossem republicanos quer tradicionalistas. A Renascen&ccedil;a Portuguesa, uma associa&ccedil;&atilde;o cultural criada no ver&atilde;o de 1911, por iniciativa do futuro historiador Jaime Cortes&atilde;o, exprime-o bem. Ou, num &acirc;mbito mais direcionado, a Sociedade Portuguesa de Estudos Hist&oacute;ricos, fundada por um outro historiador, Fidelino de Figueiredo, em que a maioria relativa dos s&oacute;cios j&aacute; era de professores universit&aacute;rios (Brito, 2012, p. 62). No entanto, o campo historiogr&aacute;fico era ainda dominado pela figura do autodidata n&atilde;o especializado, n&atilde;o raro erudito e frequentemente envolvido na <i>res publica</i>. Refira-se, a t&iacute;tulo de exemplo, Anselmo Braamcamp Freire, fundador do <i>Arquivo Hist&oacute;rico</i> <i>Portugu&ecirc;s</i>, que ocupou diversos cargos pol&iacute;ticos, do poder local ao estado central.<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a></p>     <p>Quais foram os grandes temas de debate na historiografia portuguesa durante I Rep&uacute;blica? Poder-se-&aacute; considerar que houve uma republicaniza&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria nacional? Concederei especial destaque ao lugar da Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 para confrontar historiografia e mem&oacute;ria p&uacute;blica: qual a fun&ccedil;&atilde;o dos historiadores na constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o, quando sabemos que muitos outros agentes sociais para tanto contribu&iacute;ram?</p>     <p>Em 1930, j&aacute; em plena Ditadura Militar, Lu&iacute;s de Montalvor, que coordenou a <i>Hist&oacute;ria do Regimen Republicano</i> em fasc&iacute;culos, lembrava que a hist&oacute;ria da Rep&uacute;blica portuguesa estava por fazer. E denunciava que ent&atilde;o se atribu&iacute;am a este regime todos os males de que sofria a na&ccedil;&atilde;o (Montalvor, 1930, pp. 6-8). Passavam 20 anos sobre o 5 de outubro e estava-se em tempos de revis&atilde;o do passado nacional, programa sistem&aacute;tico que os intelectuais tradicionalistas ligados &agrave; revista <i>Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i> - com destaque para Ant&oacute;nio Sardinha - vinham assumindo (Matos, 2015). &Eacute; certo que nos anos 10 e 20 se publicaram narrativas cron&iacute;sticas ou em registo memorialista relativas a um passado pr&oacute;ximo, sobre a interven&ccedil;&atilde;o portuguesa na Grande Guerra, a evolu&ccedil;&atilde;o do 14 de maio de 1915 ou o sidonismo. Mas seria preciso esperar pelos finais do Estado Novo para que se desse um impulso na historiografia sobre a pr&oacute;pria I Rep&uacute;blica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>TEND&Ecirc;NCIAS</p>     <p>Um conceito de hist&oacute;ria herdado do s&eacute;culo XIX que permaneceu no sistema de divulga&ccedil;&atilde;o e nos dicion&aacute;rios nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX foi o de narra&ccedil;&atilde;o, exposi&ccedil;&atilde;o ou descri&ccedil;&atilde;o dos factos, desdobrando-se depois em matizes diversos. O t&atilde;o comum t&oacute;pico pragm&aacute;tico que remontava a C&iacute;cero - hist&oacute;ria mestra da vida - continuava a ser invocado. Dominava ainda uma consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica que vivia dos exemplos do passado tido como Idade de Ouro - o antigo regime de historicidade, se admitirmos o conceito teorizado por Fran&ccedil;ois Hartog (2003) -, era ainda muito cultivado, convivendo com a proje&ccedil;&atilde;o num futuro previsto e pr&eacute;-inscrito naquele passado. As perman&ecirc;ncias eram evidentes. Mas os modos de conceber a mem&oacute;ria hist&oacute;rica tinham mudado profundamente. Se a hist&oacute;ria documental, preocupada com a autenticidade dos factos, j&aacute; se vinha afirmando de um modo evidente no s&eacute;culo XVIII, no tempo das revolu&ccedil;&otilde;es liberais e da seculariza&ccedil;&atilde;o o conceito de hist&oacute;ria-ci&ecirc;ncia legitimara em novos termos a autonomia da disciplina, dotando-a de exig&ecirc;ncias heur&iacute;sticas e hermen&ecirc;uticas ent&atilde;o comuns na Alemanha e na Fran&ccedil;a. Abrira-se assim caminho para o reconhecimento da sua indispens&aacute;vel fun&ccedil;&atilde;o social e c&iacute;vica, generalizando-se a disciplina de Hist&oacute;ria em todos os graus de ensino, do prim&aacute;rio ao superior, a que se associou o reconhecimento da necessidade da forma&ccedil;&atilde;o de historiadores profissionais - esta &uacute;ltima concretizada em momentos bem diferenciados, primeiro na Alemanha, depois na Fran&ccedil;a e na Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica j&aacute; em pleno s&eacute;culo XX. <i>Ethos</i> cient&iacute;fico e car&aacute;ter doutrin&aacute;rio da pr&aacute;tica historiogr&aacute;fica acabaram por andar associados (Iggers, 1997, p. 28). A dimens&atilde;o pol&iacute;tica da dedica&ccedil;&atilde;o ao estudo do passado estaria ali&aacute;s sempre presente ao longo do s&eacute;culo XX e a autonomia do of&iacute;cio do historiador sofreu a press&atilde;o dos poderes (Raphael, 2012, p. 57).</p>     <p>Desde os finais do s&eacute;culo XIX, em conson&acirc;ncia com o positivismo ent&atilde;o em voga, dominava j&aacute; o conceito de hist&oacute;ria-ci&ecirc;ncia que partindo da observa&ccedil;&atilde;o, afirmava confian&ccedil;a num conhecimento assente em alegadas leis que regem as sociedades contempor&acirc;neas. Mas muitos historiadores limitavam-se a praticar uma hist&oacute;ria erudita e documental, n&atilde;o problem&aacute;tica, e que se reduzia &agrave; superf&iacute;cie do acontecimento, numa postura de tend&ecirc;ncia mais &ldquo;realista&rdquo; e passiva, de mero registo (Kracauer, 2006, p. 105) aparentemente desligado dos problemas do presente, como se de uma ci&ecirc;ncia pura se tratasse: era o caso de alguns dos colaboradores das revistas <i>O Arquivo Hist&oacute;rico Portugu&ecirc;s</i> (1903-1917) e da <i>Revista de Hist&oacute;ria</i> (1911-1928). Outros, mais criativos e intervenientes, resistindo ao positivismo, procuraram estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre hist&oacute;ria, filosofia, geografia e sociologia. E reconheciam, como Benedetto Croce, que o historiador &eacute; produto do seu tempo. Mas muitos adotavam um conceito de ra&ccedil;a como chave da diferencia&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a> ou isolavam fatores de evolu&ccedil;&atilde;o social como o meio e a luta pela exist&ecirc;ncia. Reduziam assim a experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica e o devir a pressupostos deterministas e inelut&aacute;veis.</p>     <p>Durante a I Rep&uacute;blica, a historiografia portuguesa prolonga as grandes tend&ecirc;ncias que vinham do s&eacute;culo anterior. Depois de Alexandre Herculano, autores de forma&ccedil;&atilde;o positivista como Em&iacute;dio Garcia, Te&oacute;filo Braga, Consiglieri Pedroso e Ant&oacute;nio Enes, todos republicanos excetuando o &uacute;ltimo (que todavia chegou a simpatizar em jovem com o republicanismo), aderiram ao conceito de hist&oacute;ria-ci&ecirc;ncia, valorizando um modelo de verdade importado das ci&ecirc;ncias experimentais, reconhecendo a fun&ccedil;&atilde;o das leis em hist&oacute;ria e, alguns deles, a possibilidade de prever a evolu&ccedil;&atilde;o futura das sociedades humanas. A Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, a Universidade de Coimbra e o Curso Superior de Letras (transformado em Faculdade de Letras desde 1911) foram os principais centros de difus&atilde;o destas ideias. Nessa &eacute;poca, o republicanismo ganhava influ&ecirc;ncia na sociedade portuguesa, sobretudo nos meios urbanos. A sua leitura do passado nacional era constru&iacute;da a partir de conceitos-chave como <i>civiliza&ccedil;&atilde;o, progresso, decad&ecirc;ncia, na&ccedil;&atilde;o, car&aacute;cter nacional, povo, ra&ccedil;a e revolu&ccedil;&atilde;o</i>, numa narrativa laica e anticlerical que antecipava a evolu&ccedil;&atilde;o considerada necess&aacute;ria para alcan&ccedil;ar uma rep&uacute;blica redentora. Tal como em Espanha (Alvarez Junco, 2001, p. 214), para&iacute;so, expia&ccedil;&atilde;o e reden&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;am momentos marcantes desta vis&atilde;o historicista do passado. Os liberais radicais e os republicanos valorizavam o papel do povo na transforma&ccedil;&atilde;o social e justificavam a expectativa de mudan&ccedil;a de regime pol&iacute;tico - a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. Desde o s&eacute;culo XVI, o absolutismo, o catolicismo tridentino e at&eacute; mesmo a expans&atilde;o ultramarina teriam levado a na&ccedil;&atilde;o &agrave; decad&ecirc;ncia, desviando-se assim de um percurso ideal que fora o medieval: um tempo forte em que os concelhos e as cortes tinham uma palavra a dizer na pol&iacute;tica nacional. No essencial era esta a filosofia da hist&oacute;ria de Portugal que Antero de Quental sistematizara na sua c&eacute;lebre confer&ecirc;ncia pronunciada no Casino de Lisboa em 1871<i> </i>(Quental, s.d. [1871])<i>.</i> Muito antes da mudan&ccedil;a de revolu&ccedil;&atilde;o republicana de 1910, dos primeiros doutrin&aacute;rios da ideia liberal a Bas&iacute;lio Teles, passando por Herculano e at&eacute; pelo liberal conservador Pinheiro Chagas, uma consci&ecirc;ncia <i>res publicana</i> foi dominando o campo historiogr&aacute;fico. E desgastando a imagem dos monarcas da dinastia de Bragan&ccedil;a.</p>     <p>Por outro lado, a partir do dec&eacute;nio de 1870, o conceito providencialista de hist&oacute;ria, sobretudo cultivado por cat&oacute;licos conservadores, tornara-se minorit&aacute;rio em termos de express&atilde;o p&uacute;blica (tal como o legitimismo miguelista tendeu a isolar-se numa margem combativa da vida pol&iacute;tica portuguesa). Este setor sublinhava a religiosidade inata dos Portugueses, defendia geralmente o estado confessional em estreita rela&ccedil;&atilde;o com a Igreja ultramontana e a liberdade das ordens religiosas. Aderia ainda, por vezes, a tradi&ccedil;&otilde;es m&iacute;ticas de funda&ccedil;&atilde;o como o milagre de Ourique (Buescu, 1987). Mas n&atilde;o havia no Portugal oitocentista nenhum grande vulto neste campo ideol&oacute;gico que pudesse disputar a indiscut&iacute;vel primazia de Herculano, como sucedia em Espanha com o grande historiador cat&oacute;lico Men&eacute;ndez Pelayo.</p>     <p>Nos primeiros anos da Rep&uacute;blica, a aten&ccedil;&atilde;o conferida &agrave; pol&iacute;tica memorial &eacute; bem evidente na estrat&eacute;gia cultural ent&atilde;o adotada. Inauguraram-se novos arquivos distritais (Lisboa, 1915; Bragan&ccedil;a e &Eacute;vora, 1916 e Braga, 1917) e o Arquivo Hist&oacute;rico Militar (1911). Adotou-se nova bandeira e o hino nacionais. Definiram-se novos feriados, entre outros, o 31 de Janeiro, o 5 de Outubro e depois o 1.&ordm; de Dezembro. Comemoraram-se, ainda que sem a efic&aacute;cia dos centen&aacute;rios de finais de Oitocentos, efem&eacute;rides como a conquista de Ceuta, as mortes de Afonso de Albuquerque (1915) e Fern&atilde;o de Magalh&atilde;es (1920), a independ&ecirc;ncia do Brasil (1922) ou o nascimento de Cam&otilde;es e morte de Vasco da Gama (1924) (Catroga, 1996, pp. 567-579; Jo&atilde;o, 2002 pp. 76-80). Ergueram-se monumentos - caso dos memoriais aos mortos da Grande Guerra e de outra estatu&aacute;ria urbana<a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a> e emitiram-se selos de tem&aacute;tica hist&oacute;rica.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a> A relev&acirc;ncia concedida ao ensino da Hist&oacute;ria nos diversos graus de ensino, o debate a este respeito e a a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica da associa&ccedil;&atilde;o cultural Renascen&ccedil;a Portuguesa<a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a>, fundada em 1911 (que ali&aacute;s deu grande destaque &agrave; hist&oacute;ria nas universidades livres a ela ligadas) contribu&iacute;ram tamb&eacute;m para a forma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica dos portugueses. J&aacute; em 1912, Jaime Cortes&atilde;o chamava a aten&ccedil;&atilde;o para a relev&acirc;ncia de uma hist&oacute;ria ensinada que valorizasse o lugar do povo mas tamb&eacute;m o esfor&ccedil;o individual e o hero&iacute;smo de alguns (Cortes&atilde;o, 1912, pp. 118-124). Entre os intelectuais da Renascen&ccedil;a Portuguesa - caso de Cortes&atilde;o, mas tamb&eacute;m de Pascoaes ou de Augusto Casimiro - manifestava-se a convic&ccedil;&atilde;o de que a sociedade portuguesa estava desnacionalizada, t&oacute;pico que ali&aacute;s n&atilde;o era novo e se encontrava impl&iacute;cito na ideia de &ldquo;reaportuguesar&rdquo; Portugal, a que j&aacute; E&ccedil;a de Queiroz dera express&atilde;o no final do s&eacute;culo anterior. Na I Rep&uacute;blica estava em causa a constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o e da simb&oacute;lica do novo regime, mas n&atilde;o s&oacute;: tamb&eacute;m a sua legitima&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, convocando um tempo &aacute;ureo anterior ao Estado absoluto, visto como tempo dissolvente de queda.</p>     <p>Nesses anos, a influ&ecirc;ncia da hist&oacute;ria met&oacute;dica, tal como era teorizada e praticada em Fran&ccedil;a por Langlois e Charles Seignobos, &eacute; j&aacute; bem evidente nas escolas superiores em Portugal. Joaquim de Carvalho e Vieira de Almeida s&atilde;o exemplos disso, caldeando-a no quadro de um pensamento de matriz kantiana: &ldquo;O fim da hist&oacute;ria &eacute; rectificar, orientar, objectivar, embora sem directamente diz&ecirc;-lo, a no&ccedil;&atilde;o de progresso (…) &eacute; ‘o mais completo desenvolvimento do homem como ser racional'&rdquo; (Almeida, 1911, p. 48). E para Joaquim de Carvalho, em 1932, &ldquo;a hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; o documento, embora sem os documentos se n&atilde;o possa fazer a hist&oacute;ria&rdquo; (Carvalho, s.d. [1932], p. 307). Alguns preferiam contudo um conceito positivista-darwinista em que a grande lei da hist&oacute;ria surge definida enquanto &ldquo;Ordem como meio e o Progresso por fim&rdquo;, isolando dois fatores &ldquo;supremos e &uacute;nicos&rdquo; do desenvolvimento humano: o meio e a luta pela exist&ecirc;ncia. Nas v&eacute;speras da eclos&atilde;o da I Guerra Mundial, Jos&eacute; Augusto Coelho reduzia assim a hist&oacute;ria a uma dimens&atilde;o biol&oacute;gica, num estreito determinismo: &ldquo;No vasto mundo dos seres vivos, a luta pelas subsist&ecirc;ncias, a concorr&ecirc;ncia, os ego&iacute;smos que se topam e dilaceram, os conflitos pelo meu e pelo teu - eis a grande lei geral da exist&ecirc;ncia, irrefrag&aacute;vel, soberana, fatal. Ela arrasta na sua vertigem plantas, animais em geral, homens, povos; ele tudo mobiliza, impele, desloca, embate, confunde e transforma. Lutar pela Exist&ecirc;ncia &eacute; pois mudar; e Mudar &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o primordial para avan&ccedil;ar, para progredir&rdquo; (Coelho, 1914, pp. 202-203). Tamb&eacute;m Serras e Silva, professor da Universidade de Coimbra, j&aacute; no final da I Rep&uacute;blica, expunha um conceito causalista de hist&oacute;ria-ci&ecirc;ncia, partindo da observa&ccedil;&atilde;o e conhecimento das leis que regem as sociedades contempor&acirc;neas e dando primazia ao dom&iacute;nio da vida privada e n&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas (Silva, 1926, pp. 78-83). O determinismo cientista continuaria presente nas ci&ecirc;ncias humanas, apesar da voga espiritualista e m&iacute;stica dos finais do s&eacute;culo e das posteriores investidas do voluntarismo idealista e racionalista dos seareiros.</p>     <p>A mem&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o, tal como foi difundida nos livros escolares, permanecia dominada por um paradigma liberal e laico do passado. O mesmo sucedia, pode dizer-se, no plano mais geral da historiografia: a mem&oacute;ria herdada dos vencedores da revolu&ccedil;&atilde;o liberal era a dominante. No que respeita &agrave;s hist&oacute;rias gerais, a par da <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i> de Oliveira Martins, a da autoria de Manuel Pinheiro Chagas continuava a ser a mais divulgada. Uma novidade editorial neste plano veio da parte de Fortunato de Almeida, professor do liceu, um dos expoentes de uma narrativa cat&oacute;lica e conservadora, que deu in&iacute;cio &agrave; publica&ccedil;&atilde;o da sua <i>Hist&oacute;ria de Portugal </i>j&aacute;<i> </i>no p&oacute;s-guerra (1922-1929). Significativo, ali&aacute;s, &eacute; que se mostrasse muito cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quelas outras obras suas antecessoras. Afirmava ele em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; de Pinheiro Chagas: &ldquo;carece (…) de inteireza de plano e harmonia de propor&ccedil;&otilde;es; tem excessos de difus&atilde;o e desvios, e falta-lhe com frequ&ecirc;ncia o pormenor caracter&iacute;stico e valioso; e pior do que tudo, a obra foi elaborada quase exclusivamente &agrave; vista das fontes tradicionais…&rdquo;. E no que toca &agrave; de Oliveira Martins, exclu&iacute;a-a do campo historiogr&aacute;fico, catalogando-a como &ldquo;pe&ccedil;a liter&aacute;ria dominada de sentimentos pessoais&rdquo; (Almeida, 1922, I, XIII). Noutros termos, desqualificava tamb&eacute;m a oitocentista obra do alem&atilde;o Schaefer. O que levanta o problema ainda n&atilde;o suficientemente explorado na cultura hist&oacute;rica portuguesa da rela&ccedil;&atilde;o dos historiadores com os seus antecessores, das genealogias (reais ou ideais) que constroem para si pr&oacute;prios, das inclus&otilde;es e exclus&otilde;es em redes informais. Estava em causa a problem&aacute;tica da sua pr&oacute;pria legitima&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m a este respeito o caso de Fortunato de Almeida &eacute; significativo na sua defini&ccedil;&atilde;o de inten&ccedil;&otilde;es: distanciando-se de elocubra&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, preferia-lhes &ldquo;uma maior variedade de factos&rdquo;, a &ldquo;escrupulosa verifica&ccedil;&atilde;o das fontes&rdquo;, numerosas indica&ccedil;&otilde;es bibliogr&aacute;ficas incluindo refer&ecirc;ncia a nova documenta&ccedil;&atilde;o descoberta por eruditos e &ldquo;a abund&acirc;ncia e exactid&atilde;o de dados cronol&oacute;gicos&rdquo; (<i>Idem</i>, XV-XVI). Em lugar de discuss&atilde;o cr&iacute;tica, o historiador valorizava uma atitude que poder&iacute;amos qualificar de objetividade passiva. Compreende-se assim a cr&iacute;tica que lhe dirigiu Ant&oacute;nio Sardinha, mestre do Integralismo Lusitano, movimento mon&aacute;rquico entretanto constitu&iacute;do na oposi&ccedil;&atilde;o tradicionalista &agrave; Rep&uacute;blica. Sardinha fustigava o seu excesso de erudi&ccedil;&atilde;o, a superficialidade e &ldquo;aus&ecirc;ncia de individualidade&rdquo; (Sardinha, 1922, pp. 234-235) e desconsiderava Fortunato de Almeida pela sua passividade e aus&ecirc;ncia de teoria, submerso que estava no pormenor dos acontecimentos. Que ele se limitava geralmente &agrave; superf&iacute;cie dos factos positivos, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida. Mas, por vezes, a sua tomada de posi&ccedil;&atilde;o, mais do que latente &eacute; manifesta.<a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><sup>[7]</sup></a></p>     <p>Seja como for, por essa &eacute;poca, nos meios conservadores estava na ordem do dia a inten&ccedil;&atilde;o de rever a interpreta&ccedil;&atilde;o do percurso hist&oacute;rico nacional legada pelo liberalismo - era o passado visto como campo de batalha, para empregarmos a met&aacute;fora de Enzo Traverso. J&aacute; em 1918, Ant&oacute;nio Sardinha advertia que a hist&oacute;ria era &ldquo;o elemento mais decisivo para a vit&oacute;ria do nosso nacionalismo&rdquo; [o do Integralismo Lusitano] (Sardinha, 1940 [1918], p. 240). E nas p&aacute;ginas d'<i>A Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>, em 1922, Sardinha exprimia aquela inten&ccedil;&atilde;o em termos muito claros:</p>     <p>Um necess&aacute;rio <i>trabalho de revis&atilde;o</i> se imp&otilde;e simultaneamente - esp&eacute;cie de <i>brevi&aacute;rio de correc&ccedil;&otilde;es ou erratas</i>, em que se instrua o processo das diversas lendas-negras que deprimem a face augusta do nosso Passado. Com o objectivo de <i>mostrar Portugal</i>, sobretudo, como <i>uma personalidade moral, prolongando-se no espa&ccedil;o e no tempo, uno e cont&iacute;nuo,</i> essa Hist&oacute;ria, a fazer-se, sem cair no detalhe excessivo, n&atilde;o deve tamb&eacute;m esquecer a revis&atilde;o correspondente dos ju&iacute;zos e conceitos pr&eacute;-concebidos…&rdquo; [Sardinha, 1922, p. 234 sublinhado meu].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para Sardinha, havia que fazer um esfor&ccedil;o de s&iacute;ntese, de modo a tornar a hist&oacute;ria acess&iacute;vel ao grande p&uacute;blico. A alternativa <i>n&atilde;o estava</i> pois no paradigma de uma <i>hist&oacute;ria documental e erudita, antes na </i>&ldquo;espl&ecirc;ndida&rdquo; <i>Historia de Espa&ntilde;a</i> do seu amigo Antonio Ballesteros, extensa obra que come&ccedil;ara a publicar-se em 1919, marcada por uma orienta&ccedil;&atilde;o conservadora e essencialista da hist&oacute;ria espanhola, centrada numa &oacute;tica castelhanista e distanciada do &ldquo;liberalismo progressista&rdquo;.<a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>[8]</sup></a> Mas era esta obra de Ballesteros, na sua intencionalidade, sobretudo informativa, um exemplo de s&iacute;ntese? A resposta s&oacute; pode ser negativa (n&atilde;o surpreende pois que Ballesteros publicasse depois uma obra de divulga&ccedil;&atilde;o mais acess&iacute;vel). No seu intuito pol&eacute;mico, Sardinha estava empenhado em mostrar que havia outra estrat&eacute;gia narrativa e de divulga&ccedil;&atilde;o mais eficaz do que a de Fortunato de Almeida. Passava pela reabilita&ccedil;&atilde;o de monarcas da dinastia de Bragan&ccedil;a como D. Jo&atilde;o IV, D. Jo&atilde;o V, D. Jo&atilde;o VI, D. Carlota Joaquina ou D. Miguel (que considerava o rei leg&iacute;timo), cuja mem&oacute;ria tinha sido diminu&iacute;da pela cultura hist&oacute;rica liberal, e a revis&atilde;o cr&iacute;tica das representa&ccedil;&otilde;es que esta &uacute;ltima legara de figuras como Gomes Freire, D. Pedro IV ou Mouzinho da Silveira. No entanto, a inten&ccedil;&atilde;o de proceder a uma revis&atilde;o da hist&oacute;ria de Portugal n&atilde;o era exclusiva dos integralistas: encontramo-la explicita ou implicitamente em intelectuais cat&oacute;licos t&atilde;o influentes como Gon&ccedil;alves Cerejeira - futuro cardeal patriarca - ou no j&aacute; referido Fortunato de Almeida. Partiria contudo do Integralismo Lusitano o impulso mais sistem&aacute;tico nesse sentido. Autores como Caetano Beir&atilde;o ou Jo&atilde;o Ameal - sem esquecer Alfredo Pimenta - concretizar&atilde;o mais tarde a ambi&ccedil;&atilde;o de escrever novas narrativas da hist&oacute;ria nacional na &oacute;tica de um nacionalismo tradicionalista e apolog&eacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado Novo, um tradicionalismo que n&atilde;o deixaria de evidenciar forte marca cat&oacute;lica. Estas diverg&ecirc;ncias mostram bem como no mesmo campo pol&iacute;tico - o do tradicionalismo - podemos encontrar conce&ccedil;&otilde;es diversas de hist&oacute;ria. E como uma no&ccedil;&atilde;o como o &ldquo;revisionismo&rdquo;, importada do campo pol&iacute;tico, pode ser insuficiente para compreender a diversidade de posi&ccedil;&otilde;es no campo historiogr&aacute;fico.<a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><sup>[9]</sup></a> Voltemos por&eacute;m aos princ&iacute;pios do s&eacute;culo.</p>     <p>FORMA&Ccedil;&Atilde;O DE PORTUGAL</p>     <p>Que grandes temas detinham ent&atilde;o a aten&ccedil;&atilde;o dos historiadores? Refira-se, em primeiro lugar, a problem&aacute;tica da forma&ccedil;&atilde;o de Portugal como Estado e Na&ccedil;&atilde;o independente, que vinha dos prim&oacute;rdios do ide&aacute;rio liberal mas agora se renovava: tamb&eacute;m o regime republicano estava em funda&ccedil;&atilde;o. O debate n&atilde;o era novo, instalara-se desde Herculano, no dec&eacute;nio de 1840, e prolongava-se no tempo. Se a pol&eacute;mica acerca do milagre de Ourique se saldara numa evidente vit&oacute;ria da posi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica do historiador sobre o ultramontanismo na esfera p&uacute;blica, no &uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo XIX, o debate relan&ccedil;ou-se no que respeita a dois outros pontos relacionados: a filia&ccedil;&atilde;o, ou n&atilde;o, dos Portugueses nos Lusitanos e a tese pol&iacute;tica e voluntarista herculaneana. A independ&ecirc;ncia de Portugal ficara a dever-se &agrave; vontade de uma elite, os bar&otilde;es portucalenses que apoiavam Afonso Henriques? Ou resultara de uma singularidade mais recuada? Herculano teve m&uacute;ltiplos cr&iacute;ticos. Mas a este respeito dois deles se destacaram: Te&oacute;filo Braga, professor no Curso Superior de Letras (a partir de 1911 Faculdade de Letras de Lisboa) e presidente do primeiro governo republicano e Leite de Vasconcelos, etn&oacute;logo, linguista e arque&oacute;logo, tamb&eacute;m ele professor nesta institui&ccedil;&atilde;o. O primeiro, um dos mais persistentes divulgadores do positivismo em Portugal e autor de uma <i>Hist&oacute;ria da Literatura</i> de larga rece&ccedil;&atilde;o, foi o principal teorizador de um conceito de na&ccedil;&atilde;o natural, fundamentado num substrato &eacute;tnico e cultural diferenciado (mo&ccedil;&aacute;rabes, celtas). O celtismo n&atilde;o era novidade, fora importado de outras culturas hist&oacute;ricas europeias, incluindo a espanhola, onde constitu&iacute;a um recurso explicativo muito invocado por historiadores liberais (caso de Manuel Murguia na Galiza). A fundamenta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de uma rep&uacute;blica federal a que Te&oacute;filo procedera em 1879 e 1880, a que n&atilde;o fora alheia a leitura de Pi y Margall, ficaria contudo esquecida na unit&aacute;ria I Rep&uacute;blica portuguesa. Por seu lado, Leite de Vasconcelos demarcou-se da teoria pol&iacute;tica do autor da <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i> para adotar um ponto de vista alargado em que considerava uma multiplicidade de fatores (geogr&aacute;fico, hist&oacute;rico, cultural, pol&iacute;tico), n&atilde;o enjeitando a heran&ccedil;a dos Lusitanos e de todos os povos que habitaram o territ&oacute;rio portugu&ecirc;s antes da autonomiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (Matos, 2008, pp. 21-22). J&aacute; durante a I Rep&uacute;blica o debate prosseguiu, com as contribui&ccedil;&otilde;es bem diferenciadas de historiadores, ge&oacute;grafos e publicistas de diversos quadrantes pol&iacute;ticos.</p>     <p>A marca do determinismo &eacute;tnico de Te&oacute;filo Braga &eacute; bem evidente em autores de forma&ccedil;&otilde;es t&atilde;o diversas como os republicanos Bas&iacute;lio Teles e Ricardo Severo (Severo, 1911) ou o tradicionalista Ant&oacute;nio Sardinha (Sardinha, 1915). Em qualquer caso, eram evidentes diversas intencionalidades doutrin&aacute;rias: enquanto Severo notava a fei&ccedil;&atilde;o &ldquo;constitucionalmente democr&aacute;tica&rdquo; da na&ccedil;&atilde;o, Sardinha procurava fundamentar uma monarquia org&acirc;nica e tradicionalista num quadro hist&oacute;rico em que as singularidades f&iacute;sicas etnicamente determinadas (a predomin&acirc;ncia da dolicocefalia), bem como o municipalismo tinham um papel destacado. Entretanto, acentuava-se a clivagem entre uma tese que acentuava o enraizamento nacional e uma outra que valorizava a experi&ecirc;ncia cosmopolita no percurso hist&oacute;rico. Nesta &uacute;ltima orienta&ccedil;&atilde;o, em aberta cr&iacute;tica &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do t&oacute;pico ra&ccedil;a e do nacionalismo &eacute;tnico que lhe est&aacute; subjacente, Ant&oacute;nio S&eacute;rgio propunha uma teoria europe&iacute;sta da forma&ccedil;&atilde;o de Portugal, valorizando o papel dos estrangeiros neste processo: cruzados, ordem de Cluny, mercadores italianos e flamengos em Lisboa, colonos do Norte da Europa. Do lado do pensamento cat&oacute;lico conservador, Gon&ccedil;alves Cerejeira, ent&atilde;o professor de Hist&oacute;ria na Universidade de Coimbra, ter&aacute; criticado esta interpreta&ccedil;&atilde;o &ldquo;estrangeirista&rdquo; nas suas aulas, considerando-a exagerada. Mas, por outro lado, distanciava-se da sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o dos fatores r&aacute;cico e geogr&aacute;fico: o territ&oacute;rio ainda n&atilde;o estava constitu&iacute;do aquando da independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica &ldquo;nem a ra&ccedil;a estava integrada sob o mesmo dom&iacute;nio&rdquo; (Machado, 1927, pp. 61 e 28-29). Inclinava-se antes para uma teoria pol&iacute;tica.</p>     <p>DECAD&Ecirc;NCIA</p>     <p>Outro tema que suscitou controv&eacute;rsia entre os historiadores, associado que estava &agrave; consci&ecirc;ncia de crise, foi o da decad&ecirc;ncia. Desde as invas&otilde;es francesas este t&oacute;pico tornara-se muito corrente no discurso hist&oacute;rico e pol&iacute;tico, em Portugal e em Espanha. A narrativa laica e liberal do percurso hist&oacute;rico da na&ccedil;&atilde;o logo identificou os grandes respons&aacute;veis pela queda, no s&eacute;culo XVI (absolutismo, catolicismo reformado e expans&atilde;o ultramarina). Mas recolhendo a heran&ccedil;a de Herculano, o maior destaque acabou por ser atribu&iacute;do &agrave; a&ccedil;&atilde;o da Inquisi&ccedil;&atilde;o e da Companhia de Jesus. Ant&oacute;nio S&eacute;rgio e Jaime Cortes&atilde;o, herdeiros de Antero e de Oliveira Martins, em 1913, nas p&aacute;ginas de <i>A Vida Portuguesa</i>, revisitaram os fatores e os tempos da decad&ecirc;ncia. Poder-se-ia considerar que ela remontava ao per&iacute;odo da reconquista, consequ&ecirc;ncia do esp&iacute;rito guerreiro e do parasitismo, como pretendia Ant&oacute;nio S&eacute;rgio? A cr&iacute;tica que lhe dirigiu Cortes&atilde;o, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para a especificidade de momentos muito diversos do percurso hist&oacute;rico nacional, acabaria por levar o ensa&iacute;sta a rever a sua posi&ccedil;&atilde;o em 1916. Mas, por outro lado, os dois amigos coincidiriam com a posi&ccedil;&atilde;o expressa por Raul Proen&ccedil;a na <i>Seara Nova</i> de recusa de uma atitude retrospetiva e passadista em hist&oacute;ria. Ant&oacute;nio S&eacute;rgio procurava identificar no passado os grandes problemas nacionais que, a seu ver, tinham bloqueado o progresso social e a moderniza&ccedil;&atilde;o (o isolamento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o europeia, o parasitismo e o comunarismo de Estado) (S&eacute;rgio, 1915). Enquanto o progresso cultural e cient&iacute;fico estava do lado dos intelectuais estrangeirados.<a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><sup>[10]</sup></a> Havia que formar uma elite capaz de levar a cabo profundas reformas, a come&ccedil;ar pela educa&ccedil;&atilde;o e pela pol&iacute;tica econ&oacute;mica. Jaime Cortes&atilde;o sublinhava a fun&ccedil;&atilde;o do povo na transforma&ccedil;&atilde;o social e intentava fundamentar a partir da hist&oacute;ria a soberania popular e as suas manifesta&ccedil;&otilde;es no passado. A democracia tinha ra&iacute;zes no passado. E a consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica tinha uma dimens&atilde;o n&atilde;o s&oacute; nacional, mas universal. Para outros historiadores republicanos como Te&oacute;filo Braga e Ant&oacute;nio Ferr&atilde;o, a na&ccedil;&atilde;o identificava-se com o povo. Tamb&eacute;m em Espanha as narrativas do passado nacional da autoria de republicanos assim procederam e prolongaram a tradi&ccedil;&atilde;o liberal das antigas liberdades medievais que n&atilde;o teriam sido respeitadas pelos monarcas estrangeiros: os &Aacute;ustrias eram pois responsabilizados pela decad&ecirc;ncia (Salom&oacute;n Ch&eacute;liz, 2009, pp. 40-41). Outras eram, naturalmente, as ideias dos historiadores tradicionalistas, quer em Espanha quer em Portugal. Refira-se, como exemplo inspirador, Men&eacute;ndez Pelayo: para ele, ao inv&eacute;s, o per&iacute;odo de maior grandeza da Espanha coincidiria com a casa de &Aacute;ustria e a decad&ecirc;ncia encontrava-se precisamente na rutura com a antiga monarquia espanhola e com a sua ess&ecirc;ncia cat&oacute;lica, levada a cabo por her&eacute;ticos e estrangeiros - a &ldquo;barbarie germanica&rdquo; (Men&eacute;ndez Pelayo, 1941, pp. 386-387). Men&eacute;ndez Pelayo tornou-se uma refer&ecirc;ncia para o tradicionalismo hist&oacute;rico em Espanha, e em Portugal o seu pensamento n&atilde;o deixou de encontrar eco (mas por c&aacute; n&atilde;o houve nenhum historiador tradicionalista que se lhe comparasse). J&aacute; o pensamento cat&oacute;lico ganha a este respeito alguma singularidade na cultura hist&oacute;rica portuguesa: lembre-se a interpreta&ccedil;&atilde;o de Gon&ccedil;alves Cerejeira que, sens&iacute;vel &agrave; leitura de Silva Cordeiro, explicaria a decad&ecirc;ncia invocando a estrutura econ&oacute;mica e social e o car&aacute;cter dos portugueses: estes estariam mais vocacionados &ldquo;para a guerra e para a aventura&rdquo; do que para a &ldquo;explora&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica da terra&rdquo; (Cerejeira, 1949 [1917-18], p. 205). Mas, sobretudo, procurou justificar a a&ccedil;&atilde;o da Igreja e da Inquisi&ccedil;&atilde;o (lembre-se que n&atilde;o existia em Portugal uma hist&oacute;ria das origens do Santo Of&iacute;cio alternativa &agrave; de Herculano) rejeitando as cr&iacute;ticas que estas institui&ccedil;&otilde;es tinham recebido por parte da historiografia liberal. Cerejeira, para quem a na&ccedil;&atilde;o havia sido produto da a&ccedil;&atilde;o dos monarcas, estes &eacute; que teriam completado o territ&oacute;rio. Neste &uacute;ltimo aspeto coincidia com a posi&ccedil;&atilde;o dos integralistas e de Fortunato de Almeida. Como vimos, Cerejeira recusava, contudo, a teoria &eacute;tnica da independ&ecirc;ncia de Portugal, valorizando antes a consci&ecirc;ncia, a pol&iacute;tica e a vontade dos portugueses (Machado, 1917, p. 62).</p>     <p>Como atr&aacute;s referi, Fortunato de Almeida, professor do liceu e um dos expoentes de uma narrativa cat&oacute;lica e conservadora, dava in&iacute;cio &agrave; publica&ccedil;&atilde;o da sua <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i> (1922-1929). Como ficou evidente, a sua interpreta&ccedil;&atilde;o esteve longe de reunir o consenso entre os jovens tradicionalistas portugueses - caso de Ant&oacute;nio Sardinha ou de Caetano Beir&atilde;o. No que respeita &agrave; decad&ecirc;ncia, Fortunato de Almeida considerava num dos seus comp&ecirc;ndios que o decl&iacute;nio do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s ficara a dever-se &agrave; despropor&ccedil;&atilde;o de recursos e de popula&ccedil;&atilde;o da metr&oacute;pole em rela&ccedil;&atilde;o a t&atilde;o vastos territ&oacute;rios e a dificuldades de administra&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o se prendia, pois, com a forma absolutista do Estado ou com quaisquer causas religiosas, como pretendiam os historiadores liberais e republicanos). Bem mais longe foi o tradicionalista Manuel M&uacute;rias, que valorizando a a&ccedil;&atilde;o da Companhia de Jesus, e rejeitando a tese segundo a qual a Inquisi&ccedil;&atilde;o tinha contribu&iacute;do para a decad&ecirc;ncia do pensamento em Portugal, chegava a p&ocirc;r em causa que tivesse existido decad&ecirc;ncia - a seu ver seria imposs&iacute;vel prov&aacute;-lo (M&uacute;rias,1923) - ideia que seria retomada alguns anos depois por Agostinho de Campos (Campos, 1925) e pelo professor da Faculdade de Letras de Lisboa, M&aacute;rio de Albuquerque (Albuquerque, 1930). De resto, para os integralistas, o s&eacute;culo XVII era um tempo de enraizamento, casticismo lusitano, afirma&ccedil;&atilde;o do mito seb&aacute;stico e fixa&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua. Quando no p&oacute;s-guerra a crise do regime republicano se acentuava, a revis&atilde;o da narrativa liberal estava na ordem do dia, sobretudo voltada contra a <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i> de Oliveira Martins, considerada perniciosa pelo seu negativismo e pessimismo (Pimenta, 1935, pp. 108-120).</p>     <p>Por outro lado, a relev&acirc;ncia da ideia de Imp&eacute;rio e da miss&atilde;o colonizadora dos portugueses no ideal republicano alimentavam um outro debate, relativo &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es da expans&atilde;o ultramarina - problem&aacute;tica que calava fundo na dimens&atilde;o colonial do nacionalismo republicano, acentuada desde o <i>Ultimatum</i> brit&acirc;nico (1890), reavivada com os centen&aacute;rios da conquista de Ceuta e da morte de Afonso de Albuquerque (1915), bem como do nascimento de Cam&otilde;es e da morte de Vasco da Gama (1924). A hip&oacute;tese de Ant&oacute;nio S&eacute;rgio acerca da conquista de Ceuta (1920), atribuindo-a a uma burguesia comercial representada pelo vedor da fazenda Jo&atilde;o Afonso, foi criticada por David Lopes e por Jaime Cortes&atilde;o. O primeiro valorizou a finalidade estrat&eacute;gica da empresa. Complementando a explica&ccedil;&atilde;o do problema, Cortes&atilde;o salientou a import&acirc;ncia da pra&ccedil;a africana na seguran&ccedil;a do com&eacute;rcio mar&iacute;timo e o seu lugar num suposto &ldquo;plano de descobrimentos&rdquo; e de expans&atilde;o (Cortes&atilde;o, 1925). Este &uacute;ltimo t&oacute;pico que marcava a pr&eacute;-determina&ccedil;&atilde;o da empresa ultramarina nacional era ali&aacute;s h&aacute; muito invocado na cultura hist&oacute;rica portuguesa (desde Dami&atilde;o de G&oacute;is) e acentuara-se no s&eacute;culo XIX e primeira d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX (exemplo em Dias, 1921, p. VII). Numa &eacute;poca em que o sentimento de crise se intensificava entre as elites, n&atilde;o surpreende que tamb&eacute;m a ideia do &ldquo;plano da &Iacute;ndia&rdquo; adquirisse um sentido pragm&aacute;tico. Esse car&aacute;cter instrumental ficou ali&aacute;s bem evidenciado na c&eacute;lebre viagem a&eacute;rea transatl&acirc;ntica de Gago Coutinho e Sacadura Cabral (1922), vista agora por analogia com as viagens de descobrimentos como grande feito her&oacute;ico e tecnol&oacute;gico de redescoberta do Novo Mundo. Mas seria preciso esperar pelos trabalhos de Duarte Leite, que fora chefe de um governo da I Rep&uacute;blica nos seus prim&oacute;rdios, para que a teoria do &ldquo;plano da &Iacute;ndia&rdquo; fosse posta em causa (1930). Por essa &eacute;poca, j&aacute; na ditadura militar, M&aacute;rio de Albuquerque voltaria &agrave; quest&atilde;o, contrariando a ideia de que teria havido &ldquo;manejos da alta finan&ccedil;a inglesa&rdquo; e apoios da burguesia cosmopolita na empresa de Ceuta.</p>     <p>O paradigma do her&oacute;i nacional era outro tema que h&aacute; muito ocupava um lugar destacado na historiografia portuguesa.<a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title=""><sup>[11]</sup></a> O sentimento de crise e as expectativas messi&acirc;nicas que lhe estavam associadas - lembre-se o caso de Sid&oacute;nio Pais, em que se esbo&ccedil;a j&aacute; o culto moderno do l&iacute;der pol&iacute;tico carism&aacute;tico - alimentavam a centralidade deste t&oacute;pico. Oliveira Martins contribu&iacute;ra de um modo marcante para trazer para primeiro plano as figuras da &Iacute;nclita Gera&ccedil;&atilde;o e de Nuno &Aacute;lvares Pereira. Diversas cole&ccedil;&otilde;es de divulga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica - caso da &ldquo;Biblioteca da Inf&acirc;ncia&rdquo;, dirigida por Victor Ribeiro - e romances hist&oacute;ricos acentuaram o interesse por estes e outros her&oacute;is nacionais. Foi o caso de Nun'&Aacute;lvares, beatificado em 1918, modelo de her&oacute;i e santo muito ao agrado dos setores tradicionalistas e conservadores, incluindo alguns republicanos (por essa altura deu um nome ao grupo de press&atilde;o nacionalista significativamente chamado Cruzada Nun'&Aacute;lvares). E D. Sebasti&atilde;o estaria no centro de uma aguerrida e muito personalizada pol&eacute;mica entre Ant&oacute;nio S&eacute;rgio e Carlos Malheiro Dias, j&aacute; no final do regime (1925) (Macedo, 1983, pp. 504-512). Centremo-nos agora num outro t&oacute;pico.</p>     <p>O 1.&ordm; DE DEZEMBRO DE 1640: O QUE FOI?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao inv&eacute;s do que poderia pensar-se, a mem&oacute;ria dos acontecimentos de 1640 esteve longe de reunir consenso entre os historiadores portugueses, em contraste com a quase unanimidade em rela&ccedil;&atilde;o aos sucessos de 1383-1385. Costa Lobo notou esse contraste, atribuindo-o, na sua interpreta&ccedil;&atilde;o organicista, ao facto de no s&eacute;culo XVII Portugal ter continuado a &ldquo;deperecer em an&eacute;mico langor&rdquo; (Lobo, 1979 [1909], pp. 9-10). No entanto, a data refundadora do 1.&ordm; de Dezembro que durante s&eacute;culos fora evocada em celebra&ccedil;&otilde;es religiosas e a partir de 1861 em comemora&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m de car&aacute;cter profano, foi em 1910 associada a um s&iacute;mbolo nacional de grande visibilidade - a nova bandeira nacional. Logo em 12 de outubro desse ano, o governo republicano aprovava um decreto que institu&iacute;a o 1.&ordm; de Dezembro como dia de autonomia da p&aacute;tria (Andrade e Torgal, 2012, p. 67) e a 22 de novembro seguinte acrescentava-lhe o atributo de dia de Festa da Bandeira e instituindo um cortejo para saudar este s&iacute;mbolo nacional (Teixeira,<i> </i>2015, pp. 34-35). Fazia-se assim coincidir esta festa c&iacute;vica da nova bandeira republicana com a data do 1.&ordm; de Dezembro, agora consagrada como feriado nacional. Associava-se, pois, um dos emblemas mais significativos da na&ccedil;&atilde;o com uma data hist&oacute;rica relevante - a recupera&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia nacional em 1640.</p>     <p>A mudan&ccedil;a da bandeira nacional - do azul e branco da Monarquia Constitucional para o verde e rubro da bandeira da Rep&uacute;blica, embora controversa (Medina, 1993, pp. 143-193), acentuava a relev&acirc;ncia simb&oacute;lica desse dia de festa. Por outro lado, convidavam-se figuras de proa do Estado, caso do presidente da Rep&uacute;blica e do chefe do governo, para as cerim&oacute;nias de deposi&ccedil;&atilde;o de flores no Monumento dos Restauradores e para sess&otilde;es solenes, com confer&ecirc;ncias p&uacute;blicas no Pal&aacute;cio Almada (sede da Comiss&atilde;o 1.&ordm; de Dezembro) e, mais tarde, na Sociedade de Geografia ou na C&acirc;mara Municipal de Lisboa. Procurava-se ainda mobilizar as camadas populares com lan&ccedil;amento de foguetes, flores, ilumina&ccedil;&otilde;es noturnas de edif&iacute;cios, cortejos, etc. Mas teve esta festa sucesso popular? &Eacute; certo que diversas associa&ccedil;&otilde;es, entre elas n&atilde;o poucos centros republicanos, participavam nas comemora&ccedil;&otilde;es: o Gr&eacute;mio Recreativo 1.&ordm; de Dezembro, o Centro Republicano Liberdade e Progresso (ambos em 1913), o Centro Dr. Magalh&atilde;es Lima, o Centro Dr. Ant&oacute;nio Jos&eacute; de Almeida ou o Centro Solidariedade Republicana (em 1914).<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title=""><sup>[12]</sup></a> Mas como veremos, os testemunhos dividem-se a este respeito. Seja como for, intentava-se assim republicanizar o 1&ordm; de Dezembro (Andrade, 2001) e instituir uma grande festa c&iacute;vica do novo regime visto a si pr&oacute;prio como refunda&ccedil;&atilde;o, tal como 1640 teria sido refunda&ccedil;&atilde;o de Portugal.</p>     <p>Outros ind&iacute;cios de republicaniza&ccedil;&atilde;o do 1.&ordm; de Dezembro nos primeiros anos do novo regime foram, por exemplo, a escolha deste dia para a sa&iacute;da do primeiro n&uacute;mero da revista <i>A &Aacute;guia</i>, ainda em 1910, ent&atilde;o dirigida por Teixeira de Pascoaes (e em que colaboraram alguns dos mais dotados intelectuais portugueses da &eacute;poca). Ou a participa&ccedil;&atilde;o nas comemora&ccedil;&otilde;es anuais de figuras gradas do regime republicano: presidentes da Rep&uacute;blica como Manuel de Arriaga, Ant&oacute;nio Jos&eacute; de Almeida ou Teixeira Gomes; chefes de governo como Afonso Costa ou Ant&oacute;nio Maria da Silva e intelectuais republicanos de diversos campos ideol&oacute;gicos como Jaime Cortes&atilde;o, Teixeira de Pascoaes, Agostinho de Campos, Ant&oacute;nio Ferr&atilde;o, Queir&oacute;s Veloso e Agostinho Fortes (ambos professores da Faculdade de Letras de Lisboa e historiadores). A imprensa peri&oacute;dica da &eacute;poca e uma foto do cortejo da festa da bandeira no 1.&ordm; de Dezembro de 1910 (Teixeira, 2015, p. 40) podem transmitir a ideia de uma participa&ccedil;&atilde;o massiva da popula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; de admitir que, com o correr dos anos, a participa&ccedil;&atilde;o popular tenha diminu&iacute;do. Alguns testemunhos da &eacute;poca d&atilde;o-nos a ideia da inefic&aacute;cia social destas comemora&ccedil;&otilde;es: caso do insuspeito intelectual republicano Jo&atilde;o de Barros, que se referiu &agrave; &ldquo;quase absoluta indiferen&ccedil;a do povo&rdquo; perante os festejos (Barros, 1923, p. 87). Podia a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 constituir modelo inspirador e legitimador para a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1910?</p>     <p>&Agrave; primeira vista, dir-se-&aacute; que sim, se lembrarmos que o acontecimento foi justificado em termos jur&iacute;dico-pol&iacute;ticos invocando-se a teoria da origem popular do poder real. Na verdade, a chamada Restaura&ccedil;&atilde;o foi interpretada em sentidos muito divergentes pela historiografia portuguesa do s&eacute;culo XIX. Os historiadores liberais e republicanos retomaram a teoria da origem popular do poder real inspirada em S&atilde;o Tom&aacute;s e na Segunda Escol&aacute;stica. Portugal teria uma longa tradi&ccedil;&atilde;o de uma monarquia temperada - atestada pela vitalidade das suas cortes at&eacute; finais do s&eacute;culo XVII. E alguns autores contra-revolucion&aacute;rios e tradicionalistas viram na Restaura&ccedil;&atilde;o uma aspira&ccedil;&atilde;o do povo no sentido da reposi&ccedil;&atilde;o da monarquia tradicional legitimada pelas Atas das Cortes de Lamego (Torgal, 1976, pp. 24-25) - uma tradi&ccedil;&atilde;o m&iacute;tica forjada no s&eacute;culo XVII.</p>     <p>Mas o 1.&ordm; de Dezembro de 1640 traduziu-se tamb&eacute;m na promo&ccedil;&atilde;o e na propaganda pol&iacute;tica da Casa de Bragan&ccedil;a - a dinastia que seria mais execrada pelo republicanismo. Para al&eacute;m disso, na historiografia sobre a Restaura&ccedil;&atilde;o sempre se exprimiram diverg&ecirc;ncias conceptuais. Fora uma <i>revolu&ccedil;&atilde;o</i>? Um <i>movimento</i>? Ou t&atilde;o-s&oacute; uma <i>conspira&ccedil;&atilde;o</i> de um grupo de aristocratas? Qual a figura mais proeminente no sucesso? Muitos autores usaram todavia o conceito de revolu&ccedil;&atilde;o (que, de resto, tinha dado t&iacute;tulo a uma obra do franc&ecirc;s Vertot, <i>Hist&oacute;ria das Revolu&ccedil;&otilde;es em Portugal</i>, 1815, 1.<sup>a</sup> ed. francesa 1711<a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title=""><sup>[13]</sup></a>). E no s&eacute;culo XIX, para al&eacute;m deste vocabul&aacute;rio pol&iacute;tico, usara-se tamb&eacute;m o termo mais neutro de <i>Restaura&ccedil;&atilde;o</i>, referido ali&aacute;s nos primeiros estatutos da Comiss&atilde;o 1.&ordm; de Dezembro, em 1870.</p>     <p>Bem diversa foi a interpreta&ccedil;&atilde;o de Oliveira Martins em 1879. O 1.&ordm; de Dezembro n&atilde;o fora uma revolu&ccedil;&atilde;o, mas uma &ldquo;conjura&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como ent&atilde;o se lhe chamara. A ideia coadunava-se, de resto, com a leitura negativa que fazia do Portugal restaurado em palavras dr&aacute;sticas: uma sociedade pobre e decadente, dependente da Inglaterra e que se arrastava numa apagada exist&ecirc;ncia (Martins, s.d. [1879], p. 126). N&atilde;o surpreende, pois, que Oliveira Martins fosse muito cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas comemorativas e &agrave; ret&oacute;rica nacionalista da Comiss&atilde;o 1.&ordm; de Dezembro. A seu ver, n&atilde;o fazia sentido comemorar essa data. Mas a sua posi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica s&oacute; encontrou eco num pequeno grupo de amigos (E&ccedil;a de Queiroz ou Ramalho Ortig&atilde;o), e poucos mais, mas deixaria um rastro no s&eacute;culo XX, nomeadamente entre os seareiros. E foi seguida por dois historiadores republicanos: Jos&eacute; de Arriaga (1886) e Agostinho Fortes (1932). Para o primeiro, 1640 n&atilde;o fora uma revolu&ccedil;&atilde;o mas &ldquo;uma simples conspira&ccedil;&atilde;o contra o estrangeiro&rdquo; (Arriaga, 1886, vol. I, p. 145). Portugal manteve o sistema dos &uacute;ltimos reis portugueses de Avis (de D. Jo&atilde;o III a D. Sebasti&atilde;o). A Restaura&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era de modo algum compar&aacute;vel &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o de 1383-85. Poucos anos depois de Jos&eacute; de Arriaga (1886) publicar a sua <i>Hist&oacute;ria</i> <i>da Revolu&ccedil;&atilde;o Portuguesa de 1820</i>, em finais de 1890, na sequ&ecirc;ncia do <i>ultimatum</i> brit&acirc;nico (1890), jovens republicanos radicais pronunciaram-se publicamente contra as comemora&ccedil;&otilde;es do 1.&ordm; de Dezembro.<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title=""><sup>[14]</sup></a> Vivia-se um momento de rea&ccedil;&atilde;o nacionalista contra a Inglaterra, reafirmava-se o federalismo ib&eacute;rico e, nesta conjuntura, festejar a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 era visto como um ato de hostilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Espanha, que devia ser aliada pr&oacute;xima de Portugal.</p>     <p>Muito mais tarde, um outro republicano (simpatizante, ali&aacute;s, dos ideais socialistas), e professor de Hist&oacute;ria na Faculdade de Letras de Lisboa, Agostinho Fortes, que por diversas vezes proferiu palestras p&uacute;blicas aquando das comemora&ccedil;&otilde;es anuais do 1.&ordm; de Dezembro, o movimento de 1640 pouco mais teria sido do que &ldquo;a mudan&ccedil;a dum senhor para outro&rdquo;, ou seja, a substitui&ccedil;&atilde;o de monarcas e dinastias, ambas desp&oacute;ticas e dissolventes (Fortes, 1930, p. 107), subalternizando o povo desde o in&iacute;cio da conjura&ccedil;&atilde;o. Num campo ideol&oacute;gico bem diverso, e num registo prudente, Fortunato de Almeida, na sua <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i> (1926), adota o conceito de &ldquo;movimento&rdquo; para a restaura&ccedil;&atilde;o em Lisboa, que ocorreu sem grandes sobressaltos. Mas ao contr&aacute;rio dos historiadores republicanos, enaltece a figura &ldquo;veneranda e sagrada&rdquo; de D. Jo&atilde;o IV, que considera ter sido, com as suas qualidades pol&iacute;ticas de &ldquo;bom senso&rdquo;, &ldquo;prud&ecirc;ncia e firmeza&rdquo; o &ldquo;centro da a&ccedil;&atilde;o que salvou a independ&ecirc;ncia nacional&rdquo; (Almeida, 1926, p. 201). Fortunato de Almeida e, de uma maneira geral os historiadores tradicionalistas, procediam assim &agrave; revis&atilde;o de um retrato negativo do duque de Bragan&ccedil;a, que se sedimentara no s&eacute;culo XIX tamb&eacute;m no romance hist&oacute;rico - com destaque para algumas obras de Camilo Castelo Branco. Estas diverg&ecirc;ncias (tais como as respeitantes ao papel de D. Jo&atilde;o IV nos acontecimentos de 1640 e o seu perfil) n&atilde;o eram despiciendas: prendiam-se com leituras divergentes do s&eacute;culo XVII em Portugal, da dinastia de Bragan&ccedil;a, da &ldquo;decad&ecirc;ncia&rdquo; e da rela&ccedil;&atilde;o com a Inglaterra. Mas a corrente cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o a D. Jo&atilde;o IV (e &agrave; dinastia de Bragan&ccedil;a em geral) n&atilde;o exprimiu necessariamente uma interpreta&ccedil;&atilde;o negativa da restaura&ccedil;&atilde;o de 1640. Nas periodiza&ccedil;&otilde;es tradicionais do percurso hist&oacute;rico nacional, ent&atilde;o dominantes nos programas e livros escolares do ensino prim&aacute;rio e secund&aacute;rio, 1640 constitu&iacute;a uma baliza relevante - tanto mais que se traduzira numa mudan&ccedil;a de dinastia. No entanto, n&atilde;o era consensual (lembre-se de novo o caso de Oliveira Martins, que subalternizava esta data).</p>     <p>Ora este debate prolonga-se e alarga-se no s&eacute;culo XX com a revis&atilde;o historiogr&aacute;fica do s&eacute;culo XVII a que procedeu o Integralismo Lusitano e, depois, os historiadores adeptos do Estado Novo: entre outros, Alfredo Pimenta, Ant&oacute;nio Mattoso e Jo&atilde;o Ameal. Nos anos 20, o passado tornava-se um campo decisivo de conflito em que se empenhavam os historiadores. Estava em causa a hegemonia doutrin&aacute;ria no campo da rep&uacute;blica das letras. O seiscentismo foi visto pelos tradicionalistas Manuel M&uacute;rias e Ant&oacute;nio Sardinha como &eacute;poca de ouro da cultura e da l&iacute;ngua portuguesa, de afirma&ccedil;&atilde;o da obra de missiona&ccedil;&atilde;o da Companhia de Jesus e da orienta&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio de Trento (M&uacute;rias, 1923 e Sardinha, 1924) (compreende-se a sua vis&atilde;o muito cr&iacute;tica do pombalismo e da interpreta&ccedil;&atilde;o liberal e laica da hist&oacute;ria de Portugal). Era a &eacute;poca em que estava em voga a segunda escol&aacute;stica, que fundamentara hist&oacute;rica e juridicamente a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640, retomada agora pelos Integralistas como fundamento do seu nacionalismo tradicionalista e contra-revolucion&aacute;rio. Por outro lado, viam na Inquisi&ccedil;&atilde;o um instrumento necess&aacute;rio da unidade religiosa cat&oacute;lica. E a defesa do mito do sebastianismo e da sua fun&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica era um t&oacute;pico comum na cultura hist&oacute;rica da &eacute;poca. Lu&iacute;s Cabral Moncada chegaria a considerar 1640 uma vera &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o intelectual&rdquo;, uma &ldquo;restaura&ccedil;&atilde;o da mentalidade portuguesa&rdquo; que teria marcado o ressurgir do pensamento tradicional portugu&ecirc;s, caracterizado pela teoria neotomista da soberania origin&aacute;ria do povo. Ora, para este professor de Direito, 1640 encerrava uma mensagem de grande atualidade em 1926 pois a situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s seria ent&atilde;o compar&aacute;vel &agrave; de 1580: donde era necess&aacute;rio libertar o pa&iacute;s da hegemonia cultural estrangeira [leia-se do democratismo franc&ecirc;s] (Moncada, 1926-1928, pp. 471-473).<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title=""><sup>[15]</sup></a> Esta revis&atilde;o da narrativa liberal suscitou pol&eacute;micas - as travadas com Ant&oacute;nio S&eacute;rgio foram as mais conhecidas (Ferreira, 1983, pp. 427-469). A leitura que estes intelectuais procediam de 1640 n&atilde;o coincidia com a dos historiadores liberais: para eles a Restaura&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se inscrevia num tempo de decad&ecirc;ncia - era antes um momento alto de refunda&ccedil;&atilde;o nacional num s&eacute;culo que fora de esplendor cultural.</p>     <p>Mas, como vimos atr&aacute;s, a I Rep&uacute;blica j&aacute; procedera a uma valoriza&ccedil;&atilde;o do 1.&ordm; de Dezembro de 1640 - ainda que inscrevendo-o numa outra narrativa, uma narrativa cr&iacute;tica da decad&ecirc;ncia que viria do reinado de D. Manuel, associada &agrave; perda da independ&ecirc;ncia em 1580 - que se prolongava ainda no dec&eacute;nio de 1930 no pr&oacute;prio seio da Sociedade Hist&oacute;rica da Independ&ecirc;ncia (Ferr&atilde;o, 1931, pp. 9-51).</p>     <p>PORQU&Ecirc; O 1.&ordm; DE DEZEMBRO?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Numa primeira leitura, pode parecer contradit&oacute;ria a relev&acirc;ncia que a I Rep&uacute;blica concedeu ao 1.&ordm; de Dezembro na mem&oacute;ria de na&ccedil;&atilde;o, tendo em conta o olhar muito cr&iacute;tico que os historiadores republicanos desenvolveram sobre o Portugal restaurado. Na narrativa constru&iacute;da por estes, a restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 n&atilde;o constitu&iacute;a um modelo legitimador para a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1910. Como explicar ent&atilde;o a centralidade que acabou por adquirir o simbolismo de 1640 na I Rep&uacute;blica? Op&ccedil;&otilde;es pragm&aacute;ticas ter&atilde;o estado na origem da republicaniza&ccedil;&atilde;o desta data que, ao inv&eacute;s de outras n&atilde;o menos significativas, tiveram grande relev&acirc;ncia hist&oacute;rica. Na verdade, ao longo do s&eacute;culo XIX, outros acontecimentos marcantes no percurso hist&oacute;rico nacional como a batalha de Aljubarrota (14 de agosto de 1385) n&atilde;o foram objeto de aten&ccedil;&atilde;o continuada e muito menos de um culto p&uacute;blico persistente, como sucedeu com o 1.&ordm; de Dezembro. A evoca&ccedil;&atilde;o do 14 de agosto, objeto de discretas comemora&ccedil;&otilde;es do V centen&aacute;rio (1885), viria a ser reativada em contextos espec&iacute;ficos, designadamente, no da II Rep&uacute;blica espanhola em 1934-1935. A maior pregn&acirc;ncia e exemplaridade no presente de outros factos e figuras (1.&ordm; de Dezembro, Infante D. Henrique, Cam&otilde;es, etc.) explicar&atilde;o a subalterniza&ccedil;&atilde;o de Aljubarrota, talvez demasiado associada ao culto de Nuno &Aacute;lvares, inc&oacute;modo para algum republicanismo.<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title=""><sup>[16]</sup></a></p>     <p>O culto instalado do 1.&ordm; de Dezembro e a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia de uma sociedade que o dinamizava - a Comiss&atilde;o 1.&ordm; de Dezembro - j&aacute; implantada no terreno desde os anos 60 do s&eacute;culo XIX, e n&atilde;o apenas em Lisboa, bem como o car&aacute;cter unit&aacute;rio do regime instaurado em 1910 ter&atilde;o pesado decisivamente na escolha desta data para Festa da Bandeira. Por outro lado, as exig&ecirc;ncias da circunst&acirc;ncia hist&oacute;rica - os receios da amea&ccedil;a iberista, bem real ainda nos anos 30, como revelaram os estudos de Hip&oacute;lito de la Torre G&oacute;mez (1983) - tornavam a evoca&ccedil;&atilde;o daquele acontecimento de extrema conveni&ecirc;ncia. Sublinhava-se assim a coes&atilde;o nacional em torno de um momento simb&oacute;lico de refunda&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se via a Rep&uacute;blica a si mesma como refunda&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o (Ramos, 1993), do Estado e das virtudes nacionais, inscritas na sua hist&oacute;ria? A republicaniza&ccedil;&atilde;o do 1.&ordm; de Dezembro tinha pois um prop&oacute;sito unanimista e de enraizamento hist&oacute;rico do novo regime. Intentava transformar-se a sua evoca&ccedil;&atilde;o em festa num momento marcante de nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos Portugueses. Era tamb&eacute;m uma resposta nacionalista &agrave;s acusa&ccedil;&otilde;es e suspeitas de que o republicanismo maquinava a integra&ccedil;&atilde;o de Portugal numa federa&ccedil;&atilde;o ib&eacute;rica. Para al&eacute;m disso, em torno de 1640 era plaus&iacute;vel a converg&ecirc;ncia entre nacionalismo republicano e nacionalismo conservador.</p>     <p>Revela-se assim que a mem&oacute;ria cr&iacute;tica que os historiadores republicanos tinham constru&iacute;do de 1640 n&atilde;o pesou nas ritualiza&ccedil;&otilde;es comemorativas desta data. O comemorativismo hist&oacute;rico obedece a uma pol&iacute;tica memorial e a uma l&oacute;gica instrumental de temporaliza&ccedil;&atilde;o social bem diversa das exig&ecirc;ncias do conhecimento hist&oacute;rico. E confirma uma ideia que defendo h&aacute; anos: a de que os historiadores t&ecirc;m por vezes um papel reduzido na constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria das na&ccedil;&otilde;es. Para al&eacute;m da historiografia, outros imperativos pragm&aacute;ticos, ideol&oacute;gicos e pol&iacute;ticos se imp&otilde;em. N&atilde;o raro, as representa&ccedil;&otilde;es do passado s&atilde;o comandadas pela pol&iacute;tica. Por exemplo, em 1915, num discurso pronunciado no parlamento, enquanto presidente da Rep&uacute;blica, Te&oacute;filo Braga estabeleceu uma rela&ccedil;&atilde;o de continuidade entre 1640, 1820, 1836 e 1910, lembrando que em todas estas revolu&ccedil;&otilde;es se teria reivindicado o princ&iacute;pio da soberania nacional, embora logo a seguir &agrave;quelas tr&ecirc;s primeiras datas tivesse sido desvirtuado (<i>Di&aacute;rio da C&acirc;mara dos Senhores Deputados</i>, n.&ordm; 15, 29-05-1915, p. 7). E, em 1917, o historiador Ant&oacute;nio Ferr&atilde;o pronunciou um discurso em que destacou diversas outras datas em que o povo portugu&ecirc;s teria tido protagonismo hist&oacute;rico (1640, 1808-1810, 1847 e 1910). Em 1640 o povo &eacute; que teria salvo a independ&ecirc;ncia de Portugal, tal como em 1910 teria sido o povo a implantar a Rep&uacute;blica (Ferr&atilde;o, 1919, p. 16). Recuperava-se assim a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640, inscrevendo-a numa teoria da hist&oacute;ria marcada por um sentido de progresso ascensional: o protagonismo do povo e do seu direito na defesa da independ&ecirc;ncia nacional. A historiografia era - como n&atilde;o raro sucede - comandada pelos problemas do presente.</p>     <p>N&atilde;o surpreende, pois, que ainda durante a I Rep&uacute;blica e depois no Estado Novo o culto c&iacute;vico do 1.&ordm; de Dezembro se tenha desenvolvido mais do que na Monarquia Constitucional e com uma proje&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica oficial bem mais destacada. &Eacute; certo que republicanos conservadores aderiram &agrave; Comiss&atilde;o 1.&ordm; de Dezembro/Sociedade Hist&oacute;rica da Independ&ecirc;ncia, a par de antigos titulares da nobreza e de homens ligados a este &uacute;ltimo regime e depois do Estado Novo. E foi no seio da Comiss&atilde;o Central 1.&ordm; de Dezembro que em 1922 foi apresentada, pela primeira vez, a proposta de se comemorar conjuntamente a independ&ecirc;ncia de Portugal e a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 no duplo centen&aacute;rio que viria a ocorrer j&aacute; em pleno Estado Novo, em 1940 (Costa, 1940, pp. 141-143, 175-177, 210, 223). Viria a ser o t&atilde;o celebrado dia da Ra&ccedil;a (10 de Junho, suposta data da morte de Cam&otilde;es) inaugurado aquando dos festejos camonianos de 1924, ainda durante a I Rep&uacute;blica, uma r&eacute;plica do dia da Ra&ccedil;a que havia sido institu&iacute;do em Espanha (1918) e nas rep&uacute;blicas hispano-americanas para celebrar a viagem de Colombo (Marcilhacy, 2010, pp. 326-341). N&atilde;o surpreende pois que, a par do 10 de junho, o Estado Novo viesse, logo em 1934, a valorizar a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 como &ldquo;festa da Independ&ecirc;ncia Nacional&rdquo;, tamb&eacute;m institucionalizado como dia da Mocidade Portuguesa (Andrade e Torgal, 2012, p. 106). A mem&oacute;ria p&uacute;blica precisava de grandes consensos. Que melhor sentido unit&aacute;rio de coes&atilde;o nacional poderia ser forjado sen&atilde;o em torno de um historicismo cujo referente maior era a personagem na&ccedil;&atilde;o?</p>     <p>Se a republicaniza&ccedil;&atilde;o do 1.&ordm; de Dezembro partiu do poder pol&iacute;tico, as elites intelectuais e as suas formas associativas tiveram papel destacado na dinamiza&ccedil;&atilde;o de um nacionalismo conservador e historicista, que contribuiria para legitimar o Estado Novo. Entre o historicismo liberal e republicano e o historicismo tradicionalista estabelecia-se assim uma linha de continuidade que, no plano dos projetos pol&iacute;ticos em confronto durante a I Rep&uacute;blica e a Ditadura Militar, n&atilde;o se verificou, haja em vista a rutura na tradi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica liberal que se opera durante este &uacute;ltimo regime. O que mostra bem que, embora sempre em rela&ccedil;&atilde;o com a problem&aacute;tica pol&iacute;tica, a escrita da hist&oacute;ria tem uma din&acirc;mica pr&oacute;pria, independente.<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title=""><sup>[17]</sup></a><b> </b>A republicaniza&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria nacional foi em larga medida anterior a 1910, vem da historiografia liberal e republicana e n&atilde;o ter&aacute; contribu&iacute;do pouco para a hegemonia cultural desta &uacute;ltima, pelo menos at&eacute; aos anos 20.</p>     <p>Historiadores universit&aacute;rios participaram nos debates hist&oacute;ricos a que nos referimos, incluindo o movimento de 1640. Mas a relev&acirc;ncia que adquiriu a Restaura&ccedil;&atilde;o nas pol&iacute;ticas de mem&oacute;ria n&atilde;o deve compreender-se tanto por a&iacute;. Muitos outros agentes culturais contribu&iacute;ram para a constru&ccedil;&atilde;o e a difus&atilde;o da mem&oacute;ria nacional. E no caso da mem&oacute;ria de 1640, &eacute; bem evidente que a atmosfera anti-iberista em que se viveu nos primeiros anos da I Rep&uacute;blica, marcados pelo receio da perda da independ&ecirc;ncia, contribuiu n&atilde;o pouco para o culto dos Restauradores. O problema da legitima&ccedil;&atilde;o do regime relativamente isolado numa Europa ainda dominada por imp&eacute;rios e monarquias tradicionais exigia a evoca&ccedil;&atilde;o de um evento que, apesar de todas os debates anteriores, pudesse ser tomado como refunda&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia. E que h&aacute; muito j&aacute; fosse objeto de ritualiza&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Ora a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1383-85, embora tivesse constitu&iacute;do um momento solar no passado nacional, ou as revolu&ccedil;&otilde;es liberais de 1820 e 1834 enquanto datas relevantes na mem&oacute;ria nacional liberal e republicana estavam longe de ocupar o mesmo lugar no espa&ccedil;o p&uacute;blico. N&atilde;o surpreende pois que, muito para al&eacute;m das diverg&ecirc;ncias interpretativas no campo historiogr&aacute;fico e da diversidade de tend&ecirc;ncias pol&iacute;ticas, o 1.&ordm; de Dezembro fosse tomado pelos republicanos como data emblem&aacute;tica a comemorar - uma mem&oacute;ria em torno da qual quase todos podiam convergir.<a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title=""><sup>[18]</sup></a></p>     <p>Se durante a I Rep&uacute;blica dominou ainda uma narrativa liberal e laica do passado nacional, certo &eacute; que, desde a afirma&ccedil;&atilde;o do Integralismo Lusitano e sobretudo dos anos 20, no contexto de crise do p&oacute;s-guerra, esse c&acirc;none dominante teve de enfrentar a concorr&ecirc;ncia de um tradicionalismo historicista que, no que respeita a t&oacute;picos-chave como <i>progresso, decad&ecirc;ncia </i>ou<i> revolu&ccedil;&atilde;o,</i> propunha uma conce&ccedil;&atilde;o do passado nacional em larga medida oposta: os per&iacute;odos que os liberais e democratas viam como de decad&ecirc;ncia (de meados de Quinhentos &agrave; emerg&ecirc;ncia de Pombal) eram considerados pelos tradicionalistas tempos de esplendor. E os tempos de progresso dos primeiros (despotismo pombalino, revolu&ccedil;&otilde;es liberais e 5 de Outubro) eram para os integralistas e cat&oacute;licos conservadores momentos de decl&iacute;nio, sob o alegado efeito desnacionalizante e dissolvente da ma&ccedil;onaria, do liberalismo e das revolu&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. Estas tend&ecirc;ncias alimentavam nacionalismos historicistas de sinal bem diverso que tamb&eacute;m podem ser observados noutras culturas hist&oacute;ricas europeias como a espanhola, a francesa ou a belga (Berger e Lorenz, 2008). Mas em todas estas culturas, na &eacute;poca em causa - as primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX - est&atilde;o bem presentes a heran&ccedil;a judaico-crist&atilde; (por exemplo nos ciclos de ascens&atilde;o-queda-reden&ccedil;&atilde;o ou no car&aacute;ter messi&acirc;nico que assumem her&oacute;is-s&iacute;mbolo) e inten&ccedil;&otilde;es de (re)nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos respetivas popula&ccedil;&otilde;es. O culto do passado promovido sistematicamente pelo Estado Novo em m&uacute;ltiplas frentes seria em larga medida herdeiro do tradicionalismo integralista. Ainda assim, nele poderiam detetar-se continuidades em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mem&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o promovida pela I Rep&uacute;blica - caso do 1.&ordm; de Dezembro de 1640, aqui considerado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>ALBUQUERQUE, M. de (1930), <i>O Significado das Navega&ccedil;&otilde;es e Outros Ensaios</i>, Lisboa, Soc. Nacional de Tipografia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101525&pid=S0003-2573201800030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALMEIDA, F. (1922-29), <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>, 5 vols., Coimbra, ed. do autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101527&pid=S0003-2573201800030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALMEIDA, F.V. (1911), <i>Hist&oacute;ria Significado e Fun&ccedil;&atilde;o,</i> Coimbra, Imprensa da Universidade.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101529&pid=S0003-2573201800030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALVAREZ JUNCO, J. (2001) <i>Mater</i><i> Dolorosa. La Idea de Espa&ntilde;aen el Siglo XIX</i>, Madrid, Taurus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101531&pid=S0003-2573201800030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDRADE, L. (2001), <i>Hist&oacute;ria e Mem&oacute;ria : a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 : do Liberalismo &agrave;s Comemora&ccedil;&otilde;es Centen&aacute;rias de 1940, </i>Coimbra, Minerva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101533&pid=S0003-2573201800030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ANDRADE, L.O., TORGAL, L.R. (2012), <i>Feriados em Portugal. 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Aillaud e Bertrand.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101539&pid=S0003-2573201800030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BERGER, S., LORENZ, C. (eds.) (2008), <i>The Contested Nation. Ethnicity, Class, Religion and Gender in National Histories</i>, Basingstoke, Palgrave MacMillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101541&pid=S0003-2573201800030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BRITO, R. (2012), <i>A Sociedade Portuguesa de Estudos Hist&oacute;ricos no Contexto Historiogr&aacute;fico Nacional</i>, Lisboa, Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101543&pid=S0003-2573201800030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BUESCU, A.I. (1987), <i>O Milagre de Ourique e a Hist&oacute;ria de Portugal de Alexandre Herculano: uma Pol&eacute;mica Oitocentista</i>, Lisboa, INIC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101545&pid=S0003-2573201800030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CAETANO, M. (1927), &ldquo;A Restaura&ccedil;&atilde;o de Portugal&rdquo;. <i>Ordem Nova</i>, n.&ordm; 10, Nov./Dez. 1927, pp. 303-315.</p>     <p>CAMPOS, A. de (1925), &ldquo;Sobre a ‘decad&ecirc;ncia' e a ‘ignor&acirc;ncia' da Espanha&rdquo;. <i>Lusit&acirc;nia</i>, vol. III, fasc.VII.</p>     <p>CARDOSO, A.M. (2017), &ldquo;Biografia e hist&oacute;ria&rdquo;. <i>In</i> S.C. Matos (coord.), <i>Dicion&aacute;rio de Historiadores Portugueses. </i>Dispon&iacute;vel em <a href="http://dichp.bnportugal.pt/tematicas/tematicas_biografia_hist.htm" target="_blank">http://dichp.bnportugal.pt/tematicas/tematicas_biografia_hist.htm</a> (consultado em 25.10.2017).</p>     <!-- ref --><p>CATROGA, F. (1991), <i>O Republicanismo em Portugal, da Forma&ccedil;&atilde;o ao 5 de Outubro de 1910</i>, vol.II, Coimbra, FLUC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101550&pid=S0003-2573201800030000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CATROGA, F. (1996), &ldquo;Ritualiza&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria&rdquo;. <i>In</i> L.R. Torgal et al., <i>Hist&oacute;ria da Hist&oacute;ria em Portugal nos S&eacute;culos XIX e XX</i>, Lisboa, Circulo de Leitores, pp. 567-579.</p>     <!-- ref --><p>CEREJEIRA, M. 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(1912), &ldquo;A Renascen&ccedil;a Portuguesa e o ensino da hist&oacute;ria p&aacute;tria&rdquo;. <i>A &Aacute;guia</i>, 1.&ordf; s&eacute;rie, n.&ordm; 9, pp. 118-124.</p>     <!-- ref --><p>CORTES&Atilde;O, J. (1925), <i>A Tomada e Ocupa&ccedil;&atilde;o de Ceuta</i>, Lisboa, Imp. Limitada.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101558&pid=S0003-2573201800030000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COSTA, E.A.R. da (1940), <i>Hist&oacute;ria da Sociedade Hist&oacute;rica da Independ&ecirc;ncia de Portugal 1861 a 1940</i>, Lisboa, s.n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101560&pid=S0003-2573201800030000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIAS, C.M. (1921), <i>Hist&oacute;ria da Coloniza&ccedil;&atilde;o Portuguesa do Brasil</i>, vol. I, Porto, Lit. Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101562&pid=S0003-2573201800030000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>ESTEBAN DE VEGA, M., CASTRO-IBASETA (2010), &ldquo;Espa&ntilde;a&rdquo;. <i>In</i> I. Porciani e L. Raphael, <i>Atlas of European Historiography</i>, Londres, Palgrave Macmillan/ESF, pp. 124-130.</p>     <!-- ref --><p>FERR&Atilde;O, A. (1919), <i>A Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640</i>, Lisboa, Tip. Emp. Di&aacute;rio de Not&iacute;cias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101565&pid=S0003-2573201800030000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>FERR&Atilde;O, A. (1931), &ldquo;A perda da independ&ecirc;ncia e a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640. As li&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria&rdquo;. <i>Anais da Sociedade Hist&oacute;rica da Independ&ecirc;ncia de Portugal</i>, Lisboa, Ed. da SHIP, pp. 9-51.</p>     <p>FERREIRA, O. da C.F. (1983), &ldquo;Ant&oacute;nio S&eacute;rgio e os Integralistas&rdquo;. <i>Revista de Hist&oacute;ria das Ideias</i>, 5 (1), pp. 427-469.</p>     <p>FORTES, A. (1930), &ldquo;A vida pol&iacute;tica do povo portugu&ecirc;s, de 1500 a 1820&rdquo;. <i>In</i> L. de Montalvor (ed.), <i>Hist&oacute;ria do Reg&iacute;men Republicano em Portugal</i>,<i> </i>vol. I, Lisboa, Ed. &Aacute;tica.</p>     <!-- ref --><p>HARTOG, F. (2003), <i>Regimes d'historicit&eacute;. 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From Scientific Objectivity to the Postmodern Chalenge</i>, Hanover e Londres, Wesleyan University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101574&pid=S0003-2573201800030000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>JO&Atilde;O, M. I. (2002), <i>Mem&oacute;ria e Imp&eacute;rio</i>, Lisboa, FCG/FCT.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101576&pid=S0003-2573201800030000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KRACAUER, S. (2006), <i>L'histoire</i><i> des avant-derni&egrave;reschoses</i>, Paris, Ed. Stock.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101578&pid=S0003-2573201800030000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LOBO, A.S. Costa (1979 [1909], <i>Origens do Sebastianismo</i>, Lisboa, Livraria Moderna.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101580&pid=S0003-2573201800030000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MACEDO, J.B. (1983), &ldquo;Significado e evolu&ccedil;&atilde;o das pol&eacute;micas de Ant&oacute;nio S&eacute;rgio. A ideologia da raz&atilde;o<i>&rdquo;. Revista de Hist&oacute;ria das Ideias</i>, 5 (1), Coimbra, pp. 471-531.</p>     <p>MACEDO, J.B. (1990), &ldquo;Jo&atilde;o L&uacute;cio de Azevedo o seu tempo e a sua obra&rdquo;. <i>Elementos para a Hist&oacute;ria Econ&oacute;mica de Portugal S</i>&eacute;culos XII a XVII, 2.&ordf; ed., Lisboa, INAPA.</p>     <!-- ref --><p>MACHADO, F.F. (1927), <i>Hist&oacute;ria de Portugal. S&uacute;mula das Li&ccedil;&otilde;es Magistrais de Hist&oacute;ria de Portugal</i> <i>1.&ordm; ano pelo Exmo. Prof. D. Manuel Gon&ccedil;alves Cerejeira</i>, Coimbra, s.n.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101584&pid=S0003-2573201800030000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MARCILHACY, D. (2010), <i>Raza</i><i> hispana. Hispanoamericanismo e imagin&aacute;rio nacional en la Espa&ntilde;a de la Restauraci&oacute;n</i>, Madrid, CEPC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101586&pid=S0003-2573201800030000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARTINS, J.P. de O. (s.d. [1879]), <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i> (ed. cr&iacute;tica de Martim de Albuquerque e Isabel F. Albuquerque), vol. II, Lisboa, INCM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101588&pid=S0003-2573201800030000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATOS, S.C. (1990) <i>Hist&oacute;ria, Mitologia, Imagin&aacute;rio Nacional. A Hist&oacute;ria no Curso dos Liceus (1895-1939)</i>, Lisboa, Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101590&pid=S0003-2573201800030000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATOS, S.C. (1998), <i>Historiografia e Mem&oacute;ria Nacional no Portugal Oitocentista (1846-1898)</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101592&pid=S0003-2573201800030000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MATOS, S.C. (2015) &ldquo;&iquest;C&oacute;mo convivir con la p&eacute;rdida? Historiograf&iacute;a, conciencia hist&oacute;rica y pol&iacute;tica en Portugal dentro del contexto peninsular&rdquo;. <i>In</i> C. Forcadell et al. (eds.), <i>El pasado en construcci&oacute;n. Revisionismos hist&oacute;ricos en la historiograf&iacute;a</i>contempor&acirc;nea, Sarago&ccedil;a, Instituci&oacute;n Fernando el Cat&oacute;lico, pp. 249-274</p>     <p>MATOS, S.C., FREITAS, J. (2010) &ldquo;Portugal&rdquo;. <i>In</i> I. Porciani e L. Raphael, <i>Atlas of European Historiography</i>, Londres, Palgrave Macmillan/ESF, pp. 122-124.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MEDINA, J. (1993), &ldquo;A bandeira republicana: de pend&atilde;o insurrecto a bandeira nacional&rdquo;. <i>In</i> J. Medina (dir.), <i>Hist&oacute;ria de Portugal, </i>vol. X. t. I, Alfragide, Ediclube, pp. 143-193.</p>     <p>MEN&Eacute;NDEZ PELAYO (1941),&ldquo;Brindis del retiro&rdquo;. <i>In</i> E. S&aacute;nchez Reyes (ed.), <i>Estudios</i><i> y discursos de cr&iacute;tica hist&oacute;rica y literaria</i>, vol. III, Santander, Aldus S.A., (1881), pp. 385-387.</p>     <p>MONCADA, L.C. (1926-1928), &ldquo;1640…Restaura&ccedil;&atilde;o do pensamento pol&iacute;tico portugu&ecirc;s&rdquo;. <i>Boletim da Faculdade de Direito</i>, ano X, pp. 447-477.</p>     <!-- ref --><p>M&Uacute;RIAS, M. (1923), <i>O Seiscentismo em Portugal</i>, Lisboa, Tip. Gazeta dos Caminhos de Ferro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101599&pid=S0003-2573201800030000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>OLIVEIRA, A. de (2011), &ldquo;Seis d&eacute;cadas de hist&oacute;ria na Faculdade de Letras de Coimbra (1911-1970). Um esbo&ccedil;o de tend&ecirc;ncias&rdquo;. <i>Revista Portuguesa de Hist&oacute;ria</i>, XLII, pp. 11-60.</p>     <!-- ref --><p>PIMENTA, A. (1935), <i>Novos Estudos Filos&oacute;ficos e Cr&iacute;ticos</i>, Lisboa, Imprensa Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101602&pid=S0003-2573201800030000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>QUENTAL, A. de (s.d. [1871]), <i>Prosas S&oacute;cio-Pol&iacute;ticas</i>, ed. de Joel Serr&atilde;o, Lisboa, INCM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101604&pid=S0003-2573201800030000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>RAMOS, R. (1993), <i>A Segunda Funda&ccedil;&atilde;o, Hist&oacute;ria de Portugal, </i>dir. Jos&eacute; Mattoso, Lisboa, C&iacute;rculo de Leitores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101606&pid=S0003-2573201800030000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RAPHAEL, L. (2012) <i>La ciencia hist&oacute;rica en la era de los extremos</i>, Zaragoza, Inst. Fernando el Catolico.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101608&pid=S0003-2573201800030000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RUIZ TORRES, P. (ed.) (2000), <i>Discursos sobre la Historia. La Historia en la Universidad de Valencia</i>, Valencia, Universitat de Val&egrave;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101610&pid=S0003-2573201800030000200052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SALOM&Oacute;N CH&Eacute;LIZ, M.P. (2009) &ldquo;Republicanismo e identidad nacional espa&ntilde;ola: la republica como ideal integrador y salv&iacute;fico de la naci&oacute;n&rdquo;. <i>In</i> C. Forcadell et al. (ed.), <i>Discursos de Espa&ntilde;aen el Siglo XX</i>, Val&ecirc;ncia, PUV, pp. 35-64.</p>     <!-- ref --><p>SARDINHA, A. (1915), <i>O Valor da Ra&ccedil;a</i>, Lisboa, Almeida, Miranda e Sousa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101613&pid=S0003-2573201800030000200054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SARDINHA, A. (1922) &ldquo;Quest&otilde;es de hist&oacute;ria&rdquo;. <i>Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>, II s&eacute;rie, 5, pp. 230-240.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SARDINHA, A. (1924) &ldquo;O s&eacute;culo XVII&rdquo;. <i>Lusit&acirc;nia</i>, fasc. I, pp. 57-78.</p>     <!-- ref --><p>SARDINHA, A. (1940 [1918])<i>, Ao Princ&iacute;pio era o Verbo</i>, 2.&ordf; ed., Lisboa, Ed. Gama.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101617&pid=S0003-2573201800030000200057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>S&Eacute;RGIO, A. (1915), <i>Considera&ccedil;&otilde;es Hist&oacute;rico-Pedag&oacute;gicas</i>, Lisboa, Renascen&ccedil;a Portuguesa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101619&pid=S0003-2573201800030000200058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SEVERO, R. (1911), <i>Origens da Nacionalidade Portuguesa</i>, Lisboa, A.M. Teixeira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101621&pid=S0003-2573201800030000200059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, J.S. e (1926)<i>, A Ci&ecirc;ncia Social na Educa&ccedil;&atilde;o e na Hist&oacute;ria</i>, Coimbra, Coimbra Ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101623&pid=S0003-2573201800030000200060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SOBRAL, J.M. (2004), &ldquo;O norte, o sul, a ra&ccedil;a, a na&ccedil;&atilde;o - representa&ccedil;&otilde;es da identidade nacional portuguesa (s&eacute;culos XIX e XX)&rdquo;. <i>An&aacute;lise Social</i>, XXXIX (171), pp. 255-284.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SOBRAL, J.M (2012), <i>Portugal</i> <i>Portugueses: uma Identidade Nacional</i>, Lisboa, Funda&ccedil;&atilde;o Francisco M. Santos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101626&pid=S0003-2573201800030000200062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TEIXEIRA, N.S<i>. </i>(2015), <i>Her&oacute;is do Mar. Hist&oacute;ria dos S&iacute;mbolos Nacionais, </i>Lisboa, A Esfera dos Livros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101628&pid=S0003-2573201800030000200063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TORGAL, L.R (1980), <i>Ideologia Pol&iacute;tica e Teoria do Estado na Restaura&ccedil;&atilde;o</i>, vol. I, Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101630&pid=S0003-2573201800030000200064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>TORGAL, L.R. (1976), &ldquo;A Restaura&ccedil;&atilde;o. Breves reflex&otilde;es sobre a sua historiografia&rdquo;. <i>Revista de Hist&oacute;ria das Ideias, </i>vol. 1, <a href="https://doi.org/10.14195/2183-8925_1_2" target="_blank">https://doi.org/10.14195/2183-8925_1_2</a>.</p>     <!-- ref --><p>TORRE G&Oacute;MEZ, H. (1983), <i>Antagonismo y fractura peninsular Espa&ntilde;a-Portugal 1910-1919</i>, Madrid, Espasa-Calpe.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101633&pid=S0003-2573201800030000200066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TRAVERSO, E. (2005) <i>Le pass&eacute;, modes d'emploi. Histoire, m&eacute;moire, politique</i>, Paris, La Fabrique.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101635&pid=S0003-2573201800030000200067&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VERTOT, A.<i> </i>(1815)<i> Hist&oacute;ria das Revolu&ccedil;&otilde;es de Portugal</i> <i>escrita em franc&ecirc;s pelo Abade Vertot</i> (trad. Fr. Mateus da Assun&ccedil;&atilde;o), Lisboa, Tip. Rollandiana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=101637&pid=S0003-2573201800030000200068&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> Recebido a 12-12-2016. </p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o a 289-12-2017.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""><sup>[1]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em 1955, em Portugal o n&uacute;mero de professores universit&aacute;rios de hist&oacute;ria n&atilde;o ultrapassava os 10, quando em Espanha j&aacute; alcan&ccedil;ava o n&uacute;mero de 62. Para Espanha cf. Esteban de Vega e Castro-Ibaseta (2010, p. 129).</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""><sup>[2]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi vereador&nbsp;e&nbsp;Presidente da C&acirc;mara Municipal de Lisboa, deputado&nbsp;nas Constituintes de&nbsp;1911&nbsp;e presidente do Senado da Rep&uacute;blica.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""><sup>[3]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ou at&eacute; da diferencia&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica e cultural entre o Norte e o Sul de Portugal: caso de Alberto Sampaio ou de Bas&iacute;lio Teles. Veja-se a este respeito Sobral (2004).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title=""><sup>[4]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lembre-se, a t&iacute;tulo de exemplo, o emblem&aacute;tico monumento &agrave; mem&oacute;ria da Maria da Fonte (1921), erigido no Jardim da Parada (Pra&ccedil;a Te&oacute;filo Braga), em Campo de Ourique, em Lisboa.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title=""><sup>[5]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por exemplo, as s&eacute;ries dedicadas &agrave; travessia do Atl&acirc;ntico 1500-1922 (1923, alusiva &agrave; primeira viagem a&eacute;rea de Gago Coutinho e Sacadura Cabral Lisboa-Rio de Janeiro), &ldquo;Cam&otilde;es&rdquo;, comemorando o centen&aacute;rio do nascimento do poeta (1924) e a s&eacute;rie &ldquo;Independ&ecirc;ncia&rdquo; (1926-1927), com representa&ccedil;&otilde;es iconogr&aacute;ficas de figuras hist&oacute;ricas como Afonso Henriques, Gon&ccedil;alo Mendes da Maia, D. Jo&atilde;o IV, incluindo uma figura m&iacute;tica como a Padeira de Aljubarrota (D. Brites de Almeida), monumentos (castelo de Guimar&atilde;es e monumento &agrave; mem&oacute;ria dos Restauradores, em Lisboa) e batalhas (Aljubarrota e Montijo). Veja-se <a href="http://www.stampsportugal.com/index.php?main_page=index&cPath=5" target="_blank">http://www.stampsportugal.com/index.php?main_page=index&amp;cPath=5</a> ) (consultado a 10-12-2016).</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title=""><sup>[6]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vejam-se, por exemplo, os peri&oacute;dicos <i>A &Aacute;guia</i> e <i>A Vida Portuguesa</i>. Sobre o ensino da hist&oacute;ria cf. Matos (1990).</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title=""><sup>[7]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um exemplo &eacute; a sua posi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica sobre D. Miguel, defendendo a legitimidade de D. Pedro e de D. Maria. O que lhe valeria uma dura cr&iacute;tica de Caetano Beir&atilde;o em &ldquo;O problema da sucess&atilde;o do rei D. Jo&atilde;o VI na &ldquo;Hist&oacute;ria de Portugal do Sr. Fortunato de Almeida&rdquo;, <i>Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>, VII, fasc. II, 1932, 81 e ss.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title=""><sup>[8]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A <i>Hist&oacute;ria de Espa&ntilde;a</i> de Ballesteros teve tamb&eacute;m uma rece&ccedil;&atilde;o muito favor&aacute;vel na <i>Revista de Hist&oacute;ria</i> dirigida por Fidelino de Figueiredo: cf. n.&ordm; 15, 1916, pp. 311-312. Mas viria a ser muito criticada na sua vis&atilde;o sobre Portugal por Alfredo Pimenta (1930, pp. 200-203). </p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title=""><sup>[9]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Veja-se a este respeito a cr&iacute;tica de Enzo Traverso (2005, pp.108-119).</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title=""><sup>[10]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para um ponto de vista cr&iacute;tico a este respeito, veja-se Jorge Borges de Macedo &ldquo;Estrangeirados, um conceito a rever&rdquo;, Braga, Sep. de <i>Bracara Augusta</i>, 1974.</p>     <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title=""><sup>[11]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Veja-se Matos (1998, pp. 384-471) e Cardoso (2017).</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title=""><sup>[12]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &ldquo;1.&ordm; de Dezembro&rdquo;. <i>O S&eacute;culo</i>, 1-12-1914, p. 4; &ldquo;1.&ordm; de Dezembro. A festa da bandeira&rdquo;. <i>O S&eacute;culo</i>, 3-12-1914, p. 2.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title=""><sup>[13]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Note-se, contudo, que o Abade Vertot alterara o t&iacute;tulo da 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o que era <i>Histoire de la conjuration du Portugal</i> para <i>Histoire d&ecirc;s revolutions du Portugal</i>, por pensar que o termo <i>conjura&ccedil;&atilde;o</i> n&atilde;o era adequado - remetia apenas para a restitui&ccedil;&atilde;o do trono a um pr&iacute;ncipe (Vertot, 1815).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title=""><sup>[14]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &ldquo;Manifesta&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica&rdquo;. <i>A P&aacute;tria</i>, Lisboa, 12-11-1890.</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title=""><sup>[15]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vd. tamb&eacute;m Torgal (1980, pp. 31-34). De grande interesse &eacute; tamb&eacute;m um controverso artigo de Marcelo Caetano (reproduz um discurso pronunciado a 1 de Dezembro de 1927 na Juventude Cat&oacute;lica de Lisboa): nele o jovem Marcelo, muito marcado pelo ide&aacute;rio de Ant&oacute;nio Sardinha, caracterizava o reinado de Filipe II - que considerava a &ldquo;&uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o leg&iacute;tima e (…) consent&acirc;nea com os interesses nacionais&rdquo; - como uma monarquia dualista e tamb&eacute;m valorizava o papel da doutrina pol&iacute;tica pactista neo-escol&aacute;stica e a fun&ccedil;&atilde;o social de mitos como o de Ourique e o sebastianismo na restaura&ccedil;&atilde;o de 1640 (Caetano, 1927).</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title=""><sup>[16]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Catroga (1996, p.578) e Andrade e Torgal (2012, pp. 76 e 103-104).</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title=""><sup>[17]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Exemplo disso, entre outros, &eacute; a obra de Jo&atilde;o L&uacute;cio de Azevedo. Veja-se Macedo (1990).</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title=""><sup>[18]</sup></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Excetuando os cr&iacute;ticos de um patriotismo ret&oacute;rico e os adeptos de um certo iberismo cultural.</p>      ]]></body><back>
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