<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732018000300012</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.31447/as00032573.2018228.12</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Educação 30 anos de Lei de Bases]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Resende]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Manuel]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas CICS.NOVA]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<numero>228</numero>
<fpage>793</fpage>
<lpage>801</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732018000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732018000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732018000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RECENS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>RODRIGUES, Maria de Lurdes et al.</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Educa&ccedil;&atilde;o 30 anos de Lei de Bases</b></font></p>     <p>Lisboa, Editora Mundos Sociais, 2016, pp.</p>     <p>ISBN 9789898536556</p>     <p><b>Jos&eacute; Manuel Resende*</b></p>     <p>*CICS.NOVA, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Avenida Berna 26 C, 1069-061 Lisboa, Portugal, <a href="mailto:josemenator@gmail.com">josemenator@gmail.com</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A obra <i>Educa&ccedil;&atilde;o 30 anos de Lei de Bases</i> &eacute; um livro escrito por uma equipa de soci&oacute;logos que trabalham ou que mant&ecirc;m uma liga&ccedil;&atilde;o com o Instituto de Ci&ecirc;ncias do Trabalho e da Empresa do Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa. Uma parte significativa dos membros desta equipa &eacute; composta por investigadores do CIES-IUL. O livro &eacute; editado em 2016 e tem o prop&oacute;sito de comemorar os 30 anos da publica&ccedil;&atilde;o da Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei n.&ordm; 46, promulgada pelo parlamento portugu&ecirc;s a 14 de outubro de 1986. Sendo este o objetivo do livro, a celebra&ccedil;&atilde;o do ato legislativo acaba por ser o melhor pretexto para, a partir dele, os autores, sob a coordena&ccedil;&atilde;o de Maria de Lurdes Rodrigues, fazerem uma identifica&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise das quest&otilde;es pol&iacute;ticas emanadas pelas Bases do Sistema Educativo portugu&ecirc;s aprovadas pelo conjunto dos deputados dos partidos que na altura t&ecirc;m assento na Assembleia da Rep&uacute;blica. Em certo sentido, a import&acirc;ncia desta Lei &eacute; a de consagrar um conjunto de princ&iacute;pios pol&iacute;ticos que s&atilde;o comummente aceites por todos os membros da C&acirc;mara Legislativa portuguesa. Isto significa que os referidos princ&iacute;pios outorgados pelo Estado e inscritos nesta Lei resultam de um trabalho de coordena&ccedil;&atilde;o efetivo entre todos, de modo a p&ocirc;r em letra de lei os principais normativos que devem nortear as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educativas. Neste sentido, esta lei configura-se como uma magna carta que identifica quais os fundamentos doutrin&aacute;rios que t&ecirc;m de regular a constru&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o do sistema p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o, quer ao n&iacute;vel da rede escolar, quer ao n&iacute;vel do acesso e do sucesso das aprendizagens oferecidas pela escola, quer ainda ao n&iacute;vel da arquitetura da gest&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o do sistema educativo nas suas diversas vertentes. Por outro lado, &eacute; desejo do legislador que amplos corpos sociais participem e se envolvam nas m&uacute;ltiplas atividades e tarefas ligadas de um lado &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, mas do outro lado &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o e &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es do Sistema Educativo P&uacute;blico portugu&ecirc;s que n&atilde;o ponham em causa as traves mestras ali consignadas. </p>     <p>Dito assim, fica claro para o leitor que, para interpretar as consequ&ecirc;ncias produzidas pela aprova&ccedil;&atilde;o e promulga&ccedil;&atilde;o desta Lei de Bases do Sistema Educativo, os seus efeitos encontram ra&iacute;zes na historicidade da escolariza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica portuguesa das &uacute;ltimas d&eacute;cadas do Estado Novo at&eacute; aos prim&oacute;rdios da Reforma Educativa desenvolvida num dos governos chefiados por Cavaco Silva sob a coordena&ccedil;&atilde;o do ministro Roberto Carneiro. Mas este &eacute; s&oacute; um dos &acirc;ngulos explorado pelos autores deste livro. O outro &acirc;ngulo &eacute; o dos debates pol&iacute;ticos proporcionados pela aplica&ccedil;&atilde;o posterior da Lei, discuss&otilde;es e controv&eacute;rsias havidas dentro e fora das equipas dos governos constitucionais e dos membros do parlamento entre a data da sua publica&ccedil;&atilde;o e o ciclo pol&iacute;tico ocorrido em Portugal ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o da <i>Troika</i>. Dito por outras palavras, dos prop&oacute;sitos de quem resolve p&ocirc;r em marcha este livro que pretende comemorar a magna carta educativa estabelecida em 1986, saliento a sua sagacidade de olhar para o objeto, n&atilde;o descurando a hist&oacute;ria da escolariza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica portuguesa que antecede a data desta carta, para depois acompanhar os desenhos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educativas, que nos sucessivos governos constitucionais em fun&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s esta data ensaiam aplicar os normativos acordados e ali inscritos em corpo de Lei. Assim, para se entender como se chega ao acordo pol&iacute;tico fechado pela publica&ccedil;&atilde;o da Lei de Bases do Sistema Educativo em 1986 &eacute; fundamental sistematizar um conjunto de problemas educacionais que resultam das transforma&ccedil;&otilde;es observadas no Sistema Educativo portugu&ecirc;s desde os anos 50 do s&eacute;culo XX - em pleno per&iacute;odo do Estado Novo - at&eacute; &agrave; primeira d&eacute;cada, ap&oacute;s a refunda&ccedil;&atilde;o da democracia em Abril de 1974. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quais s&atilde;o os problemas p&uacute;blicos identificados pelos autores do livro e que est&atilde;o na origem da cria&ccedil;&atilde;o da Lei de 1986? N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel apontar e tratar todos aqueles que s&atilde;o trazidos aos leitores por quem escreve o livro. Para facilitar a tarefa anal&iacute;tica, e n&atilde;o ignorando os problemas assinalados, dirijo a minha aten&ccedil;&atilde;o a dois dos princ&iacute;pios que alimentam as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educacionais em toda a &eacute;poca moderna, mesmo neste ciclo que denomino como a era da modernidade liberal alargada (Wagner, 1986). Tendo no esp&iacute;rito a decis&atilde;o tomada pelo racioc&iacute;nio que me leva a esse ju&iacute;zo, d&aacute;-se conta de imediato de uma quest&atilde;o que est&aacute; recorrentemente presente nas agendas p&uacute;blicas. Essa quest&atilde;o prende-se com a defini&ccedil;&atilde;o dos anos a que deve corresponder a <i>escolaridade obrigat&oacute;ria</i>. Ora desde os anos 50 do s&eacute;culo passado que as equipas ministeriais, os pol&iacute;ticos com assento na Assembleia Nacional, mas tamb&eacute;m os t&eacute;cnicos presentes na c&acirc;mara corporativa fazem deste problema objeto de discuss&atilde;o. &Eacute; certo que tamb&eacute;m por parte das ag&ecirc;ncias internacionais, em particular da OCDE, h&aacute; press&atilde;o para que os Estados tomem em considera&ccedil;&atilde;o a quest&atilde;o. Ao longo de toda a obra este problema est&aacute; presente, e &agrave; medida que o princ&iacute;pio &eacute; posto em a&ccedil;&atilde;o h&aacute; molduras pol&iacute;ticas que s&atilde;o ensaiadas e aparecem resignificadas nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Por exemplo, se ap&oacute;s a refunda&ccedil;&atilde;o da democracia, a c&acirc;mara corporativa desaparece da arquitetura pol&iacute;tica, h&aacute; outras organiza&ccedil;&otilde;es que passam a dispor de espa&ccedil;o e tempo para a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Os sindicatos s&atilde;o uma dessas organiza&ccedil;&otilde;es. Mas n&atilde;o s&atilde;o as &uacute;nicas. Os pr&oacute;prios minist&eacute;rios v&atilde;o sendo equipados por equipas t&eacute;cnicas que trabalham com o prop&oacute;sito de contribu&iacute;rem na defini&ccedil;&atilde;o das medidas necess&aacute;rias para a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio. Estas equipas aparecem ainda nos &uacute;ltimos governos do Estado Novo, em particular, no governo do ministro Veiga Sim&atilde;o (Resende, 2003). No entanto, &eacute; com a democratiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que se aceleram as m&aacute;quinas destinadas a trabalhar os processos de categoriza&ccedil;&atilde;o, classifica&ccedil;&atilde;o e hierarquiza&ccedil;&atilde;o dos problemas, dos seus dados e informa&ccedil;&otilde;es consideradas cred&iacute;veis para a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas identificados. &Eacute; por todas estas raz&otilde;es que a defini&ccedil;&atilde;o e a an&aacute;lise deste princ&iacute;pio &eacute; fundador daquilo que &eacute; poss&iacute;vel designar como processo de escolariza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica moderna. Sem a defini&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o pelo Estado deste princ&iacute;pio, a escolariza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica ou n&atilde;o tinha existido, ou deixa de fazer sentido constitucional. E interessa ressalvar que a obrigatoriedade delimitada pelo Estado para que todos os cidad&atilde;os estejam inclu&iacute;dos no sistema educativo p&uacute;blico, em cada um dos seus momentos hist&oacute;ricos, apresenta pelo menos dois significados compostos, isto &eacute;, combinados. De um lado, aparece como um dispositivo regulador defendido pelas inst&acirc;ncias estatais, nomeadamente as de cariz republicana. Isto significa que para que os cidad&atilde;os se autonomizem e se responsabilizem pelos seus atos, no presente, mas tamb&eacute;m projetados no futuro, cada um e todos devem fazer o esfor&ccedil;o, com os sacrif&iacute;cios conhecidos, para se matricularem na escola (ato mediado pelos pais) e ali permanecerem at&eacute; &agrave; conclus&atilde;o dos anos da escolaridade obrigat&oacute;ria. Mas por outro lado &eacute; igualmente um dispositivo protetor e emancipador, uma vez que responsabiliza o mesmo Estado a criar todas as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e materiais para que todos os indiv&iacute;duos com a idade escolar delimitada pelos anos que comp&otilde;em a escolaridade obrigat&oacute;ria, definida em cada momento, possam efetivamente estar na escola e realizar nela o trajeto escolar com o selo de obrigat&oacute;rio. E &eacute; porque a sua norma contempla em simult&acirc;neo estes dois sentidos que ela tem sido politicamente controversa ao longo de toda a hist&oacute;ria moderna da escolariza&ccedil;&atilde;o, em particular, no momento em que esta apresenta a configura&ccedil;&atilde;o habitualmente nomeada como &ldquo;forma escolar moderna&rdquo; (Vincent, 1994). </p>     <p>A este primeiro princ&iacute;pio junta-se outro que surge na sequ&ecirc;ncia do primeiro. Falo do princ&iacute;pio da igualdade de oportunidades. No que toca a Portugal, pese embora a quest&atilde;o tenha sido objeto de debate na I Rep&uacute;blica e nos primeiros anos da Ditadura Militar (1926-1933) (Resende, 2003), este princ&iacute;pio adquire uma maior express&atilde;o p&uacute;blica nos &uacute;ltimos anos do Estado Novo, nomeadamente, aquando da apresenta&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o dos tra&ccedil;os gerais da Reforma Veiga Sim&atilde;o. Ap&oacute;s a refunda&ccedil;&atilde;o do Estado democr&aacute;tico em 1974, o princ&iacute;pio da igualdade de oportunidades escolares apresenta-se cada vez mais como um dos problemas p&uacute;blicos mais destacados, naquilo que diz respeito &agrave; esfera educativa. Ao longo da hist&oacute;ria mais recente da escolariza&ccedil;&atilde;o portuguesa, dos anos 50 at&eacute; &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o da Lei de Bases do Sistema Educativo portugu&ecirc;s, o questionamento &agrave; volta quer da qualifica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio, quer das normas e regras da sua aplica&ccedil;&atilde;o, &eacute; permanente, vivo e apaixonado. &Eacute; uma quest&atilde;o p&uacute;blica que vai mobilizar distintos atores individuais e coletivos, e apresenta-se como objeto de debate em diferentes f&oacute;runs, para al&eacute;m das arenas p&uacute;blicas onde habitualmente o problema &eacute; discutido - das arenas sindicais &agrave;s arenas partid&aacute;rias; das arenas governativas &agrave;s arenas parlamentares, seguindo os diversos ciclos pol&iacute;ticos de Abril de 74 at&eacute; &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do primeiro governo com maioria parlamentar de um s&oacute; partido (PSD). Se as ra&iacute;zes nacionais da intensifica&ccedil;&atilde;o e do alargamento do debate sobre a democratiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem ser desprezadas, &eacute; importante tamb&eacute;m afirmar que aquelas n&atilde;o brotam das agendas p&uacute;blicas de forma inaugural, resultante exclusivamente de opera&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas automobilizadas por atores individuais e em coletivos como notoriedade p&uacute;blica. As discuss&otilde;es s&atilde;o tamb&eacute;m animadas em resultado do conhecimento p&uacute;blico de relat&oacute;rios de ag&ecirc;ncias internacionais que v&atilde;o dando conta, por compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses, do atraso da escolariza&ccedil;&atilde;o portuguesa, e ao facto de o problema estar ligado &agrave; inexist&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que tomem medidas para a sua expans&atilde;o, com resultados efetivos, quer em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das taxas de analfabetismo, quer em rela&ccedil;&atilde;o ao cumprimento da escolaridade obrigat&oacute;ria, com a diminui&ccedil;&atilde;o do excessivo n&uacute;mero de alunos que abandonam precocemente a escolariza&ccedil;&atilde;o, quer ainda com a aten&ccedil;&atilde;o acrescida para taxas de insucesso escolar que s&atilde;o consideradas como demasiadamente elevadas, e que levam ao questionamento sobre a efici&ecirc;ncia do Sistema de Ensino. Para al&eacute;m dos impactos p&uacute;blicos destes relat&oacute;rios conv&eacute;m destacar as consequ&ecirc;ncias para estas discuss&otilde;es p&uacute;blicas de estudos que v&atilde;o sendo publicados em revistas nacionais, em particular na Revista <i>An&aacute;lise Social</i>. A partir dos anos 60 e ap&oacute;s a refunda&ccedil;&atilde;o da democracia portuguesa esta revista apresenta aos p&uacute;blicos, acad&eacute;micos e outros, um conjunto de artigos que mostram que um dos efeitos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educativas &eacute; justamente a quest&atilde;o das desigualdades de acesso e de sucesso escolar. Conv&eacute;m tamb&eacute;m referir que o questionamento do problema das desigualdades escolares e sociais, das suas origens e das suas consequ&ecirc;ncias na sociedade portuguesa, est&aacute; tamb&eacute;m presente em outras revistas de Sociologia que entretanto aparecem na academia portuguesa. Para n&atilde;o ser exaustivo, saliento as revistas <i>Sociologia - Problemas e Pr&aacute;ticas</i>, a <i>Revista Cr&iacute;tica das Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, o <i>Caderno das Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, o <i>F&oacute;rum Sociol&oacute;gico</i> e a <i>Sociologia.</i> Finalmente, a forma&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-graduada que se desenvolve no Sistema P&uacute;blico do Ensino Superior a partir dos anos 80, nomeadamente nas universidades, &eacute; tamb&eacute;m um dom&iacute;nio a destacar quando se pretende olhar para a problem&aacute;tica das desigualdades escolares como um problema p&uacute;blico. A partir daquela forma&ccedil;&atilde;o s&atilde;o conhecidas teses de mestrado e de doutoramento que o elegem como um dos objetos relevantes das ci&ecirc;ncias sociais, em particular da sociologia, antropologia e hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Se os debates &agrave; volta destas quest&otilde;es s&atilde;o frequentes e animados, e, por isso, s&atilde;o objeto de publicita&ccedil;&atilde;o pelos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisuais e escritos, estes n&atilde;o se esgotam no per&iacute;odo da reforma Roberto Carneiro. Com outras tonalidades e formas de qualifica&ccedil;&atilde;o, estes n&atilde;o deixam de fazer a sua hist&oacute;ria como &eacute; abundantemente mencionado no livro. A talho de foice, chamo a aten&ccedil;&atilde;o para os debates &agrave; volta da escola segura - a prop&oacute;sito da indisciplina e viol&ecirc;ncia -; para as controv&eacute;rsias que s&atilde;o suscitadas pelas medidas que est&atilde;o na base de atribuir uma maior autonomia &agrave;s escolas com a transfer&ecirc;ncia de responsabilidades para os munic&iacute;pios e para os estabelecimentos de ensino; os dilemas gerados pela defini&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da escola inclusiva, consagrando o normativo que a escolariza&ccedil;&atilde;o &eacute; para todos, descartando-se qualquer motivo moral e pol&iacute;tico que justifique a exclus&atilde;o de qualquer pessoa em idade escolar; &agrave;s d&uacute;vidas, &agrave;s hesita&ccedil;&otilde;es e &agrave; tomada de medidas que levam ao encerramento de escolas e &agrave; defini&ccedil;&atilde;o das cartografias que v&atilde;o reconfigurar a territorializa&ccedil;&atilde;o da rede escolar que instigam pol&eacute;micas p&uacute;blicas diversas; a inclus&atilde;o de novas &aacute;reas curriculares como por exemplo, a Educa&ccedil;&atilde;o para a Cidadania, a Educa&ccedil;&atilde;o para a Sexualidade, etc. (Resende, 2010). </p>     <p>Salientar a import&acirc;ncia destes dois princ&iacute;pios que est&atilde;o presentes na defini&ccedil;&atilde;o daquilo que o Estado vai determinar como sendo as Bases mais justas, e justificadas, para o incremento do Sistema Educativo, requer pensar que um e o outro se encontram conectados. Neste sentido, todo o debate desenvolvido sobre os normativos que devem acompanhar o desenvolvimento pr&aacute;tico das arquiteturas jurisdicionais da democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino caminham a par de toda a discuss&atilde;o &agrave; volta das possibilidades reais de se acelerar ou n&atilde;o os anos de escolariza&ccedil;&atilde;o que se entendem como adequados para o estabelecimento da escolaridade obrigat&oacute;ria. Todas as conex&otilde;es entre um e o outro destes dois princ&iacute;pios s&atilde;o mencionados no livro que est&aacute; a ser objeto destas notas de leitura. E estando ali presentes, os dois princ&iacute;pios expressam simultaneamente as narrativas que combinam a sua defesa, isto &eacute;, concertam a tese de que a conserva&ccedil;&atilde;o de uma carta que oriente a regula&ccedil;&atilde;o do sistema educativo e de ensino n&atilde;o pode p&ocirc;r em causa as potencialidades emancipadoras dos seres escolarizados, que se devem manifestar expressamente nas aquisi&ccedil;&otilde;es de autonomia e de responsabiliza&ccedil;&atilde;o que a educa&ccedil;&atilde;o e o ensino proporcionam a todos. Dito de outra forma, a carta magna que proclama as bases da educa&ccedil;&atilde;o e do ensino d&aacute; forma, com combina&ccedil;&otilde;es diversas, &agrave;s narrativas que exploram as economias para a regula&ccedil;&atilde;o da express&atilde;o dos corpos naquilo que vai sendo socialmente aceit&aacute;vel, e ao mesmo tempo s&atilde;o edificadas, para proporcionar por um diapas&atilde;o n&atilde;o t&atilde;o diferente do primeiro, as habilita&ccedil;&otilde;es indispens&aacute;veis para a obten&ccedil;&atilde;o da autonomia e da responsabilidade sob diversos &acirc;ngulos e patamares. Se os sentidos das narrativas da disciplina e da liberdade, que t&ecirc;m estado a dar forma &agrave; modernidade pol&iacute;tica europeia e portuguesa (Wagner, 1996), (Resende, 2003, 2010), t&ecirc;m sido e continuam a ser objeto de amplos debates decorrentes de um sem n&uacute;mero de casos pol&eacute;micos, por isso, publicamente question&aacute;veis, desencadeando paix&otilde;es pol&iacute;ticas e morais entre os seus pr&oacute;s e seus contra, os princ&iacute;pios normativos e morais da carta magna educativa, espelhando aquelas mesmas narrativas, n&atilde;o se livram tamb&eacute;m das controv&eacute;rsias e dos dilemas que aquelas recriam habitualmente, pese embora as suas reatualiza&ccedil;&otilde;es apare&ccedil;am com sentidos que se v&atilde;o apurando, ou, ao inv&eacute;s, exibem significados que n&atilde;o se encaixam como pe&ccedil;as de puzzle nos mapas de sentido anteriormente publicitados. &Eacute; o que acontece no ciclo pol&iacute;tico do resgate financeiro, que a prop&oacute;sito do questionamento &agrave; volta da qualidade das aprendizagens escolares, s&atilde;o projetadas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que geram pol&eacute;micas diversas, e que muitas vozes proclamam que as consequ&ecirc;ncias da aplica&ccedil;&atilde;o das suas medidas est&atilde;o a gerar uma redefini&ccedil;&atilde;o perigosa daquilo que est&aacute; consubstanciado na referida Lei de Bases e das suas atualiza&ccedil;&otilde;es que foram realizadas entre 1995 e 2011.</p>     <p>Sendo a hist&oacute;ria das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ligadas ao Sistema de Ensino P&uacute;blico portugu&ecirc;s o eixo central do livro, conv&eacute;m dizer que importa tamb&eacute;m destacar as a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (Cantelli, Genard, 2007) que decorrem da sua defini&ccedil;&atilde;o, aprova&ccedil;&atilde;o, e, posterior publica&ccedil;&atilde;o. Entendo por a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas todas as medidas consignadas pelas Leis e Decretos-Leis. Umas aparecem inclusas nos quadros jurisdicionais (Abbott, 1988) outorgados pelo Estado. Outras s&atilde;o tamb&eacute;m licenciamentos estatais, mas que precisam de posterior regulamenta&ccedil;&atilde;o. Num e noutro caso, nos documentos oficiais que trazem para o espa&ccedil;o p&uacute;blico os desenhos das pol&iacute;ticas e das medidas das a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas mostram atrav&eacute;s delas um conjunto de cren&ccedil;as doutrin&aacute;rias, ideol&oacute;gicas e mesmo ut&oacute;picas, umas heterodoxas outras ortodoxas, sobre a esfera educativa, nomeadamente sobre as promessas a retirar das consequ&ecirc;ncias dos processos de escolariza&ccedil;&atilde;o, quer no &acirc;mbito da aquisi&ccedil;&atilde;o bem sucedida dos conhecimentos (dos saberes no sentido amplo do termo) na escolaridade obrigat&oacute;ria, como das habilita&ccedil;&otilde;es obtidas ap&oacute;s o fecho dos ciclos obrigat&oacute;rios (Resende, 2010). Estas cren&ccedil;as reatualizam-se em cada momento da hist&oacute;ria da escolariza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, apresentam-se com novas ou velhas roupagens, mas alimentam as discuss&otilde;es em geral, mas em particular, em problemas que s&atilde;o considerados como quest&otilde;es controversas. Os quadros culturais que est&atilde;o na base da maquinaria jurisdicional (Abbott, 1988) promulgada pelo Estado d&atilde;o forma e conte&uacute;do &agrave;s referidas cren&ccedil;as e &agrave;s promessas que trazem para as artes de fazer a pr&oacute;pria escolariza&ccedil;&atilde;o - de a p&ocirc;r em marcha nas suas cartografias, que variam ao longo do tempo - mas sobretudo, nos seus efeitos nas artes de fazer as socialidades modernas (Simmel, 1999). Ora num caso como no outro importa dar aten&ccedil;&atilde;o acrescida tanto aos dispositivos como aos mecanismos e modalidades empregues pelos atores que se encontram envolvidos tanto na sua defini&ccedil;&atilde;o, aprova&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o, como na sua discuss&atilde;o, interpreta&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o das referidas maquinarias jurisdicionais. Importa sobretudo captar a conflu&ecirc;ncia de sentidos que se geram nas discuss&otilde;es trazidas a p&uacute;blico nas mais diversas circunst&acirc;ncias, mas tamb&eacute;m os sentidos que se colhem nos estudos realizados nos terrenos educacionais, que v&atilde;o para al&eacute;m dos muros das escolas. Trazer &agrave; tona as significa&ccedil;&otilde;es produzidas nos modos como os atores operam os prop&oacute;sitos das pol&iacute;ticas e as a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de cariz educacional &eacute; fundamental para enriquecer a an&aacute;lise das qualidades e respetivas economias requeridas pela escolariza&ccedil;&atilde;o. Na verdade, a escolariza&ccedil;&atilde;o moderna traz o desafio circunscrito &agrave;quilo que tenho denominado como a <i>Socializa&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica</i> (Resende, 2010). Nas atividades e exerc&iacute;cios que s&atilde;o requeridos pelos processos de escolariza&ccedil;&atilde;o para a realiza&ccedil;&atilde;o da <i>Socializa&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica</i>, as pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas exigem dos atores um trabalho de subjetiva&ccedil;&atilde;o sobre si pr&oacute;prios (Cantelli, Genard, 2007; Resende, Gouveia, 2013; Vieira, Pappamikail, Resende, 2013), e quando os ganhos de autonomiza&ccedil;&atilde;o e responsabiliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o os esperados, h&aacute; no decurso destes processos a interven&ccedil;&atilde;o de outros atores que interv&ecirc;m nas escolas para auxiliarem os professores nos referidos exerc&iacute;cios (Dion&iacute;sio, 2011, 2015). Dotar as gera&ccedil;&otilde;es em idade escolar de dispositivos para trabalharem sobre a sua subjetiva&ccedil;&atilde;o est&aacute; hoje no centro de diferentes controv&eacute;rsias escolares. Definir e trabalhar tanto os projetos escolares em cada uma das escolas agrupadas, como os projetos individualizados dos alunos, pressup&otilde;em um esfor&ccedil;o acrescido &agrave; governa&ccedil;&atilde;o escolar. &Eacute; por isso que muitas das tens&otilde;es suscitadas nas escolas, no decurso do seu dia-a-dia exige cada vez mais num conjunto de pol&iacute;ticas localizadas que est&atilde;o no centro do acolhimento e da habitabilidade dos atores que ali trabalham, mas tamb&eacute;m outros exerc&iacute;cios em formas diversas (Th&eacute;venot, 1986) que implicam uma aten&ccedil;&atilde;o mais fina aos fen&oacute;menos da hospitalidade e da dec&ecirc;ncia na escola. &Eacute;, neste sentido, que ao problema p&uacute;blico das desigualdades escolares se adiciona o problema p&uacute;blico das diferencia&ccedil;&otilde;es sociais (Resende, 2002, 2005). O cruzamento destes dois problemas p&uacute;blicos j&aacute; tem uma hist&oacute;ria, mas hoje ele est&aacute; cada vez mais presente nos estabelecimentos de ensino. E nem sempre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e as a&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas t&ecirc;m dado a relev&acirc;ncia &agrave;s consequ&ecirc;ncias que d&atilde;o mostras &agrave; conflu&ecirc;ncia das desigualdades com as diferen&ccedil;as sociais na escola e ao longo da escolariza&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria. Dar corpo &agrave;s pol&iacute;ticas de inclus&atilde;o escolar exige essa aten&ccedil;&atilde;o permanentemente reatualizada em cada ano letivo.</p>     <p>Posto isto, finalizo com o regozijo de este livro ter sido organizado e publicado. Para al&eacute;m de percorrer a hist&oacute;ria recente das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educacionais, o livro apresenta em anexo um quadro com a legisla&ccedil;&atilde;o de 1954 a 2014, um quadro com dados estat&iacute;sticos e no anexo III apresenta a pr&oacute;pria Lei de Bases do Sistema Educativo. Contudo, e para al&eacute;m destas informa&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o outros os desafios deixados que instigam a curiosidade do leitor. Mas para o leitor investigador o fomento da curiosidade at&eacute; pode ser outro: o de continuar na senda dos enigmas trazidos pela escolariza&ccedil;&atilde;o, e pelos seus efeitos nos futuros desenhos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>ABBOTT, A. (1988), <i>The System of Professions. An Essay on the Division of Expert Labor</i>, Chicago e Londres, The University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103776&pid=S0003-2573201800030001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CANTELLI, F., GENARD, J. L. (coord.) (2007), <i>Action publique et subjectivit&eacute;</i>, Paris, LGDJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103778&pid=S0003-2573201800030001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>DION&Iacute;SIO, B. (2011), &ldquo;A gram&aacute;tica do projeto de vida nas pol&iacute;ticas de orienta&ccedil;&atilde;o escolar e profissional&rdquo;. <i>In</i> J. M. Resende et al. (orgs.), <i>Pluralidades P&uacute;blicas do P&uacute;blico? Controv&eacute;rsias em Educa&ccedil;&atilde;o, Sa&uacute;de e nos Modos de Ser Solid&aacute;rio</i>, Portalegre, Instituto Polit&eacute;cnico de Portalegre, pp. 139-152.</p>     <p>DION&Iacute;SIO, B. (2015), &ldquo;O que os orientadores fazem com os alunos? O trabalho de prepara&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias para uma carreira de escolhas&rdquo;. <i>In</i> M. M. Vieira (org.), <i>O Futuro em Aberto</i>, Lisboa, Editora Mundos Sociais, pp. 129-154.</p>     <p>RESENDE, J. M. (2002), &ldquo;Reconhecimento p&uacute;blico das diferen&ccedil;as e justi&ccedil;a escolar: da Sociologia cr&iacute;tica &agrave; Sociologia da cr&iacute;tica&rdquo;. <i>In</i> M. M. Vieira, J. Pintassilgo, B. P. e Melo (coord.), <i>Democratiza&ccedil;&atilde;o Escolar: Inten&ccedil;&otilde;es e Apropria&ccedil;&otilde;es</i>, Lisboa, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Universidade de Lisboa, pp. 143-172.</p>     <!-- ref --><p>RESENDE, J. M. (2003), <i>O Engrandecimento de uma Profiss&atilde;o. Os Professores do Ensino Secund&aacute;rio P&uacute;blico no Estado Novo</i>, Coimbra, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103783&pid=S0003-2573201800030001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>RESENDE, J. M. (2005), &ldquo;La reconnaissance publique des diff&eacute;rences et de la justice scolaire: de la sociologie critique &agrave; la sociologie de la critique&rdquo;. <i>&Eacute;ducation et soci&eacute;t&eacute;s, revue internationale de sociologie de l'&eacute;ducation</i>, 15, pp. 137-152.</p>     <!-- ref --><p>RESENDE, J. M. (2010), <i>A Sociedade contra a Escola? A Socializa&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica Escolar num Contexto de Incerteza</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Piaget.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103786&pid=S0003-2573201800030001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RESENDE, J. M., GOUVEIA, L. (2013), &ldquo;As artes de fazer o comum nos estabelecimentos de ensino: outras aberturas sociol&oacute;gicas sobre os mundos escolares&rdquo;. <i>Forum Sociol&oacute;gico</i>, 23. Dispon&iacute;vel em <a href="http://sociologico.revues.org/853" target="_blank">http://sociologico.revues.org/853</a>.</p>     <p>RESENDE, J. M., VIEIRA, M. M., PAPP&Aacute;MIKAIL, L. (2013), &ldquo;Forced to deal with the future: uncertainty and risk in vocational choices among Portuguese secondary school students&rdquo;. <i>The Sociological Review</i>, 61, pp. 745-768.</p>     <!-- ref --><p>SIMMEL, G. (1999), <i>Sociologie. &Eacute;tudes sur les formes de la socialisation</i>, Paris, Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103790&pid=S0003-2573201800030001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>THEVENOT, L. (1986), &ldquo;Les investissements de forme&rdquo;. <i>In</i> L. Th&eacute;venot (ed.), <i>Conventions &eacute;conomiques</i>, Paris, Presses Universitaires de France, pp. 21-71.</p>     <!-- ref --><p>VINCENT, G. (1994), <i>L'</i><i> &eacute;ducation prisonni&egrave;re de la forme scolaire? Scolarisation et socialisation dans les soci&eacute;t&eacute;s industrielles</i>, Lyon, PUL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103793&pid=S0003-2573201800030001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WAGNER, P. (1996), <i>Libert&eacute; et discipline. Les deux crises de la modernit&eacute;</i>, Paris, &Eacute;ditions M&eacute;taili&eacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103795&pid=S0003-2573201800030001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <p>RESENDE, J. M. (2018), <i>Recens&atilde;o </i>&ldquo;<i>Educa&ccedil;&atilde;o 30 anos de Lei de Bases</i>, Lisboa, Editora Mundos Sociais, 2016&rdquo;. <i>An&aacute;lise Social</i>, 228, LIII (3.&ordm;), pp. 793-801.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ABBOTT]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The System of Professions: An Essay on the Division of Expert Labor]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[ChicagoLondres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The University of Chicago Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CANTELLI]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GENARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Action publique et subjectivité]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[LGDJ]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DIONÍSIO]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A gramática do projeto de vida nas políticas de orientação escolar e profissional]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Resende]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pluralidades Públicas do Público?: Controvérsias em Educação, Saúde e nos Modos de Ser Solidário]]></source>
<year>2011</year>
<page-range>139-152</page-range><publisher-loc><![CDATA[Portalegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Politécnico de Portalegre]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[DIONÍSIO]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O que os orientadores fazem com os alunos?: O trabalho de preparação das competências para uma carreira de escolhas]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Vieira]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Futuro em Aberto]]></source>
<year>2015</year>
<page-range>129-154</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Mundos Sociais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RESENDE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reconhecimento público das diferenças e justiça escolar: da Sociologia crítica à Sociologia da crítica]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Vieira]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pintassilgo]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Melo]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. P. e]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Democratização Escolar: Intenções e Apropriações]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>143-172</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Investigação em Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RESENDE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Engrandecimento de uma Profissão: Os Professores do Ensino Secundário Público no Estado Novo]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Calouste Gulbenkian]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RESENDE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[La reconnaissance publique des différences et de la justice scolaire: de la sociologie critique à la sociologie de la critique]]></article-title>
<source><![CDATA[Éducation et sociétés, revue internationale de sociologie de l'éducation]]></source>
<year>2005</year>
<volume>15</volume>
<page-range>137-152</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RESENDE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Sociedade contra a Escola?: A Socialização Política Escolar num Contexto de Incerteza]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Piaget]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RESENDE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[GOUVEIA]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As artes de fazer o comum nos estabelecimentos de ensino: outras aberturas sociológicas sobre os mundos escolares]]></article-title>
<source><![CDATA[Forum Sociológico]]></source>
<year>2013</year>
<volume>23</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RESENDE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[VIEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PAPPÁMIKAIL]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Forced to deal with the future: uncertainty and risk in vocational choices among Portuguese secondary school students]]></article-title>
<source><![CDATA[The Sociological Review]]></source>
<year>2013</year>
<volume>61</volume>
<page-range>745-768</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SIMMEL]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sociologie: Études sur les formes de la socialisation]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Presses Universitaires de France]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[THEVENOT]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Les investissements de forme]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Thévenot]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Conventions économiques]]></source>
<year>1986</year>
<page-range>21-71</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Presses Universitaires de France]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VINCENT]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[L' éducation prisonnière de la forme scolaire?: Scolarisation et socialisation dans les sociétés industrielles]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lyon ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[PUL]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WAGNER]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Liberté et discipline: Les deux crises de la modernité]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Éditions Métailié]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
