<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0003-2573</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Anál. Social]]></abbrev-journal-title>
<issn>0003-2573</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0003-25732018000300014</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.31447/as00032573.2018228.14</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Igreja Católica e o Estado Novo Salazarista]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Palma]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nuno]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,University of Manchester School of Social Sciences ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Manchester ]]></addr-line>
<country>UK</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<numero>228</numero>
<fpage>805</fpage>
<lpage>809</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0003-25732018000300014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0003-25732018000300014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0003-25732018000300014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RECENS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="4"><b>SIMPSON, Duncan</b></font></p>     <p><font size="3"><b>A Igreja Cat&oacute;lica e o Estado Novo Salazarista</b></font></p>     <p>Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es 70,&nbsp;2014, 296 pp.</p>     <p>ISBN 9789724417745</p>     <p><b>Nuno Palma*</b></p>     <p>*School of Social Sciences, University of Manchester, Oxford Road, Manchester M13 UK. <a href="mailto:nuno.palma@manchester.ac.uk">nuno.palma@manchester.ac.uk</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Esta obra de Duncan Simpson corresponde &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o feita no &acirc;mbito de uma tese de doutoramento realizada no King's College da Universidade de Londres, sob orienta&ccedil;&atilde;o de Francisco Bethencourt. &Eacute;, infelizmente, um trabalho relativamente pouco conhecido, mas que deveria merecer uma maior aten&ccedil;&atilde;o por parte de todos os que se interessam pelo per&iacute;odo do Estado Novo em Portugal.</p>     <p>Simpson assume uma posi&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia entre a &ldquo;perspetiva cat&oacute;lica de Braga da Cruz… [que] v&ecirc; uma rela&ccedil;&atilde;o colaborante enraizada em interesses convergentes e um n&iacute;vel genu&iacute;no de autonomia institucional&rdquo; (Simpson, 2014, p. 19), e o &ldquo;anticlericalismo marxista&rdquo; de Fernando Rosas, que &ldquo;v&ecirc; a subservi&ecirc;ncia da Igreja ao regime&rdquo; (Simpson, 2014, p. 20).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; dif&iacute;cil estar aqui em desacordo com o autor do livro. Desde o aparecimento dos chamados &ldquo;cat&oacute;licos progressistas&rdquo;, no final dos anos 60, que certos segmentos intelectuais, de alguma forma ligados &agrave; Igreja, procuram distanciar a mesma de toda e qualquer responsabilidade no suporte ao regime representado pelo Estado Novo. Esta &eacute; uma posi&ccedil;&atilde;o evidentemente indefens&aacute;vel, mesmo tendo em conta que o Estado Novo esteve longe de ter tido uma identidade uniforme ao longo do tempo.</p>     <p>Por outro lado, a posi&ccedil;&atilde;o de Rosas de que &ldquo;[A] Concordata de 1940… [representou a] subordina&ccedil;&atilde;o funcional da Igreja Cat&oacute;lica aos objetivos pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos do Estado Novo&rdquo; (citado em Simpson, 2014, p. 20) tamb&eacute;m &eacute; dif&iacute;cil de aceitar, &agrave; luz da insatisfa&ccedil;&atilde;o do Vaticano com os termos da mesma, dada a melhoria significativa da situa&ccedil;&atilde;o negocial de Salazar relativamente a apenas alguns anos antes (Meneses, 2010). </p>     <p>O autor queixa-se, a certa altura, das dificuldades que teve em consultar certos documentos hist&oacute;ricos, nomeadamente a correspond&ecirc;ncia entre o cardeal Cerejeira e Salazar existente no &ldquo;fundo Cerejeira&rdquo; do Patriarcado de Lisboa. &Eacute; lament&aacute;vel esta pol&iacute;tica do Patriarcado, mas Simpson compensa esta situa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de uma consulta detalhada aos Arquivos Secretos do Vaticano (at&eacute; 1939), complementados pelos arquivos da sede romana dos Jesu&iacute;tas, e, para o per&iacute;odo mais recente, pela produ&ccedil;&atilde;o pastoral da hierarquia eclesi&aacute;stica, da imprensa cat&oacute;lica e dos arquivos do Estado Portugu&ecirc;s.</p>     <p>De acordo com Simpson, para compreender a legisla&ccedil;&atilde;o religiosa e social dos fundadores da Rep&uacute;blica, &eacute; preciso v&ecirc;-la n&atilde;o apenas como a express&atilde;o de uma perspetiva positivista e racionalista, mas tamb&eacute;m como &ldquo;retalia&ccedil;&atilde;o direta pelo papel que atribu&iacute;am [&agrave; Igreja] na manuten&ccedil;&atilde;o do regime mon&aacute;rquico&rdquo; (p. 34). Se nos lembrarmos que os republicanos consideravam o decl&iacute;nio hist&oacute;rico portugu&ecirc;s como provocado, em boa medida, pelas liga&ccedil;&otilde;es que aquele regime mantinha com a Igreja Cat&oacute;lica, n&atilde;o ser&aacute; de estranhar a posi&ccedil;&atilde;o assumida por eles.</p>     <p>O autor defende que, a longo prazo, a Lei da Separa&ccedil;&atilde;o acabou por ser uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para a Igreja, essencialmente por criar um inimigo comum, levando a que o movimento cat&oacute;lico emergisse da Primeira Rep&uacute;blica mais coeso do que tinha sido no per&iacute;odo final da monarquia constitucional e abrindo caminho a que Salazar pudesse brandir a reabertura da &ldquo;quest&atilde;o religiosa&rdquo; como uma arma para manter a Igreja sob controlo (Simpson, 2014, p. 48).</p>     <p>Simpson n&atilde;o considera explicitamente a principal dificuldade inerente a este tipo de exerc&iacute;cio que &eacute; a de conhecer o contrafactual. Ou seja, ser&aacute; que, independentemente da seculariza&ccedil;&atilde;o do Estado, a primeira Rep&uacute;blica teria sido vi&aacute;vel como sistema pol&iacute;tico? Ser&aacute; que, com a passagem do tempo, ter-se-ia verificado na mesma uma rea&ccedil;&atilde;o conservadora e nacionalista, como aconteceu noutros pa&iacute;ses europeus? Ali&aacute;s, o per&iacute;odo que se seguiu ao fim da Primeira Guerra Mundial correspondeu a um reacender de for&ccedil;as religiosas em toda a Europa e &eacute; perfeitamente poss&iacute;vel considerar que, em Portugal, n&atilde;o teria sido muito diferente. Uma maior aten&ccedil;&atilde;o comparativa ao que se passou noutros pa&iacute;ses, na mesma altura, teria sido bem vinda.</p>     <p>Compreendo muitos dos princ&iacute;pios que est&atilde;o na base do programa republicano de seculariza&ccedil;&atilde;o do Estado, apesar de n&atilde;o concordar com a ideia de que era o regime mon&aacute;rquico liberal o principal culpado do atraso Portugu&ecirc;s. No entanto, a interpreta&ccedil;&atilde;o mais razo&aacute;vel &eacute; que a mudan&ccedil;a empreendida nessa altura foi demasiado radical para o que a sociedade portuguesa desejava e estava preparada (Palma e Reis, 2018). &Eacute; muito dif&iacute;cil mudar de repente, de &ldquo;cima para baixo&rdquo;, toda uma sociedade. Consequentemente, mudan&ccedil;as demasiado radicais falham quase sempre. Em Portugal, a partir de meados dos anos 1920, esta quest&atilde;o viria a ser internalizada pela Igreja, que n&atilde;o tentou recuperar tudo de uma vez, nem sequer tentou voltar ao&nbsp;<i>status quo</i>&nbsp;do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX - talvez por ter observado o anterior falhan&ccedil;o das pr&oacute;prias elites republicanas em mudar o pa&iacute;s mais depressa do que teria sido poss&iacute;vel.</p>     <p>Simpson descreve bastante bem a forma como a Igreja teve de reimpor gradualmente as suas &ldquo;liberdades&rdquo; perdidas, tomando como adquirido que &ldquo;o Estado Novo salazarista permanecia empenhado na causa cat&oacute;lica mas condicionado pelo ambiente sociocultural e pol&iacute;tico&nbsp;<i>adverso</i>&nbsp;no qual era obrigado a funcionar&rdquo; (Simpson 2014, p. 41, sendo meu o &ecirc;nfase na palavra &ldquo;adverso&rdquo;; ver tamb&eacute;m p. 43, 52, 65, 80, 235). Conv&eacute;m deixar claro que Simpson n&atilde;o se refere apenas a certas elites, mas tamb&eacute;m a grandes segmentos da popula&ccedil;&atilde;o, nomeadamente no norte do pa&iacute;s. Em sua opini&atilde;o, aconteceram &ldquo;esfor&ccedil;os combinados por parte das autoridades eclesi&aacute;sticas e pol&iacute;ticas na execu&ccedil;&atilde;o do processo de&nbsp;<i>catoliza&ccedil;&atilde;o gradual&nbsp;</i>de Portugal&rdquo; (Simpson, 2014, p. 52, &ecirc;nfase no original). </p>     <p>&Eacute; interessante o argumento do autor de que a imagem cultural do povo portugu&ecirc;s, como sendo intrinsecamente religioso, &eacute; em grande parte um efeito cultural resultante da pr&oacute;pria sombra do Estado Novo, pois n&atilde;o corresponde totalmente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s no in&iacute;cio dos anos 30. N&atilde;o deixa de ser significativo que, no censo de 1940, 4,5% da popula&ccedil;&atilde;o se tenha declarado &ldquo;sem religi&atilde;o&rdquo; - um n&uacute;mero que at&eacute; talvez peque por defeito, devido ao eventual medo de repres&aacute;lias, tendo em conta que, como Simpson assinala (2014, p. 43), nessa &eacute;poca &ldquo;qualquer confiss&atilde;o de agnosticismo estava perigosamente pr&oacute;xima da dissid&ecirc;ncia pol&iacute;tica&rdquo;. Mas estes s&atilde;o ainda assim n&uacute;meros pequenos, ainda mais tendo em conta que as repres&aacute;lias eram essencialmente dirigidas &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o organizada, e por isso nesta mat&eacute;ria o ponto de vista de Simposon parece-me exagerado, e demasiado influenciado por uma leitura de certas fontes que poderia ter sido mais cr&iacute;tica, tendo tido mais em conta as motiva&ccedil;&otilde;es de quem as escreveu, ou o contexto durante o qual foram produzidas. &Eacute; question&aacute;vel que as &eacute;pocas liberal e republicana tenham de facto deixado uma &ldquo;marca laica e anticlerical&rdquo; (Simpson, 2014, p. 79). Certas elites republicanas eram, sem d&uacute;vida, militantemente anti-clericais. Simpson (2014, p. 91) nota que dos cerca de 5 mil professores secretamente avaliados pelos sacerdotes paroquianos a n&iacute;vel nacional, apenas 16,4% foram tidos como tendo a &ldquo;devo&ccedil;&atilde;o certa&rdquo; (Simpson 2014, p. 91). Mas o mesmo n&atilde;o seria verdade sobre o povo, o que por sua vez ajuda a compreender a ades&atilde;o do mesmo a muitas das pol&iacute;ticas da Ditadura Nacional e do Estado Novo, por exemplo, no que diz respeito &agrave; pol&iacute;tica educativa (Palma e Reis, 2018). Salazar n&atilde;o inventou um pa&iacute;s cat&oacute;lico - pelo contr&aacute;rio, o seu sucesso pol&iacute;tico deveu-se em grande parte ao seu alinhamento cultural com um pa&iacute;s que j&aacute; existia.</p>     <p>De qualquer modo, mais uma vez, &eacute; dif&iacute;cil saber como teria sido a trajet&oacute;ria da atitude de religiosidade do povo portugu&ecirc;s na aus&ecirc;ncia do Estado Novo, ou seja, se a &ldquo;Primeira Rep&uacute;blica&rdquo; tivesse continuado. Para isso, seria &uacute;til discutir n&atilde;o apenas as caracter&iacute;sticas culturais de diferentes partes do pa&iacute;s, o que o autor faz soberbamente, mas tamb&eacute;m estabelecer algumas compara&ccedil;&otilde;es internacionais, que poderiam eventualmente ilustrar como se comportou Portugal relativamente &agrave; tend&ecirc;ncia internacional. De facto, num trabalho mais recente, Simpson reconhece que havia muito apoio das bases ao regime do Estado Novo, mesmo nas suas d&eacute;cadas finais (Simpson, 2018).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A posi&ccedil;&atilde;o de Simpson converge frequentemente com a de Meneses na sua biografia de Salazar, por exemplo ao argumentar que este, tendo usado a Igreja para obter o poder, depois procurou minimizar a sua interfer&ecirc;ncia no campo pol&iacute;tico (Simpson, 2014, p. 78).&nbsp;Como j&aacute; atr&aacute;s referi, um aspeto que se encontra pouco desenvolvido neste livro &eacute; a dimens&atilde;o comparativa. Mas por vezes s&atilde;o deixadas pistas interessantes, em particular em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Espanha franquista. Por exemplo, o facto de a pol&iacute;tica religiosa do Estado Novo sempre ter permanecido relativamente branda, em compara&ccedil;&atilde;o com o nacional-catolicismo imposto por Franco, poder&aacute; estar ligado &agrave;s diferen&ccedil;as significativas que existiram no modo como o poder foi obtido e consolidado no &acirc;mbito dos dois regimes e nas rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a que caracterizaram cada um desses processos. Simpson deixa, a este prop&oacute;sito, um pista muito interessante que deveria merecer um estudo mais aprofundado, quando refere que, em Portugal, ao contr&aacute;rio do que aconteceu em Espanha, onde foi aplicado um programa de catoliza&ccedil;&atilde;o bastante profundo da sociedade e do pr&oacute;prio Estado, &ldquo;as for&ccedil;as anti-clericais n&atilde;o tinham sido fisicamente eliminadas&rdquo;, havendo mesmo necessidade de &ldquo;para grande consterna&ccedil;&atilde;o do episcopado… ter em conta as suas susceptibilidades&rdquo; (Simpson, 2014, p. 41).</p>     <p>Ou seja, se o regime franquista conseguiu aplicar um programa de catoliza&ccedil;&atilde;o muito mais profundo da sociedade e do pr&oacute;prio Estado em Espanha, &eacute; porque chegou ao poder atrav&eacute;s da sua vit&oacute;ria na cruzada cat&oacute;lica de 1936-39 (guerra civil), construindo em parte a sua &ldquo;legitimidade&rdquo; no esmagamento do anticlericalismo. As condi&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia do Estado Novo s&atilde;o bem diferentes, e condicionavam naturalmente o governo para uma gest&atilde;o mais subtil e &ldquo;moderada&rdquo; do relativamente maior setor laico ou mesmo anticlerical.</p>     <p>Apesar de o pa&iacute;s (e, em especial, o povo) ter sido provavelmente bem mais cat&oacute;lico do que Simpson defende, parece-me que as principais teses desta obra est&atilde;o corretas. A mais importante &eacute;, porventura, a no&ccedil;&atilde;o de que a Primeira Rep&uacute;blica contribuiu para a polariza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica crescente da sociedade no per&iacute;odo que antecedeu a Ditadura Militar e o Estado Novo. A Primeira Rep&uacute;blica foi disfuncional, n&atilde;o apenas em termos pol&iacute;ticos - dada a bem conhecida instabilidade governativa, assim como a natureza antidemocr&aacute;tica do seu largo dom&iacute;nio por parte de apenas um partido -, mas tamb&eacute;m social. E foi-o em grande parte por estar intelectualmente comprometida com o &ldquo;mito&rdquo; de que a monarquia era diretamente respons&aacute;vel pelo decl&iacute;nio econ&oacute;mico portugu&ecirc;s, e, do meu ponto de vista, por insistir em mudar a sociedade de forma demasiado r&aacute;pida, em confronto com as cren&ccedil;as culturais de grande parte da popula&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Do meu ponto de vista, este livro contribui para uma das atividades mais importantes dos historiadores: a destrui&ccedil;&atilde;o de mitos amplamente difundidos. Como afirma Simpson na sua conclus&atilde;o, &ldquo;Salazar n&atilde;o foi, de todo, um idealista cat&oacute;lico&rdquo; (Simpson, 2014, p. 241). Nem podia ter sido. Ser idealista n&atilde;o se compactuava com a necessidade pr&aacute;tica de conseguir um certo consenso para governar o pa&iacute;s, mesmo no contexto de uma ditadura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>MENESES, F. R. de (2010), <i>Salazar</i>, Lisboa, Leya.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103863&pid=S0003-2573201800030001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PALMA, N., REIS, J. (2018), &ldquo;Can autocracy promote literacy? evidence from a cultural alignment success story&rdquo;, EDP-1805, Manchester, University of Manchester.</p>     <!-- ref --><p>SIMPSON, D. (2014), <i>A Igreja Cat&oacute;lica e o Estado Novo Salazarista</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=103866&pid=S0003-2573201800030001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SIMPSON, D. (2018), &ldquo;The ‘sad grandmother', the ‘simple but honest Portuguese', and the ‘good son of the Fatherland' letters of denunciation in the final decade of the Salazar regime&rdquo;.&nbsp;<i>An&aacute;lise Social</i>, LIII (226), pp. 6-27.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MENESES]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. R. de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Salazar]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Leya]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PALMA]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[REIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Can autocracy promote literacy?: evidence from a cultural alignment success story]]></source>
<year>2018</year>
<publisher-loc><![CDATA[Manchester ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Manchester]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SIMPSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Igreja Católica e o Estado Novo Salazarista]]></source>
<year>2014</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições 70]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SIMPSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The ‘sad grandmother', the ‘simple but honest Portuguese', and the ‘good son of the Fatherland' letters of denunciation in the final decade of the Salazar regime]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>2018</year>
<volume>LIII</volume>
<numero>226</numero>
<issue>226</issue>
<page-range>6-27</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
