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<journal-title><![CDATA[Análise Social]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tipologia dos políticos de direita no Brasil: uma classificação empírica]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A typology of right-wing politicians in Brazil: an attempt toward empirical classification]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[A typology of right-wing politicians in Brazil: an attempt toward empirical classification. There has been a common assumption as of late that the political right has grown in Brazil since 2010. This is a complex phenomenon, as we do not seem to be before the customary political right. Alongside the right associated with major political parties historically connected to the dictatorial-military regime there are new types of parties and new political profiles on this side of the political spectrum. The objective of the article is to identify the different profiles of the Brazilian right-wing by means of an inductive typology, that is, a description grounded on significant empirical cases within this political family. We propose five different types to characterize politicians within Brazil’s right: the traditional politician of the right, the politician of the new popular right, the politician of the populist right, the politician of the neoliberal right, and the politician of the libertarian right. This is a heuristic model that should be improved in the light of new evidence.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[ideologia política]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Tipologia dos políticos de direita no Brasil: uma classificação    empírica</b></font></p>     <p><font size="3"><b>A typology of right-wing politicians in Brazil: an attempt    toward empirical classification.</b></font></p>     <p><b>Adriano Codato*, Fábia Berlatto**, Bruno Bolognesi***</b></p>     <p>*Universidade Federal do Paraná.&#8196;Rua XV de Novembro, 1299, Centro - cep    80060-000, Curitiba, PR, Brasil. <a href="mailto:adriano@ufpr.br">adriano@ufpr.br</a>.</p>     <p>**Universidade Federal do Paraná. Rua XV de Novembro, 1299, Centro - cep 80060-000,    Curitiba, PR, Brasil.</p>     <p>***Universidade Federal do Paraná. Rua XV de Novembro, 1299, Centro - cep 80060-000,    Curitiba, PR, Brasil.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p> Tipologia dos políticos de direita no Brasil: uma classificação empírica.&#8195;Acredita-se    que haja um crescimento da direita no Brasil desde o início da década de 2010.    Esse é um fenómeno complexo, já que, aparentemente, não se trata da direita    habitual. Ao lado daquela direita ligada aos grandes partidos vinculados historicamente    ao regime ditatorial-militar há novos tipos de partidos e novos perfis de políticos    nesse lado do espectro político. O objetivo deste artigo é identificar os diferentes    perfis da direita brasileira. Isso será realizado através de uma tipologia indutiva,    ou seja, de uma descrição pautada em casos significativos, empiricamente existentes    nessa família política. Foram propostos cinco tipos para caracterizar os políticos    da direita nacional: o político tradicional de direita, o político da nova direita    popular, o político da direita populista, o político da direita neoliberal e    o político da direita libertária. Este é um modelo heurístico que deve ser aperfeiçoado    à luz de novas evidências.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> ideologia política; direita brasileira; partidos de    direita; políticos profissionais; Câmara dos Deputados.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>A typology of right-wing politicians in Brazil: an attempt toward empirical    classification.&#8195;There has been a common assumption as of late that the    political right has grown in Brazil since 2010. This is a complex phenomenon,    as we do not seem to be before the customary political right. Alongside the    right associated with major political parties historically connected to the    dictatorial-military regime there are new types of parties and new political    profiles on this side of the political spectrum. The objective of the article    is to identify the different profiles of the Brazilian right-wing by means of    an inductive typology, that is, a description grounded on significant empirical    cases within this political family. We propose five different types to characterize    politicians within Brazil&rsquo;s right: the traditional politician of the right,    the politician of the new popular right, the politician of the populist right,    the politician of the neoliberal right, and the politician of the libertarian    right. This is a heuristic model that should be improved in the light of new    evidence.</p>     <p><b>Keywords:</b> political ideology; Brazilian political right; right-wing    parties; professional politicians; Congress.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Há, desde o início da década de 2010, um crescimento da direita no Brasil.<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>    Esse fenómeno seria contemporâneo do avanço da extrema-direita na Europa e nos    EUA e seria uma evidência a mais da guinada conservadora das democracias ocidentais    a partir do início do século XXI.</p>     <p>Todavia, no Brasil esse processo é extremamente complexo porque, a par da antiga    direita - ligada aos partidos tradicionais vinculados ao regime ditatorial-militar,    como o DEM (o novo nome do PFL) e o PP (antigo PPB, PDS e Arena) -, há ao menos    três factos novos: a ascensão de uma direita religiosa com o aumento numérico    da &ldquo;bancada evangélica&rdquo; na Câmara dos Deputados<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>;    o surgimento de uma direita tipicamente liberal, em economia e em costumes,    representada seja pelo NOVO, seja por uma corrente que disputava a hegemonia    no PSL, os livres; e por último, mas não menos importante, a ascensão de movimentos    sociais conduzidos por novas lideranças políticas de fora do <i>establishment</i>    político tradicional, como o Movimento Brasil Livre (MBL). Tudo isso vem acompanhado    por um aumento exponencial da presença e da audiência de intelectuais ultraconservadores    nos novos media eletrónicos e pelo seu crescente protagonismo na esfera pública.<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>    Outra medida, ainda que indireta, da prosperidade da direita brasileira é o    aumento no número de filiados aos seus novos partidos. Cervi constatou que entre    2014 e 2016 o Solidariedade, partido ligado à Força Sindical, ganhou 133&#8197;500    filiados, o PSD inscreveu 116 200 novos simpatizantes enquanto o Partido dos    Trabalhadores, a maior organização de centro-esquerda do país, apenas 1 700.    No cômputo geral, &ldquo;o partido identificado com a representação evangélica, o    PRB, foi o quarto melhor saldo, com 76,5 mil filiados&rdquo; a mais.<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a></p>     <p>A multiplicação de partidos, movimentos, organizações, militantes e simpatizantes    da nova direita brasileira não produziu um grande volume de estudos em ciência    política. Apenas nos últimos cinco anos foram realizados trabalhos sobre a direita    parlamentar<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>, sobre as preferências    ideológicas dos eleitores (Telles e Storni, 2011), sobre passeatas conservadoras    (Ortellado e Solano, 2016; Tatagiba, Trindade e Teixeira, 2015) e sobre ativismo    digital (Brugnago e Chaia, 2015; Quadros e Moraes, 2016; Segurado, Chicarino    e Malina, 2016), mas, apesar de esta ser uma lista mais exemplificativa que    exaustiva da literatura disponível, não há, ainda, uma grande produção sobre    o assunto.</p>     <p>O objetivo deste artigo é propor uma ordenação dos diferentes tipos políticos    da direita brasileira contemporânea a fim de circunscrever os traços característicos    da &ldquo;velha&rdquo; e da &ldquo;nova&rdquo; direita nacional. A nossa tipologia é mais indutiva do    que teórica e, como não deduzimos esses tipos empíricos de um conceito de direita    previamente formulado, a catalogação aqui executada não pretende oferecer uma    tipologia ideal, mas apenas uma sistemática descritiva. Apesar de ter pretensões    explicativas, a lista de tipos aqui proposta ambiciona, em primeiro lugar, apresentar    e diferenciar algumas espécies existentes nessa mesma família política por meio    de alguns casos significativos do fenómeno.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na primeira secção, trabalharemos com os dados sobre os 2 565 deputados federais    eleitos entre 1998 e 2014, separando-os por blocos ideológicos conforme as classificações    de cada partido correntes na literatura especializada. Mapeamos, através de    estatística descritiva, a inflação da direita parlamentar no Brasil, documentando    a oscilação das bancadas dos seus diferentes partidos na Câmara dos Deputados    utilizando o modo tradicional de classificação ideológica dessas agremiações    (esquerda, centro, direita). Na segunda secção, antes mesmo de apresentar a    nossa própria tipologia da direita brasileira, recorremos à categorização de    Coppedge (1997b, 1998) a fim de mostrar que tipo de direita cresceu eleitoralmente    e que tipo de partido mais cresceu, de facto, em termos relativos. Na terceira    secção enumeramos os princípios da nossa classificação e, na quarta, apresentamos    cinco tipos identificáveis na direita nacional: o político <i>tradicional</i>    de direita, o político da nova direita <i>popular</i>, o político da direita    <i>populista</i>, o político da direita <i>neoliberal</i>, o político da direita    <i>libertária</i>. Os casos escolhidos a fim de ilustrar essa tipologia são,    entretanto, meramente exemplificativos e não representativos (ou seja, não intentam    extrapolações) dos tipos médios presentes na direita contemporânea nacional.    A nossa expectativa é sugerir um modelo heurístico que consiga dar conta da    heterogeneidade e da complexidade desse novo fenómeno político.</p> Ideologias políticas e o sistema partidário brasileiro      <p><b></b>O Brasil sempre foi caracterizado por uma quantidade nominal de partidos    bastante elevada, como de resto outros países. Porém, os seus indicadores de    fragmentação legislativa seguem um padrão diferente. Para fazermos um exercício    comparativo<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a>, Portugal conta    com 46 partidos nominais, 2,86 partidos efetivos legislativos e 3,59 efetivos    eleitorais e idade média de 35,15 anos das suas legendas.<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a>    Já o Brasil apresenta 35 partidos nominais, 13,22 partidos efetivos legislativos    e 14,06 partidos efetivos eleitorais com idade média de 17,71 anos.<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a>    No período analisado por nós - 1998-2014 - foram criados no Brasil 11 partidos,    enquanto em Portugal apenas cinco. O que fica claro com esse pequeno exercício    comparativo é que a quantidade de partidos nominais está longe de ser um problema    em qualquer país. O problema é a capacidade de mobilização eleitoral que os    partidos desfrutam, o que no Brasil é especialmente pernicioso, na medida em    que a dinâmica do sistema partidário é incapaz de coordenar o voto e sedimentar    lealdades (Nicolau e Schmitt, 1995).</p>     <p>Em segundo lugar, a dinâmica sistémica no Brasil é bastante fluída. Os partidos    são criados e dissolvidos com bastante facilidade. Isto deve-se principalmente    a três fatores de ordem distintas. O primeiro, político, onde o custo para a    criação de uma legenda passa por coletar assinaturas de 5% dos eleitores que    votaram nas últimas eleições legislativas em pelo menos um terço das unidades    da federação. O segundo, de ordem financeira, em que o fundo partidário, o recurso    financeiro advindo do Estado, é distribuído sem que o partido tenha tido sequer    um voto. Parte do recurso estatal é dado de forma equânime entre todas as legendas.    E o terceiro, de ordem institucional, qual seja a patronagem partidária (Jalali    e Lisi, 2009), em que os partidos recebem grande incentivo para sobreviver dos    milhares de cargos que desfrutam e indicam em secretarias, ministérios, agências    regulatórias, empresas estatais, etc.</p>     <p>A cristalização do sistema partidário tem ocorrido com frequência no topo da    cadeia política. A dinâmica da disputa presidencial dual entre PT e PSDB cria    oposições que apesar de tudo estruturam, minimamente, o sistema (Melo, 2010).    Contudo, tal estruturação ocorre ao nível das coligações nas eleições proporcionais,    o que é incapaz de gerar uma polarização nominal, mas apenas entre partidos    aninhados em torno de um grupo de apoiadores de um ou outro partido presidencial    (Limongi e Vasselai, 2016). Ou seja, há um sistema que ao mesmo tempo estrutura    preferências em torno das candidaturas presidenciais, mas é incapaz de fazer    isso de forma institucional, com partidos políticos; só o faz com grupos de    partidos coligados entre si.</p>     <p>A principal consequência é que de entre todos os países da América Latina o    Brasil é o que a presenta a segunda menor proporção de parlamentares que iniciam    sua carreira através dos partidos políticos. Apenas 21,3% dos deputados entrevistados    pela pela (1994-2011) afirmaram ter no partido político o seu primeiro contacto    com a política profissional (apenas a Bolívia apresenta menor proporção, com    20,6%). Todos os demais países apresentam percentagem acima de 40%, liderados    pelo Panamá onde 76,6% afirmam terem ascendido por esta via (Alcántara, 2016).    Ou seja, a carreira política dos legisladores brasileiros inicia-se já distante    das agremiações partidárias, o que faz com que as suas afinidades eletivas com    as ideologias ocorram após estes já acumularem um capital individual razoável    fora do partido. No Brasil, o partido político é um atributo do candidato e    não o inverso, como costuma ser em democracias avançadas (Alcántara, 2016).    Ainda, apesar de um debate inconclusivo, a volatilidade eleitoral brasileira    é bastante elevada na medida em que, desapegados das suas afiliações partidárias,    os candidatos movem-se de legenda em legenda, trazendo consigo o seu eleitorado    e dando brecha para a mudança de coloração das preferências eleitorais de eleição    para eleição (Braga, 2010; Peres, Ricci e Rennó, 2011).</p>     <p>Diante deste quadro instável, poder-se-ia conjeturar sobre a dificuldade em    classificar os partidos políticos brasileiros em torno das suas tonalidades    programáticas. Embora não haja acordo entre especialistas em política brasileira,    o emprego sistemático de diferentes métodos para catalogação e agrupamento dos    partidos em função de um eixo esquerda-centro-direita produziu algum consenso    sobre o posicionamento relativo das principais siglas nacionais (Tarouco e Madeira,    2013).</p>     <p>O <a href="#q1">quadro 1</a> discrimina as forças políticas que apresentaram    candidatos à Câmara Federal nas últimas cinco eleições (1998, 2002, 2006, 2010    e 2014) no Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a02q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como todos os sistemas de classificação, este acima proposto também possui    algumas dificuldades.<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a></p>     <p>Em primeiro lugar, nem todos esses partidos tiveram candidatos eleitos, como    foram os casos de PSTU, PCB, PPL, PCO, PGT, PSN. Desses, os quatro primeiros    têm programas claramente socialistas/comunistas, mas o PGT (Partido Geral dos    Trabalhadores), apesar de ter surgido ligado a uma central sindical de trabalhadores    (a CGT), foi em 2003 incorporado ao Partido Liberal, de direita. O Partido da    Solidariedade Nacional (PSN) era a denominação do Partido Humanista da Solidariedade    (PHS) cujo programa político sustenta, ao mesmo tempo, valores conservadores    vinculados à moral cristã tradicional e valores alinhados com temas clássicos    da esquerda, como a necessidade de políticas distributivas e forte atuação estatal    no campo económico.</p>     <p>Por outro lado, alguns partidos são muito novos, e a sua atuação parlamentar    é mais governista que ideológica, como são os casos do PSD (fundado apenas em    2011) e o do Solidariedade (SD), surgido em 2013. O primeiro foi criado para    fortalecer a posição do governo do PT junto ao centro-direita à época; o segundo    nasceu para o propósito oposto, ou seja, de fazer oposição ao governo de Dilma    Rousseff. Contudo, ambos foram base de sustentação do presidente da República    Michel Temer, do MDB.</p>     <p>As fusões das siglas entre si (o Partido da República (PR), um partido de líderes    evangélicos, resultou do casamento entre o Partido Liberal e o PRONA, de extrema    direita), as frequentes mudanças de denominação (os direitistas PFL tornaram-se    &ldquo;democratas&rdquo; em 2007 e o PPB passou a chamar-se apenas &ldquo;Partido Progressista&rdquo;    em 2003), em que os rótulos contrariam não só os conteúdos reais, mas a genealogia    histórica dessas organizações, torna o quadro partidário brasileiro bastante    confuso. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) reclama-se como o continuador    do PTB fundado por Getúlio Vargas em 1945, mas defende posições conservadoras.    Agremiação oportunista e governista, abriga dois partidos que foram sendo derrotados    e absorvidos (Partido Social Democrático, Partido dos aposentados da nação (Ferreira,    Batista e Stabile, 2008) por esse grande expoente da direita.</p>     <p>As mudanças de posição ao longo do tempo (o PPS, antigo Partido Comunista Brasileiro    tornou-se cada vez mais centrista e sempre fez oposição aos governos de centro-esquerda    liderados pelo PT; o PMN nasceu no início dos anos 1980 reformista e nacionalista    e converteu-se num partido eleitoral sem identidade muito clara), tornam muito    difícil, para o analista, um agrupamento congruente das famílias ideológicas.    O caso do PAN - Partido dos <i>Aposentados</i> da Nação - é um exemplo da impossibilidade    de, pelo nome, situá-lo ideologicamente. O caso do PEN - Partido <i>Ecológico</i>    Nacional - é mais equívoco ainda, já que o ambientalismo está em segundo plano    na agenda da organização e, em primeiro, a sua ligação com a igreja evangélica    Assembleia de Deus.</p>     <p>De todo o modo, como essas rotulagens são relacionais, é possível incluir na    família da direita tudo aquilo que não é explicitamente esquerda. Para o caso    dos grandes partidos, que, no período estudado, controlam, em média, 75% da    Câmara dos Deputados, há certo consenso em colocar o PMDB e o PSDB no centro,    o DEM e o PP na direita e o PDT e o PT na esquerda.<a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="top10"></a>    Isso permite, então, classificar com segurança pelo menos três quartos da nossa    população.</p>     <p>A <a href="#f1">figura 1</a> regista a transformação do percentual de eleitos    por grandes famílias ideológicas (centro, direita, esquerda) para a Câmara Federal    brasileira nas últimas cinco disputas legislativas. Ele permite acompanhar a    variação entre os grupos e relativizar a novidade do &ldquo;crescimento da direita&rdquo;    na primeira metade desta década. De facto, houve um aumento da sua presença    quando se compara o número total de cadeiras em 2014 (229 das 513 em disputa)    com 2010 (184). Porém, os dados mostram que os partidos de direita estiveram    sempre em maioria na Câmara Baixa do Brasil (com exceção de 2006).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a02f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A direita controlou, em média, um pouco mais de 40% da Câmara dos Deputados    no intervalo 1998-2014, enquanto a esquerda foi sempre a terceira força política,    com exceção de 2010, quando conquistou 166 cadeiras das 513, ultrapassando,    pela primeira e única vez, o centro (163 eleitos). Em 1998, o bom desempenho    dos partidos de centro foi comandado pelo PSDB do presidente Cardoso, com 99    cadeiras (19,3% naquele ano), e a hegemonia da direita foi garantida tanto pelo    PFL (depois DEM), com 105 cadeiras (20,5%), quanto pelo PPB (depois PP), elegendo    60 deputados (11,7% do total). Em 2002 a esquerda (28,5% dos eleitos) quase    alcançou o centro (32,6%), principalmente em razão do aumento da bancada do    PT (que passou de 59 representantes para 91), mas os valores percentuais da    direita alteraram-se muito pouco (42% em 1998 contra 39% em 2002). O grande    salto ocorreria mesmo em 2014: os partidos da direita nacional inverteram a    tendência de queda verificada até 2006 para alcançarem o maior valor dessa série    histórica: 44,6% das vagas da Câmara dos Deputados.</p>     <p>Estas informações, assim agregadas, confirmam o avanço recente da direita e    o recuo da esquerda no Legislativo, que passou de 166 para 138 deputados (26,9%),    o menor número de cadeiras desde 1998 (109 representantes), mas não permitem,    por sua vez, ir além dessa constatação genérica. Se olhamos os dados mais de    perto, o que se verifica é a decadência espetacular dos grandes partidos de    direita. O PFL/DEM, um partido tradicional de direita, que chegou a controlar,    em 1998, 105 cadeiras na Câmara, ficou reduzido, em 2014, a apenas 22 deputados.    O PPB/PP, que havia eleito 60 representantes em 1998, só conseguiu fazer, na    última eleição dessa série, 36 representantes. Assim, que direita exatamente    é essa que prospera no Legislativo?</p>     <p>A fim de responder a essa questão, é mais proveitoso desagregar as informações    em famílias menores de partidos, seja para entender a nova dinâmica política    nacional, seja para descobrir a emergência de novas lideranças políticas que    tornam mais complexa a fauna dessa família. Por outro lado, classificações menos    estanques tendem a aproximar o analista da realidade, permitindo compreender    aquilo que os grandes agregados de dados escondem.</p> Recalculando a posição ideológica dos partidos políticos brasileiros Coppedge  (1997a, 1997b) propôs, no final de 1990, uma nova ordenação dos sistemas de partidos  latino-americanos baseada em uma análise dos blocos ideológicos mais completa  e mais complexa e, portanto, mais útil para os nossos propósitos. A sua classificação  leva em conta duas dimensões simultaneamente. A primeira diz respeito à oposição  entre &ldquo;confessional&rdquo; e &ldquo;secular&rdquo;, e a segunda está baseada na dimensão clássica  esquerda-direita, porém segmentada em blocos entre direita, centro-direita, centro,  centro-esquerda e esquerda. A combinação dessas duas dimensões produz dez categorias  analíticas diferentes que compreendem desde a direita cristã até a esquerda secular  tradicionais, além de três categoriais residuais para definir partidos, que podem  ser &ldquo;personalistas&rdquo;, &ldquo;desconhecidos&rdquo; ou estarem fundamentadas em &ldquo;outros&rdquo; princípios  que não a ideologia, como os étnicos, regionais, grupais, de nicho, causa, etc.      <p>Assumindo a sua nomenclatura e trabalhando com as mesmas dimensões do conceito    de ideologia política, empregamos sete das 13 possibilidades desse modelo:</p> (i) <i>partidos confessionais de direita</i>: são partidos que baseiam a sua ideologia  ou programa explicitamente em conceções religiosas e/ou estão ligados a igrejas  e a movimentos com forte apelo conservador (&ldquo;pró-vida&rdquo;, &ldquo;pró-família&rdquo;, etc.).  No exemplo escolhido por Coppedge, o modelo seria o dos partidos democratas-cristãos.  No nosso caso, juntamos nessa classe o PEN, da Assembleia de Deus, o PRB, da Igreja  Universal, o Partido Social Cristão, o PR, dono da maior bancada evangélica na  Câmara dos Deputados e o PSDC (herdeiro do antigo PDC, extinto em 1965).      <p>(ii) <i>partidos personalistas</i>: são os &ldquo;partidos que baseiam o seu apelo    no carisma, autoridade ou poder do seu líder em vez de em quaisquer princípios    ou plataformas, que são demasiado vagas ou inconsistentes para permitir uma    classificação plausível&rdquo; (Coppedge, 1997b). Não são, assim, organizações ideológicas,    no sentido estrito do termo, mas existem apenas em função das conveniências    pessoais e/ou políticas dos seus dirigentes. No Brasil, utiliza-se o termo &ldquo;fisiológico&rdquo;    (como oposição a &ldquo;ideológico&rdquo;) para esses partidos eleitoralmente oportunistas,    que podem ligar-se indiferentemente à esquerda ou à direita.</p>     <p>(iii) <i>partidos seculares de centro</i>: partidos centristas são partidos    com um programa muito vago que enfatizam princípios políticos liberais - &ldquo;ampla    participação política, virtude cívica, Estado de Direito, direitos humanos ou    democracia&rdquo; -, mas que não possuem uma agenda social ou económica evidente&rdquo;    (Coppedge, 1997b). Uma vez no governo, adotam políticas que contemplam ora agendas    de direita, ora de esquerda. O PMDB é o melhor candidato para essa definição    e o PSDB, próximo de uma <i>lean right</i>, ainda poderia ser classificado nessa    categoria. PPS e PV são regularmente incluídos pelos analistas no centro ou    no centro-direita.</p>     <p>(iv) <i>partidos seculares de centro-esquerda</i>: partidos que claramente    &ldquo;enfatizam a justiça, a igualdade, a mobilidade social ou a complementaridade&rdquo;    entre a &ldquo;distribuição&rdquo; de renda &ldquo;e a acumulação&rdquo; privada de capital. São partidos    eleitorais preocupados em atrair eleitores de classe média ou de classe alta    (Coppedge, 1997b). Incluímos aqui o PT e seu partido-satélite, o Partido Comunista    do Brasil, em razão da sua moderação nos últimos anos. A literatura costuma    agregar a esse bloco o PDT e o Partido Socialista Brasileiro (PSB).</p>     <p>(v) <i>partidos seculares de esquerda</i>: são os &ldquo;partidos que empregam a    ideologia ou a retórica marxista e enfatizam prioritariamente a distribuição    [da renda e da propriedade]; são contra a acumulação ou exploração da classe    trabalhadora por capitalistas e pelos imperialistas; defendem, para o Estado,    um papel forte a fim de corrigir injustiças sociais e económicas&rdquo; (Coppedge,    1997b). Na nossa definição entram aí os partidos da extrema-esquerda brasileira    e um partido reformista radical, como o PSOL.</p>     <p>(vi) <i>partidos seculares de direita</i>: conforme a definição de Coppedge,    são organizações partidárias &ldquo;patrocinadas por um governo militar, presente    ou passado, que possuem uma mensagem conservadora (organicista, autoritária,    elitista, retrógrada) e que não são, essencialmente, veículos personalistas    para líderes autoritários&rdquo; (Coppedge, 1997b). O próprio autor dá como exemplo    a arena, partido da ditadura militar brasileira, e nós incluímos nessa categoria    tanto o PFL/DEM, o PPB/PP e o novo PSD, como uma série de outros partidos autoritários,    como se verá no <a href="#q2">Quadro 2</a>.<a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="top11"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a02q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>(vii) <i>partidos sem classificação </i>ou <i>partidos desconhecidos</i>: são    partidos cuja classificação é desconhecida, pois ou não há informações disponíveis    suficientes sobre a sigla, ou os seus nomes são excessivamente genéricos (Partido    &ldquo;Independente&rdquo;, &ldquo;Popular&rdquo;, &ldquo;Social&rdquo;, &ldquo;Renovador&rdquo;, etc.), o que impede de fornecer    quaisquer indicações sobre as suas orientações ideológicas. No nosso caso, o    Partido da Mobilização Nacional (PMN) foi o único dessa categoria e isso deveu-se    mais às mudanças erráticas de orientação do partido a partir dos anos 2000 do    que a qualquer outra coisa.<a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="top12"></a></p> O <a href="#q2">quadro 2</a> agrupa os partidos por blocos conforme essa classificação.  Ela é mais exigente e mais detalhada do que o contínuo simples esquerda-centro-direita.      <p>Esta é ainda uma ordenação muito <i>ad hoc</i>, tentada aqui como uma tentativa    para compreender a nova ecologia política da Câmara dos Deputados. É possível    que uma análise mais detida transferisse algumas siglas da classe &ldquo;partido secular    de direita&rdquo; para a classe dos partidos de tipo &ldquo;personalista&rdquo; sem que isso alterasse,    de modo significativo, os resultados eleitorais discutidos a seguir. O ponto    é que, quando catalogamos os deputados eleitos entre 1998 e 2014 nesses sete    estratos ideológicos, conseguimos uma nova perspetiva para voltar aos dados    do <a href="#q1">quadro 1</a> e estimar melhor a direção e o significado do    &ldquo;crescimento da direita&rdquo; no Brasil.</p>     <p>Uma maneira mais didática de expor a variação do número de cadeiras parlamentares    e registar o volume do crescimento espetacular dos <i>partidos confessionais    de direita</i> e, igualmente, dos <i>partidos personalistas</i> pode ser vista    na <a href="#f1">figura 1</a>. Ele informa os resultados em número de cadeiras    em resíduos padronizados ajustados conforme os blocos de partidos por eleição    no intervalo de tempo considerado neste estudo.</p>     <p>Resíduos padronizados permitem detetar casos extremos (<i>outliers</i>) e são    calculados a partir das diferenças entre os valores esperados e observados para    uma variável expressos em unidades de desvios padrão. Valores acima de 1,98    e -1,98 são observações incomuns ou valores atípicos (quando o intervalo de    confiança é de 95%). Para um nível de significância de 10%, os resíduos são    &gt;&#8197;1,6 e &lt;&#8197;-1,6 (Pereira, 1999). Isso significa que existem    mais casos nessa categoria do que se deveria esperar estatisticamente. Assim,    quanto maiores os resíduos padronizados, maior a associação (negativa ou positiva)    entre as variáveis (Pestana e Gageiro, 2008). Se, numa dada eleição, não houvesse    concentração de cadeiras parlamentares em qualquer tipo de partido, os valores    de cada categoria deveriam ficar situados entre -1,98 e 1,98. Qualquer valor    acima ou abaixo desses limites é importante, pois revela um comportamento &ldquo;anormal&rdquo;    da variável.</p>     <p>Conforme a <a href="#f2">figura 2</a>, dois grupos conservadores cresceram    mais nas últimas cinco eleições: o dos <i>partidos confessionais de direita</i>    (&ldquo;deputados evangélicos&rdquo;) e o dos <i>partidos personalistas</i> (&ldquo;fisiológicos&rdquo;),    enquanto a direita &ldquo;tradicional&rdquo; (<i>partidos seculares de direita</i>), que    controlava 212 cadeiras em 1998, ficou reduzida a 122 ao final da série. Os    confessionais (PEN, PHS, PR, PRB, PSC, PSDC) saltaram de dois deputados no início    dessa série (ou 0,4% da Câmara dos Deputados) para 76 no final (ou quase 15%).    As 12 agremiações personalistas (cf. <a href="#q2">Quadro 2</a>) saíram de quatro    representantes (0,8%), em 1998, para 39 deputados eleitos em 2014 (praticamente    8% das 513 cadeiras). Assim, a direita que realmente se fortaleceu foi uma &ldquo;nova    direita&rdquo;, fora dos grandes partidos tradicionais (&ldquo;seculares&rdquo;).<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="top13"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a02f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup></sup>Os resíduos padronizados negativos e positivos das três famílias    ideológicas que formam, <i>grosso modo</i>, a direita parlamentar (confessional    de direita, personalista e direita) são expressivos e estão bem acima do limite    crítico. Os partidos confessionais passam de -6,1 em 1998 para 9 em 2014, crescendo    efetivamente, e de forma abrupta, em 2010 (7,3). Os personalistas variam menos,    mas ainda assim de maneira importante: passam de -3,1 na primeira eleição para    7,2 na última, e será nessa eleição de 2014 que eles darão esse salto. Os partidos    seculares de direita eram dominantes em 1998 (5,9) e sofrem o maior impacto    do crescimento dos &ldquo;evangélicos&rdquo; em 2010 (quando caem para -4,8). Em 2014 esse    prejuízo e o prejuízo derivado do impacto eleitoral do avanço dos partidos personalistas    é dividido com os partidos seculares de centro (resíduos negativos de 3,1).    A distribuição das observações permite recusar a hipótese nula (distribuição    aleatória) em função do <i>p value ,</i>000 e, ainda em função de qui-quadrado,    da existência de uma associação moderada entre as categorias apresentadas.</p>     <p>A fim de dar uma face palpável a essa transformação na demografia da representação    política no Brasil, propomos a seguir uma análise dos dados mais centrada em    tipos empíricos que, espera-se, possa avançar a descrição e a compreensão do    fenômeno do &ldquo;crescimento da direita&rdquo; no país nessa década. Para fins heurísticos,    propomos uma taxonomia dos diferentes grupos que formam a direita brasileira.</p> Construindo uma classificação empírica da direita nacional Uma taxonomia ou uma  tipologia constrói-se retendo-se traços comuns (&ldquo;atributos&rdquo;, &ldquo;características  marcantes&rdquo;) dos fenómenos considerados. Cada tipo é então definido pela combinação  específica entre esses atributos. Conforme Bailey, as células numa tipologia representam  tipos conceptuais, abstratos, mais do que casos empíricos (1994).      <p>Há basicamente três maneiras de se construir classificações por tipos.<a href="#14"><sup>[14]</sup></a><a name="top14"></a>    A primeira é a <i>tipologia naturalista ou empírica</i> à la G. Gurvitch. Essa    classificação está fundada na existência de distinções naturais (e não artificiais    ou mentais, isto é, teóricas) entre os fenómenos observados e na análise de    algumas regularidades empiricamente verificáveis. Essa tipologia indutiva é    construída a partir da observação e da constatação das fronteiras naturais entre    as &ldquo;coisas&rdquo; (ou seja, das suas diferenças), e não da manipulação coordenada    dedutivamente de alguns traços característicos. Exemplos desta tipologia são    as classificações taxonómicas botânicas e zoológicas.</p>     <p>A segunda maneira é o oposto dessa. É uma classificação com base em <i>tipos    ideais</i> ou mentais à la Max Weber. Ela é puramente teórica (isto é, dedutiva    a partir de conceitos e noções) e está baseada principalmente numa caricatura    estilizada da realidade. A partir da observação do fenómeno faz-se uma seleção    subjetiva dos seus traços mais significativos e então procede-se a uma construção    lógica do tipo, destacando, pelo exagero, os traços mais significativos para    o pesquisador. O que está em questão aqui não é propriamente o realismo da definição,    mas a sua coerência interna ou lógica e o seu valor heurístico.</p>     <p>A terceira forma de elaborar tipologias (à la P. Lazarsfeld) é mais exigente    do que a naturalista e mais precisa do que a idealista. Diferentemente do tipo    natural (puramente empírica) e do tipo ideal (puramente teórica), essa tipologia    é construída a partir do máximo de informações empíricas, mas com base em determinados    atributos que são teoricamente relevantes e que são escolhidos de antemão pelo    pesquisador (eles formam as &ldquo;dimensões de análise&rdquo;). Portanto, ao contrário    do tipo naturalista ou empírico, não se trata de simples observação; ao contrário    do tipo ideal, não se trata de formulação teórica <i>a priori</i>. A <i>tipologia    construída</i> define duas ou três dimensões - que formarão o espaço de atributos    ou espaço de propriedades (Lazarsfeld, 1970) - e que são fundamentais para produzir    tipos exaustivos e abrangentes, mutuamente excludentes e significativamente    correlacionados (Collier, Laporte, e Seawright, 2009).</p>     <p>A grande vantagem de se trabalhar com tipologias e taxonomias é, resume Bailey,    a possibilidade de fornecer uma descrição exaustiva dos tipos; reduzir a complexidade    dos fenómenos estudados; identificar similaridades entre os casos considerados    e agrupá-los por semelhanças; identificar diferenças entre casos que, à primeira    vista, estão misturados; comparar entre si os tipos teoricamente produzidos;    e estudar as relações entre esses tipos a fim de tornar mais específicas hipóteses    de trabalho (Bailey, 1994).</p>     <p>A nossa classificação dos tipos empíricos da direita nacional está baseada    em quatro dimensões de análise e os atributos de cada uma delas estão especificados    no <a href="#q3">quadro 3</a>:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a02q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p> (i) <i>dimensão social</i>: corte de classe ou origem social do indivíduo;      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(ii) <i>dimensão ideológica</i>: definições prescritivas, visões de mundo e    valores sociais;</p>     <p>(iii) <i>dimensão política</i>: vinculação a partidos políticos e a determinados    tipos de partidos;</p>     <p>(iv) <i>dimensão económica</i>: visão prescritiva sobre as políticas de governo.</p> Sem que seja preciso simular todas as combinações logicamente possíveis, não é  difícil mostrar, a título de exemplo, alguns tipos que podem ser produzidos a  partir desses atributos. Um político determinado poderia agrupar as seguintes  características: origem nas classes médias tradicionais (profissões liberais,  por exemplo), conceções liberais em termos comportamentais (tolerância em relação  à união civil de pessoas do mesmo sexo), ser filiado a um partido político pequeno  e novo (recém-criado) e defender posições ultraliberais em economia. Por sua vez,  outro político poderia reunir os seguintes atributos: origem social nas classes  baixas, ultraconservador em termos de valores, infiel em relação a partidos políticos,  trocando constantemente de sigla, e a favor da intervenção do Estado na economia  nacional (&ldquo;nacionalista&rdquo;). Um terceiro tipo conciliaria origem nas classes altas  (empresariado rural, por exemplo), moderadamente conservador em termos comportamentais,  membro ativo de um grande partido de direita e neoliberal em termos de política  económica.      <p>Na próxima seção expomos em detalhe os tipos empíricos da nossa tipologia através    da combinação <i>ad hoc </i>desses atributos. Essa combinação produz cinco espécies-tipo.    Uma análise completa desse fenómeno político de transformação do perfil da classe    política brasileira deveria situar também os políticos eleitos pelos partidos    personalistas, até mesmo para demonstrar as suas afinidades potenciais com os    representantes dos partidos confessionais e seculares de direita, o que não    foi possível realizar no momento.</p> Tipificando os políticos da direita nacional A escolha dos cinco casos exemplares  listados a seguir é arbitrária e pretende ilustrar o nosso modelo tipológico,  que deve ser desenvolvido e aperfeiçoado.      <p>Há, evidentemente, muitos tipos intermediários entre estes cinco, além de tipos    mistos ou incompletos. Mas, a título inicial, como proposta de abordagem, os    representantes da direita nacional poderiam ser classificados como: o político    <i>tradicional</i> de direita, o político da <i>nova direita popular</i>, o    político da <i>direita populista</i>, o político da <i>direita neoliberal</i>    e o político da <i>direita libertária</i>. Para cada um destes escolhemos um    representante &ldquo;empírico&rdquo; que possuiria os atributos típicos do táxon. Além disso,    é preciso lembrar que os tipos aqui apresentados não se resumem a políticos    eleitos, mas sim a personagens que ocupam diferentes esferas da fauna partidária    e que servem de esteio para a compreensão da tipologia apresentada.</p>     <p>o político profissional da direita tradicional Ronaldo Caiado (do democratas    - DEM) tem origem na elite tradicional do seu estado, Goiás. É grande proprietário    de terras, pertence a um partido grande da direita brasileira (cuja origem mais    distante é a arena/PDS, ligados à ditadura militar). O seu partido é contra    programas de compensação social, quotas sociais ou raciais nas universidades    e utiliza, estrategicamente, um discurso anticomunista, em especial contra os    governos do Partido dos Trabalhadores. Nos termos dos atributos definidos pelo    nosso modelo, Caiado é de classe alta, tem perfil ideológico conservador, pertence    a um partido grande e tradicional e é estatista em termos económicos, a menos    nas políticas de intervenção do Estado no mercado que beneficiem o agronegócio.  </p>     <p>o político da nova direita popular </p> Marco Antônio Feliciano, o Pastor Feliciano do Partido Social Cristão (PSC), é  um ministro religioso de uma igreja neopentecostal ligada à Assembleia de Deus.  De origem pobre, defende valores tradicionais em questões morais (contra os direitos  dos homossexuais e o direito ao aborto, por exemplo). Nos termos dos atributos  definidos pelo nosso modelo, Feliciano tem origem social baixa, é ultraconservador,  pertence a um partido político pequeno, mas em franco crescimento eleitoral e  organizacional, e o seu perfil económico é um tanto indefinido, embora possa aceitar,  pragmaticamente, políticas de compensação social.      <p>o político da direita populista</p> Jair Bolsonaro (filiado em março de 2018 ao Partido Social Liberal - PSL) é um  militar reformado do Exército brasileiro. Político indiferente a partidos, defende  uma plataforma regressiva em termos de direitos humanos e direitos das minorias,  usa o anticomunismo e a celebração das práticas e das políticas do regime ditatorial-militar  como plataforma principal. Estatista e nacionalista, não possui uma doutrina económica  elaborada e definida. Em termos de valores e costumes, aproxima-se do representante  típico da nova direita popular, mas, politicamente, é muito semelhante ao que  nas democracias europeias se denomina de &ldquo;direita populista&rdquo;. Nos termos dos atributos  definidos pelo nosso modelo, Bolsonaro tem origem social na classe média, é ultraconservador,  é indiferente aos partidos políticos e mostrava-se um estatista. Na campanha presidencial  de 2018 abraçou o liberalismo económico (como estratégia de diferenciação da esquerda  e de aproximação da direita neoliberal) e, ao mesmo tempo, um discurso moral próximo  ao dos políticos evangélicos (como estratégia de aproximação à direita popular).  Em outubro de 2018 foi eleito presidente da República com o lema: &ldquo;Brasil acima  de tudo, Deus acima de todos&rdquo;.      <p>o político da direita neoliberal</p> Henrique Meirelles (Movimento Democrático Brasileiro - MDB<a href="#15"><sup>[15]</sup></a><a name="top15"></a>)  é engenheiro civil formado pela prestigiosa Escola Politécnica da Universidade  de São Paulo (USP). Executivo do setor financeiro internacionalizado, representa,  no nosso modelo, a direita económica neoliberal. Nos termos dos atributos definidos  pelo nosso esquema de classificação, Meirelles pertence, de origem, à classe alta,  não há informações sobre os seus posicionamentos em termos de costumes, é indiferente  a partidos políticos (já foi filiado aos partidos de centro-direita PSD e ao PSDB)  e, economicamente, é neoliberal.      <p>o político da direita libertária</p> Esse é o tipo mais recente. Ele está presente no livres (uma extensão modernizada  do Instituto Liberal) e no NOVO, um partido que pretende organizar-se como empresa.  São em geral profissionais liberais de profissões tradicionais não ligadas ao  setor público (médicos, engenheiros, advogados). São radicalmente contra o Estado  social (serviços públicos estatais), radicalmente pró-mercado, defendem a doutrina  económica liberal tradicional (Hayek, von Mises, Friedman) e a liberdade de escolha  individual como um direito absoluto. São, nesse sentido, opostos à direita conservadora  em termos morais representada pelo pastor evangélico Feliciano. Um exemplo possível  aqui seria Fábio Ostermann (PSL). Nos termos dos atributos definidos pelo nosso  modelo, Ostermann tem de origem social na classe média, pertence a um pequeno  partido e é economicamente ultraliberal. Ostermann identifica-se como cientista  político, professor, palestrante e ativista pela liberdade. Foi um dos fundadores  e é ex-membro do Movimento Brasil Livre (MBL), em 2014. Participou da organização  dos protestos contra a corrupção e contra o governo de Dilma Rousseff. É presidente  sul rio-grandense do Partido Social Liberal e também é diretor executivo da Fundação  Educacional do partido, que se apresenta como &ldquo;o primeiro partido <i>startup</i>  do Brasil&rdquo;. Fábio Ostermann pertenceu à tendência interna do PSL chamada livres  que, segundo sua página na rede social Facebook, atua desde 2015 para renová-lo,  reforçando sua adesão à doutrina económica liberal tradicional e à liberdade como  direito absoluto.<a href="#16"><sup>[16]</sup></a><a name="top16"></a>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conclusões</p> Procuramos avançar além da estatística descritiva dos grupos partidários, propondo  uma nova tipologia para apreender a variedade de espécies da direita brasileira.  O valor científico e a utilidade heurística dessa tipologia devem ser julgados  por si mesmo, mas esse procedimento poderia confirmar algumas vantagens de se  trabalhar com classificações sistemáticas em Ciência Política ao invés de deduções  teóricas. Conseguimos, no limite das informações hoje disponíveis, propor uma  descrição de cinco tipos diferentes, reduzindo, através dessas caricaturas reais,  a complexidade do fenómeno do &ldquo;crescimento da direita&rdquo; no Brasil na segunda década  do século XXI. Isso foi feito agrupando os casos empíricos por similaridades e  diferenças, o que permitiu, a partir daí, comparar os tipos entre si e enfatizar  a diversidade ecológica dessa família ideológica. O recurso de individualizar  os tipos ou os taxa em figuras reais pode servir, antes de tudo, para ilustrar  a potencialidade desse modelo.      <p>Todavia, o entendimento desse &ldquo;crescimento da direita&rdquo; exige uma maior divisão    do trabalho científico para dar conta dessa agenda, já que essa família política    tem muitas faces públicas (parlamentar, partidária), milita em diferentes domínios    (nas ruas, nas redes sociais, na imprensa tradicional) e manifesta-se hoje como    movimento social, como ativismo digital, como corrente de opinião, etc.</p>     <p>No terreno da política institucional, a direita parlamentar deve, para ser    mais bem explicada, desagregada em subgrupos ideológicos ou blocos partidários,    seja para separar a &ldquo;nova&rdquo; direita confessional dos pequenos partidos da &ldquo;velha&rdquo;    direita secular, seja para isolar e apontar a ascensão do bloco dos partidos    personalistas. Se ou até que ponto esses últimos integram a família da direita    não bem foi determinado, pois eles raramente apoiam as suas atuações em princípios    ideológicos estritos. Lidar com eles exigiria, no entanto, um estudo específico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>ALCÁNTARA, M. (2016), <i>A Profissionalização da Política</i>, Curitiba, CPOP-PPGCP/UFPR.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104315&pid=S0003-2573201800040000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BABIRESKI, F. R. (2016), &ldquo;Pequenos partidos de direita no Brasil: uma análise    dos seus posicionamentos políticos&rdquo;. <i>Newsletter. Observatório de Elites Políticas    e Sociais do Brasil, </i>3(6), pp. 1-16.</p>     <!-- ref --><p>BAILEY, K.&#8197;D. (1994), <i>Typologies</i><i> and Taxonomies: an Introduction    to Classification Techniques</i>, Thousand Oaks, Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104318&pid=S0003-2573201800040000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BAKER, A. et al. (2016), &ldquo;The dynamics of partisan identification when party    brands change: the case of the workers party in Brazil&rdquo;. <i>The Journal of Politics</i>,    78(1), pp. 197-213. <a href="https://doi.org/10.1086/683609" target="_blank">https://doi.org/10.1086/683609</a></p>     <p>BARBOSA, T.&#8197;A.&#8197;L., Schaefer, B.&#8197;M., Ribas, V. de L. (2017),    &ldquo;Novos competidores no Brasil? Candidatos e eleitos pela rede, PMB e NOVO&rdquo;.    <i>Newsletter. Observatório de Elites Políticas e Sociais do </i>Brasil, 4(3),    pp. 1-17.</p>     <p>BERLATTO, F., Codato, A., Bolognesi, B. (2016), &ldquo;Da polícia à política: explicando    o perfil dos candidatos das forças repressivas de Estado à Câmara dos Deputados&rdquo;.    <i>Revista Brasileira de Ciência Política</i>, 21, pp. 77-120.</p>     <p>BLANCO, R. (2017), &ldquo;O crescimento da direita e a força da inquietação política    pelo mundo&rdquo;. <i>The Huffington Post</i>. Disponível em <a href="http://www.huffpostbrasil.com/ramon-blanco/o-crescimento-da-direita-e-a-forca-da-inquietacao-politica-pelo_a_21698271/" target="_blank">http://www.huffpostbrasil.com/ramon-blanco/o-crescimento-da-direita-e-a-forca-da-inquietacao-politica-pelo_a_21698271/</a>    [consultado em 18-04-2017].      <p>BRAGA, M. do S.&#8197;S. (2010), &ldquo;Eleições e Democracia no Brasil: a caminho    de partidos e sistemas partidários institucionalizados&rdquo;. <i>Revista Brasileira    de Ciência Política</i>, 4, pp. 43-73.</p>     <p>BRUGNAGO, F., Chaia, V. (2015), &ldquo;A nova polarização política nas eleições de    2014: radicalização ideológica da direita no mundo contemporâneo do Facebook&rdquo;.    <i>Aurora: Revista de Arte, Mídia E Política</i>, 7(21), pp. 99-129.</p>     <p>CASSOTTA, P.&#8197;L. (2016), &ldquo;Uma análise do comportamento dos deputados evangélicos    no Legislativo brasileiro&rdquo;. <i>E-Legis</i>, 9 (20), pp. 75-101.</p>     <p>CHALOUB, J., Perlatto, F. (2016), &ldquo;A nova direita brasileira: ideias, retórica    e prática política&rdquo;. <i>Insight Inteligência</i>, 72, pp. 24-41. Disponível    em <a href="http://insightinteligencia.com.br/pdfs/72.pdf" target="_blank">http://insightinteligencia.com.br/pdfs/72.pdf</a>    [consultado em 11-02-2017].</p>     <p>CODATO, A., Bolognesi, B. e Roeder, K. M. (2015), &ldquo;A nova direita brasileira:    uma análise da dinâmica partidária e eleitoral do campo conservador&rdquo;. <i>In</i>    S. V. e Cruz, A. Kaysel e G. Codas (eds.), <i>Direita, Volver! O Retorno da    Direita e o Ciclo Político Brasileiro</i>, São Paulo, Editora Fundação Perseu    Abramo, pp. 115-143.</p>     <p>COLLIER, D., Laporte, J. e Seawright, J. (2009), &ldquo;Typologies: forming concepts    and creating categorical variables&rdquo;. <i>In</i> D. Collier e H. E. Brady (eds.),    <i>The Oxford Handbook of Political Methodology</i>, Oxford, Oxford Handbooks    Online.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>COPPEDGE, M. (1997a), <i>A Classification of Latin American Political Parties</i>    (Working Paper No. 244). <i>Working</i><i> Paper</i>. EUA, The Helen Kellogg    Institute for International Studies.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104330&pid=S0003-2573201800040000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>COPPEDGE, M. (1997b), &ldquo;The dynamic diversity of Latin American party systems&rdquo;.    <i>In</i> Latin American Studies Association (ed.), <i>Paper</i><i> prepared    for delivery at the 1997 Meeting of the Latin American Studies Association</i>,    Guadalajara, Mexico, Latin American Studies Association, pp. 1-21.</p>     <p>COPPEDGE, M. (1998), &ldquo;The dynamic diversity of Latin American Party Systems&rdquo;.    <i>Party Politics</i>, 4(4), pp. 547-568. <a href="https://doi.org/10.1177/1354068898004004007" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1354068898004004007</a></p>     <p>COPPEDGE, M. (2012), &ldquo;Explaining Democratic deterioration in Venezuela through    nested inference&rdquo;. In <i>Congreso</i><i> Latino Americano de Ciência Política</i>,    Salamanca.</p>     <!-- ref --><p>Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (ed.) (2014), <i>Radiografia    do Novo Congresso: Legislatura 2015-2019</i>, Brasília, diap.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104335&pid=S0003-2573201800040000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>DIP, A. (2015), &ldquo;Os pastores do Congresso&rdquo;. <i>Agência Pública</i>. Disponível    em <a href="http://apublica.org/2015/10/os-pastores-do-congresso/" target="_blank">http://apublica.org/2015/10/os-pastores-do-congresso/</a>    [consultado em 18-04-2017].</p>     <p>FAGANELLO, M. A. (2015), &ldquo;Bancada da bala: uma onda na maré conservadora&rdquo;.    <i>In</i> S. V. e Cruz, A. Kaysel e G. Codas (eds.), <i>Direita, Volver!</i><i>&#8239;</i><i>:    o Retorno da Direita e o Ciclo Pol</i><i>í</i><i>tico Brasileiro</i>, São Paulo,    Editora Fundação Perseu Abramo, pp. 145-161.</p>     <p>FERREIRA, D. P., Batista, C. M. e Stabile, M. (2008), &ldquo;A evolução do sistema    partidário brasileiro: número de partidos e votação no plano subnacional 1982-2006&rdquo;.    <i>Opinião Pública</i>, 14(2), pp. 432-453.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GALLAGHER, M. (2015), <i>Election indices dataset</i>. Disponível em <a href="https://datamarket.com/" target="_blank">https://datamarket.com/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104340&pid=S0003-2573201800040000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>GERARDI, D. A. (2016), &ldquo;Parlamentares evangélicos no Brasil: perfil de candidatos    e eleitos a deputado federal (1998-2014)&rdquo;. <i>Newsletter. Observatório de Elites    Políticas e Sociais do Brasil</i>,<i> </i>3(14), pp. 1-18.</p>     <!-- ref --><p>HAZAN, R. Y., Rahat, G. (2010), <i>Democracy within Parties: Candidate Selection    and their Political Consequences</i>, Oxford, Oxford University Press. <a href="https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199572540.001.0001" target="_blank">https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199572540.001.0001</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104342&pid=S0003-2573201800040000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>JALALIi, C., Lisi, M. (2009), &ldquo;Weak societal roots , strong individual patrons?    Patronage &amp; party organization in Portugal&rdquo;. <i>Revista Enfoques: Ciência    Politica Y Administración Pública</i>, vii(11), pp. 441-470.</p>     <p>KLUGE, S. (2000), &ldquo;Empirically grounded construction of types and typologies    in qualitative social research&rdquo;. <i>Forum</i><i>: Qualitative Social Research</i>,    1(1), pp. 1-8.</p>     <p>LACERDA, F. (2017), &ldquo;Evangélicos, pentecostais e representação política nas    eleições legislativas no Brasil (1998-2010)&rdquo;. <i>Revista Brasileira de Ciências    Sociais</i>, 32(93). <a href="https://doi.org/10.17666/329310/2017" target="_blank">https://doi.org/10.17666/329310/2017</a></p>     <p>LAZARSFELD, P. F. (1970), &ldquo;Some remarks on the typological procedure in social    research&rdquo;. In <i>Zeitschrift</i><i> für Sozialforschung. Herausgegeben im Auftrag    des Instituts für Sozialforschung von Max Horkheimer</i>, Munique, Kösel-Verlag    GmbH &amp; Co, pp. 119-139.</p>     <p>LEVITSKY, S., Way, L. (2002), &ldquo;The rise of competitive authoritarianism&rdquo;. <i>Journal    of Democracy</i>, 13(2), pp. 51-65. <a href="https://doi.org/10.1353/jod.2002.0026" target="_blank">https://doi.org/10.1353/jod.2002.0026</a></p>     <!-- ref --><p>LIMONGI, F., Vasselai, F. (2016), <i>Coordenando Candidaturas: Coligações e    Fragmentação Partidária nas Eleições Gerais Brasileiras</i>. <i>10.<sup>o</sup>    Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política</i>, Belo Horizonte, Associação    Brasileira de Ciência Política.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104348&pid=S0003-2573201800040000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LOUBET Del Bayle, J.-L. (2000), <i>Initiation</i><i> aux méthodes des sciences    sociales,</i> Paris-Montréal, L&rsquo;Harmattan.</p>     <p>LUPU, N. (2013), &ldquo;Party brands and partisanship: theory with evidence from    a survey experiment in Argentina&rdquo;. <i>American Journal of Political Science</i>,    57(1), pp.49-64. <a href="https://doi.org/10.1111/j.1540-5907.2012.00615.x" target="_blank">https://doi.org/10.1111/j.1540-5907.2012.00615.x</a></p>     <p>LUPU, N. (2014), &ldquo;Brand dilution and the breakdown of political parties in    Latin America&rdquo;. <i>World Politics</i>, 66(4), pp. 561-602. <a href="https://doi.org/10.1017/S0043887114000197" target="_blank">https://doi.org/10.1017/S0043887114000197</a></p>     <!-- ref --><p>MAINWARING, S., Meneguello, R., Power, T. (2000), <i>Partidos Conservadores    no Brasil Contempora&#770;neo: quais São, o que Defendem, quais São Suas Bases</i>,    São Paulo, Paz e Terra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104353&pid=S0003-2573201800040000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MELO, C. R. F. (2010), &ldquo;Eleições presidenciais, jogos aninhados e sistema partidário    no Brasil&rdquo;. <i>Revista Brasileira de Ciência Política</i>, 4, pp. 13-41.</p>     <p>NICOLAU, J., Schmitt, R. A. (1995), &ldquo;Sistema eleitoral e sistema partidário&rdquo;.    <i>Lua Nova: Revista de Cultura e Política</i>, 36(95), pp. 129-147.</p>     <p>ORTELLADO, P., Solano, E. (2016), &ldquo;Nova direita nas ruas? Uma análise do descompasso    entre manifestantes e os convocantes dos protestos antigoverno de 2015&rdquo;. <i>Perseu</i>,    7(11), pp. 169-180.</p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, J. C. R. (1999), <i>Análise de Dados Qualitativos: Estratégias Metodológicas    para as Ciências da Saúde, Humanas e Sociais</i>, São Paulo, Editora da Universidade    de São Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104358&pid=S0003-2573201800040000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PERES, P., Ricci, P. e Rennó, L. (2011), &ldquo;A variação da volatilidade eleitoral    no Brasil: um teste das explicações politicas, econômicas e sociais&rdquo;. <i>Latin</i><i>    American Research Review</i>, 46(3), pp. 46-68.</p>     <!-- ref --><p>PESTANA, M. H., Gageiro, J. N. (2008), <i>Análise de Dados para Ciências Sociais:    a Complementaridade do spss</i> (5.ª ed.), Lisboa, Sílabo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104361&pid=S0003-2573201800040000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>POWER, T. J., Zucco Jr., C. (2009), &ldquo;Estimating ideology of Brazilian legislative    parties, 1990-2005&rdquo;. <i>Latin</i><i> American Research Review</i>, 44(1), pp.    218-246.</p>     <p>QUADROS, D. G. de, Moraes, T. P. B. de. (2016), &ldquo;A crise do governo Dilma Rousseff    em 140 caracteres no Twitter: do #impeachment ao #foradilma&rdquo;. <i>In</i> anpocs    (ed.), <i>40.<sup>o</sup> Encontro Anual da anpocs</i>, Caxambu - MG, Associação    Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), pp. 1-30.</p>     <!-- ref --><p>RODRIGUES, L. M. (2002), <i>Partidos, Ideologia e Composição Social: um Estudo    das Bancadas Partidárias na Câmara dos Deputados</i>, São Paulo, Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104365&pid=S0003-2573201800040000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SCHEEFERr, F. (2016), <i>Ideologia e Comportamento Parlamentar na Câmara dos    Deputados: Faz Sentido ainda Falar em Esquerda e Direita?</i>, Florianópolis    - SC, Universidade Federal de Santa Catarina.</p>     <p>SEGURADO, R., Chicarino, T. e Malina, P. (2016), &ldquo;A polarização política brasileira    analisada através do monitoramento de rede focado nos perfis do MBL e da cut    no Twitter&rdquo;. <i>In</i> anpocs (ed.), <i>40.<sup>o</sup> Encontro Anual da anpocs</i>,    Caxambu - MG, Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais    (Anpocs), pp. 1-22.</p>     <p>TAROUCO, G. D. S., Madeira, R. M. (2013), &ldquo;Esquerda e direita no sistema partidário    brasileiro: análise de conteúdo de documentos programáticos&rdquo;. <i>Revista Debates</i>,    7(2), pp. 93-114.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>TATAGIBA, L., Trindade, T., Teixeira, A. C. C. (2015), &ldquo;Protestos à direita    no Brasil (2007-2015)&rdquo;. <i>In</i> S. V. e Cruz, A. Kaysel, G. Codas (eds.),    <i>Direita, Volver!: o Retorno da Direita e o Ciclo Político Brasileiro</i>,    São Paulo, Editora Fundação Perseu Abramo, pp. 197-212.</p>     <p>TELLES, H. de S., Storni, T. P. L. (2011), &ldquo;Ideologia e valores: o voto dos    eleitores de direita e de esquerda&rdquo;. <i>Revista Latinoamericana de Opinión Pública</i>,    1(1), pp. 87-146.</p>     <p>VASQUEZ, V. L., Fernandes, J. L. M. (2015), &ldquo;Perfis dos deputados federais    da 55.<sup>a</sup> Legislatura (2015-2018): tendências conservadoras?&rdquo;. In <i>39.<sup>o</sup>    Encontro Anual da Anpocs</i>, Caxambu (MG), Brasil, Anpcos, pp. 1-25.</p>     <p>WIESEHOMEIR, N., Benoit, K. (2007), <i>Parties</i><i> and Presidents in Latin-America:    Data from Expert Surveys in 18 Latin American Countries, 2006-2007</i>, Konstanz,    Dublin, University of Konstanz, Trinity College Dublin.</p>     <p>ZUCCO JR., C. (2011), &ldquo;Esquerda, direita e governo: a ideologia dos partidos    políticos brasileiros&rdquo;. <i>In</i> T. J. Power, C. Zucco Jr. (eds.), <i>O Congresso    por ele Mesmo: Autopercepções da Classe Política Brasileira</i>, Belo Horizonte,    Editora ufmg, pp. 37-60.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido a 17-05-2017. </b></p>     <p><b>Aceite para publicação a 05-02-2018.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> Agradecemos os comentários    dos pareceristas anónimos da <i>Análise Social</i>. Os erros e imprecisões remanescentes    são da inteira responsabilidade dos autores. Adriano Codato contou, para a realização    deste artigo, com uma bolsa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal    de Nível Superior) durante estágio de pós-doutorado no Departamento de Ciência    Política da Universidade Paris 1 - Panthéon-Sorbonne, entre 2015 e 2016 - Processo    n.º 99999.006157/2014-09.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a> Cf. Departamento Intersindical    de Assessoria Parlamentar (2014). No apêndice há uma lista das siglas dos partidos    brasileiros e do seu significado.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a> Para um balanço do tamanho    da bancada evangélica por partido no início da legislatura atual (2015-2018),    v., entre outros, Dip (2015). Sobre o partido NOVO, v. Barbosa, Schaefer, e    Ribas (2017). Para uma visão geral sobre o avanço da direita fora do Brasil,    v. Blanco (2017). Para uma primeira tentativa de classificação desse fenómeno,    separando a &ldquo;velha&rdquo; da &ldquo;nova&rdquo; direita, v. Codato, Bolognesi e Roeder (2015).    Sobre a retórica dessa nova direita, v. Chaloub e Perlatto (2016).</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a> Emerson Urizzi Cervi, E    a direita brasileira continua crescendo. Blog <i>Em público</i>. Disponível    em <a href="https://blogempublico.wordpress.com/2016/06/10/e-a-direita-brasileira-continua-crescendo-nao-so-na-elite-politica-na-base-tambem/" target="_blank">https://blogempublico.wordpress.com/2016/06/10/e-a-direita-brasileira-continua-crescendo-nao-so-na-elite-politica-na-base-tambem/</a>    [consultado em 18-04-2017].</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a> V. principalmente Babireski    (2016); Berlatto, Codato e Bolognesi (2016); Cassotta (2016); Codato, Bolognesi    e Roeder (2015); Faganello (2015); Gerardi (2016); Lacerda (2017; Scheeffer    (2016); Vasquez e Fernandes (2015).</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a> Os dados sobre número efetivo    de partidos podem ser encontrados em Gallagher (2015).</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a> Cf. Comissão Nacional de    Eleições, Quadro ii - Partidos Políticos Portugueses, por ano de inscrição e    n.º de eleições a que concorreu para a Assembleia da República. Fonte: <a href="http://cne.pt/content/quadro-ii-partidos-politicos-portugueses-por-ano-de-inscricao-e-no-de-eleicoes-que-concorreu-para" target="_blank">http://cne.pt/content/quadro-ii-partidos-politicos-portugueses-por-ano-de-inscricao-e-no-de-eleicoes-que-concorreu-para</a>    [consultado em 05-01-2018].</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a> Dados calculados a partir    de Tribunal Superior Eleitoral, partidos políticos registrados no tse. Fonte:    <a href="http://www.tse.jus.br/partidos/partidos-politicos/registrados-no-tse" target="_blank">http://www.tse.jus.br/partidos/partidos-politicos/registrados-no-tse</a>    [consultado em 05-01-2018].</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a> Recentemente, uma série    de partidos políticos mudaram os seus nomes no Brasil. Usualmente tais mudanças    possuem explicações estruturais como o mau desempenho do partido <i>incumbent</i>,    mudanças nas clivagens sociais dos países (Baker et al., 2016), na fonte de    recursos dos partidos (Levitsky e Way, 2002) ou em escândalos de corrupção (Coppedge,    2012; Hazan e Rahat, 2010). Contudo, a explicação da mudança no <i>brand</i>    partidário está ligada ao descompasso das elites partidárias e à sua base de    eleitores (Lupu, 2014). Ainda que no Brasil tenha se alterado apenas o <i>label    </i>do partido e não o <i>brand</i> inteiramente, é preciso levar em conta que    boa parte dessa mudança se relaciona com o cenário político nacional. No caso    do PFL/DEM o vetor de mudança foi o mau desempenho que a legenda vinha acumulando    nas últimas eleições. Nos casos de PTDOB/Podemos e Pen/Patriota a mudança deveu-se    à tentativa de aproximação de um potencial candidato à presidência, buscando    espaço numa nova e flexível legenda. Os casos do PP/Progressistas, PTN/Avante,    PSDC/democracia Cristã e PMDB/MDB são frutos do desgaste das legendas e de uma    tentativa de realinhamento com um eleitorado em busca de mudança, com baixa    confiança nos políticos e partidos tradicionais. Para resumir, Lupu (2013) parece    oferecer a melhor explicação: as mudanças nas orientações, nomes, arranjos no    interior dos partidos são sempre uma tentativa de conectar as elites dos partidos    aos votos dos eleitores, ainda que cada partido utilize métodos diferentes para    tanto.</p>     <p><a href="#top10"><sup>[10]</sup></a><a name="10"></a> V. para essa classificação    (Coppedge, 1997a; Mainwaring, Meneguello e Power, 2000; Power e Zucco Jr., 2009;    Rodrigues, 2002; Wiesehomeier e Benoit, 2007; Zucco Jr., 2011). Um quadro sintético    pode ser lido em Tarouco e Madeira (2013).</p>     <p><a href="#top11"><sup>[11]</sup></a><a name="11"></a> Talvez a maioria deles    ficassem melhor acomodados na classe &ldquo;outro bloco&rdquo;, que são aqueles partidos    &ldquo;que representam uma ideologia, um programa, um princípio, uma região, um interesse    ou um grupo social específico, mas que não podem ser classificados em termos    de esquerda-direita ou confessional-secular&rdquo; (Coppedge, 1997b).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top12"><sup>[12]</sup></a><a name="12"></a> Coppedge inclui nessa    classe, além do PMN, o PTN, que classificamos aqui como personalista. V. Coppedge    (1997a).</p>     <p><a href="#top13"><sup>[13]</sup></a><a name="13"></a> Em 1998, os três maiores    partidos da <i>direita secular</i> - PFL (depois DEM), PPB (depois PP) e PTB    - fizeram eleger nada menos do que 38,2% dos deputados brasileiros (196 sobre    513); em 2014 esse número foi de 16,2% (83 representantes).</p>     <p><a href="#top14"><sup>[14]</sup></a><a name="14"></a> As referências principais    para essa explicação são Kluge (2000) e Loubet del Bayle (2000).</p>     <p><a href="#top15"><sup>[15]</sup></a><a name="15"></a> Em dezembro de 2017 o    PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) voltou a se chamar MDB (Movimento    Democrático Brasileiro), o nome e a sigla da agremiação de 1966 a 1979. V. nota    9.</p>     <p><a href="#top16"><sup>[16]</sup></a><a name="16"></a> Inicialmente uma tendência    interna do Partido Social Liberal, o livres atualmente é uma associação independente,    funcionando mais como movimento político/social. Saíram do PSL após a filiação    do deputado federal Jair Bolsonaro ao partido.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Apêndice</b></p>     <p>Lista de siglas dos partidos políticos brasileiros citados</p>     <p><b></b>DEM/PFL - Democratas/Partido da Frente Liberal</p>     <p>MDB - Movimento Democrático Brasileiro</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NOVO - Partido Novo</p>     <p>PAN - Partido dos Aposentados da Nação</p>     <p>PC do B - Partido Comunista do Brasil</p>     <p>PCB - Partido Comunista Brasileiro</p>     <p>PCO - Partido da Causa Operária</p>     <p>PDT - Partido Democrático Trabalhista</p>     <p>PEN - Partido Ecológico Nacional</p>     <p>PGT - Partido Geral dos Trabalhadores</p>     <p>PHS - Partido Humanista da Solidariedade</p>     <p>PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PMN - Partido da Mobilização Nacional</p>     <p>PODE - Podemos</p>     <p>PP/PPB - Partido Progressista/Partido Progressista Brasileiro</p>     <p>PPL - Partido Pátria Livre</p>     <p>PPS - Partido Popular Socialista</p>     <p>PR - Partido da República</p>     <p>PR/PL - Partido da República/Partido Liberal</p>     <p>PRB - Partido Republicano Brasileiro</p>     <p>PRN/PTC - Partido da Reconstrução Nacional/Partido Trabalhista Cristão</p>     <p>PRONA - Partido de Reedificação da Ordem Nacional</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PROS - Partido Republicano da Ordem Social</p>     <p>PRP - Partido Republicano Progressista</p>     <p>PRTB - Partido Renovador Trabalhista Brasileiro</p>     <p>PSB - Partido Socialista Brasileiro</p>     <p>PSC - Partido Social Cristão</p>     <p>PSD - Partido Social Democrático</p>     <p>PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira</p>     <p>PSDC - Partido Social Democrata Cristão</p>     <p>PSL - Partido Social Liberal</p>     <p>PSN - Partido da Solidariedade Nacional</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PSOL - Partido Socialismo e Liberdade</p>     <p>PST - Partido Social Trabalhista</p>     <p>PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado</p>     <p>PT do B - Partido Trabalhista do Brasil</p>     <p>PT - Partido dos Trabalhadores</p>     <p>PTB - Partido Trabalhista Brasileiro</p>     <p>PTN - Partido Trabalhista Nacional</p>     <p>PV - Partido Verde</p>     <p>SD - Solidariedade</p>      ]]></body><back>
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