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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Radicalização nas redes sociais: comentários no Facebook durante a disputa presidencial em 2014 no Brasil]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Radicalization on social network sites: comments on Facebook during the Brazilian presidential elections in 2014]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the phenomenon of radicalization into online conversation, especially through social network sites. Then, we analyze comments posted by Facebook users on Brazilian newspapers’ fan pages on that social medium. 628,057 comments mentioning at least one of the main candidates during the campaign were classified. The article discusses some aspects of radicalization, so it analyzes two specific variables: reflexivity and form of comments. Results show that social media, even though they open a space for dialog, give place to debates in which participants prioritize criticism or praise for candidates, and they basically lead to persuasion and radicalization.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Radicalização nas redes sociais: comentários no Facebook    durante a disputa presidencial em 2014 no Brasil</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Radicalization on social network sites: comments on Facebook    during the Brazilian presidential elections in 2014</b></font></p>     <p><b>Fernanda Cavassana de Carvalho*, Michele Goulart Massuchin**, Isabele Batista    Mitozo***</b></p>     <p>* Universidade Federal do Paraná. Campus Reitoria, Rua XV de Novembro, 1299,    Ed. Dom Pedro I, Centro - cep 80060000 Curitiba, PR, Brasil. </p>     <p>** Universidade Federal do Paraná. Campus Reitoria, Rua XV de Novembro, 1299,    Ed. Dom Pedro I, Centro - cep 80060000 Curitiba, PR, Brasil.</p>     <p>*** Universidade Federal do Paraná. Campus Reitoria, Rua XV de Novembro, 1299,    Ed. Dom Pedro I, Centro - cep 80060000 Curitiba, PR, Brasil. </p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p> Radicalização nas redes sociais: comentários no Facebook durante a disputa presidencial  em 2014 no Brasil.&#8195;Este artigo discute o fenómeno da radicalização nas conversações  <i>online</i> que ocorrem por meio de redes sociais. Analisam-se comentários postados  pelo público nas <i>fan pages</i> do Facebook de jornais impressos brasileiros.  Foram codificados 628&#8197;057 comentários publicados que mencionavam os principais  presidenciáveis durante todo o período eleitoral de 2014, no Brasil. Discutem-se  aspetos da radicalização através de duas variáveis específicas: reflexividade  e formato dos comentários. Os resultados indicam que as redes sociais, embora  permitam espaço para o diálogo, dão lugar a um debate em que os participantes  priorizam criticar ou elogiar os candidatos e que serve, basicamente, para persuasão  e radicalização. Além disso, verifica-se que a radicalização se distancia da polarização  da disputa, pois concentra-se apenas na candidata à reeleição.      <p><b>Palavras-chave:</b> radicalização; debate público; Facebook; eleições.</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper discusses the phenomenon of radicalization into online conversation,    especially through social network sites. Then, we analyze comments posted by    Facebook users on Brazilian newspapers&rsquo; fan pages on that social medium. 628,057    comments mentioning at least one of the main candidates during the campaign    were classified. The article discusses some aspects of radicalization, so it    analyzes two specific variables: reflexivity and form of comments. Results show    that social media, even though they open a space for dialog, give place to debates    in which participants prioritize criticism or praise for candidates, and they    basically lead to persuasion and radicalization.</p>     <p><b>Keywords:</b> radicalization; public debate; Facebook; elections.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Introdução</p>     <p>O debate político configura-se como uma das principais linhas de investigação    em internet e política, principalmente com enfoque nas redes sociais digitais    (doravante, RSD) (Sweetser e Lariscy, 2008; Penteado e Avanzi, 2013; Adams e    Mccorkindale, 2013; Valenzuela, Kim e Zúñiga, 2012; Bor, 2014; Mitozo, Massuchin    e Carvalho, 2015; Maia e Rezende, 2015). Entre as subáreas, a pesquisa<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>    originária deste artigo estuda o debate que ocorre entre os leitores de veículos    de comunicação convencionais quando adentram as RSD, com atenção especial a    um momento específico: as disputas eleitorais. </p>     <p>No caso dos jornais, ocorre uma mudança no modo como os leitores interagem    com o veículo. A participação antes limitada à &ldquo;carta do leitor&rdquo; agora ganha    destaque por intermédio das ferramentas <i>online</i>, especialmente as RSD.    Nesse espaço, há interação entre o periódico e os seus leitores e também entre    os próprios leitores de modo mais dinâmico e rápido, o que se relaciona com    o que a literatura tem identificado como <i>affordances </i>da ferramenta (Halpern    e Gibbs, 2013), isto é, os recursos próprios do ambiente em que há interação    ou comunicação e que estimulam determinadas ações, moldando o comportamento    e a interação nesse ambiente (Gibson, 1986).</p>     <p>Por meio dos comentários, os veículos convencionais abrem espaço para receber    <i>feedback</i><i> </i>dos seus leitores, o que lhes permite expressarem-se    sobre determinado tema, por meio da reação a um conteúdo jornalístico produzido    (Silva, 2013). Estudos como o de Sampaio e Barros (2010), Cervi (2013), Strandberg    e Berg (2013) e Mitozo, Massuchin e Carvalho (2015) também analisam a relação    entre periódicos e webleitores, e observam que estes últimos não são, necessariamente,    o público leitor do jornal impresso. Os jornais possuem um número muito maior    de seguidores - que podem ser de distintos perfis e lugares - do que de assinantes    das versões impressas.<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a></p>     <p>Por outro lado, ainda que haja um espaço a proporcionar diálogo nas RSD, o    modo de utilização distancia-se do modelo normativo idealizado (Dahlgren, 2005),    principalmente porque há um fenómeno que se ampliou nessas redes: a radicalização    (Amossy, 2011). Mesmo que não seja algo próprio da internet, alguns contextos    - tal como o das campanhas eleitorais em contextos polarizados e de disputas    acirradas - levam ao que alguns autores chamam de radicalização militante (Lattman-Weltman,    2015; Amossy, 2011; Brugnago e Chaia, 2015). A radicalização é uma das possibilidades    dentro daquilo que a literatura denomina como reflexividade, que é uma das variáveis    comumente presentes nas pesquisas sobre debate público. Segundo Sampaio, Barros    e Morais (2012, p. 480) tal conceito pode ser &ldquo;entendido como a consideração    da perspetiva alheia ao formular as próprias argumentações e o estabelecimento    de posição nas discussões, ou seja, incorporar os argumentos dos outros&rdquo;. No    caso da radicalização, de modo específico, a categoria restringe-se aos comentários    e falas de participantes que reagem de forma negativa a outra postagem, com    um tom sempre ofensivo (Janssen e Kies, 2004).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo, portanto, pretende analisar como é que esse fenómeno que permeia    os espaços de debate <i>online</i> aparece nos comentários de veículos jornalísticos    no Facebook durante as eleições de 2014, no Brasil. De entre as principais contribuições    do texto, devemos considerar a análise empírica a tratar especificamente da    radicalização, num cenário em que o tema ainda tem sido tratado do ponto de    vista teórico e as demais análises empíricas são mais focadas nos aspetos deliberativos,    de modo mais amplo.Trabalhámos sobretudo com o Facebook por ser esta a RSD de    maior acesso no Brasil, segundo a atual Pesquisa Brasileira de Mídia (Brasil,    2016).</p>     <p>Conduz-se a análise pela observação das seguintes variáveis: (1) formato dos    comentários (críticas, elogios, outros) e (2) reflexividade, segundo a proposta    teórica e metodológica de Janssen e Kies (2004), que se divide em: ausência    de reflexividade, persuasão, progresso e radicalização. O <i>corpus</i> empírico    é constituído por 628&#8197;057<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>    comentários de webleitores nas <i>fanpages</i> de 12 jornais brasileiros<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a>    de 1 de julho a 31 de outubro de 2014.<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>    A hipótese que norteia o trabalho é de que, nos comentários feitos aos <i>posts</i>    de campanha, destaca-se a radicalização do debate e há, ainda, uma relação diferente    entre essa característica e cada candidato mencionado nos comentários.</p>     <p>Para testar essa hipótese, o artigo é desenvolvido da seguinte forma: a primeira    secção traz uma reflexão teórica acerca do debate público desenvolvido na internet,    especialmente, por meio das RSD. Num segundo momento, o artigo concentra-se    na discussão do ponto específico de análise: a questão da radicalização, com    observação da polarização e acirramento na disputa presidencial no Brasil, em    2014. A terceira secção apresenta brevemente as estratégias metodológicas adotadas    para a investigação e, por fim, faz-se a análise dos dados, seguida de considerações    finais acerca da problemática investigada na pesquisa.</p>     <p>PERSPETIVAS TEÓRICAS DO DEBATE NAS REDES SOCIAIS DIGITAIS </p>     <p>As formas de participação política evoluíram e o advento das RSD pode ser considerado    um fator importante nesse processo. Primeiramente, porque se deve pensar que,    ao adentrá-las, os indivíduos passam a estar expostos, mesmo que acidentalmente,    a conteúdos variados, dentre eles, a política. Como consequência dessa exposição,    os cidadãos podem aprender mais sobre o campo político, o que se confirma na    pesquisa de Valeriani e Vaccari (2016). Ao considerar as características dessas    RSD, pode-se percebê-las como mecanismos que abrem ao público espaços mais abrangentes    para o debate político, oferecendo novos rumos aos modelos de democracia participativo    e deliberativo. Os comentários, especificamente, constituem-se como a maior    inovação e o grande ponto de abertura que essas ferramentas proporcionam, pois,    a partir deles, pode-se dialogar com outros usuários e trocar conteúdos de forma    rápida. </p>     <p>A literatura acerca da relação entre internet e democracia tem analisado de    forma crescente a discussão das RSD como espaços de debate público e deliberação    (Sweetser e Lariscy, 2008; Penteado e Avanzi, 2013; Adams e McCorkindale, 2013;    Valenzuela, Kim e Zúñiga, 2012; Bor, 2014; Mitozo, Massuchin e Carvalho, 2015;    Maia e Rezende, 2015), os seus ganhos e desafios como uma extensão da esfera    pública, tal como enunciada por Habermas (Dahlberg, 2001). Esses estudos, todavia,    apresentam resultados diferentes, pois fatores como contexto, espaço utilizado,    tema etc., exercem grande influência sobre o debate em si. Uma das diferenças    cruciais é o espaço utilizado, como estrutura comunicativa, conforme se pode    depreender de estudos como o de Janssen e Kies (2004). Ao contrário de uma página    de periódico, um espaço voltado para a discussão de temas específicos apresenta    melhores níveis de debate entre os participantes (Bragatto, Sampaio e Nicolás,    2015).</p>     <p>Desse modo, algo que dá outra perspetiva aos estudos é pensar que, assim como    os cidadãos, as instituições também participam de forma crescente nas RSD a    fim de ampliar o contacto com a sua audiência e, consequentemente, como uma    forma de se legitimarem perante esses indivíduos, como é o caso das instituições    políticas (Braga, Mitozo e Tadra, 2016), ou alcançá-los num ambiente em que    já estão devido à maior escassez de acesso direto aos seus materiais não-digitais,    como parece ser o caso do jornalismo.<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a>    No caso dos jornais, a sua entrada nas RSD resulta na reunião de seguidores    distintos que, maioritariamente, não têm proximidade com a política ou possuem    diferentes vertentes ideológicas. É diferente, por exemplo, do perfil da maioria    dos seguidores e apoiantes em <i>websites</i> de candidatos e partidos, que    tendem a ser mais afinados ideologicamente. Logo, o debate que pode ser fomentado    por meio das suas páginas possui características particulares, pois a mudança    de espaço e perfil dos comentadores também muda a maneira como ocorre o debate.</p>     <p>Do mesmo modo, deve-se pensar que a audiência se amplia ainda mais pela possibilidade    de o conteúdo alcançar mesmo quem não segue a página do jornal. Isso ocorre,    no caso da rede Facebook devido aos logaritmos da ferramenta, que levam aos    &ldquo;amigos&rdquo; os &ldquo;gostos&rdquo;, os comentários, ou as partilhas dos elementos da sua rede.    Assim, os cidadãos são acidentalmente expostos a notícias, especialmente políticas,    interesse desta pesquisa, o que pode trazer implicações positivas à participação    política, especialmente em relação ao desenvolvimento de melhor capacidade de    se expressarem quanto a factos políticos devido à interação social proporcionada    pelas redes (Valeriani e Vaccari, 2016).</p>     <p>De acordo com as características desse debate, a partir de análises baseadas    em variáveis deliberativas, as discussões desenvolvidas em ambiente digital    podem ser respeitosas, argumentativas e justificadas (Sampaio, Maia e Marques,    2011). O que é necessário é indicar que, embora haja espaços com debate de mais    qualidade, também se podem encontrar resultados muito diferentes que indicam    uma rutura da proposta de esfera pública e debate dialógico (Dahlgren, 2005).    Um dos fatores que mais pode contribuir para essa rutura é a temática debatida,    o que põe a política entre os pontos mais polémicos de discussão, devido às    ideologias assumidas pelos internautas.</p>     <p>De entre os problemas que a impossibilidade de afastar-se das paixões políticas    causa ao debate público por meio das redes digitais encontra-se, por exemplo,    a radicalização. Além dela, muitas vezes os espaços de debate <i>online</i>    possuem outras limitações. Se a radicalização ocorre em espaços mais heterogéneos,    tampouco há debate efetivo em espaços tão homogéneos (Massuchin e Campos-Domínguez,    2015).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao pressupor que a internet pode contribuir com a expansão da esfera pública    do debate ou, ao menos, materializar parte desse debate, Dahlberg (2001) aponta    que, para haver diálogo, é necessária a existência de posições antagónicas.    Da mesma maneira que a radicalização, a fragmentação, i.&#8197;e., a reunião    de pessoas em grupos que pensam de forma semelhante acerca de determinado assunto,    não é um fenómeno típico da internet; todavia, intensificou-se nesse espaço.</p>     <p>No trabalho de Berrocal, Redondo e Campos-Domínguez (2014), por exemplo, a    análise dos comentários aos vídeos conclui que esses são muito breves e apenas    reafirmam a mensagem da maioria dos comentadores, que as autoras consideram    <i>prossumers, </i>espécie de colaboradores da produção de conteúdo nas RSD.    O mesmo é evidenciado na pesquisa de Maia e Rezende (2015), que identificaram,    na discussão no Facebook, que as pessoas tendem a reafirmar as suas próprias    preferências, enquanto evitam discutir com posições antagónicas. As autoras    também analisaram outras plataformas, como Youtube e blogs, e constataram que    a própria estrutura da plataforma gera especificidades no comportamento dos    comentadores.</p>     <p>O que se conclui, portanto, a partir das investigações sobre debate na Internet,    é que há fatores que interferem nas características do debate. Alguns espaços,    como fóruns ou páginas feitas para discutir temas específicos, oferecem um debate    mais qualitativo, enquanto em outros a <i>performance</i> dos comentadores se    restringe a pouca argumentação e diálogo. A contribuição dos espaços das redes    <i>online</i> nesse debate, contudo, ainda é pouco explorada pela literatura,    sobretudo em relação à interação que <i>fanpages </i>de jornais podem fomentar    e o tipo de discussão que pode ser desenvolvida por meio delas, uma vez que    abrangem todo tipo de leitor e, assim, oferecem heterogeneidade de posições    políticas, o que marca e dá formas ao debate desenvolvido acerca do conteúdo    publicado.</p> A PERSPETIVA DA RADICALIZAÇÃO DA DISCUSSÃO POLÍTICA <i>ONLINE</i>      <p><b><i></i></b>Os estudos de Cervi (2013) e Strandberg e Berg (2013) já indicaram    que os debates desenvolvidos no âmbito dos espaços digitais de veículos jornalísticos    convencionais não seguem exatamente os critérios de argumentação e reciprocidade    que aparecem na literatura como ideais. Isso acontece porque, em sua maioria,    as <i>fanpages</i> agregam leitores e seguidores muito distintos ideologicamente,    algo que transparece quando se trata do debate político, especialmente, em período    eleitoral. Nesse contexto, um dos problemas principais que aparecem - quando    se trata de um espaço mais heterogéneo ou de uma temática mais conflitiva -    é a radicalização do debate (Amossy, 2011).</p>     <p>Embora não seja uma característica intrinsecamente atrelada à Internet, determinados    contextos políticos permitem a presença de uma radicalização militante (Lattman-Weltman,    2015). A radicalização, segundo esse autor, se destaca nesse ambiente porque,    se antes os &ldquo;diferentes&rdquo; estavam em espaços distintos e isolados, com a Internet    eles podem conversar entre si. Apesar das referências que apontam para o diálogo    na Internet a partir de consensos, também faz-se necessário observar o que se    considera como fenômeno oposto: quando o dialogo está impossibilitado pela distinção    entre amigos e inimigos (Lattman-Weltman, 2015).</p>     <p>Algumas pesquisas destacam a presença significativa de comentários do público    ao pôr em foco os<i> flames (Amossy, 2011), despreocupados</i>, portanto, quanto    à argumentação e ao respeito. O trabalho dessa autora foca-se nos comentários    de um periódico francês, em que muitos comentários se caracterizaram por <i>flames</i>,    com violência verbalizada (Cunha, 2013). A conversação sobre temas polémicos    não é um problema, pelo contrário, seria saudável do ponto de vista democrático    e da discussão política entre visões distintas. A questão problemática é o confronto    que deixa de ser apenas polémico para se transformar em ofensivo.</p>     <p>De acordo com Amossy (2011), há dois pontos negativos básicos: a) os pseudónimos    utilizados na internet, que facilitam esse comportamento; e b) a heterogeneidade    dos jornais, já mencionada acima, quando se trata da diferença dos espaços.    A autora assinala que nem todos os comentários se apresentam como radicais,    mas o tom agressivo aparece e se direciona, inclusive, aos ausentes no debate,    como os candidatos. O debate com<i> flames </i>resultantes de paixões políticas    coexiste com o debate argumentado.</p>     <p>Para tentar compreender tal fenómeno, Carvalho (2016) utiliza o conceito de    banalidade do mal, de Hannah Arendt, ao levantar o aspeto da intolerância e    da naturalização desse comportamento por meio dos comentários. Apesar de, aqui,    discutir-se a radicalização no contexto da política eleitoral, o autor levanta    diversos exemplos dessa intolerância, que transparece na violência simbólica,    como em discussões sobre racismo e homossexualidade, mas, na rede, essa característica    acaba por encontrar um espaço propício no âmbito dos comentários.</p>     <p>Silva (2013) apresenta outro fator como definidor do debate: os tipos de moderação    que podem ser feitos, que evitam a presença de postagens a expressar radicalização    e violência verbalizada (Cunha, 2013). No entanto, a pesquisa que resultou este    artigo<i> </i>indica que, no caso das <i>fanpages</i> estudadas, não parecia    haver nenhum tipo de moderação, dadas as características de muitos comentários    que contavam com termos, inclusive, inapropriados e que demonstravam formas    de preconceito, violência etc.</p>     <p>Vale ressaltar, entretanto, que o comportamento dos comentadores não segue    essa lógica em todas as <i>fanpages</i> de jornais. O caso analisado por Strandberg    e Berg (2013), p. ex., indica que, ainda que não fosse o debate ideal, não houve    falta de respeito ou incivilidade. No trabalho de Silva (2013), que analisava    comentários sobre eleições brasileiras em <i>websites</i> de jornais portugueses,    havia, inclusive, alto percentual de diálogo entre os comentadores e complemento    de informação entre eles, algo pouco encontrado nas pesquisas com <i>corpus    </i>semelhante - seja em websites ou RSD - que estudam veículos brasileiros    (Mitozo, Massuchin e Carvalho, 2015). Apesar de Silva (2013) ter encontrado    casos de não polidez, eles não tiveram número tão expressivo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, existem fatores que levam a um contexto em que os comentadores exprimem    mais opiniões radicais. No caso do cenário analisado, Brugnago e Chaia (2015)    chamam a atenção para a polarização e a radicalização fora da internet, ou seja,    no contexto geral das eleições de 2014. Desse modo, o espaço de debate dos comentários    foi ocupado por webleitores que replicaram aspetos já existentes no comportamento    da sociedade. Logo, o contexto eleitoral mais polarizado e acirrado é uma variável    explicativa relevante para a radicalização que aparece entre leitores e/ou eleitores    (Silva, 2013).</p>     <p>Segundo Brugnago e Chaia (2015), o Facebook e o debate entre os participantes    da ágora digital foi influenciado também pelos candidatos com discursos conservadores    e radicais, principalmente por parte de candidatos aos cargos do legislativo    que discutiam retrocessos nos campos dos direitos das minorias. Adiciona-se    a isso, a campanha negativa, que se trata de uma estratégia voltada para o ataque    dos oponentes, também bastante central na disputa de 2014, tanto em websites    (Massuchin, 2015) quanto no Horário Gratuito Político Eleitoral<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a>    (hgpe) dos candidatos (Borba, 2015). Dessa forma, não é a Internet que torna    o debate entre leitores radical ou polarizado, mas trata-se da uma migração    de um contexto político-eleitoral aliado às características do espaço estudado    (o Facebook dos jornais convencionais), que, conforme mencionado, tem um público    diversificado.</p>     <p>Santos (2014) indica que alguns perfis do Facebook são caracterizados exatamente    por um movimento reacionário e conservador, inclusive com discurso radical e    tom agressivo, o que mostra que não é só o debate entre o público que incorporou    essas características no cenário eleitoral, mas os próprios agentes políticos    ou colaboradores da campanha também usam o artifício da radicalização. Desta    maneira, trata-se de um fenómeno que não se limita aos comentários e que aparece    noutros espaços e sob outros formatos também. Santos (2014) identifica uma forte    rede anti-petista, basicamente alinhada com a extrema direita, o que vai ao    encontro do que afirmam Boutyline e Willer (2015), sobre o facto de a direita    se apresentar como mais homogénea e, portanto, criar essas redes de proximidade.</p>     <p>Assim, o contexto político-eleitoral de 2014 apresentou cenário propício para    o estudo dessa característica justamente devido ao forte acirramento observado    durante as campanhas, especialmente no segundo turno do pleito, dado que estas    características são evidenciadas pelos autores citados como relevantes para    a ocorrência de um debate mais radical nas RSD. O acirramento resultou em uma    vitória apertada da incumbente, Dilma Rousseff (PT), sobre o representante da    principal força de oposição nas últimas seis eleições presidenciais, Aécio Neves    (PSDB), com uma diferença de pouco mais de 3% de votos. Então, uma eleição que    prometia fugir de um cenário previsível de disputa, com Eduardo Campos e Marina    Silva (PSB) a protagonizar vários momentos, culminou em forte embate social    jamais visto no país. Esse contexto serve de mote, portanto, para a investigação,    cujos métodos são apresentados abaixo.</p>     <p>PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA </p>     <p>A metodologia utilizada neste artigo foi desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa    em Comunicação Política e Opinião Pública (CPOP), da Universidade Federal do    Paraná (UFPR), a partir da Análise de Conteúdo (AC), com base nos modelos de    Dahlberg (2004), Jensen (2003) e Jenssen e Kies (2004). Os dados foram extraídos    do Facebook semanalmente, por meio do aplicativo <i>Netvizz</i>. Já o processo    de codificação do banco foi realizado pela equipa de investigadores do referido    grupo, após treinamentos conjuntos a partir do livro de códigos criado para    a pesquisa.<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a> Este arquivo de    codificação continha todas as características a serem analisadas dos comentários,    as quais eram denominadas como variáveis que continham distintas categorias    para enquadrar o conteúdo. </p>     <p>O <i>corpus</i> empírico é composto por todos os comentários que mencionavam    diretamente ao menos um dos três principais candidatos (Dilma Rousseff, Marina    Silva e Acácio Neves). Esses comentários restringem-se aos <i>posts</i> que    também mencionavam os referidos candidatos. O recorte totaliza 2 597 <i>posts</i><a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a><i>,</i>    que tiveram 628&#8197;057 comentários. Os dados referem-se aos 12 jornais apresentados    na introdução deste texto - regionais e nacionais. Justifica-se a escolha pelos    comentários feitos às postagens jornalísticas, por se considerar que o perfil    de um jornal no Facebook se caracteriza como menos homogéneo para o debate,    espaço, portanto, mais apropriado para observar se, de facto, o fenómeno da    radicalização permeia o período eleitoral no Brasil. Essas páginas são diferentes    daquelas de candidatos (Massuchin e Campos-Domínguez, 2015) ou em que se reúnem    grupos específicos ou interessados por política, como fóruns de discussão temáticos    (Bragatto, Sampaio e Nicolás, 2015).</p>     <p>A observação foi voltada para todo o período eleitoral, de 1 de julho a 31    de outubro de 2014. Na secção seguinte, apresenta-se a análise dos dados, com    foco na radicalização da conversação nas RSD, a partir das variáveis formato    e reflexividade. O formato, primeira variável apresentada na análise, sintetiza    o conteúdo explícito no comentário, especificando, inicialmente se é uma crítica    ou um elogio. Dentro da crítica ou elogio, ambos podem ser direcionados para    o conteúdo do <i>post</i>, ao próprio jornal, a outros leitores, aos candidatos    ou até mesmo ao governo. Quando não continha crítica nem elogio, categorizou-se    o comentário como &ldquo;formato indefinido&rdquo;. Sendo assim, a variável possui 11 categorias:    cinco relativas a elogios, 5 para críticas e uma para casos que não se encaixam    nos anteriores.</p>     <p>Já a reflexividade diz respeito à forma como o comentador se posiciona diante    dos demais para participar no debate. A partir de Jenssen e Kies (2004), foram    definidas três categorias para a pesquisa além de uma quarta para casos que    não se enquadravam nas já existentes. A primeira categoria é a persuasão, que    pode ser definida pela tentativa de um participante persuadir outro, sendo que    no caso das eleições isso pode ocorrer quando o comentador tenta convencer outro    eleitor a votar no seu candidato, por exemplo. A categoria progresso, por outro    lado, enquadra os comentários que apenas agregam novas informações e nos quais    é possível perceber que há o intuito de levar adiante a discussão, sendo que    há respeito mútuo e consideração pelos conteúdos adicionados ao processo de    debate. Já no caso da radicalização, categoria importante na análise de dados    proposta, percebe-se que o comentador demonstra explicitamente uma reação negativa    à postagem ou ao comentário e passa a questionar a posição do debatedor anterior,    ou mesmo a ofendê-lo, causando rutura no dialógo entre os participantes. Em    muitos casos, nota-se desrespeito e a utilização de termos ofensivos, seja para    referir os candidatos, seja em relação ao comentador ou a qualquer pessoa ou    instituição.</p>     <p>Há, por fim, a categoria &ldquo;sem reflexividade&rdquo;, em que foram classificados os    comentários que não apresentavam os tipos anteriores de reflexividade ao debate,    e que geralmente não passavam de monólogos. Normalmente, tratava-se de comentários    curtos, com risos, marcação de outros seguidores da página ou, até mesmo, que    apenas demarcavam uma posição política, mas em que não havia qualquer indício    de diálogo. É importante destacar que, na perspetiva de Janssen e Kies (2004),    a persuasão e o progresso são características positivas para o debate, enquanto    a radicalização seria negativa ao andamento do diálogo entre os participantes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na análise proposta neste artigo, o objetivo é identificar como ocorre o processo    de radicalização, portanto a análise trabalha nesta direção, priorizando as    características relativas a este conceito. Os dados são apresentados, primeiramente,    de modo agregado, com todos os jornais analisados, sem identificar diferenças    entre eles no que diz respeito aos formatos e à reflexividade. Posteriormente,    dado que o debate se concentra nos veículos nacionais, opta-se por observar    como ambas as características aparecem na <i>Folha de S. Paulo</i>, <i>Estado    de S. Paulo</i> e <i>O Globo</i>. Assim, percebe-se como os comentadores de    cada jornal se posicionam e se há diferença entre eles. A partir deste comportamento    opta-se por utilizar um deles como exemplo desse processo de radicalização e,    então, relacionam-se as críticas e a radicalização com cada um dos candidatos,    o que permite perceber a proximidade de uns e outros com o comportamento mais    ou menos radical de cada comentador.</p>     <p>RADICALIZAÇÃO E POLARIZAÇÃO DURANTE AS ELEIÇÕES NO BRASIL </p>     <p>Esta secção apresenta a análise empírica em três partes. Primeiro, apresenta-se    uma breve análise descritiva dos dados; na sequência, discutem-se o formato    e a reflexividade a partir dos periódicos nacionais, por agregarem a maior parte    do <i>corpus</i>; e, por fim, concentra-se na análise da radicalização e dos    formatos a partir do caso dos comentários às postagens de <i>O Estado de S.    Paulo</i>, em que o debate do público se mostra particular em comparação com    os demais jornais. </p>     <p>ANÁLISE DESCRITIVA DOS DADOS </p>     <p>Nesta primeira parte da análise, apresentam-se os dados gerais dos periódicos    que tiveram as suas <i>fanpages </i>incluídas na investigação, assim como as    frequências da reflexividade e também do formato, as duas variáveis que podem,    juntas, indicar o nível de radicalização dos comentários. Primeiramente, a tabela    abaixo indica a quantidade de comentários distribuídos entre os 10 periódicos    analisados. A primeira informação oferecida é de que há expressiva concentração    de comentários na <i>Folha de S. Paulo</i>: 66,5&#8197;% do total. Isso significa    que pelo menos seis em cada dez comentários categorizados foram feitos em <i>posts</i>    da página desse jornal. Em segundo lugar, está <i>O Estado de S.Paulo</i>, com    17,9&#8197;% do total e <i>O Globo</i>, com 12,9&#8197;%. </p>     <p>De um modo geral, há concentração de comentários nos jornais nacionais. Os    demais, locais e regionais, apresentam dados menos significativos. Portanto,    a discussão sobre as eleições presidenciais por meio de redes sociais digitais    concentra-se nas <i>fanpages</i> dos grandes periódicos e não dos menores.<a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="top10"></a>    Aqui a explicação pode estar no âmbito da disputa, que acaba centralizada na    eleição presidencial, e o próprio recorte considerava apenas os candidatos à    presidência.</p>     <p>Este número reduzido não significa, portanto, que não há debate político e    eleitoral nas <i>fanpages</i> de jornais regionais. É importante lembrar que,    simultaneamente às eleições presidenciais, estavam em andamento as campanhas    para os cargos de governador, senador e deputado em todos os estados brasileiros.    Era esperado, portanto, que a tematização do debate público mediado pelas postagens    jornalísticas, refletisse a abrangência dos veículos e, nos regionais, haveria    maiores chances de postagens e diálogos referentes a essas outras disputas.    Ademais, existem diferenças também entre os três veículos nacionais, com preponderância    da <i>Folha de S. Paulo</i>, conforme já mencionado.</p>     <p>Em relação aos primeiros dados das variáveis qualitativas da análise, observa-se    no <a href="#q2">quadro 2</a>, a seguir, a primeira característica evidente    sobre o debate político no Facebook, de modo geral. Quando se observam os dados    de distribuição da reflexividade, i.&#8197;e., da disponibilidade do comentador    para o debate, também se observam diferenças muito significativas nos dados,    inclusive que se distanciam do modelo pensado por Dahlgren (2005).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03q1.jpg"/><a name="q1"></a></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Percebe-se uma quantidade muito significativa de comentários (58,2&#8197;%)    que não apresentavam reflexividade, o que já indica que o diálogo não ocorre    notadamente como se pressupunha na literatura sobre deliberação, ou que, pelo    menos, este espaço se difere de outros, tais como os fóruns estudados por Bragatto,    Sampaio e Nicolás (2015), evidenciando a colocação de Janssen e Kies (2004)    sobre a diferença entre os ambientes, o que interfere nas características do    debate. Uma boa parte dos comentários não é contemplada pelas categorias presentes    na literatura. Na sua maioria, eram comentários que apenas ressaltavam apoio    e reforço de voto nos presidenciáveis, sem indicar intenção por parte dos comentadores    em persuadir, progredir ou radicalizar o debate, em comentários que se mostravam    uma quase-oralidade (Silva, 2013), com formas menos convencionais de argumentação.    Na investigação de Silva (2013) e naquela de Massuchin e Campos-Domínguez (2015),    observa-se uma ampla presença de comentários com essa função.</p>     <p>Massuchin e Campos-Domínguez (2015), ao identificarem a deficiência nas categorias    já presentes na literatura sobre deliberação para analisar o comportamento de    comentadores em espaços digitais, criaram uma categoria chamada &ldquo;reforço de    posição&rdquo;, que engloba boa parte desses comentários que aqui aparecem sem serem    enquadrados em nenhum modelo pré-definido por Jensen (2003). Trata-se de interações    em que o objetivo é reafirmar o posicionamento e o apoio a um candidato e menos    de dialogar no sentido de persuadir ou progredir no debate. Os dados dessa pesquisa,    somados àqueles de Massuchin e Campos-Domínguez (2015), já mostram as limitações    da categorização de Jensen (2003) e Janssen e Kies (2004), ao indicar necessidade    de atualização para a sua utilização em determinados espaços, tais como o Facebook.</p>     <p>Por outro lado, entre as três categorias criadas previamente, a que mais apareceu    foi persuasão (24,8&#8197;%), quando comentadores tentavam convencer outros    sobre a sua posição, ou a votarem no seu candidato, por exemplo. Em segundo    lugar, estão os comentários que enfatizam a radicalização (11,4&#8197;%), muitas    vezes com palavras agressivas que não contribuíam com o debate, seja contra    o jornal, outros leitores, ou, principalmente, os candidatos. Ainda que pareça    pouco perto do total de comentários, há um comentário que radicaliza o debate    a cada dez, o que também representa o dobro dos comentários que demonstram progresso    da conversação; teoricamente, a melhor demonstração do processo deliberativo,    a partir das colocações de Jensen (2003). Janssen e Kies (2004) também concordam    que a persuasão e o progresso seriam os modelos positivos para a deliberação,    ao contrário da radicalização. Ademais, a presença da radicalização rompe com    a proposta de Dahlgren (2005), principalmente em relação ao respeito.</p>     <p>Estes dados vão ao encontro de considerações já feitas na literatura, como    assinalou Lattman-Weltman (2015), ao indicar que há uma presença de radicalização    militante na internet e que os candidatos são, mioritariamente, o alvo dos ataques,    o que também foi destacado por Amossy (2011). Esses pouco mais de 10&#8197;%    de <i>flames</i> levam a polémica a um grau avançado de agressividade no diálogo,    o que indica que já se pode confirmar ao menos parte da hipótese inicial, quanto    à presença de radicalização no debate eleitoral na Internet, portanto, distante    do debate ideal.</p>     <p>Como expressou Dahlgren (2001), a presença de radicalização não contribui para    o debate público. Este resultado para o caso brasileiro torna-se bastante distinto    daquele encontrado por Strandberg e Berg (2013) e Silva (2013), em espaços de    comentários de veículos convencionais na rede. No cenário eleitoral, fica mais    evidente a falta de tolerância (Carvalho, 2016) e a violência verbal (Cunha,    2013). Ainda que o trabalho de Silva (2013) investigasse comentários sobre a    eleição de 2010 no Brasil em jornais portugueses, os comentadores e o próprio    veículo não estavam inseridos na disputa diretamente, ao apresentar comentários    menos inflados e polarizados ideologicamente, distantes do acirramento da disputa.    No caso dos veículos estudados, estes estavam diretamente relacionados com as    disputas e, por vezes, são entendidos, inclusive, como atores políticos do processo    eleitoral.</p>     <p>O progresso seria o formato de comentários com mais argumentação e adição de    informação política, i.&#8197;e., o mais avançado em termos de reflexividade    e disposição a participar do debate. No entanto, apenas 5,6&#8197;% do total    se enquadrou nessa categoria. Os dados reforçam a evidência já avançada por    Maia e Rezende (2015) e Sunstein (2003) ao demonstrarem que o público no Facebook    tende a evitar o diálogo com aqueles que possuem opiniões distintas. Neste caso    tem-se um cenário totalmente distinto daquele estudado por Massuchin e Campos-Domínguez    (2016). Porém, os resultados das autoras não demonstraram tantos ganhos porque    era exatamente o oposto: um espaço muito homogéneo, o que também não seria de    todo eficaz para o debate.</p>     <p>De um modo geral, o mais importante é indicar com estes dados iniciais que    há uma mistura entre o conteúdo que radicaliza o debate com persuasão e progresso,    em que nem sempre se segue a lógica do debate idealizado na esfera pública,    conforme propõe Dahlberg (2001). Além disso, há a necessidade de criar novas    categorias para sistematizar os quase 60&#8197;% de comentários que destoam    da categorização presente na literatura, que tem sido usada até então em diversas    pesquisas (Bragatto, Sampaio e Nicolás, 2015; Jensen, 2003; Sampaio e Barros,    2010).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enquanto na variável reflexividade se pode identificar apenas o radicalismo,    sem saber se se direciona aos candidatos, a variável formato permite observar    de modo mais claro a ênfase do conteúdo do comentário. Os formatos, como mostra    o <a href="#q3">quadro 3</a>, classificam-se em diferentes tipos de críticas    e elogios, além do formato indefinido.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q5"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03q5.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q6"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03q6.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre críticas e elogios agrupados, não há muitas diferenças: 44&#8197;% de    elogios e 42,3&#8197;% de críticas. Os formatos que não são baseados em críticas    ou elogios representam apenas 13,7&#8197;% do total. Deve-se destacar que, na    sua maioria, os elogios e as críticas são evidentes e pouco baseados em conteúdos    mais contextuais. Restringem-se, unicamente, a criticar ou promover o candidato,    o governo ou o jornal de notícias. Isso aproxima-se do modelo encontrado por    Berrocal, Redondo e Campos-Domínguez (2014), pois as autoras também perceberam    conteúdos muito curtos e com pouca informação.</p>     <p>Outro dado relevante que, inclusive, reitera a afirmação de Amossy (2011) em    relação aos comentários direcionados aos candidatos, ausentes do debate, é que    77,8&#8197;% tratam de críticas ou elogios a eles dirigidos (Dilma Rousseff,    Marina Silva e Aécio Neves) e não aos periódicos, aos internautas ou ao autor    da notícia ou do comentário anterior. Ao observar apenas esse dado, percebe-se    que há mais elogios que críticas, com uma diferença de 7,2 pontos percentuais,    o que evidencia apoio aos candidatos em disputa, algo que representa reforço    de posição, apontado por Massuchin e Campos-Domínguez (2015). No tocante às    críticas, elas são mais distribuídas, mas também com poucos percentuais para    o governo, internauta e portais. Isso demonstra, de modo complementar, um afastamento    das postagens como ressalta Cervi (2013), pois a preocupação maior está nos    atores ausentes do debate.</p>     <p>A junção dos dados apresentados até aqui de modo descritivo, mostra uma concentração    de comentários nas <i>fanpages</i> de periódicos nacionais, o que já era esperado    atendendo a que, em 2014, os jornais regionais também destinaram a sua agenda    política à cobertura das eleições estaduais, com menos espaço para a cobertura    da disputa presidencial. A radicalização, por sua vez, segue em segundo lugar    entre as categorias de reflexividade mais presentes - com maior representação    que o progresso - e predominam os formatos de crítica e elogio aos candidatos.</p>     <p>Deve-se ressaltar, antes de passar à discussão mais aprofundada dos dados,    que não se reconhecem críticas e elogios como conteúdos negativos ao debate.    Pelo contrário, reconhece-se que as críticas fazem parte da discussão de temas    polémicos, como é o caso da política, em especial, as eleições. O problema,    por outro lado, constitui-se quando as críticas se tornam seletivas - direcionadas    a candidatos específicos - e quando aparecem relacionadas com a radicalização,    evidência de que elas não são construtivas, mas antes marcadas por violência    e desrespeito, ou seja, <i>flames </i>(Amossy, 2011). Tais interesses e problematizações    conduzem à secção seguinte, que observa, especificamente, a radicalização do    debate com foco na análise dos três principais periódicos brasileiros.<a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="top11"></a></p>     <p>FORMATO E REFLEXIVIDADE NOS PERIÓDICOS NACIONAIS </p>     <p>Ao observar de modo específico o debate que ocorre nos três periódicos nacionais    - <i>Folha de S. Paulo</i>, <i>O Estado de S. Paulo</i> e <i>O Globo</i> - e    relacionar com os diferentes tipos de reflexividade, é possível notar se alguns    comentadores de determinados periódicos tendem a ser mais ou menos radicais.    A relação, exposta na tabela abaixo, é significativa, com qui-quadrado de 1    318,408 (Sig. 0,000), o que indica que há uma relação de dependência entre as    variáveis e que as categorias se distribuem distintamente pelos três periódicos.    No teste de resíduos padronizados<a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="top12"></a>,    o valor mais alto é de 16,4, o que sugere tendência a aparecer mais radicalização    em <i>O Estado de S. Paulo</i>. Por outro lado, a persuasão está mais próxima    do periódico <i>Folha</i><i> de S. Paulo</i>, com resíduo de 11,8. O progresso,    ao contrário, concentra-se nos comentários de <i>O Globo.</i> </p>     <p>Os dados acima indicam que os comentadores do jornal <i>O Estado de S. Paulo</i>    são os mais radicais e os que menos contribuem com o debate, que objetivaram    predominantemente ofender, ao se apresentarem de maneira agressiva. Assim, torna-se    necessário também pontuar que, apesar de haver radicalização em comentários    de todos os jornais analisados, em alguns ela destaca-se mais, com presença    de participantes menos dispostos ao debate, e que se aproximam mais do modelo    do militante radical proposto por Lattman-Weltman (2015). Conforme apontado    na parte introdutória do artigo, há uma diluição da audiência dos veículos de    imprensa quando eles adentram espaços digitais como redes sociais, e não é possível    aferir correspondência ou causalidade da qualidade do debate no Facebook às    características do público leitor do jornal impresso.</p>     <p>De modo complementar, observa-se o formato dos comentários nos três veículos,    comparativamente. De novo pode-se perceber que a distribuição dos formatos ocorre    de modo diferenciado entre os três veículos aqui considerados. Esta afirmação    é destacada pelo qui-quadrado significativo de 5&#8197;943,751 (Sig. 0,000).    Na <i>Folha de S. Paulo</i>, concentram-se os comentários com elogios ao governo    e críticas ao jornal. O que demonstra que, em alguns casos, por mais que a disputa    eleitoral esteja em evidência, a crítica do leitor nas redes sociais se volta    para a própria imprensa. Por outro lado, os elogios direcionados aos candidatos    - da mesma forma que a crítica ao autor, crítica ao candidato ou crítica ao    governo - aparecem mais em <i>O Estado de S. Paulo</i>. A crítica ao candidato    também sobressai em <i>O Globo</i>. De entre os resíduos padronizados mais altos,    o que chama mais a atenção é o valor de 24,7 das críticas aos candidatos que    se concentram acima do que se esperava, novamente, no periódico <i>O Estado    de S. Paulo</i>. Aparentemente, tem-se aqui um ambiente mais propício e com    comentadores mais dispostos tanto a criticar quanto a radicalizar o debate,    distanciando-se ainda mais do modelo de um debate respeitoso, argumentado e    com posições justificadas (Sampaio, Maia e Marques, 2011).</p>     <p>Assim, novamente <i>O Estado de S. Paulo</i> é o periódico que se apresenta    de modo particular, com destaque à presença de críticas ao candidato, ao governo,    ao autor, além da já evidenciada radicalização enquanto tipo de reflexividade    predominante. Deste modo, o que se supõe com estes dados é que a característica    de radicalização pode estar concentrada no momento em que os webleitores fazem    as suas críticas aos candidatos, que passam a estar baseadas em <i>flames </i>(Amossy,    2011) e na diferenciação entre amigos e inimigos (Lattman-Weltman, 2015). Com    o objetivo de verificar se as críticas estão relacionadas com o radicalismo    dos participantes do debate, a próxima secção mostra a relação entre formato    e reflexividade, ao passo que relaciona, também, essa característica com os    candidatos.</p>     <p>A RADICALIZAÇÃO DO DEBATE: O EXEMPLO DE <I>O ESTADO DE S. PAULO</i> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados que se apresentam a partir de agora indicam a distribuição da reflexividade    e do formato entre os candidatos citados em <i>O Estado de S. Paulo</i>, o que    permite observar se a distribuição da junção de radicalização e crítica é diferente    entre eles. Nesta secção a análise restringe-se apenas a este jornal pois, como    se verificou, ele apresenta maior quantidade de comentários com indícios de    radicalização e crítica aos candidatos. Como o objetivo do artigo é entender    como se dá a radicalização no Facebook, buscou-se o espaço em que este fenómeno    mais aparece, i.&#8197;e., o seu ápice. Ainda que seja um veículo específico,    é o caso mais representativo para aquilo que se pretende analisar. Além disso,    importa destacar que se trata de um estudo exploratório no Brasil, a relacionar    a temática eleições a radicalização e RSD, com recorte mais específico. </p>     <p>No quadro seguinte, observa-se como acontece a distribuição dos três aspetos    de reflexividade entre os comentários que citam cada um dos candidatos. O resultado    é significativo, com qui-quadrado de 4&#8197;228,271 (Sig. 0,000), o que permite,    na sequência, observar os resíduos padronizados para cada cruzamento entre as    categorias.</p>     <p>Os resíduos indicam que a radicalização caracteriza muito mais os comentários    que citam Dilma Rousseff em relação aos demais candidatos, que se aproximam    muito mais da persuasão (Aécio Neves) ou do progresso (Marina Silva). Inclusive,    é o resíduo padronizado mais alto, de 33,3. Este dado indica que os comentários    que citam Rouseff são os mais radicais. No entanto, como a radicalização pode    ocorrer em relação a comentadores, jornal ou governo, não se pode garantir,    apenas por estes dados, que são direcionadas à candidata. Obviamente, comprova-se    uma radicalização por parte dos comentadores que citam Dilma Rousseff, todavia    não se sabe exatamente se a radicalização ocorre em relação à candidata. Isto    porque a análise da variável reflexividade limita-se a indicar o comportamento    do comentador perante o debate, seguindo a proposta de Janssen e Kies (2004).    Um comentário pode, por exemplo, representar apoio à candidata, mas a partir    de um comentário radical perante os demais comentadores.</p>     <p>Justamente por isso, passa-se a considerar, aqui, a segunda variável qualitativa,    que traz os formatos dos comentários. Na sequência, para complementar, pois,    a discussão, também é observado se as críticas ou os elogios são mais direcionados    a um ou outro candidato. O <a href="#q7">quadro 7</a>, a seguir, indica que    a relação é significativa (Sig 0,000) entre os candidatos citados no comentário    e o formato deste, com distribuições diferentes das características de formato    entre os pleiteantes, o que é ilustrado por meio dos resíduos padronizados.    Aqui foram isolados os formatos de elogio e crítica ao candidato e todos os    demais formatos foram agregados numa terceira categoria, mas pode-se perceber    que estes dois modelos de comentários eram maioritários, evidenciando um modelo    de conversação na RSD.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q7"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03q7.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em relação à presença de elogios, os mesmos concentram-se quando os comentários    citam Aécio Neves. O resíduo de 46,1 indica a força da relação positiva entre    elogio ao candidato e Neves. Por outro lado, as críticas ao candidato concentram-se    onde aparece a candidata Dilma Rousseff, o que apresenta resíduo alto positivo    (37). Os demais formatos aparecem mais próximos dos comentários que citam Marina    Silva. Desse modo, o que se percebe, evidencialmente, a partir dos dados é que    Rousseff sofre mais críticas que os demais candidatos, assim como é mais citada    quando há radicalização no debate. Ainda que as críticas possam ser construtivas,    ela tende a ser alvo dos comentadores de modo distinto quanto aos demais candidatos.    O que ainda não se comprova é se as críticas tendem a serem radicais.</p>     <p>A partir disso, apresenta-se, a seguir, uma análise de correspondência múltipla    entre todas as categorias dessas variáveis consideradas até aqui - reflexividade,    formato e menção ao candidato. O objetivo é identificar como se distribuem a    reflexividade e os formatos dos comentários entre cada um dos candidatos mencionados,    a partir do pressuposto de que, quando há crítica somada a radicalização, a    crítica não é construtiva, baseada no dialogo e na argumentação: elas são associadas,    por exemplo, à violência verbalizada, conforme termos de Cunha (2013) e representam    uma ação de um comentário típico do radicalismo militante, trazido por Lattman-Weltman    (2015), composto de intolerância (Carvalho, 2016).</p>     <p>Primeiramente, observa-se no <a href="#q8">quadro 8</a> o resumo dos dados estatísticos dessa    análise. A partir da média do alfa de Cronbach, é possível afimar que o modelo    da análise de correspondência múltipla, ilustrada pelo gráfico adiante, explica    43&#8197;% da variância conjunta das três variáveis, categóricas e independentes    entre si. O resumo informa, ainda, que a dimensão 1 é mais informativa (&#945;&#8197;=&#8197;0,549),    com força de explicação superior à dimensão 2 (&#945;&#8197;=&#8197;0,283).    Logo, as informações mais relevantes são, no plano do gráfico 1, os pontos que    mais se aproximam e se distanciam horizontalmente, no eixo x.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q8"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03q8.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>       <p>Ressalta-se que a <a href="#f1">figura 1</a> permite a visualização de relações    já identificadas anteriormente por meio dos resíduos padronizados, porém agora    com a variação conjunta das categorias das três variáveis. Mas, o interesse    principal, aqui, é a relação de crítica ao candidato e a radicalização a partir    dos nomes dos presidenciáveis, visível na <a href="#f1">figura 1</a>, a seguir.    Nele, há distribuição das categorias em duas dimensões, em que, quanto menor    a distância horizontal dos pontos, maior a relação entre eles.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a03f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na <a href="#f1">figura 1</a>, verifica-se que a persuasão aproxima-se do ponto    centroide por ser a categoria de reflexividade mais recorrente. Ainda assim,    sua posição direciona-a para um dos principais grupos encontrados. É visível    que há a formação de um conjunto de categorias no quadrante superior à direita    do gráfico, que reúne elogio ao candidato, citação apenas de Aécio Neves e a    persuasão como tipo de reflexividade do comentário. Por outro lado, há outro    conjunto facilmente identificável no quadrante superior esquerdo, que reúne    e demonstra a proximidade entre as categorias radicalização, crítica ao candidato    e a citação somente de Dilma Rousseff no comentário.</p>     <p>A <a href="#f1">figura 1</a> permite visualizar, ainda, que a reflexividade    do tipo progresso tende a não ter relação com o formato do comentário, tampouco    com um dos candidatos citados exclusivamente no comentário, isolada das demais    categorias. Em relação à citação de Campos/Silva pelo comentador, observa-se    que o ponto posiciona-se a uma distância equilibrada das categorias de formato    e não é possível relacioná-la com a crítica ou com o elogio ao candidato. Por    fim, destaca-se que a categoria radicalização se encontra nos extremos das dimensões    representadas, positivamente no eixo Y e negativamente no eixo X, distante principalmente    da citação de Neves e de elogio ao candidato. Como já foi afirmado acima, isola-se    no quadrante superior esquerdo juntamente com as categorias de crítica ao candidato    e à citação de Rousseff.</p>     <p>A análise de correspondência múltipla contribui para a confirmação da hipótese    deste trabalho, de que há diferenças de radicalização no debate a partir dos    candidatos. Observa-se que a presença da radicalização - que também engloba    ataques e agressões verbais - no debate sobre as eleições de 2014 esteve diretamente    relacionada com a citação e a crítica a Rousseff. Há um percentual muito grande    de comentários cuja reflexividade é de radicalização, o formato é de crítica    ao candidato e a única presidenciável mencionada é a incumbente. Por outro lado,    não há relações de proximidade entre menções aos demais candidatos com o formato    de crítica, tampouco com a radicalização enquanto reflexividade. Por exemplo,    nota-se que a categoria radicalização se distancia, principalmente, da menção    ao principal candidato da oposição, Aécio Neves, bem como do formato elogio    ao candidato.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Isso também demonstra que o debate crítico, no nível de radicalização, esteve    concentrado na figura da candidata à reeleição, Dilma Rousseff, exemplificado    por ataques diretos à candidata, categoria elencada por Cunha (2013) para identificar    violência verbalizada às personagens que, por vezes, não são atores nem participantes    do debate, mas &ldquo;recetores&rdquo; da desqualificação associada às ofensas. Nestes casos,    as críticas repletas de ofensas e intolerância mais voltadas a Rousseff, não    são apenas um comentário, uma observação ou uma ponderação negativa à candidata.    Classificam-se como uma arguição pejorativa que radicaliza o debate e impossibilita    o diálogo entre os participantes, e o progresso ou a persuasão com base em argumentos.<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="top13"></a>    Segundo Carvalho (2016, p. 14), são comentários que &ldquo;ilustram como preconceito,    intolerância, hieraquia de género, ódio e outras manifestações depreciativas    são indícios claros de que a banalidade do mal é um fenómeno político, com matrizes    culturais e comportamentais&rdquo;.</p>     <p>CONSIDERAÇÕES FINAIS </p>     <p>Este estudo teve por objetivo identificar as características do debate público    nas redes sociais, especificamente em <i>fanpages </i>de jornais brasileiros    no Facebook durante as eleições de 2014, com foco na radicalização num caso    específico - o jornal <i>O Estado de S. Paulo</i> - para entender a dinâmica    deste processo. Os resultados indicam que o debate apresenta uma parte considerável    de comentários que priorizam criticar ou elogiar os candidatos e que servem,    basicamente, para a persuasão e a radicalização. A presença da radicalização    como uma característica principal do debate eleitoral chama a atenção, mas ao    invés de refletir a polarização da disputa em questão, com críticas radicais    aos dois lados, indica que ela esteve relacionada consideravelmente apenas à    candidata à reeleição, Dilma Rousseff. </p>     <p>Por mais que fossem considerados comentários em <i>fanpages</i> de 12 jornais    do Brasil, nove deles de abrangência regional, verificou-se que o interesse    do público em debater as eleições presidenciais no Facebook se concentrou nas    publicações dos <i>quality papers</i>, os três principais veículos brasileiros    de imprensa. Em relação aos jornais nacionais, então, nos comentários aos <i>posts    </i>de <i>O Estado de S. Paulo</i>, em comparação com a <i>Folha de S. Paulo</i>    e <i>O Globo</i>, verificou-se uma concentração tanto da radicalização do debate,    a evidenciar a presença de intolerância e violência verbalizada, conforme apontam    Carvalho (2016) e Cunha (2013), como também a presença de crítica aos candidatos.    De todos os veículos, O Estado de S. Paulo é aquele que apresenta maior concentração    dessas características, o que indica um debate caracterizado por polarização    (Brugnago e Chaia, 2015) e radicalismo militante (Lattman-Weltman, 2015).</p>     <p>Nesse contexto, a análise mais avançada sobre o debate nos comentários de postagens    de <i>O Estado de S. Paulo</i>, a tensionar a hipótese apresentada inicialmente,    apontou que formato e reflexividade estão condicionados pela menção de um candidato    específico. Isso confirma a hipótese inicial e direciona a constatação de que    o debate não é radical na sua homogeneidade, mas depende do candidato mencionado.    A análise permite afirmar que houve presença constante da radicalização em comentários    críticos a Dilma Rousseff, enquanto a persuasão era o tipo recorrente de reflexividade    aos comentários que elogiaram Aécio Neves, por exemplo, durante todo o período    eleitoral de 2014, na página de Facebook de <i>O Estado de S. Paulo</i>.</p>     <p>É claro que, por estar no cargo enquanto disputava a reeleição, Dilma Rousseff    estava propensa a receber mais críticas, não só enquanto candidata, mas enquanto    presidente na época. O seu governo, especialmente o final do primeiro mandato    em 2014, enfrentou forte oposição política e social, além das crises de gestão    económica e dos escândalos de corrupção. Além disso, a imagem desgastada do    Partido dos Trabalhadores (PT) contribuiu para o aumento das críticas à incumbente.    No entanto, não são apenas esses factos os responsáveis por isso, uma vez que    críticas, especialmente oriundas da imprensa, direcionaram-se a todos os governos,    atores e partidos políticos na história brasileira. Há que considerar que o    excesso de críticas e radicalização em relação à candidata petista, no Facebook,    está intimamente ligado a mudanças no comportamento dos brasileiros, marcado    por uma crescente intolerância política, enquanto aumentam também os canais    para difusão das opiniões - muitas vezes sob a proteção do anonimato e de perfis    falsos. Isto também se configura como <i>affordances</i> das redes sociais digitais    que acabam por servir a um debate radical e agressivo (Halpern e Gibbs, 2013).</p>     <p>O que se conclui é que, ao menos nos comentários no Facebook dos jornais estudados,    há indícios claros da presença da radicalização em contraposição a um debate    baseado em argumentação ou progresso, típico de um processo deliberativo. Isto    relaciona-se com a heterogeneidade do debate e com o fenómeno geral de radicalização    política que não é, necessariamente, oriunda da internet, mas que passa a ganhar    evidência em ambientes <i>online</i>, especialmente em determinados contextos    políticos, como o período eleitoral. Ganham destaque, para contextualizar o    radicalismo na rede, as características da ferramenta, a sua informalidade,    o tema polítito-eleitoral, a polarização e o acirramento da disputa.</p>     <p>Esta pesquisa, como já apontado, entende que há espaços digitais que também    propiciam o debate, porém dadas as características acima, o que houve foi a    propagação do contrário daquilo que Dahlgren (2005) propõe como normativa. Isto    permite-nos concluir que nem todos os espaços propícios a conversação se caracterizam    como deliberativos ou possuem características que podem levar à deliberação.    O caso dos perfis de jornais, pelo menos em períodos eleitorais, é um deles.    Como aponta Carvalho (2016), a internet pode ser contraditória, tanto por dar    espaço ao exercício da pluralidade e do reconhecimento das diferenças, como    ao oposto, que seria a disseminação do ódio por meio da violência verbalizada.</p>     <p>A pesquisa contribui, de modo mais efetivo, par sanar lacunas das duas linhas    de pesquisa, sendo a primeira a dos estudos sobre o debate público e as suas    características e, a segunda, que trata do processo de radicalização na discussão    política, especialmente quando esta ocorre em ambiente digital. Sendo assim,    para a discussão sobre o debate, este trabalho traz dados atualizados sobre    como o Facebook e, especificamente, as páginas de veículos de comunicação, podem    apresentar características distintas, e que mostram elementos que se afastam    de um ideal normativo do debate em espaços digitais. Para os estudos sobre radicalização    política, o artigo mostra como a relação entre representantes e representadas    nem sempre é pautada pela satisfação, mas, pelo contrário, é carregada de ataques,    críticas e, principalmente, de ofensas, quando observado um espaço digital,    como o Facebook.</p>     <p>Vale mencionar, também, que a pesquisa não explora todas as possibilidades    e ainda deixa questões para estudos futuros, no que concerne, por exemplo, a    observar o debate político fora do período eleitoral, relacionando com outros    subtemas. Por outro lado, é interessante observar essa dinâmica também no âmbito    local das eleições, observando se a radicalização da política também se estende    para os momentos decisórios dos municípios. É possível também estudar de que    forma os elementos, tais como o anonimato, a necessidade de cadastro e o controlo    de comentários, podem interferir nas características do debate. Outro ponto    importante é que esta pesquisa indicou que Dilma tende a receber mais críticas    radicais, porém não há um estudo sobre o teor dos referidos comentários, para    saber o conteúdo das críticas. Isso permite um estudo sequencial para entender    as perceções do machismo, da intolerância e de outros preconceitos que podem    estar presentes nesses espaços de debates.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <p>ADAMS A., Mccorkindale, T.&#8197;M. (2013), &ldquo;Dialogue and transparency: a content    analysis of how the 2012 presidential candidates used Twitter&rdquo;. <i>Public</i><i>    Relations Review</i>, 39(4), pp. 357-359.</p>     <p>AMOSSY, R. (2011), &ldquo;O intercâmbio polémico em fóruns de discussão online: o    exemplo dos debates sobre as opções de acções e bónus no jornal <i>Libération</i>&rdquo;.    <i>Comunicação e Sociedade</i>, 19, pp. 319-335.</p>     <p>BERROCAL, S., Redondo, M., Campos-Domínguez, E. (2014), &ldquo;Prosumidores mediáticos    en la comunicación política, el politainment en YouTube&rdquo;. <i>Comunicar, Revista    científica iberoamericana de comunicación y educación,</i> 43, pp. 65-72.</p>     <p>BOR, S. 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Tese de doutoramento em Ciência Política, São Carlos, Universidade    Federal de São Carlos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104641&pid=S0003-2573201800040000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MASSUCHIN, M.&#8197;G., Campos-Domínguez, E. (2015), &ldquo;Debate público y <i>webs</i>    de candidatos: la participación de los electores a través de los comentarios    durante la campaña de 2014 en Brasil&rdquo;. Trabalho apresentado no <i>Congreso</i><i>    de la Asociación Latinoamericana de Investigadores en Campañas Electorales</i>,    Belo Horizonte, MG.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MITOZO, I.&#8197;B., Massuchin, M., Carvalho, F.&#8197;C. (2015), &ldquo;Características    do debate político-eleitoral no Facebook: os comentários do público em posts    jornalísticos nas eleições presidenciais de 2014&rdquo;. <i>Anais do VI Congresso    da Compolítica</i>, Rio de Janeiro, Pontifícia Universidade Católica do Rio    de Janeiro.</p>     <p>PENTEADO, C., Avanzi, C. (2013), &ldquo;Redes sociais e participação política: estudo    do debate sobre o novo código florestal no Facebook&rdquo;. <i>Anais do V Congresso    da Compolítica</i>, Curitiba, PR.</p>     <p>SAMPAIO, R.&#8197;C., Barros, S.&#8197;A.&#8197;R. (2010), &ldquo;Deliberação no    jornalismo online: um estudo dos comentários do Folha.com&rdquo;. <i>Intexto</i>,    2(23), pp. 183-202.</p>     <p>SAMPAIO, R.&#8197;C., Barros, S.&#8197;A.&#8197;R., Moraes, R. (2012), &ldquo;Como    avaliar a deliberação online? Um mapeamento de critérios relevantes&rdquo;. <i>Opinião    Pública</i>, 18(2), pp. 470-489</p>     <p>SAMPAIO, R.&#8197;C., Maia, R.&#8197;C.&#8197;M, Marques, F.&#8197;P.&#8197;J.&#8197;A.    (2010), &ldquo;Participação e deliberação na internet: um estudo de caso do Orçamento    Participativo Digital de Belo Horizonte&rdquo;. <i>Opinião Pública</i>, 16(2), pp.    446-477.</p>     <p>SANTOS, M. (2014), &ldquo;Cartografia das redes da revolta: fluxos políticos de oposição    radical no Facebook&rdquo;. <i>Contemporânea</i>, 12(2), pp. 106-120.</p>     <p>SILVA, M. (2013), &ldquo;Participação e deliberação: um estudo de caso dos comentários    às notícias sobre as eleições presidenciais brasileiras&rdquo;. <i>Comunicação e Sociedade</i>,    23, pp. 82-95.</p>     <p>STRANDBERG, K., Berg, J. (2013), &ldquo;Online newspapers readers comments - Democratic    conversation plataforms or virtual soaboxes&rdquo;. <i>Comunicação e Sociedade</i>,    23, pp. 110-131.</p>     <!-- ref --><p>SUNSSTEIN, C. (2003), <i>Republica.com: internet, democracia y libertad</i>,    Barcelona, Paidós.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=104652&pid=S0003-2573201800040000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SWEETSER, K.&#8197;D., Lariscy, R.&#8197;W. (2008), &ldquo;Candidates make good friends:    an analysis of candidates uses of Facebook&rdquo;. <i>International</i><i> Journal    of Strategic Communication</i>, 2(3), pp. 175-198.</p>     <p>VALENZUELA, S., Kim, Y., Zúñiga, H.&#8197;G. (2012), &ldquo;Social networks that    matter: Exploring the role of political discussion for online political participation&rdquo;.    <i>International</i><i> Journal of Public Opinion Research</i>, 24(2), pp. 163-184.</p>     <p>VALERIANI, A., Vaccari, C. (2016), &ldquo;Accidental exposure to politics on social    media as online participation equalizer in Germany, Italy, and the United Kingdom&rdquo;.    <i>New Media and Society</i>, 18(9), pp. 1857-1874.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido a 17-01-2017.</b></p>     <p><b>Aceite para publicação a 29-12-2017.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> Intitulada &ldquo;Opinião pública    e debate político na web&rdquo;, desenvolvida pelo grupo cpop/ufpr desde 2014. As    autoras agradecem aos alunos de graduação e pós-graduação que integram o grupo    e trabalharam durante sete meses na codificação de dados.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a> É importante salientar que,    diferentemente das páginas, que podem ser &ldquo;fechadas&rdquo; para não assinantes, o    que não permite comentários de qualquer indivíduo, nas RSD não há esse controlo.    Portanto, não estamos a falar do público do jornal impresso, mas, sim, dos seguidores    nas redes sociais.</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a> Na seção metodológica, explica-se    detalhadamente como foram selecionados os comentários.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a> Os 12 jornais considerados    na investigação são: <i>Folha de S. Paulo</i> (SP), <i>O Estado de S. Paulo</i>    (SP) e <i>O Globo</i> (RJ) - nacionais; e <i>A Tarde</i> (BA), <i>Correio Braziliense</i>    (DF), <i>Correio do Estado</i> (MS), <i>Diário do Pará</i> (PA), <i>Gazeta do    Povo</i> (PR), <i>Jornal da Manhã</i> (PR), <i>O Estado de Minas</i> (MG) <i>O    Povo</i> (CE), <i>Zero Hora</i> (RS), regionais.</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a> No final, foi acrescentada    uma semana após o resultado do segundo turno, para que houvesse tempo de o público    fazer seus comentários.</p>     <p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a> Conforme pesquisa da Associação    Nacional de Jornais (2015), as assinaturas digitais dos veículos jornalísticos    aumentaram 118&#8197;% entre 2013 e 2014. Cf &#8197;<a href="http://www.anj.org.br/cenario-2/" target="_blank">http://www.anj.org.br/cenario-2/</a>&#8197;.    Consultado em 22-10-2015.</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a> No Brasil, os candidatos    a cargos legislativos ou executivos não podem comprar espaço comercial nos meios    de comunicação, mas os partidos políticos possuem um espaço gratuito disponível    nas emissoras, o qual é conhecido como Horário Gratuito Político Eleitoral,    o HGPE. Como é um espaço destinado aos partidos políticos, estes distribuem    o tempo entre os seus candidatos. O total de tempo a que cada partido tem direito    é calculado conforme a sua representação na Câmara dos Deputados. A exibição    é obrigatória pelas emissoras no período prévio de campanha, mecanismo regulamentado    ainda em 1962. Com a nova lei eleitoral de 2015 (Lei n.º 13 165/2015) o período    de exibição caiu de 45 para 35 dias antes das eleições.</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a> A codificação dos dados    foi realizada &ldquo;manualmente&rdquo; por uma equipa de 17 pesquisadores, treinados de    acordo com um livro de códigos elaborado e discutido pelo grupo, a partir das    variáveis apresentadas pela literatura. Assim, foi realizada a leitura de todos    os comentários e, por conseguinte, a atribuição das categorias analíticas em    cada um deles. Inicialmente, foi feita uma coleta teste para saber se todos    os coletadores possuíam um entendimento único a respeito do conteúdo que se    enquadra em cada uma das categorias. Detetados os problemas, um novo treinamento    foi feito entre os codificadores, a fim de discutir as falhas e inconsistências.    Esta técnica de coleta de dados é utilizada pelo Grupo de Pesquisa desde 2002,    quando se analisavam jornais impressos e conteúdo televisivo.</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a> Nesta investigação não se    analisam os <i>posts</i>, mas apenas os comentários, por isso não há detalhamento    sobre o conteúdo publicado pelos veículos. Outros trabalhos do cpop discutem    conteúdo e características das postagens que originaram os comentários.</p>     <p><a href="#top10"><sup>[10]</sup></a><a name="10"></a> Nota-se, por exemplo,    que a maioria dos jornais regionais não atinge nem 1&#8197;% do total de comentários.    Com dados insignificantes perante o banco, o <i>Jornal da Manhã</i> foi coletado    também por ser do interior do Paraná e por os seus dados atenderem a interesses    do próprio projeto de pesquisa, que engloba outros objetivos particulares, não    exclusivamente os deste artigo.</p>     <p><a href="#top11"><sup>[11]</sup></a><a name="11"></a> Analisam-se apenas os    nacionais por eles concentrarem predominantemente o debate sobre eleições.</p>     <p><a href="#top12"><sup>[12]</sup></a><a name="12"></a> Este teste estatístico    tem por finalidade identificar em que pares há uma concentração de casos, i.&#8197;e.,    quais categorías de variáveis estão mais próximas ou distantes. Os resíduos    padronizados são estatisticamente significativos quando estão acima de |1,96|,    positiva ou negativamente.</p>     <p><a href="#top13"><sup>[13]</sup></a><a name="13"></a> São exemplos: &ldquo;Dilma    rala vadia&rdquo;; &ldquo;Xô satanás fora Dilma fora PT se ferrou do começo ao fim política    suja mentiras calúnias: adios PTralhas&rdquo;; &ldquo;Essa dilma é uma mentirosa desgraçada&rdquo;.</p>     ]]></body>
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