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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O que fazer face à crise?: Representações sociais da disposição para agir]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Drawing on representations theory and the responses to a questionnaire from 453 Portuguese participants, we analyzed the variations and anchoring of the willingness to act against the austerity measures in the context of the recent economic crisis. The results reveal three main positions: doing nothing, economic resistance, and civic participation. The discussion is focused on the finding that the differences between the inclination for action or lack thereof are associated with ideological-political variables (attribution of responsibility for the crisis, representations of the European Union and political orientation), and personal variables (feelings), but not with respondents’ economic situation, which may be due to the fact that our sample is composed exclusively of students.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>O que fazer face à crise? Representações sociais da disposição    para agir</b></font></p>     <p><font size="3"><b>What to do in the face of crisis? Social representations    of the willingness to take action.</b></font></p>     <p><b>Joaquim Pires Valentim*, Gabrielle Poeschl**, Teresa Forte***</b></p>     <p>* Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra.    Rua do Colégio Novo - 3000-115 Coimbra, Portugal. <a href="mailto:jpvalentim@fpce.uc.pt">jpvalentim@fpce.uc.pt</a></p>     <p>** Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto,    Rua Alfredo Allen - 4200-135 Porto, Portugal. <a href="mailto:gpoeschl@fpce.up.pt">gpoeschl@fpce.up.pt</a></p>     <p>*** Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra,    Rua do Colégio Novo - 3000-115 Coimbra, Portugal.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Adotando o quadro teórico das representações sociais, analisam-se as variações    e a ancoragem da disposição para agir face às medidas de austeridade no âmbito    da recente crise económica, com base nas respostas de 453 participantes portugueses    a um questionário. Os resultados mostram três tipos de posições: nada fazer,    resistência económica e participação cívica. A discussão centra-se na constatação    de que as diferenças entre a intenção de agir e não agir se encontram associadas    a variáveis ideológico-políticas (atribuição de responsabilidade pela crise,    representações da União Europeia e posição política) ou pessoais (sentimentos),    mas não à situação económica dos participantes, o que poderá dever-se ao facto    de se tratar de uma amostra composta apenas por estudantes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> representações sociais; psicologia social da crise;    disposição para agir; reações à austeridade.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Drawing on representations theory and the responses to a questionnaire from    453 Portuguese participants, we analyzed the variations and anchoring of the    willingness to act against the austerity measures in the context of the recent    economic crisis. The results reveal three main positions: doing nothing, economic    resistance, and civic participation. The discussion is focused on the finding    that the differences between the inclination for action or lack thereof are    associated with ideological-political variables (attribution of responsibility    for the crisis, representations of the European Union and political orientation),    and personal variables (feelings), but not with respondents&rsquo; economic situation,    which may be due to the fact that our sample is composed exclusively of students.</p>     <p><b>Keywords:</b> social representations; social psychology of the crisis; willingness    to act; reactions to austerity.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Introdução</p> A crise em Portugal provocou modificações profundas na sociedade portuguesa, sobretudo  a partir da aprovação do pedido de assistência financeira em maio de 2011 num  acordo consagrado no <i>Memorando de Entendimento</i> entre o Governo de Portugal  e a <i>troika</i> - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário  Internacional. Este programa implicou a adoção de um plano de austeridade severo  que foi aplicado intensivamente pelo governo de coligação de direita eleito em  junho de 2011, após a queda do governo socialista. Mas não começaram aí as políticas  de austeridade. Tendo como antecedente mais imediato a crise financeira de 2008,  elas iniciaram-se ainda em 2010 com as sucessivas versões do Programa de Estabilidade  e Crescimento, ainda durante a vigência do governo socialista (Costa e Caldas,  2013).      <p>Alguns indicadores dão bem conta das profundas mudanças socioeconómicas que,    em tão pouco tempo, ocorreram na sociedade portuguesa.</p>     <p>Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (2014a), o total da população    empregada em idade ativa (dos 15 aos 64 anos) passou de cerca de 5,2 milhões    em 2008 - o início da crise financeira mundial - para 4,5 milhões em 2013. Apenas    entre o 2.º trimestre de 2010 e o 1.º trimestre de 2013, registou-se um aumento    de 60% no número total de desempregados e de 107% no número de jovens desempregados    entre os 21 e os 24 anos (Costa e Caldas, 2013). Como dizem estes autores (Costa    e Caldas, 2013, p. 102), &ldquo;os números do desemprego só não são ainda mais avassaladores    porque em 2011, segundo o INE, emigraram (&hellip;) mais de 100 mil pessoas (&hellip;) e em    2012 mais de 120 mil (&hellip;). Para encontrar números semelhantes a estes é preciso    recuar quase cinquenta anos ao pico da emigração da década de 1960&rdquo;.</p>     <p>Em paralelo, verificaram-se aumentos do Imposto de Valor Acrescentado, dos    preços da água, saúde e energia, a par com uma redução das prestações sociais,    em especial, uma redução da elegibilidade (Hespanha, Ferreira e Pacheco, 2013)    e da taxa de cobertura das prestações sociais de desemprego, que caiu de cerca    de 60&#8197;% (março de 2010) para 40&#8197;% (março de 2013) (Costa e Caldas,    2013, com base nas Estatísticas da Segurança Social).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2013, 19.5&#8197;% da população portuguesa encontrava-se em risco de pobreza    e/ou exclusão social (face aos 18.7&#8197;% em 2012). Em simultâneo, as desigualdades    de rendimento (índice de Gini) aumentaram em 2011, 2012 e 2013 (INE 2014b; Costa    e Caldas, 2013, com base nos dados do Eurostat; Hespanha, Ferreira e Pacheco,    2013).</p>     <p>Embora escassos e parcelares, julgamos que estes indicadores, por si só, permitem    uma apreensão genérica do panorama sombrio e da magnitude das transformações    sociais e económicas que decorreram na sociedade portuguesa.</p>     <p>A falta de participação portuguesa</p> Ora, neste cenário, um dos aspetos que, desde o início desta crise, foi assinalado  nas considerações sobre a sociedade portuguesa foi a falta de ação face à crise,  ou até mesmo a resignação e o conformismo dos cidadãos portugueses (cf., por exemplo,  <i>Público</i>, 03-12-2010). No senso comum e nalguns discursos mediáticos e políticos,  esta falta de envolvimento em ações coletivas contra a crise esteve na origem  de uma leitura dupla. Por um lado, a falta de ação foi vista como sabedoria, senão  mesmo uma expiação, ou punição moral, decorrente da culpa por um excesso que se  traduziu no &ldquo;viver acima das suas possibilidades&rdquo; (cf., por exemplo, <i>Jornal  de Notícias</i>, 06-05-2011). Havendo que pagar esse preço, não se justificariam  ações de protesto. Essa &ldquo;sabedoria&rdquo; poderá até estar subjacente à crença segundo  a qual medidas de proteção financeira individual são mais eficazes do que a resistência  política ou económica às medidas governamentais e do que a violência (Poeschl  et al., 2017). Por outro lado, a falta de ação foi vista com uma certa incompreensão  ou até desencanto face ao que podia ser feito, e não foi feito para combater e  evitar as dificuldades decorrentes das políticas de austeridade adotadas, em especial  o aumento da pobreza, o agravamento das desigualdades sociais e a erosão do Estado  providência.      <p>Esta leitura dual é, obviamente, esquemática e talvez até demasiado simplificadora.    Ainda que a mobilização em Portugal tenha sido mais esporádica e com desenvolvimentos    institucionais distintos dos que houve na Grécia (com o &ldquo;Syriza&rdquo;) ou na Espanha    (com o &ldquo;Podemos&rdquo;), nesse período não deixaram de se registar muitas e, em certos    casos, muito participadas ações de protesto. Os efeitos destas ações nem sempre    podem ser considerados nulos em termos de eficácia (designadamente aquando do    recuo das propostas governamentais sobre a Taxa Social Única, na sequência das    manifestações em 15 de setembro de 2012). A par das ações de partidos políticos,    sindicatos e centrais sindicais - cuja importância, por vezes, tem sido subestimada    (Accornero e Pinto, 2015) -, verificou-se o nascimento de &ldquo;novos novos&rdquo; movimentos    sociais como o &ldquo;Que se lixe a Troika&rdquo;, a APRE (Associação de Pensionistas, Reformados    e Aposentados), o FERVE (Fartas/os d&rsquo;Estes Recibos Verdes) e de outros que também    se mobilizaram ativamente contra as políticas de austeridade e as suas consequências    (Lima e Artiles, 2014; Soeiro, 2014). Estanque, Costa e Sequeiro (2013) defendem    que, depois da centralidade das questões pós-materiais dos novos movimentos    sociais dos anos 60 (Touraine, 2005; Wieviorka, 2002), estamos agora perante    &ldquo;um retorno das preocupações materialistas, particularmente relacionadas com    o trabalho e o emprego, que passam para o topo dos temas e da causa da indignação    das pessoas&rdquo; (p. 33). A este respeito, é de reter o argumento de Inglehart (1981)    e Inglehart e Abramson (1994), segundo o qual após a passagem para valores mais    pós-materialistas, fruto do crescimento económico continuado, será de esperar    um retorno a valores mais materialistas em épocas de recessão.</p>     <p>Todavia, mesmo admitindo que aquela leitura dualista do senso comum não traduz    a complexidade das formas de ação coletiva que se desenvolveram em Portugal    desde o início do programa de intervenção da <i>troika</i>, e que até assistimos    durante esse período ao despertar de uma nova consciência cívica por parte de    muitos cidadãos em Portugal, julgamos que não é difícil constatar a generalizada    descrição da situação na sociedade portuguesa como de baixa participação em    ações coletivas face à crise.</p>     <p>A este respeito parece-nos elucidativa a comparação que, de uma forma ou de    outra, recorrentemente tem sido feita com a situação na Grécia. É nesses termos    que, não raramente, é colocada a questão da (suposta ou real) baixa participação    dos cidadãos portugueses em ações face à crise e, em especial, a ausência de    protestos violentos face à progressiva dureza das medidas de austeridade. A    ideia de que isso se deve a fatores de ordem cultural, aos &ldquo;brandos costumes&rdquo;    enraizados na sociedade portuguesa ou ao &ldquo;carácter português&rdquo;, é amiúde invocada    como um impedimento à revolta, naquilo que seria uma prova da sabedoria de um    povo que não embarca nesse tipo de ações, ao contrário do que fazem, por exemplo,    os cidadãos gregos. Este contraste poderá não ser alheio a uma estratégia coletiva    de criatividade social, no sentido de Tajfel, que se caracteriza pela mudança    de exogrupo que serve de termo de comparação, de forma a favorecer o endogrupo    (Tajfel e Turner, 2001 [1979]; Valentim, 2008). No caso, a mudança passaria    de grupos nacionais do Centro e do Norte da Europa como termo de referência,    como acontecia outrora com a descrição de Portugal como o &ldquo;bom aluno europeu&rdquo;,    para um outro grupo nacional (os gregos) cuja comparação traria benefícios em    termos de identidade social aos portugueses. Que esta procura de diferenciação    não traduz um pensamento homogéneo, mostra-o bem a expansão das diferentes expressões    dos protestos que, a partir de fevereiro de 2012, decorreram sob o lema &ldquo;somos    todos gregos&rdquo;.</p>     <p>Mas aquele distanciamento em relação à Grécia, com supostos ganhos identitários,    não se inscreve numa tábua rasa sociológica. De facto, este não é um elemento    novo em termos de dados empíricos disponíveis. Já há mais de uma década Cabral    (2000, p. 156), com base nos dados nacionais do inquérito <i>International Social    Survey Programme</i>-97, assinalava &ldquo;os débeis níveis de exercício de cidadania    política encontrados&rdquo; em Portugal. Também no <i>European Social Survey</i> a    baixa participação cívica aparece como uma das marcas diferenciadoras da sociedade    portuguesa. E é de assinalar que, mesmo no interior do grupo dos países com    baixa participação, Portugal não se enquadra no subgrupo dos que apresentam    baixa participação associativa e voluntária, a par com uma elevada participação    política, onde se incluem Chipre, Espanha, Grécia e Itália. De facto, nessa    matéria, &ldquo;Portugal encontra-se fora do <i>cluster</i> que agrega os países do    Sul da Europa para integrar um outro cluster que inclui a Roménia, a Eslováquia,    a Polónia e Malta, em que é geral o baixo nível de todos os tipos de participação    com exceção da participação religiosa&rdquo; (Hespanha,<i> </i>Ferreira e Pacheco,<i>    </i>2013, p. 239; Viegas, Teixeira e Amador, 2015).</p>     <p>É neste quadro genérico que o trabalho que apresentamos tem como finalidade    estudar as representações sociais de cidadãos portugueses - mais especificamente    de estudantes universitários portugueses - relativamente à intenção de agir    face à crise.</p>     <p>A crise enquanto representação social</p> Do nosso ponto de vista, os estudos sobre <i>a crise</i> e sobre o <i>que fazer  face à crise, </i>a par com abordagens de outras disciplinas e de outros paradigmas,  ganham em ser também equacionados nas suas formas de expressão no pensamento quotidiano  ou no senso comum em &ldquo;sociedades pensantes&rdquo; (Moscovici, 2001, p. 12), isto é,  enquanto representações sociais (Moscovici, 1961, 1986, 2001).      <p>Os discursos sobre a crise estiveram omnipresentes na televisão, na rádio,    em jornais e blogues, e preencheram abundantemente os espaços de discussão organizados    (debates, conferências, seminários) e as conversas informais entre colegas,    familiares e amigos, constituindo-se como um caso paradigmático de representação    social. Essa circulação de ideias foi marcada pela esmagadora ocupação do espaço    informativo e de opinião por discursos científicos da economia que não são meramente    descritivos, mas também explicativos das causas e prescritivos das ações que    deveriam ser feitas, extravasando em muito a esfera económica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas a adoção do paradigma das representações sociais no estudo da crise não    se resume à aceção &ldquo;particular&rdquo; (Billig, 1988) das investigações em representações    sociais que procuram estudar a passagem da ciência ao senso comum. De facto,    esses efeitos da presença da crise na comunicação social não se limitam a uma    disseminação no senso comum de uma série de conceitos provenientes da economia    (ou de uma certa visão económica do mundo). Enquanto epistemologias do senso    comum, caracterizadas por um critério de pragmatismo, as representações sociais    da crise procuram conferir sentido à realidade e ser um &ldquo;guia para a ação&rdquo; (Abric,    2001b) permitindo, entre outras funções, orientar e legitimar comportamentos,    bem como justificar relações entre grupos (Poeschl, 2003).</p>     <p>A isso acresce que, no caso desta crise, não se trata apenas da apreensão pelo    senso comum de um conceito abstrato, mais ou menos distante ou neutro. A crise    passou a fazer parte da vida das pessoas. Pensar sobre a crise, e sobre o que    fazer, tornou-se quase uma constante do quotidiano, algo central na vida concreta    das pessoas, cujas consequências elas sentiam diariamente e com as quais tinham    de lidar. Daí decorre a quase impossibilidade de ficar alheio ou de ser indiferente    ao pensamento sobre a crise, e a quase inevitabilidade de, mais cedo ou mais    tarde, procurar diferentes explicações possíveis e se posicionar nesse campo    de compreensão comum sobre o que é a crise e o que fazer face à crise. Ou seja,    trata-se de um caso de elevado grau de proximidade ao objeto social (ou de menor    &ldquo;distância ao objeto&rdquo;) cujo papel na estruturação de representações sociais    tem vindo a ser demonstrado em diferentes domínios (Abric, 2001a; Miguel, Valentim    e Carugati, 2012, 2016).</p>     <p>Parecendo-nos que se trata claramente de um terreno de eleição para o estudo    de representações sociais, um ponto importante a ter em conta é que as pesquisas    nesse domínio não se podem limitar a um mero registo ou inventariação de saberes    comuns num determinado grupo social (Doise, Clémence e Lorenzi-Cioldi, 1992;    Valentim, 2013, 2016), neste caso sobre a crise e as formas de lhe fazer face.    De facto, as pesquisas sobre representações sociais devem estudar também as    modulações desses saberes comuns &ldquo;em função da sua imbricação específica num    sistema de regulações simbólicas&rdquo; (Doise, Cleménce e Lorenzi-Cioldi, 1992, p.    15).</p>     <p>O quadro teórico que seguimos aqui, adotado no âmbito de uma pesquisa conjunta    feita na Grécia, França, Itália e Portugal sobre a análise psicossocial da crise    económica e financeira (cf. o número especial da <i>International Review of    Social Psychology</i>, 2017), baseia-se na abordagem que foi proposta por Doise    e colaboradores (Doise, 1990, 1992; Doise, Cleménce e Lorenzi-Cioldi, 1992;    Clémence, 2001, 2003). Esta abordagem assenta em três pressupostos ou etapas:    (1) procura de um campo comum de significados, o que tem sido designado como    o estudo da objetivação de uma representação social; (2) procura dos princípios    organizadores da variação das posições individuais, na medida em que a existência    de um campo comum ou &ldquo;mapa mental&rdquo; partilhado não implica que haja necessariamente    um consenso ou entendimento homogéneo sobre o objeto em questão; (3) análise    da ancoragem desses princípios organizadores noutras variáveis.</p>     <p>Assim, num outro trabalho (Poeschl, Valentim e Silva, 2015), apresentámos o    estudo da objetivação das representações sociais da crise. Neste artigo, centrámo-nos    no estudo dos princípios organizadores e da ancoragem das representações sociais    das ações face à crise. Mais precisamente, procurámos explorar a existência    de diferenças na disposição para agir associadas a três tipos de variáveis:    ideológico-política, rendimento e pessoais. No primeiro caso, incluímos as interpretações    que as pessoas fazem acerca dos fatores ou entidades responsáveis pela crise.    Ou seja, partimos do princípio de que as causas que atribuem à crise podem ser    um fator de diferenciação na intenção para agir face à crise. Por outro lado,    na medida em que os debates sobre a União Europeia (ue) têm sido, desde o início,    centrais nas discussões sobre a crise - nomeadamente o tipo de relações entre    países e a solidariedade na ue - considerámos também, no conjunto de <i>variáveis    ideológico-políticas</i>, as conceções das pessoas sobre a Europa, designadamente    as suas conceções sobre as relações de Portugal com a ue e sobre aquilo que    consideram ser uma justa distribuição dos recursos na ue. Por último, incluímos    nesse conjunto de variáveis a posição política dos participantes, que se tem    mostrado relevante quer em termos da perceção de eficácia das ações contra a    crise (Poeschl et al., 2017), quer em termos de intenção em participar nessas    ações (Mari et al., 2017). Quanto ao rendimento, no estudo de Chryssochoou,    Papastamou e Prodromitis (2013) apareceu associado à intenção de agir, mas o    mesmo não se verificou no estudo de Lemoine et al. (2016) e de Poeschl, Valentim    e Silva (2015). Por isso, analisámos também aqui o papel das <i>variáveis de    rendimento</i>, considerando quer o rendimento real, quer a perceção da sua    perda pessoal no tempo (comparando com o passado recente) e em termos de comparação    económica com os outros indivíduos da sociedade portuguesa. Por último, nas    <i>variáveis pessoais</i> considerámos o papel que duas variáveis podem ter    na diferenciação de disposições para agir face à crise: (1) a auto-identificação    ao grupo que se encontra sob a dureza da crise, neste caso a identificação nacional;    (2) os sentimentos dos indivíduos (Chryssochoou, Papastamou e Prodromitis 2013).</p>     <p>Procurámos responder a três questões:</p>     <p>(1) Quais as variações de tomadas de posição individual ou os princípios organizadores    das posições individuais sobre a participação em ações face à crise? Ou seja,    como se estruturam as perceções sobre as possíveis ações que as pessoas estão    dispostas a fazer?</p>     <p>(2) Tendo em conta essas respostas, é possível agrupar as pessoas em função    da intenção que expressam relativamente às ações face à crise? Se sim, como?    Que tipologia se obtém?</p>     <p>(3) A que se encontram associadas essas diferentes disposições para agir? Caso    seja possível classificar as disposições para agir contra a crise, a que se    encontram associados esses tipos ou classes e como se distinguem entre si em    relação a variáveis de ancoragem ligadas a dimensões político-ideológicas, de    rendimento e pessoais.</p>     <p>METODOLOGIA</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Participantes</p>     <p>Participaram neste estudo 453 estudantes da Universidade de Coimbra (54.3&#8197;%),    da Universidade do Porto (38&#8197;%) e da Universidade Católica do Porto (6.4&#8197;%)    (1.3&#8197;% não indicaram a instituição onde estudavam), com idades compreendidas    entre os 17 e os 60 anos (<i>m</i><i>&#8197;</i>=&#8197;20.2 anos; <i>dp</i><i>&#8197;</i>=&#8197;4.64;    mediana&#8197;=&#8197;19), sendo 395 mulheres (87.2&#8197;%) e 58 homens (12.8&#8197;%).    2,0&#8197;% não indicaram o curso que frequentavam e os restantes frequentavam    os cursos de Mestrado Integrado em Psicologia (63.8&#8197;%), Licenciatura em    Ciências da Educação (22.1&#8197;%), Licenciatura da Escola das Artes da Universidade    Católica do Porto (6.4&#8197;%), Licenciatura em Serviço Social (5.5&#8197;%),    e Mestrado em Ciências da Educação (0.2&#8197;%).</p>     <p>Medidas e procedimento</p>     <p>Numa primeira fase, procedeu-se à tradução e retroversão do questionário original    elaborado no âmbito da pesquisa internacional atrás referida (cf. o número especial    da <i>International Review of Social Psychology</i>, 2017); parte deste questionário    foi também usado por Chryssochoou, Papastamou e Prodromitis (2013), Poeschl,    Valentim e Silva (2015) e por Poeschl et al. (2017). Os investigadores recolheram    os dados, de forma coletiva, em sala de aula durante o mês de dezembro de 2011.</p>     <p>Apresentamos de seguida as variáveis que foram analisadas neste estudo.</p>     <p>Participação em ações face à crise - solicitou-se aos participantes que indicassem    em que medida (1&#8197;=&#8197;<i>nada</i>; 7&#8197;=&#8197;<i>muito</i>) estariam    dispostos a participar em cada uma de 32 ações contra as medidas implementadas    no âmbito da crise (cf. <a href="#q1">Quadro 1</a> para a lista dos itens retidos).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a05q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a05q2.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Responsáveis pela crise em Portugal - os participantes indicaram<i> </i>até    que ponto (1&#8197;=&#8197;<i>nada</i>; 7&#8197;=&#8197;<i>muito</i>) consideram    diferentes entidades ou fatores como responsáveis pela crise em Portugal (cf.    <a href="#q3">Quadro 3</a> para a lista dos itens).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a05q3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Perceção das relações entre Portugal e a ue - pediu-se aos respondentes para    selecionarem um ponto entre 1 e 8 para caracterizarem a relação entre Portugal    e a ue em sete escalas bipolares (cf. <a href="#q4">Quadro 4</a> para a lista    dos itens retidos na análise).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a05q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Conceções da justa distribuição dos recursos na ue - os participantes indicaram    a sua opinião (1&#8197;=&#8197;<i>discordo totalmente</i>; 7&#8197;=&#8197;<i>concordo    totalmente</i>) acerca da justa distribuição dos recursos na ue através de três    itens relativos às três regras de justiça distributiva (equidade, igualdade    e necessidade) consensualmente consideradas na psicologia social (Deutsch, 1985;    Valentim e Helkama, 2011): &ldquo;Proporcionalmente à contribuição de cada Estado-membro&rdquo;;    &ldquo;De forma igual para todos os Estados-membros&rdquo; e &ldquo;De acordo com as necessidades    de cada Estado-membro&rdquo;.Comparação económica - os participantes avaliaram a sua    situação económica (1&#8197;=&#8197;<i>muito pior</i>; 7&#8197;=&#8197;<i>muito    melhor</i>) por meio de dois itens: <i>&ldquo;</i>em comparação com outras pessoas    na sociedade portuguesa&rdquo; e em &ldquo;comparação com há um ano atrás&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Identificação nacional - os respondentes indicaram o seu grau de identificação    nacional (1&#8197;=&#8197;<i>nada</i>; 7&#8197;=&#8197;<i>muito</i>) através    de seis itens (cf. <a href="#q5">Quadro 5</a> para a lista desses itens).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q5"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a05q5.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Sentimentos - os respondentes indicaram a frequência (1&#8197;=&#8197;<i>nunca</i>;    7&#8197;=&#8197;<i>sempre</i>) de diferentes sentimentos (12 itens; cf. <a href="#q6">Quadro    6</a>) nas últimas quatro semanas, incluindo os sete itens da subescala &ldquo;General    Health Questionnaire&rdquo; usados por Chryssochoou, Papastamou e Prodromitis (2013).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q6"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a05q6.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Orientação política - os participantes indicaram a sua orientação política    numa escala de 1 a 10 (1&#8197;=&#8197;<i>esquerda</i>; 10&#8197;=&#8197;<i>direita</i>)    com a possibilidade de responderem &ldquo;não me posiciono nesta escala&rdquo;.</p>     <p>Rendimento - os participantes indicaram, em euros, o rendimento bruto (ilíquido)    mensal atual da sua família: &ldquo;abaixo dos 485&rdquo;, &ldquo;486-777&rdquo;, &ldquo;778-1000&rdquo;, &ldquo;1001-1500&rdquo;,    &ldquo;1501-2000&rdquo;, &ldquo;2001-4165&rdquo; e &ldquo;acima dos 4165&rdquo;. Os valores destas categorias foram    decididos tendo em conta que o valor do salário mínimo foi de 485&#8197;€ a    partir de 1 de janeiro de 2011 e que os cortes salariais introduzidos a 1 de    janeiro do mesmo ano se efetuaram a partir dos 1500&#8197;€ (3.5&#8197;%) com    uma redução progressiva (de 3.8&#8197;% a 9.98&#8197;%) dos salários entre 2000&#8197;€    e 4165&#8197;€ e uma redução uniforme (10&#8197;%) a partir de 4200&#8197;€.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RESULTADOS</p>     <p>Disposição para participar em ações face à crise</p>     <p>Os 32 itens sobre a disponibilidade para participar em ações face à crise foram    submetidos a uma análise fatorial em componentes principais com rotação <i>varimax</i>.    A adoção do critério do valor próprio maior que um, que utilizaremos nas análises    seguintes e que foi também seguido por Chryssochoou, Papastamou e Prodromitis    (2013), revelou aqui vários problemas psicométricos, em especial itens com saturações    elevadas (&gt;&#8197;.40) em mais de um fator e baixa consistência interna.    A persistência deste tipo de problemas, mesmo retirando os itens em causa, levou-nos    a optar por uma solução com três fatores: uma dimensão de <i>participação cívica    </i>nas suas formas &ldquo;clássicas&rdquo; (fazer greve, participar em manifestações, partidos    políticos ou sindicatos), outra de <i>a</i>ção <i>violenta</i> e uma outra dimensão    caracterizada por práticas de natureza mais individualista de proteção da segurança    económica<i> </i>ou de<i> resistência</i> <i>económica</i>. Uma vez retirados    os itens com saturação inferior a .50, a solução obtida com os três fatores,    que, em conjunto, explicam 57.07&#8197;% da variância total (cf. <a href="#q1">Quadro    1</a>), mostra-se clara em termos conceptuais e robusta em termos psicométricos:    <i>participação cívica </i>(9 itens, &#945;&#8197;=&#8197;&#8197;.91), práticas    de <i>violência </i>(9 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.87) e <i>resistência</i>    <i>económica </i>(6 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.82).</p>     <p>A primeira análise, meramente descritiva, sobre a disposição para participar    em ações permite constatar os baixos valores médios na generalidade dos indicadores,    sendo de assinalar o repúdio pelas expressões violentas dos protestos contra    a crise e que &ldquo;emigrar para um país próspero&rdquo; é o único item com média de resposta    acima do ponto médio da escala (4), sendo essa diferença estatisticamente significativa:    <i>t </i>(452)&#8197;=&#8197;5.45, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001.</p>     <p>Depois de agregar os itens agrupados pelos três fatores extraídos, verifica-se    que as médias das três dimensões se encontram abaixo do ponto médio (4), sendo    essas diferenças estatisticamente significativas: participação cívica: <i>m</i>&#8197;=&#8197;3.12,    <i>dp</i><i>&#8197;</i>=&#8197;1.61, <i>t </i>(452)&#8197;=&#8197;11.63, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001;    violência: <i>m</i><i>&#8197;</i>=&#8197;1.35, <i>dp</i><i>&#8197;</i>=&#8197;.72,    <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;78.47, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001; resistência    económica: <i>m</i><i>&#8197;</i>=&#8197;3.26, <i>dp</i><i>&#8197;</i>=&#8197;1.48,    <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;10.63, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001.</p>     <p>Observa-se também que, de forma geral, os respondentes são menos relutantes    a adotar práticas de natureza mais individualista de resistência económica e    a participar em ações de natureza cívica do que a participar em ações violentas,    <i>f</i> (2,904)&#8197;=&#8197;480.82, p&#8197;&lt;&#8197;.001, ambas diferenças    significativas de acordo com o teste lsd para comparações múltiplas, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001.</p>     <p>Posicionamentos</p>     <p>Para encontrar diferentes tipos de posicionamento relativamente à disposição    para participar em ações face à crise, realizou-se uma análise de <i>clusters</i>    não hierárquica (<i>K-Means clusters</i>) utilizando a média dos respondentes    nas três dimensões obtidas. Foi retida uma solução com três grupos de participantes,    cujos resultados constam do <a href="#q2">quadro 2</a>. </p>      <p>Os três grupos distinguem-se claramente quanto às suas posições naquelas variáveis.    Os indivíduos do grupo 1 caracterizam-se pela sua disposição para ações de <i>resistência    económica</i>. É o grupo que apresenta a média mais elevada (estatisticamente    superior à dos outros dois grupos) nessa variável, sendo este valor superior    ao ponto médio da escala (4): <i>t </i>(111)&#8197;=&#8197;13.18, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001.    O grupo 2 é aquele que apresenta valores mais baixos em todas as dimensões e    todos eles inferiores ao ponto médio da escala: <i>t </i>(223)&#8197;=&#8197;42.41,    <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001 em participação cívica;<i> t </i>(223)&#8197;=&#8197;132.58,    <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001 em violência e <i>t </i>(223)&#8197;=&#8197;31.12,    <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001 em resistência económica. Ou seja, é composto    fundamentalmente por indivíduos que não se mostram dispostos a qualquer tipo    de ação face à crise, isto é, que têm intenção de <i>nada</i> <i>fazer</i>.    O grupo 3 é o que apresenta o valor mais elevado (estatisticamente superior    ao dos outros dois grupos) na disposição para a <i>participação cívica</i>,    valor também estatisticamente superior ao ponto médio da escala: <i>t </i>(116)&#8197;=&#8197;10.71,    <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001. Ou seja, em termos de disposição para agir face    à crise, o grupo 1 caracteriza-se pelas <i>práticas de resistência económica</i>,    o grupo 2 por <i>nada</i> pretender fazer e o grupo 3 pela <i>participação cívica</i>.</p>     <p>Numa leitura <i>a posteriori</i> dos <i>clusters</i> obtidos, é de assinalar    a proximidade da tipologia que obtivemos com a conceptualização dos comportamentos    de protesto usada por Wright, Taylor e Mogaddham (1990) assente em três tipos    de distinção: (1) entre inação e ação; (2) entre ações que visam melhorar a    condição pessoal (ação individual) e ações orientadas para a melhoria das condições    do grupo (ação coletiva), distinção esta que se pode alicerçar na distinção    de Tajfel entre estratégias individuais de mobilidade social e estratégias coletivas    de mudança social (Tajfel e Turner, 2001[1979]; Valentim, 2008, p. 3) e, por    fim, entre ações de acordo com o sistema social existente (ações normativas)    e ações que violam as regras sociais (ações não normativas). Julgamos que não    é difícil enquadrar os <i>clusters</i> obtidos nestas três distinções e que    esse enquadramento indutivo (e não dedutivo) reforça a pertinência da solução    empírica que adotámos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Também os resultados da análise tipológica mostram a baixa intencionalidade    de agir (cf. <a href="#q2">Quadro 2</a>). Somando o número de indivíduos nos    dois <i>clusters</i> que manifestam disposição para alguma forma de ação (q1    e q3) esse número (<i>n</i>&#8197;=&#8197;229) é apenas ligeiramente superior    ao daqueles que não se mostram dispostos a fazer alguma coisa (<i>n</i><i>&#8197;</i>=&#8197;224).    O que é tanto mais assinalável quanto um dos <i>clusters,</i> valorizando a    ação (resistência económica), quase se resume a estratégias individualistas    de proteção dos bens.</p>     <p>Variáveis de ancoragem: construção de indicadores</p>     <p>Responsáveis pela crise em portugal</p>     <p>Foi realizada uma análise fatorial em componentes principais (rotação <i>varimax</i>)    com as respostas aos 21 itens relativos às entidades responsáveis pela crise.    Foram extraídos quatro fatores (<a href="#q3">Quadro 3</a>) com valor próprio    maior que um que explicam 51.87% da variância: <i>pessoas </i>(8 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.82),    <i>grandes nações e globalização</i> (4 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.77), <i>organizações    financeiras e</i> <i>neoliberalismo </i>(5 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.73)    e <i>governos</i> <i>portugueses e corrupção</i> (4 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.66).</p>     <p>Tendo em conta os resultados obtidos em cada item, constata-se uma clara recusa    em atribuir aos trabalhadores a responsabilidade pela crise (o item com média    mais baixa: <i>m</i>&#8197;=&#8197;3.17) e, por contraste, o valor particularmente    elevado atribuído à corrupção (<i>m</i>&#8197;=&#8197;6.40). Depois de agregar    os itens agrupados pelos quatro fatores extraídos verifica-se que a dimensão    &ldquo;pessoas&rdquo; obteve um valor (<i>m</i>&#8197;=&#8197;4.10) próximo do ponto médio    da escala (4), e que todas as outras dimensões se encontram acima deste ponto    médio, sendo essas diferenças estatisticamente significativas: grandes nações    e globalização: <i>m</i>&#8197;=&#8197;4.95, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.06, <i>t    </i>(452)&#8197;=&#8197;19.12, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001; organizações    financeiras e neoliberalismo: <i>m</i>&#8197;=&#8197;5.28, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;.83,    <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;32.91, <i>p</i> &lt; .001; governos portugueses    e corrupção: <i>m</i>&#8197;=&#8197;5.84, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;.87, <i>t</i>    (452)&#8197;=&#8197;45.08, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001.</p>     <p>Uma comparação das médias obtidas nas quatro dimensões indica que os respondentes    atribuem a responsabilidade da crise mais aos governos portugueses e à corrupção    do que às organizações financeiras e ao neoliberalismo, e mais às nações poderosas    e à globalização do que às pessoas, <i>f </i>(3,1356)&#8197;=&#8197;433.36,    <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001, todas as diferenças significativamente diferentes    segundo o teste lsd para comparações múltiplas, <i>p</i> &lt; .001.</p>     <p>Perceção das relações entre portugal e a união europeia</p>     <p>Após ter sido retirado o par de itens &ldquo;Submissão-Dominação&rdquo; dadas as ambiguidades    que suscitou nos participantes, a análise fatorial em componentes principais    (rotação <i>varimax</i>) sobre as respostas aos itens relativos à perceção das    relações entre Portugal e a ue extraiu dois fatores com valor próprio maior    que um, que explicam 58.70% da variância total <a href="#q4">Quadro 4</a>).    O primeiro fator agrupa os itens relativos a <i>relações negativas </i>(4 itens,    &#945;&#8197;=&#8197;.73)<i>, </i>e o segundo a <i>relações positivas</i> (2    itens, &#945;&#8197;=&#8197;.43).</p>     <p>O item com valor mais elevado é &ldquo;desconfiança&rdquo; e o valor mais baixo é atribuído    à relação de igualdade, o que evidencia uma perceção clara da existência de    relações assimétricas entre Portugal e a ue. Tendo sido construídas duas escalas    a partir dos itens agrupados pelos fatores, constata-se que os respondentes    percecionam as relações entre Portugal e a ue como mais negativas (<i>m</i>&#8197;=&#8197;4.53,    <i>dp</i><i>&#8197;</i>=&#8197;1.18) do que positivas (<i>m</i><i>&#8197;</i>=&#8197;4.01,    <i>dp</i><i>&#8197;</i>=&#8197;1.25), <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;5.96, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001    encontrando-se a média desta última dimensão significativamente abaixo do ponto    médio da escala (4.5): <i>t</i> (452) = 8.40, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001.</p>     <p>Conceções da justa distribuição dos recursos na ue</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os três itens sobre a justa distribuição dos recursos na ue obtiveram uma avaliação    significativamente diferente, <i>f</i> (2, 904)&#8197;=&#8197;99.79, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001,    todas as médias significativamente diferentes segundo o teste lsd para comparações    múltiplas, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001. Os respondentes consideraram que    os recursos devem ser distribuídos &ldquo;de acordo com as necessidades de cada Estado-membro&rdquo;    (<i>m</i><i>&#8197;=</i><i>&#8197;</i>5.11, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.52) mais    do que &ldquo;proporcionalmente à contribuição de cada Estado-membro&rdquo; (<i>m</i>&#8197;=&#8197;4.27,    <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.64), estando as duas médias acima do ponto neutro    da escala (4), respetivamente, <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;15.51, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001    e <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;3.49, <i>p</i>&#8197;=&#8197;.001. Por outro    lado, os respondentes discordaram ligeiramente que os recursos da ue sejam distribuídos    &ldquo;de forma igual para todos os Estados-membros&rdquo; (<i>m</i>&#8197;=&#8197;3.52,    <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.92), encontrando-se esta média abaixo do ponto neutro    da escala, <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;5.28, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001.    A média elevada obtida nas respostas à possibilidade da ue distribuir os recursos    de acordo com as necessidades de cada Estado-membro evidencia a aspiração dos    respondentes em encontrar um espírito de solidariedade dentro da ue.      <p>Avaliação comparativa da situação económica pessoal</p>     <p>Quando compararam a sua situação económica atual com outras pessoas na sociedade    portuguesa, os respondentes forneceram uma descrição relativamente neutra (<i>m</i>&#8197;=&#8197;3.99,    <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.06), ou seja, globalmente, nem melhor, nem pior. Contudo,    quando compararam a sua situação económica atual com aquela de há um ano atrás,    as respostas refletiram uma deterioração da sua situação económica (<i>m</i>&#8197;=&#8197;3.11,    <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.21), sendo esta última média significativamente inferior    ao ponto médio da escala, <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;15.58, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001.    Ou seja, houve uma nítida perceção de que a crise afetou negativamente a situação    económica dos cidadãos.</p>     <p>Identificação nacional</p>     <p>Foi realizada uma análise fatorial em componentes principais (rotação <i>varimax)</i>    sobre as respostas aos seis itens relativos à identificação nacional. Foram    extraídos dois fatores com valor próprio superior a um (<a href="#q5">Quadro    5</a>) que explicam 72.11&#8197;% da variância total, e apontam para a identificação    ao país<i> </i>(4 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.83) e a identificação aos valores    dos outros portugueses (2 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.77).</p>     <p>Após a agregação dos itens nos fatores obtidos, verifica-se que os respondentes    manifestam uma forte identificação ao país (<i>m</i>&#8197;=&#8197;5.21, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.27),    que não se acompanha de uma tão forte identificação aos valores dos outros portugueses    (<i>m</i>&#8197;=&#8197;4.11, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.23). Apenas a identificação    ao país é superior ao ponto médio da escala (4), <i>t</i> (452) = 20.40, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001,    e a diferença entre as médias das duas dimensões é significativa, <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;18.18,    <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001. Ou seja, a identificação ao país não é acompanhada    da perceção de um acordo com a forma de pensar dos seus concidadãos.</p>     <p>Sentimentos</p>     <p>A análise fatorial em componentes principais com rotação <i>varimax </i>dos    12 itens sobre sentimentos apresentados aos respondentes (<a href="#q6">Quadro    6</a>) extraiu três fatores com valor próprio superior a um e que explicam 71.04%    da variância total: <i>depressão </i>(6 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.90), <i>tristeza</i>    (4 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.79), e <i>serenidade</i> (2 itens, &#945;&#8197;=&#8197;.78).</p>     <p>Depois de agregar os itens agrupados pela análise, observa-se que, de forma    geral e ao contrário ao que se podia esperar, as respostas sobre os sentimentos    durante a crise indicam alguma serenidade (<i>m</i>&#8197;=&#8197;4.13, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.42)    e não tristeza (<i>m</i>&#8197;=&#8197;3.11, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.27) ou    depressão (<i>m</i>&#8197;=&#8197;1.68, <i>dp</i>&#8197;=&#8197;1.05), sendo    as médias das respostas a estes dois estados emocionais significativamente inferiores    ao ponto médi o da escala (4), respetivamente, <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;14.86,    <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001 e <i>t</i> (452)&#8197;=&#8197;7.12, <i>p</i>    &lt; .001. Pode-se notar, ainda, que estes sentimentos tiveram uma intensidade    significativamente diferente, <i>f</i> (2, 904)&#8197;=&#8197;401.91, <i>p</i><i>&#8197;</i>&lt;&#8197;.001,    todas as médias distinguem-se significativamente entre si segundo o teste lsd    para comparações múltiplas, <i>p</i>&#8197;&lt;&#8197;.001.</p>     <p>Rendimento</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tendo em conta o número de respondentes em cada uma das categorias de rendimento,    as sete categorias iniciais foram reduzidas a cinco, agregando as categorias    &ldquo;486&#8197;€-777&#8197;€&rdquo; e &ldquo;778€-1000&#8197;€&rdquo; numa só (486&#8197;€-1000&#8197;€)    e as categorias &ldquo;2001&#8197;€-4165&#8197;€&rdquo; e &ldquo;acima dos 4165&#8197;€&rdquo; em &ldquo;superior    a 2001&#8197;€&rdquo;.</p>     <p>Orientação política</p>     <p>Em termos de orientação política 23.1&#8197;% (<i>n</i><i>&#8197;</i>=&#8197;105)    dos participantes declararam-se de esquerda, 39.8&#8197;% (<i>n</i><i>&#8197;</i>=&#8197;180)    do centro e 17.2&#8197;% (<i>n</i><i>&#8197;</i>=&#8197;78) de direita. 18.3%    (<i>n</i><i>&#8197;</i>=&#8197;83) não se posicionaram nesta escala e 1.5% (<i>n</i>&#8197;=&#8197;7)    não responderam à questão. Por outras palavras, globalmente, os respondentes    posicionam-se ligeiramente à esquerda do ponto médio (5.5): <i>m</i><i>&#8197;</i>=&#8197;5.13,    <i>dp</i><i>&#8197;</i>=&#8197;1.87, mediana: 5.</p>     <p>Ancoragem da disposição para agir</p>     <p>De seguida, procurámos saber em que se diferenciam os respondentes agrupados    nos três tipos de posicionamento sobre a participação em ações face à crise.    Ou seja, procurámos identificar a que se encontram associados os três tipos    de posição identificados anteriormente, tendo em conta as variáveis de ancoragem    que selecionámos (<a href="#q7">Quadro 7</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q7"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a05q7.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No que respeita às variáveis de ancoragem ligadas à perceção da crise económica,    constata-se que os respondentes que nada querem fazer culpam menos as grandes    nações e a globalização, tal como as organizações financeiras e o neoliberalismo,    do que os participantes dispostos a participar em ações cívicas. Também culpam    menos que todos os outros respondentes os governos portugueses e a corrupção    pela crise em Portugal. Os respondentes que nada querem fazer percecionam as    relações entre Portugal e a ue menos negativas do que os respondentes que pertencem    aos dois outros <i>clusters</i> e mais positivas do que os respondentes dispostos    a participar em ações de resistência económica<i>.</i> Eles também se distinguem    dos participantes dos outros dois <i>clusters</i> por discordarem mais de uma    distribuição igualitária dos recursos da ue. Os respondentes que nada querem    fazer aparecem assim como os menos severos na avaliação dos fatores e entidades    intervenientes na crise económica e, a este respeito, nada diferencia fundamentalmente    a interpretação que fazem da crise os respondentes que se dizem dispostos a    agir.</p>     <p>Aqueles que nada querem fazer posicionam-se, politicamente, mais à direita    do que os outros. Sendo o governo português, na altura, formado por uma coligação    de partidos de direita, a orientação política poderá explicar a menor severidade    destes participantes na sua análise da crise e contribuir para as suas intenções    comportamentais algo passivas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os três <i>clusters</i> não se diferenciam em termos das variáveis ligadas    às condições económicas reais e à sua perceção (rendimento e comparações económicas).</p>     <p>No que respeita às disposições mais pessoais, constata-se que os respondentes    dispostos a resistir economicamente se identificam menos ao país do que os respondentes    que nada querem fazer. O que é compreensível, na medida em que na resistência    económica estão em jogo ações individuais que podem comprometer o futuro económico    coletivo de um país. Esses participantes (resistência económica) sentiram também    mais depressão e tristeza e menos serenidade do que os outros.</p>     <p>DISCUSSÃO/CONCLUSÃO</p>     <p>A fraca disposição para participar em ações face à crise é um dos primeiros    pontos a salientar nos nossos resultados. Parecem ir claramente no sentido dos    dados do Eurostat, que colocam Portugal afastado dos outros países do Mediterrâneo    neste domínio e dos estudos sociológicos que realçam o desinteresse dos portugueses    pela participação e ação coletiva (e.&#8197;g. Cabral, 2000; Hespanha, Ferreira    e Pacheco, 2013; Lobo, Ferreira e Rowald, 2015; Viegas, Teixeira e Amador, 2015).</p>     <p>Poderíamos esperar uma maior disposição para agir face à crise por parte de    uma amostra de estudantes universitários tendo em conta quer a tradição sociológica    de contestação estudantil, quer as novas formas de protesto (Accornero e Pinto,    2015; Estanque, Costa e Sequeiro, 2013), quer ainda dados recentes que mostram    um aumento do protesto entre 2008 e 2012, i.e., depois do início da crise (Viegas,    Teixeira e Amador, 2015; cf. também Fernandes e Pereira, 2015) e, principalmente,    porque os mais jovens e com mais instrução formal se encontram entre os que    mais protestam (Lima e Artiles, 2014).</p>     <p>Essa constatação não nos deve fazer esquecer que um ponto crucial nos estudos    sobre representações sociais é que não se podem reduzir à inventariação de um    consenso sobre um objeto social ou à procura de tendências centrais num conjunto    de dados (Doise, 1990; Doise, Clémence e Lorenzi-Cioldi, 1992; Valentim, 2013,    2016), neste caso, a baixa intenção de agir face à crise. Foi o que procurámos    fazer neste estudo, em que a análise das variações nas posições interindividuais    permitiu, de facto, identificar diferentes posições em relação às principais    formas de ação que os indivíduos estão dispostos a adotar. Podem favorecer mais    ou menos as formas de participação cívica, as de proteção económica ou a não    atuação.</p>     <p>Ora, tendo em conta essa variabilidade de posições, verifica-se que, entre    os dados gerais de baixa disposição para agir, cerca de ¼ dos participantes    manifestam uma disposição para agir em termos de expressões clássicas de participação    cívica, que não se podem traduzir numa instrumentalidade direta na resolução    dos seus problemas, ou reduzir a um interesse individualista imediato. Ou seja,    de acordo com essa leitura, estaríamos longe de um cenário de apatia e indiferença    generalizada. No momento em que recolhemos os dados (dezembro de 2011), antes    dos efeitos das políticas de austeridade se fazerem sentir ainda mais fortemente    no rendimento disponível das famílias, identifica-se claramente esta posição    que consiste numa disposição para fazer algo que não redunda em benefícios materiais    e individuais imediatos, que não passa pela violência, e se enquadra nas formas    tradicionais, &ldquo;nobres&rdquo;, de cidadania democrática. Numa análise recente sobre    a mobilização anti-austeridade em Portugal entre 2010 e 2013, Accornero e Pinto    (2015) também concluem dizendo que &ldquo;não vemos uma resposta de &ldquo;brandos costumes&rdquo;,    quiescente, à austeridade&rdquo; (p. 507).</p>     <p>No entanto, não escamoteando a existência de grande mobilização em determinados    períodos históricos (Accornero e Pinto, 2015), do nosso ponto de vista, essa    leitura deverá ser equacionada, quer no quadro dos baixos valores médios obtidos    em cada uma das formas de participação, quer no dos trabalhos já mencionados    que, de forma consistente, têm vindo a dar conta da baixa participação cívica    em Portugal. Esta interpretação precisa ainda de ser corroborada por outros    estudos que permitam pontos de referência e de comparação mais sólidos, designadamente    com outros países também fortemente afetados pela crise económica. Ora, se tivermos    em conta os dados do recente estudo de Mari et al. (2017), obtidos com o mesmo    questionário que usámos aqui, este tipo de resultados não parece ser tão marcadamente    distintivo da amostra portuguesa. De facto, embora nalguns casos com valores    superiores aos que obtivemos, também aí, se constata, no geral, uma baixa disposição    para agir face à crise, quer na amostra grega, quer na amostra italiana (que    não são compostas apenas por estudantes).</p>     <p>Ao procurarmos dar conta das razões das diferentes posições face à participação    em ações contra a crise, os resultados mostram que as diferenças entre<i> </i>as    posições<i> agir </i>e <i>não agir</i> se situam numa classe de variáveis ideológico-política    (interpretação da crise, representações da Europa e posição política) e não    no rendimento real ou na perceção da sua perda. Ou seja, a disposição para agir    não se encontra associada à situação económica das pessoas, mas sim à leitura    ideológico-política que as pessoas fazem da situação, ou às suas posições político-ideológicas.</p>     <p>Estes resultados vão no mesmo sentido dos que apresentámos num outro local    (Poeschl, Valentim e Silva, 2015) em que, com outro tipo de análise, também    se verifica que &ldquo;os grupos com diferentes rendimentos familiares não variam    na sua (falta de) disposição para agir em resposta às medidas de austeridade&rdquo;    (p. 9). Contudo, o conjunto destes dados contrasta com os que foram obtidos    por Chryssochoou, Papastamou e Prodromitis (2013) na Grécia, num estudo realizado    com uma outra amostra (em que os estudantes são uma minoria), e onde se constata    que o rendimento e a vulnerabilidade percebida se encontram associados à disposição    para agir. O rendimento aparece aí associado às formas usuais de participação    (semelhantes às que designámos aqui por participação cívica) e a perceção de    vulnerabilidade às formas de ação mais radicais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tendo em conta o contraste entre resultados obtidos com duas amostras diferentes    (estudantes em Portugal e população geral na Grécia) uma das interpretações    possíveis é que os dados que obtivemos aqui se devem ao facto de se tratar de    uma amostra de estudantes. Para estes estudantes, na altura em que a recolha    de dados foi feita - antes ainda de algumas medidas mais duras de austeridade    -, a dimensão rendimento (real e perceção da sua perda) pode ter sido menos    premente que uma dimensão mais ideológica. Ou seja, haveria aqui um menor grau    de proximidade ao objeto (Abric, 2001a; Miguel, Valentim, Carugati, 2012, 2016)    da parte dos participantes no nosso estudo. Todavia, essa interpretação deverá    ser temperada pelos resultados similares, no que respeita ao rendimento, obtidos    no trabalho recente de Lemoine et al. (2016). Num estudo feito em França, com    uma amostra que não é composta apenas por estudantes e usando outras medidas,    aqueles autores também não encontraram efeitos do rendimento na disposição para    agir.</p>     <p>Em síntese, em relação à questão do papel do rendimento e da perceção da perda    económica na disposição para agir, o nosso estudo evidencia especificidades    e divergências entre resultados obtidos em diferentes países e com amostras    de características diferentes, mas não permite esclarecer as razões que podem    explicar essas diferenças.</p>     <p>Quanto às diferenças específicas que caracterizam a disposição para adotar    formas de resistência económica, elas encontram-se nas variáveis de natureza    mais pessoal que são os sentimentos. De facto, de acordo com os nossos resultados,    essas formas de ação individualista parecem ser acionadas menos pela razão e    mais pelos sentimentos negativos originados pela crise.</p>     <p>Por último, devemos assinalar uma das implicações, para pesquisas futuras,    da leitura que fizemos dos resultados em termos de posição social dos participantes    neste estudo. Daqui não decorre apenas a necessária comparação com outras amostras    que não incluam apenas estudantes, seja com participantes portugueses com outras    características sociodemográficas, seja com participantes de outros países afetados    pela crise, como é o caso dos estudos que referimos de Chryssochoou, Papastamou    e Prodromitis s(2013), Lemoine et al. (2016) e Mari et al. (2017). Uma das consequências    dessa interpretação com base no papel decisivo que as diferentes inserções sociais    têm nas representações sociais é a necessidade de considerar as possíveis consequências    que o agravamento da crise e da dureza das condições de vida podem ter na transformação    das representações sobre a crise. Ou seja, estudos que tenham em conta outros    momentos de evolução da crise em Portugal permitiriam uma compreensão mais clara    das diferentes posições e ancoragens das representações da crise económica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <p>ABRIC, J.-C. (2001a), &ldquo;L&rsquo;&#8197;approche structurale des représentations sociales:    Développements récents&rdquo;. <i>Psychologie et société, </i>4(2), pp. 81-104.</p>     <p>ABRIC, J.-C. (2001b), &ldquo;A structural approach to social representations&rdquo;. <i>In</i>    K. Deaux, G. Philogène (eds.), <i>Representations of the Social: Bridging Theoretical    Traditions,</i> Oxford, Blackwell, pp. 42-47.</p>     <p>ACCORNERO, G., Pinto, P. (2015), &ldquo;&#8197;‘Mild mannered&rsquo;? Protest and mobilisation    in Portugal under austerity, 2010-2013&rdquo;. <i>West European Politics, </i>38(3),    pp. 491-515. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/01402382.2014.937587" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1080/01402382.2014.937587</a></p>     <p>BILLIG, M. (1988), &ldquo;Social representation, objectivation and anchoring: a rethorical    analysis&rdquo;. <i>Social Behavior</i>,<i> </i>3, pp. 1-16.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CABRAL, M.&#8197;V. (2000), &ldquo;O exercício da cidadania política em Portugal&rdquo;.    <i>In</i> M.&#8197;V. Cabral, J. Vala, J. Freire (eds.), <i>Trabalho e Cidadania.    Atitudes Sociais dos Portugueses I, </i>Inquérito Permanente às Atitudes Sociais    dos Portugueses,<i> </i>Lisboa, ICS, pp. 123-159.</p>     <p>CHRYSSOCHOO, X., Papastamou, S., Prodromitis, G. (2013), &ldquo;Facing the economic    crisis in Greece: the effects of grievances, real and perceived vulnerability,    and emotions towards the crisis on reactions to austerity measures&rdquo;. <i>Journal    of Social Science Education, </i>12(1), pp. 41-49.</p>     <p>CLÉMENCE, A. (2001), &ldquo;Social positioning and social representations&rdquo;. <i>In</i>    K. Deaux, G. Philogène (eds.), <i>Representations of the Social: Bridging Theoretical    Traditions, </i>Oxford, Blackwell, pp. 83-95.</p>     <p>CLÉMENCE, A. (2003), &ldquo;L&rsquo;analyse des principes organisateurs des représentations    sociales&rdquo;. <i>In</i> S. Moscovici, F. Buschni (eds.), <i>Les méthodes des Sciences    Humaines</i>, Paris, PUF, pp. 393-410.</p>     <p>COSTA, A., Caldas, J.&#8197;C. (2013), &ldquo;A União Europeia e Portugal entre os    resgates bancários e a austeridade: um mapa das políticas e das medidas&rdquo;. <i>In</i>    Observatório sobre Crises e Alternativas (2013, dezembro). <i>Crise: Identificar    os Problemas para Construir Alternativas. 1.º Relatório </i>Preliminar, Coimbra,    CES, pp. 72-107.</p>     <!-- ref --><p>DEUTSCH, M. (1985), <i>Distributive Justice: A Social-Psychological Perspective</i>,    New Haven, Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105133&pid=S0003-2573201800040000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>DOISE, W. (1990), &ldquo;Les représentations sociales&rdquo;. <i>In</i> R. Ghiglione, C.    Bonnet, J.&#8197;F. Richard (orgs.), <i>Traité de psychologie cognitive</i>,    Paris, Dunod, pp. 113-174.</p>     <p>DOISE, W. (1992), &ldquo;L&rsquo;&#8197;ancrage dans les études sur les représentations    sociales&rdquo;. <i>Bulletin de psychologie, </i>45, pp. 189-195.</p>     <!-- ref --><p>DOISE, W., Cleménce, A., Lorenzi-Cioldi, F. (1992), <i>Représentations sociales    et analyses de données</i>, Grenoble, Presses Universitaires de Grenoble.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105137&pid=S0003-2573201800040000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>ESTANQUE, E., Costa, H., Sequeiro, J. (2013), &ldquo;The new global cycle of protest    and the Portuguese case&rdquo;. <i>Journal of Social Science Education, </i>12(1),    pp. 31-40.</p>     <p>FERNANDES, J., Pereira, C.&#8197;R. (2015), &ldquo;Participação política não convencional    depois da intervenção externa: democracia em esvaziamento ou ativismo reforçado?&rdquo;    <i>In</i> A. Freire, M. Lisi, J.&#8197;L. Viegas (eds.), <i>Crise Económica,    Políticas de Austeridade e Representação Política</i>, Lisboa, Assembleia da    República, pp. 218-233.</p>     <!-- ref --><p>GOVERNO DE PORTUGAL, CE, BCE e FMI (2011), <i>Memorando de entendimento sobre    as condicionalidades de política económica </i>(<i>Memorandum of Understanding    </i>- MoU), 17-05-2011, disponível em <a href="http://www.portugal.gov.pt/media/371372/mou_pt_20110517.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/media/371372/mou_pt_20110517.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105141&pid=S0003-2573201800040000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>HESPANHA, P., Ferreira, S., Pacheco, V. (2013), &ldquo;Austeridade, reformas laborais    e desvalorização do trabalho&ldquo;. <i>In</i> Observatório sobre Crises e Alternativas.    <i>Crise: Identificar os Problemas para Construir Alternativas. 1.º Relatório    Preliminar, </i>Coimbra, ces, pp. 161-249.</p>     <!-- ref --><p>INE (2014a), <i>Estatísticas do Emprego: 1.º Trimestre de 2014</i>, Lisboa,    INE. Disponível em <a href="http://www.ine.pt/portal/page/portal/PORTAL_INE/Publicacoes" target="_blank">http://www.ine.pt/portal/page/portal/PORTAL_INE/Publicacoes</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105143&pid=S0003-2573201800040000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>INE (2014b), <i>Inquérito às Condições de Vida e Rendimento</i>, Lisboa, INE.    Disponível em <a href="https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INEexpgid=ine_destaqueseDESTAQUESdest_boui=224712503eDESTAQUESmodo=2exlang=pt" target="_blank">https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INEexpgid=ine_destaqueseDESTAQUESdest_boui=224712503eDESTAQUESmodo=2exlang=pt</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105144&pid=S0003-2573201800040000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>INGLEHART, R. (1981), &ldquo;Post-materialism in an environment of insecurity&rdquo;. <i>The    American Political Science Review, </i>75(4), pp. 880-900.</p>     <p>INGLEHART, R., Abramson, P. (1994), &ldquo;Economic security and value change&rdquo;. <i>The    American Political Science Review, </i>88(2), pp. 336-354.</p>     <p>LEMOINE, J. et al. 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