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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[No sinuoso trilho do empreendedorismo: financeirização e políticas de ativação do mercado de emprego]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[On the winding road of entrepreneurship: financialization and labor market policies]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article suggests a reflection on the apologetic discourse of entrepreneurship and its relation to active labor market policies. It is argued that state-induced entrepreneurship policies transfer to a private provision system the responsibility for employment creation and open a new field of financialization: the employment market. Discursive counterpoints to entrepreneurship promotion policies are found among previous empirical studies, but also through statistical data considered relevant to the study of a phenomenon whose effects are still largely understudied.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>No sinuoso trilho do empreendedorismo: financeirização e    políticas de ativação do mercado de emprego</b></font></p>     <p><font size="3"><b>On the winding road of entrepreneurship: financialization    and labor market policies.</b></font></p>     <p><b>Ana Alves da Silva*</b></p>     <p>* Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra,&#8196;Colégio de S. Jerónimo,    Apartado 3087 - 3000-995 Coimbra, Portugal. <a href="mailto:anasilva@ces.uc.pt">anasilva@ces.uc.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>No artigo reflete-se sobre o discurso apologético do empreendedorismo e a sua    tradução em políticas de ativação do mercado de emprego que concretizam um processo    de transferência da responsabilidade pela promoção do emprego do domínio da    provisão pública para o da privada, permeabilizando o emprego a processos de    financeirização frequentemente coadjuvados pelo Estado. Os contrapontos discursivos    à hegemónica apologia do empreendedorismo são encontrados entre estudos empíricos    prévios, mas também entre dados de fontes secundárias pertinentes à problematização    de um fenómeno cujos efeitos permanecem largamente por estudar.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> emprego; empreendedorismo; financeirização; microcrédito.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The article suggests a reflection on the apologetic discourse of entrepreneurship    and its relation to active labor market policies. It is argued that state-induced    entrepreneurship policies transfer to a private provision system the responsibility    for employment creation and open a new field of financialization: the employment    market. Discursive counterpoints to entrepreneurship promotion policies are    found among previous empirical studies, but also through statistical data considered    relevant to the study of a phenomenon whose effects are still largely understudied.</p>     <p><b>Keywords:</b> employment; entrepreneurship; financialization; microcredit.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Introdução</p>     <p>Em 2012, um jornal nacional reportava que, no município de Beja, existiam empresários    a viver em pavilhões empresariais com as suas famílias, depois de perderem as    suas habitações com o impacto da crise de 2007-2008 (Dias, 2012). A situação,    descrita como &ldquo;insólita&rdquo; pelo jornalista, aparecia sob o tema <i>pobreza,</i>    e a condição dos empresários e respetivas famílias era equiparada à dos habitantes    dos bairros de habitação social do município que, pela sua situação de severa    precariedade, não conseguiam suportar rendas de valor monetário tão reduzido    como cinco euros. A notícia apareceu, nesse período, como reflexo dos impactos    da crise financeira na situação socioeconómica portuguesa, e veio reforçar a    pertinência de um olhar sobre <i>a precarização das condições da pequena empresarialidade,    </i>objeto que até recentemente poderia causar<i> </i>certa fricção em algumas    das mais sedimentadas &ldquo;convicções&rdquo; sociológicas.</p>     <p>De facto, <i>precariedade</i> é um termo que aparece, na literatura científica,    inevitavelmente associado àqueles que vendem a sua força de trabalho e que,    por essa condição, experienciam as mais <i>atípicas</i> relações e condições    laborais (Kovács, 2005). Uma rápida pesquisa bibliográfica permite perceber    que <i>precariedade</i> e <i>empresarialidade</i> não andam a par na literatura    académica senão como encerrando uma relação de produção em que a segunda surge    como promotora da primeira. A história mostra-nos que tem sido essa a relação    típica, consolidada especialmente do quadro dos modelos empresariais de grande    escala que pautaram o padrão de acumulação e de desenvolvimento capitalista    até à crise do final dos anos 1970. Porém, transformações recentes instigam    a repensar a direção, a intensidade e outros contornos da relação atualmente    assumida entre precariedade e empresarialidade no quadro das condições objetivas    de atividades empresariais de reduzida escala. Instigam também a estabelecer    uma relação com as atuais políticas de ativação do mercado de emprego, que privilegiam    em larga medida os apoios ao autoemprego e à criação de empresas, sem atenderem    à análise de impacto que o rigor político aconselharia (Caliendo et al., 2015),    e que os estudos sobre experiências históricas precedentes já permitem fazer.</p>     <p>É nesta linha de problematização que o presente artigo se propõe a uma reflexão    crítica sobre o discurso apologético do empreendedorismo, que o assume como    solução para o desemprego, a estagnação do crescimento económico e para a baixa    procura agregada, tomando-o como modelo de ativação que, no quadro das políticas    de emprego atuais, surge fortemente apoiado no setor financeiro. Não sendo a    análise crítica do discurso sobre o fenómeno um objetivo assumido na investigação    que sustenta esta reflexão, o aprofundamento da pesquisa tem, todavia, apontado    a pertinência de um confronto analítico entre o discurso dominante e a sua crítica,    que enfatize os contrapontos que aí se poderão encontrar. Pelo que, em diálogo    com esse discurso apologético e algumas das suas principais premissas, e sem    descurar uma perspetiva sociohistórica do fenómeno, colocamos as conclusões    de estudos críticos que têm emergido da análise do fenómeno, mas também alguns    dados estatísticos, que permitem, sob vários prismas analíticos, consolidar    questionamentos pertinentes a uma política de emprego assente no fomento do    empreendedorismo. Estamos cientes de que as estatísticas utilizadas na terceira    parte são preponderantemente descritivas, comportando assim as limitações inerentes    a essa sua natureza; admitimos também que no curto espaço deste artigo não podemos    dar conta de todas as variáveis potencialmente implicadas nas relações que exploramos.    Mas reconhecemos à informação utilizada a robustez necessária à problematização    de um fenómeno cujos efeitos permanecem largamente por estudar.</p>     <p>O pano de fundo preferencial à promoção de uma cultura empreendedora</p>     <p>Quando Lord Young, secretário de Estado do Emprego do Governo de M. Thatcher    entre 1985-1987, lançou uma abrangente política de promoção da <i>enterprise</i><i>    culture</i> no Reino Unido, o país atravessava uma recessão económica, registando    elevadas taxas de desemprego, crescente desemprego jovem e abandono escolar    precoce e uma evidente reconfiguração das áreas (e do modelo) de intervenção    do Estado Social (MacDonald e Coffield, 1991; Hills, 1998). O desemprego masculino    subira de 5&#8197;% em 1979 para 14&#8197;% em 1986 (Hills, 1998, p. 5), a proporção    de jovens que transitava da escola diretamente para o emprego descera de 60&#8197;%    em 1975 para 18&#8197;% em 1987 (MacDonald e Coffield, 1991, p. 1). Os conflitos    sociais agravaram-se, marcando a cena política. O governo respondia com políticas    de restrição orçamental, de corte da despesa do Estado e de impulso à privatização    de empresas e serviços públicos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de incentivado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) desde 1976,    ainda sob governo trabalhista, foi pela mão de Thatcher que esse projeto político,    com assumidas raízes hayekianas, foi conduzido, baseando-se numa proposta de    organização socioeconómica claramente assente num princípio de descoletivização    e de recuo do Estado, contra uma alegada <i>cultura de dependência </i>(MacDonald    e Coffield, 1991) e em prol da liberalização generalizada dos mecanismos de    mercado. A política social - elemento central da reconfiguração do papel do    Estado neste novo quadro político - sofre uma reconfiguração interna, mantendo    a despesa em áreas-chave para a manutenção dos consensos sociais (como a saúde    ou a segurança social, embora nesta introduzindo princípios de condicionalidade    cada vez mais restritivos), em detrimento da habitação e da educação, nas quais    se privilegiou a entrada de modelos de provisão privada (Hills, 1998). No caso    da política educativa e de emprego, a reorganização fundou-se no diagnóstico    de que os problemas da economia britânica<i> &ldquo;</i>have largely stemmed from    a lack of enterprise&rdquo; (Young, 1986, p. 25). A educação incorpora um objetivo    de promoção de uma cultura de empreendedorismo, admitindo a participação de    agentes privados por diversas vias e incentivando à criação de empresas, quer    como modelo de inculcação de um <i>ethos</i> empreendedor - com a criação de    miniempresas nas escolas primárias, desde logo financiadas pelo National Westminster    Bank -, aos programas de apoio ao micro-empreendedorismo para os jovens em situação    &ldquo;nem nem&rdquo; (que nem trabalham, nem estudam) ou adultos desempregados de longa    duração (MacDonald e Coffield, 1991, pp. 20-25). Os resultados desta política    quer ao nível macroeconómico, quer ao nível do impacto nas condições materiais    de existência dos seus públicos-alvo, são largamente questionadas por analistas    britânicos (mas não só), evidenciando a ineficiência da política pública nos    seus objetivos de promoção de emprego, acoplados à geração, no plano individual,    de situações de empobrecimento acrescido, de endividamento, de retorno a experiências    de desemprego ainda mais degradadas após as iniciativas individuais de base    empresarial (e.&#8197;g., MacDonald e Coffield, 1991, MacDonald, 1996; Curran,    2000).</p>     <p>Uma reflexão desmistificadora sobre a retórica apologética do empreendedorismo    não pode, perante este precedente histórico, dissociar-se das transformações    que no quadro político-ideológico informam a orientação da política pública,    nem de uma reflexão sobre a precarização das condições materiais que contextualizam    a pequena empresarialidade. É hipótese teórica inevitável que as condições de    empresarialidade de reduzida escala se precarizam quando o contexto socioeconómico    se encontra numa situação mais fragilizada. A hipótese assume ainda maior probabilidade    quando essa fragilização é tão aguda como a que Portugal experienciou no período    que sucede a crise de 2007-2008. Mas é precisamente nesse contexto que o discurso    promotor de uma cultura de empreendedorismo se intensifica como resposta política,    assumindo, na senda de Paul Romer - proeminente voz da academia norte-americana,    até recentemente economista-chefe do Banco Mundial -, que <i>a crisis is a terrible    thing to waste</i>.</p>     <p>Ao longo dos processos de integração europeia, de convergência com a moeda    única e de alinhamento com as diretrizes de política económica da Comissão Europeia    (CE), Portugal incorporou esse discurso da <i>crise como oportunidade para empreender</i>,    mostrando consenso político entre diversos governos na adoção de programas de    promoção do empreendedorismo. Em 2009, o XVIII Governo aprova novos &ldquo;apoios    à criação de novas empresas por parte de desempregados, jovens à procura do    primeiro emprego, e outros públicos em situação de desfavorecimento face ao    mercado de trabalho, bem como o apoio à criação do próprio emprego por beneficiários    de prestações de desemprego&rdquo;, reconhecendo-as como &ldquo;essenciais à criação de    emprego e ao crescimento económico, nomeadamente por via do investimento&rdquo; (Portaria    985/2009 de 4 de setembro, p. 5991). Estes públicos passam a ser alvo prioritário    de um Programa de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego (PAECPE),    numa lógica e forma semelhantes às que estiveram na base da política britânica    dos anos 1980: perante um cenário de recessão, é política governativa a promoção    do empreendedorismo, com medidas concretas de apoio e subsidiação da criação    de empresas, materializadas na concessão de<i> crédito com garantia e bonificação    da taxa de juro; de apoio técnico à criação e consolidação dos projetos; de    pagamento, por uma só vez, do montante total das prestações de desemprego; e    ainda sob a forma de subsídio a fundo perdido</i>.</p>     <p>Os programas sucedem-se e os discursos apologéticos do empreendedorismo normalizam-se.    No último trimestre de 2011, o então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmava    perante a Assembleia Geral das Nações Unidas que a crise era uma oportunidade    para Portugal adaptar o seu modelo económico e fortalecer a sua economia (Gomes,    2011). Durão Barroso, então Presidente da Comissão Europeia, vinha defender    o empreendedorismo como antídoto para o desemprego (Mateus, 2012). Pires de    Lima, ex-ministro da Economia, afirmaria três anos mais tarde que o empreendedorismo    &ldquo;é um dos pilares da nossa recuperação económica&rdquo; (Teixeira, 2014). E, em 2016,    o ex-presidente da República Aníbal Cavaco Silva distinguia proprietários e    administradores de empresas portuguesas por terem sido &ldquo;os verdadeiros heróis    da recuperação económica&rdquo;. Desde 2015, o XXI Governo continua a mesma política    de promoção empresarial, com programas como o &ldquo;Empreende Já&rdquo; para jovens em    situação &ldquo;nem nem&rdquo;<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>, a Estratégia    Nacional para o Empreendedorismo &ldquo;Startup Portugal&rdquo;, que tem como objetivo &ldquo;criar    um ecossistema de empreendedorismo em Portugal&rdquo;, ou o Sistema de Incentivos    ao Emprego e Empreendedorismo (SI2E), direcionado para &ldquo;para a criação de emprego    [&hellip;] tendo como destinatárias micro e pequenas empresas&rdquo;.<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="top2"></a>      <p>É também num período em que Portugal atravessa uma severa crise socioeconómica,    em boa medida resultante de políticas de ajustamento estrutural muito semelhantes    às que marcaram a agenda política britânica dos anos 1980, que estas medidas    de incentivo à empreendedorização se multiplicam. Em 2012, aquando da notícia    sobre os empresários falidos no município Beja, o desemprego que as medidas    de apoio ao empreendedorismo se propunham solucionar atingia, na União Europeia    (ue), os 10,1&#8197;% e, em Portugal, os 16,9&#8197;% (INE, 2012a; OECD, 2016).    Numa conjuntura económica marcada por medidas fortemente recessivas impostas    pelo programa de ajustamento estrutural que a CE, o FMI e o Banco Central Europeu    (BCE) impunham ao país, uma das imediatas questões que se colocava a tal retórica    era, desde logo, com que meios se esperaria que os desempregados e trabalhadores    em situações precárias de emprego e de vida criassem as suas empresas? Não só    o seu acesso a rendimentos estava a ser vedado por via da exclusão do mercado    de trabalho, como também os rendimentos auferidos pelo trabalho diminuíam significativamente.    As medidas de apoio ao empreendedorismo vocacionavam-se para públicos em situação    de severa precarização material, estabelecendo condicionalismos diversos. Sem    acesso a capital, só com a sua força de trabalho, empreenderiam exatamente o    quê? E que modelos - de empresarialidade, de trabalho, de relações laborais    - estariam a praticar-se? Estas constituíam, na altura - tal como agora -, questões    de elevada pertinência para a ciência social.</p>     <p>Com efeito, um olhar sobre a conjuntura só agudizava as preocupações em torno    de tais questionamentos. Em dezembro de 2012, quando as medidas do programa    de ajustamento começaram a surtir os seus efeitos, o desemprego em Portugal    atingiu, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), 896&#8197;000 pessoas.    O desemprego jovem atingiu os 38&#8197;%. Em 2014, pese embora a taxa de desemprego    estivesse já a diminuir<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="top3"></a>, os    pedidos de emprego no Instituto de Emprego e Formação Profissional ascenderiam    a 950&#8197;000.<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="top4"></a> Entre 2011    e 2013, mais de 50&#8197;000 famílias perderam o direito ao abono de família;    12&#8197;% da população desempregada perdeu o direito a qualquer subsídio por    desemprego (ficando, portanto, excluídas de um dos principais apoios à criação    de empresas); mais de 100&#8197;000 pessoas perderam o direito ao rendimento    social de inserção. A taxa de risco de pobreza, antes de quaisquer transferências    sociais, subiu para 47,8&#8197;% da população em 2013-2014 (mais 5,3&#8197;%    que em 2010), com as transferências a reduzir essa taxa para 19,5&#8197;% -    uma proporção, ainda assim, elevadíssima. 11&#8197;% da população portuguesa    encontrava-se em privação material severa em 2013 e assim se mantinha em 2014.<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="top5"></a>      <p>É, pois, neste pano de fundo preferencial - que combina períodos de recessão    económica a montante e a jusante de programas de ajustamento estrutural com    o devido enquadramento numa deriva político-ideológica favorecedora da regulação    mercantil - que encontramos, desde os anos 1980, um contexto propício à proliferação    de políticas públicas promotoras do empreendedorismo. As experiências descritas    por MacDonald e Coffield (1991), Curran (2000), Bateman e outros autores (Barlett,    Bateman, Vehovec, 2002; Bateman e Chang, 2012) apontam para contextos económicos    locais fortemente recessivos aquando da implementação das diversas experiências    de promoção do empreendedorismo como modelo de combate ao desemprego. Dispersos    pelo globo, esses precedentes apresentam variantes próprias das especificidades    sociohistóricas de cada país, mas relevam como transversais duas tendências    estruturantes que exploramos no ponto seguinte: por um lado, a transferência    crescente de serviços que eram do domínio da provisão pública para o da provisão    privada e, por outro, o crescente movimento de financeirização que acompanha    essa transferência (e que Rodrigues, Santos e Teles, 2016 analisam noutros setores).</p>     <p>Empreendedorismo: da provisão e financiamento públicos à financeirização da    provisão privada</p>     <p>São vários os autores que, ao longo dos últimos anos, identificam a década    de 80 do século XX como decisiva na viragem político-económica a que a Europa    assistiu, especialmente com a construção da União Europeia (ue), mas que se    deixava antecipar pela consolidação e difusão de ideais políticos neoliberais    ao longo das décadas precedentes em países do centro do capitalismo mundial    (MacDonald, 1996; Crouch, 2009; Rodrigues, Santos e Teles, 2016). O Reino Unido    foi pioneiro, juntamente com os eua do <i>reaganismo</i>, na promoção dessa    viragem, que encontrara nos postulados económico-filosóficos das escolas Austríaca    e de Chicago os fundamentos para um projeto político em diversos aspetos diametralmente    oposto àquele que moldou a política económica e social no Ocidente Norte durante    o consenso fordista-keynesiano do pós-ii Guerra Mundial.</p>     <p>Este foi talvez o mais importante domínio em que Portugal mostrou um descompasso    histórico determinante da sua permanente condição periférica. Mesmo que se reconheça    que o modelo de regulação fordista-keynesiano possa ter estado no imaginário    político português no momento histórico que sucedeu o período revolucionário,    o facto é que Portugal entra num sistema político democrático com uma capacidade    produtiva deficitária e uma estrutura de proteção social em construção, ambos    impreparados para a competição que o processo de integração internacional e    europeia exigiam. É este processo de integração, que se concretiza especialmente    desde meados da década de 80 com a entrada na Comunidade Económica Europeia,    que induz Portugal a construir a sua própria democracia já sobre uma derivação    <i>privatizada</i> do modelo keynesiano original, no qual o processo de financeirização    de diversos sistemas de provisão assume um papel determinante (Crouch, 2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Não temos aqui o espaço (nem a pretensão) de fazer o roteiro do processo de    financeirização do capitalismo português, pelo que remetemos para autores que    se debruçam sobre este domínio da economia política portuguesa (Rodrigues, Santos    e Teles, 2016). Mas deles recuperamos a tese de que, para além dos programas    &ldquo;subordinados de financeirização&rdquo; (Idem, p. 39) promovidos pela mão do FMI em    1977 e em 1983, são &ldquo;os processos de privatização bancária e de liberalização    financeira, completados basicamente no início dos anos 90, em estreita articulação    com a convergência nominal no quadro da UEM [União Económica e Monetária]&rdquo; que    constituem os &ldquo;fatores decisivos para transformar a economia portuguesa numa    economia fortemente financeirizada&rdquo; (Idem, p. 43). Entre essas transformações    encontram-se um conjunto de medidas promotoras da passagem para o domínio da    provisão privada de vários dos setores de provisão que estavam ainda no domínio    público, num processo de mudança fortemente assente no papel da circulação do    capital - sob a forma de crédito -, que se revela de extrema heuristicidade    para a compreensão de uma política de emprego assente na promoção do empreendedorismo,    que coloca o Estado no papel de facilitador do processo de financeirização em    que essa promoção se concretiza.</p>     <p>Repare-se que é no seguimento do Tratado de Maastricht e numa tentativa de    convergência da política de emprego nacional com as diretrizes comunitárias    nesta matéria, que a política de emprego portuguesa herdada do início dos anos    80 é alvo de uma reorientação. O Decreto-Lei n.º 132/1999, embora declarando    ainda a finalidade do pleno emprego<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="top6"></a>,    revela um novo <i>ethos</i> no cerne da política pública de emprego que transfere    para o mercado o papel regulador e subordina a função do Estado à de &ldquo;apoio    ao funcionamento do mercado de emprego&rdquo;, por via da disponibilização de programas    de estímulo à procura, à oferta e, por fim, ao ajustamento entre estes dois    &ldquo;lados&rdquo; da mão invisível do mercado (Decreto-Lei 132/99,p. 2115).</p>     <p>É assim que, quando em 2003, a CE, em documento sobre os problemas de competitividade    no espaço europeu (Comissão Europeia, 2003, p. 6), replicava o diagnóstico de    Lord Young - dando nota de que &ldquo;a Europa sofre de um ‘entrepreneurship gap’&#8197;&rdquo;<b>    </b>e que, ao contrário do que acontece nos eua, nos seus Estados-membros &ldquo;o    empreendedorismo é muito menos frequentemente considerado como uma <i>opção    profissional</i>&rdquo;<sup> </sup>-, Portugal tinha já em vigor uma nova política    de emprego que visava corrigir este <i>gap</i>. A nova lei garantia nove estratégias    de execução da sua política de emprego sob o lado da oferta e apenas três do    lado da procura<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="top7"></a>, entre as    quais se assegurava o financiamento a medidas de conversão através do fomento    da iniciativa empresarial entre trabalhadores excluídos do mercado do emprego.    Embora não mencione em parte alguma do seu texto o termo <i>empreendedorismo</i>,    a nova lei está já preparada para a implementação da nova orientação da política    europeia de emprego - de &ldquo;incrementar atitudes pró-empreendedorismo&rdquo;, que o    ofereçam como &ldquo;<i>opção profissional</i>&rdquo;, fortalecendo os incentivos ao autoemprego    (Comissão Europeia, 2003, p. 6) -, viria a ser reiterada 10 anos mais tarde    pela já referida Portaria 985/2009.</p>     <p>É com esta reorientação política que Portugal se alinha também com um movimento    de financeirização da política de emprego, que Bateman (2014, p. 2), Bateman    e Chang (2012) e Barlett, Bateman e Vehovec (2002) viriam a reconhecer ser,    na sua forma concreta e por altura dos anos 2000, <i>o mais generosamente financiado    modelo de desenvolvimento comunitário</i>. Esta transformação, que as teses    sobre o processo de financeirização consideram oferecer ao modelo keynesiano    uma sua derivação privatizada, tem o seu pilar na associação do crédito a uma    política de emprego assente no objetivo de conversão da procura de emprego em    oferta, transformando desempregados em empresários. Se Crouch (2009, p. 390)    se centrou, assim como Rodrigues, Santos e Teles (2016), na constatação de que    foi com alterações ao nível da circulação do capital sob a forma de crédito    ao consumo e à habitação que a transição do modelo de regulação de inspiração    keynesiana derivou para um modelo de provisão privada em que são os indivíduos,    particulares, a garantir o seu acesso a bens que eram antes do domínio da provisão    pública, o que os estudos de Bateman (e colegas) sugerem é que, num movimento    homólogo, no domínio das políticas de ativação do mercado de emprego, o crédito    veio assumir a solução por via da qual essa provisão privada de concretizou.    Sistematizaria Crouch (ibid.) que &ldquo;em vez de serem os governos a contrair dívida    para estimular a economia, fizeram-no os indivíduos&rdquo;.</p>     <p>Esta receita de ativação do mercado de emprego por via da (conversão da procura    em) oferta, com assento prático numa resposta financeirizada, parece ter tido    como pioneiros os programas de microcrédito experimentados por Muhamad Yunus    no Bangladesh nos anos 70 (Barlett, Bateman, Vehovec, 2002; Bateman e Chang,    2012), tendo sido disseminada por agências internacionais como o FMI, o Banco    Mundial e a própria CE sempre que um país, numa conjuntura de recessão, se sujeitou    a programas de assistência internacional.<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="top8"></a>    No caso português, o diploma que estabelece a nova política de emprego portuguesa    (Decreto-Lei n.º 1332/1999 de 21 de abril, p. 2117) já admitia a provisão privada,    não obstante ainda visasse conjugar financiamento público e privado, combinando    nos apoios financeiros à execução da política de emprego empréstimos públicos    sem juros, subsídios a fundo perdido, isenções fiscais e de cotizações para    a segurança social, a par da bonificação de taxas de juro e garantias públicas    a empréstimos bancários.</p>     <p>Ora, o atual programa de microfinanciamento da ue - European Progress Microfinance    Facility -, declara como objetivo &ldquo;aumentar a disponibilidade de microcrédito    (&hellip;) para o estabelecimento e desenvolvimento de novos negócios&rdquo; (Decision No    283/2010/eu). Desde 2013, com a diretriz n.º 1296/2013 da CE, o programa passou    para o domínio da Direção-Geral do Emprego, dos Assuntos Sociais e da Inclusão,    através do programa <i>Employment and Social Innovation</i> (easi). Entre 2011    e 2013, o microcrédito aumentou vertiginosamente na ue, em 69&#8197;% na sua    frequência e 45&#8197;% no valor de financiamento concedido (Bendig, Unterberg    e Sarpong, 2014, p. 19). Para além de uma não inverosímil relação entre este    estímulo ao empreendedorismo por via do endividamento e uma outra crise financeira    do capitalismo, considere-se que uma estratégia que entronca a promoção do emprego    no &ldquo;empreendedorismo a crédito&rdquo; institucionaliza um princípio político sem precedente    na política pública de emprego nacional - de incentivo ao endividamento individual    para concretização da política de emprego, não só a atomizando, mas também privatizando-a    e financeirizando-a. Em Portugal, e noutros países, a subsidiação pública de    taxas de juro atenua a evidência desta tendência, mas países há em que as taxas    de juro do microcrédito providenciado pelo setor financeiro privado ultrapassam    os 20% (Botti, Dagradi e Torre, 2016, p. 77), tornando inequívoca a mercantilização    da política e os riscos do endividamento. Alguns autores (Bateman, 2014; Jones    e Murtola, 2012; Bateman e Ho-Chang, 2012) consideram também que assenta num    princípio económico errado, de que a oferta de mais bens e serviços criará a    sua própria procura, alegando que, sendo baixa a probabilidade de tal acontecer    em mercados recessivos e de fraca procura agregada, os fluxos de financiamento    direcionados para a nova microempresarialidade criam uma pressão exacerbada    sobre as estruturas económicas locais, obrigando outros microempresários a adaptarem-se    à participação de mais competidores no mercado e, assim, pressionando a um círculo    de desvalorização interna.</p>     <p>Como descreve Crouch (2009), o recuo progressivo do papel do Estado na atividade    económica e no incremento da capacidade produtiva conduziu à terciarização das    atividades económicas, especialmente no comércio a retalho e na prestação de    serviços individuais, áreas em que o incentivo à empreendedorização individual    se apresenta mais facilitado. Esta tendência foi também verificada por MacDonald    e Coffield (1996, p. 129), que reportaram a atratividade destes setores, menos    exigentes em termos de capital, para os beneficiários da política britânica    de ativação por via do empreendedorismo, tendo como resultado um conjunto de    <i>atividades incoerentes</i> que tinham muito pouco de <i>novas, dinâmicas    e empreendedoras práticas empresariais</i> e que dependiam principalmente de    recursos financeiros externos para se desenvolverem, o que redundou frequentemente    em situações de sobre-endividamento (MacDonald e Coffield, 1996, pp. 119, 136,    236). É partindo das mesmas constatações, e porque as políticas de promoção    do microcrédito ao empreendedorismo de microescala não permitem alavancar atividades    capital-intensivas (Curran, 2000), com capacidade de escala e geração valor    acrescentado no médio e longo prazos, que alguns analistas as identificam como    &ldquo;um episódio de má alocação de recursos financeiros de significativas proporções    históricas que tem minado o desenvolvimento sustentável através da progressiva    desindustrialização, primitivação e informalidade das economias de base local&rdquo;    (Bateman, 2014, p. 17).</p>     <p>Importa pois, no caso português, explorar este terreno, analisando dados que    nos permitam problematizar a realidade nacional.</p>     <p>O que demonstram os dados sobre a microempresarialidade em Portugal?</p>     <p>O que a observação da dinâmica do tecido empresarial português ao longo da    década 2004-2015 nos demonstra é que o tecido empresarial está de facto em expansão.    Não podendo afirmar que as transformações observadas decorrem diretamente das    políticas de emprego que incentivam à criação de empresas, facto é que no período    analisado o tecido empresarial português cresceu, em termos absolutos, 84&#8197;958    unidades (INE, 2017a). Esse crescimento aconteceu exclusivamente no escalão    das empresas de microdimensão, tendo os demais escalões - das pequenas (10 a    49 trabalhadores), médias (50 a 249 trabalhadores) e grandes empresas (250 ou    mais trabalhadores) visto diminuir os seus contingentes empresariais em 6142,    612 e 49 unidades respetivamente. Esta flutuação é percetível na <a href="#f1">figura    1</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a06f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Se tomarmos como indicador do nível de empreendedorismo de um país a sua <i>taxa    de nascimento de empresa</i>s<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="top9"></a>,    percebemos que Portugal tem verificado níveis de empreendedorismo significativamente    elevados comparativamente àqueles verificados no contexto europeu. O país situa-se    entre os cinco países com mais elevada taxa de criação de empresas desde 2008    (<a href="#f2">Figura 2</a>), quando atinge os 14,7&#8197;%, tendo diminuído    para 12,4&#8197;% em 2012, mas recuperado, já em 2014, para valores idênticos    aos de 2008 (14,6&#8197;%). Entre as economias mais avançadas da ue, como a    alemã<a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="top10"></a>, a taxa era em 2008    de 9,3&#8197;%, tendo diminuído gradualmente até atingir cerca de 7&#8197;%    em 2014, sem registar oscilações positivas desde 2008. Neste indicador, Portugal    ultrapassa também o Reino Unido em todo o período 2008-2014<a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="top11"></a>    (ffms, 2017). Perante o difundido mito da falta de uma cultura empreendedora    em Portugal, o país parece mostrar o contrário, mesmo se comparado com países    que, como o Reino Unido, adotaram precocemente uma política de ativação do mercado    de emprego apoiada na promoção da empreendedorização individual.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a06f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Não obstante, o país tem também uma elevada taxa de mortalidade empresarial:    ao longo da década 2004-2014, a taxa de sobrevivência média das empresas a dois    anos de atividade foi na ordem dos 50%, sendo as mais vulneráveis as empresas    constituídas em nome individual (por comparação com as sociedades) (INE, 2017b).    A <a href="#f3">figura 3</a> mostra que a sobrevivência a dois anos é bem mais    elevada para o conjunto de empresas que contam à nascença com algum pessoal    remunerado, sugerindo que as empresas nascentes não empregadoras (tendencialmente    subcapitalizadas) se encontram claramente mais vulneráveis à integração inicial    no mercado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a06f3.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Estes dados não seriam tão significativos se, como o próprio INE (2008) indica,    não se verificasse já em 2006 um elevado coeficiente de correlação entre nascimentos    e mortes de empresas. Sendo de 0,81, o coeficiente sugere que já nesse período    as novas empresas vinham preencher os espaços deixados pelas empresas que saem    do mercado, indicando que a nova empresarialidade não resulta tanto da identificação    de novas oportunidades de negócio, mas mais da ocupação de parcelas do mercado    previamente detidas por empresas recém-saídas.</p>     <p>É também significativo que, para além desta correlação - que não corrobora    a preponderância de uma dinâmica empresarial do tipo <i>schumpeteriano</i> (inovadora,    resultante de novas oportunidades estruturais de negócio e de consolidação de    investimento) -, a elevada taxa de criação de empresas não tem sequer permitido    a manutenção dos empregos existentes: as empresas nascem em menor número no    período de crise socioeconómica, e com uma dimensão média cada vez mais reduzida,    insuficiente para compensar o desaparecimento de postos de trabalho causados    pelas mortes empresariais (INE, 2012b, p. 19). Dado este imprescindível ao questionamento    da política de ativação do mercado de emprego com base no apoio à criação de    empresas, a que acresce o facto de o tecido empresarial português ser já maioritariamente    composto por microempresas, das quais depende quase metade do emprego assegurado    pelo setor empresarial: em 2015, o INE regista uma distribuição de 96,4&#8197;%    de microempresas, 3,1&#8197;% de pequenas, 0,46&#8197;% de médias e apenas 0,07&#8197;%    grandes empresas, que asseguram, respetivamente, 47,2&#8197;%, 19,2&#8197;%,    14,6&#8197;% e 18,9&#8197;% do emprego no setor empresarial (INE, 2017a).</p>     <p>Uma breve comparação do caso português com outros países da ue - nas <a href="#f4">figura    4</a> e <a href="#f5"> 5</a> que, usando dados da OCDE,<a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="top12"></a>    mostram a distribuição do emprego pelos diversos escalões dimensionais das empresas    -, indicam que Portugal, e os restantes países do sul da Europa, apresentam    uma estrutura de emprego distribuída de forma completamente oposta àquela de    países de capitalismo avançado e com economias mais industrializadas, como a    Alemanha, a França ou o Reino Unido. Nesses, são as médias e as grandes empresas    que asseguram maiores parcelas de emprego, parecendo ser traço da condição periférica    do sul europeu uma maior dependência do mercado de emprego de empresas de muito    reduzida dimensão.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a06f4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f5"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a06f5.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Nesta linha, e embora seja o próprio INE a dar-nos conta de que as novas empresas    a entrar no mercado nascem em menor número e com dimensão mais reduzida às que    saem, importa, ainda que sumariamente, acrescentar dados que apontam para a    frágil posição da microempresarialidade no contexto nacional, e que permitem    questionar a eficácia das políticas de &ldquo;empreendedorização&rdquo;. Um olhar sobre    a distribuição do volume de negócios permite, desde logo, dar conta de uma forte    dispersão da &ldquo;fatia&rdquo; de mercado que as microempresas detêm quando comparadas    com os restantes escalões. Constituindo, em 2015, 96,4&#8197;% do tecido empresarial    português, as microempresas concentram uma fatia de mercado na ordem dos 25&#8197;%.    Mas, entre 2004-2015, o peso relativo das microempresas na composição do tecido    empresarial português aumentou 1&#8197;%, quando a sua quota de mercado diminuiu    1,5&#8197;%, o que se traduziu numa diminuição dos valores absolutos do seu    volume de negócios: em 2004, o volume de negócios de uma microempresa era, em    média, de 80&#8197;131&#8197;€, mas em 2015 era de 75&#8197;908&#8197;€. Mesmo    tendo registado um ligeiro aumento do valor absoluto agregado entre 2004-2015,    o volume de negócios das microempresas não aumentou o suficiente para suprir    o aumento do contingente empresarial e permitir às microempresas manter, em    2015, uma quota de mercado anual pelo menos igual à de 2004. De notar, ainda,    que a tendência nos restantes escalões empresariais foi no sentido oposto, já    que viram diminuir o continente empresarial, ao mesmo tempo que aumentaram o    volume de negócios (INE, 2017a).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta dispersão de valor não é diferente no que ao valor acrescentado bruto    (vab) concerne, já que as microempresas geram 26,5&#8197;% do vab nacional em    2015 (perante 30&#8197;% concentrado nas 836 grandes empresas), num valor agregado    superior a 21 mil milhões de euros, mas que, devemos recordar, tem por objetivo    remunerar todos os fatores de produção, nos que se inclui quase metade dos postos    de trabalho oferecidos no mercado de emprego nacional. Se uma abordagem setorial    e regional (que aqui não temos oportunidade de desenvolver) beneficiaria o aprofundamento    desta análise, certo é que os dados agregados apontam para um movimento de saturação    da microempresarialidade, como o denotam, também, as elevadas taxas de mortalidade,    a fraca sobrevivência das empresas a dois e mais anos e o facto de, como veremos,    os seus resultados líquidos serem negativos desde 2009.</p>     <p>Não deixam estes dados, contudo, de sugerir a posição vulnerabilizada que as    microempresas portuguesas, a par das de outros países do sul e leste europeu,    detêm quando comparadas (em termos do vab que geram, cf. <a href="#f6">figura    6</a>) com as de outros países da Zona Euro. Portugal está, no que à geração    de vab médio por microempresa concerne, numa posição muito mais próxima da dos    países do leste europeu, região para aonde afluíram avolumados fundos e numerosas    linhas de crédito comerciais direcionadas para as pme e para a promoção de uma    cultura empreendedora após a queda da urss, numa abordagem de tipo <i>bottom-up</i>    à construção de uma economia de mercado (Barlett, Bateman e Vehovec, 2002, pp.    4-5).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f6"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a06f6.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Com efeito, os dados do Banco de Portugal<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="top13"></a>    permitem ainda perceber que, no período 2006-2015, os resultados das microempresas    portuguesas se deterioram consideravelmente. A <a href="#f7">figura 7</a> mostra    que os resultados das microempresas sofrem o impacto do despontar da crise internacional,    evidenciando a sua fragilidade a flutuações do mercado, mas mostram também que    é entre 2011 e 2014, no período de aplicação do programa de ajustamento estrutural,    quando a procura mais se contrai, que a situação do agregado fica mais degradada.    Não só os seus resultados operacionais são muito baixos<a href="#14"><sup>[14]</sup></a><a name="top14"></a>,    como também os custos com financiamento se revelam determinantes ao pressionarem    os resultados para valores negativos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f7"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a06f7.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Este é um dado relevante, já que as microempresas revelam forte dependência    direta dos <i>clientes</i> como fontes de rendimento empresarial<i> </i>(que    em 2015 representam<i> </i>92&#8197;% dos seus rendimentos, quando em 2006 representavam    86&#8197;%) em detrimento de outras fontes de rendimento, e reportam, não apenas    em Portugal, maior preocupação em &ldquo;encontrar clientes&rdquo; do que em atrair crédito    à sua atividade (ECB, 2016). Ora, é precisamente nesta fase da última década    que as taxas de juro mais baixam e que, em Portugal, predomina como medida de    apoio às empresas de reduzida escala a subsidiação pública das taxas de juro    e a aplicação de garantias públicas a créditos privados à atividade empresarial    (que cresceu 6&#8197;% só em 2011) (OCDE, 2013, pp. 37-38, 168), estando o Estado    mais uma vez a intervir do lado da oferta e a menorizar o problema de procura    que as empresas reportam. Dados que, todavia, não alteraram o facto de a perceção    sobre as condições de financiamento se ter deteriorado significativamente entre    as micro, pequenas e médias empresas no espaço europeu que reportam que os encargos    e custos globais com financiamento aumentaram por via da diversificação de comissões    e pela maior exigência de colaterais pelas instituições credoras (ECB, 2016).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste cenário, o rácio de efeito dos juros suportados pelas microempresas portuguesas    sobe vertiginosamente<a href="#15"><sup>[15]</sup></a><a name="top15"></a> e    o seu índice de liquidez reduzida desce ao patamar dos 60&#8197;%, indicando    uma objetiva incapacidade do seu ativo corrente para fazer face às suas obrigações    de curto prazo. Esta realidade não pode, pois, descurar uma consulta da evolução    do crédito vencido das empresas ao setor financeiro, que efetivamente mostra    que as sociedades não financeiras que lhe são devedoras são, em mais de 80&#8197;%,    de microdimensão. Sendo conhecida a possibilidade das empresas de grande dimensão    recorrerem a outras estratégias de financiamento, não surpreenderá, pois, que    no seu conjunto as micro e pequenas empresas totalizassem, em 2015, 97&#8197;%    das sociedades não financeiras que recorriam ao crédito com o setor financeiro    como forma de financiamento (Banco de Portugal, 2017a).</p>     <p>Considerando que, especialmente no caso das microempresas, as soluções de crédito    bancário são, por norma, soluções de tipo corrente, e que o índice de liquidez    reduzida das microempresas se deteriorou muito no período de crise em Portugal<a href="#16"><sup>[16]</sup></a><a name="top16"></a>,    não nos pode, pois, surpreender que o seu crédito vencido tenha entrado num    acentuado crescimento a partir de 2010, para atingir um pico em 2015, quando    ascendia a quase 8 mil milhões de euros (<a href="#f8">Figura 8</a>), mais de    28&#8197;% do crédito concedido pelo setor financeiro às microempresas (quando,    em 2009, era pouco superior a 5&#8197;%).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f8"></a><img src="/img/revistas/aso/n229/229a06f8.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ora, este é um cenário propício a falências relacionadas com endividamento,    que aparece confirmado pelos dados da Direção-Geral de Política de Justiça sobre    processos de insolvência empresarial (dgpj, 2016). Embora a dgpj não proceda    a uma caracterização mais detalhada das empresas insolventes, os seus relatórios    cedem informação sobre o tipo de pessoa jurídica e o montante das dívidas envolvidas    nos processos de falência, insolvência e recuperação de empresas entrados nos    tribunais de primeira instância, bem como da sua evolução ao longo do período    2007-2016. Informam, assim, que o aumento exponencial de processos se deveu,    maioritariamente, às dificuldades sentidas por empresas constituídas como <i>empresa    em nome individual</i> e que os montantes de dívida subjacentes aos processos    de insolvência são, ao longo do período, cada vez mais baixos. Da sua síntese    deve reter-se que: (i) o número de insolvências decretadas entre 2007-2016 sextuplicou    no período 2007-2016; (ii) se observou uma inversão da estrutura de insolvências    decretadas no que ao tipo de pessoa jurídica concerne, para o qual contribuiu    um aumento exponencial de pedidos de insolvência por empresas constituídas em    nome de pessoas singulares (que passou de 16,9&#8197;&#8197;% em 2007 para mais    de 70&#8197;% em 2016); e que (iii) a mesma inversão se deu no que respeita    aos escalões do montante de dívida que subjazem aos processos, com as insolvências    decretadas por dívida nos escalões abaixo de 10&#8197;000&#8197;€ a aumentarem    gradualmente no período 2007-2016, de tal modo que em 2013 passam a 40&#8197;%    dos casos e, se somadas aos casos por dívidas inferiores a 1&#8197;000&#8197;€,    ultrapassam então os 50&#8197;% das insolvências decretadas.</p>     <p>Uma política de emprego que incentiva a financeirização da solução empreendedora    para o desemprego afigura-se, portanto, como um recurso de perigosos contornos.    Entre 2003 e 2013 o microfinanciamento na ue elevou-se de 27&#8197;000 milhões    para 1&#8197;528 biliões de euros (Bendig, Unterberg e Sarpong, 2014, p. 19),    entusiasmando a formação de um setor especializado no microcrédito (Idem, p.    35) e a proliferação de instituições de microcrédito (imc). Em Portugal, essa    proliferação é nascente, sendo em 2012-2013 assente ainda na banca comercial    (Idem, p. 76)<a href="#17"><sup>[17]</sup></a><a name="top17"></a>. O valor    do microcrédito concedido em Portugal pelas imc registadas na European Microfinance    Network ultrapassou, em 2012, os 10 milhões de euros. Porém, como mostramos,    o crédito vencido das microempresas portuguesas ao setor financeiro ascende,    em 2015, a quase 8 mil milhões de euros, dispersos por milhares de micro-sociedades,    cuja capacidade de liquidez dos seus passivos de curto prazo se mostra objetivamente    insuficiente.</p>     <p>Considerações Finais</p>     <p>Não sendo exequível esgotar neste artigo toda a problematização do fenómeno    em análise, parece, todavia, que os dados apontam para a desconstrução de alguns    dos constructos (diríamos mitos) associados ao empreendedorismo e difundidos    no discurso político dominante. O primeiro que é o de que <i>Portugal sofre    de um problema estrutural de falta de empreendedorismo</i>. Os indicadores mostram    que entre a ue, a taxa de nascimento de empresas coloca Portugal no quarto lugar    em termos de nível de empreendedorismo, acima de países aos quais se reconhece    uma forte cultura empreendedora, como o Reino Unido. Sobre um segundo, de que    a<i> crise constitui um contexto de estímulo ao empreendedorismo</i>, os dados    não confirmam que este seja o juízo dos agentes económicos e mostra que, apesar    de Portugal ter mantido uma taxa de criação de novas empresas elevada no contexto    europeu, o número de empresas criadas foi decrescente em todo o período 2008-2012,    com o volume de negócios global a contrair, com taxas de sobrevivência empresarial    a 4 anos em pouco superiores a 23&#8197;% e com uma sextuplicação dos casos    de falências no período 2007-2016, desencadeadas por dívidas de valor muito    reduzido para o contexto empresarial. O terceiro mito, de que <i>o empreendedorismo    como política de ativação de desempregados</i><i> é a solução para o problema    de desemprego, </i>não parece também confirmar-se. No período em que a crise    mais se fez sentir em Portugal, e em que se diversificaram os programas públicos    de apoio ao empreendedorismo, as empresas nascem em menor número e com uma dimensão    média cada vez mais reduzida, incapaz de compensar o desaparecimento de postos    de trabalho causado pelas mortes empresariais.</p>     <p>Esta desmistificação não é, de facto, nova à luz das várias críticas realizadas    às políticas de promoção do empreendedorismo, especialmente quando acopladas    a estratégias de financeirização como a que se regista no caso português, em    que o Estado intervém nos mecanismos de mercado de maneira a assegurar que empresas    e empresários que, em condições concorrenciais normais não teriam acesso ao    crédito, vejam as suas condições de acesso ao setor financeiro facilitadas pela    mão do Estado, quer por via da garantia pública, quer por via da subsidiação    de taxas de juros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais do que pensar o problema em termos de inclusão financeira, argumento que    subjaz à experiência do Grameen Bank de Yunus ou das agências nacionais de microcrédito<a href="#18"><sup>[18]</sup></a><a name="top18"></a>,    importa ter presente que a reorientação política tomada no contexto nacional    e europeu com vista à difusão do crédito para a atividade empresarial de microescala    tem na sua base um abandono progressivo pelo Estado do seu papel promotor do    desenvolvimento das capacidades produtivas do país, e que apoiava, nos modelos    de inspiração keynesiana, a sua política de promoção do emprego por via do estímulo    agregado à economia, quer pelo lado da oferta, quer da procura. Subjugando a    sua atuação à introdução da finança numa estratégia de promoção individualizada    do emprego, o Estado está a favorecer a progressiva comercialização da própria    política de emprego pelo setor financeiro, situação que aparece reportada em    vários países onde proliferaram modelos comerciais de microcrédito (Bateman    e Chang, 2012, p.15)<a href="#19"><sup>[19]</sup></a><a name="top19"></a> que    aumentam exponencialmente os custos na obtenção de crédito. Quanto mais elevados    estes custos, maior a absorção que fazem da pequena margem de ganho das atividades    que financiam, e mais direta a relação entre financeirização e precarização    da empresarialidade de reduzida escala.</p>     <p>Os estudos revistos apontam também para a existência de impactos a diversos    níveis: num plano micro, entre protagonistas de uma empresarialidade precária    e suas famílias, sujeitos a lógicas de financeirização de uma <i>microempresarialidade    de sobrevivência</i>; no plano meso, entre as comunidades locais em que os programas    de incentivo ao empreendedorismo potenciam situações de hipercompetitividade    e saturação do mercado; e, ainda, no plano macroeconómico, ao precipitar a alocação    de recursos para atividades económicas de baixo investimento, fraco retorno    e sem potencial de escala. Nos três planos, é preocupante o agravamento da financeirização    da promoção do empreendedorismo como estratégia de ativação do mercado de emprego,    com ou sem subsidiação pública, potenciando fenómenos de endividamento, aspeto-chave    para compreender a vulnerabilidade dos públicos-alvo (de que os empresários    do município de Beja são exemplo), mas também, e na senda de Jones e Murtola    (2012) para problematizar o lugar deste novo enredo entre a política de emprego,    a promoção do empreendedorismo e a sua financeirização na produção de crises.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>BANCO DE PORTUGAL (2017a), <i>BPStat: Série Longa dos Quadros do Setor</i>    (Base de Dados). Disponível em <a href="https://www.bportugal.pt/EstatisticasWeb/(S(qhkxe355oz4n2si35blofu55))/Default.aspx" target="_blank">https://www.bportugal.pt/EstatisticasWeb/(S(qhkxe355oz4n2si35blofu55))/Default.aspx</a>    [Consultado em 06-05-2017].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105309&pid=S0003-2573201800040000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BANCO DE PORTUGAL (2017b), <i>BPStat: Série ‘Empréstimos concedidos pelo setor    financeiro’</i>. Disponível em <a href="https://www.bportugal.pt/EstatisticasWeb/(S(eeyfifqdpvz3x0un3tbxfv45))/Default.aspx" target="_blank">https://www.bportugal.pt/EstatisticasWeb/(S(eeyfifqdpvz3x0un3tbxfv45))/Default.aspx</a>[Consultado    em 06-05-2017].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105311&pid=S0003-2573201800040000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BARÓMETRO DAS CRISES (2015), &ldquo;Crise e mercado de trabalho: menos desemprego    sem mais emprego?&rdquo;. <i>Observatório sobre Crises e Alternativas, </i>n.º 13.    Disponível em <a href="http://www.ces.uc.pt/" target="_blank">http://www.ces.uc.pt/</a>    [Consultado a 06-11-2016].</p>     <!-- ref --><p>BARTLETT, W., Bateman, M., Vehovec, M. (2002), <i>Small</i><i> Enterprise Development    in South-East Europe: Policies for Sustainable Growth</i>, Nova Yorque, Springer    Science e Business Media.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105314&pid=S0003-2573201800040000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BATEMAN, M., Chang, H.-J. (2012), &ldquo;Microfinance and the illusion of development:    from hubris to nemesis in thirty years&rdquo;. <i>World Economic Review</i>,<i> </i>1,    pp. 13-36.</p>     <p>BATEMAN, M. (2013), &ldquo;La era de las microfinanzas: destruyendo las economías    desde abajo’&rdquo;. <i>Ola Financiera</i>, 15. Disponível em <a href="http://www.olafinanciera.unam.mx/new_web/15/index.html" target="_blank">http://www.olafinanciera.unam.mx/new_web/15/index.html</a>    [Consultado a 12-10-2016].</p>     <p>BATEMAN, M. (2014), &ldquo;The rise and fall of Muhamad Yunus and the microcredit    model&rdquo;, <i>ids Working Paper Series</i>, 001. Disponível em <a href="https://www.microfinancegateway.org/sites/default/files/mfg-en-paper-the-rise-and-fall-of-muhammad-yunus-and-the-microcredit-model-jan2014.pdf" target="_blank">https://www.microfinancegateway.org/sites/default/files/mfg-en-paper-the-rise-and-fall-of-muhammad-yunus-and-the-microcredit-model-jan2014.pdf</a>    [Consultado a 12-10-2016].</p>     <p>BENDIG, M., Unterberg, M., Sarpong, B. (2014), &ldquo;Overview of the microcredit    setor in the European Union&rdquo;. <i>European</i><i> Microfinance Network 2012-2013</i>.    Disponível em <a href="http://www.european-microfinance.org/docs/emn_publications/emn_overview/Overview2012-2013_Nov2014.pdf" target="_blank">http://www.european-microfinance.org/docs/emn_publications/emn_overview/Overview2012-2013_Nov2014.pdf</a>    [Consultado a 12-10-2016].</p>     <p>BOTTI, F., Dagradi, D.&#8197;L., Torre, L.&#8197;M. (2016), &ldquo;Microfinance in    Europe: a survey of emn-mfc Members. Report 2014-2015&rdquo;. <i>European</i><i> Microfinance    Network</i>. Disponível em <a href="http://www.european-microfinance.org/docs/Survey_EMN-MFC_2014-2015.pdf" target="_blank">http://www.european-microfinance.org/docs/Survey_EMN-MFC_2014-2015.pdf</a>    [Consultado em 06-05-2017].</p>     <p>CALIENDO, M. et al. (2015), &ldquo;Subsidized start-ups out of unemployment: a comparison    to regular business start-ups&rdquo;. <i>Small</i><i> Business Economics</i>, 45(1),    pp. 165-190.</p>     <p>COMISSÃO EUROPEIA (2003), &ldquo;Some key issues in Europe’s competitiveness - towards    an integrated approach&rdquo;. com (2003) 704 final, Brussels, 21-11-2003. Disponível    em <a href="http://ec.europa.eu/transparency/regdoc/rep/1/2003/EN/1-2003-704-EN-F1-1.Pdf" target="_blank">http://ec.europa.eu/transparency/regdoc/rep/1/2003/EN/1-2003-704-EN-F1-1.Pdf</a>    [Consultado a 21-11-2016].</p>     <p>CROUCH, C. (2009), &ldquo;Privatised Keynesianism: an unacknowledged policy regime&rdquo;.    <i>British Journal of Politics and International Relations</i>, 11, pp. 382-399.</p>     <p>CURRAN, J. (2000), &ldquo;What is small business policy in the uk for? Evaluation    and assessing small business policies&rdquo;. <i>International</i><i> Small Business    Journal: Researching Entrepreneurship, </i>18(3), pp. 36-50.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DECISION N.º 283/2010/eu of the European Parliament and of the Council of 25    March 2010 establishing a European Progress Microfinance Facility for employment    and social inclusion. <i>Jornal Oficial L</i>, 87 de 07-04-2010, pp. 1-5.</p>     <p>DECRETO-LEI n.º 132/1999 de 21 de abril do Ministério do Trabalho e da Solidariedade.    <i>Diário da República</i>: Série i n.º n.º 93/1999. Disponível em <a href="http://www.dre.pt" target="_blank">www.dre.pt</a>.    [Consultado em 06-08-2017].</p>     <p>DIAS, C. (2012), &ldquo;Já há quem faça dos pavilhões do parque industrial de beja    a sua casa&rdquo;. <i>Público</i>, 25-10-2012.</p>     <p>DGPJ (2016) &ldquo;Estatísticas trimestrais sobre processos de falência, insolvência    e recuperação de empresas e sobre processos especiais de revitalização (2007-2016)&rdquo;.    <i>Destaque Estatístico Trimestral 1.</i>º Trimestre de 2016. Boletim 9, julho    de 2016.</p>     <!-- ref --><p>EACEA/EURYDICE (2012), <i>Entrepreneurship</i><i> Education at School in Europe.    National Strategies, Curricula and Learning Outcomes</i>, Brussels, Eurydice.    Disponível em: <a href="http://eacea.ec.europa.eu/education/eurydice/documents/thematic_reports/135en.pdf" target="_blank">http://eacea.ec.europa.eu/education/eurydice/documents/thematic_reports/135en.pdf</a>    [Consultado a 06-11-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105329&pid=S0003-2573201800040000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ECB (2016), <i>Survey on the Access to Finance of Enterprises in the Euro Area</i>.    April to September 2016. Disponível em <a href="https://www.ecb.europa.eu/pub/pdf/other/accesstofinancesmallmediumsizedenterprises201611.en.pdf?a9bbf2885d73190f96424ca72fbd91e5" target="_blank">https://www.ecb.europa.eu/pub/pdf/other/accesstofinancesmallmediumsizedenterprises201611.en.pdf?a9bbf2885d73190f96424ca72fbd91e5</a>    [Consultado a 26-05-2017].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105331&pid=S0003-2573201800040000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EUSOSTAT (2017), <i>Structural Business Statistics - Annual Enterprise Statistics    by Size Class for Special Aggregates of Activities</i> (nace Rev. 2) (Base de    dados). Disponível em: <a href="http://appsso.eurostat.ec.europa.eu/nui/show.do?dataset=sbs_sc_sca_r2&lang=en" target="_blank">http://appsso.eurostat.ec.europa.eu/nui/show.do?dataset=sbs_sc_sca_r2&amp;lang=en</a>    [Consultado a 06-08-2017].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105333&pid=S0003-2573201800040000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FFMS (2017), <i>Indicadores de Empreendedorismo. pordata - Estatísticas, Gráficos    e Indicadores de Municípios, Portugal e Europa</i>. Disponível em <a href="http://www.pordata.pt/DB/Europa/Ambiente+de+Consulta/Gr%C3%A1fico" target="_blank">http://www.pordata.pt/DB/Europa/Ambiente+de+Consulta/Gr%C3%A1fico</a>    [Consultado a 10-01-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105335&pid=S0003-2573201800040000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>GOMES, K. (2011), &ldquo;Passos Coelho: crise é ‘oportunidade para o fortalecimento    da economia’&rdquo;. <i>Público,</i> 24-09-2011.</p>     <p>HILLS, J. (1998), &ldquo;Thatcherism, new labour and the welfare sate&rdquo;.<i> case Paper    13</i>, pp. 1-37.</p>     <p>HUDSON, M. (2004), &ldquo;Technical progress and obsolescence of capital and skills:    theoretical foundations of nineteenth-century us industrial and trade policy&rdquo;.    <i>In</i> E.&#8197;S. Reinert (ed.), <i>Globalization</i><i>, Economic Development    and Inequality: an Alternative Perspetive</i>, Cheltenham, Edward Elgar.</p>     <!-- ref --><p>INE (2008), <i>Empresas em Portugal 2006</i>, Lisboa, Instituto Nacional de    Estatística, I.&#8197;P.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105340&pid=S0003-2573201800040000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>INE (2012a), &ldquo;Estatísticas do Emprego - 4.º trimestre de 2012&rdquo;.<i> Destaques    à Comunicação Social. </i>Disponível em <a href="https://www.ine.pt/" target="_blank">https://www.ine.pt/</a>    [Consultado a 06-11-2016].</p>     <!-- ref --><p>INE (2012b), <i>Empresas em Portugal 2012</i>, Lisboa, Instituto Nacional de    Estatística, I.&#8197;P.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105343&pid=S0003-2573201800040000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>INE (2017a), <i>Sistema de Contas Integradas das Empresas</i> (bases de dados).    Disponível em <a href="https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_base_dados" target="_blank">https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_base_dados</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105345&pid=S0003-2573201800040000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>INE (2017b), <i>Demografia das empresas</i> (bases de dados). Disponível em    <a href="https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_base_dados" target="_blank">https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_base_dados</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105346&pid=S0003-2573201800040000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>JONES, C., Murtola, A.-M. (2012), &ldquo;Entrepreneurship, crisis, critique&rdquo;. <i>In</i>    D. Hjorth (ed.), <i>Handbook on Organisational Entrepreneurship</i>, Cheltenham,    Edward Elgar Publishing, Ltd, pp. 116-133.</p>     <!-- ref --><p>KOVÁCS, I. (2005) (org.), <i>Flexibilidade de Emprego: Riscos e Oportunidades</i>,    Oeiras, Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105348&pid=S0003-2573201800040000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MACDONALD, R., Coffield, F. (1991), <i>Risky</i><i> Business? Youth and the    Enterprise Culture</i>, Londres, The Falmer Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105350&pid=S0003-2573201800040000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MACDONALD, R. (1996), &ldquo;Welfare dependency, the enterprise culture and self-employed    survival&rdquo;. <i>Work</i><i>, Employment and Society, </i>10(3), pp. 431-447.</p>     <p>MATEUS, C. (2012), &ldquo;Empreendedorismo: um antídoto para o desemprego&rdquo;. Jornal    online <i>Expresso Emprego</i>, de 10-02-2012.</p>     <!-- ref --><p>OECD (2013), <i>Financing</i><i> smes and Entrepreneurs 2013: An OECD Scoreboard</i>,    Paris, OECD Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105354&pid=S0003-2573201800040000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OECD (2016), <i>Unemployment rate</i> (indicator). Disponível em <a href="https://data.oecd.org/unemp/unemployment-rate.htm" target="_blank">https://data.oecd.org/unemp/unemployment-rate.htm</a>    [Consultado a 23-09-2016].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105356&pid=S0003-2573201800040000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>OECD (2017), <i>SDBS Structural Business Statistics</i> (ISIC Rev. 4) (base    de dados). Disponível em <a href="https://stats.oecd.org/Index.aspx?DataSetCode=SSIS_BSC_ISIC4" target="_blank">https://stats.oecd.org/Index.aspx?DataSetCode=SSIS_BSC_ISIC4</a>    [Consultado a 06-08-2017].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105358&pid=S0003-2573201800040000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PORTARIA 985/2009 de 4 de setembro do Ministério do Trabalho e da Solidariedade    Social. Diário da República: Série i n.º 172/2009. Disponível em <a href="http://www.dre.pt" target="_blank">www.dre.pt</a>.    [Consultado em 06-08-2017].</p>     <p>REGULATION (EU) No 1296/2013 of the european parliament and of the council    of 11 December 2013 on a European Union Programme for Employment and Social    Innovation (&ldquo;EaSI&rdquo;). <i>Jornal Oficial L</i>, 347/238, 2013.</p>     <!-- ref --><p>RODRIGUES, J., Santos, A.&#8197;C., Teles, N. (2016), <i>A Financeirização    do Capitalismo em Portugal</i>, Lisboa, Actual Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=105362&pid=S0003-2573201800040000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>TEIXEIRA, A. (2014), &ldquo;A potencial falácia do empreendedorismo&rdquo;. <i>Jornal Expresso</i>,    3-10-2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>YOUNG, L. (1986), &ldquo;Enterprise - the road to jobs&rdquo;. <i>London Business School    Journal</i>,11(1),pp. 21-27.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido a 20-01-2017. </b></p>     <p><b>Aceite para publicação a 09-11-2017.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> Vd. Resolução do Conselho    de Ministros n.º 104/2013.</p>     <p><a href="#top2"><sup>[2]</sup></a><a name="2"></a> Sobre a estratégia &ldquo;Startup    Portugal&rdquo;, mais informação pode ser encontrada em <a href="http://www.portugal.gov.pt" target="_blank">www.portugal.gov.pt</a>    e na página oficial da Portugal Ventures, entidade que gere parte significativa    do investimento público que lhe está direcionado; sobre o SI2E pode ser consultado    o Portal dos Incentivos (<a href="http://portaldosincentivos.pt" target="_blank">portaldosincentivos.pt</a>).</p>     <p><a href="#top3"><sup>[3]</sup></a><a name="3"></a> Porventura mais em virtude    das alterações introduzidas pelo INE para a sua contabilização estatística do    que pela real diminuição do número de desempregados, discrepância demonstrada    em Barómetro das Crises (2015).</p>     <p><a href="#top4"><sup>[4]</sup></a><a name="4"></a> Para o aprofundamento destes    dados, consultar Barómetro das Crises (2015).</p>     <p><a href="#top5"><sup>[5]</sup></a><a name="5"></a> Dados consultados no sítio    eletrónico do INE a 23 de setembro de 2016, datando a sua última atualização    de 13 de setembro de 2016).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6"><sup>[6]</sup></a><a name="6"></a> Cabe-lhe uma referência    preambular.</p>     <p><a href="#top7"><sup>[7]</sup></a><a name="7"></a> Que, em bom rigor, garantia    apenas que o Estado <i>cooperaria</i> na proteção social no desemprego e apoiaria    os trabalhadores na obtenção de informação e orientação profissional (Decreto-Lei    n.º 132/1999, Diário da República n.º 93 de 21 de abril, p. 2115).</p>     <p><a href="#top8"><sup>[8]</sup></a><a name="8"></a> Dos casos da América Latina    (Bateman, 2013), aos asiáticos (Idem, 2014) e entrando na Europa, primeiro nos    países do bloco soviético em transição para uma economia de mercado (Barlett,    Bateman e Vehovec, 2002), até chegarmos ao pós-crise 2007-2008, quando o microcrédito    é explicitamente incentivado nos países do Sul europeu.</p>     <p><a href="#top9"><sup>[9]</sup></a><a name="9"></a> Medida em percentagem de    empresas que são criadas de raiz face ao total de empresas existentes nesse    ano. Embora possa a alguns analistas parecer limitativa, esta estatística é    tomada como indicador de empreendedorismo por vários organismos internacionais.</p>     <p><a href="#top10"><sup>[10]</sup></a><a name="10"></a> Onde tem existido também,    em linha com as recomendações da ue, uma onda de subsidiação do empreendedorismo    (Caliendo et al., 2015).</p>     <p><a href="#top11"><sup>[11]</sup></a><a name="11"></a> Cuja taxa era de 12,4&#8197;%    em 2008, 10,2&#8197;% em 2010, e 13,7&#8197;% em 2014.</p>     <p><a href="#top12"><sup>[12]</sup></a><a name="12"></a> Cuja última atualização,    à data de revisão deste artigo, disponibilizava como último período de observação    o ano 2014, ao contrário do INE, que com exceção dos indicadores relativos à    taxa de mortalidade e mortes das empresas, disponibiliza já séries que têm como    último período de observação o ano 2015.</p>     <p><a href="#top13"><sup>[13]</sup></a><a name="13"></a> Tendo como fonte a Série    Longa dos Quadros do Setor do Banco de Portugal, estes só reportam às sociedades,    excluindo as empresas em nome individual.</p>     <p><a href="#top14"><sup>[14]</sup></a><a name="14"></a> Demonstrando que, apesar    de limitado, o exercício estatístico de apuramento de valores médios do volume    de negócios não nos situa muito distantes da realidade concreta do agregado.</p>     <p><a href="#top15"><sup>[15]</sup></a><a name="15"></a> O efeito dos juros suportados    é um rácio que afere a parcela de resultados operacionais que é absorvida com    custos de financiamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top16"><sup>[16]</sup></a><a name="16"></a> Especialmente por comparação    com o das pequenas empresas, que melhoraram a sua capacidade de cobrir passivo    corrente a ponto de superar a situação que verificavam em 2006 (índice de liquidez    reduzida de 112,1 em 2015 vs. 80,8 em 2006).</p>     <p><a href="#top17"><sup>[17]</sup></a><a name="17"></a> Na Rede Europeia de Microfianciamento    aparecem o Millenium bcp, a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC)    e a Cresaçor, mas, em 2015, entre os intermediários de microcrédito do programa    Progress Microfinance/Easy em Portugal constavam já outras instituições bancárias,    como o Novo Banco.</p>     <p><a href="#top18"><sup>[18]</sup></a><a name="18"></a> Em Portugal, destaca-se    a andc, que trabalha a aplicação desta política de acesso ao crédito com vista    à criação de empresas.</p>     <p><a href="#top19"><sup>[19]</sup></a><a name="19"></a> E que era já detetada    por MacDonald e Coffield (1991, p. 238) no Reino Unido como resultado da política    de promoção da cultural empresarial.</p>      ]]></body><back>
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