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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Famílias e mobilidade interna: uma análise com base nos dados do recenseamento de 2011]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Families and internal mobility: an analysis based on data from the 2011 census]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Family mobility is not usually considered in the context of internal migrations. However, the data show that there are characteristics of municipalities that determine how families move and distribute themselves. The analysis of the associations between population, family characteristics, and changes in migratory flows of 308 municipalities, based on the 2011 census information, reflects on family mobility in Portugal, highlighting the differentiating aspects. The associations found, under two territorial scales, allow emphasizing different territorial dynamics with respect to the phenomena of attraction and repulsion, associated with the displacement or permanence of the population in the territories.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Famílias e mobilidade interna: uma análise com base nos dados    do recenseamento de 2011</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Families and internal mobility: an analysis based on data    from the 2011 census.</b></font></p>     <p><b>Maria Cristina Sousa Gomes* ,Adelaide Freitas**, Maria Luís Rocha Pinto***</b></p>     <p>* Departamento de Ciências Sociais Políticas e do Território, Unidade de Investigação    Govcopp, Universidade de Aveiro, Campus Universitário de Santiago, Edifício    12 - 3810-193 Aveiro, Portugal,&#8196;<a href="mailto:mcgomes@ua.pt">mcgomes@ua.pt</a>.</p>     <p>**&#8196;Departamento de Matemática &amp; CIDMA, Universidade de Aveiro, Campus    Universitário de Santiago, Edifício 12 - 3810-193 Aveiro, Portugal,&#8196;<a href="mailto:adelaide@ua.pt">adelaide@ua.pt</a>.</p>     <p>*** Departamento de Ciências Sociais Políticas e do Território, Unidade de    Investigação Govcopp, Universidade de Aveiro, Campus Universitário de Santiago,    Edifício 12 - 3810-193 Aveiro, Portugal, <a href="mailto:mluispinto@ua.pt">luispinto@ua.pt</a>.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Não é frequente considerar-se no âmbito das migrações internas a mobilidade    familiar. No entanto, os dados mostram que há características dos municípios    que determinam como as famílias se movimentam e se distribuem. A análise de    associações entre características populacionais e familiares e variações de    fluxos migratórios dos 308 municípios, desenvolvida com base na informação do    recenseamento de 2011, pretende refletir sobre a mobilidade familiar em Portugal,    salientando aspetos diferenciadores. As associações encontradas, sob duas escalas    territoriais, permitem ressaltar dinâmicas territoriais distintas no que respeita    aos fenómenos de atração e repulsão associadas à deslocação ou permanência da    população nos territórios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> famílias; mobilidade, migrações internas das famílias.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Family mobility is not usually considered in the context of internal migrations.    However, the data show that there are characteristics of municipalities that    determine how families move and distribute themselves. The analysis of the associations    between population, family characteristics, and changes in migratory flows of    308 municipalities, based on the 2011 census information, reflects on family    mobility in Portugal, highlighting the differentiating aspects. The associations    found, under two territorial scales, allow emphasizing different territorial    dynamics with respect to the phenomena of attraction and repulsion, associated    with the displacement or permanence of the population in the territories.</p>     <p><b>Keywords:</b> families and mobility; internal family migration; internal    mobility.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>INTRODUÇÃO<a  href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">   <![if !supportFootnotes]>   [1]   <![endif]>   </a><sup></sup></p>     <p>Em Portugal, não deixa de ser paradoxal que, num momento em que tanto se fala    da família destacando-se o seu papel na sociedade e se reclama o vazio a que    tem sido votada, não se equacione a mobilidade familiar. Entre os vários domínios    da vida familiar, as migrações acarretam profundas implicações quer nos quotidianos    e domínios pessoais de vida, quer no coletivo e ao nível da intervenção pública.</p>     <p>Atendendo a que, nas últimas décadas, o crescimento populacional se deveu principalmente    às migrações, interessa perceber a interferência da mobilidade na dinâmica familiar    no território. Os movimentos migratórios internos constituem uma dimensão particularmente    importante ao nível da evolução da população em Portugal e têm marcado profundamente    a transformação da dinâmica demográfica. No entanto, apesar desta importância,    pouco se tem analisado este fenómeno, conquanto para o facto não seja alheia    a escassez de dados.</p>     <p>Com a análise que agora se apresenta pretende-se refletir, e deste modo ressaltar,    a importância da análise da mobilidade familiar, no âmbito da mobilidade interna,    o que seguramente constitui uma dimensão determinante para equacionar os fatores    de bem-estar das famílias e da população portuguesa. Nesta fase, a investigação    incidiu apenas sobre a mobilidade familiar e na diferenciação das características    das famílias associadas aos fluxos migratórios, considerando diferentes escalas    territoriais de análise.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, são apresentadas algumas medidas estatísticas descritivas das principais    características da mobilidade com base em dados do Recenseamento de 2011, tomando    o apuramento de dados dos recenseamentos da mobilidade interna das famílias    e considerando, além do registo das famílias que mudaram de residência 6 anos    antes do censo (em 2005), a idade, o nível de habilitações e a condição perante    o trabalho do chefe de família. Complementarmente foi efetuada uma análise de    correlação de dados demográficos relativos à evolução/variação entre Recenseamentos    (2001-2011).</p>     <p>No primeiro ponto é discutida, com base numa revisão da literatura, a necessidade    e importância de considerar a mobilidade familiar no âmbito da mobilidade populacional.    Segue-se a exposição das principais tendências da evolução da família em Portugal    e a apresentação dos principais aspetos dos fluxos da mobilidade familiar. Num    último ponto, relativo às associações entre fluxos migratórios e características    das famílias, ressaltam, da análise das correlações, diferentes impactos na    interpelação deste tipo de mobilidade. São as diferenças encontradas que se    pretendem realçar uma vez que as suas consequências constituem um desafio público    nomeadamente ao nível local/regional que importa aprofundar.</p>     <p>FAMÍLIA E MIGRAÇÕES INTERNAS</p>     <p>A análise sobre família e migrações é particularmente complexa pelos efeitos    que as migrações induzem na dinâmica familiar, mas também pelos efeitos que,    simultaneamente, podem igualmente decorrer da dinâmica familiar. Neste sentido,    Tyrrell e Kraftl (2015) referem que a mobilidade familiar integra mudanças quer    ao nível da família, quer relativamente ao bem-estar e satisfação dos indivíduos,    que acabam por ser os impulsionadores desta mudança.</p>     <p>Embora seja recorrente afirmar-se que as pessoas migram porque procuram uma    vida melhor e que a principal motivação é o bem-estar económico, outras dimensões    podem ser também determinantes nessa opção, nomeadamente amenidades ou incentivos    não económicos (Geist e McManus, 2012).</p>     <p>Nivalainem (2004, p. 158) distingue, a propósito da análise da mobilidade familiar    na Finlândia, as diferenças entre mobilidade de longa ou de curta distância,    tendo por base as razões subjacentes a essa mobilidade. No entanto, a autora    também refere a grande atenção conferida à mobilidade dos indivíduos, sobretudo    pelo interesse económico que lhe é atribuído, mas acentua a falta de investigação    sobre mobilidade familiar, apesar do peso que as famílias representam na população.</p>     <p>É reconhecido que as migrações internas &ldquo;podem alterar profundamente quer a    dimensão da população, quer os modos de vida das comunidades de acolhimento&rdquo;    (Champion e Fielding, 2015, p. XIII) No entanto, é preciso considerar que as    migrações não só afetam o sentimento de bem-estar dos que se movem, como têm    impactos nacionais/regionais, nomeadamente no mercado de trabalho e habitação.</p>     <p>Assim, se as características sociodemográficas das migrações podem impulsionar    modificações socioeconómicas, estas, por sua vez, podem repercutir-se nos fluxos    migratórios, nomeadamente nas alterações ao nível das políticas de bem-estar,    nas políticas de austeridade, na globalização e mercado de trabalho, na dinâmica    e crescimento de deslocações casa-trabalho (Smith et al., 2015, p. 9).</p>     <p>Muitos autores têm vindo a defender a importância da inserção da família no    âmbito da temática das migrações. Cooke, por exemplo, defende que a &ldquo;investigação    sobre migrações internas deve incluir a família como um componente central&rdquo;    (Cooke, 2008, p. 255); inclusivamente considera que a &ldquo; migração familiar deve    avançar e situar-se no centro da discussão relativamente à migração em geral&rdquo;    (Cooke, 2008, p. 255). Embora num contexto relativamente mais amplo, Kofman    (2004, p. 243) critica a &ldquo;marginalização teórica, metodológica e empírica&rdquo; a    que o estudo da migração familiar tem sido votado. Este autor considera haver    uma sobrevalorização da migração de trabalho e um esquecimento da migração de    reagrupamento familiar na teoria económica. Defende uma perspetiva de análise    mais abrangente que compreenda as relações entre indivíduos e Estado, bem como    a associação entre migração familiar e dependência da mulher (Kofman, 2004).    Também Leandro (2004, p. 95) destaca a importância da família na definição do    projeto migratório referindo que &ldquo;é, normalmente, na família e em função da    família de orientação ou de procriação e numa dada situação social que se concebem,    tomam forma e realidade e reelaboram os projetos migratórios&rdquo;.</p>     <p>Claudia Geist e Patricia McManus, com base numa revisão da literatura sobre    a mobilidade familiar, contrastam as perspetivas da abordagem económica que    privilegia a procura de emprego, com o modelo clássico que considera a mobilidade    residencial como uma resposta aos acontecimentos ao longo da vida (Geist e McManus,    2012). As famílias podem, de acordo com as autoras, movimentar-se na procura    de melhor habitação, escolas mais seguras, aquisição de habitação própria, de    uma localização que permita aos casais oportunidades de carreira (Geist e McManus,    2012). Com base na análise da situação dos Estados Unidos da América, e numa    investigação que desenvolveram, mostraram que as pessoas que se movem fazem-no    sobretudo pela qualidade de vida, razões familiares ou outras que não apenas    as de mudança de trabalho (Geist e McManus, 2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No âmbito da investigação sobre migrações internas, foi possível medir a interferência    do contexto e das estruturas de idades nas migrações internas numa perspetiva    comparada no início do século XX (Bernard, Bell e Charles-Edwards, 2014, p.    232). Deste estudo comparativo que integrou Portugal, ressalta que o nosso país    é um dos três em que os autores observaram, execionalmente, desvios acentuados    entre as transições do curso da vida e a migração, tendo atribuído esses desvios    a &ldquo;forças sociais e económicas que agem diretamente sobre a migração, e não    a mecanismos de transição do curso da vida&rdquo; (Bernard, Bell e Charles-Edwards,    2014, p. 229). Os autores, considerando as transições da idade em que ocorre    a migração e os ciclos de vida, verificaram que os momentos em que se regista    a maior intensidade e pico estão associados a traços/particularidades dos perfis    de idades. Em Portugal, a transição para a vida adulta é tardia e prolongada    no tempo, existindo também na transição para a velhice fluxos de mobilidade.    Constatação particularmente interessante para se complementar a compreensão    da mobilidade familiar.</p>     <p>Complementarmente, alguns estudos comprovam os impactos territoriais e os desequilíbrios    que a mobilidade ocasiona (Topilion, 2014), bem como o impacto social, económico,    político e demográfico que provocam (Yazgi et al., 2014).</p>     <p>Em Portugal a reflexão sobre a mobilidade interna desenvolve-se desde os primeiros    recenseamentos em trabalhos como os de Girão e Velho (1948), Alarcão (1964),    ou Evangelista (1971). No entanto, são reconhecidas as limitações no conhecimento    das migrações internas (Cónim, 1985).</p>     <p>Contudo, e apesar das dificuldades, vários trabalhos foram desenvolvidos como    os de Emília Saleiro e Pedro Campos (1994) João Peixoto (1998), João Peixoto    e Cristina Oliveira (2001), Maria Roca e Dulce Pimentel (2003), Graça Magalhães    (2003) Mendes, et al. (2009). Destas investigações, além dos contributos metodológicos    ressaltam também contribuições para a caracterização da mobilidade interna e    dos migrantes. Embora o presente trabalho recaia numa das dimensões da mobilidade    interna, a das famílias, não se pode deixar de aludir a este contexto de investigação    mais amplo. Trata-se de uma realidade complexa e multidimensional, com impactos    muito diversificados decorrentes e subjacentes aos efeitos de atração ou repulsão.</p>     <p>Assim, a perceção desta complexidade obriga a um conhecimento detalhado quer    das migrações (fluxos), quer dos migrantes. Importa também ter presente que    tanto as migrações/migrantes (individualmente considerados), como as famílias    que migram constituem realidades dinâmicas.</p>     <p>Ora, numa conjuntura em que as migrações assumem uma relevância crescente,    convém conhecer os comportamentos para que as políticas públicas possam alterar    ou responder às expectativas e às consequências inerentes a essa mobilidade.</p>     <p>ALGUMAS NOTAS SOBRE A EVOLUÇÃO DA FAMÍLIA EM PORTUGAL</p>     <p>Embora a análise desenvolvida se centre nos dados do recenseamento de 2011,    para se apreenderem as mudanças das características das famílias em Portugal    torna-se necessário alargar o período de análise, considerando uma perspetiva    de médio/longo prazo. Assim, foram introduzidas comparações com recurso a dados    retrospetivos com vista a fundamentar as principais mudanças que podem interferir    com a mobilidade familiar e assim justificar as opções tomadas na análise dos    fluxos migratórios.</p>     <p>De acordo com dados dos recenseamentos, e considerando aqui uma longa duração    desde 1970, tem-se verificado em Portugal um aumento da população e do número    de famílias, embora se tenha assistido à diminuição da sua dimensão média, como    se sistematiza no <a href="#q1">quadro 1</a>. Pode-se verificar que a década    de 70 apresenta valores de variação quer da população, quer das famílias, que    foram devidos a fatores conjunturais que não abordaremos neste trabalho. A partir    da década de 80 torna-se claro que a população evoluiu sempre de forma positiva,    embora com sobressaltos significativos entre diferentes décadas, enquanto a    variação do número de famílias foi sempre muito mais significativa do que a    da população.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04q1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Esta diminuição da dimensão média transparece também nas mudanças da composição    das famílias, uma vez que, paralelamente ao aumento do número de famílias, são    as famílias com menor número de elementos as que mais têm aumentado, como se    pode ver pelo <a href="#q2">quadro 2</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04q2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Embora o número de famílias tenha vindo a aumentar, os acréscimos mais expressivos    ocorrem nas famílias de duas pessoas, as quais passam de 23,5&#8197;% em 1981    para 31,6&#8197;% em 2011, e nas famílias unipessoais que, nas mesmas datas,    passam de 12,1&#8197;% para 21,4&#8197;%. Entre as famílias mais numerosas,    considerando aquelas a partir quatro pessoas, verifica-se uma diminuição. Se    em 1981 as famílias mais numerosas representavam 40,6&#8197;% do total de famílias,    em 2011 correspondiam a 23,1&#8197;%.</p>     <p>Como referido, o aumento constante do número de famílias é também ocasionado    pelo aumento do número de famílias unipessoais. Esta tendência verifica-se quer    no conjunto das famílias, quer no aumento das famílias unipessoais de maiores    de 65 anos (<a href="#q3">quadro 3</a>). Neste caso, mais uma vez, os valores    do recenseamento de 1981 refletem fenómenos conjunturais da década de 70. A    partir dos valores de 1991, embora o número de famílias unipessoais de menores    de 65 anos vá aumentado o seu peso relativo no total de famílias unipessoais,    vai diminuindo face às famílias unipessoais de indivíduos de 65 e mais anos,    traduzindo claramente o envelhecimento da população portuguesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04q3.jpg"/></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Estas mudanças decorrem da conjugação das alterações ao nível dos comportamentos,    das novas formas de estar e do aumento da esperança média de vida.</p>     <p>Quanto à distribuição no território verifica-se, em 2011, uma maior concentração    de famílias nos municípios num contínuo ao longo do litoral e de forma marcada    nos municípios que têm funções administrativas e de serviços no interior. O    fenómeno da litoralização, embora normalmente apontado relativamente à população    e não às famílias, tem constituído uma constante ao longo de várias décadas,    com especial incidência a partir da década de 1970, embora em décadas anteriores    se tivessem medido crescimentos populacionais que apontavam neste sentido, com    fases em que a bipolarização em torno de Lisboa e Porto foi também acentuada    (Nazareth, 1988).</p>     <p>Em 2011, a dimensão média das famílias por município é mais elevada no litoral    norte, Açores e Madeira e, embora com menor expressividade, por todo o litoral    até Lisboa (NUTS II) e em alguns munícipios do litoral Algarvio. No interior    destacam-se alguns munícipios com famílias de dimensões médias mais elevadas    correspondendo a polos com funções administrativas e com atividade económica    mais intensa (como por exemplo, Vila Real, Viseu, Oliveira de Frades ou Campo    Maior).</p>     <p>Traçado este breve quadro da evolução das famílias em Portugal, a abordagem    recairá agora sobre os dados do recenseamento de 2011.</p>     <p>FLUXOS MIGRATÓRIOS FAMILIARES</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A análise dos fluxos migratórios, e nomeadamente a dos fluxos familiares, é    particularmente difícil pela falta de dados relativos à mobilidade interna.    Para ultrapassar esta dificuldade e conseguir ter uma estimativa destes movimentos,    utilizou-se a informação disponível no recenseamento a partir do apuramento    do <a href="#q6">Quadro 6</a>.10<a  href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">   <![if !supportFootnotes]>   [2]   <![endif]>   </a>, do Censo de 2011, relativo à população residente segundo as migrações    (relativamente a 31-12-2005), por município de residência habitual a 21-03-2011,    considerando, para o efeito, a mobilidade do agregado familiar. Embora estes    dados não reflitam integralmente a mobilidade das famílias no país permitem,    no entanto, apreender as principais tendências registadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q4"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04q4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p align="center"><a name="q5"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04q5.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="q6"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04q6.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A mobilidade das famílias assume valores que, à nossa escala, não deixam de    ser expressivos. Das 4043726 famílias registadas em Portugal em 2011, 960128    mudaram de residência relativamente ao local de residência em 2005, o que corresponde    a 23,7&#8197;% do total. No entanto, destas, foram 343328 as que mudaram de    município de residência, o que corresponde a 8,5&#8197;% do total de famílias.    As restantes 616800 famílias que mudaram de residência permaneceram no mesmo    município, embora tenham mudado de freguesia. Quanto às 343328 famílias atrás    referidas como tendo mudado de município, de facto 266360 mudaram de município    em Portugal e 76968 tinham, em 2005, residência no estrangeiro.</p>     <p>Das 960128 famílias que mudaram de residência, considerando o grupo etário    do representante da família, verifica-se que a mobilidade é mais intensa entre    os 25 e os 39 anos, distinguindo-se ainda um pico entre as famílias que se deslocaram    do estrangeiro, cujo representante tinha entre os 60 e os 69 anos. De alguma    forma, esta tendência corrobora o que autores como Roca e Pimentel (2003) ou    Grundy citado por Nivalainem (2004, p. 160) mencionam. Embora seja possível    distinguir várias fases no ciclo de vida, a maior probabilidade de mobilidade    ocorre no início da vida conjugal e a chegada de uma criança e, posteriormente,    num período correspondente à idade pré-escolar das crianças. Já as famílias    que se deslocam com representantes com idades mais avançadas levam a supor a    existência de movimentos de retorno ou de mudança de residência numa outra fase    do ciclo de vida associada à reforma (Roca e Pimentel, 2003). Estes dados, que    agora se referem, são também interessantes quando comparados com os resultados    de Bernard, Bell e Charles-Edwards (2014) para 2001, uma vez que refletem, nos    fluxos migratórios, a transição para a vida adulta tardia e prolongada no tempo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Distinguindo a mobilidade entre municípios e a que resulta da chegada do estrangeiro    (<a href="#f3">Figura 3</a>), apenas entre os mais velhos, a partir dos 45/50    anos do representante da família, a proporção das famílias que se deslocam do    estrangeiro é mais elevada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04f3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As famílias que declararam em 2011 ter mudado de residência têm, predominantemente,    o seu representante empregado, sendo esta percentagem mais expressiva sobretudo    entre as famílias que se deslocam entre municípios (<a href="#f4">Figura 4</a>).    As famílias com maior proporção de representantes em condição de inatividade    são as que se deslocam do estrangeiro (41,1&#8197;%). De notar que a proporção    de famílias que vieram do estrangeiro e cujo representante se declarou inativo    (41,1&#8197;%) é mais baixa do que a das famílias com representante empregado    (49,9&#8197;%). A proporção de famílias com representante desempregado é a que    apresenta menor expressão, sendo ligeiramente superior entre os que se deslocam    do estrangeiro (9,1&#8197;% contra os 8,0&#8197;% registados nas famílias que    se mudaram em Portugal).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04f4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quanto à dimensão das famílias que se movimentaram, são as famílias de menor    dimensão as mais frequentes. Como se pode constatar no <a href="#q4">quadro    4</a> as maiores percentagens de famílias que se movimentaram correspondem às    famílias constituídas por duas pessoas, seguidas pelas famílias unipessoais    e pelas constituídas por três pessoas. A proporção das famílias que se deslocaram    com cinco ou mais pessoas é mais elevada entre as que vieram do estrangeiro.</p>      <p>ASSOCIAÇÕES ENTRE FLUXOS MIGRATÓRIOS E CARACTERÍSTICAS DAS FAMÍLIAS</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Partindo de informação disponível nos recenseamentos, procurou-se averiguar    da existência de características das famílias associadas aos fluxos migratórios.    Para tal, procedeu-se a uma análise de correlações no conjunto dos 308 municípios    portugueses, de variáveis mensuráveis por município e relativas às características    demográficas das famílias e à densidade da população. Quanto às características    demográficas das famílias, foram consideradas a taxa de variação do número de    famílias entre os recenseamentos de 2001 e de 2011; a dimensão média das famílias,    e, mais detalhadamente, a composição de cada família considerando o número de    pessoas à data do Recenseamento de 2011. Quanto à densidade da população, foram    observadas as taxas de variação associadas à mobilidade dos residentes por município,    entre os recenseamentos de 2001 e 2011, tendo como referência a situação verificada    6 anos antes do recenseamento, isto é em 2005. As taxas de variação foram calculadas    com base no número de residentes que declararam ter mantido o mesmo município    de residência, ter mudado de município de residência e, também, ter vindo de    um outro de país de residência, e ainda a distribuição etária por município,    considerando o número total de jovens, indivíduos em idade ativa e idosos residentes.</p>     <p>Atendendo a que os municípios mais densos contam, naturalmente, com um maior    número de famílias clássicas, a análise das correlações sobre os 308 municípios    portugueses foi realizada considerando uma partição (G1, G2) do conjunto total    de municípios. Esta partição teve em conta a dispersão de valores observada    no número de famílias por município (<a href="#f5">Figura 5</a>). Os 22 municípios    com o maior número de famílias (&gt; 43000 famílias) constitui o grupo designado    por G2 e é formado por Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Gondomar, Maia,    Matosinhos, Porto, Vila Nova de Gaia, Santa Maria da Feira, Coimbra, Leiria,    Cascais, Lisboa, Loures, Oeiras, Sintra, Vila Franca de Xira, Amadora, Odivelas,    Almada, Seixal e Setúbal; os restantes 286 municípios, com menor número de famílias,    formam o grupo G1.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f5"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04f5.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No <a href="#q5">quadro 5</a> encontram-se listadas as variáveis em análise,    bem como estatísticas sumárias (média e desvio padrão) e informação sobre a    significância do ajustamento da distribuição normal aos dados em cada um dos    grupos em análise, G1 e G2.</p>      <p>No <a href="#q5">quadro 5</a>, que reúne as características das famílias clássicas    em Portugal nos 308 municípios (G1&#8197;+&#8197;G2) em 2011, os principais    aspetos a destacar, em termos médios, são os seguintes: a dimensão das famílias    é de 2,6 pessoas; mas cerca de um terço das famílias são constituídas por 2    pessoas, e as restantes tipologias, famílias com 4 ou mais pessoas, com 3 pessoas,    ou famílias unipessoais, surgem com proporções similares entre elas, com cerca    de 22&#8197;% cada por município. Comparativamente ao que se registava em 2001,    verifica-se, em 2011, um aumento médio do número de famílias na ordem dos 8&#8197;%    no grupo dos municípios menos densos (G1) e da ordem dos 18&#8197;% nos municípios    mais densos (G2). Em termos de mobilidade, relativamente a um momento anterior,    de 6 anos, em 2011 verifica-se um decréscimo médio de permanência no município    de residência, sendo esse decréscimo mais intenso nos municípios menos densos    (G1): a diminuição de permanência rondou os -16&#8197;% nos municípios com menor    número de famílias (G1) e os -12&#8197;% nos municípios com maior número de    famílias (G2). A proveniência do estrangeiro diminui também, cerca de -3&#8197;%    nos municípios com menor número de famílias (G1), porém é três vezes menor nos    municípios com maior número de famílias (G2). Relativamente a 2001, assiste-se,    em média, a uma mobilidade acrescida intermunicípios, superior a 11&#8197;%    para os municípios menos densos (G1) e, paralelamente, uma diminuição de quase    3&#8197;% para os municípios mais densos (G2). Considerando ainda os dados do    recenseamento em 2011, na comparação da mobilidade entre os dois grupos de municípios,    nos mais densos, G2, verifica-se uma maior representação média de residentes    com idade jovem e em idade ativa e uma menor expressão média de residentes idosos    (65 anos ou mais anos).</p>     <p>Do ponto de vista metodológico, uma vez que, para algumas variáveis, o teste    estatístico de Shapiro-Wilks conduziu à rejeição da normalidade ao nível de    significância estatística de 5&#8197;% (<a href="#q5">Quadro 5</a>), optou-se    por uma análise de correlações não paramétrica usando o coeficiente de correlação    de Spearman. A correlação foi analisada entre diferentes taxas de variação e    características das famílias ou da população. Em termos da variação do número    de famílias, o <a href="#q6">quadro 6</a> regista os valores de associação encontrados.    Em termos das três taxas relativas à mobilidade, o <a href="#q7">quadro 7</a>    regista os valores de associação encontrados.</p>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q7"></a><img src="/img/revistas/aso/n230/230a04q7.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Da análise do <a href="#q6">quadro 6</a> conclui-se a existência de associação    moderada positiva significativa entre a taxa de variação do número de famílias    e a dimensão média das famílias nos municípios menos densos (G1), deixando de    ser significativa quando se consideram apenas os 22 municípios com maior número    de famílias (G2). Depreende-se, então, que entre os municípios com menos famílias    registando uma maior taxa de variação se encontram, em média, famílias com maior    dimensão.</p>     <p>Relativamente à tipologia das famílias, isto é, quanto ao número de indivíduos    que as integram, verificaram-se associações significativas com a taxa de variação    do número de famílias apenas nos municípios com menos famílias (G1), sendo negativas    com a proporção de famílias constituídas por 1 ou 2 pessoas e moderadas positivas    com as proporções de famílias com 3 ou mais membros. Por conseguinte, é de esperar    uma menor variação do número de famílias nos municípios menos densos onde há    maior propensão a existirem famílias unipessoais e de 2 pessoas, ou onde há    menor propensão a existirem famílias com 3 ou mais membros. Logo, nos municípios    menos densos (G1), uma variação mais acentuada do número de famílias pressupõe    também famílias, em média, de maior dimensão.</p>     <p>Tomando a distribuição etária da população por município, os valores de associação    levam a concluir que os municípios com maior acréscimo no número de famílias    corresponderão a municípios que apresentam maior proporção de residentes jovens,    e entre os municípios menos densos (G1) a aqueles que apresentam maior proporção    de indivíduos em idade ativa e menor proporção de idosos residentes.</p>     <p>Quando se analisam as correlações entre a taxa de variação do número de famílias    entre recenseamentos e as taxas de não mobilidade e mobilidade (<a href="#q6">quadro    6</a>), constata-se que os municípios onde há maior acréscimo do número de famílias    tendem, em média, a corresponder a municípios onde se regista menor decréscimo    de permanência e, entre os municípios menos densos (G1), onde há maior acréscimo    de mobilidade interna ou menor decréscimo de residentes oriundos do estrangeiro,    ou seja, onde se verifica alguma capacidade de fixação.</p>     <p>Focando a análise na não-mobilidade, na variação do número de residentes que    declaram ter permanecido no município de residência comparativamente a 6 anos    antes (Tx.mt), o <a href="#q7">quadro 7</a> regista os valores de associação    encontrados. Da análise conclui-se que é esperado um decréscimo de permanência    mais acentuado, ou seja mais mobilidade nos municípios onde se regista uma menor    dimensão média das famílias, ou onde há maior representação de famílias unifamiliares    ou menor representação de famílias de 3 ou mais membros, ou ainda menor percentagem    de residentes jovens ou de indivíduos em idade ativa e maior percentagem de    residentes idosos. Apenas nos municípios menos densos (G1) é que se constata    associação significativa, sendo negativa com a percentagem de famílias com 2    pessoas. Por conseguinte, os municípios que registam maior decréscimo do número    de residentes que mantêm o seu município de residência tendem a ser aqueles    que têm famílias de menor dimensão ou menores percentagens de residentes jovens    ou em idade ativa; também nos municípios menos populosos (G1), que apresentem    maiores percentagens de famílias com 2 pessoas, espera-se que exista uma diminuição    na taxa de permanência no município de residência não havendo evidência significativa    desta tendência nos municípios mais densos (G2).</p>     <p>Quanto à análise da mobilidade interna, quando se considera a variação do número    de residentes que declarou ter mudado de município de residência (Tx.Img), o    <a href="#q7">quadro 7</a> regista os valores de associação manifestando, em    geral, associações mais fracas, mas significativas, no grupo dos municípios    menos densos (G1) comparativamente aos mais densos (G2). Deste modo, nos municípios    menos densos (G1), onde a taxa média de mudança de município de residência é    positiva, um maior acréscimo de habitantes vindos de outros municípios do país    corresponderá, em média, a municípios com maior dimensão média das famílias,    maior percentagem de famílias numerosas (4 ou mais pessoas), menor percentagem    de famílias com 2 pessoas e maior proporção de residentes jovens e indivíduos    em idade ativa. Já nos municípios mais densos (G2), onde a taxa média de mudança    de município de residência é negativa, constata-se um maior decréscimo nos municípios    onde há maior propensão para encontrar famílias clássicas de 3 pessoas, o que    não é evidente no grupo dos municípios menos densos (G1). Portanto, considerando    a mobilidade interna depreende-se, por um lado, a maior capacidade de municípios    menos densos atraírem famílias de maiores dimensões e com indivíduos em idade    jovem e idade ativa e, por outro, a incapacidade de atração de famílias de 3    pessoas dos municípios mais populosos, transparecendo assim diferenças nas trajetórias    de deslocação e atração. Se, por um lado, não são os municípios de maior dimensão    os que apresentam maior capacidade de atração por outro, os municípios mais    pequenos também não são exclusivamente perdedores.</p>     <p>Para a análise na mobilidade externa, considerando a taxa de mudança de país    de residência (Tx.Emg), a partir das informações do <a href="#q7">quadro nº    7</a> constata-se que nos municípios onde se verifica maior decréscimo de habitantes    vindos do estrangeiro, corresponderão tendencialmente a municípios com maior    dimensão das famílias e maior percentagem de famílias numerosas (4 ou mais membros),    e, em particular, nos municípios menos densos haverá tendência para terem menor    percentagem de famílias unipessoais. Assim, é esperado que a dimensão média    das famílias seja maior em municípios onde a presença de habitantes vindos do    estrangeiro tenha vindo a ser mais reduzida.</p>     <p>Finalmente, da análise acima, importa sumariar os resultados do fluxo migratório    do ponto de vista da distribuição dos grupos etários e da composição das famílias.    Relativamente aos grupos etários conclui-se que: (i) os municípios com maior    proporção de população jovem e em idade ativa, para qualquer dos dois grupos,    tendem a reter mais os seus habitantes, coexistindo uma tendência, embora muito    fraca, de maior atração de residentes de outros municípios em municípios com    menor volume de famílias (G1); (ii) os municípios com maior densidade de população    idosa tendem a mostrar-se menos atrativos na retenção dos seus habitantes; (iii)    a capacidade de atração/repulsão de habitantes vindos do estrangeiro não está    associada à distribuição da população nos três grupos de idade considerados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente à composição das famílias clássicas conclui-se que: (i) municípios    com maior proporção de famílias unipessoais mostram menor capacidade de reter    os seus habitantes e, entre os municípios menos densos (G1), verifica-se uma    menor repulsão de residentes provenientes do estrangeiro; (ii) os municípios    menos densos, G1, e com maior proporção de famílias com 2 pessoas tendem a exibir    menor capacidade de reter os seus habitantes e também menor capacidade de atração    de habitantes de outros municípios; (iii) os municípios com maior proporção    de famílias com 3 pessoas tendem a mostrar maior capacidade de reter os seus    habitantes e os municípios mais densos, (G2), mostram-se menos atrativos para    os residentes de outros municípios; (iv) os municípios com maior proporção de    famílias com 4 ou mais pessoas tendem a mostrar maior capacidade de reter os    seus habitantes e menor capacidade de atração de residentes vindos do estrangeiro    mas, em contrapartida, os municípios menos densos (G1) revelam-se mais atrativos    para os residentes de outros municípios.</p>     <p>CONCLUSÕES</p>     <p>A migração familiar comporta, como os vários autores ressaltam, contornos complexos    e pode procurar responder a diferentes dimensões da vida ou pode compreender    diversos contextos económicos, sociais ou culturais.</p>     <p>A associação das variáveis encontradas quanto à mobilidade das famílias faz    sobressair a importância de integrar na análise da migração interna a mobilidade    familiar, na medida em que estes fenómenos acabam por ter uma variação conjugada,    deixando implícita a conciliação de opções no percurso e ciclos de vida.</p>     <p>A tendência de concentração e a forma como as famílias se movimentam e se distribuem    suscitam uma série de questões: desde a necessidade de equacionar a intervenção    política a vários níveis, no sentido de responder às expectativas individuais    e coletivas inerentes a esta mobilidade, até à possibilidade de potenciar as    oportunidades ou ultrapassar as dificuldades que a mobilidade familiar pode    ocasionar. Acresce que dos dados analisados emerge uma tendência de aumento    de mobilidade, o que reforça esta necessidade de prestar uma atenção cuidada    a estes fenómenos. De facto, o aumento da mobilidade - diminuição da permanência    - afeta todos os municípios portugueses, mas é entre os mais pequenos que mais    se faz sentir.</p>     <p>Embora a análise se tenha centrado numa perspetiva demográfica, importa no    aprofundamento desta temática inserir outras dimensões de cariz socioeconómico    de forma a procurar distinguir explicações inerentes a estes fluxos que, abrangendo    subpopulações tão diferenciadas e em fases distintas dos seus ciclos de vida,    terão necessariamente diversos estímulos, causas e aspirações.</p>     <p>Neste trabalho, realçamos a existência de diferenças de associações sob duas    escalas territoriais baseadas no número de famílias clássicas dos 308 municípios    portugueses. Da leitura dos resultados ressalta que, na verdade, são os municípios    com menor volume de população que acabam por impulsionar a mobilidade familiar,    enquanto os mais populosos tendem a não mostrar evidências que afetem a mobilidade.    Mas, paralelamente, verifica-se a persistência de constrangimentos contextuais    que impelem a mobilidade nomeadamente entre os municípios menos densos, com    menor dimensão familiar, com menos indivíduos em idade jovem ou ativa. Embora    nos municípios mais densos (G2) se encontrem os que englobam as cidades/polos    urbanos mais dinâmicos, entre estes municípios verifica-se uma menor capacidade    de atração de famílias de maior dimensão, de 3 ou mais elementos, embora registem    um maior acréscimo de famílias. Tal como seria expectável, são as famílias mais    pequenas as que mais se movimentam. No entanto, as famílias de maior dimensão,    a deslocarem-se, fazem-no sobretudo para os municípios menos densos. A escolha    de municípios menos densos como local de residência constituiu, também, a principal    preferência para indivíduos com residência anterior no estrangeiro uma vez que    municípios mais densos e com maior percentagem de famílias numerosas demonstram    incapacidade de atração destas famílias.</p>     <p>Assim a mobilidade mais intensa aparece mais associada aos municípios menos    densos (G1), embora não seja possível detetar ou estabelecer um padrão característico.</p>     <p>Relevante também é a menor permanência das famílias de maiores de 65 anos em    G1 e G2 que pressupõe processos continuados no tempo, que pensamos que possam    envolver a procura por mudanças nas formas de vida ou movimentos de retorno    para lugares de origem ou outras vivências.</p>     <p>Da análise já desenvolvida, e considerando o peso na deslocação das famílias    mais pequenas e perdas ao nível dos municípios registadas entre os mais jovens    e entre indivíduos em idades ativas, não podemos deixar de salientar as razões    individuais subjacentes à mobilidade, e assim acentuar, na investigação que    se enceta, a necessidade de conjugar os diferentes fluxos e perspetivas na análise    das migrações internas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estes fluxos migratórios determinam profundos desequilíbrios na distribuição    populacional que, com consequências conhecidas no despovoamento de vários territórios,    tenderão a perdurar face à falta de atuação nestes domínios.</p>     <p>Se por um lado há continuadamente perdas de famílias e população em municípios    mais pequenos e mais exógenos, por outro depreendem-se também fenómenos de atração    e retenção de famílias entre os municípios mais pequenos. Esta capacidade de    atração e fixação diferencial de famílias (tome-se como exemplo a chegada de    famílias do estrangeiro) acaba por desencadear uma segmentação diferenciada    nos fluxos, o que nos leva a pensar na coexistência de diferentes interesses    e necessidades, que poderão corresponder a diferentes fases do ciclo de vida,    conduzindo a diferentes situações de mobilidade nos municípios fora dos grandes    aglomerados. Assim, embora sejamos levadas a pensar na existência de processos    que são comuns a toda a sociedade portuguesa, como por exemplo a mobilidade    das famílias com pessoas mais idosas, pensamos que pode haver situações cujas    particularidades territoriais possam ser determinantes. De alguma forma, um    conhecimento mais rigoroso destes processos poderia permitir atuações mais eficazes.    O facto de não ser possível chegar a resultados que permitam estabelecer um    padrão entre os municípios mais densos (G2) chama a atenção para a diversidade    que esses mesmos municípios comportam.</p>     <p>Esta discussão ganha tanto mais sentido quanto a necessidade de reverter processos    de despovoamento do interior é um assunto em aberto na sociedade portuguesa.    Com esta reflexão esperamos poder contribuir positivamente para a discussão    destas temáticas, com alguma desmistificação e reconhecimento de oportunidades.    De alguma forma, os territórios mais concentrados não emergem como os mais apetecíveis,    ainda que concentrem um maior número de famílias. No entanto, o acréscimo familiar    poderá ser interessante enquanto indicador de fixação, na medida em que está    associado a maior permanência nos municípios.<a  href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">   <![if !supportFootnotes]>   [3]   <![endif]>   </a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <p>ALARCÃO, A. (1964), &ldquo;Êxodo rural e atracção urbana no Continente&rdquo;. <i>Análise    Social</i>, 2(7-8), pp. 511-573.</p>     <p>BERNARD, A., BELL, M. e CHARLES-EDWARDS, E. (2014), &ldquo;Life-course transitions    and the age profile of internal migration&rdquo;. <i>Population</i><i> and Development    Review, </i>40(2), pp. 213-239.</p>     <p>CHAMPION, T., FIELDING, T. (2015), &ldquo;Foreword&rdquo;. <i>In</i> D.&#8197;P. Smith    et al. (eds.), <i>Internal</i><i> Migration: Geographical Perspectives and Processes</i>,    Farnham, Ashgate Publishing Limited, pp. XIII-XIV.</p>     <p>CÓNIM, C.&#8197;N.&#8197;P.&#8197;S. (1985), &ldquo;Migrações internas em Portugal    - 1981&rdquo;. <i>Revista do Centro de Estudos Demográficos</i>, 27, pp. 7-42.</p>     <p>COOKE, T.&#8197;J. (2008), &ldquo;Migration in a family way&rdquo;. <i>Population</i><i>,    Space and Place</i>, 14, pp. 255-265. DOI: 10.1002/psp.500.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>EVANGELISTA, J. (1971), <i>Um Século de População Portuguesa (1864-1960)</i>,    Lisboa, Instituto Nacional de Estatística.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107283&pid=S0003-2573201900010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>GEIST, C., MCMANUS, P.&#8197;A. (2012), &ldquo;Different reasons, different results:    implications of migration by gender and family status&rdquo;. <i>Demography</i>, 49,    pp. 197-217. DOI: 10.1007/s13524-011- 0074-8.</p>     <p>GIRÃO, A.&#8197;A., VELHO, F. (1948), &ldquo;Estudos da população portuguesa, III.    Migrações Internas (1890-1940)&rdquo;. <i>Separata Biblos</i>, XXIV, pp. 1-39.</p>     <p>LEANDRO, M.&#8197;E. (2004), &ldquo;Dinâmica social e familiar dos projectos migratórios    - uma perspectiva analítica&rdquo;.<i> Análise Social</i>. XXXIX (170), pp. 95-118.</p>     <p>KOFMAN, E. (2004), &ldquo;Family-related migration: a critical review of European    studies&rdquo;. <i>Journal</i><i> of Ethnic and Migration Studies</i>, 30(2), pp.    243-262.</p>     <p>MAGALHÃES, M. da G., (2003), &ldquo;Migrações inter NUTS II e projecções regionais    de População&rdquo;. <i>Revista de Estudos Demográficos</i>, 34, pp. 61-71.</p>     <p>MENDES, M.&#8197;F. et al. (2009), &ldquo;O futuro demogra&#769;fico das regio&#771;es:    a importa&#770;ncia da identificac&#807;a&#771;o de padro&#771;es em termos    de fluxos migrato&#769;rios internos no espac&#807;o continental portugue&#770;s&rdquo;.    In <i>Redes e Desenvolvimento Regional</i>, Cidade da Praia Cabo Verde, pp.    930-954. Disponível em <a href="http://www.apdr.pt/congresso/2009/pdf/Sessão10/152A.pdf" target="_blank">http://www.apdr.pt/congresso/2009/pdf/Sessão10/152A.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>NAZARETH, J.&#8197;M. (1988), <i>Princípios e Métodos de Análise da Demografia    Portuguesa</i>, Lisboa, Editorial Presença.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107291&pid=S0003-2573201900010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NIVALAINEM, S. (2004), &ldquo;Determinants of family migrations: short moves vs long    moves&rdquo;. <i>Journal</i><i> of Population Economics</i>, 17, pp. 157-175. DOI:    10.1007/s00148-003-0131-8.</p>     <p>OLIVEIRA, C., PEIXOTO, J. (2001), &ldquo;Migrações inter-regionais em Portugal continental    1992-1999&rdquo;. <i>Revista de Estudos Regionais - Região de Lisboa e Vale do Tejo</i>,    1.<sup>o</sup> semestre (2), pp. 37-49.</p>     <p>PEIXOTO, J. (1998), &ldquo;Seletividade migratória e dinâmicas regionais: as migrações    inter-regionais em Portugal nos anos 80&rdquo;. <i>Revista de Estatística</i>, 3.<sup>o</sup>    QUAD(9), pp. 73-112.</p>     <p>ROCA, M. N., PIMENTEL, D. (2003), &ldquo;Causas prova&#769;veis das migrac&#807;o&#771;es    internas em Portugal na de&#769;cada de noventa&rdquo;. <i>GeoInova</i>, 8, Lisboa,    Departamento de Geografia e Planeamento Regional, pp. 91-116.</p>     <p>SALEIRO, E., CAMPOS, P. (1994), &ldquo;As migrações internas na região Norte&rdquo;. <i>Estatísticas    &amp; Estudos Regionais - Região Norte</i>, 6, pp. 12-32.</p>     <!-- ref --><p>SMITH, D.&#8197;P. et al. (2015), <i>Internal</i><i> Migration: Geographical    Perspectives and Processes</i>, Farnham, Ashgate Publishing limited.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107298&pid=S0003-2573201900010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>TOPILION, A. (2014), &ldquo;Migration and the spatial economic development of the    country&rdquo;. <i>Problems</i><i> of Economic Transition</i>, 57(7), pp. 47-62. DOI:    10.1080/10611991.2015.1022934</p>     <p>TYRRELL, N., KRAFTL, P. (2015), &ldquo;Lifecourse and internal migration&rdquo;. <i>In</i>    D.&#8197;P. Smith, et al. (eds.), <i>Internal</i><i> Migration: Geographical    Perspectives and Processes</i>, Farnham, Ashgate Publishing limited, pp. 15-29.</p>     <!-- ref --><p>WALL, K., et al. (2015), <i>Políticas de Apoio Económico às Famílias em 2013    (Policy Brief 2014)</i>, Lisboa, OFAP-ICS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107302&pid=S0003-2573201900010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>YAZGI, B., et al. (2014), &ldquo;Impact of characteristics of origin and destination    provinces on migration: 1995-2000&rdquo;. <i>European</i> <i>Planning</i> <i>Studies</i><i>,</i>    22(6), pp. 1182-1198. DOI: 10.1080/09654313.20 13.771620</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido a 04-03-2017.</b> </p>     <p><b>Aceite para publicação a 06-02-2018.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""><sup>[1]</sup></a> Uma primeira versão deste trabalho foi apresentada    no XIX Colloque International de l’Aidelf em 2016, Estrasburgo.</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""><sup>[2]</sup></a> Foi solicitado ao INE um apuramento de dados que refletisse    a mobilidade familiar. Assim, foi possível conhecer a mudança de residência    das famílias e algumas características considerando a declaração de residência    em 2011 comparativamente a 2005.</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""><sup>[3]</sup></a> As autoras agradecem o apoio da Fundação para a Ciência    e a Tecnologia (FCT) no âmbito dos projetos UID/MAT/04106/2019 (CIDMA) e P-RIDE    (PTDC/ATP-DEM/0441/2014).</p>      ]]></body><back>
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