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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Rádio Caos: resistência e experimentação cultural nos anos 1980]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The 1980s are crucial to the social, cultural, and political transformations in consolidating culture and establishing a mass entertainment industry in Portugal. It was in this decade that the consolidation of youth cultures occurred and subcultural identities were enhanced. We consider it valuable to understand the (counter) cultural activities surrounding the pirate radio stations that were operated in that decade by a group of young people dissatisfied with the universe of cultural possibilities existing in Portugal - a discontent that was even more pronounced in the city of Porto (Portugal) through Radio Caos’ broadcasts. We propose to study this radio station - called “pirate” - that was active from 1982 to 1988 as a paradigm of cultural, artistic, and musical change, mobilized by the youth of the time.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Rádio Caos: resistência e experimentação cultural nos anos    1980</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Radio Caos: resistance and cultural experimentation in the    1980s</b></font></p>     <p><b>Paula Guerra*</b>    <br>   <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0003-2377-8045">https://orcid.org/0000-0003-2377-8045</a></p>     
<p>*Instituto de Sociologia, Universidade do Porto,&#8196;Via Panorâmica, s/n    - 4150-564 Porto, Portugal.&#8196;<a href="mailto:p.guerra@letras.up.pt">p.guerra@letras.up.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A década de 1980 é crucial, em Portugal, para a abordagem das transformações    sociais, culturais e políticas ínsitas ao desenvolvimento da indústria cultural    e ao mercado de entretenimento de massas. Foi nessa década que ocorreu a consolidação    das culturas juvenis e se densificaram as pertenças subculturais. Daí, surge    como relevante a compreensão das atividades (contra)culturais atinentes às rádios-piratas    levadas a cabo por um conjunto de <i>jovens insatisfeitos</i> com o <i>universo    dos possíveis culturais</i> existentes em Portugal - descontentamento ainda    mais sublinhado na cidade do Porto, e manifestamente patente nas emissões da    Rádio Caos. O nosso enfoque incide nesta Rádio - apelidada de <i>pirata</i>,    e cuja atividade constituiu paradigma de mudança cultural, artística e musical    mobilizada pelos jovens da altura.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> rádios-piratas; rádios-livres; anos 1980; contracultura;    Rádio Caos.</p> <hr/>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The 1980s are crucial to the social, cultural, and political transformations    in consolidating culture and establishing a mass entertainment industry in Portugal.    It was in this decade that the consolidation of youth cultures occurred and    subcultural identities were enhanced. We consider it valuable to understand    the (counter) cultural activities surrounding the pirate radio stations that    were operated in that decade by a group of young people <i>dissatisfied with    the universe of cultural possibilities </i>existing in Portugal - a discontent    that was even more pronounced in the city of Porto (Portugal) through <i>Radio    Caos&rsquo;</i> broadcasts. We propose to study this radio station - called &ldquo;pirate&rdquo;    - that was active from 1982 to 1988 as a paradigm of cultural, artistic, and    musical change, mobilized by the youth of the time.</p>     <p><b>Keywords:</b> pirate radios; free radios; 1980s; counterculture; <i>Radio    Caos</i>.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>Na sequência de um conjunto de trabalhos em torno de movimentos culturais e    artísticos das culturas populares urbanas portugueses (Silva e Guerra, 2015),    procura-se, aqui, dilucidar um conjunto de movimentos e experimentações artísticas    existentes na cidade do Porto na década de 1980. Um dos melhores exemplos de    experimentação artística, musical e juvenil - baseado num <i>ethos</i> <i>do-it-yourself</i><i>&#8197;</i><a  href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><![if !supportFootnotes]>[1]    <![endif]>   </a><i> </i>- são as rádios-piratas e a sua efervescência nos anos 1980. Neste    artigo, privilegiaremos como objeto analítico a Rádio Caos, uma rádio pirata<a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><![if !supportFootnotes]>[2]    <![endif]>   </a> cuja atividade se estendeu entre 1982 e 1988 na cidade do Porto. Além de    ter sido uma das primeiras rádios-piratas nacionais, foi particularmente marcante    na <i>cena alternativa</i><a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><![if !supportFootnotes]>[3]    <![endif]>   </a> portuense devido às experimentações que se estendiam para lá da rádio:    atingiam áreas como a poesia, a literatura, a música, os <i>fanzines</i>, etc.    A análise encetada decorre de uma investigação alargada incidente na cena <i>rock</i>    <i>alternativa</i> portuguesa dos últimos 30 anos (Guerra, 2010) - de onde se    destaca, neste âmbito em particular, António da Silva Oliveira<a  href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><![if !supportFootnotes]>[4]    <![endif]>   </a> e Bernardino Guimarães, dois dos principais fundadores da rádio -, a par    de uma recolha e análise documental de artigos de jornal e blogues relativos    à Rádio Caos.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><![if !supportFootnotes]>[5]    <![endif]>   </a><sup></sup></p>     <p>Em Portugal, a década de 1980 possui significativa importância no âmbito da    investigação das culturas juvenis. Não obstante o seu lastro ser anterior (Savage,    2008; Cardão, 2013), foi nessa década que se consolidaram, com todas as implicações    socioculturais e multiplicações subculturais. Também por este facto se considera    pertinente fazer incidir a nossa reflexão neste contexto particular e peculiar.    Por seu turno, a relevância deste exercício é tanto maior quanto o facto de    estarmos perante um campo onde rareiam as investigações exclusivamente dedicadas    aos <i>media</i> alternativos em geral, e, mormente, à especificidade das rádios-piratas    - singular marca do devir comunicativo português.</p>     <p>Neste artigo procuraremos, através de uma análise dos então novos meios de    comunicação, realizar, primeiro, um estado da arte relativo aos <i>media</i>    alternativos e às rádios-piratas e, segundo, destacar o caso ilustrativo da    Rádio Caos, que funcionou entre 1982 e 1988, e marcou o panorama estético-cultural    na cidade do Porto nos seis anos em que esteve no ativo, vindo a soçobrar com    a aplicação da Lei n.º 87/88, de 30 de julho de 1988, mais conhecida como a    Lei da Rádio.</p>     <p>PORTUGAL E PORTO NOS ANOS 1980: PAÍS E CIDADE <i>ALTERNATIVOS</i> OU <i>SEM    ALTERNATIVA</i><a  href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><![if !supportFootnotes]>[6]    <![endif]>   </a><sup></sup></p>     <p>Os anos 1980 representam um marco cronológico de grandes mudanças para um Portugal    recém-saído do período revolucionário e numa fase de estabilização democrática,    de onde se destaca: uma notável expansão do poder de compra e das classes médias    (apesar de dois pedidos de ajuda ao FMI, em 1977 e 1983, respetivamente); o    processo de adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE)<a  href="#_ftn7" name="_ftnref7" title=""><![if !supportFootnotes]>[7]    <![endif]>   </a>, que resultou numa afluência de investimentos comunitários, na quebra de    um certo isolamento internacional e no fim das barreiras alfandegárias (Neves,    1999, p. 14); um forte processo de secularização, ainda que marcado por acentuadas    diferenças regionais (Duque, 2014); um consenso constitucional limitado por    sucessivas crises políticas, governos minoritários e repetidas eleições (Freire,    2005); terciarização da sociedade portuguesa; progressivo envelhecimento demográfico    e diminuição do tamanho do agregado familiar; aumento da escolaridade média    (Stoer, 1982)<a  href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><![if !supportFootnotes]>[8]    <![endif]>   </a>; reforço da cultura de massas<a  href="#_ftn9" name="_ftnref9" title=""><![if !supportFootnotes]>[9]    <![endif]>   </a>, entre outros indicadores (Barreto, 1996; Santos, 1993; Pereira e Loff,    2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De igual modo, tratou-se de uma época em que o sentido migratório começou a    inverter-se, iniciando-se uma corrente imigratória oriunda das antigas colónias    africanas e do Brasil, que fez com que, em meados dos anos 1990, a população    estrangeira residente se situasse em 2% da população total (Barreto, 1996).    Particularmente importante foi o processo de integração nacional a vários níveis.    Isto é, a integração de várias camadas populacionais como as mulheres e os mais    jovens na esfera pública. Em relação a estes últimos, podemos falar do desenvolvimento    de culturas juvenis específicas (Guerra e Quintela, 2016; Ferreira, 2008; Pais,    2003; Pais e Blass, 2004; Simões, Nunes e Campos, 2005), associadas simultaneamente    a uma extensão da escolaridade e uma evolução económica, que permitiu que os    jovens se tornassem numa camada social <i>per se</i>. O que se verificou foi,    portanto, o surgimento de uma busca &ldquo;pelo direito à diferença&rdquo;, como bem demandou    António Sérgio, famoso radialista português (Guerra, 2010). É precisamente essa    busca pela diferença, nos mais jovens (e não só) que vai mudar significativamente    o panorama cultural português na década de 1980.</p>     <p>As mudanças na cultura portuguesa dos anos 1980 foram uma verdadeira &ldquo;revolução    cultural&rdquo; (Barroso <i>et al</i>., 2006, p. 98). Muitos artistas portugueses    sentiram que era a altura de um novo começo, de romper com a cultura dominante:    o trilho traçado foi de uma certa recetividade ao (pós)-modernismo, e ao que    tudo isso implicava em termos do papel da arte e do próprio artista (Nogueira,    2013; Dias, 2016; Melo, 2007). É neste caldo cultural e de recetividade perante    a novidade que surge o <i>boom</i> do <i>rock</i> português, que, apesar de    alguma polémica relativamente à sua extensão temporal, se situa grosso modo    entre os anos 1980-1984 (Galopim, 2003). Um período temporal curto, mas extremamente    frutuoso. Foi aqui que se deu o corte com o que era tido como tradicionalmente    nacional, particularmente a música de intervenção e o fado. As influências sonoras    advêm de outros quadrantes, nomeadamente da cultura anglo-saxónica, não obstante    a esmagadora maioria das canções serem cantadas em português (Guerra, 2013;    Magalhães, 2003).<a  href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><![if !supportFootnotes]>[10]    <![endif]>   </a></p>     <p>Deste processo ressalta um fator particular: este <i>boom</i> foi impulsionado    por um conjunto de atores-chave que se situavam, em larga medida, nas classes    média/média-alta, os quais, uma vez detentores de meios que possibilitavam o    contacto com o exterior, mantinham-se informados sobre o que se passava relativamente    às novidades culturais e musicais (Cadete, 2009, p. 65; Guerra, 2013). Paralelamente,    desenhavam-se alterações contextuais importantes, que impulsionaram a mudança    ao nível do consumo cultural em geral e da música popular em particular: a institucionalização    de festivais pelo país (Guerra, 2016; Zamith, 2003), como o retorno do Festival    Vilar de Mouros, em 1982, ou o Festival Só Rock, em 1981; o irromper do <i>rock</i>    nas rádios e televisão portuguesas, os programas de rádio que fizeram história,    como <i>Rotação</i> (1976-1979), <i>Rolls Rock </i>(1980-1982), <i>Som da Frente</i>    (1982-1983), <i>Louras, Ruivas e Morenas</i> (1984), ou o <i>Rock em Stock</i>    (1979-1982).<a  href="#_ftn11" name="_ftnref11" title=""><![if !supportFootnotes]>[11]    <![endif]>   </a><sup></sup></p>     <p>Dada a forte importância e a penetração da rádio, estes programas serviram    como introdutores de um conjunto de novas sonoridades em Portugal (Silva e Guerra,    2015). Foram, assim, cruciais para a &ldquo;socialização e consolidação da identidade    musical de quem nos anos oitenta estava a viver a adolescência e a juventude&rdquo;    (Guerra, 2010, p. 242). Muitos destes programas de rádio musicais colmataram    uma falha do mercado musical português, relacionada com o grande atraso da chegada    dos discos a Portugal, potenciando o conhecimento de bandas estrangeiras e do    que se passava lá fora. Concomitantemente, foram fulcrais para divulgarem um    conjunto de novas bandas portuguesas que entretanto surgiram.<a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title=""><![if !supportFootnotes]>[12]    <![endif]>   </a> Para um número maior de jovens relativamente a décadas anteriores, ampliava-se    a busca de novas modas, estilos, sensações e experiências, em que o consumo    surge como a variável estruturadora da vida quotidiana (Featherstone, 1991).    Os paralelismos com a então sociedade portuguesa são claros:</p>     <p>Assim, e em primeiro lugar, a assunção de que a cultura do consumo está na    origem da produção capitalista que conduziu à acumulação da cultura material    sob a forma de bens de consumo parece evidente no campo do chamado <i>rock</i>    português e mercados correlacionados; assim a vivacidade das editoras discográficas,    da edição de jornais musicais, da proliferação de espaços de fruição musical,    de modas e indumentárias vanguardistas parece despoletar no início dos anos    oitenta, do século XX, em Portugal. Tudo isto resultou no acréscimo de atividades    de lazer e de consumo nas sociedades portuguesa, nomeadamente juvenil e metropolitana    [Guerra, 2010, p. 235].</p>     <p>Relativamente à cidade do Porto, esta era uma cidade em que as novas tendências    estéticas e culturais chegavam muito lentamente. Segundo vários relatos, era    uma cidade em que se <i>abafava</i> culturalmente. A verdade é que esse <i>deserto    cultural</i> impulsionava, paradoxalmente, tentativas de dinamização e renovação    cultural, geralmente <i>underground</i> ou <i>alternativas</i>. A crescente    abertura a novas sonoridades e experiências estético-culturais era atestada    pelo surgimento de novos locais para concertos e sociabilidades, como o Solar    da Cruz Vermelha, em Massarelos, o Pavilhão Infante Sagres, o Pavilhão Académico,    o Aniki-Bóbó e o Luís Armastrondo.<a  href="#_ftn13" name="_ftnref13" title=""><![if !supportFootnotes]>[13]    <![endif]>   </a> Locais onde era possível assistir a concertos das novas bandas emergentes,    como Mão Morta, Essa Entente, Entes Queridos, Seres, Melleril de Nembutal, Bramassaji,    Terra Mar, Linha Geral, Cagalhões, Emílio e a Tribo do Rum, SPQR e Ocaso Épico,    entre outras.</p>     <p>Uma boa forma de auscultar tal contexto estético-cultural poderá ser através    dos <i>fanzines</i> portuenses dessa época.<a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title=""><![if !supportFootnotes]>[14]    <![endif]>   </a> Um dos exemplares mais emblemáticos é o <i>fanzine</i> <i>Confidências    do Exílio</i>, que, na sua segunda e terceira edições, inicia um roteiro dedicado    à cena cultural <i>alternativa</i> portuense intitulado: &ldquo;Porto em busca de    alternativa&rdquo;. A ideia era que a cidade do Porto estaria a passar por um novo    dinamismo cultural, uma &ldquo;incondicional adesão ao vanguardismo criativo&rdquo;, desde    as artes plásticas, patentes em galerias como a <i>Roma e Pavia</i>, o <i>Espaço    Lusitano</i>, a <i>Cooperativa Árvore</i>, até à existência (reduzida) de discotecas    e locais de encontro, como o <i>Moinho de Vento</i>, <i>Griffon&rsquo;s</i>, <i>Aniki    Bóbó</i>, <i>Batô</i>, <i>No Sense</i>, <i>Meia-Cave</i> e às lojas de discos.    Todavia, a ideia de uma cidade num processo de renovação cultural não era de    todo unânime. Numa resposta aos artigos do <i>fanzine Confidências do Exílio</i>,    o <i>fanzine</i> <i>Tosse Convulsa</i> lança, no artigo &ldquo;Porto sem alternativa&rdquo;,    uma opinião diametralmente oposta. Utilizando ironicamente a palavra cultura    sempre entre aspas, os autores subescrevem que a cidade do Porto, longe de estar    a iniciar um processo de vanguardismo estético-cultural, está, isso sim, numa    situação cultural marcada pela &ldquo;decadência&rdquo;, longe de ser <i>alternativa</i>:</p>     <p>Não acreditamos que o Porto tenha alternativa, pelo menos em termos musicais    (&hellip;). movimento, em si, pode ser alternativo, mas para isso é necessário que    os seus componentes e outros fora dele, mas honestos, se mexam e tentem fazer    alguma coisa para poderem acender o rastilho que poderá despoletar coisas mais    interessantes e que sejam alternativos [<i>Tosse Convulsa</i>, 1988, p. 5].</p>     <p>Independentemente das posições antagónicas enunciadas, certo é que as vivências    culturais caldeavam a mudança e desenhava-se um novo quadro de experimentação    estético-cultural, ao qual se ligava inexoravelmente o movimento <i>punk</i>.    Este, quer na cidade do Porto, quer em Portugal, constituiu não só uma componente    importante da cultura juvenil nacional, como também uma essencial forma de cosmopolitismo.    O movimento <i>punk</i> traduziu uma necessária abertura às novidades estético-culturais    que ocorriam no estrangeiro, em contraposição com um país ainda isolado e tradicionalista.    Contribuiu para novas sociabilidades, assentes numa maior fruição da diversidade    e na abertura a novas culturas e valores, não apenas ao nível musical, mas também    ao nível cultural, artístico e normativo. Tratou-se de um movimento que permitia    um confronto entre o individual e a identidade grupal e contra os valores dominantes,    do qual resultava uma celebração radical da diferença, diversidade e individualidade.</p>     <p>A LIBERDADE TRANSGRESSORA DAS <i>ONDAS DO ÉTER</i><i></i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E qual é o papel das rádios-piratas? O que caracteriza intrinsecamente os <i>media</i>    alternativos? Em primeiro lugar, um conteúdo alternativo ou radical, orientado    para uma mudança social. Geralmente uma recusa total ou desejo de alteração    das políticas e valores estabelecidos (O&rsquo;Sullivan, 1994). Para obter estas mudanças,    estes meios de comunicação necessitam de envolver as populações. De igual modo,    não basta que as notícias tenham um conteúdo oposicionista, é também importante    identificarem-se diferenças acentuadas ao nível da apresentação e organização,    a par do entendimento de que os indivíduos não são um mero objeto, podendo aqui    realizar todas as suas potencialidades; um local em que ocorre um empoderamento    através da participação direta dos indivíduos nestes <i>media</i> (O&rsquo;Sullivan,    1994).</p>     <p>Bailey <i>et al</i>. (2007), numa sistematização do estado da arte, distinguem    quatro abordagens que remetem para as diferentes perspetivas existentes relativas    aos <i>media</i> alternativos. Uma primeira abordagem é a dos <i>media</i> comunitários,    na qual se defende a participação de membros de uma determinada comunidade na    produção e difusão dos conteúdos informativos. Uma segunda, encara os <i>media</i>    alternativos como uma mera alternativa aos <i>media</i> <i>mainstream</i>, operacionalizada    em termos de contrastes ou antinomias, designadamente: organizações hierárquicas/não-hierárquicas    e horizontais; larga escala/pequena escala (geralmente locais); discursos hegemónicos/múltiplos    contradiscursos (Bailey <i>et al</i>., 2007). Esta encontra-se próxima da perspetiva    de Atton (2006), na justa medida em que os <i>media</i> alternativos são indissociáveis    da noção gramsciana de hegemonia. Uma outra abordagem considera os <i>media</i>    alternativos, assentes na sociedade civil, como uma <i>terceira voz</i> entre    os <i>media</i> estatais e os <i>media</i> comerciais. Por fim, a quarta abordagem    é a dos modelos rizomáticos, que postula um afastamento de subordinações hierárquicas    e em que todos os elementos podem afetar os restantes.<a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title=""><![if !supportFootnotes]>[15]    <![endif]>   </a><sup></sup></p>     <p>Em relação a tudo isto, impõe-se uma ressalva - nem todos os <i>media</i> alternativos    se pautam por conteúdos informativos declaradamente políticos ou oposicionistas.    Watson (2016) e Howley (2010) consideram que grande parte dos <i>media</i> alternativos    são de facto, e sobretudo, média <i>Do-It-Yourself</i> (DIY), pautados por estruturas    organizativas não-hierárquicas, não-profissionais e modos de produção culturais    não-comerciais. O que balizou, em larga medida, o esboroamento das fronteiras    entre produtores e audiências e o desenvolvimento da comunicação democrática    postulada por Williams (1963). Esta cultura DIY, ou <i>Do-It-Ourselves</i> (DIO)    como defende Atton (2006, p. 120), muito associada à cena <i>punk</i> e seus    <i>fanzines</i> (Gauntlett, 2011), possui um <i>ethos</i> que rejeita (e critica)    a cultura de massas, e aposta numa abordagem independente e criativa sobre um    conjunto de temáticas, desde política à música, mesmo sabendo que o seu mercado    é reduzido. Caracteriza-se, portanto, por uma elevada dose de autonomia, assente    em processos democráticos de produção, por ser não-comercial e sustentar-se,    grosso modo, em voluntários. Neste sentido, estes <i>media</i> DIY, além de    serem uma das mais cabais formas de participação coletiva na produção de coisas,    veem as suas audiências como um todo, o que é possível verificar nas suas programações    ou páginas, nas quais se verifica uma efetiva diversidade de tópicos (o que    não impede que existam temáticas mais abordadas que outras). Watson (2016, p.    3) corrobora, considerando estes <i>media</i> como uma comunhão de interesses    que representam uma comunidade, servindo, para além disso, para desenvolver    identidades em comum e difundir as mensagens dessa comunidade para além das    suas fronteiras.</p>     <p>Posto isto, entramos no objeto que detém a nossa atenção neste artigo: as rádios-piratas.    Na grande diversidade de rádios-piratas podemos encontrar, desde a sua génese,    praticamente todas as características acima mencionadas. Por isso, na nossa    opinião, constituem um dos exemplos mais significativos no que respeita ao potencial    participativo nos <i>media</i>. Este potencial de participação é assinalado    teoricamente já na década de 1930. Assinala-se, neste âmbito, um conjunto de    teorizações sobre as possibilidades empoderadoras e emancipatórias do rádio,    em dissonância com os argumentos de massificação e nivelação associados aos    meios de comunicação em massa. Brecht (1983) defendia, então, que existia margem    para que a rádio se tornasse um sistema de comunicação em vez de um simples    sistema de distribuição, desde que sustentado no envolvimento do ouvinte. Este    não devia apenas ouvir, deveria também falar e participar.</p>     <p>Algumas das características das rádios-piratas assemelham-se às acima mencionadas.    Uma das grandes particularidades, e influência, é a cultura DIY (Deuze, 2006,    p. 273). Estamos a considerar não só uma filosofia, um <i>ethos</i> característico,    mas também uma <i>praxis</i>. Por exemplo, para fazer frente à escassez de recursos,    era usual os membros destes <i>media</i> alternativos, amadores, pagarem os    custos associados do seu próprio bolso (apesar de ser possível também fazer    coletas comunitárias); ou, ainda, que alguns membros assumissem múltiplas funções    na rádio, o que implicava deter algumas competências técnicas específicas como    o saber-fazer eletrónico, isto é, a capacidade de criar transmissores e outros    instrumentos indispensáveis a partir de vários materiais, ou a capacidade de    reparar e conservar os poucos que possuíssem (Theodosiadou, 2010).<a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title=""><![if !supportFootnotes]>[16]    <![endif]>   </a><sup></sup></p>     <p>O localismo é um outro fator determinante nestas rádios. Além do facto de,    em muitos casos, as rádios-piratas estarem limitadas pelo alcance das frequências    FM a determinadas zonas, a insatisfação com as notícias dos meios de comunicação    generalistas, tidas como afastadas das preocupações das populações locais, não    é de desvalorizar. De salientar, além da participação da comunidade em várias    rádios-piratas, a existência de uma preocupação em produzir programações direcionadas    para as comunidades em que se situam (Bonixe, 2012; Cammaerts, 2009). É particularmente    complexa a tarefa com vista à sistematização e conceptualização das rádios-piratas,    dada a enorme heterogeneidade que o fenómeno reveste. Efetivamente encontramos    exemplos de um ativismo político mais vincado, outros em que, apesar de rádios-piratas,    os projetos seguiam praticamente os moldes organizativos das rádios comerciais    ou, ainda, experiências estético-culturais <i>alternativas</i>. Se tomarmos    como referência a dimensão internacional, vislumbramos ainda maior complexidade,    já que o surgimento destes meios de comunicação geralmente respondia a um conjunto    de questões específicas de cada país.</p>     <p>Não obstante a complexidade e o inerente polimorfismo do fenómeno em estudo,    consideramos de particular interesse referenciar a tentativa de sistematização    das quatro características-chave das rádios-piratas avançada por Theodosiadou    (2010). Uma primeira característica prende-se com o funcionamento ilegal destas    rádios e suas implicações; a segunda remete para as programações <i>alternativas</i>    e inovadoras, por oposição ao modelo organizativo e de transmissão de notícias    veiculado pelas estações públicas e comerciais; uma terceira característica    com a mobilização para responder a um conjunto de interesses específicos, desde    a veiculação de notícias locais até aos tipos específicos de estilos musicais;    por fim, a quarta característica assenta no facto de se estar a considerar projetos/emissoras    nas quais existe uma inequívoca redefinição da relação entre o locutor e a audiência.</p>     <p>Por outro lado, e numa perspetiva inovadora, Martínez (2013) postula que o    surgimento das rádios-piratas, e podemos estender aos restantes <i>media</i>    alternativos, foi uma resposta a uma situação que apelida de &ldquo;anomia comunicacional&rdquo;,    que caracterizava as democracias da Europa do Sul nas décadas de 1970 e 1980    - algumas recentemente saídas de períodos ditatoriais. E o que caracteriza(va)    estes países (Portugal, Espanha, Itália, França e Grécia)? Primeiro, o direito    à informação e à liberdade de expressão são considerados como eixos estruturantes    de uma sociedade livre. Porém, e paradoxalmente, na sua atuação, os governos    concentraram a difusão informativa através de empresas estatais ou privadas,    ligadas a grupos dominantes. A pluralidade de escolha estaria assim comprometida.    Numa conceção althusseriana, podemos falar de uma situação em que os diferentes    aparatos ideológicos estatais, dominados pelos grupos dominantes, consideravam    o direito à informação e à liberdade de expressão como objetivos culturalmente    legítimos para todos os indivíduos da sociedade. Não obstante, simultaneamente,    encontramos um segundo elemento desta estrutura detida por grupos dominantes    que regula e legisla os modos considerados como admissíveis para alcançar o    direito à informação e à liberdade de expressão (Althusser, 1998). Mais, era    um modelo em que as populações apenas se limitavam a receber passivamente as    notícias, não tomando parte ativa no processo de gerar informações e notícias.    Isto é, um sistema informativo centralizado, burocrático, vertical, incapaz    de se renovar e atender às preocupações e exigências dos diversos públicos.    Enfim, a inexistência de uma democratização dos meios de comunicação.</p>     <p>Regressando a Martínez (2013), verificamos, então, um desfasamento entre os    objetivos culturalmente definidos e os meios institucionalizados da sociedade.    Isto é, um desfasamento entre a importância conferida ao direito à informação    e à liberdade de expressão e os meios institucionalizados para os alcançar,    produzindo-se o que Durkheim (2001), e posteriormente Merton (1970), apelidam    de <i>anomia</i>. Para o primeiro autor, um sentimento de desespero, de falta    de sentido, característico da modernidade e da sua falta de regulação social.    Para o segundo autor, que retrabalhou este conceito, trata-se da exaltação de    um conjunto de fins que conduz a uma desinstitucionalização dos meios (Merton,    1970). Nos países do sul da Europa a situação é semelhante: apesar da importância    dada ao direito à informação e à liberdade de expressão, encontramos a concentração    dos meios de comunicação em poucas mãos, geralmente no Estado e em poucos conglomerados    privados. E é aqui que entra o movimento das rádios-piratas, como resposta de    um setor da sociedade face a uma situação de anomia comunicacional.<a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title=""><![if !supportFootnotes]>[17]    <![endif]>   </a> Enquanto meios de comunicação alternativa, ou de contrainformação, oferecem    múltiplas vozes como alternativa aos meios de comunicação social estatais e    institucionalizados (Martínez, 2013).</p>     <p>Por outro lado, e tendo em conta o que foi acima mencionado relativamente aos    meios de comunicação, podemos considerar que as rádios-piratas alteraram significativamente    as normas de aceitabilidade do que era feito e permitido nesse mundo de comunicação    (Peters, 2011, p. 282). Na Europa na década de 1960 (Chapman, 1992) e na Europa    do Sul em finais de 1970 e na década de 1980, as rádios-piratas foram aproveitadas    por uma emergente cultura juvenil para exprimir as suas insatisfações face à    sociedade e a instituições anquilosadas. Os jovens aproveitavam para se definirem    por e através da sua participação, direta ou indireta, nas rádios-piratas (Theodosiadou,    2010). Importa relevar um outro fenómeno emergente, que se prende com uma maior    popularidade da música <i>pop</i> (que estava longe de ser entendida como património    cultural, como é atualmente) e que veio revolucionar a forma de fazer rádio.    Este facto foi também, seguramente, uma das razões para o surgimento, nos anos    1960, de inúmeras rádios-piratas na Europa.<a  href="#_ftn18" name="_ftnref18" title=""><![if !supportFootnotes]>[18]    <![endif]>   </a> O caso britânico é paradigmático: a estação estatal BBC encontrava-se completamente    impreparada para responder à crescente popularidade do <i>rock and roll</i>    e da música popular. Em vez de integrar essas novas exigências sociais por parte    dos mais jovens, a BBC (e muitas outras estações públicas) continuou com o mesmo    estilo de programação, percecionado pelos jovens como paternalista e desfasado    dos seus interesses. Tal resultou no facto de os mais jovens, para os quais    a música se tornava um elemento cada vez mais estruturador das suas vidas e    identidades sociais, tivessem de procurar em outras paragens programas que satisfizessem    os seus interesses culturais (Chapman, 1992, p. 27; Skues, 2009; Hind e Mosco,    1985, pp. 1-2; Peters, 2013; Rudin, 2007).<a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title=""><![if !supportFootnotes]>[19]    <![endif]>   </a><sup></sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Portugal, na década de 1980, a cultura juvenil procurava uma rutura com    o passado e formar uma identidade à qual pudessem chamar sua. As estações públicas    eram associadas aos poderes vigentes e, por isso, vigorosamente criticadas e    colocadas em causa. Daí que os modelos alternativos respondessem mais diligentemente    às exigências de uma dada comunidade, do que aqueles fornecidos pelos meios    de comunicação dominantes, com as suas programações estandardizadas (van der    Hoeven, 2012, p. 936). Em todo este processo, releve-se o papel central da música,    quer na vida social dos membros, quer enquanto motivo para o estabelecimento    de várias rádios-piratas. Apesar de na década de 1980 ser possível encontrar    já vários programas radiofónicos dedicados exclusivamente a determinados segmentos    musicais, a verdade é que isso não impediu que vários <i>piratas</i> sentissem    a necessidade de partilhar os seus gostos musicais com as audiências (Guerra,    2010). Se, no caso português, verificamos uma enorme importância da divulgação    da música cantada em português, Theodosiadou (2010) e van der Hoeven (2012),    para o caso grego e holandês respetivamente, notam a importância dedicada à    música anglo-saxónica, bem como a novos géneros musicais, como a música de dança.</p>     <p><i>ROCKIN&rsquo; IN A NEW FREE WORLD</i>: RÁDIOS-PIRATAS<a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title=""><![if !supportFootnotes]>[20]    <![endif]>   </a> EM PORTUGAL</p>     <p>As rádios-piratas foram um <i>verdadeiro caos</i> no vetusto espectro radiofónico    português. Uma nova forma de experienciar a rádio, menos hierarquizada e estruturada    de fazer rádio, que teve a sua génese nos anos 1970, no período pós-revolucionário.    Importa, pois, analisar o papel da rádio durante o período revolucionário. Dada    a sua importância nos lares portugueses, foi um dos protagonistas da revolução    e, por isso mesmo, um palco das várias lutas políticas que atravessaram Portugal    (Reis, 2014, p. 10). Neste contexto, é de salientar o processo de nacionalização    da rádio, que desemboca na criação da Radiodifusão Portuguesa, Empresa Pública    (RDP), resultado da junção de várias emissoras. O motivo foi o facto de este    meio de comunicação ser considerado &ldquo;um serviço público devotado a uma importantíssima    função social&rdquo; (Decreto-Lei n.º 674-C/75 de 2 de dezembro de 1975 <i>in</i>    Reis, 2014, p. 10).</p>     <p>Ainda nos anos 1970, mais especificamente em 1977, ocorre a alteração ao Regulamento    das Radiocomunicações de 1959. No fundo, consistiu num processo de liberalização    e alargamento do limite superior de banda FM para 180MHz. Foi esta a decisão    que levou ao aumento do número de rádios-piratas em Portugal (Azevedo, 2001;    Santana, 2009), apesar de o <i>boom</i> ser geralmente situado em 1984.<a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title=""><![if !supportFootnotes]>[21]    <![endif]>   </a> Não obstante todas as diferenças relativas entre o contexto que potenciou    as rádios-piratas em Portugal e no resto da Europa, Reis (2014, p. 13) aponta    duas características similares: por um lado o desejo, por parte de indivíduos,    de possuírem um meio de comunicação que escapasse aos <i>media</i> dominantes,    que neste contexto histórico estavam muito ancorados no modelo BBC; e, por outro    lado, a impossibilidade legislativa para entidades privadas desenvolverem as    suas próprias emissões. Portugal, na aceção de Cordeiro (2007, p. 380), pautava-se    por um duopólio ao nível radiofónico: o Estado e a Igreja, situação que potenciou    o surgimento de emissões ilegais.</p>     <p>A todo este processo não se pode dissociar o caldo sociopolítico que possibilitou    a explosão de rádios-piratas em Portugal. Além das questões mais globais acima    mencionadas, impõem-se a referência a outros fatores como a abertura de cursos    universitários de jornalismo; o regresso a Portugal de profissionais radiofónicos    vindos das antigas colónias, particularmente de Angola, com uma cultura radiofónica    inovadora em relação à que se fazia em Portugal; os processos de liberalização    dos meios de comunicação social, com a abertura de novos projetos, a par da    privatização daqueles que estavam sob a alçada estatal desde o período revolucionário;    uma maior facilidade em adquirir os equipamentos necessários para assegurar    emissões radiofónicas, entre outras questões (Reis, 2014, pp. 14-15; Cordeiro,    2007).</p>     <p>Relativamente ao processo do aparecimento e difusão das rádios em Portugal,    Bonixe (2012), numa tentativa de sistematização, estabelece dois períodos: o    primeiro, entre 1977 e 1984, que assentava na <i>carolice</i>, e o segundo,    de 1985 e 1988, marcado por projetos mais profissionais e sustentados.<a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title=""><![if !supportFootnotes]>[22]    <![endif]>   </a> Foi uma explosão curta, mas intensa, que teve o seu principal impacto na    descentralização e dinamização do campo radiofónico nacional, apesar da hegemonia    das duas principais estações radiofónicas portuguesas nunca ter sido verdadeiramente    contestada (Reis, 2014, pp. 16-17).</p>     <p>Um outro aspeto relevante em todo o processo remete-nos obrigatoriamente para    a importância primordial que as rádios universitárias tiveram no nosso país.    O caso mais antigo, e provavelmente mais conhecido, é o da Rádio Universidade    de Coimbra, fundada em 1949 e que foi uma rádio-pirata até à sua legalização    em 1988 (Cordeiro, 2007; Reis, 2014, pp. 20-21). Esta importância não só é devida    às influências sociais, políticas e musicais junto das comunidades académicas,    mas também ao facto de estas rádios se terem constituído como veículos de socialização    para um elevado número de indivíduos, mormente dos que viriam a ingressar numa    carreira radiofónica, profissional ou pirata. As rádios universitárias (e as    rádios-piratas no geral) permitiram dotar um conjunto de indivíduos de um saber-fazer    radiofónico e elétrico e de uma capacidade para conseguir realizar o seu trabalho    com poucos meios, forjando uma nova escola para uma nova forma de fazer rádio,    e que os marcou nas suas posteriores trajetórias profissionais.</p>     <p>Estava no terceiro ano de Engenharia Mecânica e a RUT (Rádio Universitária    do Tejo) emitia para Lisboa inteira e fui convidado a participar num programa    para levar os discos, uma <i>DJ battle</i> e ganhei 5 vezes consecutivas; depois,    convidaram-me para ser colaborador de um programa (&hellip;). Os meus pais ficaram    preocupados na altura, mas também souberam que eu era maluquinho por músicas&hellip;.    E que se calhar não havia muito a fazer&hellip; [Rui Vargas, DJ, Produtor e Programador,    Lisboa].</p>     <p>As rádios-piratas ganharam imenso com o encanto da experimentação, do erro    e do prazer, que acabou por ser francamente marcante na carreira de muitos profissionais    que ainda hoje estão no ativo, eu incluído [Henrique Amaro, realizador e produtor    de rádio, editor, Lisboa].</p>     <p>No Verão de 1988, assiste-se a uma mudança fundamental de contexto, aquando    da publicação da Lei da Rádio, traduzida no encetamento do processo de legalização    das rádios-piratas em Portugal. Este processo termina em 24 de dezembro de 1988,    com mais de 300 legalizações e com o abandono de muitas rádios das ondas hertzianas.<a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title=""><![if !supportFootnotes]>[23]    <![endif]>   </a> Todo este processo e contexto se fez sentir igualmente na cidade do Porto.    Para aqueles que desejavam alterar o panorama cultural da cidade, as rádios-piratas    foram uma possibilidade demasiado boa para deixar escapar. O <i>blogue</i> <i>História    da Rádio de Portugal</i> (Silva, 2016) numera treze rádios-piratas existentes    na cidade do Porto entre 1975 e 1988: Rádio Activa, Rádio Caos, RCN - Claquete    Emissora do Norte, Rádio Clube do Porto, Rádio Clube Portuense, Rádio Concerto,    Rádio Cultura, Rádio Delírio, Rádio Festival, Rádio Onda Livre, Rádio Placard,    Rádio Polis e Rádio Universitária do Porto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A CAOS: &ldquo;VOCÊ ESTÁ A SINTONIZAR AQUILO QUE NÃO DEVIA&rdquo;<a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title=""><![if !supportFootnotes]>[24]    <![endif]>   </a><sup></sup></p>     <p>Fazer o Impossível. Há trinta anos um punhado de jovens planeava invadir o    futuro, via éter com um kit-emissor de dois watts e, se mal o planeou melhor    o executou, com mais ou menos teoria e toda a prática de impossível lá engravidamos    as ondas eletromagnéticas, libertando o bipolar sistema de rádio difusão. Nos    oito anos seguintes e em espírito de emissão fizemos prova de que sem Rádio    Caos o futuro, as ondas eletromagnéticas e o sistema de radio-difusão entraram    de novo em depressão, deflação, disfunção e imbecilidade tecnopológica [Rádio    Caos, s/d].</p>     <p>Na enorme vaga de rádios-piratas surge, em 1982, a Rádio Caos, que foi a primeira    rádio pirata portuense (Santana, 2009).<a  href="#_ftn25" name="_ftnref25" title=""><![if !supportFootnotes]>[25]    <![endif]>   </a> Apesar de ter surgido em 1982, a rádio apenas começou verdadeiramente a    funcionar em 1984 e durou até 1988. Emitia na frequência 102 MHz FM, apenas    sintonizável na cidade do Porto. A Rádio Caos teve a sua génese a partir de    uma necessidade prosaica: era preciso reparar um transístor. Daqui resultou    a iniciativa de vir a realizar-se emissões de rádio. Mas apesar de ter surgido    de uma necessidade prosaica, o seu nascimento insere-se num tumultuoso ambiente    cultural dos anos 1980, com um gosto pela experimentação e quebra de barreiras    estabelecidas.</p>     <p>Ao longo da sua história, passaram pela Rádio Caos um conjunto de pessoas com    vontades e desejos muito diversos.<a  href="#_ftn26" name="_ftnref26" title=""><![if !supportFootnotes]>[26]    <![endif]>   </a> Bernardino Guimarães considera &ldquo;que não tem sentido enumerar pessoas. Seguramente    passaram por lá centenas de pessoas que tiveram algum papel naquilo.&rdquo; De qualquer    forma, quer como radialistas, quer como audiência, tratava-se de uma juventude    da classe média urbana, residente no grande Porto (eixo Porto-Gaia-Matosinhos),    frequentadora dos cafés e espaços de tertúlia da cidade e da Universidade -    designadamente das áreas de jornalismo, engenharia, letras e belas artes. Juventude    urbana instruída, masculina primordialmente: pois na década de 1980, o espaço    público de ação e sociabilidade no Porto ainda era objeto de uma dominação masculina    acentuada.</p>     <p>O objetivo primordial desta rádio consistia na problematização da situação    cultural na cidade do Porto, cidade que consideravam cultural e esteticamente    parada no tempo.<a  href="#_ftn27" name="_ftnref27" title=""><![if !supportFootnotes]>[27]    <![endif]>   </a> Ou seja, o propósito, e sem desconsiderar o prazer e as fortes sociabilidades    que aí se forjaram, era bem sério. Existia a preocupação em estimular a participação    de várias associações locais, de forma a estabelecer uma ligação entre a rádio    e contexto local onde se encontrava inserida. Consistia numa &ldquo;necessidade regional,    nunca um veículo importado, brincadeira ou passatempo. (&hellip;) uma consequência    da própria democracia&rdquo; (<i>in</i> Mendes e Macedo, 1983, p. 17)</p>     <p>Dada a estagnação da cidade, nomeadamente no que respeita a locais de lazer,    como discotecas e lojas de discos, as rádios-piratas detinham um importante    papel de divulgação musical da nova música que se ia fazendo em Portugal ou    no estrangeiro.<a  href="#_ftn28" name="_ftnref28" title=""><![if !supportFootnotes]>[28]    <![endif]>   </a> Uma clara alternativa face às emissoras legais e ao que percecionavam como    a &ldquo;macrocefalia que vigora na rádio portuguesa&rdquo; e, desta forma, dar &ldquo;expressão    ao poder da fantasia e do maravilhoso, quebrando os dogmas conservadores que    atrofiam a radiodifusão portuguesa&rdquo; (Guerra, 1983, p. 24). José Carneiro, membro    da Rádio Caos, em outra entrevista (Bonjour, 2012), afirma que &ldquo;era uma altura    em que havia <i>rockabilly</i>, <i>psychobilly</i>, <i>punk</i>, <i>skinheads</i>,    góticos e tudo isso gerava conteúdos musicais muito específicos, alternativas    àquilo que era universalmente aceite e apreciado, como o fado&rdquo; (Carneiro <i>in</i>    Bonjour, 2012). Notamos, portanto, uma preocupação eclética, associada a uma    forte criatividade e vontade de intervenção:</p>     <p>Na Caos foi sempre ponto de honra albergar todo o tipo de experiências musicais    e estéticas &ldquo;fora da caixa&rdquo; - mesmo as de qualidade muito desigual - e é assim    que fenómenos como o <i>punk</i> e as estéticas alternativas não podiam deixar    de surgir com alguma força - a Caos era a referência das inúmeras bandas que    proliferavam na cidade e interligava-se com muitos <i>fanzines</i> que estavam    longe de serem apenas sobre música. Recordo a atenção que foi dada sempre aos    autores portugueses [entrevista a Bernardino Guimarães].</p>     <p>Uma outra preocupação desta Rádio prendia-se com a difusão de notícias sobre    a realidade local, uma vez que os <i>media</i> generalistas pouca relevância    conferiam aos problemas locais. Este facto potenciava a própria difusão das    rádios-piratas, cativando assim um conjunto de ouvintes insatisfeitos com as    opções jornalísticas e editoriais das rádios dominantes.</p>     <p>A esta preocupação com o localismo associava-se uma preocupação em estabelecer    uma comunicação democrática (Williams, 1963). Ou, segundo palavras de António    da Silva Oliveira, &ldquo;rádio-poesia&rdquo;, uma rádio que almejava &ldquo;quebrar uma barreia&rdquo;    entre o &ldquo;fazedor de rádio e o ouvinte&rdquo;, que recorria, nesse sentido &ldquo;à linguagem    do povo&rdquo;, procurando &ldquo;intervir com as pessoas&rdquo;. Não é, portanto, acidental que    Mendes e Macedo (1983, p. 16) caracterizassem a <i>Caos</i> como uma &ldquo;rádio    carnal&rdquo;. A nível estético-cultural, segundo António da Silva Oliveira, a Rádio    Caos situava-se no chamado Movimento Literário dos anos 1980, que redundou numa    &ldquo;importância política tremenda&rdquo;, sendo que &ldquo;as rádios livres foram as únicas    que encostaram o poder à parede&rdquo;:</p>     <p>Hoje temos o que mais desejavam os surrealistas. O livro/texto evapora-se nas    ondas hertzianas e suicida-se na imaginação do ouvinte. Fazer rádio livre é    ser poeta; ultrapassar/liquidar o movimento de livre difusão é ser pós-poeta    [entrevista a António da Silva Oliveira].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Simultaneamente, a importância da Rádio Caos ultrapassava o facto de ser uma    rádio de livre informação e publicação, já que atuava num espaço em que era    possível levar a cabo experimentações culturais, em que se destacava, por exemplo,    um &ldquo;movimento fanzineiro&rdquo; que emergiu no seio desta rádio. Na verdade, praticamente    todos os programas emitidos possuíam um <i>fanzine</i> com um propósito de divulgação    (Alexandre, 2013). Por outro lado, e ainda nesta ótica de <i>romantismo radiofónico</i>    de uma &ldquo;rádio de palavras&rdquo;, a Rádio Caos procurou reabilitar o teatro radiofónico:    o caso mais conseguido foi a <i>Correspondência Amorosa entre Salazar e Marilyn    Monroe</i>.</p>     <p>A nível organizativo, a Rádio Caos possuía características que são de salientar:    apesar do seu inicial e grande objetivo de ser uma organização autogestionária,    completamente livre de burocracias e com caminho aberto para um maior experimentalismo    e liberdade criativa, a verdade é que desde muito cedo foi necessário estabelecer    a Rádio Caos como uma cooperativa<a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title=""><![if !supportFootnotes]>[29]    <![endif]>   </a> que fornecesse uma base legal, mínima, e que abrisse as portas para uma    potencial legalização. O que é interessante e paradoxal: apesar de ser uma rádio-pirata    e de criticar fortemente o <i>establishment</i> radiofónico, a Rádio Caos nunca    deixou de ponderar a possibilidade de se legalizar. Porventura, a legalização    possibilitaria a concretização plena da sua missão: &ldquo;O que queremos acima de    tudo é comunicar, estabelecer uma comunicação de ruptura perante as exigências    de integração num espírito novo. Tudo isto, tendo em vista a proposta de uma    alternativa aos modelos tradicionais de fazer radio&rdquo; (António da Silva Oliveira    <i>in</i> Guerra, 1983, p. 24).</p>     <p>A constituição enquanto cooperativa permitiu um duplo registo em termos organizativos.    Por um lado, enquanto cooperativa, com as contas em dia e órgãos eleitos; por    outro lado, enquanto organização informal, assente numa &ldquo;prática de assembleia    onde muitas coisas podiam ser geridas com maior participação e liberdade&rdquo; (entrevista    a Bernardino Guimarães). Por exemplo, para além de se ter vindo a constituir    como cooperativa, em que todos os membros pagavam quotas, levavam material próprio,    etc., consistia numa nova forma de experienciar a rádio, completa, em que cada    um possuía inúmeras funções na cadeia de produção e emissão. Um pouco de <i>amor    pelo necessário</i>, mas, acima de tudo, uma filosofia DIY, uma forma de empoderamento    e de celebração da individualidade, autonomia e criatividade, sem necessidade    de recorrer às lógicas dominantes de produção e/ou consumo (O&rsquo;Connor, 2008).    Consubstanciava-se, assim, uma <i>praxis</i> DIY onde o trabalho de cada um    era substituído por um desejo intersecional de alcançar a criatividade e construir    uma comunidade (Eversley, 2014, p. 35). Os próprios apoios e publicidade da    Caos eram sintomáticos disso mesmo: a loja de discos <i>Tubiteck</i> cedia alguns    discos; a discoteca <i>Griffon&rsquo;s</i> e o bar <i>Lá Lá Lá</i> disponibilizavam    algumas entradas como prémio de concursos.</p>     <p>Impõe-se ressalvar que esta rejeição de um tecnicismo despersonalizante e alienante    não é sinónimo de amadorismo. A Rádio Caos chegou inclusivamente a realizar    <i>inovações</i> técnicas, como uma emissão a partir de Vilar de Mouros, da    Torre dos Clérigos, entrevistas a membros do Frente Democrático Revolucionário,    de El Salvador, da Comissão Justiça e Paz, da Guatemala, a realização de concertos    - nomeadamente dos Bourbonese Qualk em março de 1987 -, entre outras atividades    (Mendes e Macedo, 1983, p. 17).</p>     <p>Quem colaborasse com a rádio pagava uma quota e era sócio da Caos. Tinha de    ser assim para controlar a cena, até porque na altura uma agulha de vinil custava    mil escudos. Os gajos chegavam lá com uma ideia e eu não gostava de dizer que    não, ia para o estúdio com eles e via. Ao fim de cinco minutos dizia &ldquo;estás    a ver como é que isto funciona? Tens de estruturar o programa para cinquenta    minutos&rdquo; [entrevista a António da Silva Oliveira].</p>     <p>Não obstante todo o processo de rutura, inovação e disrupção que temos vindo    a descrever, impõe-se assinalar o facto de estarmos perante um projeto que,    durante oito anos, não deixou de possuir as suas próprias idiossincrasias, vicissitudes    e dificuldades. Note-se, por exemplo, que António da Silva Oliveira assumia    o papel de líder. O protagonismo e a ação de Oliveira, patentes designadamente    nos seus programas - acutilantes, irónicos -, conduziram a várias manifestações    por parte de alguns membros da Rádio Caos, nomeadamente tentativas de dissuasão    dessa direção. Destes processos resultaram cisões e, destas, inclusive, a fundação,    em 1985, de um novo projeto - a Rádio Delírio. Nas suas palavras:</p>     <p>Todos os colaboradores podiam publicar, mas passava tudo pela minha mão primeiro.    Isso era obrigatório, senão aquilo tinha acabado antes. (&hellip;) Eu não tinha de    selecionar nada, mas quando mandavam os esboços eu pedia para eles trabalharem    aquilo melhor e alguns ficavam ofendidos e não apareciam mais, mas outros não    [entrevista a António da Silva Oliveira]</p>     <p>A par do percurso iminentemente interno e respetivas dificuldades, merecem    ser assinaladas algumas dificuldades externas, ainda que estas possam ser expectáveis,    revestidas de alguma estruturalidade, uma vez comuns a todas as rádios-piratas.    Considere-se, não só, as dificuldades que provinham diretamente das entidades    fiscalizadoras, que obrigavam que a sede da rádio <i>rodasse</i> para evitar    que o local fosse conhecido de antemão pelas entidades fiscalizadoras (Reis,    2014, p. 19), como também as advindas da concorrência com outras rádios-piratas    e legalizadas - que exigiam respostas céleres no sentido de manter as audiências.</p>     <p>Depois, para o final, é que começaram os lobos a querer atacar a Caos porque    pensavam que era uma grande estrutura. Nós ainda lutamos para legalizar a rádio,    mas depois começamos a ver que não podíamos lutar contra certas rádios [entrevista    a António da Silva Oliveira].</p>     <p>A história da Rádio Caos pode ser dividida em dois períodos. O primeiro, que    vai até 1985, denominado por Bernardino Guimarães como &ldquo;romântico&rdquo; ou &ldquo;nómada&rdquo;,    em que a ausência de um estúdio próprio fazia com que as emissões fossem intermitentes    e tecnicamente problemáticas, além da <i>rotação </i>dos locais de emissão como    mencionado anteriormente. Porém, a partir de 1985, e até ao seu término, a Rádio    Casos entra numa segunda fase mais profissional: a aquisição, em 1985, de instalações    próprias e com qualidade, na rua de Santa Catarina, o que implicou um salto    de qualidade e maturidade. Uma situação que ainda se desenvolveu mais no ano    seguinte, em finais de 1986, com a mudança para um estúdio mais sofisticado    na Praça da República, que lhe permitiu desenvolver um trabalho mais organizado    e expandir a sua acção para áreas como a informação. Apesar de a Rádio Caos    ser alvo de fiscalizações pelo facto de ser uma rádio-pirata e ser alvo das    rádios que monopolizavam as ondas hertzianas portuguesas, por vezes surgiam    apoios inesperados:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>É verdade, quando nós fomos falar com o Secretário de Estado eles disseram    que a rádio não foi apagada porque havia um juiz do Porto que disse que aquilo    era cultura e não deixava intervir, isto é importante [entrevista a António    da Silva Oliveira].</p>     <p>Porém, independentemente dos apoios, ainda que inesperados, não foi possível    impedir o seu inevitável encerramento. Com a Lei da Rádio, publicada em julho    de 1988, e a subsequente legalização das rádios-piratas em Portugal, muitas    destas não sobreviveram. A Rádio Caos foi uma delas: em 1988, ouviu-se a última    emissão desta rádio nas ondas hertzianas. Uma emissão emotiva que durou uma    noite inteira. Bernardino Guimarães adianta que:</p>     <p>A luta pela legalização tinha-nos levado até aos deputados da Assembleia da    República e à organização de encontros nacionais de rádios livres e locais (&hellip;)    Mas foi a legalização que acabou calando o que os perigos da ilegalidade nunca    tinham conseguido - o fim da voz da Caos. Fomos capazes de apresentar, num esforço    titânico, um projeto completo de candidatura a uma frequência, e nem ficámos    mal classificados. Mas abaixo da linha de água que o governo impôs e implementou.    Objetivamente, o que aconteceu foi um processo intencional para destruir o movimento    das rádios livres em tudo o que tinham de originalidade. [entrevista a Bernardino    Guimarães]</p>     <p>Da Rádio Caos sobrevive, acima de tudo, o que ela própria foi enquanto projeto    e, sobretudo, manifestação cultural: um espaço de intensas sociabilidades, de    experimentação, em que indivíduos com trajetórias e interesses similares vivenciavam    todo um universo dos possíveis estético-cultural, pondo à prova as suas ideias    mais experimentalistas. Um espaço de pertença, e por isso uma comunidade de    afetos, de orientações estéticas e políticas: &ldquo;A Caos não é nenhum sítio de    emoções fracas, nenhum ‘dancing&rsquo;, nenhum centro de repouso. É assumidamente    um lugar de prazer, um espaço de interpretação&rdquo; (Oliveira in Guerra, 1983, p.    24).</p>     <p>A <i>CAOS</i> FECHOU OS MICROFONES EM 1988 PARA NÃO VOLTAR ÀS ONDAS HERTZIANAS.    MAS O <i>CAOS</i> NUNCA ACABOU</p>     <p>O caso da Rádio Caos poderá ser entendido como emblemático e precursor, dada    a sua relevância exemplificativa de um contexto de mudança social e cultural.    De igual modo, não podemos esquecer o facto de as rádios-piratas terem sido    um &ldquo;tubo de ensaio&rdquo; para muitos jovens de então. Um fenómeno que os marcou indelevelmente    nas suas disposições e trajetórias, nomeadamente profissionais, com vários destes    radialistas <i>piratas</i> a tornarem-se jornalistas, radialistas profissionais,    músicos e DJs; as suas disposições e saber-fazer adquiridos nas rádios-piratas    influenciariam a forma de fazer rádio, jornalismo e música em Portugal. A Rádio    Caos, durante os seus anos de existência, foi um caso exemplar das mudanças    socioculturais que afetaram a cidade do Porto e o país em geral: a busca de    novas fruições culturais que rompessem o existente e, acima de tudo, a procura    de um cosmopolitismo que tardava em chegar. Estas preocupações encontram nas    rádios-piratas um meio de luta, plasmada numa maior preocupação em romper, neste    caso, com o domínio dos grandes meios de comunicação social, e uma forma de    tecer uma relação mais localizada e aproximada entre os <i>media</i> e os seus    públicos. Então porque acabou a Rádio Caos?</p>     <p>Nós seguimos um modelo que foi semelhante ao que aconteceu em França. (&hellip;) Eu    lembro-me que nas primeiras entrevistas que demos nós dizíamos que não eramos    legalizados porque não havia um quadro legal e quando houvesse nós candidatar-nos-íamos.    E mais, muitos disseram isso e não cumpriram. Chegou ao fim e fizeram uma lei    que era totalmente desigual e armadilhada para rebentar todos os projetos que    tivessem independência, já no Governo do Cavaco em 1987/1988, mas nós esfolámo-nos    todos, financeira e em termos de trabalho, e apresentámos um projeto de candidatura    com estudos técnicos e económicos e até com grelha. Porque é que isso não foi    para a frente? Porque o Porto tinha cinco frequências, ou seja, legalizaram    cinco rádios e nós ficámos em oitavo lugar, acho eu. Portanto, ficámos de fora,    atolados de dívidas e sem condições de continuar [entrevista a António da Silva    Oliveira].</p>     <p>Importa salientar que, apesar do seu desaparecimento após a Lei da Rádio de    1988, a recordação das atividades da Caos perdura até hoje, em grande parte    devido ao trabalho assinalável de um pequeno grupo de entusiastas - o que Bennett    e Jansen (2016) denominam de <i>preservacionismo </i>DIY. Isto é, entusiastas    que se dedicam à preservação das memórias de fenómenos culturais (geralmente)    locais e que são secundarizados pelas narrativas oficiais. Basicamente, estamos    a referir projetos que emergem das comunidades de fãs de música popular: onde    alguns grupos de pessoas interessadas criam lugares (físicos e/ou <i>online</i>)    para armazenar e exibir algumas materialidades da cultura musical (Flinn, 2007    e 2010). Nestes lugares, as pessoas (largamente entusiastas e voluntárias) não    são especializadas em tarefas associadas ao arquivo e à preservação deste património,    mas desenvolvem competências próprias para darem seguimento à preservação de    memórias e de materialidades que o valorizam (Baker e Huber, 2013). E não é    por acaso que na atualidade António da Silva Oliveira e Bernardino Guimarães    procuram recolher, catalogar e divulgar toda a informação relativa à Rádio Caos,    usando para tal algumas das ferramentas da <i>internet</i>: blogues e páginas    de <i>Facebook</i>. Trata-se de um trabalho de recuperação e preservação de    memórias e de afetos para o grupo de entusiastas da Caos, para a comunidade,    para a geração dos jovens dos anos 1980, que descobriram a música alternativa    pela rádio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>MEDIA</i>, <i>FANZINES</i> E <i>BLOGUES</i></p>     <p>ALEXANDRE, R. (2013), &ldquo;Rádios piratas foram um espaço de liberdade absoluta&rdquo;.    RTP Notícias, Disponível em <a href="https://www.rtp.pt/noticias/media/radios-piratas-foram-um-espaco-de-liberdade-absoluta_a627701" target="_blank">https://www.rtp.pt/noticias/media/radios-piratas-foram-um-espaco-de-liberdade-absoluta_a627701</a>    [consultado em 26-10-2017].</p>     <p>BONJOUR, R. (2012), &ldquo;Já não há rádios pirata, mas era fixe se ainda houvesse&rdquo;.    <i>Vice</i>, Disponível em <a href="https://www.vice.com/pt/article/4xyejn/ja-nao-ha-radios-pirata-mas-era-fixe-se-ainda-houvesse" target="_blank">https://www.vice.com/pt/article/4xyejn/ja-nao-ha-radios-pirata-mas-era-fixe-se-ainda-houvesse</a>    [consultado em 26-10-2017].</p>     <p>CADETE, M.&#8197;F. (2009), &ldquo;Um longo Verão&rdquo;. <i>Blitz</i>, 11, pp. 64-65.</p>     <p>CONFIDÊNCIAS DO EXÍLIO (1985a), &ldquo;Porto em busca de alternativa&rdquo;. <i>Confidências    do Exílio</i>, (2).</p>     <p>CONFIDÊNCIAS DO EXÍLIO (1985b), &ldquo;Porto em busca de alternativa&rdquo;. <i>Confidências    do Exílio</i>, (3).</p>     <p>GUERRA, D. (1983), &ldquo;Caos: o desejo de comunicar&rdquo;. <i>Expresso</i>.</p>     <p>MAGALHÃES, (2003), &ldquo;A arte eléctrica de ser português&rdquo;. <i>Y. Suplemento do    Jornal Público [em linha]</i>. (01 Agosto de 2003). Disponível em <a href="http://www.publico.clix.pt" target="_blank">http://www.publico.clix.pt</a>,    [consultado em 26-10-2017].</p>     <p>MENDES, A., MACEDO, Á. (1983), &ldquo;Os rostos da ‘Rádio Caos&rsquo;&#8197;&rdquo;. <i>Revista    &ldquo;Mais&rdquo;</i>, pp. 16-17.</p>     <p>RÁDIO CAOS (s/d). Disponível em <a href="http://radiocaos.net/index.php" target="_blank">http://radiocaos.net/index.php</a>,    [consultado 21 julho 2017].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SILVA, J.&#8197;G. (2016), &ldquo;As rádios no Porto. 1975-1988&rdquo;. <i>História da    Rádio em Portugal</i>. Disponível em <a href="http://telefoniasemfios.blogspot.pt/p/blog-page_29.html" target="_blank">http://telefoniasemfios.blogspot.pt/p/blog-page_29.html</a>,    [consultado em 26-10-2017].</p>     <p>TOSSE CONVULSA (1988), &ldquo;Confidências do esterco. O Porto sem alternativa&rdquo;.    <i>Tosse Convulsa</i>, (1), pp. 3-5.</p>     <!-- ref --><p>WATSON, R. (2016), <i>Rhizomatic &amp; DIY Media</i>. Disponível em <a href="http://robwatsonmedia.net/wp-content/uploads/2014/02/Rhizomatic-and-DIY-Media-001-2016-10-06.pdf" target="_blank">http://robwatsonmedia.net/wp-content/uploads/2014/02/Rhizomatic-and-DIY-Media-001-2016-10-06.pdf</a>,    [consultado em 26-10-2017].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109018&pid=S0003-2573201900020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p>AGUILERA, M. (1985), <i>Radios</i><i> libres y radios piratas</i>, Madrid,    Forja.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109021&pid=S0003-2573201900020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALTHUSSER, L. (1998), <i>Aparelhos Ideológicos de Estado</i>, Rio de Janeiro,    Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109023&pid=S0003-2573201900020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ATTON, C. (2006), <i>Alternative Media</i>, Londres, SAGE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109025&pid=S0003-2573201900020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>AZEVEDO, A.&#8197;P. (2001), &ldquo;As rádios locais do pós-25 de Abril. Para a história    da rádio em Portugal&rdquo;. <i>Revista</i><i> do Obercom</i>, 4, pp. 135-149.</p>     <!-- ref --><p>BAILEY, O., CAMMAERTS, B., CARPENTIER, N. (2007), <i>Understanding Alternative    Media</i>, Nova Iorque, Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109028&pid=S0003-2573201900020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BAKER, S., HUBER, A. (2013), &ldquo;Notes towards a typology of the DIY institution:    identifying do-it-yourself places of popular music preservation&rdquo;. <i>European</i><i>    Journal of Cultural Studies</i>, 16(5), pp. 513-530.</p>     <!-- ref --><p>BARRETO, A. (ed.) (1996), <i>A Situação Social em Portugal, 1960-1995</i>,    Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109031&pid=S0003-2573201900020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BARROSO, E.&#8197;P. et al. (2006), &ldquo;A situação portuguesa&rdquo;. <i>In</i> U. Look    (ed.), <i>Anos 80: uma Topologia</i>, Porto, Museu de Serralves, pp. 96-107.</p>     <p>BENNETT, A., JANSSEN, S. (2016), &ldquo;Popular music, cultural memory, and heritage&rdquo;.    <i>Popular Music and Society</i>, 31(1), pp. 1-7.</p>     <p>BONIXE, L. (2012), &ldquo;As rádios locais em Portugal - da génese do movimento à    legalização&rdquo;. <i>Estudos em Jornalismo e Mídia</i>, 2(9), pp. 313-325.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BRADLEY, P. (1991), &ldquo;French free radio&rdquo;. <i>French Cultural Studies</i>, 2(4),    pp. 35-50.</p>     <p>BRECHT, B. (1983), &ldquo;Radio as a means of communication&rdquo;. <i>In</i> A. Mattelart,    S. Siegelaub (eds.), <i>Communication and Class Struggle 2: Liberation, Socialism</i>,    Nova Iorque, International General, pp. 169-171.</p>     <p>CAMMAERTS, B. (2009), &ldquo;Community radio in the West: a legacy of struggle for    survival in a state and capitalist controlled media environment&rdquo;. <i>International</i><i>    Communication Gazette</i>, 71(8), pp. 635-654.</p>     <p>CARDÃO, M. (2013), &ldquo;‘A juventude pode ser alegre sem ser irreverente&rsquo;. O concurso    Yé-Yé de 1966-67 e o luso-tropicalismo banal&rdquo;. <i>In</i> N. Domingos, E. Peralta    (orgs.), <i>A Cidade e o Colonial. Dinâmicas Coloniais e Reconfigurações Pós-coloniais</i>,    Lisboa, Edições 70, pp. 319-359.</p>     <!-- ref --><p>CHAPMAN, R. (1992), <i>Selling</i><i> the Sixties: The Pirates and Pop Music    Radio</i>, Londres e Nova Iorque, Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109040&pid=S0003-2573201900020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CORDEIRO, P. (2007), <i>Estratégias de Programação na R</i>ádio<i> em Portugal:    o caso da RFM na Rransição para o Digital</i>. Tese de doutoramento, Lisboa,    Universidade Nova de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109042&pid=S0003-2573201900020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DELEUZE, G., GUATTARI, F. (1995), <i>Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia</i>,    Rio de Janeiro, Editora 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109044&pid=S0003-2573201900020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DEUZE, M. (2006), &ldquo;Ethnic media, community media and participatory culture&rdquo;.    <i>Journalism</i>, 7(3), pp. 262-280.</p>     <p>DIAS, S.&#8197;G. (2016), &ldquo;Anos 80: happenings poéticos na ‘era do estilo&rsquo;&#8197;&rdquo;.    <i>Revista Crítica de Ciências Sociais</i>, 110, pp. 19-40.</p>     <!-- ref --><p>DUQUE, E. (2014), <i>Mudanças Culturais, Mudanças Religiosas. Perfis e Tendências    da Religiosidade em Portugal numa Perspetiva Comparada</i>,<i> </i>Vila Nova    de Famalicão, Edições Húmus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109048&pid=S0003-2573201900020000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DURKHEIM, E. (2001), <i>O Suicídio</i>, Lisboa, Editorial Presença.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109050&pid=S0003-2573201900020000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EVERSLEY, M. (2014),<i> Space and Governance in the Baltimore DIY Punk Scene.    An Exploration of the Postindustrial Imagination and the Persistence of Whiteness    as Property</i>, Middletown, Connecticut, Wesleyan University.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109052&pid=S0003-2573201900020000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FEATHERSTONE, M. (1991), <i>Consumer Culture and Postmodernism</i>, Londres,    SAGE Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109054&pid=S0003-2573201900020000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FERREIRA, V.&#8197;S. (2008), &ldquo;Ondas, cenas e microculturas juvenis&rdquo;. <i>PLURAL    - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da USP</i>, 15, pp. 99-128.</p>     <p>FLINN, A. (2007), &ldquo;Community histories, community archives: some opportunities    and challenges&rdquo;. <i>Journal of the Society of Archivists</i>, 28(2), pp. 151-176.</p>     <p>FLINN, A. (2010), &ldquo;Independent community archives and community-generated content:    writing, saving and sharing our histories&rdquo;. <i>Convergence</i>, 16(1), pp. 39-51.</p>     <p>FREIRE, A. (2005), &ldquo;Party system change in Portugal, 1974-2005: the role of    social, political and ideological facts&rdquo;. <i>Portuguese</i><i> Journal of Social    Science</i>, 2(4), pp. 81-100.</p>     <!-- ref --><p>FREITAS, E. de, SANTOS, M. de L.&#8197;L. dos (1992), <i>Hábitos de Leitura    em Portugal</i>, Lisboa, D. Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109060&pid=S0003-2573201900020000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GALOPIM, N. (2003), <i>Biografia Rock Português - O melhor do Rock Português    1980-1984</i>, Lisboa, Instituto Camões.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109062&pid=S0003-2573201900020000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GAUNTLETT, D. (2011), <i>Making is Connecting</i>, Londres, Polity.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109064&pid=S0003-2573201900020000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>GUERRA, P. (2010), <i>A Instável Leveza do Rock: Génese, Dinâmica e Consolidação    do Rock Alternativo em Portugal (1980-2010)</i>. Tese de doutoramento, Porto,    Faculdade de Letras da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109066&pid=S0003-2573201900020000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>GUERRA, P. (2013), &ldquo;<i>Punk</i>, ação e contradição em Portugal. Uma aproximação    às culturas juvenis contemporâneas&rdquo;. <i>Revista Crítica de Ciências Sociais</i>,    102-103, pp. 111-134.</p>     <p>GUERRA, P. (2016), &ldquo;Lembranças do último verão: Festivais de música, ritualizações    e identidades na contemporaneidade portuguesa&rdquo;. <i>Portugal ao Espelho</i>,    2. Disponível em <a href="https://portugalaoespelho.files.wordpress.com/2016/05/ficha_-lembrancas-ultimo-verao.pdf" target="_blank">https://portugalaoespelho.files.wordpress.com/2016/05/ficha_-lembrancas-ultimo-verao.pdf</a>    [consultado em 26-10-2017].</p>     <p>GUERRA, P., QUINTELA, P. (2016), &ldquo;Culturas de resistência e média alternativos:    os fanzines punk portugueses&rdquo;. <i>Sociologia, Problemas e Práticas</i>, 80,    pp. 69-94.</p>     <!-- ref --><p>HIND, J., MOSCO, S. (1985), <i>Rebel Radio</i>, Londres, Pluto Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109071&pid=S0003-2573201900020000300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOWLEY, K. (2010), <i>Community Media - People, Places and Communication Technologies</i>,    Cambridge, Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109073&pid=S0003-2573201900020000300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>LOFF, M. (2006), &ldquo;Fim do colonialismo, ruptura política e transformação social    em Portugal nos anos 1970&rdquo;. <i>In</i> M.&#8197;C.&#8197;M. Pereira, M. Loff    (eds.), <i>Portugal: 30 Anos de Democracia (1974-2004)</i>, Porto, Editora da    Universidade do Porto, pp. 153-193.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MARTÍNEZ, J.&#8197;E.&#8197;P. (2013), &ldquo;Libertad en las ondas. La radio libre    española y el discurso de la democratización de las comunicaciones (1976-1989)&rdquo;.    <i>In</i> J. Pérez Serrano, R. Viguera Ruíz (eds.), <i>De</i><i> la guerra al    consenso: el lenguaje de la dictadura y la democracia en España</i>, Logroño,    Instituto de Estudios Riojanos, pp. 285-298.</p>     <!-- ref --><p>MELO, A. (2007), <i>Arte e Artistas em Portugal/Art and Artists in Portugal</i>,    Lisboa, Instituto Camões/Bertrand Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109077&pid=S0003-2573201900020000300049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MERTON, R.&#8197;K. (1970), <i>Sociologia: Teoria e Estrutura</i>, São Paulo,    Mestre Jou.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109079&pid=S0003-2573201900020000300050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NEVES, J.&#8197;S. (1999), <i>Os Profissionais do Disco. Um Estudo da Indústria    Fonográfica em Portugal</i>, Lisboa, Observatório das Actividades Culturais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109081&pid=S0003-2573201900020000300051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NOGUEIRA, I. (2013), <i>Artes Plásticas e Crítica em Portugal nos Anos 70 e    80: Vanguarda e Pós-modernismo</i>, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109083&pid=S0003-2573201900020000300052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>O&rsquo;CONNOR, A. (2008), <i>Punk Record Labels and the Struggle for Autonomy: the    Emergence of DIY</i>, Plymouth, Lexington Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109085&pid=S0003-2573201900020000300053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>O&rsquo;SULLIVAN, T. (1994), &ldquo;Alternative media&rdquo;. <i>In</i> T. O&rsquo;Sullivan <i>et al</i>.    (eds.), <i>Key Concepts in Communication and Cultural Studies</i>, Londres,    Routledge, pp. 10-11.</p>     <!-- ref --><p>PAIS, J.&#8197;M. (2003), <i>Culturas Juvenis</i>, Lisboa, Imprensa Nacional    Casa da Moeda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109088&pid=S0003-2573201900020000300055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PAIS, J.&#8197;M. <i>et al</i>. (1994), <i>Práticas Culturais dos Liboetas</i>,    Lisboa, Instituto de Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109090&pid=S0003-2573201900020000300056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PAIS, J.&#8197;M., BLASS, L. (eds.) (2004), <i>Tribos Urbanas. Produção Artística    de Identidades</i>, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109092&pid=S0003-2573201900020000300057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, M.&#8197;C.&#8197;M., LOFF, M. (eds.) (2006), <i>Portugal: 30 Anos    de Democracia (1974-2004)</i>, Porto, Editora da Universidade do Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109094&pid=S0003-2573201900020000300058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PETERS, K. (2011), &ldquo;Sinking the radio ‘pirates&rsquo;: exploring British strategies    of governance in the North Sea, 1964-1991&rdquo;. <i>Area</i>, 43(3), pp. 281-287.</p>     <p>PETERS, K. (2013), &ldquo;Regulating the radio pirates: rethinking the control of    offshore broadcasting stations through a maritime perspective&rdquo;. <i>Media History</i>,    19(3), pp. 337-353.</p>     <!-- ref --><p>RÁDIO CAOS (s/d), <i>Home Page</i>, Disponível em <a href="http://radiocaos.net/" target="_blank">http://radiocaos.net/</a>,    [consultado em 26-10-2017].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109098&pid=S0003-2573201900020000300061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>REIS, A.&#8197;I. (2014), &ldquo;As rádios-piratas em Portugal: contributos para    um percurso&rdquo;. <i>In</i> A.&#8197;I. Reis, P. Portela, F. Ribeiro (eds.), <i>Das    Piratas à Internet: 25 Anos de Rádios Locais</i>, Braga, Universidade do Minho,    Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, pp. 9-28.</p>     <p>RUDIN, R. (2007), &ldquo;Revisiting the pirates&rdquo;. <i>Media History</i>, 13(2-3),    pp. 235-255. Disponível em <a href="http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13688800701608643" target="_blank">http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13688800701608643</a>    [consultado em 26-10-2017].</p>     <!-- ref --><p>SANTANA, M.&#8197;J.&#8197;T. (2009), <i>As Rádios Locais no Norte de Portugal    e na Galiza. Dificuldades e Desafios em Ambos os Lados da Fronteira</i>. Dissertação    de mestrado, Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109102&pid=S0003-2573201900020000300064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SANTOS, B. de S.&#8197;S. (ed.) (1993), <i>Portugal - Um Retrato Singular</i>,    Porto, Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109104&pid=S0003-2573201900020000300065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SAVAGE, J. (2008), <i>Teenage: The Creation of Youth: 1875-1945</i>, Londres,    Vintage Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109106&pid=S0003-2573201900020000300066&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, A.&#8197;S., GUERRA, P. (2015), <i>As Palavras do Punk</i>, Lisboa,    Aletheia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109108&pid=S0003-2573201900020000300067&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SIMÕES, J.&#8197;A., NUNES, P.&#8197;B., CAMPOS, R. (2005), &ldquo;Entre subculturas    e neotribos: propostas de análise dos circuitos culturais juvenis. O caso da    música rap e do hip-hop em Portugal&rdquo;. <i>Fórum</i><i> Sociológico</i>, 13-14,    pp. 171-189.</p>     <p>SKUES, K. (2009), <i>Pop Went the Pirates II</i>, Norfolk, Lambs&rsquo; Meadow Publications.</p>     <!-- ref --><p>STOER, S. (1982), <i>Educação, Estado e Desenvolvimento em Portugal</i>, Lisboa,    Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109112&pid=S0003-2573201900020000300070&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>THEODOSIADOU, S. (2010), &ldquo;Pirate radio in the 1980s: a case study of Thessaloniki&rsquo;s    pirate radio&rdquo;. <i>The Radio Journal: International Studies in Broadcast and    Audio Media</i>, 8(1), pp. 3-49.</p>     <p>VAN DER HOEVEN, A. (2012), &ldquo;The popular music heritage of the Dutch pirates:    illegal radio and cultural identity&rdquo;. <i>Media, Culture &amp; Society</i>, 34(8),    pp. 927-943.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>WILLIAMS, R. (1963), <i>Television: technology and cultural form. </i><i>Technosphere</i><i>    Series</i>, Londres, Collins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109116&pid=S0003-2573201900020000300073&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ZAMITH, F. (2003), <i>Vilar de Mouros - 35 Anos de Festival</i>, Porto, Edições    Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=109118&pid=S0003-2573201900020000300074&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 28-02-2018. </p>     <p>Aceite para publicação a 21-11-2018.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""><sup>[1]</sup></a> Tanto o acrónimo DIY como a expressão &ldquo;do-it-yourself&rdquo;    têm vindo a tornar-se de uso corrente. Referem-se, frequentemente, a um modo    de produção musical - simbólico e ideologicamente distinto dos circuitos comerciais    da indústria popular massiva. Habitualmente, destacam-se dois marcos históricos    ao longo do século XX associados à sua emergência: a ação Internacional Situacionista    nos anos 1950 e a eclosão do <i>punk</i> em finais da década de 1970.</p>      <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title=""><sup>[2]</sup></a> A expressão &ldquo;rádio pirata&rdquo; foi usada pela primeira    vez em 1952 quando um navio norte-americano, aportado em Rodes, transmitiu a    Voz da América para o sudeste da Europa (Peters, 2011).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title=""><sup>[3]</sup></a> As expressões &ldquo;cena alternativa&rdquo; ou &ldquo;música alternativa&rdquo;    decorrem da discursividade dos entrevistados e eram de uso recorrente nos anos    1980 em Portugal para significar a adesão a uma sonoridade e estética pós-<i>punk</i>.</p>       <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title=""><sup>[4]</sup></a> António da Silva Oliveira (n. 1958) foi (e é)    uma figura central do movimento <i>underground</i> portuense e nacional. Escritor,    poeta, editor e <i>performer</i>.</p>      <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title=""><sup>[5]</sup></a> No quadro do desenvolvimento de um projeto de    doutoramento acerca do <i>rock</i> alternativo português (1980-2010) onde foram    entrevistados 196 agentes-chave da cena musical e artística alternativa portuguesa    (Guerra, 2010). Essa mesma informação foi complementada com a realização de    duas entrevistas em profundidade a António da Silva Oliveira e Bernardino Guimarães    em janeiro de 2017, cujo foco se situou particularmente na Rádio Caos. Mais    recentemente, em julho de 2018, foram realizadas mais duas entrevistas aos mesmos    protagonistas tendo como objetivo esclarecer, explicar e compreender as dimensões    de abordagem da Rádio Caos, especificamente no tocante à grelha de programação,    radialistas participantes e principais marcos evolutivos.</p>      <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title=""><sup>[6]</sup></a> Expressões inspiradas em textos dos <i>fanzines</i>    portuenses <i>Confidências do Exílio</i> (1985) e <i>Tosse Convulsa</i> (1988).</p>       <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title=""><sup>[7]</sup></a> Através da apresentação da candidatura ainda    em 1977, e da efetiva adesão em 1985.</p>      <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title=""><sup>[8]</sup></a> Em 1981, a taxa de analfabetismo era de 18,6%,    a mais elevada do continente europeu.</p>      <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title=""><sup>[9]</sup></a> A década de 1970 constitui um <i>período dourado</i>    da imprensa portuguesa, com 1316 jornais e periódicos - um claro aumento face    aos 468 da década de 1960. O cinema, por outro lado, com o fim da censura, conheceu    um <i>boom</i> na década de 1970: 32,8 milhões de espetadores em 1974 e 40,5    milhões em 1976. Números que decaíram para cerca de sete milhões de espetadores    até à década de 1990. Loff (2006, p. 161) refere que uma das razões para esta    pujança do cinema remete para o impacto tardio da televisão em Portugal, que    apenas surge em 1957 e sem cobertura em todo o território nacional. Por exemplo,    em 1967 calcula-se que apenas um quarto da população nacional acedesse à televisão;    entre 1985 e 1988, nos meios urbanos, o patamar atinge quase os 90% em termos    de espetadores de televisão (nos meios rurais não ia para além dos 67%); em    1984, apenas 24% da população possuía televisão a cores. Relativamente à leitura    de livros: em 1988 cifrava-se, para Portugal, em 59%, muito abaixo dos países    nórdicos ou da França, que registavam valores acima dos 70% (Freitas e Santos,    1992). O consumo regular de teatro em Lisboa não ultrapassava, em 1988, os 3%.    Reportando-nos ao mesmo marco temporal, encontramos a mesma escassez nas saídas    musicais: em 1988, o público habitual, em Lisboa, para concertos de música <i>pop-rock</i>    não passava dos 4%, subindo 7% para um público ocasional (Pais <i>et al.</i>,    1994).</p>      <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title=""><sup>[10]</sup></a> Além do <i>boom</i> do <i>rock</i> português,    podemos também falar da constituição de um <i>ambiente sonoro</i> na juventude    portuguesa: no período compreendido entre o final da década de 1980 e primeiros    anos da de 1990, 60% dos jovens portugueses diziam ouvir diária e regularmente    rádio e 80% música. Por outro lado, verificava-se uma exiguidade no acesso aos    suportes audiovisuais (Pais <i>et al</i>., 1994).</p>      <p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title=""><sup>[11]</sup></a> Sem falar de vários outros programas importantes    na cena musical portuguesa, tais como programas como <i>Meia de</i>, <i>Pop/Top/Rock</i>,    <i>Nós por C</i>á, <i>Cor do Som</i>, <i>TNT</i>, <i>O Fogo e o Gelo</i>, <i>O    Crepúsculo dos Deuses</i>.</p>      <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title=""><sup>[12]</sup></a> Regressando ao <i>boom</i> do <i>rock</i> português,    Magalhães (2003), num exercício de síntese, estabelece três ciclos: um de explosão    comercial e mediática a que ficaram ligados os UHF, os Táxi, os GNR e Rui Veloso,    entre outros; outro de apogeu comercial ligado aos <i>one-hit-wonders</i>, associado    ao Grupo de Baile e aos Roquivários por exemplo; e um terceiro mais orientado    para o futuro, dada a importância conferida a novas experiências estilísticas.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title=""><sup>[13]</sup></a> O <i>Luís Armastrondo</i> foi o espaço por excelência    de concertos no Porto nos anos 1980.</p>      <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title=""><sup>[14]</sup></a> Para uma análise mais detalhada dos <i>fanzines</i>    portugueses, cf. Guerra e Quintela (2016).</p>      <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title=""><sup>[15]</sup></a> &ldquo;Diferentemente das árvores ou de suas raízes,    o rizoma conecta um ponto qualquer com outro ponto qualquer, e cada um de seus    traços não remete necessariamente a traços de mesma natureza, ele põe em jogo    regimes de signos muito diferentes, inclusive estados de não-signos. O rizoma    não se deixa reduzir nem ao uno nem ao múltiplo (&hellip;) Ele não é feito de unidades,    mas de dimensões, ou antes, de direções movediças. Não tem começo nem fim, mas    sempre um meio pelo qual ele cresce e transborda. Ele constitui multiplicidades&rdquo;    (Deleuze e Guattari, 1995, p. 31).</p>      <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title=""><sup>[16]</sup></a> Daí a grande importância, e presença, de pessoas    com conhecimentos de eletrónica, profissionais ou amadores, no seio destes grupos.</p>       <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title=""><sup>[17]</sup></a> Cada rádio-pirata, ou tipologias de rádios-piratas    como a postulada por Aguilera (1985, pp. 150-151): sociais, políticas e epicúrias,    implica diferentes níveis de compromisso no combate contra a anomia comunicacional.</p>      <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title=""><sup>[18]</sup></a> As inovações tecnológicas têm aqui o seu papel:    os desenvolvimentos na produção de rádios cada vez mais baratos e pequenos permitiu    que os jovens criassem o seu próprio espaço musical (até então dominado pelos    seus pais) e desenvolvessem identidades musicais e subculturais (Van Dijck,    2007).</p>      <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title=""><sup>[19]</sup></a> Para uma análise do caso francês, marcado igualmente    por um forte centralismo dos meios de comunicação, confrontar Bradley (1991).</p>      <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title=""><<sup>[20]</sup></a> Pirata, s.&#8197;m. aquele que cruza os mares    para roubar navios; corsário; navio de piratas; ladrão (<i>Dicionário da Língua    Portuguesa</i>, 1999, p. 762). </p>      <p><a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title=""><sup>[21]</sup></a> O que foi um regresso aos primórdios dos tempos    radiofónicos portuguesas, já que em Portugal as primeiras rádios foram feitas    por aficionadas, os senfilistas, com os seus próprios equipamentos (Reis, 2014,    p. 9).</p>      <p><a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title=""><sup>[22]</sup></a> De realçar a Comissão Coordenadora das Rádios    Livres Portuguesas, um grupo de pressão, que foi fundado após o I Encontro Nacional    na Junta de Freguesia de Canelas, em Vila Nova de Gaia, a 29 de maio de 1983    (Reis, 2014, p. 21).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title=""><sup>[23]</sup></a> É particularmente interessente analisar as semelhanças    do caso português e espanhol. Neste país, as rádios livres nasceram nos finais    da década de 1970, aproveitando o período da transição que se iniciou após o    falecimento de Francisco Franco, em 1975. Inicialmente o centro deste movimento    de rádios livres foi a Catalunha, que recebia mais facilmente as influências    dos movimentos alternativos franceses e italianos. Porém, depressa Madrid, na    década de 1980, se converteu no epicentro do movimento da rádio livre espanhola,    essencial para se compreender as lutas sociais nesse marco histórico. À semelhança    do caso português, em Espanha o final foi decretado por uma lei em tudo semelhante    à Lei da Rádio portuguesa: a <i>Ley de Ordenación de las Telecomunicaciones</i>,    de 1989.</p>      <p><a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title=""><sup>[24]</sup></a> <i>In</i> Guerra (1983, p. 24).</p>       <p><a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title=""><sup>[25]</sup></a> Os membros da rádio recusavam o epíteto de &ldquo;pirata&rdquo;:    &ldquo;Não curtimos o carisma de clandestinidade&rdquo; (in Mendes e Macedo, 1983, p.16).    De igual modo, o nome, que nada tem de inocente e que denota um claro desejo    de confronto, é proveniente de uma quinta de um dos fundadores em Vila Nova    da Gaia, chamada Caos.</p>       <p><a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title=""><sup>[26]</sup></a> Não nos foi possível identificar todos os membros    da Rádio Caos. Entre os vários membros encontramos Alberto e Luís Guimarães,    Alexandre Vieira, Alfredo Alexandrino, Alfredo Bastos Silva [Fritz], Alfredo    Leite, António da Silva Oliveira, António Salvador, Armando Queirós, Bernardino    Guimarães, Carlos Vieira, David Pontes, João Nuno, Marcelino Valente, Nuno Alaio,    Óscar Pinho, Ricardo Alexandre, Sandra Pereira e Davi Soldstein.</p>      <p><a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title=""><sup>[27]</sup></a> Um dos objetivos a médio prazo da rádio passaria    por &ldquo;gradualmente a ser uma rádio local, ligada ao imediato temporal e espacial    que nos envolve&rdquo; (Hermenegildo <i>in</i> Guerra, 1983, p. 24).</p>      <p><a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title=""><sup>[28]</sup></a> Devido ao seu ecletismo, a Rádio Caos não pode    ser associada a um determinado género ou influência musical. Entre vários programas,    o <i>Melografias</i>, em que se divulgava, de forma integral, praticamente todos    os géneros musicais, desde a música erudita até a musicalidades não-ocidentais.    De realçar os nomes iconoclastas dos vários programas: <i>Punhetas de Wagner</i>,    <i>Leite, Literatura e Assassinos</i>, <i>Os Cogumelos da Masmorra</i>, <i>Os    Binários do Planeta em Vigor</i>, <i>Chiu que o Pai está no Penico</i>, <i>Correspondência    Amorosa entre Salazar e Marilyn Monroe</i>, <i>Estudos 69, A Mafia das M</i><i>áscaras</i>,    <i>A Tampa do Lixo</i>, <i>Beijinhos e Abraços</i>, entre outros.</p>      <p><a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title=""><sup>[29]</sup></a> A rádio designava-se como &ldquo;Rádio Caos, Cooperativa    de Responsabilidade Limitada&rdquo; desde janeiro de 1985 e tinha como cooperantes    os seguintes cidadãos: José Manuel de Almeida Freitas Hyde, Alfredo Manuel Bastos    da Silva, Luísa Maria de Campos Ferreira Gomes, Alexandre Manuel Vieira da Silva    e Sousa, Bernardino Luís de Moura Machado Guimarães, Alfredo Alexandrino Pereira    Monteiro, Carlos Eugénio Vieira da Silva e Sousa, Joaquim António da Costa Ferraz,    Miguel Mendonça Ferreira, Vitor Manuel Peixoto Ferreira da Silva e António José    Ribeiro - todos residentes no concelho do Porto; António da Silva Oliveira,    residente no concelho de Vila Nova de Gaia; e Acílio de Sousa Castro, residente    no concelho de Gondomar.</p>       ]]></body><back>
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