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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>RECENSÃO</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Eatwell, R. and Goodwin, M.</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Populismo, a revolta contra a democracia liberal, Porto Salvo, Desassosego, 2019, 304 pp.</b></font></p>     <p>ISBN 9789898892454</p>     <p><b>Jo&atilde;o Carlos Sousa<sup>1</sup></b>    <br> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-5529-4849">https://orcid.org/0000-0002-5529-4849</a></p>     
<p><sup>1 </sup>CIES, ISCTE-IUL. Avenida das For&ccedil;as   Armadas, sala AA 1.38 - 1649-026 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:joao.carlos.sousa@iscte-iul.pt">joao.carlos.sousa@iscte-iul.pt</a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>A obra em apreço representa um substancial contributo para a efetiva compreensão do fenómeno sociocultural mais marcante do espectro político do início do século XXI. O trabalho conceptual em torno da noção de nacional-populismo tem a pertinência de a partir do debate contemporâneo sobre populismo, enfatizar as suas raízes socioculturais. Com esta opção, os autores colocam na equação analítica a singularidade que cada expressão populista tem em cada um dos países em que se observa.</p>      <p>A reflexão segue três grandes linhas de argumentação. O primeiro passa pelo desenvolvimento da tese dos &#8220;quatro D&#8221; através da qual identifica os principais epicentros de mudança sociopolítica que estão a montante do recrudescimento dos diversos movimentos populistas um pouco por todo o mundo, mas em particular nas democracias liberais ocidentais. Desta forma, os autores refletem sobre a base social de apoio e recrutamento dos diferentes movimentos nacionais-populistas que proliferam no cenário político ocidental. Em segundo lugar, o nacional-populismo não é um produto da crise política, nem o resultado da Grande Recessão, muito embora tenha sido exacerbado e expandido a partir destes dois factos políticos e económicos que marcaram a última década. Por último, o populismo veio fazer a crítica da própria democracia liberal. Por isso não é um fenómeno transitório, ele veio para ficar. Sendo um produto do desenvolvimento disfuncional da democracia liberal, não contesta a sua existência, mas critica-a.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos orgânicos, a obra está arquitetada em seis capítulo, mais a introdução e conclusões. A introdução serve fundamentalmente para exposição das raízes históricas e políticas do populismo, enquanto movimento crítico do <i>status-quo</i> nas sociedades hodiernas. Nela os autores identificam os dois eixos argumentativos que desenvolverão nos capítulos subsequentes. Por um lado, o modelo dos &#8220;quatro D&#8221;, por outro lado o perspetivar do populismo como um fenómeno sociopolítico que vai marcar a paisagem política nas próximas décadas.</p>      <p>No capítulo &#8220;Mitos&#8221;, os autores procuram expor e discutir as premissas que têm presidido ao debate encetado na esfera pública, sobre quem são os atores e apoiantes populistas. Algumas das ideias a &#8220;desmontar&#8221; são: (1) <i>a preponderância do ciclo de vida no apoio ao populismo</i>, mormente no ocidente, onde não se encontram apenas &#8220;velhos&#8221; brancos deserdados da globalização e com baixa escolaridade. Neste grupo podemos encontrar trabalhadores a tempo integral, conservadores, classe média, trabalhadores independentes, com médios e altos rendimentos e alguns jovens entre outras categorias sociais; (2) <i>heterogeneidade sociopolítica</i>, divergindo mediante a região ou país. No grupo de apoiantes podemos encontrar conservadores políticos, preservacionistas, antielitistas ou defensores do mercado livre; (3) <i>determinismo em torno do emprego e rendimento</i>, quando na verdade a edução formal tem um papel preponderante. Para encerrar a caracterização do atual debate público sobre populismo, os autores propõem o modelo dos &#8220;quatro D&#8221;: <i>desconfiança</i>, <i>despojamento</i>, <i>destruição</i> e <i>desalinhamento</i>. Estes constituem-se como os quatro eixos que orientarão a reflexão subsequente.</p>      <p>O capítulo &#8220;Promessas&#8221;, tem como finalidade a delimitação do objeto de estudo e subsequente conceptualização de populismo. A discussão inicia-se com a caracterização da discursividade populista, que passa por fazer uso de uma linguagem grosseira, comum, articulada com uma postura norteada pelas máximas &#8220;nós contra eles&#8221; e &#8220;o bem contra o mal&#8221;. Em termos programáticos apresentam um relativo défice, o que também confere a este tipo de ator político uma flexibilidade e maleabilidade incomuns no manuseamento de diferentes causas e o respetivo posicionamento. Entre os temas politizados pelos populistas, a imigração, o anti-elitismo e a corrupção são os mais frequentes, sendo que a ênfase em cada um destes é gerida mediante idiossincrasias nacionais e culturais. Os autores empreendem a aproximação ao conceito de populismo através do contraste analítico entre este tipo de movimento político e o fascismo, estabelecendo três eixos contrastantes: (1) vontade popular <i>vs</i> nação holística; (2) pessoas simples e vulgares <i>vs</i> novo homem; (3) elites corruptas e distantes <i>vs</i> uma terceira via autoritária. Rematam o capítulo respondendo de forma categórica que o populismo é distinto do fascismo, na medida em que os primeiros jogam e não questionam a democracia, apenas querem incrementar transformações nalgumas regras, ao passo que os fascistas propõem uma alternativa autoritária e não-democrática. Com efeito, permitem-se definir populismo nos seguintes termos &#8220;(&#8230;) ideologia de direito próprio, baseada em três vectores fulcrais: (1) tentativa de dar ouvidos ao popular e agir em conformidade; (2) o apelo de defender os interesses das pessoas simples e vulgares; (3) o desejo de substituir as elites corruptas e distantes (2019, p. 85). Na continuação assumem por nacionalismo a &#8220;(&#8230;) convicção de que fazemos parte de um grupo de pessoas que partilham um sentimento comum de história e identidade e que estão unidas por uma noção de missão ou projecto&#8221; (2019, p. 85). Conceptualizando nacional-populismo, conceito charneira para a restante obra.</p>      <p>O argumento que subjaz ao capítulo dedicado à &#8220;Desconfiança&#8221; postula que &#8220;(&#8230;) o nacional-populismo reflete, em parte, uma desconfiança das elites profundamente enraizada, que remonta a décadas, e que se espelha agora numa maré crescente de descontentamento público com o poder político instituído&#8221; (2019, pp. 92-93). Os regimes demoliberais têm revelado algumas insuficiências no cumprimento de três imperativos funcionais: (1) igualdade de expressão política; (2) sociedade tendencialmente justa economicamente; (3) melhor gestão do conflito social. Um quarto elemento diz respeito à emergência do &#8220;liberalismo de identidade&#8221;, potenciando a polarização social e política, plasmada por exemplo nas redes sociais digitais. Os autores concluem que embora desconfiados, a generalidade da base social de apoio populista é democrata.</p>      <p>A &#8220;Destruição&#8221; reporta-se, de forma muito sintética, ao impacto cultural que a intensificação da globalização acarretou ao nível dos fluxos migratórios. No fundo, trata de entender como as populações nativas percecionam a possível introdução de novos elementos culturais originários de diversas partes do mundo. A imigração, enquanto causa política tem sido politizada pela oferta populista. Em Portugal, a fragilidade do populismo deve-se precisamente à escassa politização desta questão por parte dos partidos políticos e dos <i>media</i>. Rematam concluindo que &#8220;desejar políticas de imigração mais rigorosas ou um menor número de imigrantes não é, em si, sinal de racismo&#8221; (2019, p. 149).</p>      <p>O terceiro &#8220;D&#8221; reporta-se à condição de &#8220;Despojamento&#8221; a qual &#8220;(&#8230;) envolve fortes receios no seio do público de o seu grupo estar a ser prejudicado em relação a outros elementos da sociedade, que para eles se acabou um mundo de prosperidade ascensão social, e com isso não apenas perderam a esperança como também o respeito&#8221; (2019, p. 164). Esta condição tem uma dupla componente: material e simbólica, decorrente do profundo processo de metamorfose social imprimido sobretudo pela globalização neoliberal. Do ponto de vista material, a transferência de milhões de posto de trabalho para países menos desenvolvidos, a diluição e desvalorização dos salários e prestações sociais pesam de forma decisiva. No plano simbólico, a perceção de diminuição do respeito, reconhecimento e estatuto social comparativamente a grupos sociais emergente, impactam diretamente no apoio populista.</p>      <p>O &#8220;Desalinhamento&#8221; sintetiza a ideia postulada pelos autores de que &#8220;estas mudanças reforçam o fosso entre liberais da classe média com formação universitária, os herdeiros da tradicional Nova Esquerda, e uma ampla aliança de conservadores tradicionais e brancos com licenciatura, que se mudaram em debandada para a contrarrevolução silenciosa&#8221; (2019, p. 207). O conceito de desalinhamento operacionaliza a crescente desvinculação cultural e política entre oferta e procura política. Portugal é entendido como um caso com vincado desalinhamento político, em face dos elevados níveis de abstenção. Esta asserção assume contornos premonitórios relativamente aos resultados das Legislativas de Outubro 2019.</p>      <p>Conclusões - a obra tem o seu centro gravitacional nas raízes culturais do populismo, nos mais diversos contextos em que se exprime. No final são elencadas três vias futuras de investigação, que resultam da intensificação dos &#8220;Quatro D&#8221;: (1) aumento das tensões políticas; (2) intensificação da mudança hiperétnica; (3) aprofundamento da perceção de despojamento relativo proporcionado pela automação da atividade industrial e económica. Finalmente, a premissa de que o populismo como fenómeno político com raízes culturais, veio para ficar, pautando a agenda política das democracias liberais das próximas décadas.</p>      <p>Os limites e linhas de investigação futura podem ser assim resumidos: </p>      <p>Conceito de cultura liberal - Eatwell e Goddwin (2019, p. 47) definem cultura liberal como &#8220;(&#8230;) uma mentalidade liberal em termos culturais que reforça a tolerância à diferença, é indiferente às hierarquias sociais e privilegia os direitos individuais em detrimento das identidades grupais&#8221;. Em termos taxonómicos dir-se-ia que este conceito é operacionalizado por duas dimensões: a imigração e os direitos da comunidade LGBT. Ao longo da obra os autores são exaustivos na apresentação de evidência empírica relativamente ao alinhamento político e eleitoral da população de diversos países sobre a imigração, distinguindo grupos sociais que partilham valores liberais, em oposição a categorias sociais não liberais, demonstrando o potencial político desta questão. Contudo, nota-se a ausência do mesmo processo de demonstração empírica sobre a questão LGBT e como esta permite distinguir diferentes grupos sociais e políticos mediante o eixo: liberal <i>vs</i> não liberal.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O &#8220;quinto D&#8221; de digitalização, dando guarida às profundas mudanças sociológicas neste domínio:</p>      <p>1º argumento - quebra do monopólio dos <i>media</i> tradicionais - É conhecida a seletividade e elitismo dos <i>media</i> tradicionais em Portugal (Salgado, 2019), tendência, aliás, extensível até mesmo à imprensa regional (Morais e Sousa, 2013). Este facto tornava o ecossistema mediático português praticamente imune a manifestações populistas, fosse de atores populistas, fosse através da discursividade dos <i>media</i>. Esta pautava-se pela difusão dos valores liberais, como os direitos LGBT ou dos imigrantes, aquilo que mais recentemente se veio a designar entre os meandros populistas de agenda do &#8220;politicamente correto&#8221;. Contudo, com a emergência dos novos <i>media</i> sociais, como o Facebook e o Twitter, assistiu-se a uma tendencial democratização na produção e difusão de conteúdos, o que veio a colocar em causa as regras taxitas no ecossistema mediático português e com isso o monopólio do agendamento noticioso e informativo.</p>      <p>2º argumento - comunicação não mediada - Concomitantemente ao ponto anterior,<b> </b>há relativo consenso, entre a literatura relevante (Judis, 2017; Mudde &amp; Kaltwasser, 2017; Müller, 2017) que o populismo nas suas diversas expressões tem como característica basilar a liderança forte e carismática. Beneficiando do incremento da comunicação direta e não mediada, contornando o enquadramento necessário que o trabalho jornalístico constrói, conseguindo deste modo chegar aos cidadãos e eleitores de forma não mediada, como acontece nos setores tradicionais de <i>media</i> como a imprensa escrita, rádio e televisão, que tantas vezes são os alvos principais dos ataques dos líderes populistas e dos seus movimentos ou partidos. Deste modo, o populismo tem na comunicação direta uma das suas principais &#8220;armas&#8221; ao fazer-se chegar a um público crescentemente diverso e heterogéneo, ao dispensar a mediação jornalística.</p>      <p>3º argumento - propaganda computacional - são crescentes e múltiplas, as suspeitas e alegações sobre possíveis interferências externas nalguns processos eleitorais, como na Índia (Gopalkrishnan, 2018), ou na China (Bolsover, 2017). O caso mais discutido foi a eleição presidencial de Donald Trump nos EUA em 2016, na qual existiu uso massivo de ferramenta de programação algorítmica (Benkler, Faris, Roberts, 2018), de modo a expor determinado tipo de conteúdos específicos a potenciais votantes e assim condicionar o sentido de voto. Estes factos dão corpo a uma tendência de interferência direta no sentido de voto das populações. </p>      <p>Na esteira da tradição weberiana, o tipo-ideal de populismo terá, em nosso entender, de contemplar toda a complexidade associada ao processo de digitalização das sociedades globais hodiernas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>     <!-- ref --><p>BENKLER, Y., FARIS, R., ROBERTS, H. (2018), <i>Network Propaganda: Manipulation, Disinformation, and Radicalization in American Politics</i>, Nova Iorque, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116725&pid=S0003-2573202000010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>BOLSOVER, G. (2017), &#8220;Computational propaganda in China: an alternative model of a widespread practice.&#8221; <i>In</i> S. Woolley, P.&#8197;N. Howard (Eds.), Working Paper, Oxford, UK, <i>Project on Computational Propaganda</i>. Disponível em: <a href="http://comprop.oii.ox.ac.uk/" target="_blank">http://comprop.oii.ox.ac.uk/</a>  [consultado em 12-12-2019].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116727&pid=S0003-2573202000010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>EATWELL, R., GOODWIN, M. (2019), <i>Populismo, A Revolta Contra a Democracia Liberal</i>, Porto Salvo, Desassosego.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116729&pid=S0003-2573202000010001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>GOPALKRISHNAN, S. (2018), &#8220;The Trump campaign computational propaganda challenge for the Indian parliamentary elections 2019&#8221;. <i>Media Watch</i>, IX (1), pp. 79-88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116731&pid=S0003-2573202000010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>JUDIS, J.&#8197;B. (2017), <i>A Explosão do Populismo</i>, Lisboa, Editorial Presença.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116733&pid=S0003-2573202000010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MORAIS, R., SOUSA, J.&#8197;C. (2013), &#8220;As práticas jornalísticas na imprensa regional: a selecção das fontes e a promoção de desigualdades sociais&#8221;. <i>Observatorio</i>, 7(1), 187-204. <a href="http://obs.obercom.pt/index.php/obs/article/viewFile/518/572" target="_blank">https://doi.org/10.7458/obs712013518</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116735&pid=S0003-2573202000010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MUDDE, C., KALTWASSER, C.&#8197;R. (2017), <i>Populismo: uma Brevíssima Introdução</i>, Lisboa, Gradiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116737&pid=S0003-2573202000010001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MÜLLER, J.&#8197;W. (2017), <i>O que é o Populismo?</i>, Alfragide, Texto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116739&pid=S0003-2573202000010001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>SALGADO, S. (2019), &#8220;Where&#8217;s populism? Online media and the diffusion of populist discourses and styles&#8221;. <i>Portugal European Political Science</i>, 18(1), pp. 53-65 <a href="https://doi.org/10.1057/s41304-017-0137-4" target="_blank">https://doi.org/10.1057/s41304-017-0137-4</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=116741&pid=S0003-2573202000010001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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