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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O território e a (ir)racionalidade da decisão]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper constitutes a critical review of the dynamic relationship between knowledge creation processes and their usage in the “information vs. validation of public policies” dichotomy. By focusing on the interaction between all types of agents involved in these processes, a holistic reflection is undertaken that seeks to inquire into the rationality behind these interactions and the way in which it influences the decision-making processes. The existence of a communicational bottleneck in the design and implementation of public policies is highlighted. In order both to tackle this problem and to catalyze a change in the way in which the relationship between knowledge and territory is perceived in Portugal, a case is made for institutional communication amplifiers.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Ce texte discute la relation dynamique liant les processus de production de connaissance et son utilisation dans la dicotomie information vs. validation de politiques publiques. En se fixant sur les multiples agents de cette connaissance, on s’engage à faire une réflexion holistique sur la rationalité qui soutient cet univers d’interaction et sur la façon dont elle influence les processus de décision. Finalement, on argumente la nécessité de créer des amplificateurs de communication institutionnelle pour débloquer cette situation et catalyser un changement dans la perception de la relation entre connaissance et territoire au Portugal.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O território e a (ir)racionalidade da decisão </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>João Morais Mourato<sup>[i]</sup></b></p>     <p>[i] The Bartlett School of Planning – University College London. E-mail: <a href="mailto:j.mourato@ucl.ac.uk">j.mourato@ucl.ac.uk</a>  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO – </b>Este texto é um revisitar crítico da relação dinâmica entre    os processos de criação de conhecimento e a sua utilização na dicotomia informação    <i>vs. </i>validação de políticas públicas. Com enfoque na interacção entre    os múltiplos agentes envolvidos na criação e utilização desse conhecimento reflectir-se-á,    holisticamente, sobre a racionalidade que sustenta este universo de interacções    e a forma como esta influencia os processos de tomada de decisão. Debater-se-á    a existência de um estrangulamento comunicacional entre os múltiplos agentes    de inovação e disseminação de conhecimento nos processos de elaboração e implementação    de políticas públicas. Finalmente argumenta-se a necessidade da criação de amplificadores    de comunicação institucional para desbloquear tal situação e catalisar uma mudança    na forma como é encarada a relação conhecimento e território no contexto Português.  </p>     <p><b><i>Palavras-chave</i></b><i>: </i>Conhecimento, poder, racionalidade, território.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Territory and the (ir)rationality of decision</b></p>     <p><b>ABSTRACT </b>– This paper constitutes a critical review of the dynamic relationship    between knowledge creation processes and their usage in the “information <i>vs.    </i>validation of public policies” dichotomy. By focusing on the interaction    between all types of agents involved in these processes, a holistic reflection    is undertaken that seeks to inquire into the rationality behind these interactions    and the way in which it influences the decision-making processes. The existence    of a communicational bottleneck in the design and implementation of public policies    is highlighted. In order both to tackle this problem and to catalyze a change    in the way in which the relationship between knowledge and territory is perceived    in Portugal, a case is made for institutional communication amplifiers. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Key words</i></b><i>: </i>Knowledge, power, rationality, territory. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Territoire et l’(ir)rationalité de la décision</b></p>     <p><b>RESUME – </b> Ce texte discute la relation dynamique liant les processus    de production de connaissance et son utilisation dans la dicotomie information    <i>vs. </i>validation de politiques publiques. En se fixant sur les multiples    agents de cette connaissance, on s’engage à faire une réflexion holistique sur    la rationalité qui soutient cet univers d’interaction et sur la façon dont elle    influence les processus de décision. Finalement, on argumente la nécessité de    créer des amplificateurs de communication institutionnelle pour débloquer cette    situation et catalyser un changement dans la perception de la relation entre    connaissance et territoire au Portugal. </p>     <p><b><i>Mots-clés: </i></b>Connaissance, pouvoir, rationalité, territoire. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>I. INTRODUÇÃO </p>     <p>O conhecimento é sinónimo de perspectiva de desenvolvimento socioeconómico    para o Portugal do século XXI. A “economia do conhecimento” e sua companhia    semântica, as políticas da inovação, pilares orientadores da Agenda de Lisboa,    são forte influência na corrente agenda de desenvolvimento territorial nacional.    Para Portugal, uma dinâmica evolutiva baseada no “conhecimento”, traduz contudo    um cenário à partida complexo. Não falta informação espelhando quer o deficit    de formação associado a parte da nossa população activa contemporânea quer a    falta de uma cultura de capitalização no “conhecimento”, que não nos é nem indígena    nem endógena. Sublinhe-se neste contexto que, apesar dos crescentes casos de    sucesso e da ininterrupta dinamização de iniciativas especificamente direccionadas    para o efeito desde os anos 90, o princípio da optimização e comercialização    do “conhecimento” demora a generalizar-se na dinâmica organizacional/empresarial    em Portugal. Estimular um posicionamento diferenciador na “economia do conhecimento”    (independentemente do sector específico de actividade) depende fortemente da    reflexão sobre a melhor forma de catalisar este tipo de mudança face à criação    e utilização do conhecimento, mudança esta que é, na sua mais crua essência,    de natureza “cultural”<a style='mso-endnote-id:edn2' href="#_edn2" name="_ednref2" title="">[ii]</a>. </p>     <p>Os desafios associados ao futuro do planeamento e ordenamento do território<a style='mso-endnote-id:edn3' href="#_edn3" name="_ednref3" title="">[iii]</a><sup> </sup>são, em larga medida,    de natureza similar aos provocados pela economia do conhecimento. O conhecimento    está no cerne da próxima década de evolução do sistema de planeamento e ordenamento    do território português; seja (1) no processo de <i>formação </i>e <i>informação    </i>dos agentes que o dinamizam e regulam, (2) na necessidade de assegurar um    <i>conhecimento transparente </i>sobre o seu funcionamento (3) na evolução da    forma como <i>gerimos, disponibilizamos e capitalizamos o conhecimento </i>que    criamos sobre o território nacional, ou ainda (4) na <i>utilização que o cidadão    faz do conhecimento </i>que lhe é disponibilizado sobre o território que ocupa.  </p>     <p>Em suma, este texto centra-se na premissa de que é pertinente o revisitar do    debate sobre a forma como se dá, em Portugal, a relação entre conhecimento e    território. Nesse sentido este texto estruturar-se-á em três partes. Primeiro,    argumentar-se-á sobre a existência de um ciclo discursivo/operativo interligando    a criação de conhecimento, sua influência na evolução conceptual em políticas    públicas e a mudança cultural/organizacional/cívica que daí poderá advir. Segundo,    debater-se-á a(s) racionalidade(s) que suporta(m) a utilização desse mesmo conhecimento    na informação e validação dos processos de tomada de decisão pública. Terceiro    explorar-se-á a hipótese da existência de um estrangulamento comunicativo entre    diferentes níveis de decisão, ou diferentes arenas políticas, como obstáculo    ao efeito dinamizador do conhecimento na evolução e optimização do ciclo discursivo/operativo    acima referido. Finalmente, concluir-se-á hipoteticamente sobre os possíveis    efeitos de uma mudança na forma como é encarada a relação entre conhecimento    e território. Embora este seja um texto na sua essência teórico, onde se enceta    um exercício de sistematização conceptual, recorre-se pontualmente a exemplos    empíricos para efeitos ilustrativos. Largamente baseados no caso do Reino Unido,    estes permitem traçar raciocínios paralelos úteis para a exploração não só do    tema do texto em si, como também para equacionar possíveis cenários evolutivos    da cultura organizacional portuguesa. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>II. ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL </p>     <blockquote>        <p>“The creation of knowledge in social networks is a key characteristic of      the dynamics of culture<a style='mso-endnote-id:edn4' href="#_edn4" name="_ednref4" title="">[iv]</a>”.    </p>       <blockquote>         <p>(Capra, 2003:88) </p>   </blockquote> </blockquote>     <p>Em Portugal, independentemente dos “conflitos” inter e intra disciplinas/corporações    profissionais sobre a detenção da autoridade científica/profissional sobre certos    “sectores de conhecimento”, há sem dúvida uma “cultura” de interpretação/sustentação    científica da nossa interacção socioeconómica com o território. O ponto de partida    é o pensar em possíveis cenários evolutivos dessa “cultura”. À partida discutir    “conhecimento” requer o assumir de todo um universo de interacções entre agentes    criadores, dinamizadores, supressores, influenciadores e utilizadores desse    mesmo conhecimento. Um sistema de planeamento e ordenamento do território é    um palco político/organizacional onde é lógico reflectir sobre estas interacções.    Como ponto de partida, e numa leitura estruturalmente simplificada, o seguinte    diagrama (fig. 1) introduz o que se propõe denominar, para efeitos de discussão,    como o ciclo discursivo/operativo do sistema. Este ciclo resulta do processo    de inovação conceptual, perpetuação, gestão e circulação de conhecimento que    suporta o funcionamento e evolução desse mesmo sistema.</p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/fin/n88/n88a09f1.jpg" width="511" height="383"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topf1">Fig. 1</a> – Ciclo Discursivo/Operativo.</p>     <p><i><a href="#topf1">Fig.1</a> – Discursive/Operative Cycle.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O ponto focal de análise proposto é o entender como o conhecimento inserido    no sistema influencia as alterações comportamentais dos actores e instituições    nele envolvidos, dos políticos que o regulamentam e dos cidadãos que o utilizam.    Por outras palavras, mais do que as especificidades técnicas do conhecimento    em si, o que se visa analisar é o seu posicionamento, transformação e natureza    de interacções no ciclo discursivo/operativo acima referido. A título de exemplo,    não é relevante qual o fundamento racional da noção de “policentrismo” como    modelo de desenvolvimento territorial. Relevante, neste contexto, é sim, debater    e perceber como o conceito de “policentrismo” é introduzido no sistema, como    é influenciado, aceite ou deturpado pelo discurso político, políticas e legislação    nacionais, como é discursivamente verbalizado por instituições e comunidade    profissional e, finalmente, como é apropriado, se de facto o é, pelos decisores    locais e cidadãos. Por outras palavras, são os mecanismos que suportam a transição    da teoria à prática. </p>     <p>Ao exemplo do policentrismo podem ser facilmente adicionados outros (democracia    deliberativa, governança, participação, sustentabilidade, regeneração, justiça    social, etc.). A <i>riqueza </i>semântica propagada pela multidisciplinaridade    científica e transversalidade disciplinar que os estudos do território crescentemente    incorporam é terreno fértil para discutir a forma como a apropriação e deturpação    conceptual convivem, por vezes, lado a lado dentro do sistema. </p>     <p>Sublinhe-se na leitura do diagrama (fig. 1): </p>     <p><i>– a multiplicidade de dinâmicas de influência catalisadoras de mudança ou    inovação conceptual, quer externas quer internas ao sistema</i>. De naturezas    potencialmente diversas, estas determinam em larga medida o que é considerado    como conhecimento, a codificação desse conhecimento assim como quem participa    na sua formação e introdução no ciclo discursivo/operativo e consequentemente    no sistema; </p>     <p><i>– a inexistência de agentes exclusivamente catalisadores ou meramente reactivos</i>.    De facto, inovação e mudança conceptual podem tanto ter origem num ponto específico    do sistema, como resultar da interacção entre diferentes “partes” do mesmo.    O mais comum será de facto encontrarem-se múltiplas dinâmicas sobrepostas. Pese    embora os estrangulamentos comunicacionais existentes (Ferrão, 2007), políticos,    políticas, legislação, instituições e comunidade profissional constituem uma    rede interdependente de influências mútuas, tornando muito complexa, senão impossível,    a dissociação de um qualquer destes elementos do seu enquadramento funcional.    Recordemos, a este propósito, uma variedade de abordagens sociológicas que procura    interpretar esta mesma interdependência em outros contextos; assim, se no diagrama    substituíssemos a palavra conhecimento pela palavra sociedade e se pensássemos    no conceito de Agência de Giddens (1986), de Poder de Foucault (1991) ou Flyvbjerg    (1998), da teorização da Prática de Bourdieu (1992), do Novo Institucionalismo    de Powell e Di Maggio (1991) todos avançariam em larga medida interpretações    das “lógicas” de articulação entre os elementos do aqui denominado ciclo discursivo/operativo.  </p>     <p><i>– a noção de que a apropriação do conhecimento inerente ao funcionamento    do sistema por parte dos cidadãos a quem o sistema “em teoria” serve é </i><u>condição    sine qua non </u><i>para a optimização da interacção cidadão/sistema</i>. Será    consensual assumir que é difícil, senão mesmo impossível, identificarmo-nos    com aquilo que não conhecemos. Paralelamente, nem sempre se explicando porquê,    generalizou-se nos discursos críticos ao sistema de ordenamento e planeamento    do território a necessidade do reforço da interligação entre cidadão e território    como uma dimensão significativa do exercício de cidadania. Se concordarmos com    tal premissa, sai então reforçado o papel do conhecimento como veículo de apropriação    dos valores culturais associados com a perspectiva de sociedade que almejamos    e, consequentemente, com a fundamentação da identidade territorial dessa mesma    sociedade ou, como sugere Fainstein (1996:27), mais do que a economia é a cultura    que constitui a raiz da identidade. </p>     <p><i>– a ideia de que estes ciclos são ininterruptos</i>, de que a mudança é    algo incremental e, por vezes, não linear, permitem assumir que diferentes “partes”    do sistema podem vir a ter papéis diferentes, consoante a fase de apropriação    de um determinado conceito. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, uma questão é a estrutura do sistema, outra é o seu funcionamento,    ou seja, é possível saber que “peças” existem no sistema e não perceber como    elas interagem. O diagrama anterior (<a name="topf1"></a><a href="#f1">fig.    1</a>) sugere uma matriz de interacção entre conhecimento e os restantes elementos    do ciclo discursivo e operativo do sistema. A questão que se segue será a de    reflectir, mais em pormenor, sobre as características e condicionantes que caracterizam    a forma como o conhecimento influencia o sistema, se de facto o faz. </p>     <blockquote>       <p><i>Ciclo racional/ideal </i>versus <i>ciclo real </i></p> </blockquote>     <p>Sugere-se, como ponto de partida, um <i>diagrama-hipótese </i>(fig. 2) que    propõe, para efeitos de discussão, “um” ciclo de evolução conceptual em políticas    públicas: </p>     <p>De certo modo, a interpretação da evolução conceptual do sistema transparece    como um processo de aprendizagem de uma nova linguagem ou código comunicacional.    Dentro de uma multiplicidade de leituras possíveis sugere-se a interpretação    deste ciclo de mudança em três fases: </p>     <blockquote>       <p>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Catalizar: <i>Inovação </i>e      <i>Adaptacão </i>(fig. 2) associam-se, neste contexto, à introdução no sistema      de um estímulo à potencial mudança do mesmo. O impacto que este estímulo terá      depende muito do equilíbrio relacional entre as influências e obstáculos que      condicionam o processo de formulação e implementação de políticas públicas.    </p>       <p>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Operacionalizar: <i>Capacitação</i>,      <i>Monitorização</i>/<i>Avaliação</i>. Metaforicamente, poder-se-á resumir      que se trata da construção da arquitectura operacional do(s) conceito(s) que      se visa(m) introduzir. </p>       <p>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mudar Culturalmente: <i>Interacção      </i>e <i>Apropriação </i>são, em larga medida, os resultados práticos dos      catalizadores e do processo operacionalizante acima referidos ao nível da      socialização e mudança comportamental dos actores. Não será, contudo, imediato      determinar quando se dá, se de facto se dá, a apropriação cultural dos conceitos      introduzidos. </p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/fin/n88/n88a09f2.jpg" width="490" height="373"></p>     
<p>Fig. 2 – Evolução conceptual em políticas públicas – diagrama-hipótese.</p>     <p><i>Fig. 2 – Conceptual evolution in public policies – hypothetical diagram.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Contudo, a projecção acima apresentada deste ciclo de evolução conceptual assemelha-se,    em larga medida, a um modelo estritamente racional e linear de criação de políticas    públicas (Goss, 2001). Por outras palavras, representa um processo aparentemente    ordeiro, com uma sequência lógica de passos que na sua totalidade servem o propósito    final, neste caso a apropriação cultural efectiva. Este dispor <i>ideal </i>das    peças constituintes do processo em causa encontra-se longe do processo <i>real    </i>em que se dá, de facto, a apropriação cultural. Logo, para que se entenda    a forma como o processo de apropriação, ele próprio, pode acarretar uma influência    modeladora sobre o conhecimento em si, introduz-se agora uma possível interpretação    <i>real </i>do ambiente em que o referido processo toma lugar. (fig. 3) </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f3"></a></p>     <p><img src="/img/revistas/fin/n88/n88a09f3.jpg" width="597" height="277"></p>     
<p><a href="#topf3">Fig. 3</a> – Sistema real (adaptado de Goss, 2001).</p>     <p><i><a href="#topf3">Fig. 3</a> – Real system (adapted from Goss, 2001).</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A percepção do funcionamento <i>real </i>do sistema ilustra as limitações inerentes    ao debate dos ciclos racionais de implementação de políticas públicas, ou da    evolução conceptual das mesmas. O diagrama permite um leque variado de leituras,    explicações e justificações, consoante o ponto que se escolha como “âncora”    de raciocínio. Na lógica deste texto exploremos no sistema <i>real </i>(fig.    3) a questão da ausência de inovação. No seu sentido mais imediato (independentemente    do sector específico de actividade) a inovação pode entender-se como a acção    de operacionalização de um conjunto de regras e procedimentos distintos daqueles    correntemente existentes, aos quais é associada, uma expectativa “instrumental”    na resolução de problemas previamente diagnosticados. Instrumental no seu delinear,    o papel do “conhecimento”, como catalisador de mudança, é central à noção de    inovação. Faça-se contudo uma ressalva importante. O “conhecimento” que aqui    se discute não tem de ser, forçosamente, conhecimento “novo”. Conforme sublinhava    Schumpeter, por vezes, este existe já no sistema; o que é inovador é a forma    como ele passa a ser encarado e utilizado. Reflictamos então, em pormenor, sobre    a origem e utilização do “conhecimento” no processo de criação e informação    de políticas públicas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>III. QUE CONHECIMENTO PARA QUE PLANEAMENTO? </p>     <p><b>1. “Conhecimento” e Políticas Públicas </b></p>     <blockquote>        <p>“It is a matter of borrowing and copying bits and pieces of ideas from elsewhere,      drawing upon and amending locally tried and tested approaches, cannibalising      theories, research trends and fashions and not infrequently flailing around      for anything at all that looks as if it might work. Most policies are ramshackle,      compromise hit-and-miss affairs, that are reworked, tinkered with, nuanced      and inflected through a complex process of influence, text production, dissemination      and, ultimately, recreation in contexts of practice<a style='mso-endnote-id:edn5' href="#_edn5" name="_ednref5" title="">[v]</a>”. </p>       <blockquote>         <p>(Ball, 1998:126) </p>   </blockquote> </blockquote>     <p>A visão de Ball sobre o processo de criação e informação de políticas públicas    provoca no mínimo, reflexão. A génese de uma política pública, tal como “todos    os tópicos complexos, parece dissimuladamente simples à primeira vista” (Healy,    2002: 97). A multiplicidade de factores que tal processo envolve e a relação    por vezes pouco clara entre conhecimento, política e poder, podem estar na raiz    desta complexidade. Para efeitos de raciocínio, sistematize-se “a utilização    do conhecimento”, na dicotomia <i>forma vs. função. </i>Embora fosse válido    discutir a existência de uma dinâmica mutuamente influenciadora nesta dicotomia,    centre-se a discussão no <i>para que </i>servirá o conhecimento criado (<i>função</i>)    reservando-se para outro momento o debate sobre <i>como </i>servirá (<i>forma</i>).    Em primeira instância, a essência da utilização do conhecimento na elaboração    de políticas públicas está intimamente ligada à questão da <i>validação </i>política    da sua existência. É sobre a racionalidade que assiste a esta <i>validação </i>que    a presente secção se centrará. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As fundações da articulação entre a criação de conhecimento e a elaboração    de políticas públicas no campo do planeamento e ordenamento do território são    contemporâneas dos primeiros passos na construção dos sistemas de gestão territorial    modernos no espaço Europeu. A título de exemplo, exploremos a evolução testemunhada    no Reino Unido: neste contexto, em Londres, é uma referência histórica o diagnóstico    dos problemas sociais da cidade levado a cabo por Charles Booth em 1887, diagnóstico    este que veio a informar as leis da saúde pública e da habitação no final do    século XIX, antecessoras do <i>Town and Country Planning Act </i>de 1947. A    lógica “diagnóstico-pré-plano”, o aforismo de Patrick Geddes “survey before    plan” (Hall, 2002: 147) veio marcar fortemente décadas de evolução do sistema    inglês e não só. Contudo, o enfoque deste tipo de análise informativa dava-se    essencialmente nos aspectos físicos das cidades e regiões (Davoudi, 2006: 16)    e não escondia algumas limitações que estariam, mais tarde, no centro do processo    evolutivo do sistema de planeamento em si. Destas, sublinhemos três (Taylor,    1998: 66): </p>     <blockquote>       <p>– Não era sempre clara a razão da necessidade do diagnóstico, ou por outras      palavras, nem sempre se debatia a definição do problema antes da recolha de      informação. Os objectivos dos “planos” não estavam intuitivamente nas mãos      dos políticos mas sim dos planeadores, que eram vistos como os peritos, apolíticos,      guardiões do interesse público. Tal facto marca este período com percepções      de cariz fortemente ideológico e mesmo visionário do que “deveria” ser a forma      e ordem territorial e urbana ou, por outras palavras, não se planeava <i>com      </i>a realidade planeava-se <i>uma </i>realidade onde tudo seria devidamente      acomodado. </p>       <p>– O método Geddesiano baseava-se mais no conceito de plano único, ao invés      de uma série de estratégias alternativas. </p>       <p>– Adicionalmente tomava-se como findo o processo de planeamento com a execução      do plano propriamente dito. De facto, durante largas décadas a noção de actualização      de conteúdos e monitorização do processo de implementação foi estranha ao      planeamento e ordenamento do território no Reino Unido. </p> </blockquote>     <p>Contudo, durante a década de 50, foi incutido incrementalmente no “planeamento”    um carácter cada vez mais multidisciplinar, fomentado em larga medida pelo relatório    Schuster de 1948, que advogava a inclusão das ciências sociais no ensino do    “planeamento” e a abertura da profissão de “planeador” a economistas, sociólogos    e geógrafos (Davoudi, 2006: 17). Muito devido a estes últimos o “planeamento”    viu-se exposto à lógica positivista, fomentada em larga medida pelas teorias    de localização de Christaller, que propunha que o plano se devia basear-se,    não somente em diagnósticos convenientemente mapeados, mas no desenvolvimento    de hipóteses ou modelos de distribuição espacial que se poderiam testar ou comparar    com a realidade e, consequentemente, reflectir sobre a sua validade. Este incorporar    do método científico Popperiano na estrutura racional de acção do “planeamento”    catalisou a revolução quantitativa que veio a eclodir nos anos 60 e 70. Esta    mudança de paradigma caracterizou-se em traços gerais pela abordagem crescentemente    sistémica das múltiplas dinâmicas existentes no território e pelo reforçar da    validade do “planeamento” como um processo racional de tomada de decisão. </p>     <p>Em termos teóricos, tal traduziu-se na formação da dicotomia entre a teoria    do planeamento substantivo, com enfoque no objecto, e a teoria do planeamento    processual, com enfoque no próprio processo de planear (Faludi, 1973). A noção    de sistema e sua correspondente teorização, com o rigor científico que lhe era    associado, catapultou gradualmente a percepção do planeamento de “arte” para    “ciência” fortalecendo a “fé na utilização da ciência na formulação de políticas    públicas, não só como aplicação prática dos resultados da investigação científica,    mas também em relação ao processo de formulação de políticas em si” (Taylor,    1998: 69). Neste contexto, o “planeador” seria um técnico qualificado que aconselharia    o decisor político sobre as melhores formas de acção. Contudo, à medida que    esta metodologia de sustentação científica à decisão ia sendo exposta a análise,    compreendeu-se que o processo racional <i>ideal </i>de como as decisões “deveriam”    ser tomadas dificilmente se comparava com a <i>real </i>forma incremental estando,    por vezes, desarticulado com as decisões que eram de facto alcançadas (Lindblom,    1959). É exactamente esta discussão sobre a forma <i>ideal </i>e <i>real </i>de    articular criação de conhecimento e tomada de decisão que se sugere revisitar    de seguida. </p>     <p><b>2. Decisão <i>Ideal vs. </i>Decisão <i>Real</i>? </b></p>     <blockquote>        <p>“There is nothing a government hates more than to be well-informed: for it      makes the process of arriving at decisions much more complicated and difficult”<a style='mso-endnote-id:edn6' href="#_edn6" name="_ednref6" title="">[vi]</a>. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>         <p>(John Maynard Keynes) </p>   </blockquote> </blockquote>     <p>O decisor político, num regime democrático estável e com relativa transparência    funcional, está crescentemente em cheque. Com o início do século XXI testemunha-se    uma reforma contínua dos meios de comunicação em muito resultante da generalização    do uso das novas tecnologias e consequente celeridade de actualização e divulgação    de informação em larga escala. Tal facto, poder-se-á argumentar, “força” um    aumento da transparência processual e justificativa ao nível da decisão governamental.    Paralelamente, o número de actores directa e indirectamente envolvidos nos processos    de decisão tende também a aumentar. Estes dois factores, em conjunto, muito    contribuem, ou poderão contribuir, para um multiplicar das formas de escrutínio    contínuo da “decisão” política por parte dos <i>media </i>e da sociedade civil    em geral. Não querendo debater a validade e as implicações éticas de todas estas    formas de observação não se pode deixar de concordar que este enquadramento    catalisa uma dinâmica crescente ao nível governamental para se solidificarem    decisões políticas numa fundamentação de cariz científico. Assim, a par dos    “profissionais (que) procuram evidências para justificar o seu conselho aos    políticos, os políticos procuram evidências que suportem as políticas que eles    desejam implementar” (Healy, 2002: 98) ou, dirão os mais pragmáticos, fazer    parecer que assim o é. </p>     <p>Esta necessidade de validação pode, à partida, aliciar o decisor político a    ter uma visão meramente linear e instrumental do que é, exactamente, a investigação    e criação de conhecimento no processo de elaboração de políticas públicas. Tal    facto pode promover a desarticulação entre o conhecimento <i>real </i>e <i>ideal    </i>e gerar formas distintas de gestão da relação entre conhecimento e decisão    (Davoudi, 2006:14), o que nos remete para a <i>inevitável questão do Poder </i>(Flyvbjerg,    2002: 353). </p>     <p>Academicamente, e ao contrário da ciência política ou da sociologia, o planeamento,    como arena de acção sóciopolítica que é, não tem ainda um corpo central de estudos    sobre as relações de Poder que incorpora. Friedmann (1987) sublinha a <i>nossa    ambivalência sobre o Poder</i>, onde por vezes ao invés de debatermos o Poder    no contexto do que <i>real</i>mente acontece na prática remetemo-nos para uma    discussão <i>ad eternum </i>sobre o que normativamente e <i>ideal</i>mente deveria    acontecer. Este debate não é recente; para além de Flyvbjerg (1998), Hajer (1995)    ou Jensen e Richardson (2000) também a escola de Planeamento Comunicacional    de Forrester (1989) e Healey (1997) abordam a questão do Poder. No entanto,    é possível argumentar que a racionalidade comunicativa, como Habermas a pensou,    sustentada por estes últimos autores segue uma tendência demasiado “normativa    e processual sem um entendimento substancial da Realpolitik e real racionalidade”    (Flyvbjerg, 1998) inerente a estes processos. Para uma leitura mais descodificada    deste debate, o que se sugere, em seguida, é uma breve narrativa interpretativa    do que se passou, na primeira década do século XXI, no Reino Unido. </p>     <p><b>3. Instrumentalizar o conhecimento </b></p>     <blockquote>        <p>“This Government expects more of policy-makers. More new ideas, more willingness      to question inherited ways of doing things, better use of evidence and research      in policymaking and better focus on policies that will deliver long term goals.”<a style='mso-endnote-id:edn7' href="#_edn7" name="_ednref7" title="">[vii]</a><sup>      </sup></p>       <blockquote>         <p>(Cabinet Office, 1999) </p>   </blockquote> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a chegada ao poder, em 1997, do <i>New Labour </i>de Tony Blair, iniciou-se    um ciclo de mudança na relação entre a criação de conhecimento e a informação    de políticas públicas. Contrastando com o que se passava, e passa ainda, nos    Estados Unidos da América, onde as “políticas públicas têm sido concebidas,    debatidas e avaliadas através das lentes das (diferentes) ideologias” (Urban    Institute, 2003: 1), no Reino Unido ganhou peso o denominado “evidence-based    planning”. Tal, segundo Davoudi, traduziu-se em termos práticos, no final dos    anos 90, num aumento significativo em termos de orçamentos e efectivos dedicados    à investigação a todos os níveis governamentais. Paralelamente, ao nível do    espaço comunitário Europeu, a Comissão Europeia, talvez como forma de reforço    e validação do seu peso político perante o conjunto dos Estados-membros, mostrou-se,    ela também, receptiva a semelhante abordagem. Tal traduziu-se, não na criação    do <i>European Spatial Planning Observator</i>y Network (ESPON), com enfoque    na investigação sobre as políticas públicas com impactos territoriais como,    de uma forma geral, pelo sublinhar, no seu White Paper on Governance, que “ciência    e peritos desempenham um papel incrementalmente significativo na preparação    e monitorização de decisões” (CEC, 2001: 428). </p>     <p>Para melhor compreender este ciclo de mudança, exploremos a estrutura racional    por detrás de tal abordagem no Reino Unido, exemplo na sua essência semelhante    ao cenário contemporâneo português. Solesbury (2002) avança duas interpretações    distintas: por um lado, o objectivo por parte do <i>New Labour </i>de fomentar    um cariz mais pragmático no seu modelo de governação, ao invés de um posicionamento    mais ideológico, reflectindo assim uma mudança na natureza do fazer Política    em si que se verifica por todo o espaço político Europeu contemporâneo. Por    outro lado, tal abordagem reflectia a relação conhecimento-poder que o <i>New    Labour </i>desejava impor, sublinhando a relação <i>novo poder/nova agenda/novo    conhecimento</i>, validando os políticos do executivo governamental que queriam    desafiar as influências “entrincheiradas”, nomeadamente ao nível dos quadros    da administração do Estado. Tal traduzia a suspeita de “influências exercidas    sobre a formulação de políticas, particularmente dentro do Civil Service e a    intenção de abrir a criação de políticas a elementos externos à administração”    (Solesbury, 2002: 93). </p>     <p>Analisando criticamente esta interpretação, Davoudi (2006: 14) nota que, embora    traduza, numa primeira análise, a máxima de Francis Bacon <i>knowledge is power</i>,    (conhecimento é Poder), não deixa de sugerir que o oposto, <i>power is knowledge    </i>(Poder é conhecimento), é também verdade pois, como enuncia Foucault, o    Poder <i>produz </i>conhecimento, nomeadamente quando “o Poder determina o que    conta como conhecimento” (Flyvbjerg, 1998:226). Ora, assumindo que as “políticas    públicas são desenvolvidas e implementadas através do uso do Poder” (Solesbury,    2002: 95), que o “conhecimento cuidadosamente «manuseado»” é ainda mais poderoso    (Healy, 2002: 98) e que “o conhecimento está sujeito a corrupção tanto quanto    outras fontes de poder” (Solesbury, 2002: 95), resta-nos perguntar que tipo    de conhecimento será este, que real validade terá? </p>     <blockquote>       <p><i>What matters is what works! </i><i>O que importa é o que funciona! </i></p> </blockquote>     <p>Numa primeira leitura há um fundamento lógico neste “chavão” político britânico    do final dos anos 90, que impele intuitivamente a concordar com o mesmo: O conhecimento    <i>real </i>parte da suposição que a relação entre informação recolhida e o    processo de elaboração da política pública é, toda ela, um processo linear,    directo, estanque a influências externas e livre de problemas. Neste contexto,    da intitulada investigação aplicada, assume-se que, ou a investigação <i>dirige    </i>a formação de políticas públicas ou, alternativamente, que a investigação    <i>segue </i>a formação de políticas públicas (Davoudi, 2006: 15). Contudo,    uma segunda leitura, mais em pormenor, sublinha as limitações desta abordagem,    algo determinística, ao excluir da discussão, por exemplo, “o que funciona para    quem, e em que circunstâncias” no processo de formação de políticas públicas    (Leicester, 2002). É, aqui, nesta perspectiva de ciclo de influência fechado,    que se revela a fragilidade desta abordagem, pois, como identifica Weiss (1977),    esta é uma fórmula altamente selectiva, se não mesmo oportunista, em que, por    exemplo, as áreas temáticas que não são identificadas como um “problema” pelos    decisores políticos não são alvo de processos de recolha exploratória de informação.    É nesta “lacuna” que habita a filosofia do tipo <i>ideal </i>de conhecimento.  </p>     <p>Este tipo de conhecimento caracteriza-se por explorar um tipo de influência    na criação de políticas públicas que se materializa em benefícios por vezes    menos directos, estruturados em larga medida, numa lógica temporal de médio    e longo prazo. A sua ênfase, como descreve Davoudi (2006: 16), não é a fundamentação    científica de “chavões” políticos mas sim a criação de uma plataforma holística    de entendimento das condicionantes que regem determinada temática. Ou seja,    é necessário expandir a natureza da investigação em si. Tal poderá ser atingido    promovendo o carácter descritivo, analítico, diagnóstico, teórico e prescritivo    que a investigação poderá ter (Solesbury, 2002: 94), para além de uma simples    utilização de carácter avaliativo. Até porque, à questão da avaliação estão    associadas uma série de fragilidades. Note-se que, “por vezes, a avaliação é    uma das obrigações associadas à colocação das políticas públicas em prática,    não um desejo de aprendizagem e melhoramento e não raramente a avaliação é vista    como um meio de justificar decisões após o evento” (Healy, 2002: 98). Assim,    neste contexto o que se argumenta é que o processo de investigação e criação    de conhecimento deverá servir não exclusivamente como ferramenta de resolução    de problemas <i>per se </i>mas como uma contribuição para um discurso informado    (Shulock, 1999: 241). Tal propósito remete-nos para uma variável imprescindível    para que o mesmo se forme: o investigador ele próprio. </p>     <p><b>4. Os bastidores do conhecimento </b></p>     <p>Em termos gerais, o modelo de financiamento e a estrutura académica da investigação    em Portugal difere actualmente do Reino Unido; contudo, há um potencial paralelismo    futuro que torna pertinente perceber o que mudou no perfil e na forma de acção    do investigador social britânico. A crescente orientação “utilitária” dos principais    financiadores teve como efeito colateral um crescente pragmatismo na atitude    dos investigadores, um <i>desejo não somente de observar, mas de interagir com    a sociedade </i>(Solesbury, 2002: 91); em particular refira-se o compromisso    de tornar a investigação não só <i>útil como utilizável </i>(<i>idem.</i>).    Tal fez a comunidade científica reflectir não só sobre a criação, mas também    sobre a disseminação de informação como forma de maximizar a sua “utilização”;    assim, a “disseminação do conhecimento é agora vista como sendo tão importante    como a sua própria génese” (Healy, 2002: 98). Pese embora esta pressão, “inquéritos    nacionais reflectem um declínio generalizado na confiança que o público tem    nos cientistas” (Bloom e Weisberg, 2007). </p>     <p>De facto, as comunidades científicas, tradicionalmente organizadas como uma    estrutura clerical baseada na fé inquestionável dos seus seguidores, estão,    elas também, crescentemente em cheque. A evolução social resultante do crescente    acesso à formação e à informação fomenta uma geração de “utilizadores” mais    críticos, capazes de um escrutínio mais eficaz da informação produzida. A mudança    do enquadramento em que se produz ciência, e das características do público    para quem se produz ciência, incute gradualmente uma nova forma de articulação    de múltiplos tipos de conhecimento. Ao mais tradicional <i>Know How </i>(a experiência    prática do que funciona) adicionaram-se o <i>Know What </i>(o estado do Mundo    comparativamente à temática em causa), o <i>Know Why </i>(causas e explicações)    e finalmente o <i>Know Who </i>(contactos e redes) (Solesbury; 2002: 92). A    própria noção de <i>fonte </i>de conhecimento tende a ser crescentemente questionada    – repare-se a este propósito na expressão anteriormente introduzida, <i>evidence-based    planning. </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>Oxford English Dictionary </i>(OED, 1998) identifica <i>evidence </i>como    o corpo de factos ou informação disponíveis, indicando se uma pressuposição    ou credo é verdadeiro ou válido. Há aqui uma pista interessante, pois não se    trata somente da questão da validade da informação, mas também da sua disponibilidade.    Se perguntássemos a um profissional da área do planeamento e ordenamento do    território quais as suas fontes de informação no contexto da sua actividade,    obteríamos, sem dúvida, uma diversidade de respostas. Uma série de profissionais    com uma série de fontes diversas pode constituir, à partida, um ambiente criativo    do ponto de vista da génese de conhecimento <i>in house</i>; no entanto, um    ambiente profissional em que a proveniência da informação que circula nem sempre    é identificável, pode incorrer, com óbvio perigo, no lugar comum convencionado    do “toda a gente sabe que…” cimentando a inclusão de informação por vezes errónea    no sistema. </p>     <p>Adicionalmente, existe o problema da natureza do conhecimento dos círculos    profissionais que se estende muito para além do que é explícito, situando-se    tacitamente na cabeça de uma série de “investigadores” que desenvolvem a sua    carreira, por exemplo, como funcionários públicos afectos a corpos institucionais    cuja função principal não é a investigação. Este conhecimento perde-se, por    vezes, entre processos de reforma profissional ou transferência destes “investigadores”.    Todo este debate é, contudo, estéril quando reparamos que o conceito de construção    <i>ideal </i>de um “discurso informado” se confronta, em ultima instância, com    um obstáculo paradoxal. Independentemente de a forma de criação de conhecimento    ser <i>real </i>ou <i>ideal</i>, nada garante que este venha a ter uma influência    efectiva no desenvolver de políticas públicas. </p>     <p><b>5. Da decisão à aplicação: a influência dos obstáculos (in)evitáveis? </b></p>     <blockquote>       <p>“The ideal policy process fails to recognize that evidence is not the only      contender for influencing policy<a style='mso-endnote-id:edn8' href="#_edn8" name="_ednref8" title="">[viii]</a>”. </p>       <p>(Weiss, 2001: 286) </p> </blockquote>     <p>Num processo algo semelhante ao Programa de Reestruturação da Administração    Central do Estado da República Portuguesa (PRACE), uma das avaliações ao <i>White    Paper on Modernising Government </i>do Governo do Reino Unido sublinhava que    “entrevistas revelaram a evidência anedótica de que pouca da investigação encomendada    pelos departamentos (do Estado) ou mesmo outra investigação académica foi usada    na elaboração de políticas públicas” (Cabinet Office, 1999: 36). Discutem-se    afinal dois tópicos que embora interligados podem em larga medida ser analisados    separadamente, (1) a natureza do processo de criação de conhecimento por um    lado, e por outro (2) as características do seu processo de aplicação ou, por    outras palavras, a forma como este conhecimento influencia, na prática, a elaboração    de políticas públicas. Reflictamos um pouco mais sobre este último ponto. </p>     <p>A hipótese que aqui se apresenta é a da existência de um estrangulamento comunicativo    (fig. 4) entre diferentes níveis de decisão ou diferentes arenas políticas se    assim o entendermos. Este estrangulamento, representado no diagrama na sua forma    vertical, pode ser também horizontal, quando se toma como exemplo a comunicação    entre diferentes departamentos da administração pública. Assim, como referido    anteriormente (<a name="topf3"></a><a href="#f3">fig. 3</a>), todo o ciclo de    evolução/inovação conceptual de políticas públicas dá-se num “ambiente” onde    se contrabalançam influências e obstáculos ao seu desenvolvimento. É essencial    sublinhar a importância que o fluxo comunicativo detém: na lógica de que não    nos identificamos com aquilo que não compreendemos, este fluxo comunicativo    é um contributo essencial para, através de um processo de apropriação cultural,    despertar no cidadão uma identidade (territorial), potencialmente catalisadora    do seu sentido de cidadania. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/fin/n88/n88a09f4.jpg" width="459" height="378"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fig. 4 – Estrangulamento Comunicativo.</p>     <p><i>Fig. 4 – Comunicative “Bottle Neck”.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Reflictamos então sobre os obstáculos, ou elementos de interferência à aplicação    do conhecimento ao processo de elaboração de políticas públicas: estes, de acordo    com Weiss (2001:286), podem ser abordados como o conjunto dos quatro Is: (1)    <i>Ideologia</i>, (2) <i>Interesses</i>, (3) <i>Influências Institucionais </i>e    (4) <i>Informação </i>préexistente. Pese embora esta sistematização tenha sido    elaborada com base no caso específico dos Estados Unidos é, contudo, passível    de alguma generalização. </p>     <p><i>Ideologia </i>– A discussão sobre quais as influências ideológicas, se as    houve, que mais ou menos declaradamente marcaram a evolução do sistema de planeamento    português é algo que requer um espaço de reflexão próprio. O que se pretende    aqui sugerir é se é possível, ou não, identificar actualmente um contexto ideológico    de referência no planeamento e ordenamento do território em Portugal. Para sumariar    o debate conceptual sobre o que se entende por ideologia sugere-se, para este    efeito, que se trata “de um conjunto de valores e crenças que influenciam e    determinam a formulação de políticas públicas de tal forma que nenhuma recolha,    análise e apresentação de informação cientificamente validada as fará mudar”.    Poder-se-á argumentar que, contemporaneamente, será difícil reconhecer qualquer    influência ideológica propriamente dita ou, pelo menos, como esta seria tradicionalmente    identificada. </p>     <p>Poder-se-ia argumentar que a economia de mercado tem uma filosofia e agenda    próprias mas terá em si uma ideologia? O que poderá ser mais facilmente consensual    é que é possível encontrar exemplos ilustrativos da fragilidade deste equilíbrio    entre razão/conhecimento que se enquadram na definição acima apresentada. Como    pequena amostra repare-se neste episódio quase anedótico em que Böhme (2002:    101) relata uma apresentação pública feita por um consultor em representação    do governo catalão sobre, na altura, a produção de um dos primeiros mapas de    desenvolvimento regional da União Europeia. A apresentação intitulava-se <i>I    want to be red in your map </i>(eu quero ser vermelho no vosso mapa); tal traduzia    bem o real interesse dos representantes regionais catalães que, independentemente    do tópico específico em causa, queriam assegurar a cor vermelha para a sua região    o que, por sua vez, implicaria maiores possibilidades de financiamento externo.  </p>     <p><i>Interesses </i>– Por <i>interesses </i>referimo-nos à vontade, legítima    ou não, que indivíduos e organizações têm, e que podem subverter o uso da informação    cientificamente validada. A manipulação de informação pode tomar corpo, por    exemplo, como a necessidade de justificar a implementação de políticas públicas    que foram já alvo de decisão. Davoudi (2006: 19) refere neste sentido o trabalho    de Young <i>et al. </i>(2002) que denomina este processo como o “modelo político    táctico da fundamentação científica” de políticas públicas. Neste contexto,    as políticas públicas são suportadas por uma espécie de análise selectiva onde    certos tipos de informação são utilizados e amplificados, enquanto outros são    descartados ou minimizados. A natureza de certos “think-tanks” (centros de investigação    não governamentais) prende-se fortemente com esta necessidade de fornecer legitimidade    intelectual aos que governam (Denham e Garnett, 1996: 52). </p>     <p><i>Influência Institucional </i>– Esta refere-se, em traços largos, às tradições    culturais, organizacionais e ao capital humano das instituições chave no contexto    do planeamento e ordenamento do território. Mais particularmente, sublinha-se    a forma como as instituições agregam e articulam informação/investigação já    existente, como a comunicam e como interagem com os agentes criadores de conhecimento.    A influência institucional está directamente relacionada com a forma como cada    instituição cria, acumula, articula, transfere, comunica e utiliza o conhecimento.    Uma dificuldade adicional advém, por vezes, da sobrecarga de informação disponível    em certas temáticas transdisciplinares. Esta requer a presença de utilizadores    “inteligentes”, que tenham a capacidade de compreender e interpretar essa informação.    Ou seja, não se trata somente de trabalhar a chegada de informação às instituições,    mas também de estruturar o processo interno de análise e tratamento da mesma,    e, finalmente, das estratégias de divulgação interna e externa. Por divulgação    externa entende-se mais do que simplesmente disponibilizar a informação ao público    em geral. O principal “público-alvo” das instituições governamentais engloba    políticos com e sem poder decisório, as comunidades profissionais e o corpo    de funcionários dessas mesmas instituições. E esta linha comunicacional nem    sempre é funcional como se pode ler do exemplo do Reino Unido, onde é “lugar    comum que a vasta maioria dos muitos relatórios produzidos permanece largamente    por ler, quer pela comunidade profissional quer por ‘policy-makers’” (Davoudi,    2006: 20). </p>     <p><i>Informação pré-existente </i>– A existência de factos ou informação não    é, por si só, garantia da sua influência na formulação de políticas públicas.    Tal só acontece quando são “de facto” utilizados. Muita da resistência à utilização    de informação, por vezes já disponível, prende-se com a ideia de que “hábitos    velhos demoram a morrer”. Ou seja, certas estruturas institucionais ou profissionais    e a informação por elas produzida e veiculada tornam-se, de certa forma, obstáculos    à evolução das políticas públicas que visam promover – dirão os mais cépticos    que estas estruturas são mais uma arquitectura de manutenção do <i>status quo    </i>do que plataformas de promoção da evolução do mesmo. </p>     <p>De facto, não é absurdo considerar que a evolução conceptual em políticas públicas    tem tanto a ver com o encontrar da “verdade” e a optimização da resolução de    problemas, como tem a ver com relações de poder e imposição de agendas políticas    ou profissionais existentes no <i>real </i>contexto político-institucional (fig.    5), onde as diferentes fases da elaboração de uma política pública se dão. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/fin/n88/n88a09f5.jpg" width="551" height="267"></p>     
<p>Fig. 5 – O <i>real </i>contexto político-institucional (adaptado de Goss, 1999).</p>     <p><i>Fig. 5 – The real political and institutional context (adapted from Goss,    1999).</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>IV. CONCLUSÕES </p>     <p>Este texto tomou como ponto de partida a análise crítica da relação dinâmica    entre os processos de criação de conhecimento e a sua utilização na informação    e validação de políticas públicas. Argumentou-se a existência de um ciclo discursivo/operativo    que resulta da interacção entre a criação de conhecimento, sua influência na    evolução conceptual em políticas públicas e a mudança cultural/organizacional/cívica    que daí poderá resultar. Explorou-se, através da distinção entre a natureza    <i>real vs</i>. <i>ideal </i>do conhecimento, um conjunto de narrativas interpretativa(s)    da(s) racionalidade(s) que sustenta(m) a utilização desse mesmo conhecimento    na informação e validação dos processos de tomada de decisão pública. Finalmente,    discutiu-se a existência de um estrangulamento comunicacional, entre diferentes    níveis de decisão e arenas políticas. </p>     <p>Consciente de que não existe uma solução que por si só garanta a optimização    do uso do conhecimento na evolução da elaboração e implementação de políticas    públicas e impeça a interferência dos obstáculos antes identificados (Secção    III.5.) sugere-se, contudo, a necessidade de maior cuidado na constituição e    funcionamento do que se denomina, neste texto, como os amplificadores de comunicação    (fig. 6). Por amplificadores de comunicação entendem-se os organismos institucionais    ou agentes individuais que assumem uma importância crítica na disseminação da    inovação conceptual que se insere no sistema. Esquematicamente: </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/fin/n88/n88a09f6.jpg" width="607" height="239"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fig. 6 – Amplificador de Comunicação.</p>     <p><i>Fig. 6 – Comunicational Amplifyer.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Sublinhe-se que esta disseminação não é somente distributiva, mas também explicativa.    Não basta apenas garantir a produção e distribuição de conhecimento, mas também    assegurar, através da interacção com os potenciais receptores dessa informação,    que estes detêm capacidade para utilizar esse conhecimento. Assim, numa perspectiva    geral: </p>     <p>Saliente-se, também, que o conceito de amplificador de comunicação não implica    forçosamente a constituição de uma nova arquitectura institucional, mas mais    provavelmente um repensar das atribuições funcionais dentro do modelo existente    (fig. 7). O momento é, de resto, propício a esta discussão, devido, por exemplo,    à entrada em funcionamento do Observatório do Ordenamento do Território e Urbanismo.    Este último detém todas as condições, do ponto de vista de uma filosofia operativa,    para se poder tornar o amplificador comunicacional nato dentro do sistema de    planeamento e ordenamento do território português. Em suma, este texto advoga    a necessidade da criação ou promoção, ao longo do processo de criação e implementação    de uma qualquer política pública, de amplificadores de comunicação que funcionem    como garante da disseminação do conhecimento utilizado e da transparência processual.    O objectivo não é somente a evolução conceptual na elaboração de políticas públicas    e a crescente capacitação dos agentes envolvidos nos processos de gestão e desenvolvimento    territorial, como também a afirmação da validade da política pública aos olhos    do cidadão, facto que poderá implicar, por parte deste, o consequente reforço    ou criação de um sentido de identidade territorial. O pressuposto subjacente    é uma simples relação causal: não nos identificamos com o que não conhecemos.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/fin/n88/n88a09f7.jpg" width="682" height="453"> </p>     
<p>Fig. 7 – Re(I)novação Conceptual – Diagrama Geral.</p>     <p><i>Fig. 7 – Conceptual Re(in)novation – General Diagram.</i></p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>AGRADECIMENTOS </p>     <p>Agradeço a Bas Waterhout, João Cravinho, João Ferrão, Mário Vale, Marta Vilar,    Renato Carmo e Sérgio Caramelo e aos <i>referees </i>da revista <i>Finisterra    </i>os comentários críticos e sugestões durante a elaboração e revisão deste    texto cujas limitações são da minha total responsabilidade. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>BIBLIOGRAFIA </p>     <!-- ref --><p>Ball S (1998) Big policies/small world: an introduction to international perspectives    in education policy. <i>Comparative Education</i>, 34(2): 119-130. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0430-5027200900020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Bloom P, Weisberg D S(2007) Childhood origins of adult resistance to science.    <i>Science</i>, 316(5827): 996-997. </p>     <p>Böhme, K (2002) Much ado about evidence: reflections from policy making in    the European Union. <i>Planning Theory and Practice, </i>3(1): 98-101. </p>     <p>Bourdieu P (1992) <i>The logic of practice</i>. Polity Press, Oxford. </p>     <p>Cabinet Office (1999) <i>Modernising government</i>. Cm 4310, Stationary Office,    London. </p>     <p>Capra F (2003) <i>The hidden connections</i>. Flamingo, London. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CEC (Commission of the European Community) (2001) <i>Governance in the EU:    a white paper</i>. COM (2001) 428 final. European Commission, Brussels. </p>     <p>Davoudi S (2006) Evidence-based planning: rethoric and reality. <i>DISP </i>165(42):    14-24. </p>     <p>Denham A, Garnett M (1996) The nature and impact of think tanks in contemporary    Britain. <i>In </i></p>     <p>Kandiah M D, Seldon A (eds.) <i>Ideas and think tanks in contemporary Britain.    </i>Frank Cass, London, vol 1: 43-61. </p>     <p>Fainstein S, Campbell S (eds.) (1996) <i>Readings in urban theory. </i>Blackwell    Publishers, London. </p>     <p>Faludi A (1973) <i>Planning theory</i>. Pergamon Press, Oxford. </p>     <p>Ferrão J (2007) <i>20 por cento do País não tem dono </i>Entrevista, Jornal    Expresso, 07.07.2007.</p>     <p> Flyvbjerg B (2002) Bringing power to planning research: one researcher”s praxis    story. <i>Journal of Planning Education and Research</i>, 21(4): 353-366. </p>     <p>Flyvbjerg B (1998) <i>Rationality and power (morality and society) </i>Univeristy    of Chicago Press. </p>     <p>Foucault M (1991) Questions of method. <i>In </i>Burchell G, Gordon C, Miller    P (eds) <i>The foucault effect: studies in governmentality</i>. Harvester Wheatsheaf,    London: 73–86. Friedmann J (1987) <i>Planning in the public domain: from knowledge    to action</i>. Princton University Press. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Forrester J (1989) <i>Planning in the face of power</i>. University of California    Press. </p>     <p>Giddens A (1986) <i>The constitution of society: outline of the theory of structuration</i>.    Polity Press. Oxford. </p>     <p>Goss S (1999) <i>Managing Working with the Public in Local Government. </i>Kogan    Page Ltd. </p>     <p>Goss S (2001) <i>Making Local Governance Work: Networks, Relationships and    the Management of </i></p>     <p><i>Change (Government Beyond the Centre) </i>Palgrave MacMillan. </p>     <p>Hall P (2002): <i>Cities of Tomorrow </i>(3rd. Edition). Oxford: Blackwell.  </p>     <p>Hajer M (1995) Politics on the move: the democratic control of the design of    sustainable technologies. <i>Knowledge and Policy</i>, 8(4): 26-39. </p>     <p>Healy A (2002) Commentary: evidence-based policy-the latest form of inertia    and control? <i>Planning Theory &amp; Practice, </i>3(1): 97-98. </p>     <p>Healey P (1997) <i>Collaborative planning: shaping places in fragmented societies.    </i>Macmillan Press, London. </p>     <p>Hofstede G (1991) <i>Cultures and Organizations: Software of the Mind. </i>HarperCollins    Publishers Ltd. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Jensen O B, Richardson T (2000) Discourses of mobility and polycentric development    : a constested view of European spatial planning. <i>European Planning Studies</i>.    8(4): 503-520. </p>     <p>Leicester G (2002) <i>Evidence-based Policy </i><a href="http://www.publicnet.co.uk/publicnet/fe000725.htm" target="_blank">http://www.publicnet.co.uk/publicnet/fe000725.htm</a>    [Acedido em 2 de Outubro 2007]. </p>     <p>Lindblom C E (1959) The science of “muddling through”. <i>Public Administration    Review</i>, 19: 79-88. </p>     <p>OED (1998) <i>Oxford English Dictionary. </i>Clarendon Press, Oxford. </p>     <p>Powell W, DiMaggio P (Eds.) (1991) <i>The new institutionalism in organizational    analysis</i>. University of Chicago Press. </p>     <p>Solesbury W (2002) The ascendancy of evidence<i>. Planning Theory and Practice</i>,    3(1): 90-96. </p>     <p>Shulock N (1999) “The Paradox of Policy Analysis: If I’s Not Used, Why Do We    Produce So Much Of It?,” <i>Journal of Policy Analysis and Management, </i>Vol.    18. </p>     <p>Taylor N (1998) <i>Urban planning theory since 1945</i>. Sage, London. </p>     <p>Urban Institute (ed.) (2003) <i>The case for evidence-based policy: beyond    ideology, politics and guesswork</i>. Urban Institute Press. </p>     <p>Weiss C H (2001) <i>What kind of evidence in evidence-based policy? </i>Paper    presented to third international, inter-disciplinary evidence-based policies    and indicator systems conference, July. University of Durham. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Weiss C H (ed) (1977) <i>Using social research in public policy making</i>.    Lexington, Massachusetts. </p>     <p>Young K, Ashby D, Boaz A, Grayson L (2002) Social science and the evidence-based    policy movement. <i>Social Policy and Society, </i>1(3): 215-224. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>NOTAS</p>     <p><a style='mso-endnote-id:edn2' href="#_ednref2" name="_edn2" title="">[ii]</a>    Não sendo objectivo deste texto a revisão crítica do que significa cultura,    entende-se para efeitos operativos que “a Cultura é (…) um fenómeno colectivo,    (…) pelo menos parcialmente partilhado com as pessoas que vivem ou viveram dentro    do mesmo ambiente social onde se deu o processo de aprendizagem. É a programação    colectiva da mente que distingue os membros de um grupo ou categoria de pessoa    de outros. A cultura é aprendida não herdada. Ela provém do ambiente social    de cada um não de uma herança genética” (Hofstede, 1991:5). </p>     <p><a style='mso-endnote-id:edn3' href="#_ednref3" name="_edn3" title="">[iii]</a>    Ao longo do texto será feita extensa utilização da expressão planeamento e ordenamento    do território. Não se visa sugerir desta forma que o planeamento (natureza estratégica)    e o ordenamento (natureza reguladora) são uma coisa só. Visa-se, sim, sublinhar    que existe uma inevitável interdependência entre ambos, nomeadamente no contexto    do tema abordado neste texto. </p>     <p><a style='mso-endnote-id:edn4' href="#_ednref4" name="_edn4" title="">[iv]</a> “A criação de conhecimento nas redes sociais é    uma característica chave das dinâmicas culturais” (Tradução do autor).</p>     <p><a style='mso-endnote-id:edn5' href="#_ednref5" name="_edn5" title="">[v]</a>    É uma questão de pedir emprestado ou copiar partes de ideias de outros, influenciando    e corrigindo abordagens localmente experimentadas e testadas, canibalizando    teorias, tendências e modas de investigação e não menos frequentemente procurar    por tudo o que pareça funcionar. A maioria das políticas [neste contexto referindo-se    ao planeamento e ordenamento do território] são periclitantes, re-trabalhadas,    adulteradas, e transformadas através de complexos processos de influência, produção    textual, disseminação e, em última instância, recriação em contextos de aplicação    prática (Tradução do autor). </p>     <p><a style='mso-endnote-id:edn6' href="#_ednref6" name="_edn6" title="">[vi]</a> “Não    há nada que um governo odeie mais do que estar bem informado: pois isto transforma    o processo de tomada de decisões muito mais complicado e difícil” (Tradução    do autor). </p>     <p><a style='mso-endnote-id:edn7' href="#_ednref7" name="_edn7" title="">[vii]</a>     “O governo espera mais dos “policy makers”. Mais novas ideias, maior determinação    para questionar formas herdadas de fazer coisas, melhor uso das evidências e    da investigação na elaboração de políticas públicas e maior enfoque em políticas    que concretizem objectivos a longo prazo” (Tradução do autor). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a style='mso-endnote-id:edn8' href="#_ednref8" name="_edn8" title="">[viii]</a>    O processo ideal de elaboração de politicas públicas peca por não reconhecer    que o corpo de factos e informação disponíveis não são a única influência presente    (Tradução do autor). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido: 29/09/2008. Revisto: 31/12/2008. Aceite: 05/01/2009.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Ball]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Big policies/small world: an introduction to international perspectives in education policy]]></article-title>
<source><![CDATA[Comparative Education]]></source>
<year>1998</year>
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<page-range>119-130</page-range></nlm-citation>
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