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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>NOTÍCIA</b></p> <br/>       <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Workshop biogeography, phylogeography, and the international year of biodiversity 2010 </b></p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Miguel Geraldes<sup>1</sup>; Carlos Neto<sup>2</sup></b></p>       <p><sup>1</sup>Bolseiro de Doutoramento da FCT, Centro de Estudos Geogr&aacute;ficos da Universidade de Lisboa. E-mail:  <a href="mailto:mgeraldes@campus.ul.pt">mgeraldes@campus.ul.pt</a> </p>       <p><sup>2 </sup>Professor do Departamento de Geografia do IGOT-UL. Investigador do Centro de Bot&acirc;nica Aplicada &agrave; Agricultura. E-mail:  <a href="mailto:cneto@campus.ul.pt">cneto@campus.ul.pt</a> </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No contexto do ano internacional da Biodiversidade, declarado pela assembleia-Geral das na&ccedil;&otilde;es Unidas, foi  organizado um <i>workshop</i><i> </i>com o t&iacute;tulo <i>Biogeography</i><i>, Phylogeography, and the International Year of Biodiversity 2010. A molecular and genetic approach</i> a 7 de abril de 2010, tratou-se de um evento  internacional, realizado no Instituto de Geografia e Ordenamento do territ&oacute;rio da Universidade de Lisboa (IGOT-UL) e organizado pelo Centro de estudos Geogr&aacute;ficos (n&uacute;cleo CliMA -CEG). O des&iacute;gnio deste  acontecimento foi de promover e divulgar um novo campo da Geografia, a filogeografia, atrav&eacute;s da apresenta&ccedil;&atilde;o e debate de trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o recentes sobre o continente europeu e mares  adjacentes. O facto de se tratar de uma &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o de ponta atraiu mais de 80 participantes de proveni&ecirc;ncias diversas, especialmente ligados a entidades, em que se investiga sobre  Biogeografia e Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas recentes e passadas e a confer&ecirc;ncia de abertura foi proferida por Thomas Schmitt, investigador e professor na Universidade de Trier (Alemanha), que apresentou a  comunica&ccedil;&atilde;o <i>For whom the bell tolls: Global Change threatens intra-specific diversity</i>?&#8221; Tratou de v&aacute;rios temas, de que se destaca o da influ&ecirc;ncia das altera&ccedil;&otilde;es  clim&aacute;ticas na distribui&ccedil;&atilde;o potencial da borboleta <i>Lycaena</i><i> helle</i>, em fun&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio a<sub>2</sub> proposto pelo <i>Intergovernmental</i><i> Pannel on Climatic Change  </i>para as pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. Se o cen&aacute;rio a<sub>2</sub> se vier a concretizar, por exemplo, os C&aacute;rpatos romenos, que n&atilde;o excedem 2 500 m de altitude, passar&atilde;o a ter um clima mais quente  e deixar&atilde;o de ser bi&oacute;topos satisfat&oacute;rios para esta esp&eacute;cie. As consequ&ecirc;ncias s&atilde;o preocupantes, porque estas popula&ccedil;&otilde;es cont&ecirc;m as linhagens com maior diversidade  gen&eacute;ticas e t&ecirc;m enorme interesse para a conserva&ccedil;&atilde;o. Finalmente foi tratado o problema da fragmenta&ccedil;&atilde;o das paisagens (e dos habitats), que constitui um problema grave, sobretudo para as  esp&eacute;cies n&atilde;o generalistas ou n&atilde;o ubiquistas, por levar a um depauperamento da diversidade gen&eacute;tica das popula&ccedil;&otilde;es. Em jeito de conclus&atilde;o, foi referido que as esp&eacute;cies cujas  linhagens mais ricas est&atilde;o a sul poder&atilde;o ser as mais afectadas pelas modifica&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e ambientais a esperar no cen&aacute;rio a<sub>2</sub>. </p>       <p>Seguiu-se a confer&ecirc;ncia <i>Espa&ccedil;o, Tempo e Ambiente no Para&iacute;so de Darwin: Ecologia Evolutiva das Comunidades Vegetais da Madeira</i>, proferida por Jorge Capelo, investigador do instituto nacional de recursos  Biol&oacute;gicos e da esta&ccedil;&atilde;o florestal nacional. Foi feito o ponto de situa&ccedil;&atilde;o sobre os recentes avan&ccedil;os no conhecimento fitossociol&oacute;gico, biogeogr&aacute;fico e filogen&eacute;tico da  vegeta&ccedil;&atilde;o da Madeira, desfazendo alguns mitos como o da &#8220;Bio-regi&atilde;o Macaron&eacute;sica&#8221;, a qual compreende arquip&eacute;lagos que s&atilde;o, afinal, abrangidos por 3 regi&otilde;es  biogeogr&aacute;ficas distintas: os a&ccedil;ores, pela eurossiberiana; a Madeira e as Can&aacute;rias, pela Mediterr&acirc;nea; e Cabo Verde pela sudano-Zambeziana. Foi destacada, de seguida, a aplica&ccedil;&atilde;o da  classifica&ccedil;&atilde;o bioclim&aacute;tica terrestre de Rivas-Mart&iacute;nez &agrave; Madeira, frisando o papel das plantas enquanto bioindicadores clim&aacute;ticos. Com base nas distribui&ccedil;&otilde;es dos andares  bioclim&aacute;ticos e da litologia, foi constru&iacute;da a cartografia da vegeta&ccedil;&atilde;o potencial. A fitogeografia da Madeira foi passada em revista, em especial a influ&ecirc;ncia das floras paleomediterr&acirc;nea  xerof&iacute;tica, neomediterr&acirc;nea malac&oacute;fila e artho-terci&aacute;ria temperada na forma&ccedil;&atilde;o da actual paisagem vegetal Madeirense. Foram ainda destacados os pap&eacute;is que o fecho do istmo do  Panam&aacute;, a eleva&ccedil;&atilde;o dos Himalaias e os ciclos de desseca&ccedil;&atilde;o do Mediterr&acirc;neo tiveram na evolu&ccedil;&atilde;o da flora Madeirense. </p>       <p>N&atilde;o existindo apenas um tipo de  laurissilva na Madeira, mas tr&ecirc;s s&eacute;ries de vegeta&ccedil;&atilde;o florestais (das quais uma laurissilva temperada e uma laurissilva mediterr&acirc;nea) e tr&ecirc;s s&eacute;ries n&atilde;o-florestais, Jorge Capelo  concluiu que a vegeta&ccedil;&atilde;o da Madeira &eacute; uma entidade ambiental complexa e sem qualquer paralelo no Mundo Mediterr&acirc;neo, sendo um mito simplista ver as laurissilvas como meros remanescentes directos da  flora terci&aacute;ria. A vegeta&ccedil;&atilde;o actual experimentou a integra&ccedil;&atilde;o espacial e funcional das floras com oriem paleogegr&aacute;fica e significado funcional muito distintos, correspondendo a  &#8216;vagas&#8217; de coloniza&ccedil;&atilde;o intensa, qualitativa e temporalmente distintas nas diferentes laurissilvas. </p>       <p>A terceira confer&ecirc;ncia foi proferida por V&iacute;tor Almada, Professor  Catedr&aacute;tico do instituto superior de Psicologia aplicada e Director da Unidade de investiga&ccedil;&atilde;o em eco-etologia. </p>       <p>Com o t&iacute;tulo <i>Phylogeography</i><i> of Northeastern Atlantic and of the  Mediterranean,,</i> a comunica&ccedil;&atilde;o foi dedicada &agrave; filogeografia da ictiofauna do atl&acirc;ntico Oriental e do Mediterr&acirc;neo Ocidental, desde a crise de salinidade do Messiniano. V&iacute;tor Almada  come&ccedil;ou por referir as dificuldades da aplica&ccedil;&atilde;o dos modelos filogeogr&aacute;ficos terrestres aos organismos marinhos e fluviais, sobretudo porque a capacidade de dispers&atilde;o no mar &eacute;  elevad&iacute;ssima, podendo, por conseguinte, haver maior diversidade gen&eacute;tica entre popula&ccedil;&otilde;es do mesmo g&eacute;nero presente em dois rios da estremadura, do que entre popula&ccedil;&otilde;es de um  g&eacute;nero do atl&acirc;ntico que se distribuam desde a latitude de Portugal &agrave; da noruega, por exemplo. Nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, os investigadores t&ecirc;m-se dado conta do elevado n&uacute;mero de  endemismos e diversidade na regi&atilde;o mediterr&acirc;nea e do seu papel de importante ref&uacute;gio glaci&aacute;rio no Pleistoc&eacute;nico. </p>       <p>Tamb&eacute;m a estrutura gen&eacute;tica das popula&ccedil;&otilde;es de  peixes do atl&acirc;ntico e do Mediterr&acirc;neo tem sido comparada com sequ&ecirc;ncias de genes, mostrando haver maior diversidade gen&eacute;tica nas &aacute;guas quentes do Mediterr&acirc;neo do que no atl&acirc;ntico.  Argumenta-se que esses resultados ter&atilde;o sido, provavelmente, causados tanto pela estrutura de metapopula&ccedil;&atilde;o do Mediterr&acirc;neo como pela redu&ccedil;&atilde;o severa, ou extin&ccedil;&atilde;o local, de  popula&ccedil;&otilde;es nas &aacute;guas do norte durante as glacia&ccedil;&otilde;es. Uma avalia&ccedil;&atilde;o adequada das peculiaridades das popula&ccedil;&otilde;es de peixes do Mediterr&acirc;neo exige, no entanto, que  sejam comparadas com popula&ccedil;&otilde;es mais ao norte, que foram submetidas a uma press&atilde;o mais elevada durante as glacia&ccedil;&otilde;es. As esp&eacute;cies com filogenias mais robustas, como as pisc&iacute;colas,  constituem excelentes oportunidades para realizar an&aacute;lises filogeogr&aacute;ficas comparativas, em que as assinaturas gen&eacute;ticas de eventos paleoclim&aacute;ticos podem ser detectadas, revelando a sua  hist&oacute;ria demogr&aacute;fica e apelando ao dom&iacute;nio de conhecimentos de paleogeografia para a sua interpreta&ccedil;&atilde;o. </p>        ]]></body>
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