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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ACTUALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA</b></p> <br/>       <p><b>&nbsp;</b></p>        <p><b>O c&oacute;dice de Hamburgo desvenda </b><b>o primeiro mapa de Portugal? </b><b></b></p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Maria Fernanda Alegria<sup>1 </sup></b></p>       <p><sup>1</sup>Investigadora do Centro de Estudos Geogr&aacute;ficos. E-mail: <a href="mailto:mfalegria@netcabo.pt">mfalegria@netcabo.pt</a></p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>        <p>Foi publicado no final de 2010 um importante  livro de Suzanne Daveau com o t&iacute;tulo <i>Um Antigo Mapa de Portugal (c. 1525). Reconstitui&ccedil;&atilde;o a partir do C&oacute;dice de Hamburgo</i>. Acompanhei a concep&ccedil;&atilde;o e as sucessivas fases de  remodela&ccedil;&atilde;o desta obra, que foi dedicada a Orlando Ribeiro, durante os cerca de 10 anos que ela levou a construir. Como a autora refere, logo na apresenta&ccedil;&atilde;o, o interesse pelo C&oacute;dice de  Hamburgo come&ccedil;ou em 1999, quando quatro investigadores ib&eacute;ricos foram contactados pelos editores americanos de <i>The</i><i> History of Cartography </i>para prepararem o contributo portugu&ecirc;s para o 3.&ordm;  volume desta colect&acirc;nea, <i>Cartography</i><i> in the European Renaissance</i>, editado apenas em 2007. Foi um longo percurso que permitiu, por fim, colocar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos interessados um valioso  contributo sobre aspectos desconhecidos da Hist&oacute;ria da Cartografia portuguesa. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O texto, com 359 p&aacute;ginas, comporta duas partes, a seguir &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o, que inclui uma  apresenta&ccedil;&atilde;o em 3 l&iacute;nguas: a primeira parte relativa ao c&oacute;dice (p. 21-121), a segunda sobre o mapa (p. 122-229), a que se junta uma terceira parte de documentos (p. 231-359). Na primeira parte  estudam-&laquo;se, em tr&ecirc;s cap&iacute;tulos, aspectos espec&iacute;ficos do pr&oacute;prio c&oacute;dice, preservado na <i>Staats</i><i>- und Universit&auml;tsbibliothek </i>de Hamburgo, com a cota <i>Codex</i><i> 136 in  scrinium</i>. Na segunda, tamb&eacute;m com tr&ecirc;s cap&iacute;tulos, reconstitui-se o mapa, a partir do qual o c&oacute;dice foi constru&iacute;do, e analisam-se aspectos relativos &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es da sua  prepara&ccedil;&atilde;o. </p>       <p>Com uma apresenta&ccedil;&atilde;o cuidada, muitas figuras a preto e branco, ilustra&ccedil;&otilde;es a cores e um CD-ROM, que facilita a consulta e utiliza&ccedil;&atilde;o dos mapas e dos  extensos anexos, temos na introdu&ccedil;&atilde;o uma explica&ccedil;&atilde;o pormenorizada da estrutura do texto, o que facilita muito a sua consulta. Por isso, mais do que descrever o livro importa real&ccedil;ar o que ele  traz de novo. </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>I. NOVIDADES TRAZIDAS PELO ESTUDO DO C&Oacute;DICE DE HAMBURGO </b></p>       <p>Um livro desta natureza permite leituras de natureza diversificada. Haver&aacute; as que interessam mais ao historiador, ao  cart&oacute;grafo ou ao matem&aacute;tico, talvez ao bibli&oacute;grafo ou ao documentalista. As impress&otilde;es que aqui se deixam s&atilde;o as que mais dizem aos ge&oacute;grafos, particularmente aos interessados pela  Hist&oacute;ria da Cartografia. </p>       <p><i>Um mapa de Portugal de c. 1525? </i>Esta &eacute; porventura a descoberta mais relevante. A autora mostra neste livro que existiu um mapa de Portugal, que antecede em cerca de 35 anos o  esp&eacute;cime cartogr&aacute;fico que era at&eacute; agora considerado o mais antigo de Portugal &#8211; o mapa de Fernando &Aacute;lvaro Seco, de 1561. Embora o mapa propriamente dito n&atilde;o tenha sido encontrado, foi  poss&iacute;vel, com um paciente e cuidadoso trabalho, reconstituir as suas caracter&iacute;sticas. &Eacute; verdade que a hip&oacute;tese de o C&oacute;dice de Hamburgo (ou seja, a lista topon&iacute;mica com o registo da  latitude e da longitude de quase 1 500 lugares), s&oacute; poder ter sido elaborado a partir de um mapa pr&eacute;-existente tinha j&aacute; sido avan&ccedil;ada por Kevin Kaufman &#8211; um jovem americano que preparou sobre  ele uma tese, sob a orienta&ccedil;&atilde;o do prestigiado David Woordward &#8211;, mas este investigador deixou muitos aspectos por esclarecer. Um deles diz respeito ao enigm&aacute;tico sistema de nota&ccedil;&atilde;o das  coordenadas utilizado no c&oacute;dice, cuidadosamente descrito e deslindado no cap&iacute;tulo 2 do livro, a que se far&aacute; especial men&ccedil;&atilde;o. </p>       <p>A decifra&ccedil;&atilde;o do modo como foram registadas as  coordenadas de tantos lugares, a maior parte das quais relativamente correcta (embora a lista dos erros cometidos se tivesse revelado preciosa ajuda para reconstituir o processo de constru&ccedil;&atilde;o do mapa), permitiu  perceber que elas n&atilde;o podiam ter sido determinadas astronomicamente. O mapa foi constru&iacute;do a partir de t&eacute;cnicas de medi&ccedil;&atilde;o de dist&acirc;ncias em l&eacute;guas, compiladas ao longo de alguns  dos itiner&aacute;rios mais percorridos. Esta descoberta enfatiza a import&acirc;ncia da cartografia terrestre no s&eacute;culo XVi, que tem sido menosprezada pela maior parte dos investigadores portugueses, face &agrave;  produ&ccedil;&atilde;o n&aacute;utica coeva. </p>       <p>Vale a pena lembrar que a precis&atilde;o das medi&ccedil;&otilde;es de latitude efectuadas a bordo dos navios era ent&atilde;o fraca. Na melhor das hip&oacute;teses da ordem  de 1/6 de grau (10 minutos), e com uma variabilidade acentuada entre os resultados obtidos simultaneamente por diversos observadores, como demonstraram as experi&ecirc;ncias comparativas, repetidamente efectuadas por D.  Jo&atilde;o de Castro durante a sua viagem de Lisboa a Goa, em 1538, aspecto recordado por Teixeira da Mota em 1957. Este investigador lembrou ainda, no mesmo texto, que a medi&ccedil;&atilde;o das latitudes servia apenas aos  marinheiros como &#8220;simples conhecen&ccedil;as locais&#8221;, ou para &#8220;controlar a estima do caminho percorrido&#8221; no sentido norte-sul. Portanto, o rigor da determina&ccedil;&atilde;o das latitudes no mar era  reduzido. Seriam, na realidade, os cosm&oacute;grafos terrestres, e n&atilde;o n&aacute;uticos, que mais progressos iriam desenvolver para a coloca&ccedil;&atilde;o exacta dos lugares nos mapas, com ou sem  utiliza&ccedil;&atilde;o das coordenadas geogr&aacute;ficas. </p>       <p>Numa altura em que os mandamentos da igreja e as cren&ccedil;as decorrentes do modelo cosmogr&aacute;fico se confrontavam, e quando a  determina&ccedil;&atilde;o correcta da longitude n&atilde;o era ainda poss&iacute;vel, acarretando esse desconhecimento longas e penosas negocia&ccedil;&otilde;es entre Portugal e Espanha relativas &agrave; posse das Molucas por  exemplo, perceber o modo como os mapas terrestres enfrentavam esses problemas teos&oacute;ficos e pr&aacute;ticos &eacute; uma discuss&atilde;o muito interessante. Para isso a autora socorreu-se de fontes muito variadas: da  consulta de mapas contempor&acirc;neos de outros pa&iacute;ses (Fran&ccedil;a, Bo&eacute;mia), de fontes escritas diversas, algumas, at&eacute;, aparentemente desligadas do problema das coordenadas, como &eacute; o caso de  alguns dos textos de Gil Vicente. </p>       <p>Os enigmas que este livro resolve s&atilde;o, de facto, muitos. Tratemos agora da data do c&oacute;dice e do seu autor, aspectos relacionados entre si, antes de tentarmos perceber como  se conseguiram decifrar as coordenadas. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A data do c&oacute;dice. </i>segundo Moreira de S&aacute; (1956), foi no &#8220;<i>dia da Trindade do ano de 1526, a 27 de Abril</i>&#8221; que D. Francisco de Melo proferiu uma  fala oficial em Almeirim &#8220;quando deitaram o capelo de Cardeal ao ilustre infante D. Afonso, Cardeal di&aacute;cono do t&iacute;tulo de s. Br&aacute;s&#8221;. O infante, nascido em 23 de Abril de 1509, acabava ent&atilde;o  de completar os 17 anos e teria recebido o c&oacute;dice de presente, nesse festivo dia 27 de Abril de 1526, como se documenta no cap&iacute;tulo IV. Neste cap&iacute;tulo figuram tamb&eacute;m outros argumentos sobre a data da  oferta e muitas informa&ccedil;&otilde;es sobre a personalidade do Cardeal D. Afonso e o ambiente da corte. </p>       <p><i>O autor do ilustrado c&oacute;dice. </i>A primeira hip&oacute;tese, colocada por Suzanne Daveau em 2001, de  ter sido Ant&oacute;nio de Ata&iacute;de (c. 1500-1563) &eacute; agora recusada com v&aacute;rios argumentos (p. 143-146). </p>       <p>Dois outros potenciais autores, Pedro Margalho (1474-1556) e Jo&atilde;o de Barros (1496- -1570),  s&atilde;o tamb&eacute;m eliminados. O primeiro, depois de ter recebido forma&ccedil;&atilde;o em Fran&ccedil;a (1490-1510) e de ter ensinado em Espanha (1525-1529), s&oacute; regressou a Portugal no come&ccedil;o de 1530.  Al&eacute;m disso, os seus conhecimentos tinham pendor muito te&oacute;rico. A mesma impress&atilde;o de que a teoria ultrapassava o saber pr&aacute;tico &eacute; aplicada a Jo&atilde;o de Barros. </p>       <p>Quanto a Pedro nunes  (1502-1578), considerado geralmente o mais famoso matem&aacute;tico portugu&ecirc;s, s&oacute; em 1529 voltou de Espanha, onde tinha casado e estudado. N&atilde;o estaria, portanto, instalado ainda em Lisboa, enquanto se  preparava o mapa corogr&aacute;fico de Portugal. As suas rela&ccedil;&otilde;es docentes com os irm&atilde;os de D. Jo&atilde;o III s&atilde;o tamb&eacute;m, sem d&uacute;vida, posteriores &agrave; oferta do c&oacute;dex a D.  Afonso. </p>       <p>A autora chega assim, &#8220;por elimina&ccedil;&atilde;o de partes&#8221; (p. 146), &agrave; hip&oacute;tese de ter sido D. Francisco de Melo (1490-1536) o promotor da oferta do mapa a D. Afonso e,  provavelmente, </p>       <p>O autor do c&oacute;dice. Residente na Corte desde que voltou de Paris (em 1520 ou 1521), at&eacute; &agrave; sua morte em &Eacute;vora (em 1536), conviveu longamente com D. Afonso. Mas a figura de  Francisco de Melo continua mal conhecida. Apesar de haver registo de v&aacute;rios testemunhos elogiosos dos seus contempor&acirc;neos, e de algumas refer&ecirc;ncias em estudos dos s&eacute;culos XViii e XiX, nenhuma pesquisa  recente lhe foi consagrada. Admite-se que possa ter conhecido Oronce fine em Paris, o autor de um c&eacute;lebre mapa corogr&aacute;fico da Fran&ccedil;a de 1525. Antes disso, sabe- -se da participa&ccedil;&atilde;o activa de D.  Francisco de Melo na organiza&ccedil;&atilde;o da Junta de Elvas &#8211; Badajoz, em 1524, sobre a qual h&aacute; abundante documenta&ccedil;&atilde;o publicada. Por exemplo, h&aacute; not&iacute;cia de que o rei o tinha  encarregado de lhe escrever particularmente sobre o que se passava nas reuni&otilde;es da Junta, cada vez que julgasse necess&aacute;rio, o que ele faz usando uma liberdade de express&atilde;o, e um tom, que indiciam alguma  proximidade ao soberano, ao mesmo tempo que revela muita perspic&aacute;cia nas aprecia&ccedil;&otilde;es que faz. Nos anos seguintes, e at&eacute; &agrave; sua morte em 1536, a sua actividade oficial est&aacute; relativamente  bem documentada. </p>       <p>Tr&ecirc;s dec&eacute;nios mais tarde (c. 1557), o cart&oacute;grafo Lopo Homem, ao criticar as inova&ccedil;&otilde;es no desenho dos mapas n&aacute;uticos, introduzidas entretanto por Pedro nunes,  afirmar&aacute; que Francisco de Melo era ent&atilde;o &#8220;o mais ciente em Matem&aacute;tica e Cosmografia que fosse em Portugal&#8221;, colocando-o assim, implicitamente, acima de Pedro Nunes (L. de Matos, 1952, p. 102).  </p>       <p><i>O processo de nota&ccedil;&atilde;o das coordenadas </i>&eacute; motivo de inesperadas descobertas, mesmo para os matem&aacute;ticos portugueses e espanh&oacute;is que foram consultados por Suzanne Daveau. </p>       <p>Antes de mais, relembre-se que o C&oacute;dice de Hamburgo re&uacute;ne as coordenadas de perto de 1 500 lugares e que &eacute; usado o mesmo tipo de frac&ccedil;&otilde;es para registar a latitude e a longitude. Por outro  lado, como j&aacute; se referiu, todos os cart&oacute;grafos que observaram o c&oacute;dice concordam que seria imposs&iacute;vel determinar astronomicamente t&atilde;o elevado n&uacute;mero de localiza&ccedil;&otilde;es.  J&aacute; em 1956 quatro investigadores da Universidade de Coimbra puseram a hip&oacute;tese de as coordenadas terem sido medidas num mapa, mas n&atilde;o foram capazes de decifrar a nota&ccedil;&atilde;o usada no c&oacute;dice.  </p>       <p>O racioc&iacute;nio de Suzanne Daveau, que ela diz estar baseado em &#8220;reflex&otilde;es e observa&ccedil;&otilde;es muito simples&#8221;, &eacute; deveras curioso. Vale a pena segui-lo: </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>a) No come&ccedil;o do  s&eacute;culo XVI, a t&eacute;cnica de determina&ccedil;&atilde;o e nota&ccedil;&atilde;o das coordenadas n&atilde;o podia basear-se em c&aacute;lculos complexos mas, provavelmente, em medi&ccedil;&otilde;es de  realiza&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil. </p>       <p>b) A complexidade da nota&ccedil;&atilde;o usada no c&oacute;dice n&atilde;o parece resultar de grande pr&aacute;tica em contas mas, pelo contr&aacute;rio, de fraco &agrave; vontade  na express&atilde;o dos resultados. Essa complexidade resultaria mais do seu car&aacute;cter emp&iacute;rico do que de uma cria&ccedil;&atilde;o s&aacute;bia, nova e sofisticada. </p>       <p>c) Embora o uso das  frac&ccedil;&otilde;es complexas tenha desaparecido actualmente da linguagem escrita, ele mant&eacute;m-se nalgumas express&otilde;es orais populares. Em Vale de Lobos, onde Suzanne Daveau vive, apenas a 20 km de Lisboa, ainda  se pode ouvir pedir, nalgumas lojas, &#8220;meio arr&aacute;tel&#8221; de manteiga (250 gramas) ou &#8220;uma quarta&#8221; (125 gramas) ou, at&eacute;, &#8220;<i>meia quarta</i>&#8221; (cerca de 65 gramas). </p>       <p>d) Para  medir as coordenadas no mapa, a partir do qual o &iacute;ndice foi concebido, &eacute; prov&aacute;vel que se tenham usado t&eacute;cnicas ent&atilde;o correntes entre os marinheiros: a medi&ccedil;&atilde;o seria feita no mapa  com um compasso e numerada gra&ccedil;as a um &#8220;tronco&#8221; anexo. Explica&ccedil;&otilde;es cuidadas e minuciosas sobre o n&uacute;mero de troncos e a sua posi&ccedil;&atilde;o face ao mapa s&atilde;o apresentadas no  livro, mas n&atilde;o v&atilde;o ser agora descritas. </p>       <p>e) O processo de nota&ccedil;&atilde;o usado por Ptolomeu na <i>Geografia </i>tem semelhan&ccedil;as com o que aparece no C&oacute;dice de Hamburgo: o algarismo que  indica o n&uacute;mero de graus de longitude ou de latitude encontra-se seguido, &agrave; direita, por uma ou por v&aacute;rias frac&ccedil;&otilde;es. O n&uacute;mero de frac&ccedil;&otilde;es varia entre 1 e 3 na <i>Geografia,  </i>e entre 0 e 2 no C&oacute;dice de Hamburgo. Mas o sistema de frac&ccedil;&otilde;es usado no c&oacute;dice &eacute; bastante mais complexo do que na <i>Geografia. </i></p>       <p>f) Os algarismos da primeira coluna representam  graus e os das duas colunas &agrave; direita subdivis&otilde;es do grau, sob a forma de uma ou de duas frac&ccedil;&otilde;es &#8211; ou &#8220;quebrados&#8221; como se dizia ent&atilde;o. Essas frac&ccedil;&otilde;es podem ter  dois ou tr&ecirc;s elementos. </p>       <p>g) Veja-se agora o caso da nota&ccedil;&atilde;o da latitude de Lisboa, que &eacute; registada assim: 39 1/6 1/3. </p>       <p>Como se devem ler estes n&uacute;meros? A latitude de Lisboa  &eacute; de 39 &ordm; mais um sexto de grau (ou seja 10&#8217;), mais um ter&ccedil;o de um sexto de grau (ou seja um ter&ccedil;o de 10&#8217;, isto &eacute; 3,3). A latitude &eacute; portanto de 39 &ordm; mais 10&#8217; mais  3,3&#8216; = 39&ordm; 13,3&#8217;. </p>       <p>O que &eacute; importante registar &#8211; e essa foi uma descoberta que parecia simples, mas que ningu&eacute;m tinha feito antes de Suzanne Daveau &#8211; &eacute; que no  c&oacute;dice n&atilde;o se escreveu 1/3 de 1/6. Subentendeu-se que 1/6 estava presente sem estar escrito, o que S. Daveau regista no livro como (6). Ou seja, as nota&ccedil;&otilde;es de coordenadas devem ler-se sempre de modo  a que se tenha sempre em conta uma frac&ccedil;&atilde;o oculta, que &eacute; igual &agrave; que figura na 2&ordf; coluna. </p>       <p>Ter encontrado a chave de leitura das frac&ccedil;&otilde;es aparentemente simples da 3&ordf;  coluna permitiu a decifra&ccedil;&atilde;o exacta das coordenadas registadas no c&oacute;dice e a reconstitui&ccedil;&atilde;o completa do mapa que lhe serviu de base. Imagens do que ele teria sido podem observar-se nos  documentos finais do livro. Os mapas a, em vers&otilde;es mudas e com top&oacute;nimos e em duas escalas, reconstituem o original; os mapas B, com a transcri&ccedil;&atilde;o dos lugares sobre um fundo moderno, permitem uma  imagem, mais pr&oacute;xima da realidade contempor&acirc;nea, do que seria o conhecimento do territ&oacute;rio portugu&ecirc;s cerca de 1525. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>II. DIFICULDADES E D&Uacute;VIDAS </b></p>       <p>H&aacute; que reconhecer que  a leitura deste texto exige algum esfor&ccedil;o. Para come&ccedil;ar, pela dimens&atilde;o. N&atilde;o &eacute; de &acirc;nimo leve que algu&eacute;m se abalan&ccedil;a a digerir mais de 350 p&aacute;ginas, grandes (quase em  tamanho a<sub>4</sub>) e bastante densas. Depois, a diversidade de assuntos tratados exige que o leitor tenha uma prepara&ccedil;&atilde;o bastante s&oacute;lida, ou pelo menos interesses variados, em Hist&oacute;ria, geografia,  Cartografia, e at&eacute; Matem&aacute;tica, e um esp&iacute;rito aberto e curioso pelos numerosos textos antigos aqui transcritos. Depois, temos de ter em conta que as novidades do livro s&atilde;o apoiadas em demoradas  descri&ccedil;&otilde;es anal&iacute;ticas, antes de se atingirem as conclus&otilde;es que a autora apresenta. &Agrave;s vezes parece que se est&aacute; perante uma esp&eacute;cie de enigma policial, para cuja  resolu&ccedil;&atilde;o &eacute; preciso percorrer sinuosos meandros. </p>       <p>N&atilde;o sendo um livro f&aacute;cil, ele &eacute; not&aacute;vel sob muitos pontos de vista, que esperamos ter deixado claramente assinalados  registe-se, ainda, uma esp&eacute;cie de inconfid&ecirc;ncia: Suzanne Daveau tinha j&aacute; 85 anos quando a edi&ccedil;&atilde;o veio finalmente a p&uacute;blico, tendo mantido uma vida intelectual preenchida e diversificada,  ao mesmo tempo que preparava este dif&iacute;cil livro. S&oacute; algu&eacute;m com uma s&oacute;lida e variada prepara&ccedil;&atilde;o intelectual e muita determina&ccedil;&atilde;o se poderia abalan&ccedil;ar a uma obra de  tal f&ocirc;lego. </p>       <p>O que ficar&aacute; por resolver no meio da complexidade do assunto? Atrevo-me a admitir que se podem colocar d&uacute;vidas quanto ao autor do c&oacute;dice. &Eacute; uma interroga&ccedil;&atilde;o que  n&atilde;o se apoia em nenhuma outra hip&oacute;tese (que n&atilde;o saberia avan&ccedil;ar) mas nos pr&oacute;prios argumentos. Recorde-se que a pr&oacute;pria Suzanne Daveau colocou outras hip&oacute;teses. Al&eacute;m disso,  n&atilde;o ser&aacute; de estranhar que a figura de Francisco de Melo tenha sido t&atilde;o poucas vezes mencionada a prop&oacute;sito de temas de Hist&oacute;ria da Cartografia ou de Hist&oacute;ria da Ci&ecirc;ncia, salvo no  que se refere &agrave; sua presen&ccedil;a na Junta de Elvas-Badajoz? O interesse que a sua obra parece come&ccedil;ar a suscitar, de que &eacute; exemplo o investigador Henrique Leit&atilde;o, n&atilde;o permite por enquanto  concluir nada de seguro quanto &agrave; autoria do c&oacute;dice que foi oferecido ao cardeal D. Afonso. </p>       <p>Que os leitores possam enriquecer-se com a leitura deste livro, de que esta recens&atilde;o apenas aflora alguns  aspectos, fazendo chegar &agrave; autora novas ideias e sugest&otilde;es, que perspectivas diferentes seguramente desencadeiam. </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>AGRADECIMENTOS </b></p>       <p>Deixa-se um reconhecimento &agrave; Publito &#8211;  est&uacute;dio de artes gr&aacute;ficas, Lda. Braga, pelo cuidado na impress&atilde;o e nos acabamentos, cujo respons&aacute;vel faleceu entretanto, sem ter conseguido apreciar a sua &uacute;ltima obra. A concep&ccedil;&atilde;o  gr&aacute;fica do CD-rom, do design e pagina&ccedil;&atilde;o do livro devem-se a Andr&eacute; Luz. </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b> </p>       <!-- ref --><p>Alegria M F, Daveau S, Garcia J C, Rela&ntilde;o F (2007) Portuguese Cartography in the Renaissance. <i>In</i> Woodward D (ed.) <i>The</i><i> History of Cartography</i>, III, <i>Cartography in the  European Renaissance</i>, 1:&nbsp; 975-1068.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=289226&pid=S0430-5027201100020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ferreira A, Morais C, Silveira J, Gir&atilde;o A (1956-57) O mais antigo mapa de Portugal (c.  1561). <i>Boletim do Centro de Estudos Geogr&aacute;ficos, </i>Coimbra<i>, </i>12-13: 3-66;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=289228&pid=S0430-5027201100020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> 14-15: 10-43.</p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p>Recebido: Junho 2011. Aceite: Setembro 2011. </p>        ]]></body><back>
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