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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ACTUALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA</b></p> <br/>       <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Novo atlas da Europa no mundo </b></p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Nuno Marques da Costa<sup>1 </sup></b></p>       <p><sup>1</sup>Professor do Instituto de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio e investigador do Centro de Estudos  Geogr&aacute;ficos da Universidade de Lisboa. E-mail: <a href="mailto:nunocosta@campus.ul.pt">nunocosta@campus.ul.pt</a> </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>       <p>O processo de mundializa&ccedil;&atilde;o tem vindo a ser estudado pelas  diferentes ci&ecirc;ncias sociais e, naturalmente, pela geografia. Apesar da emerg&ecirc;ncia relativamente recente no discurso cient&iacute;fico da geografia, os trabalhos seminais de Braudel, Wallerstein ou Bairoch, foram  desenvolvidos h&aacute; mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Estes autores definiram o processo de mundializa&ccedil;&atilde;o como multisecular e geo-hist&oacute;rico, resultante da expans&atilde;o progressiva do capitalismo no  espa&ccedil;o mundial. Segundo eles , este processo foi produzindo distintos sistemas geopol&iacute;ticos, geoestrat&eacute;gicos e geoecon&oacute;micos, conduzindo ao desenvolvimento de diferentes rela&ccedil;&otilde;es  culturais e gerando distintos fluxos, redesenhando novas geografias e alterando o sucessivo posicionamento relativo dos pa&iacute;ses e dos blocos pol&iacute;tico-econ&oacute;micos, que entretanto foram surgindo. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Perceber e analisar o posicionamento da Uni&atilde;o Europeia, bem como os pa&iacute;ses no seu espa&ccedil;o de proximidade, no actual contexto mundial constitui a raz&atilde;o do <i>Atlas de l&#8217;Europe dans le  Monde</i>. Fruto de um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do ESPON (<i>European</i><i> Spatial Planning Observation Network</i>), o trabalho, dirigido por Clarisse Didelon, Claude Grasland e Yann Richard,  constitui uma profunda reflex&atilde;o sobre a posi&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia na (re)organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o mundial na transi&ccedil;&atilde;o para o s&eacute;culo XXI, na terceira fase do  processo de mundializa&ccedil;&atilde;o, de economia mais liberal, de base financeira e menos regulada, segundo a mesma teoria da mundializa&ccedil;&atilde;o. </p>       <p>O atlas que nos &eacute; apresentado &eacute;  constitu&iacute;do por um riqu&iacute;ssimo conjunto de mapas e de gr&aacute;ficos, sempre acompanhados por textos de an&aacute;lise que abordam o posicionamento da europa relativamente &agrave; sua dimens&atilde;o  f&iacute;sica, demogr&aacute;fica, comercial, econ&oacute;mica e financeira, nas redes de transporte e de comunica&ccedil;&atilde;o, em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos humanos e &agrave; ajuda ao desenvolvimento, bem como das  suas rela&ccedil;&otilde;es com os pa&iacute;ses lim&iacute;trofes. </p>       <p>Dividido em seis partes e vinte e dois cap&iacute;tulos, este trabalho come&ccedil;a por discutir o melhor sistema de projec&ccedil;&atilde;o  cartogr&aacute;fica a utilizar na maior parte dos mapas. N&atilde;o sendo uma discuss&atilde;o muito comum neste tipo de trabalhos, os autores analisam as vantagens e as desvantagens de diferentes sistemas de  projec&ccedil;&atilde;o, acabando por optar por uma, n&atilde;o muito comum neste tipo de trabalhos: projec&ccedil;&atilde;o azimutal equidistante centrada no P&oacute;lo norte. No entanto, apesar da dificuldade que um leitor  menos preparado possa sentir na leitura dos mapas, a escolha revela-se adequada &agrave; vis&atilde;o euroc&ecirc;ntrica revelada neste trabalho, real&ccedil;ando a posi&ccedil;&atilde;o da europa no mundo. </p>       <p>Na primeira  parte, mesmo antes de se colocar a quest&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia no mundo, &eacute; questionada a delimita&ccedil;&atilde;o da europa e o pr&oacute;prio conceito de continente europeu, uma vez  que este continente nem sempre surge perfeitamente delimitado, tanto pela an&aacute;lise de diferentes vari&aacute;veis, como na percep&ccedil;&atilde;o individual dos europeus. No primeiro cap&iacute;tulo &eacute; analisada a  posi&ccedil;&atilde;o da europa no contexto mundial, a partir dos potenciais de superf&iacute;cie, de popula&ccedil;&atilde;o e de riqueza mundiais, permitindo verificar, como afirmam os autores, que diferentes  delimita&ccedil;&otilde;es podem ser encontradas para a europa. No segundo cap&iacute;tulo &eacute; discutida a import&acirc;ncia relativa da Uni&atilde;o Europeia no mundo, em termos populacionais, de superf&iacute;cie e de  produ&ccedil;&atilde;o de riqueza. No terceiro cap&iacute;tulo &eacute; analisada a posi&ccedil;&atilde;o da europa de acordo com as divis&otilde;es das grandes organiza&ccedil;&otilde;es internacionais e no quarto, como  corol&aacute;rio da discuss&atilde;o sobre os limites da europa, a sua delimita&ccedil;&atilde;o mental a partir de um inqu&eacute;rito dirigido a especialistas europeus em ordenamento do territ&oacute;rio. </p>       <p>Na segunda  parte &eacute; analisada a posi&ccedil;&atilde;o da europa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es demogr&aacute;ficas (cap&iacute;tulo 5), da sustentabilidade das tend&ecirc;ncias de evolu&ccedil;&atilde;o  das suas estruturas demogr&aacute;ficas (cap&iacute;tulo 6) e da rela&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica com a produ&ccedil;&atilde;o de riqueza (cap&iacute;tulo 7). A perda de import&acirc;ncia relativa em termos populacionais  e a debilidade da sua estrutura demogr&aacute;fica constituem as principais conclus&otilde;es, colocando-se tamb&eacute;m a quest&atilde;o da necessidade de refor&ccedil;ar a rela&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses ao sul do  Mediterr&acirc;neo. </p>       <p>A terceira parte analisa a posi&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia no conjunto de trocas internacionais. Os autores mostram o papel central que a Uni&atilde;o Europeia assume no com&eacute;rcio  internacional (cap&iacute;tulo 8), a relev&acirc;ncia como investidor internacional (cap&iacute;tulo 9) e a sua posi&ccedil;&atilde;o como centro financeiro (cap&iacute;tulo 10), finalizando com a an&aacute;lise da  posi&ccedil;&atilde;o da europa relativamente ao aux&iacute;lio ao desenvolvimento (cap&iacute;tulo 11). A principal conclus&atilde;o desta parte revela que, para al&eacute;m do peso real da Uni&atilde;o Europeia na economia  mundial, ela desenvolve um espa&ccedil;o de maior rela&ccedil;&atilde;o com pa&iacute;ses terceiros que ultrapassa mesmo o do antigo espa&ccedil;o colonial europeu. </p>       <p>A quarta parte analisa a posi&ccedil;&atilde;o da  europa nas redes mundiais de transportes e de comunica&ccedil;&otilde;es. A import&acirc;ncia que o transporte a&eacute;reo tem vindo a desempenhar no processo de mundializa&ccedil;&atilde;o conduziu &agrave; an&aacute;lise  individualizada do tr&aacute;fego a&eacute;reo (cap&iacute;tulo 12). A Uni&atilde;o Europeia constitui um dos grandes n&oacute;s no tr&aacute;fego a&eacute;reo mundial, a partir da rede aeroportu&aacute;ria, que n&atilde;o se  limita &agrave;s cidades situadas no topo da hierarquia urbana Europeia, mas inclui outras cidades que se t&ecirc;m vindo a afirmar como importantes <i>hubs</i><i> </i>nas liga&ccedil;&otilde;es extra-Europeias. Neste  cap&iacute;tulo &eacute; ainda definida uma interessante tipologia dos aeroportos europeus, atendendo &agrave;s liga&ccedil;&otilde;es a&eacute;reas dominantes em cada uma das infra-estruturas aeroportu&aacute;rias. No  cap&iacute;tulo seguinte &eacute; discutida a posi&ccedil;&atilde;o da europa como pot&ecirc;ncia mar&iacute;tima. A import&acirc;ncia da rede Europeia de portos, a posi&ccedil;&atilde;o Europeia no tr&aacute;fego de carga  contentorizada, a import&acirc;ncia da sua frota e das liga&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas intra-Europeias s&atilde;o amplamente analisadas neste cap&iacute;tulo. A posi&ccedil;&atilde;o da europa nas redes de energia  (cap&iacute;tulo 14) e nas redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es (cap&iacute;tulo 15) terminam esta parte. </p>       <p>A quinta parte &eacute; dedicada &agrave; an&aacute;lise da posi&ccedil;&atilde;o da europa relativamente  &agrave; salvaguarda dos direitos humanos (cap&iacute;tulo 16), do consumo e seguran&ccedil;a alimentar (cap&iacute;tulo 17), da preserva&ccedil;&atilde;o ambiental e observ&acirc;ncia dos princ&iacute;pios de desenvolvimento  sustent&aacute;vel (cap&iacute;tulo 18) e, por fim, do desenvolvimento humano, tendo como base o &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano da ONU (cap&iacute;tulo 19). A an&aacute;lise dos cap&iacute;tulos que comp&otilde;em esta  parte revela a posi&ccedil;&atilde;o de destaque que a Uni&atilde;o Europeia assume no cap&iacute;tulo do desenvolvimento humano e qualidade de vida, apesar das importantes disparidades internas. </p>       <p>Na &uacute;ltima parte  deste atlas, os autores concluem que a Uni&atilde;o Europeia possui todo um conjunto de fun&ccedil;&otilde;es e de capacidades que lhe permitem polarizar uma parte significativa do espa&ccedil;o mundial, ilustrando essa  capacidade atrav&eacute;s da an&aacute;lise dos fluxos tur&iacute;sticos (cap&iacute;tulo 20) e dos fluxos migrat&oacute;rios (cap&iacute;tulo 21). A Uni&atilde;o Europeia constitui o primeiro polo tur&iacute;stico mundial,  tanto pela atrac&ccedil;&atilde;o externa como pelos fluxos gerados internamente. Para al&eacute;m dos importantes fluxos internos, a presen&ccedil;a de turistas europeus &eacute; particularmente importante nos pa&iacute;ses que  ficam na sua proximidade, contribuindo dessa forma n&atilde;o s&oacute; para a integra&ccedil;&atilde;o Europeia como tamb&eacute;m para a integra&ccedil;&atilde;o desses espa&ccedil;os de vizinhan&ccedil;a, alargando o  espa&ccedil;o de influ&ecirc;ncia da europa. Da mesma forma, os movimentos migrat&oacute;rios reflectem a posi&ccedil;&atilde;o central da europa no processo de mundializa&ccedil;&atilde;o. A Uni&atilde;o Europeia constitui hoje  o principal polo de atrac&ccedil;&atilde;o de emigrantes, apesar das diferentes posi&ccedil;&otilde;es assumidas pelos estados membros, ora abrindo as suas fronteiras por imperativo econ&oacute;mico e por desajuste das suas  estruturas demogr&aacute;ficas, ora restringindo as entradas, seja por motivos securit&aacute;rios seja para justificar o equil&iacute;brio social interno de cada estado membro. O &uacute;ltimo cap&iacute;tulo, o vig&eacute;simo  segundo, constitui a s&iacute;ntese do trabalho, conseguida atrav&eacute;s da cartografia de cinco indicadores s&iacute;ntese, gerados a partir dos <i>scores </i>de uma an&aacute;lise em componentes principais, e de uma  tipologia das rela&ccedil;&otilde;es e do tipo de influ&ecirc;ncia da europa no mundo. Os indicadores s&atilde;o: a proximidade potencial &agrave; Uni&atilde;o Europeia, a proximidade hist&oacute;rica e lingu&iacute;stica, a  proximidade definida pelas trocas comerciais, a proximidade definida pelas diferen&ccedil;as de desenvolvimento e pelas complementaridades demogr&aacute;ficas e por um indicador sint&eacute;tico de influ&ecirc;ncia global da  Uni&atilde;o Europeia no mundo. A tipologia final define quatro grupos de pa&iacute;ses. O primeiro, o de <i>integra&ccedil;&atilde;o</i>, caracteriza os pa&iacute;ses de vizinhan&ccedil;a imediata, com fronteiras comuns  (R&uacute;ssia, Ucr&acirc;nia, Mold&aacute;via ...), ou separados por uma fronteira mar&iacute;tima menos expressiva (Marrocos, Arg&eacute;lia, Tun&iacute;sia...), onde a proximidade f&iacute;sica &eacute; refor&ccedil;ada pelas  rela&ccedil;&otilde;es comerciais, pelos fluxos demogr&aacute;ficos e pela polariza&ccedil;&atilde;o das liga&ccedil;&otilde;es a&eacute;reas internacionais atrav&eacute;s dos <i>hubs</i><i> </i>europeus. O segundo tipo, o da  <i>responsabilidade</i>, inclui o espa&ccedil;o constitu&iacute;do pelos pa&iacute;ses da &Aacute;frica Sub-Saariana, outrora espa&ccedil;o colonizado pelas pot&ecirc;ncias Europeias, e onde os la&ccedil;os se mant&ecirc;m  fortes, muito para al&eacute;m da proximidade lingu&iacute;stica. O terceiro tipo, o do <i>partenariado</i>, inclui os pa&iacute;ses mais distantes do continente europeu e que partilham uma l&iacute;ngua e uma hist&oacute;ria  comuns. Neste caso as rela&ccedil;&otilde;es coloniais foram desenvolvidas de forma mais intensa e constituem, na maior parte dos casos, rela&ccedil;&otilde;es antigas, tendo-se verificado movimentos migrat&oacute;rios da europa  para esses pa&iacute;ses desde o s&eacute;culo XVi at&eacute; ao in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Encontram-se neste grupo n&atilde;o s&oacute; pa&iacute;ses com n&iacute;veis de desenvolvimento id&ecirc;ntico ou superior ao  das antigas pot&ecirc;ncias coloniais (estados Unidos, Canad&aacute;, austr&aacute;lia, nova Zel&acirc;ndia) como tamb&eacute;m algumas das na&ccedil;&otilde;es emergentes (Brasil, &Iacute;ndia, Argentina ...). O quarto e  &uacute;ltimo grupo, o do <i>desafio</i>, &eacute; constitu&iacute;do por pa&iacute;ses localizados entre </p>       <p>O golfo P&eacute;rsico e a &Aacute;sia Oriental, onde a influ&ecirc;ncia Europeia &eacute; bastante atenuada. As  diferen&ccedil;as lingu&iacute;sticas e culturais, bem como as rela&ccedil;&otilde;es comerciais claramente desfavor&aacute;veis &agrave; Europa, permitem considerar este espa&ccedil;o como o espa&ccedil;o de desafio para a  europa no contexto da mundializa&ccedil;&atilde;o. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este atlas, para al&eacute;m da riqueza da informa&ccedil;&atilde;o e da an&aacute;lise, constitui igualmente um excelente exemplo t&eacute;cnico de cartografia e de  tratamento de informa&ccedil;&atilde;o, refor&ccedil;ando a ideia de que mapas rigorosos e inteligentes podem constituir bons ve&iacute;culos de divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o. Este atlas constitui, assim,  um instrumento de trabalho cient&iacute;fico incontorn&aacute;vel. </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p>Recebido: Julho 2011. Aceite: Dezembro 2011.</p>       ]]></body>
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