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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Geografia e Ordenamento do Território Centro de Estudos Geográficos]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>NOTÍCIA</b></p> <br/>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Exposi&ccedil;&atilde;o comemorativa dos 100 anos do nascimento de Orlando Ribeiro </b></p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Maria Fernanda Alegria<sup>1 </sup></b></p>       <p><sup>1</sup>Investigadora do Centro de estudos geogr&aacute;ficos-UL. E-mail: <a href="mailto:mfalegria@netcabo.pt">mfalegria@netcabo.pt</a> </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>           <p><i>A geografia &eacute;, ao mesmo tempo,  uma ci&ecirc;ncia de base e de converg&ecirc;ncia, um ponto de partida e um lugar de encontro: como uma encruzilhada, portanto, onde se chega e de onde se sai por v&aacute;rios caminhos. </i>(Orlando Ribeiro, <i>Mem&oacute;rias  de um Ge&oacute;grafo</i>, 2003, p. 127) </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A frase que d&aacute; t&iacute;tulo &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o, e ao respectivo cat&aacute;logo<a name="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>, sobre a vida cient&iacute;fica de Orlando Ribeiro  &#8722; ponto de partida, lugar de encontro &#8722; foi extra&iacute;da por In&ecirc;s Cordeiro, subdirectora da Biblioteca nacional de Portugal (BNP), deste pequeno texto do ge&oacute;grafo que, se fosse vivo, comemoraria 100  anos em 2011. Inaugurada na BNP no dia 26 de Outubro de 2011, com uma pequena cerim&oacute;nia de homenagem de alguns disc&iacute;pulos e amigos, a exposi&ccedil;&atilde;o ficou patente ao p&uacute;blico at&eacute; 29 de  Fevereiro de 2012 (<a href="#f1">fig. 1</a>). </p>       <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a>  <img src="/img/revistas/fin/n92/n92a11f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>No decurso de 2011, quer como resposta directa &agrave;s celebra&ccedil;&otilde;es do centen&aacute;rio de O. ribeiro, quer por feliz acaso, foram diversas as sess&otilde;es e  edi&ccedil;&otilde;es, em homenagem a essa grande figura da ci&ecirc;ncia portuguesa. Delas d&aacute; not&iacute;cia no excelente e bem impresso cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o (p. 15) a ge&oacute;grafa Suzanne  Daveau, incans&aacute;vel em tornar viva a mem&oacute;ria do investigador, professor e humanista, que foi seu marido. Sem o seu prest&iacute;gio e persist&ecirc;ncia muito do que Orlando Ribeiro fez pela geografia portuguesa  estaria hoje bem menos acess&iacute;vel aos muitos que procuram conhecer melhor a sua diversificada obra. A iniciativa de maior destaque &eacute; porventura o s&iacute;tio na internet (<a href="http://www.orlandoribeiro-info" target="_blank">www.orlandoribeiro-info</a>), que  s&oacute; a inquebrant&aacute;vel vontade de Suzanne Daveau conseguiu levar a cabo, com a ajuda de colaboradores e amigos pr&oacute;ximos, com destaque para In&ecirc;s Cordeiro e Maria Joaquina Feij&atilde;o da BNP. </p>       <p>A vida cient&iacute;fica e multifacetada de Orlando Ribeiro &eacute; documentada na exposi&ccedil;&atilde;o, e no respectivo cat&aacute;logo, por alguns dos seus muitos livros e artigos, mapas, cadernos de campo,  correspond&ecirc;ncia, fotografias de diversas partes do mundo, diplomas, condecora&ccedil;&otilde;es e objectos pessoais. Grande parte deste interessante esp&oacute;lio encontra-se j&aacute; depositada no <i>Arquivo de Cultura  Portuguesa Contempor&acirc;nea </i>da BNP, ao cuidado de F&aacute;tima Lopes. Um acervo de cerca de 400 pe&ccedil;as foi distribu&iacute;do por 8 per&iacute;odos cronol&oacute;gicos, que tiveram como inspira&ccedil;&atilde;o um  texto de Jo&atilde;o Carlos Garcia (1998), <i>O Mundo &agrave; sua procura</i>. O equil&iacute;brio s&oacute;brio da exposi&ccedil;&atilde;o deve-se ao gosto e empenho de Maria Jo&atilde;o Brites de Ara&uacute;jo,  respons&aacute;vel pela &#8220;&Aacute;rea de exposi&ccedil;&otilde;es&#8221; da BNP. Registam-se a seguir curtos t&oacute;picos sobre cada per&iacute;odo cronol&oacute;gico da vida de Orlando Ribeiro. </p>       <p><i>Fam&iacute;lia  e juventude (1911-1927): </i>percorrem-se os primeiros anos de vida, junto com a fam&iacute;lia mais pr&oacute;xima, e aspectos da viv&ecirc;ncia no Curvel (perto de runa, Torres Vedras), em Viseu e depois em Lisboa, onde fez os  primeiros estudos. </p>       <p><i>Os estudos superiores (1928-1936): </i>recorda-se a conviv&ecirc;ncia com alguns dos seus mais importantes mestres, as primeiras viagens em Portugal, o importante Cruzeiro de f&eacute;rias &agrave;s  col&oacute;nias em 1935, que suscitaria importantes trabalhos nas antigas prov&iacute;ncias ultramarinas portuguesas a partir de 1947, bem como a tese de doutoramento sobre a arr&aacute;bida, defendida em 1936. </p>       <p><i>A  Geografia francesa e os contactos internacionais (1937-1940): </i>foram 4 anos produtivos para o jovem Leitor de Portugu&ecirc;s na Sorbonne, pelo enriquecimento cultural e cient&iacute;fico pessoal e pelos numerosos,  frut&iacute;feros e duradoiros contactos internacionais, desde Emmanuel de Martonne a Hermann Lautensach. </p>       <p><i>A cria&ccedil;&atilde;o de uma Escola de Geografia portuguesa (1941-1949): </i>evocam-se os primeiros anos de  ensino universit&aacute;rio em Coimbra (1941-1943) e a cria&ccedil;&atilde;o, em 1943, do Centro de estudos geogr&aacute;ficos na Universidade de Lisboa, obra maior da sua carreira cient&iacute;fica. A dif&iacute;cil mas eficaz  concretiza&ccedil;&atilde;o do XVI Congresso internacional de geografia, em Lisboa em 1949, &eacute; ilustrada com os 4 volumes de actas, alguns dos 6 livros-guia das excurs&otilde;es e expressivos mapas. </p>       <p><i>O Ultramar:  encontros de culturas (1950-1965): </i>testemunha-se a descoberta e a explora&ccedil;&atilde;o do Ultramar portugu&ecirc;s, de Cabo Verde &agrave; &Iacute;ndia, passando pelo Brasil e outros pa&iacute;ses sul-americanos. Datam  de ent&atilde;o os famosos registos sobre as erup&ccedil;&otilde;es vulc&acirc;nicas do fogo, em Cabo Verde (1951) e dos Capelinhos, no faial (1957). </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Magist&eacute;rio e Investiga&ccedil;&atilde;o (1966-1981):  </i>ilustram-se os anos mais prof&iacute;cuos de ensino e de investiga&ccedil;&atilde;o de Orlando Ribeiro. A vida ao mesmo tempo calma e estimulante, que o casamento com Suzanne Daveau lhe proporcionou na resid&ecirc;ncia de  Vale de Lobos, permitiram-lhe publicar muito, criar a revista <i>Finisterra </i>(com Il&iacute;dio do Amaral e Suzanne Daveau), dar in&iacute;cio em 1979 aos Col&oacute;quios ib&eacute;ricos de geografia (com Angel Cabo Alonso),  duas iniciativas, entre outras, que perduram. </p>       <p><i>Homenagem e retiro em Vale de Lobos (1982-1997): </i>ap&oacute;s o jubileu em 1981 seria a altura de reeditar algumas das suas obras, pacientemente levada a cabo por  Suzanne Daveau, das condecora&ccedil;&otilde;es e doutoramentos <i>honoris causa </i>em diversas universidades. Foi tamb&eacute;m o tempo de rever antigos escritos, sonhar, ler e escrever poesia, ouvir m&uacute;sica, conversar  com os amigos. </p>       <p>No &uacute;ltimo escaparate da exposi&ccedil;&atilde;o podem ver-se obras editadas em sua homenagem por amigos e disc&iacute;pulos, come&ccedil;ando por um dos mais antigos e fieis: Il&iacute;dio do  Amaral. Na parede sobranceira, fotografias tiradas por Duarte Belo na resid&ecirc;ncia de Vale de Lobos. Apesar de s&oacute; ter conhecido Orlando Ribeiro j&aacute; em idade avan&ccedil;ada e doente, o fot&oacute;grafo conseguiu  captar o esp&iacute;rito da casa e a forma de estar e de ser dos seus habitantes. </p>       <p>Um dos primeiros mestres, depois amigo pr&oacute;ximo de Orlando Ribeiro, mereceu na exposi&ccedil;&atilde;o especial destaque. Leite de  Vasconcelos tem aqui um pequeno recanto, que tenta replicar a homenagem que desde h&aacute; muitos anos lhe &eacute; prestada em Vale de Lobos, com a presen&ccedil;a da sua mesa de trabalho, de uma bela cadeira, um quadro a  &oacute;leo, uma fotografia do pr&oacute;prio e algumas das obras de Orlando Ribeiro que d&atilde;o a conhecer a personalidade e os diversificados trabalhos cient&iacute;ficos do velho s&aacute;bio. </p>       <p>Orlando Ribeiro fez  amigos por onde passou, muitos dos quais j&aacute; faleceram. Entre os que sobrevivem foram seleccionadas oito personalidades, das mais variadas origens e profiss&otilde;es &#8722; actor, ge&oacute;grafo, editor, latinista,  ge&oacute;logo, historiador e fil&oacute;sofo &#8722;, que deixaram testemunhos evocativos do mestre na abertura da exposi&ccedil;&atilde;o, registados nas p&aacute;ginas iniciais do cat&aacute;logo (p. 13-59). Atrav&eacute;s  dessas palavras logramos reviver algumas ideias de Orlando Ribeiro sobre a geografia, a generosidade do seu ensino, a aten&ccedil;&atilde;o para com os outros, qualquer que fosse o seu estatuto, a sua prosa quase po&eacute;tica  que fez descobrir o Mundo a tantos leitores, a beleza das suas fotografias, a paix&atilde;o pela m&uacute;sica, a sempre inacabada investiga&ccedil;&atilde;o de campo, o gosto pela mesa enquanto se conversa de tudo, &agrave;s  vezes a irrever&ecirc;ncia, sempre a rectid&atilde;o, nunca a submiss&atilde;o. </p>       <p>Como homenagem final registem-se as palavras de um amigo e ge&oacute;grafo nosso contempor&acirc;neo, Jo&atilde;o Ferr&atilde;o: &#8220;tudo  o que se defende hoje em ci&ecirc;ncia estava presente em Orlando Ribeiro: capacidade de vis&atilde;o, independ&ecirc;ncia cient&iacute;fica, articula&ccedil;&atilde;o ensino-investiga&ccedil;&atilde;o, interdisciplinaridade,  internacionaliza&ccedil;&atilde;o, cultura abrangente e humanista, esp&iacute;rito empreendedor e reformista, reflexividade. Ser cl&aacute;ssico &eacute; justamente isso: ser permanentemente moderno&#8221;. </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>NOTAS</b></p>   <a name="2"></a><a href="#top2"><sup>2</sup></a><i>Orlando Ribeiro (1911-1997). Ponto de partida, lugar de encontro</i>. Biblioteca nacional de Portugal, 2011. na contracapa &eacute; indicado o nome de pessoas e de  institui&ccedil;&otilde;es que tornaram poss&iacute;vel a concretiza&ccedil;&atilde;o da iniciativa.</p>       ]]></body>
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