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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Geografia e Ordenamento do Território Centro de Estudos Geográficos]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>SÍNTESE BIBLIOGRÁFICA</b></p> <br/>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Iniciativas locais e luta contra a pobreza e a exclus&atilde;o </b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Andr&eacute; Carmo<sup>1</sup></b> </p>     <p></p>     <p> <sup>1</sup>Investigador, CEG-UL. E-mail: <a href="mailto:carmo@campus.ul.pt">carmo@campus.ul.pt</a> </p>     <p></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p><i>Initiative</i><i> locales et lutte contre la pauvret&eacute; et l&#8217;exclusion<a name="topi"></a><a href="#i"><sup>i</sup></a></i> &eacute; o resultado de um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o financiado pelo fundo quebequense de investiga&ccedil;&atilde;o social e cultural, no quadro de uma ac&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;ada em 2006, subordinada ao tema &#8220;pobreza e exclus&atilde;o social&#8221;. Nesta obra colectiva, dirigida por Juan-Luis Klein e Christine Champagne, s&atilde;o apresentados os resultados de cerca de tr&ecirc;s anos de investiga&ccedil;&atilde;o sobre iniciativas locais, nomeadamente, a luta contra a pobreza e a exclus&atilde;o levada a cabo por actores locais que mobilizam recursos provenientes da economia social. O enfoque nas iniciativas locais, deve-se ao facto de os autores considerarem que, nas mais das vezes, estas constituem a &uacute;nica forma de estes poderem ter um papel activo na luta contra a pobreza e a exclus&atilde;o. </p>     <p>Um dos tra&ccedil;os mais caracter&iacute;sticos do Quebeque &eacute; o dinamismo da sua sociedade civil. Assim, de entre os v&aacute;rios exemplos poss&iacute;veis de iniciativas locais actualmente existentes nessa prov&iacute;ncia canadiana, os autores seleccionaram dez para serem objecto de exame aprofundado. Apesar das diferen&ccedil;as, todas correspondem a iniciativas levadas a cabo por actores locais com o objectivo de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es e a qualidade de vida dos cidad&atilde;os. O objectivo deste trabalho &eacute; explorar os aspectos mais importantes para o sucesso das iniciativas locais, ou seja, os factores respons&aacute;veis pela cria&ccedil;&atilde;o de uma din&acirc;mica de reconvers&atilde;o s&oacute;cio-econ&oacute;mica das comunidades que lhes permite melhorar a qualidade e o n&iacute;vel de vida. </p>     <p>Esta investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; motivada por uma (dupla) quest&atilde;o fundamental: podem as iniciativas locais baseadas na economia social inverter os processos que conduzem &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o? Podem elas assegurar &agrave;s comunidades desvitalizadas uma maior acessibilidade aos recursos de produ&ccedil;&atilde;o ou distribui&ccedil;&atilde;o de riqueza, permitindo melhorar as condi&ccedil;&otilde;es e a qualidade de vida dos cidad&atilde;os? Para delimitar com maior precis&atilde;o a tem&aacute;tica em estudo, os autores definiram tamb&eacute;m tr&ecirc;s quest&otilde;es complementares: i) qual o papel da economia social face aos processos de desvitaliza&ccedil;&atilde;o territorial e de exclus&atilde;o social? ii) que tipo de rela&ccedil;&atilde;o deve estabelecer-se entre a economia social e a ac&ccedil;&atilde;o estatal para favorecer o sucesso das iniciativas locais de luta contra a pobreza e a exclus&atilde;o? iii) que forma deve ter o apoio estatal para promover o desenvolvimento de iniciativas locais cuja miss&atilde;o &eacute; contrariar e reverter os processos de desvitaliza&ccedil;&atilde;o territorial ou a exclus&atilde;o social? Assim formuladas, as quest&otilde;es a que o trabalho procura dar resposta denotam uma preocupa&ccedil;&atilde;o com os limites da ac&ccedil;&atilde;o desenvolvida pelas iniciativas locais, designadamente, o facto de estas n&atilde;o deverem ser vistas como substitutas da ac&ccedil;&atilde;o governamental e da economia privada. Pelo contr&aacute;rio, advoga-se que &eacute; na medida em que elas s&atilde;o capazes de mobilizar o estado e o sector privado que as iniciativas locais s&atilde;o mais eficazes. </p>     <p>O livro est&aacute; organizado em tr&ecirc;s partes. Na primeira, constitu&iacute;da por dois cap&iacute;tulos, s&atilde;o lan&ccedil;adas as bases conceptuais e anal&iacute;ticas consideradas necess&aacute;rias para abordar a pobreza e a exclus&atilde;o social. Em primeiro lugar, estabelecem-se os eixos de an&aacute;lise em torno da problem&aacute;tica territorial, de onde resultam as interroga&ccedil;&otilde;es que acima referimos. S&atilde;o analisadas as fracturas territoriais e as polariza&ccedil;&otilde;es que explicam o empobrecimento dos lugares e das comunidades locais. No segundo cap&iacute;tulo, aborda-se a evolu&ccedil;&atilde;o das defini&ccedil;&otilde;es e dos indicadores de pobreza e de exclus&atilde;o tomando em linha de conta o contexto territorial (Quebeque) em que se inserem os casos de estudo. Examinando as m&uacute;ltiplas facetas da luta contra a pobreza, este cap&iacute;tulo incide sobre as caracter&iacute;sticas principais de novas formas de pobreza e exclus&atilde;o. </p>     <p>A segunda parte integra cinco iniciativas locais existentes em Montreal que se inscrevem numa din&acirc;mica particular marcada por um conjunto de dualidades urbanas (ricos <i>vs</i><i> </i>pobres; maiorias <i>vs</i><i> </i>minorias culturais; inclu&iacute;dos <i>vs</i><i> </i>exclu&iacute;dos). No contexto metropolitano, pobreza e exclus&atilde;o t&ecirc;m express&atilde;o quer ao n&iacute;vel individual (monoparentalidade, baixos rendimentos, imigra&ccedil;&atilde;o recente, etc.), quer ao n&iacute;vel colectivo (desindustrializa&ccedil;&atilde;o, bolsas de pobreza, fragilidade do tecido social, etc.). As cinco iniciativas locais mobilizam uma grande diversidade de recursos e de actores e assumem diferentes configura&ccedil;&otilde;es, designadamente: i) o conselho local das interven&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias de Bourdeaux-Cartierville (CLIC), projecto de revitaliza&ccedil;&atilde;o urbana integrada, baseado na concerta&ccedil;&atilde;o de diferentes actores locais, maioritariamente institucionais, respons&aacute;veis pelos diferentes projectos sectoriais relacionados com a habita&ccedil;&atilde;o e os servi&ccedil;os; ii) o centro comunit&aacute;rio de lazer de C&ocirc;te-des-Neiges, organismo que visa promover a integra&ccedil;&atilde;o social dos imigrantes residentes num bairro multi&eacute;tnico atrav&eacute;s do voluntariado e da cultura; iii) a cozinha colectiva Hochelaga-Maisonneuve, entidade comunit&aacute;ria que contribui n&atilde;o apenas para o melhoramento da seguran&ccedil;a alimentar e da empregabilidade dos participantes, atrav&eacute;s de medidas direccionadas para a inser&ccedil;&atilde;o socio -profissional, mas tamb&eacute;m para a revitaliza&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio bairro; iv) o centro de alfabetiza&ccedil;&atilde;o popular e inser&ccedil;&atilde;o socioprofissional NA RIVE em Rosemont-La Petite-Patrie, organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos especializada na forma&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o social dos imigrantes rec&eacute;m-chegados, provenientes do Haiti; v) a associa&ccedil;&atilde;o &#8216;Mulheres com poder&#8217;, que procura criar um meio de vida adequado &agrave;s jovens m&atilde;es solteiras em situa&ccedil;&atilde;o de precariedade e vulnerabilidade social e profissional. </p>     <p>A terceira parte coloca o enfoque sobre cinco iniciativas locais em meios n&atilde;o metropolitanos (cidades m&eacute;dias e vilas rurais). No seu conjunto, estas iniciativas, confrontam-se com os efeitos e os desafios da passagem de uma economia baseada na explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais para uma outra centrada nos servi&ccedil;os e nas novas tecnologias. Os cinco casos apresentados s&atilde;o provenientes de duas regi&otilde;es: Bas-Saint-Laurent (que apresenta problemas gerais de desenvolvimento socioecon&oacute;mico) e Saguenay-Lac-Saint-Jean (muito dependente de uma economia ligada a um sector prim&aacute;rio fortemente abalado pelo encerramento de ind&uacute;strias e pela crise do sector da madeira). As iniciativas locais estudadas s&atilde;o: i) o grupo CODERR (corpora&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento da reciclagem e da recupera&ccedil;&atilde;o), localizado em alma, Lac-Saint-Jean, organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos que tem como objectivo a recolha e gest&atilde;o de res&iacute;duos, bem como a reciclagem de materiais usados; ii) a comunidade Sainte-Ir&egrave;ne, <i>cluster </i>socioecon&oacute;mico local, ou seja, que articula em rede quatro entidades locais (uma esta&ccedil;&atilde;o de esqui, uma organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos que opera no dom&iacute;nio florestal, uma cooperativa agr&iacute;cola e uma cooperativa de servi&ccedil;os de proximidade); iii) a comunidade de Ferland-et-Boilleau, estrat&eacute;gia de desenvolvimento que combina e integra os projectos tur&iacute;sticos, florestais, agr&iacute;colas e de servi&ccedil;os; iv) o quadro de luta contra a pobreza de Chicoutimi, iniciativa que procura, sem realmente ter sucesso, mobilizar e congregar os actores institucionais do meio local para a luta contra a pobreza; v) a cooperativa de consumidores de Saint-Bruno-de-Kamouraska, que ilustra, pela sua aus&ecirc;ncia, a relev&acirc;ncia das lideran&ccedil;as socialmente constru&iacute;das, da coes&atilde;o social e do sentimento de perten&ccedil;a territorial para o sucesso de projectos de desenvolvimento local. </p>     <p>As conclus&otilde;es sugerem que, apesar de contribuir para a revitaliza&ccedil;&atilde;o de meios locais e para a constru&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o de recursos comunit&aacute;rios, a partir dos quais se podem erigir projectos locais, a economia social, n&atilde;o pode, s&oacute; por si, impedir o aprofundamento das tend&ecirc;ncias para o empobrecimento e a exclus&atilde;o. Os actores devem promover estrat&eacute;gias plurais de desenvolvimento assentes numa articula&ccedil;&atilde;o virtuosa entre economias p&uacute;blica e privada. A economia social e a ac&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria devem ser vistas como trampolins e/ou incubadoras de iniciativas locais e n&atilde;o como mecanismos que possibilitam a redu&ccedil;&atilde;o do investimento estatal para o desenvolvimento local ou a desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o do estado no que concerne &agrave; interven&ccedil;&atilde;o territorial. </p>     <p>Os casos mostram que o sucesso das iniciativas locais orientadas para o combate &agrave; pobreza e a exclus&atilde;o depende da: i) exist&ecirc;ncia de uma lideran&ccedil;a socialmente constru&iacute;da; ii) capacidade dos l&iacute;deres e dos actores locais para mobilizar uma grande diversidade de recursos end&oacute;genos e ex&oacute;genos e de os combinar; iii) exist&ecirc;ncia de inst&acirc;ncias e organiza&ccedil;&otilde;es que permitam regular localmente os conflitos entre os actores e aprender a agir colectivamente; iv) identifica&ccedil;&atilde;o colectiva de objectivos estrat&eacute;gicos destinados a usar os programas p&uacute;blicos e outras estruturas de apoio ao desenvolvimento das colectividades; v) constru&ccedil;&atilde;o de identidades positivas e de uma consci&ecirc;ncia territorial, favorecendo tanto o envolvimento dos actores no seio das suas comunidades como a capacidade de cria&ccedil;&atilde;o de riqueza. </p>     <p>Em suma, as iniciativas estudadas indicam que a luta territorial contra a pobreza e a exclus&atilde;o deve incluir uma presen&ccedil;a forte, mas flex&iacute;vel, do estado. Por seu turno, esta presen&ccedil;a deve traduzir-se na transfer&ecirc;ncia ou redistribui&ccedil;&atilde;o de recursos, mas tamb&eacute;m materializar- -se na vontade e capacidade de facilitar a apropria&ccedil;&atilde;o local, bem como o papel activo e concertado dos actores locais no lan&ccedil;amento de iniciativas de desenvolvimento. Em parceria com o estado, a economia social pode ser considerada uma base essencial e eficaz para a mobiliza&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, aspecto necess&aacute;rio e absolutamente crucial para o desenvolvimento. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>NOTAS</b></p> <a name="i"></a><a href="#topi"><sup>i</sup></a>Klein J-L, Champagne C (dir.) (2011) <i>Initiatives locales et lutte contre la pauvret&eacute; et l&#8217;exclusion</i>. Presses de l&#8217;Universit&eacute; du Qu&eacute;bec, Qu&eacute;bec.     <p></p>      ]]></body>
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