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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>SÍNTESE BIBLIOGRÁFICA</b></p> <br/>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>A economia criativa e do conhecimento na competitividade das cidades europeias </b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Soraia Silva<sup>1</sup></b></p> <sup>1</sup> Bolseira de Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, do N&uacute;cleo de Estrat&eacute;gias e Pol&iacute;ticas Territoriais (NEST) do CEG. Email: <a href="mailto:soraiasilva@campus.ul.pt">soraiasilva@campus.ul.pt</a>     <p></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p>Em 2010, foi publicado o livro <i>Making Competitive Cities</i><a name="topi"></a><a href="#i"><sup>i</sup></a>, que apresenta os principais resultados do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o europeu <i>ACRE &#8211; Accommodating Creative Knowledge, </i>financiado pelo FP6 da UE, que decorreu entre 2007 e 2010, envolvendo equipas de cientistas sociais em treze cidades europeias: Amesterd&atilde;o, Barcelona, Birmingham, Budapeste, Dublin, Hels&iacute;nquia, Leipzig, Mil&atilde;o, Munique, Poznan, Riga, S&oacute;fia e Toulouse. O ge&oacute;grafo Sako Musterd, da Universidade de Amesterd&atilde;o, foi o coordenador. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objectivo central da investiga&ccedil;&atilde;o consistiu em identificar as condi&ccedil;&otilde;es que permitem o desenvolvimento das cidades criativas [e] do conhecimento<a name="topii"></a><a href="#ii"><sup>ii</sup></a>na Europa, aplicando uma metodologia comum a todos os casos, incluindo a an&aacute;lise documental e estat&iacute;stica de dados secund&aacute;rios e a realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas e inqu&eacute;ritos. O livro foi organizado em cinco partes, de acordo com os grandes par&acirc;metros metodol&oacute;gicos utilizados, indo muito al&eacute;m da jun&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o dos relat&oacute;rios parcelares preparados por cada uma das equipas (que podem ser consultados na p&aacute;gina do projecto <a href="http://acre.socsci.uva.nl/index.html" target="_blank">http://acre.socsci.uva.nl/index.html</a>) e propondo, ao longo dos diversos cap&iacute;tulos, uma compara&ccedil;&atilde;o imediata entre algumas das cidades, salientando como &eacute; que aspectos cruciais se revelam em diferentes contextos urbanos. </p>     <p>A parte I &#8722; Introdu&ccedil;&atilde;o &#8722; &eacute; composta por dois cap&iacute;tulos. O primeiro faz uma sinopse te&oacute;rica, emp&iacute;rica e metodol&oacute;gica do livro, posteriormente mais desenvolvida. No cap&iacute;tulo 2 &eacute; apresentado um enquadramento te&oacute;rico sobre as condi&ccedil;&otilde;es de competitividade das cidades, agrupado em quatro grandes blocos: as teorias cl&aacute;ssicas de localiza&ccedil;&atilde;o, que focam as condi&ccedil;&otilde;es <i>hard </i>no desenvolvimento dos territ&oacute;rios; a teoria dos <i>clusters, </i>que salienta o papel das economias de aglomera&ccedil;&atilde;o; as redes pessoais, que relevam a imbrica&ccedil;&atilde;o dos agentes em contextos espec&iacute;ficos e a <i>path dependency </i>dos territ&oacute;rios; por &uacute;ltimo, a teoria das condi&ccedil;&otilde;es <i>soft</i>, que se refere &agrave;s amenidades das cidades e ao modo como estas atraem a &#8216;classe criativa&#8217;. </p>     <p>Na Parte II &#8722; Percursos &#8722; s&atilde;o analisados os aspectos mais relevantes dos percursos de desenvolvimento das cidades. O cap&iacute;tulo 3 apresenta uma reflex&atilde;o te&oacute;rica sobre o assunto, que sustenta as hip&oacute;teses da an&aacute;lise, compostas por diferentes pilares: (i) cidades que se constituem como centros de poder pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos, (ii) centros hist&oacute;rico-culturais e educacionais, (iii) cidades especializadas em ind&uacute;strias altamente qualificadas ou tecnol&oacute;gicas e (iv) cidades vocacionadas desde cedo para o sector terci&aacute;rio, s&atilde;o as que re&uacute;nem em princ&iacute;pio, as melhores condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento dos sectores criativos e do conhecimento. O cap&iacute;tulo 4 retrata os casos de Amesterd&atilde;o, Munique e Mil&atilde;o. Estas cidades foram agrupadas por serem consideradas l&iacute;deres na economia criativa e do conhecimento na europa, o que em muito se deve &agrave; sua localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e &agrave; sua antiga centralidade econ&oacute;- mica e cultural. No cap&iacute;tulo 5, s&atilde;o analisadas Barcelona, Birmingham e Dublin, como casos de sucesso na transforma&ccedil;&atilde;o da economia e reinven&ccedil;&atilde;o da imagem urbana, processos em que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas tiveram um papel crucial. O cap&iacute;tulo 6 agrupa Budapeste, Leipzig, Poznan, Riga e S&oacute;fia, sob a premissa de terem tido um come&ccedil;o tardio em termos de investimento nos sectores criativos e do conhecimento, devido ao seu percurso pol&iacute;tico, o que se traduz, por exemplo, ainda actualmente, em fortes debilidades institucionais, situa&ccedil;&atilde;o que se apresenta como um dos seus principais desafios. O cap&iacute;tulo 7 retrata as cidades de Hels&iacute;nquia e Toulouse, que t&ecirc;m em comum a grande especializa&ccedil;&atilde;o (recente) em sectores tecnol&oacute;gicos e o investimento p&uacute;blico em I&amp;D, educa&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia e, tamb&eacute;m, a r&aacute;pida restrutura&ccedil;&atilde;o dos tecidos econ&oacute;mico e social nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, permitindo as traject&oacute;rias subsequentes. </p>     <p>A Parte III &#8722; Actores &#8722; &eacute; dedicada &agrave; an&aacute;lise emp&iacute;rica dos resultados das entrevistas e inqu&eacute;ritos. O cap&iacute;tulo 8 introduz a relev&acirc;ncia dos tr&ecirc;s grupos de agentes avaliados, associados aos sectores criativos e do conhecimento: os empreendedores e gestores de empresas, normalmente relacionados com modelos decorrentes das teorias cl&aacute;ssicas de localiza&ccedil;&atilde;o e de <i>clusters</i>, trabalhadores altamente qualificados e migrantes transnacionais, associados &agrave;s teorias das condi&ccedil;&otilde;es <i>soft</i>. O cap&iacute;tulo 9 trabalha sobre o primeiro grupo nas cidades de Hels&iacute;nquia, toulouse, Budapeste, Riga e S&oacute;fia, concluindo que as escolhas de localiza&ccedil;&atilde;o dos empreendedores e gestores est&atilde;o maioritariamente relacionadas com la&ccedil;os familiares e territoriais e que apenas em segundo lugar se torna &uacute;til separar as condi&ccedil;&otilde;es <i>hard </i>e <i>soft</i>, sendo as primeiras mais relevantes para explicar os percursos individuais do que as segundas. O cap&iacute;tulo 10 agrega a an&aacute;lise dos migrantes transnacionais em Amesterd&atilde;o, Barcelona, Dublin e Munique, refor&ccedil;ando a ideia de que os factores <i>hard </i>se revelam mais significativos que os <i>soft </i>(com excep&ccedil;&otilde;es em Barcelona) e evidenciando tamb&eacute;m outros factores relevantes como as pol&iacute;ticas nacionais de migra&ccedil;&atilde;o e o papel das redes familiares e tradicionais de migra&ccedil;&atilde;o. O cap&iacute;tulo 11 retrata os jovens trabalhadores altamente qualificados em Amesterd&atilde;o, Mil&atilde;o e Barcelona. Os autores conclu&iacute;ram que estes profissionais s&atilde;o pouco m&oacute;veis, permanecendo nas cidades onde j&aacute; possuem rela&ccedil;&otilde;es pessoais pr&eacute;vias e onde as institui&ccedil;&otilde;es educativas t&ecirc;m um papel determinante na reten&ccedil;&atilde;o de licenciados. O cap&iacute;tulo 12 discute as condi&ccedil;&otilde;es laborais dos trabalhadores criativos e do conhecimento nas cidades de Birmingham, Leipzig e Poznan, evidenciando a inseguran&ccedil;a e precariedade da maioria das situa&ccedil;&otilde;es laborais analisadas, embora muitos dos inquiridos indicassem, paradoxalmente, elevada satisfa&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da realiza&ccedil;&atilde;o pessoal. </p>     <p>A Parte IV &#8722; Pol&iacute;ticas &#8722; analisa criticamente as estrat&eacute;gias pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas que t&ecirc;m sido aplicadas nas cidades em estudo. No cap&iacute;tulo 13 &eacute; referido que, &agrave; luz dos resultados preliminares, os decisores devem pensar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a competitividade de forma integrada e n&atilde;o numa perspectiva sectorial que separe, por exemplo, as orienta&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, da pol&iacute;tica cultural ou do ordenamento do territ&oacute;rio. O cap&iacute;tulo 14 apresenta os casos de Dublin, Toulouse e Mil&atilde;o, onde os principais desafios se prendem com a conjuga&ccedil;&atilde;o de objectivos de solidariedade social e espacial com os de competitividade, sobretudo em Mil&atilde;o, onde a falta de confian&ccedil;a nas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas torna mais premente essa articula&ccedil;&atilde;o. O cap&iacute;tulo 15 apresenta os casos de Birmingham, Poznan e Hels&iacute;nquia enquanto exemplos da aplica&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de <i>clusters</i>, concluindo que o seu sucesso &eacute; amplamente determinado pela conjuga&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas econ&oacute;micas locais/regionais e nacionais, e pela presen&ccedil;a de outros factores de sucesso aos n&iacute;veis local e regional. O cap&iacute;tulo 16 trata tr&ecirc;s cidades que &#8216;querem&#8217; ser criativas: Amesterd&atilde;o, Munique e Budapeste. Embora com percursos distintos, as principais semelhan&ccedil;as identificadas prendem-se com a prioridade dada pelas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas aos factores <i>hard</i>. O cap&iacute;tulo 17 diz respeito &agrave;s formas de governan&ccedil;a emergentes nas cidades de Leipzig, Barcelona e S&oacute;fia, salientando as diferen&ccedil;as entre a maior auto-organiza&ccedil;&atilde;o nas actividades art&iacute;sticas e a maior formalidade <i>top-down </i>nos sectores intensivos em conhecimento, embora o financiamento p&uacute;blico seja sempre fundamental e as pol&iacute;ticas tendam a valorizar a cria&ccedil;&atilde;o de redes e contextos informais de cria&ccedil;&atilde;o e troca de conhecimento. </p>     <p>Por &uacute;ltimo, a Parte V &#8722; S&iacute;ntese &#8722; &eacute; composta por um &uacute;nico cap&iacute;tulo em que s&atilde;o destacadas as principais conclus&otilde;es do estudo, nomeadamente: a import&acirc;ncia do percurso hist&oacute;rico, pol&iacute;tico, econ&oacute;mico e social de cada cidade at&eacute; ao presente e o planeamento do futuro; o relevo que a exist&ecirc;ncia pr&eacute;via de redes pessoais tem nas traject&oacute;rias individuais, sobrepondo-se &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es <i>hard </i>e <i>soft</i>; as primeiras continuam contudo a ser preponderantes, enquanto as segundas actuam sobretudo como factor de reten&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o parece existir uma classe criativa altamente m&oacute;vel nas cidades europeias, ao contr&aacute;rio do que se verifica na Am&eacute;rica do Norte, o que deve associar-se a diferen&ccedil;as culturais de base; finalmente, salienta-se a necessidade de pensar nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de forma sectorialmente integrada e multiescalar. </p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>NOTAS </b></p> <a name="i"></a><a href="#topi"><sup>i</sup></a>Musterd S, Murie A (eds.) (2010) <i>Making Competitive Cities</i>. Wiley-Blackwell, Oxford.     <p></p> <a name="ii"></a><a href="#topii"><sup>ii</sup></a>No original, os autores utilizam a express&atilde;o &#8220;creative knowledge cities&#8221;.     ]]></body>
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