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</front><body><![CDATA[ <div>       <p align="right"><b>NOTA</b></p>       <br>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Espaços inventados, a Verdadeira e última fronteira? Alguns exemplos </b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Victor S. Gonçalves<sup>1 </sup></b><a href="#i"><sup>i</sup></a><a name="topi"></a></p>       <p><sup>1 </sup>Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. E-mail: <a href="mailto:vsg@campus.ul.pt">vsg@campus.ul.pt</a> </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>       <p><i>Em memória de Orlando Ribeiro, que, ao visitar com Suzanne Daveau as minhas escavações em Vila Nova de S. Pedro, me explicou, tarde de mais, o que era a Faculdade de Letras de Lisboa em meados dos anos 80. </i></p>       <p><i>Só nos relatos de Marco Polo, Kublai Khan conseguia discernir, através das muralhas e das torres destinadas a ruir, a filigrana de um desenho tão fino que escapasse ao roer das térmitas. (&#8230;) </i></p>       <p><i>Os olhos não v&ecirc;em coisas mas sim figuras de coisas que significam outras coisas: a tenaz indica a casa do arranca-dentes, a garrafa a taverna, a alabarda o corpo de guarda, a balança romana a ervanária. (&#8230;) </i></p>       <p><i>O atlas do Grão Khan também contém os mapas das terras prometidas visitadas em pensamento mas ainda não descobertas ou fundadas: a nova atl&acirc;ntida, Utopia, a Cidade do sol, Oceana, Tamo é, Harmonia, New-Lamark, Icária. </i></p>       <p><i>Italo Calvino (2008), Cidades Invisíveis: </i> </p>       <p><i>9-10, 17, 165 </i></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>1. COMEÇANDO </b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Não falando de Jules Verne, que é de uma outra liga, durante muitos anos, a literatura dita &laquo;ficção científica&raquo;, em sentido estrito, publicou textos curtos, ilustrados com extra-terrestres maléficos, damas bem desenvolvidas e robots de apreciáveis dimens&otilde;es. Este gosto por mulheres pulposas, <i> aliens</i><i> </i>e maquinarias semi-humanas gigantescas, tem naturalmente que ver com a invenção de alternativas, mecanismos de compensa ção e os próprios medos das sociedades que saem profundamente danificadas de duas guerras mundiais devastadoras. O mesmo, ainda que n ão exactamente, acontece com a literatura dita &laquo;fantástica&raquo;, que ressuscita histórias que v&ecirc;m pelo menos desde a idade M édia, onde fizeram furor. Como, em Portugal, a de Briolanja, a menina dos le&otilde;es... Há no entanto o cuidado de as localizar em é pocas específicas, até mesmo em planetas diferentes ou galáxias distintas, muitas vezes acompanhadas pelo mito da espada, seja ela de a ço superior (Conan, que obtém a sua numa antiga sepultura &laquo;megalítica&raquo;, ou excalibur, de origem incerta) ou de luz (<i>Star Wars</i>, claro, sendo naturalmente vermelha a cor dos maus, frequentemente péssimos...). </p>       <p>Mas onde ficam ilhas, Continentes, Oceanos, Planetas, sistemas solares, Galáxias? Onde realmente se passaram coisas e situações, quer em tempos curtos, quer em outros, mais longos? Menoridades geográficas ou nem por isso? </p>       <p>O que Marco Polo contava a Kublai Khan existia mesmo assim, sem mapas ou ilustrações, apenas na mem ória do viajante? Ou nem sequer era preciso que existisse? Até que ponto o traçado de um rio ou as fronteiras de um Oceano não podem ser terrivelmente decepcionantes na sua inevitável minud&ecirc;ncia? </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>2. VIAGENS POR TERRA </b></p>       <p>J. R. Tolkien (1892-1973) n ão apenas escreveu sobre o Mundo dos Hobbits, mas também sobre o do senhor dos anéis. Parecem o mesmo, mas talvez não sejam. No entanto, o Mundo a que se referem fisicamente é um só e as longas peregrinações, ou buscas, é nele, e só nele, que decorrem, ainda que a força das imagens diacrónicas desse Mundo seja notável e a sua Geografia mude com o passar do tempo, perante o peso do terror e da ameaça que deslocam os centros de acção no decorrer da Viagem. </p>       <p>E toda uma Geografia implícita começa logo com a designação de <i>Terra do Meio</i>. Se há uma terra do Meio há forçosamente duas outras, se esquecermos os lados. E não é apenas no sentido geográfico, mas também no metafórico, que a categoria conta. Equilíbrio e desequilí brio. O Mundo dos Hobbits é um mundo de equilíbrio relativo, Paz e Alegria. Fora dele, ainda que longe, mora a Guerra e os reinos devastados de humanos, combatendo entre si, restos de antigas disputas, reacendidas pelo Mal. </p>       <p>E os filmes da saga, no inevitável <i>merchandising</i> que geram, produziram também Cartografia. Em blocos, agendas e tantos outros suportes. Alguns com notável finura de traço (<a href="#f1">fig. 1</a>). </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a05f1.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contrariamente ao que uma Geografia optimista poderia fazer esperar, a progressão no espaço não é apenas rigorosa pelos riscos que implica, mas pelos obstáculos cada vez mais evidentes de uma paisagem cada vez mais desolada. E nem a eventual morte do anel ameniza o gigantismo das muralhas ou dos seres ressuscitados pelo Mal. </p>       <p>Jack Vance (1916-2013), em <i>O Ciclo de Tscha&iuml;</i> (1968, 1969a, 1969b, 1970), reconstrói um Mundo que só tem um início, o local onde cai a nave que vem da terra, e um fim, o sítio de onde o astronauta perdido voltará ao espaço e, esperamos que sim, porque bem o mereceu, ao planeta de onde partiu. </p>       <p>O Ciclo de Tscha&iuml; n ão precisa de Geografia, é um percurso por categorias que envolvem a terra, a da superfície e a da Profundidade das cavernas, o Mar, o ar e o espaço interestelar. Tudo se toca e interpenetra, claro, mas não é isso que conta. </p>       <p>Vance foi um autor desconcertante, capaz de obras muito boas e de outras assim-assim. O seu gosto por deslocar a acção de uma trama única por vários planetas (ou absorver o espaço de um s&oacute;, como no Planeta Gigante, 1951) torna as geografias impossíveis. Um herói único, muitos mundos. Cartograf &aacute;-los ocuparia muito tempo. </p>       <p>Andy Weir (1972- ), tal como, ainda que menos, Pratchett, usa uma Cartografia com dados importantes, ainda que simplificados (<a href="#f2">fig. 2</a>). No mapa que abre <i>The</i><i> Martian</i>, 2011, aparece uma escala gráfica como as que nós usamos, e, logo na pá gina seguinte, uma ampliação sectorial do mapa. Claro que provavelmente não iremos nunca &agrave; cratera schiaparelli ocidental (nem &agrave; oriental...), e que a ampliação é absolutamente inútil, mas a convicção e o brilho merecem relevo. Como o humor, graficamente não representável, (p. 205 da tradução francesa): &#8722; Venkat, acreditas em Deus, perguntou Mitch. &#8722; Claro. Sou hindu. Acredito em muitos deuses. </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a05f2.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p><b>3. VIAGENS POR MAR </b></p>       <p>Nos quase infindáveis <i>Anais do Disco Mundo</i>, Terry Pratchett (1948-2015), que acaba de morrer, produz uma grande reviravolta na história das rela ções entre Geografia e espaços inventados, ao publicar <i>The Complete Ankh-Morpork</i> (em Franc&ecirc;s:<i> Tout Ankh-Morpork. Guide Touristique Exhaustif</i>). E isto porque o nome do livro é inultrapassável em precisão. é mesmo um Guia turístico, com uma Cartografia tão exacta como totalmente inventada. Tal como as cidades gémeas de Ankh e Morpork. Quanto ao texto, adopta um grafismo (e conteúdo) brilhantemente adaptado de almanaques antigos... </p>       <p>Chamo a atenção para a força e excel&ecirc;ncia da grande planta em desdobrável que acompanha o livro, do detalhe do original e mesmo dos pormenores ampliados, com coordenadas alfanuméricas (<a href="#f3">fig. 3</a>), de uma carta com &laquo;prático&raquo; uso turístico, se Ankh-Morpork existisse e fosse visitável... </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>   <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a05f3.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Paul Kearney (1967- ), nos cinco volumes de <i>As monarquias divinas</i> (1995, 1996a, 1996b, 1999, 2002), adopta o sistema mais económico possível: o mesmo mapa para os cinco volumes. Mais uma vez, um Mar (o Grande Oceano Ocidental), rodeado por pequenas ilhas e por pontas maiores ou menores de continentes. Uma pequena escala e uma elegante seta indicando o norte. E muitas cordilheiras, pouco imaginativamente orientadas nor-noroeste... </p>       <p>Mas o Mar, uma das Mães da Cartografia clássica, está presente pelo menos em quatro das cinco capas dos volumes da edição monegasca (<a href="#f4">fig. 4</a>). E não é claro que não esteja no quinto volume: é um rio que vemos? Ou a ponta de um Oceano? </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a05f4.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p><b>4. FANTASIA E FANTáSTICO </b></p>       <p>Jay Kristoff (n. ?), em <i>Stormdancer</i>, <i>Kingslayer</i> e <i>Endsinger</i> (<i>The</i><i> lotus war</i>, 2012, 2013, e 2015) não se afasta da economia de detalhes detectada entre outras situações, ainda que a virtuosidade da sua escrita tenha muito a ver com a eficácia japonesa. Um <i> steampunk</i> a propósito de um arquipélago que recorda (e com razão) o Japão comprimido por uma tenaz? Numa Cartografia insular (<a href="#f5">fig. 5</a>), tão ao agrado dos autores da nova <i>Science</i><i> Fiction</i>, esta proveniente da execução brilhante de David Atkinson (<i> handmademaps</i><i>. Com</i>)? Outra coisa não seria de esperar. Só falta a espada, uma espada que hoje seria certamente do super-aço japon &ecirc;s VG-1 san Mai III, como a minha Kukri... </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a05f5.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Scott Lynch (1978- ), na sua trilogia <i> Les</i><i> salauds Gentilshommes</i> (2006, 2007, 2014), também vive de algum modo da água e da Geografia improvável. Basta ver o mapa (<a href="#f6">fig. 6</a>) desenhado para Karthain (nome inspirado em Cartago?), logo a abrir o 3º volume (2013). Dos estranhos cursos de água inventados só um deles desemboca no Amathel, o Lago das Jóias, um Lago com ilhas bizarras. </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a05f6.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p><b>5. AHHH !! O ESPAÇO ?? </b></p>       <p>Tirando IX, um planeta especializado em máquinas e armas (Herbert, 1965), cujos detalhes geográficos deveriam compreensivelmente ser mantidos em segredo, não h&aacute;, surpreendentemente, grandes grafismos sobre os planetas governados pelo Padishah e id &ecirc;nticos super-líderes. E, sobretudo, o que seria ainda mais interessante, sobre as suas interligações espaciais. Sempre que há um império no espaço, ou uma república confederada, como nos primeiros episódios de <i>Star Wars</i>, há aus&ecirc;ncias gr áficas impressionantes e cada planeta por si. E com os muito úteis portais espaciais, espécie de Via Verde galáctica, então para qu&ecirc; cartografar? E é com alguma surpresa que ouvimos, em algumas séries, falar misteriosamente de &laquo;territórios não cartografados&raquo;, quando ao longo dos episódios que se desmultiplicam não se v&ecirc; qualquer aparelho preparado para registar simples crateras ou rios integrados referidos nos textos escritos. Na sua longa série sobre a &laquo;Cultura&raquo; (11 volumes, se incluirmos <i>The</i><i> Hydrogen Sonata</i>), Ian M. Banks (1954-2013) descreve um outro tipo de associação planetária que nada tem que ver com isto. Mas que, sob outras perspectivas, é exemplar. E também incartografável. </p>       <p>Autores mais antigos, como Poul Anderson (1926-2001), Isaac Asimov (1920-1992), Lloyd Biggle Jr. (1923-2002), Ray Bradbury (1920-2012), Philip Dick (1928-1982), Robert Sheckley (1928-2005), Ursula Le Guin (1929-) ou outros, mais recentes, como Dan Simmons (1948-), Kim S. Robinson (1952-), Joe Scalzi (1969-), oscilaram entre algum espaço, sempre facilmente transponí vel, histórias de <i>space</i><i> opera </i>e narrativas mais sólidas, e a criação de inexcedível beleza das <i>Martian </i><i> Chronicles</i> (de Bradbury, obrigatória a leitura da versão inglesa) ou a prosa poética de Le Guin ou o génio de Philip Dick. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>6. PARA ALÉM DE TUDO </b></p>       <p>O rio que Orlando Ribeiro gostaria de ter fotografado só poderia ser o de Philip Jose Farmer (1918-2009). Aí temos a Geografia mais improvável, quando se fala do Mundo dos Mortos (<i>Riverworld</i>) como um percurso envolvente, em cujas margens todos acabaríamos por nos encontrar depois da morte (pensando em algumas criaturas que conheci, ao vivo ou por livros, mortas ou ainda vivas, s ó a perspectiva me aterroriza... E não pertenço ao grupo dos que se assustam facilmente...). é uma Geografia felizmente imposs ível. </p>       <p>Mas como representar um rio que não conta por ele próprio, mas pelo &laquo;conteúdo&raquo;? Um rio com 32 milh&otilde; es de quilómetros, com margens povoadas por 40 mil milh&otilde;es de ressuscitados? </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Não é um rio que é importante para Peter f. Hamilton (1960- ), mas mais uma veza água e o gosto pela representação de uma poeira de pequenas ilhas na sua Cartografia (detalhe na <a href="#f7">figura 7</a>, abertura da edição original, 2012). Hamilton nasceu perto do rutland Water Park... </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a05f7.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Uma palavra para Neil Gaiman (1960- ), um não-geógrafo militante, mas alternativo. A<i>merican</i><i> Gods</i> (2001), de que há edição portuguesa, cria uma nova Geografia, a da emigração dos deuses para a américa, levados pelos seus adoradores. A Geografia traduz aqui um processo de colonização (e de subsequente afrontamento) entre divindades arrancadas do seu contexto de origem e que se reorganizam em solo estrangeiro. Um livro a vários títulos notável. Dispensada Cartografia. Em <i>Neverwhere</i>, uma obra sombria, que cito por vezes e pela qual tenho verdadeira afeição, está subentendida a Geografia dos dois mundos, que se fundem &agrave;s vezes, tal como na quase infantil série <i>Torchwood</i>, com a vantagem para aquela de uma excelente escrita... </p>       <p>Tal como em Arrakis, mais conhecido por Dune (1965), de Frank Herbert (1920-1986). A Guerra entre as Casas Harkonnen e Atreides passa-se no espaço, mas sobretudo em Dune, um nome inspirado na verdadeira Mu Draconis, da Constelação Draco. Guerra controlada pelo imperador Padishah, pela Guilda dos navegadores e pelo <i>Landsraad</i>, numa subtil teia de manipulações. Cartografar esta complexa situação é quase impossível e Herbert não o fez. </p>       <p>Acabo este curto texto, de escrita rápida, com a evid&ecirc;ncia do contraste: a Geografia e o seu contraponto gráfico, a Cartografia, s ão imprescindíveis, quando o são. E claro que nós, portugueses, devemos ter orgulho em Fernão Vaz Dourado, João Teixeira de Albernaz e tantos outros, que desenharam mapas e os ilustraram com contornos &laquo;verdadeiros&raquo; e figuras que nem sempre o eram. E orgulhosos tanto pela Geografia que sai de imagens de satélite, de alta resolução, como pela que inventou o Preste João, que pouco importa se existiu ou não... </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>       <p>A primeira data indicada, sempre que disponível, é a da edição original, a segunda, entre par&ecirc;nteses rectos, a da tradução utilizada. No texto, as refer&ecirc;ncias correspondem &agrave; edição original. </p>       <!-- ref --><p>Banks, I. M. (2012). <i>The Hydrogen Sonata</i>. Londres: Orbit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273296&pid=S0430-5027201500020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <p>Bradbury, R. (1950). <i>The Martian Chronicles. </i>Special USA edition. </p>       <!-- ref --><p>Calvino, I. (1972 [2008]). <i>As cidades invisíveis</i>. Lisboa: teorema.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273299&pid=S0430-5027201500020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Farmer, P. J. (1971 [1979]). <i>Le Fleuve de l&#8217;&eacute;ternité, 1: Le monde du fleuve</i>. Paris: Pierre Laffont.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273301&pid=S0430-5027201500020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Farmer, P. J. ([1971]). <i>Le Fleuve de l&#8217;&eacute;ternité, 2: Le bateau fabuleux</i>. Paris: Pierre Laffont.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273303&pid=S0430-5027201500020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Farmer, P. J. (1977 [1980]). <i>Le Fleuve de l &#8217;&eacute;ternité, 3: Le noir des</i>sein. Paris: Pierre Laffont.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273305&pid=S0430-5027201500020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Farmer, P. J. (1980 [1982]). <i>Le Fleuve de l&#8217;&eacute;ternit é, 4: Le Labyrinthe magique. P</i>aris: Pierre Laffont.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273307&pid=S0430-5027201500020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Farmer, P. J. (1983 [1984]). <i>Le Fleuve de l&#8217;&eacute;ternité, 5: Les Dieux du fleuve</i>. Paris: Pierre Laffont.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273309&pid=S0430-5027201500020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Gaiman, N. (2001 [2002]). <i>American Gods</i>. Paris: au Diable Vauvert.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273311&pid=S0430-5027201500020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Gaiman, N. (1996 [2005]). <i>Neverwhere</i>. London: BBC Books; Headline review.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273313&pid=S0430-5027201500020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Hamilton, P. E. (2012). <i>Great North Road</i>. Oxford: MacMillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273315&pid=S0430-5027201500020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Herbert, F. (1965 [1970]). <i>Dune</i> 1, Paris, Pierre Laffont.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273317&pid=S0430-5027201500020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Howard, R. E. (1932-1933 [2007]). <i>Conan 1</i>. Paris: Bragelonne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273319&pid=S0430-5027201500020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Howard, R. E. (1934 [2008]). <i>Conan 2</i>. Paris: Bragelonne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273321&pid=S0430-5027201500020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Howard, R. E. (1934-1935 [2008]). <i>Conan 3</i>. Paris: Bragelonne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273323&pid=S0430-5027201500020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <p>Kearney, P. (1995 [2004]). <i>Les monarchies divines 1 Le voyage d&#8217;Hawkwood. M</i>onaco: éditions du </p>       <p>Kearney, P. (1996a [2005]). <i>Les monarchies divines 2 Les rois h érétiques</i>. Monaco: éditions du rocher fantasy. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Kearney, P. (1996b [2005]). <i>Les monarchies divines 3 Les guerres de fer</i>. Monaco: éditions du rocher fantasy. </p>       <p>Kearney, P. (1999 [2006]). <i>Les monarchies divines 4 Le second Empire</i>. Monaco: éditions du rocher fantasy. </p>       <p>Kearney, P. (2002 [2007]). <i>Les monarchies divines 5 Les vaisseaux de l&#8217;Ouest</i>. Monaco: éditions du rocher fantasy. </p>       <!-- ref --><p>Kristoff, J. (2012 [2014]). <i>Stormdancer</i>. La guerre du Lotus 1. Paris: Bragellone.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273330&pid=S0430-5027201500020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Kristoff, J. (2013 [2015]). <i>Kingslayer. La guerre du Lotus 2</i>. Paris: Bragelonne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273332&pid=S0430-5027201500020000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Kristoff, J. (2015). <i>Endsinger: The Lotus War 3</i>. New York: Thomas Dunne Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273334&pid=S0430-5027201500020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Lynch, S. (2006 [2007]). <i>Les salauds Gentilshommes. 1. Les mensonges de Locke Lamora. P</i>aris: Bragellonne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273336&pid=S0430-5027201500020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Lynch, S. (2007 [2008]). <i>Les salauds Gentilshommes Des Horizons Rouge Sang</i>. Paris: Bragellonne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273338&pid=S0430-5027201500020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Lynch, S. (2013 [2014]). <i>Les salauds Gentilshommes. La République des Vol</i>eurs. Paris: Bragellonne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273340&pid=S0430-5027201500020000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Pratchett, T. (2012 [2014]). <i>Tout Ankh-Morpork. </i><i>Guide Touristique Exhaustif. Nantes: L &#8217; Atalante</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273342&pid=S0430-5027201500020000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Tolkien, J. R. R. (1937) <i>The Hobbit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273344&pid=S0430-5027201500020000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </i>UK: George allen &amp; Unwin. </p>       <!-- ref --><p>Vance, J. (1968 [2001]). Le Cycle de tscha&iuml; 1. <i>Le Chasch</i>. Paris: J&#8217;ai lu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273346&pid=S0430-5027201500020000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Vance, J. (1969 [1999]). Le Cycle de tscha&iuml; 2. <i>Le Wankh</i>. Paris: J&#8217;ai lu&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273348&pid=S0430-5027201500020000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Vance, J. (1969 [1999]). Le Cycle de tscha&iuml; 3. <i>Le Dirdir</i>. </p>       <p>Vance, J. (1951 [2008]). <i>Plan&egrave;te géante</i> (L&#8217;inté grale). Paris: J&#8217;ai lu. Saint-Mamm&egrave;s: Le Bélial. </p>       <p>Vance, J. (1970 [1977]). Le Cycle de tscha&iuml; 4. <i>Le Pnume</i>. </p>       <p>Weir, A. (2011 [2014]). <i>Seul sur Mars</i>. Paris: Paris: J&#8217;ai lu. Bragellone. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>Recebido: Março 2015. Aceite: Julho 2015. </p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><b>NOTAS</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><a href="#topi"><sup>i</sup></a><a name="i"></a><b>Victor S. Gonçalves</b> é Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde fundou o Centro de Arqueologia (UNIARQ) e nele o Grupo de trabalho sobre as antigas sociedades Camponesas (WaPs). Conduziu também, desde 1974, todas as fórmulas dos cursos em arqueologia. Para além de arqueólogo de campo, é um leitor militante de largo espectro e um adepto de Música (clássica, jazz e folk). Foi aluno, em disciplinas opcionais de Orlando Ribeiro, Jorge Dias e Viegas Guerreiro.  </div>      ]]></body><back>
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