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<journal-title><![CDATA[Finisterra - Revista Portuguesa de Geografia]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sobre a conceptualização contemporânea do &#8220;espaço&#8221; na cultura ocidental]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[On the contemporary conceptualization of &#8216; space' in western culture]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the philosophical category of &#8216;space', given its growing importance in Western culture. It explores the impact of this category in different sciences (beyond geography) and underlines its significant symbolic meaning in literature and the arts (evoking the PAINTING-ROBOTS example). Surrealistic flânerie and situationistic psychogeography are addressed as an interaction of urban space with the affective human mind. Finally, the paper focuses on the reordering of physical and virtual space in terms of its interaction with time, as a consequence of physical and computer-generated technologies]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Viragem espacial]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <div>       <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>       <br>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Sobre a conceptualiza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea do &#8220;espa&ccedil;o&#8221; na cultura ocidental </b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>On the contemporary conceptualization of &#8216; space&#8217; in western culture</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Henrique Garcia Pereira<sup>1</sup></b><a href="#i"><sup>i</sup></a><a name="topi"></a></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup>1</sup></b>Professor catedr&aacute;tico do Instituto Superior T&eacute;cnico. E-mail: <a href="mailto:henrique.pereira@tecnico.ul.pt">henrique.pereira@tecnico.ul.pt</a>&nbsp; </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>RESUMO</b></p>       <p>Este texto discute a categoria filos&oacute;fica de &#8220;espa&ccedil;o &#8221;, atendendo &agrave; sua import&acirc;ncia crescente na cultura ocidental. Estuda-se o impacto dessa categoria em diferentes ci&ecirc;ncias (para al &eacute;m da geografia) e sublinha-se o seu importante significado simb&oacute;lico na literatura e nas artes (evocando o exemplo dos ROBOTS-PINTORES). Como interac&ccedil;&atilde;o entre o espa&ccedil;o urbano e a mente humana afectiva, apresenta-se o caso da deambula&ccedil;&atilde;o surrealista e da psicogeografia dos situacionistas. Finalmente, salientam-se as modifica&ccedil;&otilde;es sofridas pelo espa&ccedil;o f&iacute;sico e virtual, em termos do seu tempo de atravessamento atrav&eacute;s das tecnologias f&iacute;sicas e computadorizadas. </p>       <p><b>Palavras-chave</b>: Viragem espacial, acontecimento, psicogeografia, ROBOTS-PINTORES, surrealismo. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>This paper discusses the philosophical category of &#8216;space&#8217;, given its growing importance in Western culture. It explores the impact of this category in different sciences (beyond geography) and underlines its significant symbolic meaning in literature and the arts (evoking the PAINTING-ROBOTS example). Surrealistic <i>fl&acirc;nerie</i> and situationistic psychogeography are addressed as an interaction of urban space with the affective human mind. Finally, the paper focuses on the reordering of physical and virtual space in terms of its interaction with time, as a consequence of physical and computer-generated technologies. </p>       <p><b>Keywords: </b>Spatial turn, event, psychogeography, PAINTING-ROBOTS, surrealism. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>I. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></p>       <p>N&atilde;o se pode analisar sob o prisma exclusivo do tempo (e sua acelera &ccedil;&atilde;o descontrolada) o processo de moderniza&ccedil;&atilde;o (e p&oacute;s-moderniza&ccedil;&atilde;o) cultural que caracteriza a cultura ocidental contempor&acirc;nea, j&aacute; que as transforma&ccedil;&otilde;es conceptuais referentes ao &#8220;espa&ccedil;o&#8221; se v&atilde;o tornando hegem &oacute;nicas nos dias de hoje (e de maior complexidade, visto que o tempo &eacute; unidimensional e tem um sentido &uacute;nico, enquanto o espa&ccedil;o &eacute; &#8211; pelo menos &#8211; 3D, e cada uma das suas dimens&otilde;es pode desenvolver-se em qualquer direc&ccedil;&atilde;o e sentido). </p>       <p>Parece que &eacute; necess&aacute;rio conceber os dois conceitos &#8211; tempo e espa&ccedil;o &#8211; em p&eacute; de igualdade, como era convic&ccedil;&atilde;o de Kant e Bergson. Mas &#8220;p&eacute; de igualdade&#8221; em termos valorativos n&atilde;o quer dizer obviamente equival&ecirc;ncia em termos formais, como sustenta Hartmut rosa, comummente considerado &#8220;fil&oacute;sofo do tempo&#8221;. Em rosa (2011) &#8211; o seu importante texto que, ali&aacute;s, &eacute; um libelo cr&iacute;tico contra a acelera&ccedil;&atilde;o da vida contempor&acirc;nea &#8211; afirma-se que a &#8220;data de nascimento&#8221; da modernidade coincide com a emancipa&ccedil;&atilde;o do tempo (o que implica a sua menoridade anterior). Essa emancipa&ccedil;&atilde;o do tempo relativamente ao lugar s&oacute; foi poss&iacute;vel a partir da inven&ccedil;&atilde;o do rel&oacute;gio mec&acirc;nico (Rosa, 2011: 45). Na sequ&ecirc;ncia dessa inven&ccedil;&atilde;o, a cultura ocidental passou a concentrar-se mais no tempo, face a um anterior primado antropol&oacute;gico do espa&ccedil;o, antes da revolu &ccedil;&atilde;o industrial. </p>       <p>Mas esta tend&ecirc;ncia em sobrevalorizar o tempo parece inverter-se nos nossos dias com a pregn&acirc;ncia conceptual do espa&ccedil;o, em todas as suas facetas. Essa pregn&acirc;ncia exprime-se por uma ontologia ca&oacute;tica (radicalmente diferente de &eacute;poca para &eacute;poca), ligada ao fen&oacute;meno da multiplicidade das identidades, em que cada inst&acirc;ncia identit&aacute;ria &eacute; situada num certo contexto espacial, destruindo a experi&ecirc;ncia secular da identidade &uacute;nica (&#8220;para a vida&#8221;, e por vezes para al&eacute;m dela, como no caso dos &#8220;her&oacute;is e santos&#8221;). </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>II. O ESPA&Ccedil;O COMO CATEGORIA FILOS&Oacute;FICA HEGEM&Oacute;NICA NOS NOSSOS DIAS: &#8220;<i>THE SPATIAL TURN</i>&#8221; E SEUS ASPETOS SOCIOL&Oacute;GICOS E POL&Iacute;TICOS </b></p>       <p>A partir da &#8220;revolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica&#8221; do s &eacute;culo XVII, a filosofia ocidental do<i> mainstream </i>&#8211; cujos novos contornos assinalavam a passagem do capitalismo comercial e mercantil para o industrial &#8211; tomava o espa&ccedil;o como algo de homog&eacute;neo e is&oacute;tropo, uma abstrac&ccedil;&atilde;o que poderia ser vista como uma esp &eacute;cie de<i> background</i> liso onde se colocam os objectos cujas rela&ccedil;&otilde;es (m&eacute;tricas) se pretendiam quantificar segundo modelos baseados, em especial, na simples Geometria <i>&agrave; la</i> Pit&aacute;goras, ou na mec&acirc;nica newtoniana, assente na primeira e na viragem coperniciana. </p>       <p>Com o desenvolvimento da topologia (de Euler a Poincar&eacute;), o conceito de espa&ccedil;o passou a abarcar quest&otilde;es qualitativas novas como a vizinhan&ccedil;a, a inclus&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o, excluindo (ou minimizando) o recurso &agrave; dist&acirc;ncia euclidiana para expressar as rela&ccedil;&otilde;es espaciais entre objectos, que se baseiam &#8211; desde o c&eacute;lebre problema das pontes de K&ouml; nisberg, resolvido por Euler &#8211; no conceito de rede, expresso matematicamente na &#8220;teoria dos grafos&#8221; (Biggs<i> et al.</i>, 1986). Surge assim um novo conceito de espa&ccedil;o discreto, consistindo apenas de n&oacute;s e liga&ccedil;&otilde;es, em que o<i> background </i>fica indeterminado. Assim, as geometrias n&atilde;o-euclidianas (por exemplo o <i>approach</i><i> </i>geom&eacute;trico de Riemann que liberta as coordenadas de todo o sentido m&eacute;trico), e a teoria da relatividade (em que a m&eacute;trica &eacute; uma propriedade da mat&eacute;ria que n&atilde;o pode ser imposta <i>a priori</i>) &#8211; significativamente coevas tanto da segunda revolu&ccedil;&atilde;o industrial (baseada no petr&oacute;leo e na electricidade) como das vanguardas art&iacute; sticas do princ&iacute;pio do s&eacute;culo XX &#8211; tiveram o seu papel no &#8220;nivelamento&#8221; da import&acirc;ncia filos&oacute;fica das duas categorias (o tempo e o espa&ccedil;o), que acabavam por se constituir num espa&ccedil;o-tempo cont&iacute;nuo. Ali&aacute;s, essas duas categorias tiveram um claro tratamento conceptual por parte de Minkowsky, que afirmava (em 1905): &#8220;ningu&eacute;m observou, ainda, nenhum lugar excepto num tempo, nem ningu&eacute;m observou nenhum tempo excepto num lugar (citado em Gray, 1992: 255). </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em meados do s&eacute;culo XX, com o trabalho de Lefebvre (1970) dedicado principalmente &agrave; reflex&atilde;o sobre o urbanismo, o espa&ccedil;o torna-se uma categoria filos&oacute;fica extremamente f&eacute;rtil, impondo-se ao pr&oacute;prio &#8220;tempo&#8221; (essa quintess&ecirc;ncia da filosofia ocidental desde Her&aacute;clito) pelos defensores do <i>spatial</i><i> turn </i>(<i>vd</i>., por exemplo, Pickles, 2004). De facto, Lefebvre defende que o espa&ccedil;o &#8211; onde se insere o <u>fen&oacute;meno urbano</u> que se tornou dominante no s&eacute;culo XX &#8211; deve ser concebido como uma forma particular de interac&ccedil;&atilde;o entre a geografia e o homem, exprimindo a <b>especificidade</b> da cidade, como &#8220;obra&#8221;, a qual &eacute; &#8220;mais aproxim&aacute;vel da obra de arte do que um simples produto material &#8221;, nas pr&oacute;prias palavras de Lefebvre (2012: 56). Esta obra &eacute; revelada em especial de noite, vista de avi&atilde;o (como se ilustra na <a href="#f1">figura 1</a>) e, para este sistema semi&oacute;tico, a dist&acirc;ncia euclidiana &#8220;n&atilde;o funciona&#8221;, sendo necess&aacute;rio definir uma nova dist&acirc;ncia (denominada significativamente &#8220;dist&acirc;ncia de Manhattan&#8221;), em que o caminho mais curto entre dois pontos n&atilde;o &eacute; a recta, mas uma linha quebrada que segue o rumo imposto pela rede de art&eacute;rias da cidade. <i>In addition</i>, numa desloca&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica por uma malha urbana, podem surgir fen&oacute;menos de <u>impossibilidade</u>, como por exemplo os <i>culs</i><i> de sac </i>(fen&oacute;menos que n&atilde;o podem obviamente ocorrer nos espa&ccedil;os desterritorializados, onde a dist&acirc;ncia euclidiana &#8220;salta todos os obst&aacute;culos&#8221;). </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a06f1.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Quando se v&ecirc; a forma urbana &#8220;de cima&#8221;, reconhece-se em geral uma distribui&ccedil;&atilde;o populacional organizada em torno de um (ou mais) n&uacute;cleo(s) prim&aacute;rio(s). Mas essa vista &#8220;de cima&#8221; &eacute; tamb&eacute;m a do estado, reificada num mapa bidimensional, como se desenvolve seguidamente, nos seus aspectos ligados &agrave; sociologia urbana. </p>       <p>De modo mais geral, e aproximando-nos do cerne da filosofia ocidental do s&eacute;culo passado (em que Lefebvre questiona a sociedade do nosso tempo a partir da sua componente mais vis&iacute;vel: o &#8220;espa&ccedil;o &#8221;, transfigurado em mercadoria pelo capitalismo e sujeito &agrave;s regras do mercado), poderemos sintetizar a contribui&ccedil;&atilde;o do pensador franc&ecirc;s neste dom&iacute;nio dizendo que a caracter&iacute;stica mais relevante do espa&ccedil;o &eacute; o facto de ter sido <b>produzido</b>pelo homem em sintonia com o seu desenvolvimento social cada vez mais complexo, o que implica que a cidade n&atilde;o &eacute; (s&oacute;) o &#8220;cen&aacute;rio&#8221; onde se desenvolve a produ&ccedil;&atilde;o ou concentra&ccedil;&atilde;o de capitais. De facto, o papel mais importante do <b>urbano</b> &eacute; o modo como interv&eacute;m na pr&oacute;pria articula&ccedil;&atilde;o dos meios de produ&ccedil;&atilde;o. Na verdade, Lefebvre &#8211; ao adaptar o pensamento de Marx &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es objectivas da segunda metade do s&eacute;culo passado, inserindo dialecticamente o espa&ccedil;o na economia pol&iacute;tica &#8211; deduziu que a organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o revela as rela&ccedil;&otilde;es conflituantes da sociedade que ocupa esse espa&ccedil;o (por exemplo, o <i>d&eacute;tachement</i><i> </i>extremamente claro e veemente entre os bairros oper&aacute;rios e as zonas da cidade ocupadas pela burguesia, nos tempos da revolu&ccedil;&atilde;o industrial). E o que &eacute; mais interessante &eacute; que esta ruptura entre espa&ccedil;os pode ser revelada precisamente pela oculta&ccedil;&atilde;o de um deles (sempre, o mais &#8220;desvalorizado&#8221;), como nos conta engels na sua c&eacute;lebre <i>boutade</i><i> </i>sobre a &#8220;sua&#8221; Manchester natal, quando se deu conta de que os &#8220;seus&#8221; oper&aacute;rios (que atulhavam, durante as horas de trabalho, as &#8220; suas&#8221; f&aacute;bricas) desapareciam da cidade durante a noite. Essa constata&ccedil;&atilde;o transformou-o talvez no primeiro <u>soci&oacute;logo urbano </u>, ao investigar o modo como a &#8220;sua&#8221; burguesia organizava o espa&ccedil;o da cidade de modo a que qualquer &#8220;viajante incauto&#8221; que percorresse Manchester de uma ponta a outra &#8220;fosse poupado&#8221; &agrave; pr&oacute;pria <b>exist&ecirc;ncia vis&iacute;vel </b>dos degradados bairros oper&aacute;rios, eficazmente segregados do espa&ccedil;o urbano da cidade. De uma perspectiva dial&eacute;ctica, focada na influ&ecirc;ncia das formas urbanas no modo de funcionar da sociedade (em que os termos permutam relativamente ao caso anterior relatado por Engels), e abarcando contextos latino-americanos mais simples do que os emaranhados palimpsestos da maioria das cidades europeias, podemos pensar que s&atilde;o as estruturas existentes no espa&ccedil;o que condicionam (at&eacute; um certo ponto) as formas de organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, como exemplifica santos (2007), num significativo exemplo em que a dial&eacute;ctica lefebvriana &eacute; vista no sentido cidade &#8594; sociedade (santos, 1997). O tecido urbano pode assim ser descrito como um ecossistema, como unidade coerente que produz rela&ccedil;&otilde;es sociais espec&iacute;ficas. A partir dos finais do s&eacute;culo XIX, o proletariado &#8211; expulso para uma suburbaniza&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada pela revolu&ccedil;&atilde;o industrial &#8211; perdeu a criatividade que a hibridez do centro da cidade tendia a fomentar, e que se manifestava em &#8220;obras&#8221; (n&atilde;o em produtos). Assim a realidade urbana &eacute; considerada como a projec&ccedil;&atilde;o da sociedade sobre o terreno, dando origem a um conjunto de signos, em que os monumentos e as festas desempenharam um papel crucial (Lefebvre, 2012: 65). </p>       <p>Mas foi talvez Gilles Deleuze quem deu a contribui&ccedil;&atilde;o mais expressiva para o <i>spatial turn</i>que bifurcou o pensamento filos&oacute;fico contempor&acirc;neo (Deleuze e Guattari, 1980), levando a um novo<i> framework</i> te&oacute;rico que deu origem a uma clarifica&ccedil;&atilde;o (e enriquecimento) no dom&iacute;nio da epistemologia da geografia, abrindo assim uma zona de interface onde floresce a colabora &ccedil;&atilde;o ge&oacute;grafos <i>vs. </i>Fil&oacute;sofos. De resto, Deleuze declinou o espa&ccedil;o em todas as suas formas, da linha de fuga aos espa &ccedil;os lisos/estriados (Deleuze e Parnet, 1996). </p>       <p>Segundo Deleuze, em vez de analisar os acontecimentos como parte de um cont&iacute;nuo passado/presente, dever&iacute;amos analis&aacute;-los como fragmentos limitados e distorcidos de um futuro ut&oacute;pico, que est&aacute; inactivo no presente (parecendo oculto), mas que &eacute; potencialmente explosivo. </p>       <p>Pode talvez sintetizar-se prosaicamente este conjunto de ideias atrav&eacute;s das linhas de abertura do pref&aacute;cio de Kaplan (2012): <i>A good place to understand the present, and ask questions about the future, is on the ground, travelling as slow as possible. </i></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>III. O CONCEITO CONTEMPOR&Acirc;NEO DE ESPA&Ccedil;O </b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos prim&oacute;rdios do s&eacute;culo XXI e no contexto da &#8220;crise&#8221; financeira do capitalismo globalizado, surgiu um <i>approach</i><i> </i>te&oacute;rico inspirado no movimento <i>Occupy</i> e na vaga de revoltas que varreu o mundo em 2011-2015, baseado no espa&ccedil;o urbano de uma mir&iacute;ade de pa&iacute;ses, e <u>centrado</u> nas &#8220;pra &ccedil;as&#8221; <u>centrais</u> das principais cidades desses pa&iacute;ses (da Puerta del Sol a Wall Street, de Tahrir a Syntagma). Esse <i>approach</i> original, do qual Gordillo (2012) pode ser considerado o representante mais inovador, assenta numa vers&atilde;o n&atilde;o-trivial de &#8220;terreno&#8221; como reelabora&ccedil;&atilde;o do antigo conceito de &#8220;lugar&#8221;, atendendo &agrave; &#8220;pulsa&ccedil;&atilde;o&#8221; afectiva caracter&iacute; stica dos diferentes tipos de ocupa&ccedil;&atilde;o subversiva do espa&ccedil;o f&iacute;sico das pra&ccedil;as, recombinando esse espa&ccedil;o com o tempo (a forma material do &#8220;terreno&#8221; fica dotada de uma temporalidade que transforma o pr&oacute;prio espa&ccedil;o). Esta nova vers&atilde;o do conceito de &#8220;terreno&#8221; assenta em alguns factos emp&iacute;ricos que permitem uma certa reformula&ccedil;&atilde;o de determinados aspectos da geografia &#8220;cl&aacute;ssica&#8221;: por exemplo, sabe-se que, no Gran Chaco sul-americano, ao chegar a esta&ccedil;&atilde;o das chuvas, uma regi&atilde;o plana e semi&aacute;rida se transforma subitamente num vasto p&acirc;ntano intranspon&iacute;vel; na R&uacute;ssia, a chegada do inverno altera significativamente a forma do terreno pelo surgimento de s&oacute;lidos blocos de neve que restringem seriamente (como no caso anterior) a mobilidade humana. Fazendo uma ponte simb &oacute;lica entre estes casos da interface homem-natureza e o movimento das ocupa&ccedil;&otilde;es das pra&ccedil;as, Gordillo (2012: 40), chamou a aten &ccedil;&atilde;o para o facto de a tempestade de neve que assolou Wall street no fim de Outubro de 2011 ter alterado profundamente o &#8220;estilo&#8221; de vida dos ocupantes: por exemplo, quando a pol&iacute;cia confiscou os calor&iacute;feros dependentes de fontes energ&eacute;ticas externas, foi necess&aacute; rio encontrar meios aut&oacute;nomos de aquecimento, em particular a gera&ccedil;&atilde;o de energia &agrave; custa de geradores accionados por &#8220; indignados-ciclistas&#8221; que pedalavam num s&iacute;tio fixo, &agrave; maneira dos guerrilheiros da guerra do Vietname. </p>       <p>Obviamente ligado aos movimentos n&atilde;o violentos de contesta&ccedil;&atilde;o (do poder financeiro mundial) atr&aacute;s referidos, que t&ecirc;m surgido com intensa pregn &acirc;ncia nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos (como queria Marx), emergiu &#8211; na segunda d&eacute;cada do nosso s&eacute;culo &#8211; uma conceptualiza &ccedil;&atilde;o profundamente original do espa&ccedil;o, ancorada no pensamento de Slavoj&#382;i&#382;ek, um dos mais interessantes intelectuais dos nossos dias. Essa conceptualiza&ccedil;&atilde;o baseia-se na ideia de <i>Event, which is an amphibious notion with even more than fifty shades of grey that appears to happen all of sudden, without discernible causes, and interrupts the usual flow of things </i>(&#381;i&#382;ek, 2014: 1-2). Ao conte&uacute;do do acontecimento ligado &agrave; pol&iacute;tica contestat&aacute;ria, adiciona-se uma mir&iacute;ade de outros significados com fronteiras <i>fuzzy</i>, como a quest&atilde;o crucial do <b>amor</b>, que partilha com as outras acep&ccedil;&otilde;es uma circularidade constitutiva, em que o efeito do acontecimento determina retroactivamente as suas causas e raz&otilde;es, num poderoso <i>feed-back</i> positivo. Afirma &#381;i&#382;ek (2014: 2): <i>I do not fall in love for precise reasons (her lips, her smile&#8230;) &#8211; it is because I already love her that their lips, etc., attract me</i>. Na conceptualiza &ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica do fil&oacute;sofo esloveno, o acontecimento &eacute; um efeito que parece exceder as suas causas, e o ESPA&Ccedil;O do acontecimento &eacute; aquilo que abre </p>       <p>O <i>gap</i> que separa o efeito das causas. H&aacute; uma separa&ccedil;&atilde;o espacial decorrente da COMPLEXIDADE multidimensional das liga&ccedil;&otilde;es entre os seres e os objectos em redes profundamente enoveladas que n&atilde;o tem nada a ver com os <i> lags</i><i> </i>que podem ocorrer em s&eacute;ries temporais, as quais &#8211; por constru&ccedil;&atilde;o &#8211; dependem s&oacute; do par&acirc;metro cronol &oacute;gico, obviamente unidimensional. Com esta (aparentemente) &#8220;banal&#8221; sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o conceptual do espa&ccedil;o em rela &ccedil;&atilde;o ao tempo, encontramo-nos &#8211; por via da causalidade &#8211; no <i>crux</i> da filosofia ocidental (&#381;i&#382;ek, 2014: 4), ao problematizar a quest&atilde;o da generalidade dos <i>links</i><i> </i>causais, assim expressa pelo pensador heterodoxo: <i>Does everything that exists have to be grounded in sufficient reasons? </i><i>Or are there things that somehow happen out of nowhere?(</i>&#381;i&#382;ek, 2014: 4). Estes dois <i>approaches</i><i> </i>parecem ter dominado de um modo mutuamente exclusivo a filosofia ocidental desde os seus prim&oacute;rdios, e designam-se, respectivamente, por &#8220; transcendental&#8221; (corporizado em Heidegger), e &#8220;ontol&oacute;gico&#8221;, <i>accapar&eacute;</i> quase em exclusivo pelas <i>hard sciences</i>, e protagonizado hegemonicamente por Stephen Hawking. O que &eacute; espantoso (&#381;i&#382;ek, 2014: 6) &eacute; que ambos os <i>approaches</i><i> </i>venham a culminar em alguma no&ccedil;&atilde;o de <i>event</i>: para Heidegger, o horizonte de conhecimento &eacute; que determina o modo como aprendemos a realidade e nos relacionamos com ela; para a concep&ccedil;&atilde;o de um acontecimento primordial representada por Hawking (e outros, na mesma linha de pensamento), domina a ideia do Big Bang. E voltamos assim &agrave; quest&atilde;o da &#8220;multiplicidade inconsistente&#8221; atr&aacute;s esbo&ccedil;ada a prop&oacute; sito do AMOR, com a emerg&ecirc;ncia surpreendente de algo novo que prevalece em qualquer esquema est&aacute;vel, e a que Hegel chamava &#8220;universalidade concreta&#8221;, uma universalidade que n&atilde;o &eacute; s&oacute; um recept&aacute;culo do seu conte&uacute;do particular, mas que engendra esse conte &uacute;do atrav&eacute;s dos seus imanentes antagonismos e <i>deadlocks</i>. &Eacute; f&aacute;cil de ver que n&atilde;o estamos a falar de outra coisa do que do ESPA&Ccedil;O. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>IV. O ESPA&Ccedil;O EM ALGUMAS DISCIPLINAS AFINS DA GEOGRAFIA (E EM OUTROS RAMOS DA CULTURA) </b></p>       <p>Para que a categoria &#8220;espa&ccedil;o&#8221; atr&aacute;s esbo&ccedil;ada seja &uacute;til no pensamento reflexivo em disciplinas (ou &aacute;reas do conhecimento) afins (ou conexas) da (com) a geografia, como por exemplo a arqueologia, a geologia, a antropologia social, &#8230;, &eacute; necess&aacute;rio trabalhar em conjunto nos dois dom&iacute;nios, postulando tamb&eacute;m alguns pressupostos b&aacute;sicos. </p>       <p>No que diz respeito &agrave; <u>arqueologia</u>, o mais importante desses pressupostos consiste em admitir que o <i>spatial</i><i> patterning </i>dos artefactos arqueol&oacute;gicos (cer&acirc;mica, vest&iacute;gios de constru &ccedil;&otilde;es, armas, utens&iacute;lios met&aacute;licos&#8230;) encontrados <b>hoje </b>reflecte de algum modo o padr&atilde;o espacial de actividades desenvolvidas no <b>passado</b>, e que esse padr&atilde;o espacial (expresso por rela&ccedil;&otilde;es de proximidade, contiguidade territorial ou de <i> clustering</i>) teve um papel significativo na interac&ccedil;&atilde;o humana. &Eacute; no entanto crucial relativizar esse papel: o factor espacial &eacute; de facto significativo, mas s&oacute; se estiver integrado num contexto constru&iacute;do a partir de uma mir&iacute;ade de outros factores (hist&oacute;ricos, etnogr&aacute;ficos, ecol&oacute;gicos, lingu&iacute;sticos, &#8230;) que podem influenciar a estrutura cultural das comunidades examinadas pelo trabalho arqueol&oacute;gico. Assim, as correla&ccedil;&otilde;es entre <i>groupings</i> arqueol&oacute;gicos e hist&oacute;ricos t&ecirc;m de ser analisadas criticamente, para descartar a eventualidade (frequente) de associa&ccedil;&otilde;es esp&uacute;rias decorrentes do facto &oacute;bvio de que as fronteiras entre unidades culturais s&atilde;o extremamente difusas e din&acirc;micas, n&atilde;o podendo, consequentemente, de modo nenhum serem &#8220;estabelecidas &#8221; exclusivamente a partir da similitude entre assemblagens espaciais. Apesar deste argumento (e desde que a interdisciplinaridade e o <i>approach</i> sist &eacute;mico <b>funcionem </b><i>de facto</i> na pr&aacute;tica cient&iacute;fica), existe efetivamente uma correspond&ecirc;ncia estoc&aacute;stica com valor heur&iacute;stico entre <i>the</i><i> archeological evidence for influence and change, and historical events</i>, como se demostra convincentemente no trabalho pioneiro de Hodder (1978). </p>       <p>No que diz respeito &agrave; <u>geologia</u>, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o seu estatuto epistemol&oacute;gico foi subvalorizado nos primeiros dias da revolu&ccedil;&atilde;o industrial, embora &#8211; paradoxalmente &#8211; fosse o corpo de conhecimentos que trouxe &agrave; luz do dia (metaf&oacute;rica e espacialmente) o carv&atilde;o e o ferro que alimentavam e constitu&iacute;am as m&aacute;quinas que determinaram tal per&iacute;odo cr&iacute;tico da hist&oacute;ria humana (este aspecto pode talvez ligar-se &agrave; circunst&acirc;ncia de a revolu&ccedil;&atilde;o industrial ter sido conduzida primordialmente por &#8220;empreendedores&#8221; e n&atilde;o por cientistas, pelo menos no seu arranque). S&oacute; quando o &#8220;ambiente &#8221; entrou nas preocupa&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas de alguma cultura ocidental, no terceiro quartel do s&eacute;culo XX, &eacute; que a geologia &#8211; como ci&ecirc;ncia onde assentam (te&oacute;rica e fisicamente) as quest&otilde;es e as configura&ccedil;&otilde;es do solo e da &aacute;gua &#8211; foi pensada filosoficamente como raiz de toda a actividade econ&oacute;mica baseada nos recursos naturais (o tipo de milho depende da terra onde &eacute; plantado e mesmo os<i> chips </i>s&atilde;o feitos de sil&iacute;cio!). A geologia ganhou ent&atilde;o um &#8220;estatuto&#8221; mais expressivo, baseando-se no pressuposto do UNIFORMITARISMO (proposto j&aacute; por Lyell no s&eacute;culo XIX, mas cedo descurado pelo <i>mainstream </i>cient&iacute;fico-filos&oacute; fico, dominado pela f&iacute;sica). O uniformitarismo consiste em admitir que os processos que se deram no passado (e que s&atilde;o o objecto da geologia) s &atilde;o an&aacute;logos aos que se d&atilde;o hoje, fechando a porta a algumas bifurca&ccedil;&otilde;es do tipo catastr&oacute;fico (<i>&agrave; la</i> Thom), e promovendo uma hermen&ecirc;utica baseada num &#8220;trabalho de campo&#8221; em que n&atilde;o intervem a geometria euclidiana sen&atilde;o para a cartografia baseada no GPS e no GIS (e num trabalho de laborat&oacute;rio a-hist&oacute;rico). </p>       <p>No que diz respeito &agrave; antropologia social aplicada aos movimentos subversivos que levaram &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o transgressiva do espa&ccedil;o p&uacute;blico, Gordillo (2012: 34) afirma que esta forma espacial de protesto parece &uacute;nica (e original) na hist&oacute;ria ocidental, mostrando um pulsar in&eacute;dito de n&oacute;s que constituem as articula&ccedil;&otilde;es locais de uma rede anticapitalista sem <i>leaders</i>. Cria-se assim uma topologia pol&iacute;tica que funciona como uma caixa de resson&acirc;ncia cuja temporalidade n&atilde;o &eacute; linear nem previs&iacute;vel (assumindo-se como uma configura&ccedil;&atilde;o &#8220;ca&oacute;tica &#8221;, no sentido cient&iacute;fico de um sistema din&acirc;mico n&atilde;o-linear). </p>       <p>Se nos desviarmos um pouco mais das <i>data</i><i> driven sciences</i>, e nos debru&ccedil;armos sobre outros ramos da cultura (que manipulam, em especial, S&Iacute;MBOLOS, como a literatura e as artes), a categoria &#8220;espa&ccedil;o&#8221; pode surgir sob uma forma obviamente diferente (ligada, por exemplo &agrave; no&ccedil;&atilde;o de &#8220;lugar&#8221; e de &#8220; n&atilde;o-lugar&#8221;) como se sugere ironicamente na <a href="#f2">figura 2</a>, no que diz respeito &agrave; <i>escrileitura</i> do urbano&#8230; </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>   <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a06f2.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p> Desenvolvendo agora um pouco as rela&ccedil;&otilde;es entre a <u>literatura</u> e a geografia, n&atilde;o podemos deixar de pensar na Lisboa de Pessoa, na Dublin de Joyce, na Buenos aires de Borges, na Trieste de Svevo (e de Magris, que depois abriu para o &#8220;Dan&uacute;bio&#8221;, um dos livros mais preciosos da geografia liter&aacute;ria). Quanto &agrave; &#8220;geografia m&iacute;tica&#8221;, esta elevou-se ao seu m&aacute;ximo expoente com as &#8220; Cidades invis&iacute;veis&#8221; de &Iacute;talo Calvino. </p>       <p>Mas o que &eacute; (aparentemente) mais ins&oacute;lito &eacute; que, quando Robert Louis Stevenson resolveu converter o seu Dr. Jekyll numa personagem dupla e o transforma em Mr. Hyde, o plumitivo escoc&ecirc;s n&atilde;o se limita a fazer variar a fisionomia e o temperamento da sua personagem, mas modifica tamb&eacute;m o seu lugar de resid&ecirc;ncia, j&aacute; que, como diz Chico (2014), Hyde &#8220;n &atilde;o pode viver na mesma casa do seu <i>alter ego</i>&#8221;. </p>       <p>Fica assim espelhada na <i>escrileitura</i> a rela&ccedil;&atilde;o da palavra com o s&iacute;tio, para al&eacute;m (<i>i.e., </i>noutra configura&ccedil;&atilde;o) do <i>locus amoenus </i>da poesia buc&oacute;lica, arrumada nos pal&aacute;cios montanhosos do romantismo (e nas <i>villas</i> campestres de Ov&iacute;dio). E n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que a <i>Weltanschauung</i> de cada um de n &oacute;s &eacute; algo que determina o (e &eacute; determinada pelo) lugar onde habitamos. Quanto aos viajantes n&oacute;madas, que n&atilde;o habitam em qualquer lugar como Chatwin, a sua filosofia &eacute; precisamente o nomadismo f&iacute;sico ou intelectual. A hist&oacute;ria da literatura pode assim ser vista como uma sequ&ecirc;ncia de lugares que se sucedem indefinidamente, mostrando (e representando) n&atilde;o s&oacute; um <i>Zeitgeist</i>, mas &#8211; especialmente &#8211; um <i>Raumgeist</i>. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>V. A PSICOGEOGRAFIA A DIFERENTES ESCALAS </b></p>       <p>Para al&eacute;m dos aspectos ligados &agrave;s ci &ecirc;ncias e &agrave; literatura, o &#8220;espa&ccedil;o&#8221; (ou a passagem por espa&ccedil;os diferentes), pode provocar na psique dos homens (em certos casos) um efeito n&atilde;o despiciendo: quantas vezes o <i>mood</i> dos indiv&iacute;duos &eacute; afectado &#8211; e modificado &#8211; pela sua passagem por paisagens espaciais diferentes, tanto urbanas como rurais. </p>       <p>Num contexto urbano ligado &agrave; modernidade, este aspecto da interac&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o com a mente emocional foi desenvolvido extensamente por Baudelaire e Walter Benjamin na viragem do s&eacute;culo XiX (e princ&iacute;pios do s &eacute;culo XX), dando origem ao arqu&eacute;tipo do &#8220;<i>fl&acirc;neur</i>&#8221;, aquele que deambula pela cidade sem objectivo bem definido, para al &eacute;m de &#8220;passear&#8221; ao sabor das suas &#8220;inclina&ccedil;&otilde;es&#8221; ps&iacute;quicas e caprichos emocionais (que se v&atilde;o tamb &eacute;m modificando com a transi&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os). </p>       <p>O movimento surrealista &#8211; quer nas v&aacute;rias vertentes dos seus conte &uacute;dos diferenciados em diferentes pa&iacute;ses, quer nas escolas de pensamento, das quais a mais conhecida &eacute; a de Breton, de uma legend&aacute; ria ortodoxia &#8211; teve um papel crucial na conex&atilde;o atr&aacute;s referida entre o espa&ccedil;o e os sentimentos: basta lembrarmo-nos dos exemplos paradigm&aacute;ticos de &laquo;nadja&raquo; (Breton), e de &laquo;Le paysan de Paris&raquo; de aragon (<a href="#f3">fig. 3</a>). </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>   <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a06f3.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>No dom&iacute;nio das &#8220;artes pl&aacute;sticas&#8221;, os surrealistas desenvolveram uma forma in&eacute;dita de interac&ccedil;&atilde;o de um grupo de artistas entre si, e com o espa&ccedil;o (neste caso, o espa&ccedil;o da tela). Trata-se de um processo art&iacute;stico que produz um &#8220;<i>cadavre</i><i> exquis</i>&#8221; (por exemplo a pintura representada na <a href="#f4">figura 4</a>), resultante da seguinte sequ&ecirc;ncia: </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a06f4.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>O primeiro artista toma o espa&ccedil;o de um canto da tela e pinta a&iacute; o que lhe apetecer. </p>       <p>Depois de escondido cerca de 2/3 do espa&ccedil;o da tela onde se situa a obra do primeiro artista, o segundo artista analisa a zona que ficou a descoberto (o restante 1/3, frac&ccedil;&atilde;o que pode variar entre largos limites, como seria de esperar num procedimento surrealista). </p>       <p>A partir dessa an&aacute;lise, prolonga no espa&ccedil;o da tela a obra do primeiro artista com a sua pr&oacute;pria contribui&ccedil;&atilde;o, a qual deve ter (surrealisticamente) uma liga&ccedil;&atilde;o qualquer com a obra do primeiro artista. </p>       <p>O processo continua nos mesmos moldes, segundo a regra de que cada artista nunca tem acesso &agrave; <i>Gestalt</i> da obra, mas apenas a uma pequena frac&ccedil;&atilde;o, que lhe serve de &#8220;semente&#8221; para a sua pr&oacute;pria contribui&ccedil;&atilde;o (aquilo que ele acrescenta, segundo o espa&ccedil;o dispon&iacute;vel, ao que foi pintado pelos artistas que o precederam). </p>       <p>Em Moura e Pereira (2004), um procedimento hom&oacute;logo, mas baseado em grandezas mensur&aacute;veis (como a intensidade da cor) foi desenvolvido no &acirc;mbito de um projecto designado por ROBOTS-PINTORES, cujo objectivo era criar <i>artworks</i><i> </i>por um colectivo aut&oacute;nomo de um <i>swarm</i> de robots. Nesse projecto, ap&oacute;s uma inicializa&ccedil;&atilde;o aleat&oacute;ria, cada robot s&oacute; &#8220;v&ecirc;&#8221; (atrav&eacute;s dos seus sensores de cor) aquilo que os precedentes fizeram, e &eacute; dirigido atrav&eacute;s de um est&iacute;mulo para as zonas do <i>terrarium</i> (o espa&ccedil;o subjacente aos robot enquanto pintam, <i>vd.</i> <a href="#f5">figura 5</a>) j&aacute; visitadas pelos anteriores agentes. O estimulo traduz-se por um &#8220;apelo&#8221; maior (expresso por um <i>feed-back</i> positivo programado no <i>chip </i> do robot), o que leva a padr&otilde;es diferenciados. A obra final &eacute; constitu&iacute;da pelos tra&ccedil;os deixados na tela que cobre o <i>terrarium</i> , os quais t&ecirc;m uma gama de intensidade de cor mais vis&iacute;vel nas regi&otilde;es &#8220;mais frequentadas&#8221;. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>   <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a06f5.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>As diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao <i>cadavre</i><i> exquis </i>&eacute; que cada robot est&aacute; programado para responder autonomamente (e <i>bottom </i><i> up</i>) aos seus predecessores, enquanto os agentes humanos retomam o trabalho dos anteriores a seu bel-prazer (mas a programa&ccedil;&atilde;o dos robots e a sua interac&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o do <i>terrarium</i> conduz a traject&oacute;rias espaciais de tal modo flex&iacute;veis que n&atilde;o podem sair dois <i>outputs</i> iguais&#8230;). </p>       <p>Passando &agrave; escala da cidade, a deriva psicogeogr&aacute;fica &#8211; extens&atilde;o da<i> fl&acirc;nerie</i> a grupos em interac&ccedil;&atilde;o que registavam as diferentes experi&ecirc;ncias induzidas pela diferencia&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil; o urbano durante passeios a p&eacute; semi-planeados &#8211; foi intensamente exercitada em meados do s&eacute;culo passado por um grupo art&iacute;stico-pol&iacute;tico de raiz francesa, designado por &#8220;internationale situationniste&#8221; (V&aacute;rios, 1958). Ap&oacute;s estudarem os percursos de uma estudante vivendo no XVi<sup>&egrave;me</sup> (<a href="#f6">fig. 6</a>), imaginaram um procedimento de desloca&ccedil;&atilde;o a p&eacute; pela cidade que pudesse trazer alguma poesia &agrave; vida quotidiana, em oposi&ccedil;&atilde;o aos itiner&aacute;rios obrigat&oacute;rios da grande maioria dos habitantes de Paris (e de outras cidades). Estes experimentos deram origem a novos conceitos de interac&ccedil;&atilde;o com a paisagem que, no nosso s&eacute;culo, se podem designar por <i>Walkscapes</i> (Careri, 2002). </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a06f6.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Voltando aos surrealistas, agora no que diz respeito &agrave; cartografia imagin&aacute;ria &agrave; escala do Globo, analisemos a <a href="#f7">figura 7</a>, que &eacute; uma distor&ccedil;&atilde;o obviamente intencional do espa&ccedil;o, onde as anamorfoses nos dois sentidos (dilata&ccedil;&atilde;o espacial da R&uacute;ssia e do Alasca, desaparecimento da Ib&eacute;ria e da Gr&eacute;cia) se fazem por vontade subjectiva dos &#8220;cart&oacute;grafos&#8221; que atribu&iacute;ram uma &aacute;rea diferenciada a cada territ&oacute;rio em fun&ccedil;&atilde;o do seu interesse emocional pelo espa&ccedil;o confinado por esse territ&oacute;rio. Por exemplo, no caso do desvanecimento da Gr&eacute;cia, &eacute; bem conhecida a sanha dos surrealistas contra os Gregos antigos, considerados &#8220;respons&aacute;veis&#8221; por todos e quaisquer MALES de que padece a civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental, cujas ra&iacute;zes na &Aacute;tica eram indiscut&iacute;veis: o que faziam os surrealistas era afirmar aos quatro ventos (e de um modo bomb&aacute;stico, como lhes era pr&oacute;prio) que todo e qualquer &#8220;defeito&#8221; que encontravam no pensamento hegem&oacute;nico a Ocidente resultava da &#8220; filosofia grega&#8221; iniciada &#8211; e quase terminada&#8230; &#8211; no s&eacute;culo V a.C. </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a06f7.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p><b>VI. O ATRAVESSAMENTO R&Aacute;PIDO DO ESPA&Ccedil;O (E SUAS POSS&Iacute;VEISCONSEQU&Ecirc;NCIAS) </b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tentando tornar o espa&ccedil;o cada vez mais transpon&iacute;vel em tempos cada vez mais curtos, o homem foi inventando meios de transporte cada vez mais r&aacute;pidos, chegando &#8211; em termos quotidianos generaliz&aacute;veis &agrave; maioria &#8211; ao avi&atilde;o, que veio &#8220;substituir&#8221; o sonho das pontes transatl&acirc;nticas, imaginadas pelo nosso rep&oacute;rter X (Reinaldo ferreira). Com o transporte a&eacute;reo, pode implantar-se um certo &#8220;cosmopolitismo democr&aacute;tico&#8221;, impens&aacute;vel nos anos 1930, quando o jornalista portugu&ecirc;s pugnava &agrave; <i>outrance</i> por essa valia cultural que ele pretendia ver ao alcance de todos (e n&atilde;o s&oacute; dos engenheiros <i>&agrave; la</i> &Aacute;lvaro de Campos). </p>       <p>Nos nossos dias, o atravessamento do espa&ccedil;o &eacute; praticamente instant&acirc;neo, pelo uso de meios de comunica&ccedil;&atilde;o electr&oacute;nicos. O que se passa de facto desde a revolu&ccedil;&atilde;o das tiC &eacute; que a cibercultura representa o triunfo do <u>artificial</u> sobre o antigo natural, de tal modo que Mario Perniola (2005) fala no <i>sex</i><i> appeal</i> do inorg&acirc;nico para denotar a apet&ecirc;ncia contempor&acirc;nea por uma vida em rede, baseada em toda a esp&eacute;cie de dispositivos artificiais assentes na electr&oacute; nica. Estes dispositivos em rede organizam-se segundo a teoria dos grafos referida atr&aacute;s (Biggs <i>et</i><i> al.</i>,1986), em que impera o fen&oacute; meno das <u>transi&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas de fase.</u> De facto, em certos pontos do grafo onde se d&atilde;o &#8220;transi&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas&#8221; (<i>i.e</i>., onde se ultrapassa um certo <i>threshold</i>), surge o fen&oacute;meno da <b>emerg&ecirc;ncia</b>, que consiste na inesperada e imprevis&iacute;vel apari&ccedil;&atilde;o de qualquer coisa de novo que n&atilde;o se pode deduzir de um qualquer modelo cl&aacute;ssico, baseado essencialmente em rela&ccedil;&otilde;es lineares. Faz-se assim a liga&ccedil;&atilde;o entre a teoria dos grafos e os sistemas din&acirc;micos n&atilde;o lineares (vulgo, teoria do caos) atrav&eacute;s de uma conceptualiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-euclidiana do espa&ccedil;o que abarca, em especial, um modelo viral de propaga&ccedil;&atilde;o de epidemias e outras doen&ccedil;as contagiosas (o qual pode ser visto como o &#8220;lado negro&#8221; &#8211; Mr. Hyde &#8211; dos <i>cadavres</i><i> exquis</i> e ROBOTS-PINTORES atr&aacute;s referidos, que fazem o papel do Dr. Jekyll). </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>CONCLUS&Otilde;ES </b></p>       <p> O espa&ccedil;o ocupa um papel cada vez mais importante na contemporaneidade, &#8220;iluminando&#8221; algumas disciplinas para al&eacute;m da geografia. Mesmo naquelas <i>soft sciences </i>e nas artes que antes eram dominadas pelo tempo, o <i>spatial</i><i> turn</i> que nelas se tem verificado nos nossos dias s&oacute; tem valorizado o seu conte&uacute;do formal, para al&eacute;m do incremento na sua produ&ccedil;&atilde;o cultural. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>       <!-- ref --><p>Biggs, N. Lloyd, E. &amp; Wilson, R. (1986). <i>Graph Theory</i>. Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273486&pid=S0430-5027201500020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->&nbsp;Careri, F. (2002). <i>Walking as an aesthetic practice</i>. Barcelona: Gustavo Gil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273487&pid=S0430-5027201500020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Chico, A. (2014). Geograf&iacute;a escrita. Una introducci&oacute;n. <i>Quimera &#8211; Revista de Literatura</i>, abril, 2014: 11-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273489&pid=S0430-5027201500020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Deleuze, G. &amp; Guattari, F. (1980). <i>Mille Plateaux</i>. Paris: Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273491&pid=S0430-5027201500020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Deleuze, G. &amp; Parnet, C. (1996). <i>Dialogues. </i>Paris: Flammarion.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273493&pid=S0430-5027201500020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Diego, E. (2008). <i>Contra el mapa</i>. Madrid: Siruela.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273495&pid=S0430-5027201500020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Gordillo, G. (2012). Les occupations en tant que n&#339;uds de r&eacute;sonance. In La D&eacute;couverte (eds.) <i>#INDIGN&Eacute;S! D&#8217;Ath&egrave;nes &agrave; Wall Street, &eacute;chos d&#8217;une insurrection des consciences </i>(pp. 34- 43). Paris: Zones.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273496&pid=S0430-5027201500020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Gray, J. (1992). <i>Ideas de Espacio</i>. Milano: Mondadori.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273498&pid=S0430-5027201500020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Hodder, I. (ed.) (1978) <i> The spatial organization of culture</i>. London: Gerald Duckworth Co.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273499&pid=S0430-5027201500020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Kaplan, R. D. (2012). <i>The Revenge of Geography. What the map tells us about coming conflicts and the battle against fate</i>. New York: Random House.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273501&pid=S0430-5027201500020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Lefebvre, H. (1970). <i>La r&eacute;volution urbaine</i>. Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273503&pid=S0430-5027201500020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <p>Lefebvre, H. (2012). <i>O direito &agrave; cidade</i>. (trad. Rui Lopo). Letra livre, Lisboa. </p>       <p>Moura, L. Pereira, H. G. (2004). <i>Man+Robots, Symbiotic Art</i>. France: Villeurbane, INSTITUT d&#8217;Art Contemporain, Collection &Eacute;crits D&#8221;Artistes. </p>       <!-- ref --><p>Perniola, M. (2005). <i>O sex appeal do inorg&acirc;nico</i>. (Trad. Nilson Moulin). S&atilde;o Paulo: Studio Nobel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273507&pid=S0430-5027201500020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Pickles, J. (2004). A History of spaces: Cartographic reason, Mapping, and the Geo-Coded World. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273509&pid=S0430-5027201500020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Rosa, H. (2011). <i>Acc&eacute;l&eacute;ration. Une critique sociale du temps</i>. Series: &laquo;sciences humaines et sociales&raquo;, 1<sup>e</sup> &eacute;dition, traduit de l&#8217;allemand par Didier Renault. Paris: La D &eacute;couverte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273511&pid=S0430-5027201500020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Santos, M. (1997). <i>A natureza do espa&ccedil;o: t&eacute;cnica e tempo, raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o. </i>S&atilde;o Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273513&pid=S0430-5027201500020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Santos, E. (2007). A produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano e a imagem da cidade pelo migrante jovem. <i>Caminhos da Geografia</i>, 8, (24), 33-45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273515&pid=S0430-5027201500020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>V&aacute;rios (1958). Internationale situationniste 1, Paris. <a href="http://www.larevuedesressources.org/IMG/pdf/internationale_situationniste_1.pdf" target="_blank">http://www.larevuedesressources.org/IMG/pdf/internationale_situationniste_1.pdf</a><a href=""> </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273517&pid=S0430-5027201500020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>&#381;i&#382;ek, S. (2014). <i>Event, philosophy in transit</i>. London: Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273518&pid=S0430-5027201500020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>Recebido: Fevereiro 2015. Aceite: Abril 2015. </p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><b>NOTAS</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><a href="#topi"><sup>i</sup></a><a name="i"></a><b>Henrique Garcia Pereira</b> &eacute; Professor catedr&aacute;tico do Instituto Superior T&eacute;cnico, tendo como interesses principais a estat&iacute;stica e a epistemologia. Para al&eacute;m de uma centena de artigos em revistas de toda a &iacute;ndole, escreveu alguns livros, de que se destacam &#8220;Brasiliana tangencial&#8221; (IST Press) e &#8220; fragmentos do Mediterr&acirc;nio&#8221; (teorema, tr&ecirc;s volumes).       </div>      ]]></body><back>
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