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</front><body><![CDATA[ <div>       <p align="right"><b>NOTA</b></p>       <br>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Tr&ecirc;s conversas de espa&ccedil;o </b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Ant&oacute;nio N&oacute;voa<sup>1 </sup>Andr&eacute; N&oacute;voa<sup>2 </sup><a href="#i"><sup>i</sup></a><a name="topi"></a></b></p>       <p><sup>1 </sup>Reitor Honor&aacute;rio da Universidade de Lisboa. Foi reitor da Universidade entre 2006 e 2013. Doutor em Ci&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o (Universidade de Genebra) e Doutor em Hist&oacute;ria (Universidade de Paris IV - Sorbonne), &eacute; Professor Catedr&aacute;tico do instituto de educa&ccedil;&atilde;o. A sua obra publicada cont&eacute;m mais de 200 t&iacute;tulos sobre temas de educa&ccedil;&atilde;o e de hist&oacute;ria. E-mail: <a href="mailto:novoa@reitoria.ulisboa.pt">novoa@reitoria.ulisboa.pt</a> &nbsp;</p>       <p><sup>2 </sup> Research fellow em Geografia na Northeastern University, Boston, e investigador colaborador do Centro de Estudos Geogr&aacute;ficos, Universidade de Lisboa. E-mail: <a href="mailto:novoa.andre@gmail.com">novoa.andre@gmail.com</a> &nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><i>O melhor &eacute; voltar atr&aacute;s, ao come&ccedil;o de tudo. H&aacute; mil anos (ou mais), algu&eacute;m repara atentamente numa garrafa cheia de &aacute;gua e descobre a primeira objectiva. L&aacute; est&aacute; a imagem da realidade, quando os raios solares passam atrav&eacute;s da &aacute;gua. </i></p>       <p>Carlos de Oliveira </p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>Em <i>Finisterra. Paisagem e Povoamento </i>, Carlos de Oliveira descobre a imagem da realidade nos raios que passam pela &aacute;gua, mas n&atilde;o deixa de acrescentar, um pouco mais &agrave; frente, quando fala de fumos e fogos: &#8220;isto n&atilde;o &eacute; real&#8230; n&atilde;o se pode fotografar&#8221; (1979: 164).</p>       <p>&Agrave; partida, tudo nos inclinava para falar sobre o espa&ccedil;o num sentido metaf&oacute;rico &#8211; o espa&ccedil;o cultural, social, pol&iacute;tico. Mas acab&aacute; mos por escolher outro caminho, mais arriscado, interrogando-nos sobre o espa&ccedil;o vis&iacute;vel e invis&iacute;vel, conhecido e desconhecido. </p>       <p>Uma das personagens de Camilo Castelo Branco, nas<i> Noites de ins&oacute;nia, oferecidas a quem n&atilde;o pode dormir</i>, prop&otilde;e-se falar com tempo: &#8220;se a tua impaci&ecirc;ncia consente, conversaremos de espa&ccedil;o&#8221;. Tamb&eacute;m n&oacute;s deixaremos tr&ecirc;s conversas, de espa&ccedil;o, que s&atilde;o mesmo tr&ecirc;s conversas, curtas, diferentes, mas que talvez se entrelacem entre si. </p>       <p>A primeira &eacute; sobre os espa&ccedil;os infinitos, a necessidade de ir al&eacute;m da superf&iacute;cie horizontal do espa&ccedil;o e estudar o infinitamente pequeno e o infinitamente grande. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A segunda &eacute; sobre a proximidade e a dist&acirc;ncia, com o espa&ccedil;o a ser definido como dist&acirc;ncia at&eacute; &agrave; &eacute;poca contempor &acirc;nea, assistindo-se, nos tempos actuais, &agrave; emerg&ecirc;ncia de novas l&oacute;gicas, f&iacute;sicas e virtuais, de &#8220;estar pr&oacute;ximo &#8221; e de &#8220;estar distante&#8221;. </p>       <p>A terceira &eacute; sobre o espa&ccedil;o no tempo, sobre a necessidade de pensar o espa&ccedil;o na sua rela &ccedil;&atilde;o com o tempo, e vice-versa, abrindo para uma compreens&atilde;o dos espa&ccedil;os que existem no tempo e dos tempos que existem no espa &ccedil;o. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>I. ESPA&Ccedil;OS INFINITOS </b></p>       <p><i>Todo este mundo vis&iacute;vel n&atilde;o &eacute; sen &atilde;o um tra&ccedil;o impercept&iacute;vel no amplo seio da natureza. </i></p>       <p>Pascal </p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&Eacute; poss&iacute; vel argumentar que vivemos, pelo menos desde meados do s&eacute;culo XX, num mundo inteiramente cartografado. Toda a superf&iacute;cie terrestre foi observada, percorrida, lida e apreendida. Claro que h&aacute; sempre novos aspectos a desvendar e que novas interpreta&ccedil;&otilde;es surgem daquilo que &eacute; conhecido. J&aacute; em 1947, num dos textos fundadores da Geografia cultural, afirmava John K. Wright: </p>       <p>&#8220;Actualmente, os ge&oacute;grafos raramente ou nunca t&ecirc;m a oportunidade de entrar em alguma das <i>terr</i>&aelig; <i>incognit</i>&aelig; literais &#8211; um territ&oacute;rio totalmente inexplorado (...). Se a <i>terra incognita</i> for concebida em sentido absoluto, como uma &aacute;rea na qual prevalece a total ignor&acirc;ncia humana, nenhuma <i>terra incognita</i> existe hoje na superf&iacute;cie do planeta&#8221; (2014: 7). </p>       <p>Dito de outro modo: hoje, n&atilde;o seria poss&iacute;vel um Livingstone, um Amundsen, um Cousteau. Ironia da hist&oacute;ria, talvez o &uacute;ltimo grande explorador tenha sido Neil Armstrong, que pisou a Lua, na falta de terra na terra. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No nosso s&eacute;culo, qualquer pessoa pode ter acesso &agrave; cartografia terrestre, atrav&eacute;s de um simples clique. No <i>Google Earth</i> est&atilde;o todas as montanhas, rios, estepes, plan&iacute;cies, desertos e florestas do mundo. E as cidades, tamb&eacute;m. A terra inteira est&aacute; em nossa casa, pelo menos na superf&iacute;cie, naquilo que &eacute; vis&iacute;vel. Curiosamente, quando se abre o <i>Google Earth</i>, tamb&eacute;m se anunciam imagens de Marte e de terrenos subaqu&aacute;ticos. </p>       <p>O espa&ccedil;o tem sido pensado sobretudo na sua horizontalidade, um espa &ccedil;o estendido, esticado, plano, que vai da imagem da nossa casa &agrave; imagem da terra. S&atilde;o estes os limites do espa&ccedil;o? e se pus&eacute; ssemos, como possibilidade, que as <i>terr</i>&aelig;<i> incognit&aelig;</i> se encontram hoje fora da esfera do vis&iacute;vel? Para as conhecer, seria necess &aacute;rio mudar de escala, passar &agrave; tridimensionalidade, conferir verticalidade ao espa&ccedil;o.</p>       <p>&Eacute; preciso abrir o espa&ccedil;o a outras escalas, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, do &aacute;tomo ao cosmos. A sugest&atilde;o tem sido avan&ccedil;ada por diversos autores. Stefan Helmreich (2008) fez &#8220;viagens antropol&oacute;gicas em mares microbianos&#8221;, que o levaram a repensar o conceito de vida. Dois anos antes, Hughes Martiny <i>et</i><i> al. </i>(2006) propuseram-se &#8220;colocar os micr&oacute;bios no mapa&#8221;, fundando um novo campo do saber chamado biogeografia microbiana. Paul Rabinow e Nikolas Rose (2006) redefiniram o conceito de &#8220;biopoder&#8221;, considerando uma paisagem composta n&atilde;o s &oacute; por popula&ccedil;&otilde;es e indiv&iacute;duos, mas tamb&eacute;m por mol&eacute;culas, genes, c&eacute;lulas e genomas. Na outra ponta da escala, h &aacute; quem tenha sugerido os planetas e o pr&oacute;prio cosmos como novos objectos de estudo das Humanidades do s&eacute;culo XXI. Basta recordar as propostas de Peter Dickens e James Ormrod (2007) sobre a cria&ccedil;&atilde;o de uma &#8220;sociologia do Universo&#8221;, ou as <i>Geografias de Marte</i> de Maria D. Lane (2011). </p>       <p>As &aacute;reas de conhecimento mais din&acirc;micas estabelecem interpreta&ccedil;&otilde;es entre extremos, entre escalas <i> micro</i> e <i>macro</i>, que v&atilde;o para al&eacute;m do olho humano, das frequ&ecirc;ncias do vis&iacute;vel, do aud&iacute;vel, do palp&aacute;vel. O grande mist&eacute;rio da f&iacute;sica contempor&acirc;nea passa precisamente por estabelecer nexos causais entre o infinitamente grande e o infinitamente pequeno, entre a teoria da relatividade e a f&iacute;sica qu&acirc;ntica, e ainda est&aacute; por compreender por que raz&atilde;o a mat&eacute;ria se comporta de forma diferente em escalas at&oacute;micas e em escalas c&oacute;smicas. </p>       <p>H&aacute; muito que este movimento tinha sido percebido na arte e na literatura. Veja-se o desdobramento de imagens at&eacute; ao infinito ou o <i>Livro de areia</i> de Jorge Lu&iacute;s Borges. Aqui, a linha &eacute; formada por um n&uacute;mero infinito de pontos, o plano por um n&uacute;mero infinito de linhas, o volume por um n&uacute;mero infinito de planos, o hipervolume por um n&uacute;mero infinito de volumes&#8230; O <i>Livro de areia</i> n&atilde;o tem princ&iacute;pio, nem fim, n&atilde;o tem primeira p&aacute;gina, nem &uacute;ltima, o espa&ccedil;o e o tempo s&atilde;o infinitos. Por isso, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para algu&eacute;m desfazer-se deste objecto, como explica o seu autor: &#8220;Pensei no fogo mas temi que a combust&atilde;o de um livro infinito tamb&eacute;m fosse infinita e capaz de sufocar com fumo o planeta&#8221; (1983: 138). </p>       <p>N&atilde;o nos basta o espa&ccedil;o que vemos. Precisamos de o abrir, de o multiplicar at&eacute; ao infinito, de compreender o que est&aacute; no espa&ccedil;o infinitamente pequeno e no espa&ccedil;o infinitamente grande. Estas s&atilde;o as nossas terras ainda inc &oacute;gnitas. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>II. PROXIMIDADE E DIST&Acirc;NCIA </b></p>       <p><i>Os longes e os pertos da pintura todos t&ecirc; m a mesma dist&acirc;ncia. </i></p>       <p>Padre Ant&oacute;nio Vieira </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>At&eacute; &agrave; &eacute;poca contempor &acirc;nea, o espa&ccedil;o definia-se sobretudo pelas dist&acirc;ncias, long&iacute;nquas, intranspon&iacute;veis, imposs&iacute;veis de percorrer e de navegar. A cronologia ocidental reflecte uma leitura do espa&ccedil;o, marcando bem os per&iacute;odos em que as dist&acirc;ncias se encurtam. As transi &ccedil;&otilde;es historicamente consagradas est&atilde;o relacionadas com proximidades. Como se a Hist&oacute;ria fosse um caminho que dissolve a separa &ccedil;&atilde;o. </p>       <p>Dois exemplos. Por um lado, a passagem da &eacute;poca medieval para a &eacute;poca moderna, que assinala um conjunto de mudan &ccedil;as culturais, mas tamb&eacute;m o desenvolvimento de inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, sobretudo ao n&iacute;vel da navega&ccedil;&atilde;o, que conduziram &agrave; &#8220;primeira globaliza&ccedil;&atilde;o&#8221; (Hopkins, 2002). Por outro lado, a passagem da &eacute;poca moderna para a &eacute; poca contempor&acirc;nea, marcada pelo iluminismo e pela revolu&ccedil;&atilde;o francesa, mas tamb&eacute;m pelas m&aacute;quinas da revolu&ccedil;&atilde;o industrial, o motor a vapor e os comboios. Uma vez mais, o mundo encurtou. E a cronologia oficial firma-se neste encurtamento. </p>       <p>Entre os s&eacute;culos XiX e XX d&aacute;-se um momento de viragem na concep&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o. O mundo come&ccedil;a a definir-se mais pelas proximidades do que pelas dist&acirc;ncias, torna-se pequeno demais para tanta gente. As guerras mundiais do s&eacute;culo XX acontecem num mundo onde se esbatem as fronteiras recortadas pelo mar, pelas cordilheiras ou pelos desertos. O que conta s&atilde;o as &#8220;fronteiras imaginadas&#8221;, como escreve Benedict Anderson (1983). </p>       <p>A ideia de um mundo limitado, pr&oacute;ximo, cont&iacute;guo, ecoa nos grandes debates das Humanidades, sobretudo quando os processos de globaliza&ccedil;&atilde;o se aceleram no &uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo XX. Na antropologia, discute-se hibridismo, cosmopolitismo, multiculturalismo. Na sociologia, redes e transnacionalismo. Na Geografia, mobilidade, migra&ccedil;&otilde;es, com o conceito de espa&ccedil;o a ser lido e interpretado como fluxo e movimento. Discutem-se as formas e os modos de habitar um mundo cada vez mais pequeno. Um mundo da proximidade. Um mundo da vizinhan&ccedil;a. Como se os longes e os pertos estivessem todos &agrave; mesma dist&acirc;ncia. </p>       <p>Em poucos anos, d&aacute;-se novo salto, por via das tecnologias. Fabricam-se outros espa&ccedil;os, potencialmente infinitos. O espa&ccedil;o virtual, sem limites, surge numa altura em que o espa&ccedil;o f&iacute;sico parece diminuto, limitado. O espa&ccedil;o virtual &eacute; infinito, por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; finitude da terra. Pensar o espa&ccedil;o no s&eacute;culo XXi obriga a compreender a proximidade e a dist&acirc;ncia, as fronteiras onde os lugares se encontram, as zonas de converg&ecirc;ncia e de continuidade.</p>       <p>&Eacute; nesse sentido que Michel Serres se refere aos espa&ccedil;os topol&oacute;gicos, quando explica a realidade dos novos jovens que somos chamados a educar: &#8220;Gra&ccedil;as ao telem&oacute;vel, acedem a todas as pessoas; gra&ccedil;as ao GPS, a todos os lugares; gra&ccedil;as &agrave; teia, a todo o conhecimento: habitam um espa&ccedil;o topol&oacute;gico de vizinhan&ccedil;as enquanto n&oacute;s viv&iacute;amos num espa&ccedil;o m&eacute;trico marcado por dist&acirc;ncias&#8221; (2012: 13). E o fil&oacute;sofo franc&ecirc;s explica mesmo que deixou de haver coordenadas cartesianas. J&aacute; ningu&eacute;m distingue os tr&ecirc;s pontos do plano em que se situa, esteja onde estiver: &#8220;as redes fundem-se num curto-circuito geral. O nosso habitat torna-se topol &oacute;gico: de qualquer ponto a qualquer outro, j&aacute; n&atilde;o h&aacute; dist&acirc;ncia mensur&aacute;vel&#8221; (2001: 260). </p>       <p>No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, Georg Simmel j&aacute; havia identificado a import&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o entre proximidade e dist&acirc;ncia, dando conta de como o forasteiro, ou o estranho, tem obrigatoriamente de interagir com quem lhe est&aacute; fisicamente <i>pr&oacute;ximo</i>, mas socialmente <i>distante</i> (cf. Wolff, 1950). A sua an&aacute;lise merece ser hoje aprofundada, atrav&eacute;s de uma reflex&atilde;o sobre as raz&otilde;es que, muitas vezes, nos fazem mais <i>pr&oacute;ximos</i> de algu&eacute;m que se encontra longe, e que podemos mesmo nunca ter encontrado, do que do vizinho do lado, formando rela &ccedil;&otilde;es que apagam e dissolvem as <i>dist&acirc;ncias</i>. O espa&ccedil;o f&iacute;sico encolheu, encurtou, estreitou. E, neste processo, abriram-se espa&ccedil;os virtuais, trazendo novas proximidades e novas dist&acirc;ncias. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>III. O ESPA&Ccedil;O NO TEMPO </b></p>       <p><i>Na criativa dist&acirc;ncia espacitempo (&#8230;) somos a paisagem da paisagem. </i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Carlos Drummond de Andrade </p>       <p>A artista pl&aacute;stica Ana Freitas prop&ocirc;s-se fotografar o tempo. O f&iacute;sico M&aacute;rio Novello explicou-lhe que n&atilde;o seria poss&iacute;vel, mas prop&ocirc;s-se reflectir com ela sobre a seguinte frase: &#8220;a mat&eacute;ria curva o espa &ccedil;o-tempo em um processo eterno&#8221;. O di&aacute;logo deu origem a textos e exposi&ccedil;&otilde;es, de <i>arteci&ecirc;ncia</i>, que procuram pensar o espa&ccedil;o no tempo. </p>       <p>Somos convidados a olhar para um espa&ccedil;o, que n&atilde;o &eacute; limitado apenas pelas suas margens f&iacute;sicas, vis &iacute;veis, que se liberta dos mapas f&iacute;sicos da mesma forma que o tempo se liberta dos rel&oacute;gios e dos calend&aacute;rios. </p>       <p>Esta reconceptualiza&ccedil;&atilde;o &eacute; problem&aacute;tica, porque implica uma ruptura com concep&ccedil;&otilde;es sensoriais de espa&ccedil;o e de tempo, como &#8220;coisas&#8221; que podem ser vistas e tocadas: </p>       <p>&#8220;A principal li&ccedil;&atilde;o da teoria da relatividade de Einstein &eacute; que, quando pensamos nestes temas, n&atilde;o podemos confiar nos sentidos. Tanto Picasso como Einstein acreditavam que a arte e a ci&ecirc;ncia eram meios para explorar os mundos para al&eacute;m das percep&ccedil;&otilde;es, para al&eacute;m das apar&ecirc;ncias&#8221; (Miller, 2001: 4). </p>       <p>Por isso, &eacute; importante proceder a um duplo trabalho: de desmultiplica&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os, de compreens&atilde;o das diferentes camadas espaciais, vis &iacute;veis e invis&iacute;veis, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande; e de desdobramento dos tempos, de compreens&atilde;o de todos os &#8220; tempos&#8221; que existem num determinado per&iacute;odo de tempo. &Eacute; no cruzamento de distintas espacialidades e temporalidades que se encontram novas possibilidades de conhecimento. </p>       <p>Refira-se, por exemplo, o trabalho em que Tim Cresswell demonstra como &#8220;a mobilidade de alguns significa a imobilidade de muitos outros&#8221; (2006: 255), como no mesmo espa&ccedil;o e no mesmo tempo coabitam indiv&iacute;duos que se movimentam e se regem por diferentes temporalidades. No aeroporto de Schiphol, convivem executivos e trabalhadores da limpeza. Para uns, vive-se num tempo r&aacute;pido, da globaliza &ccedil;&atilde;o, cosmopolita, moderno, um tempo em que &eacute; poss&iacute;vel jantar em Nova Iorque, dormir nos c&eacute;us e acordar em Singapura. Para outros, que tornam poss&iacute;vel a mobilidade dos primeiros, o tempo &eacute; lento, de uma vida trabalhadora, rotineira, comum. &Eacute; o tempo de um dia, com oito horas ou mais de trabalho, ora regulado por normas bem precisas, ora desregulado numa explora&ccedil;&atilde;o sem limites. </p>       <p>Numa outra perspectiva, &eacute; &uacute;til prolongar a reflex&atilde;o feita por Doreen Massey, nos anos noventa, sobre a pol&iacute;tica e o espa&ccedil;o-tempo. Em vez de uma concep&ccedil;&atilde;o de tempo como processo linear e de uma perspectiva do espa&ccedil;o como superf&iacute;cie plana, &eacute; necess&aacute;rio sublinhar as quatro dimens&otilde;es (melhor dizendo, as <i>n-dimens&otilde;es</i>) das coisas. De acordo com a sua an&aacute;lise, o espa&ccedil;o n&atilde;o &eacute; est&aacute;tico, e o tempo n&atilde;o existe sem espa&ccedil;o. &Eacute; certo que a espacialidade e a temporalidade s&atilde;o diferentes, mas uma n &atilde;o pode ser conceptualizada na aus&ecirc;ncia da outra: </p>       <p>&#8220;Uma forma de pensar &eacute; dizer que o <i>espacial</i> &eacute; parte integrante da produ&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria, e, por isso mesmo, da possibilidade da pol&iacute;tica, do mesmo modo que o <i>temporal</i> &eacute; decisivo para a Geografia. Outra forma, &eacute; insistir na inseparabilidade do tempo e do espa&ccedil;o, na sua constitui&ccedil;&atilde;o conjunta atrav &eacute;s das inter-rela&ccedil;&otilde;es entre fen&oacute;menos, isto &eacute;, insistir na import&acirc;ncia de pensar o espa&ccedil;o-tempo&#8221; (1992: 84). </p>       <p>Estes exemplos destinam-se a sublinhar a necessidade de olhar para os v&aacute;rios espa&ccedil;os que existem em cada tempo e para os v&aacute; rios tempos que habitam cada espa&ccedil;o. Abre-se, assim, um mundo de novas interpreta&ccedil;&otilde;es, permitindo que o espa&ccedil;o n&atilde;o fique prisioneiro de uma vis&atilde;o &#8220;fixista&#8221; e que o tempo se liberte dos calend&aacute;rios e dos rel&oacute;gios. Deste modo, criam-se as condi &ccedil;&otilde;es para compreender a &#8220;criativa dist&acirc;ncia espacitempo&#8221;, para compreender rela&ccedil;&otilde;es que cont&ecirc;m sempre uma dimens&atilde;o espacial e uma dimens&atilde;o temporal, como verso e reverso da mesma realidade. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>* * * </p>       <p> &Eacute; corrente a ideia de que o s&eacute;culo XIX ficou marcado pelo &#8220;tempo&#8221; e o s&eacute;culo XX pelo &#8220;espa&ccedil;o&#8221;. Mas Edward Soja (1989) escreve que, no momento em que o <i>moderno</i> cedeu perante o <i>p&oacute;s-moderno</i>, o espa&ccedil;o passou a ser entendido como uma met &aacute;fora, e Yi-Fu Tuan (1977) diz mesmo que se transformou numa abstrac&ccedil;&atilde;o. </p>       <p>Neste contexto, v&aacute;rios autores insistem na &#8220; irrelev&acirc;ncia do espa&ccedil;o&#8221; (Bauman, 2000) ou na &#8220;morte da dist&acirc;ncia&#8221; (Cairncross, 1997). A vida e a realidade social passaram a ser metaforizadas como estando num estado l&iacute;quido, gasoso, disforme, como explica Zygmunt Bauman: </p>       <p>&#8220;A mudan&ccedil;a em quest&atilde;o &eacute; a nova irrelev&acirc;ncia do espa&ccedil;o, mascarada como aniquila&ccedil;&atilde;o do tempo. Num universo virtual, o espa&ccedil;o pode ser atravessado, literalmente, em &#8216;tempo nenhum&#8217;; a diferen&ccedil;a entre o &#8216;longe&#8217; e o &#8216;perto&#8217; anula-se. Por isso, o espa &ccedil;o conta pouco, ou n&atilde;o conta nada&#8221; (2000: 177). </p>       <p>E, no entanto, como procur&aacute;mos demonstrar nestas tr&ecirc;s pequenas conversas, continua a ser importante pensar o espa&ccedil;o, n&atilde;o como met&aacute;fora ou abstrac&ccedil;&atilde;o, mas abrindo novas formas de o pensar e de o problematizar. </p>       <p>Em primeiro lugar, pensar para al&eacute;m das frequ&ecirc;ncias do vis&iacute;vel, do aud&iacute;vel e do palp&aacute;vel. Conferir verticalidade ao espa&ccedil;o. Entender as rela&ccedil;&otilde;es entre o infinitamente grande e o infinitamente pequeno. Um &aacute;tomo &eacute; quase integralmente feito de espa&ccedil;o. A dist&acirc;ncia que vai do n&uacute;cleo a um electr&atilde;o &eacute; cerca de 10 000 vezes superior ao raio do pr&oacute;prio n&uacute;cleo. Entender as profundidades c&oacute;smicas e qu&acirc;nticas abre caminho a novas interpreta&ccedil;&otilde;es sobre a vida, a condi&ccedil;&atilde;o humana e o nosso lugar no espa&ccedil;o. Ainda existem muitas <i>terrae</i><i> incognitae</i> por explorar. Apenas n&atilde;o conseguimos v&ecirc;-las ou n&atilde;o temos olhos que as alcancem. </p>       <p>Em segundo lugar, repensar proximidades e dist&acirc;ncias. Reconhecer que o mundo j &aacute; foi feito de dist&acirc;ncias intranspon&iacute;veis (at&eacute; ao s&eacute;culo XIX) e de proximidades sufocantes (s&eacute;culo XX), e que, agora, se abrem espa&ccedil;os virtuais, potencialmente infinitos. Ao estudarmos como muitos vivem <i>longe</i>, ainda que aqui ao lado, e outros vivem <i>perto</i>, ainda que t&atilde;o distantes, perceberemos as novas inst&acirc;ncias de espa&ccedil;o da condi&ccedil;&atilde;o humana do s&eacute;culo XXI, um mundo feito de novas din&acirc;micas de proximidade e de dist&acirc;ncia. </p>       <p>Em terceiro lugar, perguntar ao espa&ccedil;o quantos tempos o espa&ccedil;o tem. Einstein e Picasso habitam a mesma &eacute;poca. As ci&ecirc;ncias, mas tamb&eacute;m a arte e a literatura, descobriram, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, a relatividade do espa&ccedil;o e do tempo. Precisamos de trazer esta mesma ruptura para as ci&ecirc;ncias sociais e humanas, n&atilde;o nos limitando a reproduzir concep&ccedil;&otilde;es sensoriais de espa&ccedil;o e de tempo, e abrindo para uma infinidade de novas interpreta&ccedil;&otilde;es. </p>       <p>E assim conclu&iacute;mos as nossas <i>tr&ecirc;s conversas</i>. &Eacute; imposs&iacute;vel ter respostas definitivas para os problemas do nosso s&eacute;culo. Mas isso n&atilde;o nos deve impedir de construir respostas provis&oacute;rias, que nos permitam abrir novas possibilidades de pensar e de agir. Mesmo quando os temas s&atilde;o dif&iacute;ceis, podemos sempre conversar sobre eles. <i>De espa&ccedil;o</i>. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>       <!-- ref --><p>Anderson, B. (1983). <i>Imagined communities: reflections on the origin and spread of nationalism</i>. London: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273624&pid=S0430-5027201500020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Andrade, C. D. De (1974) Paisagem: como se faz. In Livraria Jos&eacute; Olympio (Ed.),<i> As impurezas do branco</i> , (40-41). Rio de Janeiro: Livraria Jos&eacute; Olympio Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273626&pid=S0430-5027201500020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Bauman, Z. (2000). Time and space reunited. <i>Time &amp; Society</i>, 9 (2/3), 171-185.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273628&pid=S0430-5027201500020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Borges, J. L. (1983). <i>O livro de areia</i>. Lisboa: Editorial Estampa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273630&pid=S0430-5027201500020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cairncross, F. (1997). <i>The death of distance</i>. Boston: Harvard Business School Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273632&pid=S0430-5027201500020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Castelo, B. C. (1874). <i>Noites de ins&oacute;nia oferecidas a quem n&atilde;o pode dormir</i>. Porto: Livraria Internacional de Ernesto Chardron.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273634&pid=S0430-5027201500020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p> Cresswell, T. (2006). <i>On the move: mobility in the modern Western world</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273636&pid=S0430-5027201500020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Dickens, P. &amp; Ormrod, J. (2007). <i>Cosmic society: towards a sociology of the universe</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273638&pid=S0430-5027201500020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Freitas, A. &amp; Novello, M. (2012). Di&aacute;logos sobre o tempo. <i>Cosmos e Contexto</i>, 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273640&pid=S0430-5027201500020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Helmreich, S. (2008). <i>Alien ocean: anthropological voyages in microbial seas</i>. Berkeley: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273642&pid=S0430-5027201500020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Hopkins, A. G. (2002). <i>Globalization in world history</i>. London: Pimlico.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273644&pid=S0430-5027201500020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Lane, M. D. (2011). <i>Geographies of Mars: seeing and knowing the red planet</i>. Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273646&pid=S0430-5027201500020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Martiny, H., <i>et al.</i> (2006). Microbial biogeography: putting microorganisms on the map. <i>Nature Reviews Microbiology</i>, 4, 102-112.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273648&pid=S0430-5027201500020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Massey, D. (1992). Politics and space/time. <i>New Left Review </i>, 196, 65-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273650&pid=S0430-5027201500020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Miller, A. (2001). <i>Einstein, Picasso: Space, Time, and the beauty that causes havoc</i>. New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273652&pid=S0430-5027201500020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Oliveira, C. De (1979). <i>Finisterra, paisagem e povoamento. </i>(3&ordf; ed.). Lisboa: Livraria S&aacute; da Costa Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273654&pid=S0430-5027201500020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Rabinow, P. &amp; Rose, N. (2006). Biopower today. <i>BioSocieties</i>, 1, 195-217.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273656&pid=S0430-5027201500020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Serres, M. (2012). <i>Petite poucette</i>. Paris: &Eacute; ditions Le Pommier.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273658&pid=S0430-5027201500020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Serres, M. (2001). <i>Hominescence</i>. Paris: &Eacute;ditions Le Pommier.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273660&pid=S0430-5027201500020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Soja, E. (1989). <i>Postmodern geographies: the reassertion of space in critical social theory</i>. London: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273662&pid=S0430-5027201500020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Tuan, Y-F. T. (1977). <i>Space and place: the perspective of experience</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273664&pid=S0430-5027201500020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Wolff, K. H. (1950). <i>The sociology of Georg Simmel</i>. New York: The Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273666&pid=S0430-5027201500020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Wright, J. K. (2014). Terr&aelig; incognit&aelig;: o lugar da imagina &ccedil;&atilde;o na geografia. <i>Geograficidade</i>, 4(2), 4-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273668&pid=S0430-5027201500020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Wright, John K. (1947). &nbsp; Terrae Incognitae: The Place of Imagination in Geography&nbsp;<i>Annals of the Association of American Geographers, </i>37: 1-15.</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>Recebido: Mar&ccedil;o 2015. Aceite: Junho 2015. </p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><b>NOTAS</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><a href="#topi"><sup>i</sup></a><a name="i"></a><b>Ant&oacute;nio N&oacute;voa </b>&eacute; reitor Honor&aacute;rio da Universidade de Lisboa. Foi reitor da Universidade entre 2006 e 2013. Doutor em Ci&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o (Universidade de Genebra) e Doutor em Hist&oacute;ria (Universidade de Paris IV - Sorbonne), &eacute; Professor Catedr&aacute;tico do instituto de educa&ccedil;&atilde;o. A sua obra publicada cont&eacute;m mais de 200 t&iacute;tulos sobre temas de educa&ccedil;&atilde;o e de hist&oacute;ria. <b>Andr&eacute; N&oacute;voa </b>&eacute; research fellow em Geografia na Northeastern University, Boston, e investigador colaborador do Centro de Estudos Geogr&aacute;ficos, Universidade de Lisboa. Doutorou-se em Geografia pelo Royal Holloway, University of London, com uma tese orientada por Tim Cresswell. Licenciado em Hist&oacute;ria pela Universidade nova de Lisboa e mestre em antropologia pelo instituto de Ci&ecirc;ncias sociais, Universidade de Lisboa. Os seus interesses de investiga&ccedil;&atilde;o centram-se em tem&aacute;ticas relacionadas com mobilidade humana e identidades contempor&acirc;neas. A sua obra est&aacute; publicada em revistas como <i>Mobilities</i> e <i>Environment</i><i> and Planning A</i>.</p> </div>      ]]></body><back>
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<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
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