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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A importância da previsão do tempo na prevenção de riscos meteorológicos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the scientific foundations of weather prediction, as well as the fundamental operational aspects associated with weather forecasting. The paper attributes the beginning of modern numerical weather prediction to the vision of John von Neumann, who brilliantly connected science, technology and management.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <div>       <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>       <br>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>A import&acirc;ncia da previs&atilde;o do tempo na preven&ccedil;&atilde;o d</b><b>e riscos meteorol&oacute;gicos </b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>The relevance of weather forecasting in the prevention of meteorological hazards</b><b></b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Jo&atilde;o Corte-Real<sup>1 </sup></b><a href="#i"><sup>i</sup></a><a name="topi"></a></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup>1 </sup></b>Professor catedr&aacute;tico aposentado da Universidade de &Eacute;vora. Colaborador do instituto de Ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias e ambientais Mediterr&acirc;nicas (ICAAM) da Universidade de &Eacute;vora. E-mail&nbsp;: <a href="mailto:jmcr@uevora.pt">jmcr@uevora.pt</a> e <a href="mailto:jamcr09@gmail.com">jamcr09@gmail.com</a> </p>       <p><b><sup>&nbsp;</sup></b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>RESUMO</b></p>       <p>Este artigo trata do fundamento cient&iacute;fico da previs&atilde;o do tempo, bem como de aspectos operacionais fundamentais a ela associados. Em particular mostra-se como o in&iacute;cio da moderna previs&atilde;o do tempo resultou da vis&atilde;o de John von Neumann, que interligou de forma brilhante ci&ecirc;ncia, tecnologia e gest&atilde;o. </p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Espa&ccedil;o, meteorologia, risco, modelos num&eacute;ricos. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>This paper discusses the scientific foundations of weather prediction, as well as the fundamental operational aspects associated with weather forecasting. The paper attributes the beginning of modern numerical weather prediction to the vision of John von Neumann, who brilliantly connected science, technology and management. </p>       <p><b>Keywords: </b>Space, meteorology, hazard, risk, numerical models. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>I. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></p>       <p>Nos &uacute;ltimos 50 anos, tempo de vida da <i>Finisterra</i>, as ci&ecirc;ncias da atmosfera conheceram um impulso sem precedentes. Tal circunst&acirc;ncia deve-se &agrave; forte interac&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o linear, entre conhecimento cient&iacute;fico e desenvolvimento tecnol&oacute;gico, que permitiu a concep&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de instrumentos de observa&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ados, de computadores digitais com desempenhos crescentes, os quais tornaram poss&iacute;vel o desenvolvimento da previs&atilde;o </p>       <p>Num&eacute;rica do tempo, alargando-a &agrave; escala global com resolu&ccedil;&otilde;es elevadas. Esta expans&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico e da capacidade de proteger vidas e bens, atrav&eacute;s da previs&atilde;o de fen&oacute;menos atmosf&eacute;ricos adversos &agrave; actividade humana, ligou a meteorologia &agrave; preven&ccedil;&atilde;o de riscos. Neste tempo de comemora&ccedil;&otilde;es (e de alertas permanentes) cabe pois falar do tempo, que pode representar um risco, amea&ccedil;ando vidas e bens. </p>       <p>Neste artigo, procurar-se-&aacute; responder, numa base cient&iacute;fica, a quest&otilde;es tais como: o que &eacute; o tempo? &Eacute; poss&iacute;vel prev&ecirc;-lo? se sim, como? Qual a relev&acirc;ncia da previs&atilde;o do tempo na preven&ccedil;&atilde;o de riscos meteorol&oacute;gicos e na actividade humana em geral? </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>II. O CONCEITO DE ESPA&Ccedil;O EM METEOROLOGIA </b></p>       <p>A meteorologia &eacute; o estudo da atmosfera, fluido gasoso que envolve o globo. O espa&ccedil;o ocupado pela atmosfera &eacute; pois tridimensional e tem a pot&ecirc;ncia do cont&iacute;nuo; &eacute;, al&eacute;m disso, espa&ccedil;o no conceito newtoniano i.e. Espa&ccedil;o absoluto, cuja m&eacute;trica &eacute; a mesma para todos os observadores. Os fen&oacute;menos atmosf&eacute;ricos que t&ecirc;m lugar nesse espa&ccedil;o evoluem no tempo dura&ccedil;&atilde;o (absoluto), dando assim sentido aos conceitos de an&aacute; lise e previs&atilde;o do tempo atmosf&eacute;rico. Na pr&aacute;tica, estes conceitos s&oacute; podem no entanto aplicar-se a um espa&ccedil;o discreto, constitu&iacute;do por um n&uacute;mero finito de pontos, dispostos numa rede regular e a evolu&ccedil;&atilde;o temporal &eacute; descrita apenas num conjunto discreto e finito de instantes. O conceito de espa&ccedil;o em meteorologia &eacute;, por consequ&ecirc;ncia, distinto do conceito de espa&ccedil;o em geografia, embora ambos os conceitos n&atilde;o sejam disjuntos. </p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>III. A ATMOSFERA E O TEMPO </b></p>       <p>A atmosfera &eacute; um dos componentes do sistema clim&aacute;tico formado pela uni&atilde;o da atmosfera, hidrosfera, criosfera, litosfera e biosfera. Este pode considerar-se um sistema fechado, mas n&atilde;o isolado, uma vez que recebe energia radiante do sol e perde energia radiante para o espa&ccedil;o. O sol constitui a fonte prim&aacute;ria de energia para todos os processos que ocorrem no sistema clim&aacute;tico. A atmosfera constitui o componente de maior variabilidade do sistema clim&aacute;tico; trata-se de um sistema cuja circula&ccedil;&atilde;o &eacute; turbulenta (irregular e inst&aacute;vel), ca&oacute;tica (sens&iacute;vel &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es iniciais), no qual t&ecirc;m lugar processos n&atilde;o lineares, que ocorrem em m&uacute;ltiplas escalas espa&ccedil;o-temporais (que se influenciam mutuamente devido &agrave; n&atilde;o linearidade e que n&atilde;o podem por consequ&ecirc;ncia ser analisadas independentemente umas das outras), sujeitos a mecanismos de realimenta&ccedil;&atilde;o e a teleconex&otilde;es. </p>       <p>A atmosfera &eacute; um sistema aberto, i.e., permuta massa e energia com os restantes componentes do sistema clim&aacute;tico em processos complexos, com as caracter&iacute;sticas apontadas. Diz-se que a atmosfera &eacute; <i>for&ccedil;ada </i>em m&uacute;ltiplas escalas espa&ccedil;o-temporais, pelos restantes componentes do sistema clim&aacute;tico e pelo sol. </p>       <p>A atmosfera &eacute; constitu&iacute;da pelo ar, mistura gasosa, e por part&iacute;culas em suspens&atilde;o (aeross&oacute;is). Os componentes gasosos maiorit&aacute;rios s&atilde;o o oxig&eacute;nio molecular (209&nbsp;500&nbsp;ppmv<a href="#ii"><sup>ii</sup></a><a name="topii"></a>) e o azoto molecular (780&nbsp;800&nbsp;ppmv); seguem-se o vapor de &aacute;gua (30 &nbsp;000&nbsp;ppmv) e o &aacute;rgon (9&nbsp;300&nbsp;ppmv). Os componentes minorit&aacute;rios, totalizando cerca de 400ppmv, incluem o di&oacute;xido de carbono, o metano, o &oacute;xido nitroso, os CfCs, entre outros, sem esquecer aeross&oacute;is. </p>       <p>O vapor de &aacute;gua e os componentes minorit&aacute; rios s&atilde;o aqueles que interactuam com a radia&ccedil;&atilde;o, absorvendo-a ou difundindo-a, sendo portanto aqueles que determinam a distribui&ccedil;&atilde;o espacial das regi&otilde;es de aquecimento e arrefecimento da atmosfera e, consequentemente, a forma como a atmosfera se move, i.e., a circula&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica. </p>       <p>O componente &aacute;gua &eacute; o &uacute;nico componente atmosf&eacute;rico que pode mudar de fase, estando quantidades apreci&aacute;veis de energia associadas &agrave;s transi&ccedil;&otilde;es de fase da &aacute;gua; por exemplo, a condensa&ccedil;&atilde;o de 1g de vapor de &aacute;gua, liberta 2&nbsp;500J&nbsp;&#8776;&nbsp;598cal; reciprocamente a evapora&ccedil;&atilde;o de 1g de &aacute;gua l&iacute;quida requer a absor&ccedil;&atilde;o de 2&nbsp;500J; a liberta&ccedil;&atilde;o de calor latente aquece a atmosfera e a absor&ccedil;&atilde;o arrefece-a. Por outro lado, a uma dada press&atilde;o, a massa de &aacute;gua que pode existir na atmosfera na fase vapor tem um limite m&aacute;ximo que depende da temperatura do ar, pelo que se pode concluir que as transi&ccedil;&otilde;es de fase da &aacute;gua na atmosfera, e as trocas de energia associadas, s&atilde;o inevit&aacute;veis. A condensa&ccedil;&atilde;o do vapor de &aacute;gua d&aacute; lugar &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de nuvens, as quais difundem a radia&ccedil;&atilde;o solar e absorvem a radia&ccedil;&atilde;o terrestre. </p>       <p>Num dado instante, o estado termo-hidrodin&acirc;mico da atmosfera &eacute; definido pelos valores que as concentra&ccedil;&otilde;es dos diferentes componentes, a temperatura, a press&atilde;o, a densidade e a velocidade, tomam em cada ponto do meio. Todas estas propriedades, caracterizam a part&iacute;cula do meio que, no instante referido, ocupa a posi&ccedil;&atilde;o considerada. Na g&iacute;ria meteorol&oacute;gica a velocidade &eacute; designada por vento. </p>       <p>A concentra&ccedil;&atilde;o do vapor de &aacute;gua determina a humidade do ar; caso esta seja nula, diz-se que o ar &eacute; seco; na situa&ccedil;&atilde;o oposta fala-se de ar h&uacute;mido. </p>       <p>O estado termo-hidrodin&acirc;mico da atmosfera, numa dada regi&atilde;o, num dado instante, &eacute; o tempo nessa regi&atilde;o, nesse instante. Podemos assim falar do tempo &agrave; superf&iacute;cie, &agrave;s 12 &nbsp;h de hoje, em Lisboa, ou do tempo &agrave;s 18&nbsp;h de ontem, sobre o atl&acirc;ntico, ou a 5 500m de altitude. Como o estado termo-hidrodin&acirc;mico da atmosfera se altera no decurso do tempo, o tempo atmosf&eacute;rico modifica-se e evolui; o tempo de hoje n&atilde;o &eacute; necessariamente </p>       <p>O tempo de amanh&atilde;, ou de um m&ecirc;s mais tarde. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Deve notar-se que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel conhecer o tempo, tal como foi definido; como j&aacute; foi referido, o <i>continuum</i> espa&ccedil;o-temporal &eacute;, na pr&aacute;tica, substitu&iacute;do por um <i>discretum</i>. Esta conclus &atilde;o tem importantes consequ&ecirc;ncias como veremos. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>IV. A PREVIS&Atilde;O DO TEMPO COMO PROBLEMA CIENT&Iacute;FICO </b></p>       <p>O que &eacute; prever o tempo? &Eacute; determinar os estados futuros da atmosfera, a partir de um estado conhecido num dado instante, dito estado inicial, e de condi&ccedil;&otilde;es fronteira, que descrevem o for&ccedil;amento a que a atmosfera est&aacute; submetida. </p>       <p>Ser&aacute; isto poss&iacute;vel? em teoria, acredita-se que sim. Porqu&ecirc;? Porque as vari&aacute;veis que definem o estado instant&acirc;neo da atmosfera est&atilde;o ligadas entre si por equa&ccedil;&otilde;es que traduzem leis fundamentais da f&iacute;sica, que por esta raz&atilde;o se designam por equa&ccedil;&otilde;es primitivas, e que incluem o for&ccedil;amento da atmosfera pelos restantes componentes do sistema clim&aacute;tico e pelo sol. Por outras palavras, a evolu&ccedil;&atilde;o do tempo &eacute; determin&iacute;stica: conhecido um estado inicial e condi&ccedil;&otilde;es de fronteira (for&ccedil;amento) os estados futuros est&atilde;o determinados e podem ser conhecidos, resolvendo as equa&ccedil;&otilde;es atr&aacute;s referidas. Esta ideia enfrenta no entanto obst&aacute;culos que, at&eacute; ao presente, continuam a ser intranspon&iacute;veis. Com efeito, sendo a circula&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica ca&oacute;tica (caos significa neste contexto, sensibilidade &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es iniciais, i.e. o movimento &eacute; ca&oacute;tico se estados iniciais muito pr&oacute;ximos, evolu&iacute;rem de forma completamente distinta no decurso do tempo), um pequeno erro na defini&ccedil;&atilde;o do estado inicial vai amplificar-se no decurso do tempo; ora, como n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel conhecer com precis&atilde;o nenhum estado instant&acirc;neo, haver&aacute; sempre erros na defini&ccedil;&atilde;o do estado inicial. Esta circunst&acirc;ncia, imp&otilde;e um limite temporal &agrave; possibilidade de prever o tempo, i.e. &agrave; predictabilidade da atmosfera; assim, s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel estender a previs&atilde;o com confian&ccedil;a, at&eacute; poucos dias subsequentes ao dia inicial. Por outro lado, o for&ccedil;amento da atmosfera tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; conhecido com precis&atilde;o. Finalmente, as equa&ccedil;&otilde;es de progn&oacute;stico, s&atilde;o equa&ccedil;&otilde;es com derivadas parciais, n&atilde;o lineares, acopladas, para as quais a matem&aacute;tica desconhece m&eacute;todos de solu&ccedil;&atilde;o (com excep&ccedil;&atilde;o de casos particulares). </p>       <p>Em conclus&atilde;o: prever o tempo consistiria em resolver um sistema de equa&ccedil;&otilde;es, para o qual se desconhecem m&eacute;todos de solu&ccedil;&atilde;o, partindo de condi&ccedil;&otilde;es iniciais e de fronteira que s&atilde;o imperfeitamente conhecidas. Como estas dificuldades n&atilde;o t&ecirc;m, at&eacute; ao presente, sido resolvidas, o problema da previs&atilde;o do tempo, tal como foi enunciado atr&aacute;s, n&atilde;o tem solu&ccedil;&atilde;o. Por isso, a previs&atilde;o do tempo, assenta em m&eacute;todos aproximados, baseados em dados de observa&ccedil;&otilde;es de superf&iacute;cie, de altitude (radiossondagens), de sat &eacute;lites, de radar, e na an&aacute;lise num&eacute;rica. </p>       <p>A ambi&ccedil;&atilde;o de uma solu&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica para a previs &atilde;o do tempo foi colocada pelo meteorologista americano Cleveland abbe (<a href="#f1">fig. 1</a>) em 1890. Abbe notabilizou-se pela organiza&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o meteorol&oacute;gico sistem&aacute;tico, por tel&eacute;grafo (inventado em 1837), em benef&iacute;cio do com&eacute;rcio. Nos primeiros anos do s&eacute;culo XX, o f&iacute;sico noruegu&ecirc;s Vilhelm Bjerknes (<a href="#f1">fig. 1</a>), da Universidade de Bergen, desenvolveu aquela ideia com o objectivo claro de, &agrave; semelhan&ccedil;a da astronomia, converter a meteorologia numa ci&ecirc;ncia exacta, numa verdadeira f&iacute;sica da atmosfera. Bjerknes estabeleceu duas etapas para aquilo que designou por previs&atilde;o racional do tempo: a etapa de diagn&oacute;stico, em que &eacute; definido um estado inicial com base nas observa&ccedil;&otilde;es, e a etapa de progn&oacute;stico, na qual o estado inicial &eacute; projectado no futuro, num processo ditado pelas equa &ccedil;&otilde;es primitivas, deterministas. No entanto, Bjerknes reconheceu n&atilde;o haver qualquer possibilidade de p&ocirc;r as suas ideias em pr&aacute; tica, uma vez que nada podia fazer nem anal&iacute;tica nem numericamente. Em consequ&ecirc;ncia, Bjerknes prop&ocirc;s um m&eacute;todo gr&aacute;fico para a previs&atilde;o do tempo, baseado no tra&ccedil;ado de cartas de tempo ou cartas meteorol&oacute;gicas, de superf&iacute;cie e de altitude. As cartas meteorol &oacute;gicas eram tra&ccedil;adas &agrave; m&atilde;o, com base nas observa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis; a compara&ccedil;&atilde;o da carta relativa a uma dada hora, com as correspondentes a horas anteriores, permitia extrapolar, subjectivamente, as posi&ccedil;&otilde;es e intensidades dos centros de ac &ccedil;&atilde;o (depress&otilde;es e anticiclones) e dos sistemas frontais, para um instante futuro. Deve notar-se que os conceitos de massa de ar, de superf &iacute;cie frontal e de frente, foram introduzidos pelo pr&oacute;prio Bjerknes e desenvolvidos pela escola de Bergen. </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a09f1.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Em 1913, Lewis fry richardson (<a href="#f1">fig. 1</a>), meteorologista ingl&ecirc;s, levou a cabo a primeira tentativa para resolver as equa&ccedil;&otilde;es primitivas, utilizando calculadoras de secret&aacute;ria. Richardson come&ccedil;ou por simplificar as equa&ccedil;&otilde;es do movimento, introduzindo a hip&oacute;tese hidrost&aacute;tica e, por aplica&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as finitas, obteve valores dos campos meteorol&oacute;gicos num instante posterior, pr&oacute;ximo do inicial. Em seguida, iterou o processo no tempo, at&eacute; cobrir um intervalo de tempo da ordem do dia. Desta forma, richardson p&ocirc;de analisar varia&ccedil;&otilde;es da press&atilde;o atmosf&eacute;rica e do vento em dois pontos situados na europa central. Os resultados foram completamente desastrosos; com efeito, para s&oacute; falar da press&atilde;o, os valores calculados da tend&ecirc;ncia da press&atilde;o eram da ordem de 145hPa/6h, valores totalmente irrealistas, se se tiver em conta que tend&ecirc;ncias observadas s&atilde;o pequenas, da ordem de poucos hPa, ou d&eacute;cimos de hPa, em intervalos de tempo de 3h. As raz&otilde;es que levaram aos erros de previs&atilde;o, na tentativa levada a cabo por richardson, s&oacute; foram integralmente compreendidas anos mais tarde, ap&oacute;s desenvolvimentos te&oacute;ricos cruciais, verificados na an&aacute;lise num&eacute;rica (por Courant, friedrichs e Lewy (nebeker, 1995) e na din&acirc;mica de fluidos e da atmosfera (e.g. Rossby, the &#8220;Weather Man&#8221;, nebeker, 1995), e desenvolvimentos tecnol&oacute;gicos verdadeiramente inovadores, designadamente a inven&ccedil;&atilde;o da radiossonda e do computador digital, inexistentes ao tempo da tentativa de Richardson. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas a busca dessa compreens&atilde;o foi estimulada pelo fracasso clamoroso do meteorologista ingl&ecirc;s, que foi de facto o precursor da moderna previs&atilde;o do tempo. Coube a Jule Gregory Charney (nebeker, 1995) o m&eacute;rito da realiza&ccedil;&atilde;o, em 1950, da primeira previs&atilde; o do tempo com sucesso, evitando os erros do seu predecessor. Charney havia sido convidado por John von Neumann (<a href="#f2">fig. 2</a>), a participar no projecto, que este havia concebido e que supervisionava, de constru&ccedil;&atilde;o do primeiro computador electr&oacute;nico no <i>Institute for Advanced Study</i> em Princeton, ao qual veio a ser dada a designa&ccedil;&atilde;o de <i>Electronic Numerical Integrator and Computer</i> ou ENIAC. </p>       <p>O ENIAC foi constru&iacute;do entre 1946 e 1952 e Jule Charney foi, no projecto de von Neumann, Director do Grupo 4, Meteorologia, entre 1948 e 1956. John von Neumann tinha discutido o projecto com rossby e havia conseguido financiamento da marinha americana. Ap&oacute;s o in&iacute;cio do projecto, von Neumann organizou uma confer&ecirc;ncia de meteorologia, para conseguir o apoio da comunidade meteorol&oacute;gica, onde esteve presente Charney, que veio a assumir as fun&ccedil;&otilde;es referidas. </p>       <p>Em 1947 &eacute; criado em Portugal o Servi&ccedil;o Meteorol&oacute;gico nacional (SMN), sob a direc&ccedil;&atilde;o do Professor Herculano Amorim Ferreira<a href="#iii"><sup>iii</sup></a><a name="topiii"></a> em 1969, &eacute; criada, no SMN, a unidade de Previs&atilde;o Matem&aacute;tica do tempo, dirigida pelo Dr. V&iacute;tor Chiote Tavares. </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a09f2.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p><b>V. A PREVIS&Atilde;O OPERACIONAL DO TEMPO </b></p>       <p>Como j&aacute; referido, a previs &atilde;o do tempo assenta na aplica&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos num&eacute;ricos. Para o efeito, a atmosfera &eacute; dividida em camadas, limitadas na base e no topo por superf&iacute;cies, nas quais a coordenada de posi&ccedil;&atilde;o vertical se mant&eacute;m constante (e.g. Superf&iacute;cies de n&iacute;vel ou superf&iacute;cies isob&aacute;ricas). Cada uma daquelas superf&iacute;cies, com excep&ccedil;&atilde;o da primeira (base da primeira camada) e da &uacute;ltima (topo da &uacute;ltima camada), &eacute; simultaneamente topo de uma camada e base da camada seguinte. Em cada superf&iacute;cie, &eacute; definida uma malha, rede, ou grade &#8220;horizontal&#8221; regular, por exemplo uma malha quadrada, de dimens&atilde;o . Desta forma, a atmosfera fica coberta por volumes regulares (e.g. Volumes paralelepip&eacute;dicos) nos v&eacute;rtices dos quais, as equa&ccedil;&otilde;es primitivas s&atilde;o discretizadas, por aplica&ccedil;&atilde;o de esquemas num&eacute;ricos, que convertem derivadas parciais, espaciais e temporais, em diferen&ccedil;as finitas no espa&ccedil;o e no tempo. Assim, o sistema de equa&ccedil;&otilde;es primitivas fica substitu&iacute;do por um sistema de equa&ccedil;&otilde;es alg&eacute;bricas, n&atilde;o lineares, acopladas, para as quais h&aacute; m&eacute;todos de solu&ccedil;&atilde;o (aproximados), cuja aplica&ccedil;&atilde;o depende da disponibilidade de utiliza&ccedil;&atilde;o de um computador digital. </p>       <p>Deve notar-se que a dimens&atilde;o da malha regular sobreposta a cada superf&iacute;cie coordenada e o tempo , que define o intervalo de discretiza&ccedil;&atilde;o no dom&iacute;nio temporal, n&atilde;o podem ser independentes, antes devem obedecer &agrave; condi&ccedil;&atilde;o estabelecida em 1928, por friedrichs, Courant e Lewy (nebeker, 1995), da Universidade de Gottingen, portanto v&aacute;rios anos depois da tentativa pioneira de richardson. Do ponto de vista f&iacute;sico, a referida condi&ccedil;&atilde;o significa que, no intervalo de tempo , a onda mais r&aacute;pida, solu&ccedil;&atilde;o das equa&ccedil;&otilde;es que regem o comportamento da atmosfera, n&atilde;o pode percorrer uma dist&acirc;ncia igual ou superior &agrave; dimens&atilde;o , da malha horizontal, i.e. A condi&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e que: (<a href="#e1">equação. 1</a>, (<a href="#e2">equação 2</a>)) </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="e1"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a09e1.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ou </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="e2"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a09e2.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Onde <b><i>c</i></b> &eacute; a velocidade de propaga&ccedil;&atilde;o da fase, da onda referida. </p>       <p>O n&atilde;o cumprimento desta condi&ccedil;&atilde;o leva, no decurso da integra&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica das equa&ccedil;&otilde;es discretizadas, ao crescimento da amplitude das correspondentes solu&ccedil;&otilde;es; esta amplifica&ccedil;&atilde;o, sem contrapartida f &iacute;sica, portanto esp&uacute;ria, representa uma instabilidade num&eacute;rica de c&aacute;lculo, designada por instabilidade computacional. Para valores elevados de c, o intervalo tem de ser pequeno, para um dado ; se as equa&ccedil;&otilde;es forem simplificadas, por forma a que ondas de alta velocidade de propaga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sejam solu&ccedil;&atilde;o, i.e. Se ondas de alta velocidade de propaga&ccedil;&atilde;o forem filtradas das equa &ccedil;&otilde;es, ent&atilde;o, para dado pode assumir valores mais elevados. A filtragem de solu&ccedil;&otilde;es com velocidade de propaga&ccedil;&atilde;o elevada (ondas sonoras e grav&iacute;tico-inerciais) era necess&aacute;ria ao tempo de richardson e de Charney von Neumann. O problema da filtragem foi resolvido por Charney (Nebeker, 1995), o que permitiu a selec&ccedil;&atilde;o de valores elevados para : mesmo assim, a previs&atilde;o para 24h durou, com o ENIAC, 1 dia! na tentativa de richardson, a desconhecida condi&ccedil;&atilde;o FCL n&atilde;o foi observada, pois o era demasiado elevado, o que constituiu uma das causas de insucesso. Outra causa, reconhecida a <i>posteriori</i>, e insuspeitada por richardson, residia nos erros contidos nos dados iniciais; esses erros comportaram-se, do ponto de vista num&eacute;rico, como ondas grav&iacute;tico-inerciais esp&uacute;rias, de elevada amplitude e propaga&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, respons&aacute;veis pela n&atilde;o observ&acirc;ncia do crit&eacute;rio FCL. </p>       <p>Como se v&ecirc;, a discretiza&ccedil;&atilde;o espa&ccedil; o-temporal da atmosfera e a aplica&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos num&eacute;ricos t&ecirc;m um pre&ccedil;o elevado e est&atilde;o longe de ser intuitivas. A substitui&ccedil;&atilde;o da atmosfera real por uma atmosfera discreta e a aplica&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise num &eacute;rica s&oacute; poder&atilde;o conduzir a resultados que aproximem a realidade observada, se previamente forem compreendidos os processos f&iacute;sicos e as consequ&ecirc;ncias que as referidas t&eacute;cnicas implicam, as quais devem ser consistentes, convergentes e est&aacute;veis. A previs&atilde;o num &eacute;rica do tempo acabou por consolidar-se porque a teoria f&iacute;sica, a teoria matem&aacute;tica e o desenvolvimento tecnol&oacute;gico na computa&ccedil;&atilde;o e nos sistemas de observa&ccedil;&atilde;o atingiram, em conjunto, um grau de maturidade suficiente, que garantiu o sucesso da modela&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica da atmosfera. No entanto, h&aacute; ainda muito caminho a percorrer, apesar dos avan&ccedil;os not&aacute;veis conseguidos nos &uacute;ltimos 50 anos. </p>       <p>Outra dificuldade decorrente da discretiza&ccedil;&atilde;o, sempre presente, portanto inevit&aacute;vel, que foi reconhecida e controlada &eacute; o falseamento (<i>aliasing</i>), em consequ&ecirc;ncia do qual a energia das perturba&ccedil;&otilde;es de alta frequ&ecirc;ncia &eacute; acumulada numericamente, logo de forma esp&uacute;ria, na energia das perturba&ccedil;&otilde;es de baixa frequ&ecirc;ncia, as quais influenciam directamente o tempo atmosf&eacute;rico. N&atilde;o sendo o falseamento controlado, a n&atilde;o linearidade das equa&ccedil;&otilde;es conduz a uma instabilidade num&eacute;rica, dita instabilidade n&atilde;o linear, que tem de ser evitada, alisando (<i>smoothing</i>) regularmente, no decurso da previs&atilde;o, os diferentes campos meteorol&oacute;gicos. </p>       <p>Finalmente, h&aacute; outro aspecto crucial a ter em considera&ccedil;&atilde;o quando o <i> continuum </i>atmosf&eacute;rico &eacute; substitu&iacute;do por um <i>discretum</i>; com efeito, processos caracterizados por escalas inferiores &agrave; escala determinada pela discretiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem ser resolvidos na rede ou <i>grade </i>que lhe corresponde. Tais processos designam-se por processos de subescala. Por exemplo, com uma malha horizontal de dimens&atilde;o 100km (ou 50km), processos como turbul&ecirc;ncia, atrito, convec&ccedil;&atilde;o, transfer&ecirc;ncia radiativa, efeitos dos aeross&oacute;is, efeitos das montanhas, transi&ccedil;&otilde;es de fase da &aacute;gua, microf&iacute;sica de nuvens, etc. N&atilde;o t&ecirc;m representa&ccedil;&atilde;o directa no modelo considerado. Para uma dimens&atilde;o de malha de , a escala mais pequena que o modelo representa &eacute; 4 . No entanto, processos de subescala exercem, via interac&ccedil;&otilde;es n&atilde;o lineares, influ&ecirc;ncias significativas naescala sin&oacute;ptica e na mesoscala, bem como na circula&ccedil;&atilde;o geral da atmosfera. &Eacute; pois imperativo incluir os efeitos dos processos de subescala, nas escalas superiores, em particular para per&iacute;odos de previs&atilde;o alargados. A referida inclus&atilde;o faz-se parametrizando os efeitos estat&iacute;sticos dos processos de subescala, i.e. Exprimindo-os como fun&ccedil;&otilde;es dos campos que caracterizam as escalas resolvidas pelo modelo considerado. Aquelas fun&ccedil;&otilde;es passam a constituir termos fonte ou sumidouro nas equa&ccedil;&otilde;es, i.e. Termos de gera&ccedil;&atilde;o ou destrui&ccedil;&atilde;o nas equa&ccedil;&otilde;es de progn&oacute;stico das vari&aacute;veis associadas &agrave;s escalas resolvidas. As formula&ccedil;&otilde;es matem&aacute;ticas e num&eacute;ricas das diferentes parametriza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o simples e t&ecirc;m tamb&eacute;m evolu&iacute;do significativamente de h&aacute; anos para c&aacute;, embora, em certos casos, estejam ainda na inf&acirc;ncia da arte, como &eacute; o caso da parametriza&ccedil;&atilde;o da convec&ccedil;&atilde;o. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>VI. CONCLUS&Atilde;O </b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o se conhecem m&eacute;todos para obter solu&ccedil;&otilde;es das equa&ccedil;&otilde;es que regem o comportamento da atmosfera. A previs&atilde;o do tempo faz-se com modelos num&eacute;ricos que constituem uma representa&ccedil;&atilde;o mais ou menos elaborada da atmosfera real e dos processos que nela ocorrem. </p>       <p>Desde 1950, ano em que se realizou a primeira previs&atilde;o de sucesso, utilizando o primeiro computador digital constru&iacute;do nos estados Unidos da am&eacute;rica, o ENIAC, a previs&atilde;o num&eacute;rica do tempo consolidou-se como ci&ecirc;ncia, gra&ccedil;as aos avan&ccedil;os na compreens&atilde;o de processos f&iacute;sicos e qu&iacute;micos que t&ecirc;m lugar na atmosfera, aos desenvolvimentos na an&aacute;lise num&eacute;rica e ao vertiginoso progresso tecnol&oacute;gico, nos meios de computa&ccedil;&atilde;o e nos sistemas de observa&ccedil;&atilde;o da terra. </p>       <p>A previs&atilde;o do tempo continua a constituir um dos enormes desafios colocados &agrave; esp&eacute;cie humana. A sua evolu&ccedil;&atilde;o &eacute; o resultado da coopera&ccedil;&atilde;o internacional, do saber cient&iacute;fico, do desenvolvimento tecnol&oacute;gico, aspectos que verificando-se em simult&acirc;neo, ou com pequenos desfasamentos temporais, permitiram atingir o n&iacute;vel de desenvolvimento actual. Sem d&uacute;vida que a capacidade de prever o tempo tem contribu&iacute;do para a preserva&ccedil;&atilde;o de vidas e bens e para a melhoria da qualidade de vida da humanidade. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>AGRADECIMENTO </b></p>       <p>Este trabalho contou com o apoio t&eacute;cnico de Regina Corte-Real. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>       <p>Nebeker, F. (1995). <i>Calculating the Weather</i>, Geophysics series (Vol. 60), academic Press: <i> Meteorology in the 20th century</i>, international London. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>Recebido: Abril 2015. Aceite: Julho 2015. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>NOTA</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><a href="#topi"><sup>i</sup></a><a name="i"></a><b>Jo&atilde;o Alexandre Medina Corte-Real</b>, Professor catedr&aacute;tico aposentado da Universidade de &Eacute;vora. Colaborador do instituto de Ci&ecirc;ncias agr&aacute;rias e ambientais Mediterr&acirc;nicas (ICAAM) da Universidade de &Eacute;vora. No presente, a sua &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o principal centra-se na variabilidade clim&aacute; tica e seus impactes, na modela&ccedil;&atilde;o de cen&aacute;rios regionais, na hidroclimatologia e na ecohidrologia. Desde 2011, &eacute; Professor Convidado do Dat &#8211; Departamento de aeron&aacute;utica e transportes da Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e tecnologia, Lisboa. Coordenador do DreaMs (Centre for interdisciplinary Development and research on environment, applied Management and Space) da Universidade Lus&oacute;fona, Lisboa, criado em 2013. </p>       <p><a href="#topii"><sup>ii</sup></a><a name="ii"></a>Partes por milh&atilde;o em volume. </p>       <p><a href="#topiii"><sup>iii</sup></a><a name="iii"></a>Orlando Ribeiro colaborou com amorim ferreira em v&aacute;rias iniciativas, entre as quais v &aacute;rios fasc&iacute;culos de <i>O Clima de Portugal.</i></p>       <p>&nbsp;</p> </div>     ]]></body>
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<surname><![CDATA[Nebeker]]></surname>
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<source><![CDATA[Calculating the Weather]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Academic Press: Meteorology in the 20th century, international]]></publisher-name>
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