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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Território e políticas do território a interpretação e a ação]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <div>       <p align="right"><b>NOTA</b></p>       <br>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Territ&oacute;rio e pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio a interpreta&ccedil;&atilde;o e a a&ccedil;&atilde;o<a href="#i"><sup>i</sup></a><a name="topi"></a></b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Jos&eacute; Reis<sup>1 </sup></b> <a href="#ii"><sup>ii</sup></a><a name="topii"></a></p>       <p><sup>1 </sup>Professor catedr&aacute;tico da&nbsp;Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e investigador do Centro de Estudos Sociais. E-mail: <a href="mailto:jReis@fe.uc.pt">jReis@fe.uc.pt</a> </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>I. INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </b></p>       <p>Neste texto revisito dois mundos: o da interpreta&ccedil;&atilde;o e do conhecimento do territ&oacute;rio e o das formas de lidar com ele atrav&eacute;s das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. N&atilde;o podem ser, como &eacute; evidente, coisas desligadas. Pelo contr&aacute;rio, uma informa a outra e deviam moldar-se reciprocamente. Mas bem se sabe que n&atilde;o &eacute; assim que acontece na maior parte das vezes. Porventura, as pol&iacute;ticas desligaram-se do territ&oacute;rio, privilegiando outras delibera&ccedil;&otilde;es e outros prop&oacute;sitos, enquanto o territ&oacute;rio carecer&aacute;, cada vez mais, de um regresso interpretativo que lhe revalorize os fundamentos e a pertin&ecirc;ncia. &Eacute; esta op&ccedil;&atilde;o que tomo, supondo que h&aacute; raz&otilde;es para isso. Discuto o que nos levou a formular interroga&ccedil;&otilde;es sobre o territ&oacute;rio e procuro responder &agrave; pergunta &#8220;o que &eacute; o territ&oacute;rio?&#8221;. Recuso que seja apenas uma quest&atilde;o de escala e acho que h&aacute; uma epistemologia do territ&oacute;rio a construir, para podermos chegar a uma compreens&atilde;o adequada do que d&aacute; valor &agrave; territorialidade. Assumo que as sociedades s&atilde;o estruturalmente polim&oacute;rficas e nisso se manifestam as rela&ccedil;&otilde;es de poder que as constituem. As duas coisas devem ser centrais numa agenda territorialista. </p>       <p>Justamente porque &eacute; de poder que se trata, discuto por que raz&atilde;o h&aacute;-de haver necessidade de formularmos pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio se as sociedades s&atilde;o, por natureza, espaciais. Por isso me parece que a &#8220;pol&iacute;tica-pol&iacute;tica&#8221; &eacute; que devia ser, ela pr&oacute;pria, a sede da </p>       <p>Territorialidade das pol&iacute;ticas. Mas, porque assim n&atilde;o &eacute; na realidade, proponho uma taxonomia de pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio que acolham a proximidade, as densidades, a dist&acirc;ncia e </p>       <p>O polimorfismo. Concluo desejando que toda a governa&ccedil;&atilde;o e todo o desenvolvimento fossem territoriais. Para que isso aconte&ccedil;a, ou na medida em que n&atilde;o acontece, faz sentido que mantenhamos uma agenda territorial capaz. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>II. ESPA&Ccedil;O E TERRIT&Oacute;RIO </b></p>       <p>Defendi noutro lugar (Reis, 2013) que o desenvolvimento de perspectivas territorialistas na economia, da segunda metade do s&eacute;culo XX para c&aacute;, resulta de um <i>pressuposto </i></p>       <p>&#8211; a import&acirc;ncia da vari&aacute;vel espa&ccedil;o no conhecimento &#8211;, de um <i>objetivo</i> &#8211; a busca de equidade socioecon&oacute;mica &#8211; e de uma <i>ambi&ccedil;&atilde;o interpretativa</i> &#8211; a avalia&ccedil;&atilde;o do papel dos territ&oacute;rios na forma&ccedil;&atilde;o das estruturas e das din&acirc;micas sociais contempor&acirc;neas. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De facto, as ci&ecirc;ncias sociais come&ccedil;aram por ignorar o territ&oacute;rio, n&atilde;o lhe dando <i>lugar </i>entre as vari&aacute;veis necess&aacute;rias &agrave; compreens&atilde;o das realidades socioecon&oacute;micas. Depois, juntou-se a isso uma <i>dimens&atilde;o moral e &eacute;tica</i>, acrescentando um prop&oacute;sito de equidade, o qual se alcan&ccedil;aria atrav&eacute;s da ultrapassagem das assimetrias e das desigualdades socais evidenciadas pelo simples uso, na an&aacute;lise, de uma vari&aacute;vel espacial. N&atilde;o tardou, por&eacute;m, que um <i>acr&eacute;scimo de conhecimento </i>marcasse tamb&eacute;m os estudos territorialistas: interessava aos especialistas saber qual era &#8216;a raz&atilde;o de ser&#8217; do que acontecia em cada territ&oacute;rio. Tanto podia ser a <i>mobilidade</i> dos fatores de produ&ccedil;&atilde;o (as pessoas, os bens e os capitais deslocam-se no espa&ccedil;o) quanto a <i>genealogia</i> dos processos, visto que estes ocorrem em lugares, quer dizer, originam-se e desenvolvem-se em circunst&acirc;ncias locais concretas, identific&aacute;veis e diferenciadas. </p>       <p>Uma coisa e outra obrigam a interpelar o territ&oacute;rio: por que raz&atilde;o &eacute; que ele atrai ou repele; por que raz&atilde;o se geram ali, e n&atilde;o noutro s&iacute;tio, din&acirc;micas ou d&eacute;fices? a interroga&ccedil;&atilde;o sobre a genealogia &eacute; mais forte e exige uma resposta mais profunda do que a interroga&ccedil;&atilde;o sobre a mobilidade. A raz&atilde;o consiste nisto: a esta &uacute;ltima basta considerar o territ&oacute;rio como espa&ccedil;o, isto &eacute;, suporte de localiza&ccedil;&otilde;es, local de recep&ccedil;&atilde;o, enquanto a primeira atribui ao territ&oacute;rio &#8211; ele pr&oacute;prio &#8211; um papel activo, uma ac&ccedil;&atilde;o interveniente nos processos que se pretendem analisar. Esta &uacute;ltima preocupa&ccedil;&atilde;o situa-nos j&aacute; num campo radicalmente novo. Exige uma epistemologia do territ&oacute;rio. </p>       <p>Tamb&eacute;m defendi noutro contexto que a rela&ccedil;&atilde;o entre &#8216;mobilidades&#8217; e &#8216;territorializa&ccedil;&otilde;es&#8217; (Reis, 2001) &eacute; uma das <i>tens&otilde;es</i> que estabelecem a organiza&ccedil;&atilde;o social. Para quem dedica aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s espacialidades do desenvolvimento, esta proposta, num primeiro passo, n&atilde;o cont&eacute;m em si mesma nenhuma novidade. &Eacute; facilmente aceite que os dois lados da formula&ccedil;&atilde;o s&atilde;o elementos presentes no funcionamento dos territ&oacute;rios. Mas pode j&aacute; n&atilde;o ser assim quando se <i>interpreta</i> a l&oacute;gica da rela&ccedil;&atilde;o entre ambos os termos e, sobretudo, o que da&iacute; resulta. O problema &eacute;, ent&atilde;o, simples: ou as territorialidades s&atilde;o meras formas de reprodu&ccedil;&atilde;o das mobilidades e das capacidades de domina&ccedil;&atilde;o dos fatores m&oacute;veis, ou existe entre ambas uma <i>tens&atilde;o</i> que obriga a equacionar o que confere for&ccedil;a e poder a ambos os lados. Esta &uacute;ltima possibilidade tem que interpretar o territ&oacute;rio de um ponto de vista que inclua o poder que ele incorpora, as inter-rela&ccedil;&otilde;es e os atores que o formam, as iniciativas que ele gera e as transforma&ccedil;&otilde;es a que ele obriga. O problema n&atilde;o muda quando se consideram as &#8216;hiper-mobilidades&#8217; (Damette, 1980; Hudson, 2004). </p>       <p>Sucede que a perspectiva territorialista tem na sua g&eacute;nese e na sua natureza o pressuposto de que a arbitragem entre mobilidades (ou fluxos) e territorializa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; uma simples procura de um equil&iacute;brio formal entre as duas fontes de influ&ecirc;ncia. Se assim fosse, tornava-se leg&iacute;timo perguntar qual era a sua utilidade e a sua raz&atilde;o de ser. tratar-se-ia seguramente de um exerc&iacute;cio de bom senso, mas ele seria relativamente an&oacute;dino e apenas formalmente relevante. Seria um resultado de soma nula. N&atilde;o representaria um acr&eacute;scimo epistemol&oacute;gico. Tratar-se-ia de pouco mais do que de uma delimita&ccedil;&atilde;o de terreno, pois serviria sobretudo para definir o campo de trabalho de um grupo de especialistas, que assim estabeleceria e defenderia a sua &#8216;profiss&atilde;o&#8217;. ter&iacute;amos apenas mais um termo &#8211; territ&oacute;rio &#8211; no card&aacute;pio dos recursos discursivos e instrumentais das ci&ecirc;ncias sociais. </p>       <p>Neste sentido, o territ&oacute;rio deve passar de utens&iacute;lio descritivo para conceito que estrutura e diferencia a perspetiva interpretativa em que se inclui &#8211; e com isso se junta a um enorme conjunto de outras discuss&otilde;es no campo da epistemologia e da metodologia das ci&ecirc;ncias sociais. isto implica que se atribua &agrave; <i>proximidade</i> &#8211; e aos comportamentos relacionais e &agrave;s pr&aacute;ticas cognitivas que ela desencadeia &#8211; um papel ontol&oacute;gico, e n&atilde;o apenas uma utilidade descritiva, um lugar na determina&ccedil;&atilde;o dos processos sociais de natureza id&ecirc;ntica (a qual n&atilde;o significa necessariamente o mesmo peso em todas as circunst&acirc;ncias) ao de outros determinantes sociais. Implica tamb&eacute;m que se concebam as din&acirc;micas socioecon&oacute;micas globais como algo que n&atilde;o est&aacute; organicamente estabelecido. As hierarquias n&atilde;o est&atilde;o pr&eacute;-definidas e n&atilde;o t&ecirc;m de ser previs&iacute;veis. Pelo contr&aacute;rio, os territ&oacute;rios tornam-se elementos da genealogia dos processos, conferindo-lhes uma natureza incerta, contingente e inesperada. O pressuposto funcionalista que antecede muitas das an&aacute;lises sobre a evolu&ccedil;&atilde;o dos fen&oacute;menos sociais deve recuar, em nome de uma pergunta verdadeiramente inicial sobre a sua genealogia. E, consequentemente, deve passar de uma vis&atilde;o organicista das estruturas sociais para uma no&ccedil;&atilde;o que reconhe&ccedil;a o seu polimorfismo. </p>       <p>Colocar o territ&oacute;rio num contexto epistemol&oacute;gico como este &eacute; reifica&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio? Parece-me que n&atilde;o, pois o que est&aacute; aqui em causa n&atilde;o &eacute; o territ&oacute;rio enquanto conjunto f&iacute;sico de paisagens materiais, mas o territ&oacute;rio enquanto express&atilde;o e produto das intera&ccedil;&otilde;es que os atores protagonizam. O territ&oacute;rio, nestas circunst&acirc;ncias, &eacute; proximidade, atores, intera&ccedil;&otilde;es. E &eacute; tamb&eacute;m um elemento crucial da matriz de rela&ccedil;&otilde;es que define a morfologia do poder nas sociedades contempor&acirc;neas. </p>       <p>Assim sendo, n&atilde;o me parecem satisfat&oacute;rias as propostas que sugerem que uma boa aprecia&ccedil;&atilde;o dos fen&oacute;menos sociais exige um simples equil&iacute;brio formal entre as vari&aacute;veis em presen&ccedil;a. Interpreto assim a proposta de ray Hudson (2004), quando trata do entendimento das espacialidades que constituem as economias e as sociedades. Situando-se perante o mesmo problema que formulei acima e a que chamei tens&atilde;o entre mobilidades e territorializa&ccedil;&otilde;es, Hudson fala de <i>fixities</i><i> of spaces </i>e de <i>fluidities</i><i> of circuits and flows</i>. Contra as posi&ccedil;&otilde;es que defendem que o elemento-chave para compreender as sociedades contempor&acirc;neas est&aacute; num destes elementos (sendo o outro necessariamente subsidi&aacute;rio), a sua proposta &eacute; <i>towards</i><i> a conceptualization in terms of the relations between circuits, flows and spaces</i> (Hudson, 2004: 99). Uns e outros s&atilde;o complementares, mais do que concorrentes. </p>       <p>H&aacute; muito que sabemos que o territ&oacute;rio n&atilde;o &eacute; apenas o espa&ccedil;o f&iacute;sico. O territ&oacute;rio para que olham os economistas, os soci&oacute;logos, os planeadores &eacute; um <i>territ&oacute;rio relacional</i>. A ideia de que, nas sociedades contempor&acirc;neas, os territ&oacute;rios s&atilde;o <i>matrizes</i> quer sublinhar esta sua permanente condi&ccedil;&atilde;o relacional. A afirma&ccedil;&atilde;o da natureza matricial do territ&oacute;rio exige, em primeiro lugar, a afirma&ccedil;&atilde;o da sua relev&acirc;ncia enquanto ordem material e socioecon&oacute;mica: as cidades e os sistemas urbanos s&atilde;o realidades materiais e n&atilde;o apenas constru&ccedil;&otilde;es concetuais; os recursos e os activos de uma regi&atilde;o, assim como as mobilidades pendulares que mapeiam o seu sistema de emprego s&atilde;o identific&aacute;veis e geram economias locais diferenciadas. </p>       <p>A resposta &agrave; pergunta &#8220;o que &eacute; um territ&oacute;rio?&#8221; exige que consideremos tr&ecirc;s dimens&otilde;es das estruturas e das din&acirc;micas territoriais: (a) <i>proximidade</i>, (b) <i>densidade</i> e (c) <i>polimorfismo estrutural</i>. </p>       <p>A <i>proximidade</i> &eacute; o contexto e as rela&ccedil;&otilde;es que ela propicia: s&atilde;o pessoas em co-presen&ccedil;a; s&atilde;o ordens relacionais; s&atilde;o consolida&ccedil;&otilde;es de culturas pr&aacute;ticas e de institui&ccedil;&otilde;es; &eacute; conhecimento e &eacute; identidade partilhada de forma colectiva. &Eacute; este conjunto de circunst&acirc;ncias que desencadeia a forma&ccedil;&atilde;o de densidades. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As <i>densidades</i> exprimem-se em intera&ccedil;&otilde;es continuadas, em aprendizagens e compet&ecirc;ncias (externalidades cognitivas) que coordenam a a&ccedil;&atilde;o de atores sociais, em multiplica&ccedil;&atilde;o ou definhamento de contextos institucionais e de governa&ccedil;&atilde;o. </p>       <p>O <i>polimorfismo estrutural</i> assinala o facto de a tens&atilde;o entre mobilidades e territorializa&ccedil;&otilde;es &#8211; isto &eacute;, o exerc&iacute;cio matricial de que os territ&oacute;rios s&atilde;o parte &#8211; produzir diferencia&ccedil;&otilde;es dentro de ordens mais vastas. Quer dizer, o mundo n&atilde;o &eacute; represent&aacute;vel por uma organicidade sist&eacute;mica em que tudo-&eacute;-explicado-por-tudo, como acontece, por exemplo com a estrita l&oacute;gica centro-periferia, ou pelas vis&otilde;es globalistas que dela s&atilde;o tribut&aacute;rias. O mundo &eacute; melhor representado pela ideia de polimorfismo, isto &eacute;, por uma vis&atilde;o das coisas em que h&aacute; espa&ccedil;os estruturais de iniciativa e de autonomia, cujo desenvolvimento afirma a sua relev&acirc;ncia pr&oacute;pria e exerce efeitos de <i>feed-back</i> sobre outros espa&ccedil;os. Nisto consiste a no&ccedil;&atilde;o de que a incerteza e as trajet&oacute;rias inesperadas s&atilde;o tamb&eacute;m parte do mundo. </p>       <p>Argumento, pois, que h&aacute; justifica&ccedil;&atilde;o de sobra para entender o territ&oacute;rio como detentor de um papel e de um significado pr&oacute;prios, n&atilde;o apenas complementares e muito menos derivados de determina&ccedil;&otilde;es com as quais estabele&ccedil;a uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica dependente ou sucessiva. </p>       <p>Das tr&ecirc;s dimens&otilde;es que acabo de propor, duas &#8211; <i>proximidade</i> e <i>densidade</i> &#8211; formam a rede matricial interna dos territ&oacute;rios: representam a identidade, a copresen&ccedil;a e a capacidade din&acirc;mica, assim como o conflito, a aus&ecirc;ncia, as tend&ecirc;ncias regressivas. A terceira dimens&atilde;o &#8211; <i>polimorfismo estrutural </i>&#8211; representa essencialmente as rela&ccedil;&otilde;es de poder em que os territ&oacute;rios participam (e que podem ser positivas ou negativas, promocionais ou degradativas) e o modo como esses territ&oacute;rios se inscrevem no mapa estrutural do mundo (como margens ou como centros; como lugares ascendentes e transformadores da matriz global ou como lugares descendentes). </p>       <p>Nas discuss&otilde;es que hoje est&atilde;o em cima da mesa sobressaem duas cr&iacute;ticas principais &agrave;s perspetivas territorialistas: o <i>poder</i> e a <i>pol&iacute;tica</i> (as rela&ccedil;&otilde;es de poder desiguais, o conflito) t&ecirc;m sido descartados do discurso e do quadro interpretativo que aquelas produzem, em favor da &ecirc;nfase que &eacute; dada &agrave; regi&atilde;o enquanto lugar comum e, muitas vezes, espa&ccedil;o auto-suficiente. Negligencia-se assim a exist&ecirc;ncia de um processo de <i>desenvolvimento desigual</i> gerido por agentes de governa&ccedil;&atilde;o exteriores e com poder estabelecido, pensando que a a&ccedil;&atilde;o cooperativa localizada &eacute; suficiente para fundar e estruturar as evolu&ccedil;&otilde;es locais (produtivas, de inova&ccedil;&atilde;o, de aprendizagem). </p>       <p>Niel Brenner (2003: 304) &eacute; muito veemente quando interpreta a emerg&ecirc;ncia da escala metropolitana e da sua governa&ccedil;&atilde;o na agenda da organiza&ccedil;&atilde;o territorial europeia como um processo essencialmente <i>crisis-induced</i>, derivado da transforma&ccedil;&atilde;o da espacialidade do estado (um processo de <i>state</i><i> rescaling</i>) e como <i>a politically mediated outcome of complex, cross-national forms of policy transfer and ideological diffusion</i>. Por isso mesmo, nas transforma&ccedil;&otilde;es territoriais que observamos, <i>regions</i><i> have become major geographical arenas for a wide range of institutional changes, regulatory experiments and political struggles within contemporary capitalism</i>. </p>       <p>Segundo esta vis&atilde;o das coisas, o problema consiste em saber de que forma <i>social relations, operating across different geographical scales, interact in the reproduction of the political and economic landscape through time</i>. Neste sentido, as <i>regional institutions </i>s&atilde;o <i>key institutional <b>channels</b> through which wider regulatory practices are interpreted and ultimately delivered</i> (Cumbers <i>et al.</i>, 2003: 335, sublinhado meu). </p>       <p>Nesta linha de pensamento, um programa de investiga&ccedil;&atilde;o suficiente seria o que se concentrasse nas conex&otilde;es entre os <i>wider</i><i> regulatory mechanisms and specific social and political interests within regions</i> (<i>ibid</i>., <i>idem</i>). Os territorialistas seriam, assim, simples especialistas da <i>micro</i> e <i>meso</i> reprodu&ccedil;&atilde;o do <i>macro</i>global no territ&oacute;rio. Ali&aacute;s, a esta luz, a materialidade do territ&oacute;rio &#8211; e, portanto, o seu significado ontol&oacute;gico &#8211; n&atilde;o faria sentido, pois ela &eacute; amplamente superada por um outro processo, o da &#8220;produ&ccedil;&atilde;o social das escalas&#8221;. As regi&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o elas pr&oacute;prias, mas antes &#8220;open spaces&#8221;, entidades &uacute;teis para a promo&ccedil;&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o e da aprendizagem na economia global, que &eacute; quem as molda e lhes define as possibilidades. Esta ideia de que h&aacute; rela&ccedil;&otilde;es que precedem e anulam a materialidade territorial, sendo esta &uacute;ltima caracterizada por um elevado grau de volatilidade, no quadro de &#8220;espa&ccedil;os abertos&#8221;, deixa de lado qualquer possibilidade de entendermos a morfologia, n&atilde;o s&oacute; do poder, mas tamb&eacute;m das pr&oacute;prias realidades socioecon&oacute;micas. </p>       <p>A no&ccedil;&atilde;o de <i>reprodu&ccedil;&atilde;o</i> e a vis&atilde;o de certos fen&oacute;menos e entidades como <i>canais</i> s&atilde;o consequ&ecirc;ncias coerentes com o realismo cr&iacute;tico (sayer, 1992), que &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica em que as perspectivas que tenho estado a referir se apoiam. </p>       <p><i>The crux of the realist position is the ontological claim that there is an independent reality, made up of social objects and structures, although, crucially, our knowledge and understanding of this is always partial and provisional, being channeled through discourse and representation</i> (Cumbers <i>et al.</i>, 2003: 334) </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste quadro, os territ&oacute;rios n&atilde;o seriam parte daquela &#8220;realidade independente&#8221;, estariam fora dela e, por isso, seriam essencialmente representa&ccedil;&otilde;es sociais, constru&ccedil;&otilde;es discursivas. Quer dizer, a influ&ecirc;ncia do realismo cr&iacute;tico &eacute; superada por uma agenda que atribui dignidade ontol&oacute;gica a entidades como o poder, o estado, a racionalidade dos agentes dotados de mobilidade, mas n&atilde;o aos territ&oacute;rios. Ora, <i>the idea that territorial differentiation within the modern state had been entirely eliminated was always an exaggeration </i>(Keating, 2014: 240) </p>       <p>A quest&atilde;o central a que as perspectivas territorialistas t&ecirc;m de responder &eacute; a que tem a ver com a rela&ccedil;&atilde;o entre o que define um territ&oacute;rio &#8211; intera&ccedil;&otilde;es de proximidade, contextos de co-presen&ccedil;a &#8211; e as suas rela&ccedil;&otilde;es heter&oacute;nimas. &Eacute; a&iacute; que a quest&atilde;o do poder e das rela&ccedil;&otilde;es desiguais essencialmente se coloca. N&atilde;o basta postular estas duas dimens&otilde;es, nem basta coloc&aacute;-las lado a lado. O desafio &eacute; deduzir as resultantes das suas inter-rela&ccedil;&otilde;es: &#8220;n&atilde;o se trata de postular o local (...) mas de deduzi-lo&#8221; (Benko e Pecqueur, 2001: 39). Para isso, &eacute; &uacute;til a rejei&ccedil;&atilde;o dos postulados da <i>converg&ecirc;ncia</i> (s&oacute; h&aacute; <i>one</i><i> single best way</i>), da <i>hierarquia funcional utilit&aacute;ria</i> (os lugares s&oacute; existem numa hierarquia porque s&atilde;o &uacute;teis ao seu v&eacute;rtice) e do entendimento de que os sistemas colectivos se &#8220;fecham&#8221; apenas atrav&eacute;s de um &uacute;nico <i>princ&iacute;pio de racionalidade e regula&ccedil;&atilde;o</i>. A outro prop&oacute;sito, Charles sabel (2004: 4) escreveu sobre &#8220;disruptive technology&#8221; para indicar que esta &eacute; <i>a superior alternative to the currently dominant know how, whose potential escapes the most masterful producers and users of the dominant method precisely because their experience teaches how to improve on what they already know</i>; <i>disruptive</i><i> technologies therefore begin to realize their potential in secondary or peripheral markets</i>. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>III. PARA CHEGAR &Agrave;S POL&Iacute;TICAS: A QUEST&Atilde;O &#8220;INICIAL&#8221; E A RAZ&Atilde;O DE SER </b></p>       <p>O que se diz acima acerca do territ&oacute;rio &eacute;, evidentemente, a base para ensaiarmos as pol&iacute;ticas que lhe dizem respeito. Para pensarmos as pol&iacute;ticas, o territ&oacute;rio tem, pois, que ser interpretado na sua ossatura e na sua diferencia&ccedil;&atilde;o. Sabemos que ele &eacute; dist&acirc;ncia e que ele &eacute; proximidade. O <i>territ&oacute;rio-dist&acirc;ncia</i> &eacute; aquele sobre o qual se desenvolvem atividades e se interligam pontos. O <i>territ&oacute;rio-proximidade</i> &eacute; o que aglomera e proporciona a coordena&ccedil;&atilde;o dos atores que nele agem e que, afinal, o constituem. Usarei, por isso, a proximidade como o principal dos crit&eacute;rios para apontar quais podem ser as pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio. </p>       <p>J&aacute; se sabe que as sociedades, as na&ccedil;&otilde;es, as comunidades, a economia, a vida individual, as empresas se desenvolvem num espa&ccedil;o, assentam em territ&oacute;rios, n&atilde;o s&atilde;o pontos sem dimens&atilde;o. N&atilde;o h&aacute;, por defini&ccedil;&atilde;o, pa&iacute;ses sem espa&ccedil;o. As sociedades s&atilde;o por natureza, entidades espaciais. A primeira raz&atilde;o pela qual os territ&oacute;rios confrontam necessariamente as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &eacute;, portanto, uma raz&atilde;o &#8220;natural&#8221;, &#8220;constituinte&#8221;. Tomar em conta o territ&oacute;rio deveria ser, pois, uma simples quest&atilde;o de administra&ccedil;&atilde;o, &agrave; maneira das que motivaram a forma&ccedil;&atilde;o inicial das na&ccedil;&otilde;es ou qualquer outra forma de ocupa&ccedil;&atilde;o territorial e que, por exemplo, levaram os poderes em busca de soberania a criar cidades de fronteira, a construir castelos ou a estabelecer a justi&ccedil;a e formas locais de a administrar. E n&atilde;o &eacute; por um territ&oacute;rio j&aacute; estar constitu&iacute;do que ele deixa de ser a base do exerc&iacute;cio do poder e da organiza&ccedil;&atilde;o, assim como do funcionamento org&acirc;nico das comunidades. Por isso mesmo, tamb&eacute;m as sociedades contempor&acirc;neas tomam decis&otilde;es que decorrem, por-ventura, da mesma necessidade de pressupor o territ&oacute;rio que correspondeu &agrave;quelas delibera&ccedil;&otilde;es mais ancestrais. Por exemplo, conectar os pontos nucleares de um espa&ccedil;o organizado atrav&eacute;s de infra-estruturas que possibilitem uma mobilidade adequada e garantam a presen&ccedil;a, pelo menos potencial, em todas as partes que constituem um espa&ccedil;o &eacute;, evidentemente, uma indica&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia estrutural e incontorn&aacute;vel do territ&oacute;rio. Assim sendo, a quest&atilde;o da inclus&atilde;o do territ&oacute;rio nas pol&iacute;ticas n&atilde;o deveria ser um problema ou mesmo um &#8220;assunto&#8221;. N&atilde;o deveria ser preciso estar sempre a regressar ao in&iacute;cio do mundo. Mas &eacute;. H&aacute; um eterno problema de conce&ccedil;&atilde;o territorial das pol&iacute;ticas. Porqu&ecirc;? </p>       <p>O argumento anterior inclui uma quest&atilde;o que tamb&eacute;m deve ser dilucidada: esta presen&ccedil;a do territ&oacute;rio nas a&ccedil;&otilde;es que organizam o espa&ccedil;o &eacute; para que sobre ele incida um poder e uma rela&ccedil;&atilde;o de heteronomia, ou para que cada territ&oacute;rio seja composto, ele pr&oacute;prio, pelas mesmas condi&ccedil;&otilde;es e pelos mesmos valores que definem o conjunto, e na aus&ecirc;ncia dos quais estar&iacute;amos perante uma &oacute;bvia demonstra&ccedil;&atilde;o de fragmenta&ccedil;&atilde;o? &Eacute; para que o territ&oacute;rio seja objeto ou sujeito? Coletar impostos, sujeitar popula&ccedil;&otilde;es a um soberano ou distribuir &#8220;ju&iacute;zes de fora&#8221; foram formas de considerar a exist&ecirc;ncia de territ&oacute;rios dentro de um espa&ccedil;o em constru&ccedil;&atilde;o. Mas foram essencialmente rela&ccedil;&otilde;es de dom&iacute;nio. J&aacute; a constitui&ccedil;&atilde;o de poderes locais, ainda que institu&iacute;dos por forais, poder&aacute; ter sido uma maneira de assumir os territ&oacute;rios na sua condi&ccedil;&atilde;o de parte pr&oacute;pria de um coletivo. </p>       <p>Por que raz&atilde;o, em s&iacute;ntese, &eacute; que h&aacute; pol&iacute;ticas territoriais? Porque h&aacute; um <i>Estado local</i>, fruto da evolu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, e h&aacute; atores pol&iacute;ticos locais que o exigem? a exist&ecirc;ncia de um estado local &eacute;, ela mesma, a condi&ccedil;&atilde;o para que existam pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio ou elas existiriam sem ele? Ou existem pol&iacute;ticas territoriais porque, sendo as sociedades entidades territoriais, se deve promover a <i>justi&ccedil;a espacial</i>? Mas, nesse caso, elas dever&atilde;o ser encaradas como simples pol&iacute;ticas redistributivas, uma esp&eacute;cie de aloca&ccedil;&atilde;o <i>top-down</i> de recursos? Ou o pressuposto de que a riqueza n&atilde;o est&aacute; bem distribu&iacute;da &eacute; essencial e as pol&iacute;ticas territoriais t&ecirc;m de existir para que o <i>processo de cria&ccedil;&atilde;o de riqueza</i> seja, na sua origem e na sua natureza, t&atilde;o robusto que inclua ele pr&oacute;prio, &agrave; partida, a justi&ccedil;a espacial, na medida em que de modo equilibrado valorize todos os recursos territorialmente dispon&iacute;veis? a resposta mais adequada a dar &eacute;, defende-se aqui, a que torne as pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio num elemento b&aacute;sico da delibera&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e n&atilde;o um suplemento mais ou menos for&ccedil;ado. </p>       <p>Esta rela&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria das delibera&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas com o territ&oacute;rio, em vista da circunst&acirc;ncia &#8220;natural&#8221; de as sociedades serem entidades territoriais, assim como a presen&ccedil;a conflitual e muitas vezes dificilmente dilucid&aacute;vel da condi&ccedil;&atilde;o de objeto ou de sujeito, clarifica pelo menos uma coisa: as pol&iacute;ticas, tendencialmente todas as pol&iacute;ticas, t&ecirc;m <i>incid&ecirc;ncias territoriais</i>. As diferentes evolu&ccedil;&otilde;es do ordenamento espacial exprimem sempre o &#8220;movimento&#8221; do territ&oacute;rio, seja ela positivo ou negativo, reactivo ou end&oacute;geno. Por esta raz&atilde;o, a solu&ccedil;&atilde;o dicot&oacute;mica de distinguir, por exemplo, pol&iacute;ticas sectoriais de pol&iacute;ticas territoriais merece ser discutida. Desde logo porque &eacute; frequente estabelecer-se uma esp&eacute;cie de rela&ccedil;&atilde;o subsidi&aacute;ria das segundas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s primeiras, da qual resulta que estas seriam as verdadeiras delibera&ccedil;&otilde;es, enquanto aquelas seriam <i>compensa&ccedil;&otilde;es</i> ou formas de <i>mitiga&ccedil;&atilde;o</i>. Isto acontece, por exemplo, no modo como se entende o papel a desempenhar por certas pol&iacute;ticas (ambientais ou &#8220;territoriais&#8221;) relativamente &agrave; influ&ecirc;ncia, supostamente negativa, de pol&iacute;ticas sectoriais espec&iacute;ficas (como as de transportes ou as agr&iacute;colas) sobre as din&acirc;micas territoriais, devendo ent&atilde;o convocar-se, para minorar as consequ&ecirc;ncias, pol&iacute;ticas de ordenamento do territ&oacute;rio, de desenvolvimento regional ou de conserva&ccedil;&atilde;o da natureza. A finalidade das pol&iacute;ticas territoriais e ambientais seria ent&atilde;o &#8220;gerir os efeitos desencadeados por pol&iacute;ticas sectoriais&#8221;. Ora, na verdade, esta distin&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel, se nos colocarmos numa posi&ccedil;&atilde;o que pretenda discutir as quest&otilde;es a partir de uma base territorialista. </p>       <p>O ideal seria que se assumisse, tendo em conta o nosso pressuposto inicial, que dificilmente se pode admitir a no&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; pol&iacute;ticas territoriais e pol&iacute;ticas n&atilde;o-territoriais. &Eacute; verdade que h&aacute; diferentes <i>sensibilidades</i> das pol&iacute;ticas ao territ&oacute;rio, mas todas deveriam ser, enfim, territoriais. Admitamos que a pol&iacute;tica diplom&aacute;tica e de rela&ccedil;&otilde;es externas, assim como a de defesa, s&atilde;o, salvo casos espec&iacute;ficos ou extremos, de incid&ecirc;ncia n&atilde;o-territorial. Mas j&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel dizer-se, nos dias que correm, que a de justi&ccedil;a<a href="#iii"><sup>iii</sup></a><a name="topiii"></a> ou da seguran&ccedil;a (que comp&otilde;e com a restante, as chamadas fun&ccedil;&otilde;es de soberania) cabem nesse conjunto. Isto remete-nos, ali&aacute;s, para a ideia de que a estrutura essencial do estado e da administra&ccedil;&atilde;o, independentemente das fun&ccedil;&otilde;es de que estejamos a falar, &eacute; intrinsecamente territorializada e tem, portanto, necess&aacute;rias incid&ecirc;ncias territoriais. H&aacute; evidentemente delibera&ccedil;&otilde;es que, podendo estar para l&aacute; de cada territ&oacute;rio e podendo considerar-se &#8220;sectoriais&#8221;, t&ecirc;m &oacute;bvia incid&ecirc;ncia territorial. O exemplo mais imediato &eacute; o das grandes infraestruturas de transporte ou da energia. N&atilde;o &eacute; apenas porque elas ocupam e transformam o uso do territ&oacute;rio. &Eacute; porque eles comportam l&oacute;gicas de acesso e de ordenamento, no primeiro caso, e de altera&ccedil;&atilde;o da hierarquia do uso de recursos, no segundo. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>IV. AS POL&Iacute;TICAS DO TERRIT&Oacute;RIO </b></p>       <p>A classifica&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio que vou propor assenta em quatro categorias principais, a que acrescento uma quinta, de natureza geral. Encontrei raz&otilde;es para autonomizar um conjunto de pol&iacute;ticas a partir da sua natureza territorial e definir aquilo que contribui para tal qualifica&ccedil;&atilde;o. Mas defendo que, na verdade, a distin&ccedil;&atilde;o entre estas pol&iacute;ticas e outras que se poderiam considerar como n&atilde;o-territoriais deveria ter escassa justifica&ccedil;&atilde;o e, para al&eacute;m de certas condi&ccedil;&otilde;es, at&eacute; se pode ter por indesej&aacute;vel. De facto, sendo as comunidades humanas entidades territoriais, poucas h&atilde;o-de ser as pol&iacute;ticas que n&atilde;o s&atilde;o do territ&oacute;rio. E n&atilde;o ter&iacute;amos de chegar a esta conclus&atilde;o apenas pelas incid&ecirc;ncias espaciais que todas as pol&iacute;ticas t&ecirc;m, mas pela sua conce&ccedil;&atilde;o inicial. </p>       <p>A apresenta&ccedil;&atilde;o de uma taxonomia elementar de pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio, para al&eacute;m do que este objetivo representa em si mesmo, d&aacute; tamb&eacute;m lugar a uma vis&atilde;o pluralista sobre a forma de organiza&ccedil;&atilde;o das economias e das sociedades. Com efeito, em vez da ideia de que os capitalismos se organizam apenas atrav&eacute;s da coordena&ccedil;&atilde;o pelo mercado, &eacute; mais razo&aacute;vel supor que h&aacute; v&aacute;rios mecanismos para atingir esse fim e que &eacute; da&iacute; que resulta a organiza&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica: h&aacute; mercado, h&aacute; estado, h&aacute; empresas e hierarquias empresariais, h&aacute; associa&ccedil;&otilde;es e h&aacute; comunidades e h&aacute;, em concreto, comunidades territoriais<a href="#iv"><sup>iv</sup></a><a name="topiv"></a>. E &eacute; de tudo isto que resultam as delibera&ccedil;&otilde;es e os comportamentos individuais, assim como as din&acirc;micas coletivas. </p>       <p><b>1. Uma defini&ccedil;&atilde;o: as condi&ccedil;&otilde;es da territorialidade de uma pol&iacute;tica </b></p>       <p>Refiram-se ent&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es que devem ser tomadas em conta para se considerar a territorialidade de uma pol&iacute;tica. Podemos considerar que <i>as pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio s&atilde;o aquelas em que a coordena&ccedil;&atilde;o entre atores se faz predominantemente pelo territ&oacute;rio e n&atilde;o por quaisquer outros mecanismos</i>. Courlet (2008: 46) distingue tr&ecirc;s tipos de coordena&ccedil;&atilde;o: a que se faz pelo mercado, a que corresponde a uma ordem hier&aacute;rquica &#8211; seja p&uacute;blica, seja dentro de uma grande empresa &#8211; e a territorial, resultante de interdepend&ecirc;ncias entre agentes ou entre agentes e institui&ccedil;&otilde;es, que originam din&acirc;micas espec&iacute;ficas. &Eacute; na medida em que, na sua origem e nas suas finalidades, estabele&ccedil;am la&ccedil;os entre atores locais, estruturem e capacitem o territ&oacute;rio, desenvolvam o capital social e d&ecirc;em coer&ecirc;ncia a pol&iacute;ticas tidas por setoriais que h&aacute; pol&iacute;ticas que assumem a qualidade de territoriais. N&atilde;o deviam ser assim todas as pol&iacute;ticas, na medida em que sejam pol&iacute;ticas de desenvolvimento? Deviam, certamente. A pr&oacute;pria abordagem horizontal n&atilde;o devia ser exclusiva de algumas pol&iacute;ticas, ent&atilde;o ditas territoriais, antes devendo ser mat&eacute;ria presente em qualquer metodologia de formula&ccedil;&atilde;o e concretiza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas. </p>       <p>Em todo o caso, admita-se que pol&iacute;ticas territoriais s&atilde;o, tendo em conta a defini&ccedil;&atilde;o proposta, as que, no plano global em que se inserem (regional, nacional, europeu), <i>promovem o policentrismo, interv&ecirc;m na organiza&ccedil;&atilde;o dos meios territoriais a que se dirigem, assentam em redes de proximidade e consolidam institucionalmente as diferentes componentes espaciais de um todo</i>. </p>       <p>Estas tr&ecirc;s condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o, por assim dizer, condi&ccedil;&otilde;es da territorialidade de uma pol&iacute;tica. Se a l&oacute;gica polic&ecirc;ntrica (seja qual for a escala de interven&ccedil;&atilde;o) &eacute; posta em causa, pode estar a desfazer-se o que &eacute; mais intrinsecamente territorial numa pol&iacute;tica: a rela&ccedil;&atilde;o com um espa&ccedil;o estruturado, relacional, polim&oacute;rfico. Se a condi&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o dos meios se perder, dificilmente &eacute; a pol&iacute;tica constituinte do territ&oacute;rio que recuar&aacute; para a mera condi&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o an&oacute;dino de recep&ccedil;&atilde;o de <i>inputs</i> externos. Se uma pol&iacute;tica n&atilde;o pressupuser e n&atilde;o tiver como finalidade densificar rela&ccedil;&otilde;es dentro do territ&oacute;rio a que se destina, valorizando a proximidade, ser&aacute; certamente uma pol&iacute;tica <i>no</i> territ&oacute;rio mas n&atilde;o <i>do</i> territ&oacute;rio. A condi&ccedil;&atilde;o final, a defini&ccedil;&atilde;o da natureza territorial de uma pol&iacute;tica, deve observar-se no plano institucional. N&atilde;o apenas das institui&ccedil;&otilde;es formais (pol&iacute;ticas, jur&iacute;dicas...) mas tamb&eacute;m das institui&ccedil;&otilde;es materiais, aquelas que revelam a capacidade organizacional, o desenvolvimento de v&iacute;nculos substantivos entre as pessoas e as estruturas da economia e da sociedade: sistema de emprego, forma&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&otilde;es, escola, actividades em que predominem as formas de <i>learning</i><i> by doing</i>, por exemplo. </p>       <p><b>2. Uma taxonomia </b></p>       <p>Uma taxonomia de pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio &eacute; sempre redutora. &Eacute;-o especialmente se tivermos em conta o que j&aacute; se discutiu sobre a necess&aacute;ria consci&ecirc;ncia e intelig&ecirc;ncia territorial de quase todas as pol&iacute;ticas. No entanto, o compromisso com a defini&ccedil;&atilde;o anteriormente proposta autoriza um exerc&iacute;cio classificat&oacute;rio como o que se segue, atrav&eacute;s de quatro categorias e de uma adicional. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>a) A pol&iacute;tica de ordenamento e infra-estrutura&ccedil;&atilde;o </i></p>       <p>O territ&oacute;rio apresenta-se, por natureza, em v&aacute;rias escalas. H&aacute;, em cada escala, macro territ&oacute;rios, isto &eacute;, os territ&oacute;rios que cont&ecirc;m territ&oacute;rios. A defini&ccedil;&atilde;o do quadro trans-escalar com que se concebe o territ&oacute;rio &eacute;, porventura, o n&iacute;vel mais amplo de constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas: s&atilde;o pol&iacute;ticas de ordenamento que se constituem atrav&eacute;s dos quadros concetuais que se estabelecem, dos espa&ccedil;os de delibera&ccedil;&atilde;o que se instituem e da infra-estrutura&ccedil;&atilde;o que promovem. A <i>pol&iacute;tica de ordenamento e estrutura&ccedil;&atilde;o do conjunto composto por todos os territ&oacute;rios</i> inclui, por isso, o quadro de programa&ccedil;&atilde;o por que se opta, assim como a pol&iacute;tica de desenho da rede de equipamentos e de infra-estruturas e as rela&ccedil;&otilde;es de mobilidade e ostransportes. &Eacute; neste &acirc;mbito que ganha todo o sentido a ideia de promo&ccedil;&atilde;o do <i>policentrismo </i>e dos princ&iacute;pios da <i>descentraliza&ccedil;&atilde;o</i> que s&atilde;o pr&oacute;prias da l&oacute;gica territorial. </p>       <p>Pode dizer-se que n&atilde;o apenas se tornou consensual que a gest&atilde;o e o ordenamento do territ&oacute;rio constitui um <i>problema </i>relevante da sociedade, como tamb&eacute;m que h&aacute; justifica&ccedil;&otilde;es de sobra para a convic&ccedil;&atilde;o de que essa &eacute; a forma de dedicar aten&ccedil;&atilde;o ao territ&oacute;rio entendido como recurso e como um contributo para a <i>solu&ccedil;&atilde;o </i>de certos d&eacute;fices persistentes nas nossas sociedades. &Eacute;, por isso, que &eacute; essencial consolidar uma vis&atilde;o do territ&oacute;rio e identificar os espa&ccedil;os pertinentes de racionalidade das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Cremos poder defender que h&aacute; hoje em Portugal um consenso suficiente acerca do modo como se podem identificar esses espa&ccedil;os, isto &eacute;, como constituir uma escala sub-regional apropriada a um correto entendimento das rela&ccedil;&otilde;es entre desenvolvimento e territ&oacute;rio. Mas n&atilde;o &eacute; claro que esse consenso resulte em pol&iacute;ticas coerentes. </p>       <p>O PnPOt &#8722; Programa nacional da Pol&iacute;tica de Ordenamento do territ&oacute;rio &#8722; foi um exerc&iacute;cio de defini&ccedil;&atilde;o, de um ponto de vista substantivo, desses grandes espa&ccedil;os pertinentes. Procurou-se, de facto, identificar a ossatura territorial existente. Fez-se isso, por exemplo, atrav&eacute;s dos grandes sistemas urbanos consolidados, ou dos que representassem novos dinamismos territoriais, assim como dos espa&ccedil;os de baixa densidade, ou dos territ&oacute;rios de &#8220;fronteira&#8221;, quer na ace&ccedil;&atilde;o territorial do termo, quer para significar que s&atilde;o &#8220;fronteiras&#8221; de desenvolvimento. </p>       <p><i>b) A pol&iacute;tica urbana </i></p>       <p>A pol&iacute;tica urbana &eacute;, tem de ser, uma pan&oacute;plia de v&aacute;rias pol&iacute;ticas. No quadro de qualquer discuss&atilde;o, e muito particularmente na que estamos a propor, s&oacute; pode ser encarada de forma global e integrada. &Eacute; isso que decorre do <i>princ&iacute;pio da coordena&ccedil;&atilde;o pelo territ&oacute;rio</i>. Se isto &eacute; verdade para qualquer meio territorial, &eacute;-o de forma particularmente intensa para os meios urbanos. Na verdade, as cidades, os conjuntos urbanos, as metr&oacute;poles, s&atilde;o casos de particular intensidade territorial. S&atilde;o ainda representa&ccedil;&otilde;es singulares da forte converg&ecirc;ncia entre pol&iacute;ticas de interven&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica (no desenho territorial, no edificado, nas rela&ccedil;&otilde;es de mobilidade) e a&ccedil;&otilde;es de natureza relacional, como as que dizem respeito &agrave; qualifica&ccedil;&atilde;o das pessoas, &agrave; inclus&atilde;o social, &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de atividades ou &agrave; capacita&ccedil;&atilde;o institucional. Na verdade, para al&eacute;m do &oacute;bvio significado territorial, material e de dimens&atilde;o, um meio urbano ou metropolitano &eacute; essencialmente relevante pelo seu poder institucional e pela sua posi&ccedil;&atilde;o relacional face a outros espa&ccedil;os, sejam eles de poderio maior ou equivalente, sejam menores. A pol&iacute;tica urbana combina assim de forma particularmente intensa aspetos f&iacute;sicos (concentrando interven&ccedil;&otilde;es complexas que dificilmente se podem encontrar noutros lugares), processos imateriais de incid&ecirc;ncia local e formas institucionais e relacionais com contextos externos. Os meios urbanos t&ecirc;m ainda a singularidade adicional de combinarem tempos hist&oacute;ricos muito distintos e sobrepostos. A coalesc&ecirc;ncia de diferentes temporalidades nas capacidades contempor&acirc;neas de uma cidade &eacute;, porventura, a sua marca mais distinta. </p>       <p>No conjunto, as cidades e as interven&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de natureza territorial que elas e os meios metropolitanos suscitam resultam de uma circunst&acirc;ncia absolutamente central na an&aacute;lise territorial: a presen&ccedil;a de <i>aglomera&ccedil;&otilde;es </i>e a gest&atilde;o da <i>proximidade</i>. O mais poderoso exemplo de uma economia de proximidade &eacute;, evidentemente, uma grande metr&oacute;pole. Atrav&eacute;s da forma como a condi&ccedil;&atilde;o urbana se consolida no territ&oacute;rio revela-se a <i>espessura </i>e a estrutura do pr&oacute;prio territ&oacute;rio. As cidades ou, numa ace&ccedil;&atilde;o mais ampla, os sistemas urbanos<a href="#v"><sup>v</sup></a><a name="topv"></a> s&atilde;o, de facto, uma forma lapidar de constitui&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, e isso tem sido demonstrado para Portugal em muitos estudos que, simultaneamente, tipificam as principais estruturas urbanas do nosso pa&iacute;s. J&aacute; se sabe que a urbaniza&ccedil;&atilde;o &eacute; um fen&oacute;meno marcante das sociedades contempor&acirc;neas porque a ele est&atilde;o ligados muitos dos factores que influenciam a gera&ccedil;&atilde;o das mais relevantes din&acirc;micas: comunica&ccedil;&atilde;o, cultura, poder, aprendizagem e conhecimento, inova&ccedil;&atilde;o ou consumo. As cidades e os sistemas urbanos s&atilde;o, atrav&eacute;s das economias de aglomera&ccedil;&atilde;o em que assentam e que geram, a grande <i>ossatura </i>do territ&oacute;rio. Pela co-presen&ccedil;a ativa e pela proximidade s&atilde;o espa&ccedil;os de dinamismo e de mudan&ccedil;a. </p>       <p>Numa sociedade como a portuguesa estas quest&otilde;es s&atilde;o particularmente relevantes. Por um conjunto de raz&otilde;es. Em primeiro lugar, porque as &aacute;reas din&acirc;micas da economia s&atilde;o mapeadas pelas principais estruturas urbanas &#8211; a &#8220;regi&atilde;o metropolitana de Lisboa&#8221; e a &#8220;aglomera&ccedil;&atilde;o metropolitana do norte litoral&#8221;, bem assim como o &#8220;pol&iacute;gono urbano do Centro do pa&iacute;s ou a aglomera&ccedil;&atilde;o algarvia&#8221; &#8211; e aqui residem muitos dos fatores espec&iacute;ficos de qualifica&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o positiva, designadamente os que resultam do conhecimento, da criatividade, da conectividade e, em geral, dos recursos imateriais. A cidade &eacute;, pois, um meio especialmente qualificado. Em segundo lugar, os espa&ccedil;os urbanos s&atilde;o relevantes porque o bem-estar das pessoas, designadamente quando lhes est&aacute; associada uma economia de servi&ccedil;os e o acesso a equipamentos &eacute;, em muitos aspectos decisivos, benefici&aacute;rio da proximidade &agrave; cidade e &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es urbanas. Em terceiro lugar, a cidade e a organiza&ccedil;&atilde;o urbana s&atilde;o elementos cr&iacute;ticos de ordenamento do territ&oacute;rio, de coer&ecirc;ncia da rede de equipamentos e de infra-estruturas, de comunica&ccedil;&otilde;es e mobilidade, de capacidade log&iacute;stica. Finalmente, porque a pr&oacute;pria articula&ccedil;&atilde;o dos diferentes espa&ccedil;os do pa&iacute;s &#8211; designadamente a articula&ccedil;&atilde;o do interior &#8211; tem nos meios urbanos um instrumento principal.</p>       <p>&Eacute; bem sabido que o meio urbano, em Portugal, carece de organiza&ccedil;&atilde;o, de qualifica&ccedil;&atilde;o e de articula&ccedil;&atilde;o e que h&aacute; problemas de exclus&atilde;o graves relativamente ao que deveria definir a pr&oacute;pria cidade, nos termos acabados de referir. Os problemas urbanos s&atilde;o, pois, importantes tanto pelo d&eacute;fice como pelo excesso. Pelo d&eacute;fice, porque h&aacute; problemas ambientais por resolver, h&aacute; problemas de qualidade do meio constru&iacute;do e do espa&ccedil;o p&uacute;blico, h&aacute; problemas sociais, h&aacute; uma l&oacute;gica local que perdura, n&atilde;o deixando tratar muitos dos problemas &agrave; escala intermunicipal exigida pelo facto de os sistemas urbanos que formam o territ&oacute;rio serem aglomera&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios munic&iacute;pios ligados pela proximidade. Pelo excesso, porque h&aacute; problemas de congest&atilde;o, de redund&acirc;ncia na conce&ccedil;&atilde;o das estruturas urbanas devido &agrave; falta de conce&ccedil;&atilde;o de cada sistema urbano como um todo, h&aacute; problemas de sustentabilidade de equipamentos e de infra-estruturas, h&aacute; articula&ccedil;&otilde;es que &eacute; necess&aacute;rio promover. </p>       <p><i>c) A pol&iacute;tica para a baixa densidade </i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As duas condi&ccedil;&otilde;es apontadas anteriormente para compreender as pol&iacute;ticas urbanas &#8211; <i>aglomera&ccedil;&otilde;es</i> e <i>proximidade</i> &#8211; conduzem-nos, na mesma l&oacute;gica, &agrave; que deve ser uma outra grande categoria de pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio: a que se dirige aos espa&ccedil;os de baixa densidade, aqui entendida n&atilde;o apenas como baixa densidade demogr&aacute;fica mas essencialmente como rarefa&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica. A ideia de que h&aacute; uma finalidade de gest&atilde;o da proximidade mant&eacute;m-se, evidentemente. Mas agora encontramos o sim&eacute;trico da aglomera&ccedil;&atilde;o. Mas nem por isso &eacute; menos territ&oacute;rio o que se qualifique como territ&oacute;rio de baixa densidade. Ele deve ser na mesma sujeito de pol&iacute;ticas e elemento de coordena&ccedil;&atilde;o de atores. Claro est&aacute; que a estas pol&iacute;ticas presidem fins pr&oacute;prios: estrutura&ccedil;&atilde;o territorial, organiza&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o de recursos espec&iacute;ficos, defini&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es de bem-estar e acesso a padr&otilde;es gerais de sociabilidade, qualifica&ccedil;&atilde;o institucional. </p>       <p>Os espa&ccedil;os de baixa densidade, tal como foram definidos anteriormente, constituem a mais ampla fatia do territ&oacute;rio nacional mas representam menos de 1&#8260;4 da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. S&atilde;o constitu&iacute;dos por espa&ccedil;os urbanos de pequena dimens&atilde;o, sem proximidade f&iacute;sica e socioecon&oacute;mica com outros espa&ccedil;os urbanos (pensa-se nas sedes de concelho n&atilde;o integradas em sistemas urbanos plurimunicipais), e por espa&ccedil;os n&atilde;o-urbanos de caracter&iacute;sticas rurais profundas ou tribut&aacute;rios dos anteriores. A sua import&acirc;ncia para a organiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s mede-se por dois indicadores: o papel que desempenham na ocupa&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio (coes&atilde;o territorial) e o modo como se constituem em lugares de vida de uma parte da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (coes&atilde;o social). &Eacute; justamente na medida em que estes espa&ccedil;os s&atilde;o espa&ccedil;os de articula&ccedil;&atilde;o do conjunto do territ&oacute;rio e lugares onde tem de ser garantido o acesso dos cidad&atilde;os que a&iacute; residem a servi&ccedil;os de natureza universal que eles s&atilde;o relevantes para as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. As pol&iacute;ticas que se lhes dirigem t&ecirc;m reconhecido estes aspetos e d&atilde;o lugar especial &agrave; natureza dos recursos (end&oacute;genos) que as caraterizam e diferenciam. </p>       <p><i>d) A pol&iacute;tica para os sistemas produtivos localizados </i></p>       <p>O territ&oacute;rio manifesta-se tamb&eacute;m atrav&eacute;s da economia, isto &eacute;, atrav&eacute;s de <i>especializa&ccedil;&otilde;es produtivas </i>assentes em economias de proximidade e atrav&eacute;s da localiza&ccedil;&atilde;o de recursos produtivos relevantes, de mat&eacute;rias-primas, de for&ccedil;a de trabalho ou de conhecimento. De facto, as rela&ccedil;&otilde;es entre territ&oacute;rio e economia sup&otilde;em uma op&ccedil;&atilde;o activa e voluntarista pela estrutura&ccedil;&atilde;o da nossa economia &agrave; volta de sistemas produtivos localizados, entendidos como redes polares de qualifica&ccedil;&atilde;o das actividades em que a especializa&ccedil;&atilde;o regional pode ser desenvolvida. s&atilde;o sistemas diferenciados, que atendem &agrave; natureza estrutural de cada regi&atilde;o, aos seus factores de competitividade espec&iacute;ficos e &agrave; capacidade institucional instalada. </p>       <p>A condi&ccedil;&atilde;o para que a economia e a sua especializa&ccedil;&atilde;o produtiva possa superar a sua natureza frequentemente limitada e tecnicamente balizada (&#8220;segmental&#8221; e fragment&aacute;ria), &agrave;s quais &eacute; dif&iacute;cil atribuir impactos globais e efeitos de arrastamento cruciais no conjunto da economia, &eacute;, porventura, a sua valoriza&ccedil;&atilde;o no quadro de sistemas regionais concebidos de forma articulada, propiciadores de condi&ccedil;&otilde;es competitivas horizontais e estimuladores da cria&ccedil;&atilde;o de plataformas organizativas comuns a v&aacute;rias atividades. Este parece ser um bom caminho para a gera&ccedil;&atilde;o de din&acirc;micas de n&iacute;vel superior. Ora, esta &eacute; uma tarefa que obriga a dar muita aten&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, &agrave;s economias de efici&ecirc;ncia colectiva. </p>       <p>Um pressuposto forte &eacute; que a inova&ccedil;&atilde;o, sob as suas diferentes formas, pode ser altamente influenciada pelo territ&oacute;rio. Na sequ&ecirc;ncia da influ&ecirc;ncia de alfred Marshall, os economistas usam a no&ccedil;&atilde;o de <i>economias externas. </i>De facto, este economista identificou, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, tr&ecirc;s grandes for&ccedil;as de aglomera&ccedil;&atilde;o espacial da actividade produtiva: um mercado do trabalho localizado dispondo de m&atilde;o-de-obra numerosa e qualificada (mercado do trabalho regional); uma oferta local e regional de bens interm&eacute;dios e servi&ccedil;os especializados (por extens&atilde;o, oferta de bens e servi&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o, em geral); uma maior facilidade de circula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o a curta dist&acirc;ncia. Cada um destes tr&ecirc;s fatores &eacute; suscept&iacute;vel de proporcionar externalidades positivas aos produtores, funcionando como for&ccedil;a indutora de atividade econ&oacute;mica no local/regi&atilde;o. </p>       <p>De modo geral, quer a cria&ccedil;&atilde;o de conhecimento (Vale, 2011), quer a absor&ccedil;&atilde;o por uma empresa de conhecimento externo (difus&atilde;o), requerem recursos humanos altamente qualificados. Est&aacute; demonstrado que a exist&ecirc;ncia de infra-estruturas cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas numa regi&atilde;o, isto &eacute;, a curta dist&acirc;ncia, &eacute; indutora de inova&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da empresa por estas duas &uacute;ltimas vias. A manifesta&ccedil;&atilde;o mais expressiva desta influ&ecirc;ncia do territ&oacute;rio na inova&ccedil;&atilde;o encontra-se no fen&oacute;meno dos <i>clusters, </i>ou seja, dos grupos de agentes econ&oacute;micos (empresas, institui&ccedil;&otilde;es de i&amp;D, entidades de interface) fortemente interligados, numa base local e regional, por fluxos de inova&ccedil;&atilde;o ou atividade conjunta realizada neste dom&iacute;nio. </p>       <p>A proximidade facilita a circula&ccedil;&atilde;o do conhecimento. Esta influ&ecirc;ncia, para al&eacute;m de poder realizar-se atrav&eacute;s da partilha de conhecimento produzido em conjunto (pelo processo j&aacute; descrito a prop&oacute;sito da primeira for&ccedil;a de aglomera&ccedil;&atilde;o de Marshall), manifesta-se ainda atrav&eacute;s da transfer&ecirc;ncia de conhecimento j&aacute; existente. &Eacute; particularmente relevante, neste &uacute;ltimo caso, a circula&ccedil;&atilde;o do conhecimento <i>t&aacute;cito, </i>pois este carece de contactos presenciais e extravasa de uns agentes para outros, n&atilde;o s&oacute; pela via dos mecanismos do mercado, mas tamb&eacute;m, em parte, atrav&eacute;s de canais exteriores ao pr&oacute;prio mercado. A sua transfer&ecirc;ncia realiza-se, nomeadamente, sob a forma de coopera&ccedil;&atilde;o informal. </p>       <p>Um sistema regional de inova&ccedil;&atilde;o &eacute; caracteriz&aacute;vel do seguinte modo: no <i>v&eacute;rtice </i>est&atilde;o as atividades de investiga&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento do sistema de ensino superior e dos centros tecnol&oacute;gicos, conjugadas com as parcerias e as estrat&eacute;gias de internacionaliza&ccedil;&atilde;o que as empresas foram capazes de concretizar; a <i>base </i>&eacute; constitu&iacute;da por sectores ou, numa ace&ccedil;&atilde;o voluntarista, por <i>clusters</i><i> </i>que s&atilde;o o resultado da acumula&ccedil;&atilde;o de saberes e capacidades formados na sequ&ecirc;ncia de j&aacute; longos processos de especializa&ccedil;&atilde;o. O essencial do sistema de inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute;, contudo, nem no seu v&eacute;rtice nem na sua base, considerados em si mesmos: o essencial est&aacute; no desencadear de processos criativos, em rela&ccedil;&otilde;es emergentes que beneficiem das articula&ccedil;&otilde;es entre o v&eacute;rtice e a base. Assim sendo, a &#8220;economia&#8221; dos territ&oacute;rios &#8211; a especializa&ccedil;&atilde;o que os caracteriza e os recursos que a&iacute; se aglomeram &#8211; deve ser retida como um elemento crucial da governa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. </p>       <p><i>e) A pol&iacute;tica-pol&iacute;tica </i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H&aacute; pol&iacute;ticas que s&atilde;o qualific&aacute;veis como do territ&oacute;rio e este texto debru&ccedil;a-se sobre elas. Mas &eacute; tamb&eacute;m claro que h&aacute; outra pol&iacute;tica que, na medida em que &eacute; o lugar das grandes delibera&ccedil;&otilde;es que organizam a sociedade, n&atilde;o &eacute; em nada alheia ao territ&oacute;rio. &Eacute; o que podemos chamar a pol&iacute;tica-pol&iacute;tica. Ou, noutra perspectiva, o quadro institucional que, tanto no plano formal, como nos da cultura e dos comportamentos coletivos, organiza e qualifica uma sociedade e a ordem relacional em que ela assenta. &Eacute; aqui, evidentemente, que se fica a saber o que vale o territ&oacute;rio. Se ele &eacute; sujeito ou objeto. Se &eacute; uma restri&ccedil;&atilde;o a que tem de se atender ou valor que serve para estabelecer intera&ccedil;&otilde;es ou finalidades.</p>       <p>&Eacute; tamb&eacute;m neste quadro que, enfim, ficamos a saber se &eacute; preciso falar de pol&iacute;ticas do territ&oacute;rio, for&ccedil;ando dicotomias indispens&aacute;veis, ou se se assume j&aacute; que, afinal, todo o desenvolvimento &eacute; desenvolvimento territorial e, por isso, estamos j&aacute; para al&eacute;m dessas dicotomias e estamos perante pol&iacute;ticas que, <i>ab initio</i>, valorizam recursos e promovem a justi&ccedil;a, sem qualificativos. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>V. CONCLUS&Atilde;O </b></p>       <p>H&aacute;, pois, boas raz&otilde;es para dispormos de uma no&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica e &uacute;til de governa&ccedil;&atilde;o territorial. Algo que explicite o modo como os diversos n&iacute;veis espaciais s&atilde;o integrados no modelo institucional de organiza&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o, como a articula&ccedil;&atilde;o territorial das pol&iacute;ticas &#8211; tanto as sectoriais como as territoriais &#8211; &eacute; alcan&ccedil;ada e como o modelo de administra&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas se inscreve no territ&oacute;rio e o assume. Tudo, afinal, o que nos permita supor que todo o desenvolvimento &eacute; concebido como desenvolvimento territorial. </p>       <p>Trata-se, sem d&uacute;vida, de uma escolha adequada das escalas territoriais pertinentes para a macro-conce&ccedil;&atilde;o de um quadro global de atua&ccedil;&atilde;o. Mas trata-se tamb&eacute;m da rela&ccedil;&atilde;o a estabelecer entre cada medida de pol&iacute;tica e a escala territorial em que elas se planeiam, decidem e executam (o &acirc;mbito territorial de cada pol&iacute;tica) ou das esferas da administra&ccedil;&atilde;o estatal que se elegem como agentes ativos de conce&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e decis&atilde;o ou, ainda, da rela&ccedil;&atilde;o a estabelecer com os atores s&oacute;cio-pol&iacute;tico-econ&oacute;micos, tanto p&uacute;blicos como n&atilde;o-p&uacute;blicos. evidentemente que estas considera&ccedil;&otilde;es resultam do pressuposto de que o territ&oacute;rio &eacute; um elemento da governa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Isto sup&otilde;e que &eacute; poss&iacute;vel definir com clareza qual &eacute; a materialidade do territ&oacute;rio e de que modo &eacute; que ela &eacute; um fator de operacionaliza&ccedil;&atilde;o daquelas pol&iacute;ticas. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>       <!-- ref --><p>Benko, G. Bernard, P. (2001). Os recursos de territ&oacute;rios e os territ&oacute;rios dos recursos. <i>Geosul</i>, 16 (32), 31-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273947&pid=S0430-5027201500020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Brenner, N. (2003). Metropolitan institutional reform and the rescaling of the state space in contemporary Western europe. <i>European Urban and Regional Studies</i>, 10 (4), 279-324.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273949&pid=S0430-5027201500020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Courlet, C. (2008) <i>L&#8217;&Eacute;conomie Territoriale</i>. Grenoble: Presses Universitaires de Grenoble.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273951&pid=S0430-5027201500020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Cumbers, A., Danny, M., &amp; Robert, M. (2003). Institutions, power and space: assessing the limits to institutionalism in economic geography. <i>European Urban and Regional Studies</i>, 10 (4), 325-342.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273953&pid=S0430-5027201500020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Damette, F. (1980). The regional framework of monopoly exploitation. In C. John, H. Ray &amp; L. Jim (eds.), <i>Regions in Crisis: New perspectives in European Regional Theory </i>(76-92). Londres: Croom Helm.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273955&pid=S0430-5027201500020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Hudson, R. (2004). Thinking through the geographies of the new europe in the new millennium. <i>European Urban and Regional Studies</i>, 11 (2), 99-102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273957&pid=S0430-5027201500020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Keating, M. (2014). Introduction: rescaling interests. <i>Territory, Politics, Governance</i>, 2-3, 239-248.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273959&pid=S0430-5027201500020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Reis, J. (2001). A Globaliza&ccedil;&atilde;o como Met&aacute;fora da perplexidade: Os Processos Geo-econ&oacute;micos e o &#8216;simples&#8217; funcionamento dos sistemas Complexos. In: B. S. Santos (org.), <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o: Fatalidade ou Utopia? </i>(109-134). Porto: edi&ccedil;&otilde;es afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273961&pid=S0430-5027201500020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Reis, J. (2009). <i>Ensaios de Economia Impura</i>, Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273962&pid=S0430-5027201500020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Reis, J. (2013). O regresso ao princ&iacute;pio do mundo: uma vis&atilde;o territorialista de den&uacute;ncia e contraposi&ccedil;&atilde;o. In M. M. Serrano &amp; P. neto (coord.), <i>Espa&ccedil;o: Perspetivas multidisciplinares sobre a constru&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios </i>(29-39). Coimbra: s&iacute;labo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273964&pid=S0430-5027201500020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Sabel, C. (1998). Constitutional orders: trust building and response to change. In J. R. Hollingsworth &amp; R. Boyer (eds.), <i>Contemporary capitalism: The embeddedness of institutions </i>(155-181). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273966&pid=S0430-5027201500020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Sabel, C. (2004). Districts on the move: notes on the tedis survey of the internationalization of district firms&#8221;, <a href="http://www2.law.columbia.edu/sabel/" target="_blank">http://www2.law.columbia.edu/sabel/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=273968&pid=S0430-5027201500020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p>Recebido: Mar&ccedil;o 2015. Aceite: Julho 2015. </p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><b>NOTAS</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><a href="#topi"><sup>i</sup></a><a name="i"></a>Este texto &eacute; dedicado ao Ant&oacute;nio Gama Mendes, com quem tanto aprendi. N&atilde;o foi apenas o sentido da suavidade da vida, nas suas alegrias e amarguras, que aprendi com o ant&oacute;nio ao longo de 40 anos. Foi a vontade permanente de uma compreens&atilde;o fina das coisas, uma compreens&atilde;o sempre provis&oacute;ria, inquieta, &agrave; procura da mais s&oacute;lida imagina&ccedil;&atilde;o. Sei que um texto como este n&atilde;o resiste &agrave;s suas perguntas, &agrave;s suas d&uacute;vidas, &agrave; sua cr&iacute;tica virtuosa. Sei que, com ele, a percep&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, uma percep&ccedil;&atilde;o vivida, vista de muitos lados, &eacute; sempre mais exigente. Mas esta &eacute; a minha pequen&iacute;ssima homenagem, do modo que eu sei, a um querido amigo, a um ge&oacute;grafo &iacute;mpar, estimad&iacute;ssimo por gera&ccedil;&otilde;es e gera&ccedil;&otilde;es de alunos, a um universit&aacute;rio que se deu todo o tempo para o ser plena e integralmente, a um homem culto sem fronteiras nem disciplinas. (Coimbra, 31 de dezembro de 2014). </p>       <p><a href="#topii"><sup>ii</sup></a><a name="ii"></a><b>Jos&eacute; Reis</b> Foi Presidente da Comiss&atilde;o de Coordena&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o Centro, secret&aacute;rio de estado do ensino superior e Director da FEUC. Tem estudado o territ&oacute;rio e as institui&ccedil;&otilde;es da economia. </p>       <p><a href="#topiii"><sup>iii</sup></a><a name="iii"></a>Tem-se obviamente presente a quest&atilde;o do mapa judici&aacute;rio na discuss&atilde;o nacional recente. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topiv"><sup>iv</sup></a><a name="iv"></a><sup> </sup>Para uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave;s v&aacute;rias formas institucionais de governa&ccedil;&atilde;o das economias veja-se Reis (2009). </p>       <p><a href="#topv"><sup>v</sup></a><a name="v"></a>Um sistema urbano &eacute; uma realidade territorial sub-regional com as seguintes caracter&iacute;sticas: uma <i>aglomera&ccedil;&atilde;o </i>de pessoas, uma situa&ccedil;&atilde;o de <i>proximidade </i>(&eacute; o espa&ccedil;o-tempo que melhor serve de medida para a dist&acirc;ncia), uma economia de tipo <i>urbano </i>(est&atilde;o nestes sistemas as universidades, os institutos polit&eacute;cnicos e as escolas secund&aacute;rias; est&atilde;o os hospitais; est&atilde;o os principais servi&ccedil;os; est&atilde;o os centros de consumo e de lazer; est&atilde;o tamb&eacute;m as bacias de emprego secund&aacute;rio e terci&aacute;rio: e todas estas caracter&iacute;sticas se sobrep&otilde;em e articulam num mesmo espa&ccedil;o), uma situa&ccedil;&atilde;o caracterizada por <i>rela&ccedil;&otilde;es intensas </i>e pela <i>mobilidade </i>(dentro destes espa&ccedil;os, em dist&acirc;ncia curta, muitas pessoas deslocam-se e interagem diariamente). </p> </div>      ]]></body><back>
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