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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De quem é o espaço entre instituições?]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <div>       <p align="right"><b>NOTA</b></p>       <br>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>De quem &eacute; o espa&ccedil;o entre institui&ccedil;&otilde;es? </b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Porf&iacute;rio Silva<sup>1 </sup></b><a href="#i"><sup>i</sup></a><a name="topi"></a></p>       <p><b><sup>1</sup></b> Colaborador no Instituto de Sistemas e Rob&oacute;tica (Instituto Superior T&eacute;cnico) e do Centro de Filosofia das Ci&ecirc;ncias da Universidade de Lisboa. E-mail: <a href="mailto:porfiriosilva@isr.ist.utl.pt">porfiriosilva@isr.ist.utl.pt</a> &nbsp;</p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>1.</b> Parecer&aacute; absurda a pergunta: haver&aacute; teorias sobre a realidade que fazem de conta que o espa&ccedil;o n&atilde;o conta? Na verdade, absurdo mesmo &eacute; que a resposta seja positiva. Talvez n&atilde;o seja dif&iacute;cil imaginar que o exemplo vem da economia. Vejamos. </p>       <p>Como teoria econ&oacute;mica, o modelo neocl&aacute;ssico padr&atilde;o, Walrasiano, que &eacute; um modelo de equil&iacute;brio geral, baseia-se nas no&ccedil;&otilde;es de mercado e sistema de pre &ccedil;os: a oferta satisfaz a procura a um pre&ccedil;o que &eacute; p&uacute;blico; os mesmos bens e servi&ccedil;os (com as mesmas propriedades, fixadas antecipadamente) s&atilde;o negociados ao mesmo pre&ccedil;o, sob as mesmas regras e virtualmente ao mesmo tempo; todos os agentes do mercado participam no processo e todos est&atilde;o plena e igualmente informados sobre as mercadorias e sobre os termos da troca. Se as coisas se passassem assim, nenhum esfor &ccedil;o seria necess&aacute;rio para efectuar trocas, excepto dispor da apropriada quantidade de dinheiro. Muitos autores t&ecirc;m notado que este modelo &eacute; profundamente irrealista, designadamente porque h&aacute; trocas em contextos bilaterais (fora do mercado aberto), porque nem todos os participantes t &ecirc;m a mesma informa&ccedil;&atilde;o sobre as mercadorias em causa, porque a economia real envolve custos de transac&ccedil;&atilde;o (mais sobre isto daqui a pouco). </p>       <p>Num plano mais geral, um forte elemento de irrealismo nesta economia ortodoxa &eacute; a oblitera&ccedil;&atilde;o do tempo: &eacute; como se toda a negocia&ccedil;&atilde;o para um conjunto de trocas de uma determinada mercadoria acontecesse ao mesmo tempo, por uma esp&eacute;cie de contrato de dura&ccedil;&atilde;o nula. O Pr&eacute;mio nobel da economia em 1993, Douglas North (1990: 30), fez precisamente esta cr&iacute;tica de irrealismo a esta ortodoxia econ&oacute;mica, falando numa concep&ccedil;&atilde;o em que as trocas aparecem como se fossem instant&acirc;neas. Mas acrescentou: &eacute; como se o mercado estivesse concentrado num &uacute;nico ponto do espa&ccedil;o. </p>       <p>Estamos a dizer que tais teorias negam a exist&ecirc;ncia do tempo ou do espa&ccedil;o? N&atilde;o; estamos a dizer que s&atilde;o teorias que atingiram um tal grau de formalismo que desconsideram o tempo e o espa&ccedil;o nos seus fundamentos. E esse formalismo, t&atilde;o profundamente enraizado num padr&atilde;o de &#8220;cientificidade&#8221; dominante, precisa de recursos te&oacute; ricos alternativos para ser combatido. </p>       <p>Uma das v&aacute;rias estrat&eacute;gias para combater este irrealismo assenta na ideia de custos de transac &ccedil;&atilde;o. Quer dizer: nenhuma ac&ccedil;&atilde;o no mundo real acontece sem esfor&ccedil;o. As mercadorias ou os factores de produ&ccedil;&atilde;o t &ecirc;m de ser levadas de um ponto para outro (n&atilde;o, n&atilde;o est&atilde;o todos no mesmo ponto do espa&ccedil;o). N&atilde;o h&aacute; parceiros autom &aacute;ticos para as trocas: &eacute; preciso procur&aacute;-los, analis&aacute;-los, escolh&ecirc;-los; &eacute; preciso monitorizar o cumprimento de um contrato. H&aacute; organiza&ccedil;&otilde;es &#8211; n&atilde;o apenas mercadorias e pre&ccedil;os e trocas instant&acirc;neas &#8211; e as organiza &ccedil;&otilde;es podem ser mais ou menos bem geridas e t&ecirc;m custos. As regras que supostamente ordenam um mercado (ou qualquer outra arena da ac &ccedil;&atilde;o humana) nem sempre s&atilde;o cumpridas, nem sempre s&atilde;o sequer claras; podem surgir diferen&ccedil;as interpretativas ou incumprimentos, litig&acirc;ncia. Os mercados t&ecirc;m um enquadramento institucional (uma sociedade politicamente organizada, um sistema de justi&ccedil;a que pode prolongar os tempos de litig&acirc;ncia, por exemplo). A actividade econ&oacute;mica tem lugar no seio de uma sociedade, cujas regras influenciam quer os mercados quer os contractos (Furubotn e Richter, 1997: 43-48). N&atilde;o se pode compreender nada disto com uma concep&ccedil;&atilde;o que ignora o espa &ccedil;o. </p>       <p>At&eacute; por isso, ignorar o espa&ccedil;o vai de par com a incompreens&atilde;o da incompletude como caracter&iacute;stica b&aacute;sica da nossa condi&ccedil;&atilde;o de seres humanos. Que &eacute; tamb&eacute;m incompreens&atilde;o da nossa condi&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica. Nunca sabemos tudo sobre um mundo complexo e incerto, com imensos processos naturais que n&atilde;o compreendemos inteiramente, cheio de outros agentes que podem n &atilde;o partilhar e podem at&eacute; esconder informa&ccedil;&atilde;o. E transformar dados em conhecimento utiliz&aacute;vel custa esfor&ccedil;o e tempo. Portanto, estamos em geral em condi&ccedil;&otilde;es de informa&ccedil;&atilde;o incompleta e assim&eacute;trica (porque, em regra, nem todos os agentes t &ecirc;m a mesma). E, em larga medida, &eacute; nos problemas de incompletude e assimetria de informa&ccedil;&atilde;o que assentam aspectos decisivos da quest &atilde;o dos custos de transac&ccedil;&atilde;o. </p>       <p>Esta quest&atilde;o coloca-nos no ponto de intersec&ccedil;&atilde;o entre as concep&ccedil;&otilde; es sobre as pr&aacute;ticas sociais e concep&ccedil;&otilde;es mais gerais acerca da estrutura da realidade. Vamos agora deixar de lado a quest&atilde;o do tempo e concentrar-nos na quest&atilde;o do espa&ccedil;o. </p>       <p><b>2.</b> Agnew (2011) sugere um cruzamento entre duas concep&ccedil;&otilde;es de espa&ccedil;o e duas concep&ccedil;&otilde;es de ac&ccedil;&atilde;o humana. </p>       <p>A vis&atilde;o objectivista do espa&ccedil;o em newton op&otilde;e-se &agrave; vis&atilde;o relacional do espa&ccedil;o em Leibniz. O espa&ccedil;o newtoniano &eacute; absoluto, &eacute; uma entidade independente dos objectos e eventos que eventualmente o ocupem, cont&eacute;m esses objectos e eventos, tem poderes pr&oacute;prios (como os que resultam das for&ccedil;as que operam atrav&eacute; s dele, como a atrac&ccedil;&atilde;o gravitacional ou magn&eacute;tica) e esses poderes s&atilde;o separados dos poderes dos objectos e eventos que est&atilde; o e ocorrem no espa&ccedil;o. J&aacute; na concep&ccedil;&atilde;o leibniziana o espa&ccedil;o &eacute; relacional: tudo o que interessa no espa&ccedil;o resulta inteiramente das rela&ccedil;&otilde;es entre os objectos e os eventos; o espa&ccedil;o existe devido &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre lugares, nos quais eventos e objectos est&atilde;o localizados com os seus poderes pr&oacute;prios. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A esta polariza&ccedil;&atilde;o entre uma concep&ccedil;&atilde;o objectivista e uma concep&ccedil;&atilde;o relacional do espa&ccedil;o vem juntar-se outra polariza&ccedil;&atilde;o entre duas concep &ccedil;&otilde;es da ac&ccedil;&atilde;o humana. Nas concep&ccedil;&otilde;es subjectivistas da ac&ccedil;&atilde;o humana, mesmo que se reconhe&ccedil;a a for &ccedil;a das circunst&acirc;ncias e os condicionalismos, somos entendidos como essencialmente determinados a partir de dentro. J&aacute; as concep &ccedil;&otilde;es objectivistas da ac&ccedil;&atilde;o humana sublinham como somos impelidos por for&ccedil;as que determinam ou empurram o que fazemos no mundo, sendo sempre as causas internas fracas para contrariar a maci&ccedil;a press&atilde;o do mundo sobre o indiv&iacute;duo. </p>       <p>Cruzando estes dois eixos, Agnew diz, ent&atilde;o, que as concep&ccedil;&otilde;es subjectivistas da ac&ccedil;&atilde;o humana se conjugam com no&ccedil;&otilde;es objectivistas do espa&ccedil;o (a ac&ccedil;&atilde;o humana, subjectiva, tem o espa&ccedil;o como o seu continente objectivo: &eacute; na realidade do espa&ccedil;o, e dos seus constrangimentos pr&oacute;prios, que encontramos o nosso caminho), enquanto as concep&ccedil;&otilde;es objectivistas da ac&ccedil;&atilde;o humana v&atilde;o de par com no&ccedil;&otilde;es relacionais acerca do espa&ccedil;o (s&atilde;o as for&ccedil;as relacionais que empurram a ac&ccedil;&atilde;o humana que estruturam o espa&ccedil;o, porque o espa&ccedil;o &eacute; o resultado dessas rela&ccedil;&otilde;es). </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>3</b>. Ter&iacute;amos, ent&atilde;o, uma oposi&ccedil;&atilde;o entre, por um lado, concep&ccedil;&otilde;es subjectivistas da ac&ccedil;&atilde;o humana, articuladas com concep&ccedil;&otilde;es objectivistas do espa&ccedil;o e, por outro lado, concep&ccedil;&otilde;es objectivistas da ac&ccedil;&atilde;o humana articuladas com concep&ccedil;&otilde;es relacionais do espa&ccedil;o. Ora, a verdade &eacute; que, se adoptarmos um ponto de vista institucionalista, temos de criticar essas oposi&ccedil;&otilde;es: a oposi&ccedil;&atilde;o entre subjectivismo e objectivismo &eacute; demasiado pobre para compreender aspectos importantes da ac&ccedil;&atilde;o humana (como defenderemos no ponto 4); a oposi&ccedil;&atilde;o entre uma vis&atilde;o objectivista e uma vis&atilde;o relacional do espa&ccedil;o ignora que, em certa medida, o que parecem rela&ccedil;&otilde;es dos humanos com o mundo f&iacute;sico s&atilde;o, afinal, e fundamentalmente, rela&ccedil;&otilde;es sociais mediadas por coisas (como defenderemos no ponto 5). </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>4. </b> Vamos agora tentar mostrar que a oposi&ccedil;&atilde;o entre subjectivismo e objectivismo &eacute; demasiado pobre para compreender aspectos importantes da ac&ccedil;&atilde;o humana. Para isso, partimos dessa importante especificidade das sociedades humanas que &eacute; a exist&ecirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es. Uma entrada incontorn&aacute;vel para pensar estas quest&otilde;es &eacute; a obra de John Searle (1995) sobre a constru&ccedil;&atilde;o da realidade social. </p>       <p>A distin&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica a considerar &eacute; entre factos brutos e factos institucionais. Temos um facto bruto quando a sua exist&ecirc;ncia nada deve aos observadores (o pico do monte Evereste est&aacute; a n metros de altitude). Um facto social &eacute; aquele que envolve intencionalidade colectiva: estou a tocar violino como parte da orquestra estar a tocar uma sinfonia; a orquestra a tocar a sinfonia n&atilde;o &eacute; um suced&acirc;neo de uma colec&ccedil;&atilde;o de executantes a tocar partes da pe&ccedil;a. </p>       <p>Agora, os factos institucionais s&atilde;o um subconjunto dos factos sociais. A cria&ccedil;&atilde;o de factos institucionais envolve os mecanismos pelos quais um colectivo decide atribuir certa fun&ccedil;&atilde;o a um dado tipo de objectos, quando essa fun&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podia decorrer apenas das caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas (ou qu&iacute;micas, ou biol&oacute;gicas) desse objecto e tem de ser activada pela coopera&ccedil;&atilde;o continuada entre os indiv&iacute;duos desse colectivo. </p>       <p>Partindo desta distin&ccedil;&atilde;o, searle (2006) sistematiza uma abordagem &agrave; realidade institucional como realidade especificamente humana, assente em tr&ecirc;s pilares. </p>       <p>Primeiro, a intencionalidade colectiva. Al&eacute;m da intencionalidade individual existe intencionalidade colectiva, descrit&iacute;vel por formas como &#8220;n&oacute;s desejamos&#8221;, &#8220;n&oacute;s cremos&#8221;, &#8220;n&oacute;s tencionamos&#8221;. A intencionalidade colectiva pode apresentar-se, nomeadamente, como ac&ccedil;&atilde;o intencional colectiva (tocar violino como parte de tocar a sinfonia). Searle define os factos sociais como qualquer facto envolvendo intencionalidade colectiva de dois ou mais agentes humanos ou animais (por exemplo, um grupo de hienas a ca&ccedil;ar um le&atilde;o). </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo, as fun&ccedil;&otilde;es de estatuto. Os humanos, bem como certos animais, t&ecirc;m a capacidade de atribuir fun&ccedil;&otilde;es a objectos. Se uma pessoa pode usar um cepo como cadeira, um grupo pode usar um tronco como banco. Aqui, a atribui&ccedil;&atilde;o funcional &eacute; suportada por caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas dos objectos. Os humanos, parece que em exclusividade, s&atilde;o capazes de atribui&ccedil;&otilde;es funcionais para as quais as caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas do objecto s&atilde;o largamente irrelevantes. Nesse caso, falamos de fun&ccedil;&otilde;es de estatuto. Por exemplo, o dinheiro, como fun&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o depende do suporte f&iacute;sico escolhido para notas ou moedas, apesar de certos crit&eacute;rios terem relev&acirc;ncia pr&aacute;tica (facilitar o transporte, dificultar a falsifica&ccedil;&atilde;o). A moeda funciona gra&ccedil;as ao estatuto que lhe foi atribu&iacute;do colectivamente pelos humanos. Em geral, factos institucionais e institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o criados por fun&ccedil;&otilde;es de estatuto, atribu&iacute;das por actos de intencionalidade colectiva. </p>       <p>Terceiro, os poderes de&ocirc;nticos. As fun&ccedil;&otilde; es de estatuto s&atilde;o ve&iacute;culo de poder na sociedade. Aceitando fun&ccedil;&otilde;es de estatuto aceitamos um conjunto de normas que dizem respeito ao que &eacute; obrigat&oacute;rio, proibido ou permitido. Ficamos, desse modo, imersos numa rede de poderes de&ocirc;nticos. Por exemplo, a propriedade, ou o casamento, d&atilde;o-me espec&iacute;ficos direitos e deveres. </p>       <p>Ora, defende searle, as formas especificamente humanas de sociedade resultam desta combina&ccedil;&atilde;o de fun&ccedil;&otilde;es de estatuto, poderes de&ocirc;nticos e raz&otilde;es para agir independentes de desejos &#8212; combina &ccedil;&atilde;o assente na intencionalidade colectiva. Falamos, ent&atilde;o, de institui&ccedil;&otilde;es. </p>       <p>Isto interessa-nos aqui para dizer que a realidade institucional, se aceitarmos este tipo de abordagem, perturba aquela oposi&ccedil;&atilde;o entre concep&ccedil;&otilde;es subjectivistas e objectivistas da ac&ccedil;&atilde;o humana. &Eacute; que os factos institucionais n&atilde;o s&atilde;o objectivos, no sentido de n&atilde;o serem for&ccedil; as exteriores &agrave; pr&oacute;pria ac&ccedil;&atilde;o humana, nem s&atilde;o subjectivos, na medida em que n&atilde;o s&atilde;o determinados pela interioridade do indiv&iacute;duo. Tomemos um exemplo. </p>       <p>O peda&ccedil;o de papel que tenho na carteira &eacute; uma nota de dez euros. Esse facto n &atilde;o &eacute; um facto natural; &eacute; um facto institucional, que depende do que muitas pessoas dizem e fazem, tanto no uso dessa nota, como na sua produ&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, n&atilde;o &eacute; um facto com for&ccedil;a exterior &agrave; nossa pr&oacute;pria ac&ccedil;&atilde;o como seres humanos. N&atilde;o &eacute; um facto bruto. Mas, por outro lado, eu n&atilde;o tenho o poder pessoal de desfazer esse facto. Se eu n&atilde;o quiser reconhecer aquela nota como uma nota, aquele papel n&atilde;o deixa de ser uma nota por causa do meu querer ou do meu agir individual. At&eacute; posso fazer certas coisas como se o papel tivesse deixado de ser uma nota: posso deit&aacute;-la para o lixo, como se n&atilde;o valesse nada &#8211; mas, mesmo assim, esse &eacute; um poder ilus&oacute;rio, porque eu perdi mesmo dez euros por ter deitado esse papel para o lixo. Esta n&atilde;o &eacute; uma regi&atilde;o do mundo onde a minha subjectividade, agindo individualmente, tenha mais import&acirc;ncia do que teria a minha ignor&acirc;ncia sobre a altitude do pico mais alto do Evereste. Ora, sendo os factos institucionais dependentes do que n&oacute;s fazemos colectivamente (podemos acabar com o sistema monet&aacute;rio que faz com que aquele peda&ccedil;o de papel seja uma nota de dez euros, se colectivamente agirmos nesse sentido), mas n&atilde;o modific&aacute;veis pelo que n &oacute;s fazemos individualmente, poderemos dizer que a oposi&ccedil;&atilde;o objectivo/subjectivo n&atilde;o serve para explicar a realidade institucional. Num certo sentido, sim, o colectivo pode impor-nos uma certa objectividade, ditando normas e esquemas de funcionamento que nos aparecem como exterioridade &#8211; mas n&oacute;s fazemos parte desse colectivo e podemos, a partir da nossa subjectividade e mobilizando outras subjectividades, modificar as institui &ccedil;&otilde;es. N&oacute;s podemos envolver-nos em trabalhos de constru&ccedil;&atilde;o institucional, modificando essa objectividade quase-dura das institui&ccedil;&otilde;es existentes (porque &eacute;, efectivamente, dif&iacute;cil mudar no tempo das nossas vidas algo de substancial nas institui &ccedil;&otilde;es sociais), mas n&atilde;o temos meio de impor a nossa subjectividade individual ao ambiente institucional que habitamos. Assim, numa perspectiva institucionalista, a oposi&ccedil;&atilde;o objectividade/subjectividade acerca da ac&ccedil;&atilde;o humana revela-se fraca. </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>5. </b> Vamos agora tentar perturbar a oposi&ccedil;&atilde;o entre uma vis&atilde;o objectivista e uma vis&atilde;o relacional do espa&ccedil;o, mostrando, ainda de um ponto de vista institucionalista, que certos fen&oacute;menos, embora pare&ccedil;am rela&ccedil;&otilde;es dos humanos com o mundo f&iacute;sico s&atilde; o, afinal, e fundamentalmente, tamb&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es sociais mediadas por coisas. Ou seja: &eacute; problem&aacute;tico encarar o espa&ccedil;o como uma realidade f&iacute;sica separ&aacute;vel da realidade social; desde que compreendamos o mundo humano como um mundo de institui&ccedil;&otilde;es, entendemos que parte do que encaramos como interac&ccedil;&atilde;o com o mundo f&iacute;sico &eacute;, afinal, tamb&eacute;m um mundo de rela&ccedil;&otilde; es sociais. </p>       <p>Vejamos o exemplo da propriedade. A propriedade j&aacute; foi encarada como a mera posse f&iacute;sica de alguma coisa. A posse de um terreno implicava a capacidade para o controlar e impedir outros de nele exercerem qualquer actividade que o possuidor n&atilde;o desejasse. Entretanto, num quadro institucional em que h&aacute; protec&ccedil;&atilde;o legal de certos valores, posso ser propriet&aacute;rio de bens que n&atilde;o controlo fisicamente: at&eacute; de bens que nunca vi. </p>       <p>Num artigo de 1960, Ronald Coase, falando de factores de produ&ccedil;&atilde;o de um modo que pode ser alargado a outras coisas materiais no mundo, apresenta de forma muito interessante a quest&atilde;o. Escreve Coase que a propriedade n&atilde;o &eacute; a posse f&iacute;sica de alguma coisa, mas a deten&ccedil;&atilde;o de certos direitos, o direito de levar a cabo certas ac&ccedil;&otilde;es constantes de uma lista restrita. E essa lista &eacute; suscept&iacute;vel de modifica&ccedil;&atilde;o, mesmo n&atilde;o mudando nada no aspecto f&iacute;sico da quest&atilde; o. E exemplifica: o propriet&aacute;rio de uma por&ccedil;&atilde;o de terreno tem direitos limitados sobre o mesmo; eventualmente, nem sequer lhe ser&aacute; permitido levar parte da terra para outro lado (no caso de serem proibidas escava&ccedil;&otilde;es naquele local); em princ&iacute;pio, &eacute;-lhe permitido proibir outras pessoas de l&aacute; entrar, mas nem sempre ser&aacute; o caso: em certos contextos ser-lhe-&atilde;o impostos direitos de passagem; certos usos do terreno ser&atilde;o interditos: por exemplo construir edif&iacute;cios em terreno agr&iacute;cola, ou certas planta&ccedil;&otilde;es em certas &aacute; reas. Esta lista de direitos, tenha base legal ou tradicional, mostrar&aacute;, em qualquer caso, como a propriedade n&atilde;o se explica pela posse f&iacute; sica de uma coisa, mas por uma certa constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es sociais. </p>       <p>Harold Demsetz tamb&eacute;m elaborou sobre este ponto, afirmando que no mundo de robinson Crusoe n&atilde;o h&aacute; direitos de propriedade, que s&atilde;o consentimentos dos outros para agir de certas maneiras e proibi&ccedil;&otilde;es de agir de outras maneiras (Demsetz, 1967: 347). As transac&ccedil;&otilde;es no mercado n&atilde;o s&atilde;o meras transac &ccedil;&otilde;es de coisas f&iacute;sicas ou servi&ccedil;os, mas transac&ccedil;&otilde;es de direitos. Os pre&ccedil;os e as quantidades envolvidas nas trocas n&atilde;o s&atilde;o factos brutos da natureza, na medida em que dependem dos direitos associados &#8211; e os direitos de propriedade s&atilde;o mediadores de rela&ccedil;&otilde;es complexas entre pessoas e coisas. Direitos de propriedade podem permitir a uma pessoa prejudicar ou beneficiar outras &#8211; e uma certa lista de ac&ccedil;&otilde;es permitidas e proibidas como forma de um certo direito de propriedade pode ter um aspecto estranho. Por exemplo, uma pessoa pode ser propriet&aacute;ria de um bem e mesmo assim ser proibida de o vender abaixo de um certo pre&ccedil;o &#8211; e, ao mesmo tempo, ser-lhe permitido disparar contra outra pessoa para evitar uma invas&atilde;o de propriedade. Ao mesmo tempo, o que os direitos de propriedade efectivamente s &atilde;o vai depender largamente da rela&ccedil;&atilde;o entre o mundo institucional e outros aspectos materiais e imateriais do contexto. Por exemplo, numa pequena cidade americana h&aacute; uma intensa protec&ccedil;&atilde;o legal e tradicional de um sem n&uacute;mero de aspectos dos direitos de propriedade, enquanto os direitos de propriedade na Beirute dos anos 1980 estavam quase inteiramente na m&atilde;o de quem se apoderasse deles pela for&ccedil;a (North, 1990: 33-34). </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>6. </b>As observa&ccedil;&otilde;es anteriores, guiadas pelo ponto de vista institucionalista, sugerem que a oposi&ccedil;&atilde;o entre as perspectivas objectivista e relacional acerca do espa&ccedil;o como infra-estrutura da realidade, bem como a oposi&ccedil;&atilde;o entre objectivismo e subjectivismo acerca da ac&ccedil;&atilde;o humana, s&atilde;o oposi&ccedil;&otilde;es cujo dualismo parece insuficiente para compreender o real. Face a estas quest&otilde;es, precisamos de romper quer com a oposi&ccedil;&atilde;o entre ser objectivo e ser relacional, quer com a oposi&ccedil;&atilde;o entre ser sujeito e ser objecto. &Eacute; esse trabalho que faz, precisamente, a teoria actor-rede. </p>       <p>Resultante principalmente da obra de Bruno Latour, a teoria actor-rede (cf., para uma apresenta&ccedil;&atilde;o global, Latour, 2005) &eacute; uma filosofia da materialidade relacional, de um mundo em rede onde a ac &ccedil;&atilde;o colectiva &eacute; ac&ccedil;&atilde;o de todo o tipo de for&ccedil;as e n&atilde;o apenas do que costumamos chamar &#8220;actores&#8221; (como em &#8220;actores sociais&#8221;). Recusando as oposi&ccedil;&otilde;es dualistas entre sociedade e natureza, humano e n&atilde;o humano, conte&uacute;do e contexto, intencional e n&atilde;o intencional, Latour concebe o mundo a ser feito por <i>actantes</i>: nem &#8220;actores&#8221; (porque tamb&eacute;m estamos a falar de &aacute;tomos, comboios, numerais), nem &#8220;objectos&#8221; (porque os objectos tamb&eacute;m t&ecirc;m ag&ecirc;ncia, porque objectos inanimados tamb&eacute;m s&atilde;o respons&aacute;veis pela constru&ccedil;&atilde;o de factos). Cada entidade, humana ou n&atilde;o humana, natural ou artificial, &eacute; uma for&ccedil;a &#8211; e todas as entidades no mundo est&atilde;o ontologicamente no mesmo p&eacute;. Enquanto <i>actantes</i>, todas essas entidades s&atilde;o as suas rela&ccedil;&otilde;es; cada uma refor&ccedil;a outras e resiste a outras, estabelecendo e rompendo rela&ccedil;&otilde;es, construindo alian&ccedil;as, negociando, modificando neste ou naquele sentido a grande rede do mundo material, constantemente deformando e reconstituindo identidades. </p>       <p>Latour insiste em que nada nesta perspectiva &eacute; construtivismo social: n&atilde;o se trata de que a sociedade dos humanos molde o mundo, porque o mundo resiste, a materialidade tem as suas pr&oacute;prias for&ccedil;as. T&atilde;o-pouco se trata de relativismo: n&atilde;o conseguimos fazer tudo o que queremos do mundo (contra Heidegger, o homem n&atilde;o &eacute; sequer o pastor do ser). Nem tudo o que fazemos no mundo &eacute; o que conscientemente quer&iacute;amos fazer. O actor-rede n&atilde;o &eacute; a fonte da ac&ccedil;&atilde;o, mas est&aacute; imerso em ac&ccedil;&atilde;o que o ultrapassa. Qualquer coisa que modifique o estado de coisas, fazendo uma diferen&ccedil;a, &eacute; um <i>actante</i>: mas muita ac&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi intencionada por ningu&eacute;m. &Eacute; preciso mobilizar a materialidade do mundo para nele conseguir fazer alguma coisa. At&eacute; para concretizar um evento simples como organizar uma palestra numa sala com p&uacute;blico, imensas entidades no mundo material t&ecirc;m de ser mobilizadas. A intersubjectividade precisa da interobjectividade: qualquer coisa que se fa&ccedil;a no mundo passa por mobilizar, implicar <i>actantes</i> n&atilde;o humanos. Assim, trabalhar com a distin&ccedil;&atilde;o entre natureza e sociedade &eacute; desinteressante, ou mesmo contraproducente: s&oacute; grandes coliga &ccedil;&otilde;es de &#8220;actores sociais&#8221; e de &#8220;objectos n&atilde;o sociais&#8221; conseguem transportar for&ccedil;as das causas para os efeitos, concatenando longas s&eacute;ries de mediadores capazes de produzir alguma transforma&ccedil;&atilde;o. Por isso a &#8220;ac&ccedil;&atilde;o colectiva &#8221; s&oacute; se produz num mundo comum onde o humano e o intencional n&atilde;o t&ecirc;m a prioridade, antes pelo contr&aacute;rio, s&atilde;o o menos resistente ao permanente embate das for&ccedil;as. E s&oacute; entendendo isso nos habilitamos a compreender a prolifera&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica dos nossos dias, onde os h&iacute;bridos destroem fronteiras, entre a m&aacute;quina e o org&acirc;nico, entre o natural e o artificial, entre o humano e o n &atilde;o humano. </p>       <p>Na teoria actor-rede, tal como apresentada por Latour, as oposi&ccedil;&otilde;es subjectivo/objectivo e objectivo/relacional s &atilde;o desactualizadas pela supress&atilde;o das distin&ccedil;&otilde;es ontol&oacute;gicas entre entidades e for&ccedil;as e entre sujeitos e objectos. As entidades s&oacute; s&atilde;o as for&ccedil;as que exercem e sofrem (e exercer ou sofrer for&ccedil;a &eacute; ser entidade) e os sujeitos s&oacute; s&atilde; o agentes em coliga&ccedil;&atilde;o com os objectos (e os objectos s&atilde;o agentes). Pensando a quest&atilde;o do espa&ccedil;o nesta perspectiva, o espa &ccedil;o &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o subjectiva, nem puramente humana. O espa&ccedil;o &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o cooperativa entre a natureza e os agentes em sociedade. Metafisicamente (quer dizer, sem sermos capazes de conceber um teste emp &iacute;rico para esta hip&oacute;tese) podemos conceber o espa&ccedil;o como o ser da totalidade do que existe em fun&ccedil;&atilde;o do modo de exist&ecirc; ncia dos <i>actantes</i>. Isto implicaria reconhecer que o espa&ccedil;o existe para l&aacute; da ac&ccedil;&atilde;o humana, mas que a ac&ccedil;&atilde;o humana pode modificar o espa&ccedil;o, reconfigur&aacute;-lo. Talvez seja pouco pr&aacute;tico pensar nisso &agrave; escala do universo, essa imensid&atilde;o onde a presen&ccedil;a humana &eacute; vasta-mente irrelevante. </p>       <p>Poder&aacute; o pensamento geogr&aacute;fico acolher um programa de investiga &ccedil;&atilde;o que transforme esta hip&oacute;tese metaf&iacute;sica numa hip&oacute;tese cient&iacute;fica? tratar-se-ia, ent&atilde;o, de compreender se a ac&ccedil;&atilde;o dos humanos a (re)construir institui&ccedil;&otilde;es pode, nesse passo, fazer deles (de n&oacute;s) tamb&eacute;m agentes de reconstru &ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio espa&ccedil;o. H&aacute; espa&ccedil;os mais densamente ocupados por institui&ccedil;&otilde;es e h&aacute; espa&ccedil;os mais vazios de institui&ccedil;&otilde;es: pode a expans&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o, a conquista institucional do espa&ccedil;o, transformar o pr&oacute;prio espa&ccedil;o? Pode o espa&ccedil;o entre institui&ccedil;&otilde;es (o espa&ccedil;o ainda virgem de institui&ccedil;&otilde;es) ser ocupado por institui&ccedil;&otilde;es? e pode isso modificar o pr&oacute;prio espa&ccedil;o, distorcer o espa&ccedil;o, reconfigurar o espa&ccedil;o? </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>BIBLIOGRAFIA</b> </p>       <!-- ref --><p>Agnew, J. A. (2011). Space and place. In J. A. Agnew, &amp; D. N. Livingstone (eds.). <i>The SAGE handbook of geographical knowledge </i>(316-330). Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274046&pid=S0430-5027201500020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Coase, r. H. (1960). The problem of social cost. <i>Journal of Law and Economics</i>, III, 1-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274048&pid=S0430-5027201500020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p> Demsetz, H. (1967). Toward a theory of property rights. T<i>he American Economic Review</i>, 57, 347-359.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274050&pid=S0430-5027201500020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Furubotn, e. G., &amp; Richter, R. (1997). <i>Institutions and Economic Theory. The Contribution of the New Institutional Economics.</i> Ann arbor, University of Michigan Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274052&pid=S0430-5027201500020001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Latour, B. (2005). <i>Reassembling the Social: An Introduction to Actor-Network-Theory.</i> Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274054&pid=S0430-5027201500020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>North, D. C. (1990). <i> Institutions, Institutional Change and Economic Performance.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274056&pid=S0430-5027201500020001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Searle, J. R. (1995). <i>The Construction of Social Reality</i>. New York: The Penguin Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274058&pid=S0430-5027201500020001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Searle, J. R. (2006). Social ontology: some basic principles. <i>Anthropological Theory</i>, 6, 12-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274060&pid=S0430-5027201500020001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>Recebido: Mar&ccedil;o 2015. Aceite: Junho 2015. </p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       <p><sup>&nbsp;</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><a href="#topi"><sup>i</sup></a><a name="i"></a><b>Porf&iacute;rio Silva</b>, fil&oacute;sofo das Ci&ecirc;ncias, &eacute; colaborador do instituto de sistemas e rob&oacute;tica (Instituto Superior T&eacute;cnico) e do Centro de Filosofia das Ci&ecirc;ncias da Universidade de Lisboa, onde desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o sobre as sociedades artificiais e o papel social dos robots.       </div>      ]]></body><back>
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