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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As costureiras, as queens e os seus Mantos. Desterritorialização, cultura material e construção do lugar]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the late twentieth century, during the 1980s and 1990s, the anthropological notion of place was subject to critical revisions. The concepts and methodologies of its very foundations were questioned and new lines of work materialized, reaching far beyond the limits of those more classic concepts of place. These approaches revealed, however, that when we come across logics of deterritorialization, the notion of place may reappear - although changed, due to distinct social, cultural and economical environments. Grounded upon ethnographic fieldwork in the island of Pico (Azores), the text explores some of the innovations that were introduced in the Holy Ghost Festivals (Festas do Espírito Santo) - brought from the United states in the early twentieth century. Its main innovation had to do with the emergence of new characters, the &#8220;queens&#8221;, who were crowned during the ritual, followed by the dressmakers, essential to the making of their costumes and cloaks. Focused on the manufacture of these cloaks, the text aims to show the way in which local material culture is created and transformed within a continuous transcontinental movement of people, rituals, things and techniques. In a transnational framework, the mobility of people can thus become objectified in these locally crafted things, as such deterritorialization itself becomes a part of the making of place]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Lugar]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <div>       <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>       <br>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>As costureiras, as <i>queens</i> e os seus Mantos. Desterritorializa&ccedil;&atilde;o, cultura material e constru&ccedil;&atilde;o do lugar </b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>Dressmakers, queens and their cloaks: deterritorialization, material culture and the construction of place</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>Filomena Silvano<sup>1</sup></b><a href="#i"><sup>i</sup></a><a name="topi"></a></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup>1 </sup></b>Antrop&oacute;loga, Professora da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) e membro do Centro em Rede de Investiga&ccedil;&atilde;o em Antropologia (CRIA). E-mail: <a href="mailto:filomenasilvano@fcsh.unl.pt">filomenasilvano@fcsh.unl.pt</a> &nbsp;</p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>RESUMO</b></p>       <p>Durante as d&eacute;cadas de 1980 e de 1990 a no&ccedil;&atilde;o de lugar na literatura antropol&oacute;gica foi sujeita a uma abordagem cr&iacute;tica que debateu as dimens&otilde;es metodol&oacute;gicas e conceptuais envolvidas na sua constru&ccedil;&atilde;o. No seguimento desse debate, surgiram propostas de trabalho que, de maneiras muito diversas, conseguiram ultrapassar as limita&ccedil;&otilde;es das concep&ccedil;&otilde;es mais cl&aacute;ssicas da figura do lugar. Essas propostas revelaram, no entanto, que, mesmo quando estamos face a uma l&oacute;gica de desterritorializa&ccedil;&atilde;o, a figura do lugar pode reaparecer (embora obviamente transmutada, visto construir-se no interior de outras l&oacute;gicas sociais, culturais e econ&oacute;micas). Partindo de um estudo etnogr&aacute;fico realizado na ilha do Pico, o texto explora algumas das inova&ccedil;&otilde;es, provenientes dos eUa no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, que foram introduzidas nas festas do esp&iacute;rito santo. A principal inova&ccedil;&atilde;o prende-se com a emerg&ecirc;ncia de novos personagens: as rainhas (<i>queens</i>) coroadas durante o ritual, seguidas pelas costureiras indispens&aacute;veis &agrave; confec&ccedil;&atilde;o dos seus vestidos e mantos. Centrado nos processos de feitura dos mantos, o texto pretende mostrar como a cultura material local se constr&oacute;i e se transforma no interior de um movimento transcontinental constante de pessoas, rituais, coisas e t&eacute;cnicas. Num contexto transnacional, a mobilidade das pessoas pode &#8220;objectificar-se&#8221; em coisas que s&atilde;o feitas localmente, participando assim a desterritorializa&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o do lugar. </p>       <p><b>Palavras-chave:</b> Lugar, transnacionalismo, cultura material, festas do esp&iacute;rito santo, ilha do Pico (A&ccedil;ores). </p>       <p><b>&nbsp;</b></p>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>In the late twentieth century, during the 1980s and 1990s, the anthropological notion of <i>place </i>was subject to critical revisions. The concepts and methodologies of its very foundations were questioned and new lines of work materialized, reaching far beyond the limits of those more classic concepts of <i>place</i>. These approaches revealed, however, that when we come across logics of deterritorialization, the notion of place may reappear &#8211; although changed, due to distinct social, cultural and economical environments. Grounded upon ethnographic fieldwork in the island of Pico (Azores), the text explores some of the innovations that were introduced in the Holy Ghost <i>Festivals</i> (<i>Festas</i><i> do Esp&iacute;rito Santo</i>) &#8211; brought from the United states in the early twentieth century. Its main innovation had to do with the emergence of new characters, the &#8220;queens&#8221;, who were crowned during the ritual, followed by the dressmakers, essential to the making of their costumes and cloaks. Focused on the manufacture of these cloaks, the text aims to show the way in which local material culture is created and transformed within a continuous transcontinental movement of people, rituals, things and techniques. In a transnational framework, the mobility of people can thus become <i>objectified</i> in these locally crafted things, as such deterritorialization itself becomes a part of the making of place. </p>       <p><b>Keywords:</b> Place, transnationalism, material culture, Holy Ghost festivals, Island of Pico (Azores). </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>No in&iacute;cio dos anos 1980, altura em que a gera&ccedil;&atilde;o de antrop&oacute;logos da qual fa&ccedil;o parte come&ccedil;ou, em Portugal, a fazer investiga&ccedil;&atilde;o, o espa&ccedil;o existia para n&oacute;s apenas como pano de fundo onde se passavam as coisas que consider&aacute;vamos como assuntos antropol&oacute;gicos. A necessidade de delimitar espacialmente os terrenos de investiga&ccedil;&atilde;o fazia com que a ideia de lugar se impusesse, sem que no entanto sent&iacute;ssemos necessidade de a trabalhar e, ainda menos, de a desmontar. Foi o confronto com o mundo real &#8211; onde o in&iacute;cio da globaliza&ccedil;&atilde;o se manifestava sob a forma de mobilidades de v&aacute;rios tipos &#8211; e o aparecimento de uma literatura cr&iacute;tica a que se convencionou chamar antropologia p&oacute;s-moderna (de origem americana), que nos foram conduzindo, nas d&eacute;cadas seguintes, pelos caminhos da desmontagem da no&ccedil;&atilde;o de lugar. essa abordagem cr&iacute;tica fez-se, no entanto, sem que o espa&ccedil;o existisse como um objecto de estudo antropol&oacute;gico aut&oacute;nomo. </p>       <p>O que estava em causa eram sobretudo os modos de fazer antropologia. Nessa altura partia-se do pressuposto de que existia uma correspond&ecirc;ncia entre cultura e lugar e question&aacute;-los implicava pensar tamb&eacute;m a quest&atilde;o espacial: um &#8220;terreno&#8221; era percepcionado como um espa&ccedil;o delimitado onde vivia uma popula&ccedil;&atilde;o cuja cultura o antrop&oacute;logo estudava (era a esse espa&ccedil;o que correspondia a no&ccedil;&atilde;o de lugar &#8722; na formula&ccedil;&atilde;o de Marc aug&eacute; em 1992 de &#8220;lugar antropol&oacute;gico&#8221;). Como a correspond&ecirc;ncia entre cultura e lugar estava, de forma muito evidente, a deixar de dar conta do real, tornava-se necess&aacute;rio encontrar formas de estudar a cultura, permitindo que a libertassem das amarras da localiza&ccedil;&atilde;o. Nesse contexto de reformula&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica da disciplina, a no&ccedil;&atilde;o de lugar foi posta em causa, tendo as propostas de deslocaliza&ccedil;&atilde;o da etnografia &#8211; que estavam inseridas numa reformula&ccedil;&atilde;o mais vasta que envolvia tamb&eacute;m quest&otilde;es de ordem conceptual &#8722; conduzido a uma reflec&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre o estatuto do espa&ccedil;o na antropologia. </p>       <p>O in&iacute;cio da constru&ccedil;&atilde;o, no interior da antropologia, de um campo dedicado ao estudo do espa&ccedil;o (autonomizando-o enquanto objecto de trabalho) deveu-se &agrave; academia francesa (que se mantinha ent&atilde;o alheia &agrave;s discuss&otilde;es que tinham lugar em l&iacute;ngua inglesa), onde um contexto intelectual transdisciplinar interligou, a partir dos anos 1970, o trabalho de alguns arquitectos, urbanistas, soci&oacute;logos e antrop&oacute;logos interessados em refazer as suas pr&oacute;prias disciplinas. A obra <i>Anthropologie</i><i> de l&#8217;Espace</i>, publicada em 1983 por fran&ccedil;oise Paul L&eacute;vy e Marion segaud, deu visibilidade a um novo campo disciplinar que, a partir da&iacute;, se foi afirmando, sobretudo nas academias do sul da europa. Duas d&eacute;cadas depois, nos eUa, mais uma vez num contexto de trabalho transdisciplinar, setha Low e Lawrence-Z&uacute;&ntilde;iga (2003) publicaram uma segunda obra, denominada <i>The</i><i> Anthropology of space and place, locating culture</i>, que veio dar visibilidade ao mesmo campo disciplinar, inserindo-o desta vez no contexto acad&eacute;mico anglo-sax&oacute;nico onde se iniciaram as discuss&otilde;es relativas &agrave; deslocaliza&ccedil;&atilde;o da etnografia<a href="#ii"><sup>ii</sup></a><a name="topii"></a>. </p>       <p>O facto, sempre reconhecido pela antropologia, de todas as pr&aacute;ticas culturais serem localizadas no espa&ccedil;o, passou a dar exist&ecirc;ncia a um campo de estudo que prop&otilde;e colocar o pr&oacute;prio espa&ccedil;o no centro dos seus interesses. Paradoxalmente &#8722; ou n&atilde;o! &#8211; o novo campo de estudo construiu-se em articula&ccedil;&atilde;o com a desmontagem cr&iacute;tica da premissa que o legitimou, que afirma que o espa&ccedil;o tem um papel essencial na constru&ccedil;&atilde;o das identidades culturais. Na realidade, a associa&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o e identidade manteve-se, mas viu-se obrigada a uma reformula&ccedil;&atilde;o que acompanhasse, por um lado as transforma&ccedil;&otilde;es do mundo, e, por outro, as da pr&oacute;pria disciplina e do seu patrim&oacute;nio metodol&oacute;gico e conceptual (as no&ccedil;&otilde;es de cultura e de identidade sofreram, tal como a de lugar, uma revis&atilde;o cr&iacute;tica que as afastou das formula&ccedil;&otilde;es mais delimitativas). De entre as muitas propostas de trabalho que tentaram contribuir para essa reformula&ccedil;&atilde;o, h&aacute; uma que, a meu ver, se destaca, tendo-se revelado &uacute;til para o trabalho posterior de outros investigadores: para a formular, Appadurai (1997) prop&ocirc;s o neologismo <i>ethnoscape</i>. </p>       <p>Appadurai participou, durante uma d&eacute;cada, nas discuss&otilde;es relativas &agrave; associa&ccedil;&atilde;o entre cultura e lugar (Appadurai, 1988a, 1988b; Gupta e ferguson, 1992, 1997a, 1997b; Marcus, 1995a, 1995b, 1997; Clifford, 1997). Em 1997, quando a discuss&atilde;o epistemol&oacute;gica come&ccedil;ou a traduzir-se em novas pr&aacute;ticas etnogr&aacute;ficas, avan&ccedil;ou com a no&ccedil;&atilde;o de <i>ethnoscape</i><i> </i>para pensar algumas das novas formas de exist&ecirc;ncia dos homens no espa&ccedil;o (aeroportos, meios de transporte, campos de refugiados, bairros de emigrantes...). A sua formula&ccedil;&atilde;o pretendeu responder a quest&otilde;es que se colocavam em dois campos diferenciados. O primeiro, a que podemos chamar epistemol&oacute;gico, dizia respeito &agrave; quest&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o antropol&oacute;gica da cultura e do social. A desmontagem da ideia de nativo, associada &agrave; de lugar, levou Appadurai (tal como outros autores) a apelar para uma <i>desterritorializa&ccedil;&atilde;o</i> da observa&ccedil;&atilde;o e do olhar. O segundo dizia respeito &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es que afectam as sociedades, os territ&oacute;rios e as formas de reprodu&ccedil;&atilde;o cultural dos grupos identit&aacute;rios no mundo contempor&acirc;neo. Dito de outro modo, &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es reais com que a etnografia se confrontava. Estas reclamavam uma aproxima&ccedil;&atilde;o a vis&otilde;es mais flex&iacute;veis do espa&ccedil;o do que a ideia de lugar, vis&otilde;es mais pr&oacute;ximas da ideia de fronteira, que passa a ser pensada n&atilde;o apenas como uma linha que separa espa&ccedil;os est&aacute;veis, mas como um espa&ccedil;o interm&eacute;dio, deslizante, poroso. </p>       <p><i>Uma s&oacute; verdade diz respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o, estabilidade e reprodu&ccedil;&atilde;o cultural. H&aacute; uma necessidade urgente de focalizar as din&acirc;micas culturais naquilo a que hoje se chama desterritorializa&ccedil;&atilde;o </i>(Appadurai, 1997 <i>in</i> Silvano, 2012).</p>       <p>A proposta de trabalho de Appadurai implicou ainda uma aproxima&ccedil;&atilde;o aos denominados &#8220;estudos culturais&#8221; que, segundo ele, se justifica pelo facto de a imagina&ccedil;&atilde;o ter adquirido um novo e singular poder na vida social. </p>       <p><i>Os termos da negocia&ccedil;&atilde;o entre vidas imaginadas e mundos desterritorializados s&atilde;o complexos e n&atilde;o podem seguramente ser capturados apenas pelas estrat&eacute;gias localizadas da etnografia tradicional. O que um novo tipo de etnografia pode fazer &eacute; capturar o impacto da desterritorializa&ccedil;&atilde;o nos recursos imaginativos das experi&ecirc;ncias vividas localmente </i>(<i>Idem</i>: 52)<i>. </i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos &uacute;ltimos anos os antrop&oacute;logos t&ecirc;m tentado ensaiar formas concretas de responder aos desafios epistemol&oacute;gicos formulados durante as d&eacute;cadas de 1980 e de 1990. No meu caso particular, tentei, num primeiro momento<a href="#iii"><sup>iii</sup></a><a name="topiii"></a>, desterritorializar a etnografia acompanhando emigrantes portugueses nos percursos anuais entre as suas v&aacute;rias casas situadas em fran&ccedil;a e em Portugal (silvano, 1997, 2002, 2011). Com essa experi&ecirc;ncia percebi que as v&aacute;rias casas em que as pessoas vivem se interpenetram, n&atilde;o s&oacute; porque s&atilde;o habitadas pelas mesmas pessoas, mas tamb&eacute;m porque h&aacute; objectos que circulam entre elas: as coisas transportam mem&oacute;rias de outros lugares, permitindo que os espa&ccedil;os ausentes se tornem noutros lugares, presentes. A porosidade e o deslize das <i>ethnoscape</i> de Appadurai manifestam-se muitas vezes atrav&eacute;s de materialidades deslocadas (as figuras dos santos padroeiros transmontanos protegem as casas de Paris, tal como os utens&iacute;lios dom&eacute;sticos parisienses asseguram, em tr&aacute;s-os-Montes, a manuten&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas alimentares parisienses). Essa constata&ccedil;&atilde;o aproximou-me dos estudos de cultura material e levou-me a associar as interroga&ccedil;&otilde;es relativas ao espa&ccedil;o &agrave;quelas que se referem aos objectos. Nesse sentido tentei, num segundo momento, atrav&eacute;s de uma etnografia desta vez localizada, perceber como &eacute; que a cultura material local se constr&oacute;i e se transforma no interior de um movimento transnacional constante de pessoas, rituais, coisas e t&eacute;cnicas<a href="#iv"><sup>iv</sup></a><a name="topiv"></a>. Dela farei aqui uma pequena apresenta&ccedil;&atilde;o, tentando demonstrar que a mobilidade das pessoas (mais concretamente a emigra&ccedil;&atilde;o transcontinental) se pode &#8220;objectificar&#8221; (Miller, 1987) em coisas que s&atilde;o feitas localmente, participando assim a desterritorializa&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o do lugar. Como defendem v&aacute;rios autores (Olwig, 1997; Mapril, 2011; silvano e tamaso, 2012), a figura do lugar, uma vez pensada no interior de uma l&oacute;gica transnacional, acaba por reaparecer (embora obviamente transmutada, visto construir-se no interior de outras l&oacute;gicas sociais, culturais e econ&oacute;micas). </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>I. CULTURA MATERIAL E CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DO LUGAR </b></p>       <p>As festas do Divino esp&iacute;rito santo t&ecirc;m uma grande import&acirc;ncia na vida social e cultural do arquip&eacute;lago dos A&ccedil;ores, onde est&atilde;o presentes, segundo documenta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, desde o s&eacute;culo XVi. Ao longo do s&eacute;culo XX foram tamb&eacute;m organizadas por comunidades de emigrantes a&ccedil;orianos em v&aacute;rios lugares do continente americano (nos estados Unidos da am&eacute;rica e no Canad&aacute;). Num movimento transnacional cont&iacute;nuo as festas foram-se transformando e hoje as componentes do ritual n&atilde;o s&atilde;o as mesmas em todas as ilhas do arquip&eacute;lago. No caso da ilha do Pico &#8211; onde localizei a minha etnografia &#8722; inova&ccedil;&otilde;es provenientes dos estados Unidos no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX foram integradas nalgumas festas, tornando-se entretanto factores de diferencia&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria significativos. </p>       <p>Se observarmos o conjunto do ritual, as festas &#8722; que consistem numa s&eacute;rie de cerim&oacute;nias em honra do esp&iacute;rito santo (a&iacute; representado por coroas de prata) &#8722; t&ecirc;m, no Pico e noutras ilhas dos A&ccedil;ores, uma organiza&ccedil;&atilde;o semelhante. Em cada festa h&aacute; um protagonista central, o &#8220;mordomo&#8221;, que deve pertencer a uma &#8220;irmandade&#8221; (institui&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave; sua organiza&ccedil;&atilde;o). O ritual inclui uma s&eacute;rie de celebra&ccedil;&otilde;es religiosas (prociss&otilde;es, rezas, missas), sendo a coroa&ccedil;&atilde;o do mordomo, durante uma missa, o momento mais importante. realizam-se tamb&eacute;m grandes refei&ccedil;&otilde;es e s&atilde;o distribu&iacute;dos alimentos (p&atilde;o, p&atilde;o doce, carne) a um n&uacute;mero significativo de pessoas. A principal inova&ccedil;&atilde;o, introduzida por emigrantes vindos dos eUa nalguns lugares da ilha do Pico, consistiu na coroa&ccedil;&atilde;o de jovens raparigas &#8211; as &#8220;rainhas&#8221; ou <i>queens</i><i> </i>&#8211; que se tornaram assim nos personagens centrais de todo o ritual. A introdu&ccedil;&atilde;o das rainhas deslocou o foco do ritual dos homens para as jovens raparigas. Estes novos personagens foram secundados pelas costureiras, necess&aacute;rias para a confec&ccedil;&atilde;o dos seus trajes <a href="#f1">fig. 1</a>. </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a13f1.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>Emily Cabral, a primeira Rainha (<i>queen</i>) que participou, em 1935, numa festa ocorrida nos A&ccedil;ores, era filha de um emigrante que havia feito fortuna em san Diego, nos eUa. A sua fam&iacute;lia introduziu assim, no lugar de santa Cruz<a href="#v"><sup>v</sup></a><a name="topv"></a>, uma inova&ccedil;&atilde;o cultural que a comunidade local rapidamente adoptou e que a&iacute; se reproduziu at&eacute; aos nossos dias. Uma fotografia exposta no sal&atilde;o da irmandade da segunda-feira (uma das duas institui&ccedil;&otilde;es locais que organiza as festas), mostra emily Cabral trajada com um vestido comprido e um longo manto debruado a arminho, em que sobressai uma gola que sobe por detr&aacute;s do pesco&ccedil;o. Esse primeiro traje, trazido dos eUa para reproduzir uma pr&aacute;tica ritual a&iacute; inventada por emigrantes a&ccedil;orianos na primeira metade do s&eacute;culo XX, foi </p>       <p>O ponto de partida para um duplo processo de inova&ccedil;&atilde;o e de fixa&ccedil;&atilde;o da cultura material local. Ao longo do s&eacute;culo XX os tr&acirc;nsitos entre a am&eacute;rica e os A&ccedil;ores foram constantes; as pessoas, as roupas e os materiais fizeram viagens e foi no interior desse movimento que a cultura material associada &agrave;s festas se reproduziu e se transformou &#8211; tanto nos A&ccedil;ores, como no Continente americano<a href="#vi"><sup>vi</sup></a><a name="topvi"></a>. Depois da sua introdu&ccedil;&atilde;o em 1935, a personagem das rainhas tornou-se num dos tra&ccedil;os distintivos do ritual das festas da freguesia&nbsp;das ribeiras. Os mantos do Pico s&atilde;o, nesse sentido, pe&ccedil;as de cultura material que &#8220;objectificam&#8221; (Miller, 1987) localmente o transnacionalismo que marca a vida da comunidade. </p>       <p>As duas pe&ccedil;as centrais daquilo a que podemos chamar o &#8220;traje das rainhas&#8221; &#8722; o vestido e o manto &#8211; reproduzem ainda hoje duas das caracter&iacute;sticas dos primeiros exemplares vindos dos eUa: os vestidos s&atilde;o quase sempre brancos e o manto, a pe&ccedil;a principal, tem uma gola que sobe por tr&aacute;s do pesco&ccedil;o (localmente chamada &#8220;cabe&ccedil;&atilde;o&#8221;). &Eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o dessas duas caracter&iacute;sticas que sustenta a ideia da exist&ecirc;ncia de um &#8220;traje das rainhas&#8221;<a href="#vii"><sup>vii</sup></a><a name="topvii"></a>, pois apesar da diversidade h&aacute; uma recorr&ecirc;ncia, que permite identificar um &#8220;traje ritual&#8221;. Mas a presen&ccedil;a dessas duas caracter&iacute;sticas n&atilde;o quer dizer que tenha havido uma simples l&oacute;gica de reprodu&ccedil;&atilde;o de um artefacto (no sentido de um conjunto est&aacute;vel que integra um saber fazer, materiais e uma forma<a href="#viii"><sup>viii</sup></a><a name="topviii"></a>). Provavelmente, porque em santa Cruz n&atilde;o havia nem os saberes artesanais nem os materiais que poderiam ter dado exist&ecirc;ncia ao artefacto inventado nos eUa (pressupondo que nos eUa pud&eacute;ssemos falar de reprodu&ccedil;&atilde;o de um artefacto, coisa da qual n&atilde;o estou certa). Consequentemente, as coisas fizeram-se sobretudo com os meios existentes no local. O <i>modus operandi </i>do &#8220;bricoleur&#8221;, bem identificado por L&eacute;vi-strauss em 1962, &eacute; por isso um bom ponto de partida para a leitura dos nossos dados etnogr&aacute;ficos<a href="#ix"><sup>ix</sup></a><a name="topix"></a>. Podemos ainda acrescentar-lhe a proposta de tim Ingold que, no que diz respeito &agrave; tentativa de ultrapassar o dualismo pessoa/materialidade, valoriza o papel da rela&ccedil;&atilde;o do homem com a mat&eacute;ria e o meio envolvente, em detrimento do papel dos supostos modelos intelectuais de partida. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>(&#8230;) Les formes que les hommes construisent, dans leur imagination ou dans la r&eacute;alit&eacute;, surgissent au cours m&ecirc;me de leurs activit&eacute;s, dans les contextes relationnels sp&eacute;cifiques de leur engagement pratique avec leurs environnements. La construction, d&egrave;s lors, ne peut &ecirc;tre comprise comme un simple processus transcrivant le mod&egrave;le pr&eacute;existant d&#8217;un produit final &agrave; un substrat mat&eacute;riel brut. </i>(Ingold, 2013: 173<i>) </i></p>       <p>Quando emily Cabral apareceu, vestida como uma rainha para inaugurar uma nova pr&aacute;tica religiosa, ningu&eacute;m na ilha tinha visto traje semelhante. Dois anos mais tarde, D.&nbsp;Berta, uma senhora que festejou os seus noventa anos nas festas de 2012, foi tamb&eacute;m coroada vestida com um manto de cetim azul debruado a arminho branco, bordado com pedrarias e ornamentado com uma gola levantada atr&aacute;s do pesco&ccedil;o. Do modelo de emily Cabral, D. Berta guardou o debrum de arminho e a gola levantada. Esta, que como referi se tornou num dos elementos obrigat&oacute;rios do traje, &eacute;, desde o seu aparecimento, a pe&ccedil;a que mais p&ocirc;s &agrave; prova as capacidades das costureiras do Pico e das suas auxiliares (<a href="#f2">fig. 2</a>). Interrogar um pouco o seu percurso ensina-nos coisas significativas sobre as maneiras de fazer localmente um objecto cuja origem se encontra no exterior. </p>       <p>&nbsp;</p>   <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/fin/n100/n100a13f2.jpg">       
<p>&nbsp;</p>       <p>N&atilde;o conhe&ccedil;o as solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas encontradas para dar, na am&eacute;rica, uma exist&ecirc;ncia material aos mantos, mas sei que quando as costureiras do Pico quiseram reproduzir os cabe&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tinham nem o saber fazer artesanal nem os materiais apropriados. Uma costureira que fez mantos na primeira metade do s&eacute;culo XX tinha trabalhado com um alfaiate e tinha por isso conhecimentos t&eacute;cnicos relativos &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de entre-telas. A mem&oacute;ria oral refere essa mulher como sendo aquela que encontrou uma primeira solu&ccedil;&atilde;o para fazer o cabe&ccedil;&atilde;o: utilizou como entretela as telas das velas dos barcos e montou a gola com esticadores de cortinas. Como um <i>bricoleur</i>, fez a sua gola com os materiais dispon&iacute;veis no lugar. Desde a&iacute;, cada costureira imagina o seu cabe&ccedil;&atilde;o e, partindo das solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas encontradas pela primeira costureira, encontra formas de o &#8220;fazer existir&#8221; (Latour, 2010). Cabe ainda dizer que a feitura dos mantos insere-se num contexto de &#8220;trabalho&#8221; excepcional: na maioria dos casos, os mantos e os vestidos s&atilde;o fabricados, sob a orienta&ccedil;&atilde;o das costureiras, por pessoas que n&atilde;o s&atilde;o da profiss&atilde;o e que pertencem &agrave; fam&iacute;lia da rainha ou ao seu c&iacute;rculo de rela&ccedil;&otilde;es. M&atilde;es, av&oacute;s, e mesmo os pais, s&atilde;o convocados sempre que necess&aacute;rio: um dos mantos mais emblem&aacute;ticos do lugar de santa Cruz tem um cabe&ccedil;&atilde;o cujo interior, de metal, foi feito pelo pai da rainha que &eacute; bate-chapas de profiss&atilde;o. </p>       <p>Durante quase um s&eacute;culo houve fluxos cont&iacute;nuos de pessoas, t&eacute;cnicas e materiais que acompanharam a feitura dos trajes. Nesses fluxos houve materiais que vieram dos eUa e que foram utilizados para fazer os cabe&ccedil;&otilde;es &#8211; por exemplo entretelas e estica-dores &#8211; mas trata-se de uma pe&ccedil;a que, na maioria dos casos, foi feita com materiais locais. Essa empatia com a mat&eacute;ria (Kuchler e Were, 2009) tem a particularidade de ser constru&iacute;da no interior de uma empatia do gesto: as costureiras manipularam as telas, em conjunto com os pescadores, como manipularam o metal, em conjunto com bate-chapas. Como inglod (2013) prop&otilde;e, a cultura &eacute; tamb&eacute;m essa co-presen&ccedil;a dos corpos que, na partilha do gesto, aprendem e inventam t&eacute;cnicas e coisas. A forma de certos objectos deve ser situada no interior de processos de media&ccedil;&atilde;o que se desenvolvem em circunst&acirc;ncias interculturais e interpessoais complexas (Myers, 2004)<a href="#x"><sup>x</sup></a><a name="topx"></a>. Os mantos do Pico s&atilde;o um desses casos, implicando as circunst&acirc;ncias, de formas diversas, dois continentes. </p>       <p>Podemos perguntar-nos se, como resultado dessas circunst&acirc;ncias interculturais e interpessoais complexas, surgiu no Pico um estilo de mantos das rainhas das festas do esp&iacute;rito santo. Se tomarmos por refer&ecirc;ncia a defini&ccedil;&atilde;o de Layton (1991), segundo a qual um estilo se refere &agrave;s qualidades formais de uma obra e se traduz na presen&ccedil;a de certos temas e na regularidade de formas usadas para os representar e para os organizar num conjunto, penso que podemos falar de um estilo: sobre a forma fixa do manto &#8211; um longo rect&acirc;ngulo com uma gola &#8211; organizam-se, ao longo das bordas, motivos decorativos, e, no meio ou nos &acirc;ngulos, s&atilde;o colocadas imagens da iconografia do esp&iacute;rito santo (pombas, coroas, &nbsp;os sete Dons). Mas &eacute; necess&aacute;rio conceber o estilo mais como algo que enquadra a ac&ccedil;&atilde;o (e que portanto permite a introdu&ccedil;&atilde;o de varia&ccedil;&otilde;es, como refere Gell (1998)) do que como uma prescri&ccedil;&atilde;o de um modelo. Face a uma inova&ccedil;&atilde;o vinda do exterior as costureiras do Pico souberam inventar um estilo e, nesse sentido, contribu&iacute;ram para a fixa&ccedil;&atilde;o de uma componente da cultura material da ilha. Hoje, tanto as novas componentes do ritual, como as novas componentes da cultura material a elas associadas, integram as caracter&iacute;sticas distintivas da identidade local da ilha do Pico. O Museu dos Baleeiros organizou uma primeira exposi&ccedil;&atilde;o de mantos em homenagem a Maria de Lurdes Costa, a costureira mais talentosa da ilha, e a partir desse acontecimento o valor simb&oacute;lico dos mantos expostos &#8211; que j&aacute; era muito significativo &#8211; viu ser-lhe acrescentada uma nova componente patrimonial. &Eacute; expect&aacute;vel que num contexto futuro de <i>turistifica&ccedil;&atilde;o</i><i> </i>os mantos do Pico &#8211; cuja hist&oacute;ria est&aacute;, desde a sua origem, ancorada na mobilidade transcontinental da sua popula&ccedil;&atilde;o &#8211; se venham a tornar numa componente do patrim&oacute;nio local que ser&aacute; mostrada a visitantes &agrave; procura de uma qualquer &#8220;autenticidade&#8221; perdida numa ilha no meio do Oceano. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>BIBLIOGRAFIA </b></p>       <!-- ref --><p>Appadurai, A. (1997). <i>Modernity at large</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274160&pid=S0430-5027201500020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Appadurai, A. (1988). Introduction: Place and voice in anthropological theory. <i>Cultural Anthropology,</i> 3, 16-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274162&pid=S0430-5027201500020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Appadurai, A (1988b). Putting Hierarchy in its Place. <i>Cultural Anthropology,</i> 3, 36-49 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274164&pid=S0430-5027201500020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Aug&eacute;, M. (1992). <i>Non-Lieux&nbsp;: introduction &agrave; une anthropologie de la surmodernit&eacute;</i>. Paris: seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274165&pid=S0430-5027201500020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Low, S. M. &amp; Lawrence-Z&uacute;&ntilde;iga, D. (2003). <i>The Anthropology of space and place, locating culture</i>. Malden/Oxford/Carlton/Berlin: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274167&pid=S0430-5027201500020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Marcus, G. (1989). Imagining the whole: ethnography&#8217;s contemporary efforts to situate itself. <i>Critique of Anthropology, </i>9 (3), 7-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274169&pid=S0430-5027201500020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Paul-L&eacute;vy, F. &amp; Fegaud, M. (1983). <i>Anthropologie de l&#8217;espace</i>. Paris: Centre Georges Pompidou/CCi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274171&pid=S0430-5027201500020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Rodman, M. (1992). Empowering Place: Multilocality and Multivocality. <i>American Anthropologist, </i>94 (3), 640-656.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274173&pid=S0430-5027201500020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Clifford, J. (1997). <i>Routes, travel and translation in the late twentieth century</i>. Cambridge-Massachusetts-London: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274175&pid=S0430-5027201500020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Gell, A. (1998). <i>Art and Agency &#8211; an anthropological theory</i>. Oxford: Clarendon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274177&pid=S0430-5027201500020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Gupta, A. &amp; Ferguson, J. (1997a). Discipline and practice: &#8220;The field&#8221; as site, method, and location in anthropology. In a. Gupta &amp; J. Ferguson (org.), <i>Anthropological Locations &#8211; boundaries and grounds of a field science </i>(pp. 1-46). Berkeley, Los Angeles, London: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274179&pid=S0430-5027201500020001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gupta, A. &amp; Ferguson, J. (1997b). Culture, power, place: ethnography at the end of an era. In A. Gupta &amp; </p>       <p>J. Ferguson (org.). <i>Culture, Power and Place. Explorations in Critical Anthropology </i>(pp. 1-29). Duke: Duke University Press. </p>       <!-- ref --><p>Gupta, A. &amp; Ferguson, J. (1992). Beyond &#8220;Culture&#8221;: space, identity, and the Politics of Difference. <i>Cultural Anthropology, </i>7, 6-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274183&pid=S0430-5027201500020001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Hansen, K. T. (2004). The world in dress: anthropological perspectives on clothing, fashion, and culture. <i>Annual Review of Anthropology</i>, 33, 369-392.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274185&pid=S0430-5027201500020001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Ingold, T. (2013). <i>Marcher avec les dragons</i>.&nbsp; Zones Bruxelles: sensibles.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274187&pid=S0430-5027201500020001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Kuchler, S. &amp; Were, G. (2009). Empathie avec la mati&egrave;re - Comment repenser la nature de l&#8217;action technique. <i>Techniques &amp; Culture,</i> 52-53, 190-211.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274189&pid=S0430-5027201500020001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Latour, B. (2010). Prendre le plides techniques. <i>R&eacute;seaux</i>, 163, 15-31 Layton,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274190&pid=S0430-5027201500020001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> R. (1991). <i>A Antropologia da arte</i>. Lisboa: edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274191&pid=S0430-5027201500020001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Leal, J. (2014). <i>From California to the Azores.</i><i> Come Back Travels of the Holy Ghost</i>: <i>Seminar &#8220;Ritual, Ethnicity, Transnationalism, Holy Ghost Festivals in North America&#8221;</i>. Lisboa: Cria (UnL).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274193&pid=S0430-5027201500020001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Leal, J. (2011). <i>Azorean Identity in Brazil and the United States: Arguments about History, Culture and Transnational Connections</i>. Dartmouth Ma: Center for Portuguese studies and Culture. Dartmouth: University of Massachusetts.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274195&pid=S0430-5027201500020001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>L&eacute;vi-Strauss, C. (1962). <i>La Pens&eacute;e sauvage</i>. Paris: Plon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274197&pid=S0430-5027201500020001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Mapril, J. (2011). <i>Isl&atilde;o e transnacionalism &#8211; uma etnografia entre Portugal e o Bangladeche</i>. Lisboa: imprensa de Ci&ecirc;ncias sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274199&pid=S0430-5027201500020001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Marcus, G. (1997). Some strategies for the design of contemporary fieldwork projects: advice to new students. <i>Ethnologia</i>, 6-8, 55-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274201&pid=S0430-5027201500020001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Miller, D. (1987).<i> Material culture and mass consumption.</i> Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274203&pid=S0430-5027201500020001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Myers, f. (2004). Social agency and the cultural value(s) of the art object. <i>Journal of Material Culture,</i> 9 (2), 205-213.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274205&pid=S0430-5027201500020001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Olwig, K. (1997). Cultural sites: sustaining a home in a deterritorialized word. In O. Karen &amp; H. Kristen (eds.), <i>Siting Culture: The shifting Anthropological object </i>(pp. 17-39). Londres: routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274207&pid=S0430-5027201500020001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Silvano, F. (1997). Vidas em tr&acirc;nsito. <i>Ethnologia</i>, 6-8, 163-174.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274209&pid=S0430-5027201500020001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Silvano, F. (2002). Jos&eacute; e Jacinta nem sempre vivem nos mesmos lugares: reflex&otilde;es em torno de uma experi&ecirc;ncia de etnografia multi-situada. <i>Ethnologia</i><i>, </i>12-14, 53-79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274211&pid=S0430-5027201500020001300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Silvano, F, (2011). <i>De casa em casa: sobre um encontro entre etnografia e cinema</i>. Caldas da rainha: Palavr&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274213&pid=S0430-5027201500020001300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Silvano, F. (2012). <i>Antropologia do espa&ccedil;o</i>. Lisboa: ass&iacute;rio &amp; alvim.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274215&pid=S0430-5027201500020001300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Silvano, F. (2014). <i>Les petites reines et leurs couturi&egrave;res Hansen, tes reines et do por Jo Ottawa.tlantiques des objets et du savoir-faire,ram secundados faite sens l&#8217; Pico a Sdo por Jo: entre l&#8217;Am&eacute;rique et les A&ccedil;ores, les parcours transatlantiques des objets et du savoir-faire&nbsp;: Colloque international de l&#8217;ACSALF. </i>Ottawa: Universit&eacute; d&#8217;Ottawa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274217&pid=S0430-5027201500020001300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       <!-- ref --><p>Silvano, F. &amp; Tamaso, T. (2013). Dossier &#8220;antropologia do Lugar&#8221;. <i>Sociedade e Cultura</i>, 16( 1), Goi&aacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=274219&pid=S0430-5027201500020001300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>Recebido: Fevereiro 2015. Aceite: Maio 2015.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>NOTAS</b></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><a href="#topi"><sup>i</sup></a><a name="i"></a><b>Filomena Silvano</b> &eacute; antrop&oacute;loga, Professora da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) e membro do Centro em Rede de Investiga&ccedil;&atilde;o em Antropologia (CRIA). No seu trabalho relaciona as quest&otilde;es das identidades colectivas e individuais com o estudo do espa&ccedil;o, do habitat, da cultura material e da cultura expressiva. &Eacute; autora dos livros &#8220;territ&oacute;rios da identidade&#8221;, &#8220;antropologia do espa&ccedil;o&#8221; e &#8220;De casa em casa: sobre um encontro entre etnografia e cinema&#8221;.</p>       <p><a href="#topii"><sup>ii</sup></a><a name="ii"></a>Para uma abordagem mais completa deste percurso, ver silvano (2012). </p>       <p><a href="#topiii"><sup>iii</sup></a><a name="iii"></a>Refiro-me ao acompanhamento das filmagens dos document&aacute;rios de Jo&atilde;o Pedro rodrigues &#8220;esta &eacute; a minha casa&#8221; e &#8220;Viagem &agrave; expo&#8221; (em 1997 e 1998 respectivamente). Ambos os filmes foram editados com o ensaio &#8220;De casa em casa: sobre um encontro entre etnografia e cinema&#8221; (Silvano, 2011). </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topiv"><sup>iv</sup></a><a name="iv"></a>Refiro-me &agrave; minha participa&ccedil;&atilde;o no projecto &#8220;ritual, ethnicity and transnationalism: Holy Ghost festivals in north america (PTDC/CS-ANT/100037/2008)&#8221;, coordenado por Jo&atilde;o Leal. A etnografia mencionada realizou-se na ilha do Pico (freguesia das ribeiras) e centrou-se na observa&ccedil;&atilde;o, durante as festas do esp&iacute;rito santo do ano de 2012, do trabalho das costureiras respons&aacute;veis pela feitura dos trajes das &#8220;rainhas&#8221;, personagens centrais das referidas festas. Foi realizada na companhia de Jo&atilde;o Leal, que generosamente me transmitiu a informa&ccedil;&atilde;o mais geral sobre as festas necess&aacute;ria &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o do meu argumento (Leal, 2011, 2014). </p>       <p><a href="#topv"><sup>v</sup></a><a name="v"></a>santa Cruz pertence &agrave; freguesia de ribeiras e ao concelho das Lajes do Pico. </p>       <p><a href="#topvi"><sup>vi</sup></a><a name="vi"></a> sobre o contexto transnacional mais geral &#8722; onde se integram a freguesia das ribeiras e san Diego &#8722; ver Leal (2014). Para uma vers&atilde;o mais completa do meu argumento ver silvano (2014). </p>       <p><a href="#topvii"><sup>vii</sup></a><a name="vii"></a>Utilizo a palavra traje no sentido que d&aacute; Hansen (2004: 371) &agrave; palavra inglesa &#8220;costume&#8221; (por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s palavras &#8220;dress&#8221; e &#8220;clothes&#8221;): <i>(...) costume used in dress scholarship for ensembles coordinated for masquerades, theatrical parts, dress from distinct historical periods, and native, indigenous clothing styles. </i></p>       <p><a href="#topviii"><sup>viii</sup></a><a name="viii"></a>&#8220;L&#8217; artefact est donc la cristallisation d&#8217;une activit&eacute; &agrave; l&#8217;int&eacute;rieur d&#8217;un champ relationnel, et les r&eacute;gularit&eacute;s de ses formes correspondent aux r&eacute;gularit&eacute;s du mouvement qui le fa&ccedil;onne&#8221; (Ingold, 2013: 215). </p>       <p><a href="#topix"><sup>ix</sup></a><a name="ix"></a>&#8220;son univers instrumental est clos, et la r&egrave;gle de son jeu est de toujours s&#8217;arranger avec les &laquo;&nbsp;moyens du bord&nbsp;&raquo;, c&#8217;est-&agrave;-dire un ensemble &agrave; chaque instant fini d&#8217;outils et de mat&eacute;riaux, h&eacute;t&eacute;roclites au surplus, parce que la composition de l&#8217;ensemble n&#8217;est pas en rapport avec le projet du moment (&#8230;)&#8221; (L&eacute;vi-stauss, 1962: 27). </p>       <p><a href="#topx"><sup>x</sup></a><a name="x"></a>&#8220;Here, the form of objects is addressed analytically not simply as an expression of a universal or even culturally specific aesthetics, but as situated in the mediation of complex intercultural and interpersonal political circumstances.&#8221; (Myers, 2004: 206). </p> </div>      ]]></body><back>
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