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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ATUALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA</b></p> <br/>     <p>     <p ><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Apontamentos sobre &quot;cidades da patrimonialização global&#8221;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p> <b>Vinicius Sodré Maluly<sup>1</sup></b>     <p></p>       <p></p> <sup>1</sup>Mestre em Geografia pelo Departamento de Pós-Graduação da Universidade de Brasília, UnB - Brasília, DF, 70910-900, Brasil. E-mail: <a href="mailto:vmaluly@gmail.com"> vmaluly@gmail.com</a>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Pensar a patrimonialização global enquanto processo e como fenômeno espacial que se universaliza é o desafio assumido para o pensamento sobre as novas práticas de planejamento direcionadas a cidades-patrimônio. A espetacularização dessas, no ato do patrimonializar, está em vívido debate há alguns anos, sob óticas interdisciplinares diversas (Choay, 2006; Jeudy, 2005). Nesse viés, a realização de uma crítica a esse processo, que problematize o discurso da materialidade do espaço e compreenda a organicidade da cidade e o seu ordenamento territorial, é fundamental para que se avaliem os contornos que a patrimonialização adquire no século XXI e, ademais, construir uma tese propositiva aos habitantes de cidades mercantilizadas via patrimônio que seja embasada na realidade urbana por eles vivenciada.</p>     <p>O livro <i>Cidades da patrimonialização global: simultaneidade totalidade urbana &#8211; totalidade-mundo</i> do geógrafo brasileiro Everaldo Batista da Costa, publicado em 2015, trata dos usos e das apropriações do território urbano no contexto do processo que denomina patrimonialização global. Como se dá o reordenamento territorial (em totalidade) dos centros históricos de seletas cidades do mundo e da vida das populações locais é a questão de matriz eminentemente geográfica a ser respondida. O autor, nesse intento, parte do método dialético (e, enquanto teoria geográfica, da dialética espacial) para questionar a essência e a aparência, o trato do território urbano, a partir da categoria totalidade, cara à Geografia Crítica.</p>     <p>A seguir, apresentamos as três partes que constituem o livro, indicando, sinteticamente, os motes centrais desenvolvidos pelo autor em cada uma delas. </p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>I. DIALÉTICA DA MEMÓRIA E AS CIDADES-PATRIMÔNIO NO BRASIL</b></p>     <p> Na primeira parte do livro, Costa define <i>patrimonialização global</i> e <i>dialética da memória </i>para a compreensão da relação urbanização vs. tomada econômico-cultural da cidade antiga. A patrimonialização global é entendida como vetora de uma ordem patrimonial universal, a qual incide sobre os aconteceres no e do território; pelo método dialético, o autor problematiza a verticalidade da patrimonialização global face às horizontalidades próprias à memória, ao uso e às apropriações populares do território e de setores da cidade. Já a dialética da memória é constituída enquanto &quot;a memória coletiva ou individual, o conhecimento, a religião, a passagem dos ritos e costumes, junto à urbanidade canibal que ressignifica os lugares da vida&quot;. Diante disso, &quot;é possível o esquecimento de fatos e de coisas do mundo urbano ante o esforço de sua renovação, requalificação, reconstrução ou rememoração&quot; (Costa, 2013, p. 88-98; Costa, 2015, p. 114-115).</p>     <p>A arte e o urbanismo barrocos são elementos materiais e simbólicos que conduzem à análise da ressignificação processual citadina, por trazer como pano de fundo Ouro Preto e Diamantina &#8722; dois dos mais importantes núcleos urbanos coloniais portugueses da ampla zona mineradora brasileira<a name="topi"></a><a href="#i"><sup>i</sup></a>. A periodização proposta pelo autor, para analisar a ressignificação histórica dessas cidades, se dá em cinco fases correlatas: </p>     <blockquote>       <p> &quot;1. As cidades coloniais como particularidade de <i>um </i>devenir universal vinculado ao período mercantil moderno (...); 2. As cidades coloniais como territórios de identidade, quando o barroco é reconhecido como símbolo cultural do novo Estado-nação (...); 3. As cidades coloniais como territórios de identidade do capital, com a incipiente projeção mercantil do barroco (...); 4. As cidades coloniais como cidades-patrimônio-mercadoria (...); 5. As cidades coloniais barrocas &#8211; como possibilidade de vir a ser &#8211; de empoderamento dos bens materiais e simbólicos por parte da população.&quot; (Costa, 2015, p. 59). </blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Costa, então, investiga os efeitos territoriais promovidos pela patrimonialização global com respeito aos princípios geográficos da escala, dos sítios e das situações espaciais. Apresentam-se as cidades em dupla e paradoxal função, face à dialética da memória: produtoras de <i>identidade </i>no cotidiano que alimenta a memória individual, representantes de pretensa identidade coletiva por meio das cidades e pela memória açambarcada como <i> identidade do capital</i>.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>II. GESTÃO URBANA E RECOLONIZAÇÃO DOS CENTROS HISTÓRICOS</b></p>     <p>Na segunda parte do livro, Costa correlaciona a patrimonialização às instâncias globais de seu financiamento, às intervenções territoriais e polemiza a ideia de preservação no século XXI; problematiza o reordenamento das cidades sob o jugo do capital financeiro e situa o papel universal do Comitê do Patrimônio Mundial, órgão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que institui o Patrimônio da Humanidade desde 1972 e define as principais diretrizes preservacionistas a serem aplicadas aos bens chancelados pelo organismo.</p>     <p>Reconhece uma verdadeira Geografia do Patrimônio Mundial a qual, em certa medida, nos países do Sul, cataliza desigualdades que se encontram nas cidades tornadas objeto do mercado patrimonial global, universalizando-as e fragmentando-as, simultaneamente. Isso se torna aparente no trato da memória, no uso do território, na apropriação e na espetacularização da própria cidade, sendo esse processo composto por sequências dialéticas que fazem dele dinâmico, retroalimentar e complexo.</p>     <p>O apoderamento territorial soberano<i>,</i> propulsado pela patrimonialização global<i>, </i>via recolonização de centros históricos, estabelece e é estabelecido na esteira do desenvolvimento geográfico desigual, ao gerar distinções e concentrações inerentes ao movimento do capital. Esse desenvolvimento é simbolizado e materializado na concentração de bens patrimoniais até hoje inscritos: a metade deles (49%) reduzida à região (definida pela própria UNESCO) de América do Norte/Europa. A outra metade dos bens é distribuída pelas demais regiões do mundo &#8211; Ásia/Pacífico (21%), América Latina e Caribe (14%), África (9%) e Estados Árabes (7%).</p>     <p>Ao final da segunda parte, Costa demonstra como a patrimonialização global &#8211; enquanto conceito e processo &#8211; rebate, efetivamente, no território urbano, tendo como casos Ouro Preto e de Diamantina. Elabora uma cartografia inédita reveladora da lógica de recolonização do centro histórico, com a espacialização de um forte setor de serviços voltado ao atendimento turístico, mas casada com a estética barroca e a teatralidade histórica que fomentam, paradoxalmente, a periferização da população dessas cidades, provocando uma <i>decomposição</i> do território em prol da <i>universalização </i>daquilo que se tem por &#8220;cidade histórica&#8221; (Costa, 2015, p. 320).</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>III. DIALÉTICA DO ESPAÇO E TOTALIDADE</b></p>     <p> A terceira parte do livro é a síntese dialética da obra, resultado e produto de uma tese e de uma antítese demonstradas anteriormente. A simultaneidade totalidade urbana &#8211; totalidade-mundo é o próprio processo espacial discutido ao longo do livro, pois ambas as totalidades remetem à causalidade inerente à patrimonialização enquanto projeto universal, empreendida sob auspícios do capital, em uma realidade de uso (e desuso) local. A confluência e o rearranjo das diversas esferas de poder inerentes à realidade vivida espacialmente, somadas à persuasão da arte e do símbolo recriadas no barroco e fomentadas pela gestão e pela ideologia capitalista, reproduzem, em constante interação, uma periferia urbana enquanto elemento estabelecido nessa totalidade dialético-espacial tão cara à tese do autor. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesta última parte, a periferização é discutida no contexto da segregação socioespacial produtora de uma urbanização marginal e precária, contraposta à valorização e à valoração empreendidas nos centros históricos, para o caso das cidades brasileiras analisadas. Nas palavras do autor:</p>     <blockquote>       <p>(...) dialeticamente, a cidade histórica se universaliza e se decompõe, pois os mecanismos que servem à sua universalização (que catalizam o processo de patrimonialização, projetando-as globalmente) são os mesmos que a divide, simultaneamente, o que favorece a fragmentação articulada do território urbano e um imaginário coletivo distorcido sobre o Patrimônio Mundial, quando as ações público-privadas convergem para a área de tombamento. (...) Vigora uma visão distorcida e fragmentada de território urbano, preservação patrimonial e mesmo de cidade histórica (nas escalas médias e pequenas do urbano). (Costa, 2015, p. 26) </blockquote>     <p></p>     <p><b>&nbsp;</b></p> <b>IV. PERSPECTIVAS E POSSIBILIDADES</b>     <p></p>     <p>Os desdobramentos últimos da proposta apresentada originam-se da definição lógica de que há duas decorrências concebíveis com base na patrimonialização global: 1) uma &quot;<i>banalização pela cenarização progressiva</i> de sítios históricos&quot;; 2) uma &quot;potência universal de ressignificação dos lugares&quot; (Costa, 2015, p. 452). Esta última é incorporadora, paradoxalmente, da <i>possibilidade</i> de superação e de sobrepujamento da cidadania diante do contexto globalizador dos sítios patrimoniais e produtor das contradições urbanas. Para que ambos os entendimentos se realizem em totalidade, é destacada a urgência em se conceber, na teoria e na prática, a &#8220;cidade histórica&#8221; em seu movimento totalizante, para além do centro declarado, incluindo as periferias e a sua vida cotidiana à análise patrimonial global, instâncias essas que exigem aproximação multidimensional do fato urbano.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>Choay, F. (2006). <i>A alegoria do patrimônio</i> [The allegory of patrimony]. São Paulo: Editora da UNESP.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Costa, E. B. (2016). A paisagem barroca como memória estética nacional [The baroque landscape as national aesthetic memory]. <i>Finisterra - Revista Portuguesa de Geografia, V</i>(51), 67-87. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.18055/Finis4292" target="_blank">10.18055/Finis4292</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=293834&pid=S0430-5027201700030001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Costa, E. B. (2015). <i>Cidades da patrimonialização global: simultaneidade totalidade urbana - totalidade-mundo </i>[Cities of global patrimonialization: simultaneity urban totality - totality-world]. São Paulo: Humanitas, FAPESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=293835&pid=S0430-5027201700030001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Costa, E. B. (2013). Intervenções em centros urbanos no período da globalização [Interventions in urban centers in the period of globalization].<i> Cidades (Presidente Prudente),9</i>, 86-117.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=293837&pid=S0430-5027201700030001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jeudy, H. (2005). <i>Espelho das cidades</i> [Mirror of cities]. Rio de Janeiro: Casa da Palavra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=293839&pid=S0430-5027201700030001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="i"></a><a href="#topi"><sup>i</sup></a>Também em Costa (2016) há um importante debate geógrafico sobre a paisagem barroca no Brasil e na América Latina.</p>      ]]></body><back>
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