<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0430-5027</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Finisterra - Revista Portuguesa de Geografia]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Finisterra]]></abbrev-journal-title>
<issn>0430-5027</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Geográficos]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0430-50272019000300011</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.18055/Finis13848</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lojas com História - Lisboa: conheça Lisboa pelo seu comércio tradicional e histórico]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[Diogo Gaspar]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Geografia e Ordenamento do Território ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<numero>112</numero>
<fpage>183</fpage>
<lpage>188</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0430-50272019000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0430-50272019000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0430-50272019000300011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>COMENT&Aacute;RIO DE AUTOR</b></p> <br/>     <p ><b>&nbsp;</b></p>     <p ><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Lojas com Hist&oacute;ria &ndash; Lisboa: conhe&ccedil;a Lisboa pelo seu com&eacute;rcio tradicional e hist&oacute;rico</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Diogo Gaspar Silva<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Mestrando em &ldquo;Geografia Humana: Globaliza&ccedil;&atilde;o, Sociedade e Territ&oacute;rio, Instituto de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio, Universidade de Lisboa, Rua Branca Edm&eacute;e Marques, 1600-276, Lisboa, Portugal. E-mail: <a href="mailto:diogosilva4@campus.ul.pt">diogosilva4@campus.ul.pt</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As cidades t&ecirc;m enfrentado, ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, um conjunto alargado de tend&ecirc;ncias de recomposi&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica com evidentes repercuss&otilde;es espaciais. Apesar destas transforma&ccedil;&otilde;es, o bin&oacute;mio cidade-com&eacute;rcio constituiu um casamento perfeito, sendo a atividade comercial indissoci&aacute;vel da constru&ccedil;&atilde;o da imagem urbana.</p>     <p>Contudo, as transforma&ccedil;&otilde;es mais recentes que t&ecirc;m ocorrido no espa&ccedil;o urbano, quer econ&oacute;mica e socialmente, quer espacialmente, tendem a evidenciar uma propens&atilde;o para a progressiva neoliberaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e a livre circula&ccedil;&atilde;o e acumula&ccedil;&atilde;o do capital. Estas novas formas de governan&ccedil;a urbana e da economia capitalista parecem estar a imprimir uma nova produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, que tem contribu&iacute;do para o desmoronamento de um espa&ccedil;o produtivo e, ao mesmo tempo, possibilitado a emancipa&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil; o-mercadoria que se transforma em fun&ccedil;&atilde;o de oportunidades de investimento e de est&iacute;mulos capitalistas (Harvey, 1989). Estas recomposi&ccedil;&otilde;es urbanas t&ecirc;m originado um intenso debate sobre o contributo que o com&eacute;rcio tradicional e de proximidade teve, tem e poder&aacute; vir a ter na nova paisagem urbana do s&eacute;culo XXI (Ozuduru &amp; Goldmann, 2013; Cachinho &amp; Barata-Salgueiro, 2016).</p>     <p>O com&eacute;rcio tradicional e de proximidade tem sido uma das atividades econ&oacute;micas que mais tem sido visadas pelos impactes dos processos de recomposi&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica da cidade. Com a crise econ &oacute;mico-financeira da &uacute;ltima d&eacute;cada, acentuou-se uma retra&ccedil;&atilde;o do papel interventivo do Estado e assistiu-se a uma progressiva flexibiliza&ccedil;&atilde;o e desregula&ccedil;&atilde;o das pol &iacute;ticas p&uacute;blicas, atrav&eacute;s das quais as cidades procuram competir entre si para atrair novos investimentos e aumentar o seu potencial tur&iacute;stico (Logan &amp; Molotch, 2007). A governan&ccedil;a urbana da cidade p&oacute;s-moderna, caracterizada por uma retrac&ccedil;&atilde;o da cidade social e por uma evidente aposta numa cidade empreendedora, tem provocado intensas transforma&ccedil;&otilde;es no ambiente constru&iacute;do e uma crescente mercadoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio local, cultural e hist&oacute;rico (Harvey, 1989). Estas muta&ccedil;&otilde;es materializaram-se, no contexto portugu&ecirc;s, atrav&eacute;s de um conjunto alargado de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas multisetoriais que contribuiu para uma intensifica&ccedil;&atilde;o do processo de gentrifica&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica que est&aacute; a ocorrer, com maior propriedade, em algumas &aacute;reas da cidade de Lisboa (Barata-Salgueiro, 2017). Entre essas medidas pol&iacute;ticas, destacam-se o Regime Jur&iacute;dico de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana (2009), o Regime Fiscal para Residentes N&atilde;o Habituais (2009), a Nova Lei do Arrendamento Urbano (2012) ou ainda o programa Golden Visa Portugal (2013). Acrescem a estes regimes jur&iacute;dicos e fiscais outros regulamentos, tamb&eacute;m municipais, que t&ecirc;m induzido um elevado investimento em projetos de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, designadamente a Estrat&eacute;gia de Reabilita&ccedil;&atilde;o de Lisboa 2011-2024. Esta produ&ccedil;&atilde;o legislativa constituiu a resposta portuguesa &agrave; crise financeira de 2008 e &agrave; sucessiva degrada&ccedil;&atilde;o do parque habitacional portugu&ecirc;s e, em particular, da cidade de Lisboa, em virtude do prolongado congelamento das rendas (Alves &amp; Branco, 2015). Estes diplomas estimularam, deste modo, a flexibiliza&ccedil;&atilde;o do mercado da habita&ccedil;&atilde;o, com a chegada de novos investidores internacionais, e a promo&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica, com a chegada de consumidores e residentes n&atilde;o habituais transnacionais (Barata-Salgueiro, Mendes, &amp; Guimar&atilde;es, 2017; Mendes, 2017). A liberaliza&ccedil;&atilde;o do mercado de arrendamento, com o descongelamento das rendas vigentes e com a flexibiliza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es do contrato de arrendamento, induziu uma redu&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o dos inquilinos, resultando num aumento do seu potencial despejo direto e indireto, contribuindo, deste modo, para a financeiriza&ccedil;&atilde;o do mercado imobili&aacute;rio (Davidson &amp; Lees, 2010).</p>     <p>&eacute; neste enquadramento que se inserem as crescentes fragilidades do com&eacute;rcio tradicional e de proximidade na cidade de Lisboa, que tem enfrentado uma acelerada recomposi&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica da sua procura (Malheiros, Carvalho, &amp; Mendes, 2013). A par disso, os estabelecimentos tradicionais e de proximidade foram ainda fortemente visados pelos impactes resultantes da Nova Lei do Arrendamento Urbano, consequ&ecirc; ncias que o programa Lojas com Hist&oacute;ria procura minimizar. Este programa de salvaguarda e de distin&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio tradicional e de proximidade, pioneiro no contexto portugu&ecirc;s, deu mote ao livro <i>Lojas com Historia &ndash; Lisboa</i>, promovido pela C&acirc;mara Municipal de Lisboa e operacionalizado por uma equipa de investigadores e antigos alunos da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), incluindo: &aacute;lbio Nascimento, Frederico Duarte, Guilherme Sousa, Isabel Lopes de Castro e Maria Manuel Dominguez; e por t&eacute;cnicos municipais dos pelouros da economia e inova&ccedil;&atilde;o, urbanismo e cultura, coordenados por Sofia Pereira.</p>     <p>Metodologicamente, a equipa da FBAUL desempenhou um papel central no desenho deste projeto, mobilizando meramente m&eacute;todos qualitativos, centrados numa perspetiva hist&oacute;rica e cultural do com&eacute;rcio tradicional e de proximidade da cidade. Sob coordena&ccedil;&atilde;o de &aacute;lbio Nascimento, a equipa da FBAUL foi respons&aacute;vel pela realiza&ccedil;&atilde;o da consultoria t&eacute;cnica geral, coordena&ccedil;&atilde; o estrat&eacute;gica e trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o, que incluiu o levantamento documental e fotogr&aacute;fico das lojas com hist&oacute;ria transversal a este livro. A participa&ccedil;&atilde;o dos lojistas nesse levantamento documental foi essencial para a robustez metodol&oacute;gica, cient&iacute;fica e social deste livro. Partindo da problem&aacute;tica do com&eacute;rcio lisboeta e das suas transforma&ccedil;&otilde;es recentes, e mobilizando a an&aacute;lise de <i>benchmarking</i>, a equipa da FBAUL estabeleceu os princ&iacute;pios fundamentais que deveriam orientar o programa Lojas com Hist&oacute;ria, tendo sido posteriormente definidos os crit&eacute; rios que permitem distinguir uma &laquo;loja com hist&oacute;ria&raquo;, que foram aprovados em 2016 na Assembleia da Rep&uacute;blica, dando origem &agrave; Lei n.&ordm; 42/2017, de 14 de junho, que estabelece o regime de reconhecimento e prote&ccedil;&atilde;o de estabelecimentos e entidades de interesse hist&oacute;rico e cultural ou social local. Este regime concentrou-se em proteger os estabelecimentos da liberaliza&ccedil;&atilde;o das rendas, ent&atilde;o possibilitada pelo regime do arrendamento urbano de 2012, tendo permitido limitar os impactes das regras contratuais estabelecidas nesse regime e ainda atribuir a isen&ccedil;&atilde;o fiscal do pagamento do Imposto Municipal sobre Im&oacute;veis aos estabelecimentos distinguidos. Os textos constantes no livro, da autoria de Joana B&eacute;rtholo, s&atilde;o resultado da recolha qualitativa de informa&ccedil;&atilde;o hist&oacute; rica, documental e iconogr&aacute;fica, de cada uma das lojas.</p>     <p>Este livro resulta, assim, da necessidade de prezar, distinguir, valorizar e salvaguardar a hist&oacute;ria da cidade de Lisboa, tendo sido elegido como grande des&iacute;gnio: proteger o com&eacute;rcio tradicional e hist &oacute;rico. Analisando o contributo do com&eacute;rcio na sua rela&ccedil;&atilde;o com a cidade, o livro aborda a necessidade de proteger o com&eacute;rcio tradicional e de proximidade como forma de preservar a identidade do espa&ccedil;o urbano. Procurando desenvolver uma reflex&atilde;o &agrave; escala urbana sobre a import&acirc;ncia da atividade comercial para a preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria e da identidade da cidade de Lisboa, o leitor &eacute; convocado a visitar as diferentes lojas com hist&oacute;ria atrav&eacute;s de uma descri&ccedil;&atilde;o dos tempos pret&eacute;ritos, n&atilde;o s&oacute; enquanto espa&ccedil;os de tert&uacute;lia e de criatividade modernista, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s da discuss&atilde;o da forma como estes exemplos de mem&oacute;ria e de identidade urbana t&ecirc;m sobrevivido aos tempos mais recentes, num conflito de magnitude contra as novas tend&ecirc;ncias de oferta comercial e de recomposi&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica da cidade e dos seus novos utilizadores.</p>     <p>Al&eacute;m de se apresentarem os principais objetivos do programa Lojas com Hist&oacute;ria, para, segundo o Presidente da C&acirc;mara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, dar &ldquo;resposta a um sentido de urg&ecirc;ncia na preserva&ccedil;&atilde;o e dinamiza&ccedil;&atilde;o deste patrim&oacute;nio, reconhecendo que nele reside uma parte relevante do car&aacute;ter da cidade e que, ao proteg&ecirc;-lo, Lisboa est&aacute; a preservar tamb&eacute; m aquilo que faz desta uma cidade &uacute;nica e cada vez mais valorizada e procurada a n&iacute;vel internacional&rdquo; (p. 4), come&ccedil;a-se por destacar a import&acirc;ncia do com&eacute;rcio para a vida urbana e as suas implica&ccedil;&otilde;es para a identidade da cidade de Lisboa.</p>     <p>Apesar de apresentar uma estrutura um pouco confusa, pois n&atilde;o s&atilde;o facilmente distingu&iacute;veis os diferentes cap&iacute;tulos, o principal ponto forte deste livro parece residir no esp&oacute;lio fotogr&aacute; fico e documental que constitui parte do aparelho metodol&oacute;gico do livro, que nos remete para os tempos pret&eacute;ritos dos s&eacute;culos XIX e XX, per&iacute;odo no qual a maioria das 82 lojas com hist&oacute;ria catalogadas nesta edi&ccedil;&atilde;o surgiram. Atualmente, est&atilde;o integradas no programa Lojas com Hist&oacute;ria cerca de centena e meia de estabelecimentos, pelo que se reconhece a necessidade de se atualizar o esp &oacute;lio apresentado nesta edi&ccedil;&atilde;o do livro.</p>     <p>Apesar desta limita&ccedil;&atilde;o, a contextualiza&ccedil;&atilde;o temporal apresentada ajuda-nos a compreender as plantas urbanas (se assim as podemos designar dada a aus&ecirc;ncia de elementos cartogr&aacute;ficos) apresentadas nas primeiras p&aacute;ginas do livro, predominando um enorme n&uacute;mero de lojas tradicionais com hist&oacute;ria na designada Baixa Pombalina, coincidindo com uma das &aacute;reas mais nobres do centro hist &oacute;rico de Lisboa e polarizadora de uma intensa din&acirc;mica funcional e comercial ao longo de d&eacute;cadas. &Agrave; medida que a expans&atilde;o urbana prosseguiu para norte, nos anos 1940 e 1950, come&ccedil;amos a encontrar, na reconstru&ccedil;&atilde;o cartogr&aacute;fica apresentada, um maior n&uacute;mero de lojas tradicionais e hist&oacute;ricas nas Avenidas Novas. Deste modo, parece indiscut&iacute;vel a exist&ecirc;ncia de uma rela &ccedil;&atilde;o entre as principais din&acirc;micas de expans&atilde;o urbana da cidade de Lisboa e a inaugura&ccedil;&atilde;o de novos estabelecimentos comerciais e de proximidade, rela&ccedil;&atilde;o bin&aacute;ria que este livro tamb&eacute;m pretende real&ccedil;ar.</p>     <p>Mas &eacute;, sobretudo, no papel do com&eacute;rcio tradicional e de proximidade enquanto elemento identit&aacute;rio a preservar e a reconhecer que reside a ess&ecirc;ncia deste livro e deste programa municipal. Ao longo das tr&ecirc;s centenas de p&aacute;ginas que constituem a obra, o leitor &eacute; confrontado com as descri&ccedil;&otilde;es das lojas bicenten&aacute;rias, predominantemente localizadas no Chiado e no Rossio, designadamente: o Restaurante Tavares (1784); ou ainda o mais antigo caf&eacute; da cidade de Lisboa, o Martinho da Arcada (1782), onde, no outono de 1935, Almada Negreiros e Fernando Pessoa tomaram o seu &uacute;ltimo caf&eacute; juntos. &eacute; nestas lojas com hist&oacute;ria onde se vivia &ldquo;um rebuli&ccedil;o rico, irrequieto, animado, escuro de noite e confuso de dia&rdquo; (p. 17) e uma atmosfera cosmopolita que se pretendia comparar com algumas das mais vibrantes metr&oacute;poles europeias, designadamente Paris ou Londres, tamb&eacute;m com relevantes evid&ecirc;ncias na constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria da cidade de Lisboa, ilustrada pela designa&ccedil;&atilde;o frequente de &laquo;O Chiado &ldquo;chic&rdquo;&raquo; (p. 196). Esta tentativa de importar os estilos estrangeiros &eacute; evidente nas lojas: <i>Au Petit Chambre</i>, Londres Sal&atilde;o, Pastelaria Benard, Pastelaria Versailles ou ainda na Livraria Ferin.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre os 18 cap&iacute;tulos que comp&otilde;em a obra e a cronologia apresentada no final do livro, salientam-se os que destacam o contributo dos caf&eacute;s e dos restaurantes do Chiado na dissemina&ccedil;&atilde;o de ideias nos diversos espa&ccedil;os de tert&uacute;lia ou simplesmente na reuni&atilde;o dos intelectuais do grupo &laquo;Vencidos da Vida&raquo;, onde se inseria E&ccedil;a de Queir&oacute;s, tais como o Restaurante Tavares ou ainda a Brasileira do Chiado (1905), sendo que esta &uacute;ltima se apresenta como um dos lugares da criatividade do modernismo, tributo que ainda se mant&eacute;m, nomeadamente nos autorretratos de Almada Negreiros no tempo do lan&ccedil;amento do primeiro n&uacute;mero da Revista Orpheu, em 1915.</p>     <p>No in&iacute;cio de cada cap&iacute;tulo, podemos encontrar uma breve explica&ccedil;&atilde;o da contextualiza&ccedil;&atilde;o das actividades comerciais que mais se destacaram na cidade entre o final do s&eacute;culo XVIII e o final do s&eacute;culo XX, embora a sua dispers&atilde;o por diversas p&aacute;ginas possa dificultar a leitura e a assimila&ccedil;&atilde;o global da informa&ccedil;&atilde;o. Apesar desta limita&ccedil;&atilde;o, o enquadramento realizado no in&iacute;cio de cada cap&iacute;tulo sobre as mais diversas atividades comerciais, sobre &laquo;as lojas que viram mais Lisboas&raquo; (p. 16) afigura-se essencial para elucidar sobre os diferentes lugares de encontro e de sociabilidade, sem os quais as caracter&iacute;sticas identit&aacute;rias da Lisboa oitocentista e novecentista teriam sido bem diferentes. Entre eles, encontramos espa&ccedil;os de tert&uacute;lia liter &aacute;ria e de conspira&ccedil;&atilde;o, estabelecimentos de costura por medida ou ainda os mais reputados restaurantes, pastelarias, confeitarias e caf&eacute;s da cidade. Al&eacute;m disso, as introdu&ccedil;&otilde;es de cada cap&iacute;tulo descrevem bem o cosmopolitismo da cidade de Lisboa num contexto europeu, retratado, por exemplo, no cap&iacute;tulo &laquo;A Lisboa de um <i>gentleman</i>&raquo;.</p>     <p>Apesar da interessante e detalhada cataloga&ccedil;&atilde;o dos estabelecimentos com hist&oacute;ria distinguidos na cidade de Lisboa, desde o seu surgimento at&eacute; &agrave;s suas reformula&ccedil;&otilde;es, o livro aborda a quest&atilde;o da Arte Nova em Lisboa, sendo esta constantemente referida como um dos elementos mais comuns da arquitectura dos estabelecimentos com hist&oacute;ria da cidade, designadamente na Florista Pequeno Jardim ou na fachada da Joalharia do Carmo, ambas no Chiado.</p>     <p>A recorr&ecirc;ncia &agrave; figura da sinestesia, estimulando uma analepse constante por parte do leitor, &eacute; not&aacute;vel. Quem l&ecirc;, parece imaginar a viv&ecirc;ncia urbana naquela &eacute;poca, desde os sons, os cheiros e os est&iacute;mulos &agrave; vis&atilde;o que s&atilde;o potenciados pelo esp&oacute;lio fotogr&aacute;fico e pela descri&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os. Estes elementos, juntamente com a organiza&ccedil;&atilde;o interna do livro, proporcionam um conjunto relevante de contributos para a reconstru&ccedil;&atilde;o da atmosfera urbana e da geografia social e cultural da cidade nos s&eacute;culos XIX e XX, designadamente atrav&eacute;s da descri&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os frequentados e das atividades realizadas pelos homens e pelas mulheres da movida lisboeta, a que se assomam ainda importantes elementos acerca da viv&ecirc;ncia no espa&ccedil;o p&uacute; blico do Chiado no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.</p>     <p>Al&eacute;m dos caf&eacute;s e dos restaurantes, passando pela Caza das Vellas numa &eacute;poca em que a electricidade ainda n&atilde;o era uma realidade, pelas confeitarias e pastelarias, como a Confeitaria Nacional, os prestigiados past&eacute;is de Bel&eacute;m ou a Benard, ou ainda atrav&eacute;s do aparecimento das primeiras lojas de caf&eacute;, o leitor &eacute; confrontado tamb&eacute;m com a evolu&ccedil;&atilde;o que o com&eacute;rcio tradicional e de proximidade tem vindo a registar. Uma das caracter&iacute;sticas mais comuns destes estabelecimentos reside na personaliza&ccedil;&atilde;o do atendimento, na proximidade e na fideliza&ccedil;&atilde;o da clientela, atributos que se t&ecirc;m vindo a perder com o aparecimento, em primeiro lugar, dos supermercados e, posteriormente, dos hipermercados e dos centros comerciais, num paradigma caracterizado pela acessibilidade que veio substituir as l&oacute;gicas espaciais ancoradas na centralidade ou na proximidade (Dawson, 1995; Wrigley &amp; Lowe, 2002; Cachinho &amp; Barata-Salgueiro, 2016).</p>     <p>As mudan&ccedil;as nos h&aacute;bitos de consumo e de abastecimento s&atilde;o ainda vertidas no esp&oacute;lio catalogado neste livro, designadamente atrav&eacute;s da altera&ccedil;&atilde;o da oferta destes estabelecimentos tradicionais e de proximidade. Como se encontra expl&iacute;cito n&rsquo; A Carioca, &laquo;Recentemente, os lotes da casa passaram a estar dispon&iacute;veis em c&aacute;psulas, acompanhando a evolu&ccedil;&atilde;o dos h&aacute; bitos de consumo&raquo; (p. 73), ou na Tabacaria M&oacute;naco, que hoje oferece outros artigos, nomeadamente &laquo;tur&iacute;sticos, que ajudam estas lojas a manter a sua rentabilidade e a acompanhar o esp&iacute;rito dos tempos&raquo; (p. 230). Algumas das lojas tradicionais que tinham uma grande procura nos s&eacute;culos XIX e XX, como a Casa das Bandeiras, o Hospital das Bonecas, a Espingardaria Central ou ainda as diversas manteigarias e leitarias lisboetas, tiveram necessidade de se reinventar para garantirem a viabilidade da sua exist&ecirc;ncia num per&iacute;odo mais contempor&acirc;neo, onde o desejo e os significados simb&oacute;licos s&atilde;o uma constante para a felicidade do consumidor (Gardner &amp; Sheppard, 1989; Cachinho, 2006; Lipovetsky, 2007, 2016). Mantendo os seus atributos de proximidade e a sua clientela habitual, a inova&ccedil;&atilde;o deve estar presente nos modelos de gest&atilde;o de neg&oacute;cio a fim de concorrer com as l&oacute;gicas de abastecimento da compra agrupada veiculadas pelas grandes superf&iacute;cies comerciais.</p>     <p>Com o des&iacute;gnio de promover a &laquo;distin&ccedil;&atilde;o dos estabelecimentos que se destacam pelas suas caracter&iacute;sticas &uacute;nicas e pelo seu reconhecido valor para a identidade da cidade de Lisboa&raquo; (p. 4), o programa Lojas com Hist&oacute;ria, criado em 2015 pela C&acirc;mara Municipal de Lisboa, pretende desencadear uma reflex&atilde;o urbana sobre a atividade comercial tradicional, dinamizando e reativando a din&acirc; mica desses estabelecimentos independentes e de proximidade. &eacute; deste modo que a ambi&ccedil;&atilde;o de investir &laquo;no crescimento s&oacute;lido e duradouro do com&eacute;rcio tradicional e hist&oacute;rico, abrindo portas para novos modelos de neg&oacute;cio e para a cria&ccedil;&atilde;o de mais emprego&raquo; (p. 5), se assume como um dos grandes objetivos deste programa. afigura-se essencial para elucidar sobre os diferentes lugares de encontro e de sociabilidade, sem os quais as caracter&iacute;sticas identit&aacute;rias da Lisboa oitocentista e novecentista teriam sido bem diferentes. Entre eles, encontramos espa&ccedil;os de tert&uacute;lia liter&aacute;ria e de conspira&ccedil;&atilde;o, estabelecimentos de costura por medida ou ainda os mais reputados restaurantes, pastelarias, confeitarias e caf&eacute;s da cidade. Al&eacute;m disso, as introdu&ccedil;&otilde;es de cada cap &iacute;tulo descrevem bem o cosmopolitismo da cidade de Lisboa num contexto europeu, retratado, por exemplo, no cap&iacute;tulo &laquo;A Lisboa de um <i>gentleman</i>&raquo;.</p>     <p>Apesar da interessante e detalhada cataloga&ccedil;&atilde;o dos estabelecimentos com hist&oacute;ria distinguidos na cidade de Lisboa, desde o seu surgimento at&eacute; &agrave;s suas reformula&ccedil;&otilde;es, o livro aborda a quest&atilde;o da Arte Nova em Lisboa, sendo esta constantemente referida como um dos elementos mais comuns da arquitectura dos estabelecimentos com hist&oacute;ria da cidade, designadamente na Florista Pequeno Jardim ou na fachada da Joalharia do Carmo, ambas no Chiado. A recorr&ecirc;ncia &agrave; figura da sinestesia, estimulando uma analepse constante por parte do leitor, &eacute; not&aacute;vel. Quem l&ecirc;, parece imaginar a viv&ecirc; ncia urbana naquela &eacute;poca, desde os sons, os cheiros e os est&iacute;mulos &agrave; vis&atilde;o que s&atilde;o potenciados pelo esp&oacute;lio fotogr&aacute;fico e pela descri&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os. Estes elementos, juntamente com a organiza&ccedil;&atilde;o interna do livro, proporcionam um conjunto relevante de contributos para a reconstru&ccedil;&atilde;o da atmosfera urbana e da geografia social e cultural da cidade nos s &eacute;culos XIX e XX, designadamente atrav&eacute;s da descri&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os frequentados e das atividades realizadas pelos homens e pelas mulheres da movida lisboeta, a que se assomam ainda importantes elementos acerca da viv&ecirc;ncia no espa&ccedil;o p&uacute;blico do Chiado no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.</p>     <p>Al&eacute;m dos caf&eacute;s e dos restaurantes, passando pela Caza das Vellas numa &eacute;poca em que a electricidade ainda n&atilde;o era uma realidade, pelas confeitarias e pastelarias, como a Confeitaria Nacional, os prestigiados past&eacute;is de Bel&eacute;m ou a Benard, ou ainda atrav&eacute;s do aparecimento das primeiras lojas de caf&eacute;, o leitor &eacute; confrontado tamb&eacute;m com a evolu&ccedil;&atilde;o que o com&eacute;rcio tradicional e de proximidade tem vindo a registar. Uma das caracter&iacute;sticas mais comuns destes estabelecimentos reside na personaliza&ccedil;&atilde;o do atendimento, na proximidade e na fideliza&ccedil;&atilde;o da clientela, atributos que se t&ecirc;m vindo a perder com o aparecimento, em primeiro lugar, dos supermercados e, posteriormente, dos hipermercados e dos centros comerciais, num paradigma caracterizado pela acessibilidade que veio substituir as l&oacute;gicas espaciais ancoradas na centralidade ou na proximidade (Dawson, 1995; Wrigley &amp; Lowe, 2002; Cachinho &amp; Barata-Salgueiro, 2016).</p>     <p>As mudan&ccedil;as nos h&aacute;bitos de consumo e de abastecimento s&atilde;o ainda vertidas no esp&oacute;lio catalogado neste livro, designadamente atrav&eacute;s da altera&ccedil;&atilde;o da oferta destes estabelecimentos tradicionais e de proximidade. Como se encontra expl&iacute;cito n&rsquo; A Carioca, &laquo;Recentemente, os lotes da casa passaram a estar dispon&iacute;veis em c&aacute;psulas, acompanhando a evolu&ccedil;&atilde;o dos h&aacute; bitos de consumo&raquo; (p. 73), ou na Tabacaria M&oacute;naco, que hoje oferece outros artigos, nomeadamente &laquo;tur&iacute;sticos, que ajudam estas lojas a manter a sua rentabilidade e a acompanhar o esp&iacute;rito dos tempos&raquo; (p. 230). Algumas das lojas tradicionais que tinham uma grande procura nos s&eacute;culos XIX e XX, como a Casa das Bandeiras, o Hospital das Bonecas, a Espingardaria Central ou ainda as diversas manteigarias e leitarias lisboetas, tiveram necessidade de se reinventar para garantirem a viabilidade da sua exist&ecirc;ncia num per&iacute;odo mais contempor&acirc;neo, onde o desejo e os significados simb&oacute;licos s&atilde;o uma constante para a felicidade do consumidor (Gardner &amp; Sheppard, 1989; Cachinho, 2006; Lipovetsky, 2007, 2016). Mantendo os seus atributos de proximidade e a sua clientela habitual, inova&ccedil;&atilde;o deve estar presente nos modelos de gest&atilde;o de neg&oacute;cio a fim de concorrer com as l&oacute;gicas de abastecimento da compra agrupada veiculadas pelas grandes superf&iacute;cies comerciais. Com o des&iacute;gnio de promover a &laquo;distin &ccedil;&atilde;o dos estabelecimentos que se destacam pelas suas caracter&iacute;sticas &uacute;nicas e pelo seu reconhecido valor para a identidade da cidade de Lisboa&raquo; (p. 4), o programa Lojas com Hist&oacute;ria, criado em 2015 pela C&acirc;mara Municipal de Lisboa, pretende desencadear uma reflex&atilde;o urbana sobre a atividade comercial tradicional, dinamizando e reativando a din&acirc;mica desses estabelecimentos independentes e de proximidade. &eacute; deste modo que a ambi&ccedil;&atilde;o de investir &laquo;no crescimento s&oacute;lido e duradouro do com&eacute;rcio tradicional e hist&oacute;rico, abrindo portas para novos modelos de neg&oacute;cio e para a cria&ccedil;&atilde;o de mais emprego&raquo; (p. 5), se assume como um dos grandes objetivos deste programa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, o livro <i>Lojas com Historia </i>contribui para uma reflex&atilde;o que se tornou necess&aacute;ria &agrave; escala intraurbana sobre a rela&ccedil;&atilde;o que o com&eacute;rcio, particularmente tradicional e de proximidade, tem ou deve ter com a cidade. Este livro permite ainda discutir e analisar as tend&ecirc;ncias de transforma&ccedil;&atilde;o recentes na governan&ccedil;a urbana da cidade p&oacute;s-moderna, cujas estrat&eacute; gias podem vitimar os espa&ccedil;os de mem&oacute;ria mais vulner&aacute;veis a um potencial processo de financeiriza&ccedil;&atilde;o e de nobilita&ccedil;&atilde;o seletiva do espa&ccedil;o urbano. Por isso, o com&eacute;rcio tradicional e de proximidade n&atilde;o deve ser visto como um setor econ&oacute;mico marginal, mas antes como um setor revestido de identidade que cabe preservar. Al&eacute;m disso, a descri&ccedil;&atilde;o apresentada reveste-se de grande significado para todos aqueles que se debru&ccedil;am sobre as muta&ccedil;&otilde;es nos padr&otilde;es de localiza&ccedil;&atilde;o espacial dos sistemas comerciais de venda a retalho em rela&ccedil;&atilde; o com a expans&atilde;o urbana. Deste modo, al&eacute;m de se comprovar que estes estabelecimentos comerciais tradicionais e de proximidade s&atilde;o marcadores espaciais de mem&oacute;ria urbana, tamb&eacute;m se pode olhar com maior detalhe para cada atividade, para as artes e para as rela&ccedil;&otilde;es sociais de fideliza&ccedil;&atilde;o e de proximidade que se criaram e, em alguns casos, se mantiveram. Este livro assume particular interesse para todos aqueles que se interessam sobre as tem&aacute;ticas associadas aos estudos urbanos, mas tamb&eacute;m culturais, n&atilde;o s&oacute; porque compreende a necessidade de intervir no sentido de proteger e valorizar a atividade comercial, como tamb&eacute;m permite discutir o contributo destes espa&ccedil;os enquanto elementos de identidade e de valoriza&ccedil;&atilde;o social da cidade, bem como o seu contributo enquanto espa&ccedil;os de encontro de vanguarda e de discuss&atilde;o criativa.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>Alves, S., &amp; Branco, R. (2015). <i>Affordable housing and urban regeneration in Portugal: a troubled tryst</i>? European Network for Housing Research, ENHR, ISCTE-IUL, Lisboa. Retrieved from <a href= "http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/19983/1/ICS_SAlves_Affordable.pdf"target="_blank">http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/19983/1/ICS_SAlves_Affordable.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=307829&pid=S0430-5027201900030001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Barata-Salgueiro, T. (2017). Alojamentos tur&iacute;sticos em Lisboa [Lisbon vacation rentals].&nbsp;<i>Scripta Nova</i>,&nbsp;<i>21</i>(578).</p>     <p>Barata-Salgueiro, T., Mendes, L., &amp; Guimar&atilde;es, P. (2017). Tourism and urban changes: lessons from Lisbon. In M. Gravary-Barbas &amp; S. Guinand (Eds.), <i>Tourism and Gentrification in Contemporary Metropolises: International Perspectives </i>(pp. 255-275)<i>. </i>Londres: Routledge. Doi: <a href="https://doi.org/10.4324/9781315629759"target="_blank">https://doi.org/10.4324/9781315629759</a></p>     <p>Cachinho, H., &amp; Barata-Salgueiro, T. (2016). Os sistemas comerciais urbanos em tempos de turbul&ecirc;ncia: vulnerabilidades e n&iacute;veis de resili&ecirc;ncia [Urban commercial systems in turbulent times: vulnerabilities and resilience levels]. <i>Finisterra &ndash; Revista Portuguesa de Geografia</i>, <i>LI</i>(101), 89-109. Doi: <a href="https://doi.org/10.18055/finis4134"target="_blank">https://doi.org/10.18055/finis4134</a></p>     <p>Cachinho, H. (2006). Consumactor: da condi&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo na cidade p&oacute;s-moderna [Consumer: of the condition of the individual in the postmodern city]. <i>Finisterra &ndash; Revista Portuguesa de Geografia</i>, <i>XLI</i>(81): 33-56. <a href="https://doi.org/10.18055/finis1461"target="_blank">https://doi.org/10.18055/finis1461</a></p>     <p>Davidson, M., &amp; Lees, L. (2010). New-build gentrification: Its histories, trajectories, and critical geographies. <i>Population, Space and Place</i>, <i>16</i>(5), 395&ndash;411. Doi: <a href= "https://doi.org/10.1002/psp.584"target="_blank">https://doi.org/10.1002/psp.584</a></p>     <p>Dawson, J. (1995). Retail trends in Scotland: A review.&nbsp;<i>International Journal of Retail &amp; Distribution Management</i>,&nbsp;<i>23</i>(10), 4&ndash;20. Doi: <a href="https://doi.org/10.1108/09590559510730444"target="_blank"> https://doi.org/10.1108/09590559510730444</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Gardner, C., &amp; Sheppard, J. (1989). <i>Consuming passion: the rise of retail culture</i>. Londres: Unwin Hyman Limited.</p>     <p>Harvey, D. (1989). From Managerialism to Entrepreneurialism: The Transformation in Urban Governance in Late Capitalism.&nbsp;<i>Geografiska Annaler. Series B, Human Geography</i>,&nbsp;<i>71</i>(1), 3. Doi: <a href= "https://doi.org/10.2307/490503"target="_blank">https://doi.org/10.2307/490503</a></p>     <p>Lipovetsky, G. (2007) <i>A Felicidade Paradoxal &ndash; Ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo</i> [Paradoxical Happiness - Essay on the Hyperconsumption Society]. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.</p>     <p>Lisboa. C&acirc;mara Municipal (2017). <i>Lojas com Hist&oacute;ria &ndash; Lisboa: conhe&ccedil;a Lisboa pelo seu com&eacute;rcio tradicional e hist&oacute;rico</i> [History Shops - Lisbon: Discover Lisbon for its traditional and historical trade]. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Tinta da China.</p>     <p>Logan, J., &amp; Molotch, H. (2007). <i>Urban Fortunes: The Political Economy of Place</i>. Calif&oacute;rnia: University of California Press.</p>     <p>Malheiros, J., Carvalho, R., &amp; Mendes, L. (2013). Gentrification, residential ethnicization and the social production of fragmented space in two multi-ethnic neighbouroods of Lisbon and Bilbao.&nbsp;<i>Finisterra &ndash; Revista Portuguesa de Geografia</i>,&nbsp;<i>XLVIII</i>(96), 109&ndash;135.</p>     <p>Mendes, L. (2017). Gentrifica&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica em Lisboa: neoliberalismo, financeiriza&ccedil;&atilde;o e urbanismo austerit&aacute;rio em tempos de p&oacute;s-crise capitalista 2008-2009.&nbsp;<i>Cadernos Metr&oacute;pole</i>,&nbsp;<i>19</i>(39), 479&ndash;512. Doi: <a href="https://doi.org/10.1590/2236-9996.2017-3906"target="_blank">https://doi.org/10.1590/2236-9996.2017-3906</a></p>     <p>Ozuduru, B. H., Guldmann, J., &amp; Burby, R. (2013). Retail location and urban resilience: towards a new framework for retail policy. <i>S.a.P.I.E.N.S.</i>, <i>6</i>(1).</p>     <p>Wrigley, N., &amp; Lowe, M. (2002). <i>Reading retail: a geographical perspective on retailing and consumption spaces.</i> Londres: Arnold.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Branco]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Affordable housing and urban regeneration in Portugal: a troubled tryst?]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[European Network for Housing Research, ENHRISCTE-IUL]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
