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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Contributos para uma análise semântico-pragmática das concessivas de enunciação no Português europeu contemporâneo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to contribute to the semantic characterization of utterance concessive constructions in contemporary European Portuguese (henceforth PEC), highlighting its specificity by contrasting them with content concessive constructions. Assuming the distinction between epistemic concessives and illocutionary concessives (cf. Latos 2009, a.o.), a new proposal for the semantic-pragmatic characterization of the former is put forward: it will be argued that epistemic concessive constructions are equivalent to the negation of a justification relation between the two connected propositions. Concerning the illocutionary concessive constructions, a more fine-grained sub-typology, requested by our empirical data, will be proposed: it involves a distinction between (i) illocutionary concessives that modify the speech act expressed in the main clause, expliciting background circumstances that typically might have prevented its performance, and (ii) illocutionary concessives whose discourse function is to add a speaker’s comment on the propostional content (or part of it) of the main clause.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[concessivas de conteúdo]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p> <b>Contributos para uma an&aacute;lise sem&acirc;ntico-pragm&aacute;tica das concessivas de enuncia&ccedil;&atilde;o no Portugu&ecirc;s europeu contempor&acirc;neo</b> </p>      <p> <b>Ana Cristina Mac&aacute;rio Lopes*</b> </p>     <p> *CELGA, Universidade de Coimbra.</br>  </p>      <p><a href="mailto:acmlopes@fl.uc.pt">acmlopes@fl.uc.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p> Este trabalho tem como objetivo central contribuir para a caracteriza&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica das concessivas de enuncia&ccedil;&atilde;o no Portugu&ecirc;s europeu contempor&acirc;neo (doravante PEC), evidenciando a sua especificidade face &agrave;s concessivas de conte&uacute;do. Partindo da distin&ccedil;&atilde;o, j&aacute; avan&ccedil;ada por Latos 2009, entre concessivas epist&eacute;micas e concessivas ilocut&oacute;rias, avan&ccedil;a-se uma nova proposta de caracteriza&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntico-pragm&aacute;tica das primeiras, que envolve a nega&ccedil;&atilde;o de um nexo explicativo/justificativo entre as duas proposi&ccedil;&otilde;es conectadas. No &acirc;mbito das concessivas ilocut&oacute;rias, estabelece-se, partindo dos dados emp&iacute;ricos, uma subtipologia entre (i) concessivas ilocut&oacute;rias que modificam o ato ilocut&oacute;rio realizado na subordinante, explicitando circunst&acirc;ncias que tipicamente impediriam a sua realiza&ccedil;&atilde;o e (ii) concessivas ilocut&oacute;rias que funcionam como coment&aacute;rios do locutor acerca do conte&uacute;do proposicional ou de fragmentos subproposicionais da frase com que se articulam. </p>     <p><b>Palavras-chave</b>: concessivas de conte&uacute;do, concessivas epist&eacute;micas, concessivas ilocut&oacute;rias. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> This paper aims to contribute to the semantic characterization of utterance concessive constructions in contemporary European Portuguese (henceforth PEC), highlighting its specificity by contrasting them with content concessive constructions. Assuming the distinction between epistemic concessives and illocutionary concessives (cf. Latos 2009, a.o.), a new proposal for the semantic-pragmatic characterization of the former is put forward: it will be argued that epistemic concessive constructions are equivalent to the negation of a justification relation between the two connected propositions. Concerning the illocutionary concessive constructions, a more fine-grained sub-typology, requested by our empirical data, will be proposed: it involves a distinction between (i) illocutionary concessives that modify the speech act expressed in the main clause, expliciting background circumstances that typically might have prevented its performance, and (ii) illocutionary concessives whose discourse function is to add a speaker’s comment on the propostional content (or part of it) of the main clause. </p>     <p><b>Keywords</b>: content concessive constructions, epistemic concessive constructions, illocutionary concessive constructions.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>O estudo sem&acirc;ntico das constru&ccedil;&otilde;es de subordina&ccedil;&atilde;o adverbial tem conhecido um forte incremento nos &uacute;ltimos anos, gra&ccedil;as, sobretudo, &agrave; progressiva tomada de consci&ecirc;ncia, por parte dos linguistas, de que os modelos que contemplam diferentes dom&iacute;nios de significa&ccedil;&atilde;o discursiva s&atilde;o descritiva e explicativamente mais adequados para dar conta da heterogeneidade e consequente complexidade dessas constru&ccedil;&otilde;es (cf. Sweetser 1990, Hengeveld 1993, Kortmann 1996, Sanders <i>et al.</i> 1992, Couper-Kuhlen &amp; Kortmann 2000, entre outros).<sup><a href="#1" name="top1" >[1]</a></sup></p>      <p>O quadro te&oacute;rico que preside a esta investiga&ccedil;&atilde;o assume justamente, na esteira de muitas abordagens funcional ou cognitivamente orientadas, que h&aacute; diferentes dom&iacute;nios pelos quais se distribui a significa&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da e expressa no discurso, isto &eacute;, na linguagem em uso (cf. Halliday 1970, Schiffrin 1987, Mann &amp; Thompson 1988, entre outros). Trata-se de uma assun&ccedil;&atilde;o fundamental, familiar para os linguistas que ancoram as suas descri&ccedil;&otilde;es em dados emp&iacute;ricos (“data-driven approaches”) e n&atilde;o escamoteiam as diversas fun&ccedil;&otilde;es que a linguagem verbal pode assumir ao ser socialmente usada. Como afirmam de forma lapidar Levinson &amp; Evans (2010:2746), “language bridges the mental and the social, the psychological and the historical, the ideational and the behavioural.” Assim, assume-se uma distin&ccedil;&atilde;o fundamental entre o dom&iacute;nio ideacional ou do conte&uacute;do, tradicionalmente explorado no &acirc;mbito das teorias sem&acirc;nticas denotacionais ou referenciais, e o dom&iacute;nio interpessoal da significa&ccedil;&atilde;o, explorado no &acirc;mbito das abordagens pragm&aacute;tico-funcionais do discurso. O primeiro dom&iacute;nio mencionado prende-se com os usos da linguagem em que &eacute; dominante a fun&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&atilde;o do mundo s&oacute;cio-f&iacute;sico; o segundo envolve os usos que modelizam racioc&iacute;nios do falante e plasmam as dimens&otilde;es s&oacute;cio-interacionais da comunica&ccedil;&atilde;o humana.</p>      <p>O presente estudo prop&otilde;e-se contribuir para uma caracteriza&ccedil;&atilde;o das propriedades sem&acirc;ntico-pragm&aacute;ticas das concessivas de enuncia&ccedil;&atilde;o no PEC, uma &aacute;rea que, tanto quanto &eacute; do nosso conhecimento, n&atilde;o foi ainda objeto de an&aacute;lise. </p>      <p>Os materiais emp&iacute;ricos utilizados neste trabalho envolvem dados recolhidos no CETEMP&uacute;blico (<a href="http://www.linguateca.pt/" target="_blank">www.linguateca.pt</a></sup>), bem como alguns exemplos constru&iacute;dos.</p>      <p>A estrutura do artigo &eacute; a seguinte: na sec&ccedil;&atilde;o 1, faz-se uma breve refer&ecirc;ncia &agrave;s propriedades sem&acirc;nticas e sint&aacute;ticas das concessivas de conte&uacute;do, ou concessivas factuais,<sup><a href="#2" name="top2" >[2]</a></sup> de modo a poder delimitar-se, por contraste, a especificidade das concessivas de enuncia&ccedil;&atilde;o, objetivo central da sec&ccedil;&atilde;o 2. Nesta sec&ccedil;&atilde;o, partindo da tipologia de Latos 2009, que estabelece um distin&ccedil;&atilde;o entre concessivas epist&eacute;micas e concessivas ilocut&oacute;rias, aprofunda-se a caracteriza&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntico-pragm&aacute;tica das concessivas epist&eacute;micas e avan&ccedil;a-se uma proposta de subtipologia das concessivas ilocut&oacute;rias, partindo de dados emp&iacute;ricos recolhidos no <i>corpus</i>. Na sec&ccedil;&atilde;o 3, sintetizam-se as conclus&otilde;es mais relevantes do estudo.</p>      <p><b>1. Concessivas de conte&uacute;do</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Consideram-se concessivas de conte&uacute;do as ora&ccedil;&otilde;es concessivas factuais (cf. Mateus et al. 2003: 718), que exprimem a ocorr&ecirc;ncia de uma situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o expect&aacute;vel relativamente a outra, dado o nosso conhecimento do mundo ou a nossa perce&ccedil;&atilde;o do curso normal dos acontecimentos no mundo. Atente-se nos exemplos 1 a 3, constru&iacute;dos, que ilustram paradigmaticamente concessivas deste tipo<sup><a href="#3" name="top3" >[3]</a></sup>:</p>      <p>(1) Embora o Rui fume muito, n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de.</p>      <p>(2) Embora estivesse cheio de trabalho, foi ao cinema.</p>      <p>(3) Embora n&atilde;o tenha estudado nada, o Rui vai fazer o exame.</p>      <p>Para al&eacute;m do conector ‘embora’, tamb&eacute;m ‘apesar de’ pode ser mobilizado para sinalizar o mesmo nexo sem&acirc;ntico, como se atesta em 1a a 3a: </p>      <p>(1a) Apesar de fumar muito, o Rui n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de.</p>      <p>(2a) O Rui foi ao cinema, apesar de ter muito trabalho.</p>      <p>(3a) Apesar de n&atilde;o ter estudado nada, o Rui vai fazer o exame.</p>      <p>A caracteriza&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica do nexo concessivo proposta por K&ouml;nig 1991 e K&ouml;nig &amp; Siemund 2000 parece-nos a mais adequada e rigorosa. Assim, numa constru&ccedil;&atilde;o ‘embora p, q’, assere-se p e q, e pressup&otilde;e-se que p implica normalmente ~q. Em esquema:</p>      <p>Embora p, q</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>p &reg; ~q (pressuposi&ccedil;&atilde;o)</p>      <p>p &amp; q (asser&ccedil;&atilde;o)</p>      <p>Voltando ao exemplo 1, o locutor assere p e q (O Rui fuma muito e n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de) e pressup&otilde;e uma rela&ccedil;&atilde;o de implica&ccedil;&atilde;o entre fumar muito e ter problemas de sa&uacute;de.<sup><a href="#4" name="top4" >[4]</a></sup> Assim, a constru&ccedil;&atilde;o estabelece um contraste entre o que se pressup&otilde;e e o que se verifica/verificou na realidade.<sup><a href="#5" name="top5" >[5]</a></sup> Por outro lado, nas concessivas de conte&uacute;do a informa&ccedil;&atilde;o contida em p &eacute; dada tamb&eacute;m como pressuposta, ou seja, informa&ccedil;&atilde;o conhecida que o falante assume como dado a</p>      <p>O facto de p ser assumido pelo falante como informa&ccedil;&atilde;o dada/conhecida explica a impossibilidade de focaliza&ccedil;&atilde;o da concessiva, quer por constru&ccedil;&otilde;es de clivagem, quer pela nega&ccedil;&atilde;o de foco, quer ainda por operadores como <i>s&oacute;</i>, como se prova em 1b, 1c e 1d:</p>      <p>(1b)*&Eacute; embora o Rui fume muito que n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de.</p>      <p>(1c) *O Rui <i>n&atilde;o</i> tem problemas de sa&uacute;de <i>embora fume muito</i> (mas sim embora coma muito pouco).</p>      <p>(1d) *O Rui <i>s&oacute;</i> n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de <i>embora fume muito.</i></p>      <p>Em Lobo 2003, as concessivas de conte&uacute;do s&atilde;o consideradas ora&ccedil;&otilde;es adverbiais perif&eacute;ricas, dado que respondem negativamente a um conjunto de testes de natureza sint&aacute;tica que permitem caracterizar as adverbiais integradas, nomeadamente os que acabaram de ser explicitados. O seu estatuto perif&eacute;rico relativamente &agrave; subordinante &eacute; ainda refor&ccedil;ado pelo comportamento das concessivas no que toca aos seguintes par&acirc;metros: n&atilde;o funcionam nunca como resposta a uma interrogativa QU-, n&atilde;o ocorrem em interrogativas e negativas alternativas (1e, 1f) e, quando em posi&ccedil;&atilde;o final, ocorrem ap&oacute;s pausa ou quebra entoacional, sinalizada na escrita por v&iacute;rgula (1g):</p>      <p>(1e) *O Rui n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de embora fume muito ou embora coma desalmadamente?</p>      <p>(1f) *O Rui n&atilde;o tem problemas embora fume muito, mas embora coma desalmadamente.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(1g) O Rui n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de, embora fume muito.</p>      <p>Partilham, no entanto, com outras constru&ccedil;&otilde;es de subordina&ccedil;&atilde;o adverbial, a propriedade de poderem retomar anaforicamente a subordinante, como se ilustra em 4<sup><a href="#6" name="top6" >[6]</a></sup>:</p>      <p>(4) O Rui foi ao cinema, embora ISSO lhe tivesse atrasado o trabalho.</p>      <p>Tal como outras constru&ccedil;&otilde;es subordinadas adverbiais que operam no plano do conte&uacute;do, tamb&eacute;m as constru&ccedil;&otilde;es concessivas podem ser reformuladas ou parafraseadas atrav&eacute;s de constru&ccedil;&otilde;es parat&aacute;ticas, como se atesta em 5 e 6:</p>      <p>(5) O Rui foi ao cinema. <i>F&ecirc;-lo</i> embora tivesse muito trabalho.</p>      <p>(6) O Rui n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de. <i>Isso acontece</i> embora ele fume muito.</p>      <p>Tanto em 5 como em 6, o segundo enunciado retoma anaforicamente o primeiro. Esta manipula&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica permite evidenciar, a meu ver, que o dom&iacute;nio em jogo &eacute;, de facto, o dom&iacute;nio do conte&uacute;do, j&aacute; que a retoma se faz atrav&eacute;s de um propredicado que denota uma situa&ccedil;&atilde;o do mundo, eventiva ou estativa<sup><a href="#7" name="top7" >[7]</a></sup>, com um estatuto factual.<sup><a href="#8" name="top8" >[8]</a></sup> Note-se que o sujeito deste propredicado &eacute; sempre correferente com o da ora&ccedil;&atilde;o principal entretanto autonomizada.</p>      <p>N&atilde;o parece haver restri&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; classe aspectual das predica&ccedil;&otilde;es expressas nos dois membros da constru&ccedil;&atilde;o concessivas em apre&ccedil;o. Por outro lado, as rela&ccedil;&otilde;es temporais entre as situa&ccedil;&otilde;es descritas podem ser de sobreposi&ccedil;&atilde;o, anterioridade ou posterioridade, em fun&ccedil;&atilde;o dos tempos verbais utilizados, das classes aspectuais e do nosso conhecimento do mundo.<sup><a href="#9" name="top9" >[9]</a></sup> </p>      <p>Por &uacute;ltimo, importa referir as afinidades entre as concessivas de conte&uacute;do e as causais. Como sublinham K&ouml;nig &amp; Siemund (2000: 355), a nega&ccedil;&atilde;o externa de uma constru&ccedil;&atilde;o causal (~( p porque q)) &eacute; equivalente &agrave; nega&ccedil;&atilde;o interna de uma constru&ccedil;&atilde;o concessiva (embora p, ~ q). Concretizando, o exemplo (1) &eacute; equivalente &agrave; nega&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o causal entre os conte&uacute;dos proposicionais que a seguir se destacam:</p>      <p>NEG ([O Rui fuma muito] CAUSA [o Rui tem problemas de sa&uacute;de])</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Concessivas de enuncia&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>Segundo a tipologia de Latos 2009, que retoma criticamente a proposta de Crevels 2000, para al&eacute;m das concessivas que operam no dom&iacute;nio do conte&uacute;do (ou dom&iacute;nio representacional, na terminologia da autora) e que negam, como vimos, que a situa&ccedil;&atilde;o descrita na concessiva, obst&aacute;culo potencial para a realiza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o representada na ora&ccedil;&atilde;o principal, o seja de facto, &eacute; poss&iacute;vel discriminar um outro tipo de concessivas, que operam no dom&iacute;nio interpessoal da significa&ccedil;&atilde;o discursiva.<sup><a href="#10" name="top10" >[10]</a></sup> Neste &uacute;ltimo dom&iacute;nio, Latos prop&otilde;e ainda uma subdivis&atilde;o entre concessivas epist&eacute;micas (cf.7) e concessivas que operam no dom&iacute;nio dos atos de fala (cf. 8)<sup><a href="#11" name="top11" >[11]</a></sup>: </p>      <p>(7) Embora sejam prejudicias &agrave; sa&uacute;de, os telem&oacute;veis n&atilde;o s&atilde;o dispens&aacute;veis.</p>      <p>(8) Podes ajudar-me, embora eu saiba que est&aacute;s cansado?</p>      <p>Em 7, a concessiva apresenta um argumento que poderia impedir a infer&ecirc;ncia da conclus&atilde;o asserida pelo falante na ora&ccedil;&atilde;o subordinante. Noutros termos, o falante assere p e q e pressup&otilde;e que ‘normalmente, a partir de p, deveria concluir-se ~q’. Assim, 7 admite uma par&aacute;frase expressa atrav&eacute;s da seguinte constru&ccedil;&atilde;o parat&aacute;tica: </p>      <p>(7a) Os telem&oacute;veis n&atilde;o s&atilde;o dispens&aacute;veis; penso e digo isto embora eles sejam prejudiciais &agrave; sa&uacute;de.</p>      <p>Contrariamente ao que acontece com as concessivas de conte&uacute;do (cf. exemplos 5 e 6), a par&aacute;frase da constru&ccedil;&atilde;o concessiva epist&eacute;mica envolve um verbo <i>sentiendi</i> (<i>penso</i>) e um verbo <i>dicendi</i> (<i>digo</i>). </p>      <p>Em 8, estabelece-se uma rela&ccedil;&atilde;o entre um ato ilocut&oacute;rio e uma circunst&acirc;ncia de ‘background’ suscet&iacute;vel de impedir a sua realiza&ccedil;&atilde;o. Noutros termos, o falante realiza um determinado ato ilocut&oacute;rio (no caso vertente, um pedido) e articula-o com uma asser&ccedil;&atilde;o que expressa uma circunst&acirc;ncia tendencialmente bloqueadora da realiza&ccedil;&atilde;o do ato em apre&ccedil;o. Assim, a constru&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e que, ‘normalmente, dado p, o falante n&atilde;o deveria afirmar/perguntar/pedir…q’. Neste sentido, 8 admitiria a par&aacute;frase (8a):</p>      <p>(8a) Podes ajudar-me? Pe&ccedil;o-te isto embora saiba que est&aacute;s cansado.</p>      <p>Como se verifica em 8a, a par&aacute;frase &eacute; feita por meio de um verbo performativo que identifica o ato ilocut&oacute;rio relevante (<i>pedir</i>), havendo correfer&ecirc;ncia entre o sujeito da ora&ccedil;&atilde;o adverbial e o sujeito da enuncia&ccedil;&atilde;o. A par&aacute;frase demonstra que a concessiva estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o entre a situa&ccedil;&atilde;o descrita em p e o ato discursivo realizado em q. Mais rigorosamente, a concessiva modifica o dizer e n&atilde;o o dito: o ato ilocut&oacute;rio de pedido realiza-se, apesar de se verificar o conte&uacute;do proposicional expresso na subordinada concessiva, potencialmente bloqueador da realiza&ccedil;&atilde;o desse mesmo ato.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apresentada a tipologia de Latos, que ancora basicamente em testes de reformula&ccedil;&atilde;o coerente das constru&ccedil;&otilde;es em apre&ccedil;o, atrav&eacute;s de substitui&ccedil;&otilde;es anaf&oacute;ricas, importa agora analis&aacute;-la criticamente, no sentido de um aprofundamento. Centremo-nos, num primeiro momento, nas concessivas epist&eacute;micas. </p>      <p>Nem sempre &eacute; &oacute;bvia a distin&ccedil;&atilde;o entre uma concessiva de conte&uacute;do e uma concessiva epist&eacute;mica.<sup><a href="#12" name="top12" >[12]</a></sup> O enunciado 7, por exemplo, poderia ser interpretado como uma concessiva de conte&uacute;do, j&aacute; que a asser&ccedil;&atilde;o das duas proposi&ccedil;&otilde;es p e q (que podem ser extensionalmente interpretadas) cancela a pressuposi&ccedil;&atilde;o segundo a qual a situa&ccedil;&atilde;o descrita na frase subordinada implicaria a n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o descrita na principal. Nesta interpreta&ccedil;&atilde;o, o falante nega que algo que expectavelmente seria um obst&aacute;culo para a ocorr&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o representada na subordinante o seja de facto. No entanto, 7 pode igualmente ser interpretada como uma concessiva epist&eacute;mica, na esteira de Latos 2009. Ali&aacute;s, j&aacute; em K&ouml;nig 1994 (<i>apud </i>Latos 2009:100) se defende que h&aacute; constru&ccedil;&otilde;es concessivas que podem ser usadas com prop&oacute;sitos argumentativos. S&atilde;o as ‘concessivas ret&oacute;ricas’, na terminologia do autor, que correspondem justamente &agrave;s concessivas epist&eacute;micas, na terminologia de Latos. Significa isto que o falante recorre &agrave; subordinada concessiva para adiantar um potencial argumento desfavor&aacute;vel &agrave; conclus&atilde;o que se prop&otilde;e defender, conclus&atilde;o essa que &eacute; asserida na ora&ccedil;&atilde;o principal. Nesta perspetiva, estar&iacute;amos perante uma estrat&eacute;gia discursiva atrav&eacute;s da qual o falante visa demonstrar que todas as poss&iacute;veis obje&ccedil;&otilde;es foram consideradas e rejeitadas, refor&ccedil;ando e enfatizando assim a sua conclus&atilde;o. </p>      <p>Coloca-se, ent&atilde;o, a seguinte quest&atilde;o: trata-se apenas de uma quest&atilde;o de ambiguidade pragm&aacute;tica, ou h&aacute;, de facto, distintos dom&iacute;nios da significa&ccedil;&atilde;o envolvidos nas constru&ccedil;&otilde;es concessivas? Do meu ponto de vista, e embora admitindo a exist&ecirc;ncia de casos amb&iacute;guos em contexto zero, julgo que &eacute; poss&iacute;vel argumentar a favor de uma distin&ccedil;&atilde;o mais fundamentada entre concessivas de conte&uacute;do e concessivas epist&eacute;micas. Para al&eacute;m da evid&ecirc;ncia recolhida em Crevels 2000<sup><a href="#13" name="top13" >[13]</a></sup>, parece-me poss&iacute;vel convocar outros argumentos. &Eacute; o que me proponho fazer nas linhas que se seguem.</p>      <p>Desde logo, a ora&ccedil;&atilde;o subordinante, numa constru&ccedil;&atilde;o concessiva com leitura epist&eacute;mica, admite sempre uma par&aacute;frase com modaliza&ccedil;&atilde;o epist&eacute;mica (<i>creio que q</i>), o que n&atilde;o acontece nas concessivas de conte&uacute;do, dada a sua natureza factual<sup><a href="#14" name="top14" >[14]</a></sup>. Por outro lado, como j&aacute; foi dito, as pressuposi&ccedil;&otilde;es ativadas s&atilde;o distintas num e noutro caso. Com efeito, numa concessiva de conte&uacute;do, a pressuposi&ccedil;&atilde;o ser&aacute; ‘normalmente, p causa/implica q’. J&aacute; numa concessiva epist&eacute;mica, a pressuposi&ccedil;&atilde;o ser&aacute; ‘normalmente, a partir de p concluir-se-ia ~q’, ou seja, p &eacute; rejeitado como potencial contra-argumento para q, n&atilde;o sendo de todo pertinente a no&ccedil;&atilde;o de “causa inoperante” (cf. Flamenco-Garc&iacute;a 1999) associada &agrave; caratcteriza&ccedil;&atilde;o das concessivas de conte&uacute;do. Para al&eacute;m disso - e este parece-me ser um argumento decisivo - a nega&ccedil;&atilde;o externa de uma constru&ccedil;&atilde;o com um nexo causal n&atilde;o &eacute; equivalente &agrave; nega&ccedil;&atilde;o interna de uma constru&ccedil;&atilde;o concessiva com leitura epist&eacute;mica<sup><a href="#15" name="top15" >[15]</a></sup> Sen&atilde;o vejamos, retomando o exemplo 7, aqui reproduzido de novo: </p>      <p>(7) Embora sejam prejudiciais &agrave; sa&uacute;de, os telem&oacute;veis n&atilde;o s&atilde;o dispens&aacute;veis.</p>      <p>Este enunciado n&atilde;o &eacute; semanticamente equivalente &agrave; nega&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o causal entre p e q, a seguir esquematizada:</p>      <p>NEG ([os telem&oacute;veis s&atilde;o prejudiciais &agrave; sa&uacute;de] CAUSA [os telem&oacute;veis s&atilde;o dispens&aacute;veis])</p>      <p>Do meu ponto de vista, 7 &eacute; equivalente &agrave; nega&ccedil;&atilde;o externa de um nexo explicativo ou justificativo, como a seguir se esquematiza: </p>      <p>NEG([os telem&oacute;veis s&atilde;o prejudiciais &agrave; sa&uacute;de] EXPLICA&Ccedil;&Atilde;O/JUSTIFICA&Ccedil;&Atilde;O [os telem&oacute;veis s&atilde;o dispens&aacute;veis]). </p>      <p>De forma mais precisa, defendo que numa constru&ccedil;&atilde;o como 7, com leitura epist&eacute;mica, equivale &agrave; nega&ccedil;&atilde;o da <i>validade</i> de um nexo explicativo entre dois conte&uacute;dos proposicionais. Concretizando: a validade da conclus&atilde;o de que os telem&oacute;veis s&atilde;o dispens&aacute;veis, dado o argumento expresso de que s&atilde;o prejudicias &agrave; sa&uacute;de (articulado com uma premissa gen&eacute;rica impl&iacute;cita segundo a qual ‘normalmente, o que &eacute; prejudicial &agrave; sa&uacute;de &eacute; dispens&aacute;vel’) &eacute; negada pela constru&ccedil;&atilde;o concessiva com leitura epist&eacute;mica. Assim, 7 parece corresponder efetivamente &agrave; nega&ccedil;&atilde;o externa de uma constru&ccedil;&atilde;o explicativa - ‘os telem&oacute;veis s&atilde;o dispens&aacute;veis, pois s&atilde;o prejudiciais &agrave; sa&uacute;de’-, e n&atilde;o &agrave; nega&ccedil;&atilde;o externa de uma constru&ccedil;&atilde;o causal- ‘os telem&oacute;veis s&atilde;o dispens&aacute;veis porque s&atilde;o prejudiciais &agrave; sa&uacute;de’. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Naturalmente, a argumenta&ccedil;&atilde;o desenvolvida pressup&otilde;e uma distin&ccedil;&atilde;o entre duas rela&ccedil;&otilde;es discursivas, a rela&ccedil;&atilde;o de CAUSA e a rela&ccedil;&atilde;o de EXPLICA&Ccedil;&Atilde;O/JUSTIFICA&Ccedil;&Atilde;O, distin&ccedil;&atilde;o essa assumida por muitos linguistas (cf., entre outros, Mann &amp; Thompson 1988, Sanders et al 1992, Peres &amp; Mascarenhas 2006, Lopes 2009).<sup><a href="#16" name="top16" >[16]</a></sup>Se se aceitar esta an&aacute;lise, faz todo o sentido incluir as concessivas epist&eacute;micas nas concessivas de enuncia&ccedil;&atilde;o, uma vez que, atrav&eacute;s delas, o falante bloqueia um racioc&iacute;nio inferencial, asserindo uma conclus&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; que seria expect&aacute;vel. Ou seja, n&atilde;o se expressa uma rela&ccedil;&atilde;o entre situa&ccedil;&otilde;es do mundo, mas entre argumentos e conclus&otilde;es, que s&atilde;o sempre estados de conhecimento/cren&ccedil;as do falante. </p>      <p>Um fator que seguramente favorece a interpreta&ccedil;&atilde;o epist&eacute;mica das concessivas &eacute; a sua inser&ccedil;&atilde;o em discursos mais amplos, de natureza argumentativa. Por outro lado, uma interpreta&ccedil;&atilde;o epist&eacute;mica &eacute; automaticamente ativada em enunciados que facilmente licenciam uma leitura intensional das proposi&ccedil;&otilde;es envolvidas na subordinante, como se atesta nos exemplos seguintes, retirados do <i>corpus</i>: </p>      <p>(9) Acho que a maioria dos clubes est&aacute; satisfeita com os resultados que sa&iacute;ram de Lisboa, embora saiba que, entre os clubes, existem diversos pontos de vista.</p>      <p>(10) Julgo (…) pertinente, embora o que &eacute; pedido seja um coment&aacute;rio acerca da concord&acirc;ncia, tratar a quest&atilde;o de um ponto de vista simultaneamente gramatical e pragm&aacute;tico (…)</p>      <p>(11) E, embora eu n&atilde;o partilhe da nova cartilha anti-intelectual que tende a renascer, penso seguramente que alguns dos maiores intelectuais do Ocidente (…) foram respons&aacute;veis por enormes embustes intelectuais.</p>      <p>(12) (…) o Plano Estrat&eacute;gico de Lisboa est&aacute; muito bem feito, embora eu ache t&iacute;midos os objetivos fixados para a cidade (…)</p>      <p>(13) (…) embora eu tenha muitas d&uacute;vidas sobre o significado preciso desta iniciativa, parece-me positivo que o governo afirme esta posi&ccedil;&atilde;o (…)</p>      <p>Nos exemplos 9 a 11, ocorrem, na subordinante, verbos epist&eacute;micos na 1&ordf; pessoa do singular (<i>acho, julgo</i>), que ativam ipso facto uma leitura intensional da proposi&ccedil;&atilde;o que encabe&ccedil;am. O falante assere q como conclus&atilde;o pessoal e pressup&otilde;e que ‘normalmente, a partir de p, deveria concluir ~q’. Em todos os outros exemplos, a subordinante admite uma par&aacute;frase com explicita&ccedil;&atilde;o de verbos epist&eacute;micos (os mesmos ou outros, como <i>considerar, pensar</i>). Nos exemplos 12 e 13, a ocorr&ecirc;ncia de predicadores avaliativos (<i>estar muito bem feito, parecer positivo</i>) inscrevem no enunciado um ju&iacute;zo por parte do sujeito da enuncia&ccedil;&atilde;o, o que induz uma leitura intensional da subordinante, e, consequentemente, uma interpreta&ccedil;&atilde;o epist&eacute;mica da constru&ccedil;&atilde;o: o falante formula uma conclus&atilde;o de matiz avaliativo, negando que o argumento expresso na subordinante possa constituir um obst&aacute;culo para essa conclus&atilde;o. </p>      <p>Centremo-nos agora nas concessivas ilocut&oacute;rias, retomando aqui o exemplo 8, adaptado de Latos 2009, e a respetiva par&aacute;frase 8a:</p>      <p>(8) Podes ajudar-me, embora eu saiba que est&aacute;s cansado?</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(8a) Podes ajudar-me? Fa&ccedil;o-te este pedido embora saiba que est&aacute;s cansado.</p>      <p>Como a par&aacute;frase ilustra, a subordinada concessiva modifica o dizer, o ato ilocut&oacute;rio de pedido. O falante realiza um ato ilocut&oacute;rio (indireto) de pedido e sinaliza, atrav&eacute;s da concessiva, que as circunst&acirc;ncias em que o ato discursivo est&aacute; a ser realizado deveriam bloquear a sua realiza&ccedil;&atilde;o. Assim, a pressuposi&ccedil;&atilde;o associada a 8 ser&aacute; ‘normalmente, sabendo p, o falante n&atilde;o pediria q’. Por outras palavras, o que seria expect&aacute;vel, dado p, seria a n&atilde;o realiza&ccedil;&atilde;o do ato ilocut&oacute;rio a que corresponde a enuncia&ccedil;&atilde;o da ora&ccedil;&atilde;o subordinante. Mas o que se verifica, de facto, &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o desse ato nas circunst&acirc;ncias que deveriam/poderiam constituir um obst&aacute;culo &agrave; sua efetiva&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Vejam-se alguns exemplos retirados do <i>corpus</i> e respetivas par&aacute;frases:</p>      <p>(14) Tenho seguido com interesse a pol&eacute;mica entre realizadores de cinema e Zita Seabra e, (…) embora eu seja uma med&iacute;ocre espectadora de cinema, venho por este modo louvar a coragem e a frontalidade destes realizadores…</p>      <p>(14a) …Venho por este modo louvar a coragem e a frontalidade destes realizadores; expresso este louvor embora seja uma med&iacute;ocre espectadora de cinema.</p>      <p>(15) N&atilde;o ignoremos as nossas realiza&ccedil;&otilde;es, embora eu saiba que necessitamos de mais, melhor e mais r&aacute;pido (…)</p>      <p>(15a) N&atilde;o ignoremos as nossas realiza&ccedil;&otilde;es; recomendo-vos isto embora saiba que necessitamos de mais, melhor e mais r&aacute;pido.</p>      <p>Estes exemplos ilustram claramente as concessivas ilocut&oacute;rias. Em 14, o locutor realiza, na subordinante, um ato ilocut&oacute;rio expressivo de louvor/congratula&ccedil;&atilde;o, sinalizando atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o concessiva que o ato se realiza independentemente da verifica&ccedil;&atilde;o de circunst&acirc;ncias que poderiam bloque&aacute;-lo. Em 15, o ato realizado na subordinante &eacute; um ato diretivo de recomenda&ccedil;&atilde;o ou exorta&ccedil;&atilde;o, e a concessiva, uma vez mais, sinaliza que a realiza&ccedil;&atilde;o do ato ocorre em circunst&acirc;ncias potencialmente bloqueadoras da sua realiza&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>At&eacute; aqui, foram analisados exemplos retirados do <i>corpus</i> que oferecem evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica suscet&iacute;vel de validar a distin&ccedil;&atilde;o entre concessivas epist&eacute;micas e concessivas ilocut&oacute;rias. Mas o <i>corpus</i> disponibiliza-nos ainda exemplos que n&atilde;o se enquadram facilmente em nenhuma destas classes. Atente-se nos seguintes enunciados: </p>      <p>(16) O mesmo respons&aacute;vel indicou que todos os expatriados est&atilde;o bem, embora eu n&atilde;o saiba exatamente o que isso significa.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(17) No nosso mundo, o poder e o dinheiro s&atilde;o os senhores, embora eu n&atilde;o os queira para meus senhores. </p>      <p>(18) Muitas est&atilde;o j&aacute; consagradas na pr&aacute;tica quotidiana, aproveitando palavras j&aacute; existentes no l&eacute;xico portugu&ecirc;s, como ficheiro (embora eu at&eacute; goste mais do brasileiro arquivo) para file…</p>      <p>Em 16, a predica&ccedil;&atilde;o introduzida por <i>embora</i> funciona como um um coment&aacute;rio que o locutor acrescenta &agrave; sua asser&ccedil;&atilde;o inicial. <i>Embora</i> pode ser substitu&iacute;do por <i>mas</i> (com as altera&ccedil;&otilde;es requeridas em termos de modo verbal), sem que se altere o valor sem&acirc;ntico da constru&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#17" name="top17" >[17]</a></sup>:</p>      <p>(16a) O mesmo respons&aacute;vel indicou que todos os expatriados est&atilde;o bem, mas eu n&atilde;o sei exatamente o que isso significa.</p>      <p>Neste sentido, a predica&ccedil;&atilde;o introduzida por <i>embora</i> n&atilde;o parece modificar o ato ilocut&oacute;rio expresso na subordinante, nos moldes atr&aacute;s referidos (cf. exemplos 8, 14 e 15), antes configura um novo ato discursivo que se articula sequencialmente com o primeiro, sendo retrospectivamente interpretado como um coment&aacute;rio sobre a predica&ccedil;&atilde;o anterior (‘todos os expatriados est&atilde;o bem’), atrav&eacute;s do qual o locutor se distancia do ponto de vista previamente expresso. Note-se que a frase introduzida por <i>embora</i>, com esta fun&ccedil;&atilde;o discursiva, ocorre tipicamente posposta. Em 17, a concessiva funciona igualmente como coment&aacute;rio, atrav&eacute;s do qual o locutor marca a sua posi&ccedil;&atilde;o, demarcando-se do ponto de vista expresso na asser&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via. A substitui&ccedil;&atilde;o de <i>embora</i> por <i>mas</i> &eacute; igualmente aceit&aacute;vel e, mais uma vez, a fun&ccedil;&atilde;o discursiva condiciona a posposi&ccedil;&atilde;o da concessiva. Tamb&eacute;m aqui parece verificar-se uma articula&ccedil;&atilde;o sequencial de atos ilocut&oacute;rios, sendo o segundo interpretado retrospectivamente como coment&aacute;rio. Em ambos os casos, a estrutura concessiva parece marcar um contraste entre o ponto de vista do locutor e um outro. Em 18, a concessiva volta a funcionar como coment&aacute;rio (parent&eacute;tico) do locutor, desta feita intercalado na frase hospedeira. O coment&aacute;rio recai, n&atilde;o sobre a predica&ccedil;&atilde;o na sua totalidade, mas sobre um dos seus elementos. Mais uma vez, o coment&aacute;rio inscreve no discurso o ponto de vista do falante, desta feita de natureza avaliativa. </p>      <p>Neste tipo de contextos, constata-se que n&atilde;o &eacute; ativada a pressuposi&ccedil;&atilde;o subjacente &agrave;s concessivas ilocut&oacute;rias previamente analisadas, a saber: ‘normalmente, dado p, o falante n&atilde;o realizaria o ato discursivo concretizado em q’. Estamos, pois, perante uma conex&atilde;o que se afasta das concessivas ilocut&oacute;rias protot&iacute;picas, que envolvem uma nega&ccedil;&atilde;o de expectativas. Face aos dados, parece relevante propor uma subtipologia mais fina no &acirc;mbito das concessivas que envolvem o dom&iacute;nio ilocut&oacute;rio da significa&ccedil;&atilde;o. Assim, destacam-se, por um lado, (i) as concessivas ilocut&oacute;rias protot&iacute;picas, que modificam o ato discursivo realizado na subordinante, explicitando circunst&acirc;ncias que normalmente bloqueariam a sua realiza&ccedil;&atilde;o, e, por outro, (ii) as concessivas que configuram coment&aacute;rios do falante sobre o enunciado (ou parte do enunciado) que as hospeda. Neste &uacute;ltimo subconjunto, as concessivas podem ocorrer em adjac&ecirc;ncia &agrave; frase com que se articulam ou interpolados na frase hospedeira, com fun&ccedil;&atilde;o de coment&aacute;rio que o falante acrescenta &agrave; asser&ccedil;&atilde;o inicial (ou a informa&ccedil;&atilde;o subproposicional a&iacute; contida) para dela se distanciar.</p>      <p>Mantemos a designa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica de concessivas ilocut&oacute;rias para os dois subtipos discriminados pelo facto de, em ambos os casos, a concessiva operar no dom&iacute;nio ilocut&oacute;rio da significa&ccedil;&atilde;o: no primeiro, como modificadora de ato ilocut&oacute;rio (“speech act modifier”), no segundo, como ato ilocut&oacute;rio subordinado ao ato principal, com o qual mant&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o discursiva pragm&aacute;tico-funcional de coment&aacute;rio. </p>      <p><b>3. Conclus&otilde;es</b></p>      <p>Neste trabalho, defendeu-se uma distin&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica entre concessivas que operam no dom&iacute;nio do conte&uacute;do (“they identify (…) an unfavourable circunstance for an event or state” (K&ouml;nig 1991:192)) e concessivas de enuncia&ccedil;&atilde;o, que mobilizam o dom&iacute;nio interpessoal da significa&ccedil;&atilde;o discursiva. No &acirc;mbito das concessivas de enuncia&ccedil;&atilde;o, defendeu-se, na esteira de Latos 2009, uma subdivis&atilde;o entre concessivas epist&eacute;micas e concessivas ilocut&oacute;rias. Avan&ccedil;ou-se uma proposta de caracteriza&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntico-pragm&aacute;tica das concessivas epist&eacute;micas, evidenciando que este tipo de concessivas equivale &agrave; nega&ccedil;&atilde;o externa de um nexo explicativo entre p e q, e n&atilde;o &agrave; nega&ccedil;&atilde;o externa de um nexo causal, como acontece nas concessivas de conte&uacute;do. Tanto quanto &eacute; do nosso conhecimento, trata-se de um contributo original para o estudo das constru&ccedil;&otilde;es concessivas. </p>      <p>Finalmente, prop&ocirc;s-se uma subtipologia no &acirc;mbito das concessivas ilocut&oacute;rias, partindo dos dados emp&iacute;ricos recolhidos no <i>corpus</i>. Assim, estabeleceu-se uma distin&ccedil;&atilde;o entre (i) as concessivas ilocut&oacute;rias protot&iacute;picas, que modificam o ato discursivo realizado na subordinante, explicitando as circunst&acirc;ncias que potencialmente poderiam bloquear a sua realiza&ccedil;&atilde;o, e (ii) as concessivas que configuram coment&aacute;rios do falante, podendo esses coment&aacute;rios recair sobre todo o conte&uacute;do proposicional da asser&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, com um prop&oacute;sito de distanciamento por parte do locutor, com eventual reconfigura&ccedil;&atilde;o do rumo argumentativo do discurso, ou ter no seu escopo apenas um segmento subproposicional. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Couper-Kulhen, E. &amp; Kortamnn, B. (eds.) (2000) <i>Cause, condition, concession, contrast: cognitive and discourse perspetives.</i> Berlin: Mouton de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0807-8967201200010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Crevels, M. (2000) Concessive on different semantic levels: a typological perspetive. In Couper-Kulhen, E. &amp; Kortamnn, B. (eds.), pp. 313-340.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0807-8967201200010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Flamenco-Garc&iacute;a, L. (1999) Las construcciones concessivas y adversativas. In Bosque &amp; Demonte (orgs.) <i>Gram&aacute;tica Descriptiva de la Lengua Espa&ntilde;ola</i>,vol. 3, Madrid: Espasa Calpe, pp. 3805-3878.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0807-8967201200010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Halliday, M.A.K. (1970) <i>Language structure and language function. </i>In J. Lyons (ed.) New horizons in Linguistics. Harmondsworth: Penguin Books, pp. 140-166.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0807-8967201200010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Hengeveld, K. (1998) Adverbial clauses in the languages of Europe. In van der Auwera, J. (ed.) <i>Adverbial constructions in the languages of Europe</i>. Berlin: Mouton de Gruyter, pp. 335-419.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0807-8967201200010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>K&ouml;nig, E. 1994 Concessive clauses. In Asher, R.E. (ed) <i>The Encyclopedia of Language and Linguistics</i>. Oxford: Pergamon Press, pp. 679-681.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0807-8967201200010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>K&ouml;nig, E. &amp; Siemund, P. (2000) Causal and concessive clauses: formal and semantic relations. In Couper-Kulhen, E. &amp; Kortamnn, B. (eds.), pp. 341-360.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0807-8967201200010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kortmann, B. (1996) <i>Adverbial Subordination. A Typology and History of Adverbial Subordinators Based ob European Languages.</i> Berlin/New York: Mouton de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0807-8967201200010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Latos, A. (2009) Concession on different levels of linguistic connection: typology of negated causal links. <i>Newcastle Working Papers in Linguistics</i>, 15, pp. 32-103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0807-8967201200010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Levinson, S. &amp;, Evans, N. (2010) Time for a sea-change in Linguistics: response to comments on “The Myth of Language Universals”. <i>Lingua</i> 120, pp. 2733-2758.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0807-8967201200010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Lobo, M. (2003) <i>Aspetos da Sintaxe das Ora&ccedil;&otilde;es Subordinadas Adverbiais.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento. Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0807-8967201200010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Lopes, A.C.M. (2009) Justification: a coherence rel<i>ation</i>”. Pragmatics, 19:2, pp.223-229&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0807-8967201200010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>LYONS, J. (1977) <i>Semantics, </i>vol. 2. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0807-8967201200010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>MANN, W. &amp; THOMPSON, S. (1987), Rhetorical Structure Theory: Toward a functional theory of text organization. <i>Text, </i>8 (3), pp. 243-281.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0807-8967201200010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mateus, M. H. M. <i>et al.</i> (20<i>03) Gram&aacute;tica da L&iacute;ngua</i> Portuguesa. Lisboa: Caminho (5&ordf; ed. revista e aumentada)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0807-8967201200010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peres, J. &amp; Mascarenhas, S. (2006) Notes on sentential connections (predominantly) in Portuguese. <i>Journal of Portuguese Linguistics</i>. vol. 5, n.&ordm; 1, pp. 113-169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0807-8967201200010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sanders, T. <i>et al.</i> (1992) Toward a taxonomy of coherence re<i>lations. Discourse</i> Processes, 15, pp. 1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0807-8967201200010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>SCHIFFRIN, D. (1987) <i>Discourse Markers</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0807-8967201200010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silvano, P. (2010) <i>Temporal and Rhetorical Relations: the semantics of sentences with adverbial subordination in European Portuguese.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento. Porto: FLUP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0807-8967201200010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sweetser, E. (1990) <i>From etymology to pragmatics</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0807-8967201200010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Agradecimentos</b></p>      <p>Agrade&ccedil;o os coment&aacute;rios dos revisores, que me permitiram precisar alguns aspectos do presente texto.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1" >[1]</a></sup> Esta linha de investiga&ccedil;&atilde;o pode cruzar-se, a meu ver, de forma muito produtiva com propostas surgidas no &acirc;mbito da sintaxe, que contemplam diferentes graus de integra&ccedil;&atilde;o das subordinadas adverbiais na frase matriz (cf. Lobo 2003, para o Portugu&ecirc;s).</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2" >[2]</a></sup> N&atilde;o se abordam, neste trabalho, as concessivas impr&oacute;prias (cf. Flamenco-Garc&iacute;a 1999), que s&atilde;o constru&ccedil;&otilde;es h&iacute;bridas, nas quais um nexo concessivo se alia a um nexo condicional (cf. Lopes 1989, Peres et al. 1999, Mateus et al 2003, Costa 2010, e.o.). </p>      <p><sup><a href="#top3" name="3" >[3]</a></sup> Note-se a estreita afinidade sem&acirc;ntica entre estas constru&ccedil;&otilde;es e as chamadas constru&ccedil;&otilde;es adversativas: (i) O Rui fuma muito, mas n&atilde;o tem problemas de sa&uacute;de; (ii) O Rui tinha muito trabalho, mas foi ao cinema. Sobre afinidades e diferen&ccedil;as entre concessivas e adversativas, veja-se Flamenco Garc&iacute;a 1999.</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4" >[4]</a></sup> Como afirmam K&ouml;nig &amp; Siemund (2000:353), “ The background assumtion against which the two clauses of a concessive construction are asserted [p&agrave;~q] seems to involve some kind of generalization over the two specific situations asserted. (…) All the attempts at capturing the relevant presupposition involve some kind of quantification and generalization of the specific propositions p and q.”</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5" >[5]</a></sup> Quando a situa&ccedil;&atilde;o descrita na ora&ccedil;&atilde;o subordinante est&aacute; localizada na esfera do futuro, como em (3), o locutor expressa uma atitude de certeza relativamente &agrave; sua ocorr&ecirc;ncia. </p>      <p><sup><a href="#top6" name="6" >[6]</a></sup> Cf. Peres e Mascarenhas (2006: 135-136), que avan&ccedil;am o teste a que chamam “subordinating clause anaphora” (SCA) para estabelecer uma diferen&ccedil;a entre subordina&ccedil;&atilde;o livre, que admite SCA, e subordina&ccedil;&atilde;o presa (frases completivas, relativas, consecutivas e comparativas), que a rejeita.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top7" name="7" >[7]</a></sup> Em Portugu&ecirc;s, o propredicado <i>fazer</i> retoma anaforicamente predica&ccedil;&otilde;es eventivas, ao passo que o propredicado <i>acontecer</i> retoma predica&ccedil;&otilde;es estativas.</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8" >[8]</a></sup> Quando a situa&ccedil;&atilde;o descrita na subordinante est&aacute; localizada na esfera do futuro, como j&aacute; se assinalou na nota 3, a sua ocorr&ecirc;ncia &eacute; apresentada pelo falante como certa. Ou seja, o falante expressa a sua convic&ccedil;&atilde;o de que a situa&ccedil;&atilde;o se verificar&aacute; no futuro.</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9" >[9]</a></sup> Cf. Silvano 2010, para uma an&aacute;lise mais aprofundada das classes aspectuais e das rela&ccedil;&otilde;es temporais que podem ocorrer nas concessivas de conte&uacute;do em Portugu&ecirc;s. </p>      <p><sup><a href="#top10" name="10" >[10]</a></sup> Importa salientar que a reflex&atilde;o Crevels e Latos &eacute; largamente tribut&aacute;ria das propostas de Lyons 1977 e Hengeveld 1988 sobre distintos tipos sem&acirc;nticos de ora&ccedil;&otilde;es adverbiais: as que denotam estados de coisas ou situa&ccedil;&otilde;es do mundo, as que denotam conte&uacute;dos proposicionais (representa&ccedil;&otilde;es mentais, pensamentos, ou, segundo Lyons (1977:445), “entities of the kind that may function as the objects of such so-called propositional attitudes as belief, expectation and judgement”) e as que configuram modificadores ilocut&oacute;rios, funcionando como atos de fala aut&oacute;nomos. </p>      <p><sup><a href="#top11" name="11" >[11]</a></sup> Exemplos adaptados de Latos 2009. Note-se que em portugu&ecirc;s as concessivas epist&eacute;micas e ilocut&oacute;rias podem ser introduzidas por <i>apesar de</i>, tal como as de conte&uacute;do. </p>      <p><sup><a href="#top12" name="12" >[12]</a></sup> Note-se que, sintaticamente, concessivas epist&eacute;micas e de conte&uacute;do se comportam da mesma forma.</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13" >[13]</a></sup> Crevels 2000 demonstra de forma convincente, numa perspetiva tipol&oacute;gica que parte de dados extra&iacute;dos de um n&eacute;mero bastante alargado de l&iacute;nguas, que h&aacute; uma correla&ccedil;&atilde;o entre o dom&iacute;nio em que opera a concessive e as propriedades formais da constru&ccedil;&atilde;o, nomeadamente os diferentes conetores que a introduzem e os diferentes tipos de organiza&ccedil;&atilde;o sint&aacute;tica (de natureza parat&aacute;tica ou hipot&aacute;tica) que s&atilde;o mobilizados para exprimir a rela&ccedil;&atilde;o concessiva.</p>      <p><sup><a href="#top14" name="14" >[14]</a></sup> Veja-se a inaceitabilidade de (i): *Provavelmente o Rui foi ao cinema, embora tivesse muito trabalho. </p>      <p><sup><a href="#top15" name="15" >[15]</a></sup> Esta equival&ecirc;ncia verifica-se nas concessivas de conte&uacute;do, como foi evidenciado por K&ouml;nig &amp; Siemund (2000) e j&aacute; mencionado na sec&ccedil;&atilde;o 1 deste trabalho (p.5).</p>      <p><sup><a href="#top16" name="16" >[16]</a></sup> A rela&ccedil;&atilde;o causal opera ao n&iacute;vel do plano do conte&uacute;do, contribuindo para a coer&ecirc;ncia sem&acirc;ntica do texto: interliga duas situa&ccedil;&otilde;es do mundo, sendo que uma delas &eacute; interpretada como causa real de uma outra, ou como raz&atilde;o ou motivo subjacente &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma a&ccedil;&atilde;o intencional. Nas constru&ccedil;&otilde;es causais, o falante assere ‘p porque q’. J&aacute; a rela&ccedil;&atilde;o de justifica&ccedil;&atilde;o opera nos planos epist&eacute;mico e ilocut&oacute;rio, contribuindo para a coer&ecirc;ncia pragm&aacute;tico-funcional do texto. Envolve (i) um esquema inferencial defetivo e (ii) duas asser&ccedil;&otilde;es, uma asser&ccedil;&atilde;o principal na qual se plasma a conclus&atilde;o defendida pelo falante, e uma asser&ccedil;&atilde;o subordinada que avan&ccedil;a o argumento (ou a premissa) que sustenta/justifica essa conclus&atilde;o. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A distinta natureza destas duas rela&ccedil;&otilde;es reflete-se no seu comportamento sint&aacute;tico e pros&oacute;dico, e &eacute; marcada, em algumas l&iacute;nguas, pelo uso de distintos conectores (cf. <i>parce que</i> vs. <i>car</i>, em franc&ecirc;s, <i>because</i> vs. <i>for/since</i>, em ingl&ecirc;s, <i>weil</i> vs. <i>denn</i>, em alem&atilde;o). Para uma an&aacute;lise mais aprofundada das constru&ccedil;&otilde;es de justifica&ccedil;&atilde;o, em portugu&ecirc;s, veja-se Lopes 2009.</p>      <p><sup><a href="#top17" name="17" >[17]</a></sup> Note-se que nas concessivas at&eacute; aqui analisadas tal substitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ((i)*/??O Rui foi ao cinema, mas tem muito trabalho; (ii) *Podes ajudar-me, mas eu sei que est&aacute;s cansado?) ou d&aacute; origem a enunciados com distintas interpreta&ccedil;&otilde;es ((iii) Os telem&oacute;veis n&atilde;o s&atilde;o dispens&aacute;veis, mas s&atilde;o prejudiciais &agrave; sa&uacute;de).</p>       ]]></body><back>
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