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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transferências lexicais na aquisição de português como língua terceira ou língua adicional: Um estudo com alunos universitários em Marrocos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The last decade has witnessed an increasing interest in multilingualism and, consequently, a proliferation of studies about the acquisition of a third or additional language (L3/Ln). These studies highlight the differences between the acquisition of an L2 and an L3 and bring about a new research area. In this context, it is our intention to present a study about the lexical acquisition of Portuguese as an L3/Ln by Moroccan university students, who are already inserted in a multilingual context, in which we point out the importance of transfer from a previously acquired second language to the new interlanguage and the factors that influence this transfer. The results show us that the L1 does not always have a preponderant role in the multilingual acquisition.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p> <b>Transfer&ecirc;ncias lexicais na aquisi&ccedil;&atilde;o de portugu&ecirc;s como l&iacute;ngua terceira ou l&iacute;ngua adicional. Um estudo com alunos universit&aacute;rios em Marrocos.</b> </p>      <p> <b>Jorge Pinto*</b> </p>     <p> *Centro de Lingu&iacute;stica da Universidade de Lisboa. </p>      <p><a href="mailto:jalpinto@clul.ul.pt">jalpinto@clul.ul.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p> Na &uacute;ltima d&eacute;cada, verificou-se um aumento do interesse pelo multilinguismo e, consequentemente, uma prolifera&ccedil;&atilde;o dos estudos sobre a aquisi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;ngua terceira ou l&iacute;ngua adicional (L3/L<i>n</i>), destacando-se as diferen&ccedil;as relativamente &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de L2 e demarcando-se uma nova &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o. Neste &acirc;mbito, pretendemos, com este artigo, apresentar um estudo sobre a aquisi&ccedil;&atilde;o do l&eacute;xico de portugu&ecirc;s L3/L<i>n</i> por alunos universit&aacute;rios marroquinos, inseridos num contexto multilingue, no qual salientamos a import&acirc;ncia da transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica a partir das l&iacute;nguas n&atilde;o maternas, adquiridas previamente, para a nova interl&iacute;ngua e os fatores que influenciam essa transfer&ecirc;ncia. Os resultados indicam-nos que nem sempre a L1 tem um papel preponderante na aquisi&ccedil;&atilde;o multilingue. </p>     <p><b>Palavras-chave</b>:aquisi&ccedil;&atilde;o de terceira l&iacute;ngua ou l&iacute;ngua adicional; transfer&ecirc;ncia lexical; multilinguismo; portugu&ecirc;s l&iacute;ngua estrangeira.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> The last decade has witnessed an increasing interest in multilingualism and, consequently, a proliferation of studies about the acquisition of a third or additional language (L3/L<i>n</i>). These studies highlight the differences between the acquisition of an L2 and an L3 and bring about a new research area. In this context, it is our intention to present a study about the lexical acquisition of Portuguese as an L3/Ln by Moroccan university students, who are already inserted in a multilingual context, in which we point out the importance of transfer from a previously acquired second language to the new interlanguage and the factors that influence this transfer. The results show us that the L1 does not always have a preponderant role in the multilingual acquisition. </p>     <p><b>Keywords</b>: acquisition of a third or additional language; lexical transfer; multilingualism; Portuguese as a foreign language.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>O ensino de diversas l&iacute;nguas a grupos de alunos heterog&eacute;neos linguisticamente e culturalmente p&ocirc;s, por um lado, em quest&atilde;o as tradi&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas pr&oacute;prias e diferenciadas das L1 e das l&iacute;nguas estrangeiras (Puren, 1998) e a organiza&ccedil;&atilde;o curricular do ensino das l&iacute;nguas (Roulet, 1980) e, por outro lado, propiciou novos estudos sobre as caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas do conhecimento lingu&iacute;stico dos plurilingues. O pr&oacute;prio Conselho da Europa (2001), no <i>Quadro Europeu Comum de Refer&ecirc;ncia</i> (<i>QECR</i>), refere-se a esta nova realidade – a compet&ecirc;ncia plurilingue e pluricultural –, considerando que n&atilde;o estamos perante uma sobreposi&ccedil;&atilde;o ou justaposi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias distintas, mas antes de uma compet&ecirc;ncia complexa ou mesmo comp&oacute;sita &agrave; qual o utilizador pode recorrer.</p>      <p>Logo, o car&aacute;ter misto e original do conhecimento lingu&iacute;stico dos plurilingues n&atilde;o se pode entender como a mera soma dos saberes parciais de cada l&iacute;ngua (Grosjean, 2001; Herdina &amp; Jessner, 2002), mas como uma multi-compet&ecirc;ncia lingu&iacute;stica (Cook, 1996a). O plurilinguismo implica a constru&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia lingu&iacute;stica que possibilita ao aluno, &agrave; medida que incorpora novas l&iacute;nguas no seu repert&oacute;rio, procurar semelhan&ccedil;as entre as l&iacute;nguas j&aacute; adquiridas e as novas e desenvolver estrat&eacute;gias para lidar com as diferen&ccedil;as, facilitando assim a aquisi&ccedil;&atilde;o destas (Gonz&aacute;lez Pi&ntilde;eiro, Guill&eacute;n D&iacute;az &amp; Vez, 2010).</p>      <p>Neste sentido, o interesse pelo multilinguismo tem aumentado desde o in&iacute;cio deste s&eacute;culo, colocando-se a t&oacute;nica nos benef&iacute;cios que a educa&ccedil;&atilde;o multilingue traz e na forma como se processa a aquisi&ccedil;&atilde;o multilingue. Estudos na &aacute;rea da aquisi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;ngua terceira ou l&iacute;ngua adicional (L3/L<i>n</i>), que demarcaram uma &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o dentro da aquisi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;nguas n&atilde;o maternas, contribu&iacute;ram amplamente para uma melhor compreens&atilde;o do fen&oacute;meno. </p>      <p>Com este artigo, pretendemos apresentar um estudo realizado com alunos marroquinos maioritariamente plurilingues, que adquirem o portugu&ecirc;s como L3/L<i>n</i>, em contexto exolingue. Trata-se de alunos, falantes de &aacute;rabe (das suas duas variedades – dialectal e standard), que estiveram (e continuam a estar) expostos a mais de uma l&iacute;ngua estrangeira, em contextos formais e informais de aprendizagem. Ser&atilde;o analisados dados recolhidos das produ&ccedil;&otilde;es escritas de 31 alunos dos 3 anos da Licenciatura em Estudos Portugueses, da Faculdade de Letras e de Ci&ecirc;ncias Humanas de Rabat, com o intuito de verificarmos que l&iacute;ngua(s) previamente adquirida(s) &eacute; (s&atilde;o) fonte de transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica e que apoia(m) os alunos na constru&ccedil;&atilde;o da sua interl&iacute;ngua.</p>      <p><b>1. Aquisi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;ngua terceira ou l&iacute;ngua adicional (L3/L<i>n</i>)</b></p>      <p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada, surgiram v&aacute;rios estudos que procuram explicar o processo de aquisi&ccedil;&atilde;o de L3/L<i>n</i> e demonstrar as diferen&ccedil;as que existem relativamente &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de L2 (Jessner, 1999; Herdina &amp; Jessner, 2000; Cenoz, 2001, 2003; Cenoz, Hufeisen &amp; Jessner, 2001), que at&eacute; agora, segundo a perspetiva de alguns autores anglo-sax&oacute;nicos (Klein, 1986; Sharwood Smith, 1994; Gass, 1996; Ellis, 1997), era considerada como qualquer l&iacute;ngua adquirida depois da materna e que, por isso, poderia referir-se &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de uma segunda, terceira ou quarta l&iacute;ngua. Assim, como aqueles autores, consideramos que um aluno plurilingue possui um conhecimento diferente de um aluno de L2. Este &eacute; um iniciante na aprendizagem de uma l&iacute;ngua segunda ou estrangeira e apenas tem como ponto de refer&ecirc;ncia a sua L1; o primeiro, quando inicia a aprendizagem de uma L3/L<i>n</i>, j&aacute; conhece o processo de aprendizagem de uma (ou mais) l&iacute;ngua estrangeira e, por conseguinte, j&aacute; possui um diferente tipo de consci&ecirc;ncia lingu&iacute;stica e algumas estrat&eacute;gias que o ajudam a construir o seu conhecimento da nova l&iacute;ngua-alvo. Como referem Rothman, Iverson e Judy (2011: 6), “[i]n the case of L3 acquisition, these learners, among other differences, all have more sources for initial state hypotheses than a monolingual L2 learner”. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conceito de L2 foi muitas vezes referido, envolto em alguma controv&eacute;rsia, devido &agrave;s diferentes ace&ccedil;&otilde;es que foram sendo apresentadas ao longo dos tempos. Ellis (op. cit.) e Klein (op. cit.), opondo-se a outros autores como Crystal (1997) e Stern (1983), defendem que o termo <i>segunda</i> n&atilde;o deve ser entendido como oposto a <i>estrangeira</i>; com efeito, uma l&iacute;ngua pode ser designada de L2, quer seja aprendida de forma natural, como resultado da viv&ecirc;ncia num pa&iacute;s onde ela &eacute; falada e usada frequentemente como meio de comunica&ccedil;&atilde;o (nos dom&iacute;nios educativo, administrativo, pol&iacute;tico…), ou aprendida apenas em contexto formal de sala de aula. Estudos em Portugal (cf. Leiria, 2004, 2006) apontam igualmente para esta perspectiva da L2 (l&iacute;ngua n&atilde;o materna) como designa&ccedil;&atilde;o de l&iacute;ngua segunda (l&iacute;ngua de Estado e de ensino, que pode ser adquirida sem recurso &agrave; escola) e de l&iacute;ngua estrangeira (aprendida em contextos exolingues, recorrendo principalmente ao ensino formal). </p>      <p>Tal como aconteceu com a defini&ccedil;&atilde;o do termo L2, observa-se ainda alguma ambiguidade no uso de L3: para uns autores o conceito aplica-se a uma ou v&aacute;rias l&iacute;nguas adquiridas depois da L2 e, para outros, apenas &agrave; terceira l&iacute;ngua, de acordo com a ordem de aquisi&ccedil;&atilde;o no tempo (Safont Jord&agrave;, 2005; De Angelis, 2007; Jessner, 2008). Em geral, n&atilde;o &eacute; tido em conta o factor ‘profici&ecirc;ncia lingu&iacute;stica’, na discuss&atilde;o sobre a defini&ccedil;&atilde;o de L2 e L3, mas alguns investigadores chamam a aten&ccedil;&atilde;o para o caso dos falantes bilingues: neste caso, na L2, o bilingue tem um elevado grau de profici&ecirc;ncia. Assim, Jessner (2008) considera problem&aacute;tico quando os estudos incluem bilingues, a par de monolingues, pois, por vezes, n&atilde;o h&aacute; uma distin&ccedil;&atilde;o clara entre bilingues aprendendo uma L3 e outros sujeitos, monolingues e falando uma L2, a aprenderem a mesma L3, de forma sequencial: “[s]ome are naturalistic adult L2 learners while others are child L2 learners and simultaneous bilinguals learning a third language in adulthood. Still others – the most common case – are classroom L2 learners acquiring a third language…” (Rothman <i>et al.</i>, op. cit.: 7). A prop&oacute;sito desta complexidade, Cenoz (2000) apresenta quatro tipos de ordem de aquisi&ccedil;&atilde;o:</p>      <p>(i) aquisi&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea: L1/ L2/ L3;</p>      <p>(ii) aquisi&ccedil;&atilde;o consecutiva: L1, L2 e L3;</p>      <p>(iii) aquisi&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea L2/L3 depois da aquisi&ccedil;&atilde;o de L1;</p>      <p>(iv) aquisi&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea L1/L2 antes da aprendizagem de L3.</p>      <p>No nosso caso, ao longo deste trabalho, optaremos pela designa&ccedil;&atilde;o <i>aquisi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;ngua terceira ou l&iacute;ngua adicional</i> (L3/L<i>n</i>), referindo-nos a “all languages beyond de L2 without giving reference to any particular language.” (De Angelis, 2008: 11). Esta denomina&ccedil;&atilde;o permite-nos reunir num mesmo grupo aprendentes de L3/L<i>n</i> que j&aacute; adquiriram pelo menos duas l&iacute;nguas e que, por isso, possuem um maior conhecimento metalingu&iacute;stico e uma maior experi&ecirc;ncia na aprendizagem formal de l&iacute;nguas do que um aprendente de L2. Nestes casos, parece-nos claro que um aluno que tenha adquirido j&aacute;, no m&iacute;nimo, uma l&iacute;ngua n&atilde;o materna, procurar&aacute; compensar a falta de conhecimento na aprendizagem da L3/L<i>n</i> recorrendo n&atilde;o s&oacute; &agrave; sua L1 como, em boa parte dos casos, &agrave; L2. </p>      <p><b>2. Alguns factores que afectam a transfer&ecirc;ncia lexical (L2 ? L3/L<i>n</i>)</b></p>      <p>A transfer&ecirc;ncia lexical &eacute; um processo cognitivo essencial na aprendizagem de uma l&iacute;ngua nova. Os alunos estabelecem rela&ccedil;&otilde;es de equival&ecirc;ncia entre as palavras das l&iacute;nguas previamente adquiridas e as da l&iacute;ngua-alvo e, com base nesta identifica&ccedil;&atilde;o interlingu&iacute;stica, transferem itens lexicais que consideram comuns nas l&iacute;nguas em compara&ccedil;&atilde;o (Ringbom, 2006). </p>      <p>A transfer&ecirc;ncia lexical pode ser manifestada de duas maneiras: atrav&eacute;s de uma transfer&ecirc;ncia da forma e de uma transfer&ecirc;ncia do significado (De Angelis &amp; Selinker, 2001; Ringbom, 2001). A primeira consiste no uso de palavras de outras l&iacute;nguas previamente adquiridas, adaptadas ou n&atilde;o &agrave;s estruturas das palavras da l&iacute;ngua-alvo, na produ&ccedil;&atilde;o da L3/L<i>n</i>. Este tipo de transfer&ecirc;ncia ocorre “in complete language switches and in the use of deceptive cognates. The learner’s code-switching can also be modified in that the form of the code switched word may be altered according to assumed L3-principles, producing hybrids or blends that do not exist in L3” (Ringbom, 2001: 60). O segundo tipo corresponde &agrave; transfer&ecirc;ncia de padr&otilde;es sem&acirc;nticos de unidades lexicais da l&iacute;ngua materna e/ou da(s) l&iacute;ngua(s) n&atilde;o materna(s) para as unidades da l&iacute;ngua-alvo, sob a forma de decalques sem&acirc;nticos (tradu&ccedil;&atilde;o literal do empr&eacute;stimo, cf. Ortega, 2008) e de extens&otilde;es sem&acirc;nticas (Ringbom, 2001). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de muitos estudos terem demonstrado que a l&iacute;ngua materna &eacute; uma fonte privilegiada de transfer&ecirc;ncia, outros (e.g. Dewaele, 1998; Williams &amp; Hammarberg, 1998) comprovaram igualmente que outras l&iacute;nguas poder&atilde;o desempenhar um papel preponderante na aquisi&ccedil;&atilde;o de L3 e constituir-se como fonte principal de transfer&ecirc;ncia. A literatura, neste dom&iacute;nio, mostra-nos que existem alguns fatores que afetam a transfer&ecirc;ncia de uma l&iacute;ngua n&atilde;o materna para a l&iacute;ngua-alvo.</p>      <p>A maior parte dos estudos que surgiram nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas sobre transfer&ecirc;ncia focalizaram-se essencialmente na transfer&ecirc;ncia da l&iacute;ngua materna para as l&iacute;nguas estrangeiras (e.g. Krashen, 1981; Kellerman, 1984; Cook, 1996b). No entanto, outros autores (e.g. Odlin, 1989; Sharwood Smith, op. cit.) inclu&iacute;ram nas suas defini&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&oacute; a influ&ecirc;ncia da L1 como tamb&eacute;m a de outras l&iacute;nguas previamente adquiridas na aprendizagem de uma nova l&iacute;ngua. “[…] the influence of the mother tongue on the learner’s performance in and/ or development of a given target language; by extension, it also <i>means the influence of any ‘other tongue’ known to the learner on that target language</i>” (Sharwood Smith, op. cit.: 198).</p>      <p>Para estes autores, as l&iacute;nguas estrangeiras, para al&eacute;m da L1, s&atilde;o igualmente consideradas potenciais fontes de transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica. Ali&aacute;s, alguns estudos revelam que, por vezes, as transfer&ecirc;ncias ocorrem a partir de uma l&iacute;ngua n&atilde;o materna e n&atilde;o da materna (Hammarberg, 2001; Ringbom, 2001; Jessner, 2008; Moln&aacute;r, 2008). Inclusive, autores como Jessner (2003) consideram que o papel que a transfer&ecirc;ncia pode desempenhar na aprendizagem de l&iacute;nguas &eacute; amplamente reconhecido juntamente com os benef&iacute;cios cognitivos que adv&ecirc;m do contacto entre duas ou mais l&iacute;nguas. Ringbom (2007) refor&ccedil;a esta ideia admitindo que a busca de semelhan&ccedil;as entre o repert&oacute;rio lingu&iacute;stico dos aprendentes &eacute; uma caracter&iacute;stica natural da aprendizagem multilingue.</p>      <p>A natureza da transfer&ecirc;ncia interlingu&iacute;stica &eacute; determinada por diferentes factores que a influenciam. De seguida fazemos uma revis&atilde;o daqueles que nos parecem relevantes para o estudo em quest&atilde;o.</p>      <p><i>Proximidade tipol&oacute;gica</i></p>      <p>Este fator surge como um dos mais importantes que justifica a possibilidade de transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica. A proximidade tipol&oacute;gica entre a L2 e a L3 facilita a transfer&ecirc;ncia, especialmente se a L1 for mais distante, tal como provaram alguns estudos que abordam o papel da tipologia na aquisi&ccedil;&atilde;o de L3 (Williams &amp; Hammarberg, op. cit.; Cenoz, 2001; Hammarberg, op. cit.; Ringbom, 2001). Portanto, nos casos em que a L1 se afasta tipologicamente da L3, os alunos tendem a ativar os seus conhecimentos de outra(s) l&iacute;ngua(s) previamente adquirida(s), mais pr&oacute;xima(s) da l&iacute;ngua-alvo, e a efetuar transfer&ecirc;ncias a partir daquela que &eacute; percebida como sendo a mais pr&oacute;xima, que pode corresponder ou n&atilde;o &agrave; dist&acirc;ncia que efetivamente existe entre elas (De Angelis, op. cit.).</p>      <p><i>Exposi&ccedil;&atilde;o a l&iacute;nguas n&atilde;o maternas</i></p>      <p>Alguns autores sustentam que o uso recente de determinada l&iacute;ngua n&atilde;o materna facilita a ocorr&ecirc;ncia de transfer&ecirc;ncia para a l&iacute;ngua-alvo, dado o f&aacute;cil acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica armazenada na mem&oacute;ria do falante (cf. Poulisse, 1997). O estudo de Williams e Hammarberg (op. cit.) considera o uso recente de uma l&iacute;ngua n&atilde;o nativa como um dos principais fatores que influencia a transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica no processo de produ&ccedil;&atilde;o na L3. Hammarberg (op. cit.: 23) defende que “L2 is activated more easily if the learner has used it recently and thus maintained easy access to it”.</p>      <p><i>Compet&ecirc;ncia lingu&iacute;stica</i></p>      <p>Na literatura, este fator &eacute; abordado essencialmente tendo em conta o n&iacute;vel de compet&ecirc;ncia na l&iacute;ngua-alvo. Quanto ao n&iacute;vel de compet&ecirc;ncia na(s) l&iacute;ngua(s) de partida ainda h&aacute; um conhecimento muito reduzido de como este afeta o processo de transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica, uma vez que n&atilde;o existem estudos que analisem o n&iacute;vel de compet&ecirc;ncia na(s) l&iacute;ngua(s) de partida como um fator central. Relativamente ao primeiro caso, Hammarberg (op. cit.) e Ringbom (2001) reivindicam que a transfer&ecirc;ncia de uma l&iacute;ngua n&atilde;o materna para a L3 &eacute; favorecida se o aluno tiver uma compet&ecirc;ncia elevada na L2, sobretudo se esta foi adquirida e usada em contextos reais de comunica&ccedil;&atilde;o. Alguns autores sustentam, tamb&eacute;m, que a transfer&ecirc;ncia ocorre tendencialmente nos primeiros est&aacute;gios de aquisi&ccedil;&atilde;o, enquanto o conhecimento dos alunos da l&iacute;ngua-alvo ainda &eacute; escasso e fragmentado e, por conseguinte, estes necessitam de preencher as lacunas lingu&iacute;sticas que sentem (Odlin, op. cit.; Williams &amp; Hammarberg, op. cit.).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>“Estrangeiridade” das palavras (“the ‘foreign-ness’ of words”</i><sup><a href="#1" name="top1" ><i>[1]</i></a></sup><i>) </i></p>      <p>De Angelis e Selinker (op. cit.) consideram que a poss&iacute;vel associa&ccedil;&atilde;o na mente do aluno plurilingue do car&aacute;ter de <i>estrangeiridade</i> das palavras pode constituir um fator que afeta a transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica, uma vez que esta associa&ccedil;&atilde;o ter&aacute; um impacto na produ&ccedil;&atilde;o da interl&iacute;ngua. Segundo estes autores, a transfer&ecirc;ncia para a L3 de l&eacute;xico considerado pelos alunos como <i>estrangeiro</i> pode ser referido por estes, em detrimento de l&eacute;xico da l&iacute;ngua materna. Neste sentido, De Angelis e Selinker acreditam que h&aacute; um poss&iacute;vel modo cognitivo designado ‘falar estrangeiro’<sup><a href="#2" name="top2" >[2]</a></sup> ou ‘modo de l&iacute;ngua estrangeira’<sup><a href="#3" name="top3" >[3]</a></sup> que facilita o processo de transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica, a partir de l&iacute;nguas n&atilde;o maternas.</p>      <p><b>3. O estudo</b></p>      <p><b>3.1. Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos sujeitos</b></p>      <p>Neste estudo participaram 31 alunos (70% dos alunos inscritos) da Licenciatura em Estudos Portugueses da Faculdade de Letras e de Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade Mohammed V – Agdal, em Rabat. Atrav&eacute;s de um primeiro question&aacute;rio foi poss&iacute;vel fazer uma caracteriza&ccedil;&atilde;o sociolingu&iacute;stica dos informantes, sobretudo no que toca ao seu percurso lingu&iacute;stico. Este grupo de alunos apresenta a particularidade de 42% j&aacute; possuir outra licenciatura: 35,5% em Estudos Hisp&acirc;nicos, 3,25% em Estudos Alem&atilde;es, 3,25% em Estudos &Aacute;rabes. Os restantes 58% n&atilde;o t&ecirc;m nenhum grau superior. Comum a todos eles o facto de j&aacute; revelarem compet&ecirc;ncias lingu&iacute;sticas em franc&ecirc;s, primeira l&iacute;ngua estrangeira ou l&iacute;ngua estrangeira privilegiada no pa&iacute;s, fruto da aprendizagem formal, desde o Ensino Fundamental at&eacute; ao <i>Terminal</i> (equivalente ao 12.&ordm; ano), e da aprendizagem informal, visto ser uma l&iacute;ngua omnipresente no quotidiano marroquino, sobretudo nos centros urbanos. No entanto, e ao contr&aacute;rio do que seria de esperar, n&atilde;o representa para todos a LE com maior profici&ecirc;ncia, pois apenas 51,5% a indicou como tal. Dos restantes, 35,5% considerou ser o espanhol, 6,5% o ingl&ecirc;s e 3,25% o alem&atilde;o; 3,25% n&atilde;o respondeu.</p>      <p>&nbsp;</p>  <a name="t1">     <p><b>Tabela 1 Profici&ecirc;ncia lingu&iacute;stica indicada pelos informantes</b></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td rowspan="2" >    <p><b>Ano da licenciatura</b></p></td> <td rowspan="2" >    <p><b>N.&ordm; de alunos</b></p></td> <td colspan="5" >    <p><b>LE com maior profici&ecirc;ncia lingu&iacute;stica</b></p></td> </tr>  <tr> <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Franc&ecirc;s</b></p></td> <td>    <p><b>Espanhol</b></p></td> <td>    <p><b>Ingl&ecirc;s</b></p></td> <td>    <p><b>Alem&atilde;o</b></p></td> <td>    <p><b>NR</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>1.&ordm; ano</p></td> <td>    <p>13</p></td> <td>    <p>6</p></td> <td>    <p>6</p></td> <td>    <p>0</p></td> <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>0</p></td> <td>    <p>1</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>2.&ordm; ano</p></td> <td>    <p>9</p></td> <td>    <p>4</p></td> <td>    <p>3</p></td> <td>    <p>2</p></td> <td>    <p>0</p></td> <td>    <p>0</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>3.&ordm; ano</p></td> <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>9</p></td> <td>    <p>6</p></td> <td>    <p>2</p></td> <td>    <p>0</p></td> <td>    <p>1</p></td> <td>    <p>0</p></td> </tr>  </tbody> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os alunos de portugu&ecirc;s LE, em Marrocos, situam-se essencialmente ao n&iacute;vel universit&aacute;rio. A maioria deles, quando inicia a aprendizagem desta l&iacute;ngua, j&aacute; possui para al&eacute;m da respectiva l&iacute;ngua materna, conhecimentos noutras l&iacute;nguas estrangeiras, principalmente em franc&ecirc;s e espanhol, mas tamb&eacute;m em ingl&ecirc;s, o que acaba por se refletir na aquisi&ccedil;&atilde;o da primeira. O contacto com o portugu&ecirc;s &eacute; feito numa fase avan&ccedil;ada da forma&ccedil;&atilde;o destes alunos, sendo a quarta ou quinta l&iacute;ngua que adquirem, facto que deve ser tido em conta na an&aacute;lise dos resultados. Trata-se, portanto, de alunos, na sua maioria, plurilingues.</p>      <p>&nbsp;</p>  <a name="t2">     <p><b>Tabela 2 N&uacute;mero de LE faladas, al&eacute;m do portugu&ecirc;s</b></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td rowspan="2" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Ano da licenciatura</b></p></td> <td rowspan="2" >    <p><b>N.&ordm; de alunos</b></p></td> <td colspan="3" >    <p><b>N&uacute;mero LE faladas</b></p></td> </tr>  <tr> <td>    <p><b>1</b></p></td> <td>    <p><b>2</b></p></td> <td>    <p><b>3</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>1.&ordm; ano</p></td> <td>    <p>13</p></td> <td>    <p>0</p></td> <td>    <p>9</p></td> <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>4</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>2.&ordm; ano</p></td> <td>    <p>9</p></td> <td>    <p>2</p></td> <td>    <p>5</p></td> <td>    <p>2</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>3.&ordm; ano</p></td> <td>    <p>9</p></td> <td>    <p>0</p></td> <td>    <p>4</p></td> <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>5</p></td> </tr>  </tbody> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os tr&ecirc;s anos da licenciatura encontram-se divididos de acordo com os seguintes tr&ecirc;s n&iacute;veis de l&iacute;ngua: 1.&ordm; ano – n&iacute;vel elementar (A2), 2.&ordm; ano – n&iacute;vel interm&eacute;dio (B1) e 3.&ordm; ano – n&iacute;vel interm&eacute;dio/avan&ccedil;ado (B2/C1). Os informantes, dentro de cada grupo, n&atilde;o constituem um grupo perfeitamente homog&eacute;neo, como esper&aacute;vel, uma vez que os factores individuais de aprendizagem influenciam o n&iacute;vel em que cada um deles se insere. Neste estudo, optamos por n&atilde;o apresentar percentagens exatas das transfer&ecirc;ncias lexicais realizadas pelos alunos enquadrados em diferentes n&iacute;veis de l&iacute;ngua dentro do mesmo grupo, por aquelas serem transversais &agrave; maioria dos informantes, por as diferen&ccedil;as percentuais n&atilde;o serem significativas e por o estudo n&atilde;o ter objetivos quantitativos.</p>      <p><b>3.2. Metodologia e resultados</b></p>      <p>Foi solicitado a todos os alunos intervenientes que preenchessem uma ficha de perfil sociolingu&iacute;stico e realizassem uma produ&ccedil;&atilde;o escrita, seleccionando um dos quatro est&iacute;mulos propostos. Estes est&iacute;mulos foram selecionados tendo em conta os diferentes n&iacute;veis de l&iacute;ngua e o grau de dificuldade inerente a cada um deles. No entanto, os informantes tiveram total liberdade de op&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Com base na an&aacute;lise de conte&uacute;do do corpus escrito recolhido, constitu&iacute;do por 31 produ&ccedil;&otilde;es lingu&iacute;sticas, correspondentes ao n&uacute;mero de alunos envolvidos no estudo, num total de 7621 palavras (1.&ordm; ano – 2312, 2.&ordm; ano – 2327, 3.&ordm; ano – 2982), pretendemos verificar as influ&ecirc;ncias que as outras l&iacute;nguas j&aacute; adquiridas exercem na aprendizagem do PLE. Partimos da hip&oacute;tese de que a frequ&ecirc;ncia de transfer&ecirc;ncias seria maior a partir das l&iacute;nguas n&atilde;o maternas do que do &aacute;rabe. No sentido de a testarmos, foi feito um levantamento de todas as transfer&ecirc;ncias realizadas pelos alunos ao n&iacute;vel do l&eacute;xico, pois consideramos, tal como Moln&aacute;r (op. cit.), que este desempenha um papel importante na aprendizagem das l&iacute;nguas e que a transfer&ecirc;ncia a partir de l&iacute;nguas previamente adquiridas &eacute; mais evidente neste caso. </p>      <p>Da an&aacute;lise global dos dados, verificou-se que todas as transfer&ecirc;ncias efetuadas ocorreram a partir das duas l&iacute;nguas estrangeiras mais dominantes no grupo (franc&ecirc;s e espanhol). </p>      <p>A <a href="#t3">Tabela 3</a> mostra-nos que a maior quantidade de transfer&ecirc;ncias se efetua no primeiro ano da licenciatura e que diminui gradualmente ao longo do curso, resultado de uma maior profici&ecirc;ncia lingu&iacute;stica que os alunos v&atilde;o adquirindo, separando progressivamente as l&iacute;nguas-alvo. Ainda que o n&uacute;mero de alunos se tenha praticamente mantido do segundo para o terceiro ano, o n&uacute;mero de transfer&ecirc;ncias baixou para mais de metade (19 para 8). Podemos ainda constatar que o n&uacute;mero de palavras plenas transferidas (87%) &eacute; bastante superior ao n&uacute;mero de palavras gramaticais (13%). Apesar de nesta fase da investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o haver ainda realizado um estudo quantitativo dos dados, a informa&ccedil;&atilde;o contida na <a href="#t4">Tabela 4</a> pode constituir um contributo para a discuss&atilde;o sobre as percentagens relativas de transfer&ecirc;ncia de palavras plenas e de palavras gramaticais (ver, por exemplo, Poulisse &amp; Bongaerts,1994, <i>apud</i> Murphy, 2003).</p>      <p>&nbsp;</p>  <a name="t3">     <p><b>Tabela 3 Est&iacute;mulos propostos</b></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Est&iacute;mulos </b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>N&uacute;mero de produ&ccedil;&otilde;es obtidas</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Escreva um texto em que se apresente, em que fale das suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas, da sua vida familiar, da sua casa, dos seus gostos e dos seus desejos. Se n&atilde;o quiser falar de si, pode inventar!</p></td> <td>    <p>14</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Escreva um texto contando as melhores f&eacute;rias da sua vida ou umas de que tenha gostado particularmente.</p></td> <td>    <p>5</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Imagine que ganhava uma bolsa de estudo para estudar no estrangeiro. Diga que pa&iacute;s, que universidade e que curso escolheria. Diga tamb&eacute;m como imagina que iria ser a sua vida nesse novo local.</p></td> <td>    <p>4</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Muitas pessoas v&ecirc;em na emigra&ccedil;&atilde;o uma sa&iacute;da para a sua vida, no entanto, em muitos casos, ao emigrarem, descobrem que a realidade n&atilde;o corresponde ao sonho. Recorde tipos de problemas que se podem encontrar num pa&iacute;s estrangeiro. Se quiser, pode ilustrar com um caso que conhe&ccedil;a.</p></td> <td>    <p>8</p></td> </tr>  </tbody> </table>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>   <a name="t4">     <p><b>Tabela 4 Total de transfer&ecirc;ncias lexicais realizadas</b></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td rowspan="2" >    <p><b>Ano da licenciatura</b></p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p><b>N&uacute;mero de palavras transferidas</b></p></td> <td rowspan="2" >    <p><b>N&uacute;mero de alunos a fazer transfer&ecirc;ncias</b></p></td> </tr>  <tr> <td>    <p><b>Plenas</b></p></td> <td>    <p><b>Gramaticais</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>1.&ordm; ano</b></p></td> <td>    <p>23</p></td> <td>    <p>4</p></td> <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>10</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>2.&ordm; ano</b></p></td> <td>    <p>18</p></td> <td>    <p>1</p></td> <td>    <p>6</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>3.&ordm; ano</b></p></td> <td>    <p>6</p></td> <td>    <p>2</p></td> <td>    <p>5</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Total</b></p></td> <td>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>47</p></td> <td>    <p>7</p></td> <td>    <p>21</p></td> </tr>  </tbody> </table>      <p>&nbsp;</p>  <a name="t5">     <p><b>Tabela 5 N&uacute;mero de transfer&ecirc;ncias lexicais por l&iacute;ngua-fonte</b></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td rowspan="2" >    <p><b>Ano da licenciatura</b></p></td> <td colspan="2" >    <p><b>Franc&ecirc;s</b></p></td> <td colspan="2" >    <p><b>Espanhol</b></p></td> <td rowspan="2" >    <p><b>Total</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Palavras plenas</p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Palavras gramaticais</p></td> <td valign="top" >    <p>Palavras plenas</p></td> <td valign="top" >    <p>Palavras gramaticais</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>1.&ordm; ano</b></p></td> <td valign="top" >    <p>13</p></td> <td valign="top" >    <p>1</p></td> <td valign="top" >    <p>10</p></td> <td valign="top" >    <p>3</p></td> <td valign="top" >    <p>27</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>2.&ordm; ano</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>11</p></td> <td valign="top" >    <p>0</p></td> <td valign="top" >    <p>7</p></td> <td valign="top" >    <p>1</p></td> <td valign="top" >    <p>19</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>3.&ordm; ano</b></p></td> <td valign="top" >    <p>1</p></td> <td valign="top" >    <p>2</p></td> <td valign="top" >    <p>5</p></td> <td valign="top" >    <p>0</p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>8</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p><b>Total</b></p></td> <td valign="top" >    <p>25</p></td> <td valign="top" >    <p>3</p></td> <td valign="top" >    <p>22</p></td> <td valign="top" >    <p>4</p></td> <td valign="top" >    <p>54</p></td> </tr>  </tbody> </table>     <p>&nbsp;</p>     <p>Do total das transfer&ecirc;ncias, constatamos que 48% tiveram como l&iacute;ngua de partida o espanhol e 52% o franc&ecirc;s. Os resultados da <a href="#t4">Tabela 4</a> demonstram portanto que estas duas l&iacute;nguas s&atilde;o de igual modo fonte de transfer&ecirc;ncia e que n&atilde;o existe grande discrep&acirc;ncia entre o n&uacute;mero de transfer&ecirc;ncias proveniente de cada uma delas ao longo dos tr&ecirc;s anos. De algum modo, estes dados relacionam-se com os valores apresentados na <a href="#t1">Tabela 1</a>, pois embora tr&ecirc;s alunos tenham indicado ter uma maior profici&ecirc;ncia noutras l&iacute;nguas que n&atilde;o o franc&ecirc;s e o espanhol, n&atilde;o se verificou qualquer influ&ecirc;ncia de nenhuma delas, sendo estas duas as que apresentaram uma maior percentagem de respostas.</p>      <p>Nos textos analisados, tivemos em aten&ccedil;&atilde;o a adequa&ccedil;&atilde;o lexical, a grafia e a morfologia das palavras; detetamos diversas formas h&iacute;bridas compostas a partir do l&eacute;xico franc&ecirc;s e do espanhol que se assemelham ao portugu&ecirc;s, mas cuja grafia n&atilde;o corresponde a nenhuma delas. Exemplificamos nas duas tabelas seguintes:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <a name="t6">     <p><b>Tabela 6 Formas h&iacute;bridas compostas a partir do franc&ecirc;s</b></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td valign="top" >    <p><b>Ano da licenciatura</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Forma h&iacute;brida</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Palavra francesa</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Palavra portuguesa</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>1.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>peintura</p></td> <td valign="top" >    <p>peinture</p></td> <td valign="top" >    <p>pintura</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>montagnha</p></td> <td valign="top" >    <p>montagne</p></td> <td valign="top" >    <p>montanha</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>2.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>pronon&ccedil;ar</p></td> <td valign="top" >    <p>prononcer</p></td> <td valign="top" >    <p>pronunciar</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>2.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>cousina<sup><a href="#4" name="top4" >[4]</a></sup></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>cuisine</p></td> <td valign="top" >    <p>cozinha</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>3.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>europianos</p></td> <td valign="top" >    <p>europ&eacute;ens</p></td> <td valign="top" >    <p>europeus</p></td> </tr>  </tbody> </table>      <p>&nbsp;</p>  <a name="t7">     <p><b>Tabela 7 Formas h&iacute;bridas compostas a partir do espanhol</b></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td valign="top" >    <p><b>Ano da licenciatura</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Forma h&iacute;brida</b></p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavra espanhola</b></p></td> <td valign="top" >    <p><b>Palavra portuguesa</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>1.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>desporte</p></td> <td valign="top" >    <p>deporte</p></td> <td valign="top" >    <p>desporto</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>1.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>dineiros</p></td> <td valign="top" >    <p>dinero</p></td> <td valign="top" >    <p>dinheiro</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>seguridade</p></td> <td valign="top" >    <p>seguridad</p></td> <td valign="top" >    <p>seguran&ccedil;a</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>2.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>extranjeiro</p></td> <td valign="top" >    <p>extranjero</p></td> <td valign="top" >    <p>estrangeiro</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>3.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>inter&eacute;se</p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>inter&eacute;s</p></td> <td valign="top" >    <p>interesse</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>3.&ordm; ano</p></td> <td valign="top" >    <p>respeituoso</p></td> <td valign="top" >    <p>respetuoso</p></td> <td valign="top" >    <p>respeitoso</p></td> </tr>  </tbody> </table>     <p>&nbsp;</p>      <p>Nestes dois casos, observa-se uma cria&ccedil;&atilde;o neol&oacute;gica, formada por elementos correspondentes &agrave;s duas l&iacute;nguas em contacto. Os alunos j&aacute; revelam ter alguns conhecimentos da estrutura das palavras em portugu&ecirc;s, da utiliza&ccedil;&atilde;o correcta de algumas desin&ecirc;ncias. No entanto, a sua compet&ecirc;ncia lingu&iacute;stica em portugu&ecirc;s ainda &eacute; baixa, pelo que o aluno produz, de modo n&atilde;o intencional, formas da interl&iacute;ngua que consistem na jun&ccedil;&atilde;o de segmentos parciais da L2 e da L3/L<i>n</i>, tentativas de adapta&ccedil;&atilde;o fonol&oacute;gica e morfol&oacute;gica ao portugu&ecirc;s, como a sua grafia revela.</p>      <p>Ao n&iacute;vel idiossincr&aacute;sico, verifica-se tamb&eacute;m que o espanhol e o franc&ecirc;s s&atilde;o as duas l&iacute;nguas que constituem as principais fontes de transfer&ecirc;ncia, havendo, neste caso, um predom&iacute;nio da primeira. </p>      <p>(1) Exemplos de transfer&ecirc;ncia do franc&ecirc;s</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>“Tamb&eacute;m gosto muito de comer <i>couscous</i>…” (1.&ordm; ano)</p>      <p>“<i>Ma</i> familia vive em Khimesset.” (1.&ordm; ano)</p>      <p>“… perto da <i>capitale</i> Rabat.” (2.&ordm; ano)</p>      <p>“…e dar &agrave; pessoa um vida seguro com <i>justice</i> social…” (2.&ordm; ano)</p>      <p>(2) Exemplos de transfer&ecirc;ncia do espanhol</p>      <p>“… numa <i>facultad</i> de Rabat.” (1.&ordm; ano)</p>      <p>“… <i>deseo</i> ser professor da l&iacute;ngua portuguesa no futuro.” (1.&ordm; ano)</p>      <p>“Digo que a <i>reglar</i> tudos os problemas &eacute; acabar com a ditadura…” (2.&ordm; ano)</p>      <p>“… a nossa verdadeira riqueza, que nos d&aacute; um novo <i>aliento</i> para poder seguir o caminho da vida.” (3.&ordm; ano)</p>      <p>“… e sobretudo ter esse esp&iacute;rito da toler&acirc;ncia e do <i>respeto</i>, coisas muito importantes e fundamentais na vida…” (3.&ordm; ano)</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foram ainda detetados alguns decalques sem&acirc;nticos realizados a partir do franc&ecirc;s, como se pode observar atrav&eacute;s dos exemplos seguintes.</p>      <p>(3) Decalques sem&acirc;nticos a partir do franc&ecirc;s</p>      <p>“Eu sou uma <i>filha</i> (<i>fille</i>) marroquina.” (1.&ordm; ano)</p>      <p>“… o meu <i>grande irm&atilde;o</i> (<i>grand fr&egrave;re</i>) n&atilde;o fora connosco…” (1.&ordm; ano)</p>      <p>“… a problema dos <i>papeis</i>(<i>les papiers</i>).” (1. ano)</p>      <p>“… a conjontura econ&oacute;mica e financeira de Portugal esteve muito m&aacute; <i>a causa da</i> (<i>&agrave; cause de</i>) crise.” (3.&ordm; ano)</p>      <p>“…e quando o seu sonho se realiza, n&atilde;o estava feliza falta do (<i>faute de</i>) racismo.” (3.&ordm; ano).</p>      <p>(4) Decalque sem&acirc;ntico a partir do espanhol</p>      <p>“… temos uma casa de 5 habita&ccedil;&otilde;es (<i>habitaciones</i>)…” (2.&ordm; ano)</p>      <p>Tendo em vista o elevado n&uacute;mero de palavras que constitui os corpora dos tr&ecirc;s anos da licenciatura, &eacute; de salientar o facto de que o n&uacute;mero de transfer&ecirc;ncias lexicais (morfol&oacute;gicas) &eacute; bastante baixo, mesmo nas produ&ccedil;&otilde;es dos alunos do 1.&ordm; ano, o que demonstra que o seu conhecimento lexical &eacute; bastante grande.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados obtidos permitem-nos ainda inferir que os alunos t&ecirc;m consci&ecirc;ncia de que o franc&ecirc;s e o espanhol s&atilde;o as duas l&iacute;nguas que tipologicamente mais se aproximam do portugu&ecirc;s e, por isso, s&atilde;o aquelas a que eles mais recorrem para suprir as falhas que sentem na produ&ccedil;&atilde;o desta &uacute;ltima. T&ecirc;m igualmente consci&ecirc;ncia de que o l&eacute;xico e as estruturas do &aacute;rabe se afastam do portugu&ecirc;s, por ser uma l&iacute;ngua sem&iacute;tica, ao passo que esta &uacute;ltima &eacute; rom&acirc;nica, tal como o espanhol e o franc&ecirc;s. Logo, parece-nos que a proximidade tipol&oacute;gica &eacute; um fator que afeta as transfer&ecirc;ncias que estes alunos fazem para o portugu&ecirc;s, pois, como defende Hammarberg (op. cit.), “influence from L2 is favoured if L2 is typologically close to L3, especially if L1 is more distant”.</p>      <p>Outros fatores que influenciam as transfer&ecirc;ncias destes alunos s&atilde;o a exposi&ccedil;&atilde;o a l&iacute;nguas n&atilde;o maternas e a “<i>estrangeiridade</i>” das palavras. O primeiro resulta do facto de o franc&ecirc;s ter um estatuto privilegiado no pa&iacute;s, como consequ&ecirc;ncia do Protetorado (1912-1956), sendo a Administra&ccedil;&atilde;o marroquina em muitos aspetos bilingue, o seu ensino ser de car&aacute;ter obrigat&oacute;rio no sistema educativo marroquino e o ensino superior se fazer maioritariamente nesta l&iacute;ngua; resulta, tamb&eacute;m, de uma boa parte dos alunos j&aacute; possuir uma licenciatura em Estudos Hisp&acirc;nicos. H&aacute;, portanto, um contacto permanente com o franc&ecirc;s e bastante frequente com o espanhol, que potencia a transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica para o portugu&ecirc;s (Poulisse, op. cit.; Williams &amp; Hammarberg, op. cit.; Hammarberg, op. cit.). O segundo fator, influenciado pela dist&acirc;ncia tipol&oacute;gica das LM, L2 e L3/L<i>n</i>, reduz a possibilidade de transfer&ecirc;ncia da l&iacute;ngua &aacute;rabe, conferindo &agrave;s outras l&iacute;nguas j&aacute; adquiridas o tal car&aacute;ter de “<i>estrangeiridade</i>” que fomenta a transfer&ecirc;ncia lingu&iacute;stica destas para a l&iacute;ngua-alvo, pois “[t]he use of an interlanguage, perceived by the speaker as ‘foreign’, may well be referred over the use of the native language because it ‘sounds’ more foreign than the native language does” (De Angelis &amp; Selinker, op. cit.: 56).</p>      <p>A compet&ecirc;ncia lingu&iacute;stica na L3 &eacute; um outro fator a ter em conta, uma vez que a profici&ecirc;ncia destes alunos em portugu&ecirc;s ainda se encontra num n&iacute;vel inferior ao da(s) outra(s) l&iacute;ngua(s) estrangeira(s) j&aacute; adquirida(s), logo est&atilde;o criadas mais condi&ccedil;&otilde;es para que transfer&ecirc;ncias desta(s) &uacute;ltima(s) para a primeira se verifiquem. “In a situation where a learner who is very proficient in his L2 starts learning an L3 and hears the L2 around him, we can expect to find not only formally based L2-transfer, but also a few calques or semantic extensions errors” (Ringbom, 2001: 63).</p>      <p>Temos de ter presente que o corpus analisado foi recolhido nos tr&ecirc;s anos da licenciatura, estando os alunos inseridos em n&iacute;veis variados que v&atilde;o do elementar ao avan&ccedil;ado (A2-C1), conforme descrito no <i>QECR</i>. Portanto, as suas compet&ecirc;ncias lingu&iacute;sticas em portugu&ecirc;s, dependendo do n&iacute;vel, podem ser muito limitadas, pelo que facilmente eles sentem necessidade de recorrer aos conhecimentos pr&eacute;vios adquiridos em franc&ecirc;s e espanhol para preencher as lacunas que encontram na nova L3/L<i>n</i>.</p>      <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>      <p>O nosso estudo com alunos maioritariamente plurilingues foca alguns aspectos da aquisi&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o s&atilde;o vis&iacute;veis em alunos de L2, que apenas possuem como background lingu&iacute;stico a sua L1.</p>      <p>Os resultados obtidos, ainda que com um n&uacute;mero reduzido de participantes, dada a quantidade de alunos inscritos na licenciatura, permitiram-nos comprovar a hip&oacute;tese de partida, ou seja, as transfer&ecirc;ncias para o portugu&ecirc;s L3/L<i>n</i>, na aquisi&ccedil;&atilde;o do l&eacute;xico, ocorrem a partir de outras l&iacute;nguas n&atilde;o maternas que os alunos adquiriram previamente e n&atilde;o do &aacute;rabe. O que vem confirmar outros estudos publicados e j&aacute; referenciados neste artigo que advogam que a influ&ecirc;ncia da L2 na aquisi&ccedil;&atilde;o da L3/L<i>n</i>, nomeadamente atrav&eacute;s do processo de transfer&ecirc;ncia, pode exercer uma fun&ccedil;&atilde;o mais marcante do que a L1. Enquanto esta adquire o papel relevante na aquisi&ccedil;&atilde;o de L2, &agrave; qual os alunos recorrem para progredirem na sua interl&iacute;ngua, na aquisi&ccedil;&atilde;o multilingue, como v&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es comprovam, n&atilde;o est&aacute; envolvido necessariamente o mesmo background lingu&iacute;stico.</p>      <p>Este estudo confirmou que a transfer&ecirc;ncia da L1 nem sempre &eacute; dominante na aquisi&ccedil;&atilde;o de L3/L<i>n</i> e que as l&iacute;nguas n&atilde;o maternas podem desempenhar um papel mais preponderante na aquisi&ccedil;&atilde;o de l&eacute;xico do que a primeira. Os resultados confirmaram ainda que existem, efectivamente, factores que afectam a transfer&ecirc;ncia das l&iacute;nguas previamente adquiridas para a l&iacute;ngua-alvo. O facto de os alunos informantes estarem expostos a outras l&iacute;nguas estrangeiras (nomeadamente o franc&ecirc;s e o espanhol), tipologicamente pr&oacute;ximas do portugu&ecirc;s, influencia a aquisi&ccedil;&atilde;o desta &uacute;ltima l&iacute;ngua. Eles demonstraram ter consci&ecirc;ncia da dist&acirc;ncia tipol&oacute;gica que existe entre o &aacute;rabe e o portugu&ecirc;s, reduzindo, por isso, nos corpora analisados, &agrave; nulidade as transfer&ecirc;ncias daquela l&iacute;ngua para esta. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cenoz, J. (2000), “Research on multilingual acquisition”, in J. Cenoz &amp; U. Jessner (eds.), <i>English in Europe: The acquisition of a third language</i>, Clevedon, Multilingual Matters, pp. 39-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000273&pid=S0807-8967201200010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cenoz, J. (2001), “The effect of linguistic distance, L2 status and age on cross-linguistic influence in third language acquisition”, in J. Cenoz, B. Hefeisen &amp; U. Jessner (eds.), <i>Cross-linguistic Influence in Third Language Acquisition: Psycholinguistic Perspectives</i>, Clevedon, Multilingual Matters, pp. 8-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000275&pid=S0807-8967201200010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cenoz, J. (2003), “The additive effect of bilingualism on third language acquisition: a review”, <i>The International Journal of Bilingualism</i>, 7 (1), pp. 1-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000277&pid=S0807-8967201200010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cenoz, J.; Hefeisen, B. &amp; Jessner, U. (eds.) (2003), <i>Cross-linguistic Influence in Third Language Acquisition: Psycholinguistic Perspectives</i>, Clevedon, Multilingual Matters.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000279&pid=S0807-8967201200010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Conselho da Europa (2001), <i>Quadro europeu comum de refer&ecirc;ncia para as l&iacute;nguas: aprendizagem, ensino, avalia&ccedil;&atilde;o</i>, Porto, Asa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000281&pid=S0807-8967201200010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cook, V. (1996a), “Competence and multi-competence”, in G. Brown, K. Malmkjaer &amp; J. Williams (eds.), <i>Performance and Competence in Second Language Acquisition</i>, Cambridge, Cambridge University Press, pp. 57-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000283&pid=S0807-8967201200010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cook, V. (1996b), <i>Second language learning and teaching</i>, London, Arnold&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000285&pid=S0807-8967201200010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>De Angelis, G. (2007), <i>Third Additional Language Acquisition</i>, Clevedon, Multilingual Matters.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000286&pid=S0807-8967201200010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>De Angelis, G. &amp; Selinker, L. (2001), “Interlanguage Transfer and Competing Linguistic Systems in the Multilingual Mind”, in J. Cenoz, B. Hefeisen &amp; U. Jessner (eds.), <i>Cross-linguistic Influence in Third Language Acquisition: Psycholinguistic Perspectives</i>, Clevedon, Multilingual Matters, pp. 42-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000288&pid=S0807-8967201200010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Dewaele, J-M. (1998), “Lexical inventions: French interlanguage as L2 versus L3”, <i>Applied Linguistics</i>, 19, pp. 471-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000290&pid=S0807-8967201200010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ellis, R. (1997), <i>SLA Research and Language Teaching</i>, Oxford, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000292&pid=S0807-8967201200010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gass, S. (1996), “L2 acquisition and linguistic theory: the role of language transfer”, in W. Ritchie &amp; T. Bhatia (eds.), <i>Handbook of L2 acquisition</i>, San Diego, CA, Academic Press, pp. 317-345.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000294&pid=S0807-8967201200010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gonz&aacute;lez Pi&ntilde;eiro, M.; Guill&eacute;n D&iacute;az, C. &amp; Vez, J. M. (2010), <i>Did&aacute;ctica de las lenguas modernas. Competencia pluriling&uuml;e e intercultural</i>, Madrid, Editorial Sintesis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000296&pid=S0807-8967201200010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Grosjean, F. (2001), “The Bilingual's Language Modes”, in J.L. Nicol (ed.), <i>One Mind, Two Languages: Bilingual Languages Processing</i>, Oxford, Blackwell, pp. 1-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000298&pid=S0807-8967201200010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hammarberg, B. (2001), “Roles of L1 and L2 in L3 Production and Acquisition”, in J. Cenoz, B. Hefeisen &amp; U. Jessner (eds.), <i>Cross-linguistic Influence in Third Language Acquisition: Psycholinguistic Perspectives</i>, Clevedon, Multilingual Matters, pp. 21-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000300&pid=S0807-8967201200010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Herdina, P. &amp; Jessner, U. (2000), “The dynamics of a third language acquisition”, in J. Cenoz &amp; U. Jessner (eds.), <i>English in Europe – The Acquisition of a Third Language</i>, Clevedon, Multilingual Matters, pp. 84-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000302&pid=S0807-8967201200010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Herdina, P. &amp; Jessner, U. (2002), <i>A Dynamic Model of Multilingualism</i>, Clevedon, Multilingual Matters.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000304&pid=S0807-8967201200010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Jessner, U. (1999), “Metalinguistic Awareness in Multilinguals: Cognitive Aspects of Third Language Learning”, <i>Language Awareness</i>, 8 (3&amp;4), pp. 201-209.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000306&pid=S0807-8967201200010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Jessner, U. (2003), “On the nature of crosslinguistic interaction in multilinguals”, in J. Cenoz, B. Hufeisen &amp; U. Jessner (eds.), <i>The multilingual lexicon</i>, Dordrecht, Kluwer, pp. 45-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000308&pid=S0807-8967201200010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Jessner, U. (2008), “Teaching third languages: findings, trends and challenges”, <i>Language Teaching</i>, 41 (1), pp. 15-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000310&pid=S0807-8967201200010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kellerman, E. (1984), “The Empirical Evidence for the Influence of the L1 in Interlanguage”, in A. Davies, C. Criper &amp; A. Howatt (eds.), <i>Interlanguage, </i>Edinburgh, University, pp. 98-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000312&pid=S0807-8967201200010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Krashen, S. (1981). <i>Second Language Acquisition and Second Language Learning</i>. Oxford: Pergamon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000314&pid=S0807-8967201200010000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Klein, W. (1986). <i>Second Language Acquisition</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000316&pid=S0807-8967201200010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Leiria, I. (2004), “Portugu&ecirc;s L&iacute;ngua Segunda e L&iacute;ngua Estrangeira: investiga&ccedil;&atilde;o e ensino”, <i>Idiom&aacute;tico</i>, dispon&iacute;vel em <a href="http://cvc.instituto-camoes.pt/idiomatico/03/portuguesLSeLE.pdf" target="_blank">http://cvc.instituto-camoes.pt/idiomatico/03/portuguesLSeLE.pdf</a>, consultado em 15/06/2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000318&pid=S0807-8967201200010000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Leiria, I. (2006), <i>L&eacute;xico, aquisi&ccedil;&atilde;o e ensino do portugu&ecirc;s europeu l&iacute;ngua n&atilde;o materna</i>, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000320&pid=S0807-8967201200010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Moln&aacute;r, T. (2008), “Second language versus third language vocabulary acquisition: A comparison of the English lexical competence of monolingual and bilingual students”, <i>Toronto Working Papers in Linguistics</i> <i>(TWPL)</i>, 33, dispon&iacute;vel em: <a href="http://twpl.library.utoronto.ca/index.php/twpl/article/view/6893/12728" target="_blank">http://twpl.library.utoronto.ca/index.php/twpl/article/view/6893/12728</a>, consultado em 20/02/2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000322&pid=S0807-8967201200010000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Murphy, S. (2003), “Second language transfer during third language acquisition”, <i>Teachers College, Columbia University Working Papers in TESOL &amp; Applied Linguistics</i>, 3 (1), pp. 1-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000324&pid=S0807-8967201200010000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Odlin, T. (1989), <i>Language transfer. Cross-linguistic Influence in Language Learning</i>, Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000326&pid=S0807-8967201200010000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ortega, M. (2008), “Cross-linguistic influence in multilingual language acquisition: The role of L1 and non-native languages in English and Catalan oral production”, <i>&Iacute;kala, revista de lenguaje y cultura</i>, 13 (19), pp. 121-142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000328&pid=S0807-8967201200010000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Poulisse, N. (1997), “Language production in bilinguals”, in A. M. B. de Groot &amp; J. Kroll (eds.), <i>Tutorials in Bilingualism. Psycholinguistic Perspectives</i>, Mahwah, NJ, Lawrence Erlbaum Associates, pp. 201-224.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000330&pid=S0807-8967201200010000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Puren, C. (1998), “Didactique scolaire des langues vivantes &eacute;trang&egrave;res en France et didactique fran&ccedil;aise du fran&ccedil;ais langue &eacute;trang&egrave;re”, <i>&Eacute;tudes de Linguistique Appliqu&eacute;e</i>, <i>111</i>, pp. 359-383.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000332&pid=S0807-8967201200010000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ringbom, H. (2001), “Lexical Transfer in L3 Production”, in J. Cenoz, B. Hefeisen &amp; U. Jessner (eds.), <i>Cross-linguistic Influence in Third Language Acquisition: Psycholinguistic Perspectives</i>, Clevedon, Multilingual Matters, pp. 59-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000334&pid=S0807-8967201200010000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ringbom, H. (2007), <i>Crosslinguistic similarity in foreign language learning</i>, Clevedon, Multilingual Matters.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000336&pid=S0807-8967201200010000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rothman, J.; Iverson, M. &amp; Judy, T. (2011), “Some notes on the generative study of L3 acquisition”, <i>Second Language Research</i>, 27 (1), pp. 5-19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000338&pid=S0807-8967201200010000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Roulet, E. (1980), <i>Langue maternelle et langues secondes: vers une p&eacute;dagogie int&eacute;gr&eacute;e</i>, Paris, Hatier-Cr&eacute;dif.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000340&pid=S0807-8967201200010000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Safont Jord&agrave;, M. P. (2005), <i>Third language learners. Pragmatic Production and Awareness</i>, Clevedon, Multilingual Matters.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000342&pid=S0807-8967201200010000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Sharwood Smith, M. (1994), <i>Second Language Acquisition: Theoretical Foundations</i>, London, Longman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000344&pid=S0807-8967201200010000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Williams, S. &amp; Hammarberg, B. (1998), “Language switches in L3 production: Implications for a polyglot speaking model”, <i>Applied Linguistics</i>, 19, pp. 295-333.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000346&pid=S0807-8967201200010000800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1" >[1]</a></sup> De Angelis &amp; Selinker (2001: 56)</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2" >[2]</a></sup> ‘talk foreign’</p>      <p><sup><a href="#top3" name="3" >[3]</a></sup> ‘foreign language mode’</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top4" name="4" >[4]</a></sup> Em espanhol <i>cocina</i>, mas a ortografia do aluno conduz a associar esta forma ao franc&ecirc;s.</p>       ]]></body><back>
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